EXCELENTISSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) DE
DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL CIVEL DO FORO REGIONAL DO
MÉIER - RJ
DOUGLAS VINICIUS FERNANDES FERREIRA, brasileiro,
solteiro, portador da cédula de identidade RG nº
254796329/DETRANRJ, bem como inscrito no CPF/MF sob nº
132.740.307-24, residente e domiciliado à Estrada Adhemar Bebiano,
1185, PAM de Del Castilho, Inhaúma, Rio de Janeiro, RJ, CEP 21061-
751., vem por sua advogada, abaixo assinada, ut instrumento, propor
a presente
AÇÃO INDENIZATORIA POR DANOS MORAIS C/C REPETIÇÃO
DE INDÉBITO E REQUERIMENTO DE ANTECIPAÇÃO DOS
EFEITOS DA TUTELA
em face de COMPANHIA ESTADUAL DE ÁGUAS E
ESGOTOS - CEDAE, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no
CNPJ Nº 33.352.394/0001-04, situada à Av. Presidente Vargas, 2655
– Cidade Nova – Rio de Janeiro – RJ, pelos fatos e fundamentos que
passa a aduzir:
Ab initio litis, requer o autor que as intimações feitas através de
Diário Oficial, sejam dirigidas a patrona EDILAINE REGINA DA
SILVA SILVEIRA (OAB/RJ 156.455), bem como a devida anotação na
capa dos autos.
DO SUPORTE FÁTICO DA DEMANDA:
1. O autor foi surpreendido com a inclusão do seu nome no cadastro
de proteção ao crédito (SERASA) por conta da CEDAE que encontra-
se paga, conforme demonstra comprovante anexado aos autos.
2. Ao fazer contato com a CEDAE a empresa confirmou a existência
de 2 débitos não pagos e ofereceu uma proposta para pagamento e
quitação das contas, ocorre que as contas foram devidamente pagas
e o autor informou que ambas foram pagas.
3. As contas datavam do ano de 2021 e a empresa fez a negativação
do CPF do autor em 2024, sem nenhuma notificação e com ambas
contas pagas.
4. Importante dizer que, um dos pagamentos foi por aplicativo e o
registro ficou na conta digital (anexo) o outro pagamento feito em
dinheiro o comprovante foi perdido com o tempo (3 anos). O Autor
solicitou no atendimento da CEDAE o comprovante de quitação das
contas o que mais uma vez foi negado, pois não constavam no
sistema o pagamento de nenhuma conta. (Protocolo Nº
2024.0626018333)
5. O autor estranhou a ausência de comprovante na empresa, pois
sempre efetuou os pagamentos das contas, sem atraso.
6. Cumpre esclarecer que, o vencimento da conta data do dia
22/10/2021 e o pagamento foi feito um dia antes, sendo pago em
21/10/2021 às 13h.
7. Vale ressaltar que, a conta de outubro no valor de R$125,98 foi
inserida no sistema do serasa com o valor de R$121,00 o que
demostra total desorganização da empresa e conflito no próprio
sistema. Embora a conta de novembro tenha sido paga fisicamente, o
valor inserido no sistema da CEDAE é idêntico ao da conta de outubro,
logo a CEDAE negativou o autor no mesmo valor R$121,00 (outubro
e novembro) o que causou estranheza e enorme angustia diante da
impossibilidade de apresentar o comprovante, e pelo fato da empresa
em momento algum informar ou notificar a respeito de ambos
registros.
8. Com a insistência da empresa em manter a negativação indevida
no CPF do autor mesmo com a comprovação do pagamento da conta
de outubro e mesmo informando que novembro também foi paga, não
houve outra alternativa para o autor que ajuizar a presente demanda
para sanar o prejuízo que a negativação está causando na vida
financeira do requerente e o abalo psiquico diante da impossibilidade
de recuperar seu prestígio no crédito.
9. Cumpre reforçar que as inscrições foram feitas em maio de 2024, e
em todo o ano de 2022, 2023 nenhuma notificação ou cobrança foi
realizada pela empresa, nenhum contato telefônico o que caracteriza
falha na informação devida.
