SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM
ESTUDOS SOBRE A INSTABILIDADE
DO TERRENO NOS BAIRROS PINHEIRO,
MUTANGE E BEBEDOURO, MACEIÓ (AL)
Volume II
RELATÓRIOS TÉCNICOS
L. Geofísica – Sismologia
Rio de Janeiro, maio de 2019
MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA
Ministro de Estado
Bento Albuquerque
Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral
Alexandre Vidigal de Oliveira
SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM
DIRETORIA EXECUTIVA
Diretor Presidente
Esteves Pedro Colnago
Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial
Antônio Carlos Bacelar Nunes
Diretor de Geologia e Recursos Minerais
José Leonardo Silva Andriotti
Diretor de Infraestrutura Geocientífica
Fernando Pereira de Carvalho
Diretor de Administração e Finanças
Juliano de Souza Oliveira
MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA
SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL
SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM
ESTUDOS SOBRE A INSTABILIDADE
DO TERRENO NOS BAIRROS PINHEIRO,
MUTANGE E BEBEDOURO, MACEIÓ (AL)
Volume II
RELATÓRIOS TÉCNICOS
L. Geofísica – Sismologia
Autoria
Marcos Vinícius Ferreira
Prof. Dr. Aderson Farias do Nascimento (Universidade Federal
do Rio Grande do Norte – UFRN)
Rio de Janeiro, maio de 2019
COORDENAÇÃO INSTITUCIONAL
Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial (DHT): Antônio Carlos Bacelar Nunes
COORDENAÇÃO TÉCNICA-EXECUTIVA
Coordenador-Geral: Thales de Queiroz Sampaio
Coordenação técnica: Maria Adelaide Mansini Maia e Jorge Pimentel, Departamento de Gestão Territorial
(DEGET)
Assessoria: Helion França Moreira e Ricardo Moacyr de Vasconcellos, Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial
(DHT)
Estudos de geologia aplicada: Sandra Fernandes da Silva, Divisão de Geologia Aplicada (DIGEAP)
Estudos de geomorfológicos e historicidade da ocupação: Marcelo Eduardo Dantas, Divisão de Gestão
Territorial (DIGATE)
Estudos hidrogeológicos: Fernando Antônio Carneiro Feitosa, Departamento de Hidrologia (DEHID)
Estudos geofísicos: Lucia Maria da Costa e Silva, Gerência de Geologia e Recursos Minerais/Sup. [Link] Belém
(GEREMI/SUREG-BE), e Luiz Gustavo Rodrigues Pinto, Divisão de Sensoriamento Remoto e Geofísica (DISEGE)
Estudos batimétricos: Hortência Assis, Divisão de Geologia Marinha (DIGEOM)
Estudos cartográficos: Fabio Costa, Divisão de Cartografia (DICART)
Modelagem geológica em ambiente 3D: Ricardo Wosniak e Eduardo Grissolia, Divisão de Economia Mineral e
Geologia Exploratória (DIEMGE)
Geoprocessamento: Denilson de Jesus, Divisão de Geoprocessamento (DIGEOP)
EQUIPE TÉCNICA
Alexandre Borba (Geólogo) Lúcia Maria da Costa e Silva (Geóloga)
Alexandre Lago (Geólogo) Luiz Antônio R. Almendra (Téc. em Geociências)
Amaro Luiz Ferreira (Geólogo) Luiz Gustavo Rodriguez Pinto (Geofísico)
Bruce Fabini Franco Chiba (Geofísico) Marcelo Ambrósio Ferrassoli (Geólogo)
Bruno Elldorf (Geólogo) Marcelo de Queiroz Jorge (Geólogo)
