Processo Judicial Eletrônico - 1º Grau
PJe - Processo Judicial Eletrônico
03/08/2021
Número: 7001718-74.2021.8.22.0005
Classe: PROCEDIMENTO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL
Órgão julgador: Ji-Paraná - 1ª Juizado Especial
Última distribuição : 24/02/2021
Valor da causa: R$ 3.759,82
Assuntos: Adicional de Insalubridade
Juízo 100% Digital? NÃO
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? SIM
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? NÃO
Partes Procurador/Terceiro vinculado
ADOLFO JANSEN (AUTOR) JOHNE MARCOS PINTO ALVES (ADVOGADO)
MUNICIPIO DE JI-PARANA (RÉU)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
59848 12/07/2021 15:00 RI 7001718-74.2021.8.22.0005 PETIÇÃO
701
MUNICÍPIO DE JI-PARANÁ
PROCURADORIA-GERAL DO MUNICÍPIO
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO JUIZADO
ESPECIAL DA COMARCA DE JI-PARANÁ
Processo nº 7001718-74.2021.8.22.0005
Recorrente: MUNICÍPIO DE JI-PARANÁ
Recorrido: ADOLFO JANSEN
MUNICÍPIO DE JI-PARANÁ, por meio do procurador signatário, vem
perante Vossa Excelência interpor RECURSO INOMINADO da decisão de Id
58972015, conforme razões anexas, requerendo seja recebido em ambos os
efeitos e remetido à E. Turma Recursal a fim de que seja conhecido e provido.
Termos em que pede deferimento.
Ji-Paraná, 09 de Julho de 2021.
MARCOS SIMÃO DE SOUZA
Procurador do Município
Patrícia Machado de Oliveira
Estagiaria de Direito
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MUNICÍPIO DE JI-PARANÁ
PROCURADORIA-GERAL DO MUNICÍPIO
RAZÕES DE RECURSO
Processo nº 7001718-74.2021.8.22.0005
Recorrente: MUNICÍPIO DE JI-PARANÁ
Recorrido: ADOLFO JANSEN
Colenda Turma,
Douto Relator
O Município de Ji-Paraná não se conformando com a sentença prolatada
nos autos em epígrafe, interpõe o presente recurso a fim de que esta E. Turma
reforme a decisão recorrida, pelos fundamentos que adiante seguem.
1. SÍNTESE DO PROCESSO
Trata-se de ação de cobrança de adicional de insalubridade. O recorrido
é servidor público municipal do quadro efetivo do Município, admitido em 25 de
Julho de 2000, sob regime estatutário, no cargo de Operador Ecológico - ADM,
sendo lotado (a) na SEMUSA – Vigilância Ambiental.
Fundamentou o seu pedido em laudo particular realizado em outubro de
2020, postulando a percepção de adicional de insalubridade em grau máximo
(40%), e de forma retroativa, sob a alegação de que desde sua contratação se
encontra exposto à condições de trabalho em prejuízo da sua saúde (verifica a
existência de lixeiras nas residências, fossas danificadas ou degradadas, coleta
de amostras de água, e visitas ao “lixão”, aterro sanitário e à cooperativa de
catadores da cidade).
Sobreveio sentença de mérito determinando o pagamento do adicional
em grau médio (20%).
2. DA SENTENÇA RECORRIDA E DAS RAZÕES DO PEDIDO DE
REFORMA.
Ao julgar a demanda o Juízo a quo assim decidiu:
DISPOSITIVO - Posto isso, nos termos do art. 487, I, do CPC,
julgo PROCEDENTE o pedido que ADOLFO JANSEN, formula em
face do Município de Ji-Paraná para condená-lo a pagar o adicional
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de insalubridade no importe de 20 % sobre o salário mínimo desde
a data da admissão, respeitado o período prescricional de 5 anos da
data da propositura da ação, até a efetiva implantação em folha de
pagamento, e seus reflexos em caso de habitualidade, bem como
proceder a implantação do referido adicional no patamar de 20 %
sobre o salário mínimo (grau médio), cujo valor total deverá ser
apurado mediante simples cálculo aritmético, com correção monetária
a partir dos vencimentos mensais não efetivados, e juros a contar da
citação, nos termos do RE 870947/SE (tema 810 do STF) e Recurso
Especial 1.492.221 (tema 905 do STJ).
Eventuais valores recebidos administrativamente deverão ser
descontados/abatidos.
Sem custas, honorários ou reexame necessário, por força do artigos
51 da Lei n. 9.099/95 e 11 da Lei n. 12.153/2009. Sentença publicada
e registrada pelo sistema.
No fundamento da decisão, o juízo a quo acolheu o pedido da parte sob
o argumento de “Inexistente qualquer outro documento técnico acompanhado
de conclusão diversa, tampouco elementos probatórios mínimos hábeis a
desconstituir a perícia realizada (art. 373, II, CPC)”.
É do conhecimento do juízo de primeira instância a existência de Laudo
de Perícia Oficial adotado pela SEMUSA desde dezembro de 2019.
De todo modo, sucedeu que na fase de contestação, por algum lapso, a
peça contestatória e o Laudo Pericial não foram juntados, conforme se verifica
abaixo:
Como se vê, apenas a especificação do documento e o texto “segue em
PDF” é que foi juntado.
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Esse fato explica por que o Juízo sentenciante acolheu o laudo particular
sem reservas, por entender que não haveria outro documento técnico apto para
lhe opor (isso, mesmo já sabendo da existência do Laudo Oficial).
