TAVARES Lus Henrique Dias - Cap 17 de Histria Da Bahia
TAVARES Lus Henrique Dias - Cap 17 de Histria Da Bahia
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© 2001 by Luís I lenriquc Dias lavares
Garantidos todos os direitos de tradução e adaptação.
Copyright I’)' I-uís I lenriquc Dias lavares, que também assina Luís Henrique.
índice Remissivo
Regina Zobiak
CD D - 981,42
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S U M Á R IO
C apítulo H
hxpansao da huropa Ocidental: construção da economia mercantil | 33
A expansão da huropa Ocidental; Múltiplo complexo de mudanças; Transfor-
mações econômicas; Transformações sociais e políticas; Conhecimentos e ins-
trum ental tecnológico; Portugal e Espanha na expansão da Huropa
Príncipe dom I lenrique
Leitura
C ap ítu lo Ml
Os eu ro p eu s na baía d e Todos os Santos f 45
A inclusão das terras do Brasil na expansão da Huropa Ocidental; Encontro do
gollão denom inado baía de Todos os Santos; Armadas que visitaram a baía de
Iodos os Santos; Peitoria portuguesa; Armada de Pero Lopes de Sousa e Martim
Afonso de Sousa
O nom e do estado da Bahia
Leitura
C apítu lo IV
Os africanos j 53
O escravo africano; Classificação do escravo; Origem étnica do escravo africa-
no; O comércio do escravo africano para as terras do Brasil; O escravo africano e
a escravidão; Revolta dos Males; Cultura afro-brasileira na Bahia; Principais orixás
Mãe M enininha do Canlois
Leitura
Capítulo V
Os europeus ) (>7
() português; Diogo Álvares, Caramuru; Contribuição cultural; Sociedade agrá-
ria, escravista e mercantil; Degredados; Povoadores saídos da Europa; O ju-
deu; O espanhol; O (rances; Povos dos Países Baixos e do norte da Huropa
Padre Pernão Cardiin
Leitura
Capítulo VI
A cjuestão das capitanias 81
O porquê das capitanias; Características das capitanias; Êxito ou fracasso das
capitanias?; Sesmarias
Francisco Pereira Coutinho
Leitura
Capítulo VII
Capitanias na Bahia i 91
As capitanias na Bahia; Capitania de Francisco Pereira Coutinho; A capitania
da Bahia no século XVIII; Capitania de Pcro do Campo Tourinho; Capitania
de Jorge de Figueiredo Correia; Capitania do primeiro conde de Castanheira;
Capitania de Álvaro da Costa; Freguesias do Recôncavo no século XVIII
Pero do Campo Tourinho
Leitura
Capítulo VIII
H istória do govern o-geral 103
Instituição do governo-geral; Regimento do governador; Atribuições do pro-
vedor-mor; Atribuições do ouvidor-geral; Cargos e funções menores do gover-
no-geral; Conselho de Vereança; Governos gerais no século XVI; Primeiro
governo; Segundo governo; Terceiro governo; Divisão em dois governos;
Últimos governos do século XVI; Evolução do governo-geral
Tomé de Sousa
Leitura
Capítulo IX
Cidade do Salvador 119
Cidade do Salvador, primeira cidade do Brasil; Fundação da cidade do Salvador
e limites primitivos; Primeiras ruas e praças; Desenvolvimento urbano e
populacional; Presença da Igreja Católica; Igrejas; Armas da cidade do Salva-
dor; O Paço ou Casa da Câmara
Grcjiório
C* de M attos e Ciuerra
Leitura
C a p itu lo \
In vasões h o lan d esa s na B ahia f 133
G uerras por mercados; Portugal na União Ibérica e a Holanda; Invasão da
capitania da Bahia; O ataque holandês; Os invasores na cidade do Salvador;
Luta para a reconquista; À esquadra de socorro e a libertação da Bahia; Novos
ataques da Com panhia das índias Ocidentais; Adesão da Bahia ao rei dom
João IV; Fortes que defenderam a cidade do Salvador
Padre Antônio Vieira
Leitura
C ap ítu lo \ 1
F o rm a ção d o território d o esta d o da Bahia 155
Conquista do território da Bahia; Recôncavo; Sertão; Expedições do século
XVI; Francisco Bruza Espinoza; Vasco Rodrigues de Caldas; M artim de
Carvalho; Sebastião Fernandes Tourinho; Antônio Dias Adorno; Gabriel Soares
