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Apostila Português

O documento é um guia abrangente sobre a fonologia da língua portuguesa, abordando temas como fonemas, letras, encontros vocálicos e consonantais, dígrafos e divisão silábica. Ele também classifica as palavras quanto ao número de sílabas e à posição da sílaba tônica. Além disso, o texto inclui exemplos práticos para facilitar a compreensão dos conceitos apresentados.

Enviado por

Paulo Cardoso
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Apostila Português

O documento é um guia abrangente sobre a fonologia da língua portuguesa, abordando temas como fonemas, letras, encontros vocálicos e consonantais, dígrafos e divisão silábica. Ele também classifica as palavras quanto ao número de sílabas e à posição da sílaba tônica. Além disso, o texto inclui exemplos práticos para facilitar a compreensão dos conceitos apresentados.

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PORTUGUÊS

BIBLIOGRAFIA
CONCURSO PETROBRAS

www.engemarinha.com.br
SUMÁRIO

FONOLOGIA 1

ACENTUAÇÃO GRÁFICA 9

EMPREGO DAS LETRAS 14

ESTRUTURA E PROCESSOS DE FORMAÇÃO DAS PALAVRAS 20

PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS 27

HÍFEN 30

ARTIGO 34

SUBSTANTIVO 40
CONJUNÇÕES 62
PREPOSIÇÕES 70
INTERJEIÇÃO 87
NUMERAL 89
ADJETIVO 98

PRONOMES 115

VERBO 148

ADVÉRBIO 172

REGÊNCIA VERBAL 180

REGÊNCIA NOMINAL 189

CRASE 190

FRASE, ORAÇÃO, PERÍODO 194

TIPOSDE PREDICADO 202

A ORAÇÃO E OS SEUS TERMOS INTEGRANTES 207


ORAÇÃO E OS SEUS TERMOS ACESSÓRIOS 214
DIFERENÇAS ENTRE COMPLEMENTO NOMINAL E ADJUNTO ADNOMINAL 221
CONCORDÂNCIA VERBAL 241
CONCORDÂNCIA NOMINAL 252

CONHEÇA NOSSOS
CURSOS PREPARATÓRIOS
PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO 247
PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO 250
ORAÇÕES REDUZIDAS 265
PERÍODO SIMPLES E PERÍODO COMPOSTO 272

SINAIS DE PONTUAÇÃO E SINAIS GRÁFICOS AUXILIARES 276


COLOCAÇÃO DOS PRONOMES ÁTONOS 298
FUNÇÕES DO “QUE”, FUNÇÕES DO “SE” E USO DOS PORQUÊS 306

VARIAÇÃO LINGUÍSTICA 317

GENÊROS E TIPOS TEXTUAIS 322

TIPOS DE DISCURSO 332


FUNÇÕES DA LINGUAGEM 338

FIGURAS DE LINGUAGEM 348

POLISSEMIA E AMBIGUIDADE 364

COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO 372

COERÊNCIA 306

COESÃO 393

CONHEÇA NOSSOS
CURSOS PREPARATÓRIOS
FONOLOGIA
É o ramo da Linguística que estuda os fonemas ou sons da língua e as sílabas que esses fonemas
formam. Fazem parte da fonologia a ortoepia ou ortoépia (estudo da articulação e pronúncia dos
vocábulos), a prosódia (estudo da acentuação tônica dos vocábulos) e a ortografia (estudo da
forma escrita das palavras).

FONEMA: é o menor elemento sonoro capaz de estabelecer uma distinção de significado entre
as palavras. Observe, nos exemplos a seguir, os fonemas que marcam a distinção entre os pares
de palavras:
amor - ator
morro - corro
vento – cento

FONEMA E LETRA
O fonema não deve ser confundido com a letra. Fonema é o som. Letra é o símbolo
representativo do som. Na palavra sapo, por exemplo, a letra s representa o fonema /s/ (lê-se
sê); já na palavra brasa, a letra s representa o fonema /z/ (lê-se zê).

Às vezes, o mesmo fonema pode ser representado por mais de uma letra do alfabeto. É o caso do
fonema /z/, que pode ser representado pelas letras z, s, x:
Exemplos: zebra, casamento, exílio

Em alguns casos, a mesma letra pode representar mais de um fonema. A letra x, por exemplo,
pode representar:
- o fonema sê: texto
- o fonema zê: exibir
- o fonema chê: enxame
- o grupo de sons ks: táxi

O número de letras nem sempre coincide com o número de fonemas.


Exemplos: táxi - 4 letras, 5 fonemas

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1 CURSOS PREPARATÓRIOS
galho - 5 letras, 4 fonemas

As letras m e n, em determinadas palavras, não representam fonemas.


Exemplo: compra – conta

Nessas palavras, m e n indicam a nasalização das vogais que as antecedem. São dígrafos
vocálicos.

A letra h, ao iniciar uma palavra, não representa fonema.


Exemplo: hora – 4 letras, 3 fonemas

CLASSIFICAÇÃO DOS FONEMAS


Os fonemas da língua portuguesa são classificados em vogais, semivogais e consoantes.

1) Vogais: são os fonemas sonoros produzidos por uma corrente de ar que


passa livremente pela boca. Em nossa língua, desempenham o papel de núcleo das sílabas. Isso
significa que em toda sílaba há necessariamente uma única vogal. Na produção de vogais, a boca
fica aberta ou entreaberta. As vogais podem ser:

orais: quando o ar sai apenas pela boca.


Exemplo: /a/, /e/, /i/, /o/, /u/.
nasais: quando o ar sai pela boca e pelas fossas nasais.

/ã/: fã, canto, tampa


/~e/: dente, tempero
/ ~i/: lindo, mim
/õ/ bonde, tombo
/~u / nunca, algum
As vogais podem ainda ser átonas ou tônicas:
átonas: pronunciadas com menor intensidade.
Exemplo: até, bola
tônicas: pronunciadas com maior intensidade.

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2 CURSOS PREPARATÓRIOS
Exemplo: até, bola

2) Semivogais: os fonemas /i/ e /u/, algumas vezes, não são vogais. Aparecem apoiados em
uma vogal, formando com ela uma só emissão de voz (uma sílaba). Nesse caso, esses fonemas
são chamados de semivogais, as quais não desempenham o papel de núcleo silábico.
Observe a palavra pai. O fonema vocálico que se destaca é o a. Ele é a vogal. O outro fonema
vocálico i não é tão forte quanto ele: é a semivogal.
Outros exemplos: saudade, história, série.

Obs.: os fonemas /i/ e /u/ podem aparecer representados na escrita por" e", "o" ou "m".
Exemplos: pães, mão, tem, também, falaram, falam.

3) Consoantes: para a produção das consoantes, a corrente de ar expirada pelos pulmões


encontra obstáculos ao passar pela cavidade bucal. Isso faz com que as consoantes sejam
verdadeiros "ruídos", incapazes de atuar como núcleos silábicos. Seu nome provém justamente
desse fato, pois, em português, sempre consoam ("soam com") as vogais.
Exemplos: /b/, /t/, /d/, /v/, /l/, /m/ etc.

ENCONTROS VOCÁLICOS
Os encontros vocálicos são agrupamentos de vogais e semivogais, sem consoantes
intermediárias. É importante reconhecê-los para dividir corretamente os vocábulos em sílabas.
Existem três tipos de encontros: o ditongo, o tritongo e o hiato.

1) Ditongo: é o encontro de uma vogal e uma semivogal (ou vice-versa) numa mesma sílaba.
Pode ser:
crescente: quando a semivogal vem antes da vogal.
Exemplo: sé-rie (i = semivogal, e = vogal)
decrescente: quando a vogal vem antes da semivogal.
Exemplo: pai (a = vogal, i = semivogal)

O ditongo pode ser:

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3 CURSOS PREPARATÓRIOS
oral: quando o ar sai apenas pela boca.
Exemplos: pai, série
nasal: quando o ar sai pela boca e pelas fossas nasais.
Exemplo: mãe

2) Tritongo: é a sequência formada por uma semivogal, uma vogal e uma semivogal, sempre
nessa ordem, numa só sílaba. Pode ser oral ou nasal.
Exemplos: Paraguai - tritongo oral; quão - tritongo nasal

3) Hiato: é a sequência de duas vogais em uma mesma palavra que pertencem a


sílabas diferentes, uma vez que nunca há mais de uma vogal numa sílaba.
Exemplo: saída (sa-í-da), poesia (po-e-si-a)

ATENÇÃO!
Na terminação -EM, em palavras como ninguém, também, porém e na terminação -AM, em
palavras como amaram, falaram ocorrem ditongos nasais decrescentes.
É tradicional considerar hiato o encontro entre uma semivogal e uma vogal ou entre uma
vogal e uma semivogal que pertencem a sílabas diferentes, como em ge-lei-a, io-iô, pa-pa-
gai-o .

ENCONTROS CONSONANTAIS
O agrupamento de duas ou mais consoantes, sem vogal intermediária, recebe o nome
de encontro consonantal. Existem basicamente dois tipos:

os que resultam do contato consoante + l ou r e ocorrem numa mesma sílaba, como em: pe-
dra, pla-no, a-tle-ta, cri-se.
os que resultam do contato de duas consoantes pertencentes a sílabas diferentes:
por-ta, rit-mo, lis-ta.

Há ainda grupos consonantais que surgem no início dos vocábulos; são, por isso,
inseparáveis: pneu, gno-mo, psi-có-lo-go.

DÍGRAFOS

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4 CURSOS PREPARATÓRIOS
De maneira geral, cada fonema é representado, na escrita, por apenas uma letra.
Exemplo: lixo - quatro fonemas e quatro letras.
Há, no entanto, fonemas que são representados, na escrita, por duas letras.
Exemplo: bicho - quatro fonemas e cinco letras.

Assim, o dígrafo ocorre quando duas letras são usadas para representar um único fonema (di =
dois + grafo = letra). Em nossa língua, há um número razoável de dígrafos que convém conhecer.
Podemos agrupá-los em dois tipos: consonantais e vocálicos.

DÍGRAFOS CONSONANTAIS EXEMPLOS


lh lhe telhado
nh nhe marinheiro
ch xe chave
rr re (no interior da palavra) carro
ss se (no interior da palavra) passo
qu que (seguido de e e i) queijo, quiabo
gu gue (seguido de e e i) guerra, guia

DÍGRAFOS VOCÁLICOS

FONEMAS LETRAS EXEMPLOS


ã am tampa
an canto
~e em templo
en lenda
~e im limpo
in lindo
õ om tombo
on tonto
~u um chumbo
un corcunda

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5 CURSOS PREPARATÓRIOS
OBSERVAÇÃO:
• “gu" e "qu" são dígrafos somente quando, seguidos de "e" ou "i", representam os fonemas
/g/ e /k/: guitarra, aquilo.
Nesses casos, a letra "u" não corresponde a nenhum fonema.

Em algumas palavras, no entanto, o "u" representa um fonema semivogal ou vogal (aguentar,


linguiça, aquífero...) Nesse caso, "gu" e"qu" não são dígrafos. Também não há dígrafo quando são
seguidos de "a" ou "o" (quase, averiguo).

SÍLABA
A palavra amor está dividida em grupos de fonemas pronunciados separadamente: a - mor. A
cada um desses grupos pronunciados numa só emissão de voz dá-se o nome de sílaba. Em nossa
língua, o núcleo da sílaba é sempre uma vogal: não existe sílaba sem vogal e nunca há mais do
que uma vogal em cada sílaba. Dessa forma, para sabermos o número de sílabas de uma palavra,
devemos contar as vogais que existem nela.
Exemplo: piauiense = pi- au-i-en-se

DIVISÃO SILÁBICA
Na divisão silábica das palavras, cumpre observar as seguintes normas:

a) não se separam os ditongos e tritongos;


Exemplos: foi-ce, a-ve-ri-guou

b) não se separam os dígrafos ch, lh, nh, gu, qu;


Exemplos: cha-ve, ba-ra-lho, ba-nha, fre-guês, quei-xa

c) não se separam os encontros consonantais que iniciam sílaba;


Exemplos: psi-có-lo-go, re-fres-co

d) separam-se as vogais dos hiatos;


Exemplos: ca-a-tin-ga, fi-el, sa-ú-de

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6 CURSOS PREPARATÓRIOS
e) separam-se as letras dos dígrafos rr, ss, sc, sç xc;
Exemplos: car-ro, pas-sa-re-la, des-cer, nas-ço, ex-ce-len-te

f) separam-se os encontros consonantais das sílabas internas, excetuando-se aqueles em que a


segunda consoante é l ou r.
Exemplos: ap-to, bis-ne-to, con-vic-ção, a-brir, a-pli-car

ATENÇÃO!
Depois do prefixo, se houver vogal, segue-se a regra normal de separação silábica.
Exemplo: bi-sa-vô, tran-sa-tlân-ti-co

CLASSIFICAÇÃO DAS PALAVRAS QUANTO AO NÚMERO DE SÍLABAS


1) Monossílabas: possuem apenas uma sílaba.
Exemplos: mãe, flor, lá, meu
2) Dissílabas: possuem duas sílabas.
Exemplos: ca-fé, i-ra, a-í, trans-por

3) Trissílabas: possuem três sílabas.


Exemplos: ci-ne-ma, pró-xi-mo, pers-pi-caz, O-da-ir

4) Polissílabas: possuem quatro ou mais sílabas.


Exemplos: a-ve-ni-da, li-te-ra-tu-ra, a-mi-ga-vel-men-te, o-tor-ri-no-la-rin-go-lo-gis-ta

CLASSIFICAÇÃO DAS PALAVRAS QUANTO À POSIÇÃO DA SÍLABA TÔNICA


De acordo com a posição da sílaba tônica, os vocábulos da língua portuguesa que contêm duas
ou mais sílabas são classificados em:
OXÍTONOS: são aqueles cuja sílaba tônica é a última.
Exemplos: avó, urubu, parabéns

PAROXÍTONOS: são aqueles cuja sílaba tônica é a penúltima.


Exemplos: dócil, suavemente, banana

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7 CURSOS PREPARATÓRIOS
PROPAROXÍTONOS: são aqueles cuja sílaba tônica é a antepenúltima.
Exemplos: máximo, parábola, íntimo

Saiba que:
• são palavras oxítonas, entre outras: cateter, mister, Nobel, novel, ruim, sutil, transistor,
ureter;
• são palavras paroxítonas, entre outras: avaro, aziago, boêmia, caracteres, cartomancia, celtibero,
circuito, decano, filantropo, fluido, fortuito, gratuito, Hungria, ibero, impudico, inaudito, intuito,
maquinaria, meteorito, misantropo, necropsia (alguns dicionários admitem também necrópsia),
Normandia, pegada, policromo, pudico, quiromancia, rubrica;
• são palavras proparoxítonas, entre outras: aerólito, bávaro, bímano, crisântemo, ímprobo,
ínterim, lêvedo, ômega, pântano.

ATENÇÃO!
As seguintes palavras, entre outras, admitem dupla tonicidade: acróbata/acrobata,
hieróglifo/hieroglifo, Oceânia/Oceania, ortoépia/ortoepia, projétil/projetil, réptil/reptil,
zângão/zangão.

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8 CURSOS PREPARATÓRIOS
ACENTUAÇÃO GRÁFICA
As regras de acentuação gráfica baseiam-se na constatação de que, em nossa língua, as palavras
mais numerosas são as paroxítonas, seguidas pelas oxítonas. A maioria das paroxítonas
termina em -a, -e, -o, -em, podendo ou não ser seguidas de "s". Essas paroxítonas, por serem
maioria, não são acentuadas graficamente. Já as proparoxítonas, por serem pouco numerosas,
são sempre acentuadas.

PROPAROXÍTONAS
Sílaba tônica: antepenúltima
As proparoxítonas são todas acentuadas.
Exemplos: trágico(s), patético(s), árvore(s)

MONOSSÍLABOS
Os monossílabos, conforme a intensidade com que se proferem, podem ser tônicos ou átonos.
Os monossílabos tônicos possuem autonomia fonética, sendo proferidos fortemente na frase
onde aparecem.
Acentuam-se os monossílabos tônicos terminados em:
a(s): lá, cá;
e(s): pé, mês;
o(s): só, pó, nós, pôs

ATENÇÃO!
Entram nessa regra as formas verbais com pronomes oblíquos como: FÊ-LOS, FÁ-LO-Á, PÔ-
LOS.

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9 CURSOS PREPARATÓRIOS
Os monossílabos átonos não possuem autonomia fonética, sendo
proferidos fracamente, como se fossem sílabas átonas do vocábulo em que se apoiam.
Exemplos: o(s), a(s), um, uns, me, te, se, lhe nos, de, em, e, que, mas etc.

OBSERVAÇÕES
1) Os monossílabos átonos são palavras vazias de sentido, vindo representados por artigos,
pronomes oblíquos, elementos de ligação (preposições, conjunções).
2) Há monossílabos que são tônicos numa frase e átonos em outras.

Exemplos:
Você trouxe sua mochila para quê? (tônico) / Que tem dentro da sua mochila? (átono)
Há sempre um mas para questionar. (tônico) / Eu sei seu nome, mas não me recordo agora. (átono)

OXÍTONAS
Sílaba tônica: última
São acentuadas as palavras oxítonas terminadas em a(s), e(s), o(s), em ou ens.
Exemplos: cajá(s), jacaré(s), você(s), paletó(s), ninguém, armazéns.

ATENÇÃO: entram nessa regra os verbos conjugados “ele mantém, eles mantêm”, entre outros.
Também devem ser consideradas aqui as formas verbais com pronomes oblíquos como
observá-los, contê-los, repô-los, entre outras.

PAROXÍTONAS
Sílaba tônica: penúltima
São acentuadas as palavras paroxítonas terminadas em: r, i(s), n, l, u(s), x, ps, on(s), ditongos
crescentes ou decrescentes (seguidos ou não de s), ã(s), ao(s), um(uns).
Exemplos: revólver, táxi(s), hífen, fácil, vírus, tórax, bíceps, elétron, íons, fáceis, secretária, ímã(s),
órfão(s), fórum, álbuns

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10 CURSOS PREPARATÓRIOS
Observações:
1) as paroxítonas terminadas em "n" são acentuadas (hífen), mas as que terminam
em "ens", não (hifens, jovens);
2) não são acentuados os prefixos terminados em "i "e "r" (semi, super);
3) acentuam-se as paroxítonas terminadas em ditongos crescentes: ea(s), oa(s), eo(s), ua(s),
ia(s), ue(s), ie(s), uo(s), io(s).

Exemplos: várzea, mágoa, óleo, régua, férias, tênue, cárie, ingênuo

ATENÇÃO!
Em palavras como mágoa, vídeo, níveo, área, espontâneo, não há consenso em considerar como
ditongos os encontros vocálicos.

REGRAS ESPECIAIS
Além das regras fundamentais, há um conjunto de regras destinadas a pôr em evidência alguns
detalhes sonoros das palavras. Observe:

Ditongos abertos
Os ditongos éi, éu e ói, sempre que tiverem pronúncia aberta em palavras oxítonas (éi e não êi),
são acentuados. Veja:
éi (s): anéis, fiéis, papéis
éu (s): troféu, chapéus
ói (s): herói, constrói, caubóis

Também são acentuados os ditongos abertos (éi, éu e ói) nas palavras monossílabas tônicas.
Assim: céu (s), méis (plural de mel), dói (verbo doer).

Observação: os ditongos abertos ocorridos em palavras paroxítonas NÃO são acentuados.


Exemplos: assembleia, boia, colmeia, Coreia, estreia, heroico, ideia, jiboia, joia, paranoia, plateia
etc.

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11 CURSOS PREPARATÓRIOS
ATENÇÃO!
A palavra destróier é acentuada por ser uma paroxítona terminada em "r" (e não por possuir
ditongo aberto "ói").

Hiatos
Acentuam se as vogais I e U tônicos que estiverem sozinhas na sílaba ou seguidas de S.
Exemplo: aí, balaústre, juízes, distribuí-lo, egoísta, faísca, heroína

ATENÇÃO!
1. Não se coloca o acento agudo no I e no U quando, precedidos de vogal que, com eles não
forma ditongo, e são seguidos de L, M, N, R, Z e NH que não iniciam sílabas: contribuinte,
paul, juiz, rainha, tainha, ventoinha, bainha.
2. Quando as vogais I e U ocorrem na sílaba tônica de palavras paroxítonas, não recebem
acento gráfico se são precedidas de ditongo: baiuca, feiura, boiuna.
3. Não recebe acento agudo o U tônico precedido de G ou Q e seguido de E ou I nas flexões
rizotônicas dos verbos arguir, redarguir, aguar, apaziguar, averiguar, obliquar, enxaguar,
delinquir: argui, arguis, redarguem etc.
4. Nos verbos citados anteriormente e afins, as formas rizotônicas ou são acentuadas no U, mas
sem acento gráfico, ou têm as formas: averíguo, enxáguo, delínquem etc.

Verbos TER e VIR


Acentua-se com circunflexo a 3ª pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos ter e vir,
bem como nos seus compostos (deter, conter, reter, advir, convir, intervir etc).

VERBO TER
Ele tem Eles têm
Ela vem Elas vêm
Ele retém Eles retêm
Ele intervém Eles intervêm

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12 CURSOS PREPARATÓRIOS
Verbos CRER, DAR, LER e VER
crer – crê – creem / dar – dê – deem / ler – lê – leem / ver – vê – veem

Não se acentuam, pela nova ortografia, palavras paroxítonas com hiato oo seguidos ou não
de s.
Exemplo: voos, enjoo, abençoo.

O acento diferencial foi excluído. Mantém-se apenas nestas quatro palavras, para distinguir
uma da outra que se grafa de igual maneira:

pôde (verbo poder no tempo passado) / pode (verbo poder no tempo presente);
pôr ( verbo) / por (preposição);
vem ( verbo vir na 3ª pessoa do singular) / vêm ( verbo vir na 3ª pessoa do plural);
tem ( verbo ter na 3ª pessoa do singular) / têm ( verbo ter na 3ª pessoa do plural.

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13 CURSOS PREPARATÓRIOS
EMPREGO DAS LETRAS
Uso do “X”
Após um ditongo:
Exemplo: ameixa, caixa, peixe, trouxa.

Depois de sílaba inicial “en”:


Exemplo: enxurrada, enxaqueca.
Exceções: encher e seus derivados: enchente, encharcar.

Depois de “me” inicial:


Exemplo: mexer, mexerica, mexilhão.
Exceção: mecha.

Palavras de origem indígena, africana, inglesas que foram aportuguesadas:


Exemplo: xingar, xará, xerife, xampu, xavante, xangô.

Uso do “G”
Nas terminações –ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio:
Exemplo: prestígio, refúgio, pedágio, colégio, relógio, estágio.

Nas terminações –agem, -igem, -ugem:


Exemplo: malandragem, coragem, fuligem, ferrugem, miragem, vertigem, garagem.
Exceções: pajem e lambujem.

Uso do “J”
Verbos terminados em “jar”:
Exemplo: arranjar, despejar, enferrujar, viajar.

Palavras de origem indígena e africana:


Exemplo: pajé, canjica, jiboia, manjericão, jerico.

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14 CURSOS PREPARATÓRIOS
Uso do “S”
Adjetivos terminados em oso/osa:
Exemplo: honrosa, saboroso, maravilhosa, habilidoso, amorosa.

Após ditongos:
Exemplo: lousa, náusea, pouso.

Em sufixos esa/isa/ense/ês indicadores de títulos/profissão/origem:


Exemplo: burguês, marquesa, marquês, duquesa, baronesa, poetisa, chinesa.

Uso do “Z”
Em sufixos ez/eza que formam substantivos abstratos:
Exemplo: rigidez, nobreza, surdez, maciez, singeleza.

No sufixo “izar” formando verbos:


Exemplo: humanizar, hospitalizar, colonizar, civilizar.

Uso do “S”, “C”, “Ç”, “SC”, “SS”:


Verbos grafados com “nd” substantivos “ns”:
Exemplo: ascender ascensão, suspender suspensão, pretender pretensão.

Verbos grafados com “ced” substantivos “cess”:


Exemplo: ceder cessão, exceder excesso, interceder intercessão.

Verbos grafados com “ter” substantivos “tenção”:


Exemplo: deter detenção, abster abstenção, conter contenção.

Verbos grafados com mitir/cutir substantivos miss/cuss:


Exemplo: demitir demissão, repercutir repercussão, discutir discussão, transmitir
transmissão.

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15 CURSOS PREPARATÓRIOS
SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS

Antônimos: ausência – presença

Sinônimos: agradável – aprazível

Observar sempre que a relação de sinonímia deve considerar o contexto.

Hiperônimo é uma palavra cujo significado é mais abrangente do que o seu hipônimo. Por
exemplo: veículo e carro. Veículo é hiperônimo de carro porque em seu significado está contido
o significado de carro, ao lado de outras palavras como carroça, trem, caminhão. Carro é
hipônimo de veículo. Essa relação é muito útil para a retomada de elementos textuais.

Exemplo: Há muito tempo planejam derrubar aquele ipê. A velha árvore parece perturbar os
administradores municipais.

Parônimos: são as palavras que se assemelham na grafia e na pronúncia, entretanto, diferem no


sentido. É sempre bom conhecer esses termos para que não haja confusão.

Exemplos:

absolver (perdoar) - absorver (aspirar)

apóstrofe (figura de linguagem) - apóstrofo (sinal gráfico)

aprender (tomar conhecimento) - apreender (capturar)

cavaleiro (que cavalga) - cavalheiro (homem gentil)

comprimento (extensão) - cumprimento (saudação)

coro (música) - couro (pele animal)

delatar (denunciar) - dilatar (alargar)

descrição (ato de descrever) - discrição (prudência)

despensa (local onde se guardam alimentos) - dispensa (ato de dispensar)

despercebido (não percebeu, notou) – desapercebido (desprovido)

docente (relativo a professores) - discente (relativo a alunos)

emigrar (deixar um país) - imigrar (entrar num país)

eminente (elevado) - iminente (prestes a ocorrer)

flagrante (evidente) - fragrante (perfumado)

fluir (transcorrer, decorrer) - fruir (desfrutar)

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16 CURSOS PREPARATÓRIOS
imergir (afundar) - emergir (vir à tona)

inflação (alta dos preços) - infração (violação)

infligir (aplicar pena) - infringir (violar)

mandado (ordem judicial) - mandato (procuração)

osso (parte do corpo) - ouço (verbo ouvir)

peão (aquele que anda a pé, domador de cavalos) - pião (brinquedo)

precedente (que vem antes) - procedente (proveniente de; que possui fundamento)

ratificar (confirmar) - retificar (corrigir)

recrear (divertir) - recriar (criar novamente)

tráfego (trânsito) - tráfico (comércio ilegal)

soar (produzir som) - suar (transpirar)

Homônimos
Homônimos perfeitos:
fonética (som): igual
grafia (escrita): igual
significado: diferente

Exemplos:
caminho - substantivo – itinerário ou verbo caminhar
cedo - advérbio - com antecedência ou verbo ceder
leve - adjetivo – com pouco peso ou verbo levar
morro - monte ou verbo morrer
rio - substantivo – curso de água fluvial ou verbo rir
são - saúde ou verbo ser
verão - substantivo – estação do ano ou verbo ver

Palavras homófonas:
fonética (som): igual
grafia (escrita): diferente
significado: diferente

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17 CURSOS PREPARATÓRIOS
Exemplos:
acento – sinal gráfico / assento – cadeira, lugar
aço – liga de ferro / asso – verbo assar
cela- pequeno compartimento / sela – assento acolchoado
cento- cem / sento- verbo sentar
cerrar- fechar, terminar / serrar - cortar com serra
concerto – espetáculo musical / conserto - reparação
cozer – cozinhar / coser- costurar
sena – loteria / cena - cenário
senso – sentido / censo – levantamento estatístico
sessão – reunião / seção – divisão, repartição / cessão – cedência
trás – local posterior / traz – verbo trazer
vaso – recipiente / vazo - deixo sair

Palavras homógrafas:
fonética (som): diferente
grafia (escrita): igual
significado: diferente
Exemplo:

acerto
O presidente discursou com muito acerto. (substantivo – correção)
Eu nunca acerto nas respostas deste jogo. (verbo acertar)

almoço
O almoço de domingo estava delicioso! (substantivo - refeição)
Hoje eu almoço com você. (verbo almoçar)

colher
Preciso de uma colher para mexer o feijão. (substantivo – utensílio de mesa)
Pare de colher as laranjas, ainda estão verdes! (verbo colher)
começo
Apenas li o começo do livro porque depois adormeci. (substantivo – início)
Eu começo este trabalho agora, mas só terminarei amanhã. (verbo começar)
coro
O coro da igreja cantou lindamente na missa do galo. (substantivo – cantores)
Eu coro sempre que penso neste assunto porque sou tímida. (verbo corar)

gosto
Seu gosto, às vezes, é duvidoso! (substantivo - preferência)
Eu gosto muito de viajar e conhecer o mundo! (verbo gostar)

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jogo
Você gosta desse jogo de computador? (substantivo - divertimento)
Eu jogo futebol todas as semanas com meu irmão. (verbo jogar)

molho
Já fiz o molho branco da lasanha! (substantivo - caldo)
Eu me molho sempre que lava louça. (verbo molhar)

olho
Ele é um moreno de olho verde encantador. (substantivo – vista)
Eu sempre olho pela janela na hora de meu filho voltar da escola. (verbo olhar)

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ESTRUTURA E PROCESSOS DE
FORMAÇÃO DAS PALAVRAS
A morfologia estuda a estrutura, a formação, a classificação em classes e as flexões das palavras.
Vamos começar pela estrutura.
Dá-se o nome de morfema às unidades significativas mínimas das palavras. São morfemas
livres aqueles que podem figurar sozinhos como vocábulos e morfemas presos são aqueles que
não têm autonomia vocabular.
Assim: rua- s
rua-zinha-s
Observe o seguinte grupo de palavras:
govern-o
govern-a
des-govern-o
des-govern-a-do
govern-a-dor-es
in-govern-á-vel
in-govern-a-bil-i-dade

Cada um desses elementos formadores é capaz de fornecer uma noção significativa à palavra
que integra. Além disso, nenhum deles pode sofrer nova divisão. São elementos significativos
indecomponíveis a que damos o nome de morfemas.

CLASSIFICAÇÃO DOS MORFEMAS


1. Radicais

É o morfema GOVERN comum a todas as palavras observadas nos exemplos anteriores que faz
com que as consideremos palavras de uma mesma família de significação (palavras COGNATAS),
ou seja, o RADICAL.
2. Afixos
2.1. Prefixos: são colocados antes do radical para se formar uma nova palavra.

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Exemplo: desgoverno

2.2. Sufixos: são colocados depois do radical.


Exemplo: ingovernável

DESINÊNCIAS
São morfemas que indicam as flexões das palavras. Sempre surgem na parte final das palavras
variáveis. Há desinências nominais (indicam o gênero e o número) e desinências verbais
(indicam flexões do verbo: número, pessoa, tempo e modo).
Exemplo: governador-a- s, governá-va-mos

3. Vogais temáticas

Trata-se do morfema que liga o radical às desinências. Sua função é justamente a de ligar-se ao
radical constituindo o chamado tema (radical + vogal temática). É ao tema que se acrescentam
as desinências. Tanto os verbos como os nomes podem apresentar vogal temática. Nos verbos,
indicam a conjugação a que pertencem (1ª., 2ª. ou 3ª.)
Exemplo: govern – á - va- mos, sapat-o

4. Vogais ou consoantes de ligação

São morfemas que surgem por motivos eufônicos, ou seja, para facilitar ou possibilitar a leitura
de uma determinada palavra.
Exemplo: ingovern-a-bil- i -dade, gas- ô -metro, pau -l -ada, café-t-eira

PREFIXOS DE ORIGEM LATINA

PREFIXOS SIGNIFICADO EXEMPLOS

a-, ab-, abs- afastamento, separação e mal abstenção, abdicar

ambi- ambiguidade, duplicidade ambivalente, ambíguo

bene-, bem- excelência, bem beneficente, benfeitor

ante- anterioridade anteontem, antepassado

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longe do
aquém- aquém-mar
desejado, insuficiente, fraco
bis-, bi- repetição bicampeão, bisavô
cisandino, cisalpino, cisplatin
cis- posição aquém de
o
dis- separação, negação dissidência, disforme

e-, em-, en- introdução, sobreposição engarrafar, empilhar

extra- posição exterior, excesso extraconjugal, extravagância

intra- posição interior intrapulmonar, intravenoso

i-, im-, in- negação, mudança, privação ilegal, imberbe, incinerar

justa- posição ao lado justalinear, justaposição


perpassar, pernoite, transpor,
per-, trans-, tres- movimento através de
trespassar
pós- ação posterior, em seguida pós-datar, póstumo

pre- anterioridade, superioridade pré-natal, predomínio


projetar, progresso, prolonga
pro- antes, em frente, intensidade
r
preter-, pro- além de, mais para frente prosseguir

re- repetição, para trás recomeço, regredir

retro- movimento mais para trás retrospectivo

semi- metade, quase semicírculo


transamazônica, transatlântic
trans- posição além de
o
tri- três tricolor

vis-, vice- substituição visconde, vice-reitor

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PREFIXOS DE ORIGEM GREGA
PREFIXOS SIGNIFICADOS EXEMPLOS
acro- alto acrobata
aero- ar aeroporto
agro- campo agrônomo, agricultura
antropo- homem antropofagia, filantropo
homo- igual homogêneo, homógrafo
idio- próprio idioma, idioblasto
macro-, megalo- grande, longo macronúcleo, megalópole
metra- mãe, útero endométrio, metrópole
meso- meio mesóclise, mesoderme
micro- pequeno micróbio, microscópio
mono- um monarquia, monossílabo
necrópole, necrofilia, necróps
necro- morto
ia
nefro- rim nefrite, nefrologia
odontalgia, periodontista, od
odonto- dente
ontologia
oftalmo- olho oftalmologia, oftalmoscópio
onto- ser, indivíduo ontologia
ortópteros, ortodoxo, ortodo
orto- correto
ntia
pneumo- pulmão pneumonia, dispneia

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RADICAIS DE ORIGEM GREGA

RADICAIS SIGNIFICADOS EXEMPLOS


acro- alto acrópole
aero- ar aeródromo
-agogo que conduz pedagogo
biblio- livro bibliófilo
bio- vida biografia
cardio- coração cardiologia
deca- dez decâmetro
-delo visível psicodélico
enea- nove eneassílabo
entero- intestino entérico
fito- planta fitoide
fisis- natureza fisiológico
gero- velho geriatria
gimno- nu gimnofobia
hialo- vidro hialino
hiero- sagrado hieróglifo
holo- todo holofilético
-latria adoração idolatria
leuco- branco leucócito
melano- negro melanina
mero- parte isômero
nefro- rim nefrite
neo- novo neolatino
onico- unha onicofagia
oniro- sonho onírico
penta- cinco pentágono
pepsis- digestão dispepsia
quilo- mil quilômetro
quiro- mão quiromante
rino- nariz rinite

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rizo- raiz rizotônico
-scopia ato de ver datiloscopia
selene- lua selenita
tafo- túmulo epitáfio
xeno- estrangeiro xenófobo
xero- seco xerográfico
xilo- madeira xilogravura
-zime fermento enzima
zoo- animal zoológico

RADICAIS DE ORIGEM LATINA

RADICAIS SIGNIFICADOS EXEMPLOS


aristo- melhor aristocracia
arqueo- antigo arqueologia, arqueólogo
antos- flor antologia, crisântemo, perianto
atmo- ar atmosfera
auto- mesmo, próprio autoajuda, autômato
baro- peso, pressão barômetro, barítono
biblio- livro bibliófilo, biblioteca
bio- vida biologia
caco- mau cacofonia, cacoete
cali- belo caligrafia, calígrafo
carpo- fruto pericarpo
céfalo- cabeça cefalópodos, cefaleia, acéfalo
cito- célula citoplasma, citologia
copro- fezes coprologia, coprofagia
cosmo- mundo microcosmo, cosmonauta
crono- tempo cronômetro, diacrônico
dico- em duas partes dicotomia, dicogamia

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eno- vinho enologia, enólogo
entero- intestino enterite, disenteria
etno- povo étnico, etnia, etnografia
filo-, filia- amigo, amizade filósofo, filantropia
flama- fogo flamejante, inflamado
fono- som, voz fonética, disfonia
gastro- estômago gastrite, gastronomia
hemo- sangue hemorragia, hemodiálise
hidro- água hidravião, hidratação
higro- úmido higrófito, higrômetro
hipo- cavalo hipódromo, hipopótamo
-ambulo que anda noctâmbulo, sonâmbulo
-cida que mata fratricida, inseticida
-cola que habita arborícola, silvícola
-cultura que cultiva triticultura, vinicultura
-evo idade longeva, longevidade
-fero que contém ou produz mamífero, aurífero
-fico que faz ou produz benéfico, maléfico
-forme que tem a forma cordiforme, uniforme
-fugo que foge cermífugo, centrífugo
-grado grau, passo centígrado
-luquo que fala ventríloquo
-paro que produz ovíparo
-pede pé velocípede, bípede
-sono que soa uníssono
-vago que vaga noctívago
-voro que come carnívoro, herbívoro, onívoro

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PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE
PALAVRAS
Na Língua Portuguesa, a formação de uma palavra pode ser:

PRIMITIVA: palavra que não se forma de outra existente no idioma: dia, nuvem, verde.

DERIVADA: palavra que tem sua formação baseada em uma única palavra (ou radical) já
existente: bordado, minuciosamente.

COMPOSTA: palavra formada por duas (ou mais) palavras já existentes: beija-flor, girassol.

OBSERVAÇÃO
Existem palavras que são, ao mesmo tempo, compostas e derivadas: porto-alegrense (Porto +
Alegre]+ ense), biopirataria ( bio+pirat[a]+ aria).

Assim mesmo, a Língua Portuguesa apresenta dois processos básicos de formação de palavras:
a derivação e a composição.

1. Derivação: consiste na modificação de determinada palavra primitiva com o acréscimo de


AFIXOS.

1.1. Derivação prefixal: resulta do acréscimo de prefixo à palavra primitiva, que tem seu
significado alterado.
Exemplo: repor, dispor, indispor, decompor, compor, contrapor, recompor

1.2. Derivação sufixal: resulta do acréscimo de sufixo à palavra primitiva, que pode sofrer
alteração de significado ou de classe gramatical.
Exemplo: jardinagem, ponteiro, ponteirinho
1.3. Derivação prefixal e sufixal: resulta do acréscimo ao radical de um prefixo e de um
sufixo.

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Exemplo: infelizmente, desvalorização

1.4. Derivação parassintética: resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo à


palavra primitiva.
Exemplo: desalmado, repatriar, amanhecer

1.5. Derivação regressiva: consiste na redução da palavra derivante por uma falsa análise
de sua estrutura. Esse processo normalmente forma substantivos indicadores de ação
(abstratos).
Exemplo: chorar – choro; combater- combate; errar- erro; recuar-recuo

1.6. Derivação imprópria: processo que muda uma palavra de sua classe gramatical usual
para uma outra classe, sem lhe alterar a forma.
Exemplo: brilhante (adjetivo e substantivo), jantar (verbo e substantivo), prazer (verbo e
substantivo)

2. Composição
2.1. Composição por justaposição: quando as palavras se juntam, conservando cada qual a
sua integridade (pode ou não ter hífen).
Exemplo: beija-flor, bem-me-quer, madrepérola, girassol

2.2. Composição por aglutinação: intimamente unidos, caso em que se subordinam a um


único acento tônico e sofrem perda de sua integridade silábica.
Exemplo: aguardente (água + ardente), viandante (via+andante), embora (em + boa+
hora), pernalta (perna+alta)

3. Outros processos de formação de palavras


3.1. Abreviação vocabular: consiste na eliminação de um segmento de uma palavra a fim
de se obter uma forma mais curta.
Exemplo: cinematógrafo – cinema- cine, pneumático – pneu, São Paulo – Sampa,
Florianópolis – Floripa, metropolitano – metrô

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3.2. Siglonimização: é a formação de palavras a partir de siglas.
Exemplo: FGTS, CPF, PIB, AIDS, VIP

3.3. Palavra-valise: resulta do acoplamento de duas palavras, permitindo a realização de


verdadeiras acrobacias verbais.
Exemplo: brasiguaio, flaflu, grenal, portunhol, fraternura

3.4. Hibridismo: palavra que se origina da união de elementos de idiomas diferentes.


Exemplo: automóvel (auto =grego, móvel=latim), sambódromo (samba= africano, dromo =
grego)

3.5. Onomatopeia: imitação de sons.


Exemplo: tique-taque, blablablá, bangue-bangue, xixi

3.6. Neologismos:
Exemplo: gasticídio

3.7. Empréstimos linguísticos:


Exemplo: show, abajur, stress

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HÍFEN
O emprego do hífen é uma convenção. Ele é usado para separar palavras compostas por mais
de uma unidade significativa. Veja o exemplo para entender melhor:

ARCO-ÍRIS: a palavra “arco” tem um significado próprio, assim como “íris” também. Porém,
quando elas são ligadas pelo hífen, passam a compor uma palavra só e a significar algo diferente
de suas definições particulares.

Entretanto, algumas palavras não têm ou perderam a noção de composição: elas se tornaram
uma unidade semântica única. É o caso, por exemplo, de “girassol”, “paraquedas” e
“mandachuva”.
Por isso, não existe um critério único para saber se uma palavra tem ou não hífen. A única
solução, então, é praticar e tentar memorizar algumas regras específicas.

Dentro desse princípio, deve-se empregar o HÍFEN:


1. nos compostos cujos elementos, reduzidos ou não, perderam a sua significação própria:
Exemplo: água-marinha, arco-íris, para-choque, bel-prazer, és-sueste, monta-carga, marca-
passo, lero-lero, mata-mata etc.;

OBSERVAÇÃO: nos seguintes casos os elementos se aglutinam: girassol, madressilva,


passatempo, pontapé, paraquedas, paraquedismo etc.

2. nos compostos com o primeiro elemento de forma adjetiva, reduzida ou não:


Exemplo: afro-asiático, dólico-louro, galego-português, greco-romano, histórico-geográfico,
ínfero-anterior, latino-americano, luso-brasileiro, lusitano-castelhano etc.;

3. nos topônimos compostos iniciados pelos adjetivos grã ou grão, ou por forma verbal, ou
quando os elementos estão ligados por artigo:

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CURSOS PREPARATÓRIOS
Exemplo: Grã-Bretanha, Grão-Pará, Passa-Quatro, Todos-os-Santos, mas Belo Horizonte, Cabo
Verde, Santa Catarina (sem hífen porque não se enquadram na regra) etc.;
4. em palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas estejam ou não
ligadas por preposição ou por qualquer outro elemento:
Exemplo: bem-me-quer, ervilha-de-cheiro, formiga-branca, bem-te-vi, batata-inglesa etc.;

OBSERVAÇÃO: malmequer já se escrevia aglutinadamente e essa exceção é mantida.

5. nos compostos com advérbios bem- e mal- quando o elemento seguinte começa por vogal
ou h: Exemplo: bem-educado, bem-humorado, mal-agradecido, mal-habituado;

OBSERVAÇÃO: o advérbio bem, ao contrário de mal, pode não se aglutinar com o segundo
elemento quando ele começa por consoante: bem-nascido, malnascido, bem-falante, malfalante,
bem-mandado, malmandado etc.; mas, em muitos compostos, bem aglutina-se com o segundo
elemento; benfazejo, benfeito, benfeitor, benquerença etc.

6. nos compostos com sem, além, aquém e recém:


Exemplo: sem-cerimônia, além- -mar, aquém-fronteiras, recém-casado;

7. não se usa hífen em locuções de qualquer tipo, sejam, substantivas, adjetivas, pronominais,
adverbiais, prepositivas ou conjuncionais, salvo as seguintes exceções: água-de-colônia,
arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia (pecúlio), ao deus-dará, à queima-
roupa.

Portanto: fim de semana, sala de jantar, cor de café, cada um, quem quer que seja, à vontade,
depois de amanhã, a fim de, acerca de, contanto que, visto que etc.

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EMPREGO DO HÍFEN NAS FORMAÇÕES POR PREFIXAÇÃO, RECOMPOSIÇÃO E SUFIXAÇÃO

Nas formações com prefixos, como ante-, anti-, circum-, co-, contra-, entre- extra-, hiper-, infra-,
intra-, pós-, pré-, sobre-, sub-, super-, ultra- etc., e em formações por recomposição com falsos
prefixos ou pseudoprefixos (de origem grega ou latina) como aero-, agro-, arqui-, auto-, hio-,
eletro-, geo-, hidro-, inter-, macro-, maxi-, micro-, mini-, multi, neo-, pan-, plurí-, proto-, pseudo-,
retro-, semi-, tele- etc, só se usa hífen:

a) nas formações em que o segundo elemento começa por h:


Exemplo: anti-histamínico, pan-helênico, sobre-humano, sub-hepático, super-homem etc.;

OBSERVAÇÃO: como exceção a essa regra, co-, des-, dis-, in- e re se aglutinam com o segundo
elemento, eliminando o h:
Exemplo: coabitar, coerdeiro, desumano, disidria, inábil, reabilitar, reospitalizar etc.

b) nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina na mesma vogal pela qual começa
o segundo elemento:
Exemplo: anti-inflacionário, neo-ortodoxo, semi-interno, supra-auricular, arqui-inimigo, sobre-
edificar, ante-estreia;

OBSERVAÇÃO: são exceções a essa regra co- e re-: coordenar, coobrigação, reeleição, reerguer
etc.

c) nas formações com o prefixo circum- e o pseudoprefixo pan- quando o segundo elemento
começa por vogal, m ou n (além do h já mencionado na regra geral):
Exemplo: circum-navegação, circum-mediterrâneo, circum-oceânico, pan-oftálmico,
pan-nacionalismo;

d) nas formações com os prefixos hiper-, inter- e super, quando o segundo elemento começa por
r:
Exemplo: hiper-religioso, inter-relacionado, super-resistente;

e) nas formações com os prefixos ex- (estado anterior, cessamento), sota-, soto-, vice- (ou vizo):

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32
CURSOS PREPARATÓRIOS
Exemplo: ex-aluno, ex-presidente, sota-piloto, soto-mestre, vice-almirante, vice-governador,
vizo-rei;

f) nas formações com os prefixos tônicos pós-, pré- e pró- (as formas átonas se aglutinam com
o segundo elemento):
Exemplo: pós-graduação (mas pospor), pré-universitário (mas predizer, pró-africano (mas
proativo);

g) com ab-, ad-, ob-, sob-, e sub-, quando seguidos de radical iniciado por r ou pela mesma
consoante em que termina o prefixo: ab-rogar, ad-rogação, ob- reptício, sob-roda sub-reino, ad-
digital, sub-bibliotecário.

NÃO SE USA HÍFEN:


a) nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal, e o segundo elemento
começa por r ou s, que devem ser duplicados: contrarregra, suprarrenal, pseudorreação,
antisséptico, ultrassom, minissaia;

b) nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal, e o segundo elemento


começa por vogal diferente ou consoante (com exceção dos casos particulares já
mencionados de h, r e s: extraescolar, antiaéreo, autoeducação, autodidata, extracurricular,
supramencionado, hidroeletricidade, microcâmera, intracelular etc.;

c) em locuções, de qualquer tipo, com exceção de água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa,


mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima- -roupa e em nomes de plantas ou
animais.

Nas formações por sufixação, só se emprega o hífen em vocábulos terminados em sufixos de


origem tupi-guarani que representam formas adjetivas (como -açu, -guaçu, -mirim) quando o
primeiro elemento termina em vogal acentuada graficamente ou quando a pronúncia exige a
distinção gráfica dos dois elementos: amoré-guaçu, andá-açu, Ceará-Mirim, capim-açu.

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ARTIGO
É a palavra que acompanha o substantivo, servindo basicamente para generalizar ou
particularizar o sentido desse substantivo. Observe o contraste:
um cidadão/ o cidadão

Dá-se o nome de artigo às palavras o (com as variações a, os, as) e um (com as variações uma,
uns, umas), que se antepõem aos substantivos para indicar:

a) que se trata de um ser já conhecido do leitor ou ouvinte, seja por ter sido mencionado antes,
seja por ser objeto de um conhecimento de experiência, como nestes exemplos (artigo definido):
Exemplo: Levanta-se, vai à mesa, tira um cigarro da caixa de laca, acende o cigarro no isqueiro,
larga o isqueiro, volta ao sofá.

b) que se trata de um simples representante de uma dada espécie ao qual não se fez menção
anterior (artigo indefinido):
Exemplo: Vi que estávamos num velho solar, de certa imponência. Uma fachada de muitas janelas
perdia-se na escuridão da noite. No alto da escada saía das sombras um alpendre assente em
grossas colunas.

FORMAS SIMPLES DO ARTIGO

FLEXÕES DEFINIDOS INDEFINIDOS


Singular masculino O Um
Singular feminino A Uma
Plural masculino Os Uns
Plural feminino As Umas

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FORMAS COMBINADAS DO ARTIGO DEFINIDO
1. O artigo definido pode combinar-se com as preposições “a, de, em e por”, resultando no
quadro
a seguir:

ARTIGO DEFINIDO
PREPOSIÇÕES
O A OS AS
A Ao A Aos Às
De Do Da Dos Das
Em No Na Nos Nas
Por (per) Pelo Pela Pelos Pelas

As formas pelo(s)/ pela(s) resultam da combinação dos artigos definidos com a forma per,
equivalente a por.

2. Crase: o artigo definido feminino quando vem precedido da preposição a, funde-se com ela,
e tal fusão (= crase) é representada na escrita por um acento grave sobre a vogal (à).
Assim:
Vou a(preposição) + a(artigo) cidade = Vou à cidade
Não raro, o à vale como redução sintática da expressão à moda de (= à maneira de, ao estilo de):
Exemplo: Mas o major? Por que não ria à inglesa, nem à alemã, nem à francesa, nem à
brasileira? Qual o seu gênero? (Monteiro Lobato, U, 117.)

ATENÇÃO!
O conhecimento do emprego da forma feminina do artigo definido é de grande importância para
se aplicar acertadamente o acento grave denotador da crase com a preposição a. Tal
conhecimento torna-se mesmo imprescindível no caso dos falantes do português do Brasil, que
não distinguem, pela pronúncia, a vogal singela a (do artigo ou da preposição) daquela
proveniente de crase. Convém, por isso, atentar-se sempre na construção de determinada
palavra com outras preposições para se saber se ela exige ou dispensa o artigo. Assim,
escreveremos:

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35
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Vou à feira e, depois, irei a Copacabana, porque também diremos: Vim da feira e, depois, passei
por Copacabana.

3. Quando a preposição antecede o artigo definido que faz parte do título de obras (livros,
revistas, jornais, contos, poemas etc.), não há uma prática uniforme. Na língua escrita, porém,
deve-se, nesse caso:

a) ou evitar a contração pelo modelo:


Exemplo: Peço à musa da crônica uma nênia pela morte de O Camiseiro;

b) ou indicar pelo apóstrofo a supressão da vogal da preposição:


Exemplo: Em um exemplar d’Os Timbiras, pertencente à Biblioteca Nacional, alguém escreveu a
lápis-tinta.

4. Quando a preposição que antecede o artigo está relacionada com o verbo (no infinitivo), e
não com o substantivo que o artigo introduz, os dois elementos ficam separados:
Exemplo: Não veio ao Colégio pelo fato de as ruas estarem alagadas.

FORMAS COMBINADAS DO ARTIGO INDEFINIDO

1. O artigo indefinido pode contrair-se com as preposições em e de, originando:


num numa nuns numas
dum duma duns dumas

2. As preposições em e de, antepostas ao artigo indefinido que integra o título de obras,


separam-se dele na escrita:
Exemplo: Em Uns Braços, conto de Machado de Assis, aparece esse tema.

Exemplo: Rimbaud é o autor de Uma Estação no Inferno.

3. Também não é aconselhável a contração do artigo indefinido com a preposição que se


relaciona com o verbo (no infinitivo), e não com o substantivo que o artigo introduz:
Exemplo: Não houve aulas pelo fato de uns professores estarem adoentados.

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36
CURSOS PREPARATÓRIOS
4. Quando queremos indicar a noção expressa pelo substantivo de um modo geral, isto é, na
plena extensão do seu significado.
Comparem-se, por exemplo, estas três frases:
Foi acusado do crime [acusação precisa].
Foi acusado de um crime [acusação vaga].
Foi acusado de crime [acusação mais vaga ainda].

ATENÇÃO!
Na linguagem popular e no trato familiar é muito frequente no Brasil e está praticamente
generalizada na linguagem corrente de Portugal a anteposição do artigo definido a nomes de
batismo de pessoas, o que lhes dá um tom de afetividade ou de familiaridade. Comparem-se, por
exemplo, estas duas frases:
Geraldo saiu agora.
O Geraldo saiu agora.

Depois das palavras ambos e todo

Ambos e todo são as únicas palavras que, em português, antecedem o artigo pertencente ao
mesmo sintagma.

1. Se o substantivo determinado pelo numeral ambos estiver claro, é de regra o emprego do


artigo definido:
Exemplo: Eram centenas de pessoas de ambos os sexos.

2. A presença ou a ausência do artigo depois da palavra todo depende, obviamente, de admitir


ou rejeitar o substantivo aquela determinação. Assim:
Todo o Brasil pensa assim.
Todo Portugal pensa assim.

3. Há casos, porém, que precisam ser considerados particularmente. Assim:


No plural, anteposto ou posposto ao substantivo, todos vem acompanhado de artigo, a
menos que haja um determinativo que o exclua:
Exemplo: Conheceu todos os salões e todos os antros.

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37
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Exemplo: Iam-se-me as esperanças todas; terminava a carreira política.

Mas:
Todos estes costumes vão desaparecer.
Todos esses dons do meu amigo ficarão perdidos para sempre.

Não se usa o artigo antes do numeral em aposição a todos:


Exemplo: Vi-os felizes a todos quatro.
Exemplo: Elas são, todas duas, minhas irmãs que eu ajudei a criar.

Se, no entanto, o substantivo estiver claro, o artigo é de regra:


Exemplo: Vi-os felizes a todos os quatro meninos.
Exemplo: Todas as duas irmãs eu ajudei a criar.

No SINGULAR, todo:
a) virá acompanhado de artigo, quando indicar a totalidade das partes:
Exemplo: Toda a praia é um único grito de ansiedade.
Exemplo: Esteia assistiu à lição toda, com a paciência da curiosidade.

b) poderá vir ou não acompanhado de artigo quando exprimir a totalidade numérica:


Exemplo: Falava bem como todo francês.
Exemplo: Verdade, a atribuição é lógica: todo o homem é bicho, embora nem todo o bicho seja
homem.

Neste último caso é obrigatória a sua anteposição ao substantivo

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ATENÇÃO!
1.O uso do artigo nesse último caso é muito mais frequente na língua contemporânea de Portugal
do que na do Brasil, onde os professores procuram estabelecer uma distinção entre todo
“qualquer”, “cada” e todo o “inteiro”, “total”, pelo modelo:
Exemplo: Toda casa [qualquer casa] cedo ou tarde precisa de reforma.
Exemplo: Toda a casa [a casa inteira] foi reformada.

2. Anteposto ao artigo indefinido, todo significa “inteiro”, “completo”:


Exemplo: Para conseguir o seu intento cobriu de ridículo toda uma geração e lançou as bases de
toda uma remodelação social.
Exemplo: Pelo chão, pelos sofás, alastrava-se toda uma literatura em rumas de volumes graves.

3. Costuma-se evitar o artigo indefinido antes de expressões denotadoras de quantidade


indeterminada, constituídas seja por substantivos (como: coisa, gente, infinidade, multidão,
número, parte, pessoa, porção, quantia, quantidade, soma e equivalentes), seja por adjetivos
(como: escasso, excessivo, suficiente e sinônimos):
Havia grande número de pessoas no casamento.
Reservou para si boa parte do lucro.
Disponho de escasso capital para o empreendimento.
Não há suficiente espaço para o móvel.

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SUBSTANTIVO
É toda palavra que dá nome a seres, coisas, lugares, objetos, sentimentos, ações, acontecimentos,
conceitos etc.

CLASSIFICAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS

COMUM PRÓPRIO
Dá nome a um único ser de uma
Denomina todos os seres de uma
determinada espécie: Brasília, Isabel,
mesma espécie: cidade, pedra, mundo.
Chapecó.
PRIMITIVO DERIVADO
Não se forma de outra palavra: cidade, Forma-se de outra palavra: cearense,
mundo, Ceará. beleza, infelicidade, desinteresse.
SIMPLES COMPOSTO
Formado por uma única palavra: Formado por mais de uma palavra:
cidade, desinteresse. lobisomem, sexta-feira.
CONCRETO ABSTRATO
Nomeia ações, sensações,
Nomeia seres de existência própria
sentimentos, conceitos,
(real ou imaginária): cidade, Deus,
características e estados: escolha, dor,
alma, fantasma.
medo, beleza, vida.

OBSERVAÇÕES
A classificação do substantivo concreto não se relaciona ao sentido usual da palavra
concreto (real, físico, visível).
Cada um dos pares de classificação é independente dos demais. Cidade, por exemplo, tem
quatro classificações: comum, primitivo, simples e concreto.

SUBSTANTIVOS COLETIVOS
Trata-se do substantivo comum que, mesmo no singular, denomina um agrupamento, um
conjunto de seres de uma mesma espécie. Alguns exemplos:
alcateia (de lobos) atilho (de espigas)
armento (de gado grande: bois, búfalos etc.) banca (de examinadores)
arquipélago (de ilhas) banda (de músicos)

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bando (de aves, de ciganos.de malfeitores quadrilha (de ladrões, de bandidos)
etc.) ramalhete (de flores)
cacho (de bananas, de uvas etc.) cáfila (de rebanho (de ovelhas)
camelos) récua (de bestas de carga)
cambada (de caranguejos, de chaves, de réstia (de cebolas, de alhos)
malandros etc.) roda (de pessoas)
cancioneiro (conjunto de canções, de poesias romanceiro (conjunto de poesias narrativas)
líricas) súcia (de velhacos, de desonestos)
caravana (de viajantes, de peregrinos, de talha (de lenha) tropa (de muares)
estudantes etc.) turma (de estudantes, de trabalhadores, de
cardume (de peixes) médicos)
choldra (de assassinos, de malandros, de vara (de porcos)
malfeitores)
chusma (de gente, de pessoas)
constelação (de estrelas)
corja (de vadios, de tratantes, de velhacos, de
ladrões)
coro (de anjos, de cantores)
elenco (de atores)
falange (de soldados.de anjos)
farândula (de ladrões, de desordeiros, de
assassinos, de maltrapilhos e de vadios)
fato (de cabras)
feixe (de lenha, de capim)
frota (de navios mercantes, de ônibus)
girândola (de foguetes)
horda (de povos selvagens nômades, de
desordeiros, de aventureiros.de bandidos, de
invasores)
junta (de bois, de médicos, de credores, de
examinadores)
legião (de soldados, de demônios etc.)
magote (de pessoas, de coisas)
malta (de desordeiros)
manada (de bois, de búfalos, de elefantes)
matilha (de cães de caça) matula (de vadios,
de desordeiros)
mó (de gente)
molho (de chaves, de verdura)
multidão (de pessoas)
ninhada (de pintos)
penca (de bananas, de chaves)
plêiade (de poetas, de artistas)

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OBSERVAÇÕES
O coletivo especial geralmente dispensa a enunciação da pessoa ou coisa a que se refere. Tal
omissão é obrigatória quando o coletivo é um mero derivado do substantivo a que se aplica.
Assim:
A ramaria balouçava ao vento.
A papelada estava em ordem.

Evitar redundâncias!
Fernando de Noronha é um arquipélago de ilhas do litoral brasileiro. (forma inadequada)
Fernando de Noronha é um arquipélago do litoral brasileiro. (forma adequada)

Quando, porém, a significação do coletivo não for específica, deve-se nomear o ser a que se
refere:
Uma junta de médicos, de bois etc.
Um feixe de capim, de lenha etc.

FLEXÕES DO SUBSTANTIVO
O substantivo é uma palavra variável em gênero, número e grau.

Gêneros dos substantivos


Os substantivos subdividem-se em gênero masculino (anteposição do artigo o) e gênero
feminino (anteposição do artigo a).
Exemplo: O menino, o gato, a menina, a gata.
Quando se trata de seres que não têm sexo, o gênero é fixado convencionalmente no idioma.
Exemplo: O festival, a blindagem, a alface, o telefonema.

Quanto à terminação:
1. são masculinos os nomes terminados em -o átono:
o aluno, o livro, o lobo, o banco;

2. são geralmente femininos os nomes terminados em -a átono:


a aluna, a caneta, a loba, a mesa;

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3. dos substantivos terminados em -ão, os concretos são masculinos e os abstratos femininos:
o agrião, o algodão, a educação, a opinião, o balcão, o feijão, a produção, a recordação.

Excetua-se mão, que, embora concreto, é feminino.


Fora desses casos, é sempre difícil conhecer-se pela terminação o gênero de um dado
substantivo.

Formação do feminino
Os substantivos que designam pessoas e animais têm, geralmente, uma forma para o masculino
e outra para o feminino. Essa forma pode ser proveniente de um radical distinto, ou derivada do
radical do masculino, mediante a substituição ou o acréscimo de desinências.

Assim:
Homem mulher Bode cabra
Aluno aluna Galo galinha
Cidadão cidadã Leitão leitoa
Cantor cantora Barão baronesa
Profeta profetisa Lebrão lebre

Masculinos e femininos de radicais diferentes


Cão cadela Macho fêmea
Carneiro ovelha Marido mulher
Cavalheiro dama Padrasto madrasta
Cavalo égua Padrinho madrinha
Compadre comadre Pai mãe
Frei sóror (ou soror) Zangão abelha
peixe-boi peixe-mulher
(o) caxarelo baleia

Femininos derivados de radical do masculino

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Regras gerais
l) Os substantivos terminados em -o átono formam normalmente o feminino substituindo essa
desinência por -a:
gato - gata
pombo – pomba
lobo – loba
aluno – aluna

OBSERVAÇÃO:
Além das formações irregulares vistas, há um pequeno número de substantivos terminados em
-o que, no feminino, substituem essa vogal final por desinências especiais:
diácono - diaconisa,
galo - galinha
maestro – maestrina,
silfo - sílfide

2) Os substantivos terminados em consoante formam normalmente o feminino com o


acréscimo da desinência -a:
camponês camponesa
freguês freguesa
leitor leitora
pintor pintora

REGRAS ESPECIAIS
1. Os substantivos terminados em -ão podem formar o feminino de três maneiras:

a) mudando a terminação -ão em -oa:


ermitão ermitoa
hortelão horteloa
leitão leitora
patrão patroa

b) mudando a terminação -ão em -ã:

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Aldeão aldeã Castelão castelã
Anão anã Cidadão cidadã
Ancião anciã Cirurgião cirurgiã
Anfitrião anfitriã ou Cortesão cortesã
anfitrioa (Aurélio) Irmão irmã
Campeão campeã

c) mudando a terminação -ão em -ona:


Bonachão bonachona Moleirão moleirona
Comilão comilona Paspalhão paspalhona
Espertalhão espertalhona Pobretão pobretona
Figurão figurona Sabichão sabichona
Folião foliona (Cunha), foilã Solteirão solteirona
(Houaiss)

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OBSERVAÇÕES
1) Como se vê, os substantivos que fazem o feminino em -ona são os aumentativos ou adjetivos
substantivados.

2) Além dos anômalos cão e zangão, não seguem esses três processos de formação os
substantivos seguintes:
Barão baronesa Maganão magana
Ladrão ladra Perdigão perdiz
Lebrão lebre Sultão sultana

3) Os substantivos terminados em -or formam desinência -a:


Pastor pastora
Remador remadora
Alguns, porém, fazem o feminino em -eira.
cantador - cantadeira, cerzidor – cerzideira

Outros, dentre os finalizados em -dor e -tor, mudam essas terminações em -triz


ator - atriz, imperador – imperatriz

ATENÇÃO!
embaixador - embaixatriz (a esposa de embaixador) e embaixadora (funcionária chefe de
embaixada).

4) Certos substantivos que designam títulos de nobreza e dignidades formam o feminino com
as terminações -esa, -essa e -isa:

Abade abadessa Diácono diaconisa


Barão baronesa Duque duquesa
Conde condessa Sacerdote sacerdotisa

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ATENÇÃO!
prior - prioresa (superiora de certas ordens) e priora (irmã de Ordem Terceira).

5) Os substantivos terminados em -e são geralmente uniformes. Essa igualdade formal é quase


que absoluta nos finalizados em -nte, de regra originários de particípios presentes e de adjetivos
uniformes latinos. Há, porém, um pequeno número que, à semelhança da substituição -o
(masculino) por -a (feminino), troca o -e por -a. Assim:

Elefante elefanta Mestre mestra


Governante governanta Monge monja
Infante infanta Parente parenta

ATENÇÃO!
Os femininos giganta (de gigante), hóspeda (de hóspede) e presidenta (de presidente) têm ainda
uso restrito no idioma.

6) São dignos de nota os femininos dos seguintes substantivos:

Cônsul consulesa Píton pitonisa


Czar czarina Poeta poetisa
Felá felaína Profeta profetisa
Frade freira Rajá rani
Grou grua Rapaz rapariga, moça
Herói heroína Rei rainha
Jogral Jogralesa Réu Ré
Maestro maestrina

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SUBSTANTIVOS UNIFORMES

Epicenos: são os nomes de animais que possuem um só gênero gramatical para designar um e
outro sexo.
a águia, a baleia, a cobra, o jacaré

OBSERVAÇÃO
Quando há necessidade de especificar o sexo do///
animal, juntam-se as palavras macho e fêmea:
crocodilo macho, crocodilo fêmea; o macho ou a fêmea do jacaré.

Sobrecomuns: são aqueles que têm um só gênero gramatical para designar pessoas de ambos
os sexos.
o algoz, o apóstolo, o carrasco, o cônjuge, o indivíduo, o verdugo

OBSERVAÇÃO
Nesse caso, querendo-se discriminar o sexo, diz-se, por exemplo, o cônjuge feminino.

Comuns de dois gêneros: apresentam uma só forma para os dois gêneros, mas distinguem o
masculino do feminino pelo gênero do artigo ou de outro determinativo acompanhante.
Exemplos:

Masculino Feminino Masculino Feminino


o agente a agente o herege a herege
o artista a artista o imigrante a imigrante
o camarada a camarada o indígena a indígena
o colega a colega o intérprete a intérprete

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o colegial a colegial o jovem a jovem
o cliente a cliente o jornalista a jornalista
o compatriota a compatriota o mártir a mártir
o dentista a dentista o selvagem a selvagem
o estudante a estudante o servente a servente
o gerente a gerente o suicida a suicida

OBSERVAÇÕES
l. São comuns de dois gêneros todos os substantivos ou adjetivos substantivados terminados
em -ista: o pianista, a pianista; um anarquista, uma anarquista.
2. Diz-se, indiferentemente, o personagem ou a personagem com referência ao protagonista
homem ou mulher.

Mudança de sentido na mudança de gênero


Há alguns substantivos cuja significação varia com a mudança de gênero:

Feminino Masculino Feminino


a cabeça /a cabeça o guarda a guarda
a caixa /a caixa o guia a guia
a capital/o capital o lente a lente
a cisma/ o cisma o língua a língua
o moral a moral

ATENÇÃO!
Há alguns substantivos terminados em -a que só se usam no masculino por designar profissão
ou atividade própria do homem.
Assim: jesuíta, nauta, patriarca, heresiarca, monarca, papa, pirata, tetrarca.

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OBSERVAÇÃO
Entre os substantivos que designam coisas, são masculinos os terminados em -ema e -oma que
se originam de palavras gregas:
anátema edema sistema diploma
cinema estratagema telefonema idioma
diadema fonema tema aroma
dilema poema teorema axioma
emblema problema trema coma

SUBSTANTIVOS DE GÊNERO VACILANTE

Eis alguns, para os quais se recomenda a seguinte preferência:


a) gênero masculino:
ágape clã gengibre sanduíche
antílope contralto lança-perfume soprano
caudal diabete(s) praça (soldado) suéter

b) gênero feminino:
abusão áspide jaçanã ordenança
alcíone fácies juriti sentinela
aluvião filoxera omoplata sucuri

FLEXÃO DE NÚMERO DOS SUBSTANTIVOS

Os substantivos podem estar:


a) no singular, quando designam um ser único, ou um conjunto de seres considerados como um
todo (substantivo coletivo): aluno, povo, cão, manada, mesa, tropa;

b) no plural, quando designam mais de um ser, ou mais de um desses conjuntos orgânicos:


alunos, cães, mesas.

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Formação do plural

Substantivos terminados em vogal ou ditongo


Regra geral: o plural se forma acrescentando-se -s ao singular.

Singular Plural Singular Plural


mesa mesas pai pais
estante estantes pau paus
tinteiro tinteiros lei leis
rajá rajás chapéu chapéus
boné bonés camafeu camafeus
javali javalis herói heróis
cipó cipós boi bois
peru perus mãe mães

Incluem-se nessa regra os substantivos terminados em vogal nasal. Como a nasalidade das
vogais /e/, /i/, /o/ e /u/, em posição final, é representada graficamente por -m, e não se pode
escrever -ms, muda-se o -m em -n. Assim: bem - bens; flautim - flautins; som -sons; atum - atuns.

Substantivos terminados em -r, -z, -s e -n


A formação é feita acrescentando -es à palavra no singular.

-r no singular para -res no plural:


mulher – mulheres
hambúrguer – hambúrgueres
açúcar – açúcares
mar – mares

-z no singular para -zes no plural:


raiz – raízes
gravidez – gravidezes
avestruz – avestruzes

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rapaz – rapazes
giz – gizes

-s no singular para -ses no plural:


português – portugueses
país – países
revés – reveses
freguês – fregueses

-n no singular para -enes no plural:


Abdômen – abdômenes
Cânon – cânones
Dólmen – dólmenes
Líquen – líquenes
hífen (s) – hífenes

Exceção à regra: quando os substantivos terminados em -s são paroxítonos, a formação do


plural fica invariável:
lápis – lápis ônibus – ônibus
atlas – atlas vírus – vírus
pires – pires

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ATENÇÃO!
a) O plural de caráter (escrito carácter na ortografia portuguesa) é, tanto no Brasil como em
Portugal, caracteres, com deslocação do acento tônico e articulação do c que possuía de origem.

b) Também com deslocação do acento é o plural dos substantivos espécimen, Júpiter e Lúcifer:
espécimenes, Júpiteres e Lucíferes.
Advirta-se, porém, que, a par de Lúcifer, há Lucifer, forma antiga no idioma, cujo plural é,
naturalmente, Luciferes.

c) Cós é geralmente invariável, mas documenta-se também o plural coses.

d) Como os paroxítonos terminados em -s, os poucos substantivos existentes finalizados em -x


são invariáveis: o tórax — os tórax, o ônix — os ônix.

