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9 - Capelania

A capelania hospitalar, originada do termo 'capellanus', desempenha um papel crucial na assistência espiritual e emocional aos pacientes, familiares e profissionais de saúde. Os capelães, que devem ter formação específica e permanente, atuam como representantes de Cristo, oferecendo conforto e apoio, enquanto promovem uma sociedade mais justa e solidária. A capelania busca integrar a espiritualidade com a prática médica, reconhecendo a importância da saúde integral do ser humano.
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9 - Capelania

A capelania hospitalar, originada do termo 'capellanus', desempenha um papel crucial na assistência espiritual e emocional aos pacientes, familiares e profissionais de saúde. Os capelães, que devem ter formação específica e permanente, atuam como representantes de Cristo, oferecendo conforto e apoio, enquanto promovem uma sociedade mais justa e solidária. A capelania busca integrar a espiritualidade com a prática médica, reconhecendo a importância da saúde integral do ser humano.
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PARTE 1 - HOSPITALAR

HISTÓRIA DA CAPELANIA

Conceito Histórico

Objetivos Gerais

A palavra capelania é derivada do latim e significa capellanus (CABO). Dentro do contexto


moderno, esse termo usualmente refere-se aos ministros religiosos que servem nas forças armadas,
visando a orientação espiritual dos homens.

Em muitos lugares ele é um oficial entre as tropas às quais serve. É o responsável pela vida
religiosa de seus homens e também atua como conselheiro religioso. Parece que o termo foi
aplicado pela primeira vez ao padre que tomava conta da capa (CAPPELA) de São Martinho de
Tours. A partir daí, se desenvolveram vários tipos de Capelães. O ofício de capelão expandiu-se e
alguns capelães passaram a exercer o poder eclesiástico antes da era contemporânea. Esse ofício
incluía homens nomeados para servir e conduzir a nobreza de outros clérigos da hierarquia
eclesiástica. Finalmente, os capelães passaram a ser nomeados para servir em quartéis, hospitais,
prisões e instituições de educação. A capelania militar é um antigo ofício. O título de capelão
hospitalar é também antigo e, usualmente, o capelão faz parte do pessoal assalariado do hospital. Os
capelães de Instituições de ensino, usualmente, são ministros do Evangelho: rabinos, padres e
pastores, que tomam conta de um Campus universitário ou de uma fundação religiosa
denominacional, localizada perto de um. Atualmente, na sociedade moderna, encontramos o
aparecimento dos capelães industriais. Os sacerdotes operários da França servem de exemplos desse
conceito. Eles ministravam enquanto trabalhavam, assegurando algumas posições de respeito na
indústria.

Objetivo:

Evangelizar com renovador ardor missionário o mundo da saúde, do social, nas instituições,
presídios, asilos. O capelão é a luz da opção preferencial pelos pobres. Na ajuda a enfermos e
desabrigados, participam ativamente da construção de uma sociedade justa e solidária a serviço da
vida pelo nome do nosso salvador Jesus Cristo.

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Capelania Hospitalar

Introdução:

I - O Papel do Capelão na Pastoral da Saúde

OBS: Nos referimos a doente(s) e paciente(s) tanto para o gênero masculino (homem) quanto para o feminino (mulher).

Uma das maiores necessidades do ser humano é ser amado e compreendido. Os


representantes dos hospitais ressaltam a importante contribuição da Capelania Hospitalar na cura
terapêutica, como uma ação que complementa o trabalho dos profissionais da saúde.

Os Capelães (Pastores, Missionários, Evangelistas, Padres, Teólogos), devem ter diante dos
olhos que o direito e o dever de exercer o apostolado é comum a todos os membros do corpo de
Cristo, sejam pastores ou membros e que na edificação da Igreja, os Capelães da saúde têm sua
função própria. Essas funções deverão ser desenvolvidas em união com todas as equipes
eclesiástico-hospitalares.
Falar da Capelania Hospitalar é falar de Jesus Cristo e de sua Igreja, na qual Ele continua
sua obra de cura e salvação integral. Curando fisicamente o enfermo, Jesus o devolve também à
vida social, restaurando as relações com os demais e sua comunhão com Deus. Portanto, os capelães
se colocam à disposição da comunidade e são indicados pelos seus pastores a serviço dos enfermos,
quer em domicílio (saúde comunitária) quer nos hospitais ou ainda atuando junto a movimentos na
dimensão político-institucional.

1- Quem é o Capelão da saúde?

O Capelão da saúde é aquele que, a exemplo de Jesus, expressa o amor misericordioso de


Cristo; a solidariedade e a gratuidade com os mais necessitados. Com o seu testemunho anuncia o
Deus da vida e o Cristo que salva e se compromete na construção de um mundo mais humano,
solidário e fraterno.
Primeiramente, é muito importante que o capelão tenha uma personalidade madura e
equilibrada, tornando-se sensível e ao mesmo tempo solidário ao problema do outro. Um capelão
bem formado usará menos “receitas prontas” e mais compreensão; menos repetição e mais
liberdade com a palavra de Deus. Suas características são muito importantes, pois sempre
transparecerá para os outros a identidade de Cristo, e sempre estará aberto para a compreensão do
próximo.
Sua identidade se manifesta da seguinte maneira: pelo sentimento de Cristo da existência
humana; pela fé amadurecida na piedade e na experiência; encarando o ato da visita ao doente como
ação terapêutica de saúde e salvação; sendo testemunha dos valores espirituais; evangelizando e
confortando os enfermos; orando e pregando o Evangelho de Cristo com eles, ajudando-os a
descobrir o verdadeiro sentido da vida; sendo disponível e paciente; sabendo escutá-los com
discrição e humildade; sofrendo com os que sofrem e alegrando-se com os que se alegram;
compreendendo as reações de quem padece; respeitando a religiosidade do enfermo sem lhe impor

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o próprio estilo de fé; aceitando o ritmo do amadurecimento humano e espiritual de cada pessoa;
sabendo passar da discussão à experiência de Deus; aliviando a solidão de alguns, a angústia de
muitos e abrindo a esperança de todos; incutindo confiança em Deus e dando paz e amor a todos,
sobretudo aos mais fracos. E, no amor de Cristo, ser fiel à sua missão (visitação aos enfermos).

2- A Preparação do Capelão

O Capelão necessita, para desenvolver sua missão, de formação específica e permanente.


Formação não é o luxo que alguns podem permitir-se, é uma condição indispensável para enfrentar
hoje as situações adversas e prestar uma assistência eficaz na direção da palavra de Cristo.
Estamos no começo do século XXI, vivendo num mundo em que todos os setores da
sociedade exigem pessoas capacitadas. Desde os trabalhos e profissões mais simples até os mais
complicados, sem distinção.

No hospital, mesmo para fazer limpeza, existe técnica e preparo. Hoje, o espaço é cada vez
menor para as improvisações. Por isso, o capelão da saúde precisa estar aberto e disposto para este
ensinamento. Como não se admite alguém que queira trabalhar como enfermeiro ou médico,
simplesmente por ele ser muito religioso ou ter muita fé, não é admissível que alguém que queira
ser agente de pastoral se dê ao luxo de ser incompetente.

É necessário que a Capelania da saúde seja assumida como uma ciência acompanhando
outras ciências, os novos modelos culturais, o progresso da técnica e o abandono de velhos
esquemas de interpretação mais adequados. Além de amor, carinho e compaixão para com o doente,
é preciso ter competência. É importante unir teorias e práticas. Como dizia Kurt Lewin: “Nada pode
ser tão prático como uma teoria”.

A finalidade dessa formação reside na aquisição de um estilo específico de relação e


acompanhamento pastoral aos doentes, familiares e profissionais, instituindo tanto na dimensão
espiritual como nas habilidades humanas, seguindo assim a recomendação das Igrejas Cristãs.

3- A Missão do Verdadeiro Capelão

Jesus confiou à sua Igreja, a missão de assistir e cuidar dos enfermos, perpetuando assim sua
mensagem de misericórdia. Se a Igreja não se ocupasse dos enfermos, não seria a Igreja de Jesus,
pois faltaria uma de suas metas essenciais.
Todos os membros da Igreja devem participar de sua missão, na qual cada um realiza sua
função de acordo com os dons do Espírito Santo. O Capelão tem uma missão especial e qualificada
para atender ao doente. Porém, deve sempre agir com co-responsabilidade junto a todos os demais
membros, para assim transparecer o verdadeiro sentido cristão ao enfermo em que está servindo.
Essa missão qualificada deve ser bem entendida, pois sempre que usamos a palavra missão,
surgem em nossa mente alguns conceitos:

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Poder para fazer algo;
Encargo;
Obrigação;
Compromisso.

Todos esses conceitos implicam duas conotações:

Superioridade (alguém capaz, superior, preparado, escolhido);

Inferioridade (fazer somente o que se lhe pedem).

No entanto, participar efetivamente de uma missão implica, além de equilíbrio, tomar


iniciativas, exercer a criatividade, agir com flexibilidade, coerência e autenticidade.

No trabalho missionário da capelania da saúde, não é anormal o capelão sentir-se num


ambiente estranho, mesmo dentro da própria equipe de capelania, nas atividades pastorais na Igreja,
casa e principalmente junto ao leito do doente no hospital. Num mundo em que as maiores
preocupações estão voltadas para as necessidades materiais do homem, parece sobrar pouco ou
quase nenhum espaço para a evangelização. Mas é importante lembrar que “nem só de pão vive o
homem”. Portanto, o complemento do capelão se torna importante na assistência adequada e
completa ao doente.
4- A espiritualidade do Capelão

Uma vez que Cristo, enviado por Deus Pai, é fonte e origem de todo o apostolado da Igreja,
torna-se evidente que a fecundidade do apostolado leigo depende de sua união vital com Cristo.
“Quem permanecer em mim e eu nele, este dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer”
Jo15:5.
Essa vida íntima com Cristo na Igreja alimenta-se por meios espirituais, comuns a todos os
cristãos, principalmente na participação na Igreja. “O que fizerdes por palavras ou por ação, fazei-o
sempre em nome do Senhor Jesus Cristo, dando graças a Deus Pai por ele” Cl 3:17.

O capelão é chamado a aceitar e integrar suas próprias feridas, os aspectos negativos da


vida e transformá-las em fonte de saúde para os outros. Isso ajudará na aproximação dos enfermos
com um coração acolhedor, pleno de compreensão, respeito e amor.
O serviço aos enfermos é um autêntico encontro com o amor misericordioso. Não se pode
realizar sem o sacrifício e sem renúncia, pois num mundo marcado pela propaganda e por
informações de toda espécie, percorrido por discursos e apelos religiosos variados, dos mais
contraditórios onde existem tantos mestres, o evangelizador deve testemunhar a espiritualidade
própria seguindo os exemplos do grande mestre Jesus Cristo.

Deve abandonar-se e entregar-se nas mãos de Deus, doando-se sem esperar recompensas,
superando as contradições, sabendo compreender todas as situações, estando aberto e disponível a
todos, sacrificando-se e sendo sensível às necessidades de cada um.

Os capelães da saúde expressam o amor que o Senhor tinha para com os mais necessitados.
Com seu testemunho anunciam o Deus da vida e se comprometem na construção de um mundo
mais solidário.

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“Estive enfermo e me visitaste” (Mt 25:36). A presença de Deus junto aos enfermos faz de
nosso serviço aos doentes um ato de culto. Isso, porque Deus não vai perguntar a quantos cultos
você foi. Não podemos ignorar a importância da participação nas celebrações, porém que seja o
resultado da manifestação de amor e solidariedade para com o outro. Por isso, o elemento essencial
de espiritualidade que todo cristão deve assumir como próprio, é a oração. Pois a oração o levará,
aos poucos, a ver a realidade com um olhar contemplativo, que lhe permitirá reconhecer Deus em
cada instante e em todas as coisas; contemplá-lo em cada pessoa; procurar cumprir sua vontade nos
acontecimentos. Na avaliação do trabalho, o capelão da saúde não deve guiar-se unicamente por
critérios de eficácia e de êxito. Purificará constantemente suas motivações e, nos momentos difíceis,
em que se sente desarmado e impotente, reforçará sua confiança no Senhor, o único que pode
salvar. O capelão da saúde terá Cristo Jesus como modelo de serviço, realizando-o com
disponibilidade e fidelidade.

II- A ORGANIZAÇÃO DA CAPELANIA HOSPITALAR

1- A Coordenadoria Administrativa

Os serviços da capelania hospitalares levaram a atualização de propostas à


superintendência para a criação de canais atualizados e ágeis de comunicação para assuntos
administrativos e operacionais. O Hospital das Clínicas, sob controle de líderes religiosos (capelães,
pastores, padres), exige entrosamento com a administração superior da autarquia para assuntos
administrativos e disciplinares, sem prejuízos de liberdade para desenvolver atividades religiosas.
Consta do artigo 632 do regulamento desse hospital (Dec. Nº 9.720/77): “os assistentes religiosos
subordinam-se diretamente ao Superintendente. Para agilizar e normalizar as atividades da
capelania, a superintendência criou a Coordenadoria Administrativa da Capelania, composta por
dois padres e dois pastores. É o serviço religioso mais antigo do hospital”.

É importante deixar claro que não deve existir nenhuma submissão por parte do capelão
titular, responsável pela coordenadoria do hospital, a capelães e visitantes religiosos. Ele é
autoridade local e cabe a ele a direção e coordenação dos trabalhos de capitania hospitalar.

2- FINALIDADES DA CAPELANIA

A capelania tem por finalidade oferecer assistência espiritual e religiosa aos pacientes,
familiares e funcionários, por meio de ações religiosas específicas. Para atender a essa necessidade,
o serviço religioso possui uma sala, e as celebrações são realizadas num anfiteatro.

3- ATRIBUIÇÕES DA CAPELANIA

Manter presença junto aos doentes, procurando oferecer toda solidariedade, conforto
humano e espiritual, respeitando a individualidade e as convicções religiosas de cada um;

Ajudar os pacientes para que a passagem pelo hospital sirva para uma revisão e/ou
descoberta e aprofundamento do sentido da vida;

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Servir de apoio aos familiares de pacientes em situações críticas de sofrimento;

Garantir a presença da religião junto aos profissionais da saúde ajudando-os a descobrir o


valor humano e espiritual do seu trabalho;
Desenvolver uma ação de ajuda espiritual, fazendo que os profissionais de saúde,
independente de seu credo religioso, reconheçam os valores espirituais dos pacientes;

Ser um agente facilitador para criar um clima de amizade, fraternidade, compreensão e colaboração
entre os profissionais dos diversos setores;

Celebrar cultos e missas junto com pacientes, familiares e profissionais da saúde;

Estar presentes nos eventos festivos e celebrativos promovidos pelo hospital.

4- O CAPELÃO NO HOSPITAL

A capelania hospitalar hoje, por ser uma exigência da Igreja, tornou-se integrante das
diversas capelanias competentes. Porém, não devemos querer transportar para o hospital os mesmos
métodos empregados em nossas igrejas. Lá, enquanto as pessoas vão ali em busca de Deus, no
hospital, elas vão em busca da saúde.
O hospital moderno é uma instituição complexa que desenvolve diversas funções:
A) Assistência aos enfermos;

B) Promoção de saúde;

C) Prevenção das enfermidades;

D) Investigação de doenças.

Ao mesmo tempo, se torna uma instituição comunitária, pois conta com um número cada
vez maior de profissionais assegurando um serviço permanente todos os dias do ano, e dispõe de
instalações e aparatos de tecnologia sofisticados.
Portanto, aquele que se prontifica a fazer esse trabalho, além de prestar um serviço de
caráter voluntário, que em geral começa como curiosidade, com o tempo passa a compreender seu
apostolado, dando sentido às suas próprias vidas.

III- O Hospital
É um campo todo especial de apostolado, no qual se entra em contato com os mais
diferentes tipos de pessoas em situações especiais, e onde se apresentam os casos mais complicados
e avançados de doenças que exigem intervenção e solução em regime de urgência. Por isso, embora
a capelania hospitalar esteja intimamente ligada à capelania geral e dela dependa, no ambiente
hospitalar, ela deve assumir uma autonomia própria e ter muito bom-senso.
O hospital é a instituição mais tradicional destinada ao serviço da saúde e dos cuidados
destinados ao outro. É um vivo reflexo da sociedade, de seus conflitos e contradições. Ali se
concentram os mais diferentes tipos de pessoas:

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A) Doentes;

B) Familiares;

C) Profissionais (Médicos e Enfermeiros).

É um lugar de trabalho para os sãos e de esperança e saúde para os doentes. Ali há uma
realidade em que situações conflitantes e opostos se aproximam:

A) vida-morte;

B) cuidado-descaso;

C) sorriso-lágrimas;

D) calma-tensão;

E) tristeza-alegria;

F) dor-alívio;

G) esperança-desespero;

H) culpa-perdão.

Esses opostos se tocam e, por vezes, se unem perigosamente e freqüentemente. Tudo isso
faz com que o hospital, que deveria ser um local de repouso e descanso, acabe se tornando um local
onde agitações, expectativas e angústias se fazem presentes. Daí a razão de até o número de
visitantes ser limitado, mesmo para familiares.
Assim sendo, as pessoas que trabalham como capelães hospitalares da saúde, que necessitam
conhecer em profundidade o mundo hospitalar, podem encontrar alguma
dificuldade para adaptação. Nesse sentido, é importante lembrar que a primeira finalidade do
paciente no hospital não é atendimento espiritual ou de conversão e sim de recuperação da saúde.
Isso não significa que o hospital exclua quaisquer atividades religiosas ou proíba que o doente tenha
assistência religiosa. Inúmeros hospitais reconhecem e dão importância a essa assistência. A própria
Constituição Federal Brasileira garante o direito do paciente de receber visita de seu representante
religioso. O que não garante é que o hospital deva ter um capelão interno constantemente.

É assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa


nas entidades civis, militares e de internação coletiva. Art. 5º p. VII.

No entanto, não fica clara a possibilidade de igrejas desenvolverem trabalhos dentro de


hospitais, mas somente atendimento a quem solicita. O Diário Oficial do Estado de São Paulo, de
13 de abril de 2000, reza o seguinte em seu artigo 3º

“Cabe a cada dirigente das Unidades de Saúde de internação coletiva de


natureza autárquica e/ou privada sob sua responsabilidade, realizar o cadastramento
das denominações religiosas e o credenciamento de seus representantes (capelães),
bem como estabelecer as normas internas relativas ao acesso e permanência dos
representantes credenciados das denominações religiosas cadastradas, em
consonância com suas pessoalidades”.

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Um Hospital de uma Congregação religiosa, por exemplo, pode tranqüilamente admitir
somente o serviço religioso da sua denominação. Nesse caso, as visitas de outras denominações
religiosas, somente serão permitidas em caso de solicitação de algum paciente, pois os hospitais em
geral, não aceitam um serviço religioso que não esteja de acordo com sua realidade ou regimento
interno. Não admitem os chamados proselitismos religiosos, ou seja, tentar convencer o doente de
que a única religião certa é aquela em que eu acredito e sirvo. Não aceitam propagandas de credos e
muito menos manifestações religiosas que perturbem a tranqüilidade do ambiente e desrespeitem
outras crenças.

Além dos aspectos referentes aos diversos credos, o capelão precisa atentar para alguns
detalhes muitos comuns que interferem no trabalho juntos doentes, tais como:

Trazer alimentos ao paciente;


Sentar-se na cama do doente ou em outra cama que esteja desocupada.

Esses, dentre outros procedimentos, devem ser evitados. Caso você queira fazer algo assim é
bom antes entrar em contato com a equipe de enfermagem. É importante lembrar que nós ficamos
pouco tempo com o paciente, e por isso, é difícil saber da sua real situação e do que ele está
precisando.

1- O Capelão

Primeiramente, é importante ressaltar que a atividade de um capelão no hospital, em geral, é


totalmente diferente da equipe médica. O primeiro passo é abrir espaço para o trabalho e inserção
da equipe de saúde, pois o capelão procura cuidar dos casos mais urgentes e atua como um
“supervisor espiritual”, proporcionando momentos formativos para com quem ele trabalha ou
pretende trabalhar.

Deve ser presença visível nas unidades de internação e setor administrativo e ter sempre
disponibilidade para o atendimento, não só dos pacientes, mas também dos familiares e dos
profissionais.

Portanto, o capelão deve atuar como um verdadeiro facilitador, ou seja, facilitar o


relacionamento do doente com seu próprio mundo, com Deus, com seus familiares, com os
profissionais da saúde e, por fim, com sua convicção religiosa.

2- Os diferentes papéis do capelão no hospital

Um primeiro papel representado pelo capelão é o “Simbólico”, ou seja, nossa identidade


como capelão despertará no doente dois tipos de emoções:

1º POSITIVA
2º NEGATIVA

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Obs.: Tudo isso depende das experiências do doente vividas no dia-a-dia hospitalar.

Positiva:

Caso o doente já tenha vivido experiências boas de Igreja, é lógico que a presença do
capelão despertará nele emoções positivas, tais como:

1- Que bom que você veio;


2- Você me faz lembrar de Deus;
3- Sinto que Deus está ao meu lado;
4- Tenho muita fé, etc.

Negativa:

Caso o doente seja acético, materialista, adepto de seitas místicas, mentais ou de sociedades
que não têm a Bíblia ou nenhum tipo de deus, ou ainda, que tenha se decepcionado com alguma
igreja cristã. A presença do capelão despertará nele emoções negativas, tais como:

1- Olha, se Deus existe, estou com muita raiva dele e de Igreja;


2- Acho que é melhor não perder seu tempo comigo;
3- Eu até acredito em Deus, mas não acredito nem participo de Igreja;
4- Deus deve estar ocupado com o universo e se esqueceu da Terra.
Conversando com a pessoa, pode-se descobrir quais são as emoções presentes nesse contexto.
Caso a reação seja positiva, a tarefa do capelão será facilitada. Porém, se as emoções forem
negativas, o que se deve fazer? Dizer até amanhã, virar as costas e sair? Ignorar suas emoções ou
ficar na defensiva e omisso?

Nem uma coisa nem outra, a melhor coisa é dar ouvido às suas queixas. Só depois tentar
colocar algo novo. Por exemplo, fazendo-o entender que talvez tenha tido uma experiência ruim,
porém isso não significa que com todos sejam assim. Não é porque alguém construiu um prédio
torto, que todos os engenheiros não prestam. Não é porque você teve uma experiência ruim de
Igreja no passado que todos os outro membros são ruins. Nossa presença poderá fazer o doente
mudar sua maneira de pensar. Portanto, ao defrontar com situações semelhantes, você não deve se
aborrecer. Não é você o culpado por tais reações.

O segundo papel representado pelo capelão é o de “Confortador”. Neste papel três


habilidades são muito importantes:

1º – Habilidade de Escutar:
Escutar não somente o que o doente fala, mas também o que ele não diz com palavras. Ouvir
os medos, as angústias, dores, sofrimentos, esperança, desapontamentos e também as alegrias.Isso
porque, ser ouvido por alguém é sentir-se importante. Ninguém ouve de fato aquilo que não
interessa.

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2º – Habilidade é tornar-se irmão do doente:
Relacionar-se com as pessoas na situação em que elas se encontram sem se preocupar em
fixar as necessidades delas. Por isso, muitas vezes não devemos fixar as necessidades religiosas.
Talvez seja oportuno partilhar primeiramente as necessidades humanas do doente.

3º – Habilidade é ser um orientador Espiritual:


O capelão deverá ter habilidades para perceber como a pessoa está encarando a própria
doença. Como seu modo de relacionar-se com a doença de certa maneira, refletirá sua maneira de
relacionar-se com Deus.

O terceiro papel é ser “Observador”. O capelão deve observar as reações do doente para com
Deus, de acordo com a doença. A visão que ele tem de Deus poderá ser passageira. Por isso, como
orientador espiritual, o capelão não deverá se comportar como um “advogado” de Deus e não
deverá se preocupar em dar apenas soluções ou orientações espirituais para doentes.
O quarto papel é o de “Facilitador”. Nos dias atuais, talvez, este seja o papel mais
importante a ser desenvolvido pelo capelão. Nos hospitais encontramos pessoas nos momentos
difíceis da vida. Costuma-se dizer que no hospital temos de cuidar exatamente daquilo que não deu
certo na vida:

A) Acidentes que aconteceram durante passeios;

B) Exageros na bebida que acabaram provocando acidentes;

C) Atacado por alguém ou animal;

D) Doenças que tiram as pessoas do trabalho;

E) Queda grave;

F) Machucou-se praticando esportes;

G) Tentou suicídio;

H) Acidentou-se (no trabalho ou em casa ou na rua ou em viagem);

I) Envenenado;

J) Queimaduras.

3- Normas do Capelão no Hospital

Antes de entrarmos neste assunto, é bom lembrar que: o doente não está no hospital porque
quer. Por mais pessimista que se manifeste, ele nutre uma esperança de receber alta e voltar logo
para casa.
Apresentamos aqui algumas possibilidades referentes aos diversos tipos de pessoas que o
capelão se deparará:

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 Pode ter adoecido de uma hora para outra e é recém-chegado ali;
 Está para fazer ou se recuperando de uma cirurgia;
 Sob observação médica;
 Estar em estado terminal;
 Desenganado pela Medicina;
 Ser o acompanhante de algum doente;
 Com doença incurável, mas sob controle;
 Momentaneamente no hospital, porque tem que fazer exames ou outros procedimentos
periodicamente.
Como afirmamos anteriormente, embora seja um trabalho voluntário, o capelão deve possuir
uma filosofia de ação. Por isso, antes de iniciar qualquer atividade pastoral é preciso ter claros os
objetivos que requer atingir. A partir desses objetivos, elaborar normas que devem ser observadas.
As normas devem ser elaboradas de acordo com as diferentes realidades de cada hospital. Aqui
apresentamos um modelo que usamos no Hospital das Clínicas.

