SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM
ESTUDOS SOBRE A INSTABILIDADE
DO TERRENO NOS BAIRROS PINHEIRO,
MUTANGE E BEBEDOURO, MACEIÓ (AL)
Volume II
RELATÓRIOS TÉCNICOS
B. Levantamento Interferométrico
Rio de Janeiro, maio de 2019
MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA
Ministro de Estado
Bento Albuquerque
Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral
Alexandre Vidigal de Oliveira
SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM
DIRETORIA EXECUTIVA
Diretor Presidente
Esteves Pedro Colnago
Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial
Antônio Carlos Bacelar Nunes
Diretor de Geologia e Recursos Minerais
José Leonardo Silva Andriotti
Diretor de Infraestrutura Geocientífica
Fernando Pereira de Carvalho
Diretor de Administração e Finanças
Juliano de Souza Oliveira
MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA
SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL
SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM
ESTUDOS SOBRE A INSTABILIDADE
DO TERRENO NOS BAIRROS PINHEIRO,
MUTANGE E BEBEDOURO, MACEIÓ (AL)
Volume II
RELATÓRIOS TÉCNICOS
B. Levantamento Interferométrico
Autoria
Leandro Galvanese Kuhlmann
Bruce Fabini Franco Chiba
Daniel Moreira
Denílson de Jesus
Juliana Moraes
Maria Adelaide Mansini Maia
Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff
Validação em campo
Heródoto Goes
Bruno Eldorf
Gilmar Pauli Dias
Juliana Moraes
Leandro Galvanese Kuhlmann
Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff
Rodrigo Luiz Gallo Fernandes
José Antônio da Silva
Rubens Pereira Dias
Fernando Lúcio Borges Cunha
Rio de Janeiro, maio de 2019
COORDENAÇÃO INSTITUCIONAL
Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial (DHT): Antônio Carlos Bacelar Nunes
COORDENAÇÃO TÉCNICA-EXECUTIVA
Coordenador-Geral: Thales de Queiroz Sampaio
Coordenação técnica: Maria Adelaide Mansini Maia e Jorge Pimentel, Departamento de Gestão Territorial
(DEGET)
Assessoria: Helion França Moreira e Ricardo Moacyr de Vasconcellos, Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial
(DHT)
Estudos de geologia aplicada: Sandra Fernandes da Silva, Divisão de Geologia Aplicada (DIGEAP)
Estudos de geomorfológicos e historicidade da ocupação: Marcelo Eduardo Dantas, Divisão de Gestão
Territorial (DIGATE)
Estudos hidrogeológicos: Fernando Antônio Carneiro Feitosa, Departamento de Hidrologia (DEHID)
Estudos geofísicos: Lucia Maria da Costa e Silva, Gerência de Geologia e Recursos Minerais/Sup. [Link] Belém
(GEREMI/SUREG-BE), e Luiz Gustavo Rodrigues Pinto, Divisão de Sensoriamento Remoto e Geofísica (DISEGE)
Estudos batimétricos: Hortência Assis, Divisão de Geologia Marinha (DIGEOM)
Estudos cartográficos: Fabio Costa, Divisão de Cartografia (DICART)
Modelagem geológica em ambiente 3D: Ricardo Wosniak e Eduardo Grissolia, Divisão de Economia Mineral e
Geologia Exploratória (DIEMGE)
Geoprocessamento: Denilson de Jesus, Divisão de Geoprocessamento (DIGEOP)
EQUIPE TÉCNICA
Alexandre Borba (Geólogo) Lúcia Maria da Costa e Silva (Geóloga)