2.1 DO REGRAMENTO DO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE
No âmbito do Município de Ji-Paraná, o adicional de insalubridade é
regido pela Lei nº 1.405/2005, que expressamente remete à legislação federal
a disciplina das situações que são configuradas como insalubres.
Veja-se:
Art. 72. Os servidores que trabalhem, com habitualidade, em locais
ou condições insalubres fazem jus a gratificação por insalubridade,
conforme dispuser regulamento específico emanado do Chefe do
Poder Executivo.
(...)
Art. 75. No disciplinamento interno, para a concessão das
gratificações por insalubridade ou periculosidade, serão observadas,
tanto quanto possível, as situações estabelecidas em legislação
federal específica.
Parágrafo Único. O Município adotará, para as situações idênticas ou
assemelhadas, a legislação referida no caput, competindo a cada
Secretaria indicar os respectivos casos e requerer a emissão de
laudo pericial circunstanciado do médico do trabalho.
Como se vê no dispositivo acima e conforme previsto no art. 190, da
CLT, o reconhecimento da existência de insalubridade no local de trabalho (que
justifique o pagamento do adicional) pressupõe a demonstração de que a
exposição a agentes nocivos à saúde ocorra acima dos limites de tolerância
fixados no quadro de atividades e operações insalubres aprovado pelo
Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, como previsto na CLT:
Art. 190. O Ministério do Trabalho aprovará o quadro das atividades
e operações insalubres e adotará normas sobre os critérios de
caracterização da insalubridade, os limites de tolerância aos
agentes agressivos, meios de proteção e o tempo máximo de
exposição do empregado a esses agentes.
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Atividade ou operação insalubre é toda aquela que se desenvolve acima
dos limites de tolerância previstos nos anexos 1, 2, 3, 5, 11 e 12 da NR 15,
Portaria n. 3.214 do Ministério do Trabalho e Emprego, que revogou a Portaria
n. 12/1979.
Como sabido, a classificação atividade como formalmente insalubre
depende de comprovação por meio de inspeção do local de trabalho, e
realizada somente por profissional médico ou engenheiro do trabalho habilitado
perante o Ministério do Trabalho e Emprego, como determina a legislação a
respeito da matéria (CLT):
Art. 195 - A caracterização e a classificação da insalubridade e da
periculosidade, segundo as normas do Ministério do Trabalho, far-se-
ão através de perícia a cargo de Médico do Trabalho ou
Engenheiro do Trabalho, registrados no Ministério do Trabalho.
(...)
§ 2º - Argüida em juízo insalubridade ou periculosidade, seja por
empregado, seja por Sindicato em favor de grupo de associado, o
juiz designará perito habilitado na forma deste artigo, e, onde não
houver, requisitará perícia ao órgão competente do Ministério do
Trabalho.
A seu turno, a doutrina trabalhista ensina que:
Serão consideradas atividades insalubres ou perigosas aquelas que,
por sua natureza, submetam ou exponham o empregado a situações
nocivas ou perigosas à saúde. Entretanto, para que o empregado
tenha direito à percepção do adicional legal, as atividades
laborais devem ser desenvolvidas em condições insalubres e
perigosas acima dos limites de tolerância fixados pelo Ministério
do Trabalho ou por lei. As atividades que são consideradas
insalubres ou perigosas pelo Ministério do Trabalho, bem como seus
limites de tolerância, estão taxativamente previstos nos quadros das
atividades (arts. 189 e 190 da CLT). (CASSAR, Vólia Bomfim. Direito
do Trabalho. 5ª ed. Rio de Janeiro: Impetus, 2011, p. 878).
Diante disso, não há dúvida que a concessão de adicional de
insalubridade deva ser precedida de laudo pericial específico a fim de se aferir
se as atividades desempenhadas pelo servidor enquadram-se nas situações
legais que ensejam a percepção da referida verba, a saber : a) se durante o
labor o servidor fica exposto à agente insalubre; b) se o grau de insalubridade
excede os limites havidos como tolerados; e c) se a exposição é habitual.
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Portanto, pelo dispostos nos artigos 189 e 195 da CLT e no artigo 75
da Lei Municipal n. 1405/2005, as atividades que a Autora desempenha em seu
ambiente de não são classificadas como insalubres em níveis que justifiquem o
pagamento do adicional de insalubridade.
2.2 INSALUBRIDADE EM GRAU MÁXIMO (40%). IMPRESCINDIBILIDADE
DO ENQUADRAMENTO DA ATIVIDADE COMO INSALUBRE. NR-15/MTE.
Na medida em que a legislação federal expressamente estabelece
quais são os agentes considerados nocivos à saúde, não se mostra
suficiente que um laudo pericial mencione genericamente que o
trabalhador trabalha exposto a agentes insalubres para que ele tenha
direito ao respectivo adicional salarial.
É imprescindível, também, que a função desempenhada esteja prevista
na relação oficial das atividades insalubres elaborada pelo MTE (atualmente
atribuição do Ministério da Economia), tal como definido pela Norma
Regulamentadora nº 15.
Esse é o entendimento há muito tempo consolidado no âmbito do STF
e do TST, conforme se pode observar das Súmulas 460 (STF) e 448 (TST), in
verbis:
SÚMULA 460 - STF
Para efeito do adicional de insalubridade, a perícia judicial, em
reclamação trabalhista, não dispensa o enquadramento da
atividade entre as insalubres, que é ato da competência do ministro
do trabalho e previdência social.
