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DGPM 315 Capitulo 8

O Inquérito Policial Militar (IPM) é um procedimento administrativo destinado a apurar crimes militares e suas autorias, conforme o Código Penal Militar. A instauração do IPM é obrigatória em casos de desaparecimento de militares ou morte suspeita, e deve seguir normas específicas quanto à competência, designação de encarregados e sigilo. O documento também detalha as comunicações necessárias e atribuições dos envolvidos no processo de investigação.

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DGPM 315 Capitulo 8

O Inquérito Policial Militar (IPM) é um procedimento administrativo destinado a apurar crimes militares e suas autorias, conforme o Código Penal Militar. A instauração do IPM é obrigatória em casos de desaparecimento de militares ou morte suspeita, e deve seguir normas específicas quanto à competência, designação de encarregados e sigilo. O documento também detalha as comunicações necessárias e atribuições dos envolvidos no processo de investigação.

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OSTENSIVO DGPM-315

CAPÍTULO 8
INQUÉRITO POLICIAL MILITAR

8.1 - INQUÉRITO POLICIAL MILITAR (IPM)


8.1.1 - É um procedimento administrativo que se destina à apuração de fatos que possam
constituir crimes militares, delitos da competência da Justiça Militar, previstos no art.
9° do Código Penal Militar (CPM), bem como as suas autorias. Transcreve-se,
abaixo o art. 9º do CPM.
“Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz:
I - os crimes de que trata este Código, quando definidos de modo diverso na lei
penal comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo
disposição especial;
II - os crimes previstos neste Código e os previstos na legislação penal,
quando praticados:
a) por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra militar na
mesma situação ou assemelhado;
b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em lugar sujeito à
administração militar, contra militar da reserva, ou reformado, ou
assemelhado, ou civil;
c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em comissão de
natureza militar, ou em formatura, ainda que fora do lugar sujeito à
administração militar contra militar da reserva, ou reformado, ou civil;
d) por militar durante o período de manobras ou exercício, contra militar da
reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil;
e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado, contra o patrimônio
sob a administração militar, ou a ordem administrativa militar;
f) (revogada).
III - os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado, ou por civil,
contra as instituições militares, considerando-se como tais não só os
compreendidos no inciso I, como os do inciso II, nos seguintes casos:

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OSTENSIVO DGPM-315

a) contra o patrimônio sob a administração militar, ou contra a ordem


administrativa militar;
b) em lugar sujeito à administração militar contra militar em situação de
atividade ou assemelhado, ou contra funcionário de Ministério militar ou
da Justiça Militar, no exercício de função inerente ao seu cargo;
c) contra militar em formatura, ou durante o período de prontidão,
vigilância, observação, exploração, exercício, acampamento, acantonamento
ou manobras;
d) ainda que fora do lugar sujeito à administração militar, contra militar em
função de natureza militar, ou no desempenho de serviço de vigilância,
garantia e preservação da ordem pública, administrativa ou judiciária,
quando legalmente requisitado para aquele fim, ou em obediência à
determinação legal superior.
§ 1º Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e
cometidos por militares contra civil, serão de competência do Tribunal do
Júri.
§ 2º Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e
cometidos por militares das Forças Armadas contra civil, serão da
competência da Justiça Militar da União, se praticados no contexto:
I – do cumprimento de atribuições que lhes forem estabelecidas pelo
Presidente da República ou pelo Ministro de Estado da Defesa;
II – de ação que envolva a segurança de instituição militar ou de missão
militar, mesmo que não beligerante; ou
III – de atividade de natureza militar, de operação de paz, de garantia
da lei e da ordem ou de atribuição subsidiária, realizadas em conformidade
com o disposto no art. 142 da Constituição Federal e na forma dos seguintes
diplomas legais:
a) Lei nº 7.565, de 19 de dezembro de 1986 - Código Brasileiro de
Aeronáutica;
b) Lei Complementar no 97, de 9 de junho de 1999;

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c) Decreto-Lei no1.002, de 21 de outubro de 1969 - Código de Processo


Penal Militar; e
d) Lei nº 4.737, de 15 de julho de 1965 - Código Eleitoral.”
8.1.2 - No inquérito são obtidos os elementos que servirão de base para o oferecimento de
denúncia pelo Ministério Público, se for o caso.
8.1.3 - Será obrigatoriamente instaurado IPM quando o militar for considerado desaparecido.
8.1.4 - No caso de morte, em que se evidencie a suspeita da ocorrência de uma das situações
descritas no inciso 8.1.1 (crime militar), será também instaurado IPM. Nos demais
casos, e para constatação de falecimento em serviço, deverão ser observados os
procedimentos previstos no Capítulo 3, TOMO I da DGPM-315 e nos Capítulos 5 e
15 da DGPM-301.
8.1.5 - Se, por si só, for suficiente para a elucidação do fato e sua autoria, o auto de prisão
em flagrante delito substituirá o inquérito, dispensando outras diligências, salvo o
exame de corpo de delito no crime que deixe vestígios, a identificação da coisa e sua
avaliação, quando o seu valor influir na aplicação da pena, conforme art. 27 do
CPPM.
8.2 - COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE NOMEANTE
8.2.1 - A instauração do IPM compete às autoridades mencionadas no art. 7° do CPPM,
nestas Normas denominadas autoridades nomeantes. Obedecidas as normas
regulamentares de jurisdição, comando e hierarquia, essas atribuições poderão ser
delegadas a Oficiais da ativa, para fins especificados e por tempo limitado. A
delegação para instauração do IPM deverá recair em Oficial de posto superior ao do
indiciado, seja este Oficial da ativa, reserva, remunerada ou não, ou reformados.
8.2.2 - O IPM é iniciado mediante “Portaria de Instauração”, por uma das situações
mencionadas no art. 10 do CPPM, num prazo máximo de 48 horas, após o
conhecimento do fato a ser apurado, que deva ser esclarecido (modelos do Anexo B).
8.3 - DESIGNAÇÃO DO ENCARREGADO
8.3.1 - A designação de encarregado do IPM será feita na “Portaria de Instauração” da
autoridade nomeante, recaindo, sempre que possível, sobre Oficial de posto não
inferior a Capitão-Tenente, observando-se o contido no art. 15 do CPPM. Havendo
necessidade de substituição do encarregado, no curso das investigações, esta será
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feita por meio de nova portaria da autoridade nomeante, na qual deverá conter a
motivação do ato.
8.3.2 - O encarregado do procedimento administrativo assume as atribuições que lhe foram
delegadas pela autoridade nomeante por meio da respectiva “Portaria de Autuação”
(modelo do Anexo C).
8.3.3 - A substituição do encarregado no decorrer do IPM, deverá ser informada por
mensagem aos mesmos endereçados previstos nas comunicações mencionadas no art.
8.7.
8.3.4 - Se, durante as investigações, o encarregado verificar a existência de indícios contra
Oficial mais antigo, emitirá um relatório parcial, apontando os fatos e documentos
que apresentam indícios de ilícito penal, bem como os envolvidos, sem realizar juízo
de valor quanto à ação do mais antigo e remeterá os autos à autoridade nomeante, de
acordo com art. 10 § 5° do CPPM. A autoridade nomeante, caso entenda não
proceder o alegado indício, restituirá os autos por meio de despacho, determinando o
prosseguimento do IPM ou nomeará outro encarregado, se considerar conveniente.
8.4 - DESIGNAÇÃO DO ESCRIVÃO
A designação do escrivão, por meio de “portaria” (modelo do Anexo D), caberá ao
respectivo encarregado do IPM, caso não tenha sido efetuada pela autoridade nomeante
na “Portaria de Instauração”, sendo a função exercida por um Oficial Subalterno,
quando houver Oficial como indiciado, ou por Suboficial ou Sargento nos demais casos
(art. 11 do CPPM). Na falta destes, qualquer pessoa idônea poderá desempenhá-la,
sendo denominada escrivão ad hoc (art. 245, §§ 4° e 5°, do CPPM).
8.5 - TERMO DE COMPROMISSO
O escrivão designado e o ad hoc prestarão o compromisso legal, de acordo com o art.
11, parágrafo único e art. 245, § 5º do CPPM, e lavrará o competente “Termo de
Compromisso” (modelo do Anexo E).
8.6 - ATRIBUIÇÃO DO SIGILO
O IPM tem caráter sigiloso. A autoridade nomeante atribuirá o grau de sigilo dos Autos
na “Portaria de Instauração”. Caso julgue necessário alterá-lo, deverá observar as
normas para salvaguarda de assuntos sigilosos.

