A ausência ou baixa atividade da enzima 5α-redutase no músculo
esquelético levanta um questionamento interessante sobre como os
esteroides derivados do DHT promovem hipertrofia muscular. Para
entender esse fenômeno, é essencial analisar a ação desses compostos
em nível molecular e como suas características químicas permitem que
tenham efeitos anabólicos, mesmo sem depender diretamente da
conversão da testosterona em DHT dentro do tecido muscular.
1. O Papel da 5α-Redutase e a Conversão da Testosterona em DHT
A 5α-redutase é a enzima responsável por converter a testosterona em di-
hidrotestosterona (DHT). Esse processo ocorre principalmente em tecidos
como próstata, couro cabeludo e pele, onde o DHT desempenha funções
específicas, como desenvolvimento de características sexuais secundárias
e regulação da saúde da próstata. No músculo esquelético, essa enzima
está praticamente ausente ou tem atividade insignificante, o que significa
que a conversão local de testosterona em DHT não é um mecanismo
relevante para o crescimento muscular.
2. Esteroides Derivados do DHT e Seus Efeitos Anabólicos
Apesar da baixa atividade da 5α-redutase no músculo, os esteroides
derivados do DHT promovem hipertrofia de forma significativa. Isso ocorre
porque essas substâncias já são modificadas estruturalmente para
apresentarem um perfil altamente anabólico e resistirem à metabolização
em tecidos específicos. Alguns fatores explicam essa ação:
Alta afinidade pelo receptor androgênico (AR): Os esteroides
derivados do DHT possuem uma afinidade muito elevada pelos
receptores androgênicos do músculo esquelético. Isso significa que,
ao se ligarem a esses receptores, desencadeiam uma cascata de
sinalização que ativa genes responsáveis pela síntese proteica e
crescimento muscular.
Resistência à aromatização: Ao contrário da testosterona, os
esteroides derivados do DHT não se convertem em estrogênio via
aromatase. Isso evita efeitos indesejados relacionados ao
estrogênio excessivo e mantém um ambiente hormonal mais
propício à hipertrofia.
Modificações químicas para potencializar o efeito anabólico:
Muitos esteroides derivados do DHT sofrem alterações estruturais
(como adição de grupos metil ou ésteres específicos) para aumentar
sua meia-vida, biodisponibilidade e eficácia no estímulo ao
crescimento muscular.
Atuação em vias secundárias de crescimento: Além da ativação
direta dos receptores androgênicos, os esteroides derivados do DHT
podem influenciar fatores de crescimento, como o IGF-1 e a via
mTOR, que desempenham um papel crucial na hipertrofia muscular.
3. Conclusão
Embora o DHT natural não tenha um papel significativo na hipertrofia
muscular devido à ausência da 5α-redutase no músculo esquelético, os
esteroides derivados dele são modificados para apresentar um efeito
anabólico potente. Isso ocorre devido à sua alta afinidade pelo receptor
androgênico, resistência à conversão em estrogênio e atuação em
múltiplas vias de crescimento muscular. Dessa forma, essas substâncias
conseguem promover hipertrofia de maneira eficaz, independentemente
da conversão enzimática dentro do músculo.