de Sousa; Belchior Dias Moréia; Expedições do século XVII; Francisco Dias
de Ávila; o segundo Garcia de Ávila; o segundo Francisco Dias de Ávila;
Sertanistas dc contrato; Pedro Barbosa Leal; Limites do estado da Bahia
Pedro Barbosa Leal
Leitura
C a p ítu lo XIÍ
C o n flito s na C olôn ia ? 169
Conflitos entre os colonos e a M etrópole; Os motins de 1711; O M otim do
Maneta; O M otim de Dezembro; Levante do Terço Velho; A prisão dos oficiais
da Câmara
Levantes de escravos
Leitura
C ap ítu lo XIII
S e d iç ã o de 1798 i 177
Dois episódios; Os “boletins sediciosos”; A reunião no Campo do Dique;
Prisões e condenações; Obscura fase conspirativa; Cavalheiros da Luz; Outras
questões
Escravos m ortos pela liberdade em 1799
Leitura
Capítulo XIV
E conom ia agrária, vo ltad a para a ex p o r taç ã o c b aseada no trabalho
escravo 193
Características e desenvolvimento; Engenho de açúcar; Algodão; Fumo; Cou-
ros e solas; Ouro; Vias de comércio; Moedas
Carta de José da Silva Lisboa ao diretor do Real Jardim Botânico de Lisboa,
Domingos Vandelli
Leitura
Governadores e vice-reis da capitania da Bahia e das terras do Brasil (1549-1763)
Governadores e capitães-gcrais da capitania da Bahia (1763-1821)
Capítulo XV
Transferência do go v erno de Portugal para o Brasil 207
Nova divisão do mundo; Esquadras da Inglaterra e da França na Bahia; Portu-
gal invadido; O príncipe dom João na Bahia; A Carta Régia de 28 de janeiro e
outras decisões adotadas na Bahia; Governo de Portugal no Rio de Janeiro;
A Bahia e a revolução de 1817; Salvador no testemunho de viajantes estrangeiros
José da Silva Lisboa
Leitura
Capítulo XVI
A desão da Bahia às Cortes de Lisboa ; 223
O pronunciam ento de 10 de fevereiro de 1821; Junta Provisória; Deputados
baianos às Cortes
- Cipriano Barata
Leitura
Capítulo XVII
Guerra p ela in d ep en d ên cia d o Brasil na B ahia 231
Manifestação de 3 de novembro de 1821; Levante militar português; Reconheci-
mento da regência de dom Pedro; 0 25 de junho; Adesão das vilas; Guerra pela
independência; Batalha de Pirajá; Posições do Exército brasileiro; Prisão de
Felisberto Gomes Caldeira; Reorganização do Exército brasileiro; 2 de julho
Maria Quitéria
Leitura
Forças Armadas Brasileiras na campanha pela independência
C a p ítu lo XVI11
A n tilu sita n ism o e fed era lism o 255
União da Bahia ao im pério do Brasil; Levante dos Periquitos; Visita do im pe-
rador dom Pedro I; M ata-M aroto; Revolução federalista de 1832-1833;
A Sabinada; O levante de 7 de novembro; Reação dos proprietários do recôncavo;
Ideário da Sabinada; D errota militar da Sabinada
Sabino Vieira
Leitura
C a p ítu lo XIX
E v olu çã o s o c ia l c p o lític a y 271
Evolução do ensino; Conselho de Instrução Pública; Reforma dc 1881; Servi-
ços públicos urbanos; Epidemias de 1850-1855; Visita do im perador Pedro II;
Evolução política; Cemiterada. Carne Sem Osso, Farinha Sem Caroço; O in-
cidente da visita de Silva Jardim
A instrução pública em 1885
Leitura
C a p ítu lo XX
E v olu çã o da e co n o m ia agrária, v oltad a para a ex p o r ta çã o e b asea da
n o tra b a lh o e scra v o 28 3
Econom ia baseada no trabalho escravo; Comércio; Desembarque da Pontinha;
Bancos e caixas; Manufaturas; A crise de 1873
Castro Alves
Leitura
Presidentes da Província da Bahia (1824-1889)
C a p ítu lo XXI
A R ep ú b lica d e 1 8 89 na Bahia 295
A propaganda republicana e a organização dos republicanos; Adesão da Bahia à
República; Reordenamento oligárquico; A Constituinte de 1890-1891; A primeira
Constituição da Bahia; Deposição do governador José Gonçalves; Composição
entre iguais; A guerra de Canudos; Governo Luís Viana; Sucessões com violências
