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Casos Práticos

O documento apresenta uma série de casos práticos relacionados a contratos de compra e venda, abordando questões de validade, nulidade e incumprimento. Discute a necessidade de autenticação de documentos, a legitimidade das partes em invocar nulidade e as consequências do incumprimento contratual. Também explora a formação de contratos, a responsabilidade por danos em caso de não cumprimento e a possibilidade de anulação de negócios devido a dolo ou coação.

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Casos Práticos

O documento apresenta uma série de casos práticos relacionados a contratos de compra e venda, abordando questões de validade, nulidade e incumprimento. Discute a necessidade de autenticação de documentos, a legitimidade das partes em invocar nulidade e as consequências do incumprimento contratual. Também explora a formação de contratos, a responsabilidade por danos em caso de não cumprimento e a possibilidade de anulação de negócios devido a dolo ou coação.

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Casos práticos:

1. A e B celebraram um contrato de compra e venda relativo a um imovel de


que o primeiro é proprietário. Fizeram-no através de documento assinado
por ambos em casa do comprador. Apesar disso, A entregou o imóvel a B e
B pagou o respetivo pagamento. Passados alguns meses B vendeu o
mesmo imóvel a C. Somente após a celebração é que A intentou a ação de
declaração de nulidade da compra e vende. A declaração de nulidade será
viável?

R: Um documento autenticado é quase o mesmo que a escritura pública, neste


caso, essa era a exigência legal para este tipo de negócios. Um documento
autenticado tem de ser feito por entidade a qual a lei tenha conferido
competência para tal. O documento apresentado é um documento particular
simples, teria de receber autenticação para ser válido. Se falta o documento o
negócio é nulo - art. 259º. Se a parte que não quer a nulidade provar que A
está em abuso de direito porque se criou a convicção mutua que o negócio
estava valido e que nenhum irá invocar a nulidade, então o negócio é valido,
caso contrário, é nulo e tanto A como B e C têm de ser restituidos. Se houver
mais pessoas com legitimidade e interesse em obter a declaração de nulidade
(ex: credor de A), o B não pode invocar abuso porque não foi o credor que
criou expectativas. Logo, nem sempre o abuso é válido. Para além disso, se o B
comprou ao A sem escritura pública, não tem este registo para quando ocorrer
a autenticação do documento particular simples de compra e venda de B para
C, logo também este negócio será nulo.

2. A celebrou com B um contrato de compra e venda de um motociclo de que


era proprietário.
Acordaram que o preço da venda ascenderia a € 3.000,00 e que B
procederia ao seu pagamento na data de entrega do motociclo, acordada
pra o dia 10.09.2024.
Sucede que, no dia de entrega do motociclo B apenas tinha disponível
para entregar a A o montante de € 2.000,00. Tendo, no ato de entrega
solicitado que o pagamento do remanescente fosse efectuado no prazo de
30 dias.
A rejeitou a solicitação de B e recusou-se a entregar-lhe o motociclo,
informando-o que apenas procederia à sua entrega no momento do

Casos práticos: 1
pagamento total acordado (€ 3.000,00), estando disponível para aguardar
mais 15 dias.

1. A conduta de A é admissível? Justifique.

2. Suponha que na data de hoje B ainda não reuniu a quantia acordada e


que A já tem um novo comprador (C). O que poderá A fazer?
Justifique.

1. Este contrato é sinalagmático. É bilateral e portanto, constitui obrigações


reciprocas. Quando assinado, estas obrigações ficaram sujeitos à espera
da compra e venda, acordada para dia 10.09. Na falta do cumprimento de
obrigação de um lado, tem o outro lado legitimidade para também não
cumprir com fundamento em incumprimento, situação criada pela
existência de sinalágma. De acordo com o art. 428 tem A legitimidade para
não cumprir a sua parte do contrato enquanto B também não o fizer. Mora:
incumprimento temporária;

2. Condição resolutiva tácita (801 nº2): mantém-se a mesma lógica, se uma


não cumpre a outra também tem legitimidade para não cumprir. No entanto
neste caso, o incumprimento é definitivo, nessas circunstâncias, deste
modo, a parte que está em condições de cumprir tem direito de fazer
cessar o contrato. Não é preciso clausular isto, se o contrato é
sinalagmatico isso está implicito e resulta da lei.