SÚMULA 448 - TST
ATIVIDADE INSALUBRE. CARACTERIZAÇÃO. PREVISÃO NA
NORMA REGULAMENTADORA Nº 15 DA PORTARIA DO
MINISTÉRIO DO TRABALHO Nº 3.214/78. INSTALAÇÕES
SANITÁRIAS. I - Não basta a constatação da insalubridade por meio
de laudo pericial para que o empregado tenha direito ao respectivo
adicional, sendo necessária a classificação da atividade insalubre
na relação oficial elaborada pelo Ministério do Trabalho.
Cite-se, como exemplo, caso em que o TST, no Recurso de Revista nº
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RR-183/2001-120-15-00.3, julgou improcedente pedido formulado em ação
proposta por ex-empregado de uma empresa no ramo de cana-de-açúcar na
qual pleiteava, entre outros direitos, o pagamento de adicional de insalubridade
sob a alegação de era insalubre o trabalho a céu aberto com exposição a forte
radiação solar, umidade, calor, poeira e ruído.
Mesmo com o laudo elaborado por perito designado pelo Juízo de
primeiro grau apontando que o trabalho era considerada insalubre, o TST
negou o pedido ao ex-empregado, uma vez que o trabalho rural não está
previsto na relação oficial do Ministério do Trabalho e Emprego (anexos da NR-
15).
As atividades consideradas insalubres por contato com agentes
biológicos, como é o caso alegado pelo (a) requerente, estão previstas no
anexo 14 da Norma Regulamentadora 15 do Ministério do Trabalho, in verbis:
NR 15 - ATIVIDADES E OPERAÇÕES INSALUBRES
(...)
ANEXO N.º 14
AGENTES BIOLÓGICOS
Relação das atividades que envolvem agentes biológicos, cuja
insalubridade é caracterizada pela avaliação qualitativa.
Insalubridade de grau máximo:
Trabalho ou operações, em contato permanente com:
- pacientes em isolamento por doenças infectocontagiosas, bem
como objetos de seu uso, não previamente esterilizados;
- carnes, glândulas, vísceras, sangue, ossos, couros, pêlos e
dejeções de animais portadores de doenças infectocontagiosas
(carbunculose, brucelose, tuberculose);
- esgotos (galerias e tanques);
- lixo urbano (coleta e industrialização).
Insalubridade de grau médio:
Trabalhos e operações em contato permanente com pacientes,
animais ou com material infecto-contagiante, em:
- hospitais, serviços de emergência, enfermarias, ambulatórios,
postos de vacinação e outros estabelecimentos destinados aos
cuidados da saúde humana (aplica-se unicamente ao pessoal que
tenha contato com os pacientes, bem como aos que manuseiam
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objetos de uso desses pacientes, não previamente esterilizados);
- hospitais, ambulatórios, postos de vacinação e outros
estabelecimentos destinados ao atendimento e tratamento de animais
(aplica-se apenas ao pessoal que tenha contato com tais animais);
- contato em laboratórios, com animais destinados ao preparo de
soro, vacinas e outros produtos;
- laboratórios de análise clínica e histopatologia (aplica-se tão-só ao
pessoal técnico);
- gabinetes de autópsias, de anatomia e histoanatomopatologia
(aplica-se somente ao pessoal técnico);
- cemitérios (exumação de corpos);
- estábulos e cavalariças; e
- resíduos de animais deteriorados.
Por tais razões, há que se reconhecer que as atividades desenvolvidas
pelo (a) requerente não se enquadram na hipótese de “contato com pacientes,
animais ou material infectocontagioso em hospitais, serviços de emergência,
enfermarias, ambulatórios, postos de vacinação e outros estabelecimentos
destinados à saúde humana”.
Portanto, ainda que algum laudo pericial particular aponte que as
atividades desempenhadas pelo (a) requerente estejam submetidas à
exposição de agentes insalubres a pretensão há que ser julgada
improcedente, diante da ausência de previsão específica de tal atividade
na NR-15, do MTE, ou de qualquer outra norma federal ou municipal.
No caso em apreço, ação de situações idênticas foi julgada nesta E.
Justiça deste Estado nos autos n. 7001135-94.2018.822.0005, conforme
sentença anexa, a qual merece ser transcrita em parte pela sua clareza e
didática:
“A concessão de quaisquer vantagens ao servidor depende de
expressa previsão legal, nos termos do artigo 37, caput, da
Constituição Federal. No que se refere especificamente à parcela
discutida no presente feito, adicional de insalubridade, este é objeto
de previsão constitucional no artigo 7º, inciso XXIII, não sendo
aplicável diretamente aos servidores públicos, por força da regra
inscrita no artigo 39, § 3º, da Carta Magna, dependendo de
regulamentação pelo Poder Executivo do ente federativo específico,
competindo, na espécie, aos Municípios disporem acerca do regime
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de trabalho e remuneração dos seus servidores, visto tratar-se de
matéria de interesse local.
Nesse prisma, segue o precedente:
ADMINISTRATIVO.SERVIDORMUNICIPALDEBELMONTE.ADICION
ALDEINSALUBRIDADE.AUSÊNCIA DE NORMA
REGULAMENTADORA ACERCA DOS CASOS DE INCIDÊNCIA,
PERCENTUAIS, ATIVIDADES CONSIDERADAS INSALUBRES,
BASE DE CÁLCULO. LEI MUNICIPAL ANTERIOR N. 181/94
REVOGADA EXPRESSAMENTE PELO ART. 205 DA LEI
COMPLEMENTAR N. 03/08. VERBA INDEVIDA. PRECEDENTES
DESTA CORTE DE JUSTIÇA. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA
MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. "Na ausência
de lei que especifique as atividades insalubres e indique qual o valor
ou percentuais incidentes a cada uma das hipóteses de trabalho
penoso, a vantagem pecuniária não pode ser concedida ao servidor
público, visto que este somente faz jus às verbas previstas na lei do
ente federativo, por força do princípio da legalidade que rege a
Administração Pública". (AC n. 2012.070120-2, de Lauro Müller, rel.
