Gastrites e Dispepsia: Diagnóstico e Tratamento
Gastrites e Dispepsia: Diagnóstico e Tratamento
CLÍNICA MÉDICA X
GASTRITES, GASTROPATIAS
E DISPEPSIA
1
SUMÁRIO
1. O estômago . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
2. Gastrite x gastropatia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
2.1. G
astrite por helicobacter pylori . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
2.2. G astrite atrófica autoimune . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
2.3. G astropatia hemorrágica erosiva aguda e gastropatia reativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
2.4. Ectasia vascular antral (GAVE) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
2.5. Gastrite eosinofílica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
2.6. G astrite flegmonosa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
2.7. Gastrite linfocítica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
2.8. Gastropatias hipertróficas (incluindo doença de ménétrier) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
3. Dispepsia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
3.1. Tratamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
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GASTRITES, GASTROPATIAS
E DISPEPSIA
importância/prevalência
u Gastrite e gastropatia são termos diferentes definidos por meio da análise histopatológica. A gastrite é
secundária a infecções e a doenças autoimunes, e a gastropatia, por sua vez, geralmente está relacionada
com irritantes de mucosa.
u A gastrite por H. pylori é a mais comum, e o maior risco de infecção é na infância.
u Principais indicações de pesquisa: dispepsia, doença ulcerosa péptica, linfoma MALT, história pregressa
ou familiar de câncer gástrico.
u Para diagnóstico, o teste não invasivo padrão-ouro é o da ureia respiratória, enquanto o invasivo é a
histopatologia.
u O tratamento de primeira linha é a associação de amoxacilina + clatritromicina + IBP, por 14 dias.
u Em relação à dispepsia, é importante saber quando indicar a endoscopia: pacientes com mais de 40 anos
com dispepsia não investigada, não respondedores de tratamento empírico e com sinais de alarme.
BASES DA MEDICINA
Fonte: Olga Bolbot/Shutterstock.com¹.
3
Gastrites, gastropatias e dispepsia Gastroenterologia
proteção. Além disso, suas glândulas são divididas produção de ácido clorídrico (HCl) e fator intrínseco;
em 2 tipos: oxíntica e pilórica. 2) células zimogênicas (ou principais), as quais
secretam pepsinogênio e lipase; 3) células neuroen-
As glândulas oxínticas compreendem 80% do órgão
dócrinas, tipo enterocromafim (ECL), produtoras de
(fundo e corpo) e são compostas por: 1) células
hormônios, como a histamina (Figura 2).
parietais (ou oxínticas), que são responsáveis pela
4
Gastrites, gastropatias e dispepsia
5
Gastrites, gastropatias e dispepsia Gastroenterologia
Gastrites Gastropatias
Gastropatia hemorrágica/rea-
BASES DA MEDICINA Gastrite infecciosa tiva
• Helicobacter pylori • AINEs
Embora largamente utilizados, grande confusão é feita • Flegmonosa • Álcool
com o uso dos termos gastrite e gastropatia. A gastrite • Sifilítica • Refluxo biliar
é entendida como uma lesão com processo inflamatório • Viral • Quimioterapia
exuberante, enquanto o termo gastropatia denota lesão e • Parasitária • Outras medicações (sais de
regeneração de mucosa com reação inflamatória mínima • Fúngica ferro, fosfato de sódio, alen-
ou ausente. Perceba, então, que não é o aspecto macros- dronato)
cópico/endoscópico que define os termos, mas sim a
análise histopatológica. Gastropatia vascular
Gastrite autoimune • Ectasia vascular antral (GAVE)
• Gastropatia hipertensiva portal
É importante diferenciar os 2 termos, pois as cau-
Gastropatia isquêmica
sas, a história natural e as implicações terapêuticas
diferem entre si. A gastrite é geralmente secun- Gastrite granulomatosa • Sepse
dária a etiologias infecciosas ou autoimunes. Por • Hipovolemia
• Doença de Crohn
• Trauma
sua vez, a gastropatia é comumente secundária a • Sarcoidose
• Queimadura
substâncias irritantes, como o uso de AINEs e de
• Cocaína
álcool ou refluxo biliar. A gastropatia ainda pode
ser secundária à isquemia, ao estresse físico ou à Etiologias incertas
congestão crônica. • Gastrite eosinofílica
• Gastrite linfocítica
• Gastrite colagenosa
DIA A DIA MÉDICO • Doença de Ménetriér
Fonte: Adaptado de Dixon et al.²
O termo endoscópico “gastrite”, que é utilizado frequente-
mente para descrever enantema (vermelhidão) da mucosa,
não guarda relação direta com a histologia. 2.1. GASTRITE POR HELICOBACTER PYLORI
2.1.1. O patógeno
Diversas classificações foram e são utilizadas,
porém nenhuma delas é universalmente aceita O Helicobacter pylori (H. pylori) é um bacilo gram-ne-
devido às limitações atuais em conhecimento sobre gativo, espiralado e flagelado (Figura 4) cuja principal
etiologias e patogêneses, além da coexistência de enzima produzida é a urease, fundamental para sua
mais de um tipo de lesão num mesmo paciente. sobrevivência no ambiente ácido do estômago.