Os substantivos terminados em -s, quando oxítonos, formam o plural acrescentando também -es
ao singular; quando paroxítonos, são invariáveis:

Singular Plural Singular Plural


o ananás os ananases o atlas os atlas
o português os portugueses o pires os pires
o revés os reveses o lápis os lápis
o país os países o oásis os oásis
o retrós os retroses o ônibus os ônibus

REGRAS ESPECIAIS
Os substantivos terminados em -ão formam o plural de três maneiras:

a) a maioria muda a terminação -ão em -ões:

Singular Plural Singular Plural


balão balões gavião gaviões
botão botões leão leões

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canção canções nação nações
confissão confissões operação operações
coração corações opinião opiniões
eleição eleições questão questões
estação estações tubarão tubarões
fração frações

Neste grupo se incluem todos os aumentativos:

Singular Plural Singular Plural


amigalhão amigalhões moleirão moleirões
bobalhão bobalhões narigão narigões
casarão casarões paredão paredões
chapelão chapelões pobretão pobretões
dramalhão dramalhões rapagão rapagões
espertalhão espertalhões sabichão sabichões
facão facões vagalhão vagalhões
figurão figurões vozeirão vozeirões

b) um reduzido número muda a terminação -ão em -ães:


Singular Plural Singular Plural
alemão alemães charlatão charlatães
bastião bastiães escrivão escrivães
cão cães guardião guardiães
capelão capelães pão pães
capitão capitães sacristão sacristães
catalão catalães tabelião tabeliães

c) um número pequeno de oxítonos e todos os paroxítonos acrescentam simplesmente um -s à


forma singular:
Singular Plural Singular Plural
cidadão cidadãos acórdão acórdãos
cortesão cortesãos bênção bênçãos

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cristão cristãos gólfão gólfãos
desvão desvãos órfão órfãos
irmão irmãos órgão órgãos
pagão pagãos sótão sótãos

OBSERVAÇÕES
1. Neste grupo se incluem os monossílabos tônicos chão, grão, mão e vão, que fazem no plural
chãos, grãos, mãos e vãos.
2. Artesão, quando significa “artífice”, faz no plural artesãos; no sentido de “adorno
arquitetônico”, o seu plural pode ser artesãos ou artesões.

Para alguns substantivos finalizados em -ão, não há ainda uma forma de plural
definitivamente fixada, notando-se, porém, na linguagem corrente, uma preferência sensível
pela formação mais comum, em -ões. É o caso dos seguintes:

aldeão – aldeões, aldeãos e aldeães; guardião – guardiões e guardiães;

anão – anões e anãos; hortelão – hortelões e hortelãos;

ancião – anciões, anciãos e anciães; refrão – refrãos e refrães;

artesão – artesãos e artesães; rufião – rufiões e rufiães;

castelão – castelões e castelãos; sacristão – sacristãos e sacristães;

charlatão – charlatões e charlatães; sultão – sultões, sultãos e sultães;

cirurgião – cirurgiões e cirurgiães; verão – verões e verãos;

corrimão – corrimões e corrimãos; vilão – vilões, vilãos ou vilães;

cortesão – cortesões e cortesãos; vulcão – vulcões e vulcãos (Bechara)

ermitão – ermitões, ermitãos e ermitães; zangão – zangões e zangãos.

faisão – faisões e faisães;

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Plural com alteração de timbre da vogal tônica
1. Alguns substantivos, cuja vogal tônica é o fechado, além de receberem a desinência -s, mudam,
no plural, o “o” fechado [o] para aberto [o]. Damos a esse fenômeno o nome de PLURAL
METAFÔNICO (meta = mudança + fônico=som).
olho corcovo forno porco toco
abrolho coro foro porto tojo
caroço corpo fosso posto tordo
esforço corvo imposto povo tomo
osso despojo jogo reforço troco
rogo destroço miolo renovo troço
sobrolho estorvo ovo socorro
contorno fogo poço tijolo

2. Note-se, porém, que muitos substantivos conservam no plural o “o” fechado do singular.
acordo encosto
adorno engodo
bojo estojo
bolo ferrolho
cachorro globo
coco golfo
colmo gosto
consolo lobo
dorso logro

OBSERVAÇÃO
Molho “condimento” (por ex.: o molho da carne) e molho “feixe” (por ex.: um molho de chaves) são
palavras que conservam no plural a mesma diferença de timbre da vogal tônica: molhos e molhos.

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3. Os substantivos terminados em -al, -el, -ol e -ul substituem no plural o -/ por -is:

Singular Plural Singular Plural


animal animais farol faróis
papel papéis lençol lençóis
móvel móveis álcool álcoois
níquel níqueis paul pauis

ATENÇÃO!
Excetuam-se as palavras mal, real (moeda), cônsul e seus derivados, que fazem, respectivamente,
males, réis, cônsules e, por este, pró-cônsules, vice-cônsules.

4. Os substantivos oxítonos terminados em -il mudam o -/ em -s:


Singular Plural
Ardil ardis
barril barris
covil covis
funil funis
fuzil fuzis
redil redis

5. Os substantivos paroxítonos terminados em il substituem essa terminação por -eis: réptil-


répteis.

ATENÇÃO!
a. Além de projétil, pronúncia mais generalizada no Brasil, há na língua a variante paroxítona
projetil, com o plural projetis, que é a pronúncia normal portuguesa.
b. Réptil, pronúncia que postula a origem latina da palavra, tem a variante reptil, cujo plural é,
naturalmente, reptis.

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6. Nos diminutivos formados com os sufixos -zinho e -zito, tanto o substantivo primitivo como o
sufixo vão para o plural, desaparecendo, porém, o -s do plural do substantivo primitivo. Assim:

Singular Plural
balãozinho balõe(s) + zinhos > balõezinhos
papelzinho papéi(s) + zinhos > papeizinhos
colarzinho colare(s) + zinhos > colarezinhos
Cãozito ou cãe(s) + zitos ou zinhos > cãezitos ou cãezinhos
cãozinho
mulherzinha mulher (s) + zinhas - mulherezinhas

Substantivos de um só número
Há substantivos que só se empregam no plural. Assim:

alvíssaras cãs fezes primícias


anais condolências matinas víveres
antolhos esponsais núpcias copas (naipe)
arredores exéquias óculos espadas (naipe)
belas-artes fastos olheiras ouros (naipe)
calendas férias pêsames paus (naipe)

Há substantivos que se usam habitualmente no singular, como os nomes de metais e os nomes


abstratos: ferro, ouro, cobre, fé, esperança, caridade. Quando aparecem no plural, têm, de regra,
sentido diferente. Comparem-se, por exemplo, cobre (metal) a cobres (dinheiro), ferro (metal) a
ferros (ferramentas, aparelhos).

Substantivos compostos
Observem-se as seguintes normas, com fundamento na grafia:

a) quando o substantivo composto é constituído de palavras que se escrevem ligadamente sem


hífen, forma o plural como se fosse um substantivo simples:

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aguardente(s), claraboia(s), malmequer(es), lobisomem(-mens), varapau(s), ferrovia(s),
pontapé(s), vaivém(-véns);

b) quando os termos componentes se ligam por hífen, podem variar todos ou apenas um deles:
Singular Plural Singular Plural
couve-flor couves-flores grão-mestre grão-mestres
obra-prima obras-primas guarda-marinha guardas-marinha
salvo-conduto salvos-condutos guarda-roupa guarda-roupas
Nota-se, porém, que:

a) quando o primeiro termo do composto é verbo ou palavra invariável e o segundo substantivo


ou adjetivo, só o segundo vai para o plural:
Singular Plural Singular Plural
guarda-chuva guarda-chuvas bate-boca bate-bocas
sempre-viva sempre-vivas abaixo-assinado abaixo-assinados
vice-presidente vice-presidentes grão-duque grão-duques

b) quando os termos componentes se ligam por preposição, só o primeiro toma a forma de


plural:
Singular Plural Singular Plural
chapéu de sol chapéus de sol peroba-do-campo perobas-do-campo
pão de ló pães de ló joão-de-barro joões-de-barro
pé de cabra pés de cabra mula sem cabeça mulas sem cabeça

c) também só o primeiro toma a forma de plural quando o segundo termo da composição é um


substantivo que funciona como determinante específico:
Singular Plural Singular Plural
navio-escola navios-escola banana-prata bananas-prata
salário-família salários-família manga-espada mangas-espada

d) geralmente ambos os elementos tomam a forma de plural quando o composto é constituído


de dois substantivos, ou de um substantivo e um adjetivo:

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Singular Plural Singular Plural
carta-bilhete cartas-bilhetes gentil-homem gentis-homens
tenente-coronel tenentes-coronéis água-marinha águas-marinhas
amor-perfeito amores-perfeitos vitória-régia vitórias-régias

GRAU DOS SUBSTANTIVOS

A rigor, a flexão de grau é pertinente ao adjetivo. Admite-se, porém, a existência de três graus
para o substantivo — o normal, o aumentativo e o diminutivo — em consonância com a
Nomenclatura Gramatical Brasileira e a Nomenclatura Gramatical Portuguesa.

Um substantivo pode apresentar-se:


a) com a sua significação normal: chapéu, boca;

b) com a sua significação exagerada, ou intensificada disforme ou desprezivelmente (grau


aumentativo): chapelão, bocarra; chapéu grande, boca enorme;

c) com a sua significação atenuada, ou valorizada afetivamente (grau diminutivo): chapeuzinho,


boquinha; chapéu pequeno, boca minúscula.
Vemos, portanto, que a gradação do significado de um substantivo se faz por dois processos:

sinteticamente, mediante o emprego de sufixos especiais: chape-l-ão, boc-arra; chapeu-zinho,


boqu-inha;
analiticamente, juntando-lhe um adjetivo que indique aumento ou diminuição, ou aspectos
relacionados com essas noções: chapéu grande, boca enorme; chapéu pequeno, boca
minúscula.

Valor das formas aumentativas e diminutivas


Convém lembrar que o que denominamos aumentativo e diminutivo nem sempre indica o
aumento ou a diminuição do tamanho de um ser. Ou melhor, essas noções são expressas em geral
pelas formas analíticas, especialmente pelos adjetivos grande e pequeno, ou sinônimos, que
acompanham o substantivo.
Os sufixos aumentativos, de regra, emprestam ao nome as ideias de desproporção, de
disformidade, de brutalidade, de grosseria ou de coisa desprezível. Assim: narigão, beiçorra,

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pratalhaz ou pratarraz, atrevidaço, porcalhão etc. Ressalta, pois, na maioria dos aumentativos,
esse valor depreciativo ou pejorativo.
O emprego dos sufixos diminutivos indica ao leitor ou interlocutor que aquele que fala ou
escreve põe a linguagem afetiva no primeiro plano. Não quer comunicar ideias ou reflexões,
resultantes de profunda meditação, mas o que quer é exprimir, de modo espontâneo e impulsivo,
o que sente, o que o comove ou impressiona — quer seja carinho, saudade, desejo, prazer, quer,
digamos, um impulso negativo: troça, desprezo, ofensa. Assim, encontra-se no sufixo diminutivo
um meio estilístico que elide a objetividade sóbria e a severidade da linguagem, tornando-a mais
flexível e amável, mas às vezes também mais vaga.

Especialização de formas
Muitas formas originariamente aumentativas e diminutivas adquiriram, com o correr do
tempo, significados especiais, por vezes dissociados do sentido da palavra derivante. Nesses
casos, não se pode mais, a rigor, falar em aumentativo ou diminutivo. São, na verdade, palavras
em sua acepção normal. Assim: cartão, ferrão, florão, portão, corpete, lingueta, cartilha, flautim,
pastilha, cavalete, folhinha (calendário), vidrilho.

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CONJUNÇÕES
Conjunções são palavras invariáveis que servem para relacionar duas orações ou dois termos
semelhantes da mesma oração. Podem ser coordenativas ou subordinativas.

Conjunções coordenativas: relacionam termos ou orações de idêntica função gramatical


(orações independentes).
Exemplos: O tempo e a maré não esperam por ninguém.
Ouvi primeiro e falei por derradeiro.

Conjunções subordinativas: ligam duas orações, uma das quais determina ou completa o
sentido da outra (orações subordinadas). Comparem-se:
Exemplos: Eram três da tarde quando cheguei às arenas romanas.
Pediram-me que definisse o Arpoador.

AS CONJUNÇÕES COORDENATIVAS podem ser:


ADITIVAS: ligam dois termos ou duas orações de idêntica função. São as conjunções e, nem
(= e não):
Exemplo: Leonor voltou-se e desfaleceu.
Exemplo: Ele não me agradece, nem eu lhe dou tempo.

ADVERSATIVAS: ligam dois termos ou duas orações de igual função, acrescentando-lhes,


porém, uma ideia de contraste: mas, porém, todavia, contudo, no entanto, entretanto:
Exemplo: Apetece cantar, mas ninguém canta.
Exemplo: Não havia muitas casas, porém sobravam grandes terrenos baldios.

ALTERNATIVAS: ligam dois termos ou orações de sentido distinto, indicando que, ao


cumprir-se um fato, o outro não se cumpre. São as conjunções ou (repetida ou não) e, quando
repetidas, ora, quer, seja, nem etc.:
Exemplo: O Antunes das duas uma: ou não compreendia bem ou não ouvia nada do que lhe dizia
o seu companheiro.

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Exemplo: Ora lia, ora fingia ler para impressionar aos demais passageiros.

CONCLUSIVAS: servem para ligar à anterior uma oração que exprime conclusão,
consequência. São: logo, pois, portanto, por conseguinte, por isso, assim etc.:
Exemplo: Conheci, pois, Ari Ferreira, quando comecei a trabalhar em Clínica Médica, portanto em
1924.
Exemplo: Nas duas frases a experiência é a mesma. Na primeira não instrui, logo prejudica.

EXPLICATIVAS: ligam duas orações, a segunda das quais justifica a ideia contida na primeira.
São as conjunções que, porque, pois, porquanto, em exemplos como:
Exemplo: Vamos comer, Açucena, que estou morrendo de fome.
Exemplo: Dorme cá, pois quero mostrar-lhe as minhas fazendas.

Posição das conjunções coordenativas


1. Das conjunções coordenativas, apenas mas aparece obrigatoriamente no começo da oração;
porém, todavia, contudo, entretanto e no entanto podem vir no início da oração ou após um
dos seus termos:
Exemplo: É noite, mas toda a noite se pesca.
Exemplo: A igreja também era velha, porém não tinha o mesmo prestígio.

Esse último período poderia ser também enunciado:


Exemplo: A igreja também era velha; não tinha, porém, o mesmo prestígio.
Exemplo: A igreja também era velha; não tinha o mesmo prestígio, porém.

2. Pois, quando conjunção conclusiva, vem sempre posposta a um termo da oração a que
pertence:
Exemplo: Era, pois, um homem de grande caráter e foi, pois, também um grande estilista.

3. As conclusivas logo, portanto e por conseguinte podem variar de posição, conforme o ritmo,
a entoação, a harmonia da frase.
Valores particulares
Certas conjunções coordenativas podem, no discurso, assumir variados matizes significativos de
acordo com a relação que estabelecem entre os membros (palavras e orações) coordenados.

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1. “E”, por exemplo, pode:
a) ter valor adversativo:
Exemplo: Tanto tenho aprendido e não sei nada.

Pode também ter valor adversativo, fronteiriço (próximo), por vezes, do valor concessivo,
fronteiriço, por vezes, do concessivo:
Exemplo: Torço as orelhas e não dão sangue.
Exemplo: Fui, como as ervas, e não me arrancaram. (fernando Pessoa)

b) indicar uma consequência, uma conclusão:


Exemplo: Qualquer movimento, e será um homem morto.
Exemplo: Embarco amanhã, e venho dizer-lhe adeus.

c) expressar uma finalidade:


Exemplo: Ia decorá-la e transmiti-la ao irmão e à cachorra.
Exemplo: Em frente ao espelho, levou um lenço aos olhos e retocou a pintura.

d) ter valor consecutivo:


Exemplo: Esperei mais algumas palavras. Não vieram — e saí desapontado.
Exemplo: Estou sonhando, e não quero que me acordem.

e) introduzir uma explicação enfática:


Exemplo: Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu.
Exemplo: As filhas estavam casadas, e muito bem casadas.

f) iniciar frases de alta intensidade afetiva, com o valor próximo ao de interjeições:


Exemplo: — E os críticos! E os leitores! E a glória! Recolheram todas as minhas sobras, não me
deixam respirar.

g) facilitar a passagem de uma ideia a outra, mesmo que não relacionadas, quando vem repetido
ritmicamente em fórmulas paralelísticas que imitam o chamado estilo bíblico:
Exemplo: E a minha terra se chamará a terra de Jafé, e a tua se chamará a terra de Sem; e iremos
às tendas um do outro, e partiremos o pão da alegria e da concórdia.

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2. “Mas” é outra partícula que apresenta múltiplos valores afetivos. Além da ideia básica de
oposição, de contraste, pode exprimir, por exemplo:
a) restrição:
Exemplo: Continuou a conversa interrompida com a senhora gorda, que tinha muitos brilhantes,
mas uma terrível falta de ouvido, porque não se pode ter tudo.
Exemplo: — Vai, se queres, disse-me este, mas temporariamente.

b) retificação:
Exemplo: Eram mãos nuas, quietas, essas mãos; serenas, modestas e avessas a qualquer
exibicionismo. Mas não acanhadas, isso nunca.

c) atenuação ou compensação:
Exemplo: Vinha um pouco transtornado, mas dissimulava, afetando sossego e até alegria.
Exemplo: Uma luz bruxuleante mas teimosa continuava a brilhar nos seus olhos.

d) adição:
Exemplo: Anoitece, mas a vida não cessa.
Exemplo: Era bela, mas principalmente rara.

É particularmente importante o emprego dessa conjunção (assim como de porém) para mudar a
sequência de um assunto, geralmente com o fim de retomar o fio do enunciado anterior que
ficara suspenso. Assim:
Exemplo: Mas continua. Não te esqueças do que estavas a contar.
Exemplo: Mas os dias foram passando.
Exemplo: Um dia, porém, o Duro regressou à terra.

CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS
Classificam-se em causais, concessivas, condicionais, finais, temporais, comparativas,
consecutivas, conformativas, proporcionais e integrantes.
As causais, concessivas, condicionais, finais, temporais, proporcionais, conformativas,
comparativas e consecutivas iniciam orações adverbiais. As integrantes introduzem orações
substantivas.

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CAUSAIS: iniciam uma oração subordinada denotadora de causa porque, pois, porquanto,
como [= porque], pois que, por isso que, já que, uma vez que, visto que, visto como, que etc.:
Exemplo: Tenho continuado a poetar, porque decididamente estou renovado.
Exemplo: Tio Couto estava sombrio, pois aparecera um investigador da polícia perguntando por
Gervásio.
Exemplo: Como as pernas trôpegas exigiam repouso, descia raramente à cidade.

CONCESSIVAS: iniciam uma oração subordinada em que se admite um fato contrário à ação
principal, mas incapaz de impedi-la embora, conquanto, ainda que, mesmo que, posto que,
bem que, se bem que, por mais que, por menos que, apesar de que, nem que, que etc.:
Exemplo: Não saberei nunca escrever sobre ele, embora tenha tentado mais de uma vez.
Exemplo: Bandeira livre e bandeira oficial foram comuns, posto que em graus diversos, a todo o
Brasil.
Exemplo: Nem que a matassem, confessava.

CONDICIONAIS: iniciam uma oração subordinada em que se indica uma hipótese ou uma
condição necessária para que seja realizado ou não o fato principal se, caso, contanto que,
salvo se, sem que [= se não], dado que, desde que, a menos que, a não ser que etc.:
Exemplo: Se aquele entrasse, também os outros poderiam tentar...
Exemplo: A entrevista ficou marcada para as quatro da tarde, caso você não prefira ir à noite.

FINAIS: iniciam uma oração subordinada que indica a finalidade da oração principal para
que, a fim de que, porque [= para que]:
Exemplo: Não bastava a sua boa vontade para que tudo se arranjasse.
Exemplo: Recolheu a carta e a sobrecarta, para mostrá-las a Rubião, a fim de que ele visse bem
que não era nada.

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TEMPORAIS: iniciam uma oração subordinada indicadora de circunstância de tempo
quando, antes que, depois que, até que, logo que, sempre que, assim que, desde que, todas as
vezes que, cada vez que, apenas, mal, que [= desde que], etc.:
Exemplo: Quando tio Severino voltou da fazenda, trouxe para Luciana um periquito.
Exemplo: Sempre que posso, vou aonde as recordações me chamam.
Exemplo: Tio Cosme vivia com minha mãe, desde que ela enviuvou.
Exemplo: Enquanto Tamar e a irmã estavam no colégio, uma rapariga fugiu de lá.

CONSECUTIVAS: iniciam uma oração na qual se indica a consequência do que foi declarado
na anterior que (combinada com uma das palavras tal, tanto, tão ou tamanho, presentes
ou latentes na oração anterior), de forma que, de maneira que, de modo que, de sorte que, etc.:
Exemplo: Foi tão ágil e rápida a saída que Jandira achou graça.
Exemplo: O frio é tanto, é tamanho que a pena cai-me da mão...
Exemplo: Ainda hoje os marmeleiros carregam, que é uma temeridade.

COMPARATIVAS: iniciam uma oração que encerra o segundo membro de uma comparação,
de um confronto que, do que (depois de mais, menos, maior, menor, melhore pior), qual
(depois de tal), quanto (depois de tanto), como, assim como, bem como, como se, que nem:
Exemplo: Mais do que as palavras, falavam os fatos.
Exemplo: Surgiu, como se viesse doutro mundo, inesperada e pálida.
Exemplo: Ele comeu-a que nem confeitos.

CONFORMATIVAS: iniciam uma oração subordinada em que se exprime a conformidade de


um pensamento com o da oração principal conforme, como [= conforme], segundo,
consoante etc.:
Exemplo: O som de uma sineta, conforme o capricho do vento, aproximava-se ou perdia-se ao
longe.
Exemplo: Como ia dizendo, o seu raciocínio não está certo.
Exemplo: Cada um tinha razão levando a vida consoante a criação da sua alma.

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PROPORCIONAIS: iniciam uma oração subordinada em que se menciona um feito realizado
ou para realizar-se simultaneamente com o da oração principal à medida que, ao passo
que, à proporção que, enquanto, quanto mais... mais, quanto mais... tanto mais, quanto mais...
menos, quanto mais... tanto menos, quanto menos... menos, quanto menos... tanto menos, quanto
menos... mais, quanto menos... tanto mais:
Exemplo: À medida que avançavam, iam penetrando no coração da trovoada.
Exemplo: Tornavam-se agressivos, os nervos cada vez mais tensos, à proporção que o tempo
passava.
Exemplo: Quanto mais se distingue, mais se funde.

INTEGRANTES: servem para introduzir uma oração que funciona como sujeito, objeto
direto, objeto indireto, predicativo, complemento nominal ou aposto de uma outra oração
São as conjunções que e se:
Exemplo: Não sei, sequer, se me viste,
Não vou jurar que me vias.

Quando o verbo exprime uma certeza, usa-se que:


Exemplo: Tenho certeza de que gosta de mim.
Exemplo: João Garcia garantiu que sim, que voltava.

Quando o verbo exprime incerteza, usa-se se. Por exemplo:


a) numa dúvida:
Exemplo: Ninguém sabia se estava ferido ou se ferira alguém.
Exemplo: Vê se me entendes.

b) numa interrogação indireta:


Exemplo: Não sei se sentirá saudades, não sei se pensará em mim.
Exemplo: Pergunto a Deus se estou viva, se estou sonhando ou acordada.

Polissemia conjuncional
Algumas conjunções subordinativas (que, como, porque, se etc.) podem pertencer a mais de uma
classe. Sendo assim, o seu valor está condicionado ao contexto, nem sempre isento de

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ambiguidades, pois que há circunstâncias fronteiriças: a condição da concessão, o fim da
consequência etc.

Locuções conjuntivas são duas ou mais palavras que, juntas, têm função de conjunção. Grande
parte das locuções conjuntivas é formada por advérbios, preposições e particípios seguidos da
conjunção “que”.
Exemplos Já que, uma vez que, ainda que, por mais que, sem que, posto que, visto que etc.

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PREPOSIÇÕES
Chamam-se preposições as palavras invariáveis que relacionam dois termos de uma oração, de
tal modo que o sentido do primeiro (antecedente) é explicado ou completado pelo segundo
(consequente). Isso significa que, entre os termos ou orações ligadas por uma preposição, haverá
uma relação de dependência em que um termo será subordinante e o outro, subordinado. Assim:

Antecedente Preposição Consequente


Vou a Roma
Chegaram a tempo
Todos saíram de casa
Chorava de dor
Estive com Pedro
Concordo com você

FORMA DAS PREPOSIÇÕES


Podem ser:

a) simples, quando expressas por um só vocábulo:

a com em por (per ) sobre


ante contra entre sem trás
após de para sob

Tais preposições se denominam também essenciais, para se distinguirem de certas palavras


que, pertencendo normalmente a outras classes, funcionam, às vezes, como preposições e, por
isso, se dizem preposições acidentais. Assim: afora, conforme, consoante, durante, exceto,
fora, mediante, menos, não obstante, salvo, segundo, senão, tirante, visto etc.

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b) compostas (ou locuções prepositivas), quando constituídas de dois ou mais vocábulos, sendo
o último deles uma preposição simples (geralmente de):
acerca de apesar de em cima de para com
acima de a respeito de em frente a perto de
a despeito de atrás de em frente de por baixo de
adiante de através de em lugar de por causa de
a fim de de acordo com em redor de por cima de
além de debaixo de em torno de por detrás de
antes de de cima de em vez de por diante de
ao lado de defronte de graças a por entre
ao longo de dentro de junto a por trás de
ao redor de depois de junto de por sobre
a par de diante de para baixo de

SIGNIFICAÇÃO DAS PREPOSIÇÕES

A relação que se estabelece entre palavras ligadas por intermédio de preposição pode
implicar movimento ou não movimento, ou seja, pode exprimir um movimento ou uma
situação daí resultante.

Vou a Roma.
Todos saíram de casa.

São marcadas pela ausência de movimento as relações que as preposições a, de e com


estabelecem nas seguintes frases:
Chegaram a tempo.
Chorava de dor.
Estive com Pedro.
Concordo com você.

Tanto o movimento como a situação podem ser considerados com referência ao espaço, ao
tempo e à noção.

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A preposição de, por exemplo, estabelece uma relação:

a) espacial em: Todos saíram de casa.

b) temporal em: Trabalha de segunda a sexta toda semana.

c) nocional em: Chorava de dor./ Livro de Pedro.

Nos três casos, a preposição de relaciona palavras à base de uma ideia central: “movimento de
afastamento de um limite”, “procedência”. Em outros casos, mais raros, predomina a noção daí
derivada, de “situação longe de”. Os matizes significativos que essa preposição pode adquirir em
contextos diversos derivarão sempre desse conteúdo significativo fundamental e das suas
possibilidades de aplicação aos campos espacial, temporal ou nocional, com a presença ou a
ausência de movimento.

Embora as preposições apresentem grande variedade de usos, bastante diferenciados no


discurso, é possível estabelecer para cada uma delas uma significação fundamental, marcada
pela expressão de movimento ou de situação resultante (ausência de movimento) e aplicável
aos campos espacial, temporal e nocional.

CONTEÚDO SIGNIFICATIVO E FUNÇÃO RELACIONAL

Comparando as frases “Viajei com Pedro” e “Concordo com você", observamos que, em ambas,
a preposição com tem como antecedente uma forma verbal (viajei e concordo), ligada por ela
a um consequente, que, no primeiro caso, é um termo acessório (com Pedro = adjunto
adverbial) e, no segundo, um termo integrante (com você = objeto indireto) da oração.
A preposição com exprime, fundamentalmente, a ideia de “associação”, “companhia”. Mas
essa ideia básica está mais intensa no primeiro exemplo,

Viajei com Pedro, do que no segundo, Concordo com você.

Aqui, o uso da partícula com após o verbo concordar, por ser construção já fixada no
idioma, provoca um esvaecimento do conteúdo significativo de “associação”, “companhia”, em
favor da função relacional pura.

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Nesses casos, costuma-se desprezar o sentido da preposição e considerá-la um simples elo
sintático, vazio de conteúdo nocional.

Salienta-se que as relações sintáticas que se fazem por intermédio de preposição


obrigatória selecionam determinadas preposições exatamente por causa do seu significado
básico. Assim, o verbo concordar elege a preposição com em razão das afinidades que existem
entre o sentido do próprio verbo e a ideia de “associação” inerente a com.

O objeto indireto que, em geral, é introduzido pelas preposições a ou para, corresponde


a um “movimento em direção a”, coincidente com a base significativa daquelas preposições.

Completamente distinto é o caso do objeto direto preposicionado, em que o emprego de


preposição não obrigatória transmite à relação um vigor novo, pois o reforço que advém do
conteúdo significativo da preposição é sempre um elemento intensificador e clarificador da
relação verbo-objeto:

Vejo Deus pelos teus olhos, Maria, e beijo a Deus, na tua face.

Em resumo: a maior ou menor intensidade significativa da preposição depende do tipo de


relação sintática por ela estabelecida. Essa relação pode ser FIXA, NECESSÁRIA OU LIVRE.

RELAÇÃO FIXA é aquela em que a preposição não é exigida, mas aparece em estruturas fixas
da língua.

– De tempos em tempos, estudo para concursos importantes.


– Você é velho, por acaso?
– Tenho de passar na prova. Hei de conseguir!
– Ao sair de casa, de manhãzinha, deu com o ex-namorado na esquina.

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RELAÇÃO NECESSÁRIA é aquela em que a preposição exigida pelos verbos/nomes os relaciona
com seus complementos.

– Assistia a vários filmes. (exigida pelo verbo assistir)


– Voltei de Parati há pouco tempo. (exigida pelo verbo voltar)
– Morei em lugares exóticos. (exigida pelo verbo morar)
– Demonstre gratidão por isso. (exigida pelo substantivo gratidão)
– Ficou desgostoso com sua equipe. (exigida pelo adjetivo desgostoso)
– Diferentemente de mim, ela estuda. (exigida pelo advérbio diferentemente)

RELAÇÃO LIVRE é aquela em que a preposição não é usada por motivação sintática, mas sim
por razões estilísticas.

– Procuramos por uma pessoa desaparecida. - Procuramos uma pessoa desaparecida.


– Todos nós amamos a nossos filhos. - Todos nós amamos nossos filhos.
– Trata o filho barbado como a uma criança. - Trata o filho barbado como uma criança.
– Comeram do pão e beberam do vinho. - Comeram o pão e beberam o vinho.
- Usar a internet faz com que viajemos. - Usar a internet faz que viajemos.

VALORES DAS PREPOSIÇÕES


A
1. Movimento = direção a um limite:
a) no espaço:
Do Leme ao Posto 6, a viagem tranquila.
Rompo à frente, tomo a mão esquerda.
Nunca tinha visto aquelas idas do alferes à casa de nhá Venância.

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b) no tempo:
Daqui a uma semana o senhor vai lá em casa.
Lá de ano a ano é que vinha procurá-la.
Daí que de tempos a tempos tenha de dar-se uma nova ruptura.

c) na noção:
A sua vida com o marido vai de mal a pior.
Aquele trabalho em dia destinado a descanso causava má impressão.
A prova estava em que nunca deixara entrever tendência ao mal.

2. Situação - coincidência, concomitância:


a) no espaço:
O que está ao pé é igual ao que está ao longe.
Meu pai, à cabeceira, saboreava a goles extensos a alegria dos convivas.

b) no tempo:
À sobremesa, antes que ele pedisse, o garçom trouxe as garrafas e a taça.
Ao entardecer, avistei uma povoação...

c) na noção:
Amanhã, a frio, poderei dizer-te o contrário.
Não podemos gastar dinheiro à toa.
Os outros dois também não pareciam mais à vontade.

ANTE
Situação = anterioridade relativa a um limite:
a) no espaço:
Foi pelo corredor, quase pé ante pé, para não acordar os filhos.
Parou ante o corpo de sua mãe que esfriava lentamente.

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b) no tempo (substituída por antes de):
Tenho de estar de volta antes das sete horas.
Antes de chegar lá parou e voltou-se para mim...

c) na noção:
Ante a súbita ideia, Alberto hesitou.
Ante a nova aliança, o povo manifestou-se aos gritos.

APÓS
Situação — posterioridade relativamente a um limite próximo. No discurso, pode adquirir o
efeito secundário de “consequência”:
a) no espaço:
Seguiam logo após do capitão-mor.
Após eles, iam ficando medas de cereal, restolhos ...

b) no tempo:
Após meia hora de caminho, vislumbrou a luz...
Após a afirmativa, o Gigi lembrou-se da alegria dos colegas.

ATÉ
Movimento = aproximação de um limite com insistência nele:
a) no espaço:
Arrastou-se até ao quarto.
Macambira adiantou-se até a acácia, sentou-se no banco.

b) no tempo:
Todos passaram a dar-lhe a dignidade que lhe negavam até ali.
Até meados do mês ventou.

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OBSERVAÇÕES
No português moderno, essa preposição, quando rege substantivo acompanhado de artigo,
pode vir, ou não, seguida da preposição a:
Ir ao Porto ou, com mais calor familiar, ir até ao Porto ou ir até o Porto, é sempre uma festa para
o duriense.
Pode-se dizer que, de um modo geral, o português europeu usa, atualmente, até com a preposição
a, ao passo que, no português do Brasil, há uma sensível preferência para a outra construção, ou
seja, a de até diretamente ligada ao termo regido.
Cumpre distinguir a preposição até, que indica movimento, da palavra de forma idêntica,
denotadora de inclusão (advérbio).

COM
Situação = adição, associação, companhia, comunidade, simultaneidade. Em certos contextos,
pode exprimir as noções de modo, meio, causa, concessão:
a) na noção:
Deve-se rir com alguém, não de alguém, como dizia Dickens.
Vou amanhã de manhã com o Rocha.
A proposta foi recebida com reserva.
Saio do hotel com o sol já alto.

CONTRA
Movimento = direção a um limite próximo, direção contrária. A noção de oposição, hostilidade, é
um efeito secundário de sentido decorrente do contexto:
a) no espaço:
Aturdida, a rapariga aperta-se contra ele.
Maria projetou o corpo contra a parede do celeiro e desviou a cara.
Eu castigava a mão contra o meu próprio rosto.

b) na noção:
Era assim que os garotos reagiam contra alguém que punha desconfiança nas histórias do Choa.
Revoltei-me contra o seu despotismo e não esperei por ele.

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77 CURSOS PREPARATÓRIOS
Começaram a surgir argumentos contra eles.

DE
Movimento = afastamento de um ponto, de um limite, procedência, origem. As noções de causa,
posse etc., daí derivadas, podem prevalecer em razão do contexto:
a) no espaço:
Vinha de longe, dos confins do medo...
O silêncio desce do céu luminoso.
O Tonecas e o Neco tinham chegado da Floresta, com as gaiolas.

b) no tempo:
Roma fala do passado ao presente.
Como pudera desaparecer de um momento para outro?
O comissário partiu de manhã com um pequeno grupo.

c) na noção:
Mais do que a sombra do teu vulto, vi o claro outrora do teu riso largo...
Ela vem falar da agricultura, isto é, da atividade fundamental do seu grupo, que nela assenta a
defesa de todos os seus valores, materiais e morais.

DESDE
Movimento = afastamento de um limite com insistência no ponto de partida (intensivo de de):
a) no espaço:
Desde longe, sob o céu limpo de nuvens, a intensa claridade arroxeada do poente irradia como uma
assombração.
Dessa calamidade partilharam todas as regiões banhadas pelo Atlântico desde as Flandres até o
estreito de Gibraltar.
Esse maciço dos Andes vem desde a Patagônia até o Alasca.

b) no tempo:
Já a trago debaixo de olho desde o Santo Antônio.
Desde o ano passado guardara essa mágoa.
O céu azul não tinha nuvens e, desde manhãzinha, a cidade estava debaixo de um calor asfixiante.

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78 CURSOS PREPARATÓRIOS
EM
1. Movimento = superação de um limite de interioridade; alcance de uma situação dentro de:
a) no espaço:
A notícia corria a medo, de casa em casa, provocando a fuga de muita gente.
Os Garcias entraram em casa calados.
Os serventes caminhavam em todas as direções.

b) no tempo:
Nazário visitava-as de quando em quando.
Também de vez em quando ele cerrava os punhos num sinal de desespero.

c) na noção:
Meu ser desfolha-se em íntimas lembranças, que revivem...
E a lagoa entrou em festa.
Jovita embuchava e fervia em ira, as faces afogueadas, os olhos duros.

2. Situação = posição no interior de, dentro dos limites de, em contato com, em cima de:
a) no espaço:
Um gato vive um pouco nas poltronas, no cimento ao sol, no telhado...
Trazia no sangue o calor humano da amizade.
b) no tempo:
Tudo aconteceu em 24 horas.
Em 1815 voltou meu pai.

c) na noção:
Somos muitos Severinos Iguais em tudo e na sina.
Pareceu-lhe que toda a povoação estava em chamas.
Um vasto silêncio de cúpulas afoga-me em pesadelo.

ENTRE
Situação = posição no interior de dois limites indicados, interioridade:
a) no espaço:

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79 CURSOS PREPARATÓRIOS
Convém intercalar este capítulo entre a primeira oração e a segunda do capítulo seguinte.
A máscara estava pendurada na parede entre duas lanças.

b) no tempo:
Todos os barcos se perdem entre o passado e o futuro.
O instante entre as lágrimas e o respeito.
Entre a memória e o primeiro passo do depois!

c) na noção:
Entre o sonho e o desejo quando nos veremos, tarde ou cedo?
Prossiga ela sempre dividida entre compensações e desenganos.

PARA
Movimento = tendência para um limite, finalidade, direção, perspectiva. Distingue-se de a por
comportar um traço significativo que implica maior destaque do ponto de partida com
predominância da ideia de direção sobre a do término do movimento:
a) no espaço:
Agora, não lhe interessava ir para o Huamba.
Eu ia arrastado não sabia para onde, ele ia levado para onde o chamava a obsessão.
Quando meu Pai deixou Juiz de Fora e mudou-se para o Rio, veio morar com suas irmãs.

b) no tempo:
Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte.
Quando está melhor, quando vai descer à rua, padre?
Lá para o fim da semana.
O Nordeste, de um momento para outro, varreu as nuvens em direção ao Sul.

c) na noção:
Deram-lhe o formulário para preencher à máquina e reconhecer a firma.
Cala-se para não mentir.
Se trazia qualquer coisa, trazia também assunto para conversa.

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80 CURSOS PREPARATÓRIOS
PERANTE
Situação = posição de anterioridade relativamente a um limite, presença, confronto (intensivo
de ante):
a) no espaço:
Permaneceu calada perante o olhar escuro de Leonardo.
Queriam colocá-lo mal perante companheiros que tinham gramado cadeia.

b) na noção:
Um arrependimento tardio, perante o irremediável.
Perante a grandeza e o poder do Céu, a esperança era o melhor compromisso dos homens para
com a vida.
Vejo a sua trêmula palidez, à luz da lua nova, e o seu aspecto desgrenhado, perante o mistério e a
dor.

POR (PER)
1. Movimento = percurso de uma extensão entre limites, através de, duração:
a) no espaço:
Vai-se por aí devagarinho.
A rapariga arrastou-se pelo capim, fugindo devagarinho.

b) no tempo:
Daqui por seis meses quero beber água dele.
Mas a permanência em casa me parecia intolerável por muito tempo.

c) na noção:
Ele lia os jornais, artigo por artigo, pontuando-os com exclamações...
A noite desfê-los, um por um, logo que os vultos se curvaram sobre os degraus das rochas.

2. Situação = resultado do movimento de aproximação a um limite:


a) no espaço:
Por cima delas, lá em cima, a cara fitava-me, atenta, sorrindo satisfeita.
— Vai de calção por baixo.

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81 CURSOS PREPARATÓRIOS
b) no tempo:
Pelo crepúsculo, a chuvada esmoreceu.
Era pelos anos de 1861 ou 1862.
Pela madrugada, a ventania vibra com um fragor subterrâneo de sentimentos à solta.

c) na noção:
Volto-me por acaso.
— Estou preso; antes que te digam que por alguma indignidade, previno: por ter dado uma lição
ao Malheiro.
Por ti ardem círios.
SEM
Situação = subtração, ausência, desacompanhamento:
a) na noção:
É próprio do gato sair sem pedir licença, voltar sem dar satisfações.
O sol subia no céu azul sem nuvens.

SOB
Situação = posição de inferioridade em relação a um limite (no sentido concreto ou no figurado):
a) no espaço:
Sob um céu nórdico, opalino, cruzavam-se as gaivotas.
O vento da noite roçava sombras duplas gemendo docemente, sob uma chuva de jasmins-do-cabo.
Sob a camisa, a água escorre-lhe para o peito e para as costas.

b) no tempo:
A Companhia só voltou a se instalar no Brasil em 1841, sob Pedro II Imperador.
Sob D. Manuel floresceram as artes e as letras em Portugal como sob Leão X na Itália.

c) na noção:
Sob o aspecto faunístico, o Novo Mundo trouxe grande decepção aos seus descobridores.
Sob certos aspectos, foi ele, não há dúvida, “o último lusíada”

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82 CURSOS PREPARATÓRIOS
SOBRE
Situação = posição de superioridade em relação a um limite (no sentido concreto ou no figurado),
com contato, com aproximação, ou com alguma distância; tempo aproximado:
a) no espaço:
Veio a criada e pôs quatro taças sobre a mesa.
Cruzou os braços sobre o peito e apertou as mãos às costas.

b) no tempo:
Entrementes foi acabando o ano e já era sobre o Natal.
Sobre a madrugada, o sipaio Tipoia chegou às imediações da aldeia...
c) na noção:
Pouco de preciso se conhece sobre a distribuição dos Lusitanos no território.
Conversavam alegremente sobre os acontecimentos do dia.

TRÁS
A preposição trás, que indica situação posterior, arcaizou-se. Na língua atual é substituída pelas
locuções atrás de e depois de; mais raramente, por sua sinônima após.
O sentido originário dessa preposição era “além de”, que subsiste nos compostos Trás-os-Montes
e trasanteontem.

VALOR NOCIONAL: as preposições com valor nocional não são exigidas pelos verbos ou nomes,
apenas marcam relações semânticas.

A maioria das preposições essenciais indicam 3 conceitos: tempo, espaço e noção (de causa,
matéria, modo, meio, instrumento, preço, assunto etc). Tais preposições normalmente iniciam
adjuntos (adnominais ou adverbiais), por isso, para saber o valor semântico da preposição, é
preciso ver o valor semântico do adjunto. Assim:

Em “De tarde, quero descansar”, “De tarde” é um adjunto adverbial de tempo, logo a
preposição de tem valor nocional de tempo.

COMBINAÇÃO E CONTRAÇÃO DAS PREPOSIÇÕES

As preposições podem ligar-se a outras palavras em forma de combinação (quando não sofrem
nenhuma redução) ou de contração (quando, na ligação, sofrem redução). Veja:

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83 CURSOS PREPARATÓRIOS
(1) Nunca fui ao Japão.
(2) O acervo da biblioteca é fantástico.

Em (1), a preposição “a” não sofreu nenhuma redução quando se uniu ao artigo masculino “o”,
mas, em (2) a preposição “de” sofreu uma redução, combinando-se com o artigo “a”. As
preposições que se contraem são:

a) preposição A:
- com o artigo definido ou pronome demonstrativo feminino:
a + a= à a + as= às

-com o pronome demonstrativo:


a + aquele = àquele a + aqueles = àqueles
a + aquela = àquela a + aquelas = àquelas
a + aquilo = àquilo

b) preposição DE:
-com o artigo definido masculino e feminino:
de + o/os = do/dos de + a/as = da/das

-com o artigo indefinido (menos usual):


de + um= dum de + uns = duns
de + uma = duma de + umas = dumas

-com o pronome demonstrativo:


de + este(s)= deste, destes de + esta(s)= desta, destas
de + isto= disto de + isso = disso
de + esse(s) = desse, desses de + essa(s)= dessa, dessas
de + aquele(s) = daquele, daqueles de + aquela(s) = daquela, daquelas
de + aquilo= daquilo

-com o pronome pessoal:

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84 CURSOS PREPARATÓRIOS
de + ele(s) = dele, deles de + ela(s) = dela, delas

-com o pronome indefinido:


de + outro(s)= doutro, doutros de + outra(s) = doutra, doutras
-com advérbio:
de + aqui= daqui de + aí= daí de + ali= dali

c) preposição EM:
-com o artigo definido:
em + a(s)= na, nas em + o(s)= no, nos

-com o pronome demonstrativo:


em + esse(s)= nesse, nesses em + essa(s)= nessa, nessas
em + isso = nisso em + este(s) = neste, nestes
em + esta(s) = nesta, nestas em + isto = nisto
em + aquele(s) = naquele, naqueles em + aquela(s) = naquelas
em + aquilo = naquilo

-com o pronome pessoal


em+ele(s) = nele, neles em + ela(s) = nela, nelas

d) preposição PER
-com as formas antigas do artigo definido (lo, la):
per + lo(s) = pelo, pelos per + la(s) = pela, pelas
e) preposição PARA (pra)
-com o artigo definido:
para (pra) + o(s) = pro, pros para (pra) + a(s)= pra, pras

OBSERVAÇÕES

Após algumas preposições acidentais (exceto, salve, inclusive etc.), a presença de uma
preposição essencial, em razão da sua exigência por algum verbo ou nome, torna-se facultativa.

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85 CURSOS PREPARATÓRIOS
– Eu discordo de todos, exceto dela. (correto)
– Eu discordo de todos, exceto ela. (correto)

A repetição de preposições só será obrigatória quando for importante para o sentido da oração.

– Ela falou com o professor e diretor da escola significa que ela falou com uma pessoa que
ocupa dois cargos.
– Ela falou com o professor e com o diretor da escola significa que ela falou com duas pessoas
diferentes.

Em qualquer sequência de termos ou orações coordenadas, a repetição das preposições é


facultativa. Mas observe que, quando forem explicitadas, elas deverão aparecer diante
de todos os termos. Lembrando que a repetição só será obrigatória quando for importante para
a clareza da frase.

–Lutamos pela música, (pela) literatura e (pelas) artes em geral.


–Fizemos menção a políticos, (a) jogadores e (a) religiosos.
–Sobre os bons professores e (sobre) os diretores, só tenho a dizer maravilhas.
–O medo de errar, (de) titubear e (de) ser um desastre completo me deixa ansioso.

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86 CURSOS PREPARATÓRIOS
INTERJEIÇÃO
São palavras invariáveis que exprimem emoções, sensações, estados de espírito, ou que
procuram agir sobre o interlocutor, levando-o a adotar determinados comportamentos sem que
se faça uso de estruturas linguísticas mais elaboradas.

A mesma reação emotiva pode ser expressa por mais de uma interjeição, assim como uma só
interjeição pode corresponder a sentimentos variados e até opostos. O valor de cada forma
interjectiva depende fundamentalmente do contexto e da entoação.

CLASSIFICAÇÃO DAS INTERJEIÇÕES


Classificam-se segundo o sentimento que denotam. Entre as mais usadas, enumeramos as:

de alegria: ah! oh ! oba! opa!

de animação: avante! coragem! eia! vamos!

de aplauso: bis! bem! bravo! viva!

de desejo: oh! oxalá!

de dor: ai! ui!

de espanto ou surpresa: ah! chi! ih! oh! ué! puxa!

de impaciência: hum! hem!

de invocação: alô! ô! ó! olá! psiu! psit!

de silêncio: psiu! silêncio!

de suspensão: alto! basta! alto lá!

de terror: ui! uh!

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87 CURSOS PREPARATÓRIOS
LOCUÇÃO INTERJECTIVA

São formadas por grupos de duas ou mais palavras.

Exemplos: ai de mim! ora, bolas! raios te partam! valha-me Deus!

OBSERVAÇÃO!

Na escrita, as interjeições vêm de regra acompanhadas do ponto de exclamação (!).

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88 CURSOS PREPARATÓRIOS
NUMERAL
Indica quantidade exata de pessoas ou coisas, ou assinala o lugar que elas ocupam numa série.
Os numerais podem ser cardinais, ordinais, multiplicativos e fracionários.
Atenção!

O numeral funciona como um determinante. Nesse contexto, ele pode acompanhar ou


substituir um substantivo. No primeiro caso, temos um numeral adjetivo; no segundo,
um numeral substantivo. Vejamos alguns exemplos de cada situação:

Os dois homens saíram na mesma hora. (numeral adjetivo)


Os dois saíram na mesma hora. (numeral substantivo)

Classificação sintática do numeral:

Do ponto de vista sintático, o numeral, quando acompanha um substantivo, exerce a


função de adjunto adnominal.

Contudo, se o numeral estiver substituindo um substantivo, ele pode exercer qualquer


das funções substantivas: sujeito, predicativo do sujeito, objeto direto, objeto indireto,
complemento nominal, agente da passiva, adjunto adverbial ou aposto).

NUMERAIS CARDINAIS: são os números básicos. Servem para designar:


a) a quantidade em si mesma, caso em que valem por verdadeiros substantivos:
Exemplo: Dois e dois são quatro.

b) uma quantidade certa de pessoas ou coisas, caso em que acompanham um substantivo à


semelhança dos adjetivos:
Exemplo: Geraldo levantou-se, deu três passos para a frente.

Flexão dos numerais cardinais


1. Os numerais cardinais um, dois, e as centenas a partir de duzentos variam em gênero:
Exemplo: Um, uma – duzentos, duzentas – dois, duas - trezentos trezentas

2. Milhão, bilhão (ou bilião), trilhão etc. comportam-se como substantivos e variam em número:

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89 CURSOS PREPARATÓRIOS
Exemplo: dois milhões - vinte trilhões

3. Ambos, que substitui o cardinal os dois, varia em gênero:


Exemplo: ambos os pés- ambas as mãos

4. Os outros cardinais são invariáveis.

Valores e empregos dos cardinais


1. Na lista dos cardinais costuma-se incluir zero (0), que equivale a um substantivo, geralmente
usado em aposição:
Exemplo: grau zero - desinência zero
2. Cem, forma reduzida de cento, usa-se como um adjetivo invariável:
Exemplo: cem rapazes - cem meninas
Exemplo: Cento é também invariável.
Emprega-se hoje apenas:
a) na designação dos números entre cem e duzentos:
Exemplo: cento e dois homens - cento e duas mulheres

b) precedido do artigo, com valor de substantivo:


Exemplo: Comprou um cento de bananas.
Exemplo: Pagou caro pelo cento de peras.

c) expressão cem por cento.

Cardinal como indefinido


O emprego do número determinado pelo indeterminado é um dos processos de superlativação
preferidos pelas línguas românicas. Exemplo: o cardinal mil, desde os começos da língua
largamente usado para expressar a indeterminação exagerada:
Exemplo: Em abril, chuvas mil.

Emprego da conjunção e com os cardinais


1. A conjunção e é sempre intercalada entre as centenas, as dezenas e as unidades:
Exemplo: trinta e cinco
Exemplo: trezentos e quarenta e nove

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90 CURSOS PREPARATÓRIOS
2. Não se emprega a conjunção entre os milhares e as centenas, salvo quando o número
terminar numa centena com dois zeros:
Exemplo: 1892 = mil oitocentos e noventa e dois 1800 = mil e oitocentos

3. Em números muito grandes, a conjunção e emprega-se entre os membros da mesma ordem


de unidades, e omite-se quando se passa de uma ordem a outra:
Exemplo: 293.572 = duzentos e noventa e três, mil quinhentos e setenta e dois; 332.415.741.211 =
trezentos e trinta e dois bilhões, quatrocentos e quinze milhões, setecentos e quarenta e um mil
duzentos e onze.

NUMERAIS ORDINAIS: indicam a ordem de sucessão dos seres ou objetos numa dada série.
Equivalem a adjetivos, que, no entanto, se substantivam facilmente:
Exemplo: A senhora Brasília era viúva e entendida em primeiras edições.
Exemplo: Foi aí que se tornou a primeira de sua classe.

Valores e empregos dos ordinais


1. Ao lado de primeiro, que é forma própria do ordinal, a língua portuguesa conserva o latinismo
primo (-a), empregado:
a) seja como substantivo, para designar parentesco (os primos) e, na forma feminina (a prima),
“a primeira das horas canônicas” e “a mais elevada corda” de alguns instrumentos;
b) seja como adjetivo, fixado em compostos como obra-prima e matéria-prima, ou em
expressões como números primos.

2. Certos ordinais, empregados com frequência para exprimir uma qualidade, tornam-se
verdadeiros adjetivos. Comparem-se:
Exemplo: Um material de primeira categoria [= superior].
Exemplo: Um artigo de segunda qualidade [= inferior].

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91 CURSOS PREPARATÓRIOS
3. Como em certos jogos as cartas, pedras ou pontos são designados pelas palavras ás, duque,
temo, quadra, a forma ás, equivalente a primeiro, passou a designar os campeões, especialmente
dos esportes:
Exemplo: Os ases do automobilismo.

Os numerais multiplicativos indicam o aumento proporcional da quantidade, a sua


multiplicação. Podem equivaler a adjetivos e, com mais frequência, a substantivos, por virem
geralmente antecedidos de artigo:
Exemplo: É um duplo receber, que é um duplo dar.
Exemplo: Tinha o dobro da minha grossura e era vermelho como malagueta.

OBSERVAÇÕES!
1. Os numerais multiplicativos são invariáveis quando equivalem a substantivos:
Exemplo: Podia ser meu avô, tem o triplo da minha idade.
Exemplo: Empregados com o valor de adjetivos flexionam-se em gênero e em número:
Exemplo: Costuma tomar o remédio em doses duplas.

2. As formas multiplicativas dúplice, tríplice etc. variam apenas em número:


Exemplo: Deram-se alguns saltos tríplices.

Emprego dos multiplicativos

Dos multiplicativos apenas dobro, duplo e triplo são de uso corrente. Os demais pertencem à
linguagem erudita. Em seu lugar, emprega-se o numeral cardinal seguido da palavra vezes:
Exemplo: quatro vezes, oito vezes, doze vezes etc.

Numerais fracionários: exprimem a diminuição proporcional da quantidade, a sua divisão:


Exemplo: Já pagamos a metade da dívida.
Exemplo: Só recebeu dois terços do ordenado.

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92 CURSOS PREPARATÓRIOS
Emprego dos fracionários

1. Os números fracionários apresentam as formas próprias meio (ou metade) e terço. Os demais
são expressos:

a) pelo ordinal correspondente, quando este se compõe de um só radical: quarto, quinto, décimo,
vigésimo, milésimo etc.;
b) pelo cardinal correspondente, seguido da palavra avos, quando o ordinal é uma forma
composta: treze avos, dezoito avos, vinte e três avos, cento e quinze avos.

2. Excetuando-se meio, os numerais fracionários vêm antecedidos de um cardinal, que designa


o número de partes da unidade: um terço, três quintos, cinco treze avos.

OBSERVAÇÃO
a) A forma fracionária duodécimo é de uso normal, na linguagem administrativa, nas áreas em
que a distribuição orçamentária se processa por parcelas mensais:
Exemplo: O Departamento já recebeu o segundo duodécimo.

Flexão dos numerais fracionários

1. Os numerais fracionários concordam com os cardinais que indicam o número das partes:
Exemplo: Subscrevi um terço e Carlos dois terços do capital.

2. Meio concorda em gênero com o designativo da quantidade de que é fração:


Exemplo: Comprou três quilos e meio de carne.
Exemplo: Andou duas léguas e meia a pé.

NUMERAIS COLETIVOS
São aqueles que, como os substantivos coletivos, designam um conjunto de pessoas ou coisas.
Caracterizam-se, no entanto, por denotarem o número de seres rigorosamente exato. É o caso
de novena, dezena, década, dúzia, centena, cento, lustro, milhar, milheiro, par.
Todos os numerais coletivos flexionam-se em número:

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93 CURSOS PREPARATÓRIOS
Exemplo: três décadas - cinco dúzias - dois milheiros - quatro lustros

Emprego dos cardinais pelos ordinais


Em alguns casos, o numeral ordinal é substituído pelo cardinal correspondente. Assim:
1. Na designação de papas e soberanos, bem como na de séculos e de partes em que se divide
uma obra, usam-se os ordinais até décimo, e daí por diante o cardinal, sempre que o numeral
vier depois do substantivo:

Gregório VII (sétimo) Pedro II (segundo)


Século X (décimo) Ato III (terceiro)
Canto VI (sexto) João XXIII (vinte e três)
Luís XIV (quatorze) Século XX (vinte)
Capítulo XI (onze) Tomo XV (quinze)
Quando o numeral antecede o substantivo, emprega-se, porém, o ordinal:
Décimo século Terceiro ato
Sexto Canto Vigésimo século
Décimo primeiro capítulo Décimo quinto tomo

2. Na numeração de artigos de leis, decretos, portarias e parágrafos, usa-se o ordinal até nono,
e o cardinal de dez em diante:

Artigo l.° (primeiro) Artigo 9.° (nono)


Artigo 10 (dez) Artigo 41 (quarenta e um)

Parágrafo 2º.(segundo)

Parágrafo 10 (dez)

3. Nas referências aos dias do mês, usam-se os cardinais, salvo na designação do primeiro dia,
em que é de regra o ordinal. Também na indicação dos anos e das horas empregam-se os
cardinais:

Exemplo: Chegaremos às seis horas do dia primeiro de maio.


Exemplo: São duas horas da tarde do dia vinte e oito de julho de mil novecentos e oitenta e
três.

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94 CURSOS PREPARATÓRIOS
4. Na enumeração de páginas e de folhas de um livro, assim como na de casas, apartamentos,
quartos de hotel, cabines de navio, poltronas de casas de diversões e equivalentes
empregam-se os cardinais. Nesses casos sente-se a omissão da palavra número:

Página 3 (três) Casa 31 (trinta e um)


Folha 8 (oito) Apartamento 102 (cento e dois)
Cabine 2 (dois) Quarto 18 (dezoito)

Se o numeral vier anteposto, usa-se o ordinal:


Terceira página Segunda cabine
Oitava folha Trigésima primeira casa

QUADROS DOS NUMERAIS

Numerais cardinais e ordinais

ROMANOS ARÁBICOS CARDINAIS ORDINAIS


1 1 um primeiro
II 2 dois segundo
III 3 três terceiro
IV 4 quatro quarto
V 5 cinco quinto
VI 6 seis sexto
VII 7 sete sétimo
VIII 8 oito oitavo
IX 9 nove nono
X 10 dez décimo
XI 11 onze undécimo ou décimo primeiro
XII 12 doze duodécimo ou décimo segundo
XIII 13 treze décimo terceiro
XIV 14 quatorze décimo quarto
XV 15 quinze décimo quinto

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95 CURSOS PREPARATÓRIOS
XVI 16 dezesseis décimo sexto
XVII 17 dezessete décimo sétimo
XVIII 18 dezoito décimo oitavo
XIX 19 dezenove décimo nono
XX 20 vinte vigésimo
XXI 21 vinte e um vigésimo primeiro
XXX 30 trinta trigésimo
XL 40 quarenta quadragésimo
L 50 cinquenta quinquagésimo
LX 60 sessenta sexagésimo
LXX 70 setenta septuagésimo
LXXX 80 oitenta octogésimo
xc 90 noventa nonagésimo
c 100 cem centésimo
cc 200 duzentos ducentésimo
ccc 300 trezentos trecentésimo
CD 400 quatrocentos quadringentésimo
D 500 quinhentos quingentésimo
DC 600 seiscentos seiscentésimo ou sexcentésimo
DCC 700 setecentos septingentésimo
DCCC 800 oitocentos octingentésimo
CM 900 novecentos nongentésimo
M 1 000 mil milésimo
X 10 000 dez mil dez milésimos
C 100 000 cem mil cem milésimos
M 1 000 000 um milhão milionésimo
1SÄ 1 000 000 000 um bilhão bilionésimo

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96 CURSOS PREPARATÓRIOS
Numerais multiplicativos e fracionários

MULTIPLICATIVOS FRACIONÁRIOS

duplo, dobro, dúplice meio ou metade


triplo, tríplice terço
quádruplo quarto
quíntuplo quinto
sêxtuplo sexto
séptuplo sétimo
óctuplo oitavo
nônuplo nono
décuplo décimo
undécuplo undécimo ou onze avos
duodécuplo duodécimo ou doze avos
cêntuplo centésimo

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97 CURSOS PREPARATÓRIOS
ADJETIVO
É toda palavra que caracteriza o substantivo, indicando
lhe qualidade, defeito, estado, condição etc. É ele que nos permite expressar os seres e os
objetos enriquecidos pelo que nossa imaginação e sensibilidade lhes atribui. Assim:
Ex.: pessoas independentes, inteligentes, mobilizadoras, ousadas, criativas, inovadoras,
realizadoras, guerreiras

É necessário apresentar a relação que se estabelece entre o substantivo e o adjetivo para


conceituá-lo devidamente. Muitas vezes, é fundamental o contexto para a realização do
entendimento.

"(...) não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi um
berço (...)" (Machado de Assis)

SUBSTANTIVAÇÃO DO ADJETIVO
Exprime-se, gramaticalmente, pela anteposição de um determinativo (em geral, do artigo) ao
adjetivo. Assim:
O céu cinzento indica chuva. (adjetivo)
O cinzento do céu indica chuva. (substantivo)

ADJETIVO ANTEPOSTO AO SUBSTANTIVO (mudança de sentido)

Exemplo: Ele era um simples escrevente [= um mero escrevente]. Este escritor tem um estilo
simples [= um estilo não complexo].
Exemplo: um grande homem [= grandeza figurada]; um homem grande [= grandeza material]
Exemplo: uma pobre mulher [= uma mulher infeliz]; uma mulher pobre [= uma mulher sem
recursos]

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98
CURSOS PREPARATÓRIOS
SUBSTITUTOS DOS ADJETIVOS

Há conjuntos de palavras com valor de adjetivo, ou seja, as locuções adjetivas. São formadas
normalmente por uma preposição e um substantivo ou por preposição e um advérbio. Para
muitas delas, existe um adjetivo correspondente.

Conselho de pai – paterno

Inflamação da boca – bucal

Atitude sem qualquer cabimento

Alma em frangalhos

Jornal de ontem

Gente de longe

Alguns substantivos das locuções adjetivas podem não ter ligação com o adjetivo que o substitui.

Negócio da China – negócio lucrativo

Carioca da Gema – nacionalidade autêntica

Sem pé nem cabeça – absurda

Tecnologia de ponta - avançada

A seguir, algumas locuções adjetivas e seus adjetivos correspondentes. Note que muitos
adjetivos têm origem erudita.

de asno asinino
Locução adjetiva Adjetivo de astro sideral
de abdômen abdominal de audição ótico
de abelha apícola de baço esplênico
de abutre vulturino de bispo episcopal
de alma anímico de boca bucal ou oral
de aluno discente de bode hircino
de aranha aracnídeo de bronze brônzeo ou êneo

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99
CURSOS PREPARATÓRIOS
de cabelo capilar de frente frontal
de cabeça cefálico de fábrica fabril
de cabra caprino de fígado figadal ou hepático
de campo campestre ou rural de gado pecuário
de carneiro arietino de gafanhoto acrídeo
cavalar, de galinha galináceo
de cavalo equino, equídeo ou de ganso anserino
hípico de garganta gutural
de chumbo plúmbeo de gato felino
de chuva pluvial de gelo glacial
de cidade urbano ou citadino de gesso gípseo
de cinza cinéreo de guerra bélico
de circo circense de hoje hodierno
de cobre cúprico de homem viril ou humano
de coelho cunicular de idade etário
de couro coriáceo de ilha insular
de criança pueril ou infantil de intestino celíaco ou entérico
de decoração decorativo hibernal ou
de inverno
de dedo digital invernal
diamantino ou de irmão fraterno
de diamante
adamantino de junho junino
de elefante elefantino de lago lacustre
de enxofre sulfúrico de laringe laríngeo
de esmeralda esmeraldino de lebre leporino
de estrela estelar de leite lácteo ou láctico
estomacal ou de leão leonino
de estômago
gástrico de lobo lupino
de falcão falconídeo de lua lunar
de farinha farináceo de lágrima lacrimal
de fera ferino simiesco, símio ou
de macaco
de ferro férreo macacal
de fogo ígneo de madeira lígneo

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100
CURSOS PREPARATÓRIOS
de marfim ebúrneo ou ebóreo de quadril ciático
mnemônico ou de raposa vulpino
de memória
mnêmico de rei real
de mestre magistral de rim renal
de monge monacal de rio fluvial
de monstro monstruoso de sangue sanguíneo
de neve níveo de serpente ofídico
de nuca occipital de sol solar
de olhos ocular de sonho onírico
de orelha auricular de tarde vespertino
de osso ósseo de tecido têxtil
de ouro áureo telúrico, terrestre
de terra
de outono outonal ou terreno
de ovelha ovino de tórax torácico
de paixão passional de urso ursino
de pato anserino de vaca vacum
de peixe písceo de velho senil
de pele cutâneo ou epitelial de vento eólico
de pedra pétreo de verão estival
de pombo columbino de vidro vítreo ou hialino
de porco suíno ou porcino de virilha inguinal
argênteo ou de visão óptico ou ótico
de prata
argírico de voz vocal
de professor docente de víbora viperino
de pulmão pulmonar de águia aquilino
de páscoa pascal de éter etéreo
de pâncreas pancreático dos quadris ciático

A classificação dos adjetivos é realizada por intermédio da análise de aspectos morfológicos e


semânticos. Podem ser:

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101
CURSOS PREPARATÓRIOS
a) primitivos: constituídos por um radical e não possuem acréscimo de sufixo e/ou prefixo
derivacional.
Exemplo: azul, fácil, feliz, simples, bela, bonita

b) derivados: construídos a partir de outros radicais com acréscimo de sufixo e/ou prefixo
derivacional.
Exemplo: azulado, infeliz, desconfortável, enraivecido, imóvel

c) pátrios: referem-se a continentes, países, regiões etc. Podem ser:


Exemplo: carioca, capixaba, potiguar (primitivos); paraibano, baiano, catarinense, mineiro, goiano
(derivados)

d) simples: um único radical.


Exemplo: feliz, confortável, azul, móvel, triste, bonito, feio

e) compostos: formados por mais de um radical.


Exemplo: amarelo-canário, luso-brasileiro, socioeconômico

OBSERVAÇÃO

Os adjetivos pátrios ou gentílicos estão entre os vários tipos de adjetivos da língua portuguesa.
Eles são empregados para caracterizar pessoas ou coisas de acordo com as suas origens, levando
em consideração países, continentes, cidades, regiões, entre outros. Devem ser grafados com
letras minúsculas. Com a reforma ortográfica, os gentílicos com mais de uma palavra passaram
a ser escritos com hífen, como campo-grandense e belo-horizontino.

Assim:
Rio Branco = rio-branquense Amazonas = amazonense
Alagoas= alagoano ou alagoense Manaus = manauense, manauara ou baré
Maceió = maceioense Bahia = baiano (sem h)
Amapá = amapaense Salvador = soteropolitano ou salvadorense
Macapá = macapaense Ceará = cearense
Fortaleza = fortalezense

CONHEÇA NOSSOS
102
CURSOS PREPARATÓRIOS
Distrito Federal = brasiliense Rio de Janeiro = fluminense
Espírito Santo = espírito-santense ou Rio de Janeiro = carioca
capixaba Rio Grande do Norte = rio-grandense-do-
Vitória = vitoriense norte, norte-rio-grandense ou potiguar
Goiás = goiano Natal= natalense ou papa-jerimum
Goiânia = goianiense Rio Grande do Sul = rio-grandense-do-sul,
Maranhão = maranhense ou maranhão sul-rio-grandense ou gaúcho
São Luís = são-luisense ou ludovicense Porto Alegre = porto-alegrense
Mato Grosso = mato-grossense Rondônia = rondoniense ou rondoniano
Cuiabá = cuiabano Porto Velho = porto-velhense
Mato Grosso do Sul = mato-grossense-do-sul Roraima = roraimense
ou sul-mato-grossense Boa Vista = boa-vistense
Campo Grande = campo-grandense Santa Catarina = santa-catarinense,
Minas Gerais = mineiro ou geralista catarinense, catarineta ou barriga-verde
Pará = paraense, paroara ou parauara Florianópolis = florianopolitano
Belém = belenense São Paulo = paulista ou bandeirante
Paraíba = paraibano São Paulo = paulistano
João Pessoa = pessoense Sergipe = sergipano ou sergipense
Paraná = paranaense, paranista ou tingui Aracaju = aracajuano ou aracajuense
Curitiba = curitibano Tocantins = tocantinense
Pernambuco = pernambucano Palmas = palmense
Recife = recifense Acre = acriano *
Piauí = piauiense ou piauizeiro
Teresina = teresinense

*A forma acreano não é mais admitida pelo Novo Acordo Ortográfico da Língua
Portuguesa.
No entanto, uma polêmica sobre a aceitação da nova grafia levou o governo do Acre a fazer uma
consulta popular para saber a opinião dos cidadãos sobre qual deveria ser a grafia correta da
palavra. Convencionou-se que o termo antigo (acreano) é o oficial, sendo, portanto, a forma
escrita nos meios de comunicação oficiais, embora o acordo ortográfico estabeleça o contrário.

CONHEÇA NOSSOS
103
CURSOS PREPARATÓRIOS
Adjetivos pátrios compostos designam duas ou mais nacionalidades, sendo formados por
dois ou mais adjetivos pátrios, possuindo separação por hífen. Por regra, o primeiro adjetivo
aparece na sua forma reduzida, sem sofrer variações. Já o segundo adjetivo aparece na sua
forma normal e varia em gênero e número. Nem todos os adjetivos pátrios possuem forma
reduzida. Confira algumas reduções:
afro- (África) franco- (França)

américo- (América) galaico- ou galego- (Galiza)

anglo- (Inglaterra) germano- ou teuto- (Alemanha)

ásio- (Ásia) greco- (Grécia)

australo- (Austrália) hispano- (Espanha)

austro- (Áustria) indo- (Índia)

belgo- (Bélgica) ítalo- (Itália)

brasilo- (Brasil) luso- (Portugal)

dano- (Dinamarca) nipo- (Japão)

euro- (Europa) sino- (China)

fino- (Finlândia)

Exemplo: acordo nipo-sino-luso-brasileiro

Exemplo: relações euro-africanas

Exemplo: ginásio teuto-brasileiro

FLEXÕES DOS ADJETIVOS

Os adjetivos apresentam flexões de gênero, número e grau. Assumem o gênero do substantivo


ao qual se referem e podem ser uniformes e biformes.

ADJETIVOS BIFORMES: apresentam uma forma para o gênero feminino e outra para o
masculino.

CONHEÇA NOSSOS
104
CURSOS PREPARATÓRIOS
Os adjetivos terminados em “-o” formam o feminino trocando essa terminação pelo “a”.

Exemplo: honesto – honesta; ativo – ativa; branco – branca

Aqueles terminados em “-ês”, “-or” e “-u”, normalmente se formam pela terminação “-a”.