Cipriano Gomes de Oliveira (Téc. em Geociências) Marcelo Eduardo Dantas (Geógrafo)
Daniel Moreira (Eng. Cartógrafo) Marcio Junger Ribeiro (Téc. em Geociências)
Dario Dias Peixoto (Geólogo) Márcio Martins Valle (Oceanógrafo)
Denilson de Jesus (Eng. Cartógrafo) Maria Adelaide Mansini Maia (Geóloga)
Eduardo Moussalle Grissolia (Geólogo) Marília de Araújo Costa Rodrigues (Geofísica)
Eugênio Pires Frazão (Geólogo) Nilo Costa Pedrosa Júnior (Geólogo)
Fábio Silva da Costa (Eng. Cartógrafo) Patrícia Duringer Jacques (Geóloga)
Fernando Antônio Carneiro Feitosa (Geólogo) Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff (Geólogo)
Fernando Lúcio Borges Cunha (Geólogo) Rafael Corrêa de Melo (Geólogo)
Giana Grupioni Rezende (Eng. Cartógrafo) Ricardo Cavalcanti Santiago (Geofísico)
Gilmar Pauli Dias (Geólogo) Ricardo Duarte de Oliveira (Eng. Cartógrafo)
Heródoto Goes (Geólogo) Ricardo Wosniak (Geólogo)
Hiran Silva Dias (Analista de sistemas) Roberto Gusmão de Oliveira (Geólogo)
Hortência Maria Barboza de Assis (Geóloga) Rodrigo Luiz Gallo Fernandes (Geólogo)
Ítalo Prata de Menezes (Geólogo) Ronaldo Gomes Bezerra (Geólogo)
Ivan Soares dos Santos (Téc. em Geociências) Rubens Esteves Kenup (Eng. Cartógrafo)
Jairo Jamerson Correia de Andrade (Geofísico) Rubens Pereira Dias (Geólogo)
João Batista Freitas de Andrade (Geólogo) Sandra Fernandes da Silva (Geóloga)
Jorge Pimentel (Geólogo) Thales de Queiroz Sampaio (Geólogo)
Jose Antônio da Silva (Geólogo) Thiago Dutra dos Santos (Geólogo)
Juliana Moraes (Geóloga) Tiago Antonelli (Geólogo)
Júlio Cesar Lana (Geólogo) Valter José Marques (Geólogo)
Larissa Flávia Montandon Silva (Geóloga) Vanildo Almeida Mendes (Geólogo)
Leandro Galvanese Kuhlmann (Geólogo) Victor Augusto Hilquias Silva Alves (Geólogo)
Loury Bastos Mello (Geóloga)
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO
Warley Aparecido Pereira (Jornalista)
Letícia de Barros Alves Peixoto (Jornalista)
Pedro Henrique Pereira dos Santos (Comunicador Organizacional)
ASSESSORIA JURÍDICA
Vilmar Medeiros Simões (Consultor Jurídico)
COLABORAÇAO E AGRADECIMENTOS
Prof. Dr. Aderson Farias do Nascimento, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
Prof. Dr. André Etienne Ferraz, Universidade Federal Fluminense (UFF)
Prof. Dr. André Ferrari, Universidade Federal Fluminense (UFF)
Prof. Dr. Emanuel Jardim de Sá, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
Geólogo Guilherme Estrela, Ex-diretor de Exploração e Produção da Petrobras
Prof. Dr. Luiz Antônio Pierantonni Gamboa, Universidade Federal Fluminense (UFF)
Geólogo Ricardo Latgé Milwart de Azevedo, Conselho-Diretor do Clube de Eng. e Conselheiro do Conselho
Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ)
Prof. Me. Abel Galindo Marques, Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Profa. Dra. Regla Toujaguez La Rosa Massahud, Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Prof. Me. Nagib Charone, Universidade Federal do Pará (UFPA)