A urease hidrolisa a ureia luminal e forma amônia que
DIA A DIA MÉDICO
aumenta o pH gástrico, promovendo um ambiente
favorável para a bactéria. Somado a esse fato, sua
forma espiral, os flagelos e as enzimas mucolíticas
Não há correlação entre sintomas e intensidade da lesão,
seja ela endoscópica ou histológica. Por exemplo: um que ele produz facilitam sua passagem através
paciente com “gastrite intensa” não é necessariamente da camada de muco para o epitélio da superfície
mais sintomático que outro com “gastrite leve”. Inclusive, gástrica, levando à inflamação e à lesão mucosa
não é incomum pacientes assintomáticos apresentarem (Figura 5).
gastrite no exame endoscópico.
6
Gastrites, gastropatias e dispepsia
Fonte: Meldau³.
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Gastrites, gastropatias e dispepsia Gastroenterologia
2.1.2. Diagnóstico
BASES DA MEDICINA
Mesmo com a presença de gastrite crônica, a maioria
dos pacientes são assintomáticos. Quando ocorrem
Embora não seja um patógeno invasivo, alguns fatores de
virulência são envolvidos com uma resposta inflamatória sintomas, os principais são os dispépticos, sobre
mais pronunciada e com maior risco de lesão tecidual, os quais falaremos melhor mais adiante.
como os produtos dos genes cagA e vacA.
As indicações clássicas para pesquisa da infecção
por H. pylori são: dispepsia, doença ulcerosa péptica,
A infecção crônica por Helicobacter pylori é a mais após ressecção de câncer gástrico, linfoma MALT e
comum no mundo (prevalência em média de 50%), pacientes com história familiar de câncer gástrico.
tendo o humano como único reservatório e, por- Algumas indicações adicionais incluem ferropenia
tanto, a fonte primária de transmissão, que ocorre inexplicada, deficiência de vitamina B12 e Púrpura
por via oral. O principal fator de risco diz respeito Trombocitopênica Imune (PTI).
às condições sanitárias precárias, como falta de
saneamento básico, higiene inadequada etc). A infân-
cia é o momento de maior risco para ocorrência da DIA A DIA MÉDICO
infecção.
Além dessas indicações, na prática muitos pesquisam H.
pylori antes de cirurgia bariátrica e previamente ao uso
DICA crônico de AAS, anticoagulantes ou AINEs.
A enzima urease é um importante
mecanismo de sobrevivência da H. pylori.
Os genes cagA e vacA são intimamente Os métodos não invasivos disponíveis são o teste
relacionados a uma maior virulência do respiratório da urease com carbono marcado (13C-
bacilo. UBT), o antígeno fecal com anticorpos monoclonais
(SAT) e a sorologia. Os invasivos dependem da
realização de endoscopia com biópsias, sendo a
A infecção crônica pelo H. pylori é o principal fator de urease e a análise histopatológica os recomenda-
risco para a doença ulcerosa péptica, para o adeno- dos. A cultura e o PCR não são realizados de rotina.
carcinoma gástrico e para o linfoma MALT gástrico De acordo com o IV Consenso Brasileiro sobre o H.