e desuniões; O incidente cm Ilhéus; DesuniÕes preparam maiores desuniões;
A Campanha Civilista na Bahia; O bombardeio da cidade do Salvador; Eleição e
posse de J. J. Seabra; Primeiro governo de J. J. Seabra; Governo de Antônio
Moniz; As greves de 1918, 1919 e 1927; A greve dos professores; As greves de
1919; A greve dos ferroviários; Duas campanhas de Ruy na Bahia; Campanha pela
Presidência; Campanha contra J. J. Seabra; A revolta sertaneja; O Convênio de
Lençóis; Segundo governo d c j. J. Seabra; Governo Gocs Calmon; A Coluna Pres-
tes na Bahia; As exigências de mudanças nas artes c na literatura
Manuel Vitorino
Leitura
C apítu lo XXII
C o n d içõ es s o c io e c o n ô m ic a s da B ahia (1 8 9 0 -1 9 3 0 ) 359
Definição territorial; População; Economia; Condições socioeconomicas; Produtos
da economia baiana; Comércio; Indústria; Finanças; Arrecadação de rendas; Dívidas
externa e interna; Vias de comunicação; Estradas de ferro; Estradas de rodagem;
Transporte marítimo e fluvial; Transporte urbano; Porto da cidade do Salvador
Ruy Barbosa
Leitura
C apítulo XXIII
A R epú blica da R evolu ção de 1930 na Bahia 379
A Revolução de 1930; A conspiração na Bahia; O quebra-bondes; A revolução
alcança a Bahia; Prisão de coronéis e assassinato de H orácio de Matos;
Interventoria de Juracy Magalhães; O 22 de agosto; Cam panha contra Lam-
pião; Partidos políticos e eleições; Eleição do governador; Eleição dos deputa-
dos classistas; A Constituinte e a Constituição de 1935; M ovimentos políticos
nacionais; AIB e ANL na Bahia; Os levantes militares de 1935 e a Bahia;
O Levante do Posto Paraguaçu; Anos Finais; II Congresso Afro-brasileiro;
Últimos meses de democracia; Administração de Juracy Magalhães
Luís Tarquínio
Leitura
C apítulo XXIV
A R epública d o Estado N o v o na Bahia 421
Estado Novo; Prim eira fase do E stado Novo na Bahia; In te rv e n to ria
de Landulfo Alves; O 11 de maio; Pau de Colher; M orte de Lampião; Tor-
pedeamento de navios brasileiros; Interventoria do general Pinto Aleixo; Cam-
panha pelo Brasil na guerra; Luta pela democracia; Anistia; Partidos políticos;
Deposição de Vargas; Eleições
Otávio Mangabeira
Leitura
C apítulo XXV
A R ep ública da C on stitu içã o d c 1946 na Bahia 45 I
Constituinte Nacional dc 1946; Eleição da Constituinte baiana e do governa-
dor Otávio Mangabeira; A Constituinte c a Constituição de 1947; A Constitui-
ção de 1947; Governo Mangabeira; A sucessão a Otávio Mangabeira; Campa-
nhas patrióticas; Suicídio dc Getúlio Vargas; Sucessões no governo da Bahia;
Programa de desenvolvimento; Episódios perturbadores; Ultimo governador
eleito por voto direto; Atos 1 e 4 estabelecem eleições indiretas; Constituição
de 1967
Anísio Teixeira
Leitura
C ap ítulo XXVI
D o s govern os militares ao reto m o à dem ocracia representativa j 485
Governos baianos no período dos militares; Governo de Luís Viana Filho (1967-
1971); Governo de Antônio Carlos Magalhães (1971-1975); Governo de
Roberto Santos (1975-1979); Segundo governo de Antônio Carlos (1979-1983);
R etorno à legalidade democrática
Luís Viana Filho
Leitura
ín d ic e o n o m á stic o 529
C a pít u l o X V II
( jnjcrra
m- |)da itíd c ^ rju U tn c tíi d o Braflil na Baliia
m a n im ís t a ç á o d v . 3 m n o v i .m k k o o i; i %)
a h ia
B
LEVANTE M IL IT A R PORTLIGLIÊS
d a
is t ó k ia
A po lítica das C o rte s G erais para o Brasil definiu-se no secundo
sem estre de 1821 dirigida a n eutralizar qualquer m ínim a possibilidade
H
de existência de u m g o v e rn o executivo central em alguma província
brasileira. O s d e c re to s de 29 de setem bro alteraram os com andos m ili-
tares n o Brasil, su b o rd in a n d o -o s a Lisboa, e m arcaram o re to rn o do
prín cip e d o m P edro pa ra Portugal.
