1
MORRI
E ACORDEI
POETA
UMA OBRA DE
DAMUNO
2
TÍTULO: MORRI E ACORDEI POETA
AUTOR
DAMUNO
EDITOR
NILTON GRAÇA
REVISÃO:BENILSON PEDRO
CAPA: GRACE PUBLISHER
DESIGN: SPACE CREATIVE
ISBN: 978-989-53912-4-O
Grace Publisher 2023
Rua 15 de Agosto
Malanje Angola
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REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL, POR QUALQUER MEIO,
SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO ESCRITA DA EDITORA E DO
AUTOR.
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ÍNDICE
DEDICATÓRIA .............................................................. 06
NOTAS DO AUTOR ....................................................... 07
PREFÁCIO ...................................................................... 08
APODRECENDO ....................................................................... 09
IMAGINE ...................................................................................... 10
FIZ-ME POETA ............................................................................ 11
UMA PRETA, PELE NEGRA .................................................. 12
AINDA PERDIDO ...................................................................... 13
SOBRE MIM ................................................................................. 14
TEM UM MINUTO? .................................................................. 15
É SOBRE NÓS .............................................................................. 17
AMOR PRÓPRIO ........................................................................ 18
SINTO A MORTE TÃO PERTO ............................................. 19
DONA DEOLINDA ................................................................... 20
SOBREVIVI ................................................................................... 21
MAR DE LETRAS ....................................................................... 22
MUSA ............................................................................................. 23
DESDE QUE COMECEI A FUMAR ..................................... 24
POETA ÀS VEZES ..................................................................... 25
SULISTA ....................................................................................... 26
QUASE ME QUEBREI .............................................................. 27
O ERRO ESTÁ EM MIM .......................................................... 28
MÁSCARAS .................................................................................. 29
O MEDO ....................................................................................... 30
DEUS ME ESQUECEU ............................................................. 32
MENTE PARALÍTICA ............................................................. 33
4
COISAS QUE SÓ EU SEI ......................................................... 34
SOU FRÁGIL ............................................................................... 35
DORES NÃO ESCOLHEM PERSONAGENS .................... 36
AINDA SINTO ............................................................................. 37
UM SER HAURÍVEL ................................................................ 38
AO MESTRE IVANDRO ........................................................... 39
MEMÓRIAS ................................................................................. 41
PÉS DESCALÇOS ..................................................................... 42
MUNDO ESTRANHO ............................................................. 43
TARDE DEMAIS ......................................................................... 44
MORRI E ACORDEI POETA .................................................. 45
SOBRE O AUTOR .......................................................... 46
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DEDICATÓRIA
“Dedico este livro a todos os vermes
apodrecidos em mim, que de forma
poética me deixaram morrer para
depois acordar poeta”
6
NOTAS DO AUTOR
Este é o livro que eu nunca quis escrever, e se escrevi foi por forças
maiores que não sei de onde saíram. Asfixiando-me, e fazendo-me
vomitar cada verso, formando assim, os textos ou podemos chamá-los
poemas, néh!
Todos temos seres entalados e incubados em nós, esperando
apenas o momento certo para deitá-los fora. Revelando assim o que
verdadeiramente somos. Morri e Acordei Poeta é a aclaração de um ser
totalmente podre de ardor para viver, emanando vermes que roem o seu
imo lentamente. Sucumbido e por uma razão, acordado. Mas, provido
de devaneio utópico, decidido a levar-vos a viagens extravagantes sobre
o podre coabita nele.
O ser que se tornou poeta para não mais ser corrompido pelo
bloqueio através de noites sem egéria emocional. O ser que acordou
por meio dos versos e estrofes, narrando os seus podres literários,
agora aprisionado pela poesia… o oprimido que se apaixonou pelo seu
opressor, morrendo e acordando poeta.
“Às vezes não me conseguia encaixar,
lutando de maneira incansável para me encontrar.
Não sabia ao certo quem era, até morrer e acordar poeta”
— O autor
7
PREFÁCIO
Desde a minha tenra infância, percebi que a vida é a única rota para a
morte. Vivemos num ciclo onde o Karma se cumpre e há uma existência
depois da morte. Mas antes, a existência é vivida e, até mesmo depois
da morte, sonhar é um sonho e isso não só a Sul, mas também a Norte,
aprende-se com os vivos, e vivemos para os vivos. Neste romance, há
uma pequena embarcação com um piloto rumo à morte, há uma grande
perspectiva e a intenção é conversar com Matusalém. Olhei para o céu
por um momento, vi diversas pessoas passando e não havia má intenção.