Alexandre Lago (Geólogo) Luiz Antônio R. Almendra (Téc. em Geociências)
Amaro Luiz Ferreira (Geólogo) Luiz Gustavo Rodriguez Pinto (Geofísico)
Bruce Fabini Franco Chiba (Geofísico) Marcelo Ambrósio Ferrassoli (Geólogo)
Bruno Elldorf (Geólogo) Marcelo de Queiroz Jorge (Geólogo)
Cipriano Gomes de Oliveira (Téc. em Geociências) Marcelo Eduardo Dantas (Geógrafo)
Daniel Moreira (Eng. Cartógrafo) Marcio Junger Ribeiro (Téc. em Geociências)
Dario Dias Peixoto (Geólogo) Márcio Martins Valle (Oceanógrafo)
Denilson de Jesus (Eng. Cartógrafo) Maria Adelaide Mansini Maia (Geóloga)
Eduardo Moussalle Grissolia (Geólogo) Marília de Araújo Costa Rodrigues (Geofísica)
Eugênio Pires Frazão (Geólogo) Nilo Costa Pedrosa Júnior (Geólogo)
Fábio Silva da Costa (Eng. Cartógrafo) Patrícia Duringer Jacques (Geóloga)
Fernando Antônio Carneiro Feitosa (Geólogo) Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff (Geólogo)
Fernando Lúcio Borges Cunha (Geólogo) Rafael Corrêa de Melo (Geólogo)
Giana Grupioni Rezende (Eng. Cartógrafo) Ricardo Cavalcanti Santiago (Geofísico)
Gilmar Pauli Dias (Geólogo) Ricardo Duarte de Oliveira (Eng. Cartógrafo)
Heródoto Goes (Geólogo) Ricardo Wosniak (Geólogo)
Hiran Silva Dias (Analista de sistemas) Roberto Gusmão de Oliveira (Geólogo)
Hortência Maria Barboza de Assis (Geóloga) Rodrigo Luiz Gallo Fernandes (Geólogo)
Ítalo Prata de Menezes (Geólogo) Ronaldo Gomes Bezerra (Geólogo)
Ivan Soares dos Santos (Téc. em Geociências) Rubens Esteves Kenup (Eng. Cartógrafo)
Jairo Jamerson Correia de Andrade (Geofísico) Rubens Pereira Dias (Geólogo)
João Batista Freitas de Andrade (Geólogo) Sandra Fernandes da Silva (Geóloga)
Jorge Pimentel (Geólogo) Thales de Queiroz Sampaio (Geólogo)
Jose Antônio da Silva (Geólogo) Thiago Dutra dos Santos (Geólogo)
Juliana Moraes (Geóloga) Tiago Antonelli (Geólogo)
Júlio Cesar Lana (Geólogo) Valter José Marques (Geólogo)
Larissa Flávia Montandon Silva (Geóloga) Vanildo Almeida Mendes (Geólogo)
Leandro Galvanese Kuhlmann (Geólogo) Victor Augusto Hilquias Silva Alves (Geólogo)
Loury Bastos Mello (Geóloga)
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO
Warley Aparecido Pereira (Jornalista)
Letícia de Barros Alves Peixoto (Jornalista)
Pedro Henrique Pereira dos Santos (Comunicador Organizacional)
ASSESSORIA JURÍDICA
Vilmar Medeiros Simões (Consultor Jurídico)
COLABORAÇAO E AGRADECIMENTOS
Prof. Dr. Aderson Farias do Nascimento, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
Prof. Dr. André Etienne Ferraz, Universidade Federal Fluminense (UFF)
Prof. Dr. André Ferrari, Universidade Federal Fluminense (UFF)
Prof. Dr. Emanuel Jardim de Sá, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
Geólogo Guilherme Estrela, Ex-diretor de Exploração e Produção da Petrobras
Prof. Dr. Luiz Antônio Pierantonni Gamboa, Universidade Federal Fluminense (UFF)
Geólogo Ricardo Latgé Milwart de Azevedo, Conselho-Diretor do Clube de Eng. e Conselheiro do Conselho
Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ)
