Sebenta DQC
Sebenta DQC
Droga vem do
conceito de
“phamacon” que tem
um duplo
significado:
⇨ Veneno;
⇨ Saúde.
Esta
dicotomia, ainda,
hoje
permanece válida.
As sociedades atuais
acreditam na
DROGAS E QUESTÕES CRIMINAIS
investigação sobre as drogas para fins terapêuticos, ao longo dos anos houve avanços notáveis
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É uma área vasta que se caraterizássemos num ponto poder-se-ia dizer que vai desde as
questões de intervenção mais macro até ao mais micro envolvem uma reflexão sobre aspetos
como:
⇨ Prevenção;
⇨ Internamento;
⇨ Tratamento;
⇨ Redução dos riscos.
Definição de Drogas:
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Um indivíduo consome drogas porque pretende produzir uma modificação no seu estado
de consciência – as pessoas que consomem drogas opiáceas como a heroína, vivendo em
contexto de exclusão social, muitas vezes, fazem o consume pela ideia de evasão, consome para
modificar o estado de consciência, impede que tenha uma consciência tão aguda das suas
dificuldades.
Quando é que podemos dizer que têm um padrão de consumo de cannabis ocasional?
Consome em situações sociais (festas).
Quando é que tem um padrão de consumo regular? Quando tem uma rotina.
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O consumo problemático é o consumo de drogas por via injetada, para além do primeiro
critério, frisa-se que não se vai utilizar o critério do consumo de prejudicar a pessoa
negativamente aos mais diversos níveis, mas sim basta que a forma de administração da droga
seja por via injetada para que seja considerado problemático. Outro critério tem a ver com a
frequência e ainda outro com tipo de drogas.
Quais os tipos de drogas que o O.E.D.T. considera vir a induzir o consumo problemático?
Heroína, cocaína e as anfetaminas. Os cientistas consideravam que não era suscetível incluir o
grupo de substâncias de conduzir a este consumo como é a cannabis, pelas suas caraterísticas
terapêuticas, pelo modo de utilização. Portanto, esta definição de consumo problemático sofreu
uma pequena alteração, há 3 anos, no sentido de adicionar a cannabis, porque na Europa tem-se
registado um aumento de pessoas que procuram ajuda para problemas relacionados com o seu
consumo (algo quase inexistente até aos anos 90 do século passado). Em termos de padrões de
consumo o que se tem vindo a assistir é que o potencial consumo problemático de cannabis não
é a frequência, mas o problema de consumo recreativo – recorre-se em contexto recreativo (de
festa), que pode levar ao consumo de risco, já que pode consumir em quantidades que produzem
um efeito negativo, em diferentes áreas, mesmo que a pessoa não tenha um consumo regular.
Portanto, pode haver consumo problemático, designado consumo de risco, estando associado ao
consumo da substância para fins recreativos, a razão para o seu consumo é a diversão.
Uma consequência dos consumidores problemáticos é que a taxa de mortalidade pode ser
20 vezes superior à população geral e, ainda, há consequências a nível de acidentes, de
criminalidade e doenças que podem ser transmitidas relacionadas com o consumo de drogas. A
relação entre o consumo de drogas e práticas de crimes está solidamente enraizada.
Esta população está, também, associada a uma incidência de doenças relacionadas com o
consumo de drogas como o HIV, Hepatite B e C, Tuberculose, entre outros.
Conceitos:
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Que métodos é que utilizamos para saber o que sabemos hoje acerca das drogas? Que
informação esses métodos têm permitido recolher acerca das drogas? Quais as limitações que
essa informação encerra?
Do ponto de vista mais pragmático, do ponto de vista de informação que nos orienta para
a prevenção, para controlar o problema: o que se faria num lugar onde a população já sofria
consequências devastadoras, por causa das drogas?
A. Tipo de drogas – faria toda a diferença, na medida de que a amplitude dos problemas
e caráter destrutivo do grupo poderia muito estar relacionado com o tipo de drogas;
B. Quantidade/frequência do consumo;
C. Acesso às drogas;
D. Os primeiros contactos/primeiras experimentações = fatores de iniciação:
a. exercem uma influência determinante na iniciação ao uso de substâncias
psicoativas. Um fator que tem sido recorrentemente identificado na literatura
é a pressão do grupo de pares, quando começa a consumir uma substância é
consumida num grupo de pares e em relação a esse grupo é que pode ser
exposto a pressões diversas para consumir, podendo acabar por sucumbir ao
consumo. Poder-se-ia aqui também perceber qual o grupo etário mais
vulnerável (12 a 15 anos). Os fatores de continuação/manutenção, também,
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são importantes analisar, porque uma das diferenças mais marcantes é que o
indivíduo pode ter desenvolvido dependência, não sendo já pressões externas
(quando se inicia no consumo).
A investigação sobre as drogas tem procurado centra-se na avaliação dos problemas que
acarretam as drogas, procurando, então avaliar a extensão e padrões de consumo, ou seja, qual a
prevalência do fenómeno, que tipo de drogas, com que frequência. Outra tentativa foi perceber
as caraterísticas das pessoas que consomem e quais os fatores de iniciação e de continuação
(que fatores se pode associar à iniciação e quais à continuação). Por último, tentar perceber os
impactos sociais, médicos, económicos das drogas.
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De acordo com as Nações Unidas 0,6% das pessoas em todo o mundo podem ser
entendidos como consumidores problemáticos (consumidores que têm um padrão de consumo
que originou consequências negativas em diferentes áreas da sua vida).
Além disso:
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Quando avaliamos uma estratégia nacional, avalia-se o impacto que ela pode ter nos
cinco indicadores.
Estamos perante um fenómeno que não é estático, pelo que devemos adotar uma postura
de monitorização permanente que visa acompanhar as mutações nas tendências e padrões de
consumo.
O fenómeno das drogas cruza vários saberes que procura dar ferramentas mais eficazes
para o compreender e minimizar as consequências mais negativas para pessoas, grupo e
sociedade em geral.
Quando se fala de intervenção nas drogas evoca uma vasta panóplia de abordagens, que
se a quisermos dispor por aspetos de intervenção e examinar com base num sistema de
classificação tem-se que adotar alguns conceitos (a partir de um campo semântico).
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Há quem diga que a terminologia de “Prevenção” para os três momentos não é o correto,
por existir uma diferença qualitativa entre prevenção primária e secundária, por exemplo, é
trilogia da saúde pública.
Cobriram-se três domínios onde é possível preencher a intervenção nas drogas, mas há
outros:
Uma primeira distinção que se pode fazer ao nível dos conceitos básicos diz respeito à
distinção entre redução de oferta e de procura.
A legislação pode ser uma estratégia usada na intervenção das drogas, podendo ter efeito
quer na redução de oferta quer na redução de procura (descriminalização, por exemplo, mas
poderá ter um efeito perverso no consumo de substâncias psicoativas).
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A Lei 30/2000 estipula que a posse de droga(s) para uso pessoal é descriminalizada,
sendo estabelecido um sistema de “Comissões de Dissuasão da Toxicodependência” –
constituídas por três membros, normalmente, uma especialista da área legal, um profissional da
área da saúde e outro do serviço social – que fazem avaliação e encaminhamento. Foi adotada
uma nova base legal para as medidas de redução de riscos (através do Decreto-lei 183/2001).
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Como se está a falar de fenómenos com várias caraterísticas, uma das quais ser muito
complexa, onde se cruzam várias dimensões (psicológica, jurídica, médica,…), não é de
estranhar que quando se reflete sobre as intervenções nas drogas (o que se pode fazer na área) a
obsessão pelo rigor, pela objetividade, acaba por ser prejudicada pelos limites do saber. Estes
limites fazem com que se preencha a ignorância sobre o fenómeno recorrendo à ideologia –
como não se tem todas as respostas às questões da compreensão acerca das drogas, nem para a
intervenção, aparecem perspetivas de intervenção nas drogas que dão mais importância a
determinados aspetos em detrimento de outros.
Portanto, as conceções que hoje vigoram sobre intervenção nas drogas diferem em muitos
aspetos da que vigorava há 20 anos atrás. Além disso, no momento atual coexistem conceções
sobre intervenção das drogas que se postulam em pressupostos diferentes, entrando no domínio
em que como não se sabe tudo preenche-se as lacunas, dando mais importância a certos aspetos
em detrimento de outros.
1. Modelo de doença:
a. o abuso de drogas como condição (biomédica) determinada geneticamente;
b. o toxicodependente como incapaz de exercer um controlo sobre o seu
comportamento aditivo;
2. Modelo de autocontrolo:
a. o abuso de drogas como padrão de hábitos adquiridos que podem ser
modificados através de novas aprendizagem;
b. o toxicodependente como sendo capaz de exercer esse controlo
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profissionais tenham entendimentos diferentes acerca das drogas (será que o uso de drogas pode
ser assimilado à noção de doença?). Há uma rutura entre os dois modelos.
O modelo da doença pela conceção que defende limita a capacidade do indivíduo exercer
um controlo, há um certo determinismo biológico que faz com que os graus de liberdade que o
indivíduo tem para exercer controlo sobre o seu problema sejam reduzidos. O que se preconiza
a alguém que teve uma dependência de álcool e que recuperou é que a única abordagem é a
abstinência total. Neste caso, não se considera que a única solução possível seja a abstinência
total, mas admite-se que possa adotar um padrão de consumo controlado, pelo que mesmo tendo
tido uma dependência pode consumir em níveis que não comprometam a sua saúde, nem que
venha a desenvolver outra dependência.
A base biológica (“não escolhemos os nossos genes”) é muito importante, porque se diz
haver uma predisposição genética para o consumo de drogas. Também há muitos estudos da
relação entre a dependência de uma substância e as mudanças da estrutura e funções do cérebro
(isto é, “doença do cérebro”). Segue-se a questão de que quando o indivíduo tem uma
dependência como que está prisioneiro desses processos, pelo que o consumo de drogas é um
consumo compulsivo, sendo compatível com esta perspetiva de droga como doença. Nesta
visão, vê-se o grau de liberdade do sujeito, considerando que o consumo, no início, é voluntário,
mas à medida que aumenta o contacto com a substância, digamos que há uma redução da
capacidade de controlo sobre essa, podendo culminar num comportamento compulsivo.
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número muito expressivo das situações, a maior parte acaba por espontaneamente retornar à
situação de não consumo (pode ser pela natureza desenvolvimental, por exemplo). Outra fonte
de explicação, vem das investigações que procuram saber o porquê de haver remissão
espontânea. Portanto, se fosse uma doença seria impensável esta remissão, assim essas razões
são transversais, idênticas às que motivam a maioria das ações humanas (dinheiro, emprego,
autoestima, responsabilidades, familiares). A esta conceção está subjacente a de que os graus de
liberdade do indivíduo, apesar de estarmos a falar de um fenómeno que pode ser compulsivo,
estão sempre ativos, ele é sempre capaz de mudar alguma coisa, de fazer escolhas (análise
custos/benefícios), a mudança, por vezes, é feita nesta base do peso dos prós e contras. Há uma
capacidade executiva do sujeito que permanece intacta e faz com que ele consiga mudar.
Quando se olha para o modelo de autocontrolo insere-se num registo onde se dá mais
atenção aos aspetos sociais que tem a ver até com as capacidades que ele tem para exercer o tal
controlo para resolver os problemas com o consumo das substâncias.