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8.7 - COMUNICAÇÕES
8.7.1 - Havendo indiciado ou não, será transmitida mensagem ao Comando do Distrito
Naval em cuja jurisdição for instaurado, à DPMM, ao CPesFN ou à DPCvM,
conforme o caso. O respectivo Órgão de Direção Setorial, o COMIMSUP, o GCM e
o CIM serão endereçados de informação da citada mensagem, que deverá conter os
seguintes dados: posto, nome e NIP do encarregado, data da instauração, número e
data da portaria de instauração, posto, graduação ou categoria, especialidade, NIP e
nome do indiciado (seja oficial ou praça), se houver, e resumo do fato que deu
origem ao IPM.
8.7.2 - Quando o fato envolver atividades administrativas ou técnicas, deverá ser informada,
também, à Diretoria relacionada com a atividade afetada.
8.7.3 - Caso o IPM envolva Oficial-General como indiciado, a mensagem mencionada no
inciso 8.7.1 deverá, também, ter como endereçados de informação o Comandante da
Marinha e o Chefe do Estado-Maior da Armada (art. 10, § 4° do CPPM).
8.7.4 - Quando o IPM for instaurado para apurar extravio ou avaria de material controlado, o
órgão responsável pelo seu controle deve constar como endereçado de informação na
mensagem.
8.7.5 - A mensagem mencionada no inciso 8.7.1, quando dispuser sobre o indiciamento em
IPM, deverá fazê-la de forma clara e precisa descrevendo o resumo do fato
considerado ilícito penal, não se restringindo a citar documentos ou simplesmente
mencionando dispositivo legal.
8.7.6 - As OM, em que figurarem indiciados nos autos de IPM, deverão informar às
autoridades mencionadas no inciso 8.7.1, até o dia 10 dos meses de março, julho e
novembro, a situação atual junto a auditoria militar de todos os movimentos
ocorridos, ou não, no IPM (diligências/pedido de informação/etc), até o
encerramento do mesmo na CJM (Arquivamento/Denúncia/ etc). Para tal
incumbência, deverá ser encaminhada à DPMM, CPesFN e CIM, cópia de Ordem de
Serviço (OS) que designará o militar responsável na OM por tal acompanhamento.
8.7.7 - Independentemente da mensagem mencionada no inciso 8.7.1, situações envolvendo a
MB, especialmente com ocorrência de vítimas, fatais ou não, e/ou danos materiais
substanciais que por sua natureza ou magnitude, possam interessar às demais Forças,

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aos órgãos de administração pública, à mídia e à própria sociedade, deverão ser


prontamente comunicadas ao comando superior, de modo que a informação chegue ao
CM, tempestivamente, evitando que o conhecimento seja através da imprensa. A
informação telefônica deverá ser sucedida de mensagem, com a precedência
necessária, informando os dados mais relevantes.
8.8 - ATRIBUIÇÕES DO ENCARREGADO
8.8.1 - Ao iniciar o IPM o encarregado deverá cumprir, no que couber o procedimento
preconizado no art. 13 do CPPM.
8.8.2 - O encarregado do IPM poderá solicitar aos Comandos de Distrito Naval onde existir
Núcleo de Polícia Judiciária Militar (N-PJM) auxílio na condução do IPM, em
especial no que pertine à realização de perícias em geral, bem como à Procuradoria
da Justiça Militar da Jurisdição do fato delituoso a ser apurado, em caso ser de
excepcional importância ou de difícil elucidação, a assistência jurídica de
Procurador/Promotor, conforme o art. 14 do CPPM.
8.8.3 - Todas as solicitações externas determinadas pelo encarregado serão feitas por meio
de ofício por ele assinado.
8.8.4 - O encarregado determinará ao escrivão as providências a serem tomadas por meio de
“Despacho” (modelo do Anexo I), em continuação a documentos ou no verso destes.
8.8.5 - O Encarregado do IPM poderá limitar o acesso do advogado a elementos de prova
relacionados a diligências em andamento e ainda não cumpridas, ou seja, que ainda
não foram juntados aos autos, desde que tal acesso comprometa a eficiência, a
eficácia ou a finalidade das diligências.
8.9 - CONVOCAÇÃO DE MILITAR OU CIVIL
8.9.1 - Sempre que for requisitado militar ou servidor público da MB de outra OM, ou que
se encontre em sua residência, seu comparecimento será solicitado por meio de
“ofício” (modelo do Anexo G-1) ou por “CI”, se da mesma OM (modelo do Anexo
G-2) do encarregado à autoridade a que estiver subordinado o requisitado, devendo
ser juntada cópia desse ofício/CI aos autos.
8.9.2 - A convocação de depoentes civis (testemunhas ou ofendidos) será realizada por meio
de ofício, assinado pelo encarregado (modelo do Anexo H). Os notificados ou quem
receber a comunicação firmará o recibo na cópia, ficando com a original. O recibo