Prof. Me. Abel Galindo Marques, Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Profa. Dra. Regla Toujaguez La Rosa Massahud, Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Prof. Me. Nagib Charone, Universidade Federal do Pará (UFPA)
Governo do Estado de Alagoas
Prefeitura de Maceió
Defesa Civil Nacional
Defesa Civil do Estado de Alagoas
Defesa Civil de Maceió
59° Batalhão de Infantaria Motorizada
Equatorial Energia Alagoas
United States Geological Survey (USGS)
APOIO CPRM
Coordenação de Eventos e Cerimonial (DIG) Divisão de Cartografia (DICART)
Departamento de Gestão Territorial (DEGET) Divisão de Informática (DIINFO)
Departamento de Hidrologia (DEHID) Superintendência Regional de Belém (SUREG-BE)
Departamento de Administração de Material e Superintendência Regional de Belo Horizonte
Patrimônio (DEAMP) (SUREG-BH)
Departamento de Contabilidade, Orçamento e Superintendência Regional de Goiânia (SUREG-GO)
Finanças (DECOF) Superintendência Regional de Manaus (SUREG-MA)
Departamento de Informações Institucionais (DEINF) Superintendência Regional de Recife (SUREG-RE)
Divisão de Editoração Geral (DIEDIG) Superintendência Regional de Salvador (SUREG-SA)
Divisão de Gestão Territorial (DIGATE) Superintendência Regional de São Paulo (SUREG-SP)
Divisão de Geologia Aplicada (DIGEAP) Residência de Fortaleza (REFO)
Divisão de Sensoriamento Remoto e Geofísica (DISEGE) Residência de Porto Velho (REPO)
Divisão de Geologia Marinha (DIGEOM) Residência de Teresina (RETE)
Divisão de Economia Mineral e Geologia Exploratória Escritório do Rio de Janeiro
(DIEMGE) Sede Administrativa Brasília/DF
Divisão de Geoprocessamento (DIGEOP)
APRESENTAÇÃO
Historicamente, o bairro Pinheiro, localizado no município de Maceió (AL), vem apresentando
inúmeras fissuras, trincas, rachaduras e afundamentos em moradias e vias públicas. O fenômeno
se intensificou com a forte chuva de verão de 15 fevereiro de 2018 e o evento sísmico de
magnitude regional igual a 2,4 de 3 de março de 2018 ocorridos na região, que levaram inclusive
à interdição de diversas moradias.
Em decorrência, foi solicitada a presença de técnicos do Serviço Geológico do Brasil - CPRM
por meio dos ofícios nº 044/2018 – CEDEC-AL e nº 34/2018 – PJC/MPE/AL para auxiliar na
investigação das causas do fenômeno responsável pelos danos gerados a alguns imóveis e vias
públicas localizados no bairro Pinheiro, posteriormente identificados também nos bairros vizinhos
do Mutange e Bebedouro, o que levou à extensão da investigação.
Os resultados obtidos até a presente data pelos diversos métodos investigativos utilizados pela
CPRM no período de junho de 2018 a abril de 2019 estão organizados nos seguintes três
volumes, com pormenores sobre a metodologia utilizada, de modo a responder a portaria MME
n° 20 de 11 de janeiro de 2019, que se refere à designação do Serviço Geológico do Brasil para
elucidar as causas do fenômeno.
Volume I − Estudos sobre a instabilidade do terreno nos bairros Pinheiro, Mutange e
Bebedouro, Maceió (AL): relatório síntese dos resultados nº 1.
Apresenta os principais resultados obtidos nas investigações de forma resumida e adequada ao
público não especialista.