Des. Subst. Francisco Oliveira Neto, j. em 02/07/2013)."[...] 02. "Terá
eficácia condicionada lei instituidora de adicional de insalubridade se
não indicar o valor ou o critério para a sua determinação" (AC n.
2008.073992-3, Des. Newton Trisotto). [...]" (TJSC, Apelação Cível n.
2012.068610-6, de Balneário Piçarras, rel. Des. Newton Trisotto, j.
27-11-2012).
Compulsando os autos, verifica-se da ficha funcional da autora que
ela foi admitida aos quadros do Município em 21/03/2006, sendo
servidora pública estatutária, admitida para o cargo de auxiliar de
serviços diversos, sendo regida pela Lei municipal 1405/2005.
[...]
Da redação do Estatuto do Servidor Público do Município de Ji-
Paraná verifica-se que aos servidores públicos que trabalhem, com
habitualidade, em locais insalubres têm direito a percepção do
adicional, conforme dispuser regulamento específico do Chefe do
Executivo. Nos autos não há informação de que tal norma
regulamentadora exista, bem como não há laudo elaborado pelo
médico ou engenheiro do trabalho que declare que na atividade
laborativa da autora exista a exposição à agentes nocivos à saúde,
não havendo prova constitutiva, consoante artigo 373, I do CPC.
Outrossim, o próprio Estatuto preconiza que no disciplinamento
interno das concessões de gratificações e adicionais, observarão o
quanto possível a legislação nacional. A Norma Regulamentadora nº
15 e seus anexos, prevista na Portaria Nº 3.214/78, expedida pelo
Ministério do Trabalho, não qualifica a atividade exercida por auxiliar
de serviços gerais e /ou zeladora como insalubre. É o que se vê no
texto abaixo:
„Relação das atividades que envolvem agentes biológicos, cuja
insalubridade é caracterizada pela avaliação qualitativa.
Insalubridade de grau máximo Trabalho ou operações, em
contato permanente com:
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– pacientes em isolamento por doenças infecto-
contagiosas, bem como objetos de seu uso, não previamente
esterilizados;
– carnes, glândulas, vísceras, sangue, ossos, couros,
pêlos e dejeções de animais portadores de doenças
infectocontagiosas (carbunculose, brucelose, tuberculose);
– esgotos (galerias e tanques); e
– lixo urbano (coleta e industrialização).
Insalubridade de grau médio Trabalhos e operações em
contato permanente com pacientes, animais ou com material
infecto-contagiante, em:
– hospitais, serviços de emergência, enfermarias,
ambulatórios, postos de vacinação e outros estabelecimentos
destinados aos cuidados da saúde humana (aplica-se
unicamente ao pessoal que tenha contato com os pacientes,
bem como aos que manuseiam objetos de uso desses
pacientes, não previamente esterilizados);
– hospitais, ambulatórios, postos de vacinação e outros
estabelecimentos destinados ao atendimento e tratamento de
animais (aplica-se apenas ao pessoal que tenha contato com
tais animais);
– contato em laboratórios, com animais destinados ao
preparo de soro, vacinas e outros produtos;
– laboratórios de análise clínica e histopatologia (aplica-
se tão-só ao pessoal técnico);
– gabinetes de autópsias, de anatomia e
histoanatomopatologia (aplica-se somente ao pessoal técnico);
– cemitérios (exumação de corpos);
– estábulos e cavalariças; e
– resíduos de animais deteriorados.‟
Logo, não havendo norma legal vigente no âmbito municipal e federal
que qualifica a atividade exercida como insalubre, não há
sustentabilidade jurídica para o pedido de pagamento do adicional, o
que afasta a pretensão da autora, por falta de amparo legal e
previsão na NR 15, isso também, em virtude do princípio da
legalidade.
Nesse sentido:
“APELAÇÃO CÍVEL. SERVIDOR PÚBLICO. MUNICÍPIO DE
ROSÁRIO DO SUL. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE EM
GRAU MÉDIO. MERENDEIRA. DESCABIDA PRETENSÃO AO
DEFERIMENTO DO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE
ANTERIORMENTE À EDIÇÃO DA LEI REGULAMENTADORA.
A concessão do adicional de insalubridade segue as normas
estabelecidas pela legislação municipal. Hipótese em que
descabida a pretensão da demandante à percepção do
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adicional anteriormente à edição da Lei Municipal n. 2.619/06
que revogou a Lei n. 2.140/00, passando a prever as
atribuições do cargo de merendeira como insalubres em grau
médio, porquanto a Administração Pública está adstrita ao
princípio da legalidade. NEGARAM PROVIMENTO À
APELAÇÃO.Apelação Cível Nº 70029545498, Terceira Câmara
Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Matilde Chabar Maia,
Julgado em 03/09/2009”
“APELAÇÃO CÍVEL. SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL.
MUNICÍPIO DE TRAMANDAÍ. ADICIONAL DE
INSALUBRIDADE. PAGAMENTO RETROATIVO.
IMPOSSIBILIDADE. Regulamentado o pagamento de adicional
de insalubridade apenas pela lei municipal nº 2566/2007,
somente a partir de então ele é devido aos servidores públicos,
inviável a percepção retroativa do benefício. APELAÇÃO
DESPROVIDA. Apelação Cível Nº 70027324508, Terceira
Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Rogerio
Gesta Leal, Julgado em 12/02/2009.”