Vi um idoso transparente nas nuvens, sorri para aquele mundo quando
vi… Sim, eu vi. E quero ver novamente, senti e quero sentir novamente.
Eu não tinha nada quando morri, mas me foi dado algo que também
verás. Não sei bem o que é, mas a certeza é que “Morri e Acordei Poeta”.
Benilson Pedro
(Poeta e Escritor)
8
APODRECENDO
Apodreci,
Quase morri
E ninguém quis me curar,
Quando amei
O mundo negou a me amar,
Vejo-me apostrofado
Alguns vermes roendo-me por dentro.
Toda vez que não sou valorizado,
Com a mesma intensidade que valorizo
Sinto indigno e com prejuízo,
Toda vez que levanto os outros,
No Final
Eu também estou caindo
Não sei se é assim que se vive,
Pois,
Me sinto apodrecendo,
Em meios a tanta confusão
Ofusquei-me para clarear outro coração
Enquanto o meu entrava em erupção
É assim que me vejo
Apodrecendo
Dando tudo de mim
E não recebendo nada
No final
É assim que as pessoas acabam?
Estou podre.
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IMAGINE
Imagine conhecer
Um coração que se parece com o seu coração
Imagine alguém tendo um amor por você
Como aquele em seu coração
Já imaginou?
Ser amado com o mesmo temor
Ser tratado com o mesmo valor
Eu não sei se já existiu algo assim
É que o amor mais puro
Molda
Molda até o dia ruim.
Já imaginou?
Tenta imaginar
Os encontros românticos
Com o coração empolgado
Bombeando agitadamente
Um coração que te ama
Que tenha medo de te perder
E luta para ter-te a ti
Um coração que
Saltita sempre que te vê
Só quero que você imagine.
Andar de mãos dadas pelo luar
Ter dois ou três versos de arrepiar
Com os sentimentos a mesma medida
Ocasionalmente
Não sentir o sabor doloroso de uma perda
Já imaginou?
Alguém tendo um amor por você
Como aquele que mora no seu coração.
10
FIZ-ME POETA
Era para escrever apenas uma ou duas linhas
Para iludir uma garota que eu queria
Mas,
Fiquei preso naquela poesia
E não mais cogito sair da sua harmonia
Como se chama o oprimido
Que se apaixona pelo seu opressor
A poesia oprimiu-me e,
Não preciso libertar-me.
Apaixonei-me por ela
Então,
Fiz-me poeta
Para não mais querer fugir dela
Eu mesmo acorrentei-me nestes versos
amordacei-me nestas estrofes
E dentro de mim criei um universo
Não quero andar
Não quero falar
Caso a poesia não me autorizar
Então,
Sou prisioneiro dela.
Trancafiado entre quatro paredes
Com apenas um bloco de notas
Na cor vermelha era uma caneta
Não via só uma beleza avassaladora
Eu via uma musa inspiradora
Olhei para o alto, questionei
É assim que os poetas vivem?
Não sei
Mas,
Escrevo todos os dias
Caso contrário não teria vida
Enfim,
Sou prisioneiro da poesia.
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UMA PRETA, PELE NEGRA
Ao primor anda
Sem medo de ser julgada
Ignorando o mundo
Pelo qual anda
Valorizada por si
E não esperando ser valorizada.
Ela é uma Afro centrada
Beleza rara da terra africana
Uma bela com sabor a Mariana
E seu olhar saia de Benguela à Havana.
Sem medo de opiniões
Racistas de sua oposição
Ela anda erguida
Entoando uma canção
Pretidão não é solidão
Pretidão é símbolo de revolução.
Ela é uma preta
Uma preta lapidada a caneta
Com orgulho da sua pele
Era o detalhe mais bonito
Nela,
A sua cor era tão bela.
Corpo preto
Mente fresca
Não é burra
Nem analfabeta
Ela sabe a arte
É contraste
A maravilha de África
O ser mais incrível nesse planeta
Pele Negra.
