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Resumão O.I

O documento discute a importância da sustentabilidade nas organizações, abordando seus aspectos econômicos, sociais e ambientais, e como isso impacta a competitividade e a imagem corporativa. Também explora a governança corporativa, destacando a necessidade de transparência e a relação entre acionistas e stakeholders. Além disso, menciona a responsabilidade social corporativa como um meio para as empresas alcançarem legitimidade e melhorarem seu desempenho econômico e social.

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Eduardo Pena
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Resumão O.I

O documento discute a importância da sustentabilidade nas organizações, abordando seus aspectos econômicos, sociais e ambientais, e como isso impacta a competitividade e a imagem corporativa. Também explora a governança corporativa, destacando a necessidade de transparência e a relação entre acionistas e stakeholders. Além disso, menciona a responsabilidade social corporativa como um meio para as empresas alcançarem legitimidade e melhorarem seu desempenho econômico e social.

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20.

1 SUSTENTABILIDADE

Sustentabilidade significa fazer o hoje sem prejudicar o amanhã, ou melhor, fazer o hoje para
melhorar cada vez mais o amanhã. Em outras palavras, sustentabilidade é um conceito
sistêmico relacionado à continuidade e preservação ao longo do tempo dos aspectos
econômicos, sociais e ambientais da sociedade.

A administração focada na sustentabilidade baseia as suas ações em três aspectos: a


prosperidade da organização, a equidade social das comunidades em que ela atua e a
qualidade ambiental.(movimento ESG)

Investir em sustentabilidade é bom para o negócio, para a comunidade e para o planeta pois
promove resultados como redução de custos, melhoria da imagem corporativa e da reputação,
além da identificação e geração de novas oportunidades de negócios

Enquanto stakeholder se refere aos grupos de interesse de um projeto ou


organização, shareholder diz respeito apenas aos acionistas, isto é, quem possui parte
da empresa.
A importância ou relevância do stakeholder depende da conjugação de três fatores:
1.Poder: é a força ou poder coercitivo, utilitário ou regulatório que lhe permite se impor
no seu relacionamento com a organização.
2.Urgência: quando seu relacionamento é importante ou crítico para a organização e
exige atenção imediata e relevante por possuir uma natureza sensível ao tempo.
3.Legitimidade: quando seu relacionamento com a organização é protegido por um
sistema de normas, leis, crenças e definições sendo percebido ou assumido de
maneira legítima.

A sustentabilidade é uma atitude organizacional e envolve necessariamente:

1.Sustentabilidade econômica:

a.Pela busca de maior eficiência para gerar resultados para proprietários, acionistas,
dirigentes, funcionários, clientes, fornecedores e para toda a sociedade.

2.Sustentabilidade social:

a.Por incentivos para a atitude consciente e ética das pessoas que trabalham na empresa.

b.Por melhorias na comunidade em que está localizada e ações comunitárias no sentido de


melhorar a qualidade de vida das pessoas.

c.Por adequação da remuneração e das condições de trabalho dos funcionários da empresa.

d.Pela busca de alternativas para a empresa se inserir em outras cadeias produtivas locais.

3.Sustentabilidade ambiental:

a.Pela preservação do ecossistema e da biodiversidade com o crescimento verde e o respeito à


natureza.

b.Pela redução de perdas no processo produtivo com medidas simples como organização,
limpeza, higiene, ordem e técnicas de produção mais limpas a fim de incrementar ganho em
eficiência, qualidade e redução de custos.
c.Pela redução na emissão de resíduos e dejetos e seu descartamento adequado e correto.

d.Pela redução do consumo de água e energia pelo uso consciente desses recursos.

Diferença de Competitividade e Sustentabilidade

Competitividade

■Baseada em fatores econômicos operacionais

■Visão restrita do mundo: empresa x vantagens competitivas

■Legislação ambiental = custos maiores de produção

■Uso de tecnologias tradicionais e sujas

■Questões do meio ambiente natural são consideradas ameaças

■Foco na redução de custos

■Foco na eficiência operacional

■Individualismo

Sustentabilidade

■Baseada em fatores econômicos, sociais e ecológicos

■Visão mais ampla do mundo: parcerias para obter vantagens competitivas

■Legislação ambiental: promoção da inovação

■Uso de tecnologias limpas de produção

■Questões do meio ambiente natural são consideradas novas oportunidades

■Foco na criação de valor

■Foco na inovação

■Cooperação

Indicadores de sustentabilidade corporativa

Os dois principais indicadores de sustentabilidade corporativa são:

1.Índice de Sustentabilidade Dow Jones (DJSI): acompanhar o desempenho de empresas


líderes em seu campo de atuação em termos de sustentabilidade corporativa. Fornece às
empresas uma avaliação financeira de sua estratégia de sustentabilidade, bem como do
gerenciamento das oportunidades, riscos e custos a ela relacionados.

