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Introdução à Ciência dos Materiais

O documento é uma introdução à disciplina de Ciência dos Materiais, abordando a estrutura atômica, cristalina e as propriedades dos materiais. Ele destaca a importância do entendimento das ligações químicas e dos mecanismos de difusão para a manipulação das propriedades dos materiais em aplicações específicas. A obra serve como base teórica para engenheiros que buscam desenvolver novos materiais com características desejadas.
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Introdução à Ciência dos Materiais

O documento é uma introdução à disciplina de Ciência dos Materiais, abordando a estrutura atômica, cristalina e as propriedades dos materiais. Ele destaca a importância do entendimento das ligações químicas e dos mecanismos de difusão para a manipulação das propriedades dos materiais em aplicações específicas. A obra serve como base teórica para engenheiros que buscam desenvolver novos materiais com características desejadas.
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WBA0764_V2.

CIÊNCIA DOS MATERIAIS


2

Mariana Gerardi Mello

CIÊNCIA DOS MATERIAIS


1ª edição

Londrina
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
2024
3

© 2024 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer
modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo
de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e
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Diretora Sr. de Pós-graduação & OPM


Silvia Rodrigues Cima Bizatto

Conselho Acadêmico
Alessandra Cristina Fahl
Ana Carolina Gulelmo Staut
Camila Braga de Oliveira Higa
Camila Turchetti Bacan Gabiatti
Giani Vendramel de Oliveira
Gislaine Denisale Ferreira
Henrique Salustiano Silva
Juliana Schiavetto Dauricio
Juliane Raniro Hehl
Mariana Gerardi Mello
Nirse Ruscheinsky Breternitz

Coordenador
Mariana Gerardi Mello

Revisor
Elaine Cristina Marques Esper

Editorial
Beatriz Meloni Montefusco
Márcia Regina Silva
Paola Andressa Machado Leal
Rosana Silverio Siqueira

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


_____________________________________________________________________________
Mello, Mariana Gerardi
M527c Ciências dos materiais/ Mariana Gerardi Mello, – Londrina: Editora
e Distribuidora Educacional S.A 2024.
32 p.

ISBN 978-65-5903-656-1

1. Ciência e Engenharia dos Materiais. 2. Difusão em sólidos. 3.


Propriedades dos materiais. I. Título.
CDU 621
_____________________________________________________________________________
Raquel Torres – CRB 8/10534

2024
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041-100 — Londrina — PR
Homepage: https://www.cogna.com.br/
4

CIÊNCIA DOS MATERIAIS

SUMÁRIO

Apresentação da disciplina ___________________________________ 05

Os materiais e sua estrutura atômica _________________________ 06

Estrutura cristalina e não cristalina dos materiais ____________ 17

Mecanismos de difusão e diagramas de fases ________________ 30

Propriedades dos materiais __________________________________ 40


5

Apresentação da disciplina

Seja bem-vindo(a) à disciplina Ciência dos Materiais. Aqui, você aprenderá


um pouco sobre a estrutura atômica e cristalina dos materiais, suas
propriedades e como alterar estrutura, visando às alterações de
propriedades.

Os materiais são compostos de átomos, os quais se ligam por meio


de ligações químicas, formam estruturas cristalinas ou não e possuem
defeitos na constituição de suas redes cristalinas e de seus grãos, que
podem ser dosados de acordo com o que se deseja para os materiais.

Portanto, compreender esses fenômenos faz com que possamos


entender e controlar os defeitos, para que propriedades desejadas
sejam alcançadas. Por isso, é importante entender mecanismos de
difusão e formação de fases via estudo de diagrama de fases.

Diagramas de fases são essenciais toda vez que trabalhamos com uma
liga metálica. Se considerarmos a grande aplicação dos aços e ferros
fundidos, só aí já percebemos a importância de conhecer esse assunto.

Aqui, entender todas essas premissas é só o princípio para compreender


as propriedades dos materiais. E são tantas! Existem propriedades
mecânicas, ópticas, elétricas, térmicas, magnéticas, de corrosão, entre
outras. Elas governarão as aplicações dos materiais, então conhecê-las é
o ponto de partida para alterá-las.

Enfim, são muitas possibilidades e opções! E aí, está pronto para


mergulhar no mundo fantástico dos materiais? Vamos nessa! Bons
estudos!
6

Os materiais e sua estrutura


atômica
Autoria: Mariana Gerardi de Mello Nassif
Leitura crítica: Elaine Cristina Marques Esper

Objetivos
• Compreender os fundamentos da Ciência dos
Materiais e sua importância na Engenharia de
Materiais.

• Analisar a estrutura atômica dos sólidos e sua


relação com as propriedades dos materiais.

• Explorar os diferentes tipos de ligações químicas e


sua influência nas propriedades físicas e químicas
dos materiais.
7

1. Introdução à Ciência dos Materiais e sua


importância na Engenharia de Materiais

A Ciência dos Materiais é uma disciplina multidisciplinar que estuda


a relação entre a estrutura, as propriedades e o processamento dos
materiais. Ela desempenha um papel fundamental na Engenharia
de Materiais, pois fornece as bases teóricas e práticas necessárias
para o desenvolvimento e aprimoramento de novos materiais com
propriedades específicas que permitem que aplicações específicas sejam
realizadas para esses novos materiais.

Assim, a Ciência dos Materiais se preocupa com o conhecimento sobre


a estrutura em diferentes escalas, que variam desde a escala atômica
até a macroscópica, bem como as propriedades dos materiais e o que
a modificação da estrutura resulta em alteração de propriedades. A
engenharia de materiais, por sua vez, se preocupa em utilizar esses
conhecimentos em aplicações cada vez mais complexas, extraindo
o máximo de cada material, chegando, inclusive, à manipulação de
propriedades para atender às necessidades específicas de cada aplicação.

A compreensão dos materiais é essencial para a criação de produtos


inovadores e tecnologicamente avançados. Através do conhecimento
em Ciência dos Materiais, os engenheiros são capazes de selecionar os
materiais mais adequados para cada aplicação, levando em consideração
fatores, como resistência mecânica, condutividade térmica, resistência à
corrosão, entre outras propriedades importantes em um projeto.

1.1 Estrutura atômica dos sólidos

A estrutura atômica dos materiais descreve a organização dos átomos e


é crucial para entender as propriedades e os comportamentos deles.
8

Os materiais podem ser classificados, de acordo com sua estrutura


atômica, em cristalino ou amorfo (Figura 1).

Figura 1 – Representação das estruturas atômicas cristalina e


amorfa

Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Crystalline_or_amorphous_es.svg. Acesso


em: 21 ago. 2024.

A estrutura cristalina é caracterizada por uma organização regular e


repetitiva dos átomos em uma rede tridimensional. Essa organização
é representada por uma célula unitária, que é a menor unidade que se
repete ao longo de todo o cristal. Exemplos de sólidos com estrutura
cristalina incluem todos os metais em estado sólidos, boa parte das
cerâmicas e alguns polímeros, que são conhecidos por seu índice de
cristalinidade, um valor percentual que indica o quão organizadas
podem ser as moléculas de um polímero.

Já os sólidos amorfos não possuem uma estrutura ordenada,


apresentando uma disposição aleatória dos átomos. Esses materiais
não possuem uma célula unitária definida, e suas propriedades podem
variar significativamente em diferentes regiões do material. Exemplos de
sólidos amorfos incluem o vidro e os plásticos amorfos.

Os materiais cristalinos se organizam em múltiplos cristais e, por isso,


formam sólidos policristalinos. Essa organização, na forma de múltiplos
9

cristais, é conhecida como grãos, que possuem diferentes orientações


cristalográficas. Cada grão possui uma estrutura cristalina bem definida,
mas a orientação entre os grãos pode variar, como mostrado na Figura
2. Essa estrutura é comumente encontrada em materiais metálicos.

Figura 2 – Representações da formação e estrutura dos grãos

Fonte: Callister e Rethwisch (2024, [n. p.]).

A estrutura atômica dos sólidos influencia diretamente suas


propriedades físicas e químicas. Por exemplo, a distância entre os
átomos na estrutura cristalina determina a densidade do material. A
disposição dos átomos também afeta a condutividade térmica e elétrica,
a resistência mecânica, a dureza e a capacidade de deformação plástica.

Além disso, a estrutura atômica dos sólidos está relacionada à formação


de defeitos, como lacunas, interstícios e discordâncias. Esses defeitos
podem afetar significativamente as propriedades do material, como sua
resistência à tração, ductilidade e tenacidade.

É importante lembrar que existem outros fatores que também afetam as


propriedades físicas e químicas dos sólidos. Por exemplo, a composição
química dos átomos presentes no material pode influenciar suas
propriedades, como a reatividade química e a capacidade de formar
ligações interatômicas. Outros fatores, como a temperatura, a pressão
10

e o tratamento térmico, também podem ter um impacto significativo


nas propriedades deles. Portanto, é importante considerar todos esses
fatores em conjunto para entender completamente as propriedades
físicas e químicas dos materiais.