A 31 de janeiro de 1822 realizou-se a eleição que modificou a Junta
Provisória. Passou a ser com posta p o r Francisco Elesbão Pires de Carvalho
e A lbuquerque, Francisco Vicente Viana, Francisco Carneiro de Campos,
Francisco M aitins da Costa, cônego José Cardoso Pereira de Melo, tenente-
coronel M anuel Inácio da C unha M enezes e desem bargador Antônio da
Silva Teles. Alguns dias depois, chegou à cidade do Salvador a Carta Régia
de 9 de dezem bro de 1821 nom eando G overnador das Armas o brigadeiro
Inácio Luís M adeira de M elo em substituição ao brasileiro M anuel Pedi o
de Freitas G uim arães. Logo se instalou um a situação de conflito.
M adeira d e M elo to m o u a iniciativa de requisitar o com ando. Nesse
sentido oficiou a F reitas G uim arães e aos com andantes do.
São P edro, S anto A n tô n io e B arbalho, exigindo que reconhecessem a
sua a u to rid ad e . E m re sp o sta , oficiais brasileiros do prim eiro regim ento
d e in fan ta ria, d a L egião d o s C a ç a d o re s e d o re g im e n to d e artilharia
d e cla ra ra m q u e e ra ilegal a c e ita r u m d e c r e to d e L .sb o a sem a a p r o v a *
,la G am ara. N ã o q u e ria m M a d e ira d e M e lo n o G o v e rn o das Armas e
p ara ta n to o rie n ta ra m a re s is tê n c ia q u e e n v o lv e u m d ,ta re s e ciris brasj.
| c jro s c o n tr a a sua n o m e a ç ã o . A n te s q u e ela se m a n ife s ta ss e nos quar-
té is c n as r u a s , o b r ig a d e i ro M a d e ira d e M e lo c o lo c o u as tropas
p o rtu g u e sa s em p ro n tid ã o e d e c la ro u q u e t o m a r ia p o ss e. N u m a tenta-
tiva d e c o n cilia çã o , n o d ia 18 d e fev e re iro , a J u n ta se reu n iu com a
C â m a ra c os c o m a n d a n te s m ilita re s e a p re s e n to u u m a p ro p o sta para
c o n to r n a r a crise. Seria a fo rm a ç ã o d e u m a ju n ta m ilita r na qual estari-
234
am o b rasileiro F reitas G u im a rã e s e o p o r tu g u ê s M a d e ira d c Melo.
M adeira d e M elo recusou. O dia 19 d e fevereiro am an h eceu com a
ofensiva das tropas portuguesas. A tacaram o fo rte dc São Pedi o, onde se
L uís H e n r i q u e C \ \ s T a v a r e s
A
dc 2 1 , o fo rte d e São IV d r„ foi o a .p n d o . Preso nesse dia, M anoel Pedro
,|e F reitas G u im arã e s loi levado para b o rd o ,1o São G uah er. em b arcarão
q ue o co n d u z iu a Lisboa.
R E C O N H E C IM E N T O DA REGÊNCIA DE D O M PE DRO
O 25 DE JU N H O
a h ia
des portuguesas já declaradas pela escuna canhoneira. Também solicitava
B
d a
que organizassem h o m en s e arm as para de ter os tiros da canhoneira e dos
is t ó r ia
portugueses isolados em suas residências.
H
A p ro v eitaram u m a “velha peça de fe rro ” para im provisar a arm a
com q u e re s p o n d e ra m os d isp a ro s da escuna can ho n eira. T am bém
utilizaram vaivéns m an d a d o s vir d os engenhos. E m bora fossem arm as
p recárias, serv iram . N o e n ta rd e c e r de 28 apareceu um a b andeira branca
na escu n a c an h o n e ira , q u e foi to m ada. D ela tro u x eram presos o capitão
e 2 6 m a ru jo s p o rtu g u e se s. A C âm ara enviou um a p ro clam ação ao
p rín c ip e d o m P e d ro afirm an d o : “ V.A.R. é nosso d efenso r p e rp é tu o ” .
