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Impacto Climático nas Chuvas em Rondônia

O estudo analisa a influência de fenômenos climáticos como El Niño, Oscilação Multidecadal do Atlântico e Oscilação Decadal do Pacífico nas chuvas em Rondônia entre 1980 e 2020. A pesquisa revela que Porto Velho apresenta maior precipitação durante anos de El Niño, enquanto Mirante da Serra e Cerejeiras mostram padrões de chuva distintos. A compreensão dessas interações é vital para desenvolver modelos climáticos precisos e estratégias de adaptação às mudanças climáticas.
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Impacto Climático nas Chuvas em Rondônia

O estudo analisa a influência de fenômenos climáticos como El Niño, Oscilação Multidecadal do Atlântico e Oscilação Decadal do Pacífico nas chuvas em Rondônia entre 1980 e 2020. A pesquisa revela que Porto Velho apresenta maior precipitação durante anos de El Niño, enquanto Mirante da Serra e Cerejeiras mostram padrões de chuva distintos. A compreensão dessas interações é vital para desenvolver modelos climáticos precisos e estratégias de adaptação às mudanças climáticas.
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Python e R como ferramentas de análise das chuvas em

Rondônia
Python and R as tools for rainfall analysis in Rondônia

Luiz Augusto Ferreira Monteiro Resumo: Ao longo da discussão, exploramos diversos


Universidade Federal de Rondônia, Brasil fenômenos climáticos que exercem impacto na região
amazônica, com foco em Rondônia. Destacamos a influência
Revista Presença Geográfica do El Niño Oscilação Sul (ENOS), Oscilação Multidecadal do
vol. 11, núm. 3, 2024 Atlântico (OMA), e Oscilação Decadal do Pacífico (ODP) nas
Fundação Universidade Federal de Rondônia, Brasil variações climáticas, principalmente na temperatura da
ISSN-E: 2446-6646 superfície do oceano e nos padrões atmosféricos. Na análise
Periodicidade: Frecuencia continua específica de séries temporais de chuva em municípios como
rpgeo@[Link] Porto Velho (Santo Antônio Br-364), Mirante da Serra e
Cerejeiras, observamos diferentes comportamentos em relação
Recepção: 18 Agosto 2024
ao regime de chuvas. Porto Velho, surpreendentemente,
Aprovação: 15 Setembro 2024
registra seus maiores índices durante anos de El Niño,
URL: [Link] enquanto Mirante da Serra mantém um volume semelhante ao
longo do tempo, apesar das flutuações na quantidade de dias
chuvosos. Cerejeiras, por sua vez, mostra uma configuração
mais complexa, com uma redução nos dias chuvosos a partir
dos anos 2000, mas com um índice pluviométrico total
semelhante aos anos anteriores. Essa análise, feita através do
acesso a base de dados observacional adquirida através da
plataforma HidroWeb da Agência Nacional de Águas (ANA)
em uma série temporal de 1980 até 2020, reforça a importância
de compreender a interação entre diferentes fenômenos
climáticos e sua influência específica em diversas localidades,
destacando a complexidade dos padrões de chuva na região
amazônica. O entendimento desses processos é essencial para a
construção de modelos climáticos precisos e para desenvolver
estratégias de adaptação diante das mudanças climáticas em
curso.

Palavras-chave: Chuva, Fenômenos Oceano-Atmosféricos,


Rondônia, Eventos Extremos.

Abstract: Throughout the discussion, we explored various


climatic phenomena that have an impact on the Amazon
region, with a focus on Rondônia. We highlight the influence
of the El Niño Southern Oscillation (ENOS), the Atlantic
Multidecadal Oscillation (AMO), and the Pacific Decadal
Oscillation (PDO) on climate variations, especially on ocean
surface temperatures and atmospheric patterns. In the specific
analysis of rainfall time series in municipalities such as Porto
Velho (Santo Antônio Br-364), Mirante da Serra and
Cerejeiras, we observed different behaviors in relation to the

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Revista Presença Geográfica, 2024, vol. 11, núm. 3, Agosto-Dezembro, / ISSN-E: 2446-6646

rainfall regime. Porto Velho, surprisingly, records its highest


levels during El Niño years, while Mirante da Serra maintains a
similar volume over time, despite fluctuations in the number
of rainy days. Cerejeiras, on the other hand, shows a more
complex configuration, with a reduction in rainy days from the
2000s onwards, but with a total rainfall similar to previous
years. This analysis, made by accessing the observational
database acquired through the HidroWeb platform of the
National Water Agency (ANA) in a time series from 1980 to
2020, reinforces the importance of understanding the
interaction between different climatic phenomena and their
specific influence on various locations, highlighting the
complexity of rainfall patterns in the Amazon region.
Understanding these processes is essential for building
accurate climate models and for developing adaptation
strategies in the face of ongoing climate change.