Prevenção do abuso de drogas é evitar que as pessoas usem drogas (definição), estando
implícito um objetivo que visa evitar que as pessoas consumam drogas. A prevenção do
consumo de drogas não visa unicamente evitar que as pessoas em geral consumam drogas,
podem também visar outros objetivos que se englobam no conceito de prevenção como evitar
riscos e danos. Outra caraterística presente na definição de prevenção é a idade de iniciação,
porque há um período da vida do indivíduo que a probabilidade de contacto com as drogas é
maior – a fase da adolescência. Existe uma relação em termos de idade e iniciação ao consumo,
dizendo-se que a maior parte das iniciações ocorrem na adolescência.
Outro objetivo é prolongar o mais possível o primeiro contacto que o indivíduo vai ter
com a substância, ou seja, impedir que se inicie muito precocemente. A prevenção é, então, uma
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abordagem que pretende evitar o consumo de drogas e/ou adiar o primeiro contacto, bem como
reduzir o próprio consumo.
a. Prevenção primária;
b. Prevenção secundária;
c. Prevenção terciária.
A. Prevenção;
B. Tratamento;
C. Reinserção.
Os críticos dizem que esta trilogia tem lacunas, por exemplo, o termo prevenção quando
se diz tratamento não faz sentido, para quê usar prevenção quando se pode referir tratamento ou
para quê dizer prevenção terciária se se pode dizer reinserção.
Mas há outra distinção de tipos que surgiu nos anos 90, como uma classificação
alternativa, mais utilizada no meio científico e profissional, que se baseia nas caraterísticas da
população alvo. Este sistema não procura tomar em consideração critério temporal, mas um
critério utilitário. Fala-se em três tipos de prevenção:
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devem variar consoante as caraterísticas da população alvo. Na União Europeia todos os países
integram nos planos de estudos das escolas conteúdos sobre a prevenção de drogas.
Uma das explicações avançadas na época, para esta situação de aumentar o consumo com
um maior conhecimento foi que quando se fala sobre as drogas está-se a dessensibilizar as
pessoas sobre o consumo, anormaliza-se o consumo, deixa-se de ver como algo proibido. Além
disso, a informação sobre as drogas tinha outro efeito iatrogénico, tratando-se de adolescentes
podia-se aumentar a curiosidade sobre as drogas. E o facto de muitas vezes estarem orientadas
para gerar medo nas pessoas era uma outra crítica lançada.
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Portanto, podemos dizer que há dois paradigmas que vão até aos anos 60.
O outro paradigma (sociológico) que vem de estudos como o de Stuart põe em causa o
anterior paradigma. Pretendendo diluir preconceitos que têm inibido o uso de droga nos
adolescentes, levar os indivíduos a pensar em si próprios como potenciais consumidores de
drogas, dessensibilizar os jovens relativamente ao uso de drogas e conduzir a uma
experimentação ao estimular a curiosidade dos jovens pelas drogas.
A prevenção é algo recente, sendo que estes estudos surgem no final dos anos 80, sendo
uma tentativa de mostrar como é que este domínio na intervenção nas drogas evolui. Estes
autores no essencial consideram fazer uma análise que consiste em delimitar 3 fases ou 3
gerações de programas:
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linear, porque o que esta abordagem considera é um dos fatores de risco do consumo
de drogas, centra-se apenas num fator. Assim, pode-se assumir que é a falta de
informação que impele as pessoas para o consumo de drogas (algo que se teria de
comprovar).
2. 2ª Geração de Programas – designam como fase de transição – o traço mais
distintivo desta fase diz respeito ao facto dos programas aplicados nesta estarem
associados a abordagens afetivas, ou seja, talvez o consumo de drogas não tenha a ver
com o conhecimento das drogas (a informação), pelo que defende que o que se tem
de fazer é quando estão a abordar as questões das drogas, os adolescentes devem ter
um espaço para examinar dimensões afetivas que possam estar relacionadas com o
consumo ou não de drogas. Uma dimensão afetiva são os valores (construto usado em
muitos domínios para explicar o comportamento humano, sendo subjetivo). Os
processos de socialização que ocorrem dentro de relações familiares permitem a
transmissão de informação e, portanto, a criação de valores, levando a considerar o
consumo correto/incorreto. A atitude das pessoas, talvez não resulte só da
informação, mas também do fenómeno afetivo, que leva a determinados
comportamentos. A mesma informação pode levar a atitudes e, consequentemente,
comportamentos distintos, pela forma idiossincrática como se trata a informação que
se recebeu. Desta forma, os jovens consomem drogas, porque os valores que
defendem em relação às mesmas não estão clarificados (defende-se nesta 2ªfase).
Assim, apoia-se que se devem clarificar os valores, isto é, discutir com os jovens o
que pensam acerca do consumo de drogas, percebendo-se o que acham aspetos
positivos ou negativos, o que acham quando se pratica crimes sob efeito de drogas,
entre outros. Quando tiverem os valores clarificados vão estar melhor preparados para
resistir ao consumo de drogas, tendo uma posição mais madura quanto ao fenómeno.
Estas abordagens tinham objetivos muito difusos, ou seja, aumentar a capacidade do
jovem fazer escolhas, escolher os seus valores. O Humanismo tem ganho uma
notoriedade no domínio da Psicologia pelas teorias que desenvolveram, por exemplo,
Maslow, com a Teoria da Motivação Humana, que procura explicar o que nos faz
“correr” no Mundo.
Esta é importante, porque, pela primeira vez, se assiste a um fenómeno nesta área: quando se
desenvolve estratégias de intervenção, elas devem ser suportadas por estudos, têm de
estar baseadas em investigação biopsicossial. Isto entende-se como um tipo de
investigação que procura identificar e compreender os processos sociais de iniciação
ao consumo de drogas. Permite identificar o que esta na base da decisão de usar ou
não as drogas, defendendo-se que não será a maior ou menor informação, mas a
exposição a influências sociais que podem sucumbir. A inoculação social é um termo
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trazido para esta área, sendo que, num primeiro momento, foi para prevenir,
inicialmente, o consumo de tabaco (equipa de investigadores liderada por Evans et
al.), estudando o que fazia com que os jovens comecem a consumir tabaco.
Verificaram que os fatores de iniciação ao consumo de tabaco são, evidentemente,
sociais, pelo que o que explica grandemente este efeito este início é a pressão de
pares, bem como a família, através de processos de modelagem (indivíduo adota o
comportamento que vê ser praticado por outro). A terceira fase dos efeitos sociais era
a publicidade, já que havia muita publicidade ao tabaco, na época. O programa de
inoculação social visava mostrar aos jovens as técnicas que a publicidade usava para
vender os produtos, realçando-se a técnica de associar o consumo de Marlboro aos
comportamentos de risco (enfrentavam as maiores aventuras, saindo imunes). Assim,
pretendia-se dar ferramentas ao jovem para resistir ao consumo do tabaco que lhe
eram transmitidas socialmente. Esta inoculação divide-se em duas componentes:
componente cognitiva não se centram nos efeitos do tabaco, mas pretende esclarecer
as pessoas acerca das influências sociais. Portanto, esta componente é uma
informação sobre o que origina a iniciação às drogas, numa perspetiva de fatores
sociais (fatores de risco). Para além desta, há a componente de treino de
competências que pretende apresentar vídeos aos adolescentes onde se representam
situações de pressão para fumar, onde há outras fases – observação e aquisição de
competências – o processo termina quando o indivíduo desenvolve capacidades para
resistir à pressão, ensaiando-se formas de reagir às tensões sociais (vindas do grupo
de pares), no sentido de recusar o uso de drogas, sem por em causa a aceitação que
valoriza por parte do grupo de amigos.
3. 3ª Geração de Programas – seria a geração mais avançada dos programas de
intervenção. Desta forma, baseiam-se em dois princípios: primeiro, atualmente as
estratégias de intervenção não devem ser uma intervenção curta, mas devem ser
programas, ou seja, é uma intervenção organizada em várias sessões, é um tipo de
intervenção com objetivos bem precisos (compreensivos e sistemáticos). São
intervenções que utilizam técnicas testadas empiricamente, mostrando eficácia e
eficiência. O programa deve ser complexo, composto de unidades específicas, mas
integradas. A segunda é que uma das técnicas deveria estar centrada em levar o
indivíduo a desenvolver competências para resistir às drogas. Além disso, dever-se-ia
verificar o que causa e os efeitos das drogas. É preciso adotar uma abordagem
flexível que permita responder às necessidades de informação de cada um (adequar
informação à população alvo).
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Modelos de prevenção
Abordagens que se distinguem ao nível dos pressupostos teóricos que estão na sua
génese. Os modelos da prevenção mais não são do que um conjunto de pressupostos teóricos de
métodos e de princípios que regem o modo de conceber a prevenção (diferentes modalidades de
prevenção). Os princípios são aquilo a que se dá mais valor, podem ser as pessoas, por exemplo:
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O grande salto que se deu na área de prevenção foi a elaboração de programas que têm
associados abordagem teóricas respeitáveis, ou seja, que derivam de domínios da Psicologia,
sendo uma dessas abordagens a psicologia social. O objeto de estudo da psicologia social é o
comportamento humano, tendo em atenção os contextos sociais que o podem interferir,
condicionar ou influenciar.
1. Modelo informativo
O que vem mostrar a psicologia social é que as informações não são negligenciáveis, mas
sim um aspeto fundamental, sobretudo, as informações persuasivas (o que pode ser um produto
sem qualidade, pode tornar-se apetecível), neste caso, pretende-se tornar as drogas um produto
não apetecível, mas rejeitável. No fundo, se se utilizar o modelo do marketing, pode-se obter
bons resultados, ao nível das questões da informação. Sendo importante utilizar-se os princípios
da informação persuasiva. Se a informação for dada na dose certa, considerando as caraterísticas
do recetor, conseguir-se-á ter atitudes favoráveis, que terão expressão no comportamento.
− o emissor – qual o tipo de emissor que transmite uma imagem capaz de mudar as
atitudes dos agentes? O que é mais eficaz, quando se dá uma mensagens sobre
drogas, que se tenha um emissor especialista ou um par que tem caraterísticas
idênticas às do recetor dessa mensagem1?
− o recetor.
− a mensagem – saber se a mensagem sobre drogas vai ser ou não geradora de
medo, ou seja, do ponto de vista científico pode-se equacionar a questão de uma
determinada mensagem que visa um sujeito que não tem aquele comportamento,
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pode ser ou não indicado contenha elementos que provoquem medo. Quando
transmite mensagem geradora de medo alto, há muitas vezes uma rejeição, pelo
facto de os efeitos não serem plausíveis e pouco credíveis, isto depende, também
da própria experiência e da experiência com os amigos.
▪ Unilateral – dizer aspetos negativos apenas;
▪ Bilateral – dizer aspetos negativos e positivos.
Surgem, assim, abordagens com base nesta inoculação social, que deixam de estar
focadas na informação para se focarem sobre as influências sociais, que determinam a iniciação
do agente no comportamento/consumo de drogas.