2.Global Reporting Initiative (GRI): Seu objetivo é aumentar a qualidade, rigor e utilidade dos
relatórios para a sustentabilidade corporativa que devem relatar dimensões econômicas,
ambientais e sociais de suas atividades.

20.3 GOVERNANÇA CORPORATIVA


O conceito de GC está relacionado com um conjunto de regras sobre como as empresas devem
ser administradas e controladas. É o resultado de normas, tradições e padrões de
comportamento desenvolvidos por cada empresa e não apenas um modelo genérico que
possa ser exportado ou imitado.

Seu foco reside na definição de uma estrutura de governo que maximize a relação entre o
retorno dos acionistas e os benefícios auferidos pelos seus executivos

Governança é o conjunto de meios que os proprietários da empresa ou seus representantes


utilizam para direcionar ou monitorar sua administração e garantir que a empresa alcance os
objetivos definidos tal como definiram para o negócio.

Negócio é a atividade que a empresa oferece ao ambiente que a circunda.

O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) define GC como “o sistema pelo qual
as sociedades são dirigidas e monitoradas, envolvendo os relacionamentos entre
acionistas/cotistas, conselho de administração, diretoria, auditoria independente e conselho
fiscal.

Origens da governança corporativa

A GC surgiu para superar o chamado conflito de agência decorrente da separação entre a


propriedade e a administração da empresa. Aliás, a GC está ganhando força em função dos
seguintes aspectos:

1.Separação entre propriedade e administração

2.Pulverização e dispersão do capital:

3.Surgimento das sociedades anônimas com um incrível volume de acionistas (shareholders) e


investidores envolvidos no negócio.

4.Necessidade de transparência: a administração tem a responsabilidade de prestar contas


(accountability) aos proprietários ou acionistas e também aos demais stakeholders envolvidos
direta ou indiretamente no negócio da empresa.

5.Monitoramento da atividade administrativa e avaliação dos resultados:

6.Influência dos stakeholders: a administração da empresa precisa também atender às


demandas e expectativas de outros públicos externos direta ou indiretamente relacionados
com o negócio a fim de preservar sua imagem, reputação e sustentabilidade.
ARTIGO

As preocupações das entidades no século XXI estão cada vez mais focadas em questões de
conteúdo social e ambiental. Com isso, as empresas aspiram maximizar o desempenho
econômico para satisfazer os seus acionistas e agir de forma socialmente responsável em
benefício da sociedade (Rodriguez-Fernandez, 2016).

Entende-se que a responsabilidade social seria o primeiro passo para que uma empresa
alcance a sustentabilidade em seus negócios, aliado ao crescimento econômico, bem como, à
preservação ambiental (Mazzer, 2015).

Nesse sentido, diversas são as motivações para a gestão orientada à RSC(responsabilidade


social corporativa), direcionar recursos para fins do bem social pode funcionar como parte da
estratégia elaborada para que as empresas alcancem vantagem competitiva (Freguete, Nossa,
& Funchal, 2015). Huang e Watson (2015) relatam que a RSC é revolucionária por seu potencial
de relação com o desempenho econômico-financeiro das empresas.

Du et al. (2010) e Servaes e Tamayo (2013) relatam que as empresas que se engajam
socialmente criam efeitos positivos a longo prazo, como o aumento de valor da empresa, a
construção de uma boa imagem, o fortalecimento da relação entre stakeholders, redução de
alguns tipos de riscos, entre outros. Após os escândalos financeiros que ocorreram, houve uma
tendência internacional para desenvolver e implementar mecanismos de governança
corporativa que lutassem contra os comportamentos oportunistas que prejudicam a
credibilidade dos investidores nas informações financeiras (Gras-Gil, Manzano, & Fernández,
2016).

Estudos anteriores documentam resultados mistos sobre a associação entre responsabilidade


social corporativa e a transparência em relatórios financeiros (Gras-Gil et al., 2016). A RSC,
nesse sentido, está relacionada com os aspectos éticos e morais sobre a tomada de decisão e o
comportamento corporativo, ao abordar questões complexas, como a proteção ambiental, o
gerenciamento de recursos humanos, saúde e segurança no trabalho, relações com a
comunidade local e relacionamentos com fornecedores e clientes (Castelo & Lima, 2006).