O facto de haver um atraso no cumprimento não extingue o contrato mas


permite à outra parte a resolução do contrato desde que reunidos os
requisitos para tal. art. 808

💡 artigos importantes : ex da validade do art. 923º. ex. 1054º; art. 222º;


art. 234º

3. Caso prático:

A promove a venda de maquinas de papel do modelo y, já usadas.

Casos práticos: 2
B mostrou-se interessado na aquisição de uma máquina para aproveitar o
respetivo cilindro.

Após várias negociações B remeteu a A um email com data de 21 de junho de


2017 com o seguinte conteúdo: “oferecemos 32 mil euros pela máquina; o
pagamento realizar-se-á diante de transferência bancária.”.

A limitou-se a enviar um email a B em 24.06 de 2017 fornecendo-lhe o seu nib.


→ Estaria B vinculado ao pagamento do preço?

R: Existe uma declaração: proposta e uma aceitação. O contrato está fechado.


As declarações por ação designam-se expressa (Supõe um meio direto de
manifestação de vontade, indubitável) e tácita e por inação- silencio. No caso
concreto temos uma ação, um comportamento. Da conduta do A resulta a
aceitação, resulta um contrato daí podemos retirar que os efeitos produzem-
se. Como a lei não exige nenhuma forma para compra e venda de coisa móvel,
então o contrato foi celebrado e é válido. Há formas de enviar e no segundo
seguinte eliminar, não se conseguindo provar isto suscita duvidas se isto, de
facto, vale.

4. A empresa "MDL - Marketing Digital, Lda" realizou um concurso para a


selecção de um trabalhador especialmente qualificado. Na sequência da
realização do concurso foi selecionada a candidata Benedita, combinando-
se com a mesma uma data para celebração do contrato de trabalho e início
da atividade profissional. A candidata não compareceu na data acordada e
desrespeitou outras datas depois acordadas, acabando por esclarecer que,
por razões de saúde, nunca poderia aceitar o lugar em causa.
Devido à conduta de Benedita o concurso ficou inutilizado.

Identifique os elementos que compõe o processo típico de formação do


contrato e
diga os mesmos estão presentes na hipótese.
Pronuncie-se juridicamente quanto ao comportamento adotado por
Benedita e suas
consequencias.

R: proposta: a empresa realizou uma proposta a Benedita, caso no âmbito do


concurso a empresa tenha informado Benedita de todas as formalidades e
elementos essenciais do trabalho - então foi realizada um convite a contratar.

Casos práticos: 3
Este foi firme (tem de manifestar uma vontade inequivoca de vontade, não ser
um teste de interesses), completa (horario, salario, funções especificas, local) -
possuir elementos essenciais e por fim, com forma legal suficiente (a empresa
redigiu o contrato para Benedita o assinar) - fase que não se verifica neste
caso. Fase pré contratual.

declaração/ aceitação: ao comparecer na entrevista Benedita demonstra-se


interessada, criando a expectativa de que iria assinar o contrato. A
aceitação tem de ser pura e simples, tudo o que meter contra-partidas já
não constitui aceitação, rejeição acompanhada de contra-proposta. , se for
preciso - aceitação. Art. 233). Para este efeito, a lei exige contrato, contrato
esse que não foi assinado.

1. Benedita gerou expectativas, tendo que responder pelos danos causados.


Art. 253 fala do dolo. Neste caso, sendo uma fase-contratual, visto não
estarem cumpridos os requisitos legais, existem determinadas
responsabilidades que devem ser cumpridas:

dever lealdade

dever proteção

dever esclarecimento

O 227 enuncia que temos de proceder segundo as regras de boa-fé, podem


ser divididas em 3 modalidades típicas de dever, nomeadamente as que estão
apresentadas anteriormente. Neste caso, há uma violação do dever de
esclarecimento, tanto como no dever de lealdade, não esteve presente a
lealdade, há aqui sempre uma proximidade entre ambos. O dever de proteção,
neste caso, relaciona-se mais com proteção de direitos como direito a vida, a
integridade fisica, etc.. O dever de lealdade aplica-se mais no caso em que há
um quebra repentina das negociações, por exemplo, porque surgiu uma
proposta melhor. Ao provar que foram causados danos por esta conduta, deve
haver responsabilidade nos termos do artigo 227 - colocar no local onde
estiver se não tivesse havido essa conduta ilicita. Claro que tem de provar que
a pessoa o faz com dolo, que soube da doença depois de ser selecionada.