SERVIDORPÚBLICOMUNICIPAL.MOTORISTADEAMBULÂNC
IA.ADICIONAL DEINSALUBRIDADE.AUSÊNCIA DE
REGULAMENTAÇÃO POR LEI ESPECÍFICA. LAUDO
TÉCNICO ELABORADO PARA SUPRIR A DEFICIÊNCIA.
BENEFÍCIO DEVIDO A PARTIR DA RATIFICAÇÃO DA
PERÍCIA PELO ENTEPÚBLICO.RECURSO DESPROVIDO.
SENTENÇA MANTIDA EM REEXAME NECESSÁRIO."O
servidor público faz jus ao adicional de insalubridade previsto
na lei municipal, desde que esta se encontre devidamente
regulamentada, se ficar comprovado, através de perícia judicial
ou administrativa, que exerce trabalho em condições insalubres
em grau mínimo, médio ou máximo. A referida vantagem
somente poderá ser concedida com efeitos a partir de sua
regulamentação, ainda que a lei genérica anteriormente já a
previsse". (AC n. 2008.073256-5, de Dionísio Cerqueira, rel.
Des. Jaime Ramos, Quarta Câmara de Direito Público, j. 2-4-
2009)"[...] somente poderá exigir o adicional a partir da
regulamentação da lei que prevê o pagamento do adicional de
insalubridade, ou seja, é descabido o recebimento do adicional
anteriormente à edição do Decreto regulamentador, por ser Lei
de eficácia condicionada". (AC n. 2008.054631-1, de Maravilha,
rel. Des. Newton Trisotto, da Primeira Câmara de Direito
Público, j. 29-7-2009)
SERVIDORA PÚBLICA MUNICIPAL. ADICIONAL DE
INSALUBRIDADE.SERVENTE EM ESCOLA.ATIVIDADES
QUE NÃO SE ENQUADRAM NA NR N. 15 DA PORTARIA N.
3.214/78 DO MINISTÉRIO DO TRABALHO. RECURSO
PROVIDO."'O serviço de limpeza de pisos, ginásio de esportes,
banheiros e a coleta de lixo no interior de escolas públicas
pode ser equiparado à atividade doméstica (lixo doméstico) e,
por isso, não se enquadra entre as atividades constantes do
Anexo 14, da NR-15, da Portaria n. 3.214/78, que prevê, como
insalubre a coleta e a industrialização do lixo urbano.' Portanto,
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ainda que constatada em laudo pericial a existência de
insalubridade, a ausência de classificação da atividade na
relação oficial elaborada pelo Ministério do Trabalho constitui
óbice ao deferimento do correspondente adicional'(TRT - 12 ª
Região, Acórdão n. 8583/2005, Relatora Juíza Lília Leonor
Abreu)' (Apelação cível n. 2007.032843-5, de Fraiburgo, relator
Des. Jaime Ramos, j. 11-9-07).' (Apelação Cível n.
2005.025151-6, de Laguna, Relator: Des. Vanderlei Romer,
julgada em 15/5/2008)." (AC n. 2008.052698-6. rel. Des. Sérgio
Roberto Baasch Luz. Primeira Câmara de Direito Público. j. 3-
6-2009)
REEXAME NECESSÁRIO. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE.
SERVENTE DE ESCOLA PÚBLICA MUNICIPAL. ATIVIDADES
QUE NÃO SE ENQUADRAM NA NORMA REGULAMENTAR
N. 15 DO MINISTÉRIO DO TRABALHO. INEXIGIBILIDADE DA
BENESSE. SENTENÇA REFORMADA. REMESSA PROVIDA.
Em razão da circunstância de as atividades de servente de
escola pública não se enquadrarem entre aquelas havidas
como insalubres pela Norma Regulamentar n. 15, Anexo
14, do Ministério do Trabalho, indevida sobeja a concessão
do pretendido adicional. (TJSC, Reexame Necessário n.
2010.004974-2, de Jaraguá do Sul, rel. Des. João Henrique
Blasi, Segunda Câmara de Direito Público, j. 15-03-2011).
SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL - ADICIONAL DE
INSALUBRIDADE - SERVENTE DE ESCOLA PÚBLICA -
ATIVIDADES QUE NÃO SE ENQUADRAM NOS ANEXOS 13
E 14 DA NR N. 15 DO MINISTÉRIO DO TRABALHO -
INEXISTÊNCIA DE DIREITO AO BENEFÍCIO - SENTENÇA
MANTIDA - RECURSO IMPROVIDO. O servidor público faz jus
ao adicional de insalubridade previsto em lei municipal, desde
de que comprovadas as condições insalubres da atividade
exercida. Os serviços de limpeza de banheiros, salas de
aulas, pisos e pátios, bem como a coleta de lixo no interior
de escolas públicas, equiparam-se às atividades
domésticas, não se enquadrando entre as atividades
constantes dos Anexos 13 e 14, da NR-15. (TJSC, Apelação
Cível n. 2010.023610-1, de Jaraguá do Sul, rel. Des. Sérgio
Roberto Baasch Luz, Primeira Câmara de Direito Público, j. 08-
06-2010).
REEXAME NECESSÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE
COBRANÇA. SERVIDORA PÚBLICA MUNICIPAL. ADICIONAL
DE INSALUBRIDADE. EXIGÊNCIA DE LEI MUNICIPAL.
EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 19/98. PRINCÍPIO DA
LEGALIDADE. A Emenda Constitucional nº 19/98 condiciona o
pagamento de adicional de insalubridade a servidores públicos
à existência de legislação municipal. Inexistindo previsão legal
no Município de Manhuaçu quanto ao adicional de
insalubridade para os servidores do SAMAL, não há como se
reconhecer o direito do contratado à percepção do referido
benefício. (TJ-MG – AC: 10394100083523001 MG, Relator:
Armando Freire, Data de Julgamento: 18/06/2013, Câmaras
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Cíveis / 1ª CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação:
25/06/2013)(BELO HORIZONTE: 2013:
2.3 DO LAUDO OFICIAL DO MUNICÍPIO DE JI-PARANÁ (12/2019)
Não deve prevalecer o “laudo pericial” juntado pela parte recorrida, pois
desde o mês de dezembro de 2019 o Município já regulou todas as situações
de insalubridade no âmbito da SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE, com a
elaboração de LAUDO TÉCNICO DE INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE
pela empresa Boreal Segurança Do Trabalho Eireli, sediada na Avenida José
Puccinelli, 130, Paulínia/SP, contratada mediante procedimento licitatório.
Desde dezembro/2019 o Município dispõe de DOCUMENTO TÉCNICO
OFICIAL (diferentemente das perícias contratadas de particulares), que tratou
das condições de insalubridade e de periculosidade de todos os cargos e em
todas as unidades da Secretaria Municipal de Saúde (vide cópia anexa).
Com base no referido laudo oficial, elaborado conforme a metodologia
qualitativa (NR-15 e NR-16), existem apenas duas funções que fazem jus ao
percentual máximo, e, por certo, não é a atividade exercida pelo (a) autor (a).
A respeito da correta compreensão dos graus de insalubridade de uma
atividade insalubre, convém trazer trechos da ABORDAGEM TÉCNICA lançada
no laudo pericial da empresa Boreal Segurança do Trabalho, assinado pelos
Engenheiros do Trabalho Luiz Fernando Gomes de Jesus (CREA/SP
5070159011) e Shirley Raquel de Oliveira (CREA/SP 5060296504):
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Portanto, o laudo apresentado pelo expert contratado pelo Município é
claro e preciso ao informar que a função desempenhada pelo servidor não faz
autoriza o pagamento de insalubridade e periculosidade aos profissionais de
saúde que laboram na DIVISÃO DE VIGILÂNCIA AMBIENTAL (SEMUSA).
Corroborando o que foi exposto, colaciona-se parte do laudo elaborado
pelo Município (Laudo Oficial), atestando que os servidores ocupantes do cargo
de Operador Ecológico não têm direito ao adicional de insalubridade, qualquer
que seja o grau:
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Portanto, verificando que o laudo apresentado pelo Recorrido não está
de acordo às normas legais, a sentença do juizo a quo também se encontra
em desacordo com o regulamentado na NR15, pugnando o Município pela
reforma da sentença, de modo que não seja condenado ao pagamento da
insalubridade em grau médio (20%).
2.4 DA IMPOSSIBILIDADE DE PAGAMENTO RETROATIVO DO ADICIONAL
DE INSALUBRIDADE.
Ainda que o laudo pericial afirme que o servidor (a) labora exposto (a) à
agente(s) nocivo(s) à saúde, e que alguma (s) das atividades desempenhadas
conste (m) na relação oficial do Ministério do Trabalho (NR-15, anexos), ainda
assim não é devido o pagamento retroativo do adicional de insalubridade, uma
vez a conclusão do exame pericial é sempre prospectiva e não retrospectiva.
Além disso, a administração somente pode pautar seus atos em
documentos oficiais, não sendo justificável o pagamento de insalubridade em
laudo elaborado por terceiro, sem qualquer caráter de oficialidade, sob pena de
provocar verdadeira desordem e graves distorções no sistema remuneratório
dos servidores e, ainda, violar o tratamento isonômico aos demais servidores.
Nota-se que a Autora carreou aos autos laudo unilateral, do qual não
houve nenhuma participação do município, pois administração pública não
pode pautar seus atos em cima de um laudo particular. Porque, se assim fosse,
tornar-se-ia extremamente fácil, bastando a apresentação de um “novo laudo”
pelo servidor, modificando os percentuais, e a Administração estaria obrigada a
modificar os valores pagos a título de insalubridade.
Esse é o entendimento consagrado pelo Egrégio Tribunal de Justiça
do Estado de Rondônia, conforme as observa nas seguintes ementas:
ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. AGENTE DE POLÍCIA.
ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. ATIVIDADE NÃO
CONTEMPLADA. EXPOSIÇÃO A AGENTES QUÍMICOS. LAUDO
PERICIAL. PAGAMENTO RETROATIVO. COMPROVAÇÃO DA
EXPOSIÇÃO. EFEITOS A PARTIR DE SUA ELABORAÇÃO. Nas
hipóteses em que a atividade contemplada não se encontra nos
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quadros do Ministério do Trabalho, faz-se necessária a elaboração de
laudo pericial. A comprovação das condições de insalubridade
atestadas pelo laudo, é prova constituída de direito, só
produzindo efeitos a partir da sua elaboração, visto que, é
impossível na perícia, definir-se quando começou aquela
situação. (...) (TJRO, n. 00781603820098220001, Relator
Desembargador Rowilson Teixeira, Data do Julgamento 15.02.2011)
ADMINISTRATIVO E PROCESSO CIVIL. SERVIDOR. AGENTE
PENITENCIÁRIO. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE RETROATIVO.
AUSÊNCIA DE PROVA PERICIAL DA CONDIÇÃO INSALUBRE.
LAUDO POSTERIOR. IMPRESTABILIDADE DA PROVA.