Keywords: Rain, Ocean-Atmospheric Phenomena, Rondônia,


Extreme Events.

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Luiz Augusto Ferreira Monteiro, Python e R como ferramentas de análise das chuvas em Rondônia

INTRODUÇÃO

Atualmente, a sociedade tem acesso a uma quantidade significativa de informações, inclusive sobre eventos
extremos, como períodos de estiagem prolongados e enchentes, que têm ocorrido mais recentemente em todo
o Brasil e pelo mundo (Gomes et al., 2018). Esses eventos extremos têm impactos significativos no nosso
cotidiano. Além disso, grandes períodos de estiagem podem acarretar o aumento das queimadas nas áreas
florestadas e desmatadas, colocando em risco a biodiversidade e a segurança das comunidades locais (De
Almeida, 2020). Esses acontecimentos podem ser explicados por meio dos índices pluviométricos de cada
região, porém há uma complexidade em seu entendimento por esses eventos estarem ligados a um padrão ou
associação com fenômenos que ocorrem na região, como o El Niño Oscilação Sul (ENOS) (Almeida et al.,
2017).
O ENOS é um fenômeno climático que ocorre no Oceano Pacífico tropical e afeta o clima de grande parte
dos trópicos e subtropicos e é caracterizado por uma variação irregular e periódica nos ventos e na
temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico tropical (Mcphaden et al., 2019). Além disso, O ENOS
desempenha um papel crucial na regulação do clima global, influenciando padrões de temperatura,
precipitação e eventos climáticos extremos (Jin, 2022).
A análise da chuva, apesar de sua aparente simplicidade na medição, destaca-se como uma das variáveis
meteorológicas mais relevantes. Sua importância reside na interação dinâmica com outras variáveis, como a
temperatura, capaz de provocar alterações significativas (Brito et al., 2022). A variabilidade das chuvas
exemplifica como esse elemento pode exercer impactos transformadores em uma região, desencadeando
períodos prolongados de estiagens e enchentes em momentos atípicos para o clima local (Marengo, 2016).
Este fenômeno não apenas destaca a complexidade das dinâmicas climáticas, mas também evidencia a
necessidade da compreensão e monitoramento constante dessa variável.
Contudo, na Amazônia Legal (AL), os estudos observacionais enfrentam desafios devido à presença de
dados ausentes e possíveis erros de entrada em algumas estações pluviométricas, conforme evidenciado neste
estudo (Ferrari e Ozaki, 2014). A existência de lacunas nos dados pode ser superada por meio de técnicas de
imputação, que envolvem a substituição dessas falhas por outros valores relacionados na base de dados. Uma
abordagem simples, mas eficaz, é utilizar a média ou mediana para o preenchimento desses valores, conforme
destacado por Nunes et al. (2010). Essas estratégias tornam-se essenciais para assegurar a integridade e
confiabilidade dos resultados obtidos em pesquisas na região, contribuindo para a robustez e precisão dos
estudos meteorológicos na AL.
Dessa forma, irá ser conduzido uma análise minuciosa dos registros diários de chuva no estado de
Rondônia ao longo de quatro décadas (1980-2020), visando identificar padrões, anomalias e tendências
significativas. Adicionalmente, irá ser investigado a inter-relação entre modos de anomalias climáticas, tais
como El Niño Oscilação Sul (ENOS), Oscilação Multidecadal do Atlântico (OMA) e Oscilação Decadal do
Pacífico (ODP), e as variações na quantidade de chuva registrada no estado. Este estudo busca não apenas a
compreensão dos padrões de chuva locais, mas também a contextualização desses eventos em um quadro mais
amplo de influências climáticas globais, contribuindo para uma visão abrangente e informada das dinâmicas
meteorológicas em Rondônia.