Francisco Elesbão Pires d e C arvalho e A lbuquerque, Francisco C ar-
neiro d e C am p o s c José C ardo so Pereira de M elo abandonaram a Junta
Provisória, já en tã o v irtu alm ente prisioneira das tropas portuguesas. F ran-
cisco Elesbão Pires d e C arvalho e A lbuquerque, que era o presidente da
Jun ta, seguiu p ara Santo A m aro. Francisco C arn eiro de C am pos e José
C ardoso Pereira de M elo foram para o Rio d e Janeiro.
A D E S Ã O D A S VILAS
Ba h i a
IVdio no com ando do l.w ri íto Pacilicador que continuaria a guerra de
nov einl.ro .le 1822 a 2 d r ju llio d r 1X2). lo i com o Exército de milicianos
is t ó r ia d a
<• voluntários que «> Conselho Interino sustentou as posições de defesa
eslabeleiidas na ilha de Itaparica e nos pontos do funil, São Rocjuc,
H
I ru arnaçao, IguajK*, C apanema, Sauhara e ponta de Nossa Senhora.
G U E R R A PELA IN D E P E N D Ê N C IA
Em to m se re n o , a p re s e n ta n d o -s e c o m o p a c ific a d o r, L a b a tu t inti-
m o u M ad eira d e M elo a d e ix a r a B a hia c m paz. E sc re v e u : “ ... tem os
p len o s p o d e re s p a ra tr a ta r co n v o sco a c e rc a d e v ossa r e tir a d a e da tropa,
co m p erm issão d e p re s ta r-v o s to d o o n e c e s s á rio p a ra a b o a co m o d id a -
de d o tra n s p o rte ” . D e s c re n te d e q u a lq u e r so lu ç ã o p a c ífic a , L ab a tu t o r-
ga nizou o E x ército e m trê s b rig ad a s, c o lo c a n d o a p r i m e ir a B rigada ou
da d ireita n a área d e C a b rito - C a m p in a s - P ira já , a s e g u n d ^ o u da
esq u erd a e m A rm aç õ es, “ av anç ad a d u a s lég ua s d e I t a p o a n " , e a terceira
m° U
C! tr ; te_C° r0 n e l J ° Sé <le B a n o s *»><*> d e L a c e rd a assu-
com anc o a p r im e ir a b rig a d a e o coron el F e lis b e r to G om es
C aldeira o da segunda. A terceira ficou com o tene n te-co ro n el José
Jo aq u im d e I.im a e Silva. U b a tu t ad o to u o utras providências, p rinci-
palm en te para m u n ic iar a tro p a (m andou vir pólvora de Itap icu ru e
arm as de Alagoas) e su p rir o T esouro Geral d o Exército com o d in heiro
das C aixas M ilitares, para o q u e e n co n tro u dificuldades. Constava que
e n tre os recu rso s a rreca d ad o s estavam 113:00 0S 00 0 (113 contos) em
m oedas d e o u ro e p rata reco lh ido s pelo coronel José Freire de C arva-
lho no s en g enh o s Passagem e C achocirinha. T inham sido en te rrad as
pelos p ro p rietá rio s dos eng enh os, os portugu eses João Teixeira Barbosa
e M anuel J o s e leixeira Barbosa, antes de fugirem para a cidade do Sal-
241
\a<loi tcm c io so s <lo d esd o b ram en to do 25 de junho. Eles cobrariam a
d e v o lu ç ã o depo is da g u erra, declarando valor m uito acima do co n h eci-
do, nao se co n seg u in d o jam ais saber quan to era e a caixa m ilitar que o
Ba h ia
receb eu.
da
A batalha de 1’irajá o correu dias após a chegada do Exército Pacifica-
H is t ó r ia
dor. () que a m otivou loi a tentativa do exército português para desalojar
os soldados brasileiros dos pontos estratégicos de Coqueiro, C abrito e
Pirajá, ocu pado s p o r batalhões com andados pelo tenente Alexandre G o-
mes d e Argolo Perrão e m ajor M anuel Gonçalves da Silva. Pode-se avaliar
tam bém q u e M adeira de M elo autorizou o ataque calculando que o exér-
cito brasileiro p oderia crescer naquela área m u ito próxim a da cidade com
a chegada de batalhões das províncias que apoiavam o príncipe regente
(a Bahia ainda não sabia que dom Pedro fora aclamado im perador).