Proposta Aceitação

Completa Pura

firme simples/ firme - inequívoca

Casos práticos: 4
suficientemente formal Conforme (confimação)

Há uma diferença entre uma proposta e um convite a contratar.

5. O vendedor obrigou-se a cortar e a entregar a madeira, mas enquanto não


for feito o corte, é propriedade do vendedor, visto este ser proprietário do
solo. Como é que em termos práticos, o comprador consegue obrigar o
vendedor a proceder à entrega - atuar sobre algo que não é dele? os
negócios sobre coisa futura são implicitamente sob condição, aplicam-se
as regras do 272 e 273 - atos conservatórios e boa-fe. Enquanto se está à
espera - nesse periodo designado pendencia da condição há uma
expectativa a favor do comprador, esta é juridica visto que, o comprador
tem o direito de exigir que o vendedor atue de acordo com a boa-fé, para
todos os efeitos o comprador está a intrometer-se sob coisa alheia ao
tentar cortar, a pessoa pode preferir sofrer as consequências do que cortar
- podemos castiga-lo com sanções pecuniarias compulsorias 829 A. O
comprador pode exigir ao tribunal que este estabeleça multa contra o
vendedor, se o vendedor não cumprir por cada dia de atraso paga uma
quantia - maneira de obter o cumprimento mas de uma forma indireta. Pode
dar-se o caso do vendedor preferir pagar todos os dias do que cumprir, aí
pode acrescer responsabilidade civil se o vendedor conseguir provar danos
pela falta de cumprimento, o que é facto é que ate o vendedor ceder o
comprador não tem o bem - 272 - ele próprio fazer o corte mesmo estando
a interferir em bem alheio.

Parte 2:

7. A jurista celebrou com B, seu amigo de longa data e vererinario, o seguinte


acordo:

vende a A o direito a uma semana de férias num apartamento situado num


empreendimento de luxo no algarve propriedade do primeiro;

Casos práticos: 5
o direito extingue-se no dia 31-12-2035 ou quando A falecer;

A paga a B 45.000 a titulo de preço;

Passado uns anos A doou a B um terreno mediante a contrapartida de esta ai


construir uma casota para cuidar de caes abandonados.

a. estes negocios contem alguma clausila acessoria legalmente tipica? qual?


justifique

b. quanto ao segundo negocio, ha alguma consequencia caso B não cumpra


com a contrapartida acima referida? se sim qual? justifique.

a. sim, existe dois termos resolutivo, ambos certos mas um de momento certo
e outro de momento incerto.

b. a clausula é modal, se nao se refere expressamente que faz depender a


producao de efeitos juridos, ha partida sera sempre uma clausula modal.
ver artigos relacionados com isso. Nao é uma condicao mas sim um
encargo, a producao de efeitos nao fica dependente, e uma liberalidade. E
preciso dizer qual a consequencia caso B nao cumpra com a contrapartida.
art.965, 966

8.

Benedito proprietário de uma empresa, no arquipélago da Madeira, que se


dedica ao aluguer de motas de água para utilização em Porto Santo, alugou no
dia 15.07.2023, a pedido de Dionísio, 100 motas de água, para o mês Agosto,
mediante o pagamento de € 2.500,00.
Alguns dias após a celebração do negócio, Dionísio tomou conhecimento que
devido ao derrame de uma grande quantidade de petróleo na zona de Porto
Santo, causado pelo acidente de um petroleiro, estava proibida a utilização das
praias ai existentes, para qualquer finalidade, durante o período mínimo de 2
meses.
Dionísio atenta a informação obtida pretende destruir o negócio celebrado por
estar impedido de utilizar as motas de água. Pode fazê-lo com que
fundamento?

9.