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deverá conter, além da assinatura do recebedor, o local, a data e a hora do


recebimento, sendo firmado de próprio punho. Em se tratando de pessoa analfabeta,
esta condição deverá ser expressa no recibo, que será então firmado por duas
testemunhas perfeitamente identificadas.
8.9.3 - A testemunha deverá ser cientificada, por ocasião da notificação, que poderá
comparecer acompanhada de advogado. Por ocasião da oitiva, deverá ser cientificado
de que não está obrigado a prestar esclarecimentos acerca de fatos criminosos que
tenha participado, nos termos do § 2° do art. 296 do CPPM, além de tomar
conhecimento dos art. 343 a 346 do CPM. No caso de recusa de testemunha em
comparecer, o encarregado oficiará ao Juiz Auditor da CJM correspondente,
participando o ocorrido e solicitando a sua notificação com base no art. 347 §2º do
CPPM .
8.9.4 - Se a recusa for de ofendido, também o encarregado do IPM oficiará ao Juiz Auditor
da CJM correspondente, solicitando a sua notificação.
8.9.5 - As citações, intimações ou notificações aos envolvidos, em geral, serão sempre feitas
de dia e com antecedência de 3 (três) dias, pelo menos, do ato a que se referirem.
8.10 - ESCRIVÃO
8.10.1 - O escrivão dará cumprimento ao “Despacho” e, logo após, lavrará uma “Certidão”
(modelo do Anexo J), na qual definirá, perfeitamente, a maneira como foram
cumpridas as determinações do encarregado ou justificará as razões que o
impediram de cumpri-las.
8.10.2 - Entregará os autos ao encarregado, mediante a lavratura de “Termo de Conclusão”
(modelo do Anexo L), devendo adotar este procedimento nas demais situações em
que vier a restituir os autos ao encarregado. Conclusão é o termo mediante o qual o
escrivão submete o IPM ao exame e despacho do encarregado.
8.10.3 - Sempre que o escrivão receber os autos do encarregado, lavrará “Termo de
Recebimento” (modelo do Anexo M).
8.11 - DENOMINAÇÕES
8.11.1 - AUTUAÇÃO
É o termo inicial do IPM subscrito pelo escrivão (modelo do Anexo F),
posicionando-se após a capa do IPM e a Folha de Qualificação do Indiciado

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(modelo do Anexo AAF), mencionando todos os documentos iniciais que foram


entregues ao escrivão pelo encarregado, incluindo-se, necessariamente, a “Portaria
de Instauração”, seus anexos e o “Termo de Compromisso” (modelo do Anexo E).
8.11.2 - REUNIÃO E ORDEM DAS PEÇAS
Todas as peças do IPM serão, por ordem cronológica reunidas, formando autos.
Todas as folhas juntadas aos autos deverão ser rubricadas e numeradas pelo
escrivão. A numeração é sempre lançada no ângulo superior do anverso da folha, a
partir da folha 1 (autuação).
8.11.3 - JUNTADA
É o termo que registra a anexação ao IPM, mediante prévio despacho do
encarregado, de qualquer documento ou papel que interesse à prova. (modelo do
Anexo AAA).
8.12 - DEFENSOR
Os depoentes poderão depor acompanhados por seus advogados, mediante
apresentação da carteira de habilitação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e
procuração, podendo copiar peças, tomar apontamentos, em meio físico ou digital, e
apresentar razões e quesitos.
8.13 - ORDEM DA OITIVA
O encarregado deverá, preferencialmente, ouvir o(s) ofendido(s), em seguida, a(s)
testemunha(s), e, por último, o(s) indiciado(s). Havendo necessidade de esclarecimento
de qualquer fato, as pessoas anteriormente mencionadas poderão ser ouvidas quantas
vezes se fizerem necessárias.
8.14 - TERMOS DA OITIVA
O ofendido será ouvido em “Termo de Inquirição”, o indiciado em “Termo de
Interrogatório” e as testemunhas em “Termo de Inquirição” (modelo do Anexo N).
8.15 - PRECATÓRIA
8.15.1 - A(s) testemunha(s), o(s) indiciado(s) ou o(s) ofendido(s) que se encontrar(em) em
cidade diferente da qual foi instaurado o IPM poderá(ão) ser ouvido(s), se for de
todo necessário, por meio de “Carta Precatória” (modelo do Anexo O) encaminhada
à autoridade militar, de preferência da MB, sediada no local onde se encontre
servindo ou residindo, no caso de civil ou militar da reserva. A autoridade

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recebedora da precatória despachará (modelo do Anexo P), em continuação à


mesma, determinando o seu cumprimento, designando os elementos necessários, e
providenciará a sua restituição, com a maior brevidade possível, atentando sempre
para os prazos de conclusão do IPM.
8.15.2 - A Carta Precatória tem caráter itinerante, ou seja, mesmo que a autoridade
recebedora não seja a mencionada no endereçamento, caberá, a esta, o correto
endereçamento, ou, na impossibilidade do mesmo, deverá ser efetivada a devolução
imediata ao destinatário com as devidas explicações da impossibilidade de
cumprimento.
8.16 - OITIVA
8.16.1 - A oitiva das testemunhas, do ofendido e do indiciado, exceto em caso de urgência
inadiável, que constará da respectiva assentada, devem ser realizados durante o
período que medeie entre as sete e dezoito horas, de acordo com o art. 19 do CPPM.
A testemunha não deverá ser, normalmente, inquirida por mais de quatro horas
consecutivas, sendo-lhe facultada um descanso de 30 minutos, sempre que tiver que
prestar declarações além daquele termo, de acordo como art. 19, §2º do CPPM.
8.16.2 - Os termos de interrogatório e de inquirição deverão constar em folhas separadas.
8.16.3 - É prudente que o interrogatório do indiciado seja acompanhado por duas
testemunhas, nomeadas pelo encarregado, as quais assinarão o “Termo de
Interrogatório”.
8.16.4 - Se, durante o curso das investigações, o encarregado verificar a existência de
indícios contra qualquer testemunha ou ofendido, que leve ao enquadramento de
algum destes como indiciado, deverá notificá-lo (Termo de Interrogatório) e
interrogá-lo nesta condição.
8.16.5 - Antes de iniciar qualquer oitiva é conveniente que o ofendido, indiciado ou
depoente seja entrevistado pelo encarregado.
8.16.6 - As perguntas formuladas ao ofendido, indiciado ou depoente serão transcritas antes
das respectivas respostas.
8.16.7 - Após a oitiva, o termo deverá ser lido e assinado pelo ofendido, indiciado ou
testemunha e pelas testemunhas que presenciaram a oitiva, caso haja, que
rubricarão, também, as folhas que não contiverem assinatura.