Volume II − Relatórios Técnicos
Compreende os seguintes relatórios que embasaram o volume I, que poderão sofrer seja
atualização, seja aprofundamento, com o avanço dos trabalhos ou aquisição de novas
informações:
A. Mapa de feições de instabilidade do terreno
B. Levantamento interferométrico
C. Levantamento cartográfico
D. Aspecto geológico e estrutural
E. Aspecto geomorfológico e do histórico de ocupação do bairro
F. Caracterização geológico-geotécnica
G. Geofísica – Radar de Penetração do Solo (GPR) em residências e em vias públicas
H. Geofísica – Batimetria na lagoa Mundaú
I. Geofísica – Eletrorresistividade
J. Geofísica – Gravimetria
K. Geofísica – Audiomagnetotelúrico (AMT)
L. Geofísica − Sismologia
M. Hidrogeologia
N. Integração de dados geológicos e de extração de sal em ambiente 3D
Volume III − Sistema de Informações Geográficas
Reúne as informações vetoriais e matriciais georreferenciadas (geoinformação) utilizadas ou
geradas pelo presente estudo, organizadas no Sistema de Informação Geográfica (SIG), para
uso em softwares de geoprocessamento. Os dados estão no formato shapefile, com projeção
cartográfica Universal Transversa de Mercator (UTM) 25S, Datum SIRGAS2000.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ................................................................................................... 7
PROCESSAMENTO E INTERPRETAÇÃO ....................................................... 8
ANÁLISE GERAL DOS DADOS ....................................................................... 8
ANÁLISE CINEMÁTICA: VELOCIDADE E ACELERAÇÃO ............................. 8
MOVIMENTAÇÃO DO TERRENO ................................................................... 10
CORRELAÇÃO COM AS FEIÇÕES DE EVIDÊNCIAS DO FENÔMENO ....... 14
DISCUSSÃO DOS RESULTADOS .................................................................. 15
CONCLUSÃO .................................................................................................. 16
APÊNDICE A ................................................................................................... 17
RELATÓRIO: ANÁLISE DE DEFORMAÇÃO DE TERRENO ATRAVÉS DA
TÉCNICA PSP-IFSAR – TELESPAZIO
Estudos sobre a instabilidade do terreno nos bairros Pinheiro, Mutange e Bebedouro, Maceió (AL)
Volume II - Relatórios Técnicos: B. Levantamento Interferométrico
INTRODUÇÃO
O presente relatório apresenta a análise dos resultados de interferometria adquiridos para
o bairro Pinheiro e seu entorno (Fig. 1), no período de abril de 2016 a dezembro de 2018.
O estudo adquirido teve como objetivo promover a análise de deformação de terreno
através da técnica PSP-IFSAR.
Figura 1. Área de interesse delimitada pelo polígono vermelho.
A análise PSP-IFSAR dos dados SAR do COSMO-SkyMed foram adquiridos em geometria
ascendente. O conjunto de dados usado no processamento PSP-IFSAR compreende 60
imagens SAR com resolução espacial de 3 m x 3 m. Os estudos foram realizados pela
empresa TELESPAZIO, cuja informações sobre a técnica e resultados encontra-se
disponibilizado no Relatório 01/2019 e banco de dados associado. (APÊNDICE A - VOLUME
II)
Cerca de 1 milhão de pontos (Persistent Scatterers – PS) foram analisados ao longo dos anos
de 2016, 2017 e 2018, com coerência (qualidade da informação) entre 0 e 1, indicando um
alto nível de confiabilidade dos resultados. O banco de dados gerado fornece medidas
referentes a posição do PS, velocidade média do PS no período analisado (coordenadas
geográficas) em milímetros por ano (mm/ano) e evolução temporal do deslocamento do PS
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Estudos sobre a instabilidade do terreno nos bairros Pinheiro, Mutange e Bebedouro, Maceió (AL)
Volume II - Relatórios Técnicos: B. Levantamento Interferométrico
(mm). Nos valores apresentados para a área de estudo, o SAR é praticamente insensível aos
movimentos na direção Norte-Sul (N), enquanto é sensível aos movimentos na direção Leste-
Oeste (E) e particularmente sensível aos movimentos verticais (direção H).
As informações detalhadas sobre a técnica de levantamento PSP IFSAR, descrição do
conjunto de dados fornecidos, etapas de processamento e uma breve análise dos resultados
encontram-se disponível no APÊNDICE A - VOLUME II
A seguir são apresentadas análises dos resultados produzidos pela Telespazio visando
compreender a dinâmica de deformação do terreno e subsidiar tomadas de decisões quanto
à variação de deformação do terreno.
