TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS originam-se no contexto social e influencia
práticas pedagógicas, visando contemplar determinadas expectativas, seja da
classe dominante seja da trabalhadora. Luckesi (1991) considera como
tendência pedagógica diversas teorias filosóficas que pretendem compreender
e orientar práticas educacionais em diversos momentos e circunstâncias da
história humana na educação brasileira. Ações educativas interpretam o
desempenho da educação na sociedade e, como tal, classificam-se em
educação como redenção, educação como reprodução e educação como
transformadora da sociedade. Essas tendências possibilitam a compreensão
da educação enquanto prática educacional, compreensão filosófica sobre seu
sentido e, política, quanto ao direcionamento para a ação.
A tendência redentora compreende as pedagogias liberais e confia que a
educação possui poderes sobre a sociedade, tendência otimista. A
reprodutivista é crítica, destinada a compreender a educação na sociedade e
apresenta-se de maneira pessimista. A tendência transformadora, igualmente
crítica, recusa o otimismo ilusório e o pessimismo imobilizador. As tendências
progressistas seguem critérios definidos em relação às funções políticas e
sociais do sistema escolar.
Libâneo (1989) classifica as pedagogias em dois grandes grupos: Pedagogia
Liberal (tradicional; renovadora progressivista; renovadora não diretiva e
tecnicista) e Pedagogia Progressista (libertadora; libertária e crítico-social dos
conteúdos). As tendências pedagógicas são de grande relevância, pois
permitem ao educador a articulação e autodefinição teórica sobre escolhas
filosóficas e educacionais, visando sustentar as práticas docentes.
Foerste (1996, p. 16) afirma que “uma tendência não elimina a outra, o
surgimento de uma nova corrente teórica não significa o desaparecimento de
outra, a definição de um perfil predominante em uma concepção não descarta
a possibilidade de outras formas de manifestação consideradas próximas entre
si.” É possível perceber que uma tendência ou sua manifestação não é
exclusiva e pode se complementar e, em outros pode divergir. As tendências
pedagógicas se constituíram ao longo da história com base nas teorias de
diversos autores e intelectuais e visam uma educação com qualidade e
equidade. Consideram os diferentes movimentos históricos e sociais, com seus
ideais, interesses e utopias, para construir o sistema educacional brasileiro.
2.1 TENDÊNCIA LIBERAL As Tendências Pedagógicas Liberais são
classificadas em tradicional, renovadora progressiva, renovadora não diretiva e
tecnicista (LIBÂNEO, 1989). Foram concebidas no século XIX sob forte
influência da Revolução Francesa (1989), do liberalismo ocidental e do
capitalismo. O termo liberal não possui sentido de democrático e surgiu em
defesa do sistema capitalista.
Segundo Libâneo (1989, p. 21), “a concepção pedagógica liberal sustenta a
idéia de que a escola tem a função de preparar o educando para o
desempenho dos diversos papéis sociais, de acordo com as aptidões dos
sujeitos.” A pedagogia tradicional está no Brasil desde os jesuítas e busca a
universalização do conhecimento, a repetição, o treino intensivo e a
memorização como estratégia utilizada pelo professor para transmitir o acervo
de informações aos alunos.
A proposta de educação centrada no professor era vigiar, aconselhar, corrigir,
ensinar conteúdos, por meio de aulas expositivas e normas rígidas. Os alunos
eram passivos e deviam aceitar tudo como verdade absoluta. Para Queiroz e
Moita (2007, p. 4), a organização funcional considerava como 99 Tendências
pedagógicas: perspectivas... Unoesc & Ciência - ACHS Joaçaba, v. 9, n. 1, p.
97-106, jan./jun. 2018 papel da escola; preparar o intelectual; papel do
professor: receptor passivo, inserido em mundo que irá conhecer pelo repasse
de informações; relação professor-aluno: autoridade e disciplina;
conhecimento: dedutivo.
São apresentados apenas os resultados, para que sejam armazenados;
metodologia: aulas expositivas, comparações, exercícios, lições/deveres de
casa; conteúdos: passados como verdades absolutas- separadas das
experiências; avaliação: centrada no produto do trabalho. O aluno era visto
como um papel em branco, no qual eram registradas as informações e o
conhecimento. Na abordagem tradicional o aluno não possui cultura, família e
conhecimentos prévios. Ele não significa nada até iniciar o processo escolar,
momento que registrará e acumulará conhecimentos repassados. Cabe ao
professor a decisão quanto aos conteúdos, metodologias e avaliações a serem
realizadas. Saviani (2013) afirma que a partir da catequese e pela instrução,
realizou-se o processo de aculturação dos povos coloniais às tradições e
costumes dos colonizadores. A partir do início do século XVI, o Ratio Studiorum
contempla a metodologia de ensino com ênfase em exercícios escolares
baseados na escolástica. A escolástica tinha como pilares a lectio, a
conferência didática dos assuntos estudados a partir da leitura, a disputatio,
reservada à análise das questões provocadas pela lectio, e as repetitiones, em
que os estudantes, em pequenos grupos, realizavam repetições das lições
esclarecidas pelo professor. O sentido do ideário do plano pedagógico contido
no Ratio Studiorium