2. Modelo Humanista
Este nasce da Psicologia Humanista. Um dos princípios mais importante deste modelo é
que a prevenção não releva de fatores cognitivos, mas releva de dimensões emocionais. Estes
fatores emocionais são os valores das pessoas, as necessidades que a pessoa procura na
utilização de uma droga. São estas dimensões que determinam o facto das pessoas virem ou não
a consumir drogas. Portanto, desloca-se o foco da substância (modelo informativo) para a
pessoa (modelo humanista), olha-se para crenças, necessidades. Advoga uma perspetiva
interacionista, ou seja, enfatiza as funções que as drogas têm para os indivíduos e para a
sociedade. No consumo das drogas não deve ser analisado as funções que têm para um
determinado sujeito, que vivem num meio social.
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A gestão emocional tem a ver com aquilo que a pessoa valoriza. Uma das críticas que se
pode colocar ao modelo é que o modelo não dá importância às influências sociais (fatores
determinantes na iniciação ao consumo de drogas).
3. Modelo cognitivo-comportamental
Com influência da Psicologia Cognitiva, este modelo integra um maior número de fatores
de risco no consumo de drogas. Dá-se muita importância às pressões, às influências sociais.
Vai-se considerar que um dos principais fatores de risco são as pressões sociais, bem como se
considera a iniciação ao consumo de drogas interpretada como um processo de aprendizagem
social. São esses processos que regulam o facto de poder consumir ou não consumir.
Além disso, concessiona-se a ideia de muitas vezes a pessoa não ser capaz de resistir às
tensões sociais, porque não tem competências sociais eficazes, neste sentido, pretende-se dotar o
sujeito de competências sociais, nomeadamente, de recusa às drogas.
NIDA (National Institute and Drug-Abuse) publica alguns estudos, neste âmbito. Uma
publicação mais antiga, em 1997 – princípios de prevenção do abuso de drogas em meio escolar
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–, sendo retomada em 2003, onde se acrescenta alguns aspetos resultantes da investigação sobre
prevenção. O primeiro (1997) abrangia crianças desde o ensino básico até ao secundário. A não
ser assim, abrangiam, pelo menos os adolescentes a partir dos 13-14 anos, até ao fim do ensino
secundário, pelo que estavam organizados em múltiplos anos de investigação.
− Autocontrolo;
− Regulação emocional;
− Comunicação;
− Resolução de problemas sociais;
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− Hábitos de estudo;
− Relações entre os pares;
− Auto-eficácia e assertividade;
− Competências de resistência às drogas;
− Reforço das atitudes anti-drogas.
Na última publicação incluem-se algumas das áreas onde se pode intervir. A melhor
intervenção é a que faz o empoderamento das pessoas, ou seja, desenvolver nas pessoas
competências de vida (se for capaz de regular melhor os seus sentimentos, se for mais capaz de
resolver os seus problemas), está globalmente mais protegida de consumir drogas. Deve-se
promover os fatores de proteção.
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É um modelo que vai romper com uma lógica de que a intervenção das drogas devia estar
orientada para a supressão dos consumos, era o critério da abstinência. A ideia de que a
intervenção podia incluir outros objetivos que não o principal (pessoas alcançassem abstinência)
confrontou algumas resistências. Na origem dessas resistências estavam o facto de ser um
domínio científico na área das drogas que lhe confere importância neste fenómeno. O
Congresso, em 1994, foi alvo de críticas por opositores à redução de riscos e danos, porque
defendiam que este modelo tinha capitulado perante o objetivo de erradicar o consumo de
drogas. Portanto, as sociedade deviam tomar medidas cujo efeito final fosse a erradicação do
consumo de drogas. O que se podia depreender com o Congresso da Redução de Danos, em
1994, em Toronto, era que esta abordagem humana e pragmática, desistia do erradicar do
consumo de drogas. Não se estava, prioritariamente, preocupados com a erradicação do
consumo, porque o objetivo destas intervenções era iminentemente pragmático, ou seja,
pretendiam aplicar medidas que fossem concretas e exequíveis.
Este modelo pode ser definido como “políticas, programas e práticas que visam reduzir as
consequências adversas ao nível da saúde, sociais e económicas do uso de substâncias
psicoativas legais e ilegais, que são baseados num forte compromisso com a saúde pública e os
direitos humanos” (Rhodes & Hedrich, 2010, p,37). As ações de intervenção das drogas que se
associa ao sistema de justiça têm algumas especificidades, por exemplo, se o consumidor é
criminoso, pelo que tem de ser perseguido, utilizando o meio mais adequado para erradicar o
consumo – isto seria o modelo repressivo.
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quando se admite que este pressuposto é válido está-se a infringir os direitos humanos do
consumidor de drogas, isto é, ao fazer isto faz com que outras dimensões sejam remetidas para
segundo plano, não se dá tanta atenção (saúde, economia, …).
Dados históricos
A partir desta data, foi considerada uma das abordagens mais adequadas de intervenção
nas drogas, tendo sido incluída nas políticas sobre drogas de vários países, como Holanda,
Alemanha, Inglaterra, Canadá e Portugal.
Em Portugal, nos anos 90, com a entrega de seringas, para diminuir a transmissão de
doenças foi muito contestada, ainda que não tendo impedido a execução da medida. Isto teve
um grande impacto, porque todas as farmácias disponibilizaram gratuitamente seringas
esterilizadas, tendo impactos na redução das doenças transmissíveis. Até ser aceite, foi
complicado, porque se colocavam objeções de natureza filosófica e pratica aos objetivos do
modelo, sendo objeções que emergiam nos próprios profissionais da área.
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− Políticas de normalização.
− Distinção entre drogas “duras” e drogas “leves;
No modelo holandês fez-se a distinção entre drogas duras e drogas leves – a cannabis é
ilícita, mas leve, pelo que se se separar os mercados evita-se que os consumidores da droga leve
entrem em contacto com as redes de tráfico e, consequentemente, evitar que se comecem nas
drogas duras. É uma normalização em relação ao consumo de cannabis.
As estratégias de baixo limiar são flexíveis, pelo que se podem adaptar às necessidades de
cada um, não exige um pressuposto de que todas as intervenções têm de ter como objeto último
a abstinência. Não se exige mais do que o indivíduo tem capacidade para dar, radica na ideia de
pragmatismo.
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− Oficialização como medida necessária através do Dec. Lei 183/2001, ou seja, nos
anos 90 falava-se nelas, algumas praticavam as estratégias, mas não havia a
chancela governamental que permitisse dar um enquadramento legal a estas
medidas e integra-las num plano alargado de intervenção nas drogas. Esta
legislação sucede às indicações presentes na Estratégia Nacional de Luta contra a
Droga.
Redução de Riscos
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1. Excesso;
2. Moderação;
3. Abstinência.
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Quando se utiliza o modelo numa perspetiva preventiva o que se ensina às pessoas são
formas menos prejudiciais de utilizar certas substâncias:
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Como é que se intervem nesta área? Com intervenções relacionadas com o HIV/SIDA,
incluindo quer serviços direitos (e.g., substituição de seringas e material de injeção para
toxicodependentes) quer outros serviços como a prescrição de cuidados de saúde primários, a
psicoterapia ou o acesso a alojamento. Também se podem fazer abordagens de tratamento
orientadas para a abstinência ou tratamento de substituição.
Pode-se fazer, ainda, a gestão do uso – uso de drogas mais seguro (e.g., técnicas
adequadas de injeção, alterar o modo de administração da droga, consumir drogas menos
prejudiciais). Além disso, pode-se promover o consumo de drogas mais responsável (e.g., maior
controlo sobre quando como e com quem se consomem as drogas).
Pode-se, também, advogar mudanças na política das drogas, tornando os tratamentos mais
acessíveis, reduzindo as penas para os crimes relacionados com drogas, defendendo programas
de reabilitação social e de orientação profissional nas prisões.
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ENTREVISTA MOTIVACIONAL
Há duas conceções:
1. Clássica;
2. Atual
A forma como se pensava a motivação evolui de uma perspetiva clássica para uma
perspetiva atual. Na perspetiva clássica, a motivação era vista como um traço da personalidade,
ou seja, quando a motivação é vista como um traço significa que é imutável (podem nascer com
o traço de personalidade). No caso das drogas, a perspetiva clássica, repousava na motivação =
traço de personalidade – normalmente, as pessoas com problemas com as drogas são pessoas
desmotivadas, com fraca motivação para o tratamento.
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Nos anos 90, delineia-se uma abordagem para ajudar pessoas com problemas com drogas
(entrevista motivacional), tendo-se estendido a outras áreas, nomeadamente ligadas à saúde
(doenças crónicas, por exemplo). Surgiu, porque havia o problema de qual seria o tipo de
intervenção que ajudaria a diminuir as resistências da procura do tratamento.
− Conceito dinâmico;
− Apresenta flutuações, ao longo do tempo;
− Influenciada por acontecimentos específicos;
− Depende do tipo de relação terapeuta-cliente (motivação como interação
interpessoal) – não tem tanto a ver com o indivíduo, mas com as atividades que
se faz com ele.
Estes estádios procuram perceber as pessoas que não são capazes de reconhecer o
problema e entender as pessoas que já o reconhecem e procuram resolver.
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− Consciência do problema;
− Considera seriamente a possibilidade de mudar;
− Não estabelece um compromisso para a ação – fase ambivalente;
− Procede a uma avaliação do tipo custos/benefícios;
− Avaliação: manifestar intenção de modificar o comportamento aditivo nos seis
meses seguintes;
− “Tenho um problema que gostaria de tentar resolver”
As pessoas que estão nestes dois estádios são pessoas que não perspetivam ainda os benefícios
da mudança, quer porque não têm consciência disso (pré-contemplação) quer porque se
encontram prisioneiros de uma situação de ambivalência (contemplação).
Funciona, quase, como uma etapa de transição entre os dois anteriores e os que se
seguem.
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Estes estádios não são uma sequência linear, quando há um processo de mudança, eles
percorrem sequencialmente os estádios, mas pode haver avanços e recuos.
Porque é que estas questões são importantes, nas áreas das drogas? Há estudos que
estudam a relação entre estádios de mudança e eficácia do tratamento:
Além disso, há nesta o princípio de que o indivíduo é o principal responsável pelas suas
decisões, ou seja, dá-se responsabilidade ao sujeito pelas suas escolhas, na área das drogas.
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Que tipo de relacionamento se deve ter com as pessoas? Devemos ter um relacionamento
que produza um impacto positivo no indivíduo.
− Fornecer informação – dá-se uma informação básica, com base no nível de risco.
Quando se assume uma relação de contrariar o indivíduo, leva a que ele não
reconheça o problema;
Quando queremos diminuir os obstáculos para que a pessoa mude, aumentar a motivação
para a mudança, também se pode ajudar a:
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argumentos que ele apresenta não são dos outros, mas os que a reflexão gerou. Os
argumentos têm de partir do próprio.
A entrevista motivacional é a fase que antecede uma qualquer mudança, porque a pessoa
não está preparada para a mudança. É muito importante desencadear afirmações
automotivacionais, ou seja, é uma afirmação que exprime uma dimensão de envolvimento na
mudança de caráter cognitivo, emocional ou comportamental.
PARTE 2
Jorge Quintas
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Condutas de consumo de droga são proibidas. O álcool e o tabaco são de uso livre, ainda
que com restrições. No entanto, não é crime o seu consumo, já que foi descriminalizado, em
2001, em pequenas quantidades.