A compreensão da estrutura atômica dos sólidos é essencial para


projetar e desenvolver materiais com propriedades específicas. Através
do controle da estrutura atômica, é possível modificar as propriedades
dos materiais, tornando-os mais adequados para determinadas
aplicações. Isso inclui a criação de ligas metálicas com propriedades
superiores, a otimização da resistência à corrosão em materiais
cerâmicos e a melhoria da transparência em vidros.

1.2 Ligação interatômica nos sólidos

A ligação interatômica nos sólidos é um aspecto fundamental para


compreender as propriedades e os comportamentos dos materiais. Ela
descreve a forma como os átomos se unem para formar uma estrutura
sólida.

Existem três tipos principais de ligação interatômica nos sólidos: ligação


iônica, ligação covalente e ligação metálica. Cada tipo de ligação é
caracterizado por diferentes interações entre os elétrons que compõem
os átomos, como mostrado na Figura 3.
11

Figura 3 – Representação das ligações interatômicas

Fonte: elaborada pela autora.

A ligação iônica ocorre quando há transferência completa ou parcial de


elétrons entre átomos de diferentes elementos. Isso resulta na formação
de íons positivos e negativos, que são atraídos pela força eletrostática.
Essa ligação é comumente encontrada em compostos iônicos, como sais
e cerâmicas, e é responsável por suas altas temperaturas de fusão e
rigidez.

Essa ligação também contribui para a baixa condutividade elétrica em


estado sólido, mas pode permitir a condução quando o material está em
solução aquosa. Além disso, a ligação iônica influencia a solubilidade e a
capacidade de dissociação em soluções.

A ligação covalente ocorre quando dois átomos compartilham um


ou mais pares de elétrons. Essa ligação é mais comum em materiais
orgânicos e em alguns compostos inorgânicos, como diamante e silício.
A ligação covalente está associada a materiais com alta estabilidade
química e resistência mecânica. Essa ligação é responsável por
propriedades, como a tenacidade e a baixa condutividade elétrica.
12

A presença de ligações covalentes fortes também pode influenciar a


polaridade das moléculas, afetando propriedades, como a solubilidade e
a reatividade química.

A ligação metálica ocorre em metais, nos quais os átomos estão


dispostos em uma rede tridimensional e compartilham seus elétrons
de valência. Essa ligação é caracterizada pela mobilidade dos elétrons,
que formam uma nuvem eletrônica ao redor dos átomos. Essa nuvem
eletrônica é responsável pela condução elétrica e térmica dos metais,
bem como pela sua maleabilidade e ductilidade.

A presença de ligações metálicas também pode influenciar a resistência


mecânica e a capacidade de deformação plástica dos materiais.

Além desses tipos de ligação, existem as interações de van der Waals,


que ocorrem nas moléculas, portanto em compostos que possuem
ligação covalente. Essas interações são mais fracas do que as ligações
iônicas, covalentes e metálicas, mas ainda desempenham um papel
importante nas propriedades de materiais poliméricos.

A natureza da ligação interatômica nos sólidos influencia diretamente


suas propriedades físicas e químicas. Por isso, é necessário conhecer
não apenas a estrutura, mas também o tipo de ligação interatômica
presente em um material.

1.3 Propriedades físicas dos materiais relacionadas às


ligações químicas

As ligações químicas nos materiais têm um impacto significativo nas


suas propriedades físicas. A natureza das ligações afeta diretamente
como os materiais se comportam em termos de condutividade elétrica,
condutividade térmica, dureza, ponto de fusão, entre outros aspectos.
13

A condutividade elétrica dos materiais está diretamente relacionada


às ligações químicas presentes. Materiais com ligações iônicas, por
exemplo, geralmente têm baixa condutividade elétrica em estado sólido,
pois os elétrons estão fortemente ligados aos íons e não podem se
mover facilmente. No entanto, quando esses materiais são dissolvidos
em água ou fundidos, os íons se separam e a condutividade elétrica
aumenta. Por outro lado, materiais com ligações metálicas têm maior
condutividade elétrica, pois os elétrons estão mais livres para se
moverem.

A condutividade térmica dos materiais também é influenciada pelas


ligações químicas. Materiais com ligações metálicas tendem a ter alta
condutividade térmica devido à mobilidade dos elétrons na estrutura.
Outro fator que auxilia é o elevado número de portadores de carga
(elétrons) presente na estrutura do material. Por outro lado, materiais
com ligações covalentes ou iônicas têm menor condutividade térmica,
pois a transferência de calor ocorre, principalmente, através de
vibrações atômicas e a mobilidade dos átomos nessas ligações é baixa.

A dureza dos materiais está relacionada às ligações químicas, à estrutura


do material e à sua resistência a deformações permanentes. Materiais
com ligações iônicas tendem a ser mais duros, pois as ligações são fortes
e requerem mais energia para serem quebradas. Materiais com ligações
metálicas tendem a ser mais maleáveis e menos duros, pois os átomos
podem deslizar uns sobre os outros sem quebrar as ligações. Materiais
com ligações covalentes, por sua vez, podem apresentar dureza elevada,
como a do diamante, ou serem extremamente macios, como ocorre
com o grafite. As diferenças e explicações a respeito da dureza ficam por
conta da estrutura desses materiais, que é cristalino para o diamante e
lamelar para o grafite.

O ponto de fusão dos materiais também é influenciado pelas ligações


químicas. Materiais com ligações iônicas, normalmente, têm pontos
14

de fusão elevados, pois a quebra das ligações requer uma quantidade


significativa de energia. Materiais com ligações covalentes também
podem ter pontos de fusão elevados, dependendo da força das ligações.
Já materiais com ligações metálicas tendem a ter pontos de fusão
intermediários, pois as ligações são mais fracas em relação à ligação
iônica e podem ser facilmente rompidas.

1.4 Propriedades químicas dos materiais relacionadas às


ligações químicas

As propriedades químicas dos materiais também são fortemente


influenciadas pelas ligações químicas presentes. A natureza das ligações
afeta diretamente como os materiais interagem com outras substâncias
e reagem quimicamente.

A reatividade química dos materiais está relacionada às ligações


químicas presentes. Materiais com ligações covalentes tendem a
ser menos reativos, pois as ligações são estáveis e requerem uma
quantidade significativa de energia para serem quebradas. Por outro
lado, materiais com ligações iônicas ou covalentes são mais reativos,
pois as ligações podem ser facilmente rompidas e os átomos ou íons
podem interagir com outras substâncias.

A estabilidade química dos materiais também é influenciada pelas


ligações químicas. Materiais com ligações covalentes tendem a ser mais
estáveis e menos suscetíveis a reações químicas indesejadas, fato que
torna os materiais poliméricos, por exemplo, um problema ambiental
em seu descarte. Por outro lado, materiais com ligações mais fracas
podem ser mais propensos a reagir com outras substâncias e sofrer
alterações químicas.
15

A solubilidade dos materiais em diferentes solventes também é afetada


pelas ligações químicas. Materiais com ligações iônicas tendem a ser
solúveis em solventes polares, como água, pois os íons são atraídos
pelas moléculas polares do solvente. Materiais com ligações covalentes
não polares, por outro lado, tendem a ser solúveis em solventes não
polares, como hidrocarbonetos.

A capacidade de absorção de energia dos materiais também está


relacionada às ligações químicas. Materiais com ligações covalentes
mais fortes tendem a ter maior capacidade de absorver energia, pois
as ligações requerem mais energia para serem quebradas. Isso pode
resultar em materiais com alta resistência a choques térmicos ou
mecânicos.

Conectando à Realidade: Aplicação de Materiais na Indústria


Automotiva

Na indústria automotiva, a Ciência dos Materiais desempenha um papel


fundamental no desenvolvimento de materiais avançados para melhorar
a eficiência, a segurança e o desempenho dos veículos. Compreender
as propriedades dos materiais é essencial para selecionar os mais
adequados para cada componente do automóvel.

Ao projetar um novo veículo, é necessário considerar a estrutura


atômica dos materiais utilizados. Por exemplo, a utilização de aços que
possuem estrutura cristalina permite obter produtos com alta resistência
mecânica, essencial para a segurança estrutural do veículo.

A ligação interatômica é crucial para a escolha dos materiais na indústria


automotiva. Por exemplo, a utilização de ligas de alumínio que possuem
ligação metálica proporciona baixa densidade e alta condutividade
térmica, tornando-os ideais para componentes como radiadores e
blocos de motor. Nessa mesma linha de raciocínio, a utilização de
16

ligas de titânio, que também possuem ligação metálica, proporciona


alta resistência mecânica e baixa densidade, tornando-os ideais para
componentes estruturais, como chassis e suspensões. Outro exemplo
é a utilização de adesivos estruturais, que possuem ligações covalentes
e permitem a união de diferentes materiais, proporcionando maior
resistência e reduzindo o peso do veículo.