Ao visitar o doente:

 Permaneça no apartamento, quarto ou enfermaria e não nos corredores;


 Converse em voz baixa, assuntos agradáveis e de interesse do doente;
 Procure não agir como visitador repórter, que só faz perguntas para matar a sua curiosidade
pessoal. Levar notícias alegres e agradáveis ao doente;
 Seja um bom ouvinte, portador de vida e esperança ao doente – ouça atentamente o que ele
tem a dizer, e não fique somente falando. Aliás, fale menos e ouça mais.
 Respeite o silêncio que deve haver dentro do hospital, porque o hospital e a Igreja têm muita
semelhança. No hospital, Cristo se faz presente na pessoa do (visitante) capelão;
 Não sente na cama do doente – utilize as cadeiras ou sofás;
 O fumo é causador de doenças – não fume dentro do Hospital e não leve cigarro para o
paciente;
 Não leve crianças para visitar doentes – preserve a saúde delas e a tranqüilidade do enfermo;
 Não sirva alimentos ao doente sem permissão da enfermagem – para crianças da pediatria
não se deve levar guloseimas;
 Respeite os profissionais que trabalham no hospital;
 O visitador deve retirar-se do quarto caso coincida com a visita do médico ou da
enfermagem;
 Ao visitar o doente, não demonstre medo ou repugnância pela enfermidade;
 Evite relatos de casos ou doenças semelhantes;
 Saiba escutar, estender-lhe a mão e sorria para ele;
 Tenha caridade em demonstrar o amor que tem por ele – evite mentiras, dialogue sobre a fé
e a esperança;
 Tenha empatia com o doente – coloque-se em seu lugar para entendê-lo;
 Guarde sigilo do que o doente lhe confiar;
 Ore com ele, por ele e pela sua família;
 Não interfira no tratamento indicado – não dê qualquer medicamento ou suspenda os
receitados pelo médico;

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 Tenha a sensibilidade de perceber quando o doente está cansado e necessitado de repouso;
 Procure conhecer a família do doente;
 Mostre que a igreja está interessada em sua saúde;
 Descubra os valores do doente, seus interesses, suas aspirações;
 Mostre bondade e mansidão com doentes e sua família;
 Em tudo tenha discrição e bom-senso – transmita alegria e confiança, seja breve sem ser
afobado ou apressado. Lembre-se: por estar fazendo um serviço aprovado por Deus, é sinal
de que ele está no controle de tudo.
 Não faça gritaria, festa ou barulho junto ao doente, – mantenha um ambiente de paz,
harmonia e silêncio;
 Respeite a dor do paciente e não negue-a;
 Evite frases como:
“É vontade de Deus”,
“Deus quer assim”,
“Aceite esta enfermidade”,
“Você deve é estar pagando algum pecado”.
 Melhor mesmo é deixar o doente falar, pois provavelmente, ele passa a maior parte do
tempo sozinho.
 Converse com o enfermo somente sobre temas agradáveis;
 Não fale sobre doenças;
 Use um tom de voz moderado;
 Abstenha-se de beijar o doente, bem como utilizar copos ou xícaras de seu uso. Você poderá
estar levando outros germes perigosos até ele.

4- O que não se deve dizer ao doente

 Não fale do aspecto exterior do doente, que piorou desde a última vez ou que ele está com
aparência péssima ou de defunto. Lembre-se: o enfermo é susceptível a tudo e comentários
assim só pioram sua situação;
 Não faça perguntas incômodas, principalmente sobre os sintomas da doença;
 Não dê conselhos médicos nem dê uma de psicólogo;
(Às vezes dizer “Tenha paciência!”, é o mesmo que dizer: “Seja masoquista!”);
 Não conte suas experiências com enfermidades;
 Não leve comida ou doces para o doente (A maioria dos hospitais indica o que se pode levar
ou deixam levar frutas);
 Não diga ao enfermo que não se importa com sua ausência (no trabalho ou) na Igreja.
 Não diga ao enfermo que seu substituto na empresa é ótimo funcionário.

O Capelão Hospitalar serve em o nome de Cristo Jesus, o Salvador, e coloca-se à disposição


dos enfermos para confortá-los na fé e atendê-los em suas necessidades e não o contrário.
IV - PSICOLOGIA DO ENFERMO

“Como o paciente se comporta diante de suas doenças?”

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1) O doente e suas crises

Todo doente é um ser único, especial, com reações próprias, conforme sua formação e
personalidade. Ao vermos uma pessoa que sofre de um mal físico, costumamos nos deter apenas no
corpo, esquecendo-nos de que o doente deve ser visto como um todo, no sentido psicológico e
espiritual. Ás vezes, o interior está mais machucado do que o corpo.

O doente não é uma máquina a ser consertada, mas uma pessoa que foi atingida por doença.
Apesar de continuar a amar, a odiar e a pensar, não está a mesma de sempre. O ritmo de vida é
violentamente cortado e passa a ter as atenções voltadas para si, buscando todas as formas de
reequilibrar sua saúde e vida normal.

De um lado, o corpo doente, com suas fraquezas e limitações, percebe sua fragilidade e
finitude; de outro, seu espírito está com toda vitalidade, mas é incapaz de fazer algo por si. Essas
duas forças incompatíveis o atormentam, gerando crises de comunicação consigo mesmo, com o
espaço e o mundo, com a família, com os amigos e até mesmo com Deus.

2) Crise consigo mesmo

Com saúde, a pessoa é um todo inabalável, que reage e supera obstáculos. Quando doente, o
corpo passa a ser um empecilho para se viver a vida em liberdade. O diálogo entre corpo e espírito
se rompe e fica difícil de reatar, pois as forças opostas que agem (espírito são/corpo doente), fazem
com que o doente, muitas vezes, não entenda a si mesmo e não saiba como reagir na doença.

Para o doente, o mundo se fecha repentinamente e ele vê sua integridade ameaçada. Para
tentar manter ou recuperar seu equilíbrio, lança mão racional ou instintiva de mecanismos de
defesas ou ajustamento. Ex: sublimação, alienação, fuga, literaturas espirituais, etc.

No lugar de uma vida cheia de ocupações com a família, os amigos, o trabalho, sem limites
de horizontes, o doente se vê agora fechado em um quarto, sem saber por quanto tempo e se sairá
dele vivo.
Quando o doente não tem reservas espirituais ou alguém que o ajude, ou quando seus
mecanismos de autodefesa falham, dificilmente sairá sem marcas dessa crise que poderá afetá-lo
profundamente pelo resto de sua vida, de acordo com a gravidade do tratamento.

Torna-se um mero espectador de tudo o que se desenrola e não mais ator. Não tem
condições de realizar nada sem ajuda de outros, ás vezes nem mesmo suas necessidades íntimas.
Olha tudo de longe e não tem certeza se voltará às suas ocupações normais.

3) Crise com os amigos

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O relacionamento com os amigos sofre uma quebra, pois poucos são os que continuam
juntos na hora da doença. Mesmo assim, aqueles com quem costumava conversar de forma alegre e
descontraída, mudam para uma fala pausada, medida, tensa e preocupada. Isso, pó vezes, pode
deixar o doente ainda mais triste e desanimado.

Muitas vezes não conseguimos passar ao doente o otimismo que pretendemos, não
conseguimos fazer com que ele se sinta o mesmo de antes. Em casos de internamento, podem surgir
novas amizades, mas estas nem sempre satisfazem. Pois são marcadas pelo sofrimento.

4) Crise com a família

Não são poucas as vezes em que ocorrem problemas de ordem familiar quando há uma
pessoa adoentada. Se for criança, percebe-se a preocupação e intranqüilidade dos pais e amiguinhos.
Se for jovem ou adolescente, geralmente “senhor” de si mesmo, vai sentir-se mal, recebendo tantas
atenções. Sente-se como que fosse um peso.

Sendo for adulto chefe de família, rompe-se a normalidade do lar. Não há quem mande,
quem pague as contas, acerte compromissos assumido ou faça as outras coisas que deveriam ser
feitas por adultos e estão paradas.

Sente-se humilhado, pois precisa receber cuidados de pessoas que estão deixando seus
afazeres para atendê-lo.

5) Crise com Deus

É fácil crermos em Deus quando gozamos de boa saúde; difícil é mostrar fé quando estamos
doentes. Nos momentos de provação o doente se pergunta o porquê daquilo acontecer com ele.
Acha que Deus o abandonou e que não está presente. Não consegue ver que Deus está, de certa
forma, em todos os que cuidam dele e que vivem o seu sofrimento. Na Bíblia, a história do patriarca
Jó reflete bem essa situação. Ele se entristece, é acusado por amigos, perde todas as suas posses e
10 filhos, se questiona... mas não abre a boca contra Deus.

A crise com Deus costuma ser a reação inicial de todos os doentes. Até que consigam voltar
ao equilíbrio, esta crise será tanto mais grave, quanto mais grave for a doença e, portanto, podendo
acarretar maior afastamento de Deus.

6) Pacientes em fase final de Vida

Como você reagiria se um médico chegasse para você e lhe dissesse:

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Aquelas dores que você estava sentido de uns tempos para cá, infelizmente são graves. Nós
vamos fazer exames, tentar todos os tipos de tratamento, mas nada posso garantir.
Você levaria um choque, com certeza, principalmente sendo jovem, uma jovem mãe de
família, um homem no auge de sua vida e de sua carreira profissional, um jovem que aspira a um
diploma de curso superior e está prestes a consegui-lo.

Vejamos as fases pelas quais passa um doente, desde que sabe que tem um mal incurável até
o desligamento final que precede à morte. Estas fases podem seguir esta ordem ou não. Não há
regras.

As fases que o doente, em fase final de vida atravessa, são mais ou menos estas:

A) Repulsa - Negação

É uma autodefesa instintiva da pessoa repelir e negar a notícia. Com isso suspende-se o
impacto brutal e a pessoa vai se adaptando, se conformando ao fato tão cruel. Devagar, também, o
doente vai conseguir a coragem e a força de ânimo precisa para aceitar a realidade.
B) Cólera

O aborrecimento e a raiva explodem às vezes com blasfêmias, que devem ser vistas mais
como perturbação interior do que real revolta contra Deus. É comum a reclamação: Porque eu? Que
tenho família para cuidar, filhos para criar e não aquele velhinho que está doente a tanto tempo?
Se a doença é mortal e altamente infecciosa, é comum doentes dizerem coisas como: Vou,
mas não vou sozinho. Vou levar muitos comigo também!

C) Depressão

Quando a cólera e a repulsa se esgotam, vem a depressão. A pessoa toma consciência mesmo
da doença e vê que não há como manter a morte à distância.
Quando o paciente enfrenta sérios problemas pessoais e com a família, fala convulsivamente
e com preocupação. Se, no entanto, sente sua personalidade se desmoronando, fecha-se em si
mesmo em longos períodos de silêncio, mergulhando em pensamentos tenebrosos e tristeza
profunda. Dizer-lhe para que não fique triste é prejudicial, pois todos ficamos tristes quando
perdemos um amigo. Imaginem, então, um doente que está prestes a perder todas as coisas e as
pessoas que ama. Se ele expressa sua dor, fica mais fácil aceitar a situação. Devemos manifestar
solidariedade de diversas formas como carinho, atenção, compreensão ou simplesmente silêncio.

7) O Capelão e o paciente terminal

Um dos problemas mais comuns encontrados na prestação de ajuda a quem está perto da
morte é que parentes e amigos não sabem por onde começar. Dificuldades semelhantes encontra
também o capelão hospitalar, pois a assistência aos moribundos é uma arte que se aprende mediante

16
uma longa preparação que visa tanto um modo de ser quanto à aquisição de capacidades bem
determinadas.

O Capelão procurará, portanto, criar um clima de confiança por meio de contatos contínuos
com os doentes, sobretudo num ambiente não muito religioso. Franzoni afirma que, “O caminho
proposto no acompanhamento do moribundo pode se resumidamente descrever da seguinte
maneira:

O sofrimento sem amor é desespero, mas se estiver unido a uma experiência de amor,
adquire em si mesmo e ajuda a abrir-se aos outros e, portanto, ao outro a Cristo-Amor de oblação,
em quem se deve fundamentar a própria esperança autêntica.

Dentro dessa perspectiva, a condição preliminar para ajudar o paciente é a compreensão de


seu mundo e o testemunho do capelão, a escuta atenta da canção doce e triste que ele entoa. Essa
escuta não se limita à compreensão de suas palavras. Os gestos exprimem de modo mais profundo.”

É fundamental também que o capelão entenda sua condição de mortal. Ninguém pode
pretender ser um verdadeiro mensageiro de valores de vida, um verdadeiro companheiro de um
moribundo, se não é capaz de enfrentar sua própria condição de mortal, tendo em si, a verdadeira
palavra de Cristo para transmitir e confortar o paciente.

8) Como ajudá-lo

O primeiro ponto a ser destacado no acompanhamento ao paciente terminal é, sem dúvida, a


solidariedade da presença, pois aquele que está para morrer sente a necessidade da proximidade
tranqüilizante de alguém. O que mais importa na assistência ao moribundo é provavelmente uma
presença percebida como amiga, fraterna e compreensível, de apoio e disponibilidade,
acompanhada pela aptidão de ouvir, atender, interpretar corretamente o que o doente pode
eventualmente desejar exprimir, direta ou simbolicamente. É importante saber se o paciente quer ou
não ser ajudado. Saber também se não existem outras pessoas que estejam ajudando ou propensas a
ajudar. Talvez o doente, por uma questão de empatia ou simpatia, tenha mais afinidade com
determinadas pessoas.

O capelão deverá obter algumas informações sobre o doente e sua situação clínica, não
para tratá-lo de maneira diferente e sim para tratá-lo com maior naturalidade e sem excesso de
compaixão. Por meio de diálogo com a família do doente deve se procurar saber quais são suas
necessidades mais urgentes. Dialogando com o doente procure saber o que ele gostaria de fazer.
Escutar é sempre importante. Esse é um presente valioso nessas horas e que sempre se pode
oferecer, porém, saiba que é importante dosar o tempo de escuta. Não é oportuno visitar um dia e
depois passar muito tempo ou mesmo não retornar mais. Talvez seja oportuno fazer visitas mais

17
curtas e mais freqüentes. O bom-senso e o grau de amizade com o enfermo marcarão os tipos de
conversa e o tempo adequado para cada uma.
9) Termos técnicos:

Moribundo ou paciente terminal deve ser entendido como a expressão anglo-saxônica


“terminal” que indica uma situação de morte não tão próxima quanto o vocábulo português dá a
entender. Na realidade, o paciente terminal deve ser entendido como enfermo acometido de uma
doença crônica, cujo prognóstico é ruim com lento declínio progressivo das funções fisiológicas
normais. Mas as estatísticas confirmam que certa porcentagem de doentes considerados terminais
ou desenganados pelos médicos consegue se recuperar completamente e retornar às suas atividades
normais e nunca mais têm seqüelas e morrem muitos anos depois por outro motivo qualquer.

V- A MORTE E O MORRER

Nenhum subterfúgio pode evitar a dureza de um caso sério e a morte é um caso sério.
Apesar disso, os vivos registram radical aspiração para viver e radical aversão à morte. Há uma
música que traduz isso corretamente: “Ninguém quer a morte, só saúde e sorte.”
A ciência, que procura a todo custo prolongar a vida, muitas vezes prolonga, sim, é o
processo do morrer, ou seja, prolonga o sofrimento da pessoa. Acrescenta-se a isso que a vida,
muitas vezes, agride a própria vida para sobreviver. Sem contar as aplicações de remédios e
produtos químicos. Enquanto houver esperança...
No mundo moderno são acentuados os valores do êxito, da produtividade e da vida. Isso
faz que esqueçamos quase completamente de pensar na morte e naquele que está morrendo. Parece
que a morte é colocada fora da vida social. Semelhante ao que acontecia em relação ao sexo, que
era considerado um tabu antes de Freud, acontece com a morte nos dias atuais. Apesar de a idéia da
morte estar presente em todos, ela é assunto proibido em quase todos os ambientes.

Um dos motivos do afastamento da morte é, sem dúvida, a mudança do local em que ela se
dá; hoje, 70% das pessoas morrem nos hospitais. Isso fez que ela não fosse mais um evento da
existência familiar e cotidiana, relegando-a para ambientes externos nos quais se cuida da saúde.
Para a Medicina, a morte é considerada como uma falência das terapias usadas e um resultado
completamente negativo. A exclusão da família, dos amigos e, com freqüência, do sacerdote
(pastor, padre ou capelão) acentua a solidão.

Por isso, tanto para o cristão, como para o judeu ou ateu, testemunha de Jeová, espírita,
seguidor de candomblé ou mesmo para aqueles que têm outras filosofias de vida, a morte é sempre
difícil. Seria um equívoco afirmar que o cristão encara a morte tranqüilamente. Ela é uma realidade,
e nós temos dificuldades para lidar com o desconhecido.

18
A morte é o mais terrível caminho de separação. É um perder os próprios objetos de amor
e um romper as ligações afetivas mais importantes. Os apegos aos objetos de amor sobre os quais se
apóia a própria identidade são:

A) A família;

B) O trabalho;

C) As relações afetivas;

D) Os projetos;

E) A casa;

F) Os hábitos;

G) Os pontos de referencias;

H) O próprio corpo;

I) A imagem de si;

J) A autonomia;

L) As raízes;

M) Os estudos;

N) Dinheiros a receber;

O) O passado;
P) A vida.

1- Como encarar o luto

É importante lembrar que o deslocamento do lugar da morte (da casa do hospital) provocou
um distanciamento da morte, sem contar que a tecnologia moderna nos dá “esperança” de livrar-nos
de morrer. Esquecemos que, biologicamente, se por um lado a morte destrói a vida, por outro a
favorece. Se ela não existisse, teríamos de estancar os nascimentos, e o gosto pelo viver acabaria
trazendo um desgosto por não poder morrer.
A morte é também geradora de vida eterna para os que acreditam numa vida do além.
Alguns a chamam de “passagem”, outros dizem ir dessa para melhor”, outros dizem que foi uma
pessoa boa e que vai se reencarnar para uma vida melhor e há quem acredita até que vai para outro
planeta. A cura que a tecnologia tem prometido é limitada no tempo, apenas paliativa e age na
tentativa apenas de adiar a morte. De qualquer forma, a curiosidade será plenamente satisfeita e
cremos que, quando morrermos começará a vida prometida por Cristo, que é eterna: “Esta é a
vontade do meu Pai: que todo homem que nele acredita tenha vida eterna, e eu o ressuscitarei no
último dia”. Jo 6:40.

2- O que dizer e fazer no velório

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Um dos primeiros passos é enfrentar o choque que a morte provoca. Por mais que os
familiares esperem, a morte acaba sempre trazendo um choque violento. Portanto, respeite reações
sentimentais. tais como:

A) Choro;

B) Grito;

C) Angústia;

D) Revolta.

Essas reações são dirigidas aos profissionais, instituição e até mesmo contra Deus. Nesse
momento, antes de qualquer julgamento, o mais importante é ser presença acolhedora. Não diga
nada, só ouça.

O segundo passo é reconhecer que não conseguiremos, num primeiro momento, preencher o
vazio que provoca a perda. O que podemos fazer é colocar-nos à disposição das pessoas e tentar
visualizar quais são as necessidades mais urgentes do momento. Quando a situação estiver
aparentemente sob controle, o capelão poderá deixá-los sozinhos, pois é muito importante estar no
velório ou mesmo fazer uma visita, assim que puder. Porém, tenha certeza de que o mais importante
você já fez, que é levar a palavra de Deus para confortar os familiares.

“Estava nu, e me vestiste; estive enfermo, e me visitaste; preso e fostes ver-me”.


Mt 25:36

PARTE 2 - PRISIONAL

20
A IMPORTÂNCIA DE DEUS E DO EVANGELHO DE CRISTO NOS PRESÍDIOS E
PENITENCIÁRIAS

“Estive preso, e fostes ver-me...”


Mt 25:36

Introdução:

É importante que o homem conheça o evangelho de Deus e ame, para sentir a alegria de ser amado.
O Evangelho estimula a prática do conhecimento, do estudo, da virtude e nos faz caminhar por uma
estrada estreita, disciplinada, difícil, porque exige combate ao nosso egoísmo, desamor, orgulho e
ambição, aspiração imoderada e cobiça. De todos os valores sociais catalogados pela civilização e,
o Evangelho de Cristo, um dos mais necessários ao homem, como pessoa, e a grupos de homens,
como coletividade. É o primeiro breque dos instintos que afloram dos impulsos individuais, como é
o primeiro freio dos frenesis coletivos.
A pessoa sem Cristo se embrutece e se animaliza. Na recuperação do homem na prisão, não se pode
dispensar o Evangelho, porque, caso contrário, a reeducação fica incompleta ou deixa de existir.

É muito difícil confiar em alguém que não crê em Deus, porque se torna auto-suficiente,
perigosamente orgulhoso, e a matéria passa a ser a coisa mais importante de sua existência. Torna-
se uma pessoa que pensa e age isoladamente, que não tem amigos. É cercado de hipócritas e
interesseiros, acabando por naufragar ao se defrontar com o primeiro obstáculo que exija reflexão e
amparo espiritual. No fundo, é um infeliz e, se persistir em permanecer assim, acabará seus dias
abraçado à infelicidade, com pouca gente à sua volta.

Por que o mundo vai mal? Por falta de humanidade, diálogo, compreensão, renúncias,
sinceridade, acima de tudo e amor. Aqueles que se queixam dos males que assolam o mundo
precisam, sem demora, proclamar o que fazem para acabar com a violência, as injustiças, a fome, a
covardia, as guerras etc. Ou será que cada um assuma o seu papel, em vez de ficar procurando
defeitos nos outros? Einstein proclamou: A ciência sem religião é cega e a religião sem ciência é
paralítica.

A descrença assumiu um papel preponderante no atual momento histórico, exatamente porque,


a cada dia, a falta de dignidade, de cumprimento do dever e a desonestidade são mais valorizadas no
mercado da corrupção e da violência.

O filósofo português António Freire, em seu livro de viagens A Outra Europa (1973), já
declarava:

I - O QUÊ ACONTECE SEM O EVANGELHO DE CRISTO

No processo de recuperação, é indispensável exaltar os valores inerentes ao ser humano para


facilitar a estruturação da personalidade do condenado e ajudá-lo a refletir permanentemente sobre a
beleza da vida quando orientado ao bem, permitindo-lhe descobrir o seu próprio potencial, e, por
fim, fazê-lo questionar-se acerca da finalidade para a qual Deus o criou.

Copia-se um sistema prisional desvirtuado, em geral, baseado em sistemas falidos de outras


nações, esquecendo as peculiaridades do nosso povo. Limita-se à análise puramente material e
jurídica do sistema, onde são colocadas grandes barreiras à reinserção dos presos na sociedade e
esquece-se o principal, que é o lado espiritual deles.

21
O grande problema penitenciário é o problema de tratamento dos condenados. Amontoá-los
nos presídios e abandoná-los à própria sorte é a mesma coisa que receitar uma violência ainda maior
contra a sociedade, pois ao final da pena imposta, inevitavelmente, por força da lei, o condenado
voltará ao convívio social. Já se recomendava o ensino da educação moral e religiosa aos presos, e
Jeremias, por sua vez, além de julgar indispensável a educação moral e religiosa, apregoava como
necessária a existência de patronatos para ajudar o egresso a se reintegrar.

É preciso incentivar o núcleo espiritual e cultural da humanidade, para se evitar a atual onda
crescente de criminalidade. A Constituição Brasileira não adota a pena de morte e a prisão perpétua
exatamente por existir a crença na recuperação do condenado. É preciso acabar com o comodismo e
o descaso, encarar o problema de frente, com determinação, sem proselitismo, e os resultados
positivos surgirão.

A persistência na crença da recuperação do condenado é fator essencial para o sucesso do


trabalho. O voluntário precisa estar consciente da sua difícil missão. O homem nasceu para ser feliz
e a circunstância que o levou a delinqüir não extingue esse anseio natural do ser humano.

II- A MINISTRAÇÃO DO EVANGELHO DE CRISTO DENTRO DE UM PRESÍDIO, COMO


FATOR DECISIVO NA RECUPERAÇÃO DE PRESOS

É muito difícil confiar em alguém que não confia em Deus. O Evangelho de Cristo estimula a
prática do conhecimento, do estudo, da virtude, e faz caminhar por uma estrada estreita,
disciplinada e difícil, porque exige combate ao próprio egoísmo, ao desamor, à aspiração imoderada
e à cobiça. Carnelucci, um importante jurista italiano, afirmou que a solução para o preso não está
nos livros de ciência, mais sim no livro de Deus (BÍBLIA). E Nélson Hungria afirma com grande
convicção:

“Uma das causas primordiais, senão a causa única do declínio da cultura, é a sua crescente
incapacidade religiosa. Um mundo social sem o Evangelho de Cristo, como o atual, é um mundo de
incertezas, destituído de entusiasmo, reduzido ao nível morto das conveniências individuais,
impregnado de insuportável tristeza. Precisamos fazer novamente a experiência de Deus. Não basta
que dentro das colunas partidas da inoperante civilização atual sejam os gênios a nos conduzir”.

III- O TRABALHO DA CAPELANIA PRISIONAL NO RECUPERANDO

Depois de criterioso estudo, ao longo de anos e anos de existência, chegamos à conclusão de


que o recuperando é a designação correta que se deve dar ao condenado que cumpre pena nos três
regimes recomendados pela legislação vigente. É aí que está o grande papel do capelão prisional:
visitar os presos pelo ou menos uma vez por semana, fazendo com que ele tenha a paciência de
cumprir sua pena, levando sempre uma palavra de Deus ao seu coração, para que possa suportar o
seu regime fechado.

Em latim, recuperativo é o fato de recuperar, recuperação, restituição e recuperatus, por sua


vez, é recuperando, recobrado.

Por outro lado, nossa literatura jurídica, cristã, médica, psicológica, jornalística, entre outras é
rica em afirmações que confirmam, de modo inquestionável, ser correto o uso do termo recuperando
(aquele que está em processo de recuperação) para denominar o preso, evitando a humilhação de
designações impróprias.

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Numa proposta de valorização humana, é admissível o eufemismo “recuperando” para evitar
o uso dos termos: preso, interno, condenado ou sentenciado, os quais, embora verdadeiros, não
deixam de chocar e depreciar o ser humano.

O capelão prisional deve se preocupar com:

1º A saúde do preso, pois o condenado é, na maioria das vezes, um doente;

2º A educação religiosa do preso para o convívio social, incluindo civilidade, bons costumes
e o encaminhamento a Jesus, à profissionalização e à instrução, por serem requisitos intrínsecos.

3º A instrução reduz o índice de porcentagem de analfabetos e semi-analfabetos que povoam


nossos presídios; se possível, deve-se incluir o curso de evangelização para aprimorar a cultura do
condenado.

4º Se não temos em nossa constituição a prisão perpétua e a pena de morte, o preso será
reintegrado à sociedade. Então, precisamos recuperar o preso. Ele irá cumprir a pena pelo crime que
cometeu, e através da pena e pela a evangelização no presídio, será recuperado e ingressado na
sociedade sem sentimento de culpa, pois o mesmo passou por uma série de reciclagens de
evangelização e se encontra apto para a nossa sociedade.

5º O Evangelho de Cristo ao condenado e sua importância na vida do ser humano. É preciso


fazer a experiência com Deus e aprender a amar e ser amado. Não existem métodos de recuperação
eficientes sem que se cuide dessas metas indispensáveis em qualquer trabalho evangelístico dentro
de uma penitenciária que vise preparar o condenado para o regresso ao convívio da sociedade.