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8.16.8 - Poderão ser ouvidos, à semelhança das testemunhas, os menores de 14 anos, os


doentes ou deficientes mentais, os ascendentes, descendentes, sogro, sogra, genro,
nora, cônjuge, separado judicialmente/divorciado, irmão ou pessoa que tenha
vínculo de adoção com o indiciado, observado o disposto nos art. 352, §2º e art. 354
do CPPM, estando isentos do compromisso de dizer a verdade e, sendo, assim,
denominados informantes.
8.16.9 - Quando, durante a realização de IPM, outra pessoa for indiciada ou quando um
indiciado deixar de assim ser considerado, será feita a comunicação desta
ocorrência aos mesmos endereçados da mensagem mencionada no art. 8.7.
8.17 - DEPOIMENTO DO ANALFABETO E DO CEGO
Caso o depoente seja analfabeto ou cego, deverão ser convocadas duas testemunhas
que acompanharão e assinarão, por eles, o depoimento, a fim de comprovarem se o
texto é idêntico ao declarado pelo depoente. O depoente, nesse caso, firmará o
documento pela impressão digital do polegar direito ou, na ausência deste, pelo
esquerdo.
8.18 - DEPOIMENTO DO ESTRANGEIRO OU SURDO OU MUDO
No caso de o depoente ser estrangeiro ou surdo ou mudo, o termo deverá ser lavrado
de acordo com os art. 298 e 299 do CPPM.
8.19 - QUALIFICAÇÃO DO OFENDIDO/INDICIADO/TESTEMUNHA
8.19.1 - O ofendido/indiciado/testemunha será qualificado(a) no início do texto do termo.
Esta qualificação deverá conter, conforme o caso: nome, NIP, posto ou graduação
ou profissão, filiação, data de nascimento, naturalidade, nacionalidade, estado civil,
número de cartão de identidade civil e militar e órgão expedidor, CPF, título de
eleitor, residência e local de trabalho, grau de instrução, endereço eletrônico e
telefone para contato. Quando conhecido ou declarado, deverá constar, também, o
apelido.
8.19.2 - Após a qualificação, o ofendido/indiciado/testemunha será informado(a) do motivo
da oitiva e este fato constará do correspondente termo.
8.19.3 - A qualificação do indiciado também deverá constar em folha própria (modelo do
Anexo AAF), que deverá ser autuado logo após a Capa (modelo do Anexo A).
Caso nem todas as informações acima mencionadas estejam disponíveis, deverá ser

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consignada a expressão “não disponível”, sendo juntada aos autos posteriormente,


ou transmitida ao juízo para o qual for distribuído o procedimento, caso venha ao
conhecimento do encarregado/presidente.
8.20 - COMPROMISSO
A testemunha é obrigada a prestar o compromisso de dizer a verdade, nos termos
contidos no art. 352 do CPPM, e este fato constará do texto inicial de seu depoimento.
Estão isentas de prestar compromisso as pessoas mencionadas no inciso 8.16.8, o
indiciado e o ofendido.
8.21 - RECUSA DE ASSINATURA
Se o indiciado ou a testemunha se recusar a assinar o termo de depoimento, este deverá
ser firmado por duas testemunhas, para este fim convocadas pelo encarregado, sendo
este fato mencionado no fim do depoimento e antes das assinaturas. As folhas que não
contiverem assinatura serão rubricadas pelas testemunhas.
8.22 - CONFISSÃO
Caso o indiciado confesse a culpa, o interrogatório deverá ser firmado de acordo com
os art. 306, § 2º, 307 a 310 do CPPM. A confissão não supre a necessidade da
realização do exame de corpo de delito nas infrações que deixem vestígios, nem
importa na dispensa de outras diligências, as quais sirvam para elucidar o fato.
Segundo o art. 5º, LVI, da CF, são inadmissíveis as provas obtidas por meios ilícitos.
8.23 - ACAREAÇÃO
8.23.1 - Sempre que houver divergência em declarações sobre fatos ou circunstâncias
relevantes entre indiciados, testemunhas, indiciados e testemunhas, indiciado ou
testemunha e a pessoa do ofendido ou entre pessoas ofendidas, será cabível a
acareação, de acordo com os art. 365 e 366 do CPPM, sendo lavrado o “Termo de
Acareação” (modelo do Anexo Q).
8.23.2 - A autoridade que realizar a acareação reinquirirá os acareados, cada um de per si e
em presença um do outro, e os explicará os pontos em que divergem, conforme art.
366 do CPPM.
8.23.3 - As testemunhas acareadas não prestarão compromisso de dizer a verdade, por já o
terem realizado, quando do depoimento inicial.

