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ISSN 2317-3793 Volume 9 Número 1 (2020)
O CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (CAPS) COMO CAMPO DE
ATUAÇÃO DA PEDAGOGIA SOCIAL
THE PSYCHOSOCIAL ATTENTION CENTER (CAPS) AS A FIELD OF SOCIAL
PEDAGOGY
Mariza da Gama Leite de Oliveira1
Clarice Cintra Roig Elorza2
Resumo
A Pedagogia Social é uma ciência por possuir campo próprio de atuação e área própria de conhecimento: a Educação
Social, que se faz ao longo de toda a vida, em todos os espaços e em todas as relações. Os Centros de Atenção
Psicossocial (CAPS) consistem num campo fértil para a atuação da Pedagogia Social, considerando os serviços
prestados em prol da comunidade, a pessoas com transtornos mentais severos e persistentes, ou dependentes de álcool e
outras drogas. Este artigo intenta mostrar o funcionamento dos CAPS, sua importância no movimento da reforma
psiquiátrica brasileira, e defender a presença do pedagogo no quadro de funcionários desses centros, com a mesma
importância que as outras áreas ligadas à saúde física e mental. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica, e o
relato da experiência de uma das autoras deste artigo, que atua em um desses centros, como dinamizadora de oficinas. O
estudo concluiu ser de extrema importância o pedagogo compor a equipe multidisciplinar dos CAPS por serem
desenvolvidas nesses centros diversas atividades de cunho inclusivo, que exige um profissional detentor de
conhecimentos e práticas adquiridos no campo da Pedagogia Social.
Palavras-chave: pedagogia social. Educação Social. Centro de Atenção Psicossocial (CAPS)
Abstract
Social Pedagogy is a science because it has its own field of action and its own area of knowledge: Social Education,
which takes place throughout life, in all spaces and in all relationships. The Psychosocial Care Centers (CAPS) are a
fertile field for the performance of Social Pedagogy, considering the services provided for the community, to people
with severe and persistent mental disorders, or dependent on alcohol and other drugs. This article aims to show the
functioning of the CAPS, its importance in the Brazilian psychiatric reform movement, and to defend the presence of
the pedagogue in the staff of these centers, with the same importance as the other areas related to physical and mental
health. The methodology used was bibliographic research, and the account of the experience of one of the authors of
this article, who works in one of these centers, as a facilitator of workshops. The study concluded that it is extremely
important for the pedagogue to compose the multidisciplinary team of the CAPS, as there are several activities of an
inclusive nature in these centers, which require a professional with knowledge and practices acquired in the field of
Social Pedagogy.
Keywords: social pedagogy. Social Education. Psychosocial Care Center (CAPS).
1 Introdução
A prática da educação não-formal desenvolvida por variadas instituições ocorre em
ambientes construídos coletivamente. Uma das metas desse formato de educação é envolver o
indivíduo em atividades produtivas e que construam a identidade da comunidade envolvida,
1 Doutorado em EDUCAÇÃO pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil(2015)
Professor Especialista Classe I da Prefeitura Municipal de Duque de Caxias , Brasil
2 Pedagoga. Pós-graduanda em Educação Especial com ênfase em Deficiência Intelectual. Atua como dinamizadora de
oficinas no CAPS Três Rios (RJ), onde também desenvolve projeto de alfabetização com o público que frequenta a
instituição. Integrante do grupo de pesquisa: “Escolarização: políticas públicas, práticas e história” (CNPq), coordenado
pela prof. Dra. Mariza da Gama L. Oliveira.
123
contribuindo para a produção do conhecimento, cidadania e autonomia, além de distancia-lo
do tempo ocioso, onde expressivo número de crianças, jovens e adultos ficariam pelas ruas,
sujeitos ao contato com a violência, drogas e criminalidade. A educação não-formal mantém
relação com a Pedagogia Social; e nessa categoria se enquadram os Centros de Atenção
Psicossocial – CAPS.
Os CAPS consistem em espaços criados no início dos anos 2000 pela Reforma
Psiquiátrica do Ministério da Saúde. Sua função é prestar atendimento clínico em regime de
atenção diária, evitando internações em hospitais psiquiátricos. Nesse ambiente uma equipe
multidisciplinar trabalha junto aos usuários, prestando atendimento psiquiátrico, psicológico e
educacional.
Neste artigo conheceremos como funcionam os CAPS, e como podem ser inseridos no
campo de pesquisa da Pedagogia Social. Portanto, começaremos por conhecer as discussões
em torno desse campo de atuação do pedagogo, e em seguida será relatada a experiência de
uma das autoras deste artigo, como educadora na instituição.
2 O campo de atuação da pedagogia social
A escola desenvolve papel importante na formação dos educandos que por ela passam,
possibilitando principalmente o acesso aos conhecimentos historicamente sistematizados.
Entretanto, a educação vai além do espaço delimitado pelos muros escolares e salas de aula.
Ela está em campos diversos, pois a perspectiva educativa permeia os espaços onde existe
interação social. Assim, ela pode ser classificada nas categorias: a) formal (processada em
instituições escolares); b) informal (aprendida durante o processo de socialização, na família,
bairro, clube, amigos etc); e c) não-formal (aquela que se aprende "no mundo da vida", via os
processos de compartilhamento de experiências, principalmente em espaços e ações coletivos
cotidianas).3
Gohn (2006) considera a educação não-formal como um dos núcleos básicos de uma
Pedagogia Social por ter como algumas de suas dimensões: a aprendizagem e exercício de
práticas que capacitam os indivíduos a se organizarem com objetivos comunitários, voltadas
para a solução de problemas coletivos cotidianos; e a aprendizagem de conteúdos que
possibilitem aos indivíduos fazerem uma leitura do mundo do ponto de vista de compreensão
do que se passa ao seu redor.
3 Ler mais sobre as distinções entre educação formal, informal e não-formal com riqueza de detalhes em Gohn
(2006).
124
A Pedagogia Social é considerada uma ciência por possuir campo próprio de atuação e
área própria de conhecimento: a Educação Social, que se faz ao longo de toda a vida, em
todos os espaços e em todas as relações. A ação sociopedagógica é a sua técnica de trabalho;
o seu objeto de estudo é a educabilidade social do sujeito; e utiliza-se dos métodos de
observação, descrição, comparação, análise e síntese, para executar o seu trabalho
(TORQUATO et al, 2015).
Ela constitui também a base teórica para as práticas de Educação Popular, Educação
sóciocomunitária e práticas de Educação não escolares. Assim, da mesma forma como a
Pedagogia Escolar se serve de uma Teoria Geral da Educação Escolar para fundamentar suas
práticas de Educação Escolar, a Pedagogia Social se serve da Teoria Geral da Educação
Social. Ambas são necessárias para viabilizar a concepção de uma Educação integral,
integrada e integradora.
A Pedagogia Social ocorre em situações sociais variadas e está atrelada à realidade de
exclusão, desigualdades, conflito social e desamparo, tendo em vista que fornece respostas de
caráter prático a muitas pessoas que são vítimas de injustiça social, especialmente de
violações de seus direitos. Não se subordina a determinações político-ideológicas,
doutrinárias ou dogmáticas e tem na história, na cultura, no direito e no contexto social, as
categorias orientadoras das ações pedagógico-sociais.
Os três domínios da Pedagogia Social, com suas áreas específicas de conhecimento,
são assim definidos por Silva (2009): a) o domínio sociocultural: b) o domínio
sociopedagógico: c) o domínio sociopolítico. Tem como lócus privilegiado os grêmios
estudantis, associações de pais e mestres, conselhos de escola, associações de moradores,
conselhos de direitos, movimentos sociais, organizações não-governamentais, sindicados,
partidos políticos e as políticas públicas e sociais. Seu objetivo não é moldar o cidadão à
sociedade, mas respeitar a sua história de vida no contexto em que estiver inserido (PASSOS,
2018).
Nas primeiras décadas do século XX, é possível encontrar registros da Pedagogia
Social na Europa, atrelada ao desenvolvimento do trabalho social profissional. Para Passos
(2018, p. 06): “Em termos históricos sociais, a origem da ação pedagógica social está ligada
aos processos de industrialização e urbanização que causaram novos problemas sociais pela
fragmentação da sociedade agrária tradicional”. A partir desse fato histórico, surgiram
crescentes demandas sociais, decorrentes da divisão de classes e das desigualdades sociais.
125
Herman Nohl, filósofo educador alemão, foi quem observou a Pedagogia Social como
sendo uma estrutura teórica hermenêutica para o trabalho social profissional, a partir de 1920.
As consequências da Primeira Guerra Mundial apresentaram influências significativas sobre
sua vida e foi o que o mobilizou a dedicar-se à educação. Nohl trabalhou no estabelecimento
da Pedagogia como uma ciência independente e na fundação da Educação Social. O
Movimento Pedagógico na Alemanha e as teorias de Nohl são considerados um ponto
importante para o desenvolvimento da Pedagogia Social. Esse movimento na área educacional
contribuiu para fornecer uma perspectiva mais ampla, permitindo um enfoque pedagógico
social na tentativa de encontrar soluções educacionais para os problemas sociais existentes
(PASSOS, 2018).
Ainda no que se refere à Educação Social na Alemanha, podemos mencionar o
trabalho considerável de Alice Solomon, como sendo importante reformadora e pioneira do
Trabalho Social como disciplina acadêmica. Nascida em 09 de abril de 1972 em Berlim,
Solomon associou aos seus estudos e práticas a combinação entre o político, o pedagógico e o
social. Ela também, fundou a Escola Social para Mulheres em Berlim e a Academia Alemã de
Trabalho Social e Pedagógico das Mulheres. Passos (2018, p. 8) ressalta “as relevantes
contribuições dessa educadora que, muito fez pela educação social, uma vez que aliou
pensamentos distintos em prol da construção de um novo paradigma”.
Muitos estudiosos afirmam que no Brasil Paulo Freire é um importante representante
da Pedagogia Social, pelos seus ideais de transformação social e pela crença de que é possível
promover a educação popular, a mudança de uma realidade opressora, através da
conscientização e autonomia do indivíduo. Para Passos (2018), encontramos em Freire
aproximações teóricas que cooperam para se pensar em uma Pedagogia Social originalmente
brasileira e que seja capaz de promover intervenção sociopedagógica, travando a
problematização da educação e do social. Nessa perspectiva, a Pedagogia Social tornou-se
fundamental para compreender a realidade humana e social.
Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) consistem num campo fértil para a
atuação da Pedagogia Social, considerando os serviços prestados em prol da comunidade.
Para situar a finalidade social dos CAPS, é preciso retroagir historicamente à reforma
psiquiátrica que se iniciou no Brasil nos anos 2000.
126
3 A reforma psiquiátrica no Brasil e o CAPS
3.1 O movimento da luta antimanicomial – breve histórico
Para Luchmann e Rodrigues (2007), os movimentos sociais latentes vão dar
visibilidade às demandas sociais, elucidar aquilo que está obscuro, portadores das denúncias
das mais variadas injustiças sociais.
Os movimentos sociais não se constituem como fenômenos coletivos homogêneos,
nem ao menos reflexos e ou efeitos automáticos da realidade objetiva. Os movimentos sociais
são heterogêneos e fragmentários, que demandam grande energia para gerência de sua
administração, como ressaltam os autores:
Diferente de um sujeito dotado de interesses e de racionalidade própria, “a ação
coletiva é um sistema de ação multipolar que combina orientações diversas,
envolvendo atores múltiplos e implica um sistema de oportunidades e de vínculos
que dá forma às suas relações. Trata-se de um processo de construção de identidades
que depende da inter-relação entre as oportunidades (materiais e simbólicas) e o
grau de oposição entre orientações diversas. Os objetivos da ação (o sentido da
mesma para o ator), os meios (possibilidades e limites da ação) e o ambiente (o
campo em que a ação se realiza), conformam os três eixos básicos que operam na
constituição – dinâmica e complexa – das identidades, das escolhas e dos resultados
da ação movimentalista (LUCHMANN; RODRIGUES, 2007, p. 401).
O que deve ser considerado, para os autores, é o lugar do sujeito frente à dinâmica
social de reapropriação da sua identidade retirada pelos processos de manipulação e controle
dos aparatos de gestão dos sistemas complexos. O controle vai violentar aqueles que não têm
acesso aos códigos e sentidos dominantes acerca do louco e da institucionalização social da
loucura. É nesse campo que surge o movimento de luta antimanicomial; uma luta nacional,
com a missão de garantir um serviço de saúde digno para indivíduos portadores de sofrimento
psíquico. Esse movimento desencadeou ações que implicaram na mudança do imaginário
comum da loucura no Brasil (BARBOSA; COSTA; MORENO, 2012).
A loucura congregada a conceitos moralistas vai significar em determinado contexto
social desajuste, improdutividade, perversão, alienação, legitimados pelos saberes médicos
reducionistas, saberes esses que produzem a exclusão e morte social. O manicômio é a
127
instituição que simboliza toda essa exclusão e a manutenção desse desajuste social. É a
instituição escolhida para acolher entre seus muros a violência simbólica e física praticada; a
exclusão sócio-histórica desculpabilizada da sociedade, com entendem Luchmann e
Rodrigues (2007).
O movimento antimanicomial não considera apenas o rompimento do sistema
manicomial, mas também os aspectos sociais que envolvem esse sistema. Ele admite a
ressignificação do sentido de loucura, por promover a reestruturação social sobre conceitos
como periculosidade e negatividade. Apresenta em sua trajetória debates sobre seus rumos,
considerando todos aqueles que estão abrangidos no processo de socialização e na busca por
um cuidado alinhado em saúde (BARBOSA; COSTA; MORENO, 2012).
No Brasil, o movimento antimanicomial tem seus antecedentes no Movimento dos
Trabalhadores de Saúde Mental (MTSM), que nasce na abertura do regime militar. No interior
do MTSM, inicia-se um processo de reflexão crítica sobre a questão epistemológica do saber
psiquiátrico, “da função social da psiquiatria como estratégia de repressão e ordem social e
quanto ao caráter de instituição total do hospital psiquiátrico” (AMARANTE apud
BARBOSA; COSTA; MORENO, 2012, p. 46). O MTSM também é responsável por várias
denúncias envolvendo fraudes, torturas e corrupção nos hospitais psiquiátricos. Esse
movimento passa a reclamar a utilização de eletrochoques como terapêutica e o agravamento
do quadro dos pacientes internados em hospitais psiquiátricos.
Vários eventos, congressos e simpósios na área de saúde mental denunciavam e
debatiam os problemas relativos aos hospitais psiquiátricos, até então a única forma de
atenção aos portadores de transtornos mentais. Dentre esses, cabe citar o III Congresso
Mineiro de Psiquiatria, ocorrido em Belo Horizonte em 1979, que contou com a participação
de Robert Castel, Michel Foucault e do psiquiatra Franco Basaglia, representante do
Movimento de Psiquiatria Democrática, e autor da Lei nº 180, que extinguia na Itália os
hospitais psiquiátricos e propunha formas substitutivas de atenção aos portadores de
transtornos mentais. Na ocasião foi exibido o filme “Em nome da Razão”, do cineasta
brasileiro Helvécio Ratton, que denunciava as condições do Hospital Colônia de Barbacena-
MG, comparando-o a um verdadeiro “campo de concentração” (GRADELLA JÚNIOR,
2009).
Várias experiências com modelos substitutivos ao hospital psiquiátrico foram
realizadas ao longo dos anos 1980 em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Ceará,
128
que deliberaram sobre mudanças radicais no modelo psiquiátrico vigente e o término de
hospitais psiquiátricos, seguindo a tendência mundial. Foi marcante o II Encontro Nacional
dos Trabalhadores em Saúde Mental, realizado em Bauru-SP, no ano de 1987; momento de
renovação teórica e política que vai marcar a participação efetiva da associação de usuários e
familiares dos portadores de transtornos mentais. Dele resulta o Manifesto de Bauru, que
marca a fundação do Movimento Antimanicomial no Brasil.
Gradella Júnior (2009, p. 5) destaca suas principais deliberações: a) adoção da
bandeira de luta “Por uma sociedade sem manicômios”; b) definição do dia 18 de maio como
o Dia Nacional da Luta Antimanicomial; c) fundação do Movimento Nacional da Luta
Antimanicomial formado por familiares e usuários dos serviços de saúde mental,
trabalhadores, entidades formadores, sindicatos, associações de moradores, conselhos
profissionais da área de saúde, parlamentares, artistas e todos aqueles que encampassem a
luta. O movimento tinha como objetivo o fim dos hospitais psiquiátricos pelo gasto inútil de
verbas públicas e devido à forma de atenção ultrapassada, promotora de violência e exclusão.
Segundo o autor,
Sua proposta era a criação de serviços substitutivos em saúde mental, tais como:
CAPS (Centro de Apoio Psicossocial), NAPS (Núcleo de Apoio Psicossocial),
Hospital-dia, Ambulatórios, Unidades Básicas de Saúde com Equipes Mínimas (1
psiquiatra, 1 psicólogo, 1 assistente social), Emergência Psiquiátrica, Leitos
Psiquiátricos em Hospital Geral, Enfermaria Psiquiatra em Hospital Geral, Centro de
Convivência, bem como outras formas de atenção com conteúdo não manicomial. A
loucura concebida como desrazão, como erro, como periculosidade (Iluminismo)
transforma-se para a noção de diferença, de produção de vida, de subjetividade.
(GRADELLA JÚNIOR, 2009, p. 5)
No ano de 1989 entra no Congresso Nacional o Projeto de Lei do deputado Paulo
Delgado-PT/MG, que visa a regulamentação dos direitos dos portadores de transtorno mental,
bem como a extinção progressiva dos manicômios, como já havia sido proposto na Itália por
Basaglia. Somente em 2001 foi aprovado o novo marco legal, pela Lei nº 10.216, instituindo a
reforma psiquiátrica e os direitos das pessoas com transtorno mental. Esse foi o início de um
longo processo de incidência política, diálogo e pressão social no sentido de construir os
novos paradigmas para uma política nacional de saúde mental (RODRIGUES, 2017).
Cabe salientar que a referida lei sofreu emendas. A Lei 10.216/2001 (BRASIL, 2001)
redireciona a assistência em saúde mental, privilegiando o oferecimento de tratamento em
serviços de base comunitária, mas sem definir bem os mecanismos para a progressiva
extinção dos manicômios; porém, a promulgação desta lei dá um novo fôlego no processo de
129
Reforma Psiquiátrica no Brasil. O Brasil avançou construindo a RAPS (Rede de Atenção
Psicossocial) que tem nos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) o seu alicerce.
3.2 O que são os CAPS?
Os CAPS consistem numa política pública acolhedora, cujos pressupostos são a
emancipação social e não o enclausuramento. Seu foco está no respeito à autonomia do
indivíduo, no cuidado, no trabalho em rede, na inserção social, visando um atendimento
integral; não a internação compulsória; daí a diversidade de recursos terapêuticos, deslocando
a centralidade da figura do médico e do hospital. Os CAPS começaram a surgir na década de
1980 e passaram a receber uma linha específica de financiamento do Ministério da Saúde a
partir do ano de 2002. A partir daí esses serviços tiveram grande expansão.
Com base no documento “Reforma psiquiátrica e política de saúde mental no Brasil”
(2005), apresentado pelo Ministério da Saúde à Conferência Regional de Reforma dos
Serviços de Saúde Mental, os CAPS são serviços de saúde municipais, abertos, comunitários,
que oferecem atendimento diário às pessoas com transtornos mentais severos e persistentes,
realizando o acompanhamento clínico e a reinserção social destas pessoas através do acesso
ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e
comunitários.
Os CAPS se diferenciam pelo porte e clientela a ser atendida. O fator populacional dos
municípios brasileiros é o principal critério para a implantação do dispositivo CAPS, bem
como o seu planejamento. No entanto, o gestor local articulado com o SUS (Sistema Único de
Saúde), tem condições de definir os equipamentos que melhor atendem a sua demanda
municipal. Uma vez percebida a real demanda populacional e a implantação dos dispositivos
competentes, o CAPS funcionará como articulador de saúde mental em seu território.
Dentre outros objetivos, o CAPS terá como tarefa a reinserção social, exigindo uma
ampla articulação com outros componentes e recursos: sócio-sanitárias, jurídicas, sociais e
educacionais. Eles devem ser substitutivos, e não complementares ao hospital psiquiátrico. De
acordo com o documento, “De fato, o CAPS é o núcleo de uma nova clínica, produtora de
autonomia, que convida o usuário à responsabilização e ao protagonismo em toda a trajetória
do seu tratamento” (BRASIL, 2005, p. 27).
Segundo Amâncio (2015), é missão do CAPS regular a porta de entrada da rede de
assistência em Saúde Mental da sua margem territorial, dando suporte e supervisionando a
atenção à Saúde Mental na rede básica, Programa de Saúde da Família (PSF) e Programa de
130
Agentes Comunitários de Saúde. Em articulação com o gestor local, deve viabilizar a visita e
supervisão dos dispositivos hospitalares psiquiátricos, bem como manter atualizada uma
relação de pacientes que utilizam medicação psiquiátrica.
Os atendimentos aos usuários são variados e podem ser classificados da seguinte
forma:
Atendimento intensivo: pode ser realizado diariamente e tem como alvo aqueles
usuários que se encontram em grave sofrimento psíquico.
Atendimento semi-intensivo: pode ser realizado em até três vezes semanalmente e
tem como alvo os usuários que necessitam de atenção da equipe; assim, espera-se
que a desestruturação psíquica do indivíduo se atenue.
Atendimento não intensivo: pode ser realizado por usuários que conseguem
realizar atividades como trabalhar e estudar no seu cotidiano, e que não mais
necessitam do acompanhamento direto da equipe.
Existem os seguintes modelos institucionais de CAPS: CAPS I, CAPS II, CAPS III,
CAPSi e CAPSad. No quadro abaixo são sintetizadas suas características:
População/ Equipe de Serviços e
CAPS hab. Público Atendido
Profissionais Funcionamento
Adultos com transtornos
9 profissionais de Atende cerca de 240
20.000 a mentais severos e persistentes
CAPS I nível médio e pessoas por mês, durante 5
50.000 transtornos decorrentes do uso
superior dias na semana.
de álcool e outras drogas.
12 profissionais Atende cerca de 360
Mais de Adultos com transtornos
CAPS II de nível médio e pessoas por mês, durante 5
50.000 mentais severos e persistentes.
superior dias na semana.
16 profissionais Atende cerca de 450
Acolhimento de adultos que
de nível médio e pessoas por mês, todos os
exijam atendimento de maior
Mais de superior, além da dias, 24 h. Tem máximo de
CAPS III complexidade, com as
200.000 equipe noturna e 5 leitos, para internações
características do público dos
de final de curtas, de no máximo 7
outros CAPS.
semana. dias.
11 profissionais Atende cerca de 180
Mais de Crianças e Adolescentes com
CAPSi4 de nível médio e pessoas por mês, durante 5
200.000 transtornos mentais.
superior dias na semana.
Pessoas que fazem uso
prejudicial de álcool e outras
13 profissionais Atende cerca de 240
Mais de drogas. Municípios de fronteira
CAPSad5 de nível médio e pessoas por mês, durante 5
200.000 ou parte de rota de tráfico de
superior dias na semana.
drogas; ou cenários
epidemiológicos.
4 CAPSi (Centro de Atenção Psicossocial Infantil).
5 CAPSad (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas).
131
QUADRO 1: MODELOS INSTITUCIONAIS DE CAPS E SUAS CARACTERÍSTICAS
FONTE: Elaborado pelas autoras, com base nas informações do documento “Reforma psiquiátrica e política de
saúde mental no Brasil” (BRASIL, 2005).
Como observado no quadro acima, os modelos de CAPS se distinguem pela
quantidade de habitantes dos municípios. O público atendido pode ser composto por crianças,
adolescentes ou adultos, com transtornos mentais severos, persistentes ou não; e em muitos
casos essas pessoas fazem uso de álcool e outras drogas. A quantidade dos profissionais que
compõe a equipe multidisciplinar varia de 9 (nove) a 16 (dezesseis), de acordo com a
população atendida, que pode chegar a 450 (quatrocentos e cinquenta) por mês.
Em dezembro de 2014 havia um total de 2.209 (duas mil, duzentas e nove) unidades
CAPS em todo o território nacional; porém, ainda é necessário ampliar essas unidades de
atendimento, inclusive os serviços 24h, e outras modalidades, especialmente o CAPSi, que
atende à infância e adolescência, para os estados que ainda não a possuem, conforme relatório
da coordenação geral de saúde mental.6
A equipe multidisciplinar na maioria dos centros é composta por profissionais ligados
à área de saúde como: psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, farmacêuticos,
psiquiatras e enfermeiras. É facultada a presença de outros profissionais, tais como:
pedagogos e educadores físicos.
Na seção seguinte apresentaremos algumas reflexões importantes sobre a atuação do
pedagogo nesse contexto não escolar e quais podem ser suas principais atribuições no campo
de atuação da saúde mental.
3.3 O pedagogo no CAPS – uma defesa
A equipe de profissionais dos diversos CAPS é composta por médicos, enfermeiros, e
profissionais de nível médio, entre técnico administrativo, auxiliar de enfermagem e artesãos.
Outros profissionais de nível superior podem também fazer parte da equipe, dentre eles:
psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, pedagogos ou outros profissionais
“necessários ao projeto terapêutico”. Portanto, não é garantida a presença de todos esses
profissionais nos CAPS; e por ser uma instituição da saúde mental, prioriza a contratação de
psicólogos em sua maioria. Desta forma, não é garantida a presença do pedagogo nesse
espaço. A escolha desses “outros profissionais”, fica a critério dos municípios.
6 FONTE: Coordenação Geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas/DAPES/SAS/MS E IBGE.
132
Elencamos a seguir os profissionais da equipe multidisciplinar, de acordo com os
modelos de CAPS:
a) CAPS I - 01 (um) médico com formação em saúde mental, 01 (um) enfermeiro, 03
(três) profissionais de nível superior entre as seguintes categorias profissionais:
psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional, pedagogo ou outro profissional
necessário ao projeto terapêutico, 04 (quatro) profissionais de nível médio: técnico
e/ou auxiliar de enfermagem, técnico administrativo, técnico educacional e artesão.
b) CAPS II - 01 (um) médico psiquiatra, 01 (um) enfermeiro com formação em saúde
mental, 04 (quatro) profissionais de nível superior entre as seguintes categorias
profissionais: psicólogo, assistente social, enfermeiro, terapeuta ocupacional,
pedagogo ou outro profissional necessário ao projeto terapêutico, 06 (seis)
profissionais de nível médio: técnico e/ou auxiliar de enfermagem, técnico
administrativo, técnico educacional e artesão.
c) CAPS III - 02 (dois) médicos psiquiatras, 01 (um) enfermeiro com formação em saúde
mental, 05 (cinco) profissionais de nível superior entre as seguintes categorias:
psicólogo, assistente social, enfermeiro, terapeuta ocupacional, pedagogo ou outro
profissional necessário ao projeto terapêutico, 08 (oito) profissionais de nível médio:
técnico e/ou auxiliar de enfermagem, técnico administrativo, técnico educacional e
artesão, além de equipe noturna e de final de semana.
d) CAPSi - 01 (um) médico psiquiatra, ou neurologista ou pediatra com formação em
saúde mental, 01 (um) enfermeiro, 04 (quatro) profissionais de nível superior entre as
seguintes categorias profissionais: psicólogo, assistente social, enfermeiro, terapeuta
ocupacional, fonoaudiólogo, pedagogo ou outro profissional necessário ao projeto
terapêutico, 05 (cinco) profissionais de nível médio: técnico e/ou auxiliar de
enfermagem, técnico administrativo, técnico educacional e artesão.
e) CAPSad - 13 (treze) profissionais, dentre eles 01 (um) médico psiquiatra, 01 (um)
enfermeiro com formação em saúde mental, 01 (um) médico clínico, responsável pela
triagem, avaliação e acompanhamento das intercorrências clínicas, 04 (quatro)
profissionais de nível superior entre as seguintes categorias profissionais: psicólogo,
assistente social, enfermeiro, terapeuta ocupacional, pedagogo ou outro profissional
133
necessário ao projeto terapêutico; e 06 (seis) profissionais de nível médio: técnico e/ou
auxiliar de enfermagem, técnico administrativo, técnico educacional e artesão.7
Pela Portaria nº 336/2002 (BRASIL, 2002), os CAPS desenvolvem atividades
diversificadas, dentre elas assistência medicamentosa, psicoterápica, de orientação,
atendimento em grupo, atividades de suporte social; atendimento em oficinas terapêuticas,
visitas domiciliares; atendimento às famílias; atividades comunitárias.
Mais que um tratamento medicamentoso ou terapêutico, o atendimento é atravessado
por uma questão pedagógica e educativa, pois demanda organização, mediação, planejamento
em busca de um objetivo, que é a autonomia e reinserção social do indivíduo com transtorno
mental no convívio social. Para tal, a instituição mantém oficinas de capacitação que contribui
para que os usuários possam aprender uma profissão, como oficinas de artesanato, de
marcenaria, oficinas de arte, contribuindo para reabilitação da coordenação motora,
raciocínio, lateralidade, cognição.
Sobre as oficinas, uma das autoras deste artigo atua como dinamizadora de oficinas
desde 2013 na instituição, de modelo CAPS II, em Três Rios/RJ, promovendo atividades de
cunho terapêutico e pedagógico. A fim de que os usuários tenham possibilidade de escolha e
realização de atividades diferenciadas, são oferecidas as seguintes atividades: a) oficinas de
artesanato em geral; b) pintura em tecido, madeira, vidros, papeis etc.; c) costura - tricô,
crouchet, bordados etc.; d) reutilização de materiais recicláveis; e) jogos e brincadeiras
lúdicas; f) aulas de alfabetização e contação de histórias; g) organização de projetos e eventos
culturais, como: festas típicas, desfile de primavera etc.
Sobre a participação desses usuários, é visível o interesse dos mesmos por tais
atividades. Também se observa a crescente demanda de aulas de alfabetização, devido ao
grande número de indivíduos que foram excluídos do convívio escolar ou evasão, tendo em
vista múltiplos fatores, tais como: preconceito, bulling, comprometimento cognitivo e
métodos tradicionais de avaliação que são extremamente classificatórios e excludentes.
Acreditamos ser muito necessária a presença do pedagogo na equipe multidisciplinar,
com especialização em Educação Inclusiva – Transtornos Mentais, para que possa contribuir
para a maior humanização desse espaço. O pedagogo é o profissional apto a desenvolver a
autonomia e promover a cidadania do público atendido pelo CAPS, dialogando com os
7 FONTE: Elaborado pelas autoras, com base nas informações do documento “Reforma psiquiátrica e política
de saúde mental no Brasil” (BRASIL, 2005).
134
mesmos a respeito dos seus direitos na sociedade. O pedagogo poderá também desenvolver
práticas educativas inclusivas, visando resgatar o tempo de escolarização formal perdido,
porque o letramento se faz necessário para que o usuário desenvolva autonomia e seja capaz
de atenuar as suas limitações, de organizar e controlar o uso de seus medicamentos, de ler o
mundo a sua volta, de pensar, agir e partilhar saberes.
Projetos como a EJA (Educação de Jovens e Adultos) são realidades encontradas
desde 2008 em alguns CAPS, como se pode observar no depoimento de Azevedo et al (2014),
profissionais da unidade no município de Queimadas – PB:
O interesse em trabalhar com a alfabetização surgiu a partir da solicitação
dos familiares e da percepção dos profissionais da necessidade continuada
aos usuários do CAPS I, assim, durante assembleia realizada no ano de 2008,
emergiu-se a importância do ato de saber ler e escrever como forma de
potencializar a autonomia dos usuários (AZEVEDO et al, 2014, p. 740).
Sendo assim, a EJA pode ser uma estratégia eficaz para promover a inclusão social
dos usuários com transtorno mental, que tiveram suas trajetórias escolares interrompidas pela
exclusão ou evasão. Em nossa opinião, a EJA pode ser um projeto em parceria com as
Secretarias de Saúde e Secretarias de Educação locais, que podem dispor de professores, a
serem orientados pelo pedagogo da equipe multidisciplinar do CAPS.8
4 Considerações gerais
Libâneo (2010) defende que o pedagogo é o profissional plenamente capacitado para
atuar como formador, instrutor, orientador, organizador e agente de propagação cultural. Está
também apto a criar e elaborar projetos sociais, e deles participar de forma eficaz, utilizando
técnicas, métodos e estratégias para as demandas socioeducativas.
Vimos neste artigo que muitas atividades desenvolvidas nos Centros de Atenção
Psicossocial (CAPS) contribuem para que os usuários possam aprender uma profissão, como
oficinas de artesanato, de marcenaria, oficinas de arte, que reabilitem sua coordenação
motora, raciocínio, lateralidade, cognição; as quais possuem fim terapêutico. Desta forma,
justificamos a necessidade da presença do pedagogo no quadro de funcionários desses
centros, tendo a mesma importância que as outras áreas ligadas à saúde física e mental. E
reafirmamos a importância da Pedagogia Social na formação do pedagogo, pois esse
8 No ano de 2020 teve início no CAPS Três Rios/RJ um projeto de alfabetização elaborado por uma das autoras
deste artigo, pedagoga e funcionária da instituição, vinculado ao grupo de pesquisas “Escolarização: políticas
públicas, práticas e história”; e seus desdobramentos serão divulgados posteriormente.
135
profissional atua na diversidade, na carência material, moral e com desordem mental de toda
espécie; aspectos esses também presentes em espaços escolares.
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