António pretende pedir a sua namorada em casamento. Para o efeito decide


pedir ao seu amigo Bento que o aconselhasse quanto à compra de um anel de

Casos práticos: 6
ouro branco e diamantes. Bento, tendo conhecimento que Carlitos vendia anéis
de imitação e que António dificilmente descobriria tratar-se de uma imitação,
indica Carlitos como o vendedor ideal. Pois caso a venda se concretizasse
receberia 20% do valor. António compra o anel a Carlitos por € 1.500,00.
Ansioso por receber mais dinheiro, Bento decide ameaçar o seu colega de
trabalho, Duarte, dizendo-lhe que lhe parte uma perna, caso este não compre a
Carlitos um anel pelo valor de € 5.000,00. Duarte, inicialmente não acede à
ameaça, mas após ser pontapeado por Bento, acaba por declarar que
comprará o anel a Carlitos, o que efetivamente aconteceu, por forma a evitar
que António lhe partisse a perna.
Pergunta-se:
Podem António e Duarte invalidar os negócios celebrados com Carlitos? Com
que fundamento.

R: dolo em ambito do negocio - declaração da vontade. Vicios da declaração


da vontade.
Os vicios da vontade

erro

medo

O dolo não é um vicio, mas sim um instrumento para causar um vicio - o erro. é
uma qualificação do erro - erro qualificado por dolo. Art, 253

Estamos perante um dolo proviente de terceiro praticado por bento.


Antonio pode invalidar?
Quando há dolo, este pode ser proveniente de terceiro ou do declaratário -
engana o declarante com vista a que este possa celebrar um negocio consigo.
Neste caso, bento atua em dolo com vista a convencer o antonio a comprar o
anel.

Requisitos dolo do declaratário:

1. o dolo causa o erro

2. o erro causa o negocio

Se for de terceiro (como é este caso concreto) acresce um terceiro requisito:

Casos práticos: 7
Que o declaratário soubesse ou devesse saber que terceiro agiu com dolo -
cognoscibilidade

Logo, se o antonio provar isto, entao o negocio é anulavel, neste caso nao
temos elementos suficientes. Provavelmente carlos sabia, nao faria sentido nao
fazer.

Imaginemos que bento disse a carlos que ele nao sabia que eram falsos e que
ele escolheu nao esclarecer, entao estava a atuar com dolo.
Imaginemos que, á dolo de terceiro, e que o declarátário nao sabia e nao tinha
obrigação de saber - não é anulável mas retira-se o beneficio - 254.
Mesmo não provando o dolo, Antonio pode tentar anular o negocio atraves do
erro espontaneo sobre o objeto - requisitos de 251 - remete para o 247 - que
diz os requisitos.

Diferença entre coação de terceiro e dolo de terceiro: no segundo o legislador


exige a cognoscibilidade exatamente por poder tentar com esse outro
fundamento, já no caso da coação já não ocorre isto, a coação provoca o medo
e o medo provoca a anulabilidade.

10. .

Carlos, sabendo que João está em sérias dificuldades financeiras, ameaça-o


de que irá requerer de imediato a sua insolvência se este (João) não doar a
Benedita, em cumprimento do crédito (de que Carlos é titular), uma pulseira
que vale mais do dobro da quantia em dívida. João, que quer evitar a todo o
custo qualquer acção judicial, que faria gorar as negociações com os demais
credores, aceita doar a pulseira a Benedita.

1. i) Pode João invalidar a doação efectuada? Com que fundamento e dentro


de que prazo?

2. ii) Imagine que Benedita vem a descobrir os termos em que a doação foi
efectuada. Pode invalidar a mesma? Fundamente a sua resposta.

R:

1. Aproveita-se da situação para obter beneficios desproporcionais, o outro


está numa situação inferior, de vunerabilidade, indisponibilidade para fazer
negociações - pode ser negocio usurario. a consequencia da usura: 282º -

Casos práticos: 8
anulabilidade. 283 nº1 e nº2: o negócio pode ser modificado segundo
juizos de equidade. Se joao pedi-se para invalidar carlos podia pedir a
modificação devolvendo a parte que excede no valor do anel para que haja
algum equilibrio/ equidade.
Também é relevante, neste caso, a coação moral. Se alguém cometer um
crime contra outro, esse outro pode ameaçar fazer uma queixa crime a não
ser que pague uma indemnização. Mas quando ameaça a insolvencia mas
o faz de maneira que não esta de acordo com os limites da boa-fe incorre
em abuso direito, que é ilicito. Esta a querer obter um beneficio excessivo.
Na hipótese apresentada não há um limite.
Portanto, faria sentido falar no negocio usurario mas tambem na coação
moral. Nº3 do 255: exercicio de um direito mas de forma abusiva, exercido
excessivamente com uma finalidade incompativel com o exercicio do
próprio direito. Exercicio ilicito e anormal de um direito, dai podemos retirar
a conclusão de que há coação moral.