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AINDA PERDIDO
Ainda perdido nesse mundo de ilusão
Um louco esquecido, vagueador e sem noção
Sem versos e caminhando numa pobre versão
Tantas andanças e não me encontro
Fugir para me encontrar
Por muito tempo fingi ser outro
E até agora não sei o meu lugar
Minha alma me procura cansada
Sem motivos para descansar
Saí para longe e sem nada
E já não sei como voltar.
Sou a direção quebrada sem conserto
Porque ando e não me encontro
Talvez não seja esse o lado certo
Mas sinto o cheiro do medo
Acho que estou perto.
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SOBRE MIM
É sobre o esgotamento mental
Que vem dando cabo das minhas façanhas
Fantásticas
Escrevo tudo sobre o que vi ontem
E o que não consigo ver hoje
Sei que verei logo
Sim, logo neste meu pequeno mundo ilusório
Mas,
É sobre mim que quero falar
É sobre a metas que não consigo alcançar
É sobre quando não consigo escrever
É sobre quando penso de forma esgotada
E sinto incapaz, longe de me ver poeta.
Ás vezes cansa a alma
O corpo
Uma lágrima
E o pior
É que dói porque feriu bem por dentro
Feriu o que já estava sarando
A emoção vai sumindo
De forma corrente, a garganta soluçada
De tanto verme literário
Entalado sobre as entranhas
Entranhas do meu eu poético
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TEM UM MINUTO?
Estava quase morto, acordei
O espírito estava sobre o mar, levantei
Bem perto e sobre a cama, me sentei
E logo notei que não mais vieste.
Era para ser tu e eu hoje, lembra?
De quando dizias que o mundo é bem melhor
Bem melhor se vermos de cabeça erguida
Então,
Tem um minuto?
É que hoje senti a ausência do teu eu aqui
Bem grudado a mim como nos dias tropicais
Mas foste sem despedir-se de mim
E não costumavas sair assim
Desculpa,
É que estraguei o teu piano
Desculpa,
É que deixei de tocar piano
E ser músico já não é o plano.
Então,
Tem um minuto?
Agora gosto de cigarro
Não,
Não gosto de cigarro
Mas gosto da inspiração
Que ele me dá
Você não fumava, eu sei
Espero por ti em todo luar, cansei.
É que eras perfeitaa e eu não sou
Foste cedo demais
Não estava preparado para te perder
Não há afirmações capazes de me convencer.
Não sei a razão da vida
Sou poeta, ás vezes
Nunca tive coragem de falar
Mas hoje pensei em tentar
Pai,
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Dá-me um minuto
Para poder te visitar
Sem fim
Meus poemas te declamar.
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É SOBRE NÓS
É sobre quando a musa morre
E não consigo escrever nenhuma estrofe
A magia se perde
E não resta mais nada
Toda aquela chama que acendemos
Todos aqueles momentos que vivemos
Se apaga e não resta mais nada.
Era bom te amar em loucuras
Sentir aquele mel e várias misturas
Não sei se é sobre isto que quero escrever
Então,
Não sei dizer
Se foi bom
Se foi mal
Fora das brigas e desconfianças
Teve flores e saídas
Momentos de alegria
Sorrisos e magias
Hoje
Poucas palavras para descrever
De quantas vezes me elevaste para ver
Mas,
Num estalar de dedos me largaste.
Tive medo de te perder
Não sei se você também
Tudo passou e,
Hoje eu te olho com desdém
É que foi verdadeiro todo aquele momento
As serenatas à volta de uma fogueira
As imitações das músicas do Ed Sheeram.
Agora entendi que é sobre nós
O que eu queria escrever
Sobre quando me esfacaste
E a minha inspiração apagaste.
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AMOR PRÓPRIO
Antes de encher-me de alguém
Enchi-me de mim
Antes de doar-me para alguém
Doei-me a mim
Não é que eu seja egoísta
É que me amo muito
E me dou maior importância.
Muitos estão preocupados em amar primeiro o próximo
Sem antes se darem o devido valor
Pois,
Aquele que não se ama primeiro
Sobretudo
Não conhece o verdadeiro amor
Não se preocupe em curar a dor dos outros
Sem antes curar a sua.
Eu estou morrendo triste
Por que espalhar alegria?