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8.24 - PROVIDÊNCIA PRELIMINAR DA DETENÇÃO DE INDICIADO (art. 18 do


CPPM)
8.24.1 - Antes do indiciado ser levado ao local onde ficará detido, ou por ocasião de sua
liberação, será submetido a exame médico, a fim de atestar sua saúde mental e
integridade física, devendo o resultado ser juntado aos autos.
8.24.2 - Caso o indiciado se recuse à submissão do exame médico, o encarregado deverá
oficiar ao Juiz Auditor que decidirá. Em nenhuma hipótese, poderá ser usada força
física para tal finalidade, sob pena de ser cometido ilícito penal de constrangimento
ilegal. O encarregado deverá, também, fazer consignar a recusa nos autos do IPM,
com a assinatura de duas testemunhas capazes e idôneas.
8.25 - CRIME PROPRIAMENTE MILITAR
8.25.1 - Crime propriamente militar é aquele que só pode ser praticado por militares, pois
consiste na violação de deveres restritos, que lhes são próprios.
8.25.2 - Quando houver necessidade da detenção do indiciado (militar) no decorrer de um
IPM para apurar o cometimento de crime propriamente militar, com o propósito de
melhor elucidar os fatos, ela independerá de flagrante delito ou de ordem judicial,
devendo o encarregado, observando o prazo do art. 18 do CPPM, lavrar o
competente “Mandado de Prisão” (modelo do Anexo T) e imediatamente
providenciar:
a) a comunicação da prisão às autoridades judiciária militar e do Ministério Público
competentes (art. 10 da Lei Complementar nº 75/1993) (modelo do Anexo V);
b) a comunicação da prisão ao Comando do Distrito ou Comando Naval em cuja
área ocorreu a detenção, à DPMM e ao CPesFN, quando envolver militar do CFN
(modelo do Anexo U);
c) a comunicação à família do preso, ou a qualquer pessoa por ele indicada, do
local onde o mesmo se encontra detido (modelo do Anexo V); e
d) a autorização para que seja prestada assistência pela família do preso ou por seu
advogado, se este assim o desejar.
8.25.3 - Caso haja necessidade de prorrogação da prisão a que se refere o inciso anterior, esta
deverá ser solicitada com observância do previsto no art. 18 do CPPM (modelo do
Anexo X).

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8.25.4 - A liberação do indiciado preso se fará por meio de despacho exarado pelo
encarregado do IPM. Na certidão correspondente constará o período de detenção,
nos seguintes termos: “Foi solto na presente data o .... (qualificação completa do
indiciado), detido em ... (data), tendo ficado preso no .... (local) durante o período
de .... a ..... (data e assinatura)”.
8.25.5 - A detenção do indiciado não subordinado à autoridade nomeante será solicitada pelo
encarregado do IPM, por meio de ofício (modelo do Anexo Z), que conterá, anexo,
o “Mandado de Prisão” e uma cópia deste, onde será passado o recibo, o qual será,
posteriormente, juntado aos autos. Cópia desse ofício será encaminhada ao
Comando do Distrito Naval ou Comando Naval, em cuja área ocorrer a detenção, e
à autoridade nomeante.
8.25.6 - A soltura do indiciado, que figure como autor de crime propriamente militar, será
imediatamente comunicada ao juízo da Circunscrição Judiciária Militar competente,
com cópia à DPMM, ao CPesFN ou à DPCvM conforme cabível.
8.26 - CRIME IMPROPRIAMENTE MILITAR
Crimes impropriamente militares são os crimes comuns em sua natureza, cuja prática é
possível a qualquer cidadão, civil ou militar. Quando, no curso das investigações,
surgir necessidade da prisão do indiciado que tenha praticado crime impropriamente
militar, deverá o encarregado solicitar a decretação da prisão preventiva, com base nos
arts. 254 e 255 do CPPM, ao Juiz-Auditor da Circunscrição Judiciária Militar
competente (modelo do Anexo AA).
8.27 - PROCEDIMENTO DOS EXAMES PERICIAIS
8.27.1 - Os exames periciais deverão ser procedidos de acordo com o preconizado nos arts.
314 a 346 do CPPM, sendo sempre realizados por dois peritos compromissados.
No caso de haver somente um perito especialista ou em condições de proceder
a perícia, tal fato deve ser informado circunstanciadamente no corpo do
Termo de Compromisso (modelo do Anexo AAG).
8.27.2 - Nas áreas em que já estiver em funcionamento o N-PJM, as solicitações de perícia
deverão ser a ele encaminhadas observando o que dispõe o Capítulo 7 destas
Normas.

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8.27.3 - Inexistindo N-PJM na área do Comando do Distrito Naval onde é realizado o IPM, o
encarregado deverá observar os procedimentos descritos a seguir.
8.28 - PERITOS
8.28.1 - Os peritos serão nomeados, preferencialmente, dentre os oficiais da ativa, lotados na
área e que possuam formação técnica compatível com os exames que irão proceder,
atendidas às especialidades, de acordo com os art. 48, 49 e 318 do CPPM, por
portaria do encarregado, do IPM, ou do Comandante ou autoridade equivalente da
OM onde vier a ser lavrado o Auto de Prisão em Flagrante (modelo do Anexo AB).
8.28.2 - Como peritos, poderão ser designados militares pertencentes às outras Forças
Armadas, conforme entendimentos prévios entre os respectivos Comandos.
8.28.3 - Na designação dos peritos deverão ser considerados os casos de suspeição e
impedimento previstos nos art. 52 e 53 do CPPM, se verificáveis.
8.28.4 - Nos casos acima deve ser juntado aos autos de IPM o Termo de Compromisso
firmado pelos peritos.
8.29 - REQUISIÇÃO DE DILIGÊNCIAS E EXAMES
8.29.1 - A autoridade nomeante poderá, se preciso for, solicitar das autoridades policiais
todas as diligências e exames que se fizerem necessários para esclarecimento do
fato. Quando existir, no local, instituto técnico de criminalística poderá, também,
ser este órgão solicitado para a realização dos exames periciais.
8.29.2 - Caso necessário, poderão, também, ser solicitados os serviços de pessoas estranhas
às Forças Armadas, mas de comprovada experiência técnica no assunto e de
conhecida idoneidade moral.
8.29.3 - Na área do Com1°DN, as Perícias Médicas Legais deverão, preferencialmente, ser
realizadas no CPMM, de modo a atender aos interesses da Polícia Judiciária Militar
(Exames de Corpo de Delito para lesão corporal, integridade física de presos e
sanidade física e mental).
8.29.4 - Em havendo necessidade de se realizar interceptação telefônica durante a condução
do IPM, o Encarregado deverá observar os procedimentos previstos na Resolução
nº 59, de 9 de agosto de 2008, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) (Anexo
AAE).
8.29.5 - Deverá ser observado o inciso 8.8.5 quanto ao acesso do Advogado.