Exemplo: português – portuguesa; sedutor – sedutora; cru – crua

OBSERVAÇÕES
1. Há adjetivos que são considerados invariáveis.

cortês – zulu - hindu – tricolor – multicor – bicolor – pedrês – montês

2. Dos adjetivos finalizados em -or, os comparativos melhor, pior, maior, menor, superior, inferior,
interior, exterior, anterior, posterior, ulterior, citerior e, ainda, formas como multicor, incolor,
sensabor e poucas mais são invariáveis; gerador, motor e outros terminados em -dor e -tor
mudam essas sílabas em - triz: geratriz, motriz etc.

3. Os adjetivos terminados em “-ão” recebem as terminações “-ã”, “-ona” e “-oa”, quando


transcritos no feminino.
beirão – beiroa; cristão – cristã; são – sã; alemão – alemã; brincalhão – brincalhona

4. Os adjetivos constituídos da terminação “-eu”, “-éu” têm seu feminino formado por “-eia” e “-
oa”.
europeu – europeia; plebeu – plebeia; hebreu – hebreia; pigmeu – pigmeia
Excetuam-se: judeu e sandeu, que fazem, respectivamente, judia e sandia.

5.Os terminados em -éu (com e aberto) formam o feminino em -oa: ilhéu – ilhoa; tabaréu -
tabaroa

CONHEÇA NOSSOS
105
CURSOS PREPARATÓRIOS
6. Alguns adjetivos que, no masculino, possuem o tônico fechado [o], além de receberem a
desinência -a, mudam o o fechado para aberto [o], no feminino: brioso – briosa; formoso –
formosa; disposto – disposta; grosso - grossa

Outros, porém, conservam no feminino o o fechado [o] do masculino: chocho – chocha; fosco –
fosca; fofo – fofa; oco - oca

ADJETIVOS UNIFORMES: têm uma só forma para os dois gêneros. São, de regra, uniformes os
adjetivos:

terminados em -a, muitos dos quais funcionam também como substantivos: hipócrita,
homicida, indígena; asteca, celta, israelita, maia, persa; agrícola, silvícola, vinícola, cosmopolita
etc.;
terminados em -e: árabe, breve, cafre, doce, humilde, terrestre, torpe, triste e muitos outros,
entre os quais se incluem todos os formados com os sufixos -ense, -ante, -ente e -inte; cearense,
constante, crescente, pedinte etc.;
terminados em -/: cordial, infiel, amável, pueril, ágil, reinol, azul, êxul etc.;
terminados em -ar e em -or (nesse caso, apenas os comparativos em -or): exemplar, ímpar,
maior, superior etc.;
paroxítonos terminados em -s: reles, simples etc;
terminados em -z\ audaz, feliz, atroz etc.;
terminados em -m gráfico: virgem, ruim, comum etc.

Exceção!

andaluz, fem. andaluza; bom, fem. boa; espanhol, fem. espanhola; e a maior parte dos terminados
em -ês e -or.

OBSERVAÇÃO
Invariáveis também são os compostos representados por “azul-marinho” e “azul-celeste”.
vestido azul-marinho – saia azul-marinho; fachada azul-celeste – corrimãos azul-celeste

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106
CURSOS PREPARATÓRIOS
FLEXÃO DE NÚMERO DOS ADJETIVOS: de forma básica, são flexionados no plural em acordo
às regras para a flexão de substantivos simples. Exemplo: feliz e felizes, bom e bons. Se o adjetivo
for uma palavra que também assuma função de substantivo, ele se tornará invariável. É o caso
de algumas cores. Por exemplo: "as camisas azuis", "azuis" é adjetivo. Se dizemos "a calça
laranja", ‘laranja’ é substantivo com função de adjetivo. As cores que são apenas adjetivos
flexionam-se normalmente: claro, escuro, castanho (claros, escuros, castanhos).

Exemplo: vestidos amarelos; sapatos brancos; blusas pretas; saias verdes; olhos castanhos

Já as cores que são originalmente substantivos, sendo transformadas em adjetivos por derivação
imprópria, ficam invariáveis no plural. vestidos rosa; camisas laranja; blusas violeta; paletós
cinza; paredes gelo; calças vinho; cortinas creme; tons pastel.

Exceção: ainda que lilás venha de um substantivo (a flor), há variação (vestidos lilases).

Cores compostas: caso os dois elementos sejam adjetivos, somente o segundo elemento é
flexionado:

Exemplo: listras verde-claras; lábios vermelho-claros; olhos castanho-escuros; camisetas verde-


amarelas; sapatos azul-claros.

Se um dos elementos for uma cor derivada de um substantivo, o composto fica invariável:

Exemplo: camisas verde-água; canetas amarelo-limão; uniformes verde-oliva; casacos amarelo-


ouro; pedras azul-turquesa; tons rosa-claro e verde-musgo; saias vermelho-sangue.

Plural dos adjetivos simples: obedece às seguintes regras:

Regras Exemplos
Adjetivos terminados em a, e, o, u, bonita-bonitas, leve-leves, comprido-
acrescenta-se o -s. compridos.
Adjetivos oxítonos, plural em -is. azul-azuis, anil-anis, gentil-gentis.
Adjetivos oxítonos terminados em -el, plural
fiel-fiéis, cruel-cruéis.
em -éis.
Adjetivos não-oxítonos terminados em -el, incrível-incríveis, invencível-invencíveis,
plural em -eis. aceitável-aceitáveis.

CONHEÇA NOSSOS
107
CURSOS PREPARATÓRIOS
Adjetivos não-oxítonos terminados em -il,
fácil-fáceis, difícil-difíceis, útil-úteis.
plural em -eis.
Adjetivos terminados em -m, plural em -ns. bom-bons, jovem-jovens, ruim-ruins.
Adjetivos terminados em r, ês, z, plural em - melhor-melhores, cortês-corteses (sem acento
es. no plural), feliz-felizes.
Adjetivos terminados em -al, plural em -ais. leal-leais, rural-rurais, bucal-bucais.
Adjetivos terminados em -ão, plural em - cristão-cristãos; alemão-alemães; brigão-
ãos, -ães ou -ões. brigões.

Flexão dos adjetivos compostos: apenas o último elemento da composição pode se


flexionar em gênero e número para acompanhar o substantivo a que se refere. Os outros
elementos (da composição) devem permanecer invariáveis (masculino singular).
Exemplos: literatura hispano-americana; moças moreno-claras; uma intervenção médico-
cirúrgica; blusa verde-escura; camisas azul-escuras; sapatos marrom-claros; olhos castanho-
escuros; situação socioeconômica; propostas nipo-sino-luso-brasileiras; pactos técnico-científico-
nacionais; instruções médico-cirúrgico-científicas.

A única exceção é surdo-mudo, que flexiona ambos os elementos: moças surdas-mudas; homens
surdos-mudos.
Atenção! Há registro de exceção também para cavalos puros-sangues. (Houaiss)

Os adjetivos compostos, nos quais o segundo elemento é um substantivo, são invariáveis.


Exemplo: sapato amarelo-limão – blusas amarelo-limão

GRAUS DO ADJETIVO
Dois são os graus do adjetivo: o comparativo e o superlativo.

O comparativo pode indicar superioridade, igualdade ou inferioridade de um ser em relação


a outro.
Exemplo: Pedro é mais estudioso do que Paulo.
Exemplo: Álvaro é tão estudioso como [ou quanto] Pedro.
Exemplo: Paulo é menos estudioso do que Álvaro.

CONHEÇA NOSSOS
108
CURSOS PREPARATÓRIOS
O comparativo pode indicar também que, num mesmo ser, determinada qualidade é superior,
igual ou inferior a outra que possui:

Exemplo: Paulo é mais inteligente que estudioso.


Exemplo: Pedro é tão inteligente quanto estudioso.
Exemplo: Álvaro é menos inteligente do que estudioso.

O superlativo pode denotar:


a) que um ser apresenta em elevado grau determinada qualidade (superlativo absoluto):
Exemplo: Paulo é inteligentíssimo.
Exemplo: Pedro é muito inteligente.
b) que, em comparação à totalidade dos seres que apresentam a mesma qualidade, um se
sobressai por possuí-la em grau maior ou menor que os demais (superlativo relativo):
Exemplo: Carlos é o aluno mais estudioso do Colégio.
Exemplo: João é o aluno menos estudioso do Colégio.

No primeiro exemplo, o superlativo relativo é de superioridade; no segundo, de inferioridade.

Formação do grau comparativo


1. Forma-se o comparativo de superioridade antepondo-se o advérbio mais e pospondo-se a
conjunção que ou do que ao adjetivo:
Exemplo: João é mais nervoso (do) que desatento.

2. Forma-se o comparativo de igualdade antepondo-se o advérbio tão e pospondo-se a conjunção


como ou quanto ao adjetivo:
Exemplo: Carlos é tão jovem como (quanto) Álvaro.

3. Forma-se o comparativo de inferioridade antepondo-se o advérbio menos e pospondo-se a


conjunção que ou do que ao adjetivo:
Exemplo: Paulo é menos idoso que Álvaro.
Exemplo: João é menos nervoso do que desatento.

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109
CURSOS PREPARATÓRIOS
Formação do grau superlativo
Há duas espécies de superlativo: absoluto e relativo.

O superlativo absoluto pode ser sintético ou analítico:


a) sintético, se expresso por uma só palavra (adjetivo + sufixo):
amicíssimo - acérrimo
estudiosíssimo - facílimo
tristíssimo - salubérrimo

Forma-se pelo acréscimo ao adjetivo do sufixo -íssimo:


fértil – fertilíssimo
original – originalíssimo
vulgar – vulgaríssimo
belo- belíssimo
lindo- lindíssimo

Muitas vezes, o adjetivo, ao receber o sufixo -íssimo, reassume a primitiva forma latina. Assim:
1. os adjetivos terminados em -vel formam o superlativo em -bilíssimo:
amável amabilíssimo
indelével indelebilíssimo
terrível terribilíssimo
móvel mobilíssimo

2. os terminados em -z fazem o superlativo em -císsimo:


capaz – capacíssimo; feliz – felicíssimo; atroz- atrocíssimo

3. os terminados em vogal nasal (representada com -m gráfico) formam o superlativo em


-níssimo:
comum - comuníssimo

4. os terminados no ditongo -ão fazem o superlativo em -aníssimo:


pagão – paganíssimo; vão – vaníssimo

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110
CURSOS PREPARATÓRIOS
ATENÇÃO!
Não raro a forma portuguesa do adjetivo difere sensivelmente da latina, da qual se deriva o
superlativo. Assim:

Normal Superlativo Normal Superlativo


amargo amaríssimo magnífico magnificentíssimo
amigo amicíssimo maléfico maleficentíssimo
antigo antiquíssimo malévolo malevolentíssimo
benéfico beneficentíssimo miúdo minutíssimo
benévolo benevolentíssimo nobre nobilíssimo
cristão cristianíssimo pessoal personalíssimo
cruel crudelíssimo pródigo prodigalíssimo
doce dulcíssimo sábio sapientíssimo
fiel fidelíssimo sagrado sacratíssimo
frio frigidíssimo simples simplicíssimo (ou simplíssimo)
inimigo inimicíssimo soberbo superbíssimo

Também os superlativos em -imo e -rimo representam formações latinas. Com exclusão de


facílimo, dificílimo e paupérrimo (superlativos de fácil, difícil e pobre), que pertencem à
linguagem coloquial, são todos de uso literário e um tanto precioso. Anotem-se os seguintes:

Normal Superlativo Normal Superlativo

célebre celebérrimo magro macérrimo (ou magríssimo)

humilde humílimo (ou humildíssimo) negro nigérrimo (ou negríssimo)

íntegro integérrimo pobre paupérrimo (ou pobríssimo)

livre libérrimo salubre salubérrimo

OBSERVAÇÃO
Em lugar das formas superlativas seriíssimo, necessariíssimo e outras semelhantes, a língua atual
prefere seríssimo, necessaríssimo, com um só i.

CONHEÇA NOSSOS
111
CURSOS PREPARATÓRIOS
Outras formas de superlativo
Pode-se também formar o superlativo com:
1. o acréscimo de um prefixo ou de um pseudoprefixo, como arqui-, extra-, hiper-, super-,
ultra-, etc. (arquimilionário, extrafino, hipersensível, superexaltado, ultrarrápido):
Exemplo: Manuel Torres saiu-lhe ao encontro, prazenteiro, como ultraprazenteiro caminhava para
ele o eclesiástico.

2. a repetição do próprio adjetivo:


É um abril de pureza: — é lindo, lindo!
Exemplo: Teve tantos desenganos: ficou branquinha, branquinha, com os desgostos humanos.

3. uma comparação breve:


Exemplo: Isso é claro como água.
Exemplo: Estava escuro como breu...

4. certas expressões fixas, como podre de rico [- riquíssimo], de mão cheia [= excelente, de
grandes recursos técnicos], e outras semelhantes:
Exemplo: Ela era uma pianista de mão cheia.
Exemplo: Podre de rico! Nem sabe o que tem de seu!

5. o artigo definido, marcado por uma tonicidade e uma duração particular, em frases do tipo:
Exemplo: Ela não é apenas uma excelente cantora, ela é a cantora [= a incomparável, a melhor de
todas].
Exemplo: Diz-se de notoriedade esse emprego do artigo.

O analítico, se formado com a ajuda de outra palavra, geralmente um advérbio indicador de


excesso - muito, imensamente, extraordinariamente, excessivamente, grandemente etc.:
muito estudioso - excessivamente fácil
imensamente triste - extraordinariamente salubre
grandemente prejudicial - excepcionalmente cheio
Superlativo relativo é sempre analítico.

CONHEÇA NOSSOS
112
CURSOS PREPARATÓRIOS
1. O de superioridade forma-se pela anteposição do artigo definido ao comparativo de
superioridade:
Exemplo: Este aluno é o mais estudioso do Colégio.
Exemplo: João foi o colega mais leal que conheci.

2. O de inferioridade forma-se pela anteposição do artigo definido ao comparativo de


inferioridade:
Exemplo: Este aluno é o menos estudioso do Colégio.
Exemplo: Jorge foi o colega menos leal que conheci.

O superlativo relativo denotador dos limites da possibilidade forma-se com a posposição da


palavra possível ou uma expressão (ou oração) de sentido equivalente:
Exemplo: O arraial era o mais monótono possível.
Exemplo: Era a pessoa mais cortês deste mundo, e não deu corpo às suas aversões.
Exemplo: Nos livros que eu lia estes todos eram os mais ricos que se conhecia.

OBSERVAÇÃO!
A função de superlativo relativo pode ser também desempenhada por um numeral ordinal ou
por adjetivos que denotem posições extremas. Assim:
Exemplo: Bartolomeu Dias foi o primeiro navegante que dobrou o cabo das Tormentas.
Exemplo: O Amazonas é o principal rio do Brasil.

Comparativos e superlativos anômalos


Quatro adjetivos - bom, mau, grande e pequeno - formam o comparativo e o superlativo de modo
especial:

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113
CURSOS PREPARATÓRIOS
Comparativo de Superlativo
Adjetivo
Superioridade Absoluto Relativo
bom melhor ótimo O melhor
mau pior péssimo O pior
grande maior máximo O maior
pequeno menor mínimo O menor

OBSERVAÇÕES!
1 . Quando se compara a qualidade de dois seres, não se deve dizer mais bom, mais mau e mais
grande; e sim: melhor, pior e maior. Possível é, no entanto, usar as formas analíticas desses
adjetivos quando se confrontam duas qualidades do mesmo ser:

Exemplo: Ele foi mais mau do que desgraçado.


Exemplo: Ele é bom e inteligente; mais bom do que inteligente.

2. A par de ótimo, péssimo, máximo e mínimo, existem os superlativos absolutos regulares:


boníssimo e muito bom, malíssimo e muito mau, grandíssimo e muito grande, pequeníssimo e muito
pequeno.

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114
CURSOS PREPARATÓRIOS
PRONOMES

São palavras que representam os seres ou se referem a eles. É uma classe gramatical variável e
tem a função de relacionar o substantivo a uma das três pessoas do discurso (quem fala, com
quem se fala e de quem se fala), podendo ainda indicar a posse de um objeto ou sua localização.
Classificam-se em seis tipos: pessoais, possessivos, demonstrativos, interrogativos, indefinidos
e relativos.
Quando substituem o substantivo, denominam-se pronome substantivo; quando o
acompanham, pronome adjetivo. Assim:
Lembranças a todos os teus. (substantivo)
Teus olhos são dois desejos. (adjetivo)

PRONOMES PESSOAIS: caracterizam-se:


1. por denotarem as três pessoas gramaticais, isto é, por terem a capacidade de indicar no
colóquio:
a) quem fala = lª pessoa: eu (singular), nós (plural);
b) com quem se fala = 2ª pessoa: tu (singular), vós (plural);
c) de quem se fala = 3ª pessoa: ele, ela (singular); eles, elas (plural);

2. por poderem representar, quando na 3ª pessoa, uma forma nominal anteriormente expressa:
Santas virtudes, ponde Bênçãos nesta Alma para que ela se una A Deus...

3. por variarem de forma, segundo a função que desempenham na oração e a acentuação que
nela recebem.

OBSERVAÇÃO: a pessoa com quem se fala pode ser expressa também pelos chamados pronomes
de tratamento, que se constroem com o verbo na 3ª pessoa.

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115 CURSOS PREPARATÓRIOS
FORMAS DOS PRONOMES PESSOAIS
Quanto à função, as formas do pronome pessoal podem ser retas ou oblíquas. Retas, quando
funcionam como sujeito da oração; oblíquas, quando se empregam fundamentalmente como
objeto (direto ou indireto). Quanto à acentuação, distinguem-se nos pronomes pessoais as
formas TÔNICAS das ÁTONAS.
Os átonos são pronomes que nunca são precedidos por preposição.
Eu o esperei por anos. Eles se amam.

Já os pronomes tônicos são sempre precedidos por preposição.


Trouxe o livro para mim.
Ele veio comigo.

O quadro abaixo mostra a correspondência entre essas formas:

PRONOMES
PRONOMES PESSOAIS OBLÍQUOS
PESSOAIS RETOS
Átonos Tônicos
eu me mim, comigo
tu te ti, contigo
ele, ela o, a, se, lhe ele, ela, si, consigo
nós nos nós, conosco
vós vos vós, convosco
eles, elas os, as, se, lhes eles, elas, si, consigo

FORMAS O, LO E NO DO PRONOME OBLÍQUO


Quando o pronome oblíquo da 3.a pessoa, que funciona como objeto direto, vem antes do verbo,
apresenta-se sempre com as formas o, a, os, as. Assim:
Nunca a encontramos em casa. Eles os trouxeram consigo.

Quando, porém, está colocado depois do verbo e se liga a este por hífen (pronome
enclítico), a sua forma depende da terminação do verbo. Assim:

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116 CURSOS PREPARATÓRIOS
1. Se a forma verbal terminar em vogal ou ditongo oral, empregam-se o, a, os, as:
Louvo-o. Louvei-os. Louvava-a. Louvou-as.

2. se a forma verbal terminar em -r, -s ou -z, suprimem-se essas consoantes, e o pronome


assume as modalidades lo, la, los, las, como nestes exemplos:
Vê-lo é um suplício (ver + o). Encontramo-la em casa (encontramos + ela).
João fez o trabalho hoje; Fê-lo hoje (fez + trabalho).

Igualmente se procede quando ele vem posposto ao designativo eis ou aos pronomes nos e vos:
Ei-lo sorridente ( eis + ele). O nome não vo-lo direi (vos+ nome).

3. Se a forma verbal terminar em ditongo nasal, o pronome assume as modalidades no, na, nos,
nas.
Dão-no (dão + o). Trouxeram-na (trouxeram + ela).

OBSERVAÇÃO
No futuro do presente e no futuro do pretérito, o pronome oblíquo não pode ser enclítico, isto é,
não pode vir depois do verbo. Dá-se, então, a mesóclise do pronome, ou seja, a sua colocação no
interior do verbo. Esses dois tempos são derivados do infinitivo e, como todo infinitivo termina
em -r, também nos dois tempos em causa desaparece tal consoante e o pronome toma as formas
lo, la, los, las. Assim:

FUTURO DO PRESENTE FUTURO DO PRETÉRITO


Vender + ei vendê-lo-ei Vender + ia vendê-lo-ia
Vender+emo vendê-lo- Vender+íamo vendê-lo-
s emos s íamos

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117 CURSOS PREPARATÓRIOS
PRONOMES REFLEXIVOS E RECÍPROCOS
1. Quando o objeto direto ou indireto representa a mesma pessoa ou a mesma coisa que o
sujeito do verbo, ele é expresso por um pronome reflexivo, o qual apresenta três formas
próprias — se, si e consigo —, que se aplicam tanto à 3.a pessoa do singular como à do plural:
Ele vestiu-se rapidamente. Ela fala sempre de si. O pintor não trouxe o quadro consigo.
Eles vestiram-se rapidamente. Elas falam sempre de si. Os pintores não trouxeram os quadros
consigo.

Nas demais pessoas, as suas formas identificam-se com as do pronome oblíquo: me, te, nos e vos.
Eu me feri. Tu te lavas. Nós nos vestimos. Vós vos levantais.

2. As formas do reflexivo nas pessoas do plural (nos, vos e se) empregam-se também para
exprimir a reciprocidade da ação, isto é, para indicar que a ação é mútua entre dois ou mais
indivíduos. Nesse caso, diz-se que o pronome é reflexivo recíproco.
Carlos e eu nos abraçamos. Vós vos queríeis muito. José e Antônio não se cumprimentam.

3. Como são idênticas as formas do pronome recíproco e do reflexivo, pode haver ambiguidade
com um sujeito plural. Por exemplo:
Joaquim e Pedro enganaram-se.

Pode significar que o grupo formado por Joaquim e Pedro cometeu o engano, ou que Joaquim
enganou Pedro e este a Joaquim.

Costuma-se remover a dúvida fazendo-se acompanhar tais pronomes de expressões reforçativas


especiais. Assim:
a) para marcar expressamente a ação reflexiva, acrescenta-se-lhes, conforme a pessoa, a mim
mesmo, a ti mesmo, a si mesmo etc.:
Joaquim e Pedro enganaram-se a si mesmos.
b) para marcar expressamente a ação recíproca, junta-se-lhes, ou uma expressão pronominal,
como um ao outro, uns aos outros, entre si, ou um advérbio como reciprocamente,
mutuamente:
Joaquim e Pedro enganaram-se entre si. Joaquim e Pedro enganaram-se um ao outro. Joaquim e
Pedro enganaram-se mutuamente.

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118 CURSOS PREPARATÓRIOS
PRONOMES RETOS
1. Os pronomes retos empregam-se como:
a) sujeito:
Eu era a desdenhosa, a indiferente.
Nós vamos em busca de luz.
Se és tu, meu pai, eu vou contigo...
b) predicativo do sujeito:
Trata-se do seguinte: eu não sou mais eu! Meu Deus!, quando serei tu?

2. Tu e vós podem ser vocativos:


Óh, tu, Senhor Jesus, o Misericordioso. Óh, vós, que conversais a sós, quando anoitece...

EXTENSÃO DE EMPREGO DOS PRONOMES RETOS


1. O plural de modéstia: evita o tom impositivo ou muito pessoal das opiniões, forma adotada
por alguns escritores e oradores (nós em lugar da forma normal eu).
Algumas [cantigas], mas poucas, foram por nós colhidas da boca do Povo.

2. Fórmula de cortesia (3ª pessoa pela 1ª.): quando fazemos um requerimento, por
deferência à pessoa a quem nos dirigimos, tratamo-nos a nós próprios pela 3ª pessoa, e não
pela lª:
Fulano de tal, aluno desse Colégio, requer a V. S.a, se digne, de mandar passar por certidão as
notas mensais por ele obtidas no presente ano letivo.

OBSERVAÇÃO
Vós é a forma normal por que os católicos se reportam a Deus:
Pai nosso que estais no Céu...

REALCE DO PRONOME SUJEITO


Para dar ênfase ao pronome sujeito, costuma-se reforçá-lo:
a) seja com as palavras mesmo e próprio:
— Tu mesmo serás o novo Hércules. Muitas vezes eu próprio me sinto ser o que ela pensa que eu
sou.

CONHEÇA NOSSOS
119 CURSOS PREPARATÓRIOS
b) seja com a expressão invariável é que:
— Eu é que lhe devia pedir desculpas de minha irritação.

AS PREPOSIÇÕES DE E EM CONTRAEM-SE COM O PRONOME RETO DA 3ª PESSOA ele(s),


ela{s), resultando nas formas dele(s), dela(s) e nele{s), nela(s).
A pasta é dele e nela está o meu caderno.

Não há a contração quando o pronome é sujeito. Assim:


O milagre de ele existir começou quando a mulher lhe anunciara a gravidez.
Pouco depois de eles saírem, levantei-me da mesa.

PRONOMES DE TRATAMENTO
São palavras e locuções que valem por verdadeiros pronomes pessoais, como: você, o senhor,
Vossa Excelência. Embora designem a pessoa a quem se fala (2ª pessoa), esses pronomes levam
o verbo para a 3ª pessoa:
— Aonde é que vocês vão?
— Vossa Senhoria, senhor Comendador, terá de perdoar.

ABREVIATURA TRATAMENTO USADO PARA


V. A. Vossa Alteza Príncipes, arquiduques, duques
V. Em.a Vossa Eminência Cardeais
Altas autoridades do governo, oficiais
generais das Forças Armadas, Ministros dos
V. Ex.a Vossa Excelência
Tribunais Superiores, Membros de Tribunais
e Juízes
V. Mag.a Vossa Magnificência Reitores das universidades
V.M. Vossa Majestade Reis, imperadores
Vossa Excelência
V. Ex.a Rev.ma Bispos e arcebispos
Reverendíssima
V.P. Vossa Paternidade Abades, superiores de conventos
V. Rev.a
Vossa Reverência ou Sacerdotes em geral
V. Rev.ma

CONHEÇA NOSSOS
120 CURSOS PREPARATÓRIOS
Vossa
Reverendíssima
V.S. Vossa Santidade Papa
Funcionários públicos graduados, oficiais até
V.S.a Vossa Senhoria coronel; na linguagem escrita do Brasil e na
popular de Portugal, pessoas de cerimônia.

ATENÇÃO!
O possessivo “Vossa” dos pronomes de tratamento deve ser substituído pelo “Sua” quando o
pronome de tratamento se refere não à pessoa com que se fala (2.ª pessoa), mas de quem se fala
(3.ª pessoa). Exemplos:
Vossa Magnificência gostaria de assinar os diplomas agora? (falando COM a pessoa)
Sua Magnificência parece não estar muito à vontade. (falando DA pessoa)

EMPREGO DOS PRONOMES DE TRATAMENTO DA 2ª PESSOA


1. Tu e você: no português europeu, o pronome tu é empregado como forma própria da
intimidade. No Brasil, o uso de tu restringe-se ao Sul do país e a alguns pontos da região
Norte. Em quase todo o território brasileiro, foi substituído por você como forma de
intimidade, como tratamento de igual para igual ou de superior para inferior.

2. O senhor, a senhora (e a senhorita): são formas de respeito ou de cortesia e, como tais,


opõem-se a tu e você, em Portugal, e a você, na maior parte do Brasil. Quando anteposta a um
nome próprio, assume a forma seu:
— Seu Firmino, o senhor duvida da minha palavra?

3. Tratamento cerimonioso: usa-se muito menos no Brasil do que em Portugal.


Vossa Senhoria {V. S.a) emprega-se em cartas comerciais, em requerimentos, em ofícios etc.,
quando não é próprio o tratamento de Vossa Excelência.
FÓRMULAS DE REPRESENTAÇÃO DA 1ª PESSOA
No colóquio normal, emprega-se a gente por nós e por eu e o verbo deve ficar sempre na 3ª
pessoa do singular.
Houve um momento entre nós em que a gente não falou.
— Não o culpes mais, compadre! A gente só queria gastar um pouco do dinheiro.

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121 CURSOS PREPARATÓRIOS
Outros nomes que situam o interlocutor em relação à pessoa que fala:
— O patrão já leu este livro?
— O cavalheiro já leu este livro?

EMPREGO DOS PRONOMES OBLÍQUOS - FORMAS TÔNICAS


As formas oblíquas tônicas dos pronomes pessoais vêm acompanhadas de preposição. Como
pronomes, são sempre termos da oração e, de acordo com a preposição que as acompanhe,
podem desempenhar as funções de:

a) complemento nominal: O meu ódio a ela crescia dia a dia.

b) objeto indireto: Não diria a verdade nem a ti se eu a soubesse!

c) objeto direto (antecedido da preposição a e dependente, em geral, de verbos que exprimem


sentimento): Paciente e dedicada, é a ela que em verdade eu amo.

d) agente da passiva: Eu sou daqueles que foram por ele consolados.

e) adjunto adverbial: Eu te vejo a colher flores comigo pelos campos. Contigo quisera passear ao
nascer de luar.

ATENÇÃO!
Do cruzamento das duas construções perfeitamente corretas:
Isto não é trabalho para eu fazer e Isto não é trabalho para mim, surgiu uma terceira:
Isto não é trabalho para mim fazer, em que o sujeito do verbo no infinitivo assume a forma
oblíqua, o que é inaceitável na Língua Portuguesa.

Pronomes precedidos de preposição


As formas oblíquas tônicas mim, ti, ele (ela), nós, vós, eles (elas) só se usam antecedidas de
preposição. Assim:
Fez isto para mim. Gosto de ti. A ele cabe decidir. Orai por nós. Confiamos em vós.
Não há discordância entre elas.

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122 CURSOS PREPARATÓRIOS
Se o pronome oblíquo for precedido da preposição com, dir-se-á comigo, contigo, conosco e
convosco. É regular, no entanto, a construção com ele (com ela, com eles, com elas):
Estive com ele agora mesmo.
Fui com elas visitar o irmão.

ATENÇÃO!
1. O emprego de com nós e com vós, quando os pronomes vêm reforçados por outros, mesmos,
próprios, todos, ambos ou qualquer numeral, está correto.
Terá de resolver com nós mesmos.
Saiu com nós três.
Contava com todos vós.

2. Depois da preposição entre, usam-se as formas oblíquas. Exemplo:


Foi um duelo entre mim e a velhice. Por que vens pedir-me adorações quando entre mim e ti está
a cruz do calvário?

FORMAS ÁTONAS
1. São formas próprias do objeto direto o, a, os, as: Ângela vencia-os. É preciso acompanhá-las.
2. São formas próprias do objeto indireto: lhe, lhes: O capitão lhe (s) garantira que tudo fora um
mal-entendido.
3. Podem empregar-se como objeto direto ou indireto: me, te, nos e vos.
Queres ouvir-me um instante, sensatamente? Vinde e contemplai-nos, que entardece. Entregou-
me as cartas.

O pronome oblíquo átono sujeito de um infinitivo: se compararmos as duas frases,

Mandei que ele saísse... Mandei-o sair.

verificamos que o objeto direto, exigido pela forma verbal mandei, é expresso, na primeira frase,
pela oração que ele saísse; na segunda, pelo pronome seguido do infinitivo: o sair. Verificamos,

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123 CURSOS PREPARATÓRIOS
também, que o pronome o está para o infinitivo sair como o pronome ele para a forma finita
saísse, da qual é sujeito. Logo, na frase acima o pronome o desempenha a função de sujeito do
verbo sair.

O pronome de interesse: é um recurso expressivo de que se serve a pessoa que fala para
mostrar que está vivamente interessada no cumprimento da ordem emitida ou da exortação
feita. Assim:
Olhem-me para ela: é o espelho das donas de casa!
Ânimo, Brás Cubas, não me sejas palerma.

Pronome átono com valor possessivo

Os pronomes átonos que funcionam como objeto indireto (me, te, lhe, nos, vos, lhes) podem ser
usados com sentido possessivo, principalmente quando se aplicam a partes do corpo de uma
pessoa ou a objetos de seu uso particular (Cunha):
Escutaste-lhe a voz? Viste-lhe o rosto? Osculaste-lhe as plantas? Beijo-te as mãos.

ATENÇÃO!
Os pronomes oblíquos átonos (me, te, lhe, nos, vos, lhes), usados com sentido possessivo, podem
assumir também a função de adjunto adnominal:
Beijo-te as mãos. (Beijo tuas mãos.); Beijo-lhe as mãos. (Beijo suas mãos.)
Há ainda a possibilidade de o “lhe” ser complemento nominal. Assim:
Isto lhe é útil. (Isto é útil a você.)
OBSERVAÇÃO: essa é a posição da gramática usual.
Pronomes complementos de verbos de regência distinta
Podemos empregar um só pronome como complemento de vários verbos quando estes admitem
a mesma regência. Assim, a frase:

Só Roberto me viu e cumprimentou.

está perfeita, porque os verbos ver e cumprimentar pedem objeto direto, expressos pelo
pronome me.
Se disséssemos, porém:

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124 CURSOS PREPARATÓRIOS
Só Roberto me viu e deu as costas.

a frase não estaria bem construída, porque o me ficaria sendo, a um tempo, objeto direto de ver
e indireto de dar. Nesse caso, deve-se repetir o pronome:

Só Roberto me viu e me deu as costas.

OBSERVAÇÃO
Com verbos que tenham a mesma regência, o pronome só deve ser omitido com o segundo verbo
e seguintes se estiver proclítico ao primeiro da série: Só Roberto me viu e cumprimentou.
Vindo enclítico ao primeiro, convém repeti-lo com os demais.
Viu-me e cumprimentou-me ou Viu-me e me cumprimentou
e não
Viu-me e cumprimentou
O que se disse do pronome enclítico aplica-se ao mesoclítico. Assim:
Procurar-me-ão e encontrar-me-ão ou Procurar-me-ão e me encontrarão
e não Procurar-me-ão e encontrarão.

Combinações e contrações dos pronomes átonos


Quando numa mesma oração ocorrem dois pronomes átonos, um objeto direto e outro indireto,
podem combinar-se, observadas as seguintes regras:
1. Me, te, nos, vos, lhe e lhes (formas de objeto indireto) juntam-se a o, a, os, as (de objeto direto),
dando:

mo = me + o ma = me + a mos = me + os mas = me + as
to = te + o ta = te + a tos = te + os tas = te + as
lho = lhe + o lha = lhe + a lhos = lhe + os lhas = lhe + as
no-lo = nos +
no-la = nos + [l]a no-los = nos + [l]os no-las = nos + [l]as
[l]o
vo-lo = vos + [l]o vo-la = vos + [l]a vo-los = vos + [l]os vo-las = vos + [l]as
lho = lhes + o lha = lhes + a lhos = lhes+ os lhas = lhes+ as

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125 CURSOS PREPARATÓRIOS
2. O pronome se associa-se a me, te, nos, vos, lhe, e lhes (e nunca a o, a, os, as). Na escrita, as duas
formas conservam a sua autonomia, quando antepostas ao verbo, e ligam-se por hífen,
quando lhe vêm pospostas:
O coração se me confrange... A aventura gorou-se-lhe aos primeiros passos.

3. As formas me, te, nos e vos, quando funcionam como objeto direto, ou quando são parte
integrante dos chamados verbos pronominais, não admitem a posposição de outra forma
pronominal átona. O objeto indireto assume em tais casos a forma tônica preposicionada:
— Como me hei de livrar de ti?
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

Os pronomes possessivos e os demonstrativos estão estreitamente relacionados com os


pronomes pessoais:
a) os possessivos, o que lhes cabe ou pertence: Este caderno é meu.
b) os demonstrativos, o que das pessoas se aproxima ou se distancia no espaço e no tempo: Esse
livro é seu.

Podemos, assim, estabelecer estas correspondências prévias:

1ª 2ª 3ª
pessoa pessoa pessoa
Pronome pessoal eu tu ele
Pronome possessivo meu teu seu
Pronome
este esse aquele
demonstrativo

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126 CURSOS PREPARATÓRIOS
FORMAS DOS PRONOMES POSSESSIVOS

NÚMERO PESSOA PRONOME


singular primeira meu(s), minha(s)
singular segunda teu(s), tua(s)
singular terceira seu(s), sua(s)
nosso(s),
plural primeira
nossa(s)
plural segunda vosso(s), vossa(s)
plural terceira seu(s), sua(s)

Note que a forma do possessivo depende da pessoa gramatical a que se refere; o gênero e o
número concordam com o objeto possuído. Por exemplo: Ele trouxe seu apoio
e sua contribuição naquele momento difícil.

OBSERVAÇÕES
Os pronomes possessivos nem sempre indicam posse. Eles podem também:
a) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha. Era lindo o bicho, com sua calma de passarinho
manso.
b) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40 anos.
c) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela.

Valores afetivos:
a) de deferência, de respeito, de polidez:
— Quer alguma coisa, minha senhora?
— Não é assim, meus respeitáveis senhores?
b) de intimidade, de amizade:
— Hoje, meu caro Antônio, temos de festejar ...
— Não há nada mais certo, meu amigo
c) de simpatia, de interesse:

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127 CURSOS PREPARATÓRIOS
— Você andou por aí fazendo das suas.

VALORES E EMPREGOS DOS POSSESSIVOS


Os pronomes possessivos acrescentam à noção de pessoa gramatical uma ideia de posse. São
pronomes adjetivos, equivalentes a um adjunto adnominal, mas podem empregar-se como
pronomes substantivos. Por exemplo:
Meu livro é este.
Este livro é o meu.
Sempre com suas histórias!
Fazer das suas.

O pronome possessivo concorda em gênero e número com o substantivo que designa o


objeto possuído; e, em pessoa, com o possuidor do objeto em causa:
Cada um tratava de si, do seu corpo, da sua alma, dos seus ódios.
Eu estava na porta da minha casa, casa de passeio-alto, com a minha mãe e o meu pai.

Emprego ambíguo do possessivo de 3ª pessoa


As formas seu, sua, seus, suas aplicam-se indiferentemente ao possuidor da 3ª pessoa do singular
ou da 3ª do plural, seja este possuidor masculino ou feminino. O fato de o possessivo concordar
unicamente com o substantivo denotador do objeto possuído provoca, não raro, dúvida a
respeito do possuidor.
Para evitar qualquer ambiguidade, o português nos oferece o recurso de precisar a pessoa do
possuidor com a substituição de seu(s), sua(s), pelas formas dele(s), dela(s), de você(s), do(s)
senhor(es), da(s) senhora(s) e outras expressões de tratamento. Assim:
Em casual encontro com Júlia, Pedro fez comentários sobre os seus exames.( exames dela, dele,
deles)

Reforço dos possessivos


Quando há necessidade de realçar a ideia de posse — quer visando à clareza, quer à ênfase —,
costuma-se reforçá-los:
a) com a palavra próprio ou mesmo:

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128 CURSOS PREPARATÓRIOS
Não tarda que eu ache a vida em tua própria morte.
b) de ironia, de malícia, de sarcasmo:
Todos aqueles homens comiam, bebiam o seu vinho do Porto na copa.
Jantei o meu frango, comi a minha boa posta de robalo...

Emprego do possessivo pelo pronome oblíquo tônico


Em certas locuções prepositivas, o pronome oblíquo tônico, que deve seguir a preposição e com
ela formar um complemento nominal do substantivo anterior, é normalmente substituído pelo
pronome possessivo correspondente. Assim:
em frente de ti - em tua frente
ao lado de mim - ao meu lado
em favor de nós - em nosso favor
por causa de você - por sua causa

PRONOMES DEMONSTRATIVOS
Situam a pessoa ou a coisa designada relativamente às pessoas gramaticais. Podem situá-la no
espaço ou no tempo: Lia coisas incríveis para aquele lugar e aquele tempo.

A capacidade de mostrar um objeto sem nomeá-lo, a chamada função dêitica (do grego deiktikós
= próprio para demonstrar, demonstrativo), é a que caracteriza fundamentalmente essa classe
de pronomes. Mas os demonstrativos empregam-se também para lembrar ao ouvinte ou ao leitor
o que já foi mencionado ou o que se vai mencionar (função anafórica ou catafórica)
A ternura não embarga a discrição nem esta diminui aquela. (anafórica)
O mal é o que sai da boca do homem. Isso não será curado tão cedo. (anafórica)
O mal foi este: criar os filhos como dois príncipes. (catafórica)

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129 CURSOS PREPARATÓRIOS
FORMAS DOS PRONOMES DEMONSTRATIVOS: apresentam-se em formas variáveis (gênero e
número) e invariáveis.

Primeira
Este, estes, esta, estas, isto
pessoa
Segunda pessoa Esse, esses, essa, essas, isso
Aquele, aqueles, aquela, aquelas,
Terceira pessoa
aquilo

1. As formas variáveis podem funcionar como pronomes adjetivos e como pronomes


substantivos:
Este livro é meu. Meu livro é este.
2. As formas invariáveis (isto, isso, aquilo) são sempre pronomes substantivos.
3. Os demonstrativos combinam-se com as preposições de e em, tomando as formas: deste,
desta, disto; neste, nesta, nisto; desse, dessa, disso; nesse, nessa, nisso; daquele, daquela, daquilo;
naquele, naquela, naquilo.
4. Aquele, aquela e aquilo contraem-se ainda com a preposição a, dando: àquele, àquela e àquilo.
Podem também ser demonstrativos o {a, os, as), mesmo, próprio, semelhante e tal.

VALORES GERAIS: considerando-os em suas relações com as pessoas do discurso, estabelecem-


se as seguintes características gerais para os pronomes demonstrativos:
1. Este, esta e isto indicam:
a) o que está perto da pessoa que fala:
Esta casa estará cheia de flores! As mãos que trago, as mãos são estas.
b) o tempo presente em relação à pessoa que fala:
Esta tarde para mim tem uma doçura nova.
Neste momento há um rapaz que gosta de mim, um inglês.

2. Esse, essa e isso designam:


a) o que está perto da pessoa a quem se fala:
— Que susto você me pregou, entrando aqui com essa cara de alma do outro do mundo!

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130 CURSOS PREPARATÓRIOS
Essas tuas fúrias, esse teu calor, esse riso, essa amizade mesmo nos ódios que tinhas, procuro-
lhes em vão...
b) o tempo passado ou futuro com relação à época em que se coloca a pessoa que fala:
Bons tempos, Manuel, esses que já lá vão!
Desses longes imaginados, dessas expectativas de sonho, passava ele ao exame da situação da
Europa em geral.

3. Aquele, aquela e aquilo denotam:


a) o que está afastado tanto da pessoa que fala como da pessoa a quem se fala:
Ali naquela casa viveu o Paulino.

b) um afastamento no tempo de modo vago, ou uma época remota:


Naquele tempo a fogueira crepitava até horas mortas.

DIVERSIDADE DE EMPREGO
1. Uma atitude de desinteresse ou de desagrado para com algo que esteja perto de nós pode
levar-nos a expressar tal sentimento pelo uso do demonstrativo esse em lugar de este. Assim:
O guarda-livros, num repelão, ordenou:
— Tire esse bandido da minha frente, João! Tome conta dele!

2. Por vezes, os demonstrativos alternados têm valor indefinido:


E vimos isto: homens de todas as idades, tamanhos e cores; atitudes diversas, uns de cócoras, outros
com as mãos apoiadas nos joelhos, estes sentados em pedras, aqueles encostados ao muro...

3. Observe-se também a ocorrência de dois demonstrativos em construções nas quais o


predicativo introduzido por aquele melhor esclarece o sujeito, expresso por um substantivo
determinado por este ou esse:
Este homem foi aquele que me dizia “que não me afligisse que eu ainda estava muito novo para
curar-me”

4. Por vezes, omite-se o substantivo:


Essa é aquela fulana.

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131 CURSOS PREPARATÓRIOS
5. Usa-se para determinar o aposto, geralmente quando este salienta uma característica
marcante da pessoa ou do objeto:
Arlequim é o D. Quixote, esse livro admirável onde se experimentam ao ar livre os preceitos da
Honra e das outras teorias.

6. Esse emprega-se também para pôr em relevo um substantivo que lhe venha anteposto:
O padre, esse andava de coração em aleluia.

ALUSÃO A TERMOS PRECEDENTES


Quando queremos aludir, discriminadamente, a termos já mencionados, servimo-nos do
demonstrativo aquele para o referido em primeiro lugar, e do demonstrativo este para o que foi
nomeado por último:
Pais e professores vieram à reunião; estes estavam calmos e aqueles, nervosos.

REFORÇO DOS DEMONSTRATIVOS


Quando, por motivo de clareza ou de ênfase, queremos precisar a situação das pessoas ou das
coisas a que nos referimos, usamos acompanhar o demonstrativo de algum gesto indicador, ou
reforçá-lo:
a) com os advérbios aqui, aí, ali, cá, lá, acolá:
— Espera aí. Este aqui já pagou. Agora vocês é que vão engolir tudo, se maltratarem este rapaz.
— Isto aqui não pode dar saúde a ninguém!

b) com as palavras mesmo e próprio:


— O Relógio da Sé em casa de Serralheiro?
— Esse mesmo.
— O da Matriz?
— Esse próprio.
— Está sempre atrasado!
— Isso mesmo.

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132 CURSOS PREPARATÓRIOS
VALORES AFETIVOS
1. capacidade de fazerem aproximar ou distanciar no espaço e no tempo as pessoas e as coisas
a que se referem permite a esses pronomes expressarem variados matizes afetivos, em
especial os irônicos. Servem para intensificar, de acordo com a entoação e o contexto, os
sentimentos de:

a) surpresa, espanto:
— Santo Deus! este é aquele?!...
— Essa agora!
Ainda mais esta! Onde estaria o padre?

b) admiração, apreço:
Nunca pensei que houvesse homens com aquela coragem.
Aquilo é que são homens fortes.

c) indignação:
— É tudo claro como água: este cão roubou-me. Acabo ainda hoje com este malandro! Isto não
fica assim.

d) pena, comiseração:
Aquela mulher, flor de poesia, era agora aquilo.
- Esta pobre mulher vive aqui quase abandonada...

e) ironia, malícia:
— Este Brás! Este Brás! Não lhes digo nada!

f) sarcasmo, desprezo:
Isso era até uma vergonha!
Aquela desavergonhada anda a dizer que é a ela que o tio quer!
— Depois transformaram a senhora nisso, D. Adélia. Um trapo, uma velha sem-vergonha.

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133 CURSOS PREPARATÓRIOS
2. Digno de nota é o acentuado valor irônico, por vezes fortemente depreciativo, dos neutros
isto, isso e aquilo, quando aplicados a pessoas, como nestes passos:
Ninguém sabe onde ele anda, Seu Coronel! Aquilo é um desgraçado.
Aquilo, aquele pobre homenzinho amarelento, dessorado, chocho...
— Quanto pede o senhor por isto?
— Isto? Há de perdoar; quer saber quanto peço pelo meu rico senhor D. Miguel?

3. Mas, pelos contrastes que não raro se observam nos empregos afetivos, podem esses
demonstrativos expressar também alto apreço por determinada pessoa. Assim:
Aquilo é que dava um deputado às direitas!
— Bonita mulher. Como aquilo vê-se pouco. Ele teve sorte.

Entre os valores afetivos cabe ressaltar o sentido intensivo, superlativante, que o demonstrativo
adquire em frases do tipo:
Ninguém é operado assim com essa pressa.
Outro homem não podia existir com aquela força nos braços, aquele riso na boca e aquele calor
no peito.

4. As formas femininas esta e essa fixaram-se em construções elípticas do tipo:


Ora essa! Essa é boa!

5. Fixa também aparece a forma neutra na locução isto (ou isso) de, que equivale a “com
referência a”, “no tocante a”, “a respeito de”:
— Isso de letras é na escola...
— Isto de filhos é um aborrecimento!

0(S), A(S) COMO DEMONSTRATIVOS


O demonstrativo o (a, os, as) é sempre pronome substantivo e emprega-se nos seguintes casos:
a) quando vem determinado por uma oração ou, mais raramente, por uma expressão adjetiva,
e tem o significado de aquele(s), aquela(s), aquilo:
O homem que ri, liberta-se. O que faz rir, esconde-se.
— Não vejo a que esperei!

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134 CURSOS PREPARATÓRIOS
Era terrível o que se passava.

b) quando, no singular masculino, equivale a isto, isso, aquilo, e exerce as funções de objeto
direto ou de predicativo, referindo-se a um substantivo, a um adjetivo, ao sentido geral de
uma frase ou de um termo dela:
O valor de uma desilusão, sabia-o ela.
Não cuides que não era sincero, era-o.
Seguia-o com o olhar sem me atrever a evitá-lo.
Ser feliz é o que importa,
Não importa como o ser!

SUBSTITUTOS DOS PRONOMES DEMONSTRATIVOS


Podem também funcionar como demonstrativos as palavras tal, mesmo, próprio e semelhante.
1. Tal é demonstrativo quando sinônimo:
a) de “este”, “esta”, “isto”, “esse”, “essa”, “isso”, “aquele”, “aquela”, “aquilo”:
Tal foi a primeira conclusão do Palha; mas vieram outras hipóteses.
Como era possível que nunca tivesse dado por tal?
b) de “semelhante”:
Houve tudo quanto se faz em tais ocasiões.

2. Mesmo e próprio são demonstrativos quando têm o sentido de “exato”, “idêntico”, “em
pessoa”:
Eu não posso viver muito tempo na mesma casa, na mesma rua, no mesmo sítio.
Foi a própria Carmélia quem me fez o convite.

3. Semelhante serve de demonstrativo de identidade:


O Lucas reparou nisso e doeu-se intimamente de semelhante descuido.
Nem a jovem podia deixar de recorrer às fórmulas que se usam em semelhantes conjunturas.

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135 CURSOS PREPARATÓRIOS
PRONOMES RELATIVOS
São assim chamados porque se referem a um termo anterior, O ANTECEDENTE. Substituem um
termo da oração anterior e estabelecem relação entre duas orações. Apresentam formas
variáveis e formas invariáveis:

VARIÁVEIS INVARIÁVEIS
Os quais, as
Quem (quando equivale a o qual e flexões)
quais
Onde (quando equivale a no qual e
Cujo, cuja
flexões)
Cujos, cujas que
Quanto, quanta -

Antecedido das preposições a e de, o pronome onde com elas se aglutina, produzindo as
formas aonde e donde.

FUNÇÃO SINTÁTICA DOS PRONOMES RELATIVOS


Os pronomes relativos assumem um duplo papel no período com representarem um
determinado antecedente e servirem de elo subordinante da oração que iniciam. Por isso, ao
contrário das conjunções, que são meros conectivos, e não exercem nenhuma função interna nas
orações por elas introduzidas, estes pronomes desempenham sempre uma função sintática nas
orações a que pertencem. Podem ser:

1. Sujeito:
Quero ver do alto o horizonte, Que foge sempre de mim. [que = sujeito de foge].

2. Objeto direto:
—Já não se lembra da picardia que me fez? [que = objeto direto de fez].

3. Objeto indireto:
Eu aguardava com uma ansiedade medonha esta cheia de que tanto se falava. [de que = objeto
indireto de se falava].

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136 CURSOS PREPARATÓRIOS
4. Complemento nominal:

São várias as peraltices de QUE as crianças são capazes.

5. Predicativo do sujeito:

Admiro a grande pessoa QUE você é.

6. Agente da passiva:
Aquela é a revista pela QUAL fui homenageada.
7. Adjunto adverbial:

Conheci a cidade ONDE meus pais nasceram. Conheci a cidade em QUE meus pais nasceram.

VALORES E EMPREGOS DOS RELATIVOS


Que é o relativo básico. Usa-se com referência a pessoa ou coisa, no singular ou no plural, e pode
iniciar orações adjetivas restritivas e explicativas:
— Não diz nada que se aproveite, esse rapaz!
O ministro, que acabava de jantar, fumava calado e pacífico.
O antecedente do relativo pode ser o sentido de uma expressão ou oração anterior:
O cabelo negro como a capa das viúvas... Que a Nossa Senhora ficava tão bem!

Nesse caso, o que vem geralmente antecedido do demonstrativo o ou da palavra coisa ou


equivalente, que resumem a expressão ou oração a que o relativo se refere:
Vendia cautelas, o que requer muito cálculo...
Ela então consentiu que eu erguesse seu rosto, gesto que não me haviam autorizado.

Por vezes, o antecedente do que não vem expresso:


A uma pergunta assim, a rapariga nem sabia que responder.

Qual, o qual
Nas orações adjetivas explicativas, o pronome que, com antecedente substantivo, pode ser
substituído por o qual (a qual, os quais, as quais):
Estou plagiando nosso famoso cronista, o qual fez essa comunicação aos leitores.

CONHEÇA NOSSOS
137 CURSOS PREPARATÓRIOS
Essa substituição pode ser um recurso de estilo, isto é, pode ser aconselhada pela clareza, pela
eufonia, pelo ritmo do enunciado. Mas há casos em que a língua exige o emprego da forma o qual.

a) o relativo que emprega-se, preferentemente, depois das preposições monossilábicas a, com,


de, em e por:
Havia ocasiões em que me revoltava.
Este é o livro a que me referi.

b) as demais preposições simples, essenciais ou acidentais, bem como as locuções prepositivas,


constroem-se obrigatória ou predominantemente com o pronome o qual:
Tinha vindo para se libertar do abismo sobre o qual sua negra alma vivia debruçada.
Uma visita de dez minutos apenas, durante os quais ela esteve em silêncio.

c) o qual é também a forma usada como partitivo após certos indefinidos, numerais e
superlativos:
O Luís era pai de uns sete ou oito, alguns dos quais já principiavam a ajudá-lo.
Os filhos, quatro crianças, a mais velha das quais teria oito anos, rodeavam-no aos gritos.

Qual, quando repetido simetricamente, é indefinido, e equivale a um... outro:


Um carrega quatro grandes tábuas ao ombro; outro grimpa a precária torre elevador; qual bate
o martelo; qual despeja nas formas o cimento, qual mira a planta, qual usa a pá, qual serra os
galhos de uma mangueira, qual ajusta, neste momento, um pedaço de madeira na serra circular.

Quem
1. Só se emprega com referência a pessoa ou a alguma coisa personificada:
Feliz é quem tiver netos de quem tu sejas avó!
A mim quem converteu foi o sofrimento.

2. Como simples relativo, quem equivale a “o qual” e vem sempre antecedido de preposição:
A senhora a quem cumprimentara era a esposa do tenente-coronel Veiga.
Nada como o mexe-mexe caseiro da mulher de quem se gosta ...

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138 CURSOS PREPARATÓRIOS
Cujo
Cujo é, a um tempo, relativo e possessivo, equivalente pelo sentido a do qual, de quem, de que.
Emprega-se apenas como pronome adjetivo e concorda com a coisa possuída em gênero e
número:
Herculano é para mima figura em cujo espírito e em cuja obra sinto com plenitude o gênio heroico
de Portugal.

Quanto
Quanto, como simples relativo, tem por antecedente os pronomes indefinidos tudo, todos (ou
todas), que podem ser omitidos. Daí o seu valor também indefinido:
Em tudo quanto olhei fiquei em parte.
Entre quantos te rodeiam, tu não enxergas teus pais.

Onde
Como desempenha normalmente a função de adjunto adverbial (= o lugar em que, no qual), onde
costuma ser considerado ADVÉRBIO RELATIVO (usa-se exclusivamente para representar lugar):
Sob o mar sem borrasca, onde enfim se descansa.
Ainda não sei mesmo onde vou buscar as flores.

Aonde: usa-se apenas com verbos que indicam movimento:


Aonde você vai? Para onde você está indo? Estou indo aonde o vento me leva.

PRONOMES INTERROGATIVOS
São assim chamados os pronomes que, quem, qual e quanto, empregados para formular uma
pergunta direta ou indireta:
Que trabalho estão fazendo? Diga-me que trabalho estão fazendo.
Quem disse tal coisa? Ignoramos quem disse tal coisa.
Qual dos livros preferes? Não sei qual dos livros preferes.
Quantos passageiros desembarcaram? Pergunte quantos passageiros desembarcaram.

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139 CURSOS PREPARATÓRIOS
Os interrogativos que e quem são invariáveis. Qual flexiona-se em número {qual, quais); quanto,
em gênero e em número (quanto, quanta, quantos, quantas).

VALOR E EMPREGO DOS INTERROGATIVOS


Que
1. O interrogativo que pode ser:
a) pronome substantivo, quando significa “que coisa”:
Que tenciona fazer quando sair daqui? Mas não sei que disse a mulher...
b) pronome adjetivo, quando significa “que espécie de” e, nesse caso, refere-se a pessoas ou a
coisas:
Que mal me havia de fazer? Não sei que vento mau turvou de todo o lago.

2. Para dar maior ênfase à pergunta, em lugar de que pronome substantivo, usa-se o que:
O mundo? O que é o mundo, ó meu amor?
Não sei o que o trouxe aqui.

3. Tanto uma como outra forma pode ser reforçada por é que:
— Que é que o senhor está fazendo? gritou-lhe.
O que é que eu vejo, nestas tardes tristes?

Quem
1. O interrogativo quem é pronome substantivo e refere-se apenas a pessoas ou a algo
personificado:
Quem não a canta? Quem? Quem não a canta e sente? Perguntei ao doutor quem era a velha.

2. Em orações com o verbo ser, pode servir de predicativo a um sujeito no plural:


Quem sois vós, meus irmãos e meus algozes?

Qual
1. O interrogativo qual tem valor seletivo e pode referir-se tanto a pessoas como a coisas. Usa-
se geralmente como pronome adjetivo, mas nem sempre com o substantivo contíguo. Nas
perguntas feitas com o verbo ser, costuma- -se empregar o verbo depois de qual:

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140 CURSOS PREPARATÓRIOS
— Qual é o hotel, em que rua fica?
Padre Manuel perguntou qual era a situação de D. Ana Vaz.

2. A ideia seletiva pode ser reforçada pelo emprego da expressão qual dos (das ou de), anteposta
a substantivo ou a pronome no plural, bem como a numeral:
Qual dos senhores é pai dum menino que está de cócoras no jardim há mais de meia hora?
Qual deles tinha coragem para começar?
— Então, moça? Qual foi dos nove?

Quanto
O interrogativo quanto é um quantitativo indefinido. Refere-se a pessoas e a coisas e usa-se quer
como pronome substantivo, quer como pronome adjetivo:
— Quanto devo? Quantas sementes lhe dás tu?

EMPREGO EXCLAMATIVO DOS INTERROGATIVOS: não passam muitas vezes de interrogações


impregnadas de admiração. Conforme a curva tonal e o contexto, podem assumir os mais
variados matizes afetivos.
Que inocência! Que aurora! Que alegria!
— Que vovozinha que nada! explodiu amarga a aniversariante.
— Coitada!... quem diria... quem imaginaria que acabaria assim!?...
Quem me dera ser homem!
Quais feitios, qual vida!
— E ele tem esperneado muito?
— Qual nada! Anda no mundo da lua.
Quanto sonho a nascer já desfeito!
Ai, quanto veludo e seda, e quantos finos brocados!

PRONOMES INDEFINIDOS
São aqueles que fazem referência, de forma vaga, à 3.ª pessoa do discurso. Assim:
Alguém pode explicar o que aconteceu?
Todos ficaram felizes com a tua chegada.
Qualquer um serve.

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141 CURSOS PREPARATÓRIOS
Há pronomes indefinidos variáveis e invariáveis.

INVARIÁVEI
VARIÁVEIS
S
algum, alguns, alguma, algumas alguém
nenhum, nenhuns, nenhuma,
ninguém
nenhumas
todo, todos, toda, todas tudo
outro, outros, outra, outras outrem
muito, muitos, muita, muitas nada
pouco, poucos, pouca, poucas cada
certo, certos, certa, certas algo
vário, vários, vária, várias
tanto, tantos, tanta, tantas
quanto, quantos, quanta, quantas
qualquer, quaisquer

PRONOMES INDEFINIDOS SUBSTANTIVOS E ADJETIVOS


1. Os indefinidos alguém, ninguém, outrem, algo e nada só se usam como pronomes
substantivos:
E se alguém fosse avisar a Guarda? Ninguém ainda inventou fósforos contra o vento?
Minha Teresa tem algo a me dizer, não é? Não devo nada a ninguém.

2. Tudo é normalmente pronome substantivo, mas tem valor de adjetivo nas combinações tudo
isto, tudo isso, tudo aquilo, tudo o que, tudo o mais e semelhantes:
Subia as escadas que levavam à torre do palácio, meditando em tudo isto.
Hoje, tudo isso, pássaros e estrelas caídas do céu, são memórias.
Pensando bem, tudo aquilo, era muito estranho.
3. Algum, nenhum, todo, outro, muito, pouco, vário, tanto e quanto são pronomes adjetivos que,
em certos casos, se empregam como pronomes substantivos. Assim nestes períodos:
Todos estavam admirados.

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142 CURSOS PREPARATÓRIOS
Quando nos tornamos a ver, nenhum teve para o outro a mínima palavra, ficamos a um banco,
lado a lado, em expansivo silêncio.

4. Certo só se usa como pronome adjetivo (atentar-se para a mudança de posição e mudança de
sentido):
Certos homens ergueram-se acima do seu tempo. Homens certos ergueram-se acima do seu
tempo
Em certo ponto a água cobria um homem. Em ponto certo a água cobria um homem

5. Também os indefinidos cada e qualquer devem sempre vir acompanhados de substantivo,


pronome ou numeral cardinal:
Cada coisa a seu tempo tem seu tempo. Está certo, cada qual como Deus o fez. Amava a Deus em
cada uma das suas criaturas.
Certas palavras não podem ser ditas em qualquer lugar e hora qualquer.

Oposições sistemáticas entre os indefinidos são bastante nítidas, por exemplo, as que se
verificam:
a) entre o caráter afirmativo da série: algum alguém algo e o negativo da série: nenhum
ninguém nada
b) entre o caráter de totalidade inclusiva de: tudo todo e o de totalidade exclusiva de: nada
nenhum
c) entre a presença de ideia de pessoa em: alguém ninguém e a ausência dessa ideia em: algo
nada
d) entre o valor particularizante de: certo e a total ausência de particularização de: qualquer

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143 CURSOS PREPARATÓRIOS
VALORES DE ALGUNS INDEFINIDOS
Algum e nenhum
1. Anteposto a um substantivo, algum tem valor positivo. É o contrário de nenhum:
— Com ele podes arranjar alguma coisa.
Não havia nele senão aspiração à grandeza verdadeira; nenhuma vaidade, e sim um
compreensível orgulho.

2. Posposto a um substantivo, algum assume significação negativa, mais forte do que a expressa
por nenhum. Em geral, o indefinido adquire esse valor em frases onde já existem formas
negativas, como não, nem, sem:
Já não morria naquele dia e não tinha pressa alguma em chegar a casa. Não escreveu livro
algum.

3. No feminino, aparece em construções de acentuado valor afetivo:


O lavrador ainda levantou a cabeça para fazer alguma das dele. Alguma ele andou fazendo.

4. Reforçado por negativa, nenhum pode equivaler ao indefinido um:


Esse capitão não foi nenhum oficial de patente, mas um autêntico capitão de terra e mar...
Eu, Marília, não fui nenhum vaqueiro ...

Cada
1. Deve-se empregar apenas como pronome adjetivo. Quando falta o substantivo, usa-se cada
um (uma), cada qual:
Lá no fundo cada um espera o milagre.
Cada qual sabe de sua vida.

2. Pode preceder um numeral cardinal para indicar discriminação entre unidades, ou entre
grupos ou séries de unidades:
De cada dúzia de ovos que vendia, a metade era lucro.
Vinha ver-me cada três dias.

3. Tem acentuado valor intensivo em frases do tipo:

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144 CURSOS PREPARATÓRIOS
A ti era o Chiado que te fazia mal! Apanhavas ali cada constipação...
— Você tem cada uma!

Certo
1. É pronome indefinido quando anteposto a um substantivo. Caracteriza-o a capacidade de
particularizar o ser expresso pelo substantivo, distinguindo-o dos outros da espécie, mas sem
identificá-lo. Dispensa, em geral, o artigo indefinido. A presença deste torna a expressão
menos vaga e dá-lhe um matiz afetivo. Assim:

Sílvio não pede um amor qualquer; pede um certo amor, nomeado e predestinado.
No fim de contas, tinha uma certa mágoa da forma como a tratara.
No rostinho enrugado e emurchecido, havia ainda uma certa graça e vivacidade de menina.

2. É adjetivo, com o significado de “seguro”, “verdadeiro”, “exato”, “fiel”, “constante”:


a) quando posposto ao substantivo:
— Idade certa não sei.
— Não há carreira mais certa.

b) em comparações intensivas, geralmente antecedido de tão:


Acredita que é tão certo como Deus estar no céu! Estou tão certo do que digo como da luz que nos
alumia.
Pode ser seguido de substantivo: Mais certo amigo é João do que Pedro; tão certo amigo é João
como Paulo.

Nada
1. Significa “nenhuma coisa”, mas equivale a “alguma coisa” em frases interrogativas negativas
do tipo:
— O capitão não come nada?
De tempos em tempos aparecia, perguntava se eu não queria nada.

2. Junto a um adjetivo ou a um verbo intransitivo pode ter força adverbial:

— Não foi nada caro, tive um grande desconto. Não tinha um ar nada inocente. Mesmo nada. O
cavalo não correu nada.

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145 CURSOS PREPARATÓRIOS
Outro
1. Cumpre distinguir as expressões:
a) outro dia, ou o outro dia = um dia passado, mas próximo:
— Outro dia fui à casa do Sebastião e lá aceitei um café.
Contou-me a Ana, o outro dia, Que Deus, somente o veria Quem fosse Anjo, ninguém mais.
b) no outro dia, ou ao outro dia = no dia seguinte:
No outro dia, encontrei João Nogueira. Ao outro dia, Amélia estava pálida... Partiu o navio, ao
outro dia de manhã.
2. Em expressões denotadoras de reciprocidade, como um ao outro, um do outro, um para o
outro, conserva-se em geral a forma masculina, ainda que aplicada a indivíduos de sexos
diferentes:
Compreendi que um vínculo de simpatia moral nos ligava um ao outro.
A Judite dava toda a atenção ao seu par, a uma distância perigosa um do outro.
Sentou-se no canapé e ficamos a olhar um para o outro.

3. Outro pode empregar-se como adjetivo na acepção de “diferente”, “mudado”, “novo”:


Não sabia que assim tão outra voltarias...

Qualquer
Tem, por vezes, sentido pejorativo, particularmente quando precedido de artigo indefinido:
Não é uma qualquer coisa, não! Ele não era um qualquer.

A tonalidade depreciativa torna-se mais forte se o indefinido vem posposto a um nome de


pessoa:
Já não era uma Judite qualquer, era a Judite do Antunes.

Todo
1. No singular e posposto ao substantivo, todo indica a totalidade das partes:
Toda a obra é vã, e vã a obra toda. O conflito acordou o colégio todo.

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146 CURSOS PREPARATÓRIOS
2. Também indica a totalidade das partes, quando, no singular, antecede um pronome pessoal:
Todo ele evidenciava um cansaço íntimo. A casa, toda ela, gelava.

3. No plural, anteposto ou não, designa a totalidade numérica:


Todos os homens caminhavam em silêncio. As culpas todas eram deles.

4. Anteposto a um elemento nominal, aposto ou predicativo, emprega-se com o sentido de


“inteiramente”, “em todas as suas partes”, “muito”:
Silva estendeu a guia de trânsito a Vasconcelos, todo amável.
Eras toda graça e incompreensão.
Tudo
Refere-se normalmente a coisas, mas pode aplicar-se também a pessoas:
Tristão e a madrinha chegaram, tudo chegou.
Aqui na pensão e na casa da lagoa tudo dorme.
Enfim, tudo aquilo era a mesma gente, exceto o Antunes.

LOCUÇÕES PRONOMINAIS INDEFINIDAS


Dá-se o nome de locuções pronominais indefinidas aos grupos de palavras que equivalem a
pronomes indefinidos: cada um, cada qual, quem quer que, todo aquele que, seja quem for, seja
qual for etc.

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147 CURSOS PREPARATÓRIOS
VERBO

O verbo é a palavra que indica ação, movimento, estado ou fenômeno meteorológico. Possui as
flexões de modo (indicativo, subjuntivo e imperativo), tempo (presente, pretérito e futuro),
número e pessoa (singular e plural) e voz (ativa, passiva e reflexiva).

Na língua portuguesa existem aproximadamente onze mil verbos. Eles são divididos em três
grupos, os quais são chamados de conjugação de acordo com suas terminações. Assim:

CONJUGAÇÃO TERMINAÇÃO EXEMPLOS


1ª. -ar Viajar, acabar
2ª. -er Viver, conhecer
3ª. -ir Sorrir, partir

Observação: os poucos verbos terminados em -or ( pôr, compor, depor, propor etc. são
considerados de segunda conjugação, pois têm origem em no latim ponere – poer - (pôr).

FORMAS RIZOTÔNICAS E ARRIZOTÔNICAS

Em certas formas verbais, o acento tônico recai dentro do radical. São as formas rizotônicas:
ando, andas, andam.

Em outras, o acento tônico recai na terminação (fora do radical). São as formas arrizotônicas:
andamos, andou, andava, andará.

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148
CURSOS PREPARATÓRIOS
FLEXÕES DO VERBO

Pessoa: indica as três pessoas relacionadas ao discurso, representadas no modo singular e no


plural.

Número: representa a forma pela qual o verbo se refere a essas pessoas gramaticais (singular e
plural).

SINGULAR PLURAL
Eu gosto de estudar Nós chegamos cedo
Tu andas depressa Vós estais com pressa
Ele é muito gentil Eles são educados

Modo: possibilita ao falante revelar sua própria atitude em relação ao fato expresso pelo verbo.
São três:

a. indicativo: formas verbais que expressam atitude de certeza. Assim:


Exemplo: Viajarei com você no próximo fim de semana.
Exemplo: A mãe fazia lindos vestidos para complementar a renda familiar.
Exemplo: O trem partiu da estação às três horas da tarde de domingo.

b. subjuntivo: constituído pelas formas verbais que expressam atitude de hipótese, dúvida,
desejo etc. Assim:
Exemplo: Se tudo der certo, viajaremos na sexta-feira à tarde.
Exemplo: Talvez eu fique na festa da escola.
Exemplo: Tomara que ele consiga o sucesso!

c. imperativo: são as formas que exprimem ordem, pedido, conselho, ameaça, convite etc.
Há duas formas distintas:

Exemplo: Chegue cedo em casa.

Exemplo: Não diga nada aos meus pais!

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149
CURSOS PREPARATÓRIOS
Tempo: é a variação que indica o momento em que se dá o fato expresso pelo verbo. Os três
tempos naturais são o presente, o pretérito (ou passado) e o futuro, que designam,
respectivamente, um fato ocorrido no momento em que se fala, antes do momento em que se fala
e após o momento em que se fala.

O presente é indivisível, mas o pretérito e o futuro subdividem-se no modo indicativo e no


subjuntivo. Assim:

modo indicativo

presente: não só indica o momento atual, mas ações regulares ou situações permanentes.
Exemplo: Tomo medicamentos. Estou aqui! Lá, neva muito. Estou estudando muito.

ATENÇÃO! Deve-se considerar o presente histórico (afetivo). Assim:


Exemplo: Em 2020 surge a pandemia do coronavírus.

pretérito perfeito: exprime uma ação concluída.


