PROTAGONISMO DISCENTE
O surgimento do protagonismo nas escolas, na maioria das vezes tem se tornado uma
questão preocupante, pois de maneira geral, alguns docentes ainda têm mantido suas práticas
pedagógicas em pressupostos de paradigmas conservadores. Desde do século XX, houve o
início de movimentos sociais, políticos e econômicos que provocaram mudanças na educação.
A história do curso de pedagogia é marcada por conflitos, lutas, crises avanços e até alguns
retrocessos. O objetivo do curso nessa época não era que fosse desfeito, mais sim que sua
prática pedagógica tornasse de forma nítida.
Profissão docente exerce-se a partir da adesão coletiva (implícita ou explícita) a um
conjunto de normas e de valores. No princípio do século XX, este “fundo comum” é
alimentado pela crença generalizada nas potencialidades da escola e na sua expansão
ao conjunto da sociedade. Os protagonistas deste desígnio são os professores, que
vão ser investidos de um importante poder simbólico. A escola e a instrução
encarnam o progresso: os professores são os seus agentes. A época de glória do
modelo escolar também é o período de ouro da profissão docente (NÓVOA, 1995, p.
19).
Apesar das mudanças ocorridas nessa época, apenas por volta do século XXI que
começou a ter projeção de mudanças paradigmáticas em relação à prática e o papel do
professor em sala de aula. É notório que, muitos docentes ainda insistem em efetuar nas aulas
uma abordagem tradicional, na qual o professor transmite um conteúdo para os alunos onde os
mesmos repetem e reproduzem o modelo e o professor assume uma imagem de autoritário,
rigoroso e detentor do saber.
Práticas pedagógicas como essa, caracteriza o aluno como apenas um receptivo
passivo, ou seja, o aluno recebe o conteúdo de modo fragmentado e impossibilitado de ser
questionável. Importante salientar que, uma metodologia nessa abordagem é marcada por
aulas expositivas, carteiras enfileiradas, onde o aprender não é o objetivo principal. A discente
escuta o professor, ler o assunto, o aluno decora o que foi transmitido e por último repete o
que foi propagado. Com uma reprodução automática de conteúdos o que assegura que houve
uma aprendizagem significativa? Qual o prazer vivenciado pelo aluno ao ir para uma aula
com tais métodos?
De acordo com Freire (2005):
“Narração de conteúdos que, por isto mesmo, tendem a petrificar-se ou a fazer-se
algo quase morte, sejam valores ou dimensões concretas da realidade. Narração ou
dissertação que implica um sujeito – o narrador – e objetos pacientes, ouvintes – os
educandos. Há uma quase enfermidade da narração. A tônica da educação é
preponderantemente esta – narrar, sempre narrar. Falar da realidade como algo
parado, estático, compartimentado e bem-comportado, quando não falar ou dissertar
sobre algo completamente alheio à experiência existencial dos educandos vem
sendo, realmente, a suprema inquietação desta educação.” (FREIRE, 2005, p. 65)
Observa-se que, nesse tipo de abordagem, quando o professor apenas narra o conteúdo
de determinado conhecimento mais simples será para o aluno decorar e repetir o assunto em
instrumentos avaliativos, pois, é possível perceber que não houve uma construção de
aprendizagem significativa, possibilitando na maioria das vezes um esvaziamento de assuntos
e conhecimento no aluno. Assim, um docente que opta por realizar práticas voltadas para o
tradicionalismo, não levará para a sala nada de novo para seus alunos. E infelizmente, tal
prática se torna viciante, pois o professor continua permanecendo em sua zona de conforto.
Com as mudanças ocorridas na educação e com o surgimento de novos paradigmas de
educação, surge assim no final do século XX, o paradigma na qual seu objetivo é a produção
de conhecimentos voltados para ações pedagógicas buscando a formação de um sujeito
inovador e crítico, na qual o aluno é instigado a refletir e estruturar seus conhecimentos. O
docente que proporciona ao aluno a autonomia, investigação e a criatividade permite que o
conhecimento seja explorado e não apenas aceito ou recebido.
PROTAGONISMO DOCENTE
A educação deve constituir-se em processo que visa à formação e ao desenvolvimento
do indivíduo em todos os aspectos da sua natureza, de acordo com a sua realidade e com o
atendimento de todas as suas necessidades individuais e sociais. Acredita-se, portanto, que o
paradigma progressista se constitui na melhor opção para que esse processo possa ser
desencadeado, pois a escola apresenta-se como um espaço de desenvolvimento e crescimento,
compreendendo que o professor deve crescer junto com o aluno, sem que ele se coloque como
o dono do saber.
