Ação
O que é uma ação judicial?
Ação é o de um direito subjetivo público que autoriza o titular a provocar a atuação
da jurisdição, com o objetivo de obter a tutela de um direito material.
No sentido material, a ação é o direito de exigir do Estado a prestação
jurisdicional, a solução de uma lide ou conflito.
No sentido formal, a ação é um direito subjetivo público abstrato, independente de
que haja realmente um direito a ser tutelado.
A ação é o direito de provocar o exercício da tutela jurisdicional pelo Estado, para
solucionar dado conflito existente entre certas pessoas.
Dissídio:
Significado etimológico de desinteligência
No processo do trabalho, refere-se à ação individual ou coletiva perante a
Justiça do Trabalho
Lide:
Conflito de interesses
Pretensão do autor resistida pelo réu
Questão:
Ponto controvertido sobre fato ou direito discutido
Controvérsias:
Razões de fato ou direito alegadas pelo autor
Contestadas pelo réu
Evolução histórica sobre o conceito de ação
História de Roma: três etapas
A história de Roma, dividida em monarquia, república e império, apresenta três
sistemas jurídicos distintos: ações da lei, formulário e cognitio extraordinaria.
Cada sistema corresponde a uma fase específica, demonstrando a constante
transformação do procedimento legal.
Ações da Lei e Formulário
As ações da lei no direito romano eram marcadas por um ritualismo próximo da
religiosidade. Com a introdução do formulário, surgiram fórmulas específicas para
cada violação de direito, simplificando e adaptando o processo judicial.
Fases do Procedimento
O procedimento romano compreendia duas fases distintas: in iure, onde se
escolhia a fórmula, e litiscontestatio; e in judicio, perante juiz ou árbitro,
culminando na sentença. Essas fases refletiam a complexidade e a formalidade
do sistema jurídico romano.
Cognitio Extraordinaria
O terceiro período, denominado cognitio extraordinaria, marcou a fusão das
fases do procedimento em uma única instância. O pretor assumia um papel mais
ativo, colhendo provas e proferindo sentenças, refletindo uma maior intervenção do
Estado no processo.
Definição de Ação por Justiniano
A definição de ação por Justiniano, baseada nas contribuições de Celso e Ulpiano,
identifica a ação como o direito de buscar algo em juízo que é devido. Essa
definição influenciou a doutrina civilista, que associava a ação ao direito subjetivo
material.
Polêmica de 1856-1857: Windscheid e Muther
A polêmica entre Windscheid e Muther, em 1856-1857, destaca-se pela distinção
proposta por Windscheid entre ação romana
e klage germânica, enquanto Muther defendia a coincidência entre ambas.
Natureza Jurídica da Ação
A distinção entre direito subjetivo e direito de acionar é fundamental. O direito de
acionar, entendido como um direito público, está vinculado ao direito primitivo,
estabelecendo uma relação complexa entre esferas pública e privada.
Tutela Estatal e Pretensões
A tutela estatal só pode ser invocada contra quem causa lesão, evidenciando a
necessidade de uma relação específica entre o lesado e o causador da lesão.
Distinções entre direitos lesados e direitos do Estado-juiz são cruciais nesse
contexto.
Conceito Atual de Direito de Acionar
O direito de acionar na contemporaneidade mantém sua vinculação a outro direito
e sua lesão. A distinção entre direito material e direito de acionar é evidenciada
pela existência de diferentes obrigados em cada esfera.
Teorias doutrinárias sobre Ação
Teoria Imanentista ou Clássica:
Ação como parte do direito privado.
Ligação direta entre direito de ação e direito material.
Savigny: inexistência de ação sem direito correspondente.
Teoria de Windscheid-Muther:
Distinção entre direito lesado e ação.
Ação como direito contra o Estado.
Críticas e complementação entre Muther e Windscheid.
Teoria da Ação como um Direito Autônomo
Ação desvinculada do direito material.
Adolph Wach: ação como direito autônomo contra o Estado.
Degenkolb e Plósz: ação como direito abstrato de agir.
Ação como Direito Autônomo e Concreto:
Büllow, Schmidt, Hellwig, Pohle, Kohler, e Chiovenda.
Ação depende da tutela jurisdicional.
Necessidade de sentença favorável para exercer poder jurídico.