Exemplo: Ontem li o jornal.

pretérito imperfeito: exprime uma ação anterior ao presente, mas ainda não concluída.
Dependendo do contexto, pode expressar uma ação rotineira no passado:
Exemplo: Ele estudava naquele colégio.
Exemplo: Ele jantava quando teve o infarto. Ele estava lendo quando o ladrão entrou.

pretérito mais-que-perfeito: indica um fato concluído e que ocorreu antes de outro fato
também concluído. É comum combinar dois ou mais verbos que transmitam o mesmo sentido.
Exemplo: Quando cheguei ao campo, o jogo já começara (ou tinha/havia começado).
Exemplo: O trabalho já havia sido realizado quando cheguei.

futuro do presente: usado em referência a fatos cuja ocorrência localiza-se, no tempo, depois
do momento da fala. Também pode ser empregado na forma composta.
Exemplo: No próximo domingo, terminará o campeonato brasileiro.
Exemplo: Quando amanhecer, já teremos caminhado uns dez quilômetros.

futuro do pretérito: exprime uma ação futura em relação a outra já concluída.

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150
CURSOS PREPARATÓRIOS
Exemplo: Só ontem eu soube que ele não trabalharia mais aqui.
Exemplo: Muitos duvidaram de que venceríamos essa luta.

OBSERVAÇÃO: esse tempo verbal também pode ser empregado para exprimir suposição,
hipótese. É um recurso muito comum em notícias quando não se tem certeza do fato. Assim:
Exemplo: O goleiro do palmeiras teria proposta de um time europeu.
Exemplo: Quem nos daria apoio numa situação dessas?
Exemplo: Segundo os paleontólogos, o fóssil encontrado seria um herbívoro.

OBSERVAÇÃO: em sua forma composta ou simples, o futuro do pretérito exprime fatos cuja
realização, no passado, só teria sido possível se um outro fato também tivesse ocorrido. Assim:
Exemplo: Ele teria ido à festa se nós o tivéssemos convidado.
Exemplo: Eu passaria no concurso se tivesse estudado mais.

modo subjuntivo

presente: exprime uma ação na atualidade que é incerta, duvidosa, hipotética ou em forma de
suposição.
Exemplo: Tomara que ele analise nossa proposta.

pretérito imperfeito: exprime um verbo no passado dependente de uma ação também já


passada. Esse tempo é empregado em correlação com o pretérito imperfeito do indicativo ou
com o futuro do pretérito do indicativo, para exprimir circunstâncias como condição, concessão
e causa.
Exemplo: Embora eles ainda estudassem, já trabalhavam na empresa da família.
Exemplo: Se hoje fosse sábado e você estivesse aqui, iríamos ao jogo.

futuro: exprime uma ação que irá se realizar dependendo de outra ação futura (tempo e
condição).
Exemplo: Quando eles lerem ficarão informados.
Exemplo: Quando eles tiverem (houverem) lido, ficarão informados.
Exemplo: quando ele estudar – tiver ou houver estudado

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151
CURSOS PREPARATÓRIOS
modo imperativo

Expressa ordens, recomendações, conselhos, pedidos, convites, ameaças etc. Apresenta-se


apenas no presente e pode ser afirmativo ou negativo. Assim:

Exemplo: Leia o relatório. Não leia o trabalho.

O imperativo é formado a partir do presente do indicativo e do presente do subjuntivo. O


imperativo negativo é tinteiro derivado do presente do subjuntivo. O imperativo afirmativo é
formado a partir do presente do indicativo (tu e vós - sem a letra “s”); você, nós e vocês pegam
as formas do presente do subjuntivo. Assim:

PRESENTE DO
PRESENTE DO INDICATIVO
SUBJUNTIVO
(amar, vender e partir)
(amar, vender e partir)
Tomara que eu ame, que
Eu amo, eu vendo, eu parto
eu venda, que eu parta
Tomara que tu ames, que
Tu amas, tu vendes, tu partes
tu vendas, que tu partas
Tomara que ele ame, que
Ele ama, ele vende, ele parte
ele venda, que ele parta
Tomara que nós amemos,
Nós amamos, nós vendemos,
que nós vendamos, que
nós partimos
nós partamos
Tomara que vós ameis, que
Vós amais, vós vendeis, vós
vós vendais, que vós
partis
partais
Tomara que eles amem,
Eles amam, eles vendem, eles
que eles vendam, que eles
partem
partam

IMPERATIVO NEGATIVO

- - -
Não ames tu Não vendas tu Não partas tu

Não ame você (ele) Não venda você (ele) Não parta você (ele)

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152
CURSOS PREPARATÓRIOS
Não amemos nós Não vendamos nós Não partamos nós
Não ameis vós Não vendais vós Não partais vós
Não amem vocês (eles) Não vendam vocês (eles) Não partam vocês (eles)

IMPERATIVO AFIRMATIVO
- -
Ama tu Vende tu Parte tu

Ame você (ele) Venda você (ele) Parta você (ele)

Amemos nós Vendamos nós Partamos nós


Amai vós Vendei vós Parti vós
Amem vocês (eles) Vendam vocês (eles) Partam vocês (eles)

Substitutos do imperativo

A língua oferece-nos outros meios para exprimir os diversos matizes apresentados pelo

Assim:

1. Uma ordem pode ser enunciada por frases nominais, ou por simples interjeições:
Exemplo: Fogo! Silêncio! Avante! Mãos ao alto!

2. Certos tempos do indicativo podem ser utilizados com valor de imperativo. Assim:
a) com o presente atenuamos a rudeza da forma imperativa em frases como:
Exemplo: O senhor me traz o dinheiro amanhã. [= Traga-me o dinheiro amanhã.]
Exemplo: Você toma o remédio indicado. [= Tome o remédio indicado.]

b) com o futuro do presente simples atenuamos ou reforçamos o caráter imperativo de frases do


tipo:

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153
CURSOS PREPARATÓRIOS
Exemplo: Tu irás comigo. [= Vem comigo.] Não matarás. [= Não mates.]

3. O imperfeito do subjuntivo transforma a ordem numa simples sugestão em frases como as


seguintes:
Exemplo: (E) se você se calasse!? [= Cale-se!] (E) se chegasses na hora exata!? [= Chega na hora
exata.]

Exemplos literários:
E se fosses dar leis para a cozinha? (M. Torga, V, 298.)
E se tentasses compreender? (J. Régio, SM, 275.)

4. Com o valor de imperativo impessoal, usam-se:


a) o infinitivo (principalmente na expressão de um comando, de uma proibição):
Exemplo: Marchar! Direita, volver! Sublinhar os verbos do texto. Não assinar a prova.
Exemplo: Não falar ao motorista com o carro em movimento. Não fumar.

b) o gerúndio (construção elíptica, frequente na linguagem popular, de valor geralmente


depreciativo para quem recebe a ordem):
Exemplo: Andando! [= Vá andando! Ande!] Correndo! [= Vá correndo! Corra!].

6. Em frases de entoação interrogativa, usa-se não raro o infinitivo do verbo que exprime a
ordem antecedido de formas do presente ou do imperfeito do indicativo do verbo querer:
Exemplo: Quer levantar-se? [= Levante-se!] Queria fechar a janela? [= Feche a janela!]

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154
CURSOS PREPARATÓRIOS
FORMAS NOMINAIS: são assim chamadas por terem papéis de verbo ou de nome (substantivos,
adjetivos ou advérbios). Além disso, apenas essas formas não apresentam flexão de tempo e de
modo. São elas:

a) infinitivo: forma que expressa a ação em si, sem demarcar, no tempo, seu início ou seu fim.
Pode ser classificado em:

o pessoal, quando varia em número e pessoa. Será usado sempre que existir um sujeito
definido ou quando quisermos defini-lo, quando o sujeito da segunda oração for
diferente e quando quiser indicar uma ação recíproca. Assim:
Exemplo: Parei para eles verem o quadro. Por serem vocês os culpados, terão que ser punidos.
Exemplo: Esta tarefa é para vocês fazerem. É essencial sabermos isso.
Falar: falar, falares, falarmos, falardes, falarem.
Ler: ler, leres, lermos, lerdes, lerem.
Partir: partir, partires, partirmos, partirdes, partirem.

o impessoal: quando manifesta a ação. Não é flexionado e deve ser usado sem sujeito
definido, quando uma preposição rege o verbo, com sentido imperativo, quando o
sujeito da segunda oração for igual e em locuções verbais. Assim:
Exemplo: Ajudar é a melhor forma de gratidão. Rir é o melhor remédio. Meus irmãos gostam
de tocar violão.
Exemplo: Eles não conseguiram entender o que aconteceu.

E também pode ter o papel de um substantivo:

Exemplo: Você ouviu o cantar do galo?


Exemplo: Não sei de onde vem esse falar.

b) gerúndio: tem como característica a terminação “-ndo” e não se flexiona. Exprime o fato
verbal em desenvolvimento. Usamos para indicar uma ação não terminada e em um
prolongamento da ação no tempo. Assim:
Exemplo: Ele estava falando alto quando cheguei. Ela partiu acenando.
Exemplo: Ouvi passarinhos cantando ao acordar. Você está ouvindo a campainha?

O gerúndio também pode ter a função de advérbio ou de adjetivo:

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155
CURSOS PREPARATÓRIOS
Advérbio - Saindo de casa, lembrou-se dos documentos.
Adjetivo - Havia fãs chorando compulsivamente no show.

ATENÇÃO!
Gerundismo é o uso inadequado do gerúndio. Trata-se de vício de linguagem que até já virou
piada. Assim:
"Vou estar pesquisando seu caso." "Vou estar completando sua ligação".
"Vou pesquisar seu caso." "Vou completar sua ligação." Note que, nos
dois casos, você passa a usar somente duas formas verbais ("vou" + "pesquisar" ou "vou" +
"completar") no lugar de três. Além disso, a ideia temporal a ser transmitida é a de futuro e não
de presente em curso. O gerundismo, portanto, é uma mania que peca pelo excesso, pela
inadequação do verbo, que ocorre ao transformarmos, desnecessariamente, um verbo
conjugado em um gerúndio.

duração que ainda vai acontecer, não é errado dizer: "Amanhã, enquanto você passeia, eu vou
estar estudando o que é gerundismo. E, se Deus quiser, aprenderei alguma coisa."

c) particípio: exprime o resultado, ou seja, o processo verbal concluído. Pode ser regular ou
irregular. A forma regular tem a terminação “-ado (a)” ou “-ido (a)”. Por exemplo: estudado;
falado; comido; interrompido. Já no particípio irregular, a maioria dos verbos tem a
terminação “-to” ou “-so”: escrito; dito; feito; aceso; expulso.

Pode ter o papel de adjetivo:


Exemplo: Meu filho é muito esforçado nos estudos.
Exemplo: Eu ando desiludido com essa situação.

O particípio também permite formar tempos verbais compostos - com outros verbos - e expressa
o estado da ação depois de terminada:
Exemplo: Quando cheguei, eles já tinham arrumado tudo.
Exemplo: Este texto já foi revisado?

Alguns verbos não possuem as duas formas, como “escrever”, “cobrir” e “abrir”, que se tornam
“escrito”, “coberto” e “aberto”.

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156
CURSOS PREPARATÓRIOS
CLASSIFICAÇÃO DOS VERBOS

O verbo pode ser regular, irregular, anômalo, defectivo e abundante.

Os regulares flexionam-se de acordo com o paradigma, modelo que representa o tipo


comum da conjugação. Toma-se, como exemplo, cantar, vender e partir como paradigmas da
1ª, 2ª e 3ª conjugações. verificamos que todos os verbos regulares da 1ª conjugação formam
os seus tempos como cantar, os da 2ª, como vender, os da 3ª como partir.

São irregulares os verbos que se afastam do paradigma de sua conjugação, como dar, estar,
fazer e pedir e vários outros.

São anômalos os verbos que mudam de radical ao longo da conjugação. Verbos


anômalos e verbos irregulares não são sinônimos, pois, enquanto os irregulares sofrem
alteração em um mesmo radical, os anômalos mudam de radical. Exemplos
disso são os verbos “ser” e “ir”, entendidos como anômalos por excelência.

Verbos defectivos são aqueles que não se conjugam em todos os modos, tempos e pessoas.
Podem ser conjugados apenas nas formas arrizotônicas, como adequar, falir, doer, reaver, abolir,
banir, brandir, carpir, colorir, explodir, ruir, exaurir, demolir, delinquir, feder, aturdir, bramir,
esculpir, extorquir, retorquir, por exemplo. Entre os defectivos estão os verbos impessoais, usados
apenas na 3ª pessoa do singular: chover, ventar etc.

Abundantes são os verbos que possuem duas formas equivalentes no particípio, uma regular
(com terminação -ido ou -ado) e uma irregular. Assim:

PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR


aceitar aceitado aceito

acender acendido aceso

eleger elegido eleito

entregar entregado entregue

envolver envolvido envolto

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157
CURSOS PREPARATÓRIOS
expressar expressado expresso
exprimir exprimido expresso

extinguir extinguido extinto

frigir frigido frito

ganhar ganhado ganho

gastar gastado gasto


imprimir imprimido impresso
juntar juntado junto

limpar limpado limpo

matar matado morto

morrer morrido morto

pagar pagado pago

pegar pegado pego

prender prendido preso

suspender suspendido suspenso

tingir tingido tinto

ATENÇÃO!
O particípio regular é usado preferencialmente na voz ativa com os verbos auxiliares “ter” e
“haver”. Veja:
Exemplo: O diretor nunca teria aceitado esse erro.
Exemplo: O funcionário já tinha (havia) pagado a encomenda.
Exemplo: O carteiro já havia (tinha) entregado a carta.
O particípio irregular é usado preferencialmente na voz passiva com os verbos auxiliares “ser” e
“estar”.
Exemplo: O novo horário de funcionamento da empresa foi aceito por todos.
Exemplo: O envio da encomenda já está pago.
Exemplo: A carta foi entregue ao destinatário ontem.

CONHEÇA NOSSOS
158
CURSOS PREPARATÓRIOS
Quanto à função, o verbo pode ser:
a) principal: verbo de significação plena, nuclear de uma oração. Assim:
Exemplo: Estudei português.
Exemplo: Haverá uma solução para o caso.
Exemplo: Comprei um livro.
b) auxiliar: desprovido total ou parcialmente da acepção própria, junta-se a formas nominais
de um verbo principal, constituindo com elas locuções verbais (tempos compostos) que
apresentam matizes significativos especiais. Os principais verbos auxiliares são ser, estar, ter
e haver. Os verbos “ir” e “andar” também são classificados como verbos auxiliares de
tempo. Nesse caso, a flexão verbal somente ocorre com o verbo auxiliar, enquanto o verbo
principal surge no particípio (regular ou irregular), infinito (-ar, -er, -ir) ou gerúndio (-ando,
-endo, -indo). Assim:
Exemplo: Iremos comendo enquanto eles não chegam.
Exemplo: Ele havia (tinha) entregado o convite.
Exemplo: Começou a costurar cedo.
Os verbos auxiliares modais indicam desejo, intenção e possibilidade, por exemplo: querer,
dever, poder, conseguir, pretender, chegar, tentar, ter de, haver de. Nesse caso, o verbo principal
aparece no gerúndio (-ando, -endo, -indo) ou no infinitivo (-ar, -er, -ir).
Os verbos auxiliares acurativos, também chamados de “aspectuais”, indicam ação,
continuidade e repetição da ação verbal, acrescentando significado ao verbo principal. São eles:
continuar, começar, costumar, ir, vir, voltar, tornar, andar, deixar, acabar. Nesse caso, o verbo
principal surge no gerúndio (-ando, -endo, -indo) ou no infinitivo (-ar, -er, -ir).
Exemplo: Joel continua ouvindo a mesma música.

Verbos impessoais: não têm sujeito e são invariavelmente usados na 3ª pessoa do singular.
Assim:
a) os verbos que exprimem fenômenos da natureza, como:
Exemplo: alvorecer, chover, nevar, saraivar, amanhecer, chuviscar, orvalhar, trovejar, anoitecer,
estiar, relampejar, ventar.

b) o verbo haver na acepção de “existir” e o verbo fazer quando indica tempo decorrido:
Exemplo: Houve momentos de pânico.
Exemplo: Faz cinco anos que não o vejo.

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159
CURSOS PREPARATÓRIOS
c) certos verbos que indicam necessidade, conveniência ou sensações, quando regidos de
preposição em frases do tipo:
Exemplo: Basta de provocações!
Exemplo: Chega de lamúrias.
Exemplo: Dói-me do lado esquerdo.

OBSERVAÇÃO!

Em sentido figurado, tanto os verbos que exprimem fenômenos da natureza como os que
designam vozes de animais podem aparecer em todas as pessoas. Assim:
Exemplo: Os oficiais anoiteceram e não amanheceram na propriedade.
Exemplo: Tanto ladras, rosnei com os meus botões, que trincas a língua.

REGÊNCIA DOS VERBOS

É a ligação do verbo com o seu complemento, isto é, a regência verbal, que ser:

a) diretamente, sem uma preposição intermédia ( VTD) , quando o complemento é objeto direto;

b) indiretamente complemento é

Assim:
1. A garota comeu o bolo. A garota comeu-o.
2. Precisamos de ajuda.
3. O rapaz entregou flores à (para a) moça. O rapaz entregou-lhe fores.

Na primeira oração, o verbo “comeu” é transitivo direto e exige complemento (objeto direto) “
o bolo”. Na segunda oração, o verbo precisar é transitivo indireto e exige o complemento (objeto
indireto) “de ajuda”. Na terceira oração, o verbo “entregar” exige o objeto direto e o objeto
indireto para que o sentido seja completo.

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160
CURSOS PREPARATÓRIOS
Há também verbos que não necessitam de termo regido. São os verbos intransitivos, os quais
expressam uma ideia completa. Assim:

A criança dormiu. Pedro viajou.

VOZES VERBAIS

O fato expresso pelo verbo pode ser representado de três formas:

a) como praticado pelo sujeito (voz ativa) : João feriu Pedro. Não vejo rosas neste jardim.

b) como sofrido pelo sujeito (voz passiva): Pedro foi ferido por João. Não se veem [= são vistas]
rosas neste jardim.

c) como praticado e sofrido pelo sujeito (voz reflexiva): João feriu-se. Dei-me pressa em sair.

O objeto direto da voz ativa corresponde ao sujeito da voz passiva; e, na voz reflexiva, o objeto
direto ou indireto é a mesma pessoa do sujeito. Logo, para que um verbo admita transformação
de voz, é necessário que ele seja transitivo.

Voz passiva exprime-se:

a) com o verbo auxiliar ser e o particípio do verbo que se quer conjugar: Pedro foi ferido por
João.

b) com o pronome apassivador se e uma terceira pessoa verbal, singular ou plural, em


concordância com o sujeito: Não se vê [=é vista] uma rosa neste jardim. Não se veem [são
vistas] rosas neste jardim.

A frase na voz passiva resulta da transformação da frase na voz ativa.


O menino (sujeito) comeu (voz ativa) o iogurte (objeto direto).
O iogurte (sujeito) foi comido (voz passiva) pelo menino (agente da passiva).

Conversão da voz ativa na voz passiva


Voz ativa: A diretora marcou uma reunião.
Na passagem da voz ativa para a voz passiva analítica:

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161
CURSOS PREPARATÓRIOS
O sujeito passa a ser o agente da voz passiva.
O objeto direto passa a ser o sujeito da voz passiva.
O verbo transitivo passa a ser uma locução verbal formada por um verbo auxiliar e o
particípio de um verbo principal.

Voz passiva analítica: A reunião foi marcada pela diretora.

Na passagem da voz ativa para a voz passiva sintética ou pronominal:

O objeto direto passa a ser o sujeito da voz passiva sintética ou pronominal.


Acrescenta-se a partícula apassivadora “se”.
Não há agente da passiva explícito.

Voz passiva sintética (ou pronominal): Marcou-se a reunião. Marcaram-se as reuniões.

Voz reflexiva exprime-se juntando-se às formas verbais da voz ativa os pronomes oblíquos que
lhe servem de objeto direto ou, mais raramente, de objeto indireto e representa a mesma pessoa
que o sujeito (me, te, nos, vos e se - singular e plural):

Eu me feri [=a mim mesmo], Tu te feriste [ = a ti mesmo], Ele se feriu [= a si mesmo], Nós nos
ferimos [= a nós mesmos],

Vós vos feristes [= a vós mesmos], Eles se feriram [= a si mesmos]

OBSERVAÇÕES

l) Além do verbo ser, há outros auxiliares que, combinados com um particípio, podem formar a
voz passiva. Estão, nesse caso, verbos que exprimem estado (estar, andar, viver etc.), mudança
de estado (ficar) e movimento (ir, vir):

Os homens já estavam tocados pela fé.

Ficou atormentado pelo remorso.

Os pais vinham acompanhados dos filhos.

2) Nas formas da voz passiva, o particípio concorda em gênero e número com o sujeito:

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162
CURSOS PREPARATÓRIOS
Ele foi ferido. Eles foram feridos. Ela foi ferida. Elas foram feridas. Ele se deu o trabalho de vir
aqui (ou deu-se).

O verbo reflexivo pode indicar também a reciprocidade, isto é, uma ação mútua de dois ou mais
sujeitos:

Pedro, Paulo e eu nos estimamos (estimamo-nos) [= mutuamente].

Os dias se sucedem (sucedem-se) [= um ao outro] calmos.

Verbo reflexivo e verbo pronominal

tenham exatamente o seu sentido. São os chamados verbos pronominais, de que podemos
distinguir dois tipos:

a) os que só se usam na forma pronominal, como:

apiedar-se, queixar-se, condoer-se, suicidar-se

b) os que se usam também na forma simples, mas esta difere ou pelo sentido ou pela construção
da forma pronominal, como, por exemplo:

debater [= discutir] enganar alguém; debater-se [= agitar-se] enganar-se com alguém

OBSERVAÇÃO!

Distingue-se, na prática, o verbo reflexivo do verbo pronominal porque ao primeiro se podem


acrescentar, conforme a pessoa, as expressões a mim mesmo, a ti mesmo, a si mesmo etc. Quando
o reflexivo tem valor recíproco, as expressões reforçativas passam a ser um ao outro,
reciprocamente, mutuamente etc.

Assim:

Feri-me a mim mesmo.


Amavam-se um ao outro.

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163
CURSOS PREPARATÓRIOS
lavar-se / modo indicativo – presente)

Com o pronome enclítico ou


Com o pronome proclítico
mesoclítico

lavo-me eu me lavo

lavas-te tu te lavas

lava-se ele se lava

lavamo-nos nós nos lavamos

lavais-vos vós vos lavais

lavam-se eles se lavam

ASPECTO VERBAL – AS DIFERENTES DURAÇÕES DO TEMPO

O aspecto verbal designa “uma categoria gramatical que manifesta o ponto de vista do qual o
locutor considera a ação expressa pelo verbo”. Ele pode considerá-la como concluída, isto é,
observada no seu término, no seu resultado; ou pode considerá-la como não concluída, ou seja,
observada na sua duração, na sua repetição. É o próprio significado dos auxiliares que transmite

distinguir, entre outras, as seguintes oposições aspectuais:

l) Aspecto pontual / aspecto durativo. A oposição aspectual caracteriza-se pela menor ou maior
extensão de tempo ocupada pela ação verbal. Assim:

Acabo de ler Os lusíadas( pontual). Continuo a ler Os lusíadas(durativo)

2) Aspecto contínuo / aspecto descontínuo. Aqui essa oposição incide sobre o processo de
desenvolvimento da ação:

Vou lendo Os lusíadas ( contínuo). Voltei a ler Os lusíadas (descontínuo).

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164
CURSOS PREPARATÓRIOS
3) Aspecto incoativo / aspecto conclusivo. O aspecto incoativo exprime um processo
considerado em sua fase inicial; o aspecto conclusivo ou terminativo expressa um processo
observado em sua fase final:
Comecei a ler Os lusíadas (incoativo). Acabei de ler Os lusíadas ( conclusivo).

4) São também de natureza aspectual as oposições entre:

a) Forma simples / perífrase (locução verbal) durativa: estar + gerúndio (ou infinitivo
precedido da preposição
leio / estou lendo (ou estou a ler)

b) Ser / estar.
Ele foi ferido. Ele está ferido.

Pode-se dizer que as perífrases construídas com o particípio exprimem o aspecto acabado,
concluído; e as construídas com o infinitivo ou o gerúndio expressam o aspecto inacabado, não
concluído.

CORRELAÇÕES VERBAIS: definem-se pela harmonia e coerência que se dá entre as formas


verbais expressas no discurso propriamente dito, com vistas a fazer com que prevaleça o aspecto
lógico, objetivo das ideias manifestadas. Assim:

Presente do modo indicativo + pretérito perfeito composto do modo subjuntivo:


Exemplo: Creio que ela tenha feito o trabalho.

Futuro do subjuntivo + futuro do presente do modo indicativo:


Exemplo: Se você fizer o trabalho, eu ficarei agradecido.

Futuro do subjuntivo + futuro do presente composto do indicativo:


Exemplo: Quando você fizer o trabalho, avisarei a professora.

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165
CURSOS PREPARATÓRIOS
Presente do modo indicativo + presente do modo subjuntivo:
Exemplo: Quero que você faça o trabalho.

Futuro do subjuntivo + futuro do presente do modo indicativo:


Exemplo: Quando você fizer o trabalho, adorarei.

Pretérito mais-que-perfeito composto do subjuntivo + futuro do pretérito composto do


indicativo:
Exemplo: Se você tivesse feito o trabalho, eu teria avisado a professora.

Pretérito perfeito do indicativo + pretérito imperfeito do subjuntivo:


Exemplo: Pedi que ela fizesse o trabalho.

Pretérito imperfeito do subjuntivo + futuro do pretérito do indicativo:


Exemplo: Se você fizesse o trabalho, eu avisaria a professora.

CONJUGAÇÃO DE ALGUNS VERBOS

Banir, passear (pentear, chatear, frear, cear), avaliar, mediar, ansiar, remediar, incendiar, odiar,
haver, reaver, ter (e derivados), vir (e derivados), requerer, pôr (e derivados), ver (e derivados),
prover

Verbo banir

É um verbo defectivo, não sendo conjugado em todos os tempos e pessoas. Pelo modelo de
banir conjugam-se, entre outros, os seguintes verbos: abolir, aturdir, carpir, colorir, demolir,
emergir, exaurir, imergir, retorquir, ungir.

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166
CURSOS PREPARATÓRIOS
Verbo frear e derivados: pentear, chatear, passear, cear

A conjugação dos verbos terminados em -ear é feita conforme o paradigma de conjugação dos
verbos terminados em -ar, ou seja, da 1.ª conjugação. Há, contudo, uma ligeira diferença: nas
suas formas rizotônicas, ou seja, nas formas em que a sílaba tônica está no radical da palavra,
ocorre a substituição da vogal e pelo ditongo ei. Todos os verbos terminados em "ear" têm
conjugação padronizada.

O nome do verbo é frear sem "i", mas, no presente do indicativo, conjuga-se da seguinte maneira:
eu freio, tu freias, ele freia, nós freamos, vós freais, eles freiam.

No pretérito perfeito do indicativo: eu freei, tu freaste, ele freou, nós freamos, vós freastes, eles
frearam.

O presente do subjuntivo apresenta as terminações "eie, eies, eie, eemos, eeis, eiem". Nesse
tempo, o verbo frear se conjuga assim: que eu freie, que tu freies, que ele freie, que nós freemos,
que vós freeis, que eles freiem.

Verbo avaliar

A conjugação dos verbos terminados em -iar é feita conforme o paradigma de conjugação dos
verbos terminados em -ar, ou seja, da 1.ª conjugação.
Presente do indicativo: eu avalio, tu avalias, ele avalia,…
Pretérito imperfeito do indicativo: eu avaliava, tu avaliavas, ele avaliava,…
Pretérito perfeito do indicativo: eu avaliei, tu avaliaste, ele avaliou,…
Pretérito mais-que-perfeito do indicativo: eu avaliara, tu avaliaras, ele avaliara,…
Futuro do presente do indicativo: eu avaliarei, tu avaliarás, ele avaliará,…
Futuro do pretérito do indicativo: eu avaliaria, tu avaliarias, ele avaliaria,…
Presente do subjuntivo: que eu avalie, que tu avalies, que ele avalie,…
Pretérito imperfeito do subjuntivo: se eu avaliasse, se tu avaliasses, se ele avaliasse,…
Futuro do subjuntivo: quando eu avaliar, quando tu avaliares, quando ele avaliar,…
avalia tu, avalie você,…
não avalies tu, não avalie você,…

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167
CURSOS PREPARATÓRIOS
Irregularidade em verbos terminados em -iar

Alguns verbos terminados em -iar apresentam uma ligeira irregularidade nas suas formas
rizotônicas, ou seja, nas formas em que a sílaba tônica está no radical da palavra. São os verbos
mediar, ansiar, remediar, incendiar e odiar.
Para facilitar a sua memorização, esses verbos são conhecidos como os verbos que formam a

Mediar
Ansiar
Remediar (intermediar)
Incendiar
Odiar

PRESENTE DO INDICATIVO
Mediar Ansiar Remediar Incendiar Odiar

Eu medeio Eu anseio Eu remedeio Eu incendeio Eu odeio


Tu medeias Tu anseias Tu remedeias Tu incendeias Tu odeias
Ele medeia Ele anseia Ele remedeia Ele incendeia Ele odeia
Nós mediamos Nós ansiamos Nós remediamos Nós incendiamos Nós odiamos
Vós mediais Vós ansiais Vós remediais Vós incendiais Vós odiais
Eles medeiam Eles anseiam Eles remedeiam Eles incendeiam Eles odeiam

PRESENTE DO SUBJUNTIVO
Mediar Ansiar Remediar Incendiar Odiar

Eu medeie Eu anseie Eu remedeie Eu incendeie Eu odeie


Tu medeies Tu anseies Tu remedeies Tu incendeies Tu odeies
Ele medeie Ele anseie Ele remedeie Ele incendeie Ele odeie
Nós mediemos Nós ansiemos Nós remediemos Nós incendiemos Nós odiemos
Vós medieis Vós ansieis Vós remedieis Vós incendieis Vós odieis
Eles medeiem Eles anseiem Eles remedeiem Eles incendeiem Eles odeiem

MODO IMPERATIVO
Imperativo Imperativo
Afirmativo Negativo

Medeia tu Não medeies tu

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168
CURSOS PREPARATÓRIOS
Medeie você Não medeie você
Mediemos nós Não mediemos nós
Mediai vós Não medieis vós
Medeiem vocês Não medeiem vocês

Verbo haver

FUTURO DO PRESENTE DO
PRESENTE DO INDICATIVO
INDICATIVO
eu hei eu haverei
tu hás tu haverás
ele há ele haverá
nós havemos nós haveremos
vós haveis vós havereis
eles hão eles haverão

Verbo Reaver

Segue o paradigma de “haver” quando o verbo “haver” tiver ‘V’ na conjugação

PRETÉRITO PERFEITO PRETÉRITO PERFEITO


COMPOSTO SIMPLES
eu tenho reavido eu reouve
tu tens reavido tu reouveste
ele tem reavido ele reouve
nós temos reavido nós reouvemos
vós tendes reavido vós reouvestes
eles têm reavido eles reouveram

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169
CURSOS PREPARATÓRIOS
Verbo ter e derivados

verbo ter.

FUTUR DO PRESENTE DO
PRESENTE DO INDICATIVO
INDICATIVO
eu tenho eu terei
tu tens tu terás
ele tem ele terá
nós temos nós teremos
vós tendes vós tereis
eles têm eles terão

Verbo vir e derivados

PRETÉRITO PERFEITO FUTURO DO PRESENTE


(INDICATIVO) (SIMPLES) (INDICATIVO)
eu vim eu virei
tu vieste tu virás
ele/ela veio ele/ela virá
nós viemos nós viremos
vós viestes vós vireis
eles/elas vieram eles/elas virão

Verbo requerer
Considera-se, erradamente, que a conjugação do verbo requerer é feita como a do
verbo querer. Apesar da semelhança que apresentam, a conjugação desses dois verbos não é
igual em todos os tempos verbais.

PRESENTE PRETÉRITO IMPERFEITO


eu requeiro eu requeria
tu requeres tu requerias
ele requer ele requeria
nós requeremos nós requeríamos
vós requereis vós requeríeis
eles requerem eles requeriam

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170
CURSOS PREPARATÓRIOS
Verbo pôr e derivados
Compor, depor, repor, propor, etc.

PRESENTE PRETÉRITO IMPERFEITO


eu ponho eu punha
tu pões tu punhas
ele põe ele punha
nós pomos nós púnhamos
vós pondes vós púnheis
eles põem eles punham

Verbo ver e derivados


Antever, entrever, prever e rever. O verbo ver é frequentemente confundido com o verbo vir:
quando ele vir (verbo ver), quando ele vier (verbo vir), eles veem (verbo ver), eles vêm (verbo
vir).

PRESENTE PRETÉRITO IMPERFEITO


eu vejo eu via
tu vês tu vias
ele vê ele via
nós vemos nós víamos
vós vedes vós víeis
eles veem eles viam

Verbo prover
Verbo irregular da 2ª conjugação. Conjuga-se como o verbo ver no presente do indicativo, no
presente do subjuntivo e no imperativo. Nos demais tempos, é regular, conjugando-se como o
verbo escrever.

PRESENTE FUTURO DO PRESENTE


Eu provejo eu proverei
tu provês tu proverás
ele provê ele proverá
nós provemos nós proveremos
vós provedes vós provereis
eles proveem eles proverão

ATENÇÃO!
Para a conjugação completa dos verbos, sugerimos o site https://www.conjugacao.com.br/

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171
CURSOS PREPARATÓRIOS
ADVÉRBIO

O advérbio é, fundamentalmente, um modificador do verbo:


Logo depois, recomeçara a chover. Você compreendeu-me mal. O almoço decorria agora
lentamente.

A essa função básica, geral, certos advérbios acrescentam outras que lhe são privativas. Por
exemplo, os chamados advérbios de intensidade e formas semanticamente correlatas podem
reforçar o sentido:

a) de um adjetivo:
Antes de partir, teve uma derradeira conversa, muito edificante e vasta.
Ela sorria, sorria um longínquo tão feliz sorrir de olhos semicerrados...
Ficara completamente imóvel.

b) de um advérbio:
— Mas passei a noite mal! Bem mal! Já bem pertinho estavam João e Ângelo.
O homem caminhava muito devagar.

Saliente-se ainda que alguns advérbios aparecem, não raro, modificando toda a oração:
Infelizmente, nem o médico lhes podia valer. Possivelmente, não haverá ceia este ano.
— Eu me recuso, simplesmente.

Nesses casos, vêm geralmente destacados no início ou no fim da oração, de cujos termos se
separam por uma pausa nítida, marcada na escrita por vírgula.

OBSERVAÇÃO
Sob a denominação de advérbios reúnem-se, tradicionalmente, numa classe heterogênea,
palavras de natureza nominal e pronominal com distribuição e funções às vezes muito diversas.

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172 CURSOS PREPARATÓRIOS
CLASSIFICAÇÃO DOS ADVÉRBIOS
Os advérbios recebem a denominação da circunstância ou de outra ideia acessória que
expressam. A Nomenclatura Gramatical Brasileira distingue as seguintes espécies:

a) advérbios de afirmação: sim, certamente, efetivamente, realmente etc.;


b) advérbios de dúvida: acaso, porventura, possivelmente, provavelmente, quiçá, talvez etc.;
c) advérbios de intensidade: assaz, bastante, bem, demais, mais, menos, muito, pouco, quanto,
quão, quase, tanto, tão etc.;
d) advérbios de lugar: abaixo, acima, adiante, aí, além, ali, aquém, aqui, atrás, através, cá,
defronte, dentro, detrás, fora, junto, lá, longe, onde, perto etc.;
e) advérbios de modo: assim, bem, debalde, depressa, devagar, mal, melhor, pior e quase todos
os terminados em -mente: fielmente, levemente etc.;
f) advérbio de negação: não;
g) advérbios de tempo: agora, ainda, amanhã, anteontem, antes, breve, cedo, depois, então, hoje,
já, jamais, logo, nunca, ontem, outrora, sempre, tarde etc.

ADVÉRBIOS INTERROGATIVOS
Por se empregarem nas interrogações diretas e indiretas, os seguintes advérbios de causa, de
lugar, de modo e de tempo são chamados interrogativos:
a) de causa: por que?
Por que não vieste à festa? Não sei por que não vieste à festa.
b) de lugar: onde?
Onde está o livro? Ignoro onde está o livro.
c) de modo: como?
Como vais de saúde? Dize-me como vais de saúde.
d) de tempo: quando?
Quando voltas aqui? Quero saber quando voltas aqui.

ADVÉRBIO RELATIVO
O relativo onde, por desempenhar normalmente a função de adjunto adverbial (= o lugar em que,
no qual), é considerado por alguns gramáticos advérbio relativo.

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173 CURSOS PREPARATÓRIOS
LOCUÇÃO ADVERBIAL
Conjunto de duas ou mais palavras que funciona como advérbio. Forma-se da associação de uma
preposição com um substantivo, com um adjetivo ou com um advérbio. Assim:
Marina sorriu em silêncio. Sorrindo mais, obedeceu de novo. — Vou começar por aqui!...

Mas há formações mais complexas, como:


De onde em onde, sussurra frases incompletas. O cachimbo passou de mão em mão.
De vez em quando, ela tem uma ideia. Só de longe em longe se ouvia o grito dos soldados.

Como os advérbios, as locuções adverbiais podem ser:


a) de afirmação (ou dúvida): com certeza, por certo, sem dúvida.
Atente-se na distinção: Com certeza [= provavelmente] ele virá. Ele virá com certeza [= com
segurança].
b) de intensidade: de muito, de pouco, de todo etc.;
c) de lugar: à direita, à esquerda, à distância, ao lado, de dentro, de cima, de longe, de perto, em
cima, para dentro, para onde, por ali, por aqui, por dentro, por fora, por onde, por perto etc.;
d) de modo: à toa, à vontade, ao contrário, ao léu, às avessas, às claras, às direitas, às pressas,
com gosto, com amor, de bom grado, de cor, de má vontade, de regra, em geral, em silêncio, em
vão, gota a gota, passo a passo, por acaso etc.;
e) de negação: deforma alguma, de modo nenhum etc.;
f) de tempo: à noite, à tarde, à tardinha, de dia, de manhã, de noite, de quando em quando, de
vez em quando, de tempos em tempos, em breve, pela manhã etc.

OBSERVAÇÃO: quando uma preposição vem antes do advérbio, não muda a natureza deste;
forma com ele uma locução adverbial: de dentro, por detrás etc.
Se a preposição vem depois de um advérbio ou de uma locução adverbial, o grupo inteiro
transforma-se numa locução prepositiva: dentro de, por detrás de etc.

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174 CURSOS PREPARATÓRIOS
COLOCAÇÃO DOS ADVÉRBIOS
1. Os advérbios que modificam um adjetivo, um particípio isolado, ou um outro advérbio
colocam-se de regra antes destes:
— Por que me escondeu um segredo tão grande? Muito apressado, num visível nervosismo, veio
de casa até ali.
— O teu pai está muito mal.

2. Dos advérbios que modificam o verbo:


a) os de modo colocam-se normalmente depois dele:
A mãe e a irmã choravam tristemente... Ela ouvia-o atentamente. Quatro jovens entram
vagarosamente no local.
b) os de tempo e de lugar podem colocar-se antes ou depois do verbo:
De manhã, acordei cedo. Hei de atirar de cá para fora. Cá fora era noite. Aqui outrora
retumbaram hinos.
A minha sombra há de ficar aqui!
c) o de negação antecede sempre o verbo:
— Então não se cava a terra?... não se lavra?... não se aduba?... não se semeia?...

3. O realce do adjunto adverbial é expresso de regra por sua antecipação ao verbo:


No dia seguinte, pela manhã, a cozinheira foi ajeitar a lata de lixo.
De longe e reverenciosamente as cortejei.
Lá ao fundo, à cabeceira, uma cruz encerrava o círculo de assistentes.

REPETIÇÃO DE ADVÉRBIOS EM -MENTE


1. Quando numa frase dois ou mais advérbios em -mente modificam a mesma palavra, pode-se,
para tomar mais leve o enunciado, juntar o sufixo apenas ao último deles:
Tudo naquele paraíso se movimentava lúdica e religiosamente.
Os cavalos correm veloz, larga e fogosamente...

2. Se, no entanto, a intenção é realçar as circunstâncias expressas pelos advérbios, costuma-se


omitir a conjunção e e acrescentar o sufixo a cada um dos advérbios:
Augusto se confessou aos seus filhos, longamente, humanamente, e foi essa a primeira vez.

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175 CURSOS PREPARATÓRIOS
Cerrou os olhos profundamente, angustiadamente, sufocado de comoção.
De repente, pus-me em pé e aproximei-me lentamente, ritmadamente, voluptuosamente, da
janela.

GRADAÇÃO DOS ADVÉRBIOS


Certos advérbios, principalmente os de modo, são suscetíveis de gradação. Podem apresentar
um comparativo e um superlativo, formados por processos análogos aos que observamos na
flexão correspondente dos adjetivos.

Grau comparativo
Forma-se o comparativo:
a) de superioridade — antepondo mais e pospondo que ou do que ao advérbio:
O filho andava mais depressa que (ou do que) o pai.
b) de igualdade — antepondo tão e pospondo como ou quanto ao advérbio:
O filho andava tão depressa como (ou quanto) o pai.
c) de inferioridade — antepondo menos e pospondo que ou do que ao advérbio:
O pai andava menos depressa do que (ou que) o filho.

Grau superlativo
Forma-se o superlativo absoluto:
a) sintético — com o acréscimo de sufixo: muitíssimo, pouquíssimo
Nos advérbios em -mente, essa terminação se pospõe à forma superlativa feminina do adjetivo
de que se deriva o advérbio:

SUPERLATIVO
Adjetivo lento lentíssimo
Advérbio lentamente lentissimamente

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176 CURSOS PREPARATÓRIOS
b) analítico — com a ajuda de um advérbio indicador de excesso:
Machado muito mal se conhece.
Deu-me uma palmada de alegria, muito satisfeito, exclamando “vai belo, vai belo! Vai muitíssimo
bem”.
— Fizeste bem mal, muito mal mesmo — repreendeu Elmira.

Outras formas de comparativo e superlativo


1. Melhor e pior podem ser comparativos dos adjetivos bom e mau e, também, dos advérbios
bem e mal. Nesse caso são, naturalmente, invariáveis.
Quem escreveu melhor? Quem escreveu bem no Brasil?
— E o professor não estaria aqui pior?
— O velho está cada vez pior.

Não raro, tais formas comparativas são intensificadas com um dos advérbios muito, bem,
bastante etc.:
Tudo no mundo bem melhor se entenderia, se houvesse mais bem-querer.

2. A par dessas formas anômalas, existem os comparativos regulares mais bem e mais mal,
usados, de preferência, antes de adjetivos-particípios:
As paredes da sala estão mais bem pintadas que as dos quartos.
Não pode haver um projeto mais mal executado do que este.

Advirta-se, porém, que na posposição só se empregam as formas sintéticas:


As paredes das salas estão pintadas melhor que as dos quartos.
Não pode haver um projeto executado pior do que este.

3. No superlativo absoluto sintético, bem apresenta a forma otimamente; e mal, a forma


pessimamente:
Maria está passando otimamente.
O cavalo correu pessimamente.

4. Muito e pouco, quando advérbios, têm como comparativos mais e menos, e como superlativos

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177 CURSOS PREPARATÓRIOS
o mais ou muitíssimo e o menos ou pouquíssimo, respectivamente:
— Dom Juan, quando menos pensava, lá se foi para as profundas do Inferno.
Clara tem um namorado encantador, que a trata muitíssimo bem e que... que... a ajuda...
Tinha em mente gastar o menos possível com o enterro.
Esse tipo de publicação, pouquíssimo difundido entre nós e da maior importância e largamente
praticado em outros países.

5. O superlativo intensivo, denotador dos limites da possibilidade, forma-se antepondo o mais


ou o menos ao advérbio e pospondo-lhe a palavra possível ou uma expressão (ou oração) de
sentido equivalente:
O administrador ia o mais depressa possível.
Pediu que os tirasse daquele purgatório o mais cedo possível.
Desejo sair daqui o mais cedo que puder, ou já...

REPETIÇÃO DO ADVÉRBIO
Como a do adjetivo, a repetição do advérbio é uma forma de intensificá-lo:
Vê-se logo logo a intenção! Vão buscá-lo, já, já, não se demorem.
E estive quase quase a ir de rastos, beijar os degraus da escada...

DIMINUTIVO COM VALOR SUPERLATIVO


Na linguagem coloquial é comum o advérbio assumir uma forma diminutiva (com os sufixos -
inho e -zinho), que tem valor de superlativo:
Vem cedinho, vem logo que amanheça! Era mais de meia-noite quando ele entrou lento,
devagarinho.
— Só faltaram os mapas de Marte, diz baixinho.

ADVÉRBIOS QUE NÃO SE FLEXIONAM EM GRAU


Como sucede com alguns adjetivos, há advérbios que não se flexionam em grau porque o próprio
significado não admite variação de intensidade. Entre outros, apontem-se: aqui, aí, ali, lá, hoje,
amanhã, diariamente, anualmente e formações semelhantes.

PALAVRAS DENOTATIVAS
Certas palavras, por vezes enquadradas impropriamente entre os advérbios, passaram a ter

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178 CURSOS PREPARATÓRIOS
classificação à parte, mas sem nome especial.
São palavras que denotam, por exemplo:
a) inclusão: até, inclusive, mesmo, também etc.:
Tudo na Vida engana, até a Glória.
Os bichos sentem, o mato sente também, quando se fala sem modos, sem carinho e sem perdão.

b) exclusão: apenas, salvo, senão, só, somente etc.:


Da família só elas duas subsistiam.
Às vezes interrompia-o apenas com um olhar frio e elegante.

c) designação: eis:
Eis o dia, eis o sol, o esposo amado! Eis-nos na grande Praça de Vila-Rica.

d) realce: cá, lá, é que, só etc.:


Pior eu sei lá, Manuel, pior que uma desgraça! — Eu cá tenho mais medo do sol que dos leões.

e) retificação: aliás, ou antes, isto é, ou melhor etc.:


— Sinto que ele me escapa, ou melhor, que nunca me pertenceu.
De repente nasci, isto é, senti necessidade de escrever.

f) situação: afinal, agora, então, mas etc.:


— Então conheceu o meu irmão?
— Afinal, ela não tem culpa de ser filha de ministro.

Tais palavras não devem ser incluídas entre os advérbios. Não modificam o verbo, nem o
adjetivo, nem outro advérbio. São por vezes de classificação extremamente difícil. Por isso, na
análise, convém dizer apenas: “palavra ou locução denotadora de exclusão, de realce, de
retificação”, etc.

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179 CURSOS PREPARATÓRIOS
REGÊNCIA VERBAL
É a relação que se estabelece entre um verbo (termo regente) e seu complemento (termo regido).
Assim, quando um verbo é intransitivo (não precisa de complemento) ou transitivo direto
(precisa de complemento, mas sem preposição), diz-se que ele não é regido por preposição. Veja
nos enunciados a seguir:

Verbo + complemento:
Os alunos tinham boas notas.
Você terminou o projeto?

Nos dois exemplos, o verbo não precisou ser regido por nenhuma preposição para dar
sentido ao enunciado.

Quando o verbo é transitivo indireto, diz-se que uma preposição “rege” esse verbo, ou seja,
que a preposição é necessária para ligá-lo ao seu complemento e dar o significado adequado ao
enunciado. Veja as frases:

Verbo + preposição + complemento:


Ela opinou sobre o caso.
É verdade que você se divorciou do João?
Eu me esforcei para conseguir o emprego.

Nos três exemplos, o verbo é regido por uma preposição que o liga ao complemento para dar
sentido ao enunciado. O verbo depende da preposição, ou seja, está subordinado a ela.

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180 CURSOS PREPARATÓRIOS
DIVERSIDADE E IGUALDADE DE REGÊNCIA
Há verbos que admitem mais de uma regência. Em geral, a diversidade de regência corresponde
a uma variação significativa do verbo. Assim:
Aspirar [= sorver, respirar] o ar de montanha.
Aspirar [= desejar, pretender] a um alto cargo.
Alguns verbos, no entanto, usam-se na mesma acepção com mais de uma regência. Assim:
Meditar num assunto.
Meditar sobre um assunto.
Outros, finalmente, mudam de significação, sem variar de regência. Assim:
Carecer [= não ter] de dinheiro.
Carecer [= precisar] de dinheiro.

OBSERVAÇÃO
No estudo da regência verbal cumpre não esquecer os seguintes fatos:
1. o objeto indireto só não vem preposicionado quando é expresso pelos pronomes pessoais
oblíquos me, te, se, lhe, nos, vos e lhes;

2. somente as preposições que ligam complementos a um verbo (objeto indireto) ou a um nome


(complemento nominal) estabelecem relações de regência. Por isso, convém distingui-las, com
clareza, das que encabeçam adjuntos adverbiais ou adjuntos adnominais;

3. os verbos intransitivos podem, em certos casos, ser seguidos de objeto direto. De regra, isso
se dá quando o substantivo, núcleo do objeto, é formado da mesma raiz ou contém o sentido
fundamental do verbo;
Viver uma vida alegre.
Chorar lágrimas de amargura.

4. também verbos transitivos costumam ser usados intransitivamente:


O pior cego é o que não quer ver.
Ele é manhoso: não afirma nem nega.

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181 CURSOS PREPARATÓRIOS
5. muitas vezes, a regência de um verbo estende-se aos substantivos e aos adjetivos cognatos:
Obedecer ao chefe. Obediência ao chefe.
Contentar-se com a sorte. Contentamento com a sorte.

6. às vezes, um verbo transitivo direto pode ter um objeto direto preposicionado:


Bebi do vinho. Comi do bolo.

REGÊNCIA DE ALGUNS VERBOS


ASPIRAR
1. É transitivo direto quando significa “sorver”, “respirar”:
Aspirando o frescor do seu vestido... Aspirou o ar lentamente...

2. É transitivo indireto na acepção de “pretender”, “desejar”. Nesse caso, o OBJETO indireto vem
introduzido pela preposição a (ou por), não admitindo a substituição pela forma pronominal
lhe (ou lhes), mas somente por a ele(s) ou a ela(s):
Sua vigilância fazia-me aspirar à libertação. E a mim, que aspiro a ele, há de negar-me o termo
deste anseio?

ASSISTIR
1. É transitivo indireto no sentido de “estar presente”, “presenciar”, com o objeto indireto
encabeçado pela preposição a, e, se for expresso por pronome de 3ª.“pessoa, exigirá a forma
a ele(s) ou a ela(s), e não lhe(s). Assim:
Assisti a algumas touradas. Todos têm assistido a elas e conhecem o espetáculo.

2. É transitivo indireto na acepção de “favorecer”, “caber (direito ou razão, a alguém)”, mas,


nesse caso, pode construir-se com a forma pronominal lhe{s):
Assiste ao homem tal direito. Que direito lhe assistia de julgar Jacinto?

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182 CURSOS PREPARATÓRIOS
3. Como transitivo direto tem o sentido de “acompanhar” “ajudar” “prestar assistência”,
“socorrer”:
O médico assiste os coitados. O encarregado era assistido por dois homens de bordo.

4. No sentido de “morar”, “residir”, “habitar”, o locativo vem introduzido pela preposição em:
Assistiu em Maceió por muito tempo.

AGRADAR
1. No sentido de “ser agradável, ter agradado, deixar satisfeito...”, é transitivo indireto:
O espetáculo agradou ao público.
2. É transitivo direto (sem preposição) quando usado no sentido de “fazer agrado”, acariciar:
A moça agradou o gato.

CHAMAR
1. Com o significado de “fazer vir”, “convocar”, usa-se com objeto direto:
O presidente chamou-o para uma conversa. Chamei o sacristão e lhe pedi silêncio.

2. Na acepção de “invocar”, pede objeto indireto encabeçado pela preposição por.


As tias chamavam por Santa Bárbara e por São Jerônimo.

3. No sentido de “qualificar”, “apelidar”, “dar nome”, constrói-se:


a) com objeto direto + predicativo: O povo chamava-o maluco.
b) com objeto direto + predicativo, precedido da preposição de: O povo chamava-o de maluco.
c) com objeto indireto + predicativo: Chama-lhe amizade, se preferires.
d) com objeto indireto + predicativo (precedido da preposição de): Chamava-lhe sempre de
miúdo.

4. Pode ser intransitivo, quando equivale a “dar ou fazer sinal com a voz ou o gesto, para que
alguém venha”:
— Chamou? pergunta-me o guarda. — Não chamei.
Nesse sentido também se usa com objeto indireto precedido da preposição por {per):
— Ela chamou por mim, querida!

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183 CURSOS PREPARATÓRIOS
ENSINAR
1. Constrói-se preferentemente com objeto direto de “coisa” e indireto de “pessoa”:
E eu lhe ensinei a pura alegria.

2. Quando a “coisa” ensinada vem expressa por um infinitivo precedido da preposição a, a


língua atual oferece-nos dois tipos de construção:
a) ensinar-lhe a + infinitivo;
b) ensiná-lo a + infinitivo.

3. Quando se silencia a ‘coisa” ensinada, a denominação da “pessoa” costuma funcionar como


objeto direto:
Uma simples professora podia ensinar as meninas até o fim do curso.

4. Nos sentidos de “castigar”, “bater”, “adestrar”, “amestrar”, “educar”, usa-se normalmente


com objeto direto:
A tarimba é que viria ensiná-lo.

5. Como intransitivo:
Como mestra, a vida ensina mal.

ESQUECER/ LEMBRAR
São transitivos diretos, dispensando qualquer preposição.
Com a pressa de sair de casa, eu esqueci o fogão ligado.
Durante o passeio, ela lembrou as amizades de infância.

ESQUECER-SE/ LEMBRAR-SE
Quando se apresentam nas formas pronominais, são transitivos indiretos, pedindo a preposição
"de".
Com a pressa de sair de casa, eu me esqueci do fogão ligado.
Durante o passeio, ela se lembrou das amizades de infância.

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184 CURSOS PREPARATÓRIOS
Quando significam, respectivamente: "vir à memória" e "fugir da memória,” o complemento será
um objeto indireto. Assim:
Lembrou-me a data de seu aniversário, mas não consegui ir a sua festa.
Esqueceu-me a data do aniversário, mas não você.

OBEDECER / DESOBEDECER
1. Na língua culta moderna, fixou-se como transitivo indireto:
Alguns têm obedecido a esse preceito!
Mas todos obedeciam a ele.

2. Admite, no entanto, voz passiva:


Depois de muitas e reiteradas ordens foi enfim obedecida.

3. Não é raro o seu emprego como intransitivo:


Você é o único que não obedece!

PAGAR/PERDOAR
Quando o completo for uma pessoa, esses verbos são transitivos indiretos e exigem a preposição
a:
Ele pagou ao homem. = objeto indireto
Ele pagou à mulher. = objeto indireto
Perdoei ao meu pai. = objeto indireto
Perdoei à garota que me ofendeu. = objeto indireto

Se o complemento não se referir a uma pessoa, esses verbos serão transitivos diretos:
Ela pagou a conta. = objeto direto
Perdoei sua dívida. = objeto direto

Os verbos perdoar e pagar também podem apresentar dois complementos ao mesmo tempo:
objeto direto (sem preposição) e objeto indireto (com preposição).

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185 CURSOS PREPARATÓRIOS
Ele pagou o livro ao professor. = objeto direto e indireto
Ela pagou o livro à professora. = objeto direto e indireto
Perdoei ao homem a dívida. = objeto indireto e direto

RESPONDER
1. Na acepção de “dar resposta,” “dizer ou escrever em resposta”, emprega- se, geralmente:
a) com objeto indireto em relação à pergunta:
O homem teve de responder às próprias perguntas.
Respondendo à indagação de um curioso, admitiu seu principal defeito.
b) com OBJETO direto para exprimir a resposta:
Nenhum escritor comum responderia isso.
c) com objeto direto e indireto:
Respondi-lhe que já tinha lido a receita em qualquer parte.

2. Na acepção de “replicar”, “retorquir”, usa-se com objeto indireto:


Quase que lhe respondera com escárnio.
Não é raro, porém, o emprego intransitivo:
Jurandir não respondeu logo.

VISAR
1. É transitivo direto nas acepções de:
a) “mirar”, “apontar (arma de fogo)”:
João disparou um terceiro tiro, visando o alvo de baixo para cima.

b) “dar ou pôr o visto (em algum documento)”:


Visar um passaporte. Visar o diploma.

2. No sentido de “ter em vista”, “ter por objetivo”, “pretender”, constrói-se com objeto indireto
introduzido pela preposição a:
Não visava a lucros e, sim, ajudar o próximo.

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186 CURSOS PREPARATÓRIOS
CHEGAR/ IR
Deve ser introduzido pela preposição “a” e não pela preposição “em”.
Vou ao dentista.
Cheguei a Belo Horizonte.

NAMORAR
Não se usa com preposição.
Joana namora Antônio.

PREFERIR
Exige dois complementos, sendo que um é usado sem preposição e o outro com a preposição “a”.
Prefiro dançar a fazer ginástica.

ATENÇÃO: segundo a linguagem formal, é errado usar esse verbo reforçado pelas expressões ou
palavras: antes, mais, muito mais, mil vezes mais etc.
Prefiro mil vezes dançar a fazer ginástica.

QUERER
a) No sentido de desejar: usa-se sem preposição.
Quero viajar hoje.
b) No sentido de estimar, ter afeto: usa-se com a preposição “a”.
Quero muito aos meus amigos.

PROCEDER
a) No sentido de ter fundamento: usa-se sem preposição.
Suas queixas não procedem.
b) No sentido de originar-se, vir de algum lugar: exige a preposição “de”.
Muitos males da humanidade procedem da falta de respeito ao próximo.
c) No sentido de dar início, executar: usa-se a preposição “a”.
Os detetives procederam a uma investigação criteriosa.

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187 CURSOS PREPARATÓRIOS
INFORMAR
1. No sentido de comunicar, avisar, dar informação, admite duas construções:
a) objeto direto de pessoa e indireto de coisa (regido pelas preposições “de” ou “sobre”).
Informou todos do ocorrido.
b) objeto indireto de pessoa (regido pela preposição “a”) e direto de coisa.
Informou a todos o ocorrido.

IMPLICAR
No sentido de causar, acarretar: usa-se sem preposição.
Esta decisão implicará sérias consequências.
1. No sentido de envolver, comprometer: usa-se com dois complementos, um direto e um
indireto com a preposição “em”.
Implicou o negociante no crime.
2. No sentido de antipatizar: é regido pela preposição “com”.
Implica com ela todo o tempo.

CUSTAR
1. No sentido de ser custoso, ser difícil: é regido pela preposição “a”.
Custou ao aluno entender o problema.
2. No sentido de acarretar, exigir, obter por meio de: usa-se sem preposição.
O carro custou-me todas as economias.
3. No sentido de ter valor de, ter o preço: usa-se sem preposição.
Imóveis custam caro.

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188 CURSOS PREPARATÓRIOS
REGÊNCIA NOMINAL
Consiste na relação de dependência entre o substantivo, adjetivo e advérbio e o seu
complemento. Dessa forma, quando um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) pede um
complemento necessariamente preposicionado, ocorre uma relação de dependência entre o
termo regente (nome) e o termo regido (complemento nominal).

REGÊNCIA DE ALGUMAS CONSTRUÇÕES NOMINAIS


SUBSTANTIVOS
admiração (a, por) medo (de)
dificuldade (de, em) receio (de)
aversão (a, para, por) respeito (a, com, para com, por)
capacidade (de, para) obediência (a)
dúvida (acerca de, em, sobre)

ADJETIVOS
alheio (a, de) contrário (a)
apto (a, para) essencial (a, para)
acostumado (a, com) generoso (com)
ansioso (de, para, por) interessado (em, por).
benéfico (a) necessário (a, em, para)
capaz (de, para) relacionado (com)
comum (a) útil (a, para)
compatível (com)

ADVÉRBIOS
Os advérbios terminados em -mente seguem a mesma regência dos adjetivos de que são
originados.

análogo a - analogamente a
relativo a - relativamente a
semelhante a - semelhantemente a
favorável a - favoravelmente a

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189 CURSOS PREPARATÓRIOS
CRASE
É a fusão da preposição a com o artigo definido feminino a, ou com determinados pronomes
iniciados pela vogal a (aquele(s), aquela(s), aquilo e relativos (a qual e as quais). Essa fusão é
marcada pelo acento grave.

CRASE OBRIGATÓRIA

1. Antes de palavras femininas


Trata-se da situação em que o complemento de um nome, que exige o uso da preposição “a,” é
um substantivo feminino antecedido de artigo feminino “a”. Assim:
Eles são favoráveis à medida proposta pela empresa.
Os alunos estão atentos à aula.
Sua receita é idêntica à da sua mãe.

Uma boa técnica para usar esse sinal é substituir a palavra feminina por uma masculina: se o “a”
se tornar “ao,” esse caso recebe crase.
Nem todos foram à festa.
Nem todos foram ao baile.

2. antes dos pronomes demonstrativos e relativos


A crase será exigida quando os pronomes demonstrativos (aquele(s), aquela(s) e aquilo) e os
pronomes relativos (a qual e as quais) exercerem a função de complemento indireto. Nesse caso
haverá a fusão entre a preposição “a” e o “a” no início dos pronomes. Exemplos:
Somos contrários àqueles que defendem o radicalismo.
Vamos sempre àquela praia.
Refere-se àquilo que não lhe diz respeito.
A moça à qual pedimos ajuda não mora mais aqui.
Muitas das alunas às quais ele dedicou seus estudos vieram à festa.

ATENÇÃO! O pronome demonstrativo pode estar implícito.


Não me refiro a essa, mas à da esquerda.

3. Com palavras femininas que acompanham verbos que indicam destino como: voltar, ir,
vir, chegar, dirigir-se etc. Quase sempre eles são acompanhados por preposição “para, de
e a” ocasionando a crase. Exemplos:
Ela vai à escola.
Voltamos à estaca zero.
Dirijam-se às saídas de emergência.

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190 CURSOS PREPARATÓRIOS
4. Antes de locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas femininas que expressam ideia
de tempo, lugar e modo, como: à tarde (noite), à vontade, às vezes, às pressas, às quatro
horas, à medida que, à proporção que, à moda de. Exemplos:
Ele fez tudo às pressas, como era de seu costume.
Fiquem à vontade.
À medida que avançamos, ganhamos tempo.

OBSERVAÇÃO

Nas locuções adverbiais de instrumento com núcleo feminino, a crase é facultativa.

Exemplo:

Exemplo:
A crase, nesse caso, também tem um papel semântico: evitar potencial ambiguidade. Compare as
frases abaixo:

Risquei a caneta. (aqui o sentido é que eu fiz um risco na própria caneta)


Risquei à caneta. (aqui o significado é de que risquei algo usando uma caneta)

ATENÇÃO!
A locução “a distância” só recebe acento grave se estiver determinada.
Observávamos tudo a distância.
Observávamos tudo à distância de alguns metros.

5. Com expressões que indicam horas específicas:


Sairei às cinco horas da tarde.
A sessão termina às 12h30min.
O ônibus passou às sete em ponto.

ATENÇÃO!
Quando essas expressões forem acompanhadas de preposições (para, desde, após, perante,
com), não se utiliza acento indicador de crase. Assim:

Estamos prontos desde as 12h.


Marcaram o encontro para as 20h.
Estarei no trabalho até as ou às 9h.

6. Antes de palavras masculinas precedidas de palavra feminina IMPLÍCITA como as


locuções "à moda de", “à central de” e “à maneira de”. Observe os exemplos:
Ele comprou sapatos à (moda de) Luís XV.
Necessitamos ir à (central) abastecimentos com urgência.
Era uma pintura à (maneira de) Leonardo da Vinci.

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191 CURSOS PREPARATÓRIOS
7. Para evitar duplo sentido
Quando precisamos diferenciar o sentido e uma sentença, faz-se necessário o emprego do acento
indicador de crase. Como neste caso a seguir:
Ensino à distância.
Ensino a distância.

Na primeira sentença fazemos referência a forma como o ensino é feito, ou seja, ele não é
presencial. Na segunda frase podemos entender que a pessoa pode estar se referindo ao alguém
que demonstra ou ensina a distância física de algo, como entre uma cidade e outra.

NÃO SE USA CRASE

1. Antes de palavra masculina


O pagamento do carro foi feito a prazo.
Tempere com pimenta e sal a gosto.
Fomos ao baile de 1998.

2. Antes de verbos
Estava disposto a procurar uma nova oportunidade.
Creio que não cheguei a falar sobre esse assunto.

3. Antes da maior parte dos pronomes


Já pediu ajuda a alguém?
Dei todos as minhas miniaturas a ele.
Refiro-me a quem nunca pode participar dos eventos.

4. Em expressões com palavras repetidas


Gota a gota / face a face / Boca a boca.

5. Antes de palavras femininas no plural se o “a” estiver no singular


Não peço favor a pessoas de caráter duvidoso.
A reportagem refere-se a mulheres violentadas.

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192 CURSOS PREPARATÓRIOS
CASOS FACULTATIVOS NO USO DE CRASE

1. Antes de substantivos próprios femininos no singular


João fez um pedido à Marina. Carlos fez um pedido a Mariana.”
Fizeram uma referência à Maria. Fizeram uma referência a Maria.

2. Antes dos pronomes possessivos femininos (minha, tua, nossa):


Devemos satisfações à nossa mãe. Devemos satisfações a nossa mãe.
Entregue este bilhete à sua irmã. Entregue este bilhete a sua irmã.

3. Depois da locução prepositiva “até a”


Chegaram até à praia e acamparam. Chegaram até a praia e acamparam.
Caminhamos até à escola e voltamos. Caminhamos até a escola e voltamos.

CASOS ESPECÍFICOS PARA O USO DA CRASE

1. Antes de nomes de localidades


Vim da Bahia. Vou à Bahia.

ATENÇÃO! Quando houver um adjunto adnominal que determine a cidade que faça referência a
uma cidade com característica específica, a crase será usada. Veja:
Fui à Bahia de todos os Santos.
Cheguei à Brasília dos políticos.
Regressei à grande Curitiba.

2. Antes da palavra “terra”


Ocorrerá crase apenas quando a palavra designar o sentido de “Planeta Terra” e de “local
específico”. Quando o termo for usado no sentido de chão (em sentido oposto a “bordo”),
a crase não será empregada. Assim:
Os astronautas regressaram à Terra. (Planeta Terra)
Fui à terra onde nasci. (localidade identificada)
Ao chegar a terra, o marinheiro descansou. (chão indeterminado)

3. Antes da palavra “casa”


Ocorrerá crase somente quando o termo “casa” está determinado (especificado) com um
adjunto adnominal.
Vou à casa de meus pais quando posso. (Com adjunto adnominal)
Vou a casa sempre que posso. (Sem adjunto adnominal)

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193 CURSOS PREPARATÓRIOS
FRASE, ORAÇÃO, PERÍODO
Frase é um enunciado de sentido completo, a unidade mínima de comunicação.
A parte da gramática que descreve as regras segundo as quais as palavras se combinam para
formar frases denomina-se sintaxe.

A frase pode ser constituída:


1. de uma só palavra:
Fogo! Atenção! Silêncio!

2. de várias palavras, entre as quais se inclui ou não um verbo:


a) com verbo:
Alguns anos vivi em Itabira.
b) em verbo:
Que inocência! Que aurora! Que alegria!

Quando a frase contém verbo, ela passa a ser também uma oração.

Saiba que toda oração é frase, mas nem toda frase é oração!

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194
CURSOS PREPARATÓRIOS
FRASE E ORAÇÃO
A frase pode conter uma ou mais orações.
1. Contém apenas uma oração, quando apresenta:
a) uma só forma verbal, clara ou oculta:
O dia decorreu sem sobressalto.
Na cabeça, aquela bonita coroa.
b) duas ou mais formas verbais, integrantes de uma locução verbal:
— Podem vir os dois...
Tudo de repente entrou a viver uma vida secreta de luz.

2. Contém mais de uma oração, quando há nela mais de um verbo (seja na forma simples, seja
na locução verbal), claro ou oculto:

Fechei os olhos, / meu coração doía.


Busco, / volto, / abandono / e chamo de novo.
O menino começou a chorar, / enquanto os cavalos iam pastando.

OBSERVAÇÃO
A locução verbal é o conjunto formado de um verbo auxiliar + um verbo principal. Enquanto o
último vem sempre numa forma nominal (infinitivo, gerúndio, particípio), o primeiro pode vir:
a) numa forma finita (indicativo, imperativo, subjuntivo):
A viticultura foi-se alargando talvez a partir do terceiro século.
Você crê que / venhamos a ser grandes homens?
b) numa forma nominal (infinitivo ou gerúndio):
Ah, não poder subir na sombra como um ladrão que escala um muro!
Doente, quase não podendo andar, fui conversar com ela.

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195
CURSOS PREPARATÓRIOS
ORAÇÃO E PERÍODO
1. Período é a frase organizada em oração ou orações. Pode ser:
a) simples, quando constituído de uma só oração:
Cai o crepúsculo. Nunca mais recobrou a saúde.
b) composto, quando formado de duas ou mais orações:
O senhor tirou o cigarro, / bateu-o na tampa da cigarreira, / levou-o ao canto dos lábios...

2. O período se inicia com letra maiúscula e termina sempre por uma pausa bem definida, que
se marca, na escrita, com ponto final, ponto de exclamação, ponto de interrogação, reticências
e, algumas vezes, com dois pontos. Assim:
Ele chegou.
Quanta emoção sinto agora!
Tudo era tão vago...
O delegado perguntou:
- Qual a verdadeira causa do motim?

A ORAÇÃO E OS SEUS TERMOS ESSENCIAIS


Sujeito e predicado
São termos essenciais da oração o sujeito e o predicado. O sujeito é o ser sobre o qual se faz uma
declaração e é o elemento que estabelece a concordância com o verbo; o predicado é tudo aquilo
que se diz do sujeito. É em torno desses dois elementos que as orações são estruturadas.
Exemplo:
Os alunos chegaram atrasados novamente.

Sujeito: os alunos
Verbo: chegaram
Predicado: chegaram atrasados novamente

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196
CURSOS PREPARATÓRIOS
Núcleo do sujeito
Núcleo do sujeito é a palavra com carga mais significativa em torno do sujeito. Quando o sujeito
é formado por mais de uma palavra, há sempre uma com maior importância semântica.

Exemplo:
O garoto inteligente logo percebeu a festa que o esperava.

Sujeito: O garoto inteligente


Núcleo do sujeito: garoto
Predicado: logo percebeu a festa que o esperava

O núcleo do sujeito pode ser expresso por substantivo, pronome substantivo, numeral
substantivo, qualquer palavra substantivada ou uma oração (substantiva).

Exemplos:
A casa foi fechada para reforma.
Eles não gostam de carne vermelha.
Três excede o limite. Um oi foi expresso rapidamente.
Alguém chegou.
É necessário que você volte.

TIPOS DE SUJEITO
O sujeito pode ser determinado (simples, composto, oculto), indeterminado ou inexistente.

SUJEITO SIMPLES
Quando possui um só núcleo. Ocorre quando o verbo se refere a um só substantivo ou um só
pronome, ou um só numeral, ou a uma só palavra substantivada, ou uma oração (substantiva).
Exemplo:
O desenho em nanquim será sempre uma expressão admirada.