Batalh a d e Pirajá
T ravo u-se a b a talh a d e Pirajá na área de C ab rito - C am p in as -
Pirajá. C o m e ç o u na m ad ru g a d a de 8 de n ovem b ro com o d e sem b ar-
q u e d e 2 5 0 so ld ad o s p o rtu g u e ses em Itacaranh a e P lataform a. Eles
av an çaram so b re o en g e n h o C ab rito ao te m p o em que chegavam p o r
te rr a os q u e a ta ca ram P irajá. N o seu to d o , a batalha teria d u rad o oito
ho ras. M o v im e n to u q u a tro m il h o m en s, c o n stitu in d o -se d esd e en tão
na m ais alta d e m o n s tra ç ã o da resistên cia brasileira ao longo da cansa-
tiva e m o ro sa c am p a n h a m ilita r pela in d ep e n d ên c ia. Sabem os, no e n -
ta n to , m u ito p o u c o d essa b atalh a. T udo o q ue existe é o c o m u n icad o
(l(. Labatut p ara <> C o n s e lh o In te rin o , d a ta d o <lc 9 «le no v em b ro , no
,, in fo rm a (|i,(* as forças «le M a d e ira d e M elo (o ra m “ obrigadas a
i r ( | r r p elo valor, e d e n o d o d as bravas T ro p a s P e rn a m b u c an a s , c do
Kio <1<• Ja n e iro , c o m o la m b em p e lo s s o ld a d o s (Ia I.egiao da Bahia”; a
caria <|iie escrev eu ao m in is tro José B o n ila e io d c A n d ra d a e Silva c as
n oticias p u b licadas nos jo rn a is Semanário Cívico e Idade clVuro. Por causa
da escassez e im p re c is ão d o s in f o r m e s , p a s s o u -s e a d a r g ran d e crédito
ã versão d e L adislau d o s S a n to s T i tara , a u to r d o p o e m a “ Paraguassu”
e a (juein se resp eita c o m o te s te m u n h a o c u la r d a c a m p a n h a militar
pela in d e p e n d ê n c ia , p o is e x e rc e u o e n c a rg o d e re g is tra r “ cm Livros”
2 4 '1
Ioda a c o rre s p o n d ê n c ia d o g e n e ra l L a b a tu t. A v e isã o d e Santos Titara
foi accila p o r In ácio A ecioli e B rás d o A m a ra l (Memórias históricas e
políticas da província da Bahia, v. III e IV ). A p re s e n ta o c ab o -co rn eta
9
H Luís L opes salvan do o e x é rc ito b ra s ile iro c o m u m to q u e d e avançara
rI cavallaria, e su cessiv am en te à d e g o la ” , ao c o n tr á r io d o to q u e de reti-
ü
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rada q u e teria sid o o rd e n a d o p elo te n e n te -c o r o n e l B a rro s Falcão. Nas
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in fo rm a çõ e s d e L ab atu t, nas n o tíc ias d o s jo r n a i s Semanário Chico e
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£ Idade d'0u ro , ap arec e m a te n a c id a d e d o s o fic iais e s o ld a d o s brasilei-
Vj
•* -4
„ .u q .e s . - - V é u i t a , P.„ ,
um a C o m p an h ia d o p rim e iro batalhão H-, i
,f . , M m ao da T orre. sob o com ando do
alferes jo s e N u n e s d a S.lva Aguiar. Em dezem bro, grupos de em b os-
cadas a ta ca ra m o e n g en h o da C onceição, U baranas, Cabula e Resgate
Ao c o m e ça r o a n o d e 1 823, o E xército brasileiro já estava em Brotas!
Graça, C ab u la e E n g e n h o da C onceição.
j
,|,i Silv.i l 'iislii., n m iiin iliin lr .........v , ......H „ o „ | .............. ........ , ......