PROCESSAMENTO E INTERPRETAÇÃO
Através do software ArcGIS, QGIS, EXCEL e Oasis Montaj (Geosoft), foi realizada análise
quantitativa e qualitativa dos dados de interferometria e sua comparação com os resultados
obtidos nos demais estudos.
ANÁLISE GERAL DOS DADOS
Primeiramente os dados da interferometria foram analisados de forma global, a partir da
evolução do processo do ponto de vista da movimentação do terreno, ao longo do período
entre 2016 e 2018. Importante ressaltar que a escala de cores aplicada nas imagens não tem
relação com escalas de cores de outros produtos, tais como mapa de feições da CPRM ou de
Risco da Defesa Civil, e tem como única finalidade a representação espacial dos valores aqui
discutidos.
ANÁLISE CINEMÁTICA: VELOCIDADE E ACELERAÇÃO
A presente análise tem por objetivo avaliar a tendência de movimentação durante o período
contratado. Para isso foram considerados apenas os pontos com coerência maior ou igual a
72%, que é a coerência média dos pontos.
A velocidade média (𝑣𝑚 ) é a razão entre a variação de altura (∆ℎ) e o tempo decorrido a partir
do início do estudo:
∆ℎ
𝑣𝑚 =
∆𝑇
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Volume II - Relatórios Técnicos: B. Levantamento Interferométrico
A aceleração média (𝑎𝑚 ), por sua vez, é obtida a partir da razão entre a variação da velocidade
média e o intervalo entre as aquisições:
∆𝑣𝑚
𝑎𝑚 =
∆𝑡
A tabela 1 lista as datas de aquisição dos dados usados na presente análise, para intervalos
aproximadamente semestrais dos dados fornecidos pela TELESPAZIO. O resultado é
mostrado na figura 2.
Tabela 1. Valores utilizados para cálculo da velocidade e aceleração média no período 2016 a 2018.
Tempo decorrido ∆𝑇 Intervalo entre aquisições ∆𝑡
Data Aquisição
(em anos) (em anos)
05/04/2016 0.0000 0.0000
01/12/2016 0.6667 0.6667
07/06/2017 1.1889 0.5222
16/12/2017 1.7222 0.5333
14/06/2018 2.2222 0.5000
07/12/2018 2.7111 0.4889
Figura 2. Evolução de velocidade (acima) e aceleração (abaixo) com intervalo semestral
(aproximadamente).
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Volume II - Relatórios Técnicos: B. Levantamento Interferométrico
A velocidade retrata um movimento de subsidência em uma região de formato
aproximadamente semicircular às margens da lagoa Mundaú. Esse formato pode estar
truncado pela falta de dados sobre a lagoa, uma vez que o levantamento de interferometria
não coleta dados na superfície da água. Logo, a porção não amostrada pode estar sofrendo
subsidência em região relativamente simétrica àquela identificada, como mostra a figura 3.
Figura 3. Projeção do comportamento esperado para a área não amostrada sob a lagoa do Mundaú.
A análise da aceleração média mostra que, entre meados de 2017 e meados de 2018, a região
esteve submetida a um maior desequilíbrio das forças de sustentação do subsolo, tendo
atingido a intensidade máxima no primeiro semestre de 2018. No segundo semestre de 2018,
houve uma diminuição da aceleração do movimento de subsidência, que permaneceu até o
final do período de amostragem, ou seja, a velocidade média de subsidência continuou
aumentando, mas com taxas menores.
MOVIMENTAÇÃO DO TERRENO
Como mencionado, a interferometria mostrou subsidência maior em área na margem leste da
lagoa de Mundaú e, a partir daí o espalhamento radial do fenômeno com intensidades
decrescentes conforme aumenta a distância à área na margem da lagos.