Teoria da Legitimidade

A teoria da legitimidade baseia-se na premissa de que existe uma espécie de contrato social
entre as empresas e a sociedade em que atuam, representando expectativas implícitas ou
explícitas de seus membros a respeito da forma como elas necessitam agir, ou seja, uma forma
da empresa demonstrar o cumprimento do contrato por meio de relatórios (Dias Filho, 2007).
Para O’Donovan (2002), há um contrato social implícito entre a sociedade e as empresas, em
que elas possuem a obrigação ética de agir de maneira socialmente responsável, caso
contrário, a sociedade poderá romper esse contrato, ameaçando a sobrevivência da empresa
(Deegan, 2002).

Segundo Dias Filho (2007), adeptos dessa teoria argumentam que uma das estratégias que as
empresas utilizam para alcançar, manter ou recuperar legitimidade são as políticas de
evidenciação corporativa, trabalha-se com a hipótese de que algumas organizações tendem a
ampliar seus mecanismos de evidenciação independentemente de exigências legais, daí a ideia
de que a Teoria da Legitimidade pode contribuir para explicar e predizer práticas de
evidenciação no ambiente corporativo (Magness, 2006; Dias Filho, 2007).
A teoria da legitimidade tem sido amplamente aplicada na literatura, considerando o relatório
de responsabilidade social corporativa (Adams, Hill & Roberts, 1998; Milne & Patten, 2002;
Magness, 2006; Momin & Parker, 2013; Belal & Owen, 2015). Os estudiosos de gestão
começaram a examinar as condições de mudança da licença corporativa para operar a partir
de vários ângulos (Scherer & Palazzo, 2011). Há uma discussão emergente sobre o impacto da
globalização sobre a legitimidade (Boddewyn, 1995; Henisz & Zelner, 2005). Além disso, a
atenção dada ao papel dos processos discursivos entre organizações e seus ambientes sociais
está crescendo (Roloff, 2007; Stansbury, 2008; Gilbert & Benahm, 2009). As organizações,
segundo Calton e Payne (2003), estão incorporadas em uma rede de discursos com múltiplas
partes interessadas, nessas redes, elas participam de processos compartilhados de
sensibilidade moral que podem ou não levar a padrões comumente aceitáveis de
comportamento corporativo.

Para as empresas, a legitimidade significa que suas ações são percebidas como desejáveis ou
apropriadas no contexto de normas ou valores sociais (Suchman, 1995). Para alcançar a
legitimidade, um aspecto do gerenciamento de sustentabilidade é o cumprimento de
regulamentos e leis ambientais e sociais (Wheeler, Collbert, & Freean, 2003; Ramus & Montiel,
2005). Dessa forma, a teoria da legitimidade designa que a responsabilidade social corporativa
pode ser vista como a intenção de uma organização perseguir a legitimidade moral dada por
agentes externos e, por vezes, internos para aspectos socialmente benéficos à estratégia e às
operações de negócios (Scherer & Palazzo, 2011, Windolph, Harms, & Schaltegger, 2014).

A implementação da governança da RSC não é uma atividade homogênea que tenha


motivação e estratégias similares, as empresas podem se envolver em dois tipos de estratégias
de RSC para construir legitimidade (Kim, Park, & Wier, 2012). Uma estratégia é tomar ações
sérias e comprometer-se com o comportamento ambiental e socialmente responsável, o que
provavelmente resultará em uma lacuna menor de legitimidade (Seele & Gatti, 2015). As
organizações que adotam essa estratégia de RSC podem incorrer em custos iniciais
significativos e consumir recursos contínuos para implementar a governança da RSC, mas têm
um potencial maior para gerar resultados significativos de RSC (Clarkson, Overrel, & Chapple,
2011).

As empresas que implementam a governança da RSC com rigor podem melhorar sua estrutura
organizacional e alcançar um bom desempenho em RSC para cumprir suas metas de
responsabilidade social corporativa e alcançar o desenvolvimento de negócios sustentáveis
(Wang & Sarkis, 2017). Externamente, elas fornecem legitimidade para suas operações e
cumprem suas obrigações. Outra estratégia de RSC envolve o engajamento na governança
simbólica da RSC para melhorar a imagem corporativa ou abordar questões emergentes, mas
eles podem não alocar os recursos necessários para implementar a governança da RSC de
forma rigorosa ou estratégica, e é provável que resulte em maior lacuna de legitimidade (Seele
& Gatti, 2015).