DO DIREITO DA QUALIDADE DE CONSUMIDOR
A relação de consumo entre Autor e Réu é de fácil constatação, pois
a Lei n° 8.078/90 que dispõe sobre a proteção do consumidor, informa
detalhadamente nos artigos 2° e 3°, §2°, quem é consumidor e quem
é fornecedor de serviço:
Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que
adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final.
Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou
privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes
despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção,
montagem, criação, construção, transformação, importação,
exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou
prestação de serviços.
§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de
consumo, mediante remuneração, inclusive as de
natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo
as decorrentes das relações de caráter trabalhista.
Em virtude do reconhecimento da relação de consumo, o autor terá
acesso aos direitos dispostos no artigo 6° do Código de Defesa do
Consumidor, em especial os incisos VI e VII:
Art. 6º São direitos básicos do consumidor:
III - a informação adequada e clara sobre os diferentes
produtos e serviços, com especificação correta de
quantidade, características, composição, qualidade, tributos
incidentes e preço, bem como sobre os riscos que
apresentem;
VI - a efetiva prevenção e reparação de
danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e
difusos;
VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos, com
vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e
morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a
proteção jurídica, administrativa e técnica aos necessitados.
Neste diapasão, o Art. 6º e 22 da Lei nº 8.078/90 enumeram, dentre
outros, os seguintes direitos básicos do consumidor:
Art. 6º - São direitos básicos do consumidor:
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a
inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando,
a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele
hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências;
Art. 22 – Os órgãos públicos, por si ou por suas empresas,
concessionárias, permissionárias ou sob qualquer outra de
empreendimentos são obrigados a fornecer serviços adequados,
eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos e difusos;
Parágrafo único. No caso de descumprimento, total ou parcial das
obrigações referidas neste artigo, serão as pessoas jurídicas
compelidas a cumpri-las e a reparar os danos causados, na forma
prevista neste Código.
O Código de Defesa do Consumidor (CDC) é aplicável às
concessionárias e permissionárias de serviços, as quais devem
prestar serviços de qualidade no mercado de consumo e a
informação correta bem como a solução pacífica de controvéricias
devem ser baseadas sempre nos princípios de boa-fé.
DA FALHA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
O dever de informação segura é noção que abrange tanto a
integridade psicofísica do consumidor, quanto sua integridade
patrimonial. Como consequência, é dever da concessionária manter
registros dos pagamentos efetuados, bem como apresentar e
disponibilizar informações para os consumidores verificarem a
quitação de suas contas, impedindo inclusões indevidas e
possibilitando ao consumidor ter acesso completo sobre os serviços
e pagamentos efetuados, independentemente de qualquer ato dos
consumidores.
A Lei 12.007/2009 em seu art. 1º e 2º preveem a obrigatoriedade da
declaração de quitação a ser emitida e enviada aos consumidores:
Art. 1o As pessoas jurídicas prestadoras de
serviços públicos ou privados são obrigadas a
emitir e a encaminhar ao consumidor declaração de
quitação anual de débitos.
Art. 2o A declaração de quitação anual de débitos
compreenderá os meses de janeiro a dezembro de
cada ano, tendo como referência a data do
vencimento da respectiva fatura.
Cumpre esclarecer, que a CEDAE não fornece em nenhum sistema e
em nenhum atendimento eletrônico a possibilidade de acessar as
contas pagas e quitadas, e não emitem nenhum relatório de quitação
de serviços conforme determina a lei.
Dessa forma, como o consumidor poderá ter segurança na
comprovação do seu pagamento, passados os anos de referência da
susposta dívida (novembro) que ocasionou a inclusão do seu nome
indevidamente nos cadastro de maus pagadores?
Há de ressaltar, que o autor não possuia qualquer anotação em
seu nome, a única anotação é a da demandada, e a inclusão nos
cadastros de inadimplentes está causando enorme abalo psiquico e
financeiro, impedindo-o de acessar produtos e serviços necessários a
sua vida.
Se a empresa foi capaz de manter a inscrição indevida, mesmo diante
do comprovante de pagamento informado para atendente, e insistindo
que o pagamento de outubro não foi efetuado, como seria possível o
mesmo valor de consumo ser arbitrado em uma nova conta de
novembro e as negativações serem feitas ao mesmo tempo? Há uma
incoêrencia aparente nessa operação.