As áreas com subsidência podem ser divididas em três zonas principais: A (bairro Bebedouro),
B (bairro Levada e Bom Parto) e C (bairro Pinheiro, Mutange e Bebedouro). Essas zonas
foram eleitas com base na distribuição espacial dos valores e sua
persistência temporal, para A C B validação no campo. As demais áreas da
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Volume II - Relatórios Técnicos: B. Levantamento Interferométrico
cidade não apresentam padrões condizentes, até o momento, com o objeto do estudo e por
isso não são abordadas em detalhe (Fig. 4).
Figura 4. Tela do mapa de velocidades médias dos PSs da análise PSP-IFSAR dos dados COSMO-
SkyMed.
As zonas A e B abrangem cerca de 0,05 e 0,30 quilômetros quadrados (km²) com
afundamentos médios de 1 e 4 cm/ano, respectivamente. Elas estão associadas às áreas
onde originalmente existiam manguezais, posteriormente aterrados, conforme mostram cartas
topográficas da década de 60, imagens de satélite e levantamento de campo. Ressalta-se
ainda que ao avaliar a movimentação dos terrenos desde 2016 até 2018 (período de obtenção
dos dados) não se vê variação expressiva de velocidade nestas duas áreas que sugira um
afundamento expressivo (Fig. 5).
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Volume II - Relatórios Técnicos: B. Levantamento Interferométrico
Figura 5: Tela do programa visualizador de dados AWARE exemplificando o comportamento
homogêneo de subsidência encontrado nas zonas A e B (proximidades do cruzamento da avenida
Senador Rui Palmeira com a travessa Nova Vida, Levada).
Já a zona C abrange uma área de aproximadamente 2 km², onde se registram subsidência
de diversas magnitudes, afundamentos com taxas irregulares (Fig. 6), que se dissipam de
forma concêntrica a partir de núcleo central na avenida Major Cícero de Góes Monteiro, no
bairro do Bebedouro (proximidades do Casarão Colonial e a Planta química da Braskem), em
direção à avenida Fernandes Lima. Com isso, observa-se que as deformações presentes não
estão subordinadas a um compartimento geológico, geomorfológico ou geotécnico como as
zonas A e B.
Figura 6. Tela do programa visualizador de dados AWARE exemplificando o comportamento irregular
de subsidência encontrados na zona C (cruzamento rua Augusto Calheiros com rua Cônego Cavalcante
de Oliveira, Pinheiro).
A subsidência que afeta a área C foi registrada durante todo o período de monitoramento pela
interferometria. A figura 7 apresenta também dois perfis analisados ao longo do período de
aquisição. O primeiro perfil, mostrado na figura 8, é da Rua Luiz Rizzo, rua que corta a região
de maior subsidência. O segundo perfil, apresentado na figura 9, é da Rua Mario Marroquim,
onde uma das propriedades mais afetadas (nº 491) está localizada.
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Volume II - Relatórios Técnicos: B. Levantamento Interferométrico
Figura 7. Velocidade média (transparência 50%) sobreposta à imagem de satélite em dois momentos
(2016 e 2018). Nota: Legenda de cores na figura 2.
Figura 8. Perfil de elevação e variação da elevação da Rua Luiz Rizzo.
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Estudos sobre a instabilidade do terreno nos bairros Pinheiro, Mutange e Bebedouro, Maceió (AL)
Volume II - Relatórios Técnicos: B. Levantamento Interferométrico
Figura 9. Perfil de elevação e variação da elevação da Rua Mario Marroquim.
CORRELAÇÃO COM AS FEIÇÕES DE EVIDÊNCIAS DO FENÔMENO
Quando comparados os dados da interferometria às feições encontradas no terreno, observa-
se que as rachaduras, trincas, afundamentos e demais feições encontradas nas ruas e
residências dos bairros Pinheiro, Bebedouro e Mutange corroboram a subsidência observada
no mapa interferométrico e indicam deformação concêntrica, conforme se observa nas feições
de instabilidade.