Como amo a mim mesmo
É como ensino o mundo a me amar
Quem se apaixona por si mesmo e não tem rivais
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SINTO A MORTE TÃO PERTO
Como um sabor azedo
Eu me acostumo com essa dor
Com o sangue fraco, ainda me acho catalisador
Mesmo estando dentro da pele morri e acordei
Isso eu acho muito assustador
Dói-me tudo agora
Desde o peito á cabeça
Da garganta até aos pés
Desde o estômago ao pulmão
Sinto-me tão cansado
Que prefiro não estar acordado amanhã
A cada suspiro
Dá uma vontade de mandar uma carta para Mamã
A dor aumenta
É como se a morte estivesse sussurrando
Sussurrando bem no meu ouvido
Mas dizendo que chegou a hora
Seria um tremendo alívio
Para poder descansar para sempre
Não sei se é normal esse sentimento
Que me torna num agiota saqueador.
Assim que escrevo este texto
A dor se manifesta ainda mais forte
Estou sozinho
E acredito que ninguém vem hoje
Seria bom me encontrarem já deitado
É sério estou tão cansado
Sinto a morte tão perto.
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DONA DEOLINDA
O ser incansável
Que nunca se abala
Correndo atrás do pão para as suas crianças
Hoje,
Eu decidi falar de ti
És feita de carne
E sei que te podes demolir
Quando a tempestade afeta o teu coração
Mesmo enferrujado
E sem óleos lubrificantes
Ainda lembro
De quando suportaste
Noites escuras
Dolorosas e paupérrimas
Para não nos ver nus e com fome
Ficaste um pouco fria
Mas entendo
Não é normal
Nem fácil.
Teres de começar novamente
Pela segunda vez a vida destruiu
Destruiu teu senso emocional
Porém,
Não o teu coração.
Não é fácil falar de
Quantas batalhas perdeste
Venceste
E de quanto sangue jorraste
Estás magra eu sei
É que nos dás mais de comer
Do que comes
Nos dás mais de beber
Do que bebes.
Dona Deolinda
O ser incansável
Que nunca se abala.
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SOBREVIVI
A agonia deste ano horrente
Não conseguiu
De maneira nenhuma me derrubar
Apesar de algumas vezes me fazer capotar
Resiliente
Eu consegui levantar.
É paradoxal
Todas as vezes que caí mentalmente
Todas as vezes
Que não consegui que colocar em pé
Porque estava cansado demais para viver
Quando a morte veio até a mim
Com sussurros aleatórios
Dizendo coisas
Até hoje não compreendi.
Foi crucial
Todas as vivências
Desde os traumas depressivos
Às escolhas erradas
Ainda com sequelas dos maltratos líricos
Dos poemas não feitos
Dos sonhos amargos
Que não sabem a nada
Foi duro
Mas,
Sobrevivi
21
MAR DE LETRAS
Afogando-me em águas desconhecidas
Num lugar totalmente estranho
E sem bote salva vidas
Palavras me asfixiando a cada mexida corporal
Não sei nadar, eu sei
É a primeira vez que mergulho num mar
Num mar de letras.
Sinto os pés dormentes
As pálpebras se negam a estarem abertas
Parece que acaba a minha jornada
E tudo que conheço desparece hoje
Não tem mais o que escrever
São os últimos segundos a viver
Viver num mar de letras.
Prende a respiração
Danifica o pulmão
Mas,
Bombeia o pouco sangue dentro do coração
Que me resta são apenas horas
Daí lembrei que sou poeta
Sim, um poeta
Então,
É normal me afogar em letras
Estar dentro de mim durante a luz de velas.
22
MUSA
Esses olhos
É que me fazem escrever
Escrever esses textos
Egéria terráquea
Terráquea desse poeta
Alento perfeito.
Na medida certa
Decidi não mais amar
Quero-te a ti
Só para me inspirar
Musa
Sem ti
Os textos são frios
Frios e incolor
O agridoce se torna amargo
E sem sabor.
“Poetas não se apaixonam,
Inspiram-se
Então,
Embarca no imo negro
Negro desse poeta
Poeta sem caneta
Transbordando o sorriso
O sorriso de uma Alegre mulher preta
Ansiando pela liberdade poética
De seu poeta
23
DESDE QUE COMECEI A FUMAR
O mundo parece mais colorido
Nas coisas há mais sentido
Apesar de deixar o meu corpo estranho
E o pulmão dormente
Fiquei mais leve desde que comecei a fumar
Me sinto mais inspirado
Não fumo por gostar
Fumo para me inspirar
Vocês não percebem, mas é grandioso
É algo tão mágico e misterioso .