IV- A CAPELANIA CARCERÁRIA

Cárcere vem do latim e significa prisão subterrânea, lugar úmido, sombrio, onde os presos
ficavam com os pés atados à corrente. Carceragem é o local destinado à administração do cárcere, e
do evitar fugas. Além de ser responsável pela ordem e disciplina do estabelecimento carcerário, diz
respeito àquele que está recolhido ao cárcere.
Os apóstolos Paulo e Pedro estiveram várias vezes em cárceres, estabelecimentos próprios da
época. Paulo escreveu muito das suas notáveis cartas quando estava encarcerado, inclusive em
companhia de Silas. Nos Atos dos Apóstolos (16:23-24,26) encontramos:

“Depois de lhes terem feito muitas chagas, meteram-nos no cárcere, mandando ao carcereiro que os
guardasse em segurança. Recebendo tal ordem, ele os meteu nos porões do cárcere e lhes prendeu
os pés ao cepo. Imediatamente se abriram todas as portas e se soltaram os grilhões de todos...”

É chegada a hora de tomarmos consciência de que temos o dever e a obrigação de usar a


expressão adequada, padronizando as diversas terminologias e em atenção ao que a própria Igreja
recomenda: O nome correto é Pastoral Penitenciária ou Capelania Prisional’. Porque está em
perfeita sintonia com a sua proposta e com a história.

A capelania carcerária é a presença de Cristo e de sua Igreja no mundo dos cárceres e


desenvolve todos os trabalhos que essa presença venha a exigir.

A capelania prisional mantém contatos e relações de trabalho e parceria com organismos do


poder executivo e do poder legislativo, com ONG´s locais, nacionais e internacionais; com o
MNEH (Movimento Nacional dos Estados Americanos); com a Anistia internacional; com o
MNDH (Movimento Nacional de Direitos Humanos); com o CDH da ONU (Comissão de Direitos

23
Humanos das Nações Unidas); com ICCPC (Pastoral Carcerária Internacional) e outras entidades
afins.

V- OBJETIVOS GERAIS

A) Acompanhar os presos em todas as circunstâncias e atender suas necessidades espirituais,


dando assistência espiritual também a seus familiares.

B) Verificar as condições de vida e sobrevivência dos presos;

C) Priorizar a defesa intransigente da vida, bem como a integridade física e moral dos presos;

D) Intermediar relações entre presos e familiares;

E) Educar os presos no Evangelho de Jesus Cristo, levando a salvação até eles;

F) Acompanhar seu processo de discipulado dentro do Evangelho de Cristo.


VI- ATIVIDADES PERMANENTES

A) Visitas aos presos, especialmente quando doentes, nas enfermarias ou nas celas de castigo
ou de “seguro”;

B) Celebrações e encontros de reflexões (círculos bíblicos, orações);

C) Atenção especial às áreas de extrema violência nas prisões;

D) Sensibilizar as comunidades sobre os problemas dos presos e mostrar o valor da Pastoral


Carcerária;

E) Fazer parcerias e relacionamentos de trabalho com os poderes públicos e com o Ministério


Público.

VII- A DUPLA FINALIDADE ÉTICA DA PENA

A função da pena é dupla:

Punitiva e recuperativa. Punitiva pela sua própria natureza e de emenda do infrator na sua
essência.

O delinqüente é condenado e preso por imposição da sociedade, ao passo que recuperá-lo é um


imperativo de ordem moral, do qual ninguém deve se escusar. A sociedade somente se sentirá
protegida quando o preso for recuperado. “A prisão existe para castigo e não se pode parar de
castigar”. Essa é a afirmação corrente cujo conteúdo não se pode perder de vista e deve ser
repensado.

O Estado, enquanto persistir em ignorar que é indispensável cumprir a sua obrigação no que diz
respeito à recuperação do condenado, deixará a sociedade desprotegida. Como é sabido, nossas
prisões são verdadeiras escolas de violência e de criminalidade.

VIII- PESQUISAS ESTATÍSTICAS

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Descobrimos então que, às vezes, existem equívocos quanto à família formalmente
constituída. Dados colhidos sobre o sistema prisional brasileiro através de pesquisas feitas em nível
nacional por nós, revelam o seguinte:
1º – 86% de reincidências;

2º – 65% dos crimes são praticados sob efeito de drogas, embora essa situação não apareça no
processo;

3º – 80% dos detentos utilizam algum tipo de droga (álcool e tabaco: as mais comuns);

4º – 60% da população carcerária tem entre dezoito e vinte e oito anos de idade;

5º – 20% completaram vinte e oito anos de idade cumprindo pena;

6º – 81% da população das prisões são de origem cristã;

7º – 97% apontam, como causa da criminalidade, a família desestruturada;

8º – 75% dos condenados são analfabetos ou semi-analfabetos;

9º – 87% não têm profissão definida;

10º – 18% são casados;

11º – 38% são amasiados;

12º – 44% são solteiros.

IX- PROMISCUIDADE EM VÁRIOS NÍVEIS

1º – Ociosidade;

2º – Violência;

3º – Falta de confiança generalizada;

4º – Supressão da verdade;

5º – Ausência da família (perda gradativa dos laços afetivos);

6º – Sentimentos de autopunição e de culpa;

7º – Perda da auto-estima;

8º – Sentimento de inferioridade, que se transforma em agressividade;


9º – Personalidade do preso, que passa a ser condicionada pelos estímulos que recebe
dentro do presídio;

10º – Perda gradativa da condição normal de convivência social;

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11º – Ausência de esperança;

12º – Falta de fé e ausência de Deus em sua vida.

X- O PODER DA ORAÇÃO NA VISITA DO CAPELÃO AO PRESÍDIO

O capelão é um agente de Deus, portanto, ele deverá manter-se sempre em oração, pois
dentro de um presídio encontram-se vários demônios juntos aos presos. Pois cada indivíduo que se
encontra dentro do presídio contém um demônio diferente: demônio da mentira, da prostituição, de
homicídio, de roubo, de estupro, das brigas e da morte etc. Portanto, o capelão deverá manter-se em
oração e consagração totais. O poder da oração é muito grande e importante para a evangelização. É
através da oração que os demônios são expulsos e o presos são libertos. É neste momento que
começa a atuar o Espírito Santo nos corações dos presos, fazendo com que se arrependam e aceitem
a Cristo Jesus como seu único e suficiente Salvador.

XI- RELACIONAMENTO DO CAPELÃO PRISIONAL COM PRESOS E FUNCIONÁRIOS

O capelão prisional sempre deve manter sua ética e postura Cristã com presos e funcionários
do presídio. O capelão não deve ter exageros nem normas e rotinas com os presos, mas sim,
submeter-se às normas do presídio e, principalmente, ter flexibilidade quando for ministrar cultos
aos detentos. Ter sempre em mente a “Sabedoria” Romanos 12:1 (Portanto, rogo-vos irmãos, pela
compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a
Deus, que é o vosso culto racional). O capelão deve estar sempre em harmonia com Agentes
Penitenciários, Detetives e Delegados, para que seu trabalho seja eficiente. Para tanto, ele deve
manter sua educação e comportamento exemplares; saber ouvir e falar na hora certa, pois uma das
maiores bases para manter esses relacionamentos sólidos, freqüentes, é agir com moderação e
caráter formado.

O capelão deverá policiar-se quando começar a fazer qualquer tipo de trabalho dentro de uma
penitenciária. Ele deverá se organizar para as suas atividades, pois um presídio é um verdadeiro
campo de missões e, com certeza, ele faz parte da seara de Cristo Jesus. Portanto, o capelão
prisional é um ganhador de almas para Cristo. É ele quem proclama o Evangelho aos presos.

O capelão deverá conter em seu caráter quatro qualidades fundamentais inerentes à competência de
capelania e seu próprio caráter:

1º – Ser uma pessoa de extrema oração e vigilância – (I Ts 5:17);

2º – Consciência de que é um embaixador de Cristo – (II Cor 5:20);

3º – Ser uma pessoa dedicada e consagrada a Deus – (Fp 1:21);

4º – Ser sensível ao Espírito Santo de Deus – (II Tm 2:21; Ef 5:18; At 4:31).

26
“Voltai à fortaleza, ó presos de esperança, também hoje vos anuncio que vos recompensarei em
dobro”
Zc 9:12.

PARTE 3 - SOCIAL

INTRODUÇÃO:

A capelania social, no singular, é a solicitude de toda a Igreja para com as questões sociais.
Trata-se de uma sensibilidade que deve estar presente em cada Igreja e em cada dimensão. Setor e
pastoral, enfim, devem estar presentes nas comunidades eclesiais de base e nos movimentos. Em
outras palavras, deve ser preocupação inerente a toda ação evangelizadora. Pastorais Sociais, no
plural, são serviços específicos a categorias de pessoas e/ou situações também específicas da
realidade social. Constituem ações voltadas concretamente para os diferentes grupos ou diferentes
facetas da exclusão social, como, por exemplo, a realidade do campo, da rua, do mundo, do
trabalho, de mobilidade humana e assim por diante. O setor capelania social, por sua vez, integrado
na dimensão sócio transformadora, tem duplo caráter:
a) Representa uma referência para toda a ação social da Igreja em termos de assessoria,
elaboração de subsídios e reflexão teórica.
b) É um espaço de articulação das capelanias sociais e organismos que desenvolvem ações
específicas no campo sócio político.

Dentro da dimensão sócio-transformadora, é função da capelania social procurar respostas


para esse tipo de situação. Isto significa que as respostas não estão prontas, não há receitas
acabadas. Em cada momento e em cada local, é preciso iniciar um processo em que o maior número
de pessoas se envolvam na busca de soluções concretas. A partir da conscientização da organização
e da mobilização, abrem se caminhos alternativos. O importante é chamar a atenção da Igreja e da
sociedade para esse quadro de injustiça cada vez mais grave. O importante também, como veremos
adiante é envolver o maior número de atores sociais e de parceiros na luta pela transformação
social.

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A Capelania Social tem como finalidade concretizar, em ações sociais e específicas, a
solicitude da Igreja diante de situações reais de marginalização. Mais adiante apresentaremos
algumas indicações práticas de como organizar a ação social na Igreja. No momento, queremos
alertar para a tarefa de identificar, entre os filhos e filhas de Deus, os rostos mais sofridos, com
vistas a dedicar-lhes uma solicitude pastoral específica.
Os textos bíblicos destacam em suas páginas alguns rostos que têm a predileção do amor de
Deus. No Antigo Testamento sobressaem “o órfão, a viúva e o estrangeiro”. No livro de Êxodo,
Deus “Vê, ouve e sente” o clamor dos oprimidos escravizados no Egito (Ex. 3:7-10). Os profetas
não se cansam de chamar a atenção sobre o direito e a justiça para com os pobres. Nos Evangelhos,
novos rostos desfilam diante de nós.
Freqüentes vezes Jesus enumerou listas em que descreve aqueles que se encontram mais
pertos do carinho do Pai. Ex: o texto do juízo final em Mt 25:31, as bem-aventuranças em Mt 5:1-
12, o programa de Jesus, em Lc 4:16-20, e o episódio do bom samaritano, em Lc 10:25-35.
Também vemos que, os doentes, as mulheres marginalizadas, os pequenos e fracos, as crianças,
uma multidão de gente ferida disputa espaço aos pés do Mestre.

Os Atos dos Apóstolos, as Cartas de Paulo e o Apocalipse revelam igualmente a atenção das
primeiras comunidades para com os pobres. Desde cedo, os cristãos se organizam para suprir as
necessidades básicas de seus irmãos. A Capelania Social é voltada para a condição socioeconômica
da população. Hoje, como ontem, ela se preocupa com as questões relacionadas à saúde, à
habilitação, ao trabalho, à educação, enfim, às condições reais da existência a da qualidade de vida.
“Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância.” Jo 8:10. Retomando os exemplos
acima, ela expressa a compaixão de Jesus e o amor da mãe, traduzindo os numa ação social de
promoção humana junto aos setores mais pobres da sociedade.

A sensibilidade se traduz num coração aberto a todo tipo de sofrimento, seja a cruz
individual de cada pessoa humana, seja a cruz coletiva de grupos, setores e categorias inteiras
condenadas à exclusão social. Um coração que se contrai e se distende diante das alegrias e tristezas
que o circundam, o toque amigo, uma palavra, uma visita e até um olhar representam os frutos da
sensibilidade.

A solidariedade concretiza-se na mão estendida às situações de emergência, de carência, de


extrema pobreza, de fome. Não basta ser sensível, é preciso descruzar os braços, arregaçar as
mangas e passar à ação. Um gesto, um mutirão, uma campanha constituem expressões vivas da
solidariedade. A solidariedade se expressa, também, no apoio às lutas e movimentos sociais por
melhores condições de vida e trabalho.

I - QUAL O OBJETIVO GERAL DA CAPELANIA SOCIAL?

A Capelania social integra, junto com outros setores, a dimensão sócio-transformadora da


ação evangelizadora da Igreja no Brasil. A partir da expressão acima, entende-se que o objetivo

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geral dessa dimensão seja contribuir, à luz da Palavra de Deus e das Diretrizes gerais sociais, para a
transformação dos corações e das estruturas da sociedade em que vivemos, em vista da construção
de uma nova sociedade mais digna.
A Pastoral Social de cada Igreja, por sua vez, tem como objetivo desenvolver atividades
concretas que viabilizem essa transformação em situações específicas, tais como o mundo do
trabalho, a realidade das ruas, o campo da mobilidade humana, os presídios, as situações de
marginalização da mulher, dos trabalhadores rurais, dos pescadores e assim por diante. Nesse
sentido, a capelania social procura integrar em suas atividades a fé e o compromisso social, a oração
e a ação, a religião e a prática do dia-a-dia, a ética e a política.
Aqui é preciso superar as dicotomias entre os que só oram e os que só lutam, os que louvam
e celebram e os que fazem política. Na verdade, a verdadeira fé desdobra-se naturalmente em
compromisso diante dos pobres. A ação social é condição indispensável da vivência cristã. O
compromisso sócio-político não é um apêndice da fé. Ao contrário, faz parte inerente de suas
exigências. A fé cristã tem necessariamente uma dimensão social. Não é isso o que nos ensina o
episódio do bom samaritano? Ou seja, entrar ou não entrar na vida eterna é uma alternativa que está
condicionada à atitude frente ao irmão caído e ferido na beira da estrada. Tal condição se torna
ainda mais clara no texto do Juízo Final (Ap. 20).

Em correspondência com as quatro exigências evangélicas da ação da Igreja no Brasil,


quatro palavras chaves poderiam resumir o objetivo da capelania social. Trata-se de proclamar a
Boa Nova do Evangelho entre os mais pobres, através de uma presença, de um alerta, de uma ação
social e de uma articulação-parceria.

1- Uma presença (testemunho) junto aos setores mais marginalizados da população, aos porões
da sociedade, aos “enfermos” do sofrimento humano;

2- Um alerta (denúncia e anúncio) à Igreja e à sociedade civil sobre a existência desses


submundos, alerta que é uma espécie de antena permanentemente sintonizada com o clamor
dos oprimidos;

3- Uma ação social (serviço) que multiplica atividades de conscientização, organização e


transformação, as quais levam à conversão pessoal, por um lado, e a mudanças concretas de
ordem social, econômica e política, por outro;

4- Uma articulação-parceria (diálogo) com as demais igrejas, cristãs e não cristãs, e com as
forças vivas que contribuem para transformar a sociedade em que vivemos.

II- COMO SE ESTRUTURA A CAPELANIA SOCIAL

Esta pergunta nos leva à estrutura de toda a ação evangelizadora da Igreja no Brasil.
Segundo o organograma, as dimensões são divididas em três:

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 Primeira dimensão – comunitária e participativa;

 Segunda – missionária;

 Terceira bíblico – evangelizadora.

As exigências relacionadas à capelania social são as seguintes:

1º – Anúncio;

2º – Testemunho;

3º – Diálogo;

4º – Serviço.

Evidente que toda evangelização deve ser perpassada por todas as dimensões e exigências.
A dimensão ou exigência representa a porta de entrada para os setores específicos, o enfoque a
partir do qual desenvolvem sua ação concreta. Mas tanto as dimensões como as exigências se
interpenetram completamente e se enriquecem reciprocamente.

O setor capelania social integra a dimensão sócio-transformadora, a chamada linha 6, e tem


no serviço, sua exigência predominante. Claro que esta dimensão e exigência se interligam entre si,
ao mesmo tempo em que se complementam com as demais dimensões e exigências. A palavra
dimensão, pelo seu dinamismo, dá conta dessa complementaridade. Quanto às exigências, os
quatros se interpenetram e se misturam na ação evangelizadora, sendo difícil individualizá-las. A
dimensão sócio-transformadora, por sua vez, é formada pelos seguintes setores:

1º – Capelania Social;

2º – Educação;

3º – Comunicação Social, Ensino religioso, Pastoral Universitária da Cultura e Pastoral


Afro-brasileira.

O setor da capelania social reúne, sob sua articulação, onze pastorais e três organismos.

III- CAPELANIA OPERÁRIA

As mudanças no mundo atual atingem dramaticamente aos trabalhadores e trabalhadoras,


cada vez mais excluídos do mundo do trabalho e dos bens socialmente produzidos.

A Capelania Operária participa e contribui neste campo a partir da exigência de sua fé cristã.
É esta fé que irá influir na sua forma de abordagem, na sua postura e na sua metodologia dentro do
mundo do trabalho, no qual se situa sua identidade e sua mística. É uma pastoral com o olhar e um
agir que contribui para a construção de um projeto alternativo de sociedade, o qual será obra das

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trabalhadoras e trabalhadores, onde ela cumpre a missão evangélica de ser sal e fermento. Para isto,
a CO estimula os trabalhadores e trabalhadoras, dentro e fora da Igreja, a participarem no
movimento social e nas variadas e legítimas formas de organização.

Neste momento, seu compromisso impõe a necessidade de contribuir para a existência de


um amplo movimento dos trabalhadores e trabalhadoras do conjunto da sociedade frente às
mudanças no mundo do trabalho, contra o desemprego e pelo emprego como política social,
chamando à responsabilidade os setores empresariais e governamentais. Este é o eixo em torno do
qual devem girar os programas, projetos e atividades das equipes e instâncias da CO em todo o
Brasil, delimitando setores específicos a serem trabalhados de acordo com a religião, a qualificação
dos e das militantes e os recursos disponíveis.

IV- CAPELANIA DOS POVOS DE RUA

A capelania de rua desenvolve sua missão sendo presença junto à população de rua,
reconhecendo sua dignidade e descobrindo os sinais de Deus presentes em sua história.

O cenário encontrado nas ruas das cidades permite encontrar um povo que luta e resiste
para sobreviver. Recolhidos ora em marquises e viadutos, ora em casas e prédios desocupados, os
moradores de rua sofrem o estigma da exclusão social. Igual sorte cabe aos catadores de papel, que
puxando pesados carrinhos, andam nas ruas e lixões das cidades coletando materiais recicláveis
para revender no mercado. Sem reconhecimento oficial, estes homens e mulheres são contabilizados
no censo do IBGE. Via de regra, os poderes públicos optam pela reedição de medidas excludentes.
Nas ruas sofrem as conseqüências das operações-limpeza planejadas nos municípios, nos lixões
trabalham sem as mínimas condições de higiene e salubridade. Para todos, é comum o preconceito
social que estigmatizam suas vidas.

O compromisso solidário tecido nesta nova relação criada desenvolve ações que se pautam
no reconhecimento dos direitos dessa população e na defesa da vida. Os agentes atuam animando e
fortalecendo o processo organizativo, resgatando a beleza da vida, denunciando toda ação de
exclusão e violência e criando com os mesmos, alternativas de produção de bens e cidadania.

V- CAPELANIA DA MULHER MARGINALIZADA

A Capelania da Mulher Marginalizada tem a missão profética e evangélica de contribuir e


abrir espaço para que a mulher prostituída possa ser agente da sua libertação e possa articular-se
com outros grupos de oprimidos e outras pastorais.

A CMM busca despertar nas suas equipes em todo o país, o desejo de trabalhar com as
mulheres prostitutas no sentido delas serem mais um segmento da sociedade em busca de

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transformação nas questões políticas, econômicas e nas relações entre homens e mulheres. Gastar
tempo e energia com a formação dos(as) agentes, através de aprofundamento da mística, cursos,
oficinas, preparação de material formativo e informativo, buscando alianças, participando de
eventos, promovendo encontros de agentes e de mulheres prostituídas, contribuindo na implantação
e implementação de políticas públicas, denunciando a violência que sofrem essas mulheres,
colaborando na inserção delas nos movimentos populares e sociais. Também acreditamos na
presença gratuita solidária. Estar lá para confortá-las, abraçá-las e ouvi-las é muito importante, pois
se trata de uma população especial, que via de regra, nunca é confortada, abraçada e escutada.

Os membros da CMM na sua prática se deparam com uma população totalmente


desinformada a respeito dos seus direitos sociais. Por isso, se faz necessário que os agentes da
CMM tenham também a socialização da informação como uma das condições de uma prática que
contribui na construção de uma sociedade democrática, tendo como base a igualdade econômica,
política e social.

VI- CAPELANIA DA CRIANÇA

Em setembro de 1983, a capelania da criança iniciava suas atividades no município de


Florianópolis/PR, desenvolvendo uma metodologia própria que une a fé e vida, tendo como centro a
criança em seu contexto familiar e comunitário.

A missão da Capelania Social da criança é a própria missão de Jesus, que é também a


missão da Igreja e de todos os Cristãos: EVANGELIZAR. A capelania da criança é ecumênica e
não faz nenhum tipo de discriminação de cor, raça credo religioso ou opção política. A todos leva o
lema do Bom Pastor. A capelania da criança usa uma metodologia que conta com três grandes
momentos de intercâmbio de informações que ajudam no fortalecimento da solidariedade:

1º – Visitas domiciliares mensais – realizadas pelos líderes a cada família acompanhada;

2º – Dia do peso – cada comunidade se reúne para pesar as suas crianças: Esse dia se
transforma num momento de celebração da vida;

3º – Reuniões com todos os líderes de uma comunidade – para refletir e avaliar o trabalho
realizado no mês anterior.

A prática da capelania da criança parte da idéia de que a solução dos problemas sociais
necessita da solidariedade humana, organizada e animada em rede, com objetivos definidos, e que o
principal agente de transformação são as lideranças das comunidades, envolvendo-as no
protagonismo de sua própria transformação.
Fazendo a união, a fé e o compromisso social, a capelania da criança organiza as
comunidades em torno de um trabalho de promoção humana no combate à mortalidade infantil, à
destruição e à marginalidade social. A capelania da criança atua eficazmente na educação para uma
cultura de paz e na melhoria da qualidade de vida de mais de um milhão de famílias acompanhadas.
O trabalho essencial é a organização da comunidade e a capacitação dos líderes voluntários que ali

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vivem e assumem a tarefa de orientar e acompanhar as famílias vizinhas, para que elas se tornem
sujeitas de sua própria transformação pessoal e social.

VII- CAPELANIA DO MENOR

A pastoral do menor tem seu início no ano de 1977. Ela surge num quadro de intuições
proféticas que se apresentavam como respostas da Igreja aos desafios das crianças e adolescentes
empobrecidos e em situações de risco. A capelania do menor aparece também como busca de
organização dessas ações, em 1987.

A capelania do menor é um serviço da Igreja com mística e identidade próprias que, à luz do
Evangelho, se propõe a estimular um processo que visa a sensibilização, a conscientização crítica, a
organização e a mobilização da sociedade como um todo na busca de uma resposta transformadora,
global, unitária e integrada à situação da criança e do adolescente. Tem como objetivo, em seus
programas de atendimento, promover a participação dos pequenos como protagonistas do processo
de promoção da cidadania.

VIII- COMO ORGANIZAR UMA CAPELANIA SOCIAL?

As capelanias sociais surgem, em geral, como um serviço de articulação nacional a uma série
de atividades que se desenvolvem em determinadas áreas específicas. Normalmente estão
relacionadas a um rosto bem definido, umas certas categorias entre os pobres ou a um determinado
quadro de abandono. Assim, como vimos a capelania da mulher marginalizada, procurar
acompanhar situações concretas que dizem respeito à situação da mulher.
A Capelania Social organiza-se em todos os níveis eclesiais: nacional e regional. A
organização passa por alguns passos metodológicos, cuja seqüência não é rígida nem obrigatória.
Mais importante que a regra é, sem dúvida, a criatividade e a espontaneidade locais.

O primeiro passo é identificar quais os rostos – categorias marginalizados e/ou situações


sociais de extrema carência – mais pobres e excluídos em todos os níveis. Para cada face da
exclusão, como vimos, existe uma pastoral social específica, e se não existe, é interessante criar um
serviço de presença evangélica e de atuação pastoral, o qual, com o tempo, pode vir a se tornar uma
nova pastoral social. O ponto de partida de qualquer ação é uma tomada de consciência da realidade
local, com atenção especial para os grupos que sofrem o peso da exclusão. Esta conscientização da

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realidade pode ser feita através de visitas pastorais, de pesquisas e levantamentos ou de um trabalho
científico.

A partir dessa presença e acompanhamento, o terceiro passo é desenvolver atividades de apoio


e solidariedade aos movimentos sociais e a luta por melhores condições de vida e trabalho, o que
significa uma ação lenta e persistente de conscientização, organização e mobilização. Trata-se de
um processo longo que exige dedicação permanente. Neste sentido, é importante disponibilizar
recursos humanos e financeiros e espaços físicos, bem como emprestar a palavra aos pobres.

Num quarto passo, as diversas equipes de base das capelanias sociais específicas devem
promover encontros conjuntos com a capelania social, reunindo-se com certa freqüência, seja em
nível comunitário ou congregacional ou regional ou diocesano. Tais encontros servem para trocar
experiências, traçar metas comuns e planejar atividades gerais. Nessa perspectiva, é imperativo que
cada capelania específica esteja atenta ao calendário de eventos das demais pastorais, tais como:

O Dia do Trabalhador (1o de Maio);

O Dia de Luta da Mulher (8 de Março);

O Dia do Trabalhador Rural (25 de Julho) e outros.

IX- QUAIS OS FUNDAMENTOS E FONTES DE ESPIRITUALIDADE DA CAPELANIA


SOCIAL?

A Capelania Social é uma árvore que mergulha na terra suas raízes profundas. Delas vêm a
seiva que alimenta sua espiritualidade. Ao longo do caminho, a ação social abre poços onde
encontra a água viva que sustenta sua caminhada. As capelanias específicas que formam os ramos
dessa árvore, nutrem-se do alimento que vem do chão, que sobe pelo tronco, transfigura-se ao
contato com a luz solar e reforça-lhe a mística libertadora. A dimensão imprescindível do
testemunho cristão: há que rejeitar a tentação de uma espiritualidade intimista e individualista, que
dificilmente se coaduna com as exigências da caridade, com a lógica da encarnação e em última
análise, com a própria tensão escatológica do Cristianismo. Essa tensão nos leva a construir o
mundo, e a atender o bem dos nossos semelhantes, mas antes, nos obriga ainda mais a realizar essas
atividades.