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8.30 - LAUDO DE EXAME PERICIAL


Caso o exame pericial seja realizado no âmbito da MB, os peritos lavrarão o
correspondente “Laudo” (modelo do Anexo AC).
8.31 - FORMULAÇÃO DE QUESITOS
Os quesitos a serem formulados aos peritos, devem ser feitos de acordo com as
circunstâncias e o que se deseja esclarecer, devendo o encarregado ter o máximo de
atenção em sua formulação.
8.32 - EXAME DE CORPO DE DELITO
Quando, devido ao tempo decorrido, não puder ser realizado o exame de corpo de
delito direto, e assim ser obtido o “Laudo de Exame de Corpo de Delito” (modelo do
Anexo AD), será lavrado o “Laudo de Exame de Corpo de Delito Indireto” (modelo
do Anexo AE), que conterá depoimento das pessoas que presenciaram a ocorrência,
de acordo com o art. 328, parágrafo único, do CPPM.
8.33 - AVALIAÇÃO DIRETA E INDIRETA
Quando for verificado fato que causou danos à Fazenda Nacional, será efetuada a
correspondente avaliação desses danos e lavrado o “Laudo de Avaliação” (modelo do
Anexo AI), firmado por dois peritos designados pela autoridade nomeante ou pelo
próprio encarregado, os quais prestarão o compromisso legal. Na impossibilidade de
ser efetuada a avaliação direta do material extraviado, será lavrado o “Termo de
Avaliação Indireta” (modelo do Anexo AJ).
8.34 - RECONHECIMENTO DE PESSOAS E OBJETOS
O reconhecimento de pessoas e objetos, ao ser efetuado pelo depoente, será firmado,
respectivamente, no “Termo de Reconhecimento de Pessoa” ou no “Termo de
Reconhecimento de Objetos” (modelos dos Anexos AM ou AN), observado o disposto
nos art. 368 a 370 do CPPM.
8.35 - OCORRÊNCIA FORA DA JURISDIÇÃO MILITAR
Quando o fato ocorrer fora da jurisdição militar, será solicitada à Delegacia Policial,
pelo encarregado, cópia da ocorrência, com os respectivos termos de depoimento das
testemunhas e de declaração dos indiciados, bem como demais documentos porventura
existentes. Idêntico procedimento se observará quanto à solicitação de Boletim de

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Socorro ao Hospital, do Exame Pericial ao Instituto de Criminalística e do Exame de


Corpo de Delito ou do Laudo de Exame Cadavérico ao Instituto Médico Legal.
8.36 - LAUDO DE EXAME CADAVÉRICO
Quando for instaurado IPM para apurar autoria de homicídio, anexar aos autos a cópia
autenticada da certidão de óbito da vítima e requisitar o Laudo de Exame Cadavérico,
se possível.
8.37 - TERMO DE RECONHECIMENTO DE CADÁVER
No caso de ocorrer falecimento e o corpo da vítima não puder ser prontamente
identificado ou reconhecido, deverá ser realizado o reconhecimento por pessoas que
conheciam a vítima, sendo então lavrado o “Termo de Reconhecimento de Cadáver”
(modelo do Anexo AO).
8.38 - BUSCAS DOMICILIARES
Quando para apuração dos fatos forem necessárias ações que envolvam buscas
domiciliares, o encarregado do IPM mandará lavrar o “Termo de Informação para
Busca, Apreensão e Prisão” (modelo do Anexo AP) e solicitará ordem judicial nesse
sentido (modelo do Anexo AQ) ao Juiz-Auditor competente. Concedida a ordem, será
procedida a diligência, de conformidade com os art. 179 e 180 do CPPM, observando-
se o prescrito no inciso XI do art. 5° da Constituição Federal.
8.39 - APREENSÃO E RESTITUIÇÃO DOS BENS
8.39.1 - Quando, em qualquer fase do inquérito, for constatada pelo encarregado lesão a
patrimônio sob a administração militar, ele deverá solicitar à Autoridade Judiciária,
por ofício, com cópia ao GCM e CJACM, o sequestro dos bens adquiridos pelo
indiciado com os proventos da infração penal, ainda que já tenham sido transferidos
a terceiros, por qualquer forma de alienação, ou por abandono ou renúncia,
conforme art. 199 a 201 do CPPM.
8.39.2 - O encarregado não poderá, em hipótese alguma, alienar bens apreendidos ou deles
dispor, mesmo que seja alegado ressarcimento de prejuízos.
8.39.3 - O encarregado pode restituir peças apreendidas que julgar não mais interessar à
apuração ou à Ação Penal que possa ser instaurada, quando não houver dúvidas
quanto ao direito do reclamante ou quando a coisa apreendida não seja irrestituível,
conforme o disposto nos art. 190 a 198 do CPPM. A medida deve preceder de

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comunicação à autoridade judiciária competente. Para efetuar restituições, o


encarregado deverá despachar nos autos determinando a restituição. A entrega será
feita perante duas testemunhas, que assinarão o respectivo “Termo de Restituição”
(modelo do Anexo AR).
8.39.4 - Não poderão ser restituídos, em tempo algum, os instrumentos do crime que
consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato
ilícito ou que, pertencendo às Forças Armadas ou sendo de uso exclusivo de
militares, estejam em poder ou em uso do agente, ou de pessoa não autorizada,
conforme art. 190 § 1º do CPPM, salvo determinação judicial.
8.40 - VIOLAÇÃO DE SIGILO
Se, no curso das investigações, surgir necessidade de se obter informações que
impliquem violação (quebra) do sigilo bancário, fiscal ou das comunicações
telefônicas (por escuta), o encarregado do IPM solicitará, fundamentadamente, à
autoridade judiciária militar competente para que expeça ordem judicial neste sentido.
8.41 - IDENTIFICAÇÃO DO INDICIADO
Caso o indiciado civil, em crime impropriamente militar, não possua identificação,
será ele encaminhado, pelo encarregado do IPM, ao órgão de identificação civil da
área, a fim de ser identificado civilmente.
8.42 - PRAZOS PARA CONCLUSÃO E PRORROGAÇÃO
8.42.1 - Os prazos para realização de IPM são os mencionados no art. 20 do CPPM, ou seja,
20 (vinte) dias se o indiciado estiver preso, contado esse prazo a partir do dia em
que se executar a ordem de prisão; ou em 40 (quarenta) dias nos demais casos,
contados da data em que se instaurar o inquérito. A prorrogação de que trata o § 1°
desse artigo será solicitada pela autoridade nomeante ao seu COMIMSUP por
mensagem, tendo como endereçados de informação as OM participadas por ocasião
da instauração do IPM (art. 8.7).
8.42.2 - Serão deduzidos dos prazos determinados no art. 20 do CPPM as interrupções pelos
motivos previstos no § 5° do art. 10 do CPPM.
8.42.3 - O encarregado de IPM, ao se dirigir ao Comandante da Marinha solicitando
prorrogação de prazo para conclusão, deve fazer constar em tal solicitação um
ligeiro histórico do fato que motivou a abertura do inquérito, para conhecimento