A utilização de polímeros termoplásticos que possuem ligações


covalentes é outro exemplo, pois esse tipo de ligação proporciona maior
flexibilidade e resistência ao impacto, ideal para a aplicação desses
materiais em para-choques e painéis internos.

Podemos citar, ainda, a utilização de revestimentos anticorrosivos que


possuem ligações covalentes, os quais são estáveis quimicamente e
protegem a carroceria do veículo contra a corrosão causada por agentes
químicos e condições ambientais adversas.

Em resumo, a aplicação dos conceitos da Ciência dos Materiais na


indústria automotiva é essencial para o desenvolvimento de veículos
mais seguros, eficientes e duráveis.

Referências
CALLISTER JR., W. D.; RETHWISCH, D. G. Ciência e Engenharia de Materiais: uma
introdução. 10. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2024.
17

Estrutura cristalina e não


cristalina dos materiais
Autoria: Mariana Gerardi de Mello Nassif
Leitura crítica: Elaine Cristina Marques Esper

Objetivos
• Identificar e descrever as estruturas cristalinas e não
cristalinas dos materiais.

• Avaliar a influência das imperfeições nos sólidos nas


propriedades dos materiais.

• Analisar a estrutura dos materiais e sua relação com


as propriedades.
18

1. Estrutura amorfa versus estrutura


cristalina

Uma das principais diferenças entre materiais cristalinos e amorfos (não


cristalinos) é a forma como os átomos estão organizados. Nos materiais
cristalinos, os átomos se organizam em uma rede tridimensional,
formando um padrão repetitivo que se estende por todo o material. Já
nos materiais amorfos, os átomos estão dispostos de forma desordenada,
sem um padrão definido.

As propriedades dos materiais amorfos são diferentes das propriedades


dos materiais cristalinos. Os materiais amorfos tendem a ser menos
resistentes, menos densos, conduz menos energia elétrica, serem mais
frágeis e menos rígidos do que os materiais cristalinos. Além disso, eles
geralmente possuem uma temperatura de transição vítrea, acima da qual
se tornam mais viscosos.

A formação de materiais amorfos pode ocorrer de várias maneiras.


Uma delas é o resfriamento rápido de um material fundido. Quando um
material é resfriado rapidamente, os átomos não têm tempo suficiente
para se organizar em uma estrutura cristalina, resultando em uma
estrutura amorfa. Isso é muito comum para materiais cerâmicos, como
o vidro, e para os polímeros. Mas, não confunda essa estrutura amorfa
com a estrutura da martensita. Essa estrutura é obtida por meio do
resfriamento rápido, porém continua sendo uma estrutura cristalina para
o aço, mas menos organizada do que a perlita.

Outro método de formação de materiais amorfos é a deposição física de


vapor. Nesse processo, um material é evaporado e depositado em uma
superfície, formando uma camada fina de material amorfo. Esse método
é amplamente utilizado na fabricação de filmes finos para aplicações
em eletrônica e revestimentos. O diamante CVD pode ser obtido dessa
19

forma, e é uma estrutura muito menos organizada do que a estrutura do


diamante.

Existem vários exemplos de materiais amorfos. Um dos mais conhecidos


é o vidro, que é obtido através do resfriamento rápido de uma mistura
de óxidos, como sílica, alumina e cal. O vidro possui uma ampla gama
de aplicações, desde janelas e garrafas até fibras ópticas e telas de
dispositivos eletrônicos.

Os polímeros amorfos também são exemplos de materiais amorfos. Os


polímeros são compostos por cadeias moleculares longas e flexíveis, que
se entrelaçam formando uma estrutura desordenada. Esses materiais
são amplamente utilizados na indústria de plásticos, em produtos como
embalagens, filmes e peças moldadas.

2. Estrutura cristalina

2.1 Redes cristalinas

A estrutura cristalina é um dos principais aspectos estudados na Ciência


dos Materiais. Para entendermos o que é uma estrutura cristalina, é
preciso entender que os átomos em um sólido cristalino estão dispostos
em uma estrutura repetitiva e ordenada, formando uma unidade básica
chamada célula unitária, que, por sua vez, corresponde à menor porção
da estrutura cristalina que, quando repetida em todas as direções, forma
o cristal completo, ao qual chamamos de estrutura cristalina.

A rede cristalina, ou o retículo cristalino, se refere ao tipo de célula


unitária presente no material, e são os padrões geométricos que
descrevem a organização dos átomos na célula unitária.
20

O empilhamento de esferas, que, neste caso, são os átomos que


compõem a célula unitária pode ocorrer de 14 formas diferentes,
conhecidas como Redes de Bravais, que formam 14 tipos de redes
cristalinas tridimensionais. Elas foram propostas pelo matemático e
físico francês Auguste Bravais, em 1848, e podem ser classificadas de
acordo com a simetria e a disposição dos átomos na célula unitária em:

• Cúbica simples ou cúbica primitiva (P): os átomos estão localizados


apenas nos vértices da célula unitária cúbica.

• Cúbica de corpo centrado (I): além dos átomos nos vértices, há um


átomo adicional no centro da célula unitária cúbica.

• Cúbica de face centrada (F): além dos átomos nos vértices, há um


átomo adicional no centro de cada face da célula unitária cúbica.

• Tetragonal simples (P): os átomos estão localizados apenas nos


vértices da célula unitária tetragonal.

• Tetragonal de corpo centrado (I): além dos átomos nos vértices, há


um átomo adicional no centro da célula unitária tetragonal.

• Ortorrômbica simples (P): os átomos estão localizados apenas nos


vértices da célula unitária ortorrômbica.

• Ortorrômbica de corpo centrado (I): além dos átomos nos vértices,


há um átomo adicional no centro da célula unitária ortorrômbica.

• Ortorrômbica de face centrada (F): além dos átomos nos vértices,


há um átomo adicional no centro de cada face da célula unitária
ortorrômbica.

• Monoclínica simples (P): os átomos estão localizados apenas nos


vértices da célula unitária monoclínica.
21

• Monoclínica de corpo centrado (I): além dos átomos nos vértices,


há um átomo adicional no centro da célula unitária monoclínica.

• Triclínica simples (P): os átomos estão localizados apenas nos


vértices da célula unitária triclínica.

• Hexagonal simples (P): os átomos estão localizados apenas nos


vértices da célula unitária hexagonal.

• Hexagonal de corpo centrado (I): além dos átomos nos vértices, há


um átomo adicional no centro da célula unitária hexagonal.

• Hexagonal de face centrada (F): além dos átomos nos vértices,


há um átomo adicional no centro de cada face da célula unitária
hexagonal.

A Figura 1 mostra a esquematização das 14 Redes de Bravais.

Figura 1 – Redes de Bravais

Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f4/Redes_de_Bravais.png.
Acesso em: 21 ago. 2024.

2.2 Parâmetros de rede

Os parâmetros de rede são as medidas que descrevem as dimensões


e os ângulos da célula unitária. Eles são utilizados para caracterizar a
22

estrutura cristalina de um material. Os principais parâmetros de rede


são:

Arestas: são os comprimentos dos lados da célula unitária ao longo dos


eixos de simetria, que, normalmente, são representados pelas letras a, b
e c.

Ângulos entre os lados da célula unitária: são os ângulos formados


entre os lados da célula unitária, os quais são representados pelas letras
α, β e γ.

2.3 Planos e direções cristalográficas

Os planos cristalinos são superfícies imaginárias que dividem um


cristal em duas partes. Eles são definidos pela posição dos átomos que
compõem o cristal e são representados por uma série de índices entre
colchetes, como [hkl], e cada conjunto de índices representa um plano
específico.

Os planos cristalinos são importantes na engenharia de materiais


porque afetam as propriedades físicas e químicas dos materiais
cristalinos. Por exemplo, a resistência mecânica de um material pode
variar dependendo da orientação dos planos cristalinos em relação à
direção de aplicação da força.

Além disso, os planos cristalinos também influenciam a forma como os


materiais cristalinos se deformam. A deformação plástica, por exemplo,
ocorre quando os planos cristalinos deslizam uns sobre os outros. Dessa
forma, outra propriedade afetada pelos planos cristalinos é ductilidade
dos materiais.

As direções cristalográficas, por sua vez, são linhas imaginárias que


se estendem através de um cristal. Elas são definidas pela posição
23

dos átomos que compõem o cristal e são representadas por uma


série de índices entre colchetes, como [uvw]. Cada conjunto de
índices representa uma direção específica. A orientação das direções
cristalográficas pode afetar a morfologia dos cristais e a formação de
defeitos cristalinos, como discordâncias.