REFERENCIAL TEÓRICO

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Eventos extremos – inundações e estiagens prolongadas – tem um grande impacto na sociedade. Durante o
período de chuvas intensas, especialmente na estação chuvosa, os rios podem transbordar, resultando em
inundações em áreas ribeirinhas e causando danos às comunidades locais e à infraestrutura (De Souza et al.,
2014). Por outro lado, as estiagens, caracterizadas pela falta prolongada de chuvas, podem levar à diminuição
dos níveis dos rios e afetar a disponibilidade de água para consumo humano, agricultura e outros usos. Isso
pode desencadear desafios como escassez de água, impactos na produção agrícola e preocupações ambientais
(Serrão, 2017).
A variabilidade climática na região amazônica, consequentemente em Rondônia, é intrinsecamente
influenciada pela presença de diversos sistemas atmosféricos, abrangendo tanto níveis zonais quanto
regionais. Como enfatizado por Foley et al. (2002), "Variações no clima tropical podem ter impactos
significativos nos ecossistemas e sistemas de água doce da Amazônia". Esta percepção ressalta a importância
dos estudos conduzidos para compreender os efeitos dos sistemas atmosféricos que incidem sobre a região.
Nesta pesquisa, dedicaremos atenção a três deles: El Niño Oscilação Sul (ENOS), Oscilação Multidecadal do
Atlântico (OMA) e Oscilação Decadal do Pacífico (ODP).
O El Niño refere-se às temperaturas excepcionalmente elevadas da superfície do mar no Pacífico tropical,
desencadeando, na Amazônia Legal (AL), um período prolongado de estiagem. Além disso, está vinculado a
significativas modificações na atmosfera por meio do fenômeno conhecido como Oscilação Sul (OS). Em
virtude dessa conexão, é denominado como El Niño-Oscilação Sul (ENSO) (Mcgregor; Ebi, 2018).
Contrariamente, pode ocorrer o oposto, onde a superfície do oceano experimenta baixas temperaturas, dando
origem à La Niña, conhecida como a fase fria do ENSO. Durante essa fase, é comum observar um aumento
nos índices de chuva nos estados da AL (Alves, Cabral e Nascimento, 2022).
A AL, segundo Machado et al. (2021), constitui uma região específica no Brasil, delineada com o objetivo
de integrar o desenvolvimento econômico com a conservação ambiental. Essa área abrange parte da
Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, e compreende nove estados brasileiros: Acre, Amapá,
Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. A criação da Amazônia Legal foi
estabelecida por meio de legislação, visando fomentar políticas específicas voltadas para essa extensa região.
O surgimento desses fenômenos decorre das intricadas interações acopladas entre a atmosfera e o oceano,
onde os ventos desencadeiam alterações nas temperaturas do mar. Essas mudanças, por sua vez, determinam a
localização da principal atividade de convecção tropical e tempestades, exercendo influência sobre os padrões
de vento (De Oliveira et al., 2020).
O fenômeno El Niño Oscilação Sul (ENOS), geralmente iniciado no outono, possui uma duração
aproximada de um ano, atingindo seu auge durante no verão (Kist; Gebert, 2022). Entretanto, sua
variabilidade não segue um padrão claramente definido, podendo manifestar-se a cada 3 ou 7 anos,
aproximadamente. Após a ocorrência de um evento El Niño, as temperaturas da superfície do oceano (SST)
podem passar por modificações, resultando em um episódio de La Niña, ou podem permanecer em um
estado neutro, sem exercer uma influência significativa na SST (Cai et al., 2020).
Reconhecer a importância da exploração de outras características, como diferentes sistemas e modos
oceano-atmosféricos, torna-se crucial para obter uma compreensão mais abrangente do padrão de chuvas na
região amazônica brasileira (Dos Santos, Siqueira; De Melo, 2016; Lima; Da Silva; Silva, 2018). Ampliar a
análise para além do ENOS pode revelar outros impulsionadores climáticos e suas interações,
proporcionando insights valiosos e abrangentes sobre o regime de chuvas em Rondônia (De Oliveira et al.,
2020).