X- CAPELANIA SOCIAL NO ANTIGO E NOVO TESTAMENTOS

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1- Antigo Testamento

Podemos partir da libertação do Egito – Experiência fundamental do Povo de Deus, o Êxodo


da escravidão para a terra prometida constitui um paradigma para a Capelania Social. Deus não quer
escravidão e intervém na história para conduzir o povo a uma nova vida. O chamado do povo de
Israel à ação de Deus na história (Ex. 3:7-10; Dt 26:4-10). Deus se sensibiliza com o clamor dos
escravos no Egito e, a partir daí, desencadeia uma ação libertadora, em que Moisés será
protagonista junto com seu povo.

Também nos livros chamados históricos, transparece a predileção de Deus pelos pequenos e
frágeis, simbolizados na trilogia (órfão, viúva e estrangeiro). Aqueles que a sociedade discrimina e
marginaliza têm prioridade no amor infinito do Pai, como irá mostrar mais tarde a prática de Jesus.

Desde o Livro de Gênesis, quando Deus utiliza o símbolo do arco-íris para celebrar um
pacto com o seu povo. Diz literalmente o texto: “Eis o sinal da aliança que instituo entre mim e vós
e todos os seres vivos que estão convosco, para todas as gerações futuras” (Gn 9:12-13). O respeito
à biodiversidade e à natureza, bem como cuidado com as gerações que estão por vir é condição para
garantir a vida do homem e da mulher.

Além disso, tanto nos livros proféticos quanto nos Salmos e na literatura sapiencial, são
recorrentes palavras como o direito e a justiça, em que não é difícil interpretar a importância do
valor fundamental que tem a dignidade humana para os filhos e filhas de Deus.

2- Novo testamento

Nas palavras e na prática de Jesus transparece a dimensão social de sua ação. Retomando o
que vimos acima, textos como o Juízo Final, as bem-aventuranças, o bom samaritano, entre outros,
sublinham claramente que a salvação está subordinada ao compromisso com os pobres. O episódio
dos discípulos de Emaús (Lc 24:13-35), entretanto, apresenta uma certa metodologia da atuação de
Jesus. A partir dele, não seria difícil desenvolver uma espécie de pedagogia da capelania social.
Vejamos os passos dessa pedagogia:

A) O caminho

O ponto de partida é a estrada. Os discípulos estão a caminho, vão tristes, abatidos,


desanimados. A experiência com o Galileu terminou na cruz e eles ficaram com medo e fugiram. Se

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mataram o chefe, o que não estará reservado para nós? Trilharam o caminho da fuga, do fracasso,
da impotência.

Isso nos leva a perguntar pelas estradas: Onde caminha hoje o povo? A falta de terra, o
desemprego, a luta pela saúde, pela moradia e pela sobrevivência obriga-os a um vaivém sem fim. E
quando não têm condições de partir, amargam situações de extrema pobreza.
Jesus caminha com os dois, procura conhecer a expressão de seus rostos, o tom de suas
palavras, as dificuldades de seus passos. Não os espera no templo ou na sinagoga, mas corre ao seu
encalço. Acompanha-os em seu penoso caminho.
Atenção para a delicadeza do Mestre: faz-se forasteiro para poder conversar de igual para igual.

B) O convite

Jesus faz que vai adiante. Os discípulos o convidam para entrar. Constata-se novamente a
delicadeza encoberta: no fundo, o convite parte do Mestre. Ele é que toma a iniciativa. Tem o tempo
livre, seu tempo é do Pai, e se é do Pai, é dos pobres. Coloca-se à disposição como a dizer: Se me
convidarem, eu fico.
“Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua
casa e cearei com ele, e ele comigo”, diz outra passagem bíblica (Ap 3:20).

Hoje as Igrejas estão de portas escancaradas, mas onde estão os pobres, os mais excluídos? Por
que não se aproximam e entram? O que os impede de chegar mais perto? Quando as portas abertas
da Igreja não são mais um convite para o pobre entrar, então temos de nos tornar convites vivos
aonde quer que estejamos:

A) Ruas;
B) Becos;
C) Calçadas;
D) Praças;
E) Campos;
F) Favelas;
G) Lixões;
H) Cortiços.

Enfim, por onde ele vive ou se esconde. As capelanias sociais têm de criar pés. Se o povo não
vem à Igreja, a Igreja tem de ir até ele. Só assim podemos romper nossos círculos fechados e alargar
o raio de nossa atuação. Precisamos marcar presença nos lugares mais distantes e insólitos, mais
frios e sórdidos. Além disso, abrir espaço nas dependências da Igreja para reuniões, encontros,
assembléias de categorias que lutam por seus direitos básicos: Ceder espaços, tempo e apoio e
favorecer suas organizações e movimentos, de forma a sentirem que Deus os criou para uma vida

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digna e humana. Ceder também espaços para jornais, boletins e em todos os veículos de
comunicação eclesiais. Tornar-se voz dos que não têm voz, para que possam enfrentar aqueles que
os oprimem. Ajudá-los a conquistar também seu espaço:

A) Físico;
B) Eclesial;
C) Político.

XI- CONCLUSÃO

A MISSÃO DO CAPELÃO SOCIAL

Os discípulos refazem o caminho de volta a Jerusalém, entretanto, não é mais o medo e a


frustração que os move. Um novo ardor como que põe asas em seus pés, “Não ardia nosso coração,
enquanto Ele nos falava?” Correm para testemunhar o que viram, superam as dificuldades do início.
O encontro com o Ressuscitado renovou-lhes o vigor. Nada mais os deterá na missão, nem o
martírio.

A luta das capelanias sociais é árdua. Muitas vezes o preço é a perseguição e a morte.
Incompreensões e rejeições fazem parte do dia-a-dia, isto sem falar do sistema de morte. Outras
vezes, é o cansaço e o desânimo que nos abate, devido, sobretudo, à sobrecarga de atividades. Na
verdade, são poucos os que se aventuram por esse caminho, embora o trabalho seja imenso.

Como vencer os obstáculos?

Se não formos capazes de um verdadeiro companheirismo entre nós, como vimos acima, e de
encontros freqüentes com o Ressuscitado, será difícil renovar as forças. Como regressaremos à
Jerusalém de hoje, aos presídios, às ruas, aos campos, aos prostíbulos, às portas de fábricas, aos
caminhos onde está o povo? Como voltaremos a anunciar a Boa Nova aos pobres? A oração e a fé
são fontes de água viva que nos nutrem para um renovado ardor missionário.

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PARTE 4 – ÉTICA CRISTÃ
Noções

Introdução:

A Ética Cristã parte da premissa de que Deus tem uma missão para cada homem cumprir no
mundo. Esta missão baseia-se em três grandes relações:

ÉTICA
É a ciência que trata dos fatos concernentes aos procedimentos do homem em todas as suas
relações.

1 - Origem da Palavra:

Ética vem do grego, ethos, que significa “costume”, “disposição”, “hábito”. No latim, vem de
mos (mores), com sentido de vontade, costume, uso, regra.

2 – Definição:

Ética é, na prática, a conduta ideal e reta esperada de cada indivíduo. Na teoria, é o estudo dos
deveres do indivíduo, isolado ou em grupo, visando a exata conceituação do que é certo e do que é
errado. Reiterando, Ética Cristã é o conjunto de regras de conduta para o cristão, tendo por
fundamento a Palavra de Deus. Para nós, crentes em Jesus, o certo e o errado devem ter como base
a Bíblia Sagrada, nossa “regra de fé e prática”.
O termo ética, ethos, aparece várias vezes no Novo Testamento, significando conduta,
comportamento, porte e compostura (habituais).
A ética cristã deve ser fundamentada no conhecimento de Deus como revelado na Bíblia,
principalmente nos ensinos de Cristo, de modo que “...ele morreu por todos, para que os que vivem
não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5.15; Ef 2.10).

3 - Objetivo da Ética:

Considerar a razão de ser, de vida do homem, de seus poderes e de faculdades para que ele
descubra e cumpra melhor a missão que seu criador lhe conferiu neste mundo.

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I- DEVERES PRÓPRIOS DE CONSERVAÇÃO E PRESERVAÇÃO

O homem tem três grandes inimigos: morte, doença e pobreza, que destroem sua vida. É seu
dever combatê-los como garantia de saúde e bem-estar próprios, pois para cumprir a missão dada
por Deus, o homem precisa conservar sua vida, combatendo a morte até ao extremo. Os deveres de
conservação própria envolvem o dever de preservação própria. A lei da preservação própria é a
mais básica da natureza e está presente não só no homem, mas também nas demais criaturas. Tanto
animais como vegetais têm meios de defesas próprias.

O ser humano preserva sua vida por um motivo mais nobre, o de cumprir sua missão. Assim,
quando come e bebe não o faz somente para satisfazer seu apetite, mas a preservação própria inclui
a vida física e a vida espiritual.

1- PRESERVAÇÃO DA VIDA FÍSICA

O corpo é a casa do espírito e o veículo através do qual ele se comunica com o mundo
material.
A Ética Cristã proíbe tudo que prejudica a saúde do corpo, pois um corpo doente põe em
perigo o êxito da missão do homem na terra.

Sendo assim a ética condena:

A) Mutilação do corpo

Ex.: O costume chinês, em certos lugares daquele país, de amarrar os pés das meninas para
que eles não cresçam.
O costume de algumas tribos indígenas de colocar prensa na cabeça do recém-nascido para
lhe dar a forma desejada.

B) O suicídio

É a culminação de uma série de transgressões dos princípios fundamentais da ética


individual e das leis divinas.
“Nesta vida estamos num quartel, donde não podemos sair sem ordem superior” (Platão).
Nas Escrituras, encontramos o registro de alguns casos de suicídio. Em todos eles, vemos
que seus protagonistas foram pessoas que deixaram de lado a voz do Senhor e desobedeceram à sua
Palavra:

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b. 1) O exemplo de Saul. Foi um rei fracassado que deixou o Senhor e foi em busca de uma
médium espírita (cf. 1 Sm 28.1-19; 31.1-4; 1 Cr 10.13-14);
b. 2) O exemplo de Aitofel. Foi um conselheiro de Absalão, orgulhoso, que se matou por ver
que sua palavra fora suplantada por outro. (2 Sm 17.23);
b. 3) O exemplo de Zinri. Um rei sem qualquer temor de Deus, que usurpou o trono por
tradição e matança, e que por fim se matou, quando se viu derrotado pelo exército inimigo (1 Rs
16.18-19);
b. 4) O exemplo de Judas Iscariotes. Após trair Jesus, foi dominado por um profundo
remorso, e, ao invés de pedir perdão ao Senhor, foi-se enforcar.

O posicionamento cristão. A vida é Sagrada e somente Deus pode tirá-la. Moisés pediu a
Deus que tirasse a sua vida (Nm 11:15). O profeta Elias também fez o mesmo pedido (1 Rs 19:4) e
da mesma forma o profeta Jonas (Jn 4:3). Deus não atendeu a nenhum desses pedidos. Isso mostra
que a vida pertence a Deus e não a nós mesmos. Deus sabe a hora em que a vida humana deve
cessar e Ele é o soberano de toda a existência.
As Sagradas Escrituras condenam o suicídio pelos seguintes motivos:
a) É assassinato de um ser feito à imagem de Deus (Gn 1:17; Ex 20:13; Jo 10:10);
b) Devemos amar a nós mesmos (Mt 22.39; Ef 5.29);
c) É falta de confiança no Deus, visto que Ele pode nos ajudar (Rm 8.38, 39); A mulher de Jó
sugeriu, diante de seu sofrimento, que ele amaldiçoasse a Deus e morresse (se suicidasse). Ele,
porém, não aceitou tal idéia, e de modo resignado, confiou integralmente no Senhor;
d) Devemos lançar as nossas ansiedades sobre o Senhor, e não na morte (1 Jo 1.7; 1 Pe 5.7).
O ser humano deve respeitar seu corpo como propriedade de Deus. Por isso, não compete ao
homem tirar a sua vida. Ao contrário, tudo ele deverá fazer para protegê-la.

C) O direito de defesa

O indivíduo tem que fugir da morte, não só das próprias mãos (como o suicídio), mas das
mãos alheias também.
Sendo assim, ele tem o dever de se defender até onde for necessário para preservar sua vida,
porém, este direito só lhe é concedido enquanto está livre de toda e qualquer culpa.

D) A Vida Física

Não é esta, entretanto, a coisa suprema deste mundo. Há ideais tão elevados e nobres que
justificam o sacrifício da vida física. Por exemplo: os mártires que preferiram morrer a trair a
verdade e a justiça.
Outro exemplo é o daqueles que sacrificam suas vidas em favor dos inocentes, dos
desamparados pela família ou pela pátria.

2 – PRESERVAÇÃO DA VIDA ESPIRITUAL

Preservar a vida espiritual é o dever mais alto e mais sagrado do homem.

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Nosso espírito, enquanto neste mundo, está cercado de males que procuram destruí-lo e é
mister que os vençamos para defendê-lo.

A) Defender de si mesmo

Da mesma maneira que alimentamos e cuidamos da saúde do corpo, devemos alimentar e


cuidar do espírito, deixando de praticar aqueles atos que o enfraquecem e o tornam ineficiente no
cumprimento de sua missão.
Todo mau desejo e as más tendências devem ser combatidos.

B) Defender-se dos outros

Todo homem tem o direito e o dever de defender seu espírito através dos recursos ao seu
alcance.

II – DEVER DE CUIDADO PRÓPRIO

1 – Amar a si mesmo

Se o amor-próprio não é diretamente ordenado em qualquer parte da Escritura, pelo menos é


subentendido em muitos lugares. Primeiramente, que a pessoa deve amar a si mesma é
subentendido no mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19:18; Mt 22:39). Se
essa norma ética, freqüentemente repetida, não comanda o amor-próprio, pelo menos parece que
subentende que o amor-próprio é certo. Parece estar dizendo que o amor próprio é a base do amor
aos outros; que a pessoa não pode sequer amar aos outros a não ser que ame a si mesma. Mas se a
pessoa não respeitar o bem que Deus criou nela mesma, como será esperado dela que respeite o bem
da criação de Deus nos outros lugares?

O ensino de Paulo pareceria confirmar esta interpretação do mandamento no sentido de amar


aos outros como a si mesmo. Escreveu: “Pois ninguém jamais odiou a sua própria carne, antes a
alimenta e dela cuida...” (Ef 5:29). Nada há de errado com isso. Cada um deve cuidar de si mesmo.
O respeito-próprio é moralmente necessário. O homem não tem mais direito de odiar o bem criado
por Deus nele mesmo do que qualquer outro lugar.

2 – Cuidado do Corpo

Para se ter um corpo cuidado e saudável é necessário que se observem as leis físicas. A
desobediência delas trará prejuízos para o cumprimento da nossa missão. Geralmente as doenças
são os resultantes destas desobediências às leis físicas. O ascetismo é condenado pela ética, porque
prejudica a saúde do corpo.

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Obs: Ascetismo diferente de disciplina.
O cuidado do corpo inclui:

A) Comida – o que comer


O corpo precisa de uma dieta equilibrada entre carbonato, nitrato e fosfato. Diz-se que o
brasileiro não sabe comer. Devemos comer o que precisamos e não o que gostamos.
Como quer: “cavamos nossa sepultura com os dentes”.
Mastigar bem o alimento até reduzi-lo o mais possível é fundamental. Isto implica em gastar
tempo. O tempo para alimentação deve ser planejado e suficiente. Correrias, tensão e atropelos às
refeições prejudicam a saúde.

B) A bebida
Mais de ¾ do nosso corpo é água. Devemos sustentá-lo com água pura, bebendo até mesmo
sem sede.

C) O ar
É nosso dever procurar respirar o ar mais puro, pois o ar poluído é causa de sérias moléstias
como tuberculose, alergias, etc...

D) Higiene
Calcula-se que em 24 horas passe um quilo de líquido pelos nossos poros. Portanto, a pele
deve ser limpa para que esses poros não sejam obstruídos pela sujeira, causando assim prejuízos à
saúde física. O banho diário é indispensável e escovar os dentes pelo menos três vezes ao dia
constituem medidas higiênicas importantíssimas.

E) Exercício Físico
O corpo é uma máquina que enferruja quando não é usada, por isso a ética ensina o dever do
exercício para promover o bem-estar do homem por causa da missão.

F) Descanso
Há limites para as atividades físicas e não temos o direito de ultrapassá-las. O descanso
promove reposição de energia gasta no trabalho e temos o dever de estar sempre com a energia
recarregada para evitar o stress tão comum em nossos dias. Todo estressado é um transgressor da lei
física do descanso.

3 – Cuidado do Espírito

Diz a Organização Mundial de Saúde, que saúde é a sensação de bem-estar físico e mental.
Quer dizer que a saúde envolve o indivíduo completo.
Seu espírito precisa de cuidados para ser sadio:

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A) Dieta – O espírito alimenta-se no reino espiritual. Esta alimentação consiste da verdade e
das relações sociais. É impossível ao espírito alimentar-se bem sem conhecer a verdade e sem
manter relações com o próximo e com Deus.
Jesus se apresentou como o melhor alimento para o nosso espírito. Veja Jo 6:35; 4:10; 14:6.
A Bíblia é outra fonte de verdade para a dieta do espírito.

B) Ambiente – É direito e dever do indivíduo afastar seu espírito de um ambiente mau para o
seu desenvolvimento como precisa e os amigos são um fator de extrema importância neste caso.

C) Pureza – Jesus disse: Bem – aventurados os limpos de coração.


No Salmo 51, Davi orou: Dá-me, ó Deus, um coração puro.
Os espíritos mais belos e mais sadios são puros.
D) Exercício – O espírito também atrofia se não for exercitado, trabalhando na prática do bem.
Leia em 1 Tm 4:7,8 cf. Heb. 5:14.

E) Descanso – Só em Jesus, o espírito encontra descanso. Ele diz isto em Mt 11:28.

III - DEVER DE SUSTENTO PRÓPRIO (CONTRA A POBREZA)

Todos têm o dever de lutar contra a pobreza e adquirir os meios necessários à subsistência. Para
tal, cada indivíduo tem o dever de trabalhar para seu sustento, pois a preguiça é condenada pela
ética e é considerada pela sociedade como um dos sete pecados capitais.

1 – O sustento do Corpo

A natureza é a base de toda riqueza material e o homem tem o dever de aproveitar-se dela
fazendo com que ela lhe dê em abundância todo o necessário para o sustento do seu corpo.
O que faz a diferença básica entre uma nação civilizada e uma atrasada é a questão do
aproveitamento do que a natureza pode lhe oferecer.
Deus concedeu ao homem poder sobre a natureza, mas não se pode abusar deste poder. Muitas
pessoas abusam dos animais e qualquer mau trato infligido a eles é condenado pela ética.
Provérbios 12:10.
Muitos países já criaram sociedades protetoras dos animais.
A ética condena também o costume de matar animais só por lazer, para mostrar que é hábil
atirador.
O dever de sustento próprio envolve os seguintes assuntos:

A) Indústria – Todo homem deve dedicar-se a um trabalho para produzir o necessário para
subsistência.

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O parasita humano é severamente condenado pela ética cristã. Ninguém tem o direito de levar
vida ociosa. (Prov. 12:11 e Prov. 14:23)

B) Economia – Economizar os resultados do trabalho é dever de cada indivíduo. Não é certo


gastar tudo o que se ganha como se estivesse no último dia de vida. O que assim procede não terá o
suficiente para seu sustento e viverá na dependência alheia. A ética condena todo o tipo de
dependência voluntária da sociedade.
2 – O sustento do Espírito

Alimentamos o espírito com:

A) A verdade – é o pão do espírito e por isso deve ser buscada com toda diligência.

B) Relações sociais sadias – O homem não foi criado para viver em isolamento. Necessita para
seu desenvolvimento saudável de se relacionar com o próximo. Este relacionamento precisa
contribuir para fortalecer o espírito, e por esta razão, deve ser o mais belo possível.
Devemos oferecer a nós mesmos as mais perfeitas relações pessoais que possamos
conseguir. Entre elas está os relacionamentos pessoais. A ética determina que todo indivíduo
cultive as melhores relações sociais com os homens e especialmente com Deus.

C) Beleza – O Criador encheu o universo de coisas belas que podemos contemplar: montanhas,
rios, estrelas, o nascer e o pôr-do-sol, etc... Observar estas coisas enleva o espírito. Devemos
também procurar a beleza das pessoas de bom caráter e conviver com elas para enriquecer
nosso espírito.

D) Bondade – É outro tesouro que o espírito deve possuir e precisamos nos dedicar
a possuí-la, porque Deus no-la dá abundantemente. Possuí-la requer esforço e
até sacrifício.

IV- DEVERES DE CULTURA PRÓPRIA

Todo homem recebe de Deus poderes físicos e espirituais para serem desenvolvidos no
cumprimento da sua missão. Uns recebem mais, outros menos, mas o fato é que todos recebem e
não é a quantidade destes dons que conta, mas a qualidade. Assim, é dever de todo indivíduo
cultivar e desenvolver estes dons ou haverá de perdê-los.

LEIA:

Todos recebem oportunidades para este cultivo e todos passam por dificuldades e a
diferença entre o homem bem sucedido e o fracassado está em transformar as dificuldades em
oportunidades.

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Demóstenes, grande orador grego, é um exemplo para nós, pois, sendo gago, tornou-se o
maior orador de todos os tempos, graças à sua tenacidade.
Ao cultivarmos nossos poderes físicos ou espirituais, cuidemos em desenvolvê-los
simetricamente para que haja harmonia e perfeição entre eles (equilíbrio).

1- A cultura Física Geral

Podemos considerar a cultura física no âmbito e no especial:


A ética determina ao homem o dever de cultivar o físico como base de segurança para as
operações do espírito.

O dever de cultura física é de vital importância, já que a relação entre o corpo e o espírito é
profundamente íntima.

É dever do homem cultivar sistematicamente todos os sistemas do organismo muscular,


nervoso, digestivo, etc... em perfeito funcionamento.

Isso envolve a cultura dos sentidos e dos poderes de ação e expressão.

Cultura dos Sentidos - Audição, visão, paladar, olfato e tato. Esses cinco sentidos devem ser
cultivados para aperfeiçoar a comunicação com o mundo de tal maneira que sejam fiéis e não
enganosos.

Cultura dos poderes de ação e expressão – O corpo é o meio de expressão e manifestação do que se
passa no interior, que é o espírito e é também o meio para o homem receber comunicação e
impressões do mundo exterior e por isso deve ser cultivado da melhor maneira possível.

2- Cultura física especial

Cada vocação exige uma cultura própria especial, pois ela visa dar ao homem, os meios
pelos quais possa cumprir sua missão mais eficientemente.

Assim, um advogado necessita de um tipo de cultura física diferente da que necessita um


lutador de boxe.

3- Cultura espiritual

Todo indivíduo tem o dever de desenvolver diligentemente seu espírito; já que ele é imortal,
isto se reveste de importância suprema.

Para desenvolver o espírito é necessário:

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 Ter desenvolvimento exato do espírito do indivíduo;
 Ter conhecimento da verdadeira teoria da educação;
 Aplicar essa teoria ao desenvolvimento espiritual.

Como ser racional, o homem tem o dever de educar-se a si mesmo, desde o berço até o
túmulo. Consideremos cada um desses três requisitos da cultura espiritual:

A) Conhecimento do espírito individual - Além da necessidade de se conhecer a psicologia


geral do homem como parte da raça humana, há necessidade de se ter um conhecimento da
psicologia particular do indivíduo, pois cada pessoa é diferente da outra. Precisamos
conhecer as diferenças e os pontos em comum de uns e outros.

B) Conhecimento da verdadeira teoria da Educação - O fim de toda educação é desenvolver e


cultivar os poderes das pessoas. Educação é mais do que adquirir fatos: é sim, assimilá-los.
É exercitando que desenvolvemos nossos poderes. Ex: Como cultivar a memória?
Decorando. Como cultivar a razão? Raciocinando.

São quatro os poderes do intelecto:

 Poder cognitivo – representa a faculdade de observar, sintetizar;


 Poder conservativo – representa a faculdade de reter na memória;
 Poder comparativo – representa a faculdade de julgar, raciocinar;
 Poder construtivo – representa a faculdade de planejar, organizar.

Aplicação da teoria ao desenvolvimento espiritual da Educação à cultura própria.

Vale a pena cultivar nossos poderes, pois os resultados são grandes e compensam os
esforços feitos.

4- Cultura do Intelecto

Todo empenho deve ser feito no sentido de vencer os inimigos que impedem a cultura do
nosso intelecto.

Vejamos alguns destes inimigos:

 Ignorância – É a coisa mais cara que existe! Pagamos muito por nossa ignorância. O
ignorante jamais cumpre o dever para consigo mesmo.
 Estupidez – O estúpido não evita, não julga, não pergunta, mas satisfaz-se com sua
estupidez. O ignorante é ignorante porque não sabe, mas o estúpido é porque não quer saber.

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 Imprudência – É a falta que consiste em não se avaliar bem as conseqüências dos atos
cometidos.
 Precipitação – O precipitado tem pressa de chegar a uma conclusão sem a devida reflexão.
Ele não relaciona e nem espera o momento certo, mas julga e age precipitadamente e sempre
incorre no erro.
 Credulidade e Ceticismo – São duas formas opostas do mesmo vício do intelecto. O crédulo
acredita em tudo que vê e ouve, sem fazer distinção entre a fantasia e a verdade, entre a
estória e a história. O Céptico é o oposto! Duvida de tudo e de todos. Falta tanto ao crédulo
como ao céptico, o uso do poder comparativo do intelecto. Falta-lhes o raciocínio.

5- Cultura dos sentimentos

O sentimento é o poder que move a ação e por este motivo deve ser cultivado. É nosso dever
amar o que é amável e desejar o que é desejável. Nada há de errado em se amar e desejar o que é
digno do nosso amor e do nosso desejo.
Os sentimentos devem ser cultivados com diligência, mesmo porque são o motivo da ação.
São eles que movem as pessoas para conquistas e para o progresso.
Eles têm dois inimigos que o indivíduo precisa combater:

 A Insensibilidade – Ninguém tem o direito de ser insensível aos sofrimentos da humanidade.