Responsabilidade Social Corporativa Ambiental e Social

A literatura sobre responsabilidade social corporativa é muito diversificada e não há um


consenso sobre uma definição precisa (Scherer & Palazzo, 2007). Estudos recentes analisaram
a literatura no campo da responsabilidade social corporativa e concluíram que a abordagem
econômica da responsabilidade social corporativa é muito influente, e uma parte significativa
do atual debate sobre a responsabilidade social corporativa enquadra-se na teoria econômica
da empresa (Garriga & Melé, 2004; Scherer & Palazzo, 2007). Marquis, Beunza, Ferraro e
Thomason (2011) definem a responsabilidade social corporativa como mecanismos de controle
que as empresas adotam voluntariamente para integrar preocupações sociais e ambientais em
suas operações comerciais. Dahlsrud (2008) indica que a responsabilidade social corporativa
são estratégias essenciais adotadas pelas empresas para interagir com suas partes
interessadas.

A implementação da responsabilidade social corporativa não é uma atividade homogênea que


possui motivações e estratégias similares, as empresas podem participar de dois tipos de
estratégias de responsabilidade social corporativa (Kim et al., 2012). Uma delas que as
empresas podem adotar é tomar medidas sérias e rigorosas para implementar a governança
da responsabilidade social corporativa, estas podem consumir recursos significativos para sua
implementação na organização, porém, com maior propensão para caminhar e gerar
resultados significativos de RSC (Clarkson et al., 2011). A outra estratégia abrange o
envolvimento na governança de responsabilidade social corporativa simbólica e oportunista
para melhorar a imagem corporativa ou abordar problemas emergentes, mas não inclui a
alocação dos recursos necessários para implementar atividades de responsabilidade social
corporativa de forma profunda ou estratégica (Wang & Sarkis, 2017).

A governança de responsabilidade social corporativa relacionada ao meio ambiente pode


incluir políticas e regulamentos de governança, que vão desde práticas estratégicas, como a
inclusão de peritos ambientais em conselhos e na alta administração (Lewis, Walls, & Dowell,
2014), até questões operacionais, como a integração de sistemas de gestão, contabilidade
ambiental e atividades da cadeia de abastecimento verde (Wolf, 2014). As organizações
podem implementar esses mecanismos de governança por uma série de razões, incluindo
cumprir os requisitos regulatórios ambientais, superar benchmarks competitivos e melhorar a
reputação corporativa (Contrafatto, 2014).

O comportamento socialmente responsável concentra-se mais em questões sociais


antropocêntricas que variam de condições de trabalho precárias (Alamgir, Cooper, & Delclos,
2013), de direitos dos empregados e práticas de trabalho justas (Zhu & Zhang, 2015), às
desigualdades (Huffman, 2013). Medidas de resultado social internas mais tradicionais podem
incluir iniciativas de saúde e segurança, diversidade de percentuais de força de trabalho e
pessoal. As medidas sociais externas também foram vistas como importantes iniciativas
corporativas sociais e podem incluir atividades filantrópicas e atividades de apoio comunitário
(Labuschagne & Brent, 2008).

Para Christmann e Taylor (2006), a responsabilidade social corporativa pode ser implementada
na perspectiva de melhorar a imagem organizacional de forma simbólica, assim, pode haver
um potencial reduzido para responsabilidade social corporativa significativa e retornos
financeiros para este último grupo devido a maior lacuna de legitimidade (Seele & Gatti, 2015).
A lacuna de legitimidade ocorre quando há uma discrepância entre as ações de uma
organização e as expectativas da sociedade nesta organização (Sethi, 1975). Assim, existirá
uma lacuna de legitimidade se as empresas não gerarem os resultados prometidos. A longo
prazo, esta lacuna pode resultar em resultados de desempenho financeiro de longo prazo e
potencialmente levar ao desaparecimento operacional de uma organização (Leng, Chatterjee,
& Brown, 2012). A implementação infrutífera da responsabilidade social corporativa ou um
desajuste das atividades de responsabilidade social corporativa projetadas também podem ser
fatores contribuintes para a falta de relações positivas entre responsabilidade social
corporativa e resultados financeiros, dessa forma, a governança da responsabilidade social
corporativa pode contribuir para uma avaliação financeira superior (Wang & Sarkis, 2017).
Responsabilidade Social Corporativa e Desempenho Financeiro

As empresas implementam responsabilidade social corporativa para vários fins, ou seja, a


implementação de mecanismos de responsabilidade social corporativa pode ajudar a criar
recursos e obter vantagem competitiva (Torugsa, O'donohue, & Hecker, 2012). Os grupos de
interesse reivindicam os recursos da empresa e, assim, exigem implicitamente o
comportamento adequado da organização, como a consideração pelo meio ambiente e a
preocupação com relações justas (Mcguire, Alison, & Schneeweis, 1988). Nos casos em que a
empresa não atua com responsabilidade social, os custos resultantes podem se tornar
significativos e representam um fardo financeiro suscetível de reduzir os lucros, levando a uma
entidade socialmente consciente (Rodriguez-Fernandez, 2016). Em contraste, se as empresas
que adotam políticas socialmente responsáveis são mais rentáveis, os investimentos
socialmente responsáveis incentivarão as empresas a aumentar os investimentos em
programas de RSC (Pava, 2008).