Para determinar uma direção, deve-se determinar as coordenadas do


ponto inicial e do ponto final do vetor, subtrair as coordenadas do ponto
final das coordenadas do ponto inicial e apresentar esses números
como os menores valores inteiros.

Observe direções e planos cristalinos presentes na Figura 2. Note que


a segunda figura apresenta direções e planos cristalinos presentes em
duas células cristalinas.

Figura 2 – Direções e planos cristalinos

Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4d/Indices_miller_plan_
definition.svg/300px-Indices_miller_plan_definition.svg.png. Acesso em: 21 ago. 2024.

A Quando se estuda a estrutura cristalina de um material, muitas


propriedades podem surgir da organização desse material, mas a
alteração de propriedades é até mais efetiva quando a estrutura
cristalina apresenta algum tipo de defeito. Por isso, é importante
estudarmos esses defeitos.
24

3. Imperfeições nos sólidos


As imperfeições nos sólidos são características intrínsecas dos materiais
que afetam suas propriedades e desempenham um papel fundamental
na Ciência dos Materiais. Essas imperfeições podem ser definidas como
qualquer desvio da estrutura cristalina perfeita de um material sólido.
Elas podem ocorrer em diferentes formas, como vacâncias, intersticiais,
substitucionais, discordâncias, entre outras.

As vacâncias são imperfeições em que um átomo está ausente em sua


posição ideal na estrutura cristalina. Isso ocorre quando um átomo
é removido de sua posição normal, deixando um espaço vazio. Essas
vacâncias podem ocorrer naturalmente durante a solidificação de um
material ou podem ser introduzidas por processos de deformação ou
tratamentos térmicos.

As imperfeições intersticiais ocorrem quando um átomo ocupa um


espaço intersticial entre os átomos da estrutura cristalina. Esses átomos
intersticiais podem ser de tamanho diferente dos átomos da matriz, o
que pode afetar as propriedades do material.

As imperfeições substitucionais ocorrem quando um átomo é


substituído por outro átomo de tamanho e carga diferentes. Isso pode
ocorrer durante a solidificação ou por tratamentos térmicos específicos.
Essas substituições podem afetar as propriedades do material, como a
condutividade elétrica ou térmica.

As discordâncias são imperfeições lineares que ocorrem quando as


camadas atômicas não estão perfeitamente alinhadas. Existem dois
tipos principais de discordâncias: discordância de linha e discordância
de plano. A discordância de linha ocorre quando uma linha de átomos
está fora de alinhamento com as camadas adjacentes, enquanto a
discordância de plano ocorre quando uma camada inteira de átomos
está fora de posição.
25

Defeitos de vacâncias, intersticiais, substitucionais e discordâncias


são muito comuns em materiais metálicos. Polímeros semicristalinos
também apresentam esses e outros defeitos, como os de dobra
de cadeia e pontas de cadeia fora da região cristalina. No caso das
cerâmicas, além desses defeitos, também existem outros relacionados
com a repulsão das cargas no material. Nos materiais semicondutores,
são as imperfeições que tornam esses materiais aplicáveis em
microchips, processadores, radares, fibras óticas etc.

As imperfeições, de uma forma geral, afetam a movimentação dos


átomos nos sólidos. Essa movimentação é estudada por meio de
um mecanismo de difusão atômica, que ocorre quando os átomos
se movem através da estrutura cristalina devido a gradientes de
concentração ou gradientes de energia. Existem diferentes mecanismos
de difusão, como a difusão por lacunas, em que os átomos se movem
através de vacâncias, e a difusão por interstícios, em que os átomos se
movem através de espaços intersticiais.

Controlar ou alterar essas movimentações é o que altera as


propriedades dos materiais. Nas ligas metálicas, por exemplo, as
imperfeições podem ser controladas para melhorar as propriedades
mecânicas e a resistência à corrosão. Nas cerâmicas, as imperfeições
podem afetar a condutividade elétrica e a resistência mecânica. Veremos
algumas dessas influências a seguir.

4. Influência das imperfeições nas


propriedades dos materiais

As imperfeições nos materiais têm um impacto significativo em suas


propriedades, afetando sua resistência mecânica, condutividade
elétrica e térmica, estabilidade química, entre outras características.
Compreender esses efeitos é essencial para projetar materiais com
26

propriedades desejáveis e melhorar o desempenho dos materiais em


diversas aplicações.

Começaremos pela resistência mecânica. As discordâncias, que são


imperfeições lineares, podem atuar como obstáculos ao movimento
de deslizamento dos planos atômicos, aumentando a resistência do
material. Isso é observado em ligas metálicas, nas quais a introdução
controlada de discordâncias pode melhorar a resistência mecânica do
material. Um exemplo prático é o uso de tratamentos termomecânicos
para introduzir discordâncias em aços, aumentando sua resistência e
tenacidade.

As imperfeições também afetam a condutividade elétrica dos


materiais. As vacâncias e as imperfeições intersticiais podem
reduzir a condutividade elétrica, pois interrompem o fluxo de
elétrons. Por outro lado, as substituições podem aumentar ou
diminuir a condutividade elétrica, dependendo das propriedades do
átomo substituinte. Um exemplo prático é o uso de dopantes em
semicondutores, em que a introdução controlada de substituições
pode alterar a condutividade elétrica e permitir a fabricação de
dispositivos eletrônicos, como transistores e circuitos integrados,
nos quais a dopagem permite o controle do fluxo de elétrons. Por
exemplo, a introdução de impurezas do tipo p ou n em silício permite
a fabricação de transistores de junção bipolar (BJT) ou transistores
de efeito de campo (FET), que são componentes essenciais em
circuitos eletrônicos. Nas células solares, a introdução controlada
de imperfeições em materiais semicondutores permite a absorção
eficiente da luz solar e a geração de corrente elétrica, melhorando a
eficiência de conversão de energia. A condutividade térmica é outra
propriedade que pode ser alterada. Nesse caso, as imperfeições
costumam afetar a transferência de calor em um material, pois
interferem no movimento dos átomos, que é o caso das discordâncias
e das imperfeições intersticiais. No entanto, em alguns casos, as
27

imperfeições podem aumentar a condutividade térmica. Por exemplo,


nas cerâmicas, a introdução controlada de imperfeições pode criar
caminhos preferenciais para a transferência de calor, melhorando a
condutividade térmica do material.

A estabilidade química dos materiais também é influenciada pelas


imperfeições. As vacâncias e as imperfeições intersticiais podem
criar sítios reativos, nos quais reações químicas indesejáveis podem
ocorrer, levando à degradação do material. Por outro lado, as
substituições podem melhorar a estabilidade química, tornando
o material mais resistente à corrosão ou à oxidação. Um exemplo
prático é o uso de ligas metálicas com substituições específicas para
melhorar a resistência à corrosão em ambientes agressivos. Por
isso, elementos, como cromo e níquel, costumam ser adicionados
ao aço. Para controlar e manipular as imperfeições nos materiais,
existem diversas técnicas disponíveis, tais como os tratamentos
térmicos específicos, que são utilizados para introduzir ou eliminar
imperfeições. Nesse sentido, a recristalização é utilizada para eliminar
discordâncias, e a têmpera, para introduzir discordâncias. Além
disso, técnicas de dopagem podem ser empregadas para controlar
as substituições em materiais semicondutores, e a nanotecnologia
também oferece a possibilidade de manipular imperfeições em escala
atômica, permitindo a criação de materiais com propriedades sob
medida.

As imperfeições controladas em materiais têm diversas aplicações


práticas. Por exemplo, na indústria aeroespacial, ligas metálicas com
imperfeições controladas são utilizadas para fabricar componentes
estruturais leves e resistentes. Além disso, nas indústrias de energia,
materiais com imperfeições controladas são utilizados em turbinas
eólicas, células solares e baterias de íons de lítio, melhorando sua
eficiência e seu desempenho.
28

Conectando à Realidade: Exemplos Práticos

Na indústria aeroespacial, é essencial utilizar materiais que sejam leves


e resistentes para fabricar componentes estruturais de aeronaves. Uma
forma de alcançar essas propriedades desejáveis é através da introdução
controlada de imperfeições nas ligas metálicas.

A multiplicação das discordâncias nas ligas metálicas pode aumentar


sua resistência mecânica, pois as discordâncias atuam como obstáculos
ao movimento de deslizamento dos planos atômicos, dificultando a
deformação plástica do material. Isso torna as ligas metálicas mais
resistentes a forças externas, como as que atuam sobre uma aeronave
durante o voo.