Não é possível cumprirmos a missão dada por Deus sem cultivar a sensibilidade para com o
que ocorre tanto com os felizes como os menos afortunados. A Bíblia manda chorar com os
que choram e se alegrar com os que se alegram.
 A Paixão – é o resultado de se dar aos sentimentos toda a liberdade, deixando-os sem
disciplina e sem qualquer cultura. Os sentimentos indisciplinados transformam-se em
paixão, dominam a razão, desobedecem à vontade e anarquizam completamente a pessoa. A
paixão é um sentimento indisciplinado e como tal, deve ser combatido, mas há paixão por
coisas dignas e boas, que consiste em ter sentimentos disciplinados, treinados, dirigidos e
que devem ser cultivados. O que estraga a paixão é o seu objetivo; devemos nutrir os mais
altos e nobres possíveis.

6- Cultura da Vontade

A vontade é o poder executivo da pessoa, o que dirige todos os seus outros poderes pessoais.
É a vontade que determina a ação que se vai seguir. Ela tem três inimigos a serem
combatidos:

 Servilismo – É a atitude que permite à pessoa entregar-se totalmente à direção de outra. O


servil não tem vontade própria, é um fraco que faz tudo para agradar a todos e assim, não
pode cumprir sua missão.
 Independência – O oposto do servilismo, é a vontade que o indivíduo tem de querer ser
independente, mas que não deve ser exagerada.

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 Inconstância – É a falta de decisão. Para cumprimos nossa missão precisamos de vontade
forte, decisiva e bem orientada. A inconstância determina fatalmente a derrota na vida da
pessoa. A Bíblia, através da epístola de Tiago, condena o inconstante dizendo que ele não
consegue nada da parte de Deus em seus pedidos.

7- Cultura do Gosto

Significa a faculdade de amar e apreciar coisas belas como a música, a poesia, a pintura, a
natureza, o mar, os seres vivos, etc. Esta faculdade precisa ser cultivada. O gosto é mais um meio
pela qual o homem pode enriquecer a sua personalidade.

8- Cultura Moral e Religiosa

É o cultivo da consciência para que não venha a ser cauterizada, endurecida, não confiável.
A consciência precisa nos orientar firmemente, julgando-nos: condenando ou aprovando nossos
atos.

ÉTICA SOCIAL

Ética Social é a parte prática que trata da aplicação das leis morais ao procedimento do
homem em relação ao seu próximo. Este dever se acha resumido nas palavras de Jesus: “Amarás o
teu próximo como a ti mesmo”. A ética social ensina que o homem deve fazer ao próximo tudo o
que faz a si mesmo. Somos por natureza dependentes uns dos outros; devemos, portanto, firmar a
nossa vida neste princípio de auxílio mútuo, pois o auxílio mútuo é necessário, a fim de que todos
cumpram os seus deveres.
Há uma relação muito íntima entre o direito e o dever, pois o direito de um é o dever do
outro. Assim, temos sempre a expressão: “O direito de um é sempre o dever de outro.” Dividiremos
a discussão da ética social em:

 Ética social geral;


 Ética doméstica;
 Ética civil.

1- Ética social geral


Baseia-se na relação do homem para com a raça, isto é, trata dos deveres gerais do homem
para com o seu próximo em todas as partes do mundos, fazendo divisões semelhantes às da ética
individual.
2- Ética doméstica
3- Ética Civil

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Corresponde à sujeição do indivíduo e da coletividade aos poderes legalmente constituídos
(Executivo, Legislativo, Judiciário) e suas leis e obrigações e de usufruir de seus direitos como
cidadão.

Deveres de conservação social - O nosso próximo tem o direito à conservação da vida, ao exercício
livre dos seus poderes, ao governo dos seus bens e à verdade em todas as suas relações.
Consideremos cada um destes deveres:

 Preservação da vida – A continuação da vida do homem é a base de todo exercício de seus


poderes. Temos, portanto, o mesmo dever para com o nosso próximo no sentido que temos
para com o nosso próprio ser. Como os atos mais condenáveis cometidos contra o próximo
nascem do ódio, temos o dever sagrado de arrancar do nosso coração todos os sentidos maus
e substituí-los pelo amor, que a ninguém faz mal. O estudo e o estado do coração do homem
é, portanto, fundamentalmente para o desenvolvimento e entendimento do que é ética.
 Homicídio em defesa própria – Que é justificável diante das leis dos homens, mas difícil de
ser justificado segundo as leis divinas. Segundo a Ética Cristã, só o que nunca transgrediu
poderia gozar deste direito de defender-se até a morte.
 Homicídio devido às paixões momentâneas – Que é condenável, tanto pela lei divina quanto
pela lei dos homens. A condenação é dupla, porque se deixou levar pela paixão do momento
e por ter tirado a vida do seu semelhante.
 O homicídio premeditado –Também é condenado e ainda com mais severidade. Em alguns
países os criminosos que cometem crimes planejados, tirando vidas de seus semelhantes são
condenados à morte. Em outros países são punidos com a prisão perpétua.
 Preservação da saúde – Uma vez que a boa saúde é importante numa vida para o bom êxito
da sua missão, é dever do homem procurar conservar a vida do seu próximo em pleno vigor.
É também o nosso dever evitar tudo quanto enfraqueça e ponha em perigo a saúde de nossos
vizinhos, por exemplo, impedi-los de vacinar em campanha de combate a qualquer moléstia
contagiosa. Também o violam aqueles que obrigam os seus operários a trabalhar em
condições anti-higiênicas e subumanas.
 Preservação da liberdade – A liberdade é um direito natural do homem, pois onde não há
liberdade não pode haver responsabilidade. A liberdade é essencial ao cumprimento da
nossa missão. Consiste no uso justo e correto dos poderes pessoais, a fim de cumprir esta
missão moral aqui na Terra.

É dever do Estado encarar o homem que abusa da sua liberdade, pois quem sai fora dos seus
limites prejudica os seus semelhantes.
É também dever do Estado restringir a esfera de ação do louco, pois tal pessoa não está em
condições de usar a sua liberdade.
O pai pode e deve restringir a liberdade do filho devido a sua falta de experiência e juízo. A
liberdade só lhe deve ser concedida na medida que o filho for adquirindo capacidade para usar dela
sem prejudicar a outrem. A lei de conservação social proíbe a escravidão, pois não há justificação

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alguma para escravizar o nosso semelhante e é injustiça sob todos os pontos de vista: econômico,
filosófico, social e religioso.
PORQUE FAZER AÇÃO SOCIAL

1- A benevolência Social é um bom Testemunho de Cristo

Em vários lugares no Novo Testamento está subentendido que o cristão deve fazer o bem
social como um bom testemunho da sua fé. Isto está subentendido nas razões de Paulo para
obedecer aos governantes. Disse: “é necessário que lhe estejais sujeitos... por dever de consciência”
(Rm 13:5). Pedro escreveu: Sujeitai-vos a toda instituição humana, por causa do Senhor... Porque
assim é a vontade de Deus, que pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos (I
Pe 2:13,15). Recusar-se a fazer o bem em nome de Cristo é trazer opróbrio sobre Cristo por
omissão.

2- O bem social pode ajudar a ganhar os homens para Cristo

Há indicações claras nas Escrituras de que o bem social pode ser usado como meio de
alcançar os homens com o bem espiritual do Evangelho. O apóstolo escreveu: “Eu procuro em tudo
ser agradável a todos... para que sejam salvos” (1 Co 10:33). Em outro contexto, disse: “Fiz-me
tudo para com todos, com fim de, por todos os modos, salvar alguns” (1 Co 9:22). Faz bom sentido,
que os homens serão mais receptivos ao pão espiritual da vida se lhes for dado algum pão físico
para seu corpo. As missões cristãs de salvamento e os missionários médicos já demonstraram a
eficácia deste raciocínio.

3- Fazendo o bem por amor a ele mesmo

Parece que o bem social deve ser feito para Cristo, a Cristo, e para ganhar os homens para
Cristo, mas deve em qualquer tempo ser feito por amor a si mesmo? O cristão deve ter uma razão
evangélica para fazer o bem social? Tudo deve ser dirigido para ganhar os homens para Cristo ou
obter um galardão de Cristo? Se o exemplo de Cristo for seguido, logo a resposta é claramente:
Não! Jesus praticava o bem social por amor a este próprio bem. Curou dez leprosos sabendo que
somente um deles voltaria para agradecer (Lc 17:13). Além disso, Jesus insistia em que se fizeste o
bem aos inimigos que não retribuiriam o favor (Mt 5:43-44) e aos necessitados que não poderiam
pagar a bondade (Lc 14:12-13). O cristão, seguidor de Cristo, deve fazer qualquer bem que puder,
meramente porque é o bem, quer alguém o aprecie ou seja levado a Cristo, quer não. O amor de
Jesus por Judas, embora soubesse que Judas o trairia, é exemplar neste aspecto.
V- A VERACIDADE EM RELAÇÃO À REPUTAÇÃO DO PRÓXIMO

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A reputação é uma das coisas mais preciosas que o homem possui e por isso mesmo
devemos ter o máximo cuidado com a reputação do nosso próximo. A reputação é o que os outros
dizem que somos, ao passo que o caráter é aquilo que o homem é. Assim como nossa reputação está
em mãos de outrem, não temos o direito de atribuir a uma pessoa boa reputação quando o seu
caráter é mau. Do outro lado, a lei de conservação social proíbe falso testemunho, detração, calúnia
e a inveja, pois esses são os instrumentos pelos quais o homem procura desmanchar a reputação do
próximo.

 O Falso testemunho – é o que se presta perante a autoridade civil depois de haver feito
juramento e é condenado, não somente porque despreza as relações humanas, mas é também
por ser afronta a Deus, visto que o juramento foi feito.
 A Detração – É talvez o meio mais comum de injúria à reputação de uma pessoa, pois
consiste em “coisinhas”. O detrator revela segredos. Na vida há coisas que não há
necessidade ou não podem ser divulgadas. O detrator é o fofoqueiro que, muitas vezes, além
de espalhar o que sabe ou descobriu, delatar o seu próximo e ainda costuma acrescentar
coisas por sua própria conta. Esse acrescentamento faz parte da calúnia. A detração estraga o
bom nome de uma pessoa e a coloca mal vista e, às vezes, em perigo.
 A Calúnia – Consiste em prejudicar a boa reputação de uma pessoa pela mentira, porque
pela verdade não se pode caluniar a ninguém. Portanto, o caluniador cai em dois erros
graves: o de mentir e o de prejudicar a boa reputação de seu semelhante.
 A Inveja – É a fonte de muitos males que prejudicam a reputação de nosso semelhante. É
um vício que se esconde sempre em corações mesquinhos. A pessoa que alimenta a inveja
confessa a sua inferioridade, pois ela só tem inveja de quem é reconhecidamente melhor do
que ela.

Não fale mal dos companheiros


Se não podemos falar bem de alguém, pelo menos não falemos mal.
Tiago, o escritor sacro, que defendeu o Cristianismo Positivo, isto é, a moral cristã em
termos de boas obras, fez esta exortação que é uma grave advertência: “Irmãos, não faleis mal uns
dos outros. Aquele que fala mal do seu irmão, ou seja, julga o seu irmão, fala mal da lei. Ora, se
julgas a lei não és observador da lei, mas juiz” Tg 4:11.
Se isso é verdade em relação ao crente, muito mais o é quando se trata de um ministro do
Evangelho, que tem maior conhecimento bíblico, e conseqüentemente, maior parcela de
responsabilidade perante Deus e a Igreja. Falar mal do companheiro ou do colega é antiético e
antibíblico e cria situações embaraçosas para o próprio ministro. Paulo, em Rm 14:19 diz: Sigamos,
pois as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros.

O ministro deve dar toda honra possível aos seus colegas, nunca falando mal de qualquer um
deles, principalmente daqueles que o antecederam no pastorado. Essa exortação é válida e está
embasada em princípios cristãos e éticos. Além do mais, refrear a língua preserva a saúde e é prova
de autocontrole e de uma vida espiritual.

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VI - A ÉTICA E A VERDADE

O Sacerdote de Cristo quanto mente, ou melhor dizendo, quando vive mentindo, em que
pese dizê-lo, perde sua condição de sacerdote vocacionado por Deus e passa a ser um sacerdote
biônico, um oportunista. Nada justifica a mentira nos lábios de um crente, especialmente, quando se
trata de um ministro do Evangelho. Quando um sacerdote falta com a verdade e mente,
conseqüentemente perde sua força moral. E, além disso, passa a ter dramas de consciência em
relação a Deus na vivência da comunhão no Espírito.

As chamadas mentiras brancas ou amarelas não passam de uma farsa e merecem o repúdio
dos filhos de Deus. São meros sofismas forjados pelo pai da mentira, para embotar a consciência
cristã. Paulo recomenda aos diáconos para não terem língua dobre, isto é, que sejam de uma só
palavra – I Tm 3:8. Os ministros, sem nenhuma dúvida, são contemplados nesta recomendação
proibitiva. Falando aos discípulos, o Senhor Jesus fez esta admoestação: Seja, porém, o vosso falar,
sim, sim e não, não, porque o que passa disto é de procedência maligna – Mt 5:37.

O sábio Salomão, sob inspiração divina, escreveu esta advertência: A testemunha verdadeira
livra a alma, mas o que se desboca em mentira é enganador – Pv 14:25. A Bíblia diz que Deus
aborrece a língua mentirosa – Pv 6:16-17. E mais: “O que profere mentira, não escapa” – Pv 19:5.
Escrevendo aos efésios, Paulo fez esta recomendação: “Pelo que deixai a mentira e falai a verdade
cada um com o seu próximo” – Ef 4:25.

Aos obreiros do Senhor:


Atentai para esta palavra de ordem emanada do Altíssimo: “Eis as coisas que deveis fazer:
Falai a verdade cada um com o seu próximo, executai juízo nas vossas portas segundo a verdade,
em favor da paz”. – Zc 8:16. Fugir a essas normas bíblicas é de todo desaconselhável, porque
“...nada podemos contra a verdade, senão em favor da própria verdade” – 2 Co 13:8.

VII- TENHA LINGUAGEM SÃ

O obreiro que tem a experiência da regeneração e se santifica, além dos cuidados em relação
ao seu corpo, deve ter linguagem sã, ungida e santificada pelo Espírito Santo. Escrevendo à Igreja
de Éfeso, Paulo recomenda que não deveria haver entre eles conversas vãs ou chocarrices, coisas
essas inconvenientes, antes pelo contrário, ações de graças – Ef 5.4. Se ao crente comum,
leviandades desta espécie na linguagem são totalmente proibidas, que dizermos em relação aos
ministros de Deus, os quais têm o dever sagrado de ser padrão dos fiéis na palavra, no procedimento
e na pureza – 1 Tm 4.12.

52
O obreiro evangélico, em face das muitas advertências da palavra de Deus, não deve contar
piadas irreverentes que envolvam coisas sagradas e, especialmente, o nome de Deus, que é três
vezes Santo. O terceiro mandamento traz uma advertência que inspira temor, o qual está empregado
nos seguintes termos: Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá
por inocente aquele que tomar o seu nome em vão. – Ex. 20:7. O apóstolo Paulo, escrevendo aos
efésios, contrasta a conduta dos filhos da luz com o comportamento dos filhos das trevas, não só
nos atos, mas também nas palavras, usando estes termos: Não seja cúmplice nas obras infrutíferas
das trevas, antes, porém, reprovai-as, porque o que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha –
Ef 5:11-12. Em Cl 4:6, encontramos o seguinte registro: A vossa palavra seja sempre agradável,
temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um.
1. Falando aos discípulos, o Senhor Jesus disse: “Tende sal em vós mesmos” – Mc
9:50. Esta metáfora significa linguagem sã, pura, compatível com a dignidade do
Evangelho. Convém lembrar a exortação de Paulo aos crentes em Éfeso: “Não saia
de vossa boca nenhuma palavra torpe e sim, unicamente a que for boa para
edificação, conforme a necessidade, e assim transmita graça (Graça Divina) aos que
ouvem” – Ef 4:29.

PARTE 5 - COMO SE PREPARAR PARA MINISTRAÇÃO

Para Pastores, Capelães e Ministros em geral

COMO SE PREPARAR PARA MINISTRAÇÃO


1. PONTUALIDADE – Chegar antes da hora marcada para orar e para colocar as
necessidades das pessoas que serão ministradas; para pedir discernimento quanto as
revelações que forem dadas.

2. VERSÍCULOS CHAVES – colocar de preferência na contra capa da Bíblia, os versículos


que falam a respeito da salvação em Jesus Cristo, da importância da confissão de pecados,
da garantia da salvação, do batismo nas águas e no Espírito Santo, etc. Ter em mãos alguns
versículos chaves para se usar no momento necessário.
3. PARCERIA – Ministrar pelo menos com duas pessoas, se houver mais pessoas juntas, não
esquecer de “fluir no Espírito Santo” e confiar nos membros da equipe. Sujeitar-se uns aos
outros. Se houver discordância, deixar os comentários para depois.
4. DEPENDÊNCIA – não deve se esquecer que todo o trabalho bem sucedido depende da
orientação do Espírito Santo, recebendo-a com humildade e passando-a com honestidade.
Dependência uns dos outros.
5. HUMILDADE – Ter a devida humildade para ouvir as revelações e direções de outros
participantes. Sujeitar-se mutuamente. Haverá diversidade de “dons espirituais” fluindo no
local.
6. CONCORDÂNCIA ABSOLUTA – Isto é básico e essencial entre os membros da equipe.
Não deixe que o inimigo crie desarmonia.
7. LIDERANÇA – Esta pode e deve ser revezada por outra pessoa da equipe, caso o trabalho
for prolongado.

53
LEMBRETE: O alvo é libertar o cativo e dar toda a glória ao Senhor Jesus
Cristo; portanto não fará diferença quem está à frente do trabalho com a
“unção”.

8. UNÇÃO – Observe sempre a unção para o trabalho, ela varia entre as pessoas que estão
ministrando, se no mesmo espírito. Ninguém detém a unção o tempo todo.

9. ANOTAÇÃO – quando houver revelação ou discernimento de espírito, pode-se


discretamente escrever e passar para o que está ministrando o trabalho ou fale em voz baixa.
(Tenha canetas e blocos de papel no local).
10. ESCRIVÃO – Para cada equipe, um precisa ser o escrivão ou secretário (a), portando papel
e caneta na mão para anotações. Anote o nome da pessoa que está sendo ministrada,
endereço, telefone, etc., como também os nomes das entidades, trabalhos envolvidos, e
outros fatos marcantes (vide ficha de entrevistas).
11. FICHA DE CADASTRO – Esses registros podem ficar arquivados pela equipe ou devolver
à pessoa, caso ela insista em levá-la. Peça sempre permissão a pessoa ministrada, para ficar
com a ficha caso tenha algo interessante para se estudar.
12. EXPULSÃO – Convém, que uma pessoa só ordene a saída dos espíritos imundos, os outros
membros da equipe deverão estar intercedendo em voz baixa, ou lendo uma referência
Bíblica que possa ajudá-lo, também louvando e cantando sem perturbar o trabalho.
13. SIGILO – Absoluto quanto as confissões ouvidas e não comentar com as pessoas fora da
equipe. Pessoas que não controlam a língua devem deixar esse tipo de trabalho, pois o
ministério entrará em descrédito.
14. ORAÇÃO DE GRATIDÃO E ADORAÇÃO – Terminando o trabalho do dia, ore
agradecendo ao Senhor, devolvendo-Lhe a glória, e ore também uns pelos outros pedindo a
visita do Espírito Santo para reparar as nossa energias espirituais e físicas.

QUANTO AO LOCAL
1. O local deve ser de preferência uma sala livre de interrupções telefônicas, trânsito de
pessoas, etc.

2. Se possível um local confortável e arejado.


3. Cadeiras e número suficiente para os presentes
4. Lenços de papel, cestas pequenas para o lixo com plásticos forrado para casos de ânsias de
vômito, etc.
5. Água e copos descartáveis se desejar. Obs.: Quando oferecer água a pessoa que está sendo
ministrada, ore e consagre-a, primeiro ao Senhor.
6. Não esquecer lápis e papel para as devidas anotações.
7. Não ter objetos como espelhos, quadros com pinturas estranhas, ídolos, estatuetas de
animais como cão, gato, coruja ou qualquer outra coisa que o Espírito Santo revelar.
8. Se for residência, orar cobrindo principalmente as crianças e os animais de estimação,
proibindo retaliações.

MINISTRAÇÃO
1. ORAÇÃO

1.1 Louvar e agradecer pela presença do Senhor. Adore-O em palavras


1.2 Entregue a pessoa a ser ministrada e toda a equipe perante o trono da Graça e da
Misericórdia de Deus.
1.3 Todos devem colocar a armadura de Deus de Efésios 6:10-20
1.3.1 Colocar o capacete da salvação

54
1.3.2 A couraça da Justiça
1.3.3 O cinturão da Verdade
1.3.4 O escudo da Fé
1.3.5 A espada do Espírito que é a Palavra de Deus
1.3.6 Calçar os pés com a preparação do Evangelho da Paz
1.3.7 Orando em todo o tempo no espírito (orar em língua espiritual)

1.4 Cobrir todos os presentes e também seus respectivos familiares com o Sangue de Jesus
Cristo. Proíbam Satanás e suas hostes de tocarem nas vidas, nos carros e nos bens
materiais.

1.5 Proíba Satanás de se manifestar, lançar suas setas, amarrando-o junto com seus
demônios, tornado-os impotentes.

Atenção: Embora os demônios permaneçam amarrados, algumas vezes o Senhor Jesus


permitirá que eles usem a boca do ministério para revelar o direito legal dado a eles, a
raiz do problema, de quando e como eles entraram etc.
Quando os demônios derem alguma revelação, deve-se ordenar que confessem a
verdade mediante juramento, no nome do Senhor Jesus Cristo de Nazaré.

Chame o ministrado à consciência e pergunte se tem conhecimento ou confirmação da


revelação dada. Se confirmado confesse o (os) pecado (os) com arrependimento e o (os)
renuncie em nome do Senhor Jesus Cristo, o Filho do Deus Vivo.

1.6 Peça para o senhor Cristo enviar uma legião ou número de anjos necessários para
auxiliar na ministração, pois nosso Deus é o SENHOR DOS EXÉRCITOS. (Hb1:14).
Quando a manifestação demoníaca for intensa, ore antes resistindo a Satanás e amarre
todos os demônios que estão na pessoa.
Peça ao Senhor que envie anjos guerreiros segurá-los e mantê-los amarrados até o
término do trabalho (Mateus 12:29); e depois entregue-os às mãos do Senhor Jesus para
o devido destino, ou para o abismo.

1.7 Peça a manifestação dos dons espirituais de I Co 12 e o discernimento de espíritos.


Este é um dom muito importante, pois era revelar se há ou não demônios escondidos, se
saíram ou ainda permanecem. Pedir também Palavra de Conhecimento, revelação
através de visões espirituais, sua interpretação correta e entendimento.

2. A CHAVE DA LIBERTAÇÃO

2.1 O livre-arbítrio. Desejar ser libertado, porque ninguém pode forçar a uma libertação.
Satanás se submete a área da vontade do homem, porque é uma área de decisão que
Deus respeita.
2.2 Total confissão dos pecados, sem omitir nada. Honestidade e humildade são portas para
a libertação.
2.3 Criar uma atmosfera de confiança mútua. Não se escandalizar com as confissões, nem
faça menção de confortar antes das confissões. Se chorar dê apenas lenço de papel, não
console. É necessário discernimento, às vezes são demônios dissimulando choro até com
lágrimas, para enganar os ministrantes (Ex. Yemanjá, Pombas-giras e outros que agem
nas emoções).
2.4 Depois de liberto, deve ser encorajado a testemunhar do poder e do amor de Jesus
Cristo. (Mc 5:19,20).
2.5 Levar a pessoa experimentar o “Batismo no Espírito santo” (Mt. 3:11, Atos 1:8). È
necessário receber o poder do Alto, para resistir os dias que se seguirão.

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3. MOTIVO

3.1 Determinar a presença dos espíritos malignos e descobrir as funções deles. É necessário
descobrir a raiz do problema para a libertação. A raiz é a base legal para a permanência
deles.
3.2 Às vezes, não se trata apenas de expulsão de demônios, mas de cura interior e/ou
aconselhamento.

4. OBJETIVO

Determinar quando e como as portas foram abertas para a penetração dos demônios.

4.1 Permita que a pessoa conte um pouco de sua vida, nascimento (se parto normal, fórceps,
cesária) se desejada ou rejeitada. Por exemplo, a rejeição intra interina gera
conseqüências terríveis na pessoa, como rebeldia, insegurança, medo, complexo de
inferioridade, depressão, etc.
4.2 Verificar se foi envolvida em feitiçarias, umbadismo, macumbaria, espiritismo, etc.
4.3 Após a libertação não dar brechas e, quando pecar, se arrepender e confessar
imediatamente os pecados, conforme I João 1:9, com verdadeiro arrependimento.

5. IMPEDIMENTOS À LIBERTAÇÃO

5.1 Falta de honestidade e vontade de ser liberto.


5.2 Falta de perdão em relação aos outros, a si próprio e a Deus.
5.3 Aborto provocado e não confessado.
5.4 Mentira e pecados ocultos a nível conciente.

RESUMO
1. CONFESSAR – declarar o Senhorio de Jesus Cristo em sua vida

2. ARREMPENDIMENTO –e confissão dos pecados


3. PERDÃO – pedir perdão e perdoar os outros como a si próprio.
4. RENUNCIAR – Todos os envolvimentos do passdo.
5. PETIÇÃO – pedir para o Espírito Santo preencher as áreas que foram libertas.
6. DECLARAÇÃO – das promessas de Deus, na Palavra.
7. ENCHIMENTO – conduzir a pessoa para receber o poder do Espírito Santo e orar em
línguas, conforme Atos 1:8

Copie e guarde à parte na sua Bíblia, O PLANO DA SALVAÇÃO, a ORAÇÃO DE


RENÚNCIA e a DECLARAÇÃO PESSOAL.

COMO EXPULSAR OS PODERES DAS TREVAS


Depois de estarem sentados, deixe a pessoa bem à vontade. Caso esteja nervosa, dê palavras de
encorajamento e ânimo, de que Jesus Cristo não falha, que Ele é o Deus Todo-Poderoso, o único
Salvador e Vencedor.
1. Verifique se a pessoa tem fitas, fivelas, fru-fru prendendo o cabelo. Peça-a para tirá-las e
deixe-as de lado, entregando-as depois. São amarrações que impedem a saída dos demônios.

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2. Correntes, colares ou patuás (Umbanda, Candomblé, etc.), pulseiras (também no tornozelo),
fitinhas, brincos e anéis, tatuagens, etc., devem ser anulados os poderes demoníacos. Peça
para deixá-los de lado e depois, no final, antes de entregar, ore quebrando os laços
espirituais que possam haver.