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daquela autoridade. Essa informação constitui um dos elementos essenciais à


justificação prevista no § 2° do art. 20 do CPPM.
8.43 - RELATÓRIO
8.43.1 - Terminado o IPM, o encarregado emitirá um “Relatório” (modelo do Anexo AS)
constituído de duas partes: a primeira conterá uma exposição do que ficou
constatado e a segunda, a conclusão a que se chegou: se o fato constitui
transgressão disciplinar ou há indícios de ilícito penal, pronunciando-se, neste
último caso, justificadamente, sobre a conveniência da prisão preventiva do
indiciado, nos termos legais, conforme o art. 22 do CPPM.
8.43.2 - No Relatório, o Encarregado deverá, se for o caso, apontar a existência de indícios
de responsabilidade administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos
lesivos à administração pública, nos termos previstos na Lei nº 12.846/2013 e no
Decreto nº 8.420/2015, deverá submeter à apreciação do respectivo ODS, por meio
de ofício explicativo, via cadeia de Comando, para a análise sobre a possibilidade
de apuração por meio de Investigação Preliminar (IP) ou Processo Administrativo
de Responsabilização (PAR).
8.43.3 - Os autos do IPM serão remetidos à autoridade nomeante por meio de ofício de
remessa (modelo do Anexo AV). Nesse caso, o escrivão deverá lavrar termo de
“Remessa” (modelo do Anexo AAC) a fim de que conste nos autos a expedição do
IPM para a autoridade nomeante.
8.44 - SOLUÇÃO
8.44.1 - A autoridade nomeante examinará as conclusões expostas no “Relatório”, pelo
encarregado, e decidirá, por meio de “Solução” (modelos do Anexo AT).
8.44.2 - A “Solução” será exarada pela autoridade nomeante dentro dos prazos previstos no
art. 20 do CPPM para conclusão do IPM.
8.44.3 - Quando a autoridade de polícia judiciária militar superior tiver delegado sua
competência instauradora a outra autoridade de polícia judiciária militar
subordinada, ou quando a autoridade de polícia judiciária militar houver delegado
suas atribuições a Oficial (§§1º a 5º do art. 7º do CPPM), aquele que recebeu a
delegação, ou seja, a autoridade de polícia judiciária militar que instaurou o IPM,
enviará o IPM para a autoridade delegante, para que homologue ou não a solução

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apresentada, para que adote as providências necessárias para a instauração de


processo administrativo disciplinar militar, na hipótese de restarem indícios de
transgressão disciplinar, ou determine novas diligências, se as julgar necessárias
(modelos do Anexo AT-3 ou Anexo AT-4).
A autoridade delegante poderá, nos termos do §2º do art. 22 do CPPM, em
discordando da solução dada ao IPM pela autoridade delegada, avocá-lo para dar
solução diversa. A avocação é providência extraordinária, só se justificando quando
se fizer de forma fundamentada (modelo do Anexo AU-1).
8.44.4 - Quando ficar constatado que o fato apurado constitui contravenção disciplinar, ou
que além da conduta considerada crime militar, foi constatada a existência de
contravenção disciplinar, a autoridade nomeante fará constar da Solução (modelos
do Anexo AT-2 a AT-3) e deverá adotar as providências necessárias para que o
militar seja levado a julgamento pelas contravenções apuradas, ocasião em que, se
for o caso, será imposta punição disciplinar. Não será sobrestado o julgamento e
muito menos o cumprimento de eventual punição disciplinar.
8.44.5 - A autoridade de polícia judiciária militar (autoridade nomeante) não poderá aplicar
punição disciplinar militar com sede apenas nas provas colhidas no IPM, dado que
este procedimento não comporta contraditório, sendo necessário que a autoridade
instaure, com fulcro nos elementos colhidos no IPM, processo administrativo
disciplinar (art. 26 e seguintes do RDM), deferindo ao acusado a ampla defesa e o
contraditório previsto no inciso LV do art. 5º da CF.
8.44.6 - Quando o infrator não estiver servindo sob as ordens da autoridade nomeante, serão
extraídas cópias do “Relatório” e da “Solução”, as quais serão encaminhadas à
autoridade sob cujas ordens estiver o infrator, para que sejam tomadas as medidas
julgadas convenientes, e posterior comunicação à autoridade nomeante.
8.44.7 - A solução de IPM é ato privativo da autoridade que determinou a instauração “ex
officio”, não se atendo à pessoa ocupante do cargo, mas sim à autoridade que dele
advém. Quando a instauração decorrer de determinação de autoridade superior,
caberá a esta homologar a “Solução” ou avocá-la, dando outra diferente (modelo do
Anexo AU). A “Solução” dada por outrem, no impedimento, só é admitida em caso
plenamente justificável, que, nela, deverá estar explicado.

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8.44.8 - Caso a autoridade nomeante julgue os dados apurados insuficientes para