Governo do Estado de Alagoas
Prefeitura de Maceió
Defesa Civil Nacional
Defesa Civil do Estado de Alagoas
Defesa Civil de Maceió
59° Batalhão de Infantaria Motorizada
Equatorial Energia Alagoas
United States Geological Survey (USGS)
APOIO CPRM
Coordenação de Eventos e Cerimonial (DIG) Divisão de Cartografia (DICART)
Departamento de Gestão Territorial (DEGET) Divisão de Informática (DIINFO)
Departamento de Hidrologia (DEHID) Superintendência Regional de Belém (SUREG-BE)
Departamento de Administração de Material e Superintendência Regional de Belo Horizonte
Patrimônio (DEAMP) (SUREG-BH)
Departamento de Contabilidade, Orçamento e Superintendência Regional de Goiânia (SUREG-GO)
Finanças (DECOF) Superintendência Regional de Manaus (SUREG-MA)
Departamento de Informações Institucionais (DEINF) Superintendência Regional de Recife (SUREG-RE)
Divisão de Editoração Geral (DIEDIG) Superintendência Regional de Salvador (SUREG-SA)
Divisão de Gestão Territorial (DIGATE) Superintendência Regional de São Paulo (SUREG-SP)
Divisão de Geologia Aplicada (DIGEAP) Residência de Fortaleza (REFO)
Divisão de Sensoriamento Remoto e Geofísica (DISEGE) Residência de Porto Velho (REPO)
Divisão de Geologia Marinha (DIGEOM) Residência de Teresina (RETE)
Divisão de Economia Mineral e Geologia Exploratória Escritório do Rio de Janeiro
(DIEMGE) Sede Administrativa Brasília/DF
Divisão de Geoprocessamento (DIGEOP)
APRESENTAÇÃO
Historicamente, o bairro Pinheiro, localizado no município de Maceió (AL), vem apresentando
inúmeras fissuras, trincas, rachaduras e afundamentos em moradias e vias públicas. O fenômeno
se intensificou com a forte chuva de verão de 15 fevereiro de 2018 e o evento sísmico de
magnitude regional igual a 2,4 de 3 de março de 2018 ocorridos na região, que levaram inclusive
à interdição de diversas moradias.
Em decorrência, foi solicitada a presença de técnicos do Serviço Geológico do Brasil - CPRM
por meio dos ofícios nº 044/2018 – CEDEC-AL e nº 34/2018 – PJC/MPE/AL para auxiliar na
investigação das causas do fenômeno responsável pelos danos gerados a alguns imóveis e vias
públicas localizados no bairro Pinheiro, posteriormente identificados também nos bairros vizinhos
do Mutange e Bebedouro, o que levou à extensão da investigação.
Os resultados obtidos até a presente data pelos diversos métodos investigativos utilizados pela
CPRM no período de junho de 2018 a abril de 2019 estão organizados nos seguintes três
volumes, com pormenores sobre a metodologia utilizada, de modo a responder a portaria MME
n° 20 de 11 de janeiro de 2019, que se refere à designação do Serviço Geológico do Brasil para
elucidar as causas do fenômeno.
Volume I − Estudos sobre a instabilidade do terreno nos bairros Pinheiro, Mutange e
Bebedouro, Maceió (AL): relatório síntese dos resultados nº 1.
Apresenta os principais resultados obtidos nas investigações de forma resumida e adequada ao
público não especialista.