Diversos estudos (ex. Cochran & Wood, 1984; Waddock & Graves, 1997; McWilliams & Siegel,
2001; Orlitzky et al., 2003; Smith, 2003; Ortas, Moneva, & Álvarez, 2014) testemunharam a
dicotomia entre RSC e desempenho financeiro, no entanto, não existem conclusões claras que
esclareçam a correlação positiva, negativa ou inexistente (Rodriguez-Fernandez, 2016). As
razões estão nas imperfeições dos estudos, a omissão de variáveis latentes significativas na
formulação dos modelos, a ausência de análise de causalidade, a falta de rigor na metodologia
e uma teoria que mal sustenta o estudo (Margolis & Walsh, 2003).

Akpinar, Jiang, Gómes-Mejía e Berrone (2008) concluíram que a relação era positiva se a
mensuração da RSC levasse em consideração a importância relativa de cada grupo de
interesse. Segundo Choi, Kwak e Choe (2010), o nível de esforço que as empresas dedicam às
diferentes áreas da responsabilidade social corporativa depende da importância que lhes são
atribuídas por cada um dos grupos de interesse. As revisões de Choi et al. (2010) mostram que
os resultados são principalmente positivos, embora alguns sejam negativos, misturados ou não
correlacionados. Margolis e Walsh (2003) chegaram à mesma conclusão nas análises de 127
estudos realizados entre 1972 e 2002, os resultados mostraram uma correlação
principalmente positiva independentemente de a RSC ser a variável independente ou
dependente.

Callan e Thomas (2009) examinaram duas abordagens diferentes para medir a RSC,
controlando as principais variáveis identificadas na literatura e testando a não linearidade de
certas variáveis, seus resultados indicaram a existência de uma relação positiva entre RSC e
desempenho financeiro. Os resultados encontrados por Freguete et al. (2015) apontaram que
não é possível afirmar que as empresas que seguem práticas de RSC têm um melhor
desempenho financeiro em períodos atrelados a crise econômica, portanto, não se pode
esperar que a prática de RSC apresente maior robustez financeira em períodos de crise a curto
prazo. Bertagnolli, Ott e Damacena (2006) encontraram que as empresas que adotam práticas
de responsabilidade social e ambiental apresentam retornos adequados ao seu setor de
atuação. Borba (2005) analisou a relação entre desempenho socioambiental e desempenho
financeiro e não encontrou evidências de uma relação positiva entre o desempenho financeiro
e o desempenho socioambiental.

Cesar e Silva (2008) investigaram a relação entre o desempenho financeiro e o desempenho


socioambiental de empresas listadas na Bolsa. Os resultados não apontaram relação
significativa entre investimentos socioambientais e o desempenho financeiro. Crisóstomo,
Freire e Vasconcellos (2009) pesquisaram a relação entre RSC e valor da empresa e o
desempenho financeiro, os resultados encontrados indicaram um efeito negativo da RSC sobre
a criação de valor e uma relação de neutralidade entre RSC e rentabilidade da empresa.
Orellano e Quiota (2011) investigaram a relação entre os investimentos socioambientais e o
desempenho financeiro das empresas brasileiras. Os resultados revelaram uma correlação
positiva entre investimento socioambiental e desempenho financeiro. Madruga (2014)
investigou se a adoção de práticas de responsabilidade empresarial influenciavam no
desempenho econômico-financeiro das empresas. Apenas o ROE apresentou uma tendência
positiva e diretamente proporcional com cinco indicadores de responsabilidade social com
moderada correlação.

Dessa forma, tendo em conta que todas as empresas devem satisfazer a responsabilidade
social corporativa, espera-se que a maior responsabilidade social corporativa seja
positivamente relacionada com níveis mais altos de desempenho financeiro e vice-versa
(Rodriguez-Fernandez, 2016). Assim, diante da literatura apresentada, o estudo busca analisar
as seguintes hipóteses:

H1. A responsabilidade social corporativa ambiental tem relação positiva com o desempenho
financeiro das empresas.

H2. A responsabilidade social corporativa social tem relação positiva com desempenho
financeiro das empresas.

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