2 d e ju lh o
O E x érc ito brasileiro som ava 1 0 .1 3 9 h o m e n s e m a rm a s . O Exérci-
to p o rtu g u ês estava cercad o p o r m a r e te rr a . T in h a 4 .5 2 0 h o m en s e
co m id a p ara q u a re n ta dias. H avia fo m e. A 2 d e ju n h o o b rig ad e iro M a-
d eira de M elo n o m e o u o u tra J u n ta , c o m p o s ta d e P au lo J o sé d e Melo
Azevedo e B rito , Francisco B eléns, M a n u e l To m ás P eix o to , Jo sé A ntô-
n io R o drigues Viana e Francisco d e Sousa C arv a lh o . T o m a ram posse
exigindo de M ad eira d e M elo a çõ es agressivas, ao q u e ele n ã o d eu res-
p osta. N a pro cla m ação aos p o rtu g u e s e s, o c o ro n e l L im a e Silva acen-
tuo u . E m p o u co tem p o , sem q u e seja m e s m o p rec iso ataca r-v os, estareis
m te iram en te aniq uilad o s ... ved e, lu sitan o s, a tris te s o r te q u e vos espe-
ra ”. Existia p o r aqueles dias o p ro je to d e o b rig a d e iro M a d eira d e Melo
deixar a B ahia co m o E x érc ito p ara ir o c u p a r São L uís e B elém .
A 3 d e ju n h o o c o ro n e l U m a c Silva o r d e n o u o a ta q u e c o n tia
as trin c h e ira s p o rtu g u e sa s. Eoi c o m a n d a d o p e lo c o ro n e l E elish erto
G om es C aldeira. N o avanço para São Pedro, libertou as povoações de
Brotas, P itub a c Rio V erm elho. E m ofício para o coronel Lima e Silva,
elogiou o h e ro ísm o d o soldado p ern am b u ca n o Francisco Luís, de apenas
cato rze anos, e o paraiban o M anuel de Abreu França. A prisionado p o r
tres soldados p o itu g u eses, u m destes de braço quebrado , aproveitou-se
do instan te cm q u e u m d o s dois separou -se para ir aprisionar outros b ra-
sileiros e m ato u com u m golpe de peixeira o que o segurava, fugindo
depois. O c o m a n d an te da segunda divisão tam bém destacou a ação dos
m ajores A rgolo e A lcântara na to m ad a da povoação do Rio Vermelho.
O batalhão dos Periq uitos to m o u C ru z do C osm e sob o com ando do
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sarg en to -m o r José A ntô n io da Silva C astro. Essas vitórias e atos heróicos
eram seguidos pela fo m e e n ud ez dos soldados brasileiros. Por u m cálculo
da época, o E xército abatia p o r dia sessenta bois e gastava m uitos alqueires
Ba h ia
de farinha d e m andio ca. N ão eram suficientes. Em ofício para o Conselho
ó r ia d a
In terin o, o coron el Lim a e Silva reclam ou: “Os soldados clam am com
fom e e frio. C o m o hei de levar ao fogo corpos carcom idos d e fo m e?” .
H is t
U m m apa d em o nstra tiv o d e abril de 1823 acentuava que o E xército tinha
10.148 h o m e n s localizados d e Pirajá à ilha de M aré e Boca do Rio.
A situação na cid ade d o Salvador era pior. R eunida com a C âm ara,
a nova Ju n ta , q uase to d a de co m erciantes portugueses, p rete n d eu q ue
as forças p o rtu g u esas de te rra e m ar atacassem a ilha de Itaparica, o
recôncavo e o m o rro de São Paulo, p o n to de abrigo escolhido p o r L ord
C o ch rane p a ra descan so e aguada da esquadra brasileira. E stim avam que
as despesas seriam co b ertas pelos “cofres pú b licos” , d in h eiro das irm an -
dades e o o u ro e a p ra ta das igrejas. C o m erciantes da cidade dirigiram -se
ao C o nselho In te rin o p e d in d o garantias de liberdade e segurança dos
seus bens. E m 2 4 d e ju n h o , o co ro n el Lim a e Silva assegurou que n e -
n h u m ind iv ídu o o u soldad o haja de p e rtu rb a r o socego, o u tranqu ilidade
pública, e pessoal, a tacan d o ou o fen d en d o a qualquei pesso a que seja,
p o r m o tivo ou p re te x to d e sua op in ião política .
