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Marco Civil da Internet: Segurança Jurídica

O documento discute a importância da Lei Federal nº 12.965/14, conhecida como Marco Civil da Internet, que regulamenta as relações digitais no Brasil e garante a Segurança Jurídica. A lei, sancionada em 2014, estabelece direitos e deveres para o uso da internet, promovendo maior segurança para usuários e empresas. Apesar de ser considerada incompleta, o Marco Civil foi um passo crucial para a legislação digital no país, alinhando-se a normas internacionais.
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O documento discute a importância da Lei Federal nº 12.965/14, conhecida como Marco Civil da Internet, que regulamenta as relações digitais no Brasil e garante a Segurança Jurídica. A lei, sancionada em 2014, estabelece direitos e deveres para o uso da internet, promovendo maior segurança para usuários e empresas. Apesar de ser considerada incompleta, o Marco Civil foi um passo crucial para a legislação digital no país, alinhando-se a normas internacionais.
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DIREITO DIGITAL

Texto base

3
A Importância de Lei Específica para Regulação
da Internet no Brasil e o advento da Lei 12.965/14

Professor MSc. Mathias Yoneda Naganuma

Resumo
O surgimento, conceito e importância da Lei Federal nº 12.965/14 - Marco Civil da
Internet - para a sociedade brasileira garantindo o Princípio Constitucional da
Segurança Jurídica para as relações digitais em território nacional.

1.1. Surgimento e Conceito da Lei Federal nº 12.965/14.


A hoje Lei 12.965/14 mais conhecida como Marco Civil da Internet deu seus
primeiros passos no Congresso Nacional como Projeto de Lei no ano de 2011.
Aprovada e sancionada pela presidente da república Dilma Rousseff em 23/04/2014
com sua entrada em vigor em 23/06/2014.
O Marco Civil da Internet foi a primeira Lei que regulamentou as relações
digitais no território nacional. Costumeiramente dizemos no meio jurídico que o Marco
Civil foi uma grande "Constituição da Internet", pelo fato de ter sido uma legislação
norteadora para o digital de modo que posteriormente viriam outras Leis que
normatizariam pontos específicos da Lei 12.965/14, como por exemplo a Lei 13.709/18
mais conhecida como Lei Geral de Proteção de Dados .
Dessa forma, o Marco Civil da Internet estabeleceu em seus 32 artigos
princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil que muito
embora ela nos pareça um tanto quanto incompleta, teve papel fundamental para a
sociedade brasileira como um todo.
Além disso, é importante lembrar que tanto Estados Unidos como União
Europeia já regulamentavam suas relações digitais desde a década de 90. Nesse passo, é
possível dizer que a Lei 12.965/14 fora um compêndio de pontos retirados das Leis
americanas e europeias.

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1.2. Princípio Constitucional da Segurança Jurídica.

Um dos principais aspectos positivos que justificaram a elaboração de norma


específica para regulamentar as relações digitais em território nacional foi para garantir
o Princípio Constitucional da Segurança Jurídica, previsto no Artigo 5º, inciso XXXVI
da nossa Carta Magna de 1988, isto é: "a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato
jurídico perfeito e a coisa julgada."
O doutrinador José Afonso da Silva em sua obra "Comentário Contextual à
Constituição (2006) assim dispõe "a segurança jurídica consiste no conjunto de
condições que tornam possível às pessoas o conhecimento antecipado e reflexivo das
consequências diretas de seus atos e de seus fatos à luz da liberdade reconhecida".
Em outras palavras, pelo fato de não haver até então uma Lei específica para a
"Internet" no Brasil, o principal impacto foi o de afastar investimentos tanto nacionais
como internacionais em todos os negócios que circundam os negócios digitais uma vez
que relações comerciais em que não há Segurança Jurídica, ou seja, uma uma diretriz,
uma certeza do que pode vir ou não a acontecer em termos de políticas públicas pelo
tríplice Poder, isto é, Executivo, Legislativo e Judiciário, não justificam novos
investimentos no país, pois "a regra do jogo" pode mudar a qualquer momento.
Um exemplo do que pretendemos dizer é o caso da retirada de conteúdo da
Internet. Até o advento do Marco Civil da Internet, os operadores do Direito (juízes,
promotores, advogados) não sabiam ao certo o que fazer, bem como as empresas com
negócios online no Brasil e ao final quem quase sempre saia prejudicado era o usuário.
No caso da retirada de um conteúdo supostamente ilícito da Internet não havia
uma definição de qual procedimento adotar, ou seja, se bastava uma Notificação
Extrajudicial ao Provedor de Conteúdo ou se era necessária uma Ordem Judicial. No
caso em tela, se o Provedor de Conteúdo retirasse o conteúdo da Internet mediante
apenas a uma Notificação Extrajudicial ela poderia ser acusada de censura, tendo em
vista que não compete à empresa decidir se tal conteúdo é de fato ilícito ou não.
Todavia, caso não retirasse tal conteúdo online e houvesse uma ação judicial para tal
fim, o Provedor de Conteúdo seria colocado no polo passivo da ação incorrendo em
mora e possivelmente tendo que arcar com eventuais danos morais ou materiais.
Sendo assim, o Marco Civil da Internet acabou com a discussão impondo
definitivamente que a retirada de conteúdo somente se dará mediante ordem judicial.
Entretanto, impôs algumas exceções, como no caso de violação de direitos
autorais (ainda no aguardo de regulamentação específica) e violação da intimidade
decorrente da divulgação, sem autorização de seus participantes, de imagens, de vídeos
ou de outros materiais contendo cenas de nudez ou de atos sexuais de caráter privado.
Nesses casos específicos não se faz necessária a ordem judicial, bastando uma
notificação extrajudicial ao provedor de conteúdo para que retire o conteúdo da Internet.
(vide Artigo 21 da Lei 12.965/14).
Outro ponto que merece destaque é a previsão pelo Marco Civil da Internet de
que as empresas com negócios online em território nacional constituíssem um escritório
no Brasil, com representante legal que respondesse juridicamente pela empresa, uma