O que são, então, as drogas? São substâncias que alteram o comportamento, que podem
criar dependência. Mexem com a consciência, sensação, perceção, com o corpo e com a
afetividade. Estas drogas têm uma caraterística em que o pouco pode mudar muito. É, por isto,
que são procuradas: para mudar alguma coisa. Por comparação, os alimentos, em geral,
ingerimos muito e não alteram nada. A história das drogas é a história da civilização do mundo.
Ninguém fala nem de lei nem de doença. Algumas têm essa potencialidade. No início, na China,
na Suméria, em toda a área do Sul, os Homens descobriram vinho, cerveja, opiáceos,
canabinóides, entre outros. O ópio era produzido e cultivado. A história das drogas é sinónimo
da história do Homem, não há civilizações sem drogas. Usavam as drogas para curarem
doenças, a indústria farmacêutica surge disto. Usavam para prazer. Portanto, o uso de drogas
tem motivos tripartidos: religião, tratamentos e hedonismo.
As drogas são, mais ou menos, localizadas, há mais ou menos drogas em certos locais do
mundo. Todavia, a certo ponto, os europeus começaram a fazer expansão, nas expedições pelo
Médio Oriente, indo parar a um dos sítios dos opiáceos: Índia, Paquistão. Não há nenhum fiscal
que verifique a entrada destas drogas, no início, na Europa, sendo fácil traze-las. Desta forma,
portugueses e espanhóis andam à descoberta do mundo, descobrindo o continente americano,
rico em substâncias psicoativas. Rei D. Manuel II foi um dos Homens que pertenceu a esta
“operação”, as drogas eram vendidas, livres, autorizadas e usadas pelos Estados.
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As drogas têm uma componente misteriosa, ligada às artes, parece que ajuda os artistas.
Em 1850, a morfina surge, com auxílio das seringas (1890), que até então não havia. Mais para
o final do século, na Alemanha, a Bayer, tem a heroína, que foi vendida, durante 15 anos, para
melhorar tudo o que tinha a ver com pulmões e vias respiratórias, alívio de dores e tratamento
da morfinómania.
O final do século XIX é um período em que nos EUA cresce um movimento musculado
de tentativa da proibição das drogas, com todas as substâncias (ultraconservadores), embora já
os chineses tenham pensado nisso. Na Europa, há também uma preocupação com a saúde
pública, com o consumo excessivo, numa altura em que crianças trabalham 14-15horas diárias,
pelo que a maioria consume todo o tipo de substâncias, gerando um problema, por razões
humanitárias. O problema da saúde e a tentativa do proibicionismo surge nesta altura (final do
séc. XIX início do séc. XX que os Homens começaram a pensar na saúde pública).
No século XX, em Xangai, em 1909, os EUA (com o bispo Brent) assinaM e outros
países queriam impor uma moral ao mundo para proibir as drogas, entre os quais estava
Portugal. A primeira conferência Mundial sobre drogas tinha como intenção acabar com as
drogas no mundo. Os alemães apoiaram, excetuando o uso médico. Os portugueses não
queriam, deviam olhar às culturas das populações. O que está em causa não era o mal que as
substâncias fazem, mas a proibição do álcool para os portugueses. Desta forma, os EUA
implementaram a “Lei Seca Americana”, em 9 anos. Em Haia (Holanda), em 1912, Conferência
dos Primeiros Primórdios da Proibição das Drogas. A primeira grande proibição das drogas
interdindo-se o consumo e comércio delas, exceto para uso médico, incluindo os opiáceos
(contido em medicamentos). As drogas continuaram a ser relevantes, mas com as Guerras foram
atenuados estas questões. A maior parte dos Estados, as primeiras leis surgem nos anos 20, em
Portugal, em 1926. Nos anos 30, marcam outras convenções, porque não haviam grande
controlo, polícias especiais, continuando os povos, relativamente, tranquilos com o uso de
drogas.
Nos anos 60, as drogas são de artistas, culturas próprias, marginais, é um problema com
pouca visibilidade, pelo que os Universitários fazem uma revolução: Movimentos Hippies –
religiões diferentes, sexo livre e drogas, todos tomavam drogas, todos contestavam. De repente,
as drogas estão no centro da preocupação, as drogas contestam a organização social. As drogas
são o inimigo, número 1, da sociedade americana. Já não estávamos a progredir, está a guerra
aberta, todos os meios são legítimos para lutar contra as drogas. Mixel quis fechar fronteiras
para impedir a entrada das drogas. Estamos em guerra com as drogas, desde esta altura. Há
muitas consequências desta guerra.
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Começou-se a tratar as drogas de uma forma muito severa. É por esta altura que as
sociedades ocidentais começam a tomar como grande preocupação pública as drogas,
penalizando-se o próprio consumidor. A guerra às drogas é marcada com muitas diferenças de
tratamento de pais para pais, mas há uma similitude é que deviam fazer tudo para combater este
fenómeno (guerra verdadeira, destruir colheitas). Mas o problema parecia não se resolver,
pensava-se que havia ainda mais problemas com esta atitude, nos anos 80/90, com mais
problemas de saúde e integração social, maior número de presos.
Na verdade, existe um ambiente mais repressivo, mais libertador, mais de saúde pública,
representado por algum movimento de legalização (como da marijuana). São movimentos
sociais que querem a legalização das drogas, muitos e diferentes momentos e alternativas à
guerra das drogas.
Portanto, podemos ter consumo destas substâncias sem que não aconteça nada às pessoas,
locais onde já há alguma legalização ou, noutros, onde se pode mandar prender. Vivemos
tempos de grande mudança em matéria da regulação das drogas.
Devemos prevenir o uso das drogas, não é contesta-las. Devemos tratar as pessoas que
têm problemas que são dependentes de drogas, do ponto de vista da saúde, mas nem sempre está
disponível para estas pessoas os cuidados terapêuticos de que elas necessitam e, nem sempre
temos uma abertura suficiente para considerarmos um problema que devemos tratar. Desta
forma, podem ter um problema de saúde de que pode ser dependente de uma substância, mas
devemos tratá-los? Nem sempre se investe o suficiente no seu tratamento, defendendo-se que se
deve antes prevenir, mas em geral defende-se que se deve tratar.
O tratamento da dependência das substâncias é dos mais difíceis de tratar. Há sítios onde
é difícil aceder a um tratamento. Em Portugal, as pessoas achavam que se deviam tratar, mas
que não devia ser perto das suas casas.
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As dúvidas principais tem a ver com o direito – qual o melhor regime? Como é que
devem ser punidas? Só para consumidores? Para traficantes? Ou podemos introduzir comércio
de droga? – redução de danos e dos riscos de consumo – tudo o que tiver a ver com o saber
que há pessoas que vão ter consumo, tentando que elas consumam com menos problemas para
si e para os outros (ex.: oferecer seringas – medida profilática de altíssimo valor por causa do
HIV e das Hepatites, útil para prevenção de doenças relacionadas com o uso de drogas). Quando
se fala de redução de danos sabemos que podem ou não querer tratar-se, mas facilita-se e
melhora-se o consumo. Há contestações porque consideram que estão a ajudar que ele consuma,
achando que se não lhes derem seringas vão inibir-se de consumir. No lugar de comprar heroína
no mercado negro, dá-se-lhes a heroína e metadona, sem precisarem de ter problemas com o uso
dessa droga. Há um conjunto amplo quando se presta auxílio às pessoas. É possível dar coisas a
pessoas, fornecer serviços a pessoas que não estão exatamente a pensar que aquelas pessoas não
vão consumir drogas, mas querem diminuir os riscos. Há questões legais que pode levar a
contradições.
Se for um crime o consumo pode ter um polícia a detetar, o juiz a punir com o máximo e
outro que não, tendo um técnico a tratar uma pessoa.
EM PORTUGAL…
Portugal era um país, até aos anos 70, cuja tradição do consumo de drogas era diferente
de outros países do mundo, não tendo essa tradição, em Espanha consume-se mais do que em
Portugal.
O nosso país tem tradição de utilização de vinho, havendo muitos problemas com
alcoólicos, com o tabaco (fuma-se muito).
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no Porto (Boavista). No ponto de vista da polícia, cria-se uma polícia especial para as drogas,
que mais tarde é reintegrado na Judiciária. Cria um Gabinete Coordenador do Combate à Droga.
O problema ultrapassa os centros. Nos anos 80 está a heroína a entrar no país. Está-se
numa fase de transição, onde o problema de droga se agudiza, mais problemas, mais gente a
consumir. Os nossos níveis de consumo são geralmente sempre mais baixos. Os anos 80/90
veem nascer toda uma nova geração de consumidores de droga. Há uma visibilidade pública do
consumo das drogas, com poucas respostas.
É um problema que começa a trazer uma grande reflexão, de que as respostas deviam ser
equacionadas, com o Governo de António Guterres, com José Sócrates na matéria das drogas,
criaram uma nova estratégia portuguesa para a luta contra as drogas. Em 1998, o governo
decidiu que se devia dar uma nova direção à política das drogas, tendo peritos a dar parecer aos
políticos, percebendo-se que era preciso introduzir políticas de reduzir riscos de danos
(prevenir), cuidar os danos do consumo e mudar a politica da regulação legal das drogas.
Foi no início do século XX, com a preocupação com a saúde das pessoas e uma tentativa
de acabar com tudo o que fazia mal (EUA que queria o mundo puritano), que surgiu a regulação
das drogas.
A intenção do Bispo Brent era acabar com tudo o que era psicoativo, proibindo tudo. O
ideal era um mundo sem drogas. A primeira objeção foi a do álcool. Pelo que a primeira
discussão foi saber quais as drogas. O álcool exclui-se, mas opiáceos ficaram só para produzir
medicamentos. Portanto, uso terapêutico médico, científico era admitido, em Xangai, em 1909.
Já em Haia, em 1912 é introduzida a ideia de interdição, mandando fazer legislação para proibir
o uso de drogas, que cumprem algures nos anos 20. Em Genebra, em 1925 e 1936 é frisado que
não se quer o comércio de drogas.
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Em 1926, é que passou a existir uma legislação que interditiu o uso de determinadas
drogas – Decreto 12 210, de 31 de agosto – 1º diploma substantivo do direito das drogas,
interditou, exceto para uso médico/cientifico, mas não uso recreativo.
O artigo 13º enuncia quais as proibições em matérias de drogas com implicações penais.
Portanto, (artigo 13º, a)) “todo aquele que, sem estar autorizado a negociar com drogas
medicinais, importe ou exporte, detenha, prepare, compre ou venda, ofereça à venda ou
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Alínea b) farmacêuticos que forneçam estes produtos “ao público, sem receita médica ou
em quantidade superior à indicada na receita (…) e as pessoas que procurem obter esses
produtos ou os tenham obtido servindo-se de uma receita alterada ou falsificada ou de uma
receita já aviada” incorre na prisão correcional de 6 meses a 1 ano e multa de 3000 a 5000$00.
Alínea d) “dono ou gerente de casas de reunião e divertimento, tais como clubes e cafés,
ou de casas de toleradas ou de passe que nelas consintam o uso ou tráfico de estupefacientes
incorre na prisão correcional de 6 meses a 1 ano e multa de 3000 a 5000$00 (pena acessória de
encerramento do estabelecimento por tempo não inferior a 1 ano.