Como um pedaço de papel
E algumas ervas
Podem transportar-te para um mundo melhor
Numa viajem sem estradas
E há mil e uma porta para cada varanda .
Desde que comecei a fumar
Não sinto o gosto da comida
Fiquei viciado em poesia
Perdi o senso humano
Uff!
Será que este sou eu de verdade?
Ou só estou assim desde que comecei a fumar?
É que me sinto bem
Também me sinto mal
Desde que comecei a fumar
Não sinto a deprê me seguindo
Ao contrário
Me sinto mais vivo
24
POETA ÀS VEZES
De quando em quando
Não sou eu quem escreve
O ser que habita em mim
É que se perde nestas estrofes
E versos também.
Sobretudo
Nestes poemas completos
Sou apenas seu hospedeiro
Às vezes não entendo
Porque é sobre o mundo que ele quer escrever
É que não sou mais eu a mandar em mim
Escritas vindas do imo
Imo ensanguentado
Escorraçado e atropelado
Por sentimentos agônicos.
De quando em quando
O poeta que habita em mim
Escreve a verdade recôndita
Do mais profundo eu depressivo
Esse poeta às vezes brinca mal
Obriga-me a acompanhá-lo toda manhã
E sem escolhas
Eu vou.
Seguindo de texto em texto
Verso em verso
Estrofe em estrofe
Escrevendo sobre o mais aflito coração
Sim, sou poeta às vezes
25
SULISTA
O choque que recebi pareceu elétrico
E o coração acelerou
Um pouco mais do que o habitual
A vida é feita de momentos
Escolhas e outras coisas mais
Na vida veem e vão pessoas
Mas ainda assim
A sulista veio e nunca mais foi
Não é que seja a melhor pessoa do mundo
Porém,
É de longe a melhor sulista
Dentre todas que já conheci
Ela é e continua sendo a garota ingênua
Que decidi mantê-la viva em mim
A sintonia do céu
Tão brilhante como o brilho
Brilho de uma estrela em plena noite sem luar
As lágrimas rolam
Rolam até ao seu rosto meio inocente
Porque a vida levou dela alguém importante
Com a promessa de trazê-la numa outra vida
Deixei – a feliz para não a dizer
Que o céu
O céu é uma mentira.
26
QUASE ME QUEBREI
Hoje,
É um daqueles dias
Que quero desistir
Desistir de tudo
Ahh.
Desistir dos sonhos
Até de respirar
Desistir do mundo
Até não me encontrar.
Não consigo controlar o que vem
Não consigo controlar o que vai
Todo mundo me olha com desdém
E fica mais fácil ir para o além.
Estou cansado, eu sinto isso
É notável o cansaço, notável isso
O pulso fraco, e mesmo estando frio
Queimo por dentro, e viverei fugindo da vida
Até que a morte me encontre?
Eu sou estranho ou o mundo age diferente?
Por agora
Sou um moribundo seguindo a mão da sorte
27
O ERRO ESTÁ EM MIM
Lembras de tudo que passamos?
E num piscar tudo destruímos?
Não,
Não destruímos
Eu o meu defeito
Ambos fizemos bagunça
E não foi você.
Foi apenas eu e o meu erro
Não é que você seja a culpada
É que o erro está em mim
O erro, me obriga a não acertar
É complicado, muito complicado
Um errado tentar fazer o certo.
Eu tentei várias vezes acertar
Mas o erro que está em mim
Não me permite
Não é possível um imperfeito
Tornar-se perfeito
Quiçá,
Eu esteja dentro deste sentido
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MÁSCARAS
Todos nós possuímos uma face entalada
Disfarçadamente em nós
Aquela que usamos não em todos momentos
Mas em ocasiões especiais
E de quando em quando
Exibimo-la.
Aquela que achamos ser o nosso colete
Colete a prova de bala
Que não se abala por nada
E usamos somente para parecer forte
É assim que se vive agora
Com máscaras por trás da nuca
Esperando o momento certo para usá-la
Ser bom ou mau
Aqui é uma questão de escolha
Várias máscaras escondidas transparentemente
Uma delas a arrogância
Esta que usamos para não parecer fracos
E desdenhar dos outros.