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vez que de nada adiantaria uma ordem judicial, uma notificação extrajudicial ou mesmo
a Lei 12.965/14, se não houvesse alguém para responder pela empresa.
É preciso lembrar que este é mais um item que conferiu tanto às empresas como
aos usuários maior segurança jurídica em suas relações digitais, haja vista que a
legislação brasileira não tem competência extraterritorial (salvo exceções) sob pena de
transpor a independência e autonomia de cada Estado Nação, bem como de eventuais
Tratados e Acordos Internacionais dos quais o Brasil seja signatário.
Portanto, caso não exista um representante legal para responder pelos atos da
empresa dentro do nosso país, a norma seria inócua, ou seja, não produziria os efeitos
pretendidos. Ademais, a prestação jurisdicional pretendida, no sentido da celeridade
para proteção do usuário não seria atingida.

1.3. DMCA “Digital Millennium Copyright Act” (1998)


O DMCA foi criada em 1998 pelo governo norte-americano com o objetivo de
combater a pirataria. Daí nasceu a expressão "Notice and Take Down", isto é, bastava a
mera notificação extrajudicial para o provedor de aplicações de internet para que tal
conteúdo infrator de direitos autorais fosse retirado da web. Evidentemente, para tal era
preciso provar que de fato o conteúdo apontado como infrator era realmente de sua
autoria.
Contudo, atualmente com os avançados algoritmos, ainda que possa parecer
utópica a possibilidade de retirar um conteúdo infrator de direitos autorais da Internet,
em virtude de sua rápida propagação, não é tarefa difícil de ser operacionalizadas pelos
Provedores de Conteúdo, Ferramentas de Busca e etc.
Introduzimos o DMCA americano apenas a título de demonstrar que os países
estrangeiros em especial os Estados Unidos e a União Europeia já vêm regulamentando
suas relações digitais há mais de 2 décadas a fim de proporcionar maior Segurança
Jurídica tanto para os usuários como para as empresas com negócios online.
Vale dizer, por fim, que o Marco Civil da Internet fez previsão a tal dispositivo,
mas que por ora, tal tema ainda está sujeito à Lei de Direitos Autorais.

1.4. Considerações finais.


Como foi possível observar nesse primeiro momento, no nosso ponto de vista o
Marco Civil da Internet foi uma Lei extremamente relevante para garantir maior
Segurança Jurídica às relações digitais no Brasil que ficavam à mercê de decisões
legiferantes do judiciário a quem não lhe compete legislar, mas garantir a aplicabilidade
da Lei bem como apurar a sua constitucionalidade.
Como dito anteriormente, a Lei 12.965/14 ainda que teoricamente incompleta,
foi o primeiro passo norteador para outras normas que ainda estão por vir.
O Marco Civil da Internet apesar de ter chegado atrasado em comparação com o
Direito Internacional, atingiu seu objetivo de promover o bem estar social e garantir o
Estado Democrático de Direito no tocante às relações digitais.

1.7. Referências

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LEONARDI, Marcel. Responsabilidade Civil dos Provedores de Serviços de Internet.


São Paulo: Saraiva. 2005.

NAGANUMA, Mathias Yoneda. O Direito de Ser Esquecido: relações democráticas


entre o viver on e off-line. Saarbrüken – Alemanha: Novas Edições Acadêmicas. 2016.

PINHEIRO, Patricia Peck. Direito Digital. São Paulo: Saraiva. 2013.

SILVA, José Afonso da. Comentário Contextual à Constituição. São Paulo. Malheiros.
2006.

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