Volume II − Relatórios Técnicos
Compreende os seguintes relatórios que embasaram o volume I, que poderão sofrer seja
atualização, seja aprofundamento, com o avanço dos trabalhos ou aquisição de novas
informações:
A. Mapa de feições de instabilidade do terreno
B. Levantamento interferométrico
C. Levantamento cartográfico
D. Aspecto geológico e estrutural
E. Aspecto geomorfológico e do histórico de ocupação do bairro
F. Caracterização geológico-geotécnica
G. Geofísica – Radar de Penetração do Solo (GPR) em residências e em vias públicas
H. Geofísica – Batimetria na lagoa Mundaú
I. Geofísica – Eletrorresistividade
J. Geofísica – Gravimetria
K. Geofísica – Audiomagnetotelúrico (AMT)
L. Geofísica − Sismologia
M. Hidrogeologia
N. Integração de dados geológicos e de extração de sal em ambiente 3D
Volume III − Sistema de Informações Geográficas
Reúne as informações vetoriais e matriciais georreferenciadas (geoinformação) utilizadas ou
geradas pelo presente estudo, organizadas no Sistema de Informação Geográfica (SIG), para
uso em softwares de geoprocessamento. Os dados estão no formato shapefile, com projeção
cartográfica Universal Transversa de Mercator (UTM) 25S, Datum SIRGAS2000.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 7
MATERIAIS E MÉTODOS .......................................................................................................... 11
AQUISIÇÃO DOS DADOS ......................................................................................................... 12
PROCESSAMENTO E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS ......................................................... 13
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ..................................................................................... 17
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................................... 18
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Volume II - Relatórios Técnicos: L. Geofísica – Sismologia
INTRODUÇÃO
A Rede Sismográfica do Brasil (RSBR), através de estações sismográficas da Rede
Sismográfica do Nordeste do Brasil (RSISNE, sub-rede da RSB), operada pela Universidade
Federal do Rio Grande do Norte, detectou um evento de 2,4 de magnitude regional (mR) na
cidade de Maceió no dia 3 de março de 2018 às 17h30 UTC (14h30, hora local). A estação
mais próxima do epicentro está no município de Anadia (AL), a aproximadamente 60
quilômetros (km) de distância do epicentro, conforme mostrado na figura 1. Para se ter um
comparativo da energia sísmica irradiada neste evento no Bairro de Pinheiro, Maceió (AL), os
colapsos de cada uma das Torres Gêmeas do Word Trade Center em 11 de setembro de
2001, provocaram magnitudes comparáveis de 2,1 e 2,3 de magnitude local (ML) (Kim et al.
2001).
Figura 1. Mapa de localização da estação NBAL (triângulo vermelho) e epicentro preliminar (com pelo
menos 5 km de erro epicentral).
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A figura 2 mostra o registro da estação NBAN (componente vertical do movimento) filtrado
entre 1 e 5 Hz. Nesta figura estão marcadas as chegadas das ondas P, S e de superfície (Rg).
A diferença de tempo entre a P e S é de aproximadamente 7 segundos (s), o que dá uma
distância epicentral de 57 km, considerando uma velocidade média das ondas P e S na crosta
de 6,0 km/s e 3,5 km/s, respectivamente (Shihadeh 2015). A onda de superfície, segundo
nossa marcação na figura 2, chega 4,7 s após a onda S e viaja a velocidade de
aproximadamente 2,7 km/s e é consistente com valores de tomografia obtidos
independentemente por Dias et al. (2015).
Figura 2. Sismograma (componente vertical) do evento ocorrido no Bairro do Pinheiro, em 03/03/2018,
às 17h30 (UTC), 14h30 (hora local). A amplitude medida no eixo y é proporcional à velocidade do solo.
Pela presença majoritária de energia sísmica em forma de ondas de superfície, percebe-se
claramente que a fonte sísmica está próximo à superfície e não se trata de um evento
tectônico causado por uma falha no embasamento, por exemplo. Sismogramas deste tipo são
mais característicos de energia sísmica gerada por explosões próximas à superfície como
detonação em pedreiras, colapso de edificações (Kim et al. 2001) ou colapso de estruturas
rasas (até 1 km) (e.g.: Teyssoneyre et al. 2002).
A estação NBCA instalada em Caruaru (PE), também da RSISNE, registrou o evento,
conforme mostra a figura 3. Esta estação está a 151 km de distância do epicentro. Por conta
da maior distância, as ondas de superfície são as que melhor aparecem no sismograma. Nos
demais registros de estações que foram analisados (alguns registros foram de estações a 415
km de distância), a conclusão é que as ondas de superfície dominam o sinal.