Não havia casos de tráfico ou consumo de drogas relevantes. Praticamente, não houve
aplicação. Há legislação que estabelece interdição, no entanto, não há casos.
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A questão, agora, era olhar para o utilizador final – consumidor – quem é e o que se deve
fazer? É alguém que se deve considerar como grave transgressor das normas sociais. É um
criminoso. O indivíduo que vai consumir as substâncias que se proibiu vai cometer um crime e
põe o Estado em causa. Começa a distinguir consumidor de traficante. Devia-se agir sobre ele,
tornando possível que se regenere. Maior penalização para que não se verifica-se consumidores,
ou seja, devia-se prevenir, porque as drogas tinham perigosos diversos sobre a saúde física e
moral (racionalidade criminal).
As leis portuguesas passam a olhar para o tráfico e consumo, sendo preciso diferenciar,
mas punir (também de formas diferentes).
DL 420/70, de 3 de setembro:
− Tráfico (artigo 2º, nº1) – Aquele que importe, exporte, compre, obtenha de
qualquer modo, produza, prepare, cultive as plantas donde se possam extrair,
prescreva, ministre, detenha, guarde, transporte, venda, exponha à venda ou de
qualquer modo ofereça ou entregue ao consumo estupefacientes será condenado
a prisão maior de dois a oito anos e multa de 10000$00 a 100000$00.
− Tráfico (artigo 5º) – O médico que prescreva estupefacientes sem que para tal
haja necessidade terapêutica ou em doses superiores às necessidades
terapêuticas com intenção de favorecer o abuso de estupefacientes será punido
com prisão de dois a oito anos e multa de 10000$00 a 100000$00.
− Tráfico (artigo 5º) – Aquele que forneça indicações falsas para obter uma receita
ou requisição de estupefacientes será punido com prisão até três anos e multa de
5000$00 a 50000$00.
− Tráfico (artigo 6º) – O proprietário, possuidor, detentor, administrador ou
gerente de casas ou recintos, ou por eles de qualquer modo responsável, que
nesses locais consentir o uso ou guarda ilegal de substâncias da lista anexa será
condenado a prisão e multa de 10000$00 a 100000$00.
− Consumo (artigo 2º, nº2) – Se os actos previstos no número anterior se
destinarem a uso pessoal do agente, ou a uso alheio, mas sem intenção lucrativa,
quando se não destinem à prática de crimes sexuais, a pena será de prisão até
dois anos e multa de 5000$00 a 50000$00.
− Consumo (artigo 4º, nº1 e 2) – Quem, por efeito do uso habitual de
estupefacientes, se torne perigoso para si ou para outros, ou provoque escândalo
público, será punido com prisão de seis meses a dois anos e multa de 5000$00 a
50000$00.
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Este decreto de lei diz expressamente que tem dois objetivos: controlar o mercado ilícito
de estupefacientes (já instalado) e controlar a procura (contribuir para o tratamento dos
toxicodependentes). A pena serve, agora, para tratar. O principal objetivo é incentivar o
tratamento (racionalidade biopsicossocial), a ajuda, não pensam nos consumidores criativos.
DL 430/83, de 13 de dezembro:
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A lei de 93 (DL 15/93, de 22 de janeiro) muda a lei para fazer acertos, porque a lógica
continua igual. Penalize-se os traficantes, trate-se os consumidores. A “razão determinante do
diploma” é a da ratificação da Convenção das Nações Unidas contra o Tráfico Ilícito de
Estupefacientes. Secundariamente, o diploma justifica-se na necessidade de adaptações face à
entrada do novo CPP e CP.
− Tráfico e outras atividades ilícitas (artigo 21º): Quem, sem para tal se encontrar
autorizado, cultivar, produzir, fabricar, extrair, preparar, oferecer, puser à
venda, vender, distribuir, comprar, ceder ou por qualquer título receber,
proporcionar a outrem, transportar, importar, exportar, fizer transitar ou
ilicitamente detiver (…) plantas, substâncias ou preparações é punido com pena
de prisão de 4 a 12 anos.
− Tráfico de menor gravidade (artigo 25º): Se a ilicitude do facto se mostrar
consideravelmente diminuída, tendo em conta nomeadamente os meios
utilizados, a modalidade ou as circunstâncias da acção, a qualidade ou a
quantidade das plantas, substâncias ou preparações, a pena é de prisão de 1 a 5
anos.
− Traficante-consumidor (artigo 26º): Quando, pela prática de algum dos factos
referidos no artigo 21.º, o agente tiver por finalidade exclusiva conseguir
plantas, substâncias ou preparações para uso pessoa (as que não excedam o
necessário para o consumo médio individual durante o período de 5 dias) é
punido até 3 anos ou multa.
− Consumo (artigo 40º): Quem consumir ou, para o seu consumo, cultivar,
adquirir ou detiver plantas, substâncias ou preparações, pune-se até 3 meses ou
multa até 30 dias. Nº2 se a quantidade detida ou adquirida exceder a necessária
para o consumo médio individual durante o período de 3 dias pune-se com 1 ano
ou multa até 120 dias.
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O mais importante foi o alargamento do tráfico de menor gravidade, o juiz tem alguma
liberdade de que se a ilicitude for reduzida pode-se incluir muitos traficantes nesta situação. É a
primeira vez que o ato de consumo aparece na lei.
Se é uma lei que quer ajudar o consumidor, há alguém que praticou um crime, mas vimos
como doente, procurou dar mais oportunidades de índole terapêutica para o crime de consumo.
Algum crime que um consumidor de droga cometa poderia aplicar-se um tratamento terapêutico
(e.g. roubo), não está prevista nesta lei.
Artigo 56º - suspensão provisória do processo (pelo M.P., com a concordância do juiz de
instrução do arguido).
Os anos 90 foram os piores. Foi nessa altura que a droga era problemática, relacionava-se
isso com a criminalidade e a segurança das pessoas, relacionava-se com o flagelo do HIV, os
toxicodependentes estavam na linha da frente dos problemas. É uma perceção de que a
penalização não é suficiente e nem o tratamento, senão o agravamento dos problemas
relacionados com as drogas, pelo que há a necessidade de introdução de medidas que visem
assegurar condições sanitárias do uso de drogas e o controlo social dos consumidores.
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tráfico internacional e, ainda, discutem o que se faz com o consumidor: o ato deve ser ou não
um crime? Muitos dizem que não, porque querem ajudar. Portanto, houve uma abertura para
haver a possibilidade do ato deixar de ser considerado como crime, com todo o simbolismo que
isso traz (descriminalização). É radical, porque andava-se numa linha de penalizações
(severidade). Isto acontece na elaboração da ENLCD (1999) – Estratégia Nacional de Luta
Contra a Droga – que tem por consequências, então, a descriminalização do consumo, a adoção
explicita de uma política de redução de riscos (identificando o que é a droga, fazendo testes) e
minimização dos danos (há consumo e vai-se ajudar na redução dos danos, dando seringas, por
exemplo e sítios sanitariamente adequados para tomar as drogas, dando metadona, também) e,
ainda, a reestruturação das estruturas de combate à droga.
O país não quer manter como crime o consumo! Quer descriminalizar – tornar deixar de
ser crime. Teria de se olhar para o artigo 40º, Lei 15/93, foi o que se fez. Ninguém quis tirar a
interdição, não podia ser livre, nem legal. Portanto, o legislador fez uma lei onde remetesse o
ato para a esfera da contra-ordenação (Direito Administrativo). Mas foi-se mais além, pensou-se
que esta descriminalização, a própria condição dizia que os tribunais não eram os locais
adequados para estes consumidores de droga, os melhores seriam os médicos, terapêuticos, pelo
que se sugeriu a criação de entidades novas (ordenação social), era preciso uma nova estrutura
Comissões para a Dissuasão da Toxicodependência (CDT), são entidades administrativas, um
conjunto de profissionais que aplicam a lei e lidam com os consumidores – “desjudicializou-se”.
Quem devia pertencer a esta comissão eram médicos, juristas, psicólogos, assistentes sociais,
tendo o Governo criado uma Comissão para os distritos do país.
É uma lei que visa a “proteção sanitária e social” dos consumidores. Nós não queremos
proteger com quem prevarica, só se tem proteção com os mais jovens, para adultos é algo
estranho. Mas aqui é uma lei que protege adultos.
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O que pode acontecer a quem foi detetado? Criaram-se sanções, inspiradas em Itália
(artigo 17º):
É todo um regime de proteção, que visa proteger e não aplicar sanção nenhuma para o
efeito.
A quantidade necessária para consumo médio individual para o período de 10 dias é uma
contra-ordenação.
No entanto, aparecem pessoas com quantidades superiores a 10 dias que não eram para
venda, mas consumo. Desta forma, após a derrogação operada pelo artigo 28º da Lei nº30/2000,
de 29 de novembro, o artigo 40º, nº2 do Decreto de Lei nº 15/93, de 22 de janeiro, manteve-se
em vigor não só “quanto ao cultivo” como relativamente à aquisição ou detenção, para consumo
próprio, de plantas, substâncias ou preparações.
Nestas circunstâncias o consumo é crime (embora o artigo 40º tenha sito todo revogado,
exceto quanto ao cultivo). As alternativas discutidas no Acórdão seriam: (1) não ser ilegal (dada
a revogação do Artigo 40º da Lei 15/93 e a não previsão na Lei 30/2000); (2) ser tráfico
(ilógica, à partida, porque se trata de consumo); (3) ser uma contra-ordenação (embora a lei
30/2000 tenha expressamente fixado a quantidade).
“A lei conta uma história, a aplicação das leis é toda uma outra história”.
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Desde o inicio do século XX, consequência das convenções internacionais e das leis que
se seguiram na generalidade dos países, surgiu o impedimento do consumo, posse, venda,
exportação, entre outras. Interdição que foi genericamente por via criminal. Os países
introduziram uma intervenção quase sempre avulsa. Portanto, o consumo e posse para consumo
é ato criminal, sendo esta a posição, ainda na maior parte do mundo.
O mundo continua, na sua maior parte dos territórios, com a ideia de que deve responder
com o aparelho penal às drogas, incluindo o seu consumo. Nos últimos 20 anos, tem-se
oferecido mais respostas que quase sempre mantem o princípio do interdito (mesmo para
consumo). Alguns países mantêm a interdição, mas retiraram a ameaça da pena de prisão (às
vezes, chama-se a isso despenalização), ou seja, é menos penalizador. A intenção relativamente
aos atos de consumo foi mais além – procedeu-se a uma descriminalização: o ato punível
criminalmente deixa de o ser. Permanece uma vontade de interdição, permanece como algo que
as pessoas não podem fazer. A sociedade considera errado, só não responde por via criminal,
incorreram noutro tipo de penalização – não é possível prender ninguém por consumo.
No entanto, Portugal não foi o primeiro país foi, sim, os EUA. Em 1971 abre guerra às
drogas, a partir de 1974 descriminaliza o consumo. Deixaram de punir o ato de consumo de
canabinóides em vários estados.
A Itália, em 1975, também descriminaliza. Em 1993, decidiram que não queriam que
fosse crime, através de referendos. Espanha nunca criminalizou diretamente o consumo, quer
dizer que nunca criaram lei que falasse de consumo. Até em 1992, numa lei de segurança
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interna onde diziam que a posse para consumo e consumo merecem sanção administrativa. Vão
diretos para sanção administrativa sem passar por crime.