fundamentar sua decisão final ou considere a existência de fatos novos e conhecidos
após o “Relatório”, deverá restituir os autos ao encarregado. Entretanto, os prazos
para conclusão não serão alterados, sendo as prorrogações subsequentes concedidas
de acordo com previsto no art. 20 do CPPM.
8.44.9 - A autoridade que mandou instaurar o IPM, concluindo tratar-se de ato demeritório
praticado por militar, procederá ao encaminhamento de cópia dos autos para a
autoridade competente, solicitando instauração de correspondente Conselho de
Disciplina ou de Justificação (modelo do Anexo AT-3 – Ato Demeritório).
8.44.10 - Quando a autoridade nomeante concluir haver indícios de responsabilidade
administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos lesivos à
administração pública, nos termos previstos na Lei nº 12.846/2013 e no Decreto nº
8.420/2015, deverá submeter à apreciação do respectivo ODS, por meio de ofício
explicativo, via cadeia de Comando, para a análise sobre a possibilidade de
apuração por meio de Investigação Preliminar (IP) ou Processo Administrativo de
Responsabilização (PAR).
8.45 - REMESSA DE IPM
8.45.1 - Estando o IPM solucionado, a autoridade nomeante remeterá os autos do inquérito
diretamente ao Juiz-Auditor da Circunscrição Judiciária Militar onde ocorreu
a infração penal, acompanhados dos instrumentos desta, bem como dos objetos que
interessem à sua prova (modelo do Anexo AZ), informando, ainda, acerca das
diligências que não puderam ser concluídas.
8.45.2 - Quando ficar constatado que o fato, conforme apurado, não caracteriza contravenção
disciplinar, nem crime, a autoridade nomeante deverá encaminhá-lo à CJM
correspondente, na forma do inciso anterior, pois o arquivamento só poderá ser feito
pelo Juiz-Auditor competente (art. 24 do CPPM).
8.45.3 - Por ocasião do envio dos autos, de que tratam os incisos anteriores, cópias do
“Relatório” e da “Solução” deverão ser encaminhadas ao Comando do Distrito
Naval em cuja jurisdição ocorreu o fato, à DPMM ou ao CPesFN ou à DPCvM,
conforme o caso, ao Órgão de Direção Setorial e ao CIM. (modelo do Anexo AX).

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8.45.4 - Quando o IPM for instaurado a bordo, cópias do “Relatório” e “Solução” serão
encaminhadas, também, ao correspondente Comando de Força ou COMIMSUP, e
ao ComemCh, quando for o caso.
8.45.5 - Sendo apurada avaria, extravio ou dano a bens da Fazenda Nacional, desvio de
numerário ou de material cadastrado ou controlado, a relação dos bens com os
respectivos valores será remetida à OM responsável pelo controle do material e ao
CCIMAR, sendo informadas as providências adotadas para indenização, quando for
o caso, além de anexadas cópias do “Relatório” e da “Solução” do IPM.
8.45.6 - Quando o fato envolver ação administrativa, deverão também ser encaminhadas
cópias do “Relatório” e da “Solução” à Diretoria relacionada com a atividade
afetada.
8.45.7 - A autoridade nomeante não poderá determinar o arquivamento do inquérito, mesmo
que esteja evidenciada a inexistência de crime, visto que a apresentação da denúncia
ou o pedido de arquivamento do IPM são atribuições exclusivas do Ministério
Público Militar, de acordo com o art. 24 do CPPM.
8.45.8 - Os autos do IPM, depois de recebidos na Auditoria, não podem ser devolvidos à
autoridade nomeante, a não ser nos casos previstos no art. 26 do CPPM.
8.45.9 - O arquivamento dos autos não impede a instauração de novo IPM, se novas
provas aparecerem em relação ao fato, ao indiciado ou terceira pessoa, ressalvadas
as hipóteses de extinção de punibilidade, conforme o art. 25 do CPPM.
8.45.10 - Quando apurado comprometimento de qualquer aspecto correlato ao Plano de
Segurança Orgânica de OM isolada ou Complexo Naval (nos grupos de atividades
segurança das áreas e instalações, segurança do pessoal, segurança da
documentação e do material, segurança da informação digital e segurança das
comunicações), cópia da “Solução” deverá ser encaminhada ao ComOpNav onde
será analisada pela Subchefia de Inteligência Operacional, visando identificar
causas de falhas, de forma a, posteriormente, propor melhorias a serem
implementadas nas orientações técnicas em vigor. Em caso de necessidade, o
ComOpNav poderá solicitar o envio do Relatório, ou partes do mesmo, para
complementar sua análise.

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8.46 - CONHECIMENTO DOS AUTOS PELO ADVOGADO


O encarregado do IPM, quando solicitado, permitirá ao advogado do indiciado ou
ofendido, tomar conhecimento dos autos, copiar peças e fazer apontamentos. Tal
solicitação deve ser consignada nos respectivos autos. A solicitação só será negada se
ameaçar a segurança da sociedade, do Estado ou de instalações militares, bem como
acarretar divulgação de segredos militares ou se for prejudicar o andamento das
investigações. O advogado deverá juntar procuração dos autos.
8.47 - CONHECIMENTO DOS AUTOS PELOS INTERESSADOS
A autoridade nomeante permitirá a entrega de cópias de todos os autos, inclusive do
“Relatório” e da “Solução” aos que solicitarem por requerimento, desde que o motivo
alegado seja julgado pertinente e o assunto possa ser divulgado, observando a
recomendação do artigo anterior.
8.48 - IPM ORIUNDO DE SINDICÂNCIA
Os autos de sindicância que derem origem à instauração de IPM serão anexados à
portaria da autoridade nomeante, não podendo ser efetuada qualquer supressão ou
alteração em suas partes, devendo ser adotadas as seguintes medidas:
a) as testemunhas que tenham prestado, na sindicância, depoimentos relevantes e
elucidativos deverão ser reinquiridas, ainda que as perguntas sejam formuladas de
idêntica forma, não bastando a declaração de que reiteram o que foi dito na fase de
sindicância;
b) os laudos de exame e de avaliação anexados aos autos de sindicância deverão ser
copiados e autenticados conforme a SGM-105 (Normas sobre Documentação
Administrativa e Arquivamento na Marinha); e
c) todas as páginas dos autos de sindicância deverão ser renumeradas como peças
do IPM, sendo mantida, entretanto, sua numeração anterior, para fins de
verificação.
8.49 - INDICIADO PRESO
Quando o indiciado estiver preso respondendo a IPM, deverá constar da “Capa dos
Autos” (modelo do Anexo A) a expressão “PRESO” em tinta vermelha e o ofício de
encaminhamento, de que trata o inciso 8.45.1 do art. 8.45, deverá ter a precedência
“URGENTE”.

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8.50 - FALECIMENTO
8.50.1 - Quando ocorrer o falecimento do indiciado, cópia autenticada da certidão de óbito
será anexada aos autos, devendo ser elaborado relatório e solução do IPM conforme
o preconizado nos art. 8.43 e 8.44.
8.50.2 - Quando da apuração de morte de militar ou servidor civil da MB, também deverão
ser juntadas aos autos cópias autenticadas das certidões de óbito.
8.50.3 - Quando for constatado que o militar faleceu em serviço, o encarregado fará o devido
enquadramento no Decreto n° 57.272/1965, alterado pelo Decreto n° 64.517/1969,
e no Decreto n° 90.900/1985, para fins de concessão da promoção post mortem,
observando as disposições da DGPM-301.

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