O estado de Alagoas apresenta uma das menores atividades sísmicas do Brasil, não tendo
em seu histórico, no catálogo de eventos da RSBR, eventos com magnitudes superiores a
3.4, diferentemente de outros estados do Nordeste com eventos registrados na década de 80
superando a magnitude de 5. Na tabela 1 são apresentados os eventos sísmicos registrados
no Catálogo Sísmico Brasileiro. Vale ressaltar que nem todos os eventos que possam ter
ocorrido estão presentes no catálogo, devido a diversos fatores, como por exemplo, o fato de
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um evento de menor magnitude não ter sido detectado instrumentalmente ou haver relatos de
pessoas acerca do evento. Por exemplo, em 15 de junho de 1961, há registros de jornais com
a descrição de ocorrência de um evento sísmico na região de Pilar, afetando as regiões de
Bebedouro e lagoa Manguaba (notícias publicadas nos jornais: A Noite (RJ) 15/06/1961,
Jornal de Alagoas – 17/06/1961).
Figura 3. Sismograma (componente vertical) do evento ocorrido no Bairro do Pinheiro, em 03/03/2018,
às 17h30 (UTC), 14h30 (hora local). A amplitude medida no eixo y é proporcional à velocidade do solo.
O eixo x está em segundos. A clara chegada da onda de superfície é mostrada (Rg).
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Tabela 1. Eventos sísmicos ocorridos no estado de Alagoas do Catálogo Sísmico Brasileiro.
Hora
Ano Data (UTC) Latitude Longitude Magnitude Estado Localidade
1954 -9.930 -36.490 3.0 AL JUNQUEIRO
1972 04/03 21:45 -9.930 -36.490 3.4 AL JUNQUEIRO
1979 29/05 20:58 -9.730 -37.460 2.4 AL [Link] ACUCAR ?
1990 23/11 04:49 -9.310 -36.420 2.5 AL [Link] Indios
1991 14/4 15:45 -9.750 -37.420 2.0 AL P. de Acucar
1994 6/4 12:18 -9.750 -36.540 2.8 AL Junqueiro
1998 19/11 15:19 -9.660 -37.000 2.5 AL Jaramataia
2003 3/12 23:33 -9.610 -34.280 3.3 AL Margem Cont.
2006 8/1 01:54 -10.070 -36.930 3.4 AL Sao Bras
2015 18/2 -9.92 -36.93 1.6 AL Traipu
2016 22/2 -9.58 -37.4 2 AL São José da Tapera
2016 23/2 -9.57 -37.39 2.1 AL São José da Tapera
2016 29/2 -9.81 -37.24 1.8 AL Maravilha
2016 3/3 -9.64 -36.77 2 AL Craíbas
2016 9/3 -9.73 -35.65 2.5 AL Marechal Deodoro
2016 1/4 -9.36 -36.07 1.9 AL Capela
2016 23/4 -9.62 -36.6 2.8 AL Coité do Nóia
2016 13/5 -9.69 -36.43 1.9 AL Limoeiro de Anadia
2016 20/6 -9.8 -37.2 1.7 AL Belo Monte
2016 12/6 -10.32 -36.45 2.3 AL Penedo
2016 30/8 -9.97 -36.44 1.7 AL Teotônio Vilela
2016 12/9 -9.94 -36.27 1.9 AL Limoeiro de Anadia
2016 12/9 -9.86 -36.06 1.3 AL Limoeiro de Anadia
2016 12/9 -9.14 -36.12 2.2 AL Santana do Mundáu
2016 12/9 -9.67 -36.4 1.1 AL Limoeiro de Anadia
2016 15/9 -9.66 -36.05 1.5 AL Pilar
2018 3/3 17:30 -9.57 -35.73 2.4 AL Maceió
2018 16/5 09:24 -9.80 -37.24 1.7 AL Belo Monte
2018 21/10 15:46 -9.41 -35.61 2.0 AL Paripueira (AL)
2019 18/03 02:17 -9.85 -36.90 2.7 AL Feira Grande
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MATERIAIS E MÉTODOS
A Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), por intermédio da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte (UFRN), que é a responsável pelas estações sismográficas no nordeste do
Brasil, instalou seis estações sismográficas no bairro do Pinheiro, Maceió (AL), com apoio da
CPRM e Defesa Civil Estadual (Alagoas). Estes equipamentos medem a vibração terrestre de
qualquer origem, terremotos, explosões e vibrações locais que possam ocorrer nas
proximidades da estação.