Sujeito: O desenho em nanquim


Núcleo: desenho
Predicado: será sempre uma expressão admirada.

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197
CURSOS PREPARATÓRIOS
SUJEITO COMPOSTO
Com mais de um núcleo. As orações com sujeito composto são compostas por mais de um
pronome, mais de um numeral, mais de uma palavra ou expressão substantivada ou mais de uma
oração substantivada. Assim:
a) mais de um substantivo:
As vozes e os passos aproximam-se.

b) mais de um pronome:
Ele e eu somos da mesma raça.

b) mais de uma palavra ou expressão substantivada:


Falam por mim os abandonados de justiça, os simples de coração.

c) mais de uma oração substantiva:


Era melhor esquecer o nó e pensar numa boa cama.

SUJEITO OCULTO
É aquele que não está materialmente expresso na oração, mas pode ser identificado. A
identificação faz-se:
a) pela desinência verbal:
Ficamos um bocado sem falar.

b) pela presença do sujeito em outra oração do mesmo período ou de período contíguo:


Margarida ali viera, na véspera, lá dormira; e agora retornava a casa.

SUJEITO INDETERMINADO
Algumas vezes, o verbo não se refere a uma pessoa determinada, ou por se desconhecer quem
executa a ação, ou por não haver interesse no seu conhecimento. Dizemos então, que o sujeito é
indeterminado. Nos casos em que o sujeito não vem expresso na oração nem pode ser
identificado, põe-se o verbo:
a) na 3ª pessoa do plural:
Contaram-me a história completa.

CONHEÇA NOSSOS
198
CURSOS PREPARATÓRIOS
b) na 3ª pessoa do singular, com o pronome se:
Ainda se vivia num mundo de certezas.
Precisa-se do carvalho; não se precisa do caniço.
Comia-se com a boca, com os olhos, com o nariz.

ATENÇÃO!
Esses dois processos de indeterminação podem concorrer num mesmo período:
Na Casa pisavam sem sapatos, e falava-se baixo.

c) Com o verbo no infinitivo impessoal:


Era penoso estudar todo aquele conteúdo.
É triste assistir a estas cenas tão trágicas.

A PARTÍCULA SE

As construções em que ocorre a partícula se podem apresentar algumas dificuldades quanto à


classificação do sujeito. Assim:

a) Aprovou-se o novo candidato. (Sujeito simples)


Aprovaram-se os novos candidatos. (Sujeito simples)
b) Precisa-se de professor. (Sujeito Indeterminado)
Precisa-se de professores. (Sujeito Indeterminado)

No caso a, o se é uma partícula apassivadora e o verbo está na voz passiva sintética,


concordando com o sujeito. Observe a transformação das frases para a voz passiva analítica:
O novo candidato foi aprovado.
Os novos candidatos foram aprovados.

No caso b, o se é índice de indeterminação do sujeito e o verbo está na voz ativa. Nessas


construções, o sujeito é indeterminado e o verbo fica sempre na 3ª pessoa do singular.

CONHEÇA NOSSOS
199
CURSOS PREPARATÓRIOS
SUJEITO INEXISTENTE
A oração sem sujeito ocorre quando a informação veiculada pelo predicado está centrada em um
verbo impessoal. Por isso, não há relação entre sujeito e verbo. Eis os principais casos de
inexistência do sujeito:

a) com verbos ou expressões que denotam fenômenos da natureza:


Anoitecia e tinham acabado de jantar.
Era março e ainda fazia frio.

b) com o verbo haver na acepção de “existir”:


Ainda há jasmins e ainda há rosas...
Na sala havia ainda três quadros do pintor.

c) com os verbos haver, fazer e ir, quando indicam tempo decorrido:


Morava no Rio havia muitos anos.
Faz hoje oito dias que comecei.
Vai para uns quinze anos escrevi uma crônica do Curvelo.

d) com o verbo ser, na indicação do tempo em geral:


Era inverno na certa no alto sertão.
São duas horas.

CONHEÇA NOSSOS
200
CURSOS PREPARATÓRIOS
OBSERVAÇÕES
1. Nas orações impessoais, o verbo ser concorda em número e pessoa com o predicativo.
São duas horas.

2. Também ocorre a impessoalidade nas locuções verbais:


Como podia haver tantas casas e tanta gente?
Deve haver pedaços de mim por todos os cantos.

3. Na linguagem coloquial do Brasil é corrente o emprego do verbo ter como impessoal, à


semelhança de haver. Escritores modernos — e alguns dos maiores — não têm duvidado em
alçar a construção à língua literária.
Comparem-se estes passos:
Em Pasárgada tem tudo,
É outra civilização...
(M. Bandeira, PP, 222.)

No meio do caminho tinha uma pedra...


(Carlos Drummond de Andrade)

4. Em sentido figurado, os verbos que exprimem fenômenos da natureza podem ser


empregados com sujeito:
Dormiu mal, mas amanheceu alegre.
Choviam os ditos ao passo que ela seguia pelas mesas.

CONHEÇA NOSSOS
201
CURSOS PREPARATÓRIOS
TIPOSDE PREDICADO
PREDICADO
O predicado é a parte da oração que contém o verbo e que traz informações sobre o sujeito,
podendo ser classificado como verbal, nominal ou verbo-nominal.

Predicado verbal
O predicado verbal tem como núcleo, isto é, como elemento principal da declaração que se faz
do sujeito, um verbo significativo (verbo que expressa ação).

Verbos significativos são aqueles que trazem uma ideia nova ao sujeito. Podem ser intransitivos
ou transitivos.

Verbos intransitivos
Nestas orações

Sobe a névoa... A sombra desce...

verificamos que a ação está integralmente contida nas formas verbais sobe e desce. Tais verbos
são, pois, intransitivos, ou seja, não transitivos: a ação não vai além do verbo.

Verbos transitivos
Nestas orações

Ele não me agradece, / nem eu lhe dou tempo.

vemos que as formas verbais agradece e dou exigem certos termos para completar-lhes o
significado. Como o processo verbal não está integralmente contido nelas, mas se transmite a
outros elementos (o pronome me na primeira oração, o pronome lhe e o substantivo tempo na
segunda), esses verbos chamam-se transitivos.

Os verbos transitivos podem ser diretos, indiretos, ou diretos e indiretos ao mesmo tempo.
1. Verbos transitivos diretos

CONHEÇA NOSSOS
202
CURSOS PREPARATÓRIOS
Nestas orações
Vou ver o doente.
Ela invejava os homens.

a ação expressa por vou ver e invejava transmite-se a outros elementos (o doente e os homens)
diretamente, ou seja, sem o auxílio de preposição. São, por isso, chamados verbos transitivos
diretos, e o termo da oração que lhes integra o sentido recebe o nome de objeto direto.

2. Verbos transitivos indiretos


Nestes exemplos,

Da janela da cozinha, as mulheres assistiam à cena.


Perdoem ao pobre tolo.

a ação expressa por assistiam e perdoem transita para outros elementos da oração (a cena e o
pobre tolo) indiretamente, isto é, por meio da preposição a. Tais verbos são, por conseguinte,
transitivos indiretos. O termo da oração que completa o sentido de um verbo transitivo indireto
denomina-se objeto indireto.

3. Verbos simultaneamente transitivos diretos e indiretos


Nestes exemplos,

O sucesso do seu gesto não deu paz ao homem.


Apenas lhe aconselho prudência.

a ação expressa por deu e aconselho transita para outros elementos da oração, a um tempo, direta
e indiretamente. Esses verbos requerem simultaneamente objeto direto e indireto para
completar-lhes o sentido. Na primeira frase, “paz” é objeto direto e “ao homem”, objeto indireto.
Na segunda frase, “prudência” é objeto direto e “lhe” é objeto indireto.

Predicado Nominal
O predicado nominal é formado por um verbo de ligação + predicativo do sujeito.

1. O verbo de ligação pode expressar:


a) estado permanente:

CONHEÇA NOSSOS
203
CURSOS PREPARATÓRIOS
Hilário era o herdeiro da quinta.
Eu sou a tua sombra.

b) estado transitório:
O velho esteve entre a vida e a morte durante uma semana.
— Você não anda um pouco fatigado pelo excesso de trabalho?

c) mudança de estado:
Receava que eu me tornasse ingrato.
Amaro ficou muito perturbado.

d) continuidade de estado:
Calada estava, calada permaneceu.
O homem continuava alheado e sorridente.

e) aparência de estado:
Os ventos pareciam quietos naquela noite.

OBSERVAÇÃO
Os verbos de ligação servem para estabelecer a união entre duas palavras ou expressões de
caráter nominal. Não trazem propriamente ideia nova ao sujeito; funcionam apenas como elo
entre este e o seu predicativo.
Como há verbos que se empregam ora como copulativos (de ligação), ora como significativos,
convém atentar sempre no valor que apresentam em determinado texto a fim de classificá-los
com acerto.
Comparem-se, por exemplo, estas frases:

a) Estavas triste. Andei muito preocupado. Fiquei pesaroso. Continuamos silenciosos.


b) Estavas em casa. Andei muito hoje. Fiquei no meu posto. Continuamos a marcha.

Em a, os verbos estar, andar, ficar e continuar são verbos de ligação; em b, verbos significativos.

2. O predicativo pode ser representado:


a) por substantivo ou expressão substantivada:

CONHEÇA NOSSOS
204
CURSOS PREPARATÓRIOS
O boato é um vício detestável.
Todo momento de achar é um perder-se a si próprio.

b) por adjetivo ou locução adjetiva:


A praia estava deserta.
Esta linha é de morte.

c) por pronome:
Vou calar-me e fingir que eu sou eu...
O mito é o nada que é tudo.

d) por numeral:
Nós éramos cinco e brigávamos muito...

e) por oração substantiva predicativa:


A verdade é / que eu nunca me ralara muito com isso.
Uma tarefa fundamental é / preservar a história humana.

OBSERVAÇÕES
1. O pronome o, quando funciona como predicativo, é demonstrativo:

Cada coisa é o que é. Eu era o que eles me designassem.

2. O predicativo pode referir-se ao objeto, aplicação esta que estudaremos adiante.


3. Quando se deseja dar ênfase ao predicativo, costuma-se repeti-lo:

— Arquiteto do Mosteiro de Santa Maria, já o não sou.


Tive motivo para crer que o perverso e a peste fora-o ele próprio.

É o que se chama predicativo pleonástico

CONHEÇA NOSSOS
205
CURSOS PREPARATÓRIOS
Predicado verbo-nominal

Apresenta dois núcleos: o verbo transitivo ou intransitivo + o predicativo do sujeito ou


predicativo do objeto.

Não são apenas os verbos de ligação que se constroem com predicativo do sujeito. Também
verbos significativos podem ser empregados com ele.
Nestes exemplos,

Paulo riu despreocupado.


Amélia saiu da igreja, muito fatigada, muito pálida.

os verbos rir e sair são significativos. Na primeira oração, despreocupado refere- se ao sujeito
Paulo, qualificando-o. Também muito fatigada e muito pálida são qualificações de Amélia, o
sujeito da segunda oração.
A esse predicado misto, que possui dois núcleos significativos (um verbo e um predicado), dá-se
o nome de verbo-nominal.

CONHEÇA NOSSOS
206
CURSOS PREPARATÓRIOS
OBSERVAÇÃO
No predicado verbo-nominal, o predicativo anexo ao sujeito pode vir antecedido de preposição,
ou do conectivo como:

O ato foi acusado de ilegal.


Carlos saiu estudante e voltou como doutor.

Além disso, deve-se considerar que o predicativo pode ser também do objeto. Assim:

João encontrou Maria cansada. (João encontrou Maria e ela (Maria) estava cansada).
Eu o vi triste. (ambiguidade)

A ORAÇÃO E OS SEUS TERMOS


INTEGRANTES

COMPLEMENTO NOMINAL
O complemento nominal vem ligado por preposição ao substantivo abstrato, ao adjetivo ou ao
advérbio cujo sentido integra ou limita. Caracteriza como aquele termo que completa o sentido
dos nomes, por isso mesmo não pode ser confundido com objeto indireto. Assim:

A insegurança do sentimento era maior que tudo. (substantivo abstrato)


Ela chegou repleta de saudades de rever os amigos. (adjetivo)
O juiz agiu favoravelmente ao réu. (advérbio)

O complemento nominal pode ser representado por:


a) substantivo abstrato (acompanhado ou não dos seus modificadores):
O pior é a demora do vapor.
Só Joana parecia alheia a toda essa atividade.
b) pronome:

CONHEÇA NOSSOS
207
CURSOS PREPARATÓRIOS
Tinha nojo de si mesma.
Ninguém teve notícia dele.

c) numeral:
A vida dele era necessária a ambas.
Era um repasto de lágrimas de ambos.

d) palavra ou expressão substantivada:


Os dois adversários na luta do sim e do não trataram do que lhes interessava.

e) oração completiva nominal:


Comprei a consciência de que sou Homem de trocas com a natureza.
Estou com vontade de suprimir este capítulo.

OBSERVAÇÃO
Convém ter presente que o nome cujo sentido o complemento nominal integra corresponde,
geralmente, a um verbo transitivo de radical semelhante:
amor da pátria - amar a pátria
ódio aos injustos - odiar os injustos
cheiro do couro - cheirar o couro

COMPLEMENTOS VERBAIS

Objeto direto
Objeto direto é o complemento de um verbo transitivo direto, ou seja, o complemento que
normalmente vem ligado ao verbo sem preposição e indica o ser para o qual se dirige a ação
verbal. Pode ser representado por:
a) substantivo:
Vou descobrir mundos, quero glória e fama!

CONHEÇA NOSSOS
208
CURSOS PREPARATÓRIOS
b) pronome (substantivo):
Os jornais nada publicaram. Nunca o interrompi.

c) numeral:
Nunca achou dois ou três?

d) palavra ou expressão substantivada:


Tem um quê de inexplicável.
Perscrutava na quietude o inútil de sua vida.

e) oração substantiva (objetiva direta):


Não quero que fiques triste.
Veja se consegue o mapa dos caminhos.

Saliente-se, ainda, que na constituição do objeto direto podem entrar mais de um substantivo ou
mais de um dos seus equivalentes:

Tomara-lhe a mulher e a terra, mas mandara-lhe entregar o milho e as abóboras que nela
encontrara.

Objeto direto preposicionado


O objeto direto costuma vir regido da preposição a:
a) com os verbos que exprimem sentimentos:
Só não amava a Jorge como amava ao filho.

b) para evitar ambiguidade:


Sabeis, que ao Mestre vai matá-lo.
c) quando vem antecipado, como nos provérbios seguintes:
A médico, confessor e letrado nunca enganes.

O objeto direto é obrigatoriamente preposicionado quando expresso por pronome pessoal


oblíquo tônico:

CONHEÇA NOSSOS
209
CURSOS PREPARATÓRIOS
Não a ti, Cristo, odeio ou te não quero.

Objeto direto pleonástico


1. Quando se quer chamar atenção para o objeto direto que precede o verbo, costuma-se repeti-
lo. É o que se chama objeto direto pleonástico, em cuja constituição entra sempre um
pronome pessoal átono:
Palavras cria-as o tempo e o tempo as mata.

2. O objeto direto PLEONÁSTICO pode também ser constituído de um pronome átono e de uma
forma pronominal tônica preposicionada:
A mim, ninguém me espera em casa.

Objeto indireto
Objeto indireto é o complemento de um verbo transitivo indireto, isto é, o complemento que se
liga ao verbo por meio de preposição.
Pode ser representado por:
a) substantivo:
Duvidava da riqueza da terra.

b) pronome (substantivo):
Inserir-se em Roma é mais difícil do que incorporar a si o sentimento de Roma.

c) numeral:
Os domingos, porém, pertenciam aos dois.
A viúva do defunto compôs-se com o matador, e o ministério público com ambos, de modo que o
homicida granjeou pacificamente suas terras.

d) palavra ou expressão substantivada:


Quem daria dinheiro aos pobres?

CONHEÇA NOSSOS
210
CURSOS PREPARATÓRIOS
e) oração substantiva (objetiva indireta):
— Não te esqueças de que a obediência é o primeiro voto das noviças.

Como o objeto direto, o objeto indireto pode ser constituído de mais de um substantivo ou mais
de um dos seus equivalentes:
Entregou-se ao estudo e à cura de si mesmo.

OBSERVAÇÃO
Não vem precedido de preposição o objeto indireto representado pelos pronomes pessoais
oblíquos me, te, lhe, nos, vos, lhes, e pelo reflexivo se. Note-se que o pronome oblíquo lhe (lhes) é
essencialmente objeto indireto:
Você não me está insinuando que não vai aceitar?
Deram-lhe tempo para a meditação.
Luís dera-se pressa em visitar o filho.

Objeto indireto pleonástico


Com a finalidade de realçá-lo, costuma-se repetir o objeto indireto. Neste caso, uma das formas
é obrigatoriamente um pronome pessoal átono. A outra pode ser um substantivo ou um pronome
oblíquo tônico antecedido de preposição:

A mim ensinou-me tudo.


Aos meus escritos, não lhes dava importância nenhuma.

PREDICATIVO DO SUJEITO

O predicativo do sujeito é o termo da oração que atribui uma característica ao sujeito. Aparece
maioritariamente no predicado nominal, juntamente com um verbo de ligação. Assim:

Eu estou feliz. Minha avó anda cansada. Nós somos só duas. Meu caderno é este.

A função de predicativo do sujeito pode ser desempenhada por:

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211
CURSOS PREPARATÓRIOS
a) um adjetivo ou uma locução adjetiva:
Mariana parece ansiosa. O pesadelo foi de assustar.

b) um substantivo:
Roer as unhas é uma mania.
Milena foi o motivo da briga.

c) -um pronome:
A responsável é ela.
Meu carro é aquele.

d) -um numeral:
Somos vinte e quatro para almoçar.
Eles eram só três.

e) -uma oração substantiva predicativa:


O bom é que ela sempre foi bem comportada.
A dúvida era se seriam necessários mais ajudantes.

Predicativo do sujeito e verbos de ligação


O predicativo do sujeito aparece maioritariamente no predicado nominal, juntamente com um
verbo de ligação, também chamado de verbo não nocional ou copulativo, os quais ligam uma
característica ao sujeito, indicando um estado. Não indicam uma ação realizada. São eles: ser,
estar, parecer, ficar, tornar-se, continuar, andar, permanecer...

Predicativo do sujeito com verbos de ligação implícitos


Ele falou emocionado. As crianças corriam alegres. O menino dorme sossegado.

PREDICATIVO DO OBJETO

Tanto o objeto direto como o indireto podem ser modificados por predicativo. O predicativo do
objeto só aparece no predicado verbo-nominal e é expresso:

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212
CURSOS PREPARATÓRIOS
a) por substantivo:
Uns a nomeiam primavera. Eu lhe chamo estado de espírito.
Chamo-me Aldemiro.

b) por adjetivo:
Os trabalhadores da Gamboa julgam-no assombrado.

Como o predicativo do SUJEITO, o do objeto pode vir antecedido de preposição, ou do conectivo


como:
Quaresma então explicou porque o tratavam por major.
Considero-o como o primeiro dos precursores do espírito moderno.

AGENTE DA PASSIVA

1. Agente da passiva é o complemento que, na voz passiva com auxiliar, designa o ser que pratica
a ação sofrida ou recebida pelo sujeito. Esse complemento verbal — normalmente introduzido
pela preposição por (ou per) e, algumas vezes, por de — pode ser representado:

a) por substantivo ou palavra substantivada:


— Esta carta foi escrita por um marinheiro americano.

b) por pronome:
Ele dela é ignorado. Ela para ele é ninguém. A mesma oração foi por mim proferida.

c) por numeral:
Não devem ser escutadas por todos; têm de ser ouvidas por um.

d) por oração substantiva:


Mariana era apreciada por todos quantos iam a nossa casa, homens e senhoras.

CONHEÇA NOSSOS
213
CURSOS PREPARATÓRIOS
A ORAÇÃO E OS SEUS TERMOS
ACESSÓRIOS
Chamam-se acessórios os termos que se juntam a um nome ou a um verbo para precisar-lhes o
significado. Embora tragam um dado novo à oração, não são eles indispensáveis ao
entendimento do enunciado. Daí a sua denominação. São termos acessórios:

a) o adjunto adnominal;
b) o adjunto adverbial;
c) o aposto.
Atenção: o vocativo é termo isolado.

ADJUNTO ADNOMINAL

Adjunto adnominal é o termo de valor adjetivo que serve para especificar ou delimitar o
significado de um substantivo concreto ou abstrato, qualquer que seja a função deste.
O adjunto adnominal pode vir expresso por:
a) adjetivo:
Na areia podemos fazer até castelos soberbos.

b) locução adjetiva:
Tinha uma memória de prodígio.

c) artigo (definido ou indefinido):


As ondas formavam uma muralha de espuma.

d) pronome adjetivo:
Deposito a minha dona no limiar da sua moradia.
Vários vendedores de artesanato expunham suas mercadorias.

e) pronome oblíquo em lugar do possessivo:


Beijo-lhe as mãos. Beijo-te as mãos.

CONHEÇA NOSSOS
214
CURSOS PREPARATÓRIOS
f) numeral:
Casara-se havia duas semanas.

g) oração adjetiva:
Os cabelos, que tinha fartos e lisos, caíram-lhe todos.
Venho cumprir uma missão do sacerdócio que abracei.

OBSERVAÇÃO
O mesmo substantivo pode estar acompanhado por mais de um adjunto adnominal:
Um Cristo barroco pendia da cruz, num altar lateral.

ADJUNTO ADVERBIAL

Adjunto adverbial é, como o nome indica, o termo de valor adverbial que denota alguma
circunstância do fato expresso pelo verbo, ou intensifica o sentido deste, de um adjetivo, ou de
um advérbio. Pode vir representado por:
a) advérbio:
Aqui não passa ninguém.
Amou-a perdidamente.

b) por locução ou expressão adverbial:


De súbito, eu, o Barão e a criada começamos a dançar no meio da sala.
Lá embaixo aparece Margarida sob o sol do meio-dia.

c) por oração adverbial:


Fechemos os olhos até que o sol comece a declinar.
Quando acordou, já Lisa ali estava.

Classificação dos adjuntos adverbiais


É difícil enumerar todos os tipos de adjuntos adverbiais. Não obstante, convém conhecer os
seguintes:
a) de causa:

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215
CURSOS PREPARATÓRIOS
Por que lhes dais tanta dor?!

b) de companhia:
Vivi com Daniel perto de dois anos.

c) de dúvida:
Talvez Nina tivesse razão...

d) de fim:
Há homens para nada, muitos para pouco, alguns para muito, nenhum para tudo.
e) de instrumento:
Dou-te com o chicote, ouviste!

f) de intensidade:
Ou ele estuda demais, ou não come bastante de manhã, disse a mãe.

g) de lugar:
Cheguei à taberna do velho ao fim da tarde.

h) de matéria:
Obra de finado. Escrevi-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia.
Era um adeus com raiva e lágrimas.

i) de meio:
Ele ainda viajava de bicicleta.

j) de modo:
Vagarosamente ela foi recolhendo o fio.
Henriqueta subiu a escada, pé ante pé, como um ladrão.

k) de negação:
— Não, senhor Cônego, vejo. Mas não concordo, não aceito.

CONHEÇA NOSSOS
216
CURSOS PREPARATÓRIOS
l) de tempo:
Todas as manhãs ele sentava-se cedo a essa mesa e escrevia até as dez, onze horas.

OBSERVAÇÃO: a classificação dos adjuntos adverbiais não se esgota nessa lista.

APOSTO

1. Aposto é o termo de caráter nominal que se junta a um substantivo, a um pronome, ou a um


equivalente destes, com a finalidade de explicação ou de apreciação:

Eles, os pobres desesperados, tinham uma euforia de fantoches.

2. Entre o aposto e o termo a que ele se refere há em geral pausa, marcada na escrita por uma
vírgula, como nos exemplos acima. Mas pode também não haver pausa entre o aposto e a
palavra principal, quando esta é um termo genérico, especificado ou individualizado pelo
aposto. Por exemplo:

A cidade de Lisboa, O poeta Bilac, O rei D. Manuel, O mês de junho

Este aposto, chamado de especificação, não deve ser confundido com certas construções
formalmente semelhantes, como:

O clima de Lisboa; O soneto de Bilac, A época de D. Manuel, As festas de junho

em que de Lisboa, de Bilac, de D. Manuel e de junho equivalem a adjetivos (= lisboeta, bilaquiano,


manuelina e juninas) e funcionam, portanto, como atributos ou adjuntos adnominais.

3. O aposto pode também:


a) ser representado por uma oração:
A verdade é esta: não fala a bem dizer com acento algum.

b) referir-se a uma oração inteira:


Pediu que lhe fornecessem papel de carta e que lhe restituíssem a sua caneta, o que lhe foi
concedido.
O importante é saber para onde puxa mais a corredeira—coisa, aliás, sem grandes mistérios.

CONHEÇA NOSSOS
217
CURSOS PREPARATÓRIOS
c) ser enumerativo, ou recapitulativo:
Tudo o fazia lembrar-se dela: a manhã, os pássaros, o mar, o azul do céu, as flores, os campos,
os jardins, a relva, as casas, as fontes, sobretudo as fontes, principalmente as fontes!
Os porcos do chiqueiro, as galinhas, as cajazeiras, o bode manso, tudo na casa de seu compadre
parecia mais seguro do que dantes.

4. Valor sintático do aposto: o aposto tem o mesmo valor sintático do termo a que se refere.
Pode, assim, haver:
a) aposto no sujeito:
Ela, Dora, foi, de resto, muitíssimo discreta.
A espingarda lazarina, a melhor espingarda do mundo, não mentia fogo e alcançava longe,
alcançava tanto quanto a vista do dono; a mulher, Cesária, fazia renda e adivinhava os
pensamentos do marido.

b) aposto no predicativo:
As escrituras eram duas: a do distrate da hipoteca e a da venda das propriedades.

c) aposto no complemento nominal:


João Viegas está ansioso por um amigo que se demora, o Calisto.
A vida é um contínuo naufrágio de tudo: de seres e de coisas, de paixões e de indiferenças, de
ambições e temores.

d) aposto no objeto direto:


Jogamos uma partida de xadrez, uma luta renhida, quase duas horas...

e) aposto no objeto indireto:


Foi o que sucedeu ao seu maior amigo, ao Abel, quando andavam por ali.

f) aposto no agente da passiva:


A frase foi proposta por Sebastião Freitas, o vereador dissidente.

g) aposto no adjunto adverbial:


Era na rua nova, a mais bela de Itaguaí.

CONHEÇA NOSSOS
218
CURSOS PREPARATÓRIOS
Foi em 14 de maio de 1542, uma segunda-feira.
h) aposto no aposto:
As crônicas da vila dizem que em tempos remotos vivera ali um certo médico, o Dr. Simão
Bacamarte, filho da nobreza da terra e o maior dos médicos do Brasil.

i) aposto no vocativo:
Tu, Deus, o Inspirador, Taumaturgo e Adivinho, dá-me alívio ao pesar.

5. Aposto predicativo: com o aposto atribui-se a um substantivo a propriedade representada


por outro substantivo. Os dois termos designam sempre o mesmo ser, o mesmo objeto, o
mesmo fato ou a mesma ideia.

Por isso, o aposto não deve ser confundido com o adjetivo que, em função de predicativo,
costuma vir separado do substantivo que modifica por uma pausa sensível (indicada
geralmente por vírgula na escrita). Numa oração como a seguinte

E a noite vai descendo muda e calma...


que também poderia ser enunciada
E a noite, muda e calma, vai descendo...
ou
E, muda e calma, a noite vai descendo...,

muda e calma é predicativo de um predicado verbo-nominal.

O mesmo raciocínio aplica-se à análise de orações elípticas, cujo corpo se reduz a um adjetivo,
que nelas desempenha a função de predicativo. É o caso de frases do tipo:

Rico, desdenhava dos humildes.

em que rico não é aposto. Equivale a uma oração adverbial de causa [= porque era rico], dentro
da qual exerce a função de predicativo.
VOCATIVO

Examinando estes versos:


Manuel, tens razão. Venho tarde. Desculpa.

CONHEÇA NOSSOS
219
CURSOS PREPARATÓRIOS
Ó sinos de Santa Clara,
Por quem dobrais, quem morreu?

vemos que, neles, os termos Manuel e Ó sinos de Santa Clara não estão subordinados a nenhum
outro termo da frase. Servem apenas para invocar, chamar ou nomear, com ênfase maior ou
menor, uma pessoa ou coisa personificada.
A esses termos, de entoação exclamativa e isolados do resto da frase, dá-se o nome de vocativo.
Na escrita, o vocativo vem normalmente isolado por vírgula, ou seguido de ponto de exclamação.

COLOCAÇÃO DOS TERMOS NA ORAÇÃO

Ordem direta e ordem inversa

1. Em português, como nas demais línguas românicas, predomina a ordem direta, isto é, os
termos da oração dispõem-se preferencialmente na sequência:

SUJEITO + VERBO + OBJETO DIRETO + OBJETO INDIRETO ou


SUJEITO + VERBO + PREDICATIVO

Essa preferência pela ordem direta é mais sensível nas orações enunciativas ou declarativas
(afirmativas ou negativas). Assim:

Carlos ofereceu um livro ao colega.


Carlos é gentil.
Paulo não perdoou a ofensa do colega.
Paulo não é generoso.

2. Porém a Língua Portuguesa nos permite alterar a ordem normal dos termos da oração por
INVERSÕES DE NATUREZA ESTILÍSTICA ou INVERSÕES DE NATUREZA GRAMATICAL.
Assim:

Onde refervem sóis... e céus... e mundos...


(Castro Alves, £F, 44.)
Tendo adoecido o nosso professor de português, padre Faria, ele o substituiu.

CONHEÇA NOSSOS
220
CURSOS PREPARATÓRIOS
DIFERENÇAS ENTRE
COMPLEMENTO NOMINAL E
ADJUNTO ADNOMINAL

O COMPLEMENTO NOMINAL associa-se a NOME e é sempre iniciado por preposição; o


ADJUNTO ADNOMINAL também se associa a nome e pode, eventualmente, ser iniciado por
preposição.

O COMPLEMENTO NOMINAL é termo integrante. O termo anterior a ele necessita ser


complementado porque tem transitividade.

Sentia o cheiro das flores.


Tenho necessidade de ajuda.

O ADJUNTO ADNOMINAL é termo acessório.

Aquela linda fazenda do Paraná pertence a este homem generoso e feliz.

Os critérios a seguir sistematizam as principais diferenças entre o complemento nominal e o


adjunto adnominal:

ADJUNTO ADNOMINAL: modifica substantivo concreto ou abstrato.

A acusação do vereador foi considerada uma ofensa ao prefeito.


A leitura do aluno foi muito elogiada pelo corpo docente.
O livro de capa dura é mais caro.

COMPLEMENTO NOMINAL: só completa substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio.

A acusação do vereador foi considerada uma ofensa ao prefeito.

Paula está contente com o novo emprego, porque fica perto da casa dela.

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221
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PORTANTO, A MAIOR DÚVIDA EXISTE QUANDO SE TRATA DE UM SUBSTANTIVO
ABSTRATO. Vejamos como resolver essa questão. Assim:

A leitura do livro foi boa.


A leitura do aluno agradou a todos.
A realização do projeto é importante para a cidade.
A realização do jogador foi comemorada pelo time.
O amor à mãe é sempre incondicional.
O amor da mãe é sempre incondicional.

Se o termo em estudo é o agente da ação, ele é adjunto adnominal.


Se o termo em estudo é paciente da ação, ele é complemento nominal.

Assim:

A acusação do vereador = o vereador acusa – adjunto adnominal


O medo dos moradores = os moradores temem – adjunto adnominal
A leitura do aluno = o aluno lê – adjunto adnominal
O amor da mãe= a mãe ama – adjunto adnominal
A fuga do ladrão = o ladrão fugiu – adjunto adnominal
A invenção do cientista= o cientista inventou

ATENÇÃO! Se o termo em estudo exprime a ideia de posse, teremos adjunto adnominal:

O medo dos moradores era que as chuvas provocassem enchente. (o medo que os moradores
tinham – os moradores temiam)
A fuga do ladrão – o ladrão fugiu – a fuga pertence ao ladrão.

Se o termo em estudo é paciente da ação, ele é complemento nominal.

Amor à mãe= a mãe é amada – complemento nominal


Acusações contra o prefeito = o prefeito é acusado – complemento nominal
A invenção do rádio =o rádio foi inventado – complemento nominal
A leitura do livro= o livro é lido – complemento nominal

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222
CURSOS PREPARATÓRIOS
DIFRENÇA ENTRE PREDICATIVO E DJUNTO ADNOMINAL

Predicativo exprime característica nova, circunstancial, atribuída ao nome.

Adjunto adnominal exprime característica fixa, constante, já conhecida do nome.

Assim:

O poeta ia bêbado no bonde. (predicativo do sujeito)


Bêbado, o poeta ia no bonde. (predicativo do sujeito)
O poeta, bêbado, ia no bonde. (predicativo do sujeito)

Trata-se de uma característica ocasional, circunstancial. Entende-se que apenas naquele


momento, naquela ocasião, ele estava bêbado.

Se tivéssemos “ O poeta bêbado ia no bonde.”, significaria que o poeta estava sempre bêbado e
que essa característica seria própria dele (adjunto adnominal).

Outro exemplo:

As pensões alegres dormiam tristíssimas.


Foram totalmente inúteis todos os nossos esforços.
A marreta tornou a pedra obsoleta.

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223
CURSOS PREPARATÓRIOS
CONCORDÂNCIA VERBAL
A Concordância Verbal é a relação que precisamos estabelecer entre sujeito e verbo, porém de
forma gramaticalmente correta. Em outras palavras, significa flexionar o verbo para
concordar com o sujeito.

REGRAS GERAIS
COM UM SÓ SUJEITO
O verbo concorda em número e pessoa com o seu sujeito, venha ele claro ou subentendido:
A paisagem ficou espiritualizada.
Vieste de um país que não conheço.

COM MAIS DE UM SUJEITO


O verbo que tem mais de um sujeito (sujeito composto) vai para o plural e, quanto à pessoa, irá:
a) para a 1ª. pessoa do plural, se entre os sujeitos figurar um da 1ªpessoa:
Só eu e tu ficamos calados, à margem.

b) para a 2ª. pessoa do plural, se, não existindo sujeito da 1ª pessoa, houver um da 2ª.:
Tu ou os teus filhos vereis a revolução dos espíritos e costumes.

c) para a 3ª. pessoa do plural, se os sujeitos forem da 3ª pessoa:


O mestre, o cego e a moça exigiram a história toda.

OBSERVAÇÃO
Na linguagem corrente do Brasil, evitam-se as formas do sujeito composto que levam o verbo à
2ª pessoa do plural, em virtude do desuso do tratamento vós e, também, da substituição do
tratamento tu por você, na maior parte do país.

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224
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CASOS PARTICULARES

COM UM SÓ SUJEITO
O sujeito é uma expressão partitiva
Quando o sujeito é constituído por expressão partitiva como parte de, uma porção de, o grosso
de, o resto de, metade de e equivalentes e um substantivo ou pronome plural, o verbo pode ir para
o singular ou para o plural:
A maior parte deles já não vai à fábrica!
Uma porção de moleques me olhavam admirados.

OBSERVAÇÃO
Deixamos o verbo no singular quando queremos destacar o conjunto como uma unidade.
Levamos o verbo ao plural para evidenciarmos os vários elementos que compõem o todo.

O sujeito denota quantidade aproximada


Quando o sujeito, indicador de quantidade aproximada, é formado de um número plural
precedido das expressões cerca de, mais de, menos de e similares, o verbo vai normalmente para
o plural:
Ainda assim, restavam cerca de cem pessoas.

OBSERVAÇÃO
Enquanto o sujeito de que participa a expressão menos de dois leva o verbo ao plural, o sujeito
formado pelas expressões mais de um ou mais que um, seguidas de substantivo, deixa o verbo no
singular:

Menos de dois estavam prontos.


Mais de um sujeito correu na salvação do homem.

Emprega-se, porém, o verbo no plural quando tais expressões vêm repetidas, ou quando nelas
haja ideia de reciprocidade. Assim:

Mais de um velho, mais de uma criança não puderam fugir a tempo.


Mais de um orador se criticaram mutuamente na ocasião.

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225
CURSOS PREPARATÓRIOS
O sujeito é o pronome relativo que
1. O verbo que tem como sujeito o pronome relativo que concorda em número e pessoa com o
antecedente deste pronome:
Fui eu que lhe pedi que não viesse.
Não és tu que me dás felicidade.
Foram eles que criaram o Brasil, que o tornaram independente.

2. Se o antecedente do relativo que é um demonstrativo, que serve de predicativo ou aposto de


um pronome pessoal sujeito, o verbo do relativo pode:
a) concordar com o pronome pessoal sujeito, principalmente quando o antecedente é o
demonstrativo o (a, os, as):
Não somos nós os que vamos chamar esses leais companheiros de falsos.

b) ir para a 3ªpessoa, em concordância com o demonstrativo, se não há interesse em acentuar


a íntima relação entre o predicativo e o sujeito:
Eu sou aquele que veio do imenso rio.

3. Quando o relativo que vem antecedido das expressões um dos, uma das (+ substantivo), o
verbo de que ele é sujeito vai para a 3ªpessoa do plural ou, mais raramente, para a 3ª pessoa
do singular:
Uma das coisas que mais me impressionam é a vida que levamos.
Foi um dos poucos que reconheceu a importância da literatura brasileira.

OBSERVAÇÃO
O verbo no singular destaca o sujeito do grupo em relação ao qual vem mencionado, ao contrário
do que ocorre se construirmos a oração com o verbo no plural.

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226
CURSOS PREPARATÓRIOS
Quando o sujeito é formado por uma expressão que indica porcentagem seguida de
substantivo, o verbo deve concordar com o substantivo. Assim:

25% do orçamento do país deve destinar-se à Educação.


85% dos entrevistados não aprovam a administração do prefeito.
1% do eleitorado aceita a mudança.
1% dos alunos faltaram à prova.

Quando a expressão que indica porcentagem não é seguida de substantivo, o verbo deve
concordar com o número. Veja:

25% querem a mudança.


1% conhece o assunto.

Com a expressão "um dos que", embora alguns gramáticos considerem a concordância
facultativa, a preferência é pelo uso verbo no plural, para concordar com a palavra que antecede
o pronome relativo “que”. Assim:

Ademir da Guia foi um dos jogadores que mais encantaram os poetas.


Se você é um dos que admiram o escritor, certamente lerá seu novo romance.

Depois de (um) dos que (= um daqueles que) o verbo vai normalmente para a 3ªpessoa do plural:
Naqueles dias a meninada do colégio interessava-se vivamente pelos concursos e eu era um dos
que não perdiam o bate-boca das arguições.

Por vezes, omite-se o um:


Não sou dos que acreditam no direito divino da velhice.

O sujeito é o pronome relativo quem


O pronome relativo quem constrói-se, de regra, com o verbo na 3ªpessoa do singular, ou, mais
raramente, põe-se em relevo o sujeito efetivo da ação expressa pelo verbo:
Tu és quem respira por mim.
E não fui eu quem te salvou?
Eram os filhos quem os obrigavam a abandonar os hábitos frugais.

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O sujeito é um pronome interrogativo, demonstrativo ou indefinido plural, seguido de
de (ou dentre nós (ou vós)
Se o sujeito é formado por algum dos pronomes interrogativos (quais? quantos?), dos
demonstrativos (estes, esses, aqueles) ou dos indefinidos no plural (alguns, muitos, poucos,
quaisquer, vários), seguido de uma das expressões de nós, de vós, dentre nós ou dentre vós, o verbo
pode ficar na 3ªpessoa do plural ou concordar com o pronome pessoal que designa o todo:
Mas, quantos, dentre nós, devotam à vida a mesma paixão de outrora?
Quantos dentre vós tereis cumprido a missão?
Quais de vós sois desterrados no meio do gênero humano?
Muitos de nós andam por aí, querendo puxar conversa com vocês.
Falo com aqueles dentre vós que trabalham na construção civil.

Se o interrogativo ou o indefinido estiver no singular, também no singular deverá ficar o


verbo:
Quando as nuvens surgiram, qual de nós estava presente?
Nenhum de vós irá ao meu enterro.

O sujeito é um plural aparente


Os nomes de lugar e os títulos de obras que têm forma de plural são tratados como singular, se
não vierem acompanhados de artigo:

Mas Vassouras é que não o esquecerá tão cedo.


Comparado com Agosto azul, Regressos acusa uma ligeira variação de timbre.

Quando esses nomes são precedidos de artigo, o verbo assume a forma plural:
Os Estados Unidos tentam uma demonstração espetacular.
Os Lusíadas são uma obra completa.

O sujeito é indeterminado
Nas orações de sujeito indeterminado, o verbo vai para a 3ª. pessoa do plural:

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228
CURSOS PREPARATÓRIOS
Pediram-me que a procurasse.

Se, no entanto, a indeterminação do sujeito for indicada pelo pronome se, o verbo fica na 3ª
pessoa do singular:
Ainda se vivia num mundo de certezas.
"Um milhão de pessoas já CHEGOU ou CHEGARAM?"

Tanto faz. O verbo pode ficar no singular para concordar com MILHÃO, que é um substantivo
masculino no singular, ou no plural para concordar com o especificador "pessoas".

Quando o verbo é de ligação (ser, estar, andar, ficar, continuar...), é visível a preferência pela
concordância com o especificador: "Um milhão de reais FORAM GASTOS na obra"; "Meio milhão
de crianças já FORAM VACINADAS"; "Um milhão de mulheres ESTÃO GRÁVIDAS".

Sujeito numeral fracionário: "Um terço dos alunos já SAIU ou SAÍRAM?"

Segundo a tradição gramatical, quando o núcleo do sujeito é formado por uma fração, o verbo
deve concordar com o numerador: "UM terço dos alunos já SAIU".

Assim sendo: "UM terço COMPARECEU"; "DOIS terços COMPARECERAM".

É aceitável, entretanto, a concordância com o especificador: "Um terço DOS ALUNOS já


SAÍRAM".

Quando o verbo é de ligação (ser, estar, ficar, tornar-se...), é flagrante a preferência pela
concordância atrativa: "UM terço das mulheres FICARAM INSATISFEITAS"; "UM quinto
das crianças já FORAM VACINADAS".

Concordância do verbo ser


1. O verbo ser concordará com o predicativo do sujeito:
a) quando o sujeito for representado pelos pronomes - isto, isso, aquilo, tudo, o - e
o predicativo estiver no plural. Assim:

Tudo são flores!


Isso são lembranças inesquecíveis.
Aquilo eram problemas gravíssimos.
O que eu admiro em você são os seus cabelos compridos.

b) quando o sujeito estiver no singular e se referir a coisas, e o predicativo for um substantivo


no plural. Assim:
Nosso piquenique foram só guloseimas.

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229
CURSOS PREPARATÓRIOS
Sua rotina eram só alegrias.

Se o sujeito indicar pessoa, o verbo concorda com esse sujeito. Assim:


Gustavo era só decepções.
Minhas alegrias é esta criança.

Obs.: admite-se a concordância no singular quando se deseja fazer prevalecer um elemento


sobre o outro. Assim: A vida é ilusões.

c) quando o sujeito for pronome interrogativo que ou quem. Assim:


Que são esses papéis?
Quem são aquelas crianças?

d) nas orações começadas pelos pronomes interrogativos substantivos que e quem. Assim:
— Que são seis meses?
Quis saber quem eram meus pais e o que faziam.

Às vezes, procura-se realçar um conjunto, e não os elementos que o compõem, a fim de sugerir
as diferentes realidades transformadas numa só coisa. Atente-se no efeito estilístico provocado
pelo contraste de concordância neste exemplo:
Há neles muita lágrima, e o que não é lágrimas são algemas.

e) quando o sujeito é uma expressão de sentido coletivo, como o resto, o mais:


O resto são atributos sem importância.
O mais são casas esparsas.

f) nas orações impessoais:


São duas horas da tarde.
Eram quase oito horas.

OBSERVAÇÃO
Empregados com referência às horas do dia, os verbos dar, bater, soar e sinônimos concordam
com o número que indica as horas:
Soaram doze horas por igrejas daqueles vales.

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230
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Batiam oito horas quando ele acordou.

ATENÇÃO!
Quando há o sujeito relógio (ou sino, sineta etc.), o verbo naturalmente concorda com ele:
O sino da Matriz bateu seis horas.
O relógio de uma das igrejas bateu duas horas.

2. Se o sujeito for nome de pessoa ou pronome pessoal, o verbo normalmente concorda com
ele, qualquer que seja o número do predicativo:
Ovídio é muitos poetas ao mesmo tempo.
Eu era olhos e coração.

OBSERVAÇÃO
Não é rara, porém, a concordância com o predicativo plural quando este representa partes do
corpo da pessoa nomeada no sujeito:

Santinha eram dois olhos míopes, quatro incisivos claros à flor da boca.

3. Quando o sujeito é constituído de uma expressão numérica que se considera em sua


totalidade, o verbo ser fica no singular:
Oito anos sempre é alguma coisa.
Dez contos não será demais?

4. Nas frases em que ocorre a locução invariável é que, o verbo concorda com o substantivo ou
pronome que a precede, pois são eles efetivamente o seu sujeito:
Tu é que deves escolher o sítio.
Eu é que estou escutando o assobio no escuro.

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231
CURSOS PREPARATÓRIOS
OBSERVAÇÕES
A locução de realce é que é invariável e vem sempre colocada entre o sujeito da oração e o verbo
a que ele se refere. Assim: José é que trabalhou, mas os irmãos é que se aproveitaram do seu
esforço.

ATENÇÃO!
É uma construção fixa e não deve ser confundida com outra semelhante, mas móvel, em que o
verbo ser antecede o sujeito e passa, naturalmente, a concordar com ele e a harmonizar-se com
o tempo dos outros verbos. Compare-se, por exemplo, ao anterior o seguinte período:
José é que trabalhou, mas foram os irmãos que se aproveitaram do seu esforço.
Ou este:
Foi José que trabalhou, mas os irmãos é que se aproveitaram do seu esforço.

a. Também não deve ser confundido com a expressão de realce é que o encontro da forma
verbal é com a conjunção integrante que em contextos do tipo:
Bom é que não haja mais discussões. = É bom que não haja mais discussões.
O certo é que ele não voltará.

CONCORDÂNCIA COM MAIS DE UM SUJEITO


Se o sujeito composto vier depois do verbo, este pode ir para o plural ou concordar com
o núcleo do sujeito mais próximo. Assim:

Faltaram coragem e competência.


Faltou coragem e competência

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232
CURSOS PREPARATÓRIOS
ATENÇÃO!

Quando ocorre ideia de reciprocidade, no entanto, a concordância é feita obrigatoriamente


no plural. Observe:

Abraçaram-se vencedor e vencido.


Ofenderam-se o jogador e o árbitro.

Sujeito composto vier antes do verbo


Podem ocorrer as seguintes situações:
1. quando os sujeitos são sinônimos ou quase sinônimos, o verbo fica no singular:
A conciliação, a harmonia entre uns e outros é possível.
O amor e a admiração compraz-se dos extremos.

2. quando há uma enumeração gradativa, o verbo fica no singular:


O grotesco, o pobre, o sem forças, era triturado na pressão dessa cidade.

3. quando os sujeitos são interpretados como se constituíssem em conjunto uma qualidade,


uma atitude, o verbo fica no singular:
Morro se a graça e a misericórdia de Deus me não acode.

4. quando os sujeitos são dois ou mais infinitivos, o verbo fica no singular:


Fazer e escrever é a mesma coisa.
Vê-lo e amá-lo foi obra de um minuto.
Mas o verbo pode ir para o plural quando os infinitivos exprimem ideias nitidamente contrárias:
Em sua vida se alternam rir e chorar.

5. quando os sujeitos são resumidos por um pronome indefinido (como tudo, nada, ninguém):
Letras, ciências, costumes, instituições, nada disso é nacional.
A mesma concordância se faz quando o pronome anuncia os sujeitos:
Tudo o fazia lembrar-se dela: a manhã, os pássaros, o mar, o azul do céu...

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233
CURSOS PREPARATÓRIOS
6. quando os sujeitos, por palavras diferentes, representam uma só pessoa ou uma só coisa, o
verbo fica naturalmente no singular:
A Ideia, o sumo Bem, o verbo, a Essência só se revela aos homens e às nações no céu da
Consciência!

Sujeitos ligados por ou e por nem


1. Quando o sujeito composto é formado de substantivos no singular ligados pelas conjunções
ou ou nem, o verbo costuma ir:
a) para o plural, se o fato expresso pelo verbo pode ser atribuído a todos os sujeitos:
O mal ou o bem dali teriam de vir.
Nem a monotonia nem o tédio a fariam capitular agora.

b) para o singular, se o fato expresso pelo verbo só pode ser atribuído a um dos sujeitos, isto é,
se há ideia de alternativa:
Fui devagar, mas o pé ou o espelho traiu-me.
Nem tormenta nem tormento nos poderia parar.

2. Se os sujeitos ligados por ou ou por nem não são da mesma pessoa, isto é, se entre eles há
algum expresso por pronome da 1ª. ou da 2ª. pessoa, o verbo irá normalmente para o plural
e para a pessoa que tiver precedência.
Ou ela ou eu havemos de abandonar para sempre esta casa.
Nem tu nem eu soubemos ser nós uma única vez.

3. As expressões um ou outro e nem um nem outro, empregadas como pronome substantivo ou


como pronome adjetivo, exigem normalmente o verbo no singular:
Só um ou outro menino usava sapatos.
Nem um nem outro havia idealizado este encontro.

Não é rara, porém, a construção com o verbo no plural quando as expressões se empregam como
pronome substantivo:
Mas nem um nem outro puderam compreender toda a gravidade do mal.

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234
CURSOS PREPARATÓRIOS
Nem um nem outro desejavam questionar.

A locução um e outro
A locução um e outro pode levar o verbo ao plural ou, com menos frequência, ao singular:
Um e outro tinham a sola rota.
Uma e outra obedecia logo e, à que fazia ouvidos moucos, ele enviava uma pedrada.

As duas construções são admissíveis ainda quando a locução é usada como pronome adjetivo,
caso em que precede sempre um substantivo no singular:
Uma e outra coisa existiam em estado latente.
Um e outro jogo nos é odioso.

Sujeito ligados por com


Quando os sujeitos vêm unidos pela partícula com, o verbo pode ser usado no plural ou em
concordância com o primeiro sujeito, segundo a valorização expressiva que dermos ao elemento
regido de com.

Assim, o verbo irá normalmente:


a) para o plural, quando os sujeitos estão em pé de igualdade, e a partícula com os enlaça como
se fosse a conjunção e:
O mestre com o aprendiz fizeram a emenda.
O pontífice com todos os membros da igreja mal puderam sair do local.

b) para o número do primeiro sujeito, quando pretendemos realçá-lo em detrimento do


segundo, reduzido à condição de adjunto adverbial de companhia:
O Coronel João, com a mulher e a filha, mostrava-se indiferente.
A viúva, com o resto da família, mudara-se para Vila Isabel..

Sujeitos ligados por conjunção comparativa


Quando dois sujeitos estão unidos por uma das conjunções comparativas como, assim como, bem
como e equivalentes, a concordância depende da interpretação que dermos ao conjunto.

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235
CURSOS PREPARATÓRIOS
Assim, o verbo concordará:
a) com o primeiro sujeito, se quisermos destacá-lo:
O dólar, como a girafa, não existe.

Nesse caso, a conjunção conserva pleno o seu valor comparativo e o segundo termo vem
enunciado entre pausas, que se marcam, na escrita, por vírgulas.

b) com os dois sujeitos englobadamente (isto é: o verbo irá para o plural), se os considerarmos
termos que se adicionam, que se reforçam, interpretação que normalmente damos, por
exemplo, a estruturas correlativas do tipo tanto... como:
Tanto um como outro se ocupavam em mercadejar.

Entre os sujeitos não há pausa; logo, não devem ser separados, na escrita, por vírgula.
De modo semelhante se comportam os sujeitos ligados por série aditiva enfática (não só... mas
[senão ou como] também):
Não só a nação mas também o príncipe estariam pobres.

VERBOS IMPESSOAIS
Os verbos impessoais, como o próprio nome diz, não possuem sujeito. Eles são a base
das orações sem sujeito e são considerados verbos defectivos, isto é, verbos que NÃO são
conjugados em todas as formas previstas pelo paradigma.

Exemplos de verbos impessoais


Verbo “haver” no sentido de “existir”:

Havia fotos espalhadas pela casa inteira.


Há momentos que precisamos rever nossas atitudes.

NÃO há concordância nominal, ou seja, o verbo “haver” permanece no singular, já que


é impessoal e, por isso, NÃO tem sujeito com quem concorde. É por esse motivo também
que NÃO é possível flexioná-lo para o plural. Observe:

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236
CURSOS PREPARATÓRIOS
Houve muitos momentos em que as pessoas pararam de conversar. (E NÃO “Houveram muitos
momentos...”)

Verbos que exprimem fenômenos da natureza:


Os verbos que exprimem os fenômenos da natureza apresentam apenas as formas da 3º
pessoa do singular.

Choveu muito à tarde.


Relampejou a noite toda.
Neva desde as cinco da madrugada.
Amanheceu muito frio hoje.
Está demorando muito para alvorecer esses dias.

Estar e fazer (meteorologia):


Faz uns sete graus nessa época lá.
Está sete graus agora.

Verbos que indicam tempo:


Ser (indicando data, hora, distância)
São cinco quilômetros até o próximo município.
Ela disse que já são cinco horas.

Fazer (tempo):
Faz tempo que não nos vemos.
Faz muitos anos que não como carne.

Como o verbo haver, o verbo fazer, nesse sentido, é impessoal e NÃO deve ser flexionado para
o plural (“Fazem muitos anos...”).

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237
CURSOS PREPARATÓRIOS
Locuções verbais (verbo auxiliar acompanha o principal):
Deve haver uma borracharia por aqui.
Vai fazer seis meses que moro aqui.

ATENÇÃO!
O verbo “existir” NÃO é impessoal e, portanto, é conjugado normalmente em concordância
com o sujeito:
Existem muitos motivos para eu estar feliz hoje.
Existe uma moça linda que estuda aqui.

CONCORDÂNCIA DO VERBO NO INFINITIVO


a) Infinitivo pessoal e sujeito expresso na oração:
não se flexiona o infinitivo se o sujeito for representado por pronome pessoal oblíquo átono.
Esperei-as chegar.

é facultativa a flexão do infinitivo se o sujeito não for representado por pronome átono e se
o verbo da oração determinada pelo infinitivo for causativo (mandar, deixar, fazer) ou
sensitivo (ver, ouvir, sentir e sinônimos).
Mandei sair os alunos.
Mandei saírem os alunos.

flexiona-se obrigatoriamente o infinitivo se o sujeito for diferente de pronome átono e


determinante de verbo não causativo nem sensitivo.
Esperei saírem todos.

b) Infinitivo pessoal e sujeito oculto


não se flexiona o infinitivo precedido de preposição com valor de gerúndio.
Passamos horas a comentar o filme. (comentando)

é facultativa a flexão do infinitivo quando seu sujeito for idêntico ao da oração principal.
Antes de (tu) responder, (tu) lerás o texto./Antes de (tu) responderes, (tu) lerás o texto.

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238
CURSOS PREPARATÓRIOS
é facultativa a flexão do infinitivo que tem seu sujeito diferente do sujeito da oração
principal e está indicado por algum termo do contexto.
Ele nos deu o direito de contestar./Ele nos deu o direito de contestarmos.

é obrigatória a flexão do infinitivo que tem seu sujeito diferente do sujeito da oração
principal e não está indicado por nenhum termo no contexto.
Não sei como saiu sem notarem o fato.

c) Quando o infinitivo pessoal está em uma locução verbal


não se flexiona o infinitivo, sendo este o verbo principal da locução verbal, quando, em razão
da ordem dos termos da oração, sua ligação com o verbo auxiliar for nítida.
Acabamos de fazer os exercícios.

é facultativa a flexão do infinitivo, sendo este o verbo principal da locução verbal, quando o
verbo auxiliar estiver afastado ou oculto.
Não devemos, depois de tantas provas de honestidade, duvidar e reclamar dela.
Não devemos, depois de tantas provas de honestidade, duvidarmos e reclamarmos dela.

O VERBO "PARECER"

A locução formada pelo verbo PARECER + INFINITIVO recebe tratamento especial quanto à
concordância.

Numa locução verbal o verbo auxiliar marca a flexão verbal (pessoa, número, tempo e etc.),
deixando para o verbo principal a ideia significativa da ação e a concordância verbal é
centralizada no verbo auxiliar.

Exemplos: está fazendo; foi feito; precisamos fazer

Entretanto, nas orações em que aparece a locução introduzida pelo verbo parecer a
concordância pode ser realizada de duas maneiras:

Os homens parecem duvidar do que viram.

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239
CURSOS PREPARATÓRIOS
Os homens parece duvidarem do que viram.

Embora pareça estranho, a segunda alternativa de concordância se explica pela função que o
verbo parecer exerce na oração. Trata-se de uma palavra que, sozinha, representa uma oração
(oração principal) à qual uma outra é subordinada. Assim:

se colocarmos a oração parece em início de período e se acrescentarmos a palavra "que" junto


ao verbo parecer, temos:

Parece que os homens duvidaram do que viram.

[parece: oração principal]


[duvidarem os astronautas do que viram:- 1.oração subordinada; 2. sujeito da oração "parece"]

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240
CURSOS PREPARATÓRIOS
CONCORDÂNCIA NOMINAL
Princípio sintático de acordo com o qual toda palavra variável referente ao substantivo deve se
flexionar para se adaptar a ele.
A regra geral de concordância nominal diz que todos os determinantes (adjetivo, numeral,
pronome adjetivo e artigo) devem harmonizar-se quanto ao gênero e ao número do substantivo.
Assim:
Apenas dois barcos antigos abastecem todas as comunidades ribeirinhas.

ADJETIVO CARACTERIZANDO VÁRIOS SUBSTANTIVOS


Há duas formas de fazer a concordância nominal: com o adjetivo anteposto e posposto.

1. Com adjetivo posposto


O adjetivo concorda com o substantivo mais próximo ou com todos eles (assumindo forma
masculino plural se houver substantivo feminino e masculino). Exemplos:
A empresa oferece localização e atendimento perfeito.
A empresa oferece atendimento e localização perfeita.
A empresa oferece localização e atendimento perfeitos.
A empresa oferece atendimento e localização perfeitos.

Obs.: os dois últimos exemplos apresentam mais clareza, pois indicam que o adjetivo
efetivamente se refere aos dois substantivos. Nesses casos, o adjetivo foi flexionado no plural
masculino, que é o gênero predominante quando há substantivos de gêneros diferentes.

ATENÇÃO!
Quando se trata de característica específica de apenas um dos seres, aplica-se o bom senso.
Assim:
Vi zoológico uma tartaruga e um macaco peludo.

Se os substantivos possuírem o mesmo gênero, o adjetivo fica no singular ou plural. Assim:


A beleza e a inteligência feminina(s).
O carro e o iate novo(s).

Se um substantivo for modificado por dois adjetivos, o substantivo pode aparecer de três
formas distintas:
1. no singular: A festa espanhola e canadense;
2. no singular com a repetição do artigo: A festa espanhola e a canadense;
3. no plural: As festas espanhola e canadense.

2. Com adjetivo anteposto

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241
CURSOS PREPARATÓRIOS
No caso de o adjetivo vir antes do substantivo, ele irá concordar em gênero e número com o
substantivo mais próximo.

Velhas pastas e livros estavam sobre a estante.


A empresa oferece perfeito atendimento e localização.
A empresa oferece perfeita localização e atendimento.

ATENÇÃO!
Se forem substantivos próprios ou substantivos que exprimam graus de parentesco, o adjetivo
deve ficar no plural. Assim:
Meus simpáticos tios e tias me fizeram uma surpresa.
Os contentes Pedro e Álvaro foram os campeões do torneio.

OUTROS CASOS DE CONCORDÂNCIA NOMINAL


1. Quando o adjetivo exercer a função de predicativo do sujeito, ele deverá concordar com
todos os elementos do sujeito:
A cozinha e os banheiros estavam sujos.

OBSERVAÇÃO
Se o predicativo do sujeito estiver anteposto ao sujeito, pode concordar apenas com o núcleo
mais próximo (o que ocorre também com o verbo da oração).
São vergonhosos a pobreza e o desamparo.
É vergonhosa a pobreza e o desamparo.

2. Quando o adjetivo exercer a função de predicativo do objeto, ele deverá concordar em


gênero e número com o núcleo do objeto. Se houver dois ou mais núcleos de gêneros
diferentes, ele deve ir para o masculino plural:
Vimos as portas e o carro destruídos.
Vimos destruídos as portas e o carro.
Considero inteligentes (vaidosas) a professora e a aluna.

3. Quando houver na oração numerais ordinais, o substantivo pode ficar tanto no singular
quanto no plural, contanto que todos os numerais estejam antecedidos de artigo:
Perdi a primeira e a segunda sessão.
Perdi a primeira e a segunda sessões.

OBSERVAÇÃO: quando o substantivo estiver posposto e não houver artigos precedendo todos
os numerais, o substantivo assumirá a forma pluralizada:
O primeiro, segundo e terceiro andares estão sendo reformados.

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242
CURSOS PREPARATÓRIOS
Outro ponto: ainda que se opte pelo substantivo no plural, o artigo permanece no singular,
concordando com o numeral singular. Assim:
As 5ª e 6ª Câmaras são competentes. (incorreto)
A 5ª e 6ª Câmaras são competentes. (correto)

Quando o substantivo estiver anteposto aos numerais, também assumirá a forma pluralizada:
Os andares primeiro, segundo e terceiro estão sendo reformados.

ATENÇÃO!
Pode haver mudança de significado.
1) Dirigiu-se à quarta e quinta série.
2) Dirigiu-se à quarta e quinta séries.
3) Dirigiu-se à quarta e à quinta série.

Observe que a frase “dirigiu-se às quartas e (às) quintas séries” tem outro significado: quer
dizer que existem várias séries de quarta e várias de quinta.
Também é interessante notar que, quando não há a determinação dos substantivos (com a/o,
da/do, à), temos duas e não três opções, sendo melhor e mais recomendável a alternativa com o
singular. Assim:

Foram publicadas decisões de juízes de 1° e 2° grau.


Foram publicadas decisões de juízes de 1° e 2° graus.
Sua tese analisa o ensino de 1ª a 4ª série no planalto catarinense.
Sua tese analisa o ensino de 1ª a 4ª séries no planalto catarinense.

Quando o substantivo precede os numerais, é de praxe colocá-lo no plural:


Leia os capítulos 1 e 2.
Reformulamos os artigos 9º e 10 do projeto de lei.
O elevador parou nos andares 3º e 4º.

4. Mesmo, próprio, quite, leso, entre outros, devem concordar normalmente com a palavra
a que fazem referência:
Ele mesmo disse isso.
Eles mesmos disseram isso.
Ela própria disse isso.
Elas próprias disseram isso.
Estou quite com os meus compromissos.
Estamos quites com os nossos compromissos.

5. LESO é adjetivo e, como tal, flexiona-se. Exemplos:


Cometeu crime de LESO-patriotismo.
Cometeu crime de LESA-pátria.

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243
CURSOS PREPARATÓRIOS
6. As palavras pseudo, alerta, monstro e menos são invariáveis.
Havia menos professores na reunião./Havia menos professoras na reunião.
O aluno ficou alerta./ Os alunos ficaram alerta.
Era uma pseudo-heroína.
Houve manifestações monstro em frente ao Congresso Nacional.

7. Anexo, incluso e obrigado: concordam com o substantivo ou pronome substantivo a que se


referem, já que exercem o papel de adjetivo.
Preciso enviar anexos ao e-mail os arquivos.

ATENÇÃO: a expressão “em anexo” fica invariável.


As taxas inclusas no condomínio são ilegais.
Obrigado: quando o agradecimento é feito por alguém do sexo masculino.
Obrigada: quando alguém do sexo feminino é quem está agradecendo
Obrigados: quando o agradecimento é feito somente por homens ou homens e mulheres
Obrigadas: quando o agradecimento é feito somente por mulheres.

8. Caro, barato e só: podem ser adjetivos, quando caracterizarem o substantivo, ou advérbio,
quando modificarem o verbo.
As passagens aéreas estão muito caras.
Todo turista paga caro para hospedar-se em bons hotéis.
As batatas estão caras, por isso compre somente legumes quando estiverem baratos.
As joias sempre custam caro.
Os acessórios que estão na vitrine custam caro ou barato?
Hoje, amanhã e sempre, eu só quero você!
Minhas avós sempre viveram sós.

9. Meio: Pode exercer o papel de numeral ou advérbio. No primeiro caso, concordará com o
substantivo, no segundo, será invariável.
Bebi meia garrafa de suco de uva e fiquei meio tonta.
A porta estava meio aberta.
Estou meio cansada.
Comi meia torta de morango.

10.É bom, é proibido, é necessário, é gostoso: o adjetivo permanecerá invariável quando o


sujeito não for determinado por artigo ou por pronome demonstrativo:
Pizza é gostoso.
Dieta é bom para emagrecer.
É proibido entrada.
É necessário cautela sempre.

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244
CURSOS PREPARATÓRIOS
Caso o sujeito venha determinado por artigo ou pronome demonstrativo, a concordância
deverá ser feita normalmente:
A pizza é gostosa.
A cerveja é boa.
É proibida a entrada de menores de dezoito anos.
É necessária a cautela sempre.

11.Quando houver um adjetivo composto, somente o último elemento sofrerá flexão, tanto de
gênero quanto de número:
Meus avós são franco-brasileiros.
As guerras greco-romanas marcaram a civilização ocidental.

12.Palavras que indicam cor


a) Geralmente, deverão concordar em gênero e número com o substantivo a que se referem
quando desempenhar função de adjetivo:
Seus olhos azuis me impressionam.
Nuvens negras cobriam a cidade.

b) Quando a palavra que indica cor derivar de um substantivo, deverá permanecer invariável:
Comprei duas blusas rosa.
Ela gostava de vestidos laranja.
Ela gosta de usar tons pastel.

c) Quando for um nome composto e o segundo termo for um substantivo, ficará invariável:
Ela comprou cortinas amarelo-ouro para a sala.
Carlos está vestindo uma camisa verde-bandeira.

d) Quando os termos “claro” e “escuro” indicarem tonalidade da cor, somente eles sofrerão
flexão:
O rapaz tem belos olhos azul-claros.
Quero aquelas saias verde-escuras que vi na vitrine.

e) Azul-marinho e azul-celeste são sempre invariáveis:


A empresa comprou uniformes azul-marinho para os funcionários.
Ele gosta de camisas azul-celeste.

13.As expressões um e outro e nem um e nem outro deixam o substantivo no singular, mas
o adjetivo deve ir para o plural:

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245
CURSOS PREPARATÓRIOS
Abordamos um e outro caso inacreditáveis.
Não encontramos nem um nem outro diretor reeleitos.
Uma e outra teoria conspiradoras causam perplexidade quando expostas.
Nem um nem outro sapato são confortáveis para você.

14.Com a expressão um ou outro, o verbo e o substantivo ficarão no singular, obrigatoriamente.


Assim:
Ele disse que um ou outro amigo viria à festa.

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246
CURSOS PREPARATÓRIOS
PERÍODO COMPOSTO POR
COORDENAÇÃO
As orações coordenadas são sintaticamente independentes: uma não exerce função sintática em
relação à outra. Note que, na palavra coordenação, existe o prefixo co-, que significa nivelamento,
igualdade, companhia. É o mesmo prefixo de cooperar, por exemplo. Na palavra subordinação,
existe o prefixo sub-, que indica posição inferior: a oração subordinada é sintaticamente
dependente da principal.

As orações coordenadas introduzidas por uma conjunção são chamadas sindéticas. As que não
têm conjunção são chamadas assindéticas. Syndeton é uma palavra grega que significa união.

A classificação de uma oração coordenada leva em consideração fundamentalmente o aspecto


lógico-semântico da relação que se estabelece entre as orações. Isso é fácil compreender já nos
nomes das cinco coordenadas sindéticas: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e
explicativas.

ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS E ASSINDÉTICAS


As orações coordenadas podem estar:
a) simplesmente justapostas, isto é, colocadas uma ao lado da outra, sem qualquer conectivo
que as enlace:
Será uma vida nova, / começará hoje, / não haverá nada para trás. /

b) ligadas por uma conjunção coordenativa:


A Grécia seduzia-o, / mas Roma o dominava. /

No primeiro caso, dizemos que a oração coordenada é assindética, ou seja, desprovida de


conectivo. No segundo, dizemos que a primeira oração é assindética e a segunda é sindética,
acrescentando-se a ela a espécie da conjunção coordenativa que a inicia.

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247
CURSOS PREPARATÓRIOS
ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS
São classificadas em:
1. ADITIVAS: normalmente têm o papel de somar (e, nem= e não, mas também, como também);
Insisti no oferecimento da madeira, / e ele estremeceu. /
Chegou cedo e logo saiu.
Não é chuva, / nem é gente, nem é vento com certeza. /

2. ADVERSATIVAS: exprimem fatos ou conceitos que se opõem ao que se declara na oração


coordenada anterior (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante);
Estava frio, / mas ela não o sentia. /
Ele não exigira devoção à lavoura, / porém nenhum deixara de seguir a fatalidade pela terra./

3. ALTERNATIVAS: exprimem fatos ou conceitos que se alternam ou que se excluem


mutuamente (ou – isolada ou em pares (ou, ou), ora... ora, já...já, quer...quer);
O bode tinha descido com o senhor / ou tinha ficado na ribanceira? /
Fale agora, /ou cale-se para sempre.
Todas as casas sertanejas são humildes, / quer sejam de palha só / ou de palha e taipa / como
a dos pobres, / quer sejam de taipa e telha / como a dos abastados.

4. CONCLUSIVAS: expressam uma conclusão lógica que se obtém a partir dos fatos ou conceitos
expressos na oração anterior (por isso, logo, portanto, pois (esta obrigatoriamente posposta
ao verbo), assim, então, por conseguinte, de modo que, em vista disso);
Ouço música, / logo ainda não me enterraram. /
Não aceita a ordem; / é, pois, uma rebelde. /
O time venceu, por isso está classificado.

5. EXPLICATIVA: normalmente expressam a justificativa de uma ordem, sugestão ou suposição


(que, porque, pois).
Espere um pouco, / que isso acaba já.
Choveu durante a noite, porque as ruas estão molhadas.
Um pouquinho só lhe bastava, / pois estava com fome. /

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248
CURSOS PREPARATÓRIOS
ATENÇÃO!
É preciso tomar cuidado para não confundir explicação com causa. Uma explicação é sempre
posterior ao fato que a gerou; uma causa é sempre anterior à consequência resultante dela. No
exemplo citado “Choveu durante a noite, porque as ruas estão molhadas”, supõe-se que tenha
chovido durante a noite e baseia-se essa suposição no fato de as ruas estarem molhadas. Seria
absurdo pensar que as ruas molhadas são a causa da chuva.