Para a sorte do autor ele consegue comprovar o pagamento de
outubro que efetuou em conta bancária digital, ficando impossibilitado
de trazer aos autos o segundo comprovante, embora também tenha
feito o pagamento.
DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA
Frente à impossibilidade do autor provar o pagamento da segunda
conta, pelo perecimento do comprovante no tempo, e por ser a parte
hipossuficiente nesta relação de consumo, o Código de Defesa do
Consumidor em seu art.6°, inciso VIII, vem para garantir a redução
dessa desvantagem com a inversão do ônus da prova.
Neste sentido entende o Tribunal:
0141994-04.2006.8.19.0001 (2009.001.59851)
-
APELACAO - 1ª Ementa
DES. ANTONIO SALDANHA PALHEIRO -
Julgamento: 10/11/2009 - QUINTA CAMARA
CIVEL
AÇÃO DE ADIMPLEMENTO CONTRATUAL.
RESTITUIÇÃO DE AÇÕES REFERENTES AO
INVESTIMENTO DE PARTICIPAÇÃO
FINANCEIRA EM EMPRESA DE TELEFONIA.
CESSÃO DE DIREITOS. AUSÊNCIA DE
DOCUMENTO ESSENCIAL. IMPROCEDÊNCIA
DO FEITO. SENTENÇA QUE SE ANULA.A
DISTRIBUIÇÃO DINÂMICA DO ÔNUS DA
PROVA INCUMBE A QUEM TEM MELHORES
CONDIÇÕES DE PRODUZI-LA, À LUZ DAS
CIRCUNSTÂNCIAS DO CASO CONCRETO.
PROVA QUEM PODE. RECURSO PROVIDO.
Dessa forma, requer o autor que V. Exa. se digne a conceder a
inversão do ônus da prova no sentido de intimar a parte Ré para
explicar a cobrança de duas contas devidamente pagas e comprove a
existência de notificação ou qualquer informação sobre o possivél
inadimplemento em faturas.
Bem como demostre qual o valor de consumo de ambas contas e as
devidas notificações ou possibilidades de negociação antes da
inscrição nos órgaos de proteção de crédito.
DA APLICAÇÃO DO DANO MORAL
A referida conduta inegavelmente é causadora de dano moral objetivo
ou presumido in re ipsa, não necessitando de prova, segundo a
doutrina e jurisprudência pátria.
A jurisprudência é robusta em demonstrar que a indenização por dano
moral está revestida de um caráter principal reparatório e de um
caráter pedagógico ou disciplinador acessório, visando coibir novas
condutas. Tal indenização visa de um lado compensar a vítima e de
outro punir o agressor, com a função de evitar condutas semelhantes.
Ressalte-se o posicionamento dos tribunais em casos
negativação indevida:
0808778-23.2022.8.19.0042 - APELAÇÃO
APELAÇÃO. DANO MORAL. ANOTAÇÃO INDEVIDA DO NOME DO
CONSUMIDOR NOS CADASTROS RESTRITIVOS DE CRÉDITO
REFERENTE A DÉBITO DECLARADO NULO JUDICIALMENTE.
SENTENÇA QUE CONDENA A RÉ AO PAGAMENTO DE DANO
MORAL NO VALOR DE R$ 8.000,00. MANUTENÇÃO DO JULGADO.
DANO MORAL MANIFESTO. VERBA REPARATÓRIA
CORRETAMENTE FIXADA EM R$ 8.000,00, VALOR QUE SE
MOSTRA ADEQUADO E EM ATENÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA
PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. RECURSO
CONHECIDO E DESPROVIDO.
(0808778-23.2022.8.19.0042 - APELAÇÃO. Des(a). GABRIEL DE
OLIVEIRA ZEFIRO - Julgamento: 12/11/2024 - VIGESIMA
PRIMEIRA CAMARA DE DIREITO PRIVADO (ANTIGA 19ª CÂMARA
CÍVEL)
0096541-92.2020.8.19.0001 – APELAÇÃO
APELAÇÃO. DIREITO DO CONSUMIDOR. CEDAE. AUTOR QUE
ALEGA NEGATIVAÇÃO INDEVIDA DE SEU NOME, NA MEDIDA EM
QUE A CONCESSIONÁRIA NÃO LHE PRESTA QUALQUER
SERVIÇO. SENTENÇA JULGANDO PROCEDENTES OS PEDIDOS
AUTORAIS. IRRESIGNAÇÃO DA CONCESSIONÁRIA.