Mantendo-se o interdito nos países, houve outros que decidiram que não queriam ter
problemas com consumo de determinadas drogas, pelo que decidiram decisões sem mexer na lei
geral, criando as coffee shops, tudo estava marcado pelo mercado negro e máfias que vendiam,
pelo que queriam que os holandeses não tivessem de lidar com esses grupos, criando a
possibilidade de nos cafés existir pontos de venda de cannabis. Pode-se vender legalmente às
pessoas, até determinadas quantidades de drogas. Era possível consumir e vender drogas, sem
mexer na legislação que proíbe todos esses atos. Quer dizer que uma pessoa que consuma ou
venda cannabis faz algo que a polícia não pode fazer nada. Mas como é que a droga chega a
esses locais? Através do mercado negro, a entrada da droga é algo misterioso, certamente ilegal.
Criaram, em nome da separação e da proteção dos seus próprios cidadãos, mas irão sofrer com
isso. Passa-se a ter exceções. Há ainda os clubes cannabicos, como na Bélgica e partes de
Espanha (Barcelona, Catalunha, Países Baixos, entre outras), onde solicitam à autoridade ou
provinciais para ter produção para vender aos seus clientes canabinóides. Os consumidores de
cannabis são bastante criativos e criaram clubes, feiras, jornais de cannabis. Em Espanha, não é
nada fácil, porque é interdito.
Uma possibilidade que não tem utilidade na atualidade, apesar de ter sido discutida é a
possibilidade de legalizar o uso de substâncias. Todo o comércio, todo o que vende incorre num
ato criminal, mas não acontece nada ao consumidor de drogas. A compra passa a ser legal. Não
existe esta possibilidade, não há nenhum país que persiga o tráfico e diga que o consumo é
legal.
O que se tem falado mais é da regulação dos mercados, que é uma ideia de que se tem de
intervir no consumo, mas tem de se fazer alguma coisa importante em matéria de drogas e
políticas de drogas, pelo que se deve mexer com todo o circuito de mercado, ou seja, é torna-lo
legal. É arranjar formas de que se possa produzir, comercializar, vender, comprar e consumir
drogas de forma legal.
As drogas legais para uso sanitário podem também ser reguladas. Existe um movimento
muito importante que tem a ver com o uso de canabinóides: estudos dirão que são para uso
terapêutico. No fundo, é torna-las medicamentos. Trata-se de saber se drogas que habitualmente
são vistas como danosas podem ser usadas para uso terapêutico. No entanto, pode levar ao uso
recreativo.
Mais ousado é solicitar a médicos que forneçam drogas para uso recreativo. Mais à frente,
existe a possibilidade de que existem drogas ilegais usadas para uso recreativo. No estado do
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Colorado, nos EUA, passou a ser possível vender-se numa loja, com marca, expressão de
quantidade cannabis, sendo a partir daí que passamos a ter novas experiências de legalização.
Outros estados também seguiram o Colorado, tendo comércio regulado. Existem campos de
produção, agricultores que pagam impostos para essa plantação, há intermediários de comércio
diverso e lojas de vendas ao público (cerca de 13 países).
O Uruguai foi o primeiro país a ter essa intenção, tendo também a intenção de vender em
farmácias, para uso recreativo. Pelo que a América de Sul assume a mudança das políticas das
drogas, limitando-se à lei dos canabinóides, neste momento.
A dúvida é: até onde pode ir a publicidade? Cavallero nas suas invenções teóricas
propunham a teoria do comércio passivo, não havendo interdição, mas cuidado com a
publicidade, não se deve dar acesso à poderosa indústria que poderia levar ao consumo
excessivo. Cabe aos Estados regular.
O que se tem como formas de legalização? Muito pouco, ainda. As experiências foram de
manter alguma tutela sobre os administradores. Caminha-se devagar para a legalização,
transformando tráfico em comércio legal. O comércio regulado significa uma mudança difícil de
implementar, no entanto, já tem caminhos.
Uma vez que a policia conheça infrações às leis das drogas é obrigatório que comunique
ao Tribunal ou às Comissões de Dissuasão de Toxicodependência. É totalmente impositivo para
a polícia, porque não pode fazer de conta que não sabe.
Mas há uma parte substancial dos delitos que não chegam ao conhecimento das polícias,
porque há a colaboração mínima ou inexistente de vítimas ou cidadãos e, ainda, porque são
atividades clandestinas sem denúncia dos intervenientes (traficantes, dealers ou consumidores).
Em matéria de drogas não há queixas, não se conta com a colaboração, quer nas queixas, quer
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Portanto, a polícia vai ser proativa, fazendo parte dos seus trabalhos saber quem e como
vai ser detidos. Esta é condicionada por fatores extralegais, era conjugado com os poderes do
Ministério Público. Isto depende das competências atribuídas a cada política, depende dos atos
2
administrativos. Além disso, é altamente discricionária a atividade da polícia, há uma
descrição/opção na atuação. Depende dos próprios agentes, porque há uns que acham que se
deve fazer muito nessa matéria, mas outros que acham que não se deve fazer nada. Ressalve-se,
ainda, as pressões políticas e mediáticas que lhes estão subjacentes. A polícia classifica desde
1978, os atos que deteta em três categorias: consumo, tráfico/consumo, tráfico. Todas as
polícias têm um documento próprio que preenche quando regista uma destas atividades. Na
década de 70, a maior parte dos consumidores e traficantes não são detetados. Nos anos 80,
verifica-se um acréscimo, em média de 3000 atos, mais consumo, mais traficantes detetados e,
em 95, não pelo efeito da Lei 93, mas pela atividade policial, começa, verdadeiramente, a busca
policial às zonas urbanas de tráfico. No entanto, o que subiu foram os consumidores e trafico-
consumidores. De 95 ao ano de 2000, os consumidores disparam, passando de 2000 a 5000. Há
a perseguição ao tráfico. O consumo foi descriminalizado e o que faz a polícia é detetar atos de
consumo, apesar da mudança de crime para contra-ordenação. O tráfico/consumo mantém-se
em alta.
Na intervenção da polícia não se apanha as mesmas pessoas. Nos anos 90, a polícia
estava concentrada em heroína, apanhando mais gente por essa substancia do que outra.
Atualmente, quer a heroína quer as polidrogas estão muito menos perseguidas. O que faz é
detetar consumidores de canabinóides. Fruto de uma diminuição dos mercados, há também uma
diminuição dos padrões de consumo dos mais jovens, pelo que a polícia interpretou o seu
trabalho em contacto com a população, atuando no jovem consumidor.
A polícia deteta o tráfico de consumo. Todos os atos criminais são tratados pelos M.P. e
se considerar que há indícios suficientes deverá acusar. Assim, a maior parte dos casos irá a
julgamento. Se se trata de consumo, remete-se para a Comissão. Mas, se a quantidade for
superior, cabe à polícia remeter para as autoridades policiais, a partir de 2008/2009.
Nos anos 90 concedeu-se leis de amnistia: duas por causa das visitas do Papa, o que
acontece é que há um perdão das penas (os presos saem mais cedo), muitos crimes pequenos são
arquivados. Além disso, em abril de 1994 comemorou-se a liberdade (20 anos de 25 de abril).
2 Antes de 1995, já existiam polícias de investigação criminal, ainda que não denominadas dessa forma.
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Os casos de consumo detetados eram amnistiados, muitas vezes, o que fez com que a
percentagem de pessoas condenadas diminua. Na verdade, as penalizações por consumo nunca
foram muito efetivas durante esses anos, o máximo que se alcançou foram em 1997/98. Nos
anos 2000 descriminalizou-se, pelo que não há crime de consumo. A partir de, mais ou menos,
2008 há um crescente de crimes de consumo. No entanto, a partir do momento em que passa a
ser contraordenação, verifica-se um crescente desse fenómeno. As Comissões de Dissuasão
Toxicodependência atuam mais do que alguma vez a polícia atuou. As Comissões começaram a
trabalhar e resolveram 5000 casos por anos, fazendo crescer a sua atividade, pelo que
ultimamente já têm mais de 10000 casos resolvidos.
As policias passaram a detetar outro tipo de pessoas e de consumos. Nos anos 90, a
concentração foi enorme nos toxicodependentes de consumo de heroína. Quando atua a policia,
fá-lo junto de consumidores de canabinóides, que poderão alguns ser toxicodependentes. As
decisões da CDT, 2/3, entre 60/70% em média são medidas de suspensão provisórias do
processo para consumidores, dando-lhe algum apoio (algum acompanhamento com alguma
estrutura, por vezes).
Quando é que se aplicam mesmo sanções? Em cerca de 700 pessoas por ano, número que
tem vindo a crescer. Sanções essas que, basicamente, são multas. O esforço técnico das
Comissões está concentrado nas suspensões provisórias do processo e, ainda, procuram o
encaminhamento para o tratamento.
O que acontece um traficante no sistema? Até ao ano 2000 ia preso, exceto que o tráfico
era de diminuta gravidade. Em 1997/98, manda-se prender 1200 pessoas, por ano. A prisão era
preferencial para o tráfico de drogas. Há menos penas de prisão aplicada com a mesma lei em
vigor, a descriminalização se teve efeito foi simbólico. A Lei 15/93 só perdeu parte de um artigo
(40º).
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Condenados na prisão: em 1991, Portugal tinha cerca de 5000 presos, dos quais cerca de
1000 eram traficantes de droga. Em 2000, tem-se quase 9000 presos, dos quais 4000 são
traficantes de droga (44%). Estamos perante uma prisão maciça de traficantes. A partir de 2007
passou a estabilizar para 2000 traficantes.
Na aplicação das leis das drogas, no que diz respeito à intervenção policial, houve um
aumento moderado dos presumíveis infratores por consumo e tráfico, bem como uma
diminuição da atenção ao mercado de heroína e aumento para o mercado de cannabis.
O exercício da justiça:
Indicadores de consumo
Pode-se ainda ver dados oficiais, como dados de saúde, quantas pessoas precisaram
tratamento e saber os danos de consumo.
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O inquérito “European School Survey Project on Alcohol and Other Drugs” é o mais
antigo realizado na população escolar, verificando-se que 11/12% dos portugueses tiveram
alguma experiencia de consumo de drogas, registando-se, ainda valores mais baixos do que na
Europa. O consumo manteve-se relativamente estável, em níveis baixos, em Portugal, dizendo-
se internacionalmente que é possível mudar o esquema criminal do consumo sem que daí ocorra
uma desregulação do mesmo. Na população geral, somos menos consumidores e nas populações
jovens aproximamo-nos dos outros países. Os países com maior consumo são os mais
desenvolvidos. Poder-se-ia dizer que um em cada seis jovens, de 16 anos, experimentou.
Na área da saúde e danos associados ao consumo (SIDA), antes não tinham nada
relacionado à partida, não há na substância SIDA. Os consumidores de uso endovenoso, em
particular, podem contaminar a pessoa, não por causa da droga, mas pelo sangue de outra
pessoa que pode estar contaminado. Estas pessoas passam a ter um problema de HIV e
desenvolvem a síndrome de endoficiência, no futuro. O problema do HIV surgiu, nos anos 80,
designadamente, em homossexuais, em São Francisco. Começa-se a verificar, em Portugal, a
partir de 1985, na comunidade homossexual. Aumentou exponencialmente de 1985 para o ano
2000. No primeiro momento era para toxicodependentes são maiores dos que não
toxicodependentes. Os toxicodependentes por via endovenosa são cerca de 40 mil, sendo uma
ínfima parte. Passando a ter cada ano, cumulativamente, mais de 1000 pessoas por ano.