O prazo para o joão invalidar o negócio: não interessa em que data é que o
negócio foi celebrado, o prazo começa a contar após a cessação do vicio
que lhe serve de fundamento (287) - o vicio só deixou de estar em erro
passado um tempo ex. só após um ano descobre que um relogio que
comprou era falso, então o prazo só conta a partir daí.

2. O carlos pede a joão para doar a benedita, sendo esta a beneficiária do


negócio. No meio de tudo isto a benedita é um terceiro. Tratando-se de
nulidade qualquer interessado pode suscitar, se for anulabilidade apenas as
partes (287) Neste caso é o joão que tem a vontade viciada, foi ele que
sofreu a usura, é ele que tem falta de esclarecimento e só o sujeito que tem
esses vicios é que tem legitimidade para anular a menos que a lei dissesse
expressamente o contrário. Quem tem a vontade viciada foi o joão, não a
benedita, esta não pode anular fundamentando que houve usura ou
coação. Pode, no entanto, invocar erro sob a base do negócio ou sob a
pessoa do declaratário. Mesmo que tivesse sido prejudicada, visto que o
critério do prejuizo não existe, não pode invocar isso.

Frequencia final:

11. A celebrou com B um contrato de compra e venda relativo a um terreno de


que o primeiro era proprietário. Na escritura de compra e venda

Casos práticos: 9
estabeleceu-se que o preço seria de 50 mil euros. Contudo o preço pago e
recebido foi, efetivamente, de 150 mil euros.

Entretanto C, proprietário de um terreno contiguo intentou a ação de


preferência pretendendo pagar 50000 mil euros conforme constava da
escritura, teria fundamento para esta pretensão?

R: terreno contiguo: terreno ao lado ou adjacente a outro;


simulação absoluta parcial - preço - nula (240 nº2) - relativa (negócio
dissimulado e simulado) - crime de falsas declarações ou até de fraude
fiscal.
subsiste o negócio dissimulado - se houver reconhecimento na sentença
de anulação do negocio dissimulado junto com a compra e venda efetiva é
válido.
não, sendo o negocio dissimulado válido e tendo este de facto preferencia
(1380º - depende de determinados condicionalismos) - direito de o
preferente se substituir ao comprador; tem de comprar pelo valor do
dissimulado.

como resolver:

1. há simulação

2. significado no geral e neste caso concreto

3. relativa visto haver dois negócios

4. para além disso é objetiva parcial, e as razões

5. fazendo a prova, a compra e venda é nula de acordo com 240 nº2

6. a dissimulada fica submetida as regras próprias da compra e venda

7. haveria um problema - falta de escritura - excessivamente formalista - a


diferença está só no valor

8. a lei permite que o preço não seja fixado logo, no é comum mas é legal

9. a ação de preferencia serve para entrar o c no lugar do b, o c vai ter de


entregar ao b aquilo que o b entregou ao comprador, se b prova que pagou
150

Casos práticos: 10
10. o simulador não pode invocar a simulação contra terceiro de boa-fé -
nestes casos o b pode invocar contra o c que a proteção da boa-fé é para
que o terceiro não seja prejudicado, c não pode provar que sairia
prejudicado - pode não querer comprar o terreno, ele não esta a ser
obrigado - estaria a pagar o valor que realmente vale. Não se pode invocar
a boa fé quando esta apenas serve para dar beneficios.