Além disso, a introdução controlada de substituições nas ligas metálicas


pode melhorar sua resistência à corrosão. Substituir átomos de um
metal por átomos de outro metal pode alterar a estrutura cristalina e
criar uma barreira para a corrosão. Isso é especialmente importante na
indústria aeroespacial, na qual as aeronaves estão expostas a ambientes
agressivos, como a umidade e os produtos químicos presentes na
atmosfera.

O exemplo prático que ilustra essa influência das imperfeições nos


materiais é a utilização de ligas de alumínio na fabricação de aeronaves.
O alumínio puro é um metal leve, porém relativamente fraco. Para
torná-lo adequado para uso aeroespacial, é necessário adicionar outros
elementos à sua estrutura, formando ligas metálicas mais resistentes.

Uma liga de alumínio comumente utilizada na indústria aeroespacial é a


liga de alumínio 7075. Essa liga é composta, principalmente, por alumínio,
mas também contém pequenas quantidades de zinco, magnésio, cobre
e outros elementos. A adição desses elementos cria imperfeições
controladas na estrutura cristalina do alumínio, melhorando suas
propriedades mecânicas.
29

A introdução de discordâncias na liga de alumínio 7075 aumenta


sua resistência mecânica, permitindo que a aeronave suporte cargas
mais elevadas e resista a condições extremas, como turbulências e
mudanças bruscas de temperatura. Além disso, a adição de elementos,
como o cobre e o magnésio, melhora a resistência à corrosão da liga,
protegendo-a da ação de agentes corrosivos presentes no ambiente
aeroespacial.

Referências
CALLISTER JR., W. D.; RETHWISCH, D. G. Ciência e Engenharia de Materiais: uma
introdução. 10. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2024.
30

Mecanismos de difusão e
diagramas de fases
Autoria: Mariana Gerardi de Mello Nassif
Leitura crítica: Elaine Cristina Marques Esper

Objetivos
• Compreender os conceitos de difusão, seus
mecanismos e os fatores envolvidos.

• Entender a solução sólida e o mecanismo de


endurecimento por solução sólida.

• Discutir os princípios e as aplicações dos diagramas


de fases.
31

1. Mecanismos de difusão em sólidos

A difusão em sólidos é um fenômeno fundamental que ocorre devido


ao movimento de átomos ou moléculas através da estrutura cristalina.
Existem diferentes mecanismos de difusão em sólidos, sendo os
principais: difusão por lacunas, difusão intersticial e difusão por contorno
de grão. Esses mecanismos são influenciados por fatores, como
temperatura, concentração e microestrutura do material. O estudo desses
mecanismos é essencial para entender a difusão em materiais e suas
aplicações em áreas como tratamentos térmicos, crescimento e formação
das estruturas cristalinas e dopagem de materiais semicondutores.

A difusão por lacunas é um dos mecanismos mais comuns de difusão


em sólidos. Nesse processo, os átomos vizinhos deixam lacunas em suas
posições na rede cristalina, e outros átomos se movem para ocupar essas
lacunas. Isso ocorre mediante a aplicação de calor, que fornece energia
para os átomos se moverem. A taxa de difusão por lacunas pode ser
calculada usando a equação de Arrhenius, que relaciona a taxa de difusão
com a temperatura.

Outro mecanismo de difusão em sólidos é a difusão intersticial. Nesse


mecanismo, os átomos se movem através de posições intersticiais, ou
seja, os espaços vazios entre os átomos ao longo da rede cristalina. Assim,
a difusão intersticial é comum em materiais com átomos menores que
podem se encaixar nas posições intersticiais.

Outro mecanismo é a difusão por contorno de grão, que ocorre ao longo


das interfaces entre os grãos individuais em um material policristalino.
A difusão por contorno de grão ocorre devido à diferença de estrutura
cristalina entre os grãos. Os átomos podem se mover mais facilmente
ao longo dos contornos de grão, pois essas regiões apresentam uma
estrutura cristalina menos ordenada.
32

Um dos principais efeitos que utilizam os conceitos de difusão é o


conceito de endurecimento por solução sólida. Para isso, é importante
definirmos solução sólida: uma solução sólida é um tipo de mistura
homogênea em que os átomos de um ou mais elementos são distribuídos
uniformemente dentro da estrutura cristalina de um metal ou outro
material sólido. Em outras palavras, é uma fase sólida contendo dois ou
mais componentes misturados em nível atômico. Uma solução sólida
não é uma mistura, pois seus componentes se dissolvem um no outro,
formando uma nova fase.

O endurecimento por solução sólida é um mecanismo de fortalecimento


dos materiais metálicos que ocorre quando átomos de um elemento
(soluto) são adicionados a um metal base (solvente), formando uma
solução sólida. Esse processo aumenta a resistência e a dureza do
material ao dificultar o movimento das discordâncias, que são defeitos
lineares na estrutura cristalina responsáveis pela deformação plástica.

Átomos de soluto são introduzidos na matriz do metal solvente. Esses


átomos podem se posicionar em sítios substitucionais (substituindo
átomos do solvente) ou intersticiais (ocupando espaços intersticiais entre
os átomos do solvente).

A presença de átomos de soluto causa distorções na rede cristalina do


metal solvente. Isso ocorre porque os átomos de soluto, geralmente, têm
tamanhos diferentes dos átomos do solvente, criando tensões locais na
estrutura cristalina.

As tensões locais causadas pelos átomos de soluto interagem com


as discordâncias, dificultando seu movimento. O movimento das
discordâncias é essencial para a deformação plástica, e qualquer
impedimento a esse movimento aumenta a resistência do material.
33

Nem todos os elementos podem ser adicionados em grandes quantidades


devido às limitações de solubilidade no metal solvente.

Como você deve ter percebido, o entendimento desses conceitos faz com
que propriedades sejam mais bem compreendidas e possam ser alteradas.
Além da difusão, que controla a cinética das transformações de fase e a
evolução microestrutural dos materiais, outro conceito importante são
os diagramas de fases, os quais fornecem o mapa das fases estáveis em
diferentes condições de temperatura e de quantidade de cada material
presente. A difusão e os diagramas de fases estão intimamente ligados, e
entender essa relação é crucial para o desenvolvimento e processamento
de materiais com propriedades desejadas.

2. Tipos de diagramas de fases


Os diagramas de fases são construídos com base em dados
experimentais e cálculos termodinâmicos para determinar as condições
em que ocorrem as transformações de fase. Essas transformações são
regidas pelas leis da termodinâmica, que estabelecem as condições de
equilíbrio entre as fases.

Relacionada ao equilíbrio termodinâmico, a regra das fases de Gibbs é


uma fórmula fundamental na termodinâmica que relaciona o número
de fases em equilíbrio com o número de componentes e as variáveis
intensivas do sistema. Ela é expressa pela seguinte equação:

F=C-P+2

Onde:

• F é o número de graus de liberdade (ou variáveis intensivas que


podem ser alteradas independentemente sem mudar o número de
fases em equilíbrio, como temperatura, pressão, concentração).
34

• C é o número de componentes químicos independentes no


sistema.

• P é o número de fases em equilíbrio. Refere-se às diferentes


formas físicas em que os componentes podem existir, como sólido,
líquido e gás.

Essa fórmula pressupõe um equilíbrio termodinâmico, o que nem


sempre ocorre em condições reais.

Existem diferentes tipos de diagramas de fases, cada um adequado para


diferentes sistemas materiais e composições. Os diagramas binários são
aqueles que envolvem dois componentes e são os mais comuns entre os
materiais metálicos. Quando se consideram dois elementos que formam
apenas uma fase sólida, dizemos que o diagrama de fases é isomorfo.
No entanto, aprofundaremos o estudo em um diagrama binário mais
comum, o diagrama ferro-carbono, que é amplamente utilizado na
metalurgia e engenharia de materiais, uma vez que o aço é um dos
principais materiais aplicados industrialmente.

Figura 1 – Diagrama de fases ferro-carbono

Fonte: lightningmcqueen/adobe.adobe.com.
35

No diagrama Fe-C, diferentes fases coexistem em função da temperatura


e do teor de carbono. O ferro, em temperatura ambiente, forma uma
estrutura do tipo cúbica de corpo centrado, e os átomos de carbono
ficam localizados nos interstícios dessa estrutura CCC.

Sobre as principais informações que podem ser encontradas no


diagrama de fases do sistema Fe-C, temos:

• Fases principais

• Ferrita (α): é uma solução sólida de carbono em ferro com


estrutura cristalina cúbica de corpo centrado (CCC). Tem baixa
solubilidade de carbono (máximo de 0,022% a 723 °C). É magnética
até 768 °C (ponto de Curie).

• Austenita (γ): é uma solução sólida de carbono em ferro com


estrutura cristalina cúbica de face centrada (CFC). Pode dissolver
até 2,06% de carbono a 1147 °C. Não é magnética.