ADICIONAL NOTURNO. COMPROVAÇÃO DO TRABALHO EM
REGIME NOTURNO. PREVISÃO LEGAL. PAGAMENTO DEVIDO. A
condição insalubre, a teor do que preconiza a legislação estadual, em
especial o Decreto Estadual n. 10.214/2002, que regulamenta a Lei
estadual n. 1.068/2002, deve ser efetivamente comprovada
mediante laudo técnico especializado, de tal modo que a
situação de trabalho insalubre, não pode simplesmente ser
presumida, e tampouco comprovada por laudo pericial produzido
unilateral e posteriormente ao período cobrado, cuja prova se
torna imprestável, revelando a improcedência do pedido nestas
circunstâncias. (...) (TJRO, Ap. Cível n. 00020641820108220010,
Relator Desembargador Rowilson Teixeira, Data do Julgamento
30.08.2012)
A Turma Recursal há tempos adota esse entendimento, como se vê na
decisão proferida no recurso inominado n. 7000099-16.2015.8.22.0007.
Veja-se:
Em relação ao pagamento do valor retroativo, no entanto, a
sentença deve ser parcialmente reformada. É entendimento
pacífico na jurisprudência, inclusive no precedente acima
mencionado – R.I. 0005680-79.2011.8.22.0005 – que o pagamento
do adicional de insalubridade é condicionado, por razões
lógicas, ao reconhecimento do ambiente insalubre, demandando
a realização de perícia técnica a fim de verificar a presença de
agentes biológicos, nos termos do anexo n.14 da Norma
Regulamentadora 15, constante na Portaria n. 3.214/78, do Ministério
do Trabalho.
No caso dos autos, observo que o perito Dr. Heinz Roland
Jakobi, CRM/RO 579 confeccionou o laudo pericial aos 31.5.2011,
sendo esse o marco inicial para recebimento dos valores.
Portanto, indevido qualquer recebimento de valores anteriores a
essa data. Firme em tais convicções, VOTO PARA DAR PARCIAL
PROVIMENTO ao Recurso Inominado, para o fim de que as quantias
retroativas compreenda o período de maio de 2011 até a efetiva
implantação do adicional de insalubridade em grau médio, mantendo-
se os demais termos da sentença.
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RECURSO INOMINADO. JI-PARANÁ- ADICIONAL DE
INSALUBRIDADE. A PARTIR DO LAUDO. RECURSO
PROVIDO EM PARTE. (Recurso Inominado, Processo nº
7000235-53.2014.8.22.0005, TJ/RO, Turma Recursal, Relator
(a) Juiz Arlen Jose Silva de Souza, Data de julgamento
28/11/2018).
Nesse mesmo sentido, decisões do TRT da 4ª Região e da 14ª Região:
RECURSO ORDINÁRIO. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE.
ENFERMEIRO. O anexo 14 da NR - 15 da Portaria 3.214/78, do
Ministério do Trabalho e Emprego, prevê o pagamento de adicional de
insalubridade em grau máximo apenas para os trabalhadores da
área da saúde humana que laborar em atendimento específico e
exclusivo em área de isolamento, cuidando de pacientes com doenças
infectocontagiosas, podendo esse contato ocorrer de forma paralela ao
contato com os demais pacientes atendidos, sem exclusividade,
configurando, de acordo com a mesma norma, insalubridade em grau
médio. Também não configura insalubridade em grau máximo o contato
com lixo, pois em ambientes internos, a rigor, o contato com lixo não se
confunde com as atividades previstas também no Anexo 14, que trata da
coleta de lixo urbano, desenvolvidas essencialmente em vias públicas
(...) (TRT- 4 – RO: 3687620115040231 RS 0000368-76.2011.5.04.0231,
Relator: LENIR HEINEN, Data de Julgamento: 30/08/2012, 1ª Vara do
Trabalho de Gravataí).
ADICIONAL DE INSALUBRIDADE, CONTATO ESPORÁDICO COM
PACIENTES EM ISOLAMENTO, GRAU MÉDIO. Constando do laudo
pericial, com base em informações prestadas pela própria reclamante,
que o contato com pacientes em isolamento era esporádico, em média
uma vez a cada dois meses, na se caracteriza a exposição como
habitual ou sequer intermitente, não fazendo jus a trabalhadora do
respectivo adicional em grau máximo. (TRT- 4 Recurso Ordinario
RO000054819201250431 RS 0000548-19.2012.5.04.0341; Relator:
JOÃO PAULO LUCENA, Data de Julgamento: 20 de Março de 2014,
Vara do Trabalho de Estância Velha).
ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. LAUDO PERICIAL. A prova
técnica é elaborada por profissional habilitado, tal qual o Médico do
Trabalho ou Engenheiro do Trabalho, devidamente registrado no
Ministério do Trabalho e nomeado pelo Juízo como seu auxiliar (art.
195 da CLT). Dessa forma, para se contrapor ao laudo, cumpre à parte
apresentar argumentos técnicos capazes de elidir a conclusão do perito.
Não se desvencilhando desse mister, deve prevalecer a conclusão do
experto. HORAS EXTRAS. JORNADA 12 X 36. TRABALHO
REALIZADO EM CONDIÇÕES INSALUBRES. INCOMPATIBILIDADE
COM O LABOR EM SOBREJORNADA. Conforme o disposto no art. 60
da CLT, nas atividades insalubres, as prorrogações da jornada de
trabalho somente são possíveis (TRT da 14.ª Região; Data de
Publicação: 15/03/2018; Órgão Julgador: GAB DES CARLOS
AUGUSTO GOMES LÔBO; Relator: CARLOS AUGUSTO GOMES
LOBO).
