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Diagnóstico e Tratamento de Cálculos Biliares

O documento aborda condições relacionadas à colelitíase, síndrome de Mirizzi, coledocolitíase, colangite, câncer da via biliar e tumor periampular, incluindo quadros clínicos, diagnósticos e condutas terapêuticas. A maioria dos casos é assintomática, com intervenções cirúrgicas recomendadas em situações específicas, como cálculos grandes ou complicações. O câncer da via biliar e tumores periampulares requerem diagnósticos por imagem e podem necessitar de cirurgia, quimioterapia ou cuidados paliativos, dependendo da extensão da doença.

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Lucas Andrade
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Diagnóstico e Tratamento de Cálculos Biliares

O documento aborda condições relacionadas à colelitíase, síndrome de Mirizzi, coledocolitíase, colangite, câncer da via biliar e tumor periampular, incluindo quadros clínicos, diagnósticos e condutas terapêuticas. A maioria dos casos é assintomática, com intervenções cirúrgicas recomendadas em situações específicas, como cálculos grandes ou complicações. O câncer da via biliar e tumores periampulares requerem diagnósticos por imagem e podem necessitar de cirurgia, quimioterapia ou cuidados paliativos, dependendo da extensão da doença.

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COLELITÍASE (CÁLCULO NA VESÍCULA)

Quadro clínico:
 Maioria assintomático;
 Sintoma inicial é a cólica biliar após refeições copiosas.

Diagnóstico/Exame:
US abdome (padrão-ouro).

Conduta:
 Sintomático: Colecistectomia por videolaparoscopia.
 Assintomático: Videolaparoscopia se cálculos grandes (2-3 cm),
associação com pólipos na vesícula, anemias hemolíticas, vesícula em
porcelana (calcificada).

SÍNDROME DE MIRIZZI

Rara complicação da colelitíase caracterizada pelo estreitamento da via


biliar principal.

Quadro clínico:
 Sintomas da colelitíase;
 Síndrome colestática (cálculo na vesícula, icterícia, colúria e acolia fecal).

Diagnóstico/Exame:

Conduta:
 Colecistectomia simples (necessária cautela para não clampear o
colédoco pois a síndrome de Mirizzi aumenta as chances de lesão da via
biliar);
 Colecistectomia + coledoplastia ou anastomoses biliodigestivas (se
fístulas).
COLEDOCOLITÍASE (CÁLCULO NA VIA BILIAR PRINCIPAL)

Quadro clínico:
 Assintomático;
 Sintomático com dor abdominal, vômitos, síndrome colestática flutuante;
 Histórico de pancreatite;
 O cálculo no colédoco pode ser secundário, quando vem da vesícula
(maioria dos casos) ou primário, quando surge no colédoco.

Diagnóstico/Exames:
 US com dilatação de via biliar;
 ColangioRM (bile é o próprio contraste);
 BD, GGT e FA podem estar aumentadas;
 CPRE (colangio pancreatografia endoscópica retrógrada) – diagnóstico e
terapêutico.

Conduta:
 Assintomático/achado de exame:
 Investiga com colangioRM e se positivo, realiza a CPRE;
 Colecistectomia e exploração do colédoco via ducto cístico.
 Durante uma cirurgia de vesícula:
 Realiza a colecistectomia e depois da cirurgia investiga com
colangioRM e se positivo, realiza a CPRE;
 Colecistectomia e exploração do colédoco via ducto cístico.

 Sintomáticos  CPRE.
 Na indisponibilidade de CPRE, colédoco com dilatação maior que 2 cm,
múltiplos cálculos (6-8) e/ou cálculos primários do colédoco:
Cirurgia por:
→ Exploração da via biliar (coledocotomia + retirar os cálculos +
sutura do colédoco + dreno de Kehr )
→ Derivação biliodigestiva (coledocotomia + retirar os cálculos +
anastomose do colédoco com duodeno ou jejuno)

COLANGITE (INFLAMAÇÃO DAS VIAS BILIARES)

Quadro clínico:
 Síndrome colestática + clínica infecciosa (febre, calafrios, taquicardia);
 Tríade de charcot → icterícia , dor e febre;
 Pêntade de Reynolds → charcot, hipotensão, confusão
mental/rebaixamento.