• Cementita (Fe₃C): é um composto intermetálico de ferro e carbono


(6,67% de carbono). É dura e frágil.

• Perlita: é uma microestrutura constituída por lamelas alternadas


de ferrita e cementita. Forma-se a partir da austenita durante o
resfriamento lento.

• Transformações de fase

• Transformação Eutetoide: austenita se transforma em perlita


ao resfriar abaixo de 727 °C para uma concentração de 0,8% em
massa de carbono.

• Transformação Eutética: Líquido se transforma em austenita e


cementita a 1147 °C e em uma concentração de 4,3% me massa de
carbono.
36

• Transformação Peritética: líquido e ferrita se transformam em


austenita a 1495 °C.

Os diagramas de fase também podem ser ternários, ou seja, envolver


três componentes. Um exemplo é o diagrama alumínio-silício-magnésio,
que é utilizado na indústria de fundição de ligas de alumínio.

Além dos diagramas binários e ternários, existem também os diagramas


de fases complexos, que envolvem mais de três componentes ou
apresentam fases intermediárias. Esses diagramas são mais complexos
e exigem uma análise mais detalhada.

3. Aplicações dos diagramas de fases

Uma das aplicações dos diagramas de fases é no projeto de ligas. Ao


analisar um diagrama de fases, é possível identificar as composições
e temperaturas adequadas para obter propriedades específicas em
uma liga. Por exemplo, se deseja-se desenvolver uma liga com alta
resistência mecânica e boa resistência à corrosão, o diagrama de fases
pode ser utilizado para determinar as composições e temperaturas que
proporcionam essas características desejadas.

Outra aplicação importante dos diagramas de fases é no controle de


processos de solidificação. Ao analisar o diagrama de fases de uma liga
metálica, é possível determinar a sequência de transformações de fase
que ocorrem durante a solidificação. Essas informações são cruciais para
controlar a microestrutura resultante, que influencia diretamente as
propriedades mecânicas e a capacidade de processamento do material.
Portanto, os diagramas de fases são utilizados na indústria de fundição
para garantir a obtenção de microestruturas desejadas nos produtos
finais.
37

No caso do aço, por exemplo, as transformações de fases apresentadas


no diagrama de fases ocorrem mediante resfriamento lento, sendo
comuns os processos de recozimento e normalização na região próxima
ou dentro da fase austenítica. O resfriamento lento resulta na formação
de fase perlita. Para aumentar a resistência do aço, o processo de
tempera envolve o resfriamento rápido após a austenitização do aço,
que dá origem à fase martensita, de estrutura tetragonal de corpo
centrado, mais dura do que a perlita. Por que isso acontece? Por falta
de tempo hábil para que ocorra o processo de difusão e a estrutura CFC
da austenita se torne a estrutura CCC da ferrita. Assim, o conhecimento
em diagramas de fases e difusão leva à obtenção de um material com
propriedades desejadas e únicas.

A seleção de materiais também se beneficia dos diagramas de


fases. Ao considerar as propriedades desejadas e as condições de
processamento, é possível utilizar o diagrama de fases para identificar
os materiais que atendem a esses requisitos. Por exemplo, ao projetar
um componente que será exposto a altas temperaturas, é importante
escolher um material que não sofra transformações indesejadas em sua
microestrutura nessa faixa de temperatura. O diagrama de fases auxilia
na escolha do material mais adequado para essa aplicação específica.

Além dessas aplicações práticas, os diagramas de fases também são


utilizados em estudos científicos para entender o comportamento dos
materiais em diferentes condições termodinâmicas. Eles permitem a
compreensão dos fenômenos que ocorrem durante as transformações
de fase, contribuindo para o desenvolvimento de novos materiais com
propriedades específicas.
38

Conectando à Realidade: Exemplos Práticos

Você é um engenheiro de materiais trabalhando em uma empresa


aeroespacial. Sua equipe recebeu a tarefa de desenvolver uma nova liga
metálica para as pás das turbinas de motores a jato. Essas pás precisam
ter alta resistência mecânica, resistência à corrosão e estabilidade em
altas temperaturas para garantir a eficiência e segurança do motor.

Passos para resolver a situação:

Análise dos requisitos:

Identificar as propriedades mecânicas, a resistência à corrosão e a


estabilidade térmica necessárias para as pás das turbinas.

Determinar a faixa de temperatura de operação das pás, que pode


chegar a mais de 1.000 °C.

Consulta ao Diagrama de Fases:

Utilizar diagramas de fases binários e ternários para identificar possíveis


combinações de elementos que formem ligas com as propriedades
desejadas.

Por exemplo, consultar o diagrama níquel-crômio-alumínio (Ni-Cr-Al) para


entender como diferentes teores desses elementos influenciam as fases
presentes e suas propriedades mecânicas e térmicas.

Seleção dos elementos de liga:

Escolher elementos de liga que possam ser adicionados ao níquel para


melhorar a resistência mecânica e a resistência à corrosão em altas
temperaturas. Elementos, como cobalto (Co), molibdênio (Mo) e tântalo
(Ta), são frequentemente utilizados para essas finalidades.

Verificar a solubilidade desses elementos no níquel e como eles afetam a


microestrutura da liga, utilizando diagramas de fases apropriados.
39

Simulação e testes:

Realizar simulações computacionais para prever o comportamento da


nova liga sob condições de operação.

Produzir amostras da liga e realizar testes de laboratório para avaliar


suas propriedades mecânicas, resistência à corrosão e estabilidade
térmica.

Otimização e ajustes:

Analisar os resultados dos testes e ajustar a composição da liga conforme


necessário.

Utilizar o conhecimento sobre difusão em sólidos para entender


como os tratamentos térmicos podem ser aplicados para otimizar a
microestrutura e as propriedades da liga.

Implementação:

Após a validação da nova liga, iniciar a produção em escala das pás das
turbinas utilizando a liga desenvolvida.

Monitorar o desempenho das pás em campo e realizar ajustes conforme


necessário para garantir a qualidade e a durabilidade dos produtos

Referências
ASKELAND, D. R.; WRIGHT, W. J. Ciência e Engenharia dos Materiais. 9. ed. São
Paulo: Cengage Learning, 2019.
CALLISTER JR., W. D.; RETHWISCH, D. G. Ciência e Engenharia de Materiais: uma
introdução. 10. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2024.
40

Propriedades dos materiais


Autoria: Mariana Gerardi de Mello Nassif
Leitura crítica: Elaine Cristina Marques Esper

Objetivos
• Apresentar o panorama geral das principais
propriedades dos materiais.

• Compreender as propriedades mecânicas dos


materiais.

• Avaliar a resistência dos materiais.

• Investigar as propriedades térmicas dos materiais.

• Explorar as propriedades magnéticas dos materiais.

• Entender as propriedades ópticas dos materiais.


41

1. Introdução

O estudo das propriedades dos materiais é crucial para a Ciência dos


Materiais e as engenharias, influenciando a eficiência, a segurança e
a durabilidade dos produtos. Essas propriedades são classificadas em
físicas, químicas e outras específicas.

Propriedades físicas incluem propriedades mecânicas (tensão,


deformação, elasticidade, resistência, dureza), térmicas (condutividade
térmica, expansão térmica), magnéticas (momento magnético, domínios
magnéticos) e ópticas (reflexão, refração, absorção, transparência).

Já as propriedades químicas abrangem a reatividade química (oxidação,


corrosão), a estabilidade química (térmica, à luz) e a composição química
(elementos constituintes, estrutura molecular).

Ainda podemos nos referir a outras propriedades, como propriedades


elétricas (condutividade, resistividade), acústicas (velocidade do som,
absorção acústica), de processamento (usinabilidade, soldabilidade) e
estruturais (densidade, porosidade).

Compreender essas propriedades é essencial para a seleção e aplicação


adequada dos materiais em diversas indústrias, garantindo produtos
eficientes, seguros e duráveis.

Aprofundaremos nosso estudo nas principais propriedades para


variadas aplicações.
42

2. Propriedades mecânicas

2.1 Tensão e deformação

A tensão (σ ) é definida como a força aplicada por unidade de área


em um material. É expressa em unidades de pressão, como Pascal
(Pa) ou MegaPascal (MPa). A deformação (ε ), por sua vez, é a medida
da mudança na forma ou no tamanho (comprimento deformado/
comprimento inicial) de um material em resposta à aplicação de uma
força, sendo uma medida adimensional. A deformação pode ser elástica,
quando o material retorna à sua forma original após a remoção da força,
ou plástica, quando a deformação é permanente.

