Terapia da mão
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As principais Sı́ndromes Compressivas do MS sã o: Sı́ndrome Compressiva do Nervo
Torá cico Longo, Sı́ndrome do Desfiladeiro Torá cico, Sı́ndrome do Tú nel Radial, Sı́ndrome
do Tú nel Cubital, Sı́ndrome do Pronador, Sı́ndrome do Nervo Interó sseo Anterior, Sı́ndrome
do Nervo Interó sseo Posterior, Sı́ndrome do Tú nel do Carpo e Sı́ndrome do Tú nel Ulnar
(SILVA; GAZZELLE; TEIXEIRA, 2009).
A mais comum dentre elas é a Síndrome do Tú nel do Carpo, seguida pela Síndrome do
Tú nel Cubital (ROLDAO, 2020).
As Sı́ndromes Compressivas do MS sã o, como o pró prio nome nos indica, causadas pela
compressã o de nervos derivados do plexo braquial. Elas podem ter origem em fatores
ocupacionais, tais como a ação repetida de pronação, supinação e flexã o, assim como o
uso excessivo do membro e movimentos repetitivos com o mesmo e/ou especificidades
anató micas. Os fatores nã o ocupacionais constituem fraturas do punho, artrite
reumatoide, tumores, inflamações, saliê ncias ó sseas e torniquetes (SILVA; GAZZELLE;
TEIXEIRA, 2009; MAGALHAES; FERREIRA, 2016).
Síndrome do Túnel do Carpo
A Síndrome do Túnel do Carpo é caracterizada pela compressão do nervo mediano, que
pode ser comprimido na regiã o do tú nel do carpo por proliferação tenossinovial,
anormalidade da articulação do pulso, tumor ou anomalia muscular (ROLDAO, 2020).
As manifestações clı́nicas da STC e seu respectivo tratamento cirú rgico foram relatados
por Phalen na década de 1950, que dividiu os pacientes com STC em trê s grandes
categorias:
1. Sintomatologia leve intermitente: Dor, dormê ncia e formigamento na á rea de
representação do nervo mediano, predominantemente noturno, acordando o paciente
várias vezes; sintomas diurnos posicionais como dirigir, segurar objetos na mesma posição
ou fazer trabalhos manuais. O retorno à normalidade é alcançado rapidamente por
mudança de postura ou movimentação das mã os; o exame neuroló gico está normal e os
testes de Tinel e Phalen podem estar positivos.
2. Sintomatologia persistente: Dé ficit sensitivo e perda da habilidade manual (dé ficit
para pinçamento); dor tipo queimação, dormê ncia mais acentuada, sensação de edema e
congestã o na mã o; melhora muito mais lenta mesmo com mudança de postura ou
movimentação das mã os; o exame neuroló gico revela dé ficit sensitivo e motor, Tinel e
Phalen positivos e eventualmente atrofia tenar; os achados clı́nicos nã o dependem do
tempo de compressã o e sim do grau de lesã o ao nervo mediano. O exame de condução
nervosa revela lentificação evidente do nervo mediano no carpo.
3. STC grave: Acentuada perda sensitiva, inclusive discriminação de 2 pontos, com
dé ficit funcional grave e acentuada atrofia tenar e de pele; prognó stico mais reservado
mesmo apó s descompressã o.
O tratamento muitas vezes é cirúrgico, mas dependendo do grau de acometimento por ser
realizado o tratamento conservador:
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Eletroterapia;
Termoterapia;
Exercícios deslizamento tendinoso;
Exercícios deslizamento nervo mediano;
Técnicas de mobilização articular do punho;
Orientações sobre posturas;
Ferramentas adequadas, suportes acolchoados;
Repouso relativo e rodízio de atividades;
Órtese estática punho em posição neutra.
Lesões Nervosas Periféricas da Mão
Os nervos são formados por fibras nervosas, tecido conjuntivo e células de Schwann, sua
estrutura filamentosa é formada por axônios e dendritos. Têm como função a transmissão
dos impulsos elétricos (Potencial de ação) em todo o organismo humano através do
Sistema Nervoso Central (SNC), estabelecendo a comunicação entre as partes motoras e
sensitivas no corpo humano (GRANT; GOODKIN; KLIOT, 1999).
