01.
(Enem 2019) TEXTO I
Os segredos da natureza se revelam mais sob a tortura dos experimentos do que no seu curso
natural.
BACON, F. Novum Organum, 1620. In: HADOT, P. O véu de Ísis: ensaio sobre a história da ideia de natureza. São
Paulo: Loyola, 2006.
TEXTO II
O ser humano, totalmente desintegrado do todo, não percebe mais as relações de equilíbrio da
natureza. Age de forma totalmente desarmônica sobre o ambiente, causando grandes desequilíbrios
ambientais.
GUIMARÃES, M. A dimensão ambiental na educação. Campinas: Papirus, 1995.
Os textos indicam uma relação da sociedade diante da natureza caracterizada pela
A. objetificação do espaço físico.
B. retomada do modelo criacionista.
C. recuperação do legado ancestral.
D. infalibilidade do método científico.
E. formação da cosmovisão holística.
02. (Enem 2013) Os produtos e seu consumo constituem a meta declarada do empreendimento
tecnológico. Essa meta foi proposta pela primeira vez no início da Modernidade, como expectativa
de que o homem poderia dominar a natureza. No entanto, essa expectativa, convertida em programa
anunciado por pensadores como Descartes e Bacon e impulsionado pelo Iluminismo, não surgiu “de
um prazer de poder”, “de um mero imperialismo humano”, mas da aspiração de libertar o homem e
de enriquecer sua vida, física e culturalmente.
CUPANI, A. A tecnologia como problema filosófico: três enfoques. Scientiae Studia, São Paulo, v. 2, n. 4, 2004
(adaptado).
Autores da filosofia moderna, notadamente Descartes e Bacon, e o projeto iluminista concebem a
ciência como uma forma de saber que almeja libertar o homem das intempéries da natureza. Nesse
contexto, a investigação científica consiste em
A. expor a essência da verdade e resolver definitivamente as disputas teóricas ainda existentes.
B. oferecer a última palavra acerca das coisas que existem e ocupar o lugar que outrora foi da
filosofia.
C. ser a expressão da razão e servir de modelo para outras áreas do saber que almejam o
progresso.
D. explicitar as leis gerais que permitem interpretar a natureza e eliminar os discursos éticos e
religiosos.
E. explicar a dinâmica presente entre os fenômenos naturais e impor limites aos debates
acadêmicos.
03. (EMESCAM) Francis Bacon (1561 – 1626) filósofo, escritor e político Inglês considerado um
dos grandes precursores do método moderno de pesquisa científico afirmou: “Os ídolos e noções
falsas que ora ocupam o intelecto humano e nele se acham implantados não somente o obstruem a
ponto de ser difícil o acesso da verdade, como, mesmo depois de seu pórtico logrado e descerrado,
poderão ressurgir como obstáculo à própria instauração das ciências, a não ser que os homens, já
precavidos contra eles, se cuidem o mais que possam”.
BACON, Francis. “Novum Organum” (versão eletrônica) XXXVIII . Disponível em: [Link]/bib/[Link]
Acesso em 20 de maio de 2015.
Segundo Bacon, “são de quatro gêneros os ídolos que bloqueiam a mente humana”, qual item
abaixo não corresponde ao pensamento do filósofo:
A. Ídolos do teatro – as opiniões que se formam em nós em decorrência dos poderes das
autoridades que nos impõem seus pontos de vista.
B. Ídolo da tribo – as opiniões que se formam em nós, por sermos da espécie humana, ou seja,
em decorrência da natureza humana.
C. Ídolo da caverna – as opiniões que se formam em nós por erros e defeitos de nossos órgãos
dos sentidos.
D. Ídolos do direito – as opiniões que se formam em nós por meio de decretos e leis que não
podem ser questionados.
E. Ídolos do fórum – as opiniões que se formam em nós como consequência da linguagem e de
nossas relações com os outros.
04. (UECE) Leia atentamente o trecho a seguir, que é um fragmento do pensamento de Francis
Bacon a respeito do processo de conhecimento e da relação entre conhecimento contemplativo e
conhecimento prático:
“Efetivamente construímos no intelecto humano um modelo verdadeiro do mundo, tal qual foi
descoberto e não segundo o capricho da razão de fulano ou beltrano. Porém, isso não é possível
levar a efeito, sem uma prévia e diligentíssima dissecção e anatomia do mundo. Por isso, decidimos
correr com todas essas imagens ineptas e simiescas que a fantasia humana infundiu nos vários
sistemas filosóficos. Saibam os homens como já antes dissemos a imensa distância que separa os
ídolos da mente humana das ideias da mente divina. Aqueles, de fato, nada mais são que abstrações
arbitrárias; estas, ao contrário, são as verdadeiras marcas do Criador sobre as criaturas, gravadas e
determinadas sobre a matéria, através de linhas exatas e delicadas. Por conseguinte, as coisas em si
mesmas, neste gênero, são verdade e utilidade, e as obras devem ser estimadas mais como garantia
da verdade que pelas comodidades que propiciam à vida humana”.