A Figura 1 mostra a curva tensão-deformação, uma representação


gráfica da relação entre a tensão aplicada a um material e a deformação
resultante. Essa curva é fundamental para entender o comportamento
mecânico dos materiais. Inicialmente, a curva é linear, indicando um
comportamento elástico, cuja tensão é proporcional à deformação.
O ponto em que a curva deixa de ser linear é conhecido como limite
de elasticidade, ou tensão de escoamento, ou limite de fluência, (σe)
como mostrado no gráfico. Além desse ponto, o material começa a se
deformar plasticamente. O ponto T mostrado no gráfico é o valor de
tensão máxima (σmáx) suportada pelo material, conhecido também por
limite de resistência à tração (LRT). Já o ponto k representa o ponto de
ruptura do material.

O Módulo de Young, ou módulo de elasticidade, é uma medida da


rigidez de um material. É definido como a razão entre a tensão e a
deformação na região elástica da curva tensão-deformação. Materiais
com um alto Módulo de Young são mais rígidos e menos propensos a
deformações elásticas.
43

Figura 1 – Gráfico tensão-deformação

Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Fluencia.jpg. Acesso em: 21 ago. 2024.

2.2 Elasticidade e plasticidade

O comportamento elástico de um material é caracterizado pela


sua capacidade de retornar à forma original após a remoção da
força aplicada. Já o comportamento plástico envolve deformações
permanentes, em que o material não retorna à sua forma original. A
transição entre esses dois comportamentos é marcada pelo limite de
elasticidade.

O limite de elasticidade é o ponto na curva tensão-deformação no qual


o material deixa de se comportar elasticamente e começa a se deformar
plasticamente. Esse ponto é crucial para o projeto de componentes que
devem manter sua integridade estrutural sob cargas operacionais.

A deformação permanente ocorre quando um material é submetido


a tensões além do seu limite de elasticidade. Essa deformação é
irreversível e pode comprometer a funcionalidade e a segurança
de componentes estruturais. Porém, para alguns processos de
transformação, como trefilação ou laminação, a deformação
permanente é importante tanto para dar forma ao produto final quanto
para aumentar a resistência do material.
44

2.3 Resistência dos materiais

Existem vários tipos de resistência mecânica importantes para


os materiais que estão diretamente relacionados às aplicações
de forças nos materiais, que podem ocorrer por meio de tração,
compressão, cisalhamento ou torção. Assim, existem resistências à
tração, à compressão e ao cisalhamento. A resistência à tração é a
capacidade de um material de suportar forças que tendem a alongá-
lo. A resistência à compressão é a capacidade de suportar forças que
tendem a esmagá-lo. A resistência ao cisalhamento é a capacidade
de suportar forças que tendem a deslizar uma parte do material
em relação à outra. Cada uma dessas resistências é crucial para
diferentes aplicações e determina a escolha do material para usos
específicos.

A dureza é a resistência de um material à penetração, geralmente


medida pela resistência à penetração de um indentador. Materiais
duros são utilizados em aplicações nas quais a resistência ao
desgaste é importante, como em ferramentas de corte e superfícies
de rolamento.

Outras resistências importantes para a aplicação dos materiais


incluem a tenacidade e a resiliência. A tenacidade é a capacidade
de um material absorver energia e se deformar plasticamente
antes de fraturar. A resiliência é a capacidade de um material de
absorver energia elástica e retornar à sua forma original. Ambos são
importantes para materiais que devem suportar impactos e cargas
dinâmicas.

Além de todas essas propriedades mecânicas para os materiais,


também é importante prever ou entender o que acontecerá com
o material durante o momento de sua quebra. Por isso, estudamos
fenômenos como fadiga e fratura.
45

2.4 Fadiga e fratura

A fadiga é o enfraquecimento de um material devido a cargas cíclicas


repetidas. Mesmo tensões abaixo do limite de elasticidade podem
causar falhas por fadiga após um número suficiente de ciclos de
carga. Vários fatores influenciam a fadiga, incluindo a amplitude e a
frequência das cargas cíclicas, a presença de concentrações de tensão, a
temperatura e o ambiente químico. Projetistas devem considerar esses
fatores para garantir a longevidade e a segurança dos componentes.

A fratura pode ocorrer de forma dúctil, em que o material se deforma


significativamente antes de quebrar, ou de forma frágil, em que
a fratura ocorre com pouca ou nenhuma deformação plástica. A
compreensão dos mecanismos de fratura é essencial para prevenir
falhas catastróficas em componentes estruturais. Na Figura 2, regiões
alveolares representando a fratura dúctil, e as regiões de fratura frágil
são destacadas na segunda imagem.

Figura 2 – Fratura dúctil versus fratura mista

Fonte: Connect Images/adobe.stock.com.

Além do entendimento de todas as propriedades mecânicas, a aplicação


dos materiais é dependente de todas as outras propriedades. Neste tema,
entenderemos quais são as propriedades térmicas, elétricas e ópticas.
46

3. Propriedades térmicas

3.1 Condutividade térmica

A condutividade térmica é a propriedade dos materiais que define a


sua capacidade de conduzir calor. Existem três mecanismos principais
de condução de calor: condução, convecção e radiação. A condução
térmica é o mecanismo predominante em sólidos e ocorre através da
transferência de energia cinética entre átomos e moléculas adjacentes.
Em metais, a condução de calor é facilitada pela movimentação de
elétrons livres, enquanto em materiais não metálicos, a condução ocorre
principalmente através de vibrações da rede cristalina (fônons).

Os materiais condutores térmicos, como metais (cobre, alumínio),


possuem alta condutividade térmica devido à presença de elétrons livres
que facilitam a transferência de calor. Por outro lado, materiais isolantes
térmicos, como a lã de vidro e o poliestireno expandido, possuem baixa
condutividade térmica. Esses materiais são utilizados para minimizar
a transferência de calor, sendo ideais para aplicações em isolamento
térmico em edifícios e equipamentos.

3.2 Expansão térmica

A expansão térmica é a tendência dos materiais de mudar de volume


em resposta a uma variação de temperatura. O coeficiente de expansão
térmica (CET) é uma medida quantitativa dessa mudança, e é definido
como a variação fracional no comprimento ou volume por unidade de
variação de temperatura. Materiais com um alto CET expandem-se mais
com o aumento da temperatura, enquanto materiais com um baixo CET
apresentam menor expansão.

A expansão térmica tem um impacto significativo em diversas


aplicações práticas. Em estruturas de engenharia, como pontes e
47

edifícios, é essencial considerar a expansão térmica para evitar falhas


estruturais. Juntas de dilatação são frequentemente incorporadas
em projetos de construção para acomodar a expansão e a contração
térmica. Em componentes eletrônicos, a diferença nos coeficientes de
expansão térmica entre materiais pode levar a tensões internas e falhas
prematuras, exigindo o uso de materiais compatíveis.

3.3 Capacidade térmica

A capacidade térmica, ou capacidade calorífica, ou calor específico,


de um material é a quantidade de calor necessária para elevar a
temperatura de uma unidade de massa do material em uma unidade
de temperatura, sendo expresso em unidades de J/(kg·K). Materiais com
alto calor específico podem absorver grandes quantidades de calor sem
uma mudança significativa na temperatura, o que é útil em aplicações
que exigem controle térmico, como em sistemas de resfriamento.

A radiação térmica é a transferência de calor através de ondas


eletromagnéticas e pode ocorrer no vácuo. A compreensão desses
mecanismos é crucial para o design de sistemas eficientes de
gerenciamento térmico em diversas indústrias, incluindo a eletrônica e a
aeroespacial.

3.4 Resistência ao choque térmico

A resistência ao choque térmico é a capacidade de um material de


resistir a variações rápidas de temperatura sem sofrer danos, como
trincas ou fraturas. Essa propriedade é particularmente importante
em aplicações nas quais os materiais são expostos a ciclos térmicos
extremos, como em motores de combustão interna, reatores nucleares
e componentes aeroespaciais.
48

Materiais cerâmicos avançados, como a alumina e o carbeto de silício,


são conhecidos por sua alta resistência ao choque térmico. Esses
materiais são utilizados em aplicações que exigem estabilidade térmica
e resistência a variações bruscas de temperatura. Vidros borossilicatos,
como o Pyrex, também apresentam boa resistência ao choque térmico
e são amplamente utilizados em utensílios de cozinha e equipamentos
laboratoriais.

4. Propriedades magnéticas
O momento magnético é uma propriedade fundamental dos materiais
que descreve a força e a direção de seu magnetismo. Ele é gerado
pelo movimento dos elétrons em torno do núcleo atômico e pelo
spin dos elétrons. Em termos simples, o momento magnético pode
ser visualizado como um pequeno ímã associado a cada átomo ou
molécula. Se os elétrons de um material estão emparelhados, os
momentos magnéticos se anulam, e se o material contém elétrons
desemparelhados, os momentos magnéticos podem responder ou
formar campos magnéticos. Assim, podemos entender que a soma dos
momentos magnéticos individuais resulta no comportamento magnético
macroscópico do material.