Abençoe os objetos e entregue-os à pessoa. Posteriormente, a própria pessoa pela convicção do


Espírito Santo resolverá se desfaze desses objetos. Se os objetos tem ligação com as entidades
demoníacas então eles deverão ser queimados ou destruídos.

Tatuagens – passe o óleo de unção sobre o desenho e quebre todo o poder de contato dos poderes
das trevas. (Levítico 19:28 – “Não fareis lacerações na vossa carne pelos mortos; nem no vosso
corpo imprimireis qualquer marca. Eu sou o Senhor”.) – Bíblia da Imprensa Bíblica Brasileira –
versão revisada.

3. Peça para descruzar os dedos, mãos, braços, pernas, e de preferência as mãos sobre os
joelhos, as pernas em paralelo, pés um ao lado do outro (Os demônios não saem se cruzar
qualquer parte do corpo, é como se estivesse fechado).

4. Verifique se a pessoa foi consagrada ou fez votos a algum santo ou entidade; e também
quanto as oferendas e trabalhos que mandou fazer. Faça uma lista de cada envolvimento
para renunciá-los posteriormente.
5. Vamos resistir em primeiro lugar ao próprio Satanás, e renunciá-lo; depois, cada entidade e
as respectivas oferendas, uma de cada vez, amarrá-las e expulsá-las. Na Bíblia Viva diz:

Mateus 12:29 – “Uma pessoa não pode saquear o reino de Satanás sem primeiro
amarrá-lo. Só podem os seus demônios serem expulsos!”
6. Renunciar junto com a pessoa ministrada, em voz audível, cada envolvimento, pactos,
consagrações, quebrando todos os laços de amarrações e coloque o Sangue do Senhor Jesus,
o poder da Sua morte na Cruz do Calvário e o poder da Ressurreição.

7. Não é a altura da voz que você fala, que faz os demônios temerem e obedecerem, mas a
autoridade que está no nome do Senhor Jesus Cristo de Nazaré e o nível de autoridade
espiritual que você se encontra. Se trabalhar como Corpo de Cristo. Isto é, um grupo de
pessoas sofrerá poucas ou nenhumas retaliações, a Bíblia diz: “as portas do inferno não
prevalecerão contra a sua Igreja”. Mt. 16:18.

8. Proíba os espíritos malignos de se ajudarem ou buscarem reforço externo. Ordene a saída


dos demônios sem machucar a pessoa. Faça sempre em nome do Senhor Jesus Cristo de
Nazaré.

9. Tosse, bocejo, espirro, vômito, arroto, etc., são na maioria das vezes sinais de saída dos
espíritos malignos. Se a pessoa ficar com falta de ar ou sufocação, ungir com óleo
consagrado o local da garganta, e o ministrante deverá colocar as suas mãos e ordenar que as
entidades deixem aquele corpo, sem machucá-la.

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10. Depois de renunciar e notar que não houve qualquer reação dentro de 4 a 5 minutos, talvez
haja algum impedimento. Pare e peça orientação ao Espírito Santo sempre junto com a
equipe. Pode ser um pecado não confessado ou algum efeito de experiências passadas que
devem ser renunciadas ou a resistência dos demônios.

11. A confiança aumenta com a experiência. Se os demônios sentirem qualquer falta de


confiança por parte do ministro, tentam dialogar, barganhar, negociar, debochar ou
simplesmente resistir. Confie no Senhor, Ele nunca vai nos envergonhar perante os
demônios.

12. Se a resistência persistir, leia algumas passagens bíblicas (as entidades malignas odeiam
ouvir a leitura da Palavra). Ex.: Gn 3:15, Ap. 20:10 (alguns versículos chaves).

13. Após a luta, ore e peça ao Espírito Santo que preencha as áreas que ficaram vazias com a
plenitude do Espírito Santo, fale substituído as palavras do amor de Deus onde havia ódio,
esperança no lugar de derrota e desespero, alegria no Espírito em lugar de tristeza e assim
todos os demais frutos do Espírito (Gl. 5:22,23), declare também a passagem de Is. 11:2.

14. Este é o momento ideal para pedir ao Senhor que batize no Espírito Santo de modo que
tenha PODER (dunamis – dinamite). Atos 1:8, para poder resistir ao ataque do inimigo e
viver de vitória em vitória. Tg. 4:7,8.

COMO CONSERVAR A LIBERTAÇÃO


A CONSERVAÇÃO DA LIBERTAÇÃO É DE RESPONSABILIDADE PESSOAL
1. Revestindo-se da armadura de Deus todos os dias (Ef. 6:10-18); resistindo ao Diabo e seus
demônios em forma de pensamentos, tentações, etc.

2. Confissão positiva ou fé expressada na Palavra de Deus. Confesse verbalizando de modo


audível para que Satanás ouça, não ligue para os seus sentimentos ou sintomas. É fazendo
Satanás ouvir a nossa confissão mediante a fé que nos tornamos cada vez mais fortes (Hb.
4:14-16).

3. Ser fiel à leitura diária da Bíblia. Leia mesmo que no início não entenda muito. Peça à Deus
o Espírito de revelação e de entendimento da Palavra, pois verdadeiramente é a Palavra de
Deus que nos liberta (Efésios 1:17). Inicie com 1,2 e 3 epístola de João e todo o Novo
Testamente.

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4. Ore baseando-se nas promessas de Jesus, na Bíblia Sagrada, e coloque cada versículo na
primeira pessoa para torná-la pessoal.

5. Crucificar a carne e entregar, diariamente as nossas áreas fracas a Deus, pedindo a revelação
do pecado, confessando imediatamente, pois só assim andaremos em vitória (I Jo1:9)

6. Manter uma vida de comunhão com Deus e com o próximo. Submeta-se à autoridade de
uma igreja (local) e de um pastor. Manter comunhão com os irmãos estudando a Palavra ,
sendo discipulado e testemunhando a experiência que o Senhor Jesus operou em sua vida.

7. Desenvolver uma vida de louvor e de oração contínua, diária e também comunitária.


Ninguém pode permanecer liberto se não se unir as outras pessoas renovadas no Espírito,
sem receber ou doar ajuda, oração e apoio dos outros irmãos em Cristo.

RESUMO

1. ENTREGAR-SE A JESUS CRISTO E ARREPENDER-SE DOS PECADOS

2. REVESTIR-SE DE TODA A ARMADURA DE DEUS


3. PERMANECER NA LEITURA DAS ESCRITURAS, DIARIAMENTE
4. CRUCIFICAR A CARNE DIARIAMENTE
5. DESENVOLVER UMA VIDA DE LOUVOR E DE ADORAÇÃO
6. MANTER UMA VIDA DE COMUNHÃO COM O SENHOR E COM OS IRMÃOS EM
CRISTO.

VERSÍCULOS PARA MEMORIZAR


Alguns exemplos:

 Di.33:27 – “O Deus eterno é a tua habitação, e por baixo estão os braços eternos; Ele
lançou o inimigo de diante de ti e disse: Destrói-o”.

 Dn.11:32 – “Mas, o povo que conhece a seu Deus se tornará forte e fará proezas.”

 Is.42:13 – “O Senhor sairá como um valente, como homem de guerra despertará o


zelo; clamará e fará grande ruído, e mostrar-se-á valente contra os seus inimigos”.

 Is.54:17 – “Não prosperará nenhuma arma forjada contra ti; e toda língua que se
levantar contra ti em juízo, tu a condenarás; esta é a herança dos servos do Senhor, e a sua
justificação que Mim, procede, diz o Senhor”.

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 Tg.4:7 – “Sujeita-vos a Deus, resisti ao diabo e ele fugirá de vós”.

 Lc.1019 – “Eis que vos dei autoridade para pisar serpentes e escorpiões, e sobre todo
o poder do inimigo; e nada vos fará dano algum”.

 Mc.16:17,18 – “E estes sinais acompanharão aos que crerem; em meu nome


expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e se beberem alguma
coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e estes serão
curados”.

 IICo.10:4,5 – “as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus,
para a demolição de fortalezas; derrubando raciocínios e todo baluarte que se ergue contra o
conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo”.

VERSÍCULOS PARA USAR CONTRA OS DEMÔNIOS-CHEFES


AUTOCOMISERAÇÃO MEDO

Ne 8:10 Sl 33(32):1 Sl 46:1,2 (45:2,3) Js 1:9


Sl 34(33):1-3 Sl 50(49):23 Sl 56(55):3 Si 44:2,3
Sl 104(103):33,34 I Tm 6:6 Sl 107:1,2 (106:1,2) I Jo 4:18
Fp 4:11,13,19 I Ts 5:18 II Tm 1:7 Hb 13:6

INCREDULIDADE ORGULHO

Mc 11:23,24 Pv 3:31
Lc 1:45 Pv 6:16,17
Jo 6:29 Pv 13:10
Jo 7:38 Pv 15:25
Jo 8:31,32 Pv 16:5,9,18
At 27:25 Pv 21:23,24
I Pe 1:6,7 Pv 29:1,23
Hb 11:1 II Tm 3:1,2
Gal 2:20 Fp 2:5-8
Mc 16:17,18 Tg 4:10

LUXÚRIA REBELIÃO

Lv 19:2 I Sm 15:23
I Pe 2:11 Pv 17:11
Mt 5:27,28 Jr 28:16
I Co 3:16,17 Jr 29:32
I Co 6:9,10 Rm 12:1,2
I Co 6:17-20 Rm 13:1,2
Ef 5:3 Ef 5:21
II Tm 2:22 Fp 2:5-8,14

60
Ti 1:15 I Ts 5:18
Hb 12:14 II Tm 3:1,2
Hb 13:4

MEDO

Pv 29:25
Js 1:5
Js 10:8

( Tirado do livro “Out! In the name of Jesus” Pat Brooks, Creation House, Carol Stream, Apênd.
Pp. 233-235).
OBSERVAÇÃO: Os números que estão entre parênteses são Bíblias em outras versões.

PARTE 6 - EVANGELISMO

O QUE É EVANGELHO?

1 – Etimologia. A palavra “Evangelho” vem de duas palavras gregas: eu, que quer dizer
“bom”, e de angelia, que significa “mensagem, notícia, novas”. Assim, a palavra euuangelion que
quer dizer “boas novas, notícias alvissareiras”. Essa palavra aparece tanto no Antigo Testamento
como na literatura extrabíblica.

No hebraico é bessorah (2 Sm 18.20, 25, 27; 2 Rs 7.9), que a Septuaginta traduziu por
euuangelion. Originalmente significava “pagamento pela transmissão de uma boa notícia”. Com o
tempo passou a ganhar novo significado no mundo romano de fala grega, em virtude do culto ao
imperador, pois a palavra euuangelion era usada para anunciar o nascimento deste ou a sua
coroação.

Euangelizomai (Aristófanes), evangelizo, uma forma que só se encontra no gr. posterior


juntamente com o substantivo adjetival euangelion (Homero) e o subs. Euangelos (Ésquilo), todos
derivados de angelos, “mensageiro” (é provável que originalmente fosse uma palavra iraniana
tomada por empréstimo), ou do verbo Angelló, “anunciar”; (Anjo). Euangelos, “mensageiro”, é

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aquele que traz uma mensagem de vitória ou quaisquer outras notícias políticas ou pessoais que
causam alegria.

2 – Novo Testamento. Esse vocábulo, que é encontrado 76 vezes em todo o Novo


Testamento, só aparece no singular; o verbo euuangelizo, “evangelizar”, 54; e euuangelistes,
“evangelista”, três. O Senhor Jesus Cristo é o conteúdo do Evangelho: sua vinda, seu ministério
terreno, seu sofrimento, morte e ressurreição (Rm 1.1-7). É a mensagem de Cristo que salva o
pecador (Jo 3.16; Rm 1.16). É o meio empregado por Deus para a salvação de todo aquele que crer
(1 Co 15.2). Só através do Evangelho é que o homem conhece a salvação na pessoa de Jesus. O
Evangelho de Cristo é a única resposta para este mundo que perece em conseqüência do pecado.

3 – Os três estágios da palavra Evangelho.


A) No mundo grego, tinha o sentido de recompensa por trazer boas novas.

B) No Antigo Testamento (Septuaginta), o vocábulo indica as próprias boas-novas. Aparece


em termos proféticos com o mesmo sentido que encontramos no Novo Testamento: “Quão suaves
são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia o bem,
que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!” (Is 52.7). Veja o seu cumprimento em
Romanos 10.15.

C) No Novo Testamento são as boas novas que falam do Reino de Deus, da salvação e do
perdão dos pecados na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. É o Evangelho da graça de Deus (At
20.24).

EVANGELISTAS

Os evangelistas eram os “missionários” pátrios ou estrangeiros. Algumas traduções, como a


de Goodspeed, dizem mesmo “missionários”. Os apóstolos eram evangelistas, e muitos profetas
também o eram; porém, além desses, havia outros, especialmente talentosos, dotados do dom da fé,
da exortação e de outras manifestações espirituais apropriadas para seu ofício, os quais eram
presenteados à Igreja para multiplicá-la em número. O grupo dos evangelistas era aquele que
efetuava a missão evangelizadora da Igreja entre os judeus ou os gentios, em posição subordinada
aos apóstolos. Geralmente os evangelistas não estavam limitados a qualquer comunidade cristã
local, mas foram de lugar em lugar, estabelecendo novas congregações locais, conduzindo os
homens à fé e à conversão a Cristo.

O evangelista é alguém especial e completamente capacitado para comunicar o Evangelho e


levar descrentes a Cristo. Ele sempre conduz um número maior de pessoas a Cristo, e isto, com
muito mais facilidade, porque comunica melhor a palavra da fé. Ele não prega mensagens
complicadas, mas simples, com convicção e objetividade, as quais explodem nos corações dos
perdidos que o ouvem. Ele não precisa ser um bom orador, nem um teólogo, nem trazer mensagens
recheadas de coisas novas, isto porque ele é ungido por Deus para realizar tal tarefa. Os evangelistas

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são “especialmente talentosos, dotados do dom da fé, de exortação e de outras manifestações
espirituais apropriadas para o seu ofício, os quais [os evangelistas] eram apresentados à Igreja para
multiplicá-la em número”.

O PECADOR

A situação do pecador perdido

Muito grande é o clamor dos perdidos:


“...Passa à Macedônia e ajuda-nos!” (At 16:9).

O mundo jaz no maligno (1 Jo 5:19). Com a entrada do pecado, Satanás tornou-se deus deste
século (2 Co 4.4) e o príncipe deste mundo (Jo 14:30; 16:11). O pecador está preso nos laços do
diabo (2 Tm 2:26), e é denominado como príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera
nos filhos da desobediência (Ef 2:2). Dominado totalmente por Satanás, o pecador está entregue a
toda sorte de práticas desagradáveis aos olhos de Deus: faz a vontade da carne e dos pensamentos
(Ef 2:3); é dominado pelas concupiscências do seu coração (Rm 1:24) e pelas paixões infames (Rm
1:26). Os pecadores estão entregues a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não
convém, estando cheios de toda iniqüidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de
inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; sendo murmuradores, detratores, aborrecedores
de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às
mães; néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia (Rm
1:28-31).

É devido a essa situação caótica em que se encontram os pecadores, que o Senhor, que não
pode suportar o mal (Hc 1:13), já tem determinado o castigo dos que se recusarem a receber a graça
de Deus (2 Pe 2:4-9). Porém, os que crêem são libertos dessa geração perversa (At 2:4) e passam a
ser propriedade de Deus, pois foram comprados do mundo com o sangue de Jesus (Ap 5:9), e “os
que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gl 5:24), e, assim
podem viver “...neste presente século uma vida sóbria e justa e piamente; aguardando a bem-
aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tt
2:12-13), o qual nos levará deste mundo para a sua gloriosa mansão, nos céus (Jo 14:1-3).

O estado do pecador

1- O pecado tem despojado o pecador dos seus bens espirituais (Rm 3:23), deixando-o caído
na estrada da vida, “meio morto” (Lc 10:30-35). Pela vida do pecador já tem passado o levita
(v.32), uma figura das filosofias humanas; também pela vida já tem passado o sacerdote (v.31), uma
figura das milhões de religiões existentes. Porém, o homem continua caído, despojado e meio
morto. A única pessoa que pôde socorrer o moribundo da estrada foi o bom samaritano que é,

63
primeiramente, uma figura do Senhor; mas que, também, é uma figura do crente salvo que, para
efetuar esse trabalho, tem em suas mãos os recursos do azeite (graça), vinho (palavra) e dinheiro
(dons).

2- “...Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo...” (Sl 40:2). O pecador está atolado
no lodo (pecado) preso pelos laços do diabo (2 Tm 2:26) e impossibilitado de sair pelos seus
próprios esforços (Jo 8:34). Somente o crente, que já está com os pés firmados na rocha (Sl 40:2),
poderá ajudá-lo a sair daquele horrível lugar para a rocha da nossa salvação: Cristo (Ef 2:20, 21).
Ao aceitar Jesus como Salvador, o pecador é tirado da potestade das trevas para o reino do filho de
seu amor (Cl 1:13); das trevas para a luz (1 Pe 2:9).

3- O pecador está rodeado pelo fogo da condenação (Jo 3:8) e não tem condições, por si, de
sair. Mas, como o crente já saiu da mesma condição (Jo 5:24; Rm 8:1), o Senhor confiou-lhe a
urgente tarefa de salvar alguns, arrebatando-os do fogo (Jd 23).

4- Os perdidos estão destinados à morte e estão sendo levados para a matança (Pv 24:11).
Deus quer que todo crente não ignore essa terrível situação dos pecadores (Pv 24:12); por isso os
incumbiu da realização do importante trabalho de retirá-los dessa circunstância (Pv 24:11).

5- Todos os homens foram mordidos por uma serpente venenosa chamada pecado (Rm 3:23;
1 Jo 1:8); e, como conseqüência, são candidatos à morte eterna (Rm 6:23; Ap 21:8). Somente o
crente tem o verdadeiro remédio para o pecado: Cristo. Ao crer em Jesus o veneno do pecado é
extirpado da vida do ser humano (Jo 1.7:9).

6- “... Não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me meta no tanque...” (Jo 5:7).
O pecador está com a enfermidade do pecado (Is 1:6); por si mesmo não pode chegar no tanque
(salvação). Somente o crente poderá fazer este trabalho (Lc 14:22, 23).

7- “Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai. Pois tenho cinco irmãos; para que
lhes dê testemunho, a fim de que não venham parar neste lugar de tormento” (Lc 16:27, 28). Como
é comovente a situação deste rico que havia partido para a eternidade sem salvação! Estava agora
atormentado nas chamas (v.24). Diante do pedido acima, foi-lhe dito da impossibilidade de alguém
sair de lá de onde ele estava, isto é, do Hades, para a Terra, a fim de testificar para seus irmãos.
Também lhe foi dito que este trabalho é feito pelos que estão na terra. A responsabilidade de pregar
a palavra foi confiada aos crentes (2 Tm 4:2). Se o pecador crer em Jesus, será salvo e livre da
condenação (Jo 5:24) e, ao partir desta vida, irá gozar das delícias do paraíso celestial (Lc 23:43; 2
Co 12:4; Fp 1:21-23; 3:20, 21).

8- “Olhei para a minha direita, e vi, mas não havia quem me conhecesse: refúgio me faltou;
ninguém cuidou da minha alma” (Sl 142:4).
O pecador está à espera de alguém que possa cuidar da sua alma. Essa missão foi
confiada aos crentes.

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EVANGELISMO, O QUE É?

É a obra do Espírito

O Espírito Santo é capaz de fazer a Palavra alcançar tanto êxito hoje como nos dias dos
apóstolos. Ele pode salvar as almas às centenas ou aos milhares, como também de uma em uma, ou
de duas em duas. A razão por que não somos mais prósperos é que não contamos com o Espírito
Santo entre nós, em poder e energia, como nos tempos primitivos.

“Se contássemos com o Espírito para selar o nosso ministério com poder, isso significaria
que poucos valores dariam ao talento humano. Os homens podem ser pobres e sem estudo, suas
palavras hesitantes e gramaticalmente erradas; porém, se o poder do Espírito as estiver bafejando, o
evangelista mais humilde será mais bem sucedido do que o mais erudito dos doutores, ou o mais
eloqüente dos pregadores”.

“É o extraordinário poder de Deus, e não os talentos humanos, que obtêm a vitória. É da


unção espiritual extraordinária e não de poderes mentais extraordinários, que precisamos. O poder
intelectual pode encher um templo de angústia de alma. O poder intelectual pode atrair numerosa
congregação, mas somente o poder espiritual pode salvar almas. Precisamos do poder espiritual”
(Charles H. Spurgeon).

“Se o Espírito estiver ausente, poderá haver sabedoria de palavra, mas não a sabedoria de
Deus; poderá haver os poderes da oratória, mas não o poder de Deus; a demonstração do Espírito
Santo, a lógica convincente de Seu resplendor, como a que convenceu a Saulo, próximo à porta de
Damasco. Quando o Espírito se derramou, todos os discípulos ficaram cheios do poder do alto, e a
língua menos culta pôde silenciar os contradizentes e, com suas chamas novas, foi queimando e
abrindo caminho através de obstáculos de toda sorte, sopradas por poderosos ventos que varreram
florestas” (Arthur T. Pierson).

“Os ministros do Evangelho, de fato, precisam do poder do Espírito Santo, porque sem ele
serão inaptos para o ministério. Nenhum homem é competente para o trabalho do ministério do
Evangelho mediante apenas suas aptidões e habilidades pessoais, sua erudição e experiência
adquiridas dos homens. Sua eficiência vem do poder do Espírito Santo. Enquanto ele não houver
sido dotado desse poder, a despeito de todas as suas virtudes e capacidades, terá que esperar até que
do alto seja revestido de poder. Competia aos discípulos esperar em Jerusalém, até que recebessem
a promessa do Espírito”.

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“Mas recebereis a virtude do Espírito Santo que há de vir sobre vós, e ser-me-eis
testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, até os confins da terra” (At
1:8). Antes de os discípulos receberem o batismo no Espírito Santo, ficaram trancados num lugar
onde se reuniam com medo dos judeus (Jo 20:19). Também estavam despreocupados com a
incumbência que lhes fora dada de pregar a Palavra (Jo 21:3). Mas quando receberam o poder do
Espírito Santo (At 2:1-4), o quadro modificou-se totalmente:

Eles que estavam assentados (At 2.:), ficaram de pé (At 2:14);


As portas, que até então estavam fechadas (Jo 20:13), abriram-se e eles saíram às ruas, às
praças, às sinagogas, a pregar a Palavra;
Pedro, que chegara a negar vergonhosamente o Mestre (Lc 22:54-62), agora podia pregar
com coragem e autoridade (At 2:14).

Realmente, o batismo no Espírito Santo capacita o crente para o glorioso trabalho de ganhar
almas, pois o possibilita a pregar com autoridade (At 4:13, 20, 29, 31, 33) e também com graça (At
4:33). Quando o ganhador de almas estiver equipado com esta ferramenta celestial (2 Co 10:4-5),
haverá muitas conversões, como fruto do seu trabalho (At 11:22-24). O mandamento bíblico neste
sentido é: “... Enchei-vos do Espírito Santo” (Ef 5.18).

A relação do evangelista com o Espírito Santo deve ser algo diferente, até mesmo
indescritível, de tudo o que já se ouviu sobre o assunto. Ele deve ser completamente submergido no
Espírito, submisso à Sua direção para ter uma comunhão fora de comum, que fará com que sua
mensagem, sua vida, seus gestos e tudo mais em seu ser se transformem em poderosas armas de
testemunho do poder e graça de Deus.

O evangelista deve ter tal intimidade com o Espírito que, palavras como “revelação”, “visão”
e “poder”, serão comuns em sua experiência e não somente vocabulário. Ele, sem esta relação, não
passará de um “alto-falante” espiritual. Embora ele fale muito bem, explique claramente, ensine
coisas muito bonitas, sem a Unção do Espírito, não será mais que um bom orador ou mestre.
Todavia, Deus não chamou para tal. Por isso, proveu o meio para que o evangelista estivesse
sempre ligado à fonte divina de poder transformador: O Espírito Santo. Sem essa relação não há
autoridade, poder, manifestações transformadoras ou salvação. (2 Co 13:13).

Evangelismo é sofrer a dor de parto

“Sião, mal sentiu as dores de parto, e já deu à luz aos seus filhos” (Is 66.8). Essa é a obra
suprema da Igreja.

Uma mulher pode dar a luz sem dores de parto? Pode haver nascimento sem parto?

Porém, esperamos que no reino de Deus, algo que não é possível na esfera natural seja
possível na espiritual.

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Precisamos estar certos que sofreremos dores de parto para gerarmos filhos espirituais.

Finney diz-nos que não tinha palavras a proferir, mas podia tão somente gemer e chorar,
quando pleiteava perante Deus em favor de uma alma perdida. Ele experimentava o autêntico aperto
da alma.

Poderíamos sentir dor no coração por uma criança que se afoga, não, porém, por uma alma
que perece? Não é difícil que alguém chore quando percebe que seu pequenino está mergulhando
para o fundo do rio pela última vez. É quando a angústia é espontânea. Não é difícil,
semelhantemente, que alguém sinta angústia, quando vê o ataúde que contém tudo quanto ele
amava sobre a terra afastar-se na direção do cemitério. As lágrimas brotam naturalmente em tal
oportunidade! Porém, entender que almas preciosas, imortais, perecem ao nosso derredor,
precipitando-se irremediavelmente nas trevas do desespero, perdidas na eternidade, e não sentir
angústia nenhuma, não derramar lágrimas é não conhecer o parto de alma! São frios os nossos
corações? Não conhecemos a compaixão de Jesus? Deus no-la pode conceder. A falta será nossa se
não a recebermos.
“Porque ainda que tenhais dez mil aios em Cristo, não tendes, contudo, muitos pais; pois eu,
pelo Evangelho, vos gerei em Cristo Jesus.” (1 Co 4.15)

Paulo fala da diferença entre os aios em Cristo e os pais em Cristo:


O termo aqui traduzido por “preceptores”, ou “instrutores”, é o mesmo traduzido por aio,
conforme algumas traduções dizem em Gal. 3.24, e onde há uma alusão à lei, como o agente que
ajuda alguns homens a serem levados aos pés de Cristo. Aqui estão em vista os “atendentes” de
meninos pequenos, que os acompanhavam na ida e na volta da escola. Usualmente esses paidagogoi
eram escravos relativamente sem importância. Podiam ser numerosos e podiam ser trocados com
freqüência. Mas havia um único pai, e ninguém poderia tomar seu lugar ou suplantá-lo em
importância com relação à criança.

“Os dois pronomes, no grego ‘ego’ e ‘umas’, estão em proximidade enfática. ‘Quem quer
que tenha sido o progenitor de outras igrejas, fui ‘eu’, quem em Cristo ‘vos’ gerou”. (Robertson e
Plummer, in loc).