OBSERVAÇÃO
No mesmo período podem ocorrer orações coordenadas sindéticas de vários tipos:
O menino olhava, / mas não falava, / nem lamuriava. /
Tentei detê-los por mais tempo; / eles, porém, tinham pressa, / ou estavam desconfiados. /

Nem todas as conjunções coordenativas encabeçam a oração. A conclusiva pois vem sempre
posposta a um de seus termos. As adversativas porém, contudo, no entanto, entretanto e todavia,
bem como as conclusivas logo, portanto e por conseguinte, podem variar de posição, conforme o
ritmo, a entoação, a harmonia da frase.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
PERÍODO COMPOSTO POR
SUBORDINAÇÃO

A ORAÇÃO SUBORDINADA COMO TERMO DE OUTRA ORAÇÃO


Dissemos que as orações subordinadas funcionam sempre como termos essenciais, integrantes
ou acessórios de outra oração. Esclareçamos melhor tais equivalências.

1. No seguinte exemplo,

É necessária tua vinda urgente.

o sujeito da oração é tua vinda urgente, termo essencial, cujo núcleo é o substantivo vinda.
Mas, em lugar dessa construção com base no substantivo vinda, poderíamos dizer:

É necessário que venhas urgente.

O sujeito seria, então, que venhas urgente, termo essencial representado por oração.

2. Neste exemplo,

Ninguém esperava a sua vinda.

o objeto direto de esperava é a tua vinda, termo integrante, cujo núcleo é o substantivo vinda.

Em vez dessa construção nominal, poderíamos ter dito:

Ninguém esperava que viesse.

Com isso, o objeto direto de esperava passaria a ser que viesse, termo integrante representado
por uma oração.

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250
CURSOS PREPARATÓRIOS
3. Neste exemplo,

Não desaprendi as lições recebidas.

o adjunto adnominal, termo acessório, está expresso pelo adjetivo recebidas. Mas, se
quiséssemos, poderíamos ter substituído o adjetivo recebidas por que recebi.

Não desaprendi as lições que recebi.

Teríamos, neste caso, como adjunto adnominal de lições a oração que recebi. Por outras palavras:
teríamos um termo acessório representado por uma oração.

4. Neste exemplo,

Ainda não o tinha visto depois da volta.

são três os adjuntos adverbiais (termos acessórios) da oração:


a) ainda — adjunto adverbial de tempo;
b) não — adjunto adverbial de negação;
c) depois da volta — adjunto adverbial de tempo.
Em lugar da expressão adverbial de tempo depois da volta, poderíamos ter empregado uma
oração — depois que voltara:

Ainda não o tinha visto depois que voltara.

Depois que voltara, adjunto adverbial de tinha visto, é, pois, um termo acessório representado
por uma oração.

CONCLUSÃO
O período composto por subordinação é, na essência, equivalente a um período simples.
Distingue-os apenas o fato de os termos (essenciais, integrantes e acessórios) deste serem
representados naquele por orações.

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251
CURSOS PREPARATÓRIOS
CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES SUBORDINADAS
As orações subordinadas classificam-se em substantivas, adjetivas e adverbiais, porque as
funções que desempenham são comparáveis às exercidas por substantivos, adjetivos e
advérbios.

ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS


As orações subordinadas substantivas vêm normalmente introduzidas pela conjunção
integrante que (às vezes, por se) e, segundo o seu valor sintático, podem ser:

1. SUBJETIVAS, quando exercem a função de sujeito:


É certo / que a presença do dono o sossegava um pouco.
É fundamental que você compareça à reunião.
É fundamental você comparecer à reunião. (reduzida de infinitivo)
Quando ocorre oração subordinada substantiva subjetiva, o verbo da oração principal fica
sempre na terceira pessoa do singular. As estruturas típicas da oração principal nesse caso são:

a. verbo de ligação + predicativo


é bom... / está comprovado... /é conveniente... /parece certo... / é melhor... / fica evidente... / é
claro...
Assim:
É preciso que se adotem medidas eficazes.
Parece estar provado que soluções mágicas não funcionam. (reduzida de infinitivo)

b. verbo na voz passiva sintética ou analítica


sabe-se... / dir-se- ia... / soube-se... / foi anunciado.../ comenta-se.../ foi dito...
Assim:
Sabe-se/ que o país carece de sistema de saúde digno.
Foi dito/ que tudo seria resolvido por ele.

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252
CURSOS PREPARATÓRIOS
c. verbos como convir, cumprir, acontecer, importar, ocorrer, parecer, constar, urgir,
conjugados na terceira pessoa do singular
Assim:
Convém/ que você fique.
Consta/ que ninguém se interessou pelo cargo.
Parece/ ser ela a pessoa indicada. (reduzida de infinitivo)

2. OBJETIVAS DIRETAS, quando exercem a função de objeto direto:


Respondi-lhe / que já tinha lido a receita em qualquer parte.
Não sei / se padre Bernardino concordará comigo.
Suponho/ ser o Afeganistão um país muito triste. (reduzida de infinitivo)

OBSERVAÇÃO: Nas frases interrogativas indiretas, as orações subordinadas substantivas


objetivas diretas podem ser introduzidas pela conjunção integrante se e por pronomes ou
advérbios interrogativos. Observe:
Ninguém sabe - se ele aceitará a proposta.
- como a máquina funciona.
- onde fica o teatro
- quanto custa o remédio.
- quando entra em vigor a nova lei.
- qual é o assunto da palestra.

Com os verbos deixar, mandar, fazer (chamados auxiliares causativos) e ver, sentir, ouvir,
perceber (chamados auxiliares sensitivos), ocorre um tipo interessante de oração subordinada
substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo. Observe:

Deixe-me repousar.
Mandei-os sair.
Ouvi-o gritar.

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253
CURSOS PREPARATÓRIOS
Nesses casos, as orações destacadas são todas objetivas diretas reduzidas de infinitivo. Os
pronomes oblíquos atuam como sujeitos dos infinitivos verbais. Essa é a única situação da língua
portuguesa em que um pronome oblíquo pode atuar como sujeito. Para perceber melhor o que
ocorre, convém transformar as orações reduzidas em orações desenvolvidas. Assim:

Deixe que eu repouse.


Mandei que eles saíssem.
Ouvi que ele gritava.

3. OBJETIVAS INDIRETAS, quando exercem a função de objeto indireto:


Não me esqueço / de que estavas doente / quando ele nasceu.
Lembre-se de comprar todos os remédios. (reduzida de infinitivo)

4. COMPLETIVAS NOMINAIS, quando exercem a função de complemento nominal:


Ele tem a mania / de que alho faz bem à saúde!
Tenho a impressão/ de estar sempre no mesmo lugar. (reduzida de infinitivo)

5. PREDICATIVAS, quando exercem a função de predicativo:


A verdade é / que eu ia falar outra vez de Noêmia.
Nosso desejo era/ encontrares o seu caminho.

6. APOSITIVAS, quando exercem a função de aposto:


É preciso que o pecador reconheça ao menos isto: / que a Moral católica está certa / e é
irrepreensível. /
Só me resta uma alternativa: /encontrar o remédio.

7. AGENTES DA PASSIVA, quando exercem a função de agente da passiva:


As ordens são dadas / por quem pode. /

OBSERVAÇÃO
As orações que desempenham a função de agente da passiva iniciam-se por pronomes
indefinidos (quem, quantos, qualquer etc.) precedidos de uma das preposições por ou de.

CONHEÇA NOSSOS
254
CURSOS PREPARATÓRIOS
OMISSÃO DA CONJUNÇÃO INTEGRANTE QUE
Depois de certos verbos que exprimem uma ordem, um desejo ou uma súplica, a língua
portuguesa permite a omissão da conjunção integrante que:

Penso / daria um sofrível monge, / se não fossem estes nervos miseráveis.


Queira Deus / não voltes mais triste... /
As regras mandam / se coloquem no ponto de vista do anfitrião.

OBSERVAÇÃO
Num período composto, é normal que um conjunto de orações subordinadas substantivas crie
uma unidade sintática e semântica. Assim:
É fundamental/ que você demonstre/ que é favorável/ a que o contratem.
OP OSSS OSSOD OSSCN

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255
CURSOS PREPARATÓRIOS
PERÍODO COMPOSTO
POR SUBORDINAÇÃO
ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
Funcionam como adjunto adverbial do verbo da oração principal e vêm, normalmente,
introduzidas por uma das conjunções subordinativas que expressam circunstâncias. Assim:
Naquele momento, senti uma grande emoção. (adjunto adverbial)
Quando vi a Pietá, senti uma grande emoção. (oração subordinada adverbial)
Ao ver Pietá, senti uma grande emoção. (oração subordinada adverbial reduzida de infinitivo)

Segundo a conjunção ou locução conjuntiva que encabeça as orações subordinadas adverbiais,


elas podem ser de nove tipos.

1. CAUSAIS, se a conjunção é subordinativa causal. A ideia de causa está diretamente ligada


àquilo que provoca um determinado fato (porque, como (sempre introduzindo oração
adverbial anteposta à principal), pois, já que, uma vez que, visto que).
Não veste com luxo / porque o tio não é rico. /
Como anoitecesse, / recolhi-me pouco depois e deitei-me.
Ceamos à lareira, / que a noite estava fria. /
As ruas ficaram alagadas/ porque a chuva foi muito forte./
Por ter muito conhecimento, é sempre consultado. (reduzida de infinitivo)

2. CONCESSIVAS, se a conjunção é subordinativa concessiva. A ideia de concessão está


diretamente ligada à ideia de contraste, de quebra de expectativa (embora, conquanto,
ainda que, mesmo que, se bem que, apesar de que).
Ainda que não dessem dinheiro, / poderiam colaborar com trabalho.
A regra era ir sempre desacompanhado, / mesmo que levasse o gado até os confins da serra./
Embora fizesse calor, / levei agasalho.
Foi aprovado/ sem estudar. (reduzida de infinitivo)

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256
CURSOS PREPARATÓRIOS
OBSERVAÇÃO
Nas orações concessivas, a conjunção subordinativa pode:
a. vir intensificada em por mais que, por maior que, por melhor que, por menos que, por menor
que, por pior que; ou mais que, maior que, melhor que, menos que, menor que, pior que etc.:
Por mais que quisesse, / não conseguia decidir-se por nenhum.
b. ficar reduzida à palavra que, com antecipação do predicativo:
Padre que seja, / é preciso que monte a cavalo.

3. CONDICIONAIS, se a conjunção é subordinativa condicional ( se, caso, contanto que, desde


que, salvo se, exceto se, a menos que, sem que, uma vez que (seguida de verbo no
subjuntivo)).
Tudo vale a pena /Se a alma não é pequena. /
Eles não dormem, / sem que primeiro a mãe cante.
Caso você se case,/ convide-me para a festa.
Conhecendo os alunos,/ o professor não os teria punido. (reduzida de gerúndio)

4. FINAIS, se a conjunção é subordinativa final. Exprimem a intenção, a finalidade do que se


declara na oração principal (a fim de que, para que e, mais raramente, que e porque
(=para que)).
Deu-me Deus o seu gládio, / porque eu faça A sua santa guerra. /
Fiz-lhe sinal / que se calasse. /
Vim aqui/ a fim de que você me explicasse as questões.
Suportou todo tipo de humilhação /para obter o resultado desejado. (reduzida de infinitivo)

5. TEMPORAIS, se a conjunção é subordinativa temporal (quando, enquanto, assim que, mal,


sempre que, antes que, depois que, desde que etc.).
Quando estiou, / partiram.
Renovaram a fogueira / até que chegasse a luz da manhã. /
Mal sentiu rumores dentro de casa, / ergueu-se.
Terminada a festa,/ todos se reuniram. (reduzida de particípio)

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257
CURSOS PREPARATÓRIOS
6. CONSECUTIVAS, se a conjunção é subordinativa consecutiva. Exprimem o efeito, a
consequência daquilo que se declara na oração principal (que, quase sempre precedida,
na oração principal, de termos intensivos, como tal, tão, tanto, tamanho).
Tal era a sua indignação que, imediatamente, uniu-se aos manifestantes.
Falava com tanta naturalidade, / que se convencia a si mesmo. /
Era uma voz tão grave, / que metia medo. /
O sino tocava / que se desfazia. /
A conjunção pode vir omitida, como nestes versos de Emílio Moura:
O chamado é tão grave, / não comporta lágrimas; / o caminho é tão longo, / não chegarias
nunca. /

7. COMPARATIVAS, se a conjunção é subordinativa comparativa (como, tão...como/quanto,


mais (do) que, menos (do) que).
Meu coração não é maior / que o mundo. / (é)
Jurou que a morte foi muito menos triste / do que podia parecer. /
Começaste a correr / que nem uma louca. /
O lavrador revirou os olhos e começou a tremer / como se tivesse uma sezão. /

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258
CURSOS PREPARATÓRIOS
OBSERVAÇÕES
a. O primeiro membro da comparação pode estar oculto: [tal] qual, [tal] como etc.:
E eu a via agora não / qual era, / mas / qual fora, / quais fôramos ambos...
b. Costuma-se omitir o predicado da oração subordinada comparativa, quando repete uma
forma do verbo da oração principal. Assim:
Teus olhos são negros, negros,/ como as noites sem luar... /
Isto é: como as noites sem luar [são negras].
Tu vais correr sozinho, João, / como eu. /
Ou seja: como eu [vou correr sozinho].
c. A omissão dos verbos nas orações subordinadas adverbiais comparativas só não ocorre
quando se comparam ações diferentes: Ela fala mais do que faz.

8. CONFORMATIVAS, quando a conjunção que as inicia é subordinativa conformativa.


Exprimem uma regra, um caminho, um modelo adotado para a execução do que se declara
na oração principal (conforme, consoante, segundo, como).
Conforme declarei, / Madalena possuía um excelente coração.
As distâncias hoje em dia, / como sabe, / contam pouco.
Exteriormente era modesto, / segundo convém aos sabedores. /
Segundo atesta o relatório,/ a economia vai mal.
Consoante prega a Constituição,/ todos os cidadãos têm direitos iguais.

9. PROPORCIONAIS, quando encabeçadas por conjunção subordinativa proporcional (à


proporção que, à medida que, quanto mais, quanto menos, tanto mais , tanto menos).
À medida que o tempo decorria / as figuras tomavam maior vulto.
Choviam os ditos / ao passo que ela seguia pelas mesas. /
Duas ou três funcionárias aproximaram-se, / enquanto o servidor ia dando o fora. /

CONHEÇA NOSSOS
259
CURSOS PREPARATÓRIOS
OBSERVAÇÃO
Tais orações podem estar em correlação com um membro da oração principal em construções
do tipo: quanto mais... tanto mais, quanto mais... tanto menos, quanto menos... tanto menos, quanto
menos... tanto mais:
Quanto mais o conheço, / tanto mais o admiro.

Como nessas orações não raro se omitem as palavras quanto e tanto, é necessário examinar com
atenção o período em que elas ocorrem para classificá-las com acerto. Por exemplo, nas
construções:
Quanto mais o conheço, / mais o admiro.
Mais o conheço, / tanto mais o admiro.
Mais o conheço, / mais o admiro.
a primeira oração é sempre a subordinada adverbial proporcional; a segunda, a principal.

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260
CURSOS PREPARATÓRIOS
PERÍODO COMPOSTO POR
SUBORDINAÇÃO

ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS


As orações subordinadas adjetivas nada mais são do que um adjetivo em forma de oração. Assim:

Não suporto gente mentirosa. (adjetivo)


Não suporto gente que mente. (oração subordinada adjetiva)

A conexão entre a oração adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é feita
normalmente por um pronome relativo (conecta ou relaciona, daí o nome relativo). As orações
adjetivas exercem a função de adjunto adnominal de um substantivo ou pronome antecedente:

Susana, / que não se sentia bem, / estava de cama.


O / que tu vês / é belo./

Relação com o termo antecedente


A oração subordinada ADJETIVA pode, como todo adjunto adnominal, depender de qualquer
termo da oração, cujo núcleo seja um substantivo ou um pronome:
SUJEITO, PREDICATIVO, COMPLEMENTO NOMINAL, OBJETO DIRETO, OBJETO INDIRETO,
AGENTE DA PASSIVA, ADJUNTO ADVERBIAL, APOSTO e, até mesmo, VOCATIVO.

1. Neste período

É preciso comer alimentos que não façam mal à saúde.

a oração adjetiva — que não façam mal à saúde — está funcionando como adjunto adnominal de
alimentos, objeto direto da oração anterior.

2. Neste período

Ela era uma moça namoradeira, / que usava meias pintadas. /

CONHEÇA NOSSOS
261
CURSOS PREPARATÓRIOS
a oração adjetiva — que usava meias pintadas— está funcionando como adjunto adnominal do
substantivo moça, núcleo do predicativo da oração anterior.

3. Neste período de Machado de Assis,

Na petição de privilégio / que então redigi / chamei a atenção do governo.

a oração adjetiva — que então redigi — está funcionando como adjunto adnominal de de
privilégio, complemento nominal.

4. Neste período,

Iria remediar o / que pudesse. /

a oração adjetiva — que pudesse — está funcionando como adjunto adnominal do pronome o,
objeto direto de iria remediar.

5. Neste período,

A lei do cais manda que se atenda aos / que no mar pedem socorro. /

a oração adjetiva — que no mar pedem socorro — está funcionando como adjunto adnominal do
pronome os, núcleo do objeto indireto aos.

6. Neste período

O ponto alto da festa foi a saudação lida por um menino / que é um prodígio. /

a oração adjetiva — que é um prodígio — está funcionando como adjunto adnominal de menino,
núcleo do agente da passiva por um menino.

7. Neste período

Na vida / que a Dor povoa / há só uma cousa boa.

CONHEÇA NOSSOS
262
CURSOS PREPARATÓRIOS
a oração adjetiva — que a Dor povoa — está funcionando como adjunto adnominal de vida,
núcleo do adjunto adverbial na vida.

8. Neste período

Entroncou-se na família daquele meu famoso homônimo, o capitão Brás Cubas, / que fundou a
Vila de São Vicente. /

a oração adjetiva — que fundou a vila de São Vicente — está funcionando como adjunto
adnominal de capitão Brás Cubas, aposto.

9. Neste período

Renego de ti, demônio, / que me estavas a tentar. /

a oração adjetiva — que me estavas a tentar — está funcionando como adjunto adnominal de
demônio, vocativo.

ORAÇÕES ADJETIVAS RESTRITIVAS E EXPLICATIVAS


Quanto ao sentido, as subordinadas adjetivas classificam-se em RESTRITIVAS e EXPLICATIVAS.
Compare:

Jamais conseguiria chegar, não fosse a gentileza de um homem que passava naquele momento.
O homem, que se considera racional, muitas vezes age animalescamente.

No primeiro período, a oração que passava naquele momento restringe e particulariza o sentido
da palavra homem. A oração limita o universo de homens, isto é, não se refere a todos os homens.
Trata-se de uma oração subordinada adjetiva restritiva.

No segundo período, a oração que se considera racional não tem sentido restritivo em relação à
palavra homem. Trata-se de uma oração que apenas explicita uma ideia que já sabemos estar
contida no conceito de homem. É, portanto, uma oração subordinada adjetiva explicativa.

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263
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Perceba que a oração subordinada adjetiva explicativa é separada da oração principal por
vírgula. A oração subordinada adjetiva restritiva não é separada por vírgulas.
Em muitos casos, a oração será restritiva ou explicativa de acordo com o que se pretende dizer.
Assim:

Mandei um presente para meu irmão que mora em Roma.


Mandei um presente para meu irmão, que mora em Roma.

No primeiro período, afirma-se que a pessoa que escreve tem, no mínimo, dois irmãos, um que
mora em Roma e um que mora em outro lugar. No segundo período, afirma-se que a pessoa que
escreve tem apenas um irmão, o qual mora em Roma. Trata-se apenas de um elemento que se
quer realçar.

Mais um exemplo
A empresa tem duzentos funcionários que moram em Campinas.
A empresa tem duzentos funcionários, que moram em Campinas.

No primeiro período, afirma-se que a empresa tem mais de duzentos funcionários, dos quais
duzentos moram em Campinas (restritiva). No segundo período, afirma-se que a empresa tem
exatamente duzentos funcionários e que todos, absolutamente todos, moram em Campinas
(explicativa).

1. As restritivas, como o nome indica, restringem, limitam, precisam a significação do


substantivo (ou pronome) antecedente. São, por conseguinte, indispensáveis ao sentido da
frase. Como se ligam ao antecedente sem pausa, não se separam dele, na escrita, por vírgula.
Exemplos:
És um dos raros homens / que têm o mundo nas mãos. /

2. As explicativas acrescentam ao antecedente uma qualidade acessória, isto é, esclarecem


melhor a sua significação, à semelhança de um aposto. Mas, por isso mesmo, não são
indispensáveis ao sentido essencial da frase. Na fala, separam-se do antecedente por uma
pausa, indicada na escrita por vírgula:
Tio Cosme, / que era advogado, / confiava-lhe a cópia de papéis de autos.

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264
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ORAÇÕES REDUZIDAS

As orações reduzidas são, em geral, orações subordinadas que não se iniciam por conjunção
subordinativa nem por pronome relativo, além de o verbo estar numa das suas formas nominais:
infinitivo, gerúndio ou particípio. Vejam-se os exemplos a seguir.

1. Neste período,

Todos nós havemos de morrer; basta / estarmos vivos. /

a oração estarmos vivos tem valor substantivo. Não a encabeça, porém, a integrante que, nem o
seu verbo se apresenta numa forma finita, mas na do infinitivo pessoal.
A oração denomina-se, por isso, substantiva reduzida de infinitivo, e pode ser equiparada à
oração subordinada desenvolvida que estejamos vivos:

Todos nós havemos de morrer; basta / que estejamos vivos. /

2. Neste período,

Era o sortilégio, a sedução / ferindo os corações. /

a oração ferindo os corações tem valor adjetivo. Não vem, no entanto, encabeçada por pronome
relativo, nem traz o verbo numa forma finita, mas na do gerúndio.
A oração denomina-se, neste caso, adjetiva reduzida de gerúndio, e corresponde à oração
desenvolvida que feria os corações:

Era o sortilégio, a sedução / que feria os corações. /

3. Neste período,

Ansiado, / agarrou-se à árvore.

a oração ansiado tem valor adverbial. Não está, entretanto, encabeçada por conjunção
subordinativa, nem traz o verbo numa forma finita, mas na do particípio.

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265
CURSOS PREPARATÓRIOS
A oração denomina-se, então, adverbial reduzida de particípio, e equivale à oração desenvolvida
porque estava ansiado:

Porque estava ansiado, / agarrou-se à árvore.

Verifica-se, portanto, que as orações subordinadas substantivas, adjetivas e


adverbiais podem estar:

1) DESENVOLVIDAS, quando encabeçadas por nexo subordinativo e com verbo num tempo do
indicativo ou do subjuntivo:
a) seja numa forma simples:
Creio / que não há gente inocente. /
Não tinha dinheiro / que chegasse. /
Eram sete e meia da noite, / quando avistamos as luzes da cidade. /

b) seja numa locução verbal:


Disse / que ia pôr tudo em pratos limpos, / não disse?
Vou deitar ao papel as reminiscências / que me vierem vindo. /
Vira-os a bordo, / como estava a ver o próprio vigário. /

2) REDUZIDAS, quando não apresentam nexo subordinativo e têm o verbo no infinitivo, no


gerúndio ou no particípio:
a) seja numa forma simples:
Os homens do grupo do curral afastaram-se / para Maria passar. /
Chegando à rua, / arrependi-me de ter saído.
Que seria do futuro se trocássemos esses hábitos / consagrados pela experiência / e nos
deixássemos arrastar pelos falsos profetas?

b) seja numa locução verbal:


Bernardo estava certo / de não poder confiar nas boas intenções dele. /
O que me lembrou esta data foi, / estando a beber café, / a fala de um vendedor de tecidos.

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ORAÇÕES REDUZIDAS DE INFINITIVO
As orações reduzidas de infinitivo podem vir ou não regidas de preposição e, como as
desenvolvidas, classificam-se em:

SUBSTANTIVAS
1. Subjetivas:
É preciso / caminhar o passo certo. /
É fundamental/ você comparecer à reunião./

2. Objetivas diretas:
Espero também / poder confiar em ti. /
Deixe-me/ viver.

3. Objetivas indiretas:
Encarregara-a / de anunciar-se pessoalmente. /
Lembre-se/ de comprar todos os remédios.

4. Completivas nominais:
Estou ansioso / por ir vê-lo. /
Tenho a impressão/ de estar sempre no mesmo lugar.

5. Predicativas:
A sua intenção era / comunicar a Augusta o resultado da conversa com o pretendente. /
Meu desejo era/ encontrares o teu caminho.
Meu desejo era/ encontrar o meu caminho.

6. Apositivas:
A coragem é isto: / meter o pássaro do medo na capanga. /
Só resta uma alternativa:/ encontrar o remédio.

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267
CURSOS PREPARATÓRIOS
ADJETIVAS

Mas a visão logo se desvaneceu, ficando apenas os vidros, / a ocultarem, com o seu brilho, o / que
lá dentro existia./

Aqueles homens gotejantes de suor, desvairados de insolação, / a quebrarem, / a torturarem a


pedra, / pareciam um punhado de demônios revoltados.

Ele foi o primeiro aluno/ a se apresentar.

OBSERVAÇÃO
As orações adjetivas REDUZIDAS de infinitivo são mais frequentes no português europeu. No
português do Brasil empregam-se de preferência as adjetivas REDUZIDAS DE GERÚNDIO.

ADVERBIAIS
1. Causais:
Por serem trivialidades tais virtudes, / ninguém repara nelas.
Entristeceu-se/ de tanto esperar.
Por estar preparado/, foi contratado.

2. Concessivas:
Mesmo sem saber, / apetece-me cantar em honra da beleza das coisas.
Foi aprovado/ sem estudar.

3. Condicionais:
A não ser isto, / eu preferia ficar na sombra.
A julgar pela capa,/ o livro é muito bom.

4. Consecutivas:
O mancebo desprezava o perigo até da morte,/ a arrepiar a testa do touro com a ponta da lança.
A contaminação foi tanta,/ a ponto de precisar isolar o local.

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268
CURSOS PREPARATÓRIOS
5. Finais:

Conheça a vida / para poder afirmar tal coisa. /


Suportou a dor/ para estar com ele./

6. Temporais:
Ao ir embora, meu viver se fez noite.

ORAÇÕES REDUZIDAS DE GERÚNDIO


Podem ser adjetivas ou adverbiais.

ADJETIVAS
Virou-se e viu a mulher / fazendo sinal / para que ele voltasse.
Viu um grupo de homens / conversando. /
Vi um elefante/ andando na rua.

OBSERVAÇÃO
O emprego do gerúndio com valor de oração adjetiva pode gerar ambiguidade.

ADVERBIAIS
Como o gerúndio tem principalmente significado temporal, as reduzidas por ele formadas
correspondem, na maioria dos casos, a orações subordinadas adverbiais temporais. Comparem-
se, por exemplo:

Passando pela porta do compadre José Amaro, / ele me convidou para tomar conta de sua
causa.
Entrando em casa,/ percebi o assalto.
Mas podem equivaler também a outras orações subordinadas adverbiais:

1. Causais:
Pressentindo / que as suas intenções haviam sido adivinhadas, ele tentou minorar a situação.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
Estando com medo do pai,/ fugiu de casa.

2. Concessivas:
Ainda não sendo padre, / se quiser florear com outros rapazes, há de queixar-se de você, Mana
Glória.
Mesmo não tendo dinheiro,/ comprou o carro.

3. Condicionais:
Pensando bem, / tudo aquilo era muito estranho.
Agindo assim,/ não conseguirá retorno.

ORAÇÕES REDUZIDAS DE PARTICÍPIO


Como as reduzidas de gerúndio, as de particípio podem ser adjetivas ou adverbiais.

ADJETIVAS

As rosas brancas agrestes / Trazidas do fim dos montes / Alegram o meu viver.
Servimos comida/ comprada em supermercado.
A vítima,/ ameaçada a todo instante,/ morreu.

ADVERBIAIS
São mais comuns as temporais:

Acabada a cerimônia, / demos a volta no salão.


Armadas as barracas, / abrigados caminheiros e camaradas, / roncou a tormenta.
Acabada a festa,/ todos pularam na piscina.

Não raro, ocorrem também as:

1. Causais:
Desesperado, / parecia um doido por toda a casa.
Magoados,/ queriam ir embora.
Preocupada com a saúde,/ mudou a rotina.

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270
CURSOS PREPARATÓRIOS
2. Concessivas:
Creio, porém, que, / ainda admitidas as exagerações do Jornal do Comércio, / pode-se assegurar
que a guerra está concluída.
Advertido do perigo,/ continuava nadando.

3. Condicionais:
Dada essa hipótese, / espero de nossos amigos dedicados que não sofrerão impassíveis uma
oposição injusta.
Cumprida a promessa,/ poderá sair com os amigos.
Aceitas as condições de trabalho,/ estaria contratado.

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271
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PERÍODO SIMPLES E PERÍODO
COMPOSTO

Já sabemos o que é análise sintática interna da oração. Examinamos, aí, os seus termos essenciais,
integrantes e acessórios; e, para tal estudo, servimo-nos sobretudo de períodos simples, isto é,
de períodos constituídos de uma só oração, chamada absoluta.
Sabemos também que os termos essenciais, integrantes e acessórios de uma oração podem ser
representados por outra oração. É agora o momento de examinarmos mais detidamente esse
ponto.

COMPOSIÇÃO DO PERÍODO
1. Tomemos o seguinte período:

As horas passam, os homens caem, a poesia fica.

Vemos que ele é composto de três orações:


1ª = As horas passam,
2ª = os homens caem,
3ª = a poesia fica.

Vemos, ainda, que as três orações são da mesma natureza, pois:


a) são autônomas, independentes, isto é, cada uma tem sentido próprio;
b) não funcionam como termos de outra oração, nem a eles se referem: apenas, uma pode
enriquecer com o seu sentido a totalidade da outra. A tais orações autônomas dá-se o nome
de coordenadas, e o período por elas formado diz-se composto por coordenação.

2. Examinemos agora este período:

O André não lhe disse que temos aí um holandês que trouxe material novo...?

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272
CURSOS PREPARATÓRIOS
Aqui, também, estamos diante de um período de três orações:
1ª= O André não lhe disse
2ª= que temos aí um holandês
3ª= que trouxe material novo?

Mas a sua estrutura é diferente da do anterior, pois:


a) a primeira oração contém a declaração principal do período, rege-se por si, e não
desempenha nenhuma função sintática em outra oração do período; chama-se, por isso,
oração principal;
b) a segunda oração tem sua existência dependente da primeira, de cujo verbo é objeto direto;
funciona, assim, como termo integrante dela;
c) a terceira oração tem sua existência dependente da segunda, de cujo objeto direto é adjunto
adnominal; funciona, por conseguinte, como termo acessório dela.

As orações sem autonomia gramatical, isto é, as orações que funcionam como termos essenciais,
integrantes ou acessórios de outra oração, chamam-se subordinadas. O período constituído de
orações subordinadas e uma oração principal denomina-se composto por subordinação.

3. Vejamos, por fim, este período:

O moleque arregalou os olhos, e eu pensei que ia ouvir as pancadas do seu coração.

Ainda aqui temos um período composto de três orações:


1ª= O moleque arregalou os olhos,
2ª= e eu pensei
3ª= que ia ouvir as pancadas do seu coração.

Sua estrutura é, porém, distinta das duas que examinamos, ou melhor, é uma espécie de
combinação delas, pois:
a) as duas primeiras orações são coordenadas (a primeira é coordenada assindética; a segunda,
coordenada sindética aditiva);
b) a última é subordinada, uma vez que funciona como objeto direto da oração anterior.

CONHEÇA NOSSOS
273
CURSOS PREPARATÓRIOS
O período que apresenta orações coordenadas e subordinadas diz-se composto por
COORDENAÇÃO e SUBORDINAÇÃO.

CARACTERÍSTICAS DA ORAÇÃO PRINCIPAL


Uma oração subordinada pode depender de um termo de outra oração SUBORDINADA.
No período

O André não lhe disse que temos aí um holandês que trouxe material novo...?

que trouxe material novo é adjunto adnominal do objeto direto (um holandês) da oração
subordinada que temos aí um holandês, a qual, por sua vez, é objeto direto da oração principal
O André não lhe disse.

Nesse caso, alguns gramáticos consideram a 2.a oração, simultaneamente, subordinada e


principal: subordinada em relação à l.a; principal com referência à 3.a.

Tal classificação tem o inconveniente de se basear em dois critérios; ou melhor, fazer


predominar o critério semântico sobre o sintático.

Em verdade, a oração principal (ou um de seus termos) serve sempre de suporte a uma oração
subordinada. Mas não é essa a sua característica essencial; e, sim, o fato de não exercer
nenhuma função sintática em outra oração do período. Ora, no período composto por
subordinação só há uma que preenche tal condição. A esta, pois, se deve reservar, com
exclusividade, o nome de principal.

OBSERVAÇÃO
A Nomenclatura Gramatical Portuguesa eliminou a designação de oração principal sob o
argumento de não fazer falta ao estudo desses processos e de “dar ensejo a duplas
interpretações, quer no plano lógico, quer no plano gramatical”.

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274
CURSOS PREPARATÓRIOS
CONCLUSÃO
Na análise de um período composto, cumpre, pois, ter em mente que:
a) a oração principal não exerce nenhuma função sintática em outra oração do período;
b) a oração subordinada desempenha sempre uma função sintática (SUJEITO, OBJETO DIRETO,
OBJETO INDIRETO, PREDICATIVO, COMPLEMENTO NOMINAL, AGENTE DA PASSIVA,
ADJUNTO ADNOMINAL, ADJUNTO ADVERBIAL OU APOSTO) em outra oração, pois que dela
é um termo ou parte de um termo;
c) a oração coordenada, como a principal, nunca é termo de outra oração nem a ela se refere;
pode relacionar-se com outra coordenada, mas em sua integridade.

Vamos à análise de um período composto misto.

“Sempre passo no curral antes de fazer o manejo, observo tudo, dizem que tenho olho biônico, e
ela notou uma coisa que eu não tinha visto”.

1ª. oração: Sempre passo no curral: oração principal.

2ª. oração: antes de fazer o manejo: oração subordinada adverbial temporal reduzida de
infinitivo.

3ª. oração: observo tudo: oração coordenada assindética.

4ª. oração: dizem: oração coordenada assindética em relação à terceira oração e principal em
relação à quinta oração.

5ª. oração: que tenho olho biônico: oração subordinada substantiva objetiva direta cuja oração
principal é a quarta.

6ª. oração: e ela notou uma coisa: oração coordenada sindética aditiva e principal em relação à
sétima oração.

7ª. oração: que eu não tinha visto: oração subordinada adjetiva restritiva cujo antecedente é a
palavra “coisa”.

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275
CURSOS PREPARATÓRIOS
SINAIS DE PONTUAÇÃO E SINAIS
GRÁFICOS AUXILIARES
Ponto final [.] Reticências [...] Parênteses angulares [< >]
Ponto de interrogação [?] Parênteses [( )] Asterisco [*]
Ponto de exclamação [!] Hífen [-] Meia-risca ou meio-traço [–]
Vírgula [,] Barra oblíqua [/] Parágrafo [§]
Ponto e vírgula [;] Aspas [“ ”] Alínea [a)]
Dois-pontos [:] Colchetes [ [ ] ]
Travessão [—] Chaves ou chavetas [{}]

SINAIS PAUSAIS E SINAIS MELÓDICOS


A língua escrita não dispõe dos inumeráveis recursos rítmicos e melódicos da língua falada. Para
suprir essa carência, ou melhor, para reconstituir aproximadamente o movimento vivo da
elocução oral, serve-se da pontuação.
Os sinais de pontuação podem ser classificados em dois grupos.

O primeiro grupo compreende os sinais que, fundamentalmente, se destinam a marcar as


pausas:
a) a vírgula (,)
b) o ponto (.)
c) o ponto e vírgula (;)

O segundo grupo abarca os sinais cuja função essencial é marcar a melodia, a entoação:
a) os dois pontos (:) e) as aspas (“ ”)
b) o ponto de interrogação (?) f) os parênteses ( ( ) )
c) o ponto de exclamação (!) g) os colchetes ( [ ])
d) as reticências (...) h) o travessão ( _ )

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276
CURSOS PREPARATÓRIOS
OBSERVAÇÕES
1. Essa distinção não é rigorosa. Em geral, os sinais de pontuação indicam, ao mesmo tempo, a
pausa e a melodia.
2. Outros sinais podem ter valor expressivo: o hífen, o parágrafo, o emprego de letras
maiúsculas e o uso de diversos tipos e cores dos caracteres de imprensa (itálico, negrito etc.).

SINAIS QUE MARCAM SOBRETUDO A PAUSA

A VÍRGULA
A vírgula marca uma pausa de pequena duração. Emprega-se não só para separar elementos de
uma oração, mas também orações de um só período.

NO INTERIOR DA ORAÇÃO SERVE PARA:


a) separar elementos que exercem a mesma função sintática (sujeito composto, complementos,
adjuntos), quando não vêm unidos pelas conjunções e, ou e nem. Exemplos:
A sua fronte, a sua boca, o seu riso, as suas lágrimas, enchem-lhe a voz de formas e de cores...
Os homens em geral são escravos; vivem presos às suas profissões, aos seus interesses, aos seus
preconceitos.
Achava os homens declamadores, grosseiros, cansativos, frívolos, triviais.

OBSERVAÇÃO
Quando as conjunções e, ou e nem vêm repetidas numa enumeração, costuma-se separar por
vírgula os elementos coordenados, como nestes exemplos:
Abrem-se lírios, e jasmins, e rosas.
Vai a fera perseguir-vos por água ou terra, ou campos, ou florestas.
Nem eu, nem tu, nem ela, nem qualquer outra pessoa desta história poderia responder mais.

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277
CURSOS PREPARATÓRIOS
b) para separar elementos que exercem funções sintáticas diversas, geralmente com a
finalidade de realçá-los.
Em particular, a vírgula é usada:
a) para isolar o aposto, ou qualquer elemento de valor meramente explicativo:
Alice, a menina, estava feliz.
A meu pai, com efeito, ninguém fazia falta.
Conheço, sim, o cansaço do nosso corpo.

b) para isolar o vocativo:


— Que ideias tétricas, minha senhora!
— D. Glória, a senhora persiste nessa ideia? nosso
— Como é que tu te chamas, ó rapaz?

c) para isolar os elementos repetidos:


— Nada, nada — dizia Vilaça todo amável.
Contigo, contigo, Antônio Machado, fora bom passear.

d) para isolar o adjunto adverbial antecipado:


Lá fora, a chuvada despenhou-se por fim.
À noite, às vezes, fazia barulho.

OBSERVAÇÃO
Quando os adjuntos adverbiais são de pequeno corpo (um advérbio, por exemplo), costuma-se
dispensar a vírgula. A vírgula é, porém, de regra quando se pretende realçá-los. Comparem-se
estes passos:
Depois levaram Ricardo para a casa da mãe Avelina.
Depois, tudo caiu em silêncio.

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278
CURSOS PREPARATÓRIOS
Emprega-se ainda a vírgula no interior da oração:
a) para separar, na datação de um escrito, o nome do lugar:
Paris, 22 de abril de 1983.

b) para indicar a supressão de uma palavra (geralmente o verbo) ou de um grupo de palavras:


No céu azul, dois fiapos de nuvens.
A tarde, de ouro pálido, e o mar, tranquilo como o céu.

ENTRE ORAÇÕES, EMPREGA-SE A VÍRGULA:


1. para separar as orações coordenadas assindéticas:
Acendeu um cigarro, cruzou as pernas, estalou as unhas, demorou o olhar em Maria.
Pois eu caçava, pescava, atirava.
Veio a hora do almoço, o céu cobriu-se de negro, a chuva desabou, contínua e pesada.

2. para separar as orações coordenadas sindéticas, salvo as introduzidas pela conjunção e:


— Não me disseste, mas eu vi.
Ou elas tocavam, ou jogávamos os três, ou então lia-se alguma coisa.
Não comas, que o tempo é chegado.

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279
CURSOS PREPARATÓRIOS
OBSERVAÇÕES
a) Separam-se geralmente por vírgula as orações coordenadas unidas pela conjunção e, quando
têm sujeito diferente:
O sol já ia fraco, e a tarde era amena.
A mulher morreu, e cada um dos filhos procurou o seu destino.

Costuma-se também separar por vírgula as orações introduzidas por essa conjunção quando ela
vem reiterada:
E eles riem, e eles cantam, e eles dançam.

b) Das conjunções adversativas, mas emprega-se sempre no começo da oração; porém,


todavia, contudo, entretanto e no entanto podem vir ora no início da oração, ora após um
de seus termos. No primeiro caso, põe-se uma vírgula antes da conjunção; no segundo, ela
vem isolada por vírgulas. Compare-se este período de Machado de Assis:

— Vá aonde quiser, mas fique morando conosco.

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280
CURSOS PREPARATÓRIOS
aos seguintes:

— Vá aonde quiser, porém fique morando conosco.


— Vá aonde quiser, fique, porém, morando conosco.

Em virtude da acentuada pausa que existe entre as orações acima, podem ser elas separadas, na
escrita, por ponto e vírgula. Ao último período, seria a pontuação mais conveniente:
— Vá aonde quiser; fique, porém, morando conosco.

c) Quando conjunção conclusiva, pois vem sempre posposto a um termo da oração a que
pertence e, portanto, isolado por vírgulas:
Não concorda com a ordem; é, pois, uma rebelde.

As demais conjunções conclusivas (logo, portanto, por conseguinte, etc.) podem encabeçar a
oração, ou pospor-se a um dos seus termos. À semelhança das adversativas, escrevem-se,
conforme o caso, com uma vírgula anteposta, ou entre vírgulas. Veja-se a observação 2, em
relação ao ponto e vírgula.

3. para isolar as orações intercaladas:


— Se o alienista tem razão, disse eu comigo, não haverá muito que lastimar o Quincas Borba.
— Amanhã mesmo vou encerrá-lo, assegurei, um tanto espantado.
“Lá vem ele com as raízes”, resmungou Paulino, baixando a cabeça.

4. para isolar as orações subordinadas adjetivas explicativas:


O João, que tinha relações sobrenaturais, diagnosticara um espírito.
Eu, que tinha ido ensinar, agora me via diante de trinta examinadoras.

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281
CURSOS PREPARATÓRIOS
OBSERVAÇÃO
As orações subordinadas adjetivas classificam-se em restritivas e explicativas.

As restritivas, necessárias ao sentido da frase, ligam-se a um substantivo (ou pronome)


antecedente sem pausa, razão por que dele não se separam, na escrita, por vírgula. Já as
explicativas, denotadoras de uma qualidade acessória do antecedente — e, portanto,
dispensáveis ao sentido essencial da frase —, separam-se dele por uma pausa, indicada na
escrita por vírgula.

Comparem-se estes dois exemplos:


Não se lembraria do beijo que me jogara de longe, dos cravos que me atirara...
Os dois espanhóis e meu tio, que o ouviam, olharam para mim.

No primeiro, há duas orações adjetivas restritivas: que me jogara de longe e que me atirara; no
segundo, uma oração adjetiva explicativa: que o ouviam. Daí a diversidade de pontuação.

5. para separar as orações subordinadas adverbiais, principalmente quando antepostas à


principal:
Quando se levantou, os seus olhos tinham uma fria determinação.
Se eu o tivesse amado, talvez o odiasse agora.

6. para separar as orações reduzidas de infinitivo, de gerúndio e de particípio, quando


equivalentes a orações adverbiais:
A não ser isto, é uma paz regalada.
Sendo tantos os mortos, enterram-nos onde se pode.
Fatigado, ia dormir.
CONCLUSÃO
Finalizando as nossas observações, devemos acentuar o seguinte:
a) toda oração ou todo termo de oração de valor meramente explicativo pronunciam-se entre
pausas; por isso são isolados por vírgulas, na escrita;

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282
CURSOS PREPARATÓRIOS
b) os termos essenciais e integrantes da oração ligam-se uns com os outros sem pausa; não
podem, assim, ser separados por vírgula. Essa é a razão por que não é admissível o uso da
vírgula entre uma oração subordinada substantiva e a sua principal;

c) há uns poucos casos em que o emprego da vírgula não corresponde a uma pausa real na fala;
é o que se observa, por exemplo, em respostas rápidas do tipo: Sim, senhor. Não, senhor.

O PONTO
1. O ponto assinala a pausa máxima da voz depois de um grupo fônico. Emprega-se, pois,
fundamentalmente, para indicar o término de uma oração declarativa, seja ela absoluta, seja
a derradeira de um período composto:

A terra parece anestesiada. Raras estrelas começam a apontar no firmamento, mais adivinhadas
do que propriamente visíveis. Sinto um langor de corpo e espírito. Decerto é a tardinha que me
contagia com sua doce febre.
(É. Veríssimo)

OBSERVAÇÃO
O ponto tem sido utilizado pelos escritores modernos onde os antigos poriam ponto e vírgula ou
mesmo vírgula. Trata-se de um eficiente recurso estilístico, quando usado adequada e
sobriamente. Com a segmentação de períodos compostos em orações absolutas, ou com a
transformação de termos destas em novas orações, obriga-se o leitor a ampliar as pausas entre
os grupos fônicos de determinado texto, com o que lhe modifica a entoação e, consequentemente,
o próprio sentido. As orações assim criadas adquirem um realce particular; ganham em
afetividade e, não raro, passam a insinuar ideias e sentimentos, inexprimíveis numa pontuação
normal e lógica. Leiam-se, por exemplo, estes passos:
A tua presença provocou em mim o sentimento inédito que buscava. Fiquei transposto. Outro. Como
desejava.

Clarissa começa a ficar decepcionada. Decerto o poeta está doente. Ou com frio. Ou se esqueceu de
aparecer.

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283
CURSOS PREPARATÓRIOS
2. Ao ponto que encerra um enunciado escrito dá-se o nome de ponto-final.

OBSERVAÇÃO
Além de servir para marcar uma pausa longa, o ponto tem outra utilidade. É o sinal que se
emprega depois de qualquer palavra escrita abreviadamente. Assim: V, S.a. (Vossa Senhoria), dr.
(doutor), C. F. C. (Conselho Federal de Cultura), I. N. I. C. (Instituto Nacional de Investigação
Científica).
Note-se que, se a palavra assim reduzida estiver no fim do período, este encerra-se com o ponto
abreviativo, pois não se coloca outro ponto depois dele.

O PONTO E VÍRGULA
Como o nome indica, esse sinal serve de intermediário entre o ponto e a vírgula, podendo
aproximar-se ora mais daquele, ora mais desta, segundo os valores pausais e melódicos que
representa no texto. No primeiro caso, equivale a uma espécie de ponto reduzido; no segundo,
assemelha-se a uma vírgula alongada.

Essa imprecisão do ponto e vírgula faz que o seu emprego dependa substancialmente do
contexto. Entretanto, podemos estabelecer que, em princípio, ele é usado:
1. para separar num período as orações da mesma natureza que tenham uma certa extensão:
Não sabe mostrar-se magoada; é toda perdão e carinho.

2. para separar partes de um período, das quais uma pelo menos esteja subdividida por vírgula:
Chamo-me Inácio; ele, Benedito.
Era cedo ainda; mas, depois que saí da farmácia, fiquei ansioso por ver a Maria.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
3. para separar os diversos itens de enunciados enumerativos (em leis, decretos, portarias,
regulamentos, etc.). Sirva de exemplo o Título I (Dos Fins da Educação) da Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional:
Art l.° A educação nacional, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade
humana, tem por fim:
a) a compreensão dos direitos e deveres da pessoa humana, do cidadão, do Estado, da família
e dos demais grupos que compõem a comunidade;
b) o respeito à dignidade e às liberdades fundamentais do homem;
c) o fortalecimento da unidade nacional e da solidariedade internacional;
d) o desenvolvimento integral da personalidade humana e a sua participação na obra do bem
comum;
e) o preparo do indivíduo e da sociedade para o domínio dos recursos científicos e tecnológicos
que lhes permitam utilizar as possibilidades e vencer as dificuldades do meio;
f) a preservação e expansão do patrimônio cultural;
g) a condenação a qualquer tratamento desigual por motivo de convicção filosófica, política
ou religiosa, bem como a quaisquer preconceitos de classe ou de raça.

OBSERVAÇÕES
1) O ponto e vírgula divide longos períodos em partes menores à semelhança da cesura, ou
deflexão interna de um verso longo. Às vezes, os elementos separados são simétricos e disso
resulta um ritmado encadeamento do período, muito ao gosto do estilo oratório. Leia-se este
trecho de Rui Barbosa em louvor de Machado de Assis:

Não é o clássico da língua; não é o mestre da frase; não é o árbitro das letras; não é o filósofo do
romance; não é o mágico do conto; não é o joalheiro do verso, o exemplar sem rival entre os
contemporâneos, da elegância e da graça; é o que soube viver intensamente a arte, sem deixar de
ser bom.

2) Em lugar da vírgula, costuma-se empregar o ponto e vírgula antes das conjunções


adversativas (mas, porém, todavia, contudo, no entanto, etc.) e das conclusivas (logo,
portanto, por isso, etc.) colocadas no início de uma oração coordenada. Com o alongamento da
pausa, acentua-se o sentido adversativo (ou conclusivo) das referidas conjunções.
Comparem-se estes períodos:

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Pode a virtude ser perseguida, mas nunca desprezada.
Pode a virtude ser perseguida; mas nunca desprezada.
Ele anda muito ocupado, por isso não tem respondido às suas cartas.
Ele anda muito ocupado; por isso não tem respondido às suas cartas.

Em certos casos, o tom enfático aconselha mesmo o uso do ponto em tal posição. É o que ocorre,
por exemplo, neste trecho de Rui Barbosa:

Qual é a doença reinante? Bubões. Logo, Tarantula cubensis. Porque a mordedura desse aracnídeo
gera sintoma de peste. Logo, a previne. Logo, há de curá-la.

SINAIS QUE MARCAM SOBRETUDO A MELODIA

OS DOIS-PONTOS
Os dois pontos servem para marcar, na escrita, uma sensível suspensão da voz na melodia de
uma frase não concluída. Empregam-se, pois, para anunciar:
1) uma citação (geralmente depois de verbo ou expressão que signifique dizer, responder,
perguntar e sinônimos):
Como ele nada dissesse, o pai perguntou:
— Queres ou não queres ir?

2) uma enumeração explicativa:


Não fosse ele, outros seriam: pajens, gente de guerra, vadios de estalagens, andejos das estradas.
À sua volta, tudo lhe parece chorar: as árvores, o capim, os insetos.
3) um esclarecimento, uma síntese ou uma consequência do que foi enunciado:
- A razão é clara: achava a sua conversa menos insossa que a dos outros homens.
E a felicidade traduz-se por isto: criarem-se hábitos.
Não era desgosto: era cansaço e vergonha.
Eu em sua igreja não mando: só assisto e apoio.

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OBSERVAÇÃO
Depois do vocativo que encabeça cartas, requerimentos, ofícios, etc., costuma-se colocar dois-
pontos, vírgula ou ponto, havendo escritores que, no caso, dispensam qualquer pontuação.
Assim:
Prezado senhor: Prezado senhor.
Prezado senhor, Prezado senhor
(Cunha)

O PONTO DE INTERROGAÇÃO
1. É o sinal que se usa no fim de qualquer interrogação direta, ainda que a pergunta não exija
resposta:
— Então a coisa sai mesmo?
— Se sai? Já saiu! Não viu os jornais?

2. Nos casos em que a pergunta envolve dúvida, costuma-se fazer seguir de reticências o ponto
de interrogação:
— Então?... que foi isso?... a comadre?...
(Artur Azevedo, CFM, 86.)
— Quem está aí?...
(Branquinho da Fonseca, B, 86.)

3. Nas perguntas que denotam surpresa, ou naquelas que não têm endereço nem resposta,
empregam-se por vezes combinados o ponto de interrogação e o ponto de exclamação:
— Ah, é a senhora?! Pois entre, a casa é sua...
Quem é que não conhece Floripa?!!!

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OBSERVAÇÃO
O ponto de interrogação nunca se usa no fim de uma interrogação indireta que termina com
entoação descendente, exigindo, por isso, um ponto. Comparem-se:
— Quem chegou? [= interrogação direta]
— Diga-me quem chegou. [= interrogação indireta]

O PONTO DE EXCLAMAÇÃO
É o sinal que se pospõe a qualquer enunciado de entoação exclamativa. Mas, como a melodia das
exclamações apresenta muitas variedades, o seu valor só pode ser depreendido do contexto.
Cabe, pois, ao leitor a tarefa, extremamente delicada, de interpretar a intenção do escritor; de
recriar, com apoio em um simples sinal, as diversas possibilidades de inflexão exclamativa e, em
cada caso, escolher dentre elas a mais adequada — se se trata de uma expressão de espanto, de
surpresa, de alegria, de entusiasmo, de cólera, de dor, de súplica, ou de outra natureza.

1. Normalmente, emprega-se o ponto de exclamação:


a) depois de interjeições ou de termos equivalentes, como os vocativos intensivos, as apóstrofes:
— Credo em cruz! gemeu Raimundo, assombrado.
Que pureza e correção de linhas! Que fidalguia de olhar e falar!
— Adeus, senhor, adeus!

b) depois de um imperativo:
— Não vás! Volta, meu filho! Não vás!

2. Tão variado como o seu valor melódico é o valor pausal do ponto de exclamação. Para
acentuar a inflexão da voz e a duração das pausas pedidas por certas formas exclamativas —
ou para sugerir a mímica emocional que as acompanha —, alguns escritores usam de
artifícios semelhantes aos que apontamos no emprego do ponto de interrogação. Costumam,
assim:

a) juntar o ponto de exclamação ao de interrogação, para obter os efeitos que indicamos.


Quando a entoação é predominantemente interrogativa, o ponto de interrogação antecede o

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de exclamação; quando é mais sensível o tom exclamativo, o de exclamação precede o de
interrogação:
Ah! minha Nossa Senhora, para que Felícia veio falar dessas histórias agora de noite!?

A referida combinação costuma ser seguida ou antecedida de reticências, o que lhe acrescenta
uma nota de incerteza:
— Coitada!... quem diria... quem imaginaria que acabaria assim!?...

b) repetir o ponto de exclamação, para marcar um reforço especial na duração, na intensidade


ou na altura da voz:
Ah! Pérfido! Se os teus não lhes respondem mais, para sempre!!!!!!! meus beijos emurchecerão!
Triste! Triste da abandonada!...

3. Às vezes, encadeiam-se em forma dialogada essas tentativas de notação mímica. Veja-se este
exemplo de Antônio Nobre:
Enfim, feliz! — ? — ! Desesperado. — Vem!

AS RETICÊNCIAS
As reticências marcam uma interrupção da frase e, consequentemente, a suspensão da sua
melodia.
1. Empregam-se em casos muito variados. Assim:
a) para indicar que o narrador ou a personagem interrompe uma ideia que começou a exprimir,
e passa a considerações acessórias:
Peça-lhe a sua felicidade, que eu não faço outra coisa... Uma vez que você não pode ser padre, e
prefere as leis...
As leis são belas, sem desfazer na teologia, que é melhor que tudo, como a vida eclesiástica é a mais
santa... Por que não há de ir estudar leis fora daqui?
(Machado de Assis)
“Quanto ao seu pai... Às vezes penso... Asseguro-lhe que é verdade. Penso que ela se esqueceu de
tudo. Que teve uma crise de amnésia e perdeu determinados acontecimentos.”

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b) para marcar suspensões provocadas por hesitação, surpresa, dúvida ou timidez de quem fala:
— Homem, vê lá... Pensa bem no que vais fazer... — avisou o prior.
— Você... tão sozinha... Não lhe ocorre, muitas vezes, que se um homem... Não tem vontade de casar-
se...
— Eu... eu... queria... um agasalho — respondeu soluçando a miserável.

c) para assinalar certas inflexões de natureza emocional (de alegria, de tristeza, de cólera, de
sarcasmo etc.):
— Há tempos que eu não chorava!... Pois me vieram lágrimas..., devagarinho, como gateando,
subiram... tremiam sobre as pestanas, luziam um tempinho...
Mágoa de o ter perdido, amor ainda.
Ódio por ele? Não... não vale a pena...
(F. Espanca)

d) para indicar que a ideia que se pretende exprimir não se completa com o término gramatical
da frase e que deve ser suprida com a imaginação do leitor:
Duas horas te esperei.
Duas mais te esperaria.
Se gostas de mim não sei...
Algum dia há de ser dia...
(F. Pessoa)

2. Empregam-se também as reticências para reproduzir, nos diálogos, não uma suspensão do
tom da voz, mas o corte da frase de um personagem pela interferência da fala de outro:
— A senhora ia dizer que...
— Nada... nada... — atalhou a mulher.
3. Usam-se ainda as reticências antes de uma palavra ou de uma expressão que se quer realçar:
E as Pedras... essas... pisa-as toda a gente!...
E teve um fim que nunca se soube... Pobrezinho... Andaria nos doze anos. Filho único.

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OBSERVAÇÕES
1) Como os outros sinais melódicos, as reticências têm certo valor pausal, que é mais acentuado
quando elas se combinam com outro sinal de pontuação. Duas combinações são possíveis:

a) com um sinal pausal (vírgula, ou ponto e vírgula). Nesse caso as reticências têm apenas valor
melódico; a pausa é indicada pela vírgula, ou pelo ponto e vírgula que as segue:
Passai, ó vagas..., mas passai de manso!
— É uma dos diabos, é...; mas não se acanhe, homem!

b) com um sinal melódico (ponto de interrogação, ou ponto de exclamação, ou os dois


conjugados). Nesse caso, as reticências prolongam a duração das inflexões interrogativa e
exclamativa e lhes acrescentam certos matizes particulares, que indicamos ao estudarmos
aqueles sinais.
— Coitada!... quem diria?...

2) Não se devem confundir reticências, que têm valor estilístico apreciável, com os três pontos
que se empregam, como simples sinal tipográfico, para indicar que foram suprimidas
palavras no início, no meio ou no fim de uma citação. Modernamente, para evitar qualquer
dúvida, tende a generalizar-se o uso de quatro pontos para marcar tais supressões, ficando
os três pontos como sinal exclusivo das RETICÊNCIAS.

AS ASPAS
1. Empregam-se principalmente:
a) no início e no fim de uma citação para distingui-la do resto do contexto:
Definiu César toda a figura da ambição quando disse aquelas palavras: “Antes o primeiro na aldeia
do que o segundo em Roma.”

b) para fazer sobressair termos ou expressões, geralmente não peculiares à linguagem normal
de quem escreve (estrangeirismos, arcaísmos, neologismos, vulgarismos, etc.):

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CURSOS PREPARATÓRIOS
Era melhor que fosse “clown”.

c) para acentuar o valor significativo de uma palavra ou expressão:


A palavra “nordeste” é hoje uma palavra desfigurada pela expressão “obras do Nordeste” que quer
dizer: “obras contra as secas”. E quase não sugere senão as secas.

d) para realçar ironicamente uma palavra ou uma expressão:


— Está o mundo perdido, até a Judite já tem “arranjinho”!

2. Usam-se também as aspas para indicar:


a) a significação de uma palavra ou de uma frase, em geral de língua estrangeira:
No Alentejo fazenda significa “rebanho de gado macho”

b) nos diálogos, a mudança de interlocutor (emprego que em alguns escritores contemporâneos


substitui o valor normal do travessão):
“Como vê. Estava à sua espera.”
“É muito verdadeira?” perguntou ele.
“Vamos mudar de assunto”, eu disse.

c) o título de uma obra:


Belinha acaba de ler “Elzira, a Morta Virgem”.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
OBSERVAÇÕES
1) Na escrita, em vez de isolarmos por aspas tais dizeres, costumamos sublinhá-los. Nas obras
impressas os elementos sublinhados vêm em tipo diverso, preferentemente em itálico (ou
grifo).
2) No emprego das aspas, cumpre atender a estes preceitos, aprovados nos acordos ortográficos
luso-brasileiros: “Quando a pausa coincide com o fim da expressão ou sentença que se acha
entre aspas, coloca-se o competente sinal de pontuação depois delas, se encerram apenas
uma parte da proposição; quando, porém, as aspas abrangem todo o período, sentença, frase
ou expressão, a respectiva notação fica abrangida por elas.”

OS PARÊNTESES
Empregam-se os parênteses para intercalar num texto qualquer indicação acessória. Seja, por
exemplo:
a) uma explicação dada ou uma circunstância mencionada incidentemente:
Conseguia controlar a bola que me passavam (quando passavam) jogando em geral (quando
deixavam) na ponta direita.
É lá (no café) que se encontra a estalajadeira.

b) uma reflexão, um comentário à margem do que se afirma:


Mais uma vez (tinha consciência disso) decidia o seu destino.
A minha guerra, como a dos que tinham partido (se é que tinham), começava agora.

c) uma nota emocional, expressa geralmente em forma exclamativa ou interrogativa:


Havia a escola, que era azul e tinha um mestre mau, de assustador pigarro...
(Meu Deus! Que é isto? Que emoção a minha quando estas coisas tão singelas narro?)

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OBSERVAÇÃO
A posição dos parênteses com referência aos sinais pausais obedece à seguinte norma: “Quando
uma pausa coincide com o início da construção parentética, o respectivo sinal de pontuação deve
ficar depois dos parênteses; mas, estando a proposição ou a frase inteira encerrada pelos
parênteses, dentro deles se põe a competente notação” (Formulário Ortográfico oficial
brasileiro).

OS COLCHETES
Os colchetes são uma variedade de parênteses, mas de uso restrito. Empregam-se:
a) quando, numa transcrição de texto alheio, o autor intercala observações próprias, como
nesta nota de Sousa da Silveira a um passo de Casimiro de Abreu:
Entenda-se, pois: “Obrigado! obrigado [pelo teu canto em que] tu respondes [à minha pergunta
sobre o porvir (versos 11-12) e me acenas para o futuro (versos 14 e 85), embora o que eu percebo
no horizonte me pareça apenas uma nuvem (verso 15)]”.

b) quando se quer isolar uma construção internamente já separada por parênteses, à


semelhança do que ocorre com os segundos colchetes do exemplo anterior;

c) quando se deseja incluir, numa referência bibliográfica, indicação que não conste da obra
citada, como neste exemplo:
Dom Casmurro. Por Machado de Assis, da Academia Brasileira. H. Garnier, Livreiro-Editor — 71,
Rua Moreira César, 71, Rio de Janeiro — 6, rue des Saints-Pères, 6 — Paris [ 1899].

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OBSERVAÇÃO
O uso dos colchetes é frequente nos trabalhos de linguística e de filologia. Coloca-se entre
colchetes uma palavra transcrita foneticamente. Por exemplo:

Mundo [m~udu]

Também entre colchetes se colocam, nas edições críticas, os elementos que devem ser
introduzidos no texto, encerrando-se entre parênteses os que dele devem ser eliminados.

No perfil da lua,
Um nimbo mortal.
(Mas quem lê na névoa o amargo sinal?)
(C. Meireles, OP, 796.)

OBSERVAÇÃO
Entre as explicações e as circunstâncias acessórias que costumam ser escritas entre parênteses,
incluem-se:
a) referências a datas, a indicações bibliográficas, etc.:
“Boa noite, Maria! Eu vou-me embora.”
(Castro Alves, Espumas flutuantes. Poesias. Bahia, 1870, p. 71.)
b) a citação textual de uma palavra ou frase traduzida:
Parece que o duunvirato jurisdicional (duunviri ou quatuorviri juridicundo), já muito cerceada a
sua jurisdição nos últimos tempos do império, deixou de existir.

c) as indicações cênicas (numa peça de teatro):


lª Jovem— Como te chamas?
Pastorinho— (Sorridente.) Prometeu.
1.ª Jovem — E aquela voz que se ouve?
Pastorinho — É meu pai. (Ri.)

d) Usam-se também os parênteses para isolar orações intercaladas com verbos declarativos:
Uma vez (contavam) a polícia tinha conseguido deitar a mão nele.
o que se faz mais frequentemente por meio de vírgulas ou de travessões.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
O TRAVESSÃO
Emprega-se principalmente em dois casos:
1) Para indicar, nos diálogos, a mudança de interlocutor:
— Ele não quer responder.
— Mas por quê?

2) Para isolar, num contexto, palavras ou frases. Nesse caso, em que desempenha função
análoga à dos parênteses, usa-se geralmente o travessão duplo:
— Acho — e retomou o discurso — que já assustamos demais o nosso jovem amigo.
Abel, sem responder, sem voltar-se para mim, cinge mais forte — e não sem brandura — os meus
dedos.
Mas não é raro o emprego de um só travessão para destacar, enfaticamente a parte final de um
enunciado:
Um povo é tanto mais elevado quanto mais se interessa pelas coisas inúteis — a filosofia e a arte.

OBSERVAÇÕES
1) Às vezes, para dar maior realce a uma conclusão, que representa a síntese do que se vinha
dizendo, usa-se o travessão simples em lugar dos dois pontos:
Deixai-me chorar mais e beber mais,
Perseguir doidamente os meus ideais,
E ter fé e sonhar — encher a alma.
(C. Pessanha)

2) Emprega-se o travessão, e não o hífen, para ligar palavras ou grupos de palavras que se
encadeiam em sintagmas do tipo: A viagem Rio-Lisboa; o percurso Paris-Londres.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
CHAVES [ { } ]
Chaves [ { } ], também chamadas de chavetas, são um sinal gráfico usado para indicar reunião.
Indicam a reunião de diversos itens relacionados que formam um grupo.

PARÊNTESES ANGULARES [ < > ]


Os parênteses angulares ou parênteses quebrados são sinais gráficos usados: Indicar grafemas
ou fonemas.

ALÍNEA: a) b) c)
A alínea é um tipo de estruturação da linguagem escrita que indica a divisão de um tema ou
assunto, enumerando vários subtópicos.

ASTERISCO [ * ]
O asterisco [ * ] é um sinal gráfico usado para marcar uma palavra indicando que há uma nota de
rodapé, uma remissão ou uma citação.

HÍFEN [ - ]
Ver aula específica sobre o uso do hífen.

BARRA OBLÍQUA [ / ]
A barra oblíqua [ / ] é um sinal gráfico usado para indicar disjunção e exclusão, podendo ser
substituída pela conjunção ou.

Exemplo: Poderemos optar por: carne/peixe/dieta.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
COLOCAÇÃO DOS PRONOMES
ÁTONOS

1. Em relação ao verbo, o pronome átono pode estar:


a) ENCLÍTICO, isto é, depois dele:
Calei-me.

b) PROCLÍTICO, isto é, antes dele;


Eu me calei.

c) MESOCLÍTICO, ou seja, no meio dele, colocação que só é possível com formas do FUTURO DO
PRESENTE OU do FUTURO DO PRETÉRITO:
Calar-me-ei.
Calar-me-ia.

2. Sendo o pronome átono objeto direto ou indireto do verbo, a sua posição lógica, normal, é a
ênclise. Assim:
Agarraram-na conseguindo, a muito custo, arrastá-la do quarto.
Na segunda-feira, ao ir ao vilarejo, parecera-lhe sentir pelas costas risinhos a escarnecê-la.

Há, porém, casos em que, na língua culta, evita-se ou se pode evitar essa colocação, sendo por
vezes conflitantes, no particular, a norma portuguesa e a brasileira.

REGRAS GERAIS
Não se inicia período por pronome átono.
Sentei-me!
Também não se aceita pronome átono depois de qualquer sinal de pontuação.
Em casa, restam-me as sobras.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
PRÓCLISE OBRIGATÓRIA

FATORES DE PRÓCLISE PALAVRAS DO GRUPO EXEMPLOS


Não, nada, jamais, nunca,
Palavras negativas Ela nunca se importou conosco.
nem etc.
Aqui, lá talvez, sempre,
Advérbios Sempre te daremos nosso apoio.
rapidamente, muito já etc.
Pronomes relativos Que, quem qual, onde etc. Esta é a carta que lhe escrevi.
Alguém, tudo, outros,
Pronomes indefinidos Com luta, tudo se conquista.
muitos, alguns etc.
Pronomes demonstrativos Este, aquela, aquilo, isso etc. Aquilo nos encantou muito.
Conjunções Que, quando, se, porque, Você sabe que me arrependi.
subordinativas embora etc. Quando se sanga, fica incontrolável.

Complemento: se o advérbio estiver isolado por vírgula, ele deixa de funcionar como fator
de próclise; nesse caso, usa-se ênclise.
Exemplos:
Hoje se sabe que não há vida em Marte.
Hoje, sabe-se que não há vida em Marte.

PRÓCLISE OPCIONAL
1. Se o verbo não iniciar oração e não houver fator de próclise. Compare:
Muitos japoneses se fixaram nessa região.
Muitos japoneses fixaram-se nessa região.
Eles nos convidaram para a festa.
Eles convidaram-nos para a festa.

2. Com preposição (de, com, e, para etc) ou palavra negativa + verbo no infinitivo. Compare:
Ela não teve a intenção de te envolver na confusão.
Ela não teve a intenção de envolver-te na confusão.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
Desejaria nunca me lembrar do que aconteceu.
Desejaria nunca lembrar-me do que aconteceu.

COM UM SÓ VERBO
1. Quando o verbo está no futuro do presente ou no futuro do pretérito, dá-se tão somente
a próclise ou a mesóclise do pronome:
Eu me calarei.
Eu me calaria.
Calar-me-ei.
Calar-me-ia.

2. Se o verbo, no futuro (do presente ou do pretérito), não iniciar oração, é válido tanto
empregar a mesóclise quanto a próclise.
Nossa secretária entregar-lhe-á a documentação necessária.
Nossa secretária lhe entregará a documentação necessária.

3. Entretanto, se o verbo no futuro (do presente e ou do pretérito), estiver precedido de fator


de próclise, só a próclise será válida.
Nossa secretária certamente lhe entregará a documentação necessária.

4. Na variedade padrão, nunca ocorre ênclise com formas verbais do futuro (do presente
ou do pretérito). Compare:
Enviarei-te os comprovantes de pagamento. (colocação incorreta)
Enviar-te-ei os comprovantes de pagamento. (colocação correta)
Eu te enviarei os comprovantes de pagamento. (colocação correta)

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5. É, ainda, preferida a próclise:
a) nas orações que contêm uma palavra negativa {não, nunca, jamais, ninguém, nada, etc.)
quando entre ela e o verbo não há pausa:
— Não lhes dizia eu?
Nunca o vi tão sereno e obstinado.
— Ninguém me disse que você estava passando mal!

b) nas orações iniciadas com pronomes e advérbios interrogativos:


Quem me busca a esta hora tardia?
— Por que te assustas de cada vez?
Como a julgariam os pais se conhecessem a vida dela?

c) nas orações iniciadas por palavras exclamativas, bem como nas orações que exprimem
desejo (optativas):

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Que o vento te leve os meus recados de saudade.
— Que Deus o abençoe!
— Bons olhos o vejam! exclamou.

d) nas orações subordinadas desenvolvidas, ainda quando a conjunção esteja oculta:


Quando me deitei, à meia-noite, os preços estavam à altura do pescoço.
— Prefiro que me desdenhem, que me torturem, a que me deixem só.
— Que é que desejas te mande do Rio?

e) com o gerúndio regido da preposição em:


Em se tratando de contar vantagens, ele é o campeão.
Em lhe faltando dinheiro, deixa de comprar.