Ação como Direito Autônomo e Abstrato:
Degenkolb: ação desvinculada da pretensão.
Alfredo Rocco: direito de ação depende da tutela estatal.
Emílio Betti: ação como poder de provocar atuação jurisdicional.
Carnelutti: ação como direito subjetivo processual das partes.
Pekelis: direito de fazer agir o Estado.
Teoria de Liebman:
Direito de ação como direito subjetivo instrumental.
Mais que uma faculdade, um poder sem obrigação direta do Estado.
Interesse do Estado na distribuição da Justiça.
Exercício da função jurisdicional além da sentença de mérito.
Teoria Eclética
Adotada pelo Código de Processo Civil.
Direito de ação autônomo, não dependente do direito material.
Preenchimento de requisitos formais não confundido com apreciação do
mérito.
A teoria eclética e o CPC
Teoria eclética
Combina elementos das teorias da ação como direito subjetivo e da ação como
direito potestativo.
De acordo com essa teoria, a ação é um direito subjetivo público, com o titular da
ação tendo o poder de exercê-lo se houver um direito material a ser tutelado.
Art. 1º do CPCArt. 5º, XXXV da CF/88
Conclusão
A teoria eclética adotada pelo Código de Processo Civil brasileiro é um importante
avanço para o direito processual brasileiro.
Essa teoria garante a efetividade dos direitos subjetivos, ao mesmo tempo em que
protege o Estado de demandas infundadas.
Natureza Jurídica da Ação
Teorias Divergentes
Independência entre Direito de Ação e Direito Material
Exercício do Direito de Ação ≠ Reconhecimento Automático do Direito
Material
Teorias Divergentes
Independência entre Direito de Ação e Direito Material
Exercício do Direito de Ação ≠ Reconhecimento Automático do Direito
Material
Dever do Estado
Prestar Jurisdição com Base na Comprovação
Titular da Ação
Estado na Ação Penal
Condições da Ação
Art. 17 do CPCArt. 330 do CPCArt. 485, VI do CPC
E quanto à possibilidade jurídica do pedido?
Art. 330, § 1º do CPC
Classificação das Ações
Elementos da Ação
Causa de Pedir
Existência de direito material assegurado ao autor
Base para o pedido e provoca o Judiciário a reconhecer ou não o direito
Compreende fundamentos de fato e de direito
Remota (fundamenta o pedido) e próxima/imediata (fato que origina
o direito)
Fatos principais ou secundários
Fundamentos jurídicos não se confundem com legais.
Objeto da Ação
Pedido de obtenção de pronunciamento judicial
Pode ser favorável ou não ao autor
Pedido imediato (direto) busca decisão judicial
Pedido mediato (indireto) refere-se ao bem material ou imaterial pretendido
Processo
Significados de Processo
a) Sentido Geral:
Conjunto de ações para obter resultado
b) Sociologia:
Sucessão sistemática de mudanças
c) Jurídico:
Ciência e direito processual
Meio dialético de debate
Processo Jurídico
a) Definição:
* Complexo de atos coordenados para prestação jurisdicional
b) João Mendes Jr.:
* Meio para julgamento e segurança constitucional
c) Carnelutti:
* Continente (processo) e conteúdo (lide)
* Pretensão busca reconhecimento do direito material
Relação Jurídica Processual
Natureza da Relação Jurídica Processual:
Triangular: Juiz, Autor, Réu.
Autônoma e dinâmica.
Características:
Complexa: Envolvimento de atos processuais.
Pública: Regida por normas de ordem pública.
Direito Público: Desenvolvimento perante o Poder Judiciário.
Papel do Juiz
Agente do Estado.
Imagem de imparcialidade.
Direção do processo em nome do Estado.
Objetivo da Relação Processual
Eliminação de insatisfações.
Proporcionar a quem tem direito o que exatamente possui o direito de obter.
Caráter Autônomo
Independência do direito material postulado.
LitisconsórcioArt. 113 a 119 do CPC
Litisconsórcio
Existência de várias pessoas em cada polo da relação processual.
Pode ser voluntário ou necessário.
Ativo: Pluralidade de autores.
Passivo: Pluralidade de réus.
Litisconsórcio Facultativo
Dependente da vontade das partes.
Limitação pelo juiz para garantir a rápida solução.