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Luiz Augusto Ferreira Monteiro, Python e R como ferramentas de análise das chuvas em Rondônia

Existem dois principais modos multidecadais que exercem influência sobre a variabilidade climática em
distintas regiões do mundo: a Oscilação Decadal do Pacífico (ODP) e a Oscilação Multidecadal do Atlântico
(OMA). Ambos desempenham um papel significativo na alteração da temperatura da superfície do oceano
(SST) em suas respectivas localidades (Limberger; Silva, 2016; Da Silva Lindemann et al., 2019).
A ODP, de certa forma, guarda semelhanças com o ENOS, embora sua influência seja mais direcionada
para a América do Norte, ainda assim afeta as chuvas na AL. Além disso, a OMA e o ODP podem atuar
concomitantemente com o ENOS em determinados anos, provocando, desse modo, mudanças na
variabilidade da precipitação nas regiões sob a influência desses modos oceano-atmosféricos (Kayano et al.,
2019).
Conforme observado por Kayano e Capistrano (2014), "O OMA apresenta quase o mesmo sinal de
anomalias de Temperatura da Superfície do Mar (SST) no Atlântico Norte, com um centro principal em
55N e outro em 15N". Desde sua descoberta na década de 90, a Oscilação Multidecadal do Atlântico tem
sido objeto de análises mais aprofundadas, acompanhando o avanço da disponibilidade e melhoria na
qualidade dos dados relacionados à SST. Esse fenômeno, que ocorre em períodos superiores a 10 anos,
manifesta-se em duas fases distintas: quente (positiva) e fria (negativa).
A Oscilação Decadal do Pacífico (ODP) provoca anomalias na SST, e essas variações podem estar
associadas a mudanças na precipitação em diversas regiões, incluindo o estado de Rondônia (Borges et al.,
2021). Uma característica distintiva da ODP é sua notável persistência em comparação com outros modos
oceano-atmosféricos próximos. Seus ciclos se repetem aproximadamente a cada 20 ou 30 anos (Da Silva et al.,
2022).
Assim como o ENOS e a OMA, a ODP também apresenta dois períodos distintos: um quente, associado
ao aumento da precipitação pluviométrica; e um frio, que tem efeito contrário (Nascimento Júnior;
Sant'Anna Neto, 2016). Esta interligação complexa entre diferentes fenômenos oceânicos pode influenciar
consideravelmente os padrões de precipitação em Rondônia.
Então, de acordo com Fang e Xie (2020), a compreensão dos fenômenos oceânicos como a ODP, OMA e
ENOS desempenha um papel crucial na análise da variabilidade climática, especialmente na região
amazônica. Esses fenômenos, ao influenciar as temperaturas da superfície do oceano e os padrões
atmosféricos, têm implicações significativas na distribuição da precipitação pluviométrica ao longo do tempo
(Haszpra et al., 2020).
A persistência da ODP destaca-se, proporcionando ciclos previsíveis que ocorrem a cada duas a três
décadas. Além disso, a interação complexa entre esses fenômenos pode desencadear variações climáticas
significativas, impactando não apenas as condições locais, mas também reverberando globalmente (Geng et
al., 2019).
Dessa forma, a consideração abrangente desses fenômenos oceânicos é essencial para a construção de
modelos climáticos mais precisos e para antecipar os potenciais impactos nas condições meteorológicas,
particularmente em regiões sensíveis como a Amazônia Legal (TANG et al., 2018). Avançar nesse
entendimento é crucial para aprimorar estratégias de adaptação e mitigação diante das mudanças climáticas
em curso.