6. Não se dá a ênclise nem a próclise com os particípios. Quando o particípio vem


desacompanhado de auxiliar, usa-se sempre a forma oblíqua regida de preposição. Exemplo:
Dada a mim a explicação, saiu.

7. Com os infinitivos soltos, mesmo quando modificados por negação, é lícita a próclise ou a
ênclise, embora haja acentuada tendência para esta última colocação pronominal:
E ah! que desejo de a tomar nos braços...
Canta-me cantigas para me embalar!
Para não fitá-lo, deixei cair os olhos.
Para assustá-lo, os soldados atiravam a esmo.

A ÊNCLISE é de rigor quando o pronome tem a forma o (principalmente no feminino a) e o


infinitivo vem regido da preposição a:
Se soubesse, não continuaria a lê-lo.
Logo os outros começam a imitá-la.

8. Pode-se dizer que, além dos casos examinados, a língua portuguesa tende à PRÓCLISE
pronominal:

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CURSOS PREPARATÓRIOS
a) quando o verbo vem antecedido de certos advérbios (bem, mal, ainda, já, sempre, só, talvez,
etc.) ou expressões adverbiais e não há pausa que os separe:
Até a voz, dentro em pouco, já me parecia a mesma.
Só depois se senta no chão a chorar.
Ao despertar, ainda as encontro lá, sempre se mexendo e discutindo.
Talvez Elisabeth se decidisse.
Nas pernas me fiava eu.

b) quando a oração, disposta em ordem inversa, se inicia por objeto direto ou predicativo:
Tiram mais que na ceifa; isso te digo eu.
— A grande notícia te dou agora.
Razoável lhe parecia a solução proposta.

c) quando o sujeito da oração, anteposto ao verbo, contém o numeral ambos ou algum dos
pronomes indefinidos (todo, tudo, alguém, outro, qualquer etc.):
Ambos se sentiam humildes e embaraçados.
Alguém lhe bate nas costas.
Todos os barcos se perdem, entre o passado e o futuro.

d) nas orações alternativas:


— Das duas uma: ou as faz ela ou as faço eu.
Maria, ora se atribulava, ora se abonançava.

9. Observe-se por fim que, sempre que houver pausa entre um elemento capaz de provocar a
próclise e o verbo, pode ocorrer a ênclise:
Pouco depois, detiveram-se de novo.

A ênclise é naturalmente obrigatória quando aquele elemento, contíguo ao verbo, a ele não se
refere, como neste exemplo:
— Sim, sim, disse ela, mas avisemos o cocheiro que nos leve até a casa de Cristiano.
— Não, apeio-me aqui...

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OBSERVAÇÃO
Costumam os escritores do idioma, principalmente os portugueses, inserir uma ou mais palavras
entre o pronome átono em próclise e o verbo, sendo mais comum a intercalação da negativa não:
Era impossível que lhe não deixasse uma lembrança.
Conformado pelas suas palavras, o tio calara-se, só para lhe não dar assentimento.
Era tanto tempo que o não via!

COLOCAÇÃO PRONOMINAL NAS LOCUÇÕES VERBAIS


Na língua portuguesa atual, o posicionamento mais comum do pronome oblíquo é entre o verbo
auxiliar e o principal, embora existam outras possibilidades na variedade padrão.

POSIÇÃO DO PRONOME OBLÍQUO EXEMPLOS


Nossa turma se vai reunir.
Antes do verbo auxiliar Nossa turma se estava reunindo.
Nossa turma se havia reunido.
A cidade vai se preparar (vai-se preparar) para a festa.
No meio da locução verbal (mais
A cidade está se preparando (está-se preparando) para
comum)
a festa.
O hífen junto ao pronome oblíquo é
A cidade havia se preparado (havia-se preparado) para
opcional.
a festa.
Depois do verbo principal (desde Você vai envolver-se nessa confusão?
que não seja particípio) Você está envolvendo-se nessa confusão?

Nas locuções verbais em que o verbo principal está no infinitivo ou no gerúndio pode dar-
se:
1. sempre a ênclise ao infinitivo ou ao gerúndio:
O padeiro veio interromper-me.
Que poderá dizer-nos aquele rato de biblioteca?
Só quero preveni-lo contra as exagerações do padre.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
Nós íamos seguindo; e, imensa,
Ia desenrolando-se a paisagem.

a) Mesóclise no auxiliar pelo fato de o verbo estar no futuro do presente ou do pretérito ou


ênclise ao verbo principal:
Eles ir-se-ão esforçar. / Eles irão esforçar-se.
Eles ir-se-iam esforçar./ Eles iriam esforçar-se.

2. a próclise ao verbo auxiliar, quando ocorrem as condições exigidas para a anteposição do


pronome a um só verbo, isto é:
a) quando a locução verbal vem precedida de palavra negativa, e entre elas não há pausa:
Tempo que navegaremos não se pode calcular.
Rita é minha irmã, não me ficaria querendo mal e acabaria rindo também.
— Ninguém o havia de dizer.
Jamais me hão de chamar outro mais doce.

b) nas orações iniciadas por pronomes ou advérbios interrogativos:


— Que mal me havia de fazer?
Que é que me podia acontecer?
— Em que lhe posso ser útil, senhor Petra?
Como te hei de receber em dia tão posterior?
c) nas orações iniciadas por palavras exclamativas, bem como nas orações que exprimem
desejo (optativas):
Como se vinha trabalhando mal!
Deus nos há de proteger!

d) nas orações subordinadas desenvolvidas, inclusive quando a conjunção está oculta:


O sufrágio que me vai dar será para mim uma consagração.
Ela subiu ao seu quarto, onde outro criado lhe estava preparando o banho.
Eram orações tocantes, que ela lamenta não ter registrado à proporção que as ia ouvindo.
Ao cabo de cinco dias, minha mãe amanheceu tão transtornada que ordenou me mandassem
buscar ao seminário.

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305
CURSOS PREPARATÓRIOS
3. A ÊNCLISE ao verbo auxiliar, quando não se verificam essas condições que aconselham a
próclise:
Vão-me buscar, sem mastros e sem velas...
Ia-me esquecendo dela.
A cidade ia-se perdendo à medida que o veleiro rumava para São Pedro.

Quando o verbo principal está no particípio, o pronome átono não pode vir depois dele. Virá,
então, proclítico ou enclítico ao verbo auxiliar, de acordo com as normas expostas para os
verbos na forma simples:
— Tenho-o trazido sempre, só hoje é que o viste?
— Arrependa-se do que me disse, e tudo lhe será perdoado.
Que se teria passado?
Queria mesmo dali adivinhar o que se tinha passado na noite da sua ausência.

OBSERVAÇÃO
Quando o pronome for colocado entre os dois verbos (ênclise no auxiliar), deve-se usar hífen. Há
gramáticos que julgam esse hífen desnecessário.

A COLOCAÇÃO DOS PRONOMES ÁTONOS NO BRASIL


A colocação dos pronomes átonos no Brasil, principalmente no colóquio normal, difere da atual
colocação portuguesa e encontra, em alguns casos, similar na língua medieval e clássica.

Podem-se considerar como características do português do Brasil e, também, do português


falado nas Repúblicas africanas:

a) a possibilidade de se iniciarem frases com tais pronomes, especialmente com a forma me:
— Me desculpe se falei demais.
Me arrepio todo...

b) a preferência pela próclise nas orações absolutas, principais e coordenadas não iniciadas por
palavra que exija ou aconselhe tal colocação:
— Se Vossa Reverendíssima me permite, eu me sento na rede.

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306
CURSOS PREPARATÓRIOS
O usineiro nos entregava o açúcar pelo preço do dia, pagava a comissão e armazenagem e nós
especulávamos para as praças do Rio e São Paulo.
— A sua prima Júlia, do bairro de baixo, lhe mandou um cacho de bananas.

c) a próclise ao verbo principal nas locuções verbais:


Será que o pai não ia se dar o respeito?
— Não, não sabes e não posso te dizer mais, já não me ouves.
Outro teria se metido no meio do povo, teria terminado com aquela miséria, sem sangue.
Tudo ia se escurecendo.

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307
CURSOS PREPARATÓRIOS
FUNÇÕES DO “QUE”, FUNÇÕES
DO “SE” E USO DOS PORQUÊS

FUNÇÕES DA PALAVRA QUE


A palavra “que” pode exercer diferentes funções no enunciado, como conjunção, pronome,
substantivo, advérbio, preposição, interjeição ou partícula de realce.

Substantivo
Nesses casos admite o acompanhamento de um artigo indefinido (um), e pede uma preposição
(de), além disso, deve ser acentuado (quê).
Suas palavras têm um quê de esperança!
Essa pintura tem um quê de Picasso.

Pronome adjetivo
Como pronome, o QUE poderá ser interrogativo, exclamativo ou indefinido. Exemplos:
Que horas são? (interrogativo)
Que maravilha! (exclamativo)
Que dúvidas complexas as suas! (indefinido)

Pronome relativo
Nesse caso, trata-se de é um dêitico, pois serve para recuperar termos que estão citados antes
dele, fazendo-lhes referência. Exemplos:
O jantar que você serviu estava perfeito!
Gosto de pessoas que tenham bom humor.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
Pronome interrogativo
Inicia uma unidade interrogativa direta ou indireta e pode ter a função de adjunto adnominal ou
de um dos termos da oração. Considera-se, nesse caso, também como pronome indefinido.
Que houve com sua irmã?
Queremos entender o que você quis realmente dizer naquele momento? (núcleo do objeto direto do
verbo entender)

Pronome indefinido
Aparece em unidades exclamativas com a função de adjunto adnominal.
Que notícia maravilhosa você acaba de me dar!

Preposição
Típico da coloquialidade, já é aceito pela gramática. O “que” é utilizado para substituir o “de” após
o verbo “ter”. Também pode ter valor das preposições acidentais salvo, exceto e senão.
Teremos que sair mais tarde hoje.
Temos que (=de) estudar para as provas.
Compareceu à reunião sem outras justificativas que (=senão) as apresentadas anteriormente.

Advérbio de modo
O “que” pode também substituir o “como”.
Que cama mal arrumada era aquela!
(Como aquela cama era mal arrumada!)

Advérbio de intensidade
Como a denominação diz, serve para intensificar o termo ao qual se refere. Exemplo:
Que desajeitadas eram as meninas!
Que inocente fui em acreditar em suas juras de amor!

Partícula expletiva ou de realce


Nesse caso, não tem função na oração; serve apenas para realçar determinado termo.
Há muito tempo que não vou à minha cidade natal.
Que saudades que eu tenho dos nossos momentos juntos!

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309
CURSOS PREPARATÓRIOS
Partícula iterativa
É quando o “que” é repetido para dar ênfase ou realce à frase.
Oh! Que lindos que são esses cachorrinhos!

Interjeição
Quê! Não acredito que vai custar tudo isso!
Quê! Tal medida é absurda!

Conjunção coordenativa
a) Aditiva
Mexe que mexe e não encontra nada!
Elas reclamavam que reclamavam, até que, finalmente, foram atendidas.

b) Alternativa
Que aceitem ou que não aceitem, eu vou falar mesmo assim.
Uma que outra roupa servia-lhe perfeitamente

c) Adversativa
Pode falar à vontade que não vai fazer efeito!

d) Explicativa
Escutem, que é muito importante.
Não insista, que eu não lhe emprestarei dinheiro!

Conjunção subordinativa
a) Integrante – aparece no início de uma oração subordinada substantiva e não tem função
sintática.
Falou que não iria, mas acabou indo. Parece que vai chover.

b) Comparativa – aparece no início de uma oração subordinada adverbial comparativa.


Não há maior prova de amor que doar a vida pelo irmão.
Viajar de avião é mais prazeroso do que viajar de carro.

c) Causal - aparece no início de uma oração subordinada adverbial causal.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
Tenho que tomar cuidado, que esse chão é muito escorregadio.
Ele nunca me visita, que o trabalho o impede de viajar por muito tempo.

d) Concessiva – expressa uma concessão, uma exceção à regra.


Gosto de goiabas, verdes que estejam. Relevante que seja esta informação, não me interessa.

e) Consecutiva – expressa uma consequência do que acabou de ser afirmado.


É tão pequeno que não alcança a geladeira.
Ele ficou tão enciumado que mandou desligar o telefone.

f) Final - liga a oração principal à subordinada adverbial final.


Vamos torcer, que a economia melhore.

FUNÇÕES DO SE
Quando analisada de acordo com sua classe morfológica, o termo em estudo adquire as seguintes
classificações:

Substantivo
Neste caso, aparece antecedido de um determinante (artigo, pronome etc.) ou especifica outro
substantivo. Exemplo:
Este “se” sempre nos atrapalha!

O “se” pode ser empregado de várias formas.

Conjunção
Quando assim classificado, caracteriza-se apenas como subordinativa, assumindo as devidas
posições:
a) conjunção subordinativa integrante: introduz uma oração subordinada substantiva.
Analisamos se as propostas eram convenientes.

b) conjunção subordinativa causal: relaciona-se a “já que”, “uma vez que”.


Se não tinha competência para o cargo, não poderia ter aceitado a proposta.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
c) conjunção subordinativa condicional: estabelece um sentido de condição, podendo
equivaler-se a “caso não”.
Se tivéssemos saído mais cedo, poderíamos aproveitar mais o passeio.
Se quiser ganhar melhor, trabalhe um pouco mais.

d) conjunção subordinada causal: tem sentido de “visto que”, “já que”.


Como você disse que eu iria, se sabia que não era verdade?

Pronome
Integrando a classe dos pronomes oblíquos, pode também assim ser classificado:

a) Pronome apassivador ou partícula apassivadora: relaciona-se a verbos transitivos


diretos ou transitivos diretos e indiretos, estando na voz passiva sintética.

OBSERVAÇÃO: para reconhecer a devida ocorrência, recomenda-se mudar o verbo para a voz
passiva analítica.
Fiscalizaram-se várias correspondências. = Várias correspondências foram fiscalizadas.
Formaram-se vários times. = Vários times foram formados.

b) Índice de indeterminação do sujeito: não possui função sintática e acompanha verbos que
não admitem voz passiva.
Aspira-se uma vida melhor no futuro.

Relaciona-se a verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação, uma vez conjugados na


3ª pessoa do singular.

OBSERVAÇÃO: a fim de identificar tal classificação, basta substituirmos o “se” por alguém ou
ninguém.
Precisa-se de funcionários qualificados.
Alguém precisa de funcionários qualificados.

c) Parte integrante do verbo: integra verbos essencialmente pronominais, ou seja, aqueles


que necessariamente trazem para junto de si o pronome oblíquo, denotando quase sempre

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CURSOS PREPARATÓRIOS
sentimentos e atitudes próprias do sujeito. São eles: queixar-se, arrepender-se, vangloriar-
se, submeter-se, dentre outros.
Os garotos queixaram-se do mau atendimento.

d) Pronome reflexivo: nesse caso, dependendo da predicação a que se relaciona o verbo, o


pronome “se” pode exercer a função de objeto direto, indireto ou sujeito de um infinitivo,
assumindo o sentido de “a si mesmo”.
Ela machucou-se com o canivete do pai.
Ela se vangloria demais.
A garota penteou-se diante do espelho.

e) Pronome reflexivo recíproco: podendo também funcionar como objeto direto ou indireto,
o pronome “se” corresponde a outro. Tal reciprocidade refere-se à ação do próprio sujeito.
Tem sentido da expressão “um ao outro”:
As meninas deram-se as mãos com muito carinho.
Aqueles homens parecem respeitar-se.

f) Partícula de realce ou expletiva: assim como retrata a própria nomenclatura (realce), tal
classificação permite que o pronome seja retirado da oração sem que haja alteração de
sentido. Nesse caso, liga-se a verbos intransitivos, indicando uma ação proferida pelo sujeito.
Acompanha verbos de movimento ou que exprimem ações do corpo da própria pessoa. (ir-
se, chegar-se, rir-se, sorrir-se, etc.)
Toda plateia riu-se diante das travessuras do palhaço trapalhão. Passaram-se poucos minutos da
sua partida.
Foi-se o tempo em que não preocupávamos com nossos filhos.

Notamos que o discurso seria perfeitamente compreensível caso retirássemos o “se”.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
GRAFIA E USO DOS PORQUÊS
O uso de POR QUE, POR QUÊ, PORQUE, PORQUÊ depende do sentido que queremos dar à
frase.

A forma por que pode ser a sequência de uma preposição (por)e um pronome interrogativo
(que). Em termos práticos, é uma expressão equivalente a “pelo qual”, “pelos quais”, “pela qual”,
“pelas quais”, “ por qual razão”, “por qual motivo”, “motivo pelo qual”. Exemplos:

O motivo por que lutei foi muito forte.


Os caminhos por que andei eram repletos de rosas e espinhos.
A dor por que passei não pode ser banalizada!
A liberdade e a igualdade são coisas por que vale a pena viver e morrer.
Por que agiu daquela maneira?
Ninguém sabe por que a situação persiste em não melhorar.
Você sabe por que direção o ônibus foi?
Por que filme Fernanda Montenegro ganhou o prêmio de melhor atriz?

ATENÇÃO!
Em alguns contextos, “por que” pode equivaler a “para que”. Assim:
Lutamos por que este país um dia seja melhor.

Usamos por quê (separado e com acento), com o sentido de “por qual razão” ou “por qual motivo”,
no fim de frase e, portanto, antes de ponto-final, ponto de exclamação, de interrogação, reticências
ou ainda quando aparece isoladamente. Exemplos:
Ele não veio à festa no sábado, e eu imagino por quê.
Ainda não terminou? Por quê?
Não sei por quê...
Os organizadores cancelaram o espetáculo por quê?

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314
CURSOS PREPARATÓRIOS
ATENÇÃO!
Também podemos utilizar “por quê” quando ocorre omissão do verbo usado na oração
anterior. Assim:
Muitos cachorros do bairro morreram hoje. Descobrir por quê é nossa prioridade.
Portanto, o verbo “morreram” foi omitido na segunda oração. Assim:
Muitos cachorros do bairro morreram hoje. Descobrir por que morreram é nossa prioridade.

O porque (junto e sem acento) é uma conjunção causal ou explicativa e tem o mesmo valor de
“pois”, “já que”, “visto que”, “uma vez que” ou “em razão de”. Exemplos:
A situação agravou-se porque muita gente se omitiu.
Porque discordei de sua opinião, ela me excluiu do grupo.
Ele agiu assim porque já estava cansado de tanta humilhação!
Decidiu pesquisar porque tinha muita curiosidade acerca dos buracos negros.
Por que ela está emburrada? É porque o namorado não se despediu dela antes de viajar?
Ele desmaiou porque estava sem comer há dias.

ATENÇÃO!
“Porque” pode ser usado, também, como termo denotativo de realce:
A história fará justiça. Porque, não duvidem: a verdade é sempre soberana.
Nesse exemplo, o “porque” não exerce nenhuma função gramatical, ele apenas é usado para dar
ênfase ao que está sendo expresso. Portanto, esse termo poderia ser retirado do enunciado sem
comprometer o seu sentido:
A história fará justiça. Não duvidem: a verdade é sempre soberana.

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315
CURSOS PREPARATÓRIOS
O “porquê” (junto e com acento) é um substantivo usado como sinônimo das palavras “razão”
e “motivo”. Exemplos:
O governador precisa explicar o porquê de suas ações.
Eu procuro um porquê para a minha existência.
Já que é um substantivo, ele pode, também, ser usado no plural:
São muitos os porquês relacionados à sua atitude.
Esses porquês não bastam para você me deixar em paz?
Dê-me ao menos um porquê de você ter partido.

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316
CURSOS PREPARATÓRIOS
VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

LINGUAGEM, LÍNGUA, DISCURSO, ESTILO


1. Linguagem é um conjunto complexo de processos que torna possível a aquisição e o emprego
concreto de uma língua qualquer. É um sistema de sinais que serve de meio de comunicação
entre os indivíduos. Desde que se atribua valor convencional a determinado sinal, existe uma
linguagem.

2. Língua é um sistema gramatical pertencente a um grupo de indivíduos e é o meio pelo qual se


manifesta a expressão da consciência de uma coletividade. A utilização social da faculdade da
linguagem tem de viver em perpétua evolução, paralela à do organismo social que a criou.

3. Discurso define-se como o ato de utilização individual e concreto da língua no quadro do


processo complexo da linguagem. Cada indivíduo tem em si um ideal linguístico. Essa escolha
entre os diversos meios de expressão que lhe oferece o rico repertório de possibilidades, que é
a língua, denomina-se estilo. A mais frequente forma de manifestação da linguagem —
constituída de uma complexidade de processos, de mecanismos, de meios expressivos — é a
linguagem falada, concretizada no discurso, ou seja, a realização verbal do processo de
comunicação.

VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS
As variações linguísticas reúnem as variantes da língua que foram criadas pelos homens
e são reinventadas a cada dia. Dessas reinvenções surgem as variações de escrita e fala que
envolvem diversos aspectos históricos, sociais, culturais, geográficos, entre outros. No Brasil, é
possível encontrar muitas variações linguísticas, por exemplo, na linguagem regional. A
importância das variações reside no fato de que elas são elementos históricos, formadores de
identidades e capazes de manter estruturas de poder.
Em princípio, uma língua apresenta, pelo menos, cinco tipos de diferenças internas, que
podem ser mais ou menos profundas:

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317
CURSOS PREPARATÓRIOS
1. Variação regional ou diatópica (grego DIA, “através”, mais TOPOS, “lugar”): trata-se dos
falares locais, variantes regionais e, até, intercontinentais. A variação diatópica é a que ocorre
em razão das diferenças geográficas entre os falantes. Ela pode ocorrer tanto entre regiões de
uma mesma nação, por exemplo, Rio de Janeiro e Goiás, quanto entre países que compartilham
a mesma língua, como Brasil e Portugal.
No caso dos dois Estados, a relação de proximidade linguística decorre do processo de
colonização, que resultou na imposição de um novo idioma aos habitantes das terras além-mar.
Embora a língua portuguesa foi e continua sendo oficial, ela se distanciou em vários aspectos
daquela empregada na Europa, tendo em vista que tivemos a influência de diversas
línguas não só dos indígenas mas também de povos estrangeiros.
Tais diferenças podem ser observadas no campo lexical. Por exemplo, apelido, no Brasil,
significa um nome informal conferido a alguém, enquanto, em Portugal, o termo carrega o
sentido de sobrenome.
No nosso território, em razão da dimensão continental e da pluralidade cultural, o uso da
língua é modificado conforme a região. Portanto, temos, por exemplo, a palavra “menino”, na
Bahia, e “guri”, no Rio Grande do Sul. Também percebemos o uso do pronome “tu” em algumas
regiões do Pará e o amplo uso do “você” em diversos locais, como Minas Gerais, o que implica
toda uma transformação sintática.
Ademais, constatamos um “r” retroflexo, conhecido também como “r caipira”, em Goiás
(“porrrrrrrrta”), enquanto, no Rio de Janeiro, predomina o “r” que raspa no fundo da garganta.
Portanto vemos diferenças de léxico (palavras) ou de fonemas (sons, sotaques).
“Mandioca”, “aipim” ou “macaxeira”? Os três nomes estão corretos, mas, dependendo da região
do Brasil, você ouvirá com mais frequência um ou outro. Isso vale também para a polêmica
disputa entre “biscoito” e “bolacha”, que se estende para todo o território nacional.
As gírias também variam bastante regionalmente: cerveja pode ser conhecida como
“bera” em regiões do Paraná, “breja” em São Paulo e “cerva” no Rio de Janeiro.

2. Variação sociocultural ou diastrática (o que se distribui conforme a escala social, de DIA,


mais o Latim STRATUM, “camada, cobertura”): trata-se da variação decorrente das diferenças
socioculturais. Por exemplo, os advogados normalmente utilizam uma linguagem mais formal
no exercício da profissão e estabelecem uma comunicação mais sofisticada, contrastando com a
linguagem de um trabalhador doméstico, por exemplo, que tende a utilizar estruturas

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318
CURSOS PREPARATÓRIOS
linguísticas mais coloquiais, resultado principalmente da privação econômica e,
consequentemente, educacional e cultural.
Bons exemplos são as gírias, expressões populares de um determinado grupo social e
os jargões, que compõem o linguajar usado em um grupo específico, podendo ser profissional,
cultural ou social.

3. Variação estilística, situacional ou diafásica (grego dia = através de + fásica - grego phásis
= expressão): é a variação que se dá em razão do contexto comunicativo, isto é, a ocasião
determina o modo como falaremos com o nosso interlocutor, podendo ser formal ou informal.
Por exemplo, quando em contato com amigos ou familiares, as pessoas usam gírias,
estrangeirismos e vícios de fala, como o famoso “tipo isso, tipo aquilo”. Quando em situações
sérias e falando com um público maior, como em palestras ou apresentações de trabalho, tentam
se aproximar o máximo possível da linguagem padrão.

4. Variação histórica ou diacrônica (do grego DIA-, “através”, mais KHRONOS, “tempo”):
resulta da passagem do tempo, já que a língua está em constante modificação, pois os falantes
são criativos e procuram novas expressões para comunicarem-se de forma mais efetiva. Além
disso, tal fenômeno é causado pelos processos históricos, como a influência norte-americana
no Brasil, que implicou a adoção de uma série de estrangeirismos, como brother, no sentido de
camarada, e sale, que significa liquidação. A diferença de idade também leva as pessoas a
comunicarem-se de forma distinta.

Phase
Convém ainda lembrar que há palavras que caem em desuso (arcaísmos) ou
passam a existir (neologismos). Isso ocorre frequentemente com as gírias: se antes jovens
costumavam dizer que algo era “supimpa” ou que “aquele broto é um pão”, hoje é mais comum
ouvir deles que algo é “da hora” ou que “aquela mina é mó gata”.

5. Variação diamésica (DIA-, mais MESO, “meio”): é a que ocorre entre a fala e a escrita ou entre
os gêneros textuais, ou seja, suportes de transmissão de uma dada informação que contenham
características quase regulares, por exemplo, o whatsapp e a bula de remédio. Ressalta-se que a
distinção entre fala e escrita não é estática, considerando-se que se pode construir um texto

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319
CURSOS PREPARATÓRIOS
escrito marcado por expressões tipicamente orais e vice-versa. Desse modo, um elemento
distintivo entre a fala e a escrita é a instantaneidade ou não da formulação.
Um bom exemplo para mostrar isso, seria quando escrevemos "Você vai?", mas muitas
vezes na fala rápida ou no próprio costume/regionalismo falamos "Cê vai?" ou então "Vamos
embora" e "Bora". Esse tipo de mudança oral é até aceita, porém em um texto é muito difícil
utilizar esse tipo de costume verbal.

LINGUAGEM FORMAL E INFORMAL


Uma diferença importante é aquela entre linguagem formal e linguagem informal. A
situação em que nos encontramos define o tipo de linguagem que usaremos.
VARIEDADE PADRÃO OU LÍNGUA-PADRÃO: as convenções da língua criam regras
gramaticais que buscam nortear seu uso, de modo que falantes de uma mesma língua, apesar
das variações existentes, consigam entender-se por um padrão comum a todos. Assim, um
jovem nascido no Acre conseguirá comunicar-se com uma senhora que viveu em Santa Catarina
baseado nas regras comuns da norma-padrão da língua portuguesa. Do mesmo modo,
grandes veículos de comunicação, como emissoras de TV ou mesmo , podem produzir
mensagens que serão basicamente compreendidas por qualquer falante do idioma utilizado.
Um contexto mais casual, como uma reunião com amigos ou um almoço em família, pede
uma EXPRESSÃO COLOQUIAL, em que há mais liberdade na maneira de falar. Trata-se da
LINGUAGEM INFORMAL, que permite o uso de gírias, de frases feitas ou interjeições, de
abreviações, de desvios gramaticais (ou menor preocupação em seguir a norma-padrão) etc.
Já o contexto formal, como reuniões profissionais, discursos ou ambientes acadêmicos, exige o
uso da LINGUAGEM FORMAL, aquela que se preocupa com a norma-padrão e suas regras
gramaticais, seguindo-as estritamente. Além disso, a fala torna-se polida e clara e a escolha das
palavras é feita com mais cuidado.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
PRECONCEITO LINGUÍSTICO
O preconceito linguístico está intimamente relacionado com as variações linguísticas,
uma vez que ele surge para julgar as manifestações linguísticas ditas "superiores". Esse
preconceito se baseia em um sistema de valores que afirma que determinadas variedades
linguísticas são “mais corretas” do que outras, gerando um juízo de valor negativo ao modo de
falar diferente daqueles que se configuram como os “melhores”.
No entanto, ao estudarmos as variações linguísticas, percebemos que não há uma única
maneira de expressar-se e que, portanto, não há apenas um modo certo. A língua e sua
expressão variam de acordo com uma série de fatores. Antes de tudo, ela deve cumprir seu papel
de expressão, sendo compreendida pelos falantes e estando adequada aos contextos e às
expectativas no ato da fala.

ADEQUAÇÃO E INADEQUAÇÃO LINGUÍSTICA


Para que um ato de comunicação entre dois (ou mais) interlocutores se realize com
eficiência, é necessário que eles sejam capazes de fazer a adequação da linguagem à situação de
comunicação.
A adequação linguística é o ajuste que o falante deve fazer em sua forma de se comunicar
(falando ou escrevendo), considerando interlocutor, o assunto, a situação de comunicação, o
efeito pretendido etc.

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321
CURSOS PREPARATÓRIOS
GÊNEROS E TIPOS TEXTUAIS

DIFERENÇA ENTRE GÊNEROS TEXTUAIS E GÊNEROS LITERÁRIOS


Os gêneros textuais são categorias de qualquer tipo de texto, desde um romance até uma
bula de remédio ou uma lista de compras de supermercado.
Os gêneros literários correspondem às categorias das quais fazem parte somente os
textos literários, como contos, poemas, romances, peças de teatro e crônicas.
A divisão dos gêneros literários leva em conta os fundamentos formais e comuns às obras
literárias. Essa divisão é feita seguindo critérios de estrutura, contexto, semântica entre outros.
São exemplos de gêneros literários, portanto, o gênero lírico, o narrativo e o dramático.

GÊNERO LÍRICO: escrito em verso, esse gênero expressa emoções e sentimentos, tem caráter
subjetivo, usa figuras de linguagem, rimas, palavras com sentido conotativo, musicalidade. No
tocante à forma, é basicamente composto por poesia (texto em verso).
Já no conteúdo, o gênero lírico utiliza do lirismo para desenvolver temas mais subjetivos
relacionados ao amor e à natureza.
Além disso, o eu lírico (também chamado de "sujeito lírico" ou "eu poético"), diferente do
autor do texto (pessoa real) é uma entidade fictícia (pode ser feminino ou masculino), uma
criação do poeta, que faz o papel de narrador ou enunciador do poema. Em outros termos, o eu
lírico representa a "voz da poesia". Poesia é a linguagem. Poema é o formato.

GÊNERO ÉPICO OU NARRATIVO: escrito quase sempre em prosa, o gênero épico conta com um
narrador que fala sobre um evento e narra acontecimentos reais ou fictícios. O texto narrativo
conta uma sequência de fatos, sejam eles reais ou imaginários, em que os personagens atuam em
um determinado espaço e durante um determinado tempo.
GÊNERO DRAMÁTICO: é escrito para ser encenado de forma que se divida em atos e cenas; a
história é contada por meio da fala das personagens e encenação é favorecida com o uso de
subterfúgios cênicos. O gênero dramático pode ser subcategorizado em auto, comédia, tragédia,
tragicomédia, farsa.

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322
CURSOS PREPARATÓRIOS
TIPOS TEXTUAIS
A tipologia textual é classificada de acordo com a estrutura e a finalidade de um texto.
Cada tipo de texto cumpre uma função e, para isso, possui um modo específico de enunciar e
realizar a comunicação. Trata-se das classificações de texto conforme suas estruturas e
características linguísticas, como tempos verbais, escolha de vocabulário, relações de lógica,
construções das orações etc.
Os tipos textuais são fixos, mas abrangentes, e podem ser considerados a base dos
gêneros textuais. Os tipos textuais são, portanto, dissertativo (argumentativo e expositivo),
narrativo, descritivo, injuntivo e prescritivo.

1. TEXTO DISSERTATIVO
Argumentativo: o texto dissertativo-argumentativo possui como finalidade a defesa de uma
ideia. Esse tipo textual visa a persuadir o leitor a concordar com a construção do pensamento e
com os argumentos propostos. A principal característica é o desenvolvimento e defesa de uma
tese. A estrutura formal é baseada em:
INTRODUÇÃO - apresentação da tese a ser desenvolvida.
DESENVOLVIMENTO - exposição de argumentos que reforcem a tese.
CONCLUSÃO - estabelecimento de um novo contexto a partir dos argumentos propostos.
Esse tipo textual é o mais comum em provas de redação, por exemplo. Outros gêneros que
apresentam essa estrutura são editoriais, cartas de opinião, ensaios e artigos científicos.

Expositivo: o texto dissertativo-expositivo tem como característica a exposição de uma


informação por intermédio da explanação, conceitualização, comparação etc. Diferentemente do
texto argumentativo, o texto expositivo não tem como finalidade persuadir e levar o leitor a
concordar com a tese apresentada. São exemplos de textos expositivos as palestras, seminários,
entrevistas, verbetes de dicionários e enciclopédias.

2. TEXTO NARRATIVO
O texto narrativo conta uma sequência de fatos, sejam eles reais ou imaginários, em que
os personagens atuam em um determinado espaço e durante um determinado tempo. Conta uma
história baseada no ponto de vista do narrador. Esse tipo de texto é encontrado nos gêneros

CONHEÇA NOSSOS
323
CURSOS PREPARATÓRIOS
contos, fábulas, crônicas, romances, novelas etc. As principais características do texto narrativo
são:
a. PRESESENÇA DE UM NARRADOR: alguém que conta a história. Pode ser observador e contar
os fatos apenas sob a sua ótica, mas pode também estar inserido na história como um
personagem. Grosso modo, podemos distinguir três tipos de narrador, isto é, três tipos de
foco narrativo:
narrador-personagem: conta na 1ª pessoa a história da qual participa também como
personagem.
narrador-observador: conta a história do lado de fora, na 3ª pessoa, sem participar das ações.
Ele conhece todos os fatos e, por não participar deles, narra com certa neutralidade,
apresenta os fatos e os personagens com imparcialidade. Não tem conhecimento íntimo dos
personagens nem das ações vivenciadas.
narrador-onisciente: conta a história em 3ª pessoa e, às vezes, permite certas intromissões
narrando em 1ª pessoa. Ele conhece tudo sobre os personagens e sobre o enredo, sabe o que
passa no íntimo das personagens, conhece suas emoções e pensamentos. Ele é capaz de
revelar suas vozes interiores, seu fluxo de consciência, em 1ª pessoa. Quando isso ocorre, o
narrador faz uso do discurso indireto livre. Assim, o enredo se torna plenamente conhecido,
os antecedentes das ações, suas entrelinhas, seus pressupostos, seu futuro e suas
consequências.

b. ENREDO: apresenta o desenvolvimento da história, com o surgimento de personagens e a


existência dos conflitos. O enredo pode ser linear, não linear, psicológico e cronológico.
Possui uma estrutura que também permite que o texto tenha uma fluidez ao ser lido. Ela é
composta por:
apresentação ou introdução: o autor apresenta os personagens, o local e o tempo onde a
trama se desenvolverá.
desenvolvimento: onde grande parte da história é contada com foco nas ações dos
personagens.
clímax: a parte do desenvolvimento em que a história chega no seu ponto mais emocionante
da narrativa.
desfecho: quando a história chega ao seu fim e todos os conflitos e acontecimentos têm suas
conclusões.

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324
CURSOS PREPARATÓRIOS
c. PERSONAGENS: são aqueles que compõem a história que está sendo contada. Os
personagens são elementos primordiais na narrativa, pois são responsáveis pelas ações que
desenvolvem a história. Classificam-se em principais e secundários.

d. TEMPO: pode ser cronológico, seguindo a ordem dos acontecimentos ou psicológico, que é
caracterizado por um período em que a ação já ocorreu e o narrador apenas lembra dos fatos;
pode ser visto como um fluxo de consciência: uma imaginação, sonho ou um devaneio por
parte do personagem. Ele é marcado na narrativa através de memórias e lembranças de um
personagem, aparecendo como uma digressão ou um flashback. Normalmente, encontramos
esse tempo em histórias com narrador onisciente (que tudo vê) ou narrador personagem
(que participa da história).

e. ESPAÇO: o texto narrativo precisa de um lugar para a história se realizar. Esse espaço, na
narrativa, pode ser um ambiente físico, como um casa, uma cidade ou um ambiente social,
como uma festa. É onde pode haver o desenvolvimento da história, envolvendo os
personagens e apresentando os conflitos.

f. DISCURSO: a narrativa pode ter ainda um tipo específico de discurso, que pode ser direto,
quando a própria personagem fala, indireto, quando o narrador interfere na fala do
personagem ou indireto livre, quando há uma proximidade entre o narrador e o personagem
sem que haja separação das falas de ambos.

Fazem parte do tipo textual narrativo os seguintes gêneros, romances, contos, fábulas,
lendas, mitos, novelas, crônicas.

Romance: gênero textual que consiste em uma narrativa longa, escrita em prosa, centrado em
um conflito principal e outros marginais.

Conto: gênero literário marcado pela concisão. Tais narrativas têm, em geral, poucos
personagens, espaço e tempo restritos e um conflito único e apresentam apenas um clímax.

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325
CURSOS PREPARATÓRIOS
Crônica: gênero discursivo que busca retratar o cotidiano e está ligado ao jornal. O bom cronista
é aquele que consegue contar o dia a dia de um modo específico e fascinante, com um ponto de
vista singular. Pode ser:

a. descritiva: expõe de forma mais detalhada os atributos de pessoas, animais ou objetos. Em


geral, é um artigo sobre situações corriqueiras com uma linguagem dinâmica e conotativa,
dando características sobre o local e/ou personagens que aparecem. Exemplo:
“...pôs a mão no tronco de uma árvore pequena, sacudiu um pouco, e recebeu nos cabelos e na cara
as gotas de água como se fosse uma bênção. Ali perto mesmo a cidade murmurava, estalava com
seus ruídos vespertinos, ranger de bondes, buzinar impaciente de carros, vozes indistintas; mas ele
via apenas algumas árvores, um canto de mato, uma pedra escura. Ali perto, dentro de uma casa
fechada, um telefone batia, silenciava, batia outra vez, interminável, paciente, melancólico. Alguém
com certeza já sem esperança, insistia em querer falar com alguém.” (Trecho do texto O mato, de
Rubem Braga).

b. narrativa: apresenta elementos da narração em sua estrutura, que pode ser feita na 1ª ou 3º
pessoa do singular. Não há longos trechos reflexivos ou argumentativos. Como a tipologia
predominante é a narrativa, o texto apresenta um enredo com personagens, tempo e espaço.
Suas principais características são humor, ação e crítica. Exemplo:
"Morreu lá um tal de 56 Nicolino, numa indigência que eu vou te contar; Segundo telegrama vindo
de Ubá, alguns amigos de 58 Nicolino compraram um caixão e algumas garrafas de cangibrina,
levando tudo para o velório. Passaram a noite velando o morto e entornando a cachaça. De manhã,
na hora do enterro, fecharam o caixão e foram para o cemitério, num cortejo meio ziguezagueando
e num compasso mais de rancho que de féretro. Mas — bem ou mal — lá chegaram, lá abri rata a
cova e lá enterraram o caixão.” (Trecho da crônica Choro, veia e cachaça, do escritor Stanislaw
Ponte Preta).

c. dissertativa: a apresentação explícita da opinião do autor sobre determinado assunto do


cotidiano é a principal característica desse tipo de crônica, que pode ser escrita em 1ª pessoa
do singular ou 3ª pessoa do plural. Tendo como exemplo uma pesquisa apresentada por um
instituto sobre o aumento da mortalidade infantil, a crônica dissertativa poderia ser escrita
da seguinte forma:
"Vejo mais uma vez esses pequenos seres não alimentarem sequer o corpo..."

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326
CURSOS PREPARATÓRIOS
d. narrativo-descritiva: apresenta características narrativas e descritivas de maneira
intercalada no decorrer do texto, com acontecimentos retratados em uma sequência
temporal. Exemplo:
“Ora, uma noite, correu a notícia de que o bazar se incendiara. E foi uma espécie de festa fantástica.
O fogo ia muito alto, o céu ficava todo rubro, voavam chispas e labaredas pelo bairro todo. As
crianças queriam ver o incêndio de perto, não se contentavam com portas e janelas, fugiam para a
rua, onde brilhavam bombeiros entre jorros d’água. A eles não interessava nada, peças de pano,
cetins, cretones, cobertores, que os adultos lamentavam. Sofriam pelos cavalinhos e bonecas, os
trens e os palhaços, fechados, sufocados em suas grandes caixas.” (Trecho de Brinquedos, da
escritora Cecília Meireles).

e. humorística: utiliza a ironia, o humor e o sarcasmo para tratar assuntos que impactam a
sociedade, como por exemplo, política e economia. O uso da ironia, de comparações
inusitadas ou a utilização de temas cômicos são algumas das técnicas usadas pelos cronistas.
Exemplo:
“Há tempos me perguntaram umas menininhas, numa dessas pesquisas, quantos diminutivos eu
empregara no meu livro A rua dos Cataventos. Espantadíssimo, disse-lhes que não sabia. Nem
tentaria saber, porque poderiam escapar-me alguns na contagem. Que essas estatísticas, aliás, só
poderiam ser feitas eficientemente com o auxílio de robôs. Não sei se as menininhas sabiam ao certo
o que era um robô. Mas a professora delas, que mandara fazer as perguntas, devia ser um
deles.” (Trecho da crônica De como não ler um poema, de Mário Quintana).

f. lírica: apresenta uma linguagem poética e metafórica que demonstra emoções como
nostalgia, saudade e paixão. Ou seja, o texto escrito deve expressar sentimentalismo.
Exemplo:
“Com os dias, Senhora, o leite pela primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a
pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada.
Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah,
Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de
sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.” (Trecho do texto Apelo, de
Dalton Trevisan).

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g. poética: a crônica poética flerta com o literário, pois apresenta versos poéticos em forma de
crônica, expressando sentimentos e reações de um determinado assunto.

h. jornalística: mistura tipologias textuais narrativa e argumentativa, apresentando notícias ou


fatos baseados no cotidiano. Em geral, pequenos fatos cotidianos são contados para, em
seguida, promover-se uma reflexão sobre eles – e trechos mais longos de reflexão e
argumentação sobre o fato narrado. Exemplo:
“Amigos, a bola foi atirada no fogo como uma Joana d’Arc. Garrincha apanha e dispara. Já em plena
corrida, vai driblando o inimigo. São cortes límpidos, exatos, fatais. E, de repente, estaca. Soa o riso
da multidão — riso aberto, escancarado, quase ginecológico. Há, em torno do Mané, um marulho
de tchecos. Novamente, ele começa a cortar um, outro, mais outro. Iluminado de molecagem,
Garrincha tem nos pés uma bola encantada, ou melhor, uma bola amestrada. O adversário para
também. O Mané, com quarenta graus de febre, prende ainda o couro.” (Trecho da crônica O escrete
de loucos, de Nelson Rodrigues)

i. histórica: baseada em fatos históricos, com personagens, tempo e espaço definidos e com
uma linguagem leve e coloquial.

j. crônica-ensaio: o cronista faz duras críticas a instituições de poder e das relações sociais, de
maneira irônica e sarcástica.

k. crônica filosófica: traz uma reflexão sobre um fato ou evento.

3. TEXTO DESCRITIVO
Os textos descritivos possuem como finalidade oferecer uma riqueza de detalhes sobre
um objeto, pessoa, lugar ou evento. Uma característica desse tipo de texto é o uso de uma grande
quantidade de adjetivos. Os principais gêneros desse tipo de texto são diários, relatos de viagem,
biografias, anúncios de classificados, listas, cardápios, notícias currículos, etc.

OBSERVAÇÃO
Dificilmente você encontrará um texto exclusivamente descritivo (isso ocorre em
catálogos, manuais e demais textos institucionais). O mais comum é haver trechos descritivos

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328
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em textos narrativos ou dissertativos. Em romances, por exemplo, que são textos narrativos por
excelência, você pode perceber várias passagens descritivas, tanto de personagens como de
ambientes.

4. TEXTO INJUNTIVO
Os textos injuntivos ou instrucionais possuem como finalidade a orientação para uma
ação, funcionam como uma ordem para o leitor. Possuem como característica principal o uso de
verbos no imperativo. Esse tipo textual contém uma ordem ao leitor e exclui um outro modo ou
possibilidade de ação. São utilizados para orientar a realização de uma tarefa e controlar os seus
resultados.
É o caso dos gêneros textuais: propaganda, publicidade, manual de instruções, bula de
medicamentos, receitas culinárias, livros de regras e regulamentos.
O chamado texto injuntivo, de semelhante finalidade (instrução), não apresenta esse
caráter coercitivo, haja vista que apenas induz o interlocutor a proceder desta ou daquela forma.
Assim, torna-se possível substituir um determinado procedimento em razão de outro, como é o
caso que ocorre com os ingredientes de uma receita culinária, por exemplo. São exemplos dessa
modalidade:
a mensagem revelada pela maioria dos livros de autoajuda;
o discurso manifestado mediante um manual de instruções;
as instruções materializadas por meio de uma receita culinária.

5. TEXTO PRESCRITIVO
Remete-nos à noção de prescrever; trata-se de algo que deve ser cumprido à risca, cujas
instruções são inquestionáveis, ou seja, devemos segui-las ao “pé da letra”, digamos assim. Trata-
se, pois, de uma imposição de natureza coercitiva, cujos exemplos se manifestam por:
cláusulas regidas mediante um dado contrato;
regras proferidas mediante os pressupostos gramaticais;
instruções manifestadas na maioria dos editais de concursos públicos;
discursos revelados nos artigos da Constituição ou do Código de Processo Penal.

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329
CURSOS PREPARATÓRIOS
GÊNEROS TEXTUAIS
Os gêneros textuais surgem a partir da função específica de cada forma de comunicação. Alguns
exemplos de gêneros textuais são carta, conto, crônica, receita culinária, bula, manual de
instruções, resenha, listas, verbetes etc. A distinção entre os diferentes gêneros textuais se dá
pelo modo como cada um cumpre sua função de comunicação, de acordo com sua finalidade,
estabelecendo um padrão. É o gênero textual que possibilita distinguir um bilhete ou uma carta
de amor de uma lista de compras ou uma ata de reunião.
Os gêneros textuais são subcategorias dos tipos textuais, mas são variados e podem
mudar de classificação de acordo com a linguagem utilizada, a finalidade do texto e a própria
estrutura textual.
Existem muitos gêneros textuais, por isso é impossível listar gênero a gênero, já que, além
de muitos, eles podem variar de acordo com o contexto. Com a popularidade das mídias sociais,
no entanto, e especificamente graças ao estilo de publicação do Twitter, que tem número
limitado de caracteres, outro gênero textual surgiu no mesmo contexto do conto: o microconto,
que cabe em apenas um tuíte.
Ao falar especificamente sobre os elementos dos gêneros textuais, pode-se dizer que há
três principais: tema, forma composicional e estilo:
TEMA: apresentação do conteúdo com base nos valores ou nas ideologias de quem escreve.
FORMA COMPOSICIONAL: esse elemento diz respeito às escolhas do autor em relação ao
vocabulário que será utilizado para a composição do texto, bem como a sua estrutura e forma de
registro.
ESTILO: é a forma como cada tipo de gênero textual é escrito, o que também depende do
vocabulário, do autor e da estrutura do texto, de modo que ele cumpra seu papel de interação
social.
Exemplos de gêneros textuais
Bilhetes E-mails Reportagens
Verbetes Listas jornalísticas
Cartas Memorandos Seminários
Contos Obituários Bulas
Crônicas Receitas culinárias
Na tabela, pode-se perceber que os gêneros textuais são uma espécie de ramificação de cada
tipo textual.
Tipos textuais e gêneros que representam

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CURSOS PREPARATÓRIOS
TIPOS TEXTUAIS GÊNEROS TEXTUAIS
romances; contos;
Narrativo fábulas; lendas;
mitos; novelas; crônicas.
diários; relatos de viagens;
Descritivo folhetos turísticos; cardápios de restaurantes;
anúncios de classificados.
notícias; artigos;
Expositivo reportagens; resumos escolares;
verbetes de dicionário.
artigos de opinião; abaixo-assinados;
Argumentativo
manifestos; sermões; teses.
receitas culinárias; manuais de instruções;
Injuntivo bulas de medicamentos; tutoriais de beleza;
guias rodoviários.
decretos e leis; cláusulas de contratos;
Prescritivo editais de concursos públicos;
regras de trânsito; regulamentos internos.

Pode-se dizer, então, que o tipo textual é a forma como um texto é escrito e suas características
dependem do uso de determinados traços linguísticos prevalecentes.

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331
CURSOS PREPARATÓRIOS
TIPOS DE DISCURSO
Para dar-nos a conhecer os pensamentos e as palavras de personagens reais ou fictícios,
dispõe o narrador de três moldes linguísticos diversos, conhecidos pelos nomes de:
a) discurso (ou estilo) direto;
b) discurso (ou estilo) indireto;
c) discurso (ou estilo) indireto livre.

DISCURSO DIRETO
Examinando este passo das Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis:

Virgília replicou:
— Promete que algum dia me fará baronesa?

verificamos que o narrador, após introduzir a personagem, Virgília, deixou-a expressar-se por si
mesma, limitando-se a reproduzir-lhe as palavras como ela as teria efetivamente selecionado,
organizado e emitido.

Também neste trecho do romance O manto, de Agustina Bessa Luís:

— Posso levar uma rosa? pergunta o poeta Adriano, avançando a mão para o meio da mesa.

ocorre a reprodução textual das falas dos personagens.


A essa forma de expressão, em que o personagem é chamado a apresentar as suas próprias
palavras, denominamos discurso direto.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
Características do discurso direto
No plano formal, um enunciado em discurso direto é marcado, geralmente, pela presença de
verbos do tipo dizer, afirmar, ponderar, sugerir, perguntar, indagar, responder e sinônimos, que
podem introduzi-lo, arrematá-lo, ou nele se inserir:

Meneou a cabeça com ar triste e acrescentou:


— O homem acostuma-se a tudo, sim, a tudo, até a esquecer-se que é um homem...
É esta a gaveta? — perguntou ele.
— Penso — disse meu pai — que te darás melhor em Letras.

Quando falta um desses verbos dicendi, cabe ao contexto e a recursos gráficos — tais como os
dois pontos, as aspas, o travessão e a mudança de linha — a função de indicar a fala da
personagem. É o que observamos nestes passos:
“Todos vamos ficando diferentes, e vinte e cinco anos é uma vida.” “Para muitos é mais do que isso.”

“Claro que é.”


(M. J. de Carvalho, TM, 49.)

O amigo abraçou-o. E logo recuou com certo espanto: — o seu chapéu, Zé Maria?
— Ah, não uso mais!...
— Felizardo!
(A. M. Machado, HR, 47.)

DISCURSO INDIRETO
Observe esta frase de Machado de Assis:

José Dias deixou-se estar calado, suspirou e acabou confessando que não era médico.

Ao contrário do que vimos nos enunciados em discurso direto, o narrador (Machado de Assis)
incorpora aqui, ao seu próprio falar, uma informação da personagem (José Dias), contentando-
se em transmitir ao leitor apenas o seu conteúdo, sem nenhum respeito à forma linguística que
teria sido realmente empregada.
Esse processo de reproduzir enunciados chama-se discurso indireto.

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333
CURSOS PREPARATÓRIOS
Características do discurso indireto
No plano formal, verifica-se que, introduzidas também por um verbo declarativo (dizer, afirmar,
ponderar, confessar, responder, etc.), as falas das personagens aparecem, no entanto, numa
oração subordinada substantiva, em geral desenvolvida:

João Garcia garantiu que sim, que voltava.

Em alguns casos, pode ocorrer a elipse da conjunção integrante:

Como supunha fôssemos ter ainda uma quinzena de atividade e pudéssemos esgotar o
programa, demorara-me alguns dias em Machado e em Eça.

A integrante falta, naturalmente, quando, numa construção em discurso indireto, a subordinada


substantiva assume a forma reduzida:

Foi nesse sertão primitivo e rude que Arinos me contou ter sentido talvez a maior, a mais pura
das sensações de arte.

TRANSPOSIÇÃO DO DISCURSO DIRETO PARA O INDIRETO


Do confronto destas duas frases,

— A senhora vai sair — disse ela olhando-o muito.


Ela disse olhando-o muito que ia sair.

verifica-se que, ao passar-se de um tipo de relato para outro, certos elementos do enunciado se
modificam, por acomodação ao novo molde sintático.

As principais transposições que ocorrem são:

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334
CURSOS PREPARATÓRIOS
DISCURSO DIRETO DISCURSO INDIRETO
a) enunciado em 1ª. ou em 2ª. pessoa: a) enunciado em 3ª. pessoa:

— Preciso de dinheiro, disse o capitão. (A. Bessa


Disse o capitão que precisava de dinheiro.
Luís, M, 151.)

— Não achas melhor tirar esse poncho?


Perguntou-lhe Rodrigo se [ele] não achava
— perguntou-lhe Rodrigo
melhor tirar aquele poncho.
(É. Veríssimo, A, II, 323.)

b) verbo enunciado no presente: b) verbo enunciado no imperfeito:

— Sou a Julieta — disse, hesitante. (A. Abelaira.B,


Disse, hesitante, que era a Julieta.
81.)

c) verbo enunciado no pretérito mais- -


c) verbo enunciado no pretérito perfeito:
que-perfeito:

— Nem banho tomei, ela esclarecia. (N. Pinon, Ela esclarecia que nem banho tinha
CP, 82.) tomado.

d) verbo enunciado no futuro do


d) verbo enunciado no futuro do presente:
pretérito (condicional):
— Que será feito do senhor padre Brito?
perguntou D. Joaquina Gansoso. Perguntou D. Joaquina Gansoso que seria
(Eça de Queirós, 0,1,43.) feito do senhor padre Brito.

e) verbo no modo imperativo: e) verbo no modo subjuntivo:

— Não faça escândalo — disse a outra. (O. Lins,


Disse a outra que não fizesse escândalo.
V, 100.)

f) enunciado subordinado, geralmente


f) enunciado justaposto:
introduzido pela integrante que:

— Foi um tempo velhaco — disse, concordante


Disse, concordante e enfastiado, que tinha
e enfastiado.
sido um tempo velhaco.
(F. Namora, NM, 213.)

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CURSOS PREPARATÓRIOS
g) enunciado em forma interrogativa
g) enunciado em forma interrogativa direta:
indireta:

— “Lá é bom?” — perguntei.


Perguntei se lá era bom.
(Guimarães Rosa, GS-V, 103.)

h) pronome demonstrativo de lª pessoa (este, h) pronome demonstrativo de 3ª. pessoa


esta, isto) ou de 2ª.“ (esse, essa, isso): (aquele, aquela, aquilo):
— Não abro a porta a estas horas a ninguém —
Disse Gracia que não abria a porta àquelas
disse Gracia.
horas a ninguém.

— Isso é um número muito comprido,


Cesária respondeu que aquilo era um
respondeu Cesária.
número muito comprido.
(G. Ramos, AOH, 108.)

i) advérbio de lugar aqui: i) advérbio de lugar ali:

— Aqui amanhece muito cedo — disse Sales.


Disse Sales que ali amanhecia muito cedo.
(Castro Soromenho, C, 199.)

DISCURSO INDIRETO LIVRE


Na moderna literatura narrativa, tem sido amplamente utilizado um terceiro processo de
reprodução de enunciados, resultante da conciliação dos dois anteriormente descritos. É o
chamado discurso indireto livre, forma de expressão que, em vez de apresentar a personagem
em sua voz própria (discurso direto), ou de informar objetivamente o leitor sobre o que ele teria
dito (discurso indireto), aproxima narrador e personagem, dando-nos a impressão de que
passam a falar em uníssono.
Comparem-se estes exemplos:

O tronco fora bom. Mas dera aqueles azedos e infelizes frutos, sem capacidade sequer para uma
boa alegria. Como pudera ela dar à luz aqueles seres risonhos, fracos, sem austeridade? O rancor
roncava no seu peito vazio. Uns comunistas, era o que eram; uns comunistas. Olhou-os com sua
cólera de velha. Pareciam ratos se acotovelando, a sua família.

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336
CURSOS PREPARATÓRIOS
(C. Lispector, LF, 56.)

João Fanhoso fechou os olhos, mal-humorado. A sola dos pés doía, doía. Calo miserável!
(M. Palmério, VC, 99.)

Características do discurso indireto livre


1. No plano formal, verifica-se que o emprego do discurso indireto livre “pressupõe duas
condições: a absoluta liberdade sintática do escritor (fator gramatical) e a sua completa
adesão à vida do personagem (fator estético)”.

2. No plano expressivo, devem ser realçados alguns valores dessa construção híbrida:

1º evitando, por um lado, o acúmulo de quês, ocorrente no discurso indireto e, por outro, os
cortes das aposições dialogadas, peculiares ao discurso direto, o discurso indireto livre permite
uma narrativa mais fluente, de ritmo e tom mais artisticamente elaborados.

2° o elo psíquico que se estabelece entre narrador e personagem neste molde torna-o preferido
dos escritores memorialistas em suas páginas de monólogo interior.

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337
CURSOS PREPARATÓRIOS
FUNÇÕES DA LINGUAGEM
A linguagem falada e escrita, por ser a forma privilegiada de comunicação entre os seres
humanos, faz parte de todos os aspectos da vida em sociedade; e, como as relações em
sociedades são muito variadas, são inúmeras as finalidades para as quais as empregamos.
Dizemos, por isso, que a linguagem tem diferentes funções.

As funções da linguagem estão relacionadas com os estudos da linguagem e


da comunicação. Alguns estudiosos apontam a existência de, pelo menos, seis funções da
linguagem, cada uma ligada a um diferente elemento da comunicação: emotiva, conativa,
metalinguística, fática, poética e referencial.

ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO

Emissor ou destinador: quem emite a mensagem. Pode ser uma pessoa, um grupo, uma
empresa, uma instituição.

Receptor ou destinatário: a quem se destina a mensagem. Pode ser uma pessoa, um grupo ou
mesmo um animal, como um cão, por exemplo.

Código: a maneira pela qual a mensagem se organiza. O código é formado por um conjunto de
sinais, organizados de acordo com determinadas regras, em que cada um dos elementos tem
significado em relação com os demais. Pode ser a língua, oral ou escrita, gestos, código Morse,
sons etc. O código deve ser de conhecimento de ambos os envolvidos: emissor e destinatário.

Canal de comunicação: meio físico ou virtual, que assegura a circulação da mensagem, por
exemplo, ondas sonoras, no caso da voz. O canal deve garantir o contato entre emissor e receptor.

Mensagem: é o objeto da comunicação, é constituída pelo conteúdo das informações


transmitidas.

Referente: o contexto e a situação aos quais a mensagem se refere. O contexto pode se constituir
na situação, nas circunstâncias de espaço e tempo em que está o destinador da mensagem. Pode
também dizer respeito aos aspectos do mundo textual da mensagem.

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338
CURSOS PREPARATÓRIOS
Entender essas manifestações ajuda a interpretar textos com mais eficiência e a
compreender como os atos comunicativos organizam-se, podendo gerar mais eficácia no
momento de se falar ou de se escrever.

Comunicamo-nos por meio da linguagem verbal (escrita, falada) e da linguagem não


verbal. Para cada interação, de forma consciente ou intuitiva, estamos submetidos a um
esquema mínimo que nos permite elaborar e compreender mensagens.

Dependendo do elemento do ato de comunicação no qual a mensagem está


predominantemente centrada, a linguagem pode ter uma dessas seis funções (emotiva, conativa,
metalinguística, fática, poética e referencial)

É importante lembrar que, embora seja possível, na maioria das vezes, identificarmos
a função predominante, podemos perceber que as seis funções da linguagem podem perpassar
os textos, uma vez que todos os elementos estão presentes na comunicação.

Vamos, então, conhecer as características dessas funções.

A FUNÇÃO REFERENCIAL OU FUNÇÃO DENOTATIVA é uma das mais utilizadas no cotidiano.


Comprometida com o caráter informativo da mensagem, a função referencial tem por objetivo
informar, notificar, referenciar, anunciar e indicar. Essa função é caracterizada por alguns
aspectos gramaticais, como emprego da ordem direta nas frases e discurso em terceira pessoa.
A mensagem está centrada no assunto e transmite a mensagem de forma objetiva, usando a
linguagem denotativa. Não permite mais que uma interpretação. É predominante nos textos
informativos, científicos, jornalísticos e em correspondências comerciais.

Exemplo: bula de remédio.


Outro exemplo: "De acordo com os dados facultados pela Polícia Militar, sobe para 12 o número de
vítimas em estado grave após o confronto entre as equipes de futebol nesta quarta-feira, entre as
quais 3 mulheres." ( notícia de jornal)

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339
CURSOS PREPARATÓRIOS
A FUNÇÃO CONATIVA OU APELATIVA tem ênfase no destinatário, de modo que o objetivo é
persuadi-lo por intermédio da mensagem transmitida, explorando o uso do discurso em 2ª e 3ª
pessoa (tu e você). Ela busca convencer o interlocutor e fazer com que ele tenha determinado
tipo de comportamento, pensamento ou atuação.

Geralmente é utilizada em alguns gêneros textuais como discursos políticos,


publicidades e propagandas, previsões de horóscopos, livros de autoajuda e receitas
culinárias, entre outros. Um dos principais objetivos desse tipo de texto é persuadir o público
para comprar um produto ou ir a um evento, por exemplo. Utiliza vocativos, verbos no
imperativo e pontos de exclamação.

Cabe ressaltar que a função conativa pode estar presente em textos em que outras funções
também apareçam. Contudo, em cada texto há sempre uma função que irá predominar.

Organizados de modo que busca convencer o destinatário, os textos com função conativa
apresentam algumas características que permitem identificá-la facilmente:

entonação apelativa
uso de verbos no imperativo
emprego de vocativos
uso de pronomes na 2ª pessoa
uso explícito de argumentos
emprego da ambiguidade
centrada no destinatário.

Veja alguns exemplos:

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Dê férias para seus pés. (Chinelos Rider)


Abra a boca é Royal. (Royal)
Você faz maravilhas com Leite Moça. (Leite Moça)
Hoje você é uma uva! Mas cuidado, uva passa. (creme hidratante)

CONHEÇA NOSSOS
340
CURSOS PREPARATÓRIOS
horóscopo do dia

Os nativos de Touro estão passando por um momento de forte entrega pessoal. Não tenha medo de
se dedicar de corpo e alma a uma nova atividade, mas esteja atento a pessoas que poderão não
colaborar para a melhoria do seu percurso de vida.

cartazes

A FUNÇÃO EMOTIVA OU EXPRESSIVA é aquela centrada nos sentimentos, nas emoções... Esse
tipo de função está focado no “eu”, ou seja, na pessoa que fala... Por isso, é carregada de
subjetividade... É a voz, o olhar, o ponto de vista do sujeito para os acontecimentos. Com isso, ele
se aproxima dos fatos. Assim:

Amor é síntese (Mário Quintana)


Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu...
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr

CONHEÇA NOSSOS
341
CURSOS PREPARATÓRIOS
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.
(Mário Quintana)

A FUNÇÃO METALINGUÍSTICA pode ser identificada quando uma mensagem utiliza o


próprio código (meio pelo qual a mensagem é enviada, como fala, escrita, gestos ou figuras) para
falar dele mesmo. Exemplos:

um filme falando sobre filme: o código é o tema da mensagem que é usado para falar sobre
ele mesmo;
dicionários e as gramáticas, que explicam as regras e condutas da língua e o significado das
palavras, respectivamente.
um poema em que o eu lírico explica o fazer poético:

"Catar feijão se limita com escrever:


jogam-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,

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CURSOS PREPARATÓRIOS
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

Ora, nesse catar feijão entra um risco:


o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco."
(Catar Feijão – João Cabral de Melo Neto)

uma crônica como esta escrita por Carlos Drummond de Andrade, na qual ele utiliza a
crônica para falar sobre ela mesma.

“Crônica tem esta vantagem: não obriga ao paletó e gravata do editorialista, forçado a definir uma
posição correta diante dos grandes problemas; não exige de quem o faz o nervosismo saltitante do
repórter, responsável pela apuração do fato na hora mesma em que ele acontece; dispensa a
especialização suada em economia, esporte, política nacional e internacional, religião e o mais que
imaginar se possa...”

É possível perceber, portanto, que esse recurso pode ser utilizado em diferentes gêneros
textuais.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
A FUNÇÃO POÉTICA OU ESTÉTICA caracteriza-se pela preocupação com a forma do discurso,
ou seja, o modo utilizado para transmitir uma mensagem. Nessa função, o objeto exaltado é a
palavra que deve ser trabalhada e comunicada de uma forma interessante para que o leitor seja
atraído. Entre as suas principais características é possível citar:

palavras com uma função estética;


utilização do sentido figurado ou conotativo;
utilização de textos bem elaborados;
presença das figuras de linguagem como a metáfora;
proporciona uma subjetividade ao texto;
busca surpreender, fugir do comum;
são facilmente encontradas na literatura, na poesia, na música e na publicidade.

Nos exemplos abaixo, não há apenas a presença da função poética, mas essa função tem
destaque. Note que é frequente existirem várias funções em um único texto, mas há sempre uma
que predomina.

música
"Fonte de mel
Nos olhos de gueixa
Kabuki, máscara
Choque entre o azul
E o cacho de acácias
Luz das acácias
Você é mãe do sol
A sua coisa é toda tão certa
Beleza esperta
Você me deixa a rua deserta
Quando atravessa
E não olha pra trás"
(Trecho de "Você é Linda", de Caetano Veloso)

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publicidade
"Nossos clientes nunca voltaram para reclamar."
(Publicidade de uma agência funerária)

poesia

Essa função da linguagem é encontrada nas obras literárias e, muitas vezes, é confundida com a
função emotiva.

Lembre-se de que, na função poética, o mais importante é a mensagem em si. Já o principal


objetivo da função emotiva é emocionar, ao mesmo tempo que se preocupa com o emissor da
mensagem.

A FUNÇÃO FÁTICA, também chamada de função de contato, é a função de linguagem que


enfatiza o canal ou veículo de comunicação, a fim de manter o ato comunicativo em curso, ou
seja, quando o emissor (locutor) busca estratégias para manter a interação com o receptor
(interlocutor).

São características da função fática as expressões de cumprimento, despedida, bem como o


uso de vocativos, que indicam que o emissor (locutor) deseja chamar a atenção do receptor
(interlocutor) para que seja mantida a comunicação.

A função fática tem como foco o canal.

Muito claramente, é possível perceber a função fática na oralidade. A própria entonação dos
falantes pode marcar o recurso de se manter a comunicação. Na linguagem verbal escrita, muitas
vezes, há mais dificuldades em se checar o funcionamento do canal, no entanto percebemos o

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CURSOS PREPARATÓRIOS
uso de diversos métodos – principalmente por autores da Literatura – que se consolidam como
formas eficientes de demonstrar essa relação direta entre locutor e interlocutor.
Vejamos como Machado de Assis trabalha essa função em sua magnífica escrita, construindo, ao
longo do texto, a interlocução:

"Olhe, eu podia mesmo contar-lhe a minha vida inteira, em que há outras coisas interessantes, mas
para isso era preciso tempo, ânimo e papel, e eu só tenho papel: o ânimo é frouxo, e o tempo
assemelha-se à lamparina de madrugada. Não tarda o sol do outro dia, um sol dos diabos,
impenetrável como a vida. Adeus, meu caro senhor, leia-me isso e queira-me bem: perdoe-me o
que lhe parecer mau, e não maltrate muito a arruda, se lhe não cheira a rosas. Pediu-me um
documento humano e ei-lo aqui. Não me peça também o império do Grão-Mogol, nem a fotografia
dos Macabeus, peça, porém, os meus sapatos de defunto e não os dou a ninguém mais."
(Machado de Assis. O enfermeiro)

Por fim, apresentamos mais um exemplo de texto literário, do autor Luis Fernando Veríssimo,
em que a função fática da linguagem contribui para a construção do humor no texto. Durante
todo o diálogo, as personagens buscam o entendimento do código, mas se esforçando para que
o ato comunicativo não se encerre.

Comunicação
É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos, saber comunicar o que você quer.
Imagine-se entrando numa loja para comprar um... um... como é mesmo o nome?

"Posso ajudá-lo, cavalheiro?"


"Pode. Eu quero um daqueles, daqueles..."
"Pois não?"
"Um... como é mesmo o nome?"
"Sim?"
"Pomba! Um... um... Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples,
conhecidíssima."
"Sim senhor."
"O senhor vai dar risada quando souber."
"Sim senhor."

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CURSOS PREPARATÓRIOS
"Olha, é pontuda, certo?"
"O quê, cavalheiro?"
[...]
"Chame o gerente."
"Não será preciso, cavalheiro. Tenho certeza de que chegaremos a um acordo. Essa coisa que o
senhor quer, é feito do quê?"
"É de, sei lá. De metal."
"Muito bem. De metal. Ela se move?"
"Bem... É mais ou menos assim. Presta atenção nas minhas mãos. É assim, assim, dobra aqui e
encaixa na ponta, assim."
"Tem mais de uma peça? Já vem montado?"
"É inteiriço. Tenho quase certeza de que é inteiriço."
"Francamente..."
"Mas é simples! Uma coisa simples. Olha: assim, assim, uma volta aqui, vem vindo, vem vindo, outra
volta e clique, encaixa."
"Ah, tem clique. É elétrico."
"Não! Clique, que eu digo, é o barulho de encaixar."
"Já sei!"
"Ótimo!"
"O senhor quer uma antena externa de televisão."
"Não! Escuta aqui. Vamos tentar de novo..."
"Tentemos por outro lado. Para o que serve?"
"Serve assim para prender. Entende? Uma coisa pontuda que prende. Você enfia a ponta pontuda
por aqui, encaixa a ponta no sulco e prende as duas partes de uma coisa."
"Certo. Esses instrumentos que o senhor procura funciona mais ou menos como um gigantesco
alfinete de segurança e..."
"Mas é isso! É isso! Um alfinete de segurança!"
"Mas do jeito que o senhor descrevia parecia uma coisa enorme, cavalheiro!"
"É que eu sou meio expansivo. Me vê aí um... um... Como é mesmo o nome?"

Fonte: VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comunicação. In: PARA gostar de ler, v.7. 3.ed. São Paulo: Ática,
1982. p. 35-37.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
FIGURAS DE LINGUAGEM

Figuras de linguagem, também chamadas de figuras de estilo, são recursos estilísticos


usados para dar maior ênfase à comunicação e torná-la mais bonita.
O primeiro passo para entender essas figuras é estabelecer a diferença entre conotação
e denotação. Elas são manifestações da linguagem que estão relacionadas com os significados
das palavras ou expressões de um enunciado.