RECURSO ORDINÁRIO PATRONAL. ADICIONAL DE
INSALUBRIDADE EM GRAU MÉDIO. PROVA PERICIAL. Em se
tratando de pedido de adicional de insalubridade, a prova pericial
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é de fundamental importância (art. 195 da CLT) para a resolução da
lide, devido ao seu valor na formação do convencimento do julgador.
Sendo a prova técnica conclusiva no sentido de que o Trabalhador
laborava em condição insalubre em grau médio e não havendo nos autos
nenhum elemento que infirme essa conclusão, faz jus a Autora ao
adicional de insalubridade no percentual de 20%. Indevido o pleito do
adicional em grau máximo, portanto. (TRT da 14.ª Região; Data de
Publicação: 04/09/2019; Órgão Julgador: GAB DES FRANCISCO
JOSÉ PINHEIRO CRUZ; Relator: FRANCISCO JOSE PINHEIRO
CRUZ).
Conforme mencionado, e como é do conhecimento deste juízo, a
data da emissão do laudo pericial oficial elaborado pelo Município é de
10/12/2019, razão pela qual eventual pagamento retroativo do adicional de
insalubridade, ainda que a atividade do (a) recorrido (a) se enquadrasse nos
critérios da NR-15, deveria ocorrer somente a partir da emissão do referido
laudo.
Ainda, é importante mencionar que o Requerido afirma que recebia até
Julho de 2020 o valor de R$ 418,00, referente a insalubridade grau máximo
(40%), conforme holerite anexo.
Logo, não há falar em pagamento retroativo desde a data da admissão.
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Sendo assim, a pretensão ao pagamento do adicional de insalubridade
com efeito retroativo é inteiramente descabida, devendo ser julgada totalmente
improcedente.
2.5 DA IMPOSSIBILIDADE DE PAGAMENTO DO ADICIONAL E DE SEUS
REFLEXOS NAS DEMAIS VERBAS POR FALTA DE REQUISITOS.
Pelo Princípio da Legalidade, a remuneração do servidor público
depende de expressa previsão legal infraconstitucional, ou seja, o Município
deve ter previsto em lei própria.
Significa dizer que, ou há regramento na legislação local (salvo se
decorrer diretamente de regra constitucional), ou não é lícito constranger a
Administração no pagamento de verba não amparada em lei.
Com efeito, conforme o art. 37, XIV da CF/88, é vedada a
superposição de vantagens pecuniárias de servidores públicos, de modo que
certa gratificação ou adicional não pode servir de base para ou ser acrescida
por outras vantagens remuneratórias, ainda que incorporadas, a fim de evitar
o efeito cascata.
Veja-se a redação do art. 37 da CF/88:
Art. 37.
XIV – os acréscimos pecuniários percebidos por servidor
público não serão computados nem acumulados para fins de
concessão de acréscimos ulteriores.
Nesse sentido, tem sido o entendimento consolidado nos tribunais:
AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO
DE SEGURANÇA. SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL.
GRATIFICAÇÃO DE EXERCÍCIO E DE REPRESENTAÇÃO.
INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS VANTAGENS
PESSOAIS. EFEITO CASCATA. VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL.
1- O cálculo das vantagens pecuniárias deve ser realizado sobre o
vencimento básico do cargo efetivo, desconsiderando-se todas as
demais vantagens do cargo, de natureza temporária ou
permanente, sob pena de escalonamentos de vantagens geradora
de efeito cascata, que onera ilegalmente os cofres públicos. 2-
Agravo regimental improvido. AgRg no RMS 20.873/GO, Rel.
Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS, SEXTA TURMA, julgado em
02/02/2012, DJe 13/02/2012).
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A matéria, inclusive, teve diversos julgados por este E. Tribunal de
Justiça:
RECURSO INOMINADO. ADMINISTRATIVO. MUNICÍPIO DE JI-
PARANÁ. SERVIDOR PÚBLICO. DÉCIMO TERCEIRO E TERÇO DE
FÉRIAS. BASE DE CÁLCULO. VERBAS INDENIZATÓRIAS.
EXCLUSÃO. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO.
(700889-06.2015.822.0005).
Diante disso, para que haja reflexo de qualquer gratificação ou
adicional ao vencimento básico é imprescindível a previsão legal, ou seja,
qualquer gratificação de natureza indenizatória, como a insalubridade, somente
se houver legislação que assim dispuser, o que não é caso, visto a Lei
Municipal n. 1.405/2005, no § 2º, do Artigo 73, assim dispõe:
§ 2º. O direito à gratificação por insalubridade ou
periculosidade cessa com a eliminação das condições ou dos
riscos que deram causa a sua concessão, e jamais se
incorporará ao vencimento.
3. PEDIDO
Diante do exposto, requer seja o presente recurso conhecido e provido,
a fim de reformar a sentença recorrida, julgando improcendente a demanda.
Caso seja diverso o entendimento, que o pagamento do retroativo seja
limitado à data do laudo particular apresentado pela parte recorrida, visto que o
laudo só produz efeitos a partir da sua elaboração, conforme jurisprudência
desta Turma, e observando-se que o (a) recorrido (a) recebeu o adicional até
julho de 2020.
Termos em que pede deferimento.
Ji-Paraná, 12 de Julho de 2021.
MARCOS SIMÃO DE SOUZA
Procurador do Município
Patrícia Machado de Oliveira
Estagiaria de Direito
Assinado eletronicamente por: MARCOS SIMAO DE SOUZA - 12/07/2021 15:00:39 Num. 59848701 - Pág. 20
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Número do documento: 21071215003811300000057277997