METODOLOGIA

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A base de dados foi formada a partir do Sistema de Informações Hidrológicas (HidroWeb) da Agência
Nacional de Águas (ANA). De todas as coordenadas de estações pluviométricas que foram pesquisados,
algumas não retornaram nenhuma entrada por estarem indisponíveis, de acordo com a mensagem da
HidroWeb. As outras estações que foram processadas, as informações foram armazenadas em arquivos do
Excel; para, assim, serem modeladas para a construção das bases de dados mensais e anuais.
A escolha do melhor método de imputação de dados, neste estudo baseia-se na técnica sugerida por Harrel
(2001), em que os percentuais de dados faltantes da variável chuva sobre análise devem seguir os seguintes
parâmetros:
• Percentual ≤ 0,05: Aplica-se a imputação única ou analisar somente os dados completos;
• Percentual entre 0,05 e 0,15: Imputação única pode ser usada aqui provavelmente sem problemas,
entretanto o uso da imputação múltipla é indicado;
• Percentual ≥ 0,15: A imputação múltipla é indicada na maior parte dos casos.
Vale ressaltar que se houverem diversos preditores com dados faltantes devem ser feitas as mesmas
considerações acima, mas os efeitos da imputação de dados serão mais pronunciados.
A análise de todos os postos pluviométricos são divididos em etapas: imputação dos dados faltantes através
da média da chuva; construção da correlação de Pearson entre a chuva e os fenômenos meteorológicos
(ENOS, OMA, ODP); visualização da série histórica com dados diários; visualização dos dias acima do
padrão pluviométrico; visualização dos dias sem precipitação (fazendo um recorte para os meses considerados
como verão amazônico) e, da mesma, para os dias chuvosos (com recorte para o inverno).
A análise da série temporal modelada para o estado de Rondônia será para identificar padrões, anomalias e
tendencias relacionadas a precipitação pluviométrica. Para tanto foi utilizado diversas técnicas e tecnologias
para auxiliar na análise e compreensão dessas series temporais. As técnicas utilizadas para análise foram
realizadas através da programação de algoritmos em Python com o auxílio de bibliotecas voltadas para a
ciências de dados (Pandas e MatPlotlib).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O estado de Rondônia, representado pelos postos pluviométricos destacados na figura 1, se destaca por
registrar uma quantidade significativa de chuvas, consistentemente ultrapassando os 100 mm diários ao longo
de toda a série temporal, conforme evidenciado na figura 2. A intensidade das chuvas observadas na pesquisa,
corrobora o que foi visto por De Souza (2014), onde percebeu-se que a média anual das chuvas em Rondônia
fica entre 1.400 e 2.600 mm. Para uma análise mais detalhada, os gráficos podem ser acessados através do link:
[Link]
As características pluviométricas no estado são sensíveis às influências de diversos fenômenos oceânicos-
atmosféricos.
É notável o padrão climático durante o inverno, nos meses de junho, julho e agosto (JJA), que se
caracteriza por um extenso período de estiagem, especialmente sob a influência do El Niño. Essa influência do
El Niño foi corroborada pelo estudo de De Oliveira et al. (2020), que observou um extenso período sem
chuvas durante os anos em destaque da sua pesquisa. Esse cenário provocou uma significativa diminuição na
produção de energia da usina hidrelétrica de Curuá-una, evidenciando os impactos diretos desse fenômeno
climático na disponibilidade hídrica e na geração de energia na região.

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FIGURA 1
Postos Pluviométricos de Rondônia
Fonte: Elaboração própria

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FIGURA 2
Média da Chuva Anual para o estado de Rondônia
Fonte: Elaboração própria

Ao analisar a figura 2, destaca-se que nos anos de 1983 e 1984, durante a presença do El Niño, houve um
aumento nas chuvas na região central do estado de Rondônia, ao passo que as áreas mais ao sul
experimentaram uma diminuição associada a esse fenômeno. Ao longo dessa década até 1997, a Oscilação
Decenal do Pacífico (ODP) e a Oscilação Multidecadal do Atlântico (OMA) encontravam-se em suas fases

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quente e fria, respectivamente, conforme evidenciado nas figuras 3 e 4. Apesar da influência desses dois
fenômenos que contribuíram para a redução das chuvas no estado, ainda foram registradas precipitações
intensas, influenciadas pela fase fria da OMA. Além disso, a ocorrência do fenômeno La Niña nos anos de
1984 e 1985 impactou todo o estado, resultando em um aumento expressivo na quantidade de chuvas
durante esse período.
Nos municípios de Porto Velho (Santo Antônio Br-364), Mirante da Serra e Cerejeiras, o inverno
apresenta uma grande variabilidade no número de dias chuvosos ao longo da série temporal, com o índice
pluviométrico total atingindo seu pico em meados da década de 1990. Embora a quantidade anual de chuva
varie, observa-se uma tendência geral, após o ano 2000, de redução no número de dias chuvosos,
acompanhada por um aumento nos índices totais de precipitação. Isso sugere um padrão de chuvas mais
concentradas e intensas ao longo do período.