Denotação: emprego do sentido real, literal das palavras e expressões.


Depois de jogar bola, nós comemos um churrasco

Conotação: emprego do sentido subjetivo, figurado das palavras e expressões.


Ele comeu bola na prova de matemática.

Dependendo da sua função, as figuras de linguagem ou figuras de estilo são classificadas em:
FIGURAS DE SINTAXE OU CONSTRUÇÃO: interferem na estrutura gramatical da frase.
Exemplos: elipse, zeugma, hipérbato, polissíndeto, assíndeto, anacoluto, pleonasmo, silepse e
anáfora.

FIGURAS DE PALAVRAS OU SEMÂNTICAS: estão associadas ao significado das palavras.


Exemplos: metáfora, comparação, metonímia, catacrese, sinestesia e perífrase.

FIGURAS DE PENSAMENTO: trabalham com a combinação de ideias e pensamentos.


Exemplos: hipérbole, eufemismo, litote, ironia, personificação, antítese, paradoxo, gradação e
apóstrofe.

FIGURAS DE SOM OU HARMONIA: estão associadas à sonoridade das palavras.


Exemplos: aliteração, paronomásia, assonância e onomatopeia.

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FIGURAS DE SINTAXE
Nem sempre as frases se organizam com absoluta coesão gramatical. O empenho de
maior expressividade leva-nos, com frequência, a superabundâncias, a desvios, a lacunas nas
estruturas frásicas tidas por modelares. Em tais construções a coesão gramatical é substituída
por uma coesão significativa, condicionada pelo contexto geral e pela situação.
Os processos expressivos que provocam essas particularidades de construção
denominam-se figuras de sintaxe. São elas:

ELIPSE: é a omissão de um termo que o contexto ou a situação permitem facilmente suprir:


Ao redor, bons pastos, boa gente, terra boa para arroz.
A lua, um pequeno disco branco só, lá em cima.

A elipse é responsável por numerosos casos de derivação imprópria, nos quais o termo expresso
absorve o conteúdo significativo do termo omitido:

a (cidade) capital uma (igreja) catedral


um (dente) canino uma (carta) circular
um (navio a) vapor uma folha (de papel)

A elipse como processo gramatical


Em gramática, a elipse de um termo deve ser invocada apenas quando manifesta. E, ainda assim,
com extrema prudência. São frequentes, por exemplo, as elipses:
a) do sujeito:
Levantei-me de mansinho. Abri a porta da rua e, com cautela, fechei-a.

b) do verbo (parcial ou total):


Vão os dois em diálogo peripatético, ele em passo largo, ela no voo.

c) da preposição que introduz certos adjuntos:


Miguel foi atrás dela, mãos nos bolsos, falando calmo.

d) da preposição de antes da integrante que introduz as orações objetivas indiretas e as


completivas nominais:
Bem me lembro que ainda eu mesmo alcancei a casa de dona Rosinha.
Tem medo que fique alguém fora da malhada!...

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CURSOS PREPARATÓRIOS
e) da conjunção integrante que:
Querendo poupar à moça e a mim tal vexame, solicitei fosse a pena comutada, senão em
substância, pelo menos em grau.

A elipse como processo estilístico


Recurso condensador da expressão, a elipse é naturalmente usada de preferência naqueles tipos
de enunciado que se devem caracterizar pela concisão ou pela rapidez.
Seus efeitos estilísticos são, portanto, apreciáveis:
a) na descrição esquemática de ambientes, de estados de alma, de perfis:
Subiu a escada. A cama arrumada. O quarto. O cheiro do jasmineiro. E a voz de uma das filhas,
embaixo:
— Papai! O telefone...
(A. M. Machado, CJ, 119.)

b) em anotações rápidas, como as de um diário íntimo, de um caderno de notas:


Outubro, 10 — Depressão. Hipocondria. Reações súbitas de ódio. Depois, desalento. Pelo menos,
antes havia um mistério algo excitante. Agora, mais melancolia, apenas.
(C. dos Anjos, M, 143.)
Poucos feridos. Rara gente de luto. Nenhuma tristeza. Muitos espetáculos. Cafés do centro, cheios.

c) na enunciação de pensamentos condensados, provérbios, divisas, ditos sentenciosos ou


irônicos:
Uma vida nova numa terra nova.
(Castro Soromenho, V, 50.)
— Meu dito, meu feito.
(Machado de Assis, OC, 1,634.)

d) nas enumerações, onde a inexistência do artigo costuma sugerir as ideias de acumulação, de


dispersão:
Jantares, danças, luminárias, músicas, tudo houve para celebrar tão fausto acontecimento.
(Machado de Assis, OC, 1,281.)

ZEUGMA é uma das formas da elipse.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
1. Consiste em fazer participar de dois ou mais enunciados um termo expresso apenas em um
deles:
Na vida dela houve só mudança de personagens; na dele mudança de personagens e de cenários.
Podemos denominar simples a zeugma em que o termo omitido é exatamente o mesmo
empregado na oração anterior.

2. Com mais frequência, a designação aplica-se à chamada zeugma complexa, que abarca
principalmente os casos em que se subentende um verbo já expresso, mas sob outra flexão.
Assim:
A igreja era grande e pobre. Os altares, humildes.

3. A zeugma tem na oração comparativa um campo privilegiado de produção de efeitos


estilísticos, como nos mostra este exemplo:
O perene mistério, que atravessa
Como um suspiro céus e corações...

PLEONASMO: é a superabundância de palavras para enunciar uma ideia.


Serve para reproduzir a fala popular:
— Sai lá para fora, João. A gente volta para trás.

Pleonasmo vicioso: quando nada acrescenta à força da expressão, quando resulta apenas
da ignorância do sentido exato dos termos empregados, ou de negligência, é uma falta
grosseira.
Estão neste caso frases como:
Ter o monopólio exclusivo.
Ser o principal protagonista.

Pleonasmo e epíteto de natureza


Cumpre, no entanto, distinguir dessas redundâncias viciosas o emprego do adjetivo como
epíteto de natureza em expressões do tipo céu azul, fria neve, prado verde, mar salgado, noite
escura e equivalentes. Comparem-se estes exemplos:
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!

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CURSOS PREPARATÓRIOS
(R Pessoa, OP, 19.)
E a Noite sou eu própria! A Noite escura!!
(F. Espanca, S, 41.)

Aqui não se trata de inútil reiteração da ideia que já se continha no substantivo. O adjetivo insiste
sobre o caráter intrínseco, normal ou dominante do objeto. É uma forma de ênfase, um recurso
literário.

Objeto pleonástico
1. Vimos que, para dar realce ao objeto direto, é costume colocá-lo no início da frase e, depois,
repeti-lo com a forma pronominal o (a, os, as), como neste passo:
Paisagens, quero-as comigo.

2. Com a mesma finalidade de ênfase, o pronome lhe (lhes) pode reiterar o objeto indireto
expresso por um sintagma nominal colocado no início da frase, como nos provérbios:
Ao homem mesquinho basta-lhe um burrinho.
Ao pobre não lhe prometas e ao rico não lhe faltes.

3. Também para ressaltar o objeto (direto ou indireto), usa-se fazer acompanhar um pronome
átono da correspondente forma tônica regida da preposição a:
A mim não me enganas tu.

HIPÉRBATO: (do grego hypérbaton “inversão”,“transposição”) é a separação de palavras que


pertencem ao mesmo sintagma, pela intercalação de um membro frásico, como nestes passos:
Essas que ao vento vêm
Belas chuvas de junho!
(J. Cardoso, SE, 16.)
Que arcanjo teus sonhos veio
Velar, maternos, um dia?
(F. Pessoa, OP, 11.)

Em sentido corrente, porém, hipérbato é termo genérico para designar toda inversão de
ordem normal das palavras na oração, ou da ordem das orações no período, com finalidade
expressiva.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
ANÁSTROFE: (do grego anastrophé “mudança de posição”, “inversão”, “transposição”) é o tipo
de inversão que consiste na anteposição do determinante (preposição + substantivo) ao
determinado, como nestes passos:
Vingai a pátria ou valentes
Da pátria tombai no chão!
(Fagundes Varela, PC, 1,159.)
Mas esse astro que fulgente
Das águias brilhara à frente,
Do Capitólio baixou.
(Soares de Passos, P, 91-92.)

PROLEPSE: (do grego prólepsis“ação de tomar antes”), figura também conhecida como
antecipação, consiste na deslocação de um termo de uma oração para outra que a preceda, com
o que adquire excepcional realce:
Os pastores parece que vivem no fim do mundo.
— O próprio ministro dizem que não gostou do ato.
(Machado de Assis, OC, 1,643.)

SÍNQUISE: (do grego sygchysis “confusão”, “mistura”) é a inversão de tal modo violenta das
palavras de uma frase, que torna difícil a sua interpretação. Assim:
“Taça de coral”, de Alberto de Oliveira:
Lícias, pastor — enquanto o sol recebe,
Mugindo, o manso armento e ao largo espraia,
Em sede abrasa, qual de amor por Febe — Sede também, sede maior, desmaia.
(P, II, 111.)
Entenda-se:
“Lícias, pastor, enquanto o manso armento recebe o sol e, mugindo, espraia ao largo —, abrasa em
sede, qual desmaia de amor por Febe, sede também, sede maior.”

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CURSOS PREPARATÓRIOS
ASSÍNDETO: (do grego asyndeton “não unido”, “não ligado”) ocorre quando as orações de um
período ou as palavras de uma oração se sucedem sem conjunção coordenativa que poderia
enlaçá-las.
A barca vinha perto, chegou, atracou, entramos.
(Machado de Assis, OC, 1,1067.)

POLISSÍNDETO: (do grego polysndeton “que contém muitas conjunções”) é o contrário do


assíndeto, ou seja, é o emprego reiterado de conjunções coordenativas, especialmente das
aditivas:
Ocupados como quem lavra a existência, e planta, e colhe, e mata, e vive, e morre, e come.
O quinhão que me coube é humilde, pior do que isto: nulo. Nem glória, nem amores, nem santidade,
nem heroísmo.

ANACOLUTO: é a mudança de construção sintática no meio do enunciado, geralmente depois de


uma pausa sensível, como neste exemplo:
Umas carabinas que guardava atrás do guarda-roupa, a gente brincava com elas, de tão
imprestáveis.

SILEPSE: (do grego syllepsis, “ação de reunir, de tomar em conjunto”) é a concordância que se
faz não com a forma gramatical das palavras, mas com o seu sentido, com a ideia que elas
expressam.

Silepse de número
Pode ocorrer com todo substantivo singular concebido como plural e, particularmente, com os
termos coletivos.
Já toda a gente estava indignada. Queriam ouvir.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
Propelido por essas ideias e sentimentos, pelas conveniências de nossas funções nesta capital, e
animado pelo acolhimento que teve o nosso curso de gramática, pusemos mão diligente neste
trabalho, que ora entregamos receoso à mocidade estudiosa e aos homens de letras do nosso país.

Silepse de gênero
Sabemos que as expressões de tratamento Vossa Majestade, Vossa Excelência, Vossa Senhoria etc.
têm forma gramatical feminina, mas aplicam-se com frequência a pessoas do sexo masculino.
Imediatamente, pode Vossa Excelência ficar descansado!...
— V. Ex.a parece magoado...

Silepse de pessoa
Quando a pessoa que fala ou escreve se inclui num sujeito enunciado na 3ª. pessoa do plural, o
verbo pode ir para a 1ª pessoa do plural:
— Deixa lá, que ainda havemos de ser felizes os dois, com a nossa casinha e as nossas coisas.
Todos entramos imediatamente.
— No fundo a gente se consolava, pensávamos em nós mesmos.

ANÁFORA: figura de linguagem que se caracteriza pela repetição de uma mesma palavra ou
expressão no início de cada oração ou sentença. Por afetar a estrutura do enunciado, é
classificada como figura de sintaxe (ou figura de construção).

Essa figura é muito comum em textos poéticos ou em músicas, quando os versos começam com
a mesma palavra ou expressão, dando mais musicalidade ao texto.
Carlos Drummond de Andrade usa anáfora em diversos versos do poema “E agora, José?”.

“Se você gritasse,


se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,

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CURSOS PREPARATÓRIOS
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!”

Muitos textos publicitários podem utilizar a anáfora, já que a repetição chama atenção e torna o
enunciado mais fácil de ser memorizado.
“Tá na moda, tá na mão, tá na C&A.”

Diferença entre anáfora e catáfora

Anáfora pode referir-se a uma figura de linguagem ou a um mecanismo de coesão textual.


No campo da linguística, a anáfora pode referir-se ao elemento de coesão textual, no qual
ocorre a retomada de um elemento anterior no enunciado via outra expressão, evitando a
repetição do termo referido. Observe:
Geovana e Flávia são muito estudiosas. Elas têm ótimas notas.

Na catáfora, ocorre a antecipação de um elemento posterior no enunciado, que ainda será


explicitado. Veja:
O meu preferido é este: o vestido verde.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
FIGURAS DE PALAVRAS OU SEMÂNTICA
METÁFORA: representa uma comparação de palavras com significados diferentes e cujo termo
comparativo fica subentendido na frase.
A vida é uma nuvem que voa. (A vida é como uma nuvem que voa.)

A vida dela é um conto de fadas.

COMPARAÇÃO: chamada de comparação explícita, ao contrário da metáfora, nesse caso são


utilizados conectivos de comparação (como, assim, tal qual).
Seus olhos são como jabuticabas.
Ela é brava como uma onça.

METONÍMIA ( sinédoque): transposição de significados considerando:


a) parte pelo todo: Ele possuía inúmeras cabeças de gado.
(a palavra "cabeças" se refere a bois inteiros, e não apenas "cabeças" de bois")

b) causa pelo efeito: Consegui comprar a televisão com meu suor.


(a palavra "suor" se refere à palavra "trabalho")

c) autor pela obra: Muitas vezes, li Camões.


("Camões" se refere à obra literária desse autor, ou seja: Muitas vezes, li os livros de Camões)

d) inventor pelo Invento: Por que esperar? Pegue no seu Graham Bell e fale já com ela!
(o inventor do telefone - Graham Bell - foi usado no lugar da sua invenção)

e) marca pelo produto: Meu pai adora tomar Nescau com leite.
(a marca Nescau se refere a chocolate em pó)

f) matéria pelo objeto: Passou a vida atrás do vil metal.


(o material "metal" se refere ao dinheiro)

g) singular pelo plural: O cidadão foi às ruas lutar pelos seus direitos.
(a palavra "cidadão", que está no singular, se refere a vários cidadãos)

h) concreto pelo abstrato: Natália, a melhor aluna da classe, tem ótima cabeça.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
(a palavra "cabeça", que é um substantivo concreto, se refere à palavra "inteligência", que é um
substantivo abstrato).

i) continente pelo conteúdo: Quero um copo d’água.


(a palavra "copo d´água" se refere a um copo COM água)

j) gênero pela espécie: Os homens cometeram barbaridades.


(a palavra "homens" foi usada no lugar da palavra "humanidade")

CATACRESE: representa o emprego impróprio de uma palavra por não existir outra mais
específica.
Exemplo: Embarcou há pouco no avião.
Embarcar é colocar-se a bordo de um barco, mas como não há um termo específico para o avião,
embarcar é o utilizado.
Dente de alho.
Cabeça do prego.
Maçã do rosto.
Asa da xícara.
Céu da boca.
Fio de azeite.
Pele do tomate.
Boca do túnel.

SINESTESIA: ocorre pela associação de sensações por órgãos de sentidos diferentes (mistura
das impressões sensoriais).
Com aquele olhos frios, disse que não gostava mais da namorada.
"Agora, o cheiro áspero das flores leva-me os olhos por dentro de suas pétalas."(Cecília Meirelles)
"O céu ia envolvendo-a até comunicar-lhe a sensação do azul, acariciando-a como um esposo,
deixando-lhe o odor e a delícia da tarde." (Gabriel Miró)

PERÍFRASE: também chamada de antonomásia, é a substituição de uma ou mais palavras por


outra que a identifique.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
O rugido do rei das selvas é ouvido a uma distância de 8 quilômetros. (leão)
A cidade luz foi atingida por terroristas nessa tarde. (Paris)
A terra da garoa está cada vez mais perigosa. (São Paulo)
Sampa é o grande centro financeiro do país. (São Paulo)
O país do futebol conquistou mais uma medalha nas olimpíadas. (Brasil)
O país do carnaval celebrou mais uma conquista política. (Brasil)

FIGURAS DE PENSAMENTO
HIPÉRBOLE: corresponde ao exagero intencional na expressão.
Quase morri de estudar.
Chorou rios de lágrimas.
Já lhe disse isso um milhão de vezes.

EUFEMISMO: é utilizado para suavizar o discurso.


Entregou a alma a Deus.
Pessoas da terceira idade sofrem com a estrutura das grandes cidades.
João sempre foi “cheinho”...

LITOTE: representa uma forma de suavizar uma ideia. Nesse sentido, assemelha-se ao
eufemismo, bem como é a oposição da hipérbole.

— Não é que sejam más companhias… — disse o filho à mãe.

Pelo discurso, percebemos que apesar de as suas companhias não serem más, também não são
boas.
Joana pode não ser das melhores alunas da classe.
Rafael não está certo sobre o crime.
Sofia não é nada boba.
Samuel não é pobre pois tem uma grande casa na praia.

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359
CURSOS PREPARATÓRIOS
IRONIA: é a representação do contrário daquilo que se afirma.
É tão inteligente que não acerta nada.
Ele correu tão rápido quanto uma tartaruga.
A sopa estava uma delícia: fria e sem tempero.
Eu fico feliz quando ela não atende as minhas ligações.

PERSONIFICAÇÃO ou prosopopeia: é a atribuição de qualidades e sentimentos humanos aos


seres irracionais.
O jardim olhava as crianças sem dizer nada.
O dia acordou feliz e o sol sorria para mim.
O vento assobiava esta manhã em que o céu chorava.
Naquela noite, a lua beijava o céu.
Após a erupção do vulcão, o fogo dançava por entre as casas.

ANTÍTESE: uso de termos que têm sentidos opostos.


Toda guerra finaliza por onde devia ter começado: a paz.
A relação deles era de amor e ódio.
O dia está frio e meu corpo está quente.
A vida e a morte: duas figuras de uma mesma moeda.
A tristeza e a felicidade fazem parte da vida.
Bonito para alguns, feio para outros.
Vivemos num paraíso ou num inferno?
Faça sol ou faça chuva, estarei no teatro.
O céu e a terra se fundem tal qual uma pintura.
A luz e a escuridão estavam presentes em sua obra.
Não sei dizer qual verdade reside na mentira.
PARADOXO ou oxímoro: representa o uso de ideias que têm sentidos opostos, não apenas de
termos (tal como no caso da antítese).
Estou cego de amor e vejo o quanto isso é bom.
Como é possível alguém estar cego e ver?

CONHEÇA NOSSOS
360
CURSOS PREPARATÓRIOS
Para mim, a melhor companhia é a solidão.

Amor é fogo que arde sem se ver


É ferida que dói e não se sente
É contentamento descontente
É dor que desatina sem doer (Camões)

GRADAÇÃO: apresentação de ideias que progridem de forma crescente (clímax) ou decrescente


(anticlímax).
Inicialmente calma, depois apenas controlada, até o ponto de total nervosismo.

No exemplo acima, acompanhamos a progressão da tranquilidade até o nervosismo.

Ela berrou, gritou, falou, sussurrou, murmurou… já não havia mais nada que pudesse fazer.
A famosa atriz já foi milionária, rica, classe média e até remediada.
Depois da tempestade, dos relâmpagos e trovões, a chuva continuou caindo durante dias, até se
transformar num suave chuvisco.

APÓSTROFE: interpelação feita com ênfase.


Ó céus, é preciso chover mais?
“Tende piedade de mim, Senhor, de todas as mulheres.” (Vinícius de Moraes)
“Deus, ó Deus!

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361
CURSOS PREPARATÓRIOS
FIGURAS DE SOM
ALITERAÇÃO: repetição de sons consonantais.
O rato roeu a roupa do rei de Roma.
Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
(CRUZ E SOUSA. Violões que choram.)

PARONOMÁSIA: repetição de palavras cujos sons são parecidos.


Exemplo: O cavaleiro, muito cavalheiro, conquistou a donzela. (cavaleiro = homem que anda a
cavalo, cavalheiro = homem gentil)
Eu vou te delatar se você não dilatar a pupila.
Aprendeu nas aulas por meio da apreensão dos conhecimentos.
José é um cavaleiro da fazenda muito cavalheiro.
O docente aplicou a prova essa tarde para os discentes.
Durante seu descanso o peão jogava pião com seus colegas.

Obs: o trava-línguas é um tipo de parlenda que faz parte da literatura popular. Um dos recursos
estilísticos utilizado para dificultar o falante na recitação da frase é a paronomásia, por exemplo:
"Fia, fio a fio, fino fio, frio a frio".
Nesse caso, além da aproximação de palavras semelhantes, temos também a repetição da
consoante "f" e da vogal "o". Portanto, o uso das figuras de som: aliteração e assonância.

ASSONÂNCIA: repetição de sons vocálicos.


"O que o vago e incógnito desejo
de ser eu mesmo de meu ser me deu." (Fernando Pessoa)
“Juro que não acreditei, eu te estranhei/Me debrucei sobre teu corpo e duvidei/E me arrastei e te
arranhei/E me agarrei nos teus cabelos” (Atrás da Porta – Chico Buarque) – repetição das vogais
“ei”.

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362
CURSOS PREPARATÓRIOS
ONOMATOPEIA: inserção de palavras no discurso que imitam sons.
Exemplo: Não aguento o tic-tac desse relógio.

RESUMO DAS FIGURAS DE LINGUAGEM


Confira na tabela abaixo o que diferencia cada uma das figuras de linguagem, bem como cada um
dos seus tipos.
FIGURAS DE FIGURAS DE
FIGURAS DE FIGURAS DE SOM
PALAVRAS OU SINTAXE OU
PENSAMENTO OU HARMONIA
SEMÂNTICAS CONSTRUÇÃO
Produzem maior
Produzem maior expressividade à
Produzem maior Produzem maior
expressividade à comunicação através
expressividade à expressividade à
comunicação através da da inversão, repetição
comunicação através comunicação através
combinação de ideias e ou omissão dos
das palavras. da sonoridade.
pensamentos. termos na construção
das frases.
metáfora hipérbole elipse aliteração
comparação eufemismo pleonasmo paronomásia
metonímia litote zeugma assonância
catacrese ironia hipérbato onomatopeia
sinestesia personificação ou silepse
perífrase ou prosopopeia polissíndeto
antonomásia antítese assíndeto
paradoxo ou oxímoro anacoluto
gradação ou clímax anáfora
apóstrofe

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363
CURSOS PREPARATÓRIOS
POLISSEMIA E AMBIGUIDADE
Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto na interpretação. Na língua
portuguesa, um enunciado pode ser ambíguo, ou seja, apresentar mais do que uma
interpretação. Essa ambiguidade pode ocorrer devido à colocação específica de uma palavra (por
exemplo, um advérbio) em uma frase. Exemplo:

Pessoas que têm uma alimentação equilibrada frequentemente são felizes.

Nesse caso, podem existir duas interpretações diferentes. As pessoas têm alimentação
equilibrada porque são felizes ou são felizes porque têm uma alimentação equilibrada.

De igual forma, quando uma palavra é polissêmica, ela pode induzir uma pessoa a fazer
mais do que uma interpretação. Por isso, é muito importante saber qual o contexto em que a
frase é proferida.

A polissemia é um recurso que amplia o sentido da mensagem e contribui para a


expressividade do texto, ao mesmo tempo que instiga, isto é, provoca nossa capacidade de
compreender os jogos de significação dos enunciados.

O QUE É AMBIGUIDADE?

Ambiguidade é a qualidade ou estado do que é ambíguo, ou seja, aquilo que pode ter
mais do que um sentido ou significado. A função da ambiguidade é sugerir significados
diversos para uma mesma mensagem.

A ambiguidade é uma figura de linguagem e pode ser usada como recurso estilístico. Mas
também pode ser um vício de linguagem, que decorre da má construção da frase ou do uso
impreciso de uma palavra. Nesse caso, ela compromete o significado do enunciado. Exemplos:

"Mataram o porco do meu tio." (Sem ambiguidade: "Mataram o porco que era do meu tio").
"O guarda deteve o suspeito em sua casa." (Na casa de quem: do guarda ou do suspeito?).
"João foi ao restaurante com a sua irmã." (É a irmã do João ou a irmã da pessoa com quem se está
falando?).

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364
CURSOS PREPARATÓRIOS
AMBIGUIDADE LEXICAL E ESTRUTURAL

Uma expressão ou texto ambíguo pode se apresentar de duas formas: ambiguidade


estrutural e ambiguidade lexical.

A estrutural provoca ambiguidade por causa da posição das palavras em um enunciado,


gerando uma má compreensão do seu significado. Exemplo:

“O celular se tornou um grande aliado do homem, mas ele nem sempre realiza todas as suas
tarefas”.

As palavras “ele” e “suas” podem se referir tanto ao celular, quanto ao homem,


dificultando a direta interpretação da frase e causando ambiguidade.

“Exigiu o dinheiro do marido.” (O dinheiro é do marido ou apenas estava com ele?)


“Pedro foi atrás do ônibus correndo.” (Quem estava correndo: o ônibus ou Pedro?) Nesse caso, temos
a ambiguidade estrutural devido à posição da palavra “correndo”. Se mudássemos para: “Pedro foi
correndo atrás do ônibus”, teríamos a resolução da ambiguidade.

Na ambiguidade lexical, uma determinada palavra assume dois ou mais significados, como
acontece com a polissemia, por exemplo.

“O rapaz pediu um prato ao garçom”.

No exemplo acima, a palavra “prato” pode se referir ao objeto onde se coloca a comida ou
um tipo de refeição.

“Estava perto do banco.” (Banco da praça ou uma instituição?)

Pelo fato de reunir mais do que uma interpretação possível, as ambiguidades podem
gerar um desentendimento no discurso, motivo pelo qual devem ser evitadas nos discursos
formais. Assim, quando surgem por descuido, as ambiguidades são consideradas vícios de
linguagem. Exemplo:

“Por fim, levou o filho para o seu quarto.” Não está claro de quem é o quarto: o do filho ou o seu
próprio?

No entanto, esse é um recurso muito utilizado nos textos poéticos, uma vez que oferece
maior expressividade ao texto. Além disso, também é usada nos textos publicitários para
garantir o humor. Nesse caso, quando seu uso é intencional, a ambiguidade é considerada

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365
CURSOS PREPARATÓRIOS
uma figura de linguagem. Como exemplo, podemos citar a publicidade a respeito de um
anúncio de bolachas:

"Encha seu filho de bolacha."

Note que o objetivo da mensagem é a de incentivar o consumo de bolachas e não de incitar


os pais a baterem nos filhos. Isso ocorre porque o termo bolacha é ambíguo, uma vez que pode
significar um tipo de biscoito ou uma bofetada.

Outro exemplo: Adoro meu vizinho, mas o cachorro não para de ladrar.

Há ironia nessa oração. Isso porque não está claro se eu gosto assim tanto do meu vizinho (ainda
que o seu cachorro viva latindo) ou se eu não gosto dele (tanto que o chamo de cachorro porque
ele incomoda com o seu barulho).

Confira abaixo exemplos de frases ambíguas e as diversas situações em que podem ocorrer:

uso dos pronomes possessivos

O professor da Maria terminou a aula fazendo apontamentos no seu caderno. (Os apontamentos
foram feitos no caderno da Maria ou no caderno do professor?)

Agora veja:
O professor da Maria terminou a aula fazendo apontamentos no caderno dela.
ou
O professor da Maria terminou a aula fazendo apontamentos no seu próprio caderno.

colocação das palavras

1) As crianças felizes correram para a piscina. (As crianças são felizes ou estão felizes por
poderem ir para a piscina? Caso sejam felizes a construção está correta.)

Agora veja:
Felizes, as crianças correram para a piscina.

2) A atendente mal-humorada dobrou as camisas.(A atendente é mal-humorada ou está mal-


humorada? Caso seja mal-humorada a construção está correta).

Agora veja:
Mal-humorada, a atendente dobrou as camisas.

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366
CURSOS PREPARATÓRIOS
uso das formas nominais

1) Ajudei a colega exausta no fim do dia. (Quem estava exausta? Eu ou a colega?)

Agora veja:
Exausta, ajudei a colega no fim do dia.
ou
Ajudei a colega, que estava exausta, no fim do dia.

2) A ajudante de cozinha ajudou o conceituado cozinheiro preparando a apresentação do prato.


(A ajudante preparou a apresentação do prato sozinha ou ajudou o cozinheiro com a sua
apresentação?)

Agora veja:
A ajudante de cozinha ajudou o conceituado cozinheiro com a apresentação do prato.
ou
Preparando a apresentação do prato, a ajudante de cozinha ajudou o conceituado cozinheiro.

uso do pronome relativo e da conjunção integrante

1) Falei com a chefe que estava com vertigens. (Quem estava com vertigens, eu ou a minha chefe?)

Agora veja:
Com vertigens, falei com a chefe.

2) Estamos falando acerca de um prato daquele novo restaurante, o qual faço questão que você
experimente. (O que você gostaria que eu experimentasse, o prato ou o novo restaurante?)

Agora veja:
Estamos falando acerca de um prato daquele novo restaurante. Faço questão que você experimente
o lugar.

Ambiguidade: vício de linguagem

A ambiguidade é considerada como um vício de linguagem, ou seja, como algo que se distancia
das normas padrão. Na escrita lírica e poética, a ambiguidade tende a ser aceita devido à maior
liberdade criativa existente nesse estilo. No entanto, é fundamental evitá-la em textos

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367
CURSOS PREPARATÓRIOS
acadêmicos, jornalísticos e em formas de comunicação informal, que prezem pela divulgação de
informações precisas e objetivas.

POLISSEMIA

Polissemia é um conceito da área da linguística com origem no termo grego polysemos,


que significa "algo que tem muitos significados". Uma palavra polissêmica é uma palavra que
reúne vários significados.

A palavra "vela" é um dos exemplos de polissemia. Ela pode significar a vela de um barco;
a vela feita de cera que serve para iluminar ou pode ser a conjugação do verbo velar, que significa
estar vigilante.

As diferentes variantes de significado podem depender da afinidade etimológica do


vocábulo em causa, do seu uso metafórico e, em última instância, do contexto, em que, na prática,
o termo fica monossêmico.

A polissemia constitui uma propriedade básica das unidades léxicas e um elemento


estrutural da linguagem. O oposto da polissemia é a monossemia, em que uma palavra assume
só um significado. Vejamos alguns exemplos no qual as mesmas palavras são utilizadas em
diferentes contextos:

Exemplo 1

A letra da música do Chico Buarque é incrível.


A letra daquele aluno é inteligível
Meu nome começa com a letra D.

Logo, constatamos que a palavra "letra" é um termo polissêmico, visto que abarca significados
distintos dependendo de sua utilização.

Na frase 1, a palavra é utilizada como "música, canção". Na 2, significa "caligrafia". Na oração 3,


indica a "letra do alfabeto". Apesar dos muitos significados, todos se relacionam com a ideia de
escrita.

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368
CURSOS PREPARATÓRIOS
Exemplo 2

A boca da garrafa de cerveja está com ferrugem.


O seu João continua mandando bocas para a vizinha do 1.º andar.
E que tal se você fechasse a boca?

Na oração 1, a boca da garrafa é a abertura do recipiente, enquanto na 2, tem o sentido de


provocação. Apenas na oração 3 é feita referência à parte do corpo. Todos, no entanto, se
relacionam com a função da boca: abertura, fala.

Exemplo 3

A praia parecia um formigueiro no sábado.


O paciente queixou-se ao médico do formigueiro nas mãos.
Foi todo picado logo depois de pisar num formigueiro.

Na oração 1, formigueiro tem o sentido de multidão; na oração 2, tem o sentido de coceira; Na


oração 3, o formigueiro refere-se à toca das formigas. Todos se relacionam com a ideia de
multidão, muitas formigas passando dão a sensação de comichão, por exemplo.

Chamamos de polissemia a propriedade de uma palavra ou expressão que apresenta


vários sentidos além de seu original. As palavras polissêmicas guardam uma relação de sentidos
entre si, característica que as diferencia das palavras homônimas.

Enquanto as palavras homônimas – vocábulos com origens e significados distintos,


porém como mesma grafia e fonemas – apresentam origens diferentes para seus significados, as
palavras polissêmicas estabelecem uma conexão entre si, remetendo a representações mentais
similares (por exemplo, anel de Saturno e anel de casamento remetem a uma ideia de objeto
circular).

Pense no vocábulo manga: existe alguma relação entre a fruta e a manga da camisa? Ou
seja, trata-se de um só vocábulo com dois sentidos, ou são dois vocábulos diferentes com a
mesma forma? Quando um vocábulo possui mais de um significado, chamamos isso
de polissemia. Quando dois vocábulos diferentes, de origens e significados diversos, terminam
convergindo para a mesma configuração fonológica e ortográfica, chamamos de homonímia.

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369
CURSOS PREPARATÓRIOS
Um bom exemplo de vocábulo polissêmico (do Grego poli, “muitos”, e sema,
“significado”) é LETRA, que tem no mínimo três significados bem conhecidos: (1) um dos sinais
gráficos do alfabeto; (2) o texto de uma canção; (3) um título de crédito. Para a maioria dos
falantes não parece difícil ligar entre si esses três significados, já que todos eles estão
relacionados pela ideia de escrita.

Quando, no entanto, não conseguimos estabelecer uma relação satisfatória entre os


significados — como no caso da MANGA —, há forte probabilidade de que estejamos diante de
um par de vocábulos homônimos. Uma rápida investigação no dicionário confirma nossa
intuição: a fruta vem do Malaio manga, enquanto a parte da vestimenta vem do Latim manica.

Um bom dicionário deveria tentar distinguir os casos de homonímia dos casos


de polissemia: manga mereceria dois verbetes diferentes, enquanto os vários significados
de letra seriam relacionados no corpo do mesmo verbete. No entanto, como nem sempre é fácil
decidir se estamos diante de um ou de outro caso (pensem nos cravos da florista, no cravo que
faz par com a canela no doce, nos cravos que pregaram Cristo na cruz, na música de cravo de
Bach e de Scarlatti e nos cravos da pele — como classificar?), a maioria dos dicionaristas limita-
se a relacionar e definir cada um dos significados: cravo (1) flor…; (2) prego…; (3) instrumento…
— e assim por diante, porque eles sabem que essa informação basta para o usuário comum.

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370
CURSOS PREPARATÓRIOS
Exemplo de polissemia:

Exemplo de ambiguidade:

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371
CURSOS PREPARATÓRIOS
COMPREENSÃO E
INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

Para responder às questões propostas em concursos, é necessário, antes de pôr em


prática seus conhecimentos, compreender o que se pede, entender claramente o enunciado,
desvendar o tipo de raciocínio que a questão está exigindo de você. Para isso, é fundamental ser
um bom leitor, perceber e analisar uma determinada questão a fim de selecionar, no próprio
comando, os elementos a serem desenvolvidos durante a resposta.

Não conhecemos outro caminho para a leitura que não seja a própria leitura, o exercício
de decifrar signos gráficos combinados em palavras, que se combinam em frases que se
estruturam em textos.

Este material pretende desenvolver em você a capacidade de ler e entender textos,


principalmente no contexto de concursos, além de enfatizar a importância da leitura na
construção do conhecimento.

PROVOCAÇÕES

Como você lê? De maneira mecânica, passiva ou de maneira ativa, reflexiva e crítica? Você
acumula apenas os dados e as informações ou você integra o lido ao vivido?

“ Sob a pele das palavras há cifras e códigos” ( Carlos Drummond de Andrade).

“A leitura do mundo precede a leitura da palavra... A compreensão do texto (...) implica a


percepção das relações entre texto e contexto.” ( Paulo Freire)

Para um bom leitor, o lido se mistura ao vivido. Para um bom leitor, a leitura é, ao mesmo
tempo, pulsação, gosto, prazer, organização das ideias e reconhecimento do texto. É necessário
ir e voltar, do texto a nós mesmos, até interiorizá-lo, até que ele, finalmente, faça parte de nós.
Assim, ler é um processo cuja condição primordial é a própria prática da leitura.

Para conseguirmos desenvolver a nossa potencialidade como leitores, precisamos


perceber uma distinção essencial entre duas “imagens” de leitura: a leitura como atividade

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372
CURSOS PREPARATÓRIOS
mecânica, passiva, consumista e a leitura como atividade ativa, reflexiva e crítica. Enquanto a
primeira está ligada à ideia de quantidade, a segunda caracteriza-se pela qualidade. Na primeira,
temos a impressão de que lemos, quando, na verdade, apenas acumulamos dados e informações
que logo desaparecem da nossa mente. Na segunda, há não só uma apreensão do lido como
também uma integração do lido e o vivido.

Apreender, isto é, assimilar o conteúdo de um texto implica, portanto, a sua incorporação


ao nosso mundo. Incorporar o texto significa digeri-lo, significa conviver com ele, aceitando-o
e/ou negando-o, ao mesmo tempo, ou seja, estabelecendo um diálogo através do qual o leitor se
constitui como um sujeito do ato da leitura: um ato que pode assim ser criador e não meramente
reprodutor.

Existem questões de concursos que se voltam para o modo como o texto está organizado,
para características de sua organização e outras, que constituem a grande maioria, voltam-se
para a compreensão das ideias expressas nos textos, pretendendo medir a nossa capacidade de
interpretar lucidamente o que estamos lendo. Essas questões, voltadas para problemas de
entendimento dos textos, incidem sobre os pontos de vista expressos, sobre os argumentos
fundamentados desses pontos de vista, sobre os raciocínios desenvolvidos, sobre as conclusões
apresentadas.

DIFERENÇA ENTRE COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO

Compreensão de textos: é a decodificação da mensagem, ou seja, análise do que está explícito


no texto. É a análise objetiva e a assimilação das palavras e ideias presentes no texto. As
expressões que geralmente se relacionam com a compreensão são:

Segundo o texto…
De acordo com o autor…
No texto…
O texto informa que...
O autor sugere
Interpretação de textos: é a interpretação que fazemos do conteúdo, ou seja, a quais conclusões
chegamos por meio da conexão de ideias e, por isso, vai além do texto. Essa análise ocorre de
modo subjetivo e está relacionada com a dedução do leitor.

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373
CURSOS PREPARATÓRIOS
Existe uma ciência que estuda a teoria da interpretação, chamada de hermenêutica. Trata-
se de um ramo da filosofia que explora a interpretação de textos em diversas áreas, como
literatura, religião e direito. Na interpretação de texto, as expressões geralmente utilizadas são:

Diante do que foi exposto, podemos concluir…


Infere-se do texto que…
O texto nos permite deduzir que…
Conclui-se do texto que...
O texto possibilita o entendimento de...

INFORMAÇÕES IMPLÍCITAS E EXPLÍCITAS

As informações explícitas são aquelas manifestadas pelo autor no próprio texto.

As informações implícitas não são manifestadas pelo autor no texto, mas podem ser
subentendidas.

Muitas vezes, para efetuarmos uma leitura eficiente, é preciso ir além do que foi dito, ou
seja, ler nas entrelinhas.

EXEMPLO 1

Informação explícita: Maria parou de tomar refrigerante. Informação implícita: se Maria parou
de tomar refrigerante, significa que ela tomava refringente antes.

EXEMPLO 2

Informação implícita: alguém emprestou seu livro à Bia.

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374
CURSOS PREPARATÓRIOS
COMO FAZER A INTERPRETAÇÃO?

1) Leia devagar e com atenção: preste atenção nos detalhes e tente não perder nenhuma
informação que o texto pretende passar.

2) Reconheça e destaque dentro do texto, palavras e frases importantes.

3) Interpretação: lembre-se de não deixar que suas ideias prevaleçam sobre as do autor. Por
mais que você não concorde com ele, haverá somente uma questão correta.

4) Atenção nos enunciados: grife sempre o que a questão está pedindo, muita atenção nas
palavras “correta”, “incorreta”, “exceto”, “não” etc.

ERROS CLÁSSICOS DE ENTENDIMENTO DE TEXTO: EXTRAPOLAÇÃO, REDUÇÃO E


CONTRADIÇÃO

Extrapolação – como o próprio nome indica, ocorre quando acrescentamos ideias que não estão
presentes no texto. Ao extrapolar, vamos além dos limites do texto, fazemos outras associações,
evocamos outros elementos, deflagramos nossa imaginação e nossa memória, abandonando o
texto que era o nosso objeto de interpretação. Trata-se de um exercício de criatividade
inadequada porque nos leva a perder o contexto em questão. Geralmente, o processo de
extrapolação se realiza por associações evocativas, por relações analógicas: uma ideia lembra
outra semelhante e viajamos para fora do texto. Outras vezes, a extrapolação ocorre pela
preocupação de “descobrir” pressupostos das ideias do texto, pontos de partida bem anteriores
ao pensamento expresso, ou, ainda, pela preocupação de se tirar conclusões decorrentes das
ideias do texto, mas já pertencentes a outros contextos, a outros campos de discussão.
Reconhecer os elementos de extrapolação – sejam analógicos ou lógicos – significa conquistar
maior lucidez e capacidade de compreensão objetiva dos textos e do contexto em análise. Essa
clareza é necessária e é criadora: significa, inclusive, uma liberdade maior de imaginação e de
raciocínio, porque os voos para fora dos textos tornam-se CONSCIENTES, por opção, e serão
realizados por um projeto intencional e não mais por incapacidade de reconhecer os limites de
um texto posto em questão, nem por incapacidade de distinguir as próprias ideias das ideias
apresentadas por um texto lido.

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375
CURSOS PREPARATÓRIOS
Resumindo: cometemos o erro da extrapolação quando apresentamos ideias que não estão no
texto.

Redução - outro erro clássico em exercícios de entendimento do texto é o que chamamos de


redução ou particularização indevida. Nesse caso, ao invés de extrapolarmos o contexto e de
acrescentarmos outros elementos, fazemos o inverso: abordamos apenas uma parte, um detalhe,
um aspecto do texto, dissociando-o do contexto. A redução consiste em privilegiarmos um
elemento (ou uma relação) que é verdadeiro, mas não é suficiente diante do conjunto, ou então
que se torna falso porque passa a ser descontextualizado. Prendemo-nos, assim, a um aspecto
menos relevante do conjunto, perdendo de vista os elementos e as relações principais, ou, antes,
quebramos esse conjunto, fracionando indevidamente esse aspecto, isolando-o do contexto.
Reconhecer os processos de redução representa também um salto de qualidade em nossa
capacidade de ler e entender textos, assim como em nossa capacidade de perceber e
compreender conjuntos de qualquer tipo, reconhecendo seus elementos e suas relações.

Resumindo: cometemos o erro de redução quando nos prendemos a um aspecto menor, menos
importante do texto que é insuficiente para explicar o conjunto.

Contradição – o último erro clássico nas interpretações de texto, o mais grave de todos, é o da
contradição. Por algum motivo, - uma leitura desatenta, a não percepção de algumas relações, a
incompreensão de um raciocínio, o esquecimento de uma ideia, a perda de uma passagem do
desenvolvimento do texto etc.-, chegamos a uma conclusão contrária ao texto. Como esse erro
tende a ser mais facilmente reconhecido – por apresentar ideias opostas às ideias apresentadas
pelo texto – os testes de interpretação muitas vezes são organizados com uma espécie de
armadilha: uma alternativa apresenta muitas palavras do texto, apresenta até expressões
inteiras do texto, mas com um sentido contrário. Um leitor desatento e/ou ansioso
provavelmente escolherá essa alternativa, por ser “a mais parecida” com o texto, por ser a que
apresenta mais literalmente, mais “ao pé da letra” elementos presentes no texto.

Resumindo: cometemos o erro da contradição quando interpretamos o sentido de maneira


contrária ao seu conteúdo.

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376
CURSOS PREPARATÓRIOS
EXERCÍCIO / EXEMPLO - TEXTO 1

capacitá- -se a

-
-

A primeira observação em relação ao texto é sobre a sua tipologia. Trata-se de um texto


dissertativo. Assim, é importante identificar inicialmente a tese em torno da qual se
fundamentam os argumentos e a opinião exposta. Em seguida, identificamos as consequências
decorrentes do que está sendo afirmado e, por fim, a conclusão que é a reafirmação da tese.

Observe alguns exemplos de extrapolação, redução e contradição que podem ocorrer


nesse texto.

Extrapolação - o texto fala sobre o papel dos cientistas na sociedade e sobre a importância da
ciência para a democracia, que é o melhor sistema de governo.

Redução - o texto fala sobre a importância do microscópio, relevante instrumento de


investigação científica.

CONHEÇA NOSSOS
377
CURSOS PREPARATÓRIOS
Contradição - o texto afirma que a tradição sempre é um empecilho para o desenvolvimento do
conhecimento humano.

No primeiro caso, a afirmativa sai dos limites do texto, volta-se para outro assunto (papel
dos cientistas na sociedade, ciência e democracia). No segundo caso, reduz-se o texto à questão
do microscópio, que é apenas um exemplo usado. No terceiro caso, conclui-se o oposto do que o
texto afirma: a tradição seria sempre um obstáculo.

A compreensão correta do texto apresentaria os seguintes elementos e relações:

a importância da tradição;
a tradição é importante quando é democrática e fornece elementos sobre as experiências do
passado;
a tradição, quando é antidemocrática e tenta ditar o que é bom ou mau, em diferentes
condições de vida;
o exemplo do microscópio nos dois casos.

EXERCÍCIO / EXEMPLO - TEXTO 2

-

Extrapolação

O texto fala sobre a importância de Deus e da religião e sobre o mistério da criação do


universo.
O texto afirma que todo cientista precisa ser artista e religioso para poder compreender a
natureza.

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378
CURSOS PREPARATÓRIOS
Redução

O texto afirma que o terror fez nascer a religião.


O texto afirma que a nossa compreensão dos fenômenos é ainda muito rudimentar.

Contradição

O texto afirma que quem experimenta o mistério está com os olhos fechados e não consegue
compreender a natureza.
O texto afirma que a experiência do mistério é um elemento importante para a arte, não para
a ciência.

Algumas das ideias básicas apresentadas pelo texto são as seguintes:

a beleza da experiência do mistério;


a emoção do mistério como raiz da ciência e da arte;
o homem incapaz de sentir essa emoção está com os olhos mortos;
a caracterização dessa vivência: saber e sentir que existe algo – belo e racional- que
compreenderemos apenas rudimentarmente;
o sentido em que o autor se considera uma pessoa religiosa (e unicamente nesse sentido).

EXERCÍCIO / EXEMPLO - TEXTO 3 - INTERPRETAÇÃO DE TEXTO POÉTICO

O entendimento de um texto poético é geralmente mais complexo do que a intelecção da


prosa, porque a linguagem poética é carregada de sentidos, intensidade e significações. Ela
apresenta imagens que precisam ser sentidas e interpretadas. Não se pode ler um poema em
sentido literal apenas. Um texto poético tem muitas faces, muitas dimensões. Precisamos ir além
do sentido denotativo, direto. O poema sugere muitos sentidos: a isso é dado o nome de
plurissignificação ou polissemia. É preciso desenvolver a sensibilidade para as múltiplas
significações da linguagem poética. O risco da extrapolação é muito maior. A interpretação
correta precisa se fundamentar em significados que pertençam ao campo de possibilidades do
poema – que é múltiplo, aberto, mas não é arbitrário, nem aleatório. Ou seja, não vale qualquer
coisa, por se tratar de um texto poético. É preciso que o significado reconhecido faça realmente
parte do campo de sugestões do poema. Exemplo:

CONHEÇA NOSSOS
379
CURSOS PREPARATÓRIOS
não

Extrapolação: o texto afirma a desilusão do autor com os amores românticos, que não são
correspondidos e que levam à autodestruição.

Redução: o texto afirma que o autor não pretende viver em uma ilha.

Contradição: o texto afirma que o autor se sente preso à vida presente, à passada e à futura.
Observe como esse poema apresenta muitas ideias relevantes.

A negação de ser um poeta do passado (mundo caduco) e do futuro.


O estar preso à vida, com os companheiros, na realidade presente.
O chamado para viver o presente, juntos.
A negação de várias atitudes que o tirariam de viver a realidade presente (as várias fugas: o
amor romântico, o sentimentalismo, as drogas, o suicídio, a solidão, a religião alienante).
A reafirmação, no fim do texto, do presente: o tempo, a vida presente.

EXERCÍCIO / EXEMPLO - TEXTO 4 - INTERPRETAÇÃO DE CHARGES E TIRINHAS

CONHEÇA NOSSOS
380
CURSOS PREPARATÓRIOS
O exercício de interpretar textos perpassa por algumas habilidades específicas relacionadas ao
olhar crítico e ao reconhecimento de cada gênero como único e característico. É preciso lembrar-
se que os textos podem conter linguagem verbal (com palavras), linguagem não-verbal (apenas
com imagens) e, ainda, linguagem verbal e não verbal, que são os textos híbridos. Os textos
verbais são considerados mais fáceis de interpretar, a depender do grau de conhecimento ou
desconhecimento do leitor sobre as palavras ali inseridas. Já os textos não-verbais, demandam
maior conhecimento de mundo e capacidade de relação com fatos e acontecimentos
extratextuais. Por fim, os textos híbridos exigem de quem os interpreta uma habilidade de criar
sentido a partir da conexão entre as partes verbais e não-verbais do texto.

As charges e as tirinhas podem ser textos não-verbais ou híbridos. A diferença entre eles está na
quantidade de quadros. Enquanto a charge apresenta apenas um, bastante impactante, a tirinha
traz dois ou mais quadros e uma história a ser acompanhada. Geralmente, ambos abordam algum
tema atual e com muita criticidade.

Exemplo:

As histórias representadas por Mafalda geralmente revelam a sua preocupação com a


humanidade.

INTERTEXTUALIDADE é um recurso linguístico que faz o diálogo entre duas ou mais obras
utilizando um texto-fonte como referência. É muito comum encontrar intertextualidade em
músicas, anúncios publicitários, cinema, pinturas e charges. Exemplo:

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381
CURSOS PREPARATÓRIOS
A obra Mona Lisa de Botero (à direita) foi inspirada na obra Mona Lisa de Leonardo da
Vinci (à esquerda).

Intertextualidade explícita: quando a referência ao texto-fonte é clara e de fácil percepção, não


sendo necessários conhecimentos prévios específicos por parte do leitor.

Intertextualidade implícita: é menos evidente e exige do leitor conhecimentos prévios. a


compreensão das obras será tanto maior quanto maior for o conhecimento de mundo e o
repertório de leitura e conhecimentos do leitor.

Tipos mais comuns de intertextualidade

Citação: ocorre quando as ideias de um autor são trazidas para dentro de outra obra. As citações
podem ser diretas, quando são copiadas e coladas do texto original, ou indiretas, quando são
reescritas com outras palavras. As citações são muito comuns em trabalhos acadêmicos, como
monografias, dissertações e teses e devem sempre indicar o nome do autor da ideia.

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Paródia: é um recurso intertextual geralmente utilizado com uma finalidade cômica. A paródia
subverte um texto, uma música ou qualquer outro tipo de obra, dando-lhe um novo sentido.

Paráfrase: ocorre quando um autor reescreve a ideia de outro com suas palavras, sem alterar o
sentido da mensagem. A ideia é a mesma, mas a estrutura e as palavras podem ser diferentes. A
diferença de uma paráfrase para a citação indireta é que, na citação, deve-se fazer referência ao
texto-fonte, na paráfrase não existe essa necessidade.

Podemos parafrasear esse poema de Paulo Leminski da seguinte forma:

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Alusão: é uma menção a elementos de outro texto. É uma intertextualidade que ocorre de
maneira indireta e sutil e pode não ser compreendida pelo leitor se ele não conhecer a referência,
veja a seguinte frase:

Para o leitor que desconhece o livro Dom Casmurro, essa frase pode parecer sem sentido e sem
contexto. No entanto, para quem conhece essa famosa obra de Machado de Assis, a alusão é
evidente.

Tradução: é considerada uma intertextualidade, pois, para traduzir um texto, é preciso


interpretá-lo e reescrevê-lo da maneira mais próxima ao que pretendia o autor. Isso significa que
traduzir uma obra não é apenas reescrevê-la em outro idioma.

Crossover: é o encontro ou diálogo de personagens de universos fictícios diferentes. Um dos


exemplos é o filme Os Vingadores, que reúne super-heróis de diferentes narrativas.

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Epígrafe: é um trecho de um texto colocado no início de uma obra e que serve como um elemento
introdutório, pois dialoga com o conteúdo que será apresentado a seguir.

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COERÊNCIA
O texto é uma unidade de significado produzida sempre com uma determinada intenção.
Assim como a frase não é uma simples sucessão de palavras, o texto também não é uma simples
sucessão de frases, mas um todo organizado capaz de estabelecer contato com nossos
interlocutores, influindo sobre eles.

A coerência é resultante da não-contradição entre diversos segmentos textuais: cada


segmento textual é pressuposto do segmento seguinte que, por sua vez, será pressuposto para o
(os) que lhe suceder (em), formando uma cadeia em que todos eles estejam harmonicamente
conectados. Quando há quebra dessa concatenação ou quando um segmento textual está em
contradição com um anterior, perde-se a coerência textual.

A coerência também é resultante da adequação entre o que se diz e o contexto


extraverbal, ou seja, aquilo a que o autor faz referência, que precisa ser conhecido pelo receptor.

Veja, por exemplo, esta propaganda contra o tabagismo da ACT Promoção da Saúde:

Parte do texto verbal diz: “Assim como a fumaça, a indústria do cigarro não respeita
limites”. Um elemento coesivo (portanto, linguístico) que ajuda na coerência textual é o uso da
expressão “assim como”, que indica a comparação entre a fumaça e a indústria de cigarro. No
entanto, para entender essa comparação, o(a) receptor(a) da mensagem precisa ter

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conhecimento extralinguístico, isto é, saber que a fumaça é algo que se espalha. Se ele(a) não
conhece as características de uma fumaça, o texto se torna incoerente.
A coerência pode ser:

SINTÁTICA: está relacionada à coesão entre os elementos de um texto. Assim:


Quando chegamos ao supermercado, cujo dono foi preso por agressão, havia muitas
pessoas lá. Elas protestavam e impediam a nossa entrada.

Agora, façamos esta alteração:

Quando chegamos ao supermercado, que o dono foi preso por agressão, havia muitas
pessoas lá. Elas protestavam e impediam a nossa entrada.

Note que o pronome relativo “que” retoma um termo anterior, portanto é incoerente
o seu uso nesse enunciado. Já o pronome “cujo” indica uma relação de posse entre o elemento
seguinte e o anterior, ou seja, “o dono do supermercado” foi preso por agressão. Assim, a
coerência sintática refere-se à relação entre componentes de um texto (relações estruturais).

SEMÂNTICA: esse tipo de coerência tem a ver com as relações de sentido entre termos ou
expressões de um texto. Assim:

Nesse país, a maioria das pessoas é rica e quase 90% dos cidadãos sãos pobres.

É perceptível, nesse enunciado, a incoerência. Afinal, se a maioria é rica, a porcentagem


de pobres não pode ser de 90%.

Portanto, é coerente dizer:

Nesse país, a minoria das pessoas é rica e quase 90% dos cidadãos são pobres.

A coerência semântica, portanto, tem a ver com relações de sentido entre palavras ou
expressões de um texto.

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TEMÁTICA: quando não há desvio do tema. Assim:

Luiz Gama foi um escritor, advogado e abolicionista do século XIX e defendeu várias pessoas
escravizadas. Ele é considerado o patrono da abolição da escravidão no Brasil.

Dessa forma, seria tematicamente incoerente este texto:

Luiz Gama foi um escritor, advogado e abolicionista do século XIX, e defendeu várias
pessoas escravizadas. Quando Santos Dumont contornou a Torre Eiffel, em 1901, todos ficaram
impressionados.

A coerência temática ocorre quando não há fuga do tema (continuidade do assunto).

PRAGMÁTICA: está relacionada à situação, ao contexto extralinguístico. Assim:

Mãe: Plínio, você só vai brincar depois que terminar o dever de casa.
Plínio: Eu não quero fazer o dever de casa, mamãe.
Mãe: Mas você precisa ser responsável, meu filho.

Haveria incoerência pragmática em:

Plínio: Mamãe, você só vai brincar depois que terminar o dever de casa.
Mãe: Eu não quero fazer o dever de casa, meu filho.
Plínio: Mas você precisa ser responsável, mamãe.

Afinal, nosso conhecimento de mundo nos indica qual é o comportamento esperado para
um filho e para uma mãe.

Veja este outro exemplo:

João ficou feliz, pois sua casa tinha pegado fogo.

A princípio, esse enunciado parece contraditório. Contudo, se o(a) leitor(a) ou ouvinte sabe que
João odiava a sua casa e que tinha feito um seguro milionário, o enunciado é totalmente coerente.
Portanto, o sentido vai depender do conhecimento prévio do receptor da mensagem.

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A coerência pragmática pondera considerações de ordem prática, realista, objetiva. Está
associada aos elementos extralinguísticos (contextual).

ESTILÍSTICA: ocorre quando a variedade linguística utilizada está de acordo com a


situação comunicativa. Assim:

Maria de Lourdes, CPF 000.000.000-00, RG 0.000.000, residente na Rua das Flores, número 00, na
cidade de Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, doravante denominada LOCADORA; Rui
Mendonça, CPF 000.000.000-01, RG 0.000.001, residente na rua 32, número 00, na cidade de Belo
Horizonte, no estado de Minas Gerais, doravante denominado LOCATÁRIO, celebram o presente
contrato de locação residencial, com as cláusulas e condições seguintes: [...].

A variedade padrão é condizente com o contexto formal de um contrato de aluguel.


Assim, haveria incoerência estilística neste caso:

A Lourdinha, aquela que mora no finzinho da Rua das Flores, em Beagá, vai alugar um
barraco caindo aos pedaços pro fera do Ruizinho da Padaria, que tá vivendo agora na rua 32,
também num bairro aqui de Beagá. Só que tem umas condições: [...].

A coerência estilística considera, portanto, o uso da variedade linguística adequada.

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GENÉRICA: ocorre quando o gênero textual utilizado é o adequado. Assim:

Palha de aço Bombril, anúncio de 1999.

Esse anúncio publicitário apresenta texto verbal e não verbal, e possui características
condizentes com o gênero. Seria incoerente anunciar uma palha de aço por meio de uma
bula, por exemplo.
A coerência genérica, portanto, diz respeito ao uso do gênero textual apropriado –
romance, conto, fábula, lenda, notícia, carta, bula de medicamento, lista de compras, cardápio de
restaurante, entre outros.

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TIPOS DE COERÊNCIA TEXTUAL

COERÊNCIA DISSERTATIVA

Na dissertação, apresentamos argumentos, dados, exemplos, opiniões, a fim de defender


uma determinada ideia ou questionar determinado assunto.

Se, por exemplo, num texto dissertativo, expusermos argumentos, dermos exemplos e
dados contrários à privatização de empresas estatais, não podemos apresentar como conclusão
que o Banco do Brasil deva ser imediatamente privatizado, pois tal conclusão estaria em
contradição com os pressupostos apresentados, tornando o texto incoerente.

Nesse tipo de texto, a coerência é decorrente não só da adequação da conclusão ao que


foi anteriormente apresentado, mas da própria concatenação das ideias apresentadas na
argumentação.

A coerência textual, ou seja, a argumentação deve estar em conformidade com a tese e a


conclusão deve ser uma decorrência lógica da argumentação.

COERÊNCIA NARRATIVA

Aqui se obedece a uma lógica entre ações e personagens. Cada ação obedece a um tempo
que permite conhecer a ordem dos acontecimentos sem contradições.

Exemplo:
“Ele ligou à noite para acalmar o desespero dela. Sentou no sofá de couro já gasto, acendeu
a luz do abajur na sala já escura. Chamou por querida, clamou por perdão. Relatou o dia e prometeu
reduzir os hiatos que os separava. A conversa deu fome. Ele levantou e procurou os últimos vestígios
do jantar. Ela ficou saciada com um copo de leite quente preparado enquanto ele lhe fazia juras
que seriam quebradas na manhã seguinte.”

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COERÊNCIA DESCRITIVA
Nos textos descritivos, faz-se um retrato das pessoas, coisas e ambientes com detalhes
sobre suas particularidades. São usadas figuras que condizem com a cena, o ambiente e o tempo
em que estão situadas as personagens e fatos.

Exemplo:
“Ficara sentada à mesa a ler o Diário de Notícias, no seu roupão de manhã de fazenda preta,
bordado a sutache, com largos botões de madrepérola; o cabelo louro um pouco desmanchado, com
um tom seco do calor do travesseiro, enrolava-se, torcido no alto da cabeça pequenina, de perfil
bonito; a sua pele tinha a brancura tenra e láctea das louras; com o cotovelo encostado à mesa
acariciava a orelha, e, no movimento lento e suave dos seus dedos, dois anéis de rubis miudinhos
davam cintilações escarlates.”
(O Primo Basílio, Eça de Queiroz)

PRINCÍPIOS DA COERÊNCIA TEXTUAL

PRINCÍPIO DA NÃO-CONTRADIÇÃO: ocorre quando as ideias não se contradizem e a lógica do


texto não é interrompida.

PRINCÍPIO DA NÃO-TAUTOLOGIA: (uso de palavras diferentes para expressar uma mesma


ideia; redundância).: ocorre quando um mesmo termo não é repetido exaustivamente,
prejudicando a mensagem e tornando o texto inteligível.

PRINCÍPIO DA RELEVÂNCIA: ocorre quando o interlocutor percebe a obediência à relação de


ideias em uma sequência. Não há quebra. Quando o ordenamento é incorreto, ainda que as
mensagens tenham significado isoladas, a compreensão dos sentidos do texto é prejudicada.

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COESÃO
A coesão textual é elemento facilitador para a compreensão do texto, mas é a coerência
que lhe dá sentido. Podemos ter textos desprovidos de elementos de coesão, mas coerentes, bem
como textos que apresentam mecanismos de coesão, mas que não são coerentes.

A coesão está ligada a mecanismos de natureza léxica e gramatical em que os referentes


pertencem ao próprio texto. Para tanto, insistimos no emprego adequado dos elementos
coesivos – conjunções, pronomes, advérbios – para dar unidade aos textos. Os elementos
coesivos são responsáveis pela “amarração” das ideias.

O elemento coesivo pode fazer referência a um termo apresentado anteriormente


(anáfora), como também a um termo que virá depois dele (catáfora), sendo fundamental a
percepção do papel das conjunções e dos pronomes relativos como elementos de coesão. A troca
de uma conjunção por outra não–equivalente, bem como a utilização de um pronome relativo
sem antecedente, ou com mais de um antecedente possível, podem ser responsáveis pela quebra
de coesão. Nesse sentido, reafirmamos que é sempre oportuno discutir o papel da gramática na
construção do texto.

De outro lado, destaca-se que não são apenas os elementos gramaticais os responsáveis
pela coesão textual. A substituição de um termo por outro (ou por um sinônimo, por um
hiperônimo - vocábulo de sentido mais genérico em relação a outro - ou por uma perífrase - frase
ou recurso verbal que exprime aquilo que poderia ser expresso por menor número de palavras)
também cumpre essa função.

OBSERVE:

Os advogados do réu apresentaram um pedido ao juiz, no entanto o magistrado não


acatou a solicitação dos patronos do acusado.

Nessa frase, as palavras magistrado, solicitação, patronos e acusado funcionam como


elementos de coesão, pois retomam, respectivamente, os termos juiz, pedido, advogados e réu.

EXEMPLO 2

“O professor (...), que integra o Núcleo de Estudos afro-brasileiros da Universidade de


Brasília (UnB), pioneira na adoção das cotas raciais, também destaca o crescimento, mas pondera

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que é preciso pensar em outras políticas para garantir uma aproximação real entre o nível de
educação de negros e brancos.”

(...)

EXEMPLO 3

“Um país com um parque tecnológico dinâmico e uma Academia estimulada geram os
recursos necessários ao bem-estar de sua sociedade, mantendo seu sistema econômico e político
sustentado por um desenvolvimento científico e tecnológico. Sob a perspectiva histórica, nos séculos
XVI e XVII surge a Revolução Científica e, com ela, novas relações entre o homem e a natureza, pois
o saber passa a ser associado a poder, e o ser humano, valorizado no indivíduo e sua subjetividade,
é elevado ao centro das reflexões e à condição de principal beneficiário da ciência. Nasce a ideia do
progresso a partir da razão.

No início da I Guerra Mundial, os beligerantes ainda não vislumbravam com clareza a


contribuição da ciência para o avanço de tecnologias de emprego bélico. Após o seu término, as
incipientes ligações entre capacidade científico-tecnológica e necessidades governamentais na
área da defesa parecem ter sido negligenciadas, com exceção da Alemanha e Rússia, onde
ideologias nacionalistas, na verdade, reforçaram- nas, especialmente com relação aos interesses
bélicos. Assim, ao início da II Guerra Mundial, a comunidade científica e tecnológica alemã já se
engajava em inovações de emprego primordialmente militar e “mobilizada”. Tal potencial
também foi mobilizado nos países Aliados, principalmente Reino Unido e Estados Unidos da
América (EUA). Engenheiros e cientistas trabalharam em produtos de defesa e análise de suas
aplicações na tática, logística, estratégia e em ferramentas de tomada de decisão para os estados-
maiores. Tais esforços para o atendimento de necessidades militares acabaram tornando-se úteis
à produção de bens e serviços de aplicação civil. (...)

(...)

Na era do conhecimento, buscar continuamente o aperfeiçoamento individual,


independentemente da realização de cursos formais, é uma atitude da qual os homens que
compõem uma Marinha, que se pretende pronta para os desafios do presente século, não podem
abrir mão. (...)”
Almirante-de-Esquadra Wilson Barbosa Guerra, Chefe do Estado-Maior da Armada

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TIPOS DE COESÃO TEXTUAL

REFERENCIAL: é o vínculo que existe entre palavras, orações e as diferentes partículas do texto
por meio de um referente. Nesse tipo de coesão, os termos conetivos ou coesivos anunciam ou
retomam as frases, sequências e palavras que indicam conceitos e fatos.
Isso pode ocorrer por intermédio da anáfora ou catáfora. A anáfora faz referência a uma
informação que já fora mencionada no texto. Ou seja, ela retoma um componente textual. A
catáfora, por sua vez, antecipa um componente textual, sendo chamada de elemento catafórico.
Os principais mecanismos da coesão referencial ocorrem por meio
da elipse e reiteração.

Exemplo de coesão referencial por elipse:


Vamos à praia no domingo. Você nos acompanha?

Nesse tipo de coesão, um elemento do texto é retirado e evita a repetição.

Vamos à praia no domingo. Você nos acompanha (à praia)?

Exemplo de coesão por reiteração:


Aprendizado é dedicação. Aprendizado é plantar o conhecimento todos os dias.

Nesse tipo de coesão é possível repetir o elemento lexical ou mesmo usar sinônimos.

SEQUENCIAL: é a maneira como os fatos se organizam no tempo do texto. Para isso, são
utilizadas relações semânticas que ligam as orações e os parágrafos à medida em que o texto é
descrito.
Trata-se de um mecanismo coesivo que ocorre por meio de marcadores verbais e
conectivos os quais indicam essa progressão ao longo do texto.

Dessa maneira, a coesão sequencial colabora com a estrutura textual uma vez que auxilia
na articulação das palavras e frases dentro de um texto. Por sua vez, se não for utilizada de
maneira correta, prejudicará o entendimento do texto.

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EXEMPLO

"João Romão foi, dos treze aos vinte e cinco anos, empregado de um vendeiro
que enriqueceu entre as quatro paredes de uma suja e obscura taverna nos refolhos do bairro do
Botafogo; e tanto economizou do pouco que ganhara nessa dúzia de anos, que, ao retirar-se o
patrão para a terra, lhe deixou, em pagamento de ordenados vencidos, nem só a venda com o
que estava dentro, como ainda um conto e quinhentos em dinheiro. Proprietário
e estabelecido por sua conta, o rapaz atirou-se à labutação ainda com mais ardor, possuindo-
se de tal delírio de enriquecer, que afrontava resignado as mais duras privações. Dormia sobre o
balcão da própria venda, em cima de uma esteira, fazendo travesseiro de um saco de estopa cheio
de palha." (O Cortiço , Aluísio Azevedo)

Nesse caso, essa evolução na narrativa é caracterizada por marcadores verbais que
determinam a passagem do tempo no texto.
João Romão foi... enriqueceu... economizou... ganhara... retirar-se... estava... estabelecido... atirou-
se... possuindo-se... afrontava... dormia...

Por esse motivo, a coesão sequencial é o elemento que organiza os fatos do tempo no
texto. E, como é feita por marcadores verbais, é estabelecida pelas conjugações no pretérito
perfeito, pretérito mais-que-perfeito e o pretérito imperfeito do indicativo.

A coesão sequencial também atua com o uso de conectivos. Sem ela, o texto não é linear e
a mensagem pode não ser compreendida.

"Não obstante, ao lado dele a crioula roncava, de papo para o ar, gorda, estrompada de
serviço, tresandando a uma mistura de suor com cebola crua e gordura podre. Mas João Romão
nem dava por ela; só o que ele via e sentia era todo aquele voluptuoso mundo inacessível vir
descendo para a terra, chegando-se para o seu alcance, lentamente, acentuando-se."
"Houve um silêncio, no qual o desgraçado parecia arrancar de dentro uma frase que, no entanto,
era a única ideia que o levava a dirigir-se à mulher. Afinal, depois de coçar mais vivamente a
cabeça, gaguejou com a voz estrangulada de soluços:"
Nos trechos acima, também extraídos da obra O Cortiço, notamos a presença de diversos conectivos
que permitem a sequência de ideias no texto. Essa ligação ocorre por meio do uso de conjunções,
advérbios e pronomes.

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CURSOS PREPARATÓRIOS
Os termos "não obstante", "mas" e "no entanto" estabelecem uma relação de oposição e
têm o objetivo de opor ideias ou conceitos num período.
Já o "e" estabelece uma relação de adição uma vez que acrescenta algo ao texto. Por fim,
o termo "afinal" indica uma relação de temporalidade que tem o objetivo de situar o leitor na
sucessão dos acontecimentos ou das ideias.

Diferenças entre coerência e coesão

A coerência se refere ao(s) sentido(s) de um texto. Já a coesão está relacionada aos


mecanismos gramaticais e lexicais responsáveis pela articulação entre os elementos da
estrutura linguística de um texto. Dessa forma, tais mecanismos podem auxiliar na construção
do(s) sentido(s).
A coerência, contudo, depende não só da coesão (limitada à estrutura textual) mas
também de componentes extralinguísticos. Assim, o contexto é de suma importância para
atingirmos o(s) sentido(s) de um texto, já que os aspectos socioculturais bem como o
conhecimento de mundo fazem parte do processo de entendimento desse texto.

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