As lesões nervosas são mais comuns em traumas, politraumas e cirurgias, sendo estes
traumas provenientes de uma laceração, esmagamento ou avulsão. Segundo Seddon et
al. (1975), as lesões podem ser classificadas em neuropraxia, axonotmese e a neuotmese
e segundo Sunderland et al. (1978), essa classificação pode ser dividida em graus.
No grau I, a neuropraxia é caracterizada pelo bloqueio fisiológico da condução do estímulo
devido à compressão do nervo, podendo causar paralisia, leva perda motora e sensitiva. A
neuropraxia é temporária devido à ausência de degradação impedindo a presença de
sequelas permanentes onde ocorre a recuperação integral do nervo (SEDDON, 1975;
SUNDERLAND, 1981).
A axonotmese ocorre quando há a perda da continuidade do axônio, ou seja, quando há o
comprometimento parcial dos axônios e bainha de mielina (Bainha de Shawann), situação
presente em esmagamento, estiramento ou por percursão, entretanto, por ser parcial, a
neurilema permanece sem alteração e dependendo da quantidade de fibras lesadas, pode
causar sequelas.
As sequelas correspondentes ao grau II podem seguir de uma reparação sem sequelas,
sendo mais demorada que no grau I (SEDDON, 1975; SUNDERLAND, 1981).
Na neurotmese, classificada em Grau III, leva a perda das bainhas de mielinas onde ao
depender de seu nível de destruição, pode resultar em uma recuperação incompleta. Na
neurotmese pode haver o misto de axonotmética e neurotmética sendo no grau IV. No
Grau V, ocorre a secção total do nervo que assim como no grau IV, impossibilita a
recuperação espontânea (SEDDON, 1975; SUNDERLAND, 1981).
A avaliação do indivíduo com suspeita de lesão nervosa periférica deve ser completa e
individualizada, englobando os seguintes aspectos:
Função muscular: Grupos musculares, músculos isolados, teste manual e
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dinamometria;
Sensibilidade;
Goniometria Ativa e passiva;
Escala Numérica de Dor (END);
Avaliação Funcional (DASH);
Testes específicos: Sinal de Tinel (percussão nervo), Teste de Phalen / Phalen
invertido, Teste de Durkan (pressão externa canal carpo).
O tratamento mais indicado é cirúrgico, após podem ser realizadas as seguintes
condutas:
Imobilização (órtese);
Prevenção e controle do edema;
Manuseio da cicatriz;
Manutenção ADM e trofismo muscular;
Eletroestimulação;
Dessensibilização;
Reeducação sensibilidade;
Treino funcional.
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Referências
DAWSON, D. M.; HALLETT, M.; MILLENDER, L. H. Entrapment Neuropathies. 2nd Ed.,
1990, Little, Brown and Company, Boston/Toronto.
GRANT, G. A.; GOODKIN, R.; KLIOT, M. Evaluation and surgical management of peripheral
nerve problems. Neurosurgery. v. 44, n. 4, p. 825-39, 1999.
MAGALHAES, M. J.; FERREIRA, V. M. Sı́ndrome compressiva de mú ltiplos nervos na
dermatopolimiosite: relato de caso. Arquivos Brasileiros de Neurocirurgia, n.35, p.
85-88, 2016.
ROLDAO, E. J. C. Terapia Ocupacional e Disfunções Musculoesqueléticas: Síndromes
Compressivas do Membro Superior – Caderno nº 2. Politécnico de Leiria – Porto, 2020.
SEDDON, H. J. Surgical disorders of the peripheral nerves. 2nd ed. Edinburgh:
Churchill Livingstone; 1975.
SILVA, J. L.; GAZZELLE, A.; TEIXEIRA, C. Conduta atual nas sı́ndromes compressivas do
membro superior. Revista da Associação Mé dica do Rio Grande do Sul, p, 169-174,
2009.
SILVA, W. R. G. et. al. Neuropraxia, axonotmese e neurotmese, causas, características e
tratamentos das lesões nervosas na odontologia: uma revisão de literatura. Facit
Business and Technology Journal.
SUNDERLAND, S. Cranial nerve injury. Structural and pathophysiological considerations
and a classification of nerve injuries. In: Samii M, Jannetta PJ (Eds.): The Cranial Nerves.
New York: Springer- Verlag. p. 16-23, 1981.
SUNDERLAND, S. Nerves and nerve injury. 2nd Ed., Edinburgh. Churchill Livingstone;
1978.