Paulo, através da pregação do evangelho de Cristo, os havia gerado em suas viagens


missionárias.

E para gerarmos filhos espirituais precisamos sofrer as dores de parto, como as mães, que
depois de um período de nove meses, sofrem mudanças físicas, emocionais e no final a dor do
parto. Mas, quando a criança nasce, elas esquecem de todas as dores que passaram, restando apenas
a alegria pelo filho que nasceu.

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Assim é a recompensa do evangelista. Após um período de dificuldades e sofrimentos para
gerar um filho (espiritual) esquece de todo o sofrimento que passou ao ver uma nova vida nascendo
em Cristo Jesus.

“Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria,
trazendo consigo os seus molhos”. (Sl 126:6)

Levar os Pecadores à Convicção de Pecado

Nos grandes reavivamentos espirituais do passado, sempre ocupou lugar de preeminência


uma profunda e autêntica convicção de pecado. Esse é um dos elementos vitais que, dizemo-lo
tristemente, deixou de existir em nossos dias.

Sempre que manifesta a genuína convicção de pecado, não há necessidade de exortar, de


repreender, de instar ou pressionar na força da carne. Os pecadores se dobram sem serem
forçados a dobrar-se. E humilham-se, porque não podem agir de outro modo. Voltam para suas
casas, após terem estado nos cultos com pregação do Evangelho, incapazes de comer ou dormir,
em face da profunda convicção de pecado. Não precisam ser repreendidos nem exortados a buscar
alívio para as suas almas.

“Existe um outro Evangelho, por demais popular nos dias que correm, e que parece excluir
a convicção de pecado e o arrependimento do plano da salvação. Tal Evangelho requer do pecador
o mero assentimento intelectual ante o fato de sua culpa e pecaminosidade. Paralelamente, que
haja um assentimento semelhante, de ordem intelectual, quanto à suficiência da expiação realizada
por Cristo. Uma vez dado esse assentimento, o pecador que vá para casa em paz, feliz no que
concerne à sua alma. Assim é que os pregadores proclamam: ‘Paz! Paz!’, quando não há paz”.

Conversões superficiais e falsas, dessa espécie, podem ser uma explicação, dentre outras, da
existência de tantos indivíduos que se dizem crentes convertidos, mas desonram a Deus e trazem
opróbrio contra a Igreja. Vivem de modo incoerente com sua profissão de fé, em razão de se
deleitarem no mundanismo e no pecado. É necessário que o pecado seja profundamente sentido,
antes de poder ser lamentado. Os pecadores devem sentir tristeza, antes de receber consolo. As
verdadeiras conversões eram comuns antigamente, e voltarão a ser de novo, quando a Igreja
sacudir-se e atirar longe a sua letargia, apegando-se ao poder de Deus, o antigo poder do Espírito,
que vem do alto. Então sim: Como no passado, os pecadores estremecerão ante o terror do
Senhor” (J. H. Lord).

Pensaríamos em chamar um médico antes de cairmos doentes? Exortamos aqueles que estão
em pleno vigor e em boa saúde para que se apressem a consultar um médico? O atleta que nada
com perfeição porventura implora ao povo que está na praia que venha salvá-lo de afogamento, se
nem sequer já molhou os pés na água do mar? Claro que não! Porém, basta que a enfermidade se

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declare, e imediatamente sentiremos a nossa necessidade de ir ao médico. Só então entendemos que
precisamos de algum medicamento. E quando o imprudente nadador se vê exausto e prestes a
desaparecer no turbilhão das águas, ao perceber que vai morrer afogado, não se demora em pedir
socorro. É tremenda a agonia que experimenta a pessoa prestes a afogar-se. Estando sem forças,
sabe que, se ninguém a acudir depressa, fatalmente perecerá.

O mesmo acontece à alma que perece. Quando alguém se convence de modo absoluto de sua
condição de perdido, põe-se a clamar na amarga angústia de seu coração: “Que é necessário que
eu faça para me salvar?” Não é necessário exortação nem incentivo; para o pecador convicto
salvar-se, torna-se a maior questão, caso de vida ou morte, e estará pronto a fazer qualquer coisa
para esse fim, contanto que seja salvo.

É exatamente essa falta de convicção de pecado que resulta em reavivamentos espúrios, que
frustram a obra inteira de evangelização. Uma coisa é levantar a mão e assinar um cartão de
decisão, mas outra, inteiramente diferente, é estar realmente salvo. As almas precisam ser libertas
de modo total e permanente, para que possam desfrutar a eternidade. Fácil tarefa é contar cem
convertidos confessores durante a excitação de uma campanha; mas é coisa inteiramente diferente
voltar ali cinco anos mais tarde, e encontrar todos esses convertidos ainda firmes no Senhor.

Fonte de Benefício

O evangelismo enche de pessoas qualquer Igreja. Encheu as igrejas metodistas há mais de


duzentos anos. O metodismo nasceu por causa do evangelismo. Esse movimento wesleyano só
cresce e tem vida em função do evangelismo. A Igreja de Cristo só é Igreja por causa do
evangelismo, desde os dias dos apóstolos. É o que leva as pessoas à salvação. Os novos
convertidos vão ocupando os assentos (até então vazios) das igrejas.

Além disso, o evangelismo resolve o problema financeiro. Tudo quanto Pedro teve de fazer
foi apanhar o peixe: o dinheiro encontrava-se na boca desse peixe. Sempre foi assim. Basta que
conquistemos os perdidos para Cristo, que estes suprem os recursos para levar avante a sua obra.
É pelo fato de o evangelismo haver-se amortecido, que tantas de nossas igrejas foram obrigadas a
fechar as suas portas.

A Igreja dos Povos não é exceção. Ao longo dos anos de sua existência, temos conduzido um
contínuo e eficiente ministério de evangelismo, e continuamos a evangelizar. Entoamos hinos de
louvor de teor evangelístico e pregamos sermões que anunciam a salvação em Cristo.

Preservação contra a corrupção

“Não havendo profecia, o povo se corrompe...” (Provérbios 29:18). Quanta verdade!


Multidões fervilham por toda parte em nossas cidades superpopulosas. Massas humanas que
perecem por falta de visão espiritual. Povos sem Cristo. Pessoas por quem Jesus morreu. Gente que

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talvez jamais ouça a mensagem da salvação de Deus, a menos que nós, crentes, recebamos a visão
espiritual das necessidades das massas. Nossos grandes centros populacionais, pelos quais somos
responsáveis diante de Deus, desconhecem o Evangelho da graça de Deus, porque nós, os
seguidores de Jesus, não temos visão profética. Que faremos quanto à nossa falha? Quando
sentiremos o peso de nossa responsabilidade? Quando faremos o que nos compete, sensibilizados
pela morte espiritual das multidões sem Cristo? É real a mensagem desse versículo: “Não havendo
profecia, o povo se corrompe...”

Evangelismo é ainda:

A) Informação: Evangelismo é uma ação que tem por fim informar. É preciso que o
pecador seja informado a respeito de sua condição de pecador; da natureza e conseqüência do
pecado em sua vida; do amor de Deus e de sua providência para a salvação de suas criaturas; o que
é necessário fazer para se salvar. Todos os meios possíveis devem ser usados para que o homem
seja informado de tudo quanto diz respeito a sua situação espiritual e do amor divino para com ele.

B) Persuasão: Não basta apenas informar. É também preciso persuadir. O pecador deve
ser persuadido a submeter-se a Cristo incondicionalmente. Quem convence o pecador é o Espírito
Santo (Jo 16.8). O crente é um instrumento do Espírito para persuadir o pecador.

C) Integração: Após a conversão do pecador, ele deve ser imediatamente integrado a


uma Igreja, preparado para o batismo, batizado e matriculado na Escola Dominical. O discípulo,
neste caso, não é tarefa apenas para o pastor da Igreja, mas de todos os membros que amam as
almas perdidas. O crescimento do povo convertido deve ser uma preocupação de toda a Igreja.

As armas do evangelista

Para realizarmos a tarefa de evangelizar é preciso a utilização sábia de instrumento


adequado. O marinheiro usa a bússola; o alfaiate a tesoura, o lavrador o arado. E aquele que
evangeliza, de quais armas precisa? É necessário:

1- Oração

“Lemos nas biografias de nossos antepassados que se mostraram mais bem sucedidos na
conquista de almas, que oravam em secreto durante horas a fio. Fazemos então uma pergunta:
Poderíamos obter os mesmos excelentes resultados sem seguir o exemplo deles? Caso não
precisemos orar tanto, provemo-lo ao mundo: Descubramos um método superior! Caso contrário,
em nome de Deus, começaremos a seguir aqueles que a fé, com paciência, tornaram-se herdeiros da
promessa. Nossos progenitores espirituais choraram, oraram e agonizaram diante do Senhor, em
favor dos ímpios, visando a salvação deles, e não descansavam enquanto os pecadores não fossem
feridos pela espada da Palavra do Senhor. Esse é o segredo do êxito retumbante dos gigantes

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espirituais do passado. Quando as coisas se paralisavam eles lutavam em oração até que Deus
derramasse de Seu Espírito sobre os homens, que assim se convertiam.”

Todos os homens de Deus eram poderosos homens de oração. Somos informados de que o
sol nunca surgia no horizonte, na China, sem encontrar Hudson Taylor de joelhos. Não admira,
portanto, que a Missão para o interior da China tenha sido tão maravilhosamente usada por Deus!

A conversão é uma operação efetuada pelo Espírito Santo, e a oração é o poder que
assegura essa operação. As almas não são salvas pelo homem, e sim, por Deus; e posto que ele
opera em resposta à oração, não temos outra alternativa além de seguir o plano divino. A oração
movimenta o braço divino, que põe o avivamento em ação.

A oração que prevalece não é fácil. Somente aqueles que têm estado em conflito com os
poderes das trevas sabem que ela é difícil demais. Paulo escreveu dizendo que “não temos que lutar
contra a carne e o sangue, e, sim, contra os principados, contra as potestades, contra as forças
espirituais da maldade nas regiões celestes” (Efésios 6:12). E o Espírito Santo ora com “...gemidos
inexprimíveis” (Rm 8:26).

O que acontece, quando oramos?

 Orando, as portas se abrem Ef 6:18-19;


 Orando, o braço de Deus se move;
 Orando, os corações são quebrantados At 2:37.

Oração e jejum pelas cidades – O homem pecador se opõe a Deus (1Co 2.14; Rm 8.7; Ef
2.1). O diabo força o homem a não buscar a Deus (Ef 2.2; 2Co 4.4). Qualquer plano de
evangelização, por melhor que seja, com recursos, métodos, estratégias, fracassará, se não tiver o
poder de Deus. E o poder de Deus só pode ter adquirido pela busca, pela oração. Deus age (Fp 1.29;
Ef 2.8; Jo 6.44). Os demônios infestam as cidades. Só são expulsos pelo poder da oração (Sl 122; Jr
29.7; Lc 19.41). A oração é a base.
2) Palavra

A Bíblia é o manual por excelência de missões, porque é a revelação de Deus à humanidade.


Além de ser a única fonte inspirada de teologia e ética, ela nos ensina como fazer evangelismo e
missões.

A Bíblia é a única obra literária do mundo que registra a nossa origem: Deus quer que todos
os seres humanos conheçam a verdade sobre Ele e de como Ele se revelou nas Santas Escrituras; e
também sobre a natureza humana. A vontade de Deus é que todos os homens se arrependam e
tenham conhecimento da verdade (I Tm 2:4).

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Deus sempre se preocupou com o bem-estar do homem. Essa vontade só pode ser conhecida
pela revelação, verdade que só é encontrada nos oráculos divinos: a Bíblia Sagrada.

A palavra é a ferramenta do evangelista pessoal. Ele deve manejar bem a palavra da verdade
(2 Tm 2:15) para mostrar ao pecador os pontos salientes do caminho da salvação, aplicando a cada
circunstância a mensagem correspondente. É importante ter bem claros na mente os versículos e
suas respectivas referências que falem sobre cada situação que a pessoa pode estar experimentando
ou experimentar, como, por exemplo, pecado, arrependimento, confissão, perdão, o amor de Deus,
salvação, segurança, proteção, paz, vitória, vida eterna e outros tópicos de igual importância.

Preparo das pessoas para a evangelização das cidades – Esse preparo refere-se ao estudo da
Palavra de Deus. É o preparo na Palavra (2 Tm 2:15). As seitas preparam bem seus adeptos. As
igrejas precisam gastar tempo e recursos no preparo dos que evangelizam.

POR QUÊ EVANGELIZAR?

1 – Porque Deus nos deu o ministério da reconciliação e também pôs em nós a palavra da
reconciliação, de sorte que, somos embaixadores da parte de Cristo.

2 – Porque é uma obrigação de todos sem exceção. Todos temos a incumbência de Jesus (1
Pe 2.9). Alguns começaram a trabalhar de madrugada; outros na terceira hora, isto é, às nove horas;
outros perto da hora sexta, ou seja, entre as onze e doze horas; e outros perto da hora undécima, isto
é, faltando apenas uma hora para terminar o dia. (Os judeus contavam o período do dia, das seis
horas da manhã às seis horas da tarde) (Mt 20:1-6).
3 – Porque a pessoa salva é a única que pode afirmar com convicção quem Ele era, quem
Ele é, e quem Ele será, ou seja: era um perdido pecador (Rm 3:23), candidato à morte eterna (Rm
6:23; Ap 21:8) e à condenação (Jo 5:24). Porém, hoje, é um pecador remido (Tt 2:14), liberto por
Jesus (Jo 8:34); e, no futuro, estará eternamente na presença do Senhor (1 Ts 4:17) nos céus (Fp
3:20), possuindo um corpo imortal e incorruptível (1 Co 15:51-54).

4 – Porque não tínhamos condições de pagar nossa dívida para com Deus.
A obra de ganhar almas constitui-se numa mensagem de perdão das dívidas que o homem
tem para com Deus.
Quando permanecíamos no pecado, tínhamos uma dívida enorme, e estávamos sem
condições de pagá-la, mas tudo foi perdoado por Deus (Mt 18.23, 27; Cl 2.14). “Portanto, agora
nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus... (Rm 8.1). Precisamos levar a
mensagem da cruz a todos os perdidos para suas salvações, pois, fazendo assim, estaremos dando de
graça, o que de graça recebemos (Mt 10:8)”.

As ilustrações e história a seguir retratam a necessidade da evangelização.

Alguém perguntou a um evangelista sobre o seu trabalho. Ele disse que era semelhante ao de
um mendigo que achara muito pão, e, agora anunciava aos outros o caminho do alimento.

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“Uma vez um artista procurou pintar um quadro sobre o evangelismo. Ele pintou um quadro
onde havia uma tormenta no mar, um bote sendo destroçado pelas ondas e jogando seus tripulantes
ao mar, e, numa rocha, que saía das águas, um marinheiro apoiado com ambas as mãos para se
salvar. Ao olhar o quadro, o pintor ficou insatisfeito e quis fazer outro. Então, ele pintou a mesma
tempestade, o mesmo cenário de desespero, o mesmo bote naufragado, os mesmos homens aflitos
pedindo por socorro e a mesma pedra salvadora. No entanto, ele acrescentou algo: um homem bem
apoiado sobre a Rocha que estava no meio das águas revoltas. Com uma das mãos ele se segurava
na Rocha e com a outra oferecia socorro a quem quisesse sair da água”.

A obra desse ministro, se explicada cabalmente e nos mínimos detalhes, com certeza,
mereceria outro livro. O Senhor Jesus, o Evangelista por excelência, resumiu Sua obra da seguinte
maneira: “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19:10).

ESTRATÉGIA DE EVANGELIZAÇÃO

1 – Evangelismo pessoal

A evangelização pessoal ainda é, por excelência, o método mais eficaz na obra de ganhar
almas. Nenhuma estratégia, por mais perfeita que seja, pode substituir com a mesma eficiência o
contato pessoal na pregação do Evangelho.

Jesus e os apóstolos pregaram às multidões, mas nunca desprezaram a evangelização pessoal,


por entenderem que a salvação é uma questão individual (Rm 14:12), que deve ser tratada com as
pessoas uma a uma, como fez o Mestre ao escolher os seus discípulos. É, por outro lado, a estratégia
mais simples e de menor custo, pois é fruto do amor apaixonado de cada crente pelas almas
perdidas, que o faz buscá-las pessoalmente e sem esmorecimento, onde quer que se encontrem,
como fez o pastor com a que se encontrava desgarrada do redil (Lc 15:4-7).

Se cada cristão entendesse o seu papel e ganhasse, pelo menos, uma pessoa a cada ano, e
cada um desses novos cristãos ganhasse também uma pessoa por ano, o alvo de 50 milhões de
almas até o ano 2010, lançado pela Década da Colheita, poderia ser alcançado em pouco mais de
dois anos.

Ponto de contato

A evangelização pessoal tem como fundamento o contato entre o evangelista e a pessoa a ser
evangelizada. Se não houver contato, não há evangelização. É obvio que o contato se dá em duas
direções:

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Primeiro com Deus e segundo com o próximo. A forma de aproximação mais conhecida como
ponto de contato vai determinar em grande parte o êxito da iniciativa. Ela será a chave para tornar o
interlocutor mais acessível ao diálogo, que poderá levá-lo a reconhecer os seus pecados e,
conseqüentemente, à conversão.

Não basta simplesmente iniciar uma conversa mostrando já as conseqüências de quem se


rebela contra Deus. Talvez esta seja a forma mais rápida de fechar as portas à pregação. Em
nenhuma parte da Bíblia a mensagem de juízo precede a de arrependimento.

Descobrir o ponto de contato significa fazer uso da habilidade de intuir em cada


situação a maneira pela qual o evangelista pode identificar-se com a pessoa que está sendo
evangelizada. Veja o exemplo de Filipe. Ele descobriu que o eunuco lia o profeta Isaías e fez uso
deste ponto de aproximação para entabular a conversa, enquanto corria ao lado do carro (At 8.30).
Paulo, no Areópago, utilizou-se da figura do altar ao Deus desconhecido para apresentar aos
atenienses o verdadeiro Deus (At 17.22-24). Ponto de contato é a chave “para se dizer o que é certo
de maneira que não ofenda as pessoas”.

B) Como compreender o ser humano

Compreender as necessidades humanas é, também, uma forma que leva ao ponto de


aproximação. O evangelista pessoal tem que olhar a comunidade que o cerca sob essa perspectiva,
entendendo que ele está tratando com pessoas de temperamentos distintos e que vivem
circunstâncias diferentes. Tratar a todas sob o mesmo ângulo é desconhecer que cada uma possui
necessidades específicas e carece de tratamento específico.

O que fez Paulo no cárcere em Filipos? Sob a nossa ótica, a fuga imediata, talvez fosse o
caminho mais lógico para ganhar a liberdade, após o terremoto. No entanto, ele teve pleno domínio
da situação e prolongou sua permanência na cadeia por mais algum tempo, por compreender que
aquela circunstância era o meio pelo qual poderia legitimar as verdades do Evangelho através do
próprio comportamento, levando uma família à conversão (At 16.25-39).

C) Aprendendo com Jesus

Cristo, nosso maior exemplo, foi quem melhor soube utilizar-se dos pontos de aproximação e
compreender as necessidades humanas. Enquanto a mulher samaritana estava preocupada em tirar

74
água do poço de Jacó, Ele aproveitou o fato para falar-lhe da água da vida, sem entrar no mérito da
histórica inimizade entre judeus e samaritanos. Em relação à mulher adúltera, teve a visão correta
da sua necessidade e da hipocrisia dos que a cercavam. Quanto a Zaqueu, o publicano, tocou no seu
ponto nevrálgico para levá-lo ao conhecimento da salvação. No que tange à multidão faminta, no
deserto, movido de íntima compaixão, ordenou aos discípulos: “Dai-lhe vós de comer”, e não a
despediu enquanto não foi alimentada. (SE)

2) Como fazer a evangelização pessoal

A) Fazendo amizade

A evangelização pessoal tem como pressuposto a amizade, principalmente quando se trata de


um projeto em médio prazo em relação a determinada pessoa. Uma proposta de relacionamento
amistoso e sincero é a primeira atitude que o evangelista pessoal precisa demonstrar na sua busca
incessante pelas almas perdidas. É preciso que haja da parte do pecador, absoluta confiança nas
intenções de quem o está evangelizando.

B) Pelo exemplo

O exemplo é outro fator de atração que deve ir na frente para conquistar, sem palavra, a
expectativa do incrédulo. Há uma diferença entre o salvo e o não salvo e esta precisa ficar bem
caracterizada não apenas pelo discurso, mas principalmente pelas ações. “Eis que tenho observado
que este homem que passa por aqui é um santo homem de Deus” (2 Rs 4.9), já dizia a mulher a
respeito de Eliseu. De que adianta um turbilhão de palavras bem concatenadas se o testemunho não
corresponde ao que se prega?

C) Pelo discipulado

Aqui significa que o evangelista pessoal não vai pregar para alguém e abandoná-lo à beira do
caminho. O discipulado implica em adotar essa pessoa e levá-la pacientemente a cumprir todos os
passos da salvação até que Cristo seja gerado nela. Este procedimento produzirá crentes maduros
que, por sua vez, serão levados a ter a mesma atitude de fazer novos discípulos (2 Tm 2:2).

Foi assim com Filipe, que após o chamado do Mestre, trouxe as boas novas para Natanael e o
levou a Cristo (Jo 1:45-47). O mesmo ocorreu com a mulher samaritana, que anunciou ter
encontrado o Messias aos conterrâneos de Samaria: “Vinde e vede um homem que me disse tudo
quanto tenho feito, porventura não é este o Cristo?” (Jo 4:39). O endemoninhado gadareno foi outro
que não titubeou. Depois de liberto, “foi apregoando por toda a cidade, quão grandes coisas Jesus
lhe tinha feito” (Lc 8:39). Gerar um novo crente significa acompanhá-lo passo a passo, tal como
uma criança, até que possa andar com os seus próprios pés.

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QUALIDADES DO EVANGELISTA

1 – Demonstrar convicção

Entre as muitas qualidades exigidas do evangelista pessoal, além da conversão e da certeza


de salvação, está a convicção absoluta naquilo que crê. Jó escreveu: “Eu sei que o meu Redentor
vive” (Jó 19:25). O apóstolo Paulo não teve dúvida: “Eu sei em quem tenho crido” (2 Tm 1:12). A
ineficiência na exposição das verdades da salvação passa a idéia de que o pregador não está muito
convicto daquilo que prega e não permite ao Espírito Santo usar a palavra para atingir o coração do
ouvinte, isto, porque, “se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha?” (1 Co
14:8). Ou seja, se o soldado der o toque de recolher para, em seguida, dar o toque da alvorada no
momento exato de iniciar a guerra, como os recrutas irão agir?

2 – Ser convertido

“... E tu, quando te converteres, confirma teus irmãos” (Lc 22:32). “... E grande número creu
e se converteu...” (At 11:21). Há muitas pessoas que querem dar o segundo passo, sem ter
conhecido o primeiro. A princípio, eles tentaram usar o poder do nome de Jesus, sem experimentá-
lo em suas vidas. E depois, tentaram levar homens pecadores e rebeldes ao conhecimento da
vontade divina. O homem salvo por Cristo, que está reconciliado com Deus, não vive mais em
rebeldia, seja qual for a forma que ela tiver. Que Deus nos ajude a estar dentro da Sua vontade! Nós
dizemos o que sabemos e testificamos o que vimos (Jo 3:11). Porque hás de ser sua testemunha para
com todos os homens do que tens visto e ouvido (At 22:15). O que ouvimos, o que vimos com os
nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram na Palavra da vida. O que vimos
e ouvimos, isso vos anunciamos (1 Jo 1:1-3).

3 – Ter bom testemunho

“Convém que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta e
no laço do diabo” (1 Tm 3:7).

4 – Ser preparado

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“Sofre, pois, comigo, as aflições como bom soldado de Jesus Cristo. Ninguém que milita se
embaraça com negócio desta vida, a fim de agradar àquele que alistou para a guerra. E, se alguém
também milita, não é coroado se não militar legitimamente. O lavrador que trabalha deve ser o
primeiro a gozar dos frutos”. (II Tm 2:3-6).

Há um ditado que diz: “Um homem prevenido [preparado] vale por dois”. No caso do
evangelista (ou qualquer outro ministro) isso é regra. Ele deve se preparar para estar sempre pronto
a responder à altura de um anunciador das Boas-novas. A Bíblia compara o crente como um
soldado ou atleta; estes títulos, em si mesmos, já denotam preparação. O evangelista deve se
preparar e também preparar o ambiente e as pessoas, através da oração. “A proclamação funciona
bem, num ambiente, onde as pessoas têm sido preparadas para ouvir o Evangelho.”

Estar preparado é mais do que ficar sempre lendo materiais sobre evangelismo. É estar cheio
da Palavra, do Espírito e da Graça de Deus. Estar preparado é também ser sensível à direção do
Espírito. O evangelista deve estar pronto, tanto para pregar quando o Espírito quiser, como para não
pregar quando o Espírito assim o mandar (Atos 16.6, 7). “Um ministro pode ter educação,
treinamento, personalidade e qualquer outro dom, geralmente considerado como uma necessidade
para um ministério próspero; contudo, o fracasso será iminente se ele descuidar do maior de todos
os requisitos para alcançar o verdadeiro e permanente ministério: a preparação espiritual de si
mesmo”.

5 – Ter o senso da oportunidade

Ter o senso da oportunidade é não deixar passar a hora e aproveitar as circunstâncias


favoráveis. O evangelista pessoal está sempre atento aos fatos e a tudo que o cerca, pois uma
situação inesperada pode ser o ponto de partida para ganhar uma alma.

Filipe ia a caminho de Gaza, deixando para trás um poderoso avivamento em Samaria (At
8.1-8) e aparentemente desperdiçando tempo, pois diz a Bíblia que a região estava deserta. Mais eis
que de repente surge alguém numa carruagem lendo o profeta Isaías. Era a oportunidade que não
podia ser desperdiçada e Filipe não perdeu tempo. O resultado todos conhecem.

Aqui fica também uma lição: aqueles que se consideram pregadores de grandes multidões
devem ter o senso do valor de uma alma, como Filipe. Ele trocou as conveniências de uma cidade
grande por uma região deserta, tendo em vista uma só alma.

6 – Conhecer o pecador

O pecador manifesta diferentes reações à palavra pregada. Cabe ao evangelista pessoal


conhecê-las e saber como lidar com elas. Há os que se mostram indiferentes, enquanto outros estão
interessados. Há os que desejam a salvação, mas se acham impedidos, enquanto outros não crêem

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que possam ser salvos. Há os que se consideram fracassados e não sabem como ser restaurados.
Enfim, há diferentes situações, mas para cada uma há respostas convincentes nas Escrituras. É
preciso que o evangelista pessoal as conheça e permita que o Espírito Santo as use no momento
adequado.