ILEGITIMIDADE PASSIVA AFASTADA. FATURAS EMITIDAS PELA
APELANTE QUE DIZEM RESPEITO A CONSUMOS PRETÉRITOS
AO LEILÃO, PERÍODO NO QUAL A CEDAE ERA A RESPONSÁVEL
PELA EXECUÇÃO DO SERVIÇO DE ÁGUA. ALÉM DO QUE A
OBRIGAÇÃO DE FAZER FOI LIMITADA ATÉ 31-10-2021, DE MODO
QUE POSTERIORMENTE, O ÔNUS CABERÁ À NOVA
CONCESSIONÁRIA. PROVA PERICIAL CONTUNDENTE. VISTORIA
REALIZADA PELO EXPERT EM QUE FOI POSSÍVEL CONSTATAR
QUE NO IMÓVEL DO AUTOR NÃO HÁ ABASTECIMENTO DE ÁGUA
PRESTADO PELA RÉ. UMA VEZ NÃO PRESTADO O SERVIÇO, NÃO
PODE A SUPLICADA, SOB NENHUM PRETEXTO, REALIZAR
QUALQUER TIPO DE COBRANÇA, SENDO INDEVIDA A
NEGATIVAÇÃO DE SEU NOME. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
DO FORNECEDOR. DANO MORAL CONFIGURADO, POSTO QUE
EXISTE IN RE IPSA. SÚMULA Nº. 89, DESTE TRIBUNAL.
INDENIZAÇÃO FIXADA EM R$10.000,00, QUE ATENDE OS
PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE.
PRECEDENTES DESTE ÓRGÃO FRACIONÁRIO E DE OUTRAS
CÂMARAS DESTE E. TRIBUNAL. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA
QUE SE IMPÕE. MAJORADOS EM 2% (DOIS POR CENTO) OS
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS A SEREM
PAGOS PELA RÉ AO PATRONO DO AUTOR. (0096541-
92.2020.8.19.0001 - APELAÇÃO. Des(a). MAFALDA LUCCHESE -
Julgamento: 18/04/2024 - VIGESIMA PRIMEIRA CAMARA DE
DIREITO PRIVADO (ANTIGA 19ª CÂMARA CÍVEL)
EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO
DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C
INDENIZATÓRIA POR DANOS MORAIS. NEGATIVAÇÃO
INDEVIDA. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. APELO DA
PARTE AUTORA.
1. Trata-se de ação declaratória de inexistência de débito c/c
indenizatória por danos morais em decorrência de negativação
indevida por cobrança relativa à linha pós-paga jamais contratada.
Sentença de parcial procedência. Apelo da parte autora pugnando pela
majoração do quantum fixado à título de danos morais, bem como dos
honorários de sucumbência 2. Demandante que, por falha da ré,
ficou com o nome negativado por seis meses, tendo a exclusão
sido efetivada somente após a concessão da tutela de urgência.
Indenização fixada em R$ 5.000,00 (cinco mil reais) que se afigura
insuficiente, devendo ser majorada para R$ 10.000,00 (dez mil
reais), levando-se em conta as peculiaridades do caso, em
especial o tempo de negativação, bem como os princípios da
proporcionalidade e da razoabilidade. Aplicável à hipótese o
verbete de Súmula nº. 343 deste Tribunal. Precedentes
Jurisprudenciais. 3. Percentual dos honorários que se conserva, pois
com a desconstituição do débito e a majoração do quantum
indenizatório, a verba honorária foi elevada em patamar suficiente para
remunerar adequadamente o patrono da parte autora.4.
PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO.
(0002902-29.2021.8.19.0213 - APELAÇÃO. Des(a). EDUARDO
ABREU BIONDI - Julgamento: 03/07/2024 - DECIMA QUINTA
CAMARA DE DIREITO PRIVADO (ANTIGA 20ª CÂMARA CÍVEL))
Assim, levando-se em conta: a existência do demonstrado nexo de
causalidade entre a conduta do agente e o dano experimentado pela
Autora; os dispositivos legais invocados; o inevitável dever de
acatamento ao principio da segurança jurídica; é de se impor a devida e
reclamada condenação, com arbitramento de indenização em favor
daquele, que sofreu a malsinada experiência de ter sua vida financeira
com a restrição indevida de seu nome e ter que se valer do judiciário
para ver seu direito garantido.
DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO
Ademais, além da inclusão do nome do autor no sistema restritivos de
crédito, resta claro da narrativa acima que a ré praticou conduta
gravíssima sob a égide do ordenamento jurídico pátrio, qual seja
demandar dívida já paga.
Assim verifica-se que no caso em tela está amparado pela norma contida
no Código Civil que prevê o instituto da repetição de indébito em seu
art.940, e no art. 42, parágrafo único do Código de Defesa do
Consumidor, in verbis:
Art. 940. Aquele que demandar por dívida já paga,
no todo ou em parte, sem ressalvar as quantias
recebidas ou pedir mais do que for devido, ficará
obrigado a pagar ao devedor, no primeiro caso, o
dobro do que houver cobrado e, no segundo, o
equivalente do que dele exigir, salvo se houver
prescrição;
Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor
inadimplente não será exposto a ridículo, nem será
submetido a qualquer tipo de constrangimento ou
ameaça.
Parágrafo único. O consumidor cobrado em
quantia indevida tem direito à repetição do indébito,
por valor igual ao dobro do que pagou em excesso,
acrescido de correção monetária e juros legais,
salvo hipótese de engano justificável.
Ante o exposto, tendo em vista que o caso em tela a ré demanda por
dívida já paga, bem como a referida conduta não encontra resplado na
legislação vigente, requer que V.Exa condene ao pagamento em dobro
o valor de R$484,00.
DA ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA
Conforme amplamente demonstrado, o autor teve seu nome
indevidamente negativado.
Assim no que tange ao requisitos da tutela antecipada (Art. 300, CPC) O
artigo 300 do Código de Processo Civil exige, para a concessão da tutela
antecipada, dois requisitos cumulativos: a probabilidade do direito e o
perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo.
O autor já vem suportando as consequências da negativação do seu
nome, e aponta que há a probabilidade do seu direito, uma vez que
comprova a conta paga, desse modo, não é necessária uma avaliação
aprofundada do mérito da causa pois o direito pleiteado é plausível.
O autor efetuou o pagamento de uma das contas que a ré incluiu no
sistema de proteção de crédito, no valor de R$125,98 pagas em conta
digital, conforme demostrativo de pagamento anexado.
Resta comprovado que ainda que adimplente continua com seu nome
negativado esse fato por si só já gera o dano moral presumido, por
acarretar consideráveis prejuízos além de afetar sua imagem como
consumidor.
DOS PEDIDOS
Em face do exposto, requer a V. Exa. determinar a citação do
réu do inteiro teor da presente demanda, a fim de apresentar defesa
no prazo legal, sob pena de revelia, bem como a sua intimação para
a audiência de tentativa de conciliação, bem como a procedência dos
seguintes pedidos:
a) a concessão dos efeitos da tutela para que seja excluído URGENTE
E IMEDIATA o nome do autor dos sistemas de proteção de crédito,
sob pena de multa diária a ser atribuída por V.Exa.
b) a inversão do ônus da prova, frente à impossibilidade do autor em
produzir determinadas provas, em que a parte ré tem mais facilidade,
que seja as devidas faturas e valores de consumo de outubro e
novembro;
b) que seja julgado procedente o pedido para devolução dos valores
cobrados indevidamente em dobro no valor de R$ 484,00
(quatrocentos e oitenta e quatro reais), com juros e correção
monetária.
c) seja condenada a ré ao pagamento do dano moral sofrido, na
quantia de R$10.000,00 (dez mil reais), levando-se em consideração
a sua dupla função, que é reparar o dano buscando minimizar a dor
da vítima e educar o ofensor, para que não volte a reincidir;
b) e a condenação da Ré, nas custas e nos honorários advocatícios,
no percentual de 20%.
Requer produção de prova documental.
Dá-se à causa o valor de R$ 20.000,00.
Rio de janeiro, 29 de janeiro de 2025.
Nestes
Termos,
Pede
Deferiment
o.
EDILAINE SILVEIRA
OAB/RJ 156.455
JORGE FERNANDO PINHEIRO
BRAGA OAB/RJ 159.506