A inveja
Que esconde a vontade de ser como os outros
E aprender com elas
Ela que tem sido a pior das máscaras
Porém,
Encontramos a mais indefesa
O sorriso que de forma perigosa
Vem escondendo o mar nostálgico
Habitado em nós
Ofuscando o que verdadeiramente sentimos
29
O MEDO
O medo foi,
O que mais me fez
Desaprender
Me enchendo
De incertezas e culpas
Sobre a minha
Razão de ser
Foi ele,
Que fez
Eu não escrever
Para vós
Mais cedo
Com a sensação
De que
Vocês não
Gostariam do que
Escrevo
Não sei se escrevo bem
É o medo
Se manifestando
Tomando conta
De tudo
Que ainda não
Vos mostrei
Nunca acreditei
Que sou capaz
Isto,
Porque o medo me fez
Acreditar cegamente
Nisso
O medo foi,
O que mais me fez
Desacreditar
Em mim
Dizendo-me
Que nunca
Encantaria o mundo
E eu bobo
30
Acreditei em tudo
Que ele me dizia
Faz parte de mim
Como duvidá-lo?
Não o venci ainda
Mas,
Consigo controlá-lo
Às vezes
Me deixa em baixo
E tem vezes que
Não sei ao certo
Quem manda
É o medo falando agora
31
DEUS ME ESQUECEU
Será que a bondade de Deus não é para todos?
Então,
Por que sofro tanto?
Essa melancolia me desejando a toda hora
Eu segui todos os
Seus passos
E mesmo assim
Eu não tive êxito
Cade o todo poderoso na minha vida?
Ahh!
O fôlego?
É isso que ele tem para me oferecer
Mas só isso?
Parece que a vida é um beco
Beco sem Saída
Onde nós mesmo devemos cavar as nossas portas
Portas de fuga.
Eu chamo ele e não me ouve
E se me ouve não o entendo
Ele não fala comigo há tempos
Parece que se esqueceu de mim
Por um momento
A culpa é minha
E sempre será
Pois, ele é Deus
E eu?
Sou apenas um ser que foi acusado de ser pecador
Dentre todos eles, ser o mais predador
Com um sangue diferente ser o ingrato bajulador
Mas na verdade
A verdade é que faço de tudo para ele me ver
De certeza ele me esqueceu.
32
MENTE PARALÍTICA
Tento não parar
Quero viajar
Num mar mergulhar
A beira mar conversar
Uma grande montanha escalar
Mas me sinto preso
Simplesmente não consigo imaginar
Viver sem ilusão é um tormento
Se foi toda fantasia cá dentro
Às vezes escrevo um ou dois textos
Para não cair num branco mental
Entretanto
A cada verso mais branco fico
Estou me tornando alguém comunal
Um indivíduo bastante jogral
É ruim sentir-se assim
Dá cabo de mim
De toda emoção
E da fala
Tudo se cala
A mente não fala.
33
COISAS QUE SÓ EU SEI
Era para ser um bocado eu
A cada quinzena sou um pouco mais
Mais corrompido que a quinzena anterior
As coisas que eu sabia
Já não sei
Fugiram de mim
Era para ser um bocado segredo
Guarda-los eternamente num coração ingênuo
Livre de toda essa poeira horrenda
Que o mundo transmite
Só que
Tive que partilhá-los convosco
Tenho ainda um pouco de medo
Medo?
Talvez seja receio
Vocês não sabem guardar segredo nenhum
É que
Às vezes
Eu tenho me asfixiado
Com os poemas não escritos por mim
Posso contar
Mas eu não sei quem tem escrito
Os meus poemas
Quando acordo já os encontros lá.
34
SOU FRÁGIL
Sou frágil
Até aqui percebo
Me envolvo fácil
Este é o meu erro
Não mais consigo amar pouco
E assim sou quebrado fácil
Me entregando
De alma e corpo
Com o meu coração suave.
É assim que se morre por amor
Sendo frágil ao sentir
Só que
A cada decepção
Se torna pior
E ainda é difícil admitir
E eu
Me acostumo com ás perdas.
É fácil ser insano
E ter peito de pedra?
Sou frágil
E não pensei na resposta.