FIGURA 3
Variação da Temperatura da Superfície do Oceano durante a Oscilação Decenal do Pacífico

Fonte: Site da National Centers for Environmental Information[1]

FIGURA 4
Oscilação da Temperatura da Superfície do Oceano durante a Oscilação Multidecadal do Atlântico
Fonte: Site da National Centers for Environmental Information[2]

Ao longo do tempo, percebe-se uma modificação em relação ao aumento das chuvas no estado, onde o El
Niño no início dos anos 90 passa a afetar mais a região Sul do estado do que o Norte, invertendo a tendência
observada na década de 80. Entretanto, em 1997, durante a transição para as fases quentes de todos os
fenômenos, há uma redução nas chuvas, semelhante ao que foi observado na década de 80.

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A partir dos anos 90 até o ano de 2002, percebe-se uma tendência de aumento das chuvas, no posto
pluviométrico localizado em Mirante da Serra, sob efeito do ENOS em sua fase neutra. Nesse período, os
outros dois fenômenos, ODP e OMA, encontram-se em suas fases fria e quente, respectivamente. Isso sugere
que, mesmo sem a influência direta do ENOS e da ODP, Rondônia enfrenta um aumento tanto na
quantidade quanto na intensidade das chuvas, chegando a ultrapassar os 100 mm em um único dia.
Posteriormente, o ENOS continua a se manifestar em padrões recorrentes, ocorrendo pelo menos a cada
dois anos e afetando Rondônia de maneiras diversas. Durante os períodos de El Niño, é mais comum observar
uma redução das chuvas na parte sul/sudoeste do estado, enquanto sob a influência de La Niña, as mudanças
nas chuvas abrangem todo o estado, com algumas exceções.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com a utilização das melhores técnicas de análise de dados e com a base de dados completa, pode-se observar
uma correlação entre os fenômenos meteorológicos estudados e as chuvas no estado de Rondônia. Quando há
a presença das fases frias, os índices pluviométricos são maiores.
Além disso, a observação dos boxplots mensais demonstra os períodos em que há maior e menor
quantidade de chuvas, sendo dezembro, janeiro e fevereiro os meses com maior quantidade e junho, julho e
agosto os meses com menor quantidade. O estado de Rondônia apresentou mudanças em seu regime de
chuvas ao longo dos anos, principalmente a partir de 2005, e, ao mesmo tempo, os índices pluviométricos
aumentaram em frequência durante o mesmo período.
A influência do El Niño Oscilação Sul, da Oscilação Multidecadal do Atlântico e da Oscilação Decadal do
Pacífico nas chuvas de Rondônia foi constatada em dias com índices pluviométricos acima de 100 mm. Além
disso, há uma tendência de redução na variabilidade das chuvas durante o verão e o inverno. Como sugestão
para estudos futuros, pode-se explorar o potencial da inteligência artificial na previsão das chuvas para um
período específico.

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Notas

Sem fins lucrativos acadêmica projeto, desenvolvido no âmbito da iniciativa acesso abertoPDF gerado a partir de XML JATS4R

115
Luiz Augusto Ferreira Monteiro, Python e R como ferramentas de análise das chuvas em Rondônia

[1] Disponível em: < [Link] Acesso em: 27 out. 2023.


[2] Disponível em: < [Link] Acesso em: 27 out. 2023

Sem fins lucrativos acadêmica projeto, desenvolvido no âmbito da iniciativa acesso abertoPDF gerado a partir de XML JATS4R

116
Luiz Augusto Ferreira Monteiro
Disponível em: Python e R como ferramentas de análise das chuvas em
[Link] Rondônia
274/2745054007/[Link] Python and R as tools for rainfall analysis in Rondônia

Como citar este artigo Revista Presença Geográfica


vol. 11, núm. 3, 2024
Número completo Fundação Universidade Federal de Rondônia, Brasil
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Sem fins lucrativos acadêmica projeto, desenvolvido no
âmbito da iniciativa acesso aberto

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