N o m e a d a p elo im p e ra d o r P ed ro I em d ezem b ro d e 1822, só e m
25 d e ju n h o d e 1 823 to m o u po sse em C ach oeira a Ju n ta d e G o v ern o da
Província da B ahia, c o m p o sta de Francisco E lesbão 1 i u s de C a t\a lh o
e A lb u q u e rq u e (p re s id e n te ), J o a q u im Jo sé P in h eiro de V asconcelos
(secre tá rio ), te n d o c o m o vogais J o a q u im In ácio d e S iq u e ira Bulcão, J r *
Jo aqu im M on iz B a rre to d e A ragão, A n tô n io A ug u s to da Silva, Manuel
G onçalves M aia B itte n c o u rt e c o ro n e l F e lis b e rto G o m e s Caldeira. Cer-
to da im p o ssib ilid ad e d e m a n te r a g u e rra , o b rig a d e iro M ad e ira de Melo
a u to rizo u neg ociações p a ra o e m b a rq u e d o E x e rc ito p o rtu g u ês e sua
saída e m paz da baía d e T odos os S an to s. C o n v id o u p a ra essa missão o
p ro p rie tá rio das te rra s d o R io V e rm e lh o , A m ara l i na e P itu b a, Manuel
Inácio da C u n h a M enezes, p o s te r io r m e n te v is c o n d e d o R io Vermelho.
Fie foi d isc u tir os possíveis iten s da re n d iç ã o c o m o c o ro n e l Lima e
Silva n o dia 30 d e ju n h o . L im a e Silva re s p o n d e u e x ig in d o a capitulação.
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Ela não a co n tec e u , m as foi c o m o se a re tira d a tivesse sid o negociada.
O e m b a rq u e do E xército p o rtu g u ês se rea lizou na m a d ru g a d a de 2 de
julho. A cidade do Salvador am anheceu qu ase d eserta. N o qua rtel de Pirajá
a v a r es
Ba iu a
da do E xercito Pacificador na cidade fio Salvador. Aos batalhões e aos heróis
is t ó r ia p a
mais co nh ecid o s foram acrescentadas, posteriorm ente, as figuras sim bóli-
cas do C aboclo e fia Cabocla. E n tre m uitos 2 de julho, há o de 1849,
H
quando o m arechal Pedro L abatut participou do desfile. Estava velho, d o -
ente e sem recu rso s financeiros. Viera a Salvador agradecer o auxílio da
Bahia à sua filha Jan uária C onstança Labatut. Desfilou pelas ruas centrais
da cidade festiva e o rgulhosa da cam panha m ilitar de 1822-1823, dos h e-
róis co nh ec id o s e anô nim o s das lutas no recôncavo, área de C abrito —
Cam pinas —Pirajá e em Conceição, Boa Vista, Graça, Bate-Folhas, Lapinha.
MARIA QUITÉRIA
A maior heroína das lutas pela independência do Brasil
na Bahia, Maria Quitéria de Jesus nasceu na freguesia de
São João de Itapororocas, "campos da Cachoeira", a 27 de
julho de 1 798, filha de Gonçalo Álvares de Almeida e Quitéria
Maria de Jesus. Teria deixado a fazenda do pai ao escutar
notícias dos acontecimentos de 25 de junho de 1822 na vila
da Cachoeira. Com roupa masculina, fornecida por um
cunhado, apresentou-se voluntária ao batalhão Voluntários
do Príncipe, chamado "dos Periquitos", por causa da cor da
farda. Fora organizado por José Antônio da Silva Castro.
Tem-se como certo que participou do primeiro ovanç0 de
fevereiro de 1823 em direção ò ilha de Ifaparica. Está no 2
de julho no grupo de oficiais e soldados do Exército brosilel.
ro comandado pelo m a \o r M anoel da Fonseca Lima e Silvo
e re c e b id o festiva mente na So'edac'e, primeira parada antes
do Barbalho. Foi co Rio de Janeiro apresentar-se ao impe
rador Pedro I, ocasião em que conheceu Maria Graham,
que registrou sua visita no seu ramoso D iá rio .
Pouco se sabe a respeito de Mana Quitéria após seu retor
no para a Bahia. Ficou a tradição oral de sua passagem em
a'gumas vilas, como na então Coração de Maria, para ser feste
jada como 'guerreiro*. Por fim, casou-se e teve uma única filha.
Um dos seus b ógrotos, Fernando Alves, relata os seus últimos
anos de vida dedicados à partilha dos bens deixados por seu pai.
Luf.c H en r iq v i P ia s T w a r e s
I.HITUKA
S e n h o r — O U \il e brioso povo do d is tric to da Cachoeira, de
para bom bardear, como com efeito bom bardeu, p o r alguns dias,