35
DORES NÃO ESCOLHEM PERSONAGENS
Houve um tempo em que
Não sentia nada
Não tinha remorsos
Dores e facas
Cravadas no peito
Achando eu
Que nada de ruim me abalava
Que toda a benignidade
Rondava em mim
Sem decepções
Sem disputas
E sem dias negros
Para pintar
Agora tudo isto acabou
Ninguém está isento das dores
Todo mundo possui uma dor
Escondida em si
Seja pela perda de um parente
Ou simplesmente por passar dias cinzentos
E foi onde descobri que
Dores não escolhem personagens
Dores não escolhem a quem atacar
Ou quem viciar
Somos todos vítimas de fracassos emocionais
Alvos de decepções e perdas
Ninguém escapa da dor.
36
AINDA SINTO
Ainda sinto
Toda aquela imundice dentro de mim
Desde a insuficiência existencial
À dependência emocional
Tudo aquilo que já vomitei
Vomitei antes de ser poeta
Mas bem mais por dentro
Ainda há vermes entalados
Soluçando a livre passagem das palavras
Não é nada novo
É que há muitos fui tratado como um casaco
Casaco que só é retirado no tempo de frio
Ainda sinto
A ferida cicatrizada se abrindo
Toda vez que não me vejo
Bom o suficiente para alguém
Toda vez que penso e paro simplesmente no tentar
Estava parecendo que ultrapassei
Mas não
Ainda está tudo dentro de mim
Sentindo-me inútil
A cada poema inacabado
Ao amor não conquistado
Era para não me sentir assim
Mas,
Ainda sinto.
37
UM SER HAURÍVEL
Um ser haurível
É o que me tornei hoje
Às vezes
Haurível por merecer?
Não
Só estou esgotado hoje
Me sinto esgotado
Até para escrever
Um pouco difícil
Ser eu
Estou louco?
Isso não sei dizer
Mas
Um ser haurível
Hoje estou
Não sei o que fazer
Agora
A vontade de ser
Morreu
Preciso tirar tudo para fora
E desatar todos os nôs
Nôs que não são meus
38
AO MESTRE IVANDRO
É assim
Todo tímido
Sem nenhuma palavra pronta na língua
Sem bipolaridades de comportamentos
Mas,
É ínfima
O seu pacote de talento
Me revi
Todas as vezes que não falamos
Por palavras
Falamos por plug-ins musicais
É assim
Que o nosso mundo funciona
Olha essa letra
Sente esse instrumental
E vive no meu memorial.
É assim que começamos o dia
Às vezes
Quando não falamos por palavras
Falamos por notas
Quando não nos vimos fisicamente
Nos vimos musicalmente
Ao mestre
Eu regozijo-me
De forma delicada e soberana
Como me tem no seu mundo
Me fiz poeta
Então,
Devo-lhe um poema
O sorriso sincero
De me ver acertando
Uma nota
É o verdadeiro significado de amor
Irmão,
Às vezes é assim que nos chamamos
Mas,
Mestre
É o melhor quando estou me declarando
39
Ao mestre Ivandro
O cara há quem mais devo
E provavelmente amo
40
MEMÓRIAS
Ao som de Melim
A gente dançava suavemente
É bom ter que lembrar
Lembrar de quando a gente saia
Para caminhar a berma da estrada
Verificar com sorrisos á cada entrada
Olhar para o além e em toda morada
E te deixava mais humorada
Éramos loucos
E a distância pouco importava
Olhando o sorriso bobo
Emitido pelo seu rosto
Enunciava alguns versos
Mas não escrevia naquela altura
Então,
Fiz poesia cantada e nunca fui bom
Bom com palavras faladas
Ela já estava habituada.
Mensagens na madrugada
Plagiados em algumas páginas
Era bom viver
Era bom saber
Era bom te ter
Porém,
Todo aquele momento que parecia mágico
Às vezes nostálgicas
Numa nostalgia de alegria
Porque era tão bom
Ter que se sentir amado e tu
Ver que a felicidade está bem ao seu lado
Ter que lembrar disso, ainda traz alguma culpa
Mesmo não sabendo de quem foi a culpa
Para estarmos aqui hoje
É que eu só viajava na ilusão
E você
Queria estar assente no chão.
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PÉS DESCALÇOS
É comum
Ver crianças andando pela rua
Pedindo esmolas e adoptar qualquer manobra
Sem nada para vestir e muito para resistir
Onde estão os pais?