12. A e B ortogaram uma escritura pública na qual se declarava que o primeiro


vendia ao segundo por 200 mil euros o imóvel x. Na verdade, B pagou 300
mil euros tendo aquele primeiro preço sido declarado apenas para evitar
pagar o valor de int muito elevado. C, que tinha um direito de preferencia
legal naquela venda (nos termos do artigo 1380 CC) enviou uma carta a A e
a B manifestando a vontade de a requerir pelos 200 mil euros inscritos na
escritura.
Qual o preço que C deverá pagar se decidir intentar a ação de preferencia
nos termos de artigo 1410?

R:

1. Provar que é simulação.

2. objetiva ou subjetiva: objetiva porque diz respeito ao conteudo.

3. parcial ou total: parcial porque a divergencia entre o real e o declarado


dá-se apenas em parte.

4. determinar simulado (compra e venda por 200) e dissimulado (compra


e venda por 300). Embora dizendo apenas respeito ao preço há uma
diferença numa das cláusulas - existem dois negocios.

5. a validade do negócio dissimulado tem de ser apurada caso a caso. No


caso concreto, sendo ação de preferencia, antes de vender o A devia
ter ido comunicar ao C a situação para que este possa, nas mesmas
condições de C comprar o referido imovel. Se isto não se fez, ou se se
fez de maneira distinta, o C tem enquanto preferente intentar a ação do
(1410 - esta concebido para outro tipo de preferencia mas tem de ser
adaptado - sempre que há direito de preferencia a lei remete para este
artigo). Nesta situação, se não foi dado o direito de preferencia C
pretende substituir o comprador, ou seja, se obtiver decisão favorável,
C, por força dessa decisão, ocupa o lugar de B na compra e venda
referida. A compra e venda mantém mas o B é substituído -
modificação subjetiva da compra e venda. Isto supõe que o negócio

Casos práticos: 11
que vai dar lugar à substituição seja válido, só tem sentido fazer a
substituição no pressuposto que a compra e venda vale - não tem
sentido preferir porque não há negocio para preferir - se a compra e
venda é invalida para todos os efeitos A não vendeu.

6. 240 nº2: o negócio simulado é nulo - simulação relativa.

7. validade do negócio dissimulado: de um modo geral só caso a caso


podemos apurar isso mas quando se trata de simulação de preço, ou
seja quando a única divergência diz respeito a valores envolvidos, é um
ponto garantido que a escritura pública observada por A e B é
totalmente aproveitável. Sendo a divergência, do ponto de vista juridico,
de menor importância (visto que por lei o preço não tem de estar
presente na compra e venda) - a falta da indicação de preço não
invalida a compra e venda. Assim sendo o negócio dissimulado valeria
dado que a compra e venda simulada seria aproveitar - do ponto de
vista formal, pelo menos, não haveria problema. Se teria outros defeitos
não sabemos, em princípio nada impediria que se aproveita a compra e
venda por 200 para validar a compra e venda por 300.

8. quando o terceiro, C, intenta a ação de preferencia paga quanto? 200


ou 300? de acordo com o 1410, para dar alguma garantia ao B, de que,
na ação de preferencia, recebe na integra o valor que tinha pago, no
prosseguimento da ação o B vai provar que não pagou 200 mas que
pagou 300. Nessa altura, o C pode invocar a sua boa-fé, quando
intentou a ação o que o C sabia era o que estava na escritura,
formalmente é verdade, ele só tem de saber o que esta na escritura no
entanto:

a. normalmente o terceiro sabe o preço efetivamente pago, pode


querer aproveitar-se da situação - argumento meramente
estatístico.

b. quando a lei protege a boa-fé subjetiva, no sentido de


desconhecimento, é para evitar prejuizos a quem esta de boa-fé,
neste caso concreto o argumento da boa-fé apenas traria
beneficios, seria invocar a boa-fé não para evitar um prejuizo mas
para ter um benefício. Logo, em princípio, não obstante o facto da
simulação ser fraudulenta, esta não o é contra o C mas sim contra o
estado, logo B não saiu prejudicado, logo deve pagar 300 tal como

Casos práticos: 12
B o fez. Só faz sentido castigar quando o castigo beneficia a
pessoa que foi enganada.

9. Se C se coloca no lugar do B, tem de pagar aquilo que foi pago por


este, embora na escritura esteja o valor de 200, no processo foi
provado que foi 300. A declaração judicial irá acrescentar ao contrato o
preço.

Casos práticos: 13

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