A 30 de junho de 2017:
− 11020 casos de obtidos em casos de infeção por HIV e 8879 casos de óbitos em
casos de SIDA;
− 5499 associados à toxicodependência (50%) em casos de injeção por HIV e 4459
associados à toxicodependência (50%) em casos de SIDA;
− Em 2012, estimativa de uso endovenoso de 124426 e estimativa mais eleveada de
consumidores problemáticos, pelo multiplicador de tratamento, de 42237 a 50467
(menos de 0,5% da população portuguesa).
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Havia uma grande liberalidade, até ao início do século XX, pelo que o Direito tem um
papel limitado, por motivos históricos. Demorou 100 anos a intervir. Na história, a maior parte
dos tempos, não houve regulação do direito legal nas drogas. O comportamento das pessoas
depende das normas pessoais e sociais, ou seja, o controlo depende de normas e sanções não
legais. Quando se diz à população que é proibido, que é crime, deve-se contar com as
convicções das pessoas. As normas sociais, por vezes, são mais fortes e podem ser
conflituantes. O que é relevante é a norma social. O direito vai lutar contra isso, vai ter uma
ação limitada. Acresce que quando se quer que o direito interfira na matéria de drogas, defende-
se o tratamento, pedem-se medidas terapêuticas à saúde.
Mas o direito, também, tem um papel central, porque declara. A lei serve para declarar
(efeito declarativo) o reforço das normas sociais contra o consumo. Portanto, o papel central é
declarar que são más. Tem, ainda, um efeito dissuasivo – diz-se que são más, mas não chega,
tem de haver uma ameaça como inibidor do consumo. A lei quer ajudar o tratamento (efeito
terapêutico), ou seja, há uma ameaça da sanção como alavanca para o tratamento. Portanto,
quer-se o direito no controlo das drogas, quando se pune o consumo, quando se impõe sanções e
quando se remete para tratamento.
Quando se usa esta matriz da norma legal, da proibição, o primeiro debate sobre isto é
profundamente ideológico que procura saber se isto é mais ou menos eficaz. Em primeiro lugar,
o debate engloba pessoas que tentam apresentar as suas ideologias, dizendo que temos um
esquema geral de introdução do direito como formas de controlo, tendo postura repressiva
(“guerra às drogas”). Dizem que há mais problemas, mais consumos, mais danos do consumo,
os países têm problemas, as doenças proliferaram. Fez-se uma dura intervenção, mas não
melhorou, segundo os antiproibicionistas, a guerra causa mais problemas do que os resolve.
É uma polémica indecidível, porque não se saberia como seria o mundo se não tivessem
existido as convenções e proibições.
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A base proibicionista continua no nosso país e noutros. O uso de drogas tem custos para a
saúde, poderá gerar um padrão de doença, sofrimento devido a doenças físicas ou mentais
− Violência
− Criminalidade aquisitiva
psicofarmacológica;
− Sentimento de desordem
SEGURANÇA E
pública;
ORDEM
− Sentimento de impunidade;
PÚBLICA
− Violência económica-
compulsiva;
− Custos policiais, judiciais e
penitenciários;
− Congestionamento dos
tribunais
− Invasão da privacidade
individual;
− Corrupção de autoridades
legais, estigma de registo
criminal e prisional
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JUSTIÇA
CRIMINAL
Danos sociais – não cabe ao serviço penal tutelar os danos sociais e não há maneira de
justificar uma penalização dos consumidores, tem de haver um dano sério que derive do uso
sério de drogas, que ultrapasse o dano que provoca a si próprio. Para danos pequenos não cabe a
tutela penal, sendo que a maior parte não produz danos à sociedade. Não há dano considerável,
pelo que o aparelho penal deve abster-se de punir.
Para termos um Direito Penal sustentável é preciso que os danos contra terceiros sejam
diretos para que se lhe sejam imputados (ex.: roubo, violação).
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O conhecimento empírico
Proibir e não proibir é uma questão mais ideológica, pelo que se deve olhar para questões
mais concretas para ter dados científicos sobre a capacidade de regular o uso de drogas das
populações, percebendo se há alguma norma instituída com eficácia superior.
Neste sentido, vale-se a diversidade de regimes leis e formas de aplicação das leis, que
têm vindo a ser diferentes, em cada país. Como há diversidade pode-se tentar perceber como se
compara as jurisdições diferentes de países ou de Estados, percebendo-se onde há mais
consumo e quem é mais capaz de regular.
A primeira ideia é que se se tiver uma legislação mais restritiva o consumo das
populações diminuiria. Nos que há uma liberdade imensa não há tal dimensão do consumo. Em
Portugal, descriminalizou-se, defendendo-se que seria mais benéfico. É preciso comparar para
saber qual a melhor maneira de regular e diminuir o consumo. Associada a este a segunda
maneira de olhar para isto é pelos efeitos das legislações. Aqui usa-se dados legais, para
comparações.
Há um método alternativo que vem de uma linha de investigação que se chama Dissuasão
Percetual. Recorde-se as perspetivas instrumentais de dissuasão, Beccaria dizia que o
comportamento criminal, quanto mais for controlado, quanto mais certa, severa e célere for a
pena melhor. Desta forma, no consumo de drogas deveria ter-se uma pena severa que levasse à
dissuasão para não se consumir, sendo certa, ou seja, deveria ser curto o prazo da sua punição.
Beccaria já dizia que isto tem a ver com o psicológico individual, já que sabem com uma
certeza iminente que será punido, pelo que não o fará. As perspetivas instrumentais procuram
saber em que medida as penas severas, certas e céleres levam à inibição de consumo. O
pressuposto é que quanto mais o risco estimado de fazer o crime está inversamente relacionado
com o comportamento. Esta é feita por inquérito. Espera-se que quanto mais o risco de ser
detetado (ou mais elevada a pena) menor será o comportamento. Se sabe que vai ser detetado
não vai consumir.
O sistema de justiça quer ajudar no tratamento à prevenção das drogas, a lei tem esse
intuito, é esta a grande penalização dos consumos, isto é, é para ajudar quem prevarica. Assim, é
importante olhar para a capacidade que existe quando a justiça atua com tratamento se isso tem
64
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efetividade e eficácia – se, de facto, se aplica e quando se aplica as pessoas depois ficam
melhores?
Os EUA são considerados bastante restritivos, mas consume-se bastante, muito mais do
que na Europa. Segue-se o Canadá com altos níveis de consumo, também, é restritivo. A Suécia
segue a mesma linha. Os mais tolerantes são Holanda, Austrália (considerada ainda mais
liberal), mas têm bastante consumo de droga. Não há a esperada correlação. Os liberais
deveriam ter mais consumo e os restritivos não.
A legislação e forma de aplicação não demonstraram ter uma relação importante com o
consumo de drogas.
Para se ter valores mais fidedignos, compare-se quanto à cannabis – número de efectivos
são 25 milhões nos EUA, 15 milhões americanos, 180 mil portugueses. Países mais
desenvolvidos têm mais consumos dos que não desenvolvidos. Nos delitos de uso de drogas
detetados, tem-se muitas variâncias, a Espanha e Suécia tem muita repressão.
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O risco de ser detido detêm uma correlação não significativa com a prevalência do uso de
drogas (Rs=-,08; p>,05). Também não se encontra uma relação entre quem tem
descriminalização com o uso de cannabis (Rs=-,18; p>,05) ou com o risco de detenção
(Rs=-,14; p>,05). Espanha tem alto nível de uso e alto risco de detenção. República Checa alto
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nível de uso e muito baixo risco de detenção. Em Itália há um médio nível de uso e baixo risco
de detenção. Por fim, Portugal tem baixo nível de uso e médio risco de detenção.
Continua-se com ausência de capacidade de provar um dado que seja inequívoco que
mostre que possibilidade alta de detenção sobre consumidores, gere menor nível de uso de
drogas.
Alterações legais
Há alterações legais, até no que diz respeito às drogas – cannabis legal no Canadá, no
Colorado, entre outras. Em 1971, há guerra às drogas e ao mesmo tempo o Congresso
Americano diz que se deve descriminalizar. Nos EUA, na sequência da recomendação do
Senado, alguns Estados decidiram nos anos 70, descriminalizar a cannabis. Há, assim, uma
espécie de dicotomização – há estados dos EUA onde é crime, noutros não. Com base nesta
realidade histórica, os americanos estudaram estas distinções. Os que descriminalizaram vão ter
mais consumo dos que não descriminalizaram (esperava-se). Os estudos mostram que os
Estados com descriminalização têm um consumo superior (pequeno) dos que não
descriminalizaram (já eram estados com consumo de drogas). Não se provou uma definitiva
alteração dos padrões de consumo desses Estados.
Na Austrália, uns anos depois, nos anos 80, a Austrália do Sul deslegalizou a cannabis.
Deixa de ser crime, passando a ser multa. O Instituto Australiano de Criminologia estudou isto,
olhando para os valores de consumo. Em Camberra também se descriminalizou. Desta forma,
ficou com os Estados divididos na descriminalização de drogas, mostrando-se o mesmo “efeito”
que aconteceu nos EUA – não houve grandes alterações de quem tinha criminalizado o
consumo de droga e dos que descriminalizaram. Há muito mais atuação sobre o consumidor do
que havia antes, quando se descriminalizou.
Espanha tem poucos estudos sobre as alterações legislativas, mas em 1992, criaram os
esquemas administrativos, começando-se a subir os números de consumo. Itália, em 1975, foi o
primeiro país a descriminalizar o consumo técnico de drogas. Em 1990, no auge de problemas
das drogas que emergia na Europa, sendo um governo muito conservador, criminalizou o
consumo. Houve muita contestação, surge um referendo popular, em 1993, votando que não
devia ser crime.
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Os estudos de dissuasão são estudos de inquéritos, não interessa o regime legal em causa,
é importante questionar as pessoas sobre o consumo de drogas e a sua perceção de ser punido.
Estes têm dito que a severidade não é relevante, ser muito severo não importa muito para o
comportamento de pessoas. Assim, é um dado contrário ao esperado. O risco de ser detido tem a
ver com o padrão de consumo das pessoa não se encontra resposta com esta dissuasão.
Aplicam-se, normalmente, a pequenos crimes (furtos, condução com álcool, …), não só
às drogas. Esta linha de investigação, no uso de drogas, questiona as pessoas sobre a doutrina da
dissuasão – certeza de ser punido, severidade, celeridade. O que se defendia era que quanto
mais certa, mais severa e célere fosse a pena, menos crimes eram cometidos. Esta teoria da
dissuasão percetual segue a mesma linha de pensamento de Cesare Beccaria. De facto, quanto
mais considerar que pode ser sancionado menos crimes cometa, segundo muitos estudos da
literatura. Haverá uma correlação entre a estimativa de ser detetado e a estimativa de consumo.
Na verdade, os estudos ainda que tendam dar revelo a esta relação, estas correlações são muito
baixas, não se encontrando uma consideração muito importante. Acresce, ainda com estudos
mais especializados, que há uma série de mecanismos pessoais que leva à diminuição da sua
certeza de punição. Não há a força efetiva da lei no pensamento das pessoas. Parte-se do
princípio de que há um raciocínio para o consumo de drogas.