Eles dizem que são órfãos
De zona em zona com pés descalços
Esquartejados e quase ensanguentados
Às vezes
Meninas pelos meninos mais velhos
Sem piedade e conhecimento que elas são o universo
Como se defender, sem como compreender achamos normal
Não conhecemos nenhuma dessas crianças
Não nos comovemos tiraram-nos o senso emocional
Postes rolam diariamente
Em forma de meme
Os likes são mais importantes
Importantes que doar um pedaço de pão
Estender a mão
E ajudar um irmão.
Eles dizem sermos irmãos e ter a moralidade
Eles dizem sermos cristãos e viver na espiritualidade
Eles dizem, ser humildes e vivermos em sociedade
Mas na verdade
São só crianças frustradas que não obedecem aos pais
E aqueles que não têm pai
Nem mãe e são órfãos na verdade
Crianças de rua também merecem amor
Ninguém pode expressar o valor de uma vida
Sem primeiro doar-se com amor
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MUNDO ESTRANHO
A futilidade tomou conta de nós
É normal quando todo mundo faz
É anormal quando és o único capaz
Estamos num mundo inverso
Vivemos nas correrias sem forças do vento
Onde, o ódio e o rancor tornaram-se virtudes
Agora não há mais amor.
Apedrejando-te por
Não seres como eles
Adjetivam-te
Por não veres como eles
Estamos de cabeça para baixo
Só és sexy quando posas nuas
Só estás na moda quando te vestes palhaçadamente .
Mundo estranho
Onde dar amor é com preço
Ajudar é kilape
Onde quem te compra é o mesmo que te vende
Ficamos popular quando mostramos a bunda
É esse o mundo que ansiamos?
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TARDE DEMAIS
Para voltar a não mais ser poeta
Me viciar em estrofes enquanto de delicio
Delicio daquele vinho tinto que sabe a tequila
Viajar em cada linha traçada para compor versos
Tarde demais.
Para renascer aquele eu que não amava poesia
Que se embriagava da dor dos outros
E não vivia sua vida
Aquele que não tinha inspiração nenhuma
Aquele que durava horas para terminar um poema
Tarde demais.
Me esqueci daquele eu inútil
Que não sabia de forma alguma ser volátil
Verdoengo na arte
O comum impensante
Escravo emocional
Que facilmente se deixava se apaixonar
Tarde demais.
Já arrumei tudo
Tudo aquilo que não é digna de ser um poeta
Aquele que não se apaixona
E só deseja a caneta
Amante da folha branca
Que jamais deseja se casar.
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MORRI E ACORDEI POETA
O ser abusado pela Deprê
Não mais de maneira nenhuma conseguia viver
Escorraçado fortemente vários dias
Dias sem descanso
Com o corpo ensanguentado
Corrompido pelo bloqueio
Bloqueio de não mais imaginar.
De forma insensata
Decidiu se suicidar
Morrendo sem um propósito
Então,
Teve que ressuscitar
Às vezes.
Não conseguia se encaixar
Lutando
De maneira incansável
Para se encontrar
No entanto
A busca é grande
Mas não há o que implementar
Não sabendo ao certo quem era
Eu estava perdido em toda era
Vi também a nova terra
Até morrer
E acordar poeta.
Rabiscando lindos versos no além
Me tornando o poeta de Belém
Eu morri
Visitei o mar lírico em Jerusalém
Eu quase vi Deus, mas tenho olhos de refém
Sim, eu morri,
Sim, renasci
Sim, eu lhe vi
Sim, eu senti,
Sim, não é um fim
Eu volto, porque ontem morri, e acordei poeta.
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SOBRE O AUTOR
DAMUNO, pseudônimo literário de José Damuno da Silva, é
natural de Malanje (Angola), estudante finalista de Psicologia Social
pela Universidade Rainha Nginga A Mbandi.
Primogênito entre cinco (5) irmãos, concluiu o ensino médio na
escola Liceu 4 de Abril, cursando Ciências Humanas, na sua terra natal.
Na qual reside até agora.
Começou a escrever em 2020, vítima do ambiente pandêmico,
influenciado pelo seu grande amigo António Arone (Génio Pycler).
Antes de ser oprimido pela escrita literária, é também cantor e
compositor.
É autor de vários textos espalhados por diversas antologias
na qual é participante, destacando: Antologia – MEU DIÁRIO, é
escritor pertencente à editora GRACE PUBLISHER, é amante fiel de
música e poesia é membro efetivo do Movimento Nacional dos Jovens
Universitários de Angola (M.N.J.U.A) e do Movimento Cultural Lev
‘arte.
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