Os domínios magnéticos são regiões dentro de um material


ferromagnético onde os momentos magnéticos dos átomos estão
alinhados na mesma direção. Em um material não magnetizado, esses
domínios estão orientados aleatoriamente, resultando em um campo
magnético líquido nulo. Quando o material é magnetizado, os domínios
se alinham na direção do campo magnético aplicado, aumentando a
magnetização do material. A compreensão dos domínios magnéticos
é crucial para explicar o comportamento magnético de materiais
ferromagnéticos e suas aplicações práticas.
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4.1 Tipos de materiais magnéticos

Diamagnéticos

Materiais diamagnéticos são aqueles que exibem uma magnetização


negativa em resposta a um campo magnético aplicado. Isso significa que
eles criam um campo magnético oposto ao campo aplicado, resultando
em uma leve repulsão. Exemplos de materiais diamagnéticos incluem
cobre, ouro e bismuto. Embora o efeito diamagnético seja geralmente
fraco, ele é uma propriedade universal de todos os materiais, sendo
comum em polímeros, madeiras e na maioria das cerâmicas

Paramagnéticos

Materiais paramagnéticos possuem momentos magnéticos atômicos ou


moleculares que se alinham parcialmente com um campo magnético
aplicado, resultando em uma magnetização positiva. No entanto, essa
magnetização é fraca e desaparece quando o campo magnético é
removido. Exemplos de materiais paramagnéticos incluem alumínio,
platina e oxigênio líquido. A magnetização paramagnética é geralmente
observada a temperaturas elevadas, quando a energia térmica impede
o alinhamento completo dos momentos magnéticos. A maioria dos
materiais ferrosos são paramagnéticos, devido à presença de elétrons
desemparelhados em sua estrutura. Se a magnetização do material
ferroso for muito forte, ele se comportará como um ímã, ou seja, como
um material ferromagnético.

Ferromagnéticos

Materiais ferromagnéticos exibem uma forte magnetização mesmo


na ausência de um campo magnético externo. Isso ocorre devido ao
alinhamento espontâneo dos momentos magnéticos em grandes
regiões chamadas domínios magnéticos. Exemplos de materiais
ferromagnéticos incluem ferro, níquel e cobalto. Esses materiais são
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amplamente utilizados em aplicações tecnológicas devido à sua alta


permeabilidade magnética e capacidade de reter magnetização.

Antiferromagnéticos e ferrimagnéticos

Materiais antiferromagnéticos possuem momentos magnéticos


atômicos que se alinham em direções opostas, resultando em uma
magnetização líquida nula. Exemplos incluem óxido de manganês
(MnO) e óxido de ferro (FeO). Materiais ferrimagnéticos, por outro lado,
possuem momentos magnéticos que se alinham em direções opostas,
mas com magnitudes diferentes, resultando em uma magnetização
líquida não nula. Exemplos incluem magnetita (Fe3O4) e granada de ítrio
e ferro (YIG). Esses materiais são utilizados em aplicações como gravação
magnética e dispositivos de micro-ondas.

Curva de Histerese - Ciclo de Magnetização e Desmagnetização

A curva de histerese descreve a relação entre o campo magnético


aplicado e a magnetização resultante em um material ferromagnético.
Durante a magnetização, a magnetização do material aumenta à medida
que o campo magnético aplicado aumenta, até atingir a saturação,
na qual todos os domínios magnéticos estão alinhados. Durante a
desmagnetização, a magnetização diminui, mas não segue o mesmo
caminho da magnetização, resultando em uma curva de histerese.
Esse comportamento é devido à energia necessária para reorientar os
domínios magnéticos.

Coercividade e remanência

A coercividade é a intensidade do campo magnético necessário para


reduzir a magnetização de um material a zero após a saturação. A
remanência é a magnetização residual que permanece em um material
após a remoção do campo magnético aplicado. Materiais com alta
coercividade e remanência são utilizados em ímãs permanentes,
enquanto materiais com baixa coercividade são utilizados em núcleos
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de transformadores e indutores, onde a facilidade de magnetização e


desmagnetização é desejável.

5. Propriedades ópticas
A interação da luz com materiais pode resultar em três fenômenos
principais: reflexão, refração e absorção. A reflexão ocorre quando
a luz incide sobre uma superfície e é redirecionada de volta ao meio
original. A quantidade de luz refletida depende das propriedades do
material e do ângulo de incidência. A refração é a mudança na direção
de propagação da luz ao passar de um meio para outro com diferentes
índices de refração. A absorção ocorre quando a energia da luz é
transferida para o material, geralmente convertendo-se em calor. A
eficiência com que um material absorve luz depende de sua composição
e estrutura.

O índice de refração é uma medida de quanto a velocidade da luz é


reduzida dentro de um material em comparação com o vácuo. É definido
como a razão entre a velocidade da luz no vácuo e a velocidade da luz
no material. Materiais com um índice de refração alto, como o vidro e o
diamante, dobram a luz mais significativamente do que materiais com
um índice de refração baixo, como o ar. O índice de refração é crucial
para o design de lentes, prismas e outros dispositivos ópticos.

Transparência e opacidade

A transparência de um material é a sua capacidade de permitir a


passagem da luz. Materiais transparentes, como o vidro e alguns
plásticos amorfos, permitem que a luz passe através deles com mínima
dispersão, permitindo uma visão clara através do material. Materiais
translúcidos, como o papel vegetal e alguns tipos de vidro fosco,
permitem a passagem de luz, mas dispersam-na de tal forma que
objetos do outro lado não são claramente visíveis. Materiais opacos,
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como metais e madeira, não permitem a passagem de luz, absorvendo


ou refletindo toda a luz incidente.

Propriedades fotônicas

A emissão de luz ocorre quando um material libera energia na forma


de fótons. Isso pode acontecer de várias maneiras, incluindo a emissão
térmica, em que a energia térmica é convertida em luz, e a emissão
estimulada, em que a luz incidente provoca a emissão de fótons
adicionais. A absorção de luz, por outro lado, ocorre quando os fótons
são absorvidos pelos átomos ou pelas moléculas do material, elevando-
os a estados de energia mais altos.

Fotoluminescência e fluorescência

A fotoluminescência é a emissão de luz por um material após a


absorção de fótons. Existem dois tipos principais de fotoluminescência:
fluorescência e fosforescência. A fluorescência é a emissão rápida
de luz após a absorção, geralmente ocorrendo em nanosegundos.
A fosforescência, por outro lado, é um processo mais lento, no qual
a emissão de luz pode continuar por segundos ou até minutos após
a excitação inicial. Esses fenômenos são explorados em diversas
aplicações, desde marcadores biológicos até materiais de segurança.

Conectando à Realidade: Exemplos Práticos

Uma das aplicações mais notáveis das propriedades ópticas é nas


telecomunicações, nas quais as fibras ópticas revolucionaram a
transmissão de dados. Utilizando o princípio da reflexão interna total,
essas fibras permitem a transmissão de grandes volumes de dados a
longas distâncias com mínima perda de sinal. Isso é essencial para a
internet de alta velocidade, redes de comunicação global e sistemas de
transmissão de televisão por cabo.
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Na área médica, as propriedades ópticas são exploradas em dispositivos,


como endoscópios, que permitem a visualização interna do corpo
humano sem a necessidade de procedimentos invasivos. As fibras ópticas
são usadas para transmitir luz e imagens de alta resolução, facilitando
diagnósticos precisos e tratamentos minimamente invasivos.

Os dispositivos optoeletrônicos, como LEDs (diodos emissores de luz) e


lasers, são baseados nas propriedades de emissão de luz dos materiais.
Os LEDs são amplamente utilizados em iluminação doméstica e pública,
displays de dispositivos eletrônicos, semáforos e sinalização. Eles
são eficientes em termos de energia, têm uma longa vida útil e estão
disponíveis em uma ampla gama de cores. Os lasers, que produzem
um feixe de luz coerente e altamente colimado, têm aplicações em
comunicação óptica, cirurgia médica, corte e gravação de materiais e em
tecnologias de impressão 3D.

Além disso, as propriedades ópticas são essenciais em tecnologias de


visualização, como telas de cristal líquido (LCDs), telas de diodo orgânico
emissor de luz (OLEDs) e projetores. Esses dispositivos dependem da
manipulação precisa da luz para produzir imagens de alta qualidade
em uma variedade de dispositivos, desde televisores e monitores de
computador até smartphones e tablets.

Referências
ASKELAND, D. R.; WRIGHT, W. J. Ciência e Engenharia dos Materiais. 9. ed. São
Paulo: Cengage Learning, 2019.
CALLISTER JR., W. D.; RETHWISCH, D. G. Ciência e Engenharia de Materiais: uma
introdução. 10. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2024.
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