Entre os dias 29 de janeiro e 1º de fevereiro de 2019 foi realizada a campanha de instalação
dos sensores no bairro do pinheiro. A distribuição dos equipamentos foi realizada buscando
otimizar as chances de detecção de microtremores e considerando ainda questões de
segurança dos equipamentos e baixos níveis de ruído.
Todos os equipamentos utilizados pertencem a UFRN, os quais foram realocados de outros
projetos para serem instalados provisoriamente e iniciar os trabalhos de monitoramento
sísmico do bairro do Pinheiro, em Maceió (AL). Vale ressaltar que para essa atividade ter
continuidade será necessária a compra de equipamentos específicos para tal fim
Figura 4. Estações sismográficas da rede local no bairro do Pinheiro, Maceió (AL).
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Na figura 5 são apresentadas as estações sismográficas instaladas em dois locais distintos
em Maceió (AL). Os equipamentos utilizados foram:
3 registradores modelo Geotech Smart 24R de 3 canais 24 bits + sensor LNG 203 PMD
Scientific (Geofone Triaxial período curto de 10 Hz), com sistema de GPS modelo Trimble
Acutime 2000;
2 registradores REFTEK modelo DAS130 e 130G de 3 canais e 24 bits + sensores de
período curto, modelo Spregnether de 2 Hz, com sistema GPS Garmin 130 GPS/02 GPS
16X/HVS CAN 310;
1 acelerógrafo modelo REFTEK 130-SMHR, 1 Hz, 3 canais, 64 bits, com sistema de GPS
Garmin;
1 acelerógrafo modelo REFTEK 130-SMHR, 3 canais, 64 bits, com sistema de GPS
Garmin.
Figura 5. Estações instaladas na região.
AQUISIÇÃO DOS DADOS
As estações sismográficas registram dados com uma taxa de amostragem de 500 amostras
por segundo. Esses dados são registrados nos discos internos dos equipamentos e podem
ser retransmitidos para uma central via internet.
No entanto, devido a problemas locais, como falta de acesso à rede de internet, apenas uma
estação está transmitindo dados em tempo real. Desta forma, foram realizadas, pelos técnicos
da UFRN, duas etapas para coleta de dados e manutenção dos equipamentos, em 21 de
fevereiro e em 8 de abril de 2019.
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PROCESSAMENTO E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS
Os dados de todas as estações são avaliados em conjunto, para a identificação de eventos
sísmicos (naturais ou artificiais) e não apenas ruído que possa ter sido registrado em alguma
estação localizada, como ruídos de tráfego de carros. Na figura 6 é apresentado o registro
dos dados nas estações locais de Maceió (AL), com destaque para dois eventos. Registre-se
que as estações sismográficas estão submetidas à interferência de ruídos de origem
antrópica, pois todas elas estão localizadas em área urbana. É esperado, portanto, que
existisse uma dificuldade de detecção e identificação da energia sísmica proveniente destes
microtremores, uma vez que eles podem ser obliterados pelo ruído ambiental a que estão
submetidos.
Além disso, nem todos os eventos sísmicos que ocorrem no bairro Pinheiro apresentam as
assinaturas características dos eventos sísmicos tradicionais, pelo motivo de ser um
movimento de liberação lenta de energia, o que dificulta a identificação e classificação dos
sismos, pois é difícil separá-los do ruído local, considerando ainda que num ambiente urbano
o nível de ruído é bastante alto.
Na figura 7 são apresentados dois gráficos: o primeiro mostra eventos confirmados e
localizados pela rede local e o segundo variações do nível de ruído na estação MAC6, que
transmite os dados, que podem ser eventos ou ruídos locais (ainda em processo de avaliação
na data deste relatório).
Figura 6. Registro e identificações de eventos nas estações da rede local instalada em Maceió- Al.