No núcleo central da zona C, coincidente com a área de localização dos poços de extração
de sal, foram observados afundamentos expressivos, como é o caso do hospital psiquiátrico
Miguel Couto, localizado no bairro do Bebedouro, cujo terreno foi parcialmente invadido pela
água da lagoa e agora apresenta uma lâmina d’água de mais de 20 cm. Este e outros edifícios
próximos, bem como residências localizadas na quebra de relevo (encosta da borda do platô)
apresentam trincas e rachaduras que indicam subsidência diferencial do terreno, tanto nas
paredes quanto em pisos.
É notável que a área mais afetada por rachaduras e outros danos a estruturas, está localizada
na região leste do bairro Pinheiro conforme o Mapa de Feições, marcando uma zona
transicional entre a região de maior subsidência e a região estável.
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Estudos sobre a instabilidade do terreno nos bairros Pinheiro, Mutange e Bebedouro, Maceió (AL)
Volume II - Relatórios Técnicos: B. Levantamento Interferométrico
DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
O afundamento rápido verificado na zona C se propaga ao longo das camadas geológicas de
forma radial, diminuindo à medida que se afasta do núcleo até se reduzir significativamente e
indicar uma região de estabilidade.
A análise global dos dados interferométricos sugere um desequilíbrio das forças responsáveis
pela estabilidade geomecânica da região, que pode ser explicado pelos efeitos da atividade
de extração de sal. Os efeitos (rachaduras, fissuras, erosão acelerada, etc.) não se localizam
nas regiões com maior subsidência, mas na região limite entre as áreas de maior subsidência
e as estáveis. Tal fato pode ser explicado por um efeito de tração, já que uma parte desce e
a outra não (Fig. 10). Esse efeito de tração pode ter como origem a abertura de cavidades em
sub superfície (Fig. 11).
Figura 10. Esquema ilustrativo do processo de subsidência e danos causados na superfície do terreno.
Figura 11. Esquema ilustrativo da distribuição de tensões que pode explicar o conjunto de dados
(retângulos brancos correspondem a simulação de cavidades a cerca de 900 m de profundidade).
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Estudos sobre a instabilidade do terreno nos bairros Pinheiro, Mutange e Bebedouro, Maceió (AL)
Volume II - Relatórios Técnicos: B. Levantamento Interferométrico
CONCLUSÃO
A interferometria foi capaz de identificar com precisão milimétrica as deformações do terreno.
Apesar de não determinar diretamente a causa da instabilidade da região, ela foi capaz de
delimitar novas áreas instáveis que inicialmente não haviam sido consideradas.
A deformação mais significativa atingiu as seguintes áreas, com características distintas: zona
A (parte do bairro Bebedouro), B (parte do bairro Levada e Bom Parto) e C (bairro Pinheiro,
Mutange e Bebedouro).
É importante construir cenários de tendências de deformação do terreno, para projetar o
desenvolvimento futuro do processo.
Das hipóteses estabelecidas para a origem da instabilidade na região, os resultados da
interferometria e sua comparação com os resultados parciais dos demais estudos permitem
afirmar:
Características geotécnicas dos solos da região e forma de ocupação do bairro: A
ocupação em áreas de manguezais são causas prováveis da subsidência nas áreas A e
B;
Estruturas/feições tectônicas ativas na região (falhas e descontinuidades, por
exemplo): A deformação observada na interferometria possui características distintas
daquelas esperadas para movimentos de origem tectônica, visto que não ocorreu por
blocos, mas pervasiva às unidades geológicas e com formato curvo/côncavo;
Presença de vazios (cavidades, cavernas) no solo e subsolo da região, decorrente
de causas naturais ou de ações antrópicas: o padrão concêntrico na área C é
compatível com o esperado de uma deformação com origem nas cavidades de extração
de sal e, portanto, corrobora esta hipótese.
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Estudos sobre a instabilidade do terreno nos bairros Pinheiro, Mutange e Bebedouro, Maceió (AL)
Volume II - Relatórios Técnicos: B. Levantamento Interferométrico
APÊNDICE A
RELATÓRIO: ANÁLISE DE DEFORMAÇÃO DE TERRENO ATRAVÉS DA TÉCNICA PSP-IFSAR –
TELESPAZIO
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