BACON, Francis. Novum Organum ou Verdadeiras Indicações Acerca da Interpretação da Natureza. Domínio público
([Link]
Levando em consideração o trecho acima e o pensamento de Francis Bacon, é correto afirmar que
A. a concepção baconiana de mundo está ligada à corrente racionalista que associa a ideia
divina revelada ao processo de descoberta da verdade.
B. Bacon defendia um modo de pensar mais atento às coisas, imune aos ídolos construídos pela
mente humana quando destituída de um método de abordagem do real.
C. Francis Bacon defendia um empirismo de caráter essencialmente contemplativo com
submissão parcial da experiência ao pensar especulativo.
D. a filosofia de Francis Bacon reafirmou a importância da metafísica aristotélica como ponto
máximo do conhecimento puramente contemplador da verdade.
05. (PUC-PR) São de quatro gêneros os ídolos que bloqueiam a mente humana. Para melhor
apresentá-los, assinalamos os nomes: Ídolos da Tribo, Ídolos da Caverna, Ídolos do Foro e Ídolos do
Teatro.”
Fonte: BACON. Novum Organum..., São Paulo: Nova Cultural, 1999, p.33.
É CORRETO afirmar que para Bacon:
A. Os Ídolos da Tribo e da Caverna são os conhecimentos primitivos que herdamos dos nossos
antepassados mais notáveis.
B. Os Ídolos do Teatro são todos os grandes atores que nos influenciam na vida cotidiana.
C. Os Ídolos do Foro são as ideias formadas em nós por meio dos nossos sentidos.
D. Através dos Ídolos, mesmo considerando que temos a mente bloqueada, podemos chegar à
verdade.
E. Os Ídolos são falsas noções e retratam os principais motivos pelos quais erramos quando
buscamos conhecer.
06. (Unesp) Os ídolos e noções falsas que ora ocupam o intelecto humano e nele se acham
implantados não somente o obstruem a ponto de ser difícil o acesso da verdade, como, mesmo
depois de superados, poderão ressurgir como obstáculo à própria instauração das ciências, a não ser
que os homens, já precavidos contra eles, se cuidem o mais que possam. O homem se inclina a ter
por verdade o que prefere. Em vista disso, rejeita as dificuldades, levado pela impaciência da
investigação; rejeita os princípios da natureza, em favor da superstição; rejeita a luz da experiência,
em favor da arrogânciae do orgulho, evitando parecer se ocupar de coisas vis e efêmeras; rejeita
paradoxos, por respeito a opiniões vulgares. Enfim, inúmeras são as fórmulas pelas quais o
sentimento, quase sempre imperceptivelmente, se insinua e afeta o intelecto.
(Francis Bacon. Novum Organum [publicado originalmente em 1620],1999. Adaptado.)
Na história da filosofia ocidental, o texto de Bacon preconiza
A. um pensamento científico racional afastado de paixões e preconceitos.
B. uma crítica à hegemonia do paradigma cartesiano no âmbito científico.
C. a defesa do inatismo das ideias contra os pressupostos da filosofia empirista.
D. a valorização romântica de aspectos sentimentais e intuitivos do pensamento.
E. uma crítica de caráter ético voltada contra a frieza do trabalho científico.
07. (PUC-PR) “Ciência e poder do homem coincidem, uma vez que, sendo a causa ignorada,
frustra-se o efeito. Pois a natureza não se vence, se não quando se lhe obedece. E o que à
contemplação apresenta-se como causa é regra na prática.”
Fonte: BACON. Novum Organum..., São Paulo: Nova Cultural, 1999, p.40.
Tendo em vista o texto acima, assinale a alternativa CORRETA:
A. Bacon estabelece que a melhor maneira de explicar os fenômenos naturais é recorrer aos
princípios inatos da razão.
B. Através do conhecimento científico, o homem aprende a aceitar o domínio dos princípios
metafísicos de causalidade sobre a natureza.
C. O conhecimento da natureza depende do poder do homem. Assim um rei conhece mais
sobre a natureza do que um pobre estudante.
D. Através da contemplação - observação - da natureza o homem aprende a conhecê-la e, então,
reúne condições para dominar a natureza.
E. Devemos ser práticos e obedecer à natureza, pois o conhecimento das relações de causa e
efeito é impossível e sempre frustrante.