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As figuras 8 e 9 mostram dois exemplos de registros de eventos sísmicos que ocorreram na
região, nos dias 6 (08h15min UTC) e 10 (18h23min UTC) de fevereiro de 2019. Ambos os
dados estão filtrados entre 1 e 5 Hz.
Figura 7. À esquerda: eventos sísmicos confirmados, registrados na rede local. À direita: perturbações
sísmicas ocorridas na estação MAC6 (que transmite os dados) que necessitam de classificação com
base nos dados das outras estações, para separar ruídos e eventos.
Figura 8. Eventos sísmicos às 08h15 (UTC) do dia 6 de fevereiro de 2019.
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Figura 9. Eventos sísmicos às 18h23 (UTC) do dia 10 de fevereiro de 2019.
As figuras 8 e 9 mostram que os eventos possuem duração de 5-10 segundos. Tal registro
pode ser interpretado como um deslizamento de longa duração (5-10s) entre dois blocos, ou
um múltiplo rompimento entre blocos com durações menores (1s). A natureza exata da fonte
sísmica necessita de estudos mais aprofundados.
A figura 10 mostra o mapa epicentral preliminar de seis eventos que puderam ser localizados.
A imprecisão na estimativa da profundidade é maior que 1 km. É necessário que estes
posicionamentos sejam aprimorados utilizando outros métodos de localização e também que
os parâmetros do modelo de velocidade das ondas sísmicas seja melhor determinado (obter
este resultado do levantamento sísmico). Para a localização apresentada na figura 10, os
eventos aparentam estar abaixo da Lagoa Mundaú e também sob o Bairro do Pinheiro.
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Figura 10. Mapa epicentral preliminar com os eventos localizados como círculos vermelhos e a
localização das estações representas por triângulos azuis.
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CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
O estudo mostrou até o presente momento:
i – Há atividade sísmica no Bairro de Pinheiro;
ii – A atividade sísmica é registrada desde o início da instalação da rede sismográfica;
iii – Há um alto nível de ruído (ambiental) que oblitera a chegada das ondas sísmicas destes
pequenos eventos.
Recomenda-se:
i – Melhorar a localização utilizando outros métodos de localização dos hipocentros;
ii – Obtenção de parâmetros de modelos de velocidades provenientes do recente
levantamento sísmico realizado no Bairro do Pinheiro;
iii – Ampliação da rede sismográfica e torna-la de caráter permanente. Inclusive, pode-se
pensar na possibilidade de instalar os sensores em subsuperfície para minimizar o ruído
ambiental registrado e melhorar a localização dos eventos;
iv – Melhor caracterização da duração e origem da fonte sísmica.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Borborema Province, NE Brazil, from ambient seismic noise. Pure and Applied Geophysics,
v. 172, n. 6, p. 1429-1449, 2015.
KIM, W. Y.; SYKES, L. R.; ARMITAGE, J. H.; XIE, J. K.; JACOB, K. H.; RICHARDS, P. G.;
WEST, M.; WALDHAUSER, F.; ARMBRUSTER, J; SEEBER, L.; DU, W. X.; LERNER-LAM,
A. Seismic waves generated by aircraft impacts and building collapses at World Trade Center,
New York City. EOS: Transactions American Geophysical Union, v. 82, n. 47, p. 565-571,
2001.
SHIHADEH, H. L. Utilização de sismos regionais para a determinação de um modelo 1D
de velocidades da onda P na Província Borborema - NE do Brasil. 2015. 64f. Dissertação
(Mestrado) - Centro de Ciências Exatas e da Terra, Universidade Federal do Rio Grande do
Norte, Natal, 2015.
TEYSSONEYRE, V.; FEIGNIER, B.; ŠILÉNY, J.; COUTANT, O. Moment tensor inversion of
regional phases: application to a mine collapse. In: TRIFU, C. I. (Ed.) The Mechanism of
Induced Seismicity. ede: Basiléia, Suíça: Birkhäuser, 2002. p.111-130.
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