Diagnóstico/Exames:
 Clínica;
 US abdome;
 Bioquímica;
 HMG, bilirrubinas, FA, GGT;
 Culturas.

Conduta:
 MOV, solicitar internação;
 ATB EV, hidratação;
 Solicitar exames (US abdome, bioquímica, HMG, bilirrubinas, FA, GGT,
culturas);
 Drenagem de via biliar (CPRE ou externa. );
 Última opção é cirurgia.

CÂNCER DA VIA BILIAR (TUMOR DE KLATSKIN)

Local mais comum de tumor é a bifurcação dos ductos hepáticos.

Fatores de risco: Idade, colangite esclerosante primária (destruição dos ductos


biliares), litíase intra-hepática, parasitas intra-hepáticos, HBV e HCV.

Quadro clínico:
 Icterícia progressiva, colúria, acolia fecal e prurido;
 Pode ter colangite;
 Não tem sinal de Courvoisier - Terrier (é a vesícula palpável, cheia de bile
e indolor), ou seja, nos tumores de Klatskin a vesícula fica “vazia”.

Diagnóstico/Exame:
 Se inicia com US:
Visualizando vias biliares extra-hepáticas finas, entretanto, as intra-
hepáticas estão dilatadas.
 Segue para ColangioRM:
 Falha de enchimento na bifurcação dos ductos hepáticos;
 Dilatação da via biliar (somente intra-hepática);
 Vesícula biliar: “murcha”.
 Exames laboratoriais: GGT, FA, bilirrubinas, marcadores tumorais
(CA19.9).

OBS.: Não precisa de biópsia (só em casos de dúvidas), em geral o diagnóstico


é feito com história + imagem + laboratório.
Conduta:
Cirurgia R0 (margens livres) → Única chance de cura, podendo mesmo assim
recidivar em 30-40% dos casos em 2-3 anos.

 Tumor localizado, tipo I:


 Resseca toda a via biliar + vesícula;
 Linfadenectomia do hilo hepático;
 Hepaticojejunostomia em Y de Roux (anastomose com a alça do
intestino).
 Se tipo III ou IV:
Ressecção do fígado + rec. vascular.
 Tumores grande, envolvimento vascular, linfonodos:
Inicia com QT, se responder, realiza cirurgia.
 Tumores irressecáveis, doença metastática:
QT paliativa, drenagem de via biliar e BSC.

TUMOR PERIAMPULAR (PÂNCREAS)

Os tumores de pâncreas podem estar localizados na:


1. Papila de vater (segundo principal);
2. Colédoco distal;
3. Cabeça do pâncreas (principal).
Se não tiver metástase, todos são tratados da mesma forma, cirurgia de
whipple (gastroduodenopancreatectomia + vesícula).

Quadro clínico:
 Colestase, dor (dorso), perda de peso;
 Vesícula palpável (sinal de courvoisier - Terrier);
 Podem dar metástase precoce (distância, linfonodal, peritoneal);
 Tumor altamente trombogênico.

Diagnóstico/Exame:
 Tomografia com lesão pipovascular;
 Exames laboratoriais: CA19.9 e CA sugerem dx;
 Biópsia
 Imagem típica, tumor ressecável – não precisa de biópsia.
 Tumor metastático ou irressecável – precisa de biópsia e QT.

Conduta:
 Tumor pequeno (2-3cm), sem envolvimento vascular:
Cirurgia + QT adjuvante.
 Tumores volumosos com envolvimento vascular e/ou bloco linfonodal
(tumores boderlines):
QT neoadjuvante associado ou não a RDT, se responder, realiza cirurgia
e faz QT.
 Com metástase M1 (doença a distância):
QT paliativa.

Cirurgia em cenário paliativo quando:


Obstruindo via biliar (paciente ictérico) → derivação biliodigestiva ou
prótese biliar.
Obstruindo duodeno (paciente “não come”) → derivação alimentar (Y de
Roux ou B2).

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