O professor deve desempenhar, entre outros, o papel de provocador de transformações,
levando o aluno a compreender as necessidades sociais. Entretanto, neste paradigma, o papel
do professor vai mais longe. Por isso, sua formação deve contemplar os aspectos sociais da
vida humana, suas necessidades e o respeito pela cultura popular. Nota-se, porém, que a
prática pedagógica atual fica longe desta necessária aspiração. Os professores, parte integrante
do processo de ensino e aprendizagem, têm sob sua responsabilidade a função de contribuir
para o encaminhamento das atividades pedagógicas, de forma criativa, desenvolvida dentro e
fora da sala de aula. Acredita-se que, partindo dessas abordagens, é possível tornar o ensino
uma totalidade, tendo como alvo o homem concreto.
O protagonismo docente (ABREU e MASETTO, 1997) pode favorecer a eficácia do
trabalho e promover a melhoria do desempenho dos discentes, sendo capaz “de mobilizar os
alunos com mais dificuldades, fazendo-os progredir juntamente com os outros colegas e
reduzindo, assim, as diferenças entre eles” (BONAMINO 2012, p. 129). Afinal, a eficácia
escolar não se refere apenas à promoção da qualidade da educação, “mas também a promoção
da equidade entre segmentos sociais distintos que estão excluídos da e na escola,
especialmente na rede pública, buscando promover a justiça social para todos os segmentos
afastados do processo educacional” (TENÓRIO et al, 2015, p. 7).
Para Silva e Silva (2015) a crença na auto eficácia docente se estende até a dimensão
instrucional, vez que “o tipo e natureza do trabalho desenvolvido por docentes, a forma como
optam por desenvolvê-lo e os mecanismos que utilizam podem estar dependentes do nível de
percepção de auto eficácia docente” (p. 88). Fica a hipótese de que a forma como está
ocorrendo a dimensão instrucional depende da dimensão motivacional, dedicação e esforço
desprendido pelos docentes, associados à auto eficácia.
Os educadores conscientes da ação que praticam e do papel que desempenham não se
contentam com a rotina pedagógica e os hábitos escolares estruturados. Querem saber mais,
conhecer o que há de novo na sua área, para refletir sobre as novas práticas educativas. Para
que tudo isso seja possível é preciso tomar certas medidas:
[...] que os professores sejam desafiados a buscar inovações na ação pedagógica e na
produção do conhecimento, para que possam atender, com competência, às
necessidades dos seus alunos. (PERRENOUD, 2000, p. 14).
É preciso manter uma reflexão permanente e sistemática sobre a educação para
favorecer uma prática consciente e intencional em relação ao compromisso com a
transformação social e o desenvolvimento do homem. As mudanças no ensino se fazem
necessárias há anos. Na educação, nada é imediato, os resultados são a médio e longo prazo,
porém, não se pode continuar paralisados.
A excelência do ensino deve ser objetivo permanente de qualquer instituição
educativa para que, durante o curso, o aluno adquirira abertura e sensibilidade para identificar
as relações que existem entre os conteúdos do ensino e das situações de aprendizagem com os
contextos de vida social e pessoal, de modo a estabelecer uma relação ativa entre si e o objeto
do conhecimento.
O ensino deverá ser capaz de constituir competências, habilidades e
disposições de condutas e não de simplesmente saturar o aluno de informação. A sociedade
exige mais qualidade no ensino. O que vemos de interessante é que, ela pede a participação de
diversos segmentos da sociedade tanto na elaboração como na sua aplicação. Quando as
mudanças são propostas, há possíveis resistências por alguns professores, às vezes por falta de
preparo ou por dificuldades de adaptação.
O grande desafio imposto ao Ensino vem sendo as exigências de exercício competente
que atenda as necessidades do aluno. O que se espera da instituição é que contribua com a
construção de uma juventude que pensa, sinta e atribua valores como indivíduos criativos e
produtivos, possuidores de um sentido de valor pessoa, interessados na condição de homem,
capazes de antecipar o futuro e de crer que haverá um lugar para eles.
REFERENCIAS:
ABREU, M.C; MASETTO, M.T. O professor universitário em aula. São Paulo: Mg ed.
Associados,1997.
BONAMINO, A. Características da gestão escolar promotoras de sucesso. Coleção Gestão do
Currículo e Gestão e Liderança – Volume III – Gestão do Currículo e Gestão e Liderança - 2012 – pp.
117-132.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 49º ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.
NÓVOA, Antonio. O passado e o presente dos professores. In: NÓVOA, A. (Coord.). Profissão
professor. Porto: Editora Porto, 1995.
PERRENOUD, Philippe. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas
Sul, 2000.
SILVA, J.C.; SILVA, M. M. Colaboração entre professores e autoeficácia docente: Que relações?
Revista Portuguesa de Educação, CIEd, Universidade do Minho, 28(2), p. 87-109, 2015.
TENÓRIO, R. M.; FERRAZ, M.C.G.; PINTO, J.C.A. Eficácia e Equidade: indicadores de qualidade
da educação básica no Brasil. Disponível em:
[Link] dade_-
_indicadores_da_educacao_basica_no_brasil.pdf.