(células B de baixo grau). Está associada também à pylori, o teste 13C-UBT é considerado o teste não
dispepsia, à anemia ferropriva, à púrpura tromboci- invasivo padrão-ouro, e a histopatologia é o melhor
topênica idiopática e à deficiência de vitamina B12. teste invasivo. A sorologia tem muita limitação no
A maior parte dos infectados são assintomáticos, e nosso meio, pois reflete o contato e não necessa-
o risco para desfechos desfavoráveis depende da riamente a doença ativa, podendo seu resultado
região acometida. Confira a seguir: positivo significar apenas cicatriz sorológica.
A aparência endoscópica é normal em até 50% dos
BASES DA MEDICINA pacientes com gastrite crônica por H. pylori. Outros
pacientes podem ter características endoscópicas
Quando o H. pylori causa uma gastrite antral, há uma inespecíficas, incluindo eritema da mucosa e nodu-
redução da somatostatina (pela destruição das células laridade antral difusa.
D), com consequente hipersecreção da gastrina, estimu-
lando as células parietais a produzirem ácido, levando à
úlcera duodenal (hiperacidez). Já na pangastrite, fundo
e corpo gástrico também são afetados, e a destruição DIA A DIA MÉDICO
das células parietais (localizadas nessa região) leva a
um ambiente de hipocloridria, podendo levar à atrofia, Exceto para a realização da sorologia, é necessária a
fator de risco tanto para úlcera gástrica quanto para o suspensão de antissecretores (bloqueador H2 e IBP) por
adenocarcinoma, pela cascata de Pelayo-Correa (atrofia pelo menos 2 semanas antes. No caso de antibióticos,
→ metaplasia → displasia → adenocarcinoma). são pelo menos 4 semanas.
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Gastrites, gastropatias e dispepsia
2.1.3. Tratamento
BASES DA MEDICINA
Para complementar, vamos aprender a dose padrão de risco para adenocarcinoma gástrico. A associa-
dos IBPs? ção com outras doenças autoimunes é frequente,
principalmente tireoidopatias (Hashimoto e Gra-
Tabela 2. Dose padrão dos principais ves). Os anticorpos característicos são o anticélula
IBPs disponíveis no Brasil. parietal (mais sensível) e o antifator intrínseco (mais
IBPs Dose padrão
específico). Um achado adicional frequente é a defi-
ciência de vitamina B12 (anemia megaloblástica),
Omeprazol 20 mg
secundária à falta de fator intrínseco.
Pantoprazol 40 mg
Esomeprazol 40 mg
DIA A DIA MÉDICO
Lansoprazol 30 mg
2.2. G
ASTRITE ATRÓFICA AUTOIMUNE Outros achados laboratoriais incluem hipergastrine-
mia e redução do pepsinogênio sérico tipo 1, pois
além das células parietais, as zimogênicas também
BASES DA MEDICINA podem ser afetadas.
Independentemente da causa – H. pylori ou au-
Patologia na qual o dano tecidual é mediado por linfócitos
toimune – qualquer paciente com gastrite atrófica
T, associado a produção de autoanticorpos direcionados
às glândulas oxínticas, com consequente hipocloridria e
crônica tem um risco aumentado de evoluir com
redução na produção de fator intrínseco. adenocarcinoma gástrico. Esse processo pode
acontecer durante anos de dano tecidual, numa
cascata denominada Pelayo-Correa (Figura 6).
Essa forma de gastrite acomete as mucosas de
corpo e fundo, poupando o antro, e é um grande fator
O desenvolvimento da maioria dos casos de câncer gástrico está relacionado com a progressão sequencial da gastrite.
Fonte: Acervo Sanar.
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Gastrites, gastropatias e dispepsia
AINEs: inibem a formação de prostaglandinas pelas células da mucosa gástrica, diminuindo a proteção contra o ácido.
O tratamento consiste na suspensão das medicações, além do uso de IBPs. No caso de uso crônico, deve-se pesquisar
e tratar o H. pylori, além de realizar profilaxia com IBP. Embora útil para a gastropatia, o uso de IBPs pode exacerbar a
enteropatia induzida pelos AINEs.
Álcool: exerce um efeito tóxico direto na mucosa gástrica, além de retardar o esvaziamento gástrico (aumentando ainda
mais a exposição da mucosa). O tratamento consiste na abstinência alcoólica, sendo comum o uso de IBP e/ou sucralfato.
Lesão aguda da mucosa gástrica: encontrada tipicamente em pacientes críticos na UTI. O mecanismo mais provável é
a isquemia da mucosa, sendo os principais fatores de risco a presença de coagulopatia (plaquetas < 50.000 e INR > 1,5)
e ventilação mecânica > 48 horas. Pacientes com esses fatores de risco devem receber profilaxia com IBP.
Gastropatia por refluxo biliar: é causada pela disfunção ou perda do piloro (por exemplo: gastrectomia com reconstru-
ção a BII). Além da endoscopia, pode ser realizada cintilografia com ácido iminodiacético, que confirma o refluxo biliar
para o estômago.
Quimioterapia: a lesão da mucosa gástrica é multifatorial e inclui lesão direta da mucosa, lesão induzida por vômito e
imunossupressão (com infecções gástricas oportunistas).
Sais de ferro: o consumo de grandes quantidades de ferro oral pode levar à necrose da mucosa gástrica, a erosões e a
úlceras. Um pigmento marrom pode ser visto sobre o epitélio danificado.
Cocaína: a lesão é causada por intensa vasoconstrição com subsequente isquemia devido à ativação de receptores
alfa-adrenérgicos no mesentério.
Preparações orais de fosfato de sódio: medicações usadas para o preparo intestinal da colonoscopia estão associadas
à gastropatia hemorrágica aguda.
Fonte: Elaborado pelo autor.
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Gastrites, gastropatias e dispepsia Gastroenterologia
2.4. ECTASIA VASCULAR ANTRAL (GAVE) em pacientes com cirrose, doenças autoimunes e
em mulheres idosas. Manifesta-se principalmente
Também conhecida como “estômago em melan- por perda sanguínea crônica levando à anemia
cia”, é caracterizada endoscopicamente por estrias ferropriva. O tratamento inicial é endoscópico (ter-
enantemáticas planas no antro que convergem mocoagulação com plasma de argônio ou cateter
para o piloro, lembrando as faixas de uma melancia bipolar), sendo o uso de medicações (talidomida,
(Figura 7). As listras vermelhas representam vasos octreotida de liberação prolongada) ou antrectomia
mucosos ectasiados e saculados. É encontrada reservados aos casos refratários.
A) Endoscopia mostrando uma GAVE com aparência clássica de “estômago de melancia” imediatamente
antes do tratamento com plasma de argônio (APC). B) Endoscopia mostrando a GAVE durante o
tratamento com APC. C) Endoscopia mostrando a melhora da GAVE com formação de cicatriz.
Fonte: Ohira et al.6
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Gastrites, gastropatias e dispepsia
3. D ISPEPSIA DICA
Em pacientes com menos de 40
anos e sem sinais de alarme, podemos
solicitar testes não invasivos para a pes-
quisa de H. pylori, como o respiratório ou
BASES DA MEDICINA
o antígeno fecal.
É uma síndrome muito comum, com uma prevalência * O consenso brasileiro de H. pylori recomenda a idade de 40 anos
como corte para a realização de endoscopia. O Colégio Americano
global de 5 a 11%, responsável por cerca de 40 a de Gastroenterologia recomenda a idade de 60 anos.
70% das queixas gastroenterológicas. Fonte: Coelho et al.5
14
Gastrites, gastropatias e dispepsia
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Gastrites, gastropatias e dispepsia Gastroenterologia
excesso etc.), bem como alimentar-se devagar e em desses pacientes não é absolutamente consensual
local tranquilo, além de evitar refeições copiosas. e pode variar conforme a fonte utilizada.
Embora largamente utilizadas, essas recomenda-
ções ainda carecem de evidências fortes.
DIA A DIA MÉDICO
O uso de terapia antissecretória, tendo como prin-
cipal evidência a classe de IBPs, é considerada a
Tão importante quanto a terapia medicamentosa, a boa
primeira linha de tratamento na síndrome da dor
relação médico-paciente tem um papel fundamental no
epigástrica, devendo ser utilizada por pelo menos sucesso do tratamento. Ouvir atentamente às queixas do
8 semanas. Caso os sintomas de dismotilidade paciente, explicar o caráter crônico e benigno da doença
predominem, procinéticos como a domperidona ou é muito importante.
a metoclopramida podem ser prescritos por pelo
menos 4 semanas. Após esse período, caso haja
Tratamentos alternativos, como terapia psicocom-
persistência de sintomas, a escolha recai sobre
portamental, uso de buspirona (possível melhora
os antidepressivos tricíclicos em doses baixas por
na acomodação gástrica), agentes antinociceptivos
mais 8-12 semanas, sendo a amitriptilina (10-25 mg)
(pregabalina e carbamazepina) e acupuntura podem
a droga mais utilizada. Vale ressaltar que o manejo
ser prescritos, a depender da evolução do quadro.
Sim Não
Ausência de melhora
Ausência de melhora
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Gastrites, gastropatias e dispepsia
Anamnese
+
Laboratório
Indicação de endoscopia
Considerar outros exames
conforme a suspeita
Não Sim
Testes não
Endoscopia
invasivos para
com biópsia
H.pylori
Presença de
Normal H.Pylori (+)
doença orgânica
Trata conforme
Tratar H.Pylori
a causa
Ausência de
melhora
Provável dispepsia
funcional
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Gastrites, gastropatias e dispepsia Gastroenterologia
1. Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, Averbach M, Ferrari AP Jr, Segal F, Ejima FH, Fang HL, Alves
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8. Drossman DA, et al. Rome IV – Functional gastrointestinal
disorders. 4. ed. Raleigh: The Rome Foundation; 2016.
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Gastrites, gastropatias e dispepsia
QUESTÕES COMENTADAS
Questão 1 Questão 3
(INSTITUTO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA AO SERVIDOR PÚBLICO (BENEFICIÊNCIA PORTUGUESA DE RIBEIRÃO PRETO – SP – 2021)
ESTADUAL – SP – 2021) No diagnóstico de gastrite, que Qual a alternativa correta em relação ao H.pylori
tem como etiologia o Helicobacter pylori, o exame nas patologias digestivas?
de menor sensibilidade e especificidade é o(a):
⮦ A antibioticoterapia não é necessária caso a úl-
⮦ Pesquisa de antígeno do Helicobacter pylori cera péptica esteja cicatrizada.
nas fezes. ⮧ O tratamento não reduz a recorrência de úlce-
⮧ Endoscopia digestiva alta + biópsia + teste da ras gástricas.
urease. ⮨ A pesquisa e tratamento de H.pylori é indicada
⮨ Endoscopia digestiva alta + biópsia anatomo- em pacientes em uso prolongado de AAS.
patológica. ⮩ Sorologia positiva após 6 semanas do tratamen-
⮩ Teste respiratório da ureia marcada com car- to indica falha do tratamento.
bono 13.
⮪ Sorologia para Helicobacter pylori igG e igM.
Questão 4
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Gastrites, gastropatias e dispepsia
Questão 10
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Gastrites, gastropatias e dispepsia Gastroenterologia
GABARITO E COMENTÁRIOS
Y Dica do professor: O diagnóstico da infecção por Y Dica do professor: Estamos diante de um paciente
H. pylori pode ser realizado através de testes inva-
tabagista com síndrome dispéptica: epigastralgia
sivos e não invasivos, conforme a necessidade de
e sensação de plenitude pós-prandial. Inicialmente
endoscopia. Provologia: a questão pede o exame
deveremos prescrever inibidores da bomba de pró-
menos acurado. Vamos procurar aquele que não
tons, e o uso de AINEs também deve ser investiga-
serve para dar o diagnóstico de infecção ativa pelo
do, e se presente o medicamento deve ser suspen-
H. pylori (o teste sorológico).
so. E devemos solicitar uma endoscopia digestiva
Alternativa A: INCORRETA. Trata-se de um ensaio alta. A EDA está sempre indicada desde o início
imunoenzimático direto que detecta antígenos nos pacientes > 45 anos ou naqueles com “sinais
bacterianos em amostra de fezes, bem específico. de alarme” para uma possível neoplasia gástrica:
Alternativa B: INCORRETA. O teste da urease é uma perda ponderal, anemia, sangramento, vômitos re-
possibilidade para o diagnóstico de infecção pelo correntes, disfagia, massa abdominal, adenopatia,
H. pylori. Não é tão acurado quando a análise his- história familiar de câncer gástrico e gastrectomia
topatológica, por isso não é usado para confirmar a parcial prévia.
erradicação (serve apenas para o diagnóstico inicial).