OS QUATRO “COMOS” DO EVANGELISMO

Vamos examinar a Carta aos Romanos, capítulo 10, versículos 13-15: “Porque todo aquele
que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E
como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como
pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam a
paz, dos que anunciam coisas boas.”

Aqui temos os quatros “comos” da Palavra de Deus. Primeiramente encontramos a promessa


“ser salvo” condicionada ao verbo “invocar”. Porém, para que invoquem, precisam antes confiar.
Para que confiem, precisam antes ouvir. Para que ouçam, alguém deve pregar-lhes as boas novas.
Mas para que preguem, terão antes de ser enviados. Dessa maneira, Deus põe a responsabilidade
sobre nós. Se enviarmos os missionários, eles poderão pregar. Se eles pregarem, pessoas poderão
crer; e se crerem, invocarão; e se invocarem, serão salvos. Mas todo o processo é iniciado por nós.
Antes de qualquer coisa, é necessário que enviemos.

SAQUEANDO O INFERNO

Para tornarmos efetiva a nossa vitória nesta batalha, precisamos de uma estratégia bem
planejada e estudada, e esta estratégia já está descrita na Palavra de Deus, e constitui-se dos
seguintes passos:

1 – Derrubar as portas do inferno

Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas
do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16.18).

Neste verso, Jesus está apresentando o instrumento de Deus para a execução dos Seus planos
de restauração da humanidade. Jesus está dizendo: “Eu edificarei a minha Igreja, e as portas do
inferno não prevalecerão contra ela”, ou seja, o trabalho de Deus na restauração da humanidade
começa com um ataque frontal ao inferno. A Igreja é o instrumento de Deus para atacar o inferno, e
o primeiro passo nesta estratégia é derrubar as portas do inferno.

Tenho ouvido interpretações erradas deste versículo por pessoas afirmando que os crentes
estão dentro do templo, tremendo de medo, e Satanás está em volta, tentando entrar, mas as portas

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da Igreja estão firmes e ele não pode entrar. Contudo, é exatamente o contrário o que a Bíblia
afirma: Satanás é quem está dentro do inferno, bem trancado, tremendo de medo do poder de Cristo
através da Igreja, tentando segurar as vidas que estão em suas mãos. Assim, o papel da Igreja é
derrubar as portas do inferno e entrar lá para tirar as vidas do domínio de Satanás e levá-las para as
mãos de Cristo. As portas do inferno não resistem ao poder de Cristo manifesto na Sua Igreja.
Aleluia!

2 – Amarrar o inimigo

Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; só
então lhe saqueará a casa (Mc 3:27).

O segundo passo na estratégia da batalha espiritual é amarrar o inimigo. No contexto deste


verso, Jesus Cristo está falando sobre Satanás, e apresenta-nos a estratégia de amarrá-lo. Pela
autoridade da nossa posição em Cristo, pela Palavra de Deus, pelo nome de Jesus Cristo, podemos
amarrar Satanás e os espíritos malignos, para, finalmente, tirarmos as vidas de suas mãos. Se
estivermos acima de todo domínio e poder, temos, então, autoridade espiritual sobre este poder. Por
isso, o crente em Cristo, simplesmente pode amarrar Satanás, para executar a obra de Deus. Isto não
quer dizer que podemos impedir a atuação de Satanás no mundo, pois isto só se dará no final dos
tempos, mas o que podemos e devemos fazer é impedir a atuação de Satanás e espíritos malignos,
especificamente sobre a pessoa ou área onde estivermos evangelizando.

3 - Roubar-lhe os bens

Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e
só então lhe saqueará a casa (Mc 3.27).

O bom crente é um “ladrão”! E deve “roubar” muito. No verso, Jesus diz que devemos
amarrar o valente e saquear-lhe os bens. Quais são os bens de Satanás? São as vidas que ele tem em
seu domínio. Portanto, estas vidas precisam ser resgatadas. Precisamos tirá-las das mãos de Satanás
e levá-las para Cristo. Isto é feito no campo espiritual. Há muita gente tentando convencer os outros
de que as doutrinas bíblicas são certas e de que somente em Cristo há salvação, pensando que se a
pessoa aceitar estes argumentos intelectuais estará salva. A apresentação do plano de salvação e o
uso de argumentos poderão ajudar a pessoa a tomar a decisão, que produzirá efeitos espirituais,
porque a salvação de Cristo consiste em tirar as vidas das mãos de Satanás e transportá-las para o
reino de Deus. Por isso, devemos amarrar Satanás e saquear-lhe os bens.

4 – Garantir os bens saqueados

Após roubarmos as vidas das mãos de Satanás, estas precisam ser protegidas e garantidas
para não caírem mais no domínio do inimigo. Poderemos fazer isto de três maneiras:

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A) Discipulando – Precisamos levar o novo convertido a compreender a Palavra de
Deus, a conhecê-la não só na teoria, mas também na prática. Aquele que se firmar na
Palavra de Deus, colocando-a em prática estará firmando sua vida espiritual sobre a
rocha, que é Cristo, e nada poderá derrubá-lo desta posição. Daí a necessidade de
alguém mais experimentado na Palavra, para tomar o novo convertido e,
pessoalmente, ajudá-lo no crescimento espiritual.

B) Resistindo a Satanás – “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele


fugirá de vós” (Tg 4:7). O versículo diz que devemos primeiro estar em submissão a
Deus. A nossa luta espiritual mostra que a vitória vem do poder de Deus em nossas
vidas. Desta forma, precisamos estar em inteira submissão ao Espírito Santo de Deus,
para então, resistirmos ao diabo. Quando resistimos a Satanás e aos seus ataques, ele
foge. Note que coisa interessante: quem foge é o diabo, não o crente. Temos visto
crentes fugindo de medo do diabo e de pessoas possuídas por demônios, porque não
conhecem sua posição em Cristo. Quando exercemos autoridade e resistimos ao
diabo, ele foge. O diabo é quem precisa fugir.

C) Não dando lugar ao diabo – “... nem deis lugar ao diabo” (Ef 4:27). A vitória já está
garantida, temos autoridade sobre Satanás, mas precisamos tomar cuidado para não
lhe dar lugar. O diabo é astuto e não vai aparecer diante de nós como um bicho feio.
Ao contrário, a Bíblia diz que ele se transforma em anjo de luz, para nos enganar. E o
faz com muita sutileza; às vezes, trazendo um mau pensamento, desviando-nos dos
propósitos de Deus; outras vezes, provocando divisões, contendas, etc. Assim,
devemos tomar cuidado e não dar lugar ao pecado, contendas, divisões na Igreja, para
que ele não tenha vantagem nesta batalha.

Resumindo, esta deve ser então, nossa estratégia: derrubar as portas do inferno e entrar lá;
amarrar Satanás; tirar as vidas de seu domínio e transportá-las para o reino de Cristo; treinar estas
vidas para que se tornem também soldados contra o inimigo.

A vitória já está garantida, pois a Bíblia diz que Jesus se manifestou para destruir as
obras do diabo (1 Jo 4:8). Além disso, quando a última pessoa ouvir a mensagem do
Evangelho na terra, Jesus Cristo voltará com poder e grande glória (Mt 24:14). Então
veremos a derrota final do Inimigo (Ap 20:7-10).

CONCLUSÃO
No coração de Deus há um clamor, dia e noite, gritando: ALMAS! ALMAS! ALMAS! Ele clama
para que seus servos se entreguem à obra de ganhar almas. Somente estes, que procuram ter um
coração segundo o de Deus sabem o que significa este clamor: “...Ai de mim, se não anunciar este
Evangelho!” Paulo sabia que era responsável perante Deus, de resgatar o mundo das trevas. O
Senhor tem chamado e preparado homens especiais para este serviço: Os Evangelistas. Esses

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homens têm transformado o mundo com as Boas-novas de salvação, desde o tempo de Jesus, e vão
continuar com este ministério até que Ele volte.

Jesus, após sua ressurreição, enunciou aos discípulos uma condensação do Velho
Testamento. Disse ele: “São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco, que
importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos
Salmos”. Quando então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras, e lhes disse:
Assim está escrito, que o Cristo havia de padecer...”.

Sacerdotes e rabinos judeus, aos milhares, já dedicaram incontáveis horas de estudo aos
textos do Velho Testamento e, no entanto, não conseguiram perceber ali a maior revelação: o
Messias teria que sofrer e morrer...

E Jesus continua: “... e ressuscitar dentre os mortos ao terceiro dia...” A ressurreição do


Messias, outro importante “ponto cego” na mente do povo escolhido de Deus é a segunda parte do
conciso sumário que ele faz do Velho Testamento.

Mas nós, os cristãos, que vivemos 2000 mil anos depois, tendo os benefícios de conhecer o
desenrolar subseqüente da História, devemos ter o cuidado de não rir desse erro dos judeus, que não
discerniram o tema central do Antigo Testamento, pois Jesus continuou a sua exposição,
mencionando o terceiro fator que constitui um dos principais: “E que em seu nome se pregasse
arrependimento para remissão de pecados, a todas as nações, começando em Jerusalém” Lc 24:44-
47.

PARTE 7 - MISSÕES EVANGELISTICAS

AS LEIS DO REINO DE DEUS

Jesus, no seu Ministério Terreno, sempre enfatizou que seu reino não era desse mundo,
procurou levar os discípulos a verem, vivenciarem e apalparem o reino dos céus. Procurou ensinar-
lhes o funcionamento, bem como, as leis que regem esse reino. Nos trouxe um novo conceito de
Reino, que não estava limitado a um espaço geográfico, mas estaria em nós. Lc. 17:20-21.
Jesus ensinou aos discípulos que eles agora, deveriam viver de acordo com as Leis do Reino.
Um reino de: “Justiça, paz e alegria no Espírito Santo”. Rm 14:17. Porém, um grande problema
recai sobre nós cristãos em nossos dias; o fato de biblicamente sermos cidadãos do Reino de Deus,
mas queremos viver ainda, como cidadãos terrenos, com as leis da terra, vivas em nós, suplantando
leis do Reino, e fazendo com que muitas vezes, apesar de cristãos, carreguemos o fardo do mundo.
Portanto é de singular importância, que procuremos conhecer as leis do Reino, e coloca-las
em pratica nas nossas vidas. Tg 1:22. Para isso enumeramos a seguir alguns princípios e leis do Reino.
- Reciprocidade
- Uso
- Perseverança
- Responsabilidade
- Grandeza
- Unidade
- Dar

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- Semeadura
- Diligencia
- Amor
A graça e misericórdia não anulam essas leis. Veja o exemplo da mulher adultera – João 1:14 e 8:1-11
Jesus disse a ela: Eu não te condeno, isto é graça.
Vai e não peques mais, Ele ensinou a verdade.
Ele se manifestou cheio de graça e de verdade, a graça não anula a verdade.

1) Lei da Reciprocidade
Em Lc 6:31, está escrito “Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também
a eles”, Mateus ainda diz que “esta é a lei dos profetas” Mt 7:12. Chamamos essa primeira lei de lei
da Reciprocidade, por causa do fator recíproco existente no mandamento do Senhor, ou seja, aquilo
que você desejar para você mesmo, faça aos outros. Este mandamento é uma lei, porque possui
feitos de conseqüências.
Na natureza existem as leis da física, da eletricidade, etc. Se eu ultrapassar algumas destas
leis, eu sofrerei as conseqüências, benéficas ou maléficas, por exemplo: A lei da gravidade faz com
que todo o corpo seja atraído ao centro da terra, e se uma pessoa saltar de um edifício, estará sujeita
a lei da gravidade, e sofrerá conseqüências maléficas. Se alguém tocar um fio desencapado de
corrente elétrica, estará sujeito as leis de condução de eletricidade.
Nas leis do reino também sempre existirão conseqüências pelo cumprimento ou não das
mesmas. Jesus disse; “Assim como você quer que as pessoas te façam, faça aos outros”. Sendo
assim é de se esperar que se eu fizer o bem, as pessoas farão bem a mim também, mas se eu fizer o
mal também receberei males.
A Lei da reciprocidade, atua em todas as áreas da existência humana, pois ninguém em sã
consciência desejará o mal para si, mas sim o melhor e é isso que Jesus quer nos ensinar, fazer o
melhor para o próximo.

2) Lei do Uso
Mt 25:14-30, mostra-nos o que significa a lei do uso. Se observarmos o contexto dessa
parábola, veremos que Jesus estava se referindo a dinheiro (versos 14,18 e 27) e que um talento era
a medida para o ouro ou prata, e equivalia a cerca de mais ou menos 35 quilos. Essa parábola
expressa a importância da boa mordomia cristã, ou do bom uso das finanças que Deus nos concede.
Deus considera de muitíssima importância, o uso daquilo que ele nos dá, ao ponto de servir de
referência, para que ele nos confie maiores responsabilidades (versos 21 a 23).
É interessante observar que o homem a quem fora confiado um talento, tinha uma idéia errada
a cerca do caráter de Deus (“...é um homem severo, que colhe onde não plantou e junta onde não
semeou”) e agiu com incredulidade. (“tive medo”). I João 4:18.
Percebe-se nas escrituras uma estreita relação entre bens, finanças e o coração do homem,
sendo que a maneira pela qual o homem administra os seus bens reflete o seu coração: “Pois onde
estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração”. Mt 6:21. Por isso nos versículos 28 a 30 de
Mateus 25: 14-30 nos é dito que foi retirado o talento daquele que administrou mal e foi dado a
quem administrou ou usou bem. E aquele servo foi considerado mal e negligente diante de Deus e
lançado no inferno.
Conclui-se então que se estivermos dispostos a usar bem o que eles nos deu, teremos mais, se
porém, não nos dispusermos a usar da maneira adequada o que ele nos deu, perdê-lo-emos.

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3) Lei da Perseverança
A perseverança é um ensinamento e uma lei básica no Reino de Deus. A Bíblia nos mostra
que uma condição fundamental para alcançar a vitória cristã é a perseverança. Mt 24:13. De igual
modo, a perseverança funciona em todas as áreas de atividade humana. Somos sabedores que
muitos homens de negócios empresários, fazendeiros, bem sucedidos, que começaram pequenos nos
seus ramos mas perseveraram mesmo diante das dificuldades, das crises e venceram.
Jesus é o Alfa e o Omega, o principio e o fim. Ele é a porta de entrada para se alcançar o alvo.
Mas entre a porta e o alvo temos um caminho a percorrer, aqui entra a perseverança.
Na vida cristã, somos muito mais exortados a perseverar, para que possamos colher os frutos.
Tg 1:3-8 e Hb. 10:36-38.
Deus tenciona nos ensinar a perseverança. Ele sabe a tendência do homem em desistir, por
isso ele permite que sejamos exercitados nessa área. Em Rm. 5:3-5, Paulo nos ensina alguns
benefícios importantíssimos da perseverança. “Não só isso, mas também gloriamos nas tribulações,
porque sabemos que a tribulação produz perseverança, UM CARATER APROVADO; e o caráter
aprovado, ESPERANÇA. A esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em
nossos corações pelo Espírito Santo, que ele nos concedeu”. (Nova versão internacional). Um dos
frutos mais importantes que o exercício da perseverança gera em nós, é o CARATER APROVADO
diante de Deus e isso é maravilhoso. Quando um cristão passa a ter um caráter parecido com o de
Jesus, Deus se alegra muito por ver que grande, parte de seu propósito para nós, tem se cumprido,
ou seja, sermos semelhantes em caráter a Jesus. Gl 4:19.
Captamos o sentido mais amplo desse ensino, quando entendemos que os verbos: pedir,
buscar e bater,estão no grego no modo imperativo do presente: “Peça e continue pedindo; busque e
continue buscando; bata e continue batendo”. Mt. 7:7. A maior parte das coisas do Reino de Deus
manifestam-se com esforço. Mt 11:12, Lc 18:1-8.
Jesus também nos advertiu a não desistir, não retroceder, nem olhar para trás. Lc 9:62, Deus
usa homens fracos, mas que perseveram. Hb 4:14 – Retenha firmemente a sua confissão.

4) A lei da Responsabilidade
Passagens bíblicas como Mt 20:20-23, Lc 12:48, nos mostram o que significa a lei da
responsabilidade. Mateus nos relata que João e Tiago se aproximaram de Jesus com o intuito de
pleitearem uma posição de autoridade no Reino. Jesus não os censurou por isso, mais fez saber a
eles as leis do Reino. Primeiramente fez saber a eles a seriedade do que estavam pedindo, (vers. 22),
depois lhes mostrou que no Reino, autoridade, favor é igual a responsabilidade, referindo-se ao
cálice de sofrimento que a autoridade lhes traria. ( versos 22 e 23 ).
Muitas pessoas hoje em dia, estão buscando dentro da igreja: posição, titulo, cargos, sem saber
o que isso significa, sem entender o peso da responsabilidade, ou seriedade das coisas de Deus.
Tiago chega ao ponto de dizer, que não gostaria que muitos irmãos fossem mestres, por causa do
peso da responsabilidade, que recai sobre quem ensina. Tg 3:1.
A medida que o favor aumenta, aumenta a responsabilidade. Ë um grande erro pedirmos a
Deus alguma coisa e depois não aceitarmos a responsabilidade conseqüente.

5) A Lei da Grandeza
A lei da Grandeza nos mostra o grande contraste que existe entre o mundo e as coisas de
Deus. No mundo, para você ser grande, você precisa ser rico, ser famoso, você precisa de PODER.
No Reino de Deus, Jesus nos ensina que para sermos grandes nós precisamos ser humildes e servir.
Quão oposta é essa mensagem, quão difícil é para nós seres humanos, entender e viver essa lei. O

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mundo é totalmente oposto a Lei da Grandeza, está impregnado de valores contrários à essa lei. Por
isso quando nos convertemos, muitas vezes ainda podemos detectar em nossos corações alguma
tentativa de ser grande ainda segundo o mundo.

Jesus resumiu grandeza em duas atitudes:


- Servir Mt 20:25-28 Mt 23:11-12
- Humildade Lc 14:11 Mt 23:12 Lc 18:14 Pv 18:12

Em outras palavras, quanto maior a área do serviço, tanto maior se torna o individuo, tanto
maior a humildade maior é a honra.
Quão diferentes nós somos das crianças !
As crianças são:
- Confiantes (entregues aos pais)
- Simples
- Humildes
- Sinceras
- Puras

6) A Lei da Unidade
A unidade é o centro do funcionamento do mundo. Deus atua em unidade. Gn 1:26. Jesus orou
pela unidade de sua igreja. Jô 17:21-23. Ao entendermos o que é unidade veremos, porque é algo
tão importante. Entendemos que unidade, não simplesmente estar juntos, posso andar com alguém e
estar junto, que mesmo assim não haver unidade com a pessoa. Se colocarmos um gato e um
cachorro juntos, eles estarão próximos um do outro, mas provavelmente não terão unidade.
Em I Co 1:10 o apóstolo Paulo, nos diz o que é unidade. Paulo descreve algumas atitudes que
esclarecem o que é unidade:
- Falar todos a mesma coisa
- Ser inteiramente unido na mesma disposição mental
- Ser inteiramente unido no mesmo parecer
- Tendo o mesmo amor e não o mesmo o gosto
- Sendo unidos de alma
- Tendo os mesmos sentimentos, uns para com os outros
Fl. 2:1-3 Paulo explica que ter unidade é considerar o outro superior a si mesmo, para isto
tenho que ter entranháveis afetos de compaixão.
O primeiro efeito da falta de unidade é a divisão, o sectarismo. E onde reina a desunião, opera
o orgulho.
Deus não pode atuar onde existe divisão, sectarismo, no relato de Gn 11:1-9, com relação a
Babel, entendemos o poder da unidade e o que significa falar a mesma língua. Algumas
considerações importantes:

01) A unidade possui poder mesmo nas questões e motivos errados.(versos 06). Um bom
exemplo disso é a unidade dos partidos políticos em época de eleição. Eles se unem em
torno de um candidato, esquecendo a sigla do partido em prol de lutarem por um objetivo
comum: a vitória de tal candidato. Nós cristãos deveríamos nos envergonhar ao ver que o
ímpio é mais hábil nas suas coisas que, do que os filhos da luz. Lc 16:2-8.

02) Falar a mesma língua literalmente, significa espiritualmente ter o mesmo propósito, o
mesmo objetivo, o mesmo alvo. ( verso 06) – Babel.

03) O próprio Deus reconheceu o poder da unidade, (mesmo num intento maligno) ao dizer que
não haveria restrição para tudo o que intentassem.

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Como corpo de Cristo, possuímos um grande desafio; que é buscar a unidade que existe na
Tri-unidade Divina para a igreja. Jô 17:21. Para que a igreja seja o que Deus planejou para ela
(igreja gloriosa, sem ruga, sem mancha, vitoriosa), pois um reino dividido não pode subsistir. Lc11:17.
Se operarmos dentro da Lei da Unidade, poderemos ter a certeza de que Deus estará
abençoando nosso propósito.

7) A Lei do Dar
A Lei do Mundo – Compra e Venda Lc 17:28-16
A Lei do Reino diz: Daí, e dar-se-vos-á, boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, gene-
rosamente vos darão: porque com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também” Lc 6:38.
O mundo diz: retém. O Reino diz: Dai !!!
Jesus nos ensina que mais bem-aventurado é dar do que receber.
At 20:35. Paulo nos ensina que quanto mais dermos, mais receberemos.
2 Co 9:6-12 e I Tm 6:3-10.
O amor ao dinheiro é a raiz de todo mal. Se o dinheiro domina você, você está servindo a ele e
ninguém pode servir a dois senhores.
A bíblia diz que a alma generosa, prosperará. Pv 22:9 Pv 11:2-5.
O mundo diz: Odeie seus inimigos. O Reino diz: Ame seus inimigos.
O mundo diz: Pague na mesma moeda. O Reino diz: Faça o bem aos que maltratam.
O mundo diz: Agarre-se a vida a qualquer preço. O Reino diz: Perca a vida e a encontrará.
O mundo diz: É essencial um corpo jovem e bonito. O Reino diz: O grão de trigo deve morrer
se quiser ter a vida eterna.
O mundo diz: Empurre a si mesmo para o topo. O Reino diz: Sirva se quiser liderar.
O mundo diz: Você é o número um. O Reino diz: Muitos são os primeiros, mas serão esses
serão os últimos.
O mundo diz: Adquira ouro e prata. O Reino diz: Ajunte tesouro no céu se quiser ser rico.
O mundo diz: Retenha tudo o que possui, nunca de nada a ninguém. O Reino diz: Daí e dar-
se-vos-á.
Mediante a esse paradoxo entre o mundo e o Reino de Deus, podemos entender porque João
nos diz, que não devemos amar o mundo. I João 2:15-16.

8) A Lei da Semeadura
Paulo nos diz que a lei da Semeadura é inevitável e exata. “Não se deixem enganar: De Deus
não se zomba. Pois se alguém semear, isto também colherá. Quem semeia para a sua carne, da carne
colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colhera vida eterna”.Gl 6:7-8.
Esta passagem bíblica nos mostra claramente o que significa o exercício do livre arbítrio.
Deus nos deu a capacidade de escolha, porem a Lei da Semeadura nós entendemos que, se alguém
começar a semear pecado, colherá corrupção, as conseqüências serão inevitáveis. A Semeadura é
livre, porem a colheita obrigatória. Mas alguém pode perguntar: Mas Deus não nos perdoa ? Perdoa,
porem as conseqüências do pecado, poderão ser totalmente aniquiladas, somente na vinda do
Senhor, na restauração de todas as coisas. A Lei da Semeadura nos diz que se alguém semear amor,
colherá amor, porém se semear o ódio, colherá ódio. Os 8:7.
9) A Lei da Diligência
A diligencia é uma das virtudes mais importantes na vida cristã. Ser diligente, é não ser lento
no seu trabalho, é ser responsável, esforçado e perseverante.

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A Lei da Diligência nos diz que todo aquele que procura ser diligente nas suas tarefas,
obrigações, responsabilidades e principalmente nas coisas concernentes ao Reino, será bem
sucedido. A diligência nos conduz ao êxito, à honra, à prosperidade material e espiritual. Em
contrapartida, a bíblia nos diz que o negligente empobrecerá. Pv 21:5, Pv 22:29, Pv 10:4, Pv 13:4.
Mencionaremos ainda alguns ensinamentos de princípios que se relacionam ao reino de Deus
e a vida cristã.
 O principio do Trabalho – Biblicamente existem duas maneiras corretas para se
prosperar financeiramente:
- Primeiro: É pela benção do Senhor. Pv 22, Pv 28:25. Abraão, é um bom exemplo de quem
prosperou pela benção divina. Gn 12:1-20. Também Jacó. Gn 39:43, 43:31, 31:1-10.
- Segundo: É pelo trabalho. Deus abençoa o trabalhador honesto. Pv 13:11, Pv 14:23.
 Anda com o sábio e serás sábio – Pv 13:20 A bíblia nos mostra que as más
companhias, podem influenciar para o mal.
 Quem fica por fiador sofrerá males – Pv. 11:15 Muitas pessoas cristãs ou não, tem
sofrido por descumprir esse principio.
 Na multidão de conselhos, está a sabedoria – Pv 15:22, Pv 11:14. É de uma
importância a pratica desse principio cristão, principalmente em se tratando de
decisões importantes.
 Não se meter na questão alheia – Pv 26:17. Dificilmente uma pessoa que se envolve
em questões que não lhe dizem respeito, deixará de sofrer algum tipo de dano.
 O dever de guardar a língua e não se meter com quem muito abre os lábios – Este é o
principio sobre relacionamento humano de maior importância e dos mais comentados
nas sagradas escrituras. Dominar a língua é ter sabedoria nesta área, nos poupará de
muitos males. Pv 13:3, Pv 10:19 e I Co 15:33.
 O dever de pleitear a causa diretamente com o próximo – Este é um dos mandamentos
divinos mais mal interpretados, negligenciados e ignorados. Em Mateus 18:15-17, está
escrito: “Se teu irmão pecar contra ti vai e repreende-o entre ti e ele só. Se ele te ouvir,
ganhaste teu irmão. Se porém não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas
para que pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. E
se ele não atender, dize-o à igreja e se ele recusar também à igreja, considera-o como
gentio e publicano”.
A ordem de Jesus é clara, não deve haver rodeios nem mediadores. Por causa do
descumprimento deste mandamento tem havido tanta guerra de relacionamentos, intrigas, fofocas e
mal entendidos. O que acontece é o seguinte: alguém tem um problema com o próximo e ao invés
de ir nele diretamente para resolver a situação, a pessoa procura o pastