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O Guarani

O Guarani, de José de Alencar, narra a história de D. Antônio de Mariz e sua família, que enfrenta ameaças internas e externas, incluindo um ataque indígena e a traição de um empregado. O índio Peri, que se dedica a proteger a filha de D. Antônio, Cecília, acaba se envolvendo em um plano arriscado para salvar a todos, enquanto o amor entre os personagens se entrelaça com a luta pela sobrevivência. A obra destaca o nacionalismo romântico e a idealização do índio, refletindo a busca por uma identidade cultural brasileira.

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Dayse Lúcia
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O Guarani

O Guarani, de José de Alencar, narra a história de D. Antônio de Mariz e sua família, que enfrenta ameaças internas e externas, incluindo um ataque indígena e a traição de um empregado. O índio Peri, que se dedica a proteger a filha de D. Antônio, Cecília, acaba se envolvendo em um plano arriscado para salvar a todos, enquanto o amor entre os personagens se entrelaça com a luta pela sobrevivência. A obra destaca o nacionalismo romântico e a idealização do índio, refletindo a busca por uma identidade cultural brasileira.

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O Guarani

autor: José de Alencar

movimento: Romantismo - Primeira Geração

Por Fernando Marcílio


Mestre em Teoria Literária pela Unicamp

RESUMO
Em uma fazenda no interior do Rio de Janeiro, moram D. Antônio de Mariz e sua família, formada pela esposa D.
Lauriana, o filho D. Diogo e a filha Cecília. A casa abriga ainda a mestiça Isabel (na verdade, filha bastarda de D.
Antônio), apaixonada pelo moço Álvaro, que, no entanto, só tinha olhos para Cecília. O índio Peri, que salvou certa vez
Cecília de ser atingida por uma pedra, permaneceu no lugar a pedido da moça, morando em uma cabana. Peri passa a
se dedicar inteiramente à satisfação de todas as vontades de Cecília, a quem chama simplesmente de Ceci.
Acidentalmente, D. Diogo mata uma índia aimoré. Como vingança, a família da moça tenta matar Ceci, mas Peri
intercepta a ação. A partir desse momento, a possibilidade de ataque da tribo é cada vez maior. E este não é o único
perigo a rondar a casa de D. Antônio. Um dos empregados, Loredano, está ali com o objetivo de se apoderar de uma
mina de prata que fica abaixo da casa. Pretendia incendiá-la e ainda raptar Ceci. Quando ele e seus capangas
combinam seu plano de ataque, são ouvidos por Peri.
Contra si, o índio tem o ódio de D. Lauriana, que considera sua presença ali uma ameaça a todos. Consegue convencer
o esposo a expulsá-lo, mas quando Peri relata a iminência do ataque aimoré, como vingança pela morte da índia, D.
Lauriana permite que ele permaneça na casa.
O livro O Guarani está disponível para download, confira.
O incêndio planejado por Loredano é evitado por Peri e a traição é finalmente descoberta. D. Antônio ordena que os
traidores se entreguem, mas Loredano organiza um levante. Os empregados fiéis a D. Antônio preparam-se para
proteger a casa. Ao mesmo tempo, acontece o ataque indígena. Assim, a casa de Mariz sofre ameaças externas e
internas.
Álvaro aceita o amor de Isabel e passa a corresponder a ele. Mas sua preocupação se volta principalmente para o
confronto com os inimigos. Enquanto isso, Peri concebe um plano terrível para derrotar os aimorés: coloca veneno na
água que será consumida pelos bandidos que tentam ocupar a casa; além disso, bebe do mesmo veneno. Em seguida,
avança sobre os aimorés e luta bravamente, para mostrar que merece ser submetido ao ritual da antropofagia,
reservado apenas aos valentes. Quando comessem sua carne tomada pelo veneno, morreriam.
Cecília descobre o plano e pede a Álvaro que o salve. O moço chega no exato momento do sacrifício e liberta Peri,
afirmando que Cecília precisa dele vivo, para salvá-la. A moça pede ao índio que viva e Peri obedece, preparando para
si um antídoto com ervas. Muitos dos traidores morrem envenenados. Loredano é preso e submetido à morte na
fogueira.
Álvaro sai para apanhar mantimentos, mas acaba sendo morto na empreitada. Seu corpo é entregue a Isabel que,
entrando com ele em um cômodo hermeticamente fechado, espalha ervas aromáticas no local e morre abraçada ao
amado.
Como última tentativa para salvar a filha, D. Antônio determina a Peri que fuja com ela. Assim que o índio cumpre a
tarefa, o proprietário explode a casa, matando os inimigos que o atacam. Cecília se desespera assistindo à cena.
Uma tempestade atinge Peri e Cecília na canoa que ocupam. Em um verdadeiro dilúvio, Peri e Ceci somem no
horizonte.

CONTEXTO
Sobre o autor
José de Alencar desenvolveu, no conjunto de sua obra, um projeto cultural. Assim, escreveu romances regionalistas,
urbanos, históricos e indianistas. Em todos eles, o tema fundamental era o Brasil. Para o escritor, submeter as
particularidades nacionais (o que os românticos chamavam de cor local, isto é, a terra, o índio, os costumes etc) a um
tratamento inspirado no modelo romântico era um esforço necessário para colocar a cultura brasileira no mesmo
patamar da europeia. Suas obras mais conhecidas foram: “O Guarani”, “Iracema”, “Senhora”, “Diva”, “Lucíola” e “Til”. O
autor é patrono da cadeira nº 23 da Academia Brasileira de Letras, uma escolha de Machado de Assis.
Importância do Livro
A importância de O Guarani se relaciona à expressão do nacionalismo romântico e à consolidação da figura do herói
tipicamente brasileiro, reunindo todas as qualidades do cavaleiro medieval e apresentando a originalidade da ligação
com a terra selvagem brasileira. O obra apresenta características indianistas, com a idealização do índio, como
acontece também em outros romances de Alencar.
Período histórico
Em O Guarani – assim como em Iracema – Alencar busca adaptar o modelo literário que o inspira à realidade nacional.
Esse era um dos fundamentos mais importantes do Romantismo como ele se manifestou entre nós.

ANÁLISE
O Guarani reúne os ingredientes românticos com os quais o autor sabia lidar muito bem. A trama segue duas linhas: a
dimensão épica das aventuras e a dimensão lírica das relações amorosas. No primeiro, ganha destaque a construção
da nacionalidade, a partir do mito da integração entre colonizado e colonizador. Essa integração é problematizada na
história, já que existem os que são permeáveis a ela, como Peri e Ceci, e os que a rejeitam decisivamente, como os
aimorés e D. Lauriana.
No plano lírico, há o jogo sentimental das personagens Peri e Ceci, Álvaro e Isabel. Nessas relações, o amor mostra a
sua força ao superar todas as barreiras que se opõem à sua realização. Alvos de paixões avassaladoras, Cecília e
Isabel se comportam de formas distintas, à pureza da primeira se opõe o poder de sedução da segunda. De qualquer
maneira, sabe-se que o amor vencerá no final. E sua vitória representa, acima de tudo, o êxito do bem em sua disputa
contra o mal.
O maniqueísmo está presente em todas as dimensões do romance. As duas personagens que melhor o encarnam são
Peri e Loredano. O primeiro corresponde à típica idealização romântica, concebida nos termos palatáveis para o leitor
da época. D. Antônio considera Peri um “cavalheiro português no corpo de um selvagem”, conferindo, dessa forma, um
estatuto superior ao índio que se comporta como amigo. De fato, Peri age como um verdadeiro cavaleiro medieval,
valorizando a fidalguia, a honradez, a hierarquia e até mesmo a religião, que acaba por abraçar para obter permissão de
salvar a amada Ceci. A esses traços, ele acrescenta outro, de fundamental importância para o projeto nacionalista
romântico: a ligação com a terra.
Loredano, de sua parte, é o anti-Peri por excelência: nunca age às claras e de forma aberta, mas sim nas sombras e
nos subterrâneos. Não demonstra nenhum apego pela terra e muito menos pelos valores da fidalguia, que subverte pela
traição. Desse modo, alcança a condição de vilão perfeito.
Embora o tempo e o espaço da ação sejam definidos com exatidão pelo narrador (interior do Rio de Janeiro, início do
século XVII), há muito de transcendente nesses elementos. O período focalizado é o início da colonização portuguesa
daquela região. Mas as relações sociais são definidas a partir de concepções medievais: temos o senhor e seus
vassalos e protegidos. Quanto ao espaço, evidencia-se a condição de castelo associada à casa de D. Antônio de Mariz,
o que remete a ação, mais uma vez, à visão romântica da Idade Média que inspira comportamentos de personagens e
lances do enredo.
No estilo narrativo, o autor se utilizou de recursos românticos, tais como: a técnica folhetinesca do gancho ao final dos
capítulos; descrições exuberantes; diálogos dramáticos; e, por fim, a narração retrospectiva (flashback), que permite
resgatar fatos anteriores da vida das personagens. Dos muitos recursos estilísticos do narrador, destacam-se a
exploração da comparação e da metáfora, cuja articulação auxilia na construção de uma alegoria da criação da raça
brasileira, propósito que fundamenta a obra.
Não se pode deixar de comentar o final do romance. Embora um tanto enigmático, sugere a formação da raça brasileira
através da união das raças branca e indígena. Peri e Ceci são conduzidos ao horizonte. Esse horizonte é o país que se
redescobre – tanto pelos colonizadores do século XVII quanto pelos leitores do XIX.

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