Além disso, houve outras preocupações de ordem normativa, tendo a ver com normas
sociais e integrativas, perguntando-se se achavam correto/aceitável usar drogas; “os teus amigos
acham aceitável o uso de drogas”, mede-se fontes de pressão social, face à nossa atitude,
perante as drogas e quem os rodeia. As normas interiorizadas, as atitudes ou normas sociais são
as que têm fortes correlações com o comportamento de consumo de drogas, contrariando a
baixa correlação que a certeza de punição, celeridade e severidade tinham com este
comportamento. As perspetivas normativas sobrepõem-se às instrumentais, ou seja, as normas
sociais são mais relevantes do que as leis. Portanto, a ameaça de sanção legal tem um peso
muito reduzido na modificação do comportamento.
As legislações que mantem o interdito têm uma intenção, especialmente, por quem tem
dependência, ajudando ao tratamento. Dizer que há um conjunto de medidas que podem ser
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accionadas na sequência de um processo legal sobre pessoas com problemas de uso de drogas e
pratica de crimes (roubos, furtos, …), podendo ser encaminhados para tratamento.
Há uma objeção de base que é: as pessoas estão lá, porque foram medidas, são exteriores
ao sujeito, os clínicos nem sempre estão inclinados para esta correção (tratamento). Tratam-se,
perante algum tipo de coação legal. A eficácia desta medida é sempre limitada.
Os EUA tem muitos estudos, pelo que através dos Drug Courts (programas mais
sistemáticos) têm sido intensamente analisados e as meta-análises mostram uma diminuição de
8 a 26% a reincidência criminal (Marlowe et al., 2012). Pode-se usar medidas de coerção desde
que devidamente cuidadas para as utilizar como meio eficaz de reduzir a criminalidade dos
sujeitos e o seu consumo.
Na maior parte dos países o que se aplica são as penas tradicionais – prender ou multar –
e só raramente se utilizam as injunções terapêuticas. Faz-se de forma desigual (discriminatória),
faz-se nuns locais e não noutros. Quando aplicadas, este tipo de medidas poderá ter um
benefício, tendo particularmente interesse para outros crimes que não só os que estão
relacionados com as drogas.
A relação entre droga e crime é complexa (“tudo menos simples”). Tudo o que é crime no
que tem a ver com drogas é legislação avulsa.
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exemplo, tráfico de drogas; furtos; …) não a outros (por exemplo, crimes violentos e sexuais).
Estes indivíduos tendem a ser mais precoces no crime, menos inseridos socialmente a apresentar
maiores taxas de reincidência, são, ainda, mais difíceis de trabalhar, falham mais, há mais
problemas. Portanto, quem praticou crimes tem, muitas vezes, consumo de drogas, mas o tipo
de crime tem muita relevância.
Estes estudos empíricos afirmam que, ainda, numa visão mais direcionada para os
consumidores de droga e não delinquentes, a maior parte dos utilizadores de drogas não tem
contactos com o sistema de justiça e que a prática de atos delinquentes tende a preceder o
consumo de drogas. A correlação droga e crime deve fugir a estereótipos, porque os
consumidores de droga não praticam atos delinquentes. A ideia do senso comum é que a droga
leva ao crime, pensando-se que se não houver droga não haverá crime. Todavia, muito
frequentemente, nas trajetórias de vida das pessoas o crime precede o consumo de drogas.
Através de estudos empíricos, percebe-se que se deve pensar no sentido inverso – gente que
pratica crimes poderá passar ao consumo de drogas.
Porque é que quem consome drogas tem mais possibilidade de cometer crimes?
Poderá ser por questões financeiras e, ainda, porque o consumo de drogas poderá levar ao
descontrolo e agressão. Além disso, o consumo de drogas, levará a desemprego e,
consequentemente, procurarão arranjar dinheiro, através do crime. Em todos os casos
enunciados, vê-se que a Droga leva ao Crime, o facto de estarem correlacionadas não quer dizer
que há causalidade. O facto de existirem consumo de drogas potencia os crimes é a hipótese
mais pensada. Mas pode acontecer que o Crime cause a Droga.
E se Droga e Crime estiverem correlacionadas, porque alguns fatores são comuns aos
dois? Os consumidores de drogas terão caraterísticas de ambientes desfavoráveis, famílias
destruturadas, baixa supervisão parental, baixo autocontrolo, mais impulsivos, mais inseguros.
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Faculdade de Direito da Universidade do Porto
A correlação entre dois fenómenos pode ser espúria, por vezes. Talvez, haja aspetos
espúrios. Deve-se pensar a relação droga e crime numa forma probabilística e não
determinística, que varia com o tempo, com as drogas, contextos sociais e até com a legislação.
É uma relação altamente complexa, tendo base empírica que diz haver correlação.
Droga Crime
Terceiro, o modelo “sistémico”, ou seja, tem a ver com o sistema de regulação de vendas
de drogas em geral. Portanto, são crimes que decorrem do facto de existir um mercado ilegal de
drogas competitivo e criminal, por si. O crime ocorre no âmbito desta relação de compra e
venda (compra de juízes, de presidentes da República, por exemplo). Nos contextos sociais a
probabilidade de haver crimes relacionados com a venda é forte. É possível diminuir esta
violência sistémica? É, regulando. No momento atual, a existência de situações de violência é
uma realidade. Em Portugal, o crime registado não tem tanto a ver com isto.
Mas, ainda, na base causal há quem defenda o Crime como aumento do uso de Drogas.
Crime Droga 71
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O causal invertido, neste defende-se que é o crime que levará à droga e não ao contrário.
Não se pode ver só do ponto de vista causal, há algo mais complexo. Surge ainda o modelo
tripartido.
Nestes vê-se a tendência sociológica e psicológica é o estudo das pessoas que têm atos de
consumo e atos criminais. Há pessoas que só consomem drogas e outras que só praticam crimes,
o que diminui o peso da relação droga-crime. Todos os utilizadores de drogas que não praticam
crimes (maioria) ajudarão a negar a teoria da relação.
− Associação com pares delinquentes – o problema não é a associação com pares, mas
sim a associação com pares delinquentes e que, às vezes, são pessoas que se dão
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exclusivamente com eles. É um fator muito forte. Agrupam-se por interesses desviantes
e atividades da mesma índole. A via organiza-se em função do desvio e não da norma;
O autor defendia que, para além dos fatores de risco comuns, existia também um estilo de
vida desviante em relação às normas que era comum entre os delinquentes, ou seja, os interesses
e as formas de funcionar, pensar e agir são diferentes da normatividade. Na presença dos fatores
de risco acima mencionados, os indivíduos que praticam fases de consumo e atividade criminal
podem passar por diferentes graus de envolvimento como:
2. Reforço Mútuo – esta é diferente da conceção acima proposta, pois ambas as ações
podem se reforçar simultaneamente (tanto o crime leva ao consumo, como o consumo
leva ao crime).
2. MODELO EXPLICATIVO (CÂNDIDO AGRA): Este modelo faz uma “repetição” dos fatores
de risco, ou seja, o autor também defende que há fatores de risco comuns entre a relação droga e
crime. Assim, vai defender que existe:
3 É possível que o indivíduo progrida e regrida, nestas fases, por exemplo, há fases (tendo em conta a
idade) que o indivíduo se sente mais “capaz”, mas outras em que ele “acalme”, sendo que aos 50 anos
esta tende a acalmar devido à força física diminuída.
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− Desviância latente como fator comum – esta funciona como uma espécie de
predisposição para não cumprir regras, sendo, então, explicativa dos fatores de risco
comuns às pessoas que tomam drogas e praticam crimes. Pode integrar:
▪ Vinculação social precária – esta está associada a um meio que é, já por si só,
austero e difícil de gerir que leva a pessoa, com muita frequência, a aderir a
formas subculturais de desviância. Ou seja, a própria pessoa já tem problemas
internos e negativos, sendo que a socialização com os outros e com o meio que
ao rodeia é muito complicado e, portanto, este “afastamento” da sociedade,
leva-os a subculturas que, normalmente, são delinquentes.
São três dimensões que analisam a predisposição e a possibilidade que as pessoas têm de
resolver estas dificuldades com um conjunto de normas e valores, onde aquilo que há são
valores convencionais diluídos (fatores de risco que conjugam com alguma frequência das
pessoas que optam por tomar e traficar drogas). Portanto, existirá esta composição entre as
dificuldades das pessoas e os meios onde se inserem que permite estarmos perante um conjunto
de pessoas que têm maior probabilidade de praticar crimes, consumir drogas e ter uma vida
onde isso vai ter uma importância relevante por contraposição com outras pessoas que sejam
mais seguras de si e que tenham uma personalidade mais bem estruturada e estável e/ou meios
mais fáceis de vida onde se torna menos provável esses cometimentos de atos desviantes.
Probabilidade acrescida de risco.
Estes grupos de extremos podem resultar desta desviância latente, só por si não explicam
esta relação entre droga e crime porque são uma espécie de disjunção. Existem, portanto, vários
indivíduos que são mistos onde começa a aparecer uma sobreposição dos comportamentos por
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Faculdade de Direito da Universidade do Porto
variadíssimos motivos. O que é certo é que existe uma certa predisposição para praticar ambos
os comportamentos: os criminais e os de consumo de drogas. Aqui já temos estilos de
operacionalização de desvio onde coocorrem estas duas possibilidades em simultâneo, mas o
problema é perceber qual é a predominante e qual começa primeiro.
75
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À medida que se aumenta a ligação, é mais difícil as pessoas inverterem este processo.
Contudo, não é de todo impossível.
A atitude deve ser a de questionar o que se faz, visando obter informação sobre a forma
como se faz e sobre os resultados obtidos. Todos falam de avaliação, mas de facto, não existe
uma efetiva cultura de avaliação.
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Questões da avaliação:
1. Porque se avalia?
2. O que se quer avaliar?
3. Que necessidades foram avaliadas?
4. Como se planeou a intervenção?
5. Como se implementou a intervenção? Há diferenças no que se diz fazer e no que se
faz, por isso, temos de verificar qual foi o processo de implementação do programa.
6. A intervenção teve os resultados ou impactos esperados) há resultados e fins ou não?
Tipos de avaliação
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Desenhos de avaliação
1. Nível I – correlação entre programa e medida (p. ex.: crime) num dado momento;
2. Nível II – avaliação antes e depois;
3. Nível III – avaliação antes e depois com grupo de controlo;
4. Nível IV – avaliação antes e depois com grupo de controlo e controlo de variáveis;
5. Nível V – avaliação antes e depois com grupo de controlo e randomização.
As intervenções devem ser analisadas não pelas suas intenções, mas pelos resultados a
que chegam, quer na incidência (número de comportamentos), quer na prevalência (número de
pessoas que se comporta de determinada forma) ou nos danos causados pelos comportamentos e
no retorno comparativo dos custos com os comportamentos prevenidos.
Quanto à delinquência:
1. Auto-relato;
2. Vitimação;
3. Dados oficiais.
1. Saúde física;
2. Doenças (HIV; Hepatites; tuberculose);
3. Saúde mental
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Faculdade de Direito da Universidade do Porto
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