✔ resposta: D
Alternativa C: INCORRETA. Dos métodos invasivos
(que necessitam de endoscopia), esse é o padrão-
-ouro. Permite a identificação da bactéria, além de
fazer o diagnóstico diferencial com outras causas Questão 3 dificuldade:
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Gastrites, gastropatias e dispepsia
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Gastrites, gastropatias e dispepsia Gastroenterologia
produzida pelas células parietais do estômago. A Alternativa B: INCORRETA. Primeira linha: 1) IBP dose
ligação da vitamina B12 ao FI forma na mucosa um plena 12/12 horas; amoxicilina 1000 mg 12/12 ho-
complexo que deve resistir às enzimas proteolíti- ras; claritromicina 500 mg 12/12 horas. Duração do
cas da luz intestinal e que, posteriormente, adere- Tratamento: 14 dias.
-se a receptores específicos das células epiteliais Alternativa C: INCORRETA. A pesquisa de HP após
do íleo terminal, onde a vitamina B12 é absorvida a terapia de erradicação deve ser realizada pelo
e ligada a um transportador plasmático e lançada menos 4 semanas após o término do tratamento.
na circulação. Dessa forma, é possível entender o O teste respiratório com ureia 13C e a pesquisa do
motivo pelo qual a deficiência de FI gera deficiên- antígeno fecal com anticorpo monoclonal são os
cia de vitamina B12. métodos de escolha. Histologia é um método inva-
✔ resposta: B sivo alternativo.
Alternativa D: INCORRETA. Testes sorológicos local-
mente validados são os métodos de escolha para
Questão 6 dificuldade:
estudos de rastreamento de base populacional.
Y Dica do professor: Questão puramente conceitual. Não são úteis para investigar infecção ativa, pois,
A dispepsia funcional é um conjunto de sintomas, uma vez positivado, não negativa, mesmo após tra-
como epigastralgia, saciedade precoce, náuseas, tamento e erradicação da bactéria.
vômitos, eructações e distensão abdominal, que ✔ resposta: A
possui patogênese desconhecida e acomete cer-
ca de 20-40% da população. Essa doença pode es-
tar associada ou não a outras patologias, como a Questão 9 dificuldade:
doença do refluxo gastroesofágico, a síndrome do Y Dica do professor: Não disse que tratamento cai
cólon irritável e a dor torácica não cardíaca. Para
muito? Pois é, galera, mas não precisa decorar, tem
o diagnóstico da dispepsia funcional é necessário
macete: CAI muito: Claritromicina + Amoxicilina +
que os sintomas tenham iniciado há pelo menos
IBP por 14 dias. Para essa questão precisava saber
6 meses, estando presente nos últimos 3 meses.
a dose também, então se liga: claritromicina 500
✔ resposta: C mg de 12 em 12 horas + amoxicilina 1 g de 12 em
12 horas.
ao H. pylori deve receber tratamento para bactéria Y Dica do professor: Testes sorológicos localmente
pois a sua realização melhora os sintomas, reduz
validados são os métodos de escolha para estudos
o risco de sequelas (úlcera e câncer gástrico) e in-
de rastreamento de base populacional. Não são úteis
terrompe a transmissão.
para investigar infecção ativa, pois, uma vez posi-
✔ resposta: C tivos, sempre se manterão positivos, mesmo após
tratamento e erradicação da bactéria. Lembrando
que, pelo IV Consenso Brasileiro, o padrão-ouro pra
Questão 8 dificuldade:
avaliar erradicação é o teste respiratório (não inva-
Y Dica do professor: A principal novidade do IV Con- sivo), e não devemos fazer o teste da uréase isola-
senso brasileiro sobre H. pylori, foi a extensão do damente (o que deixaria a alternativa A incompleta),
tempo de tratamento de 7 para 14 dias. Não pode mas não vamos brigar com a questão: sorologia não
esquecer que tratamento CAI muito (claritromicina, comprova infecção ativa, muito menos erradicação,
amoxicilina e IBP). pois nunca negativa!
Alternativa A: CORRETA. ✔ resposta: D
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