Litisconsórcio Necessário
Imposto por lei.
Essencial para a validade do processo e sentença.
Litisconsórcio Unitário
Decisão uniforme para todas as partes.
Autônomo do litisconsórcio necessário.
Exemplo: Anulação de casamento pelo Ministério Público.
Intervenção de Terceiros
Terceiras pessoas fora da lide ingressam no processo.
Intervenção Provocada
Denunciação da lide – Art. 125 a 129 do CPC
Chamamento ao processo – Art. 130 a 132 do CPC
Nomeação à autoria Art. 62 e 63 do CPC
Requisitos
Que o réu não tenha legitimidade para ação, mas sim o terceiro
Que a ação se refira a determinadas hipóteses previstas pela lei processual
(Art. 62 e 63)
Que seja feita no prazo que o réu tem para responder a ação
Pressupostos Processuais
Conceito
São requisitos de existência, validade e eficácia do processo
Pressupostos Negativos (não devem existir)
Litispedência
Coisa Julgada
Perempção
Convenção de arbitragem
Falta de caução ou outra prestação exigida pela lei
Pressupostos Positivos (devem estar presentes)
Pressupostos de Existência
Provocação inicial
Jurisdição
Citação
Pressupostos de Validade
Petição Inicial Apta
Competência do Juízo
Imparcialidade do Juiz
Capacidade de ser parte e de estar em juízo
Capacidade postulatória
Citação válida
Procedimentos
Art. 188 a 192 (atos em geral)
Art. 193 a 199 (atos eletrônicos)
Art. 200 a 202 (atos das partes)
Art. 203 a 205 (atos do juiz)
Art. 206 a 211 (atos da secretaria)
Procedimento
Essencial para o Andamento do Processo
Três Sistemas: Liberdade de Formas, Soberania do Juiz, Legalidade da
Forma
Art. 188 do CPC
Atos Processuais Independem de Forma Determinada
Exceção Quando a Lei Exigir Expressamente
Divisão do Procedimento
Quanto à Linguagem
Quanto à Atividade
Quanto ao Rito
Advocacia
Art. 103 a 107 do CPC
Lei nº 8.906/1994
Função Social da Advocacia
Relações reguladas por contrato de prestação de serviços
Atos do advogado no processo constituem múnus público
Atividades Privativas de Advocacia
Postulação perante o Poder Judiciário e juizados especiais
Consultoria, assessoria e direção jurídicas
Natureza da Advocacia
Judicial (contenciosa) e extrajudicial (preventiva)
Relações Profissionais
Sem hierarquia entre advogados, magistrados e membros do Ministério
Público
Postulação e Procuração
Representação obrigatória por advogado inscrito na OAB
Exceções: Postulação em causa própria e processo do trabalho
Procuração Geral para o Foro
Assinada pela parte
DIREITOS DOS ADVOGADOS
Exame de Autos
Examinar autos em cartório ou secretaria, independentemente de
procuração
Assegurada obtenção de cópias e registro de anotações
Restrição apenas em casos de segredo de justiça
Vista dos Autos
Requerer vista como procurador por até cinco dias
Retirar autos quando necessário, mediante determinação do juiz
Outros Direitos do Advogado
Liberdade para exercer a profissão em todo o território nacional
Inviolabilidade do escritório e instrumentos de trabalho
Comunicação reservada com clientes presos
Presença de representante da OAB em prisão em flagrante
Não recolhimento preso antes de sentença transitada em julgado
Direitos Específicos da Advogada
Direitos garantidos durante gravidez, amamentação, adoção ou parto
Inclui preferências em sustentações orais, audiências e suspensão de
prazos
Tipos de Honorários
Sucumbenciais: decorrem da derrota na postulação
Contratuais: estabelecidos no contrato entre a parte e o advogado
Incompatibilidade vs. Impedimento
Incompatibilidade: Proibição total
Impedimento: Proibição parcial
Permanência da Incompatibilidade:
Mesmo após deixar temporariamente o cargo
Exclusividade para Certos Cargos:
Procuradores-Gerais, Advogados-Gerais, Defensores-Gerais
Legitimados exclusivamente durante o período de investidura
Impedimentos na Advocacia:
Servidores contra a Fazenda Pública que os remunera
Membros do Poder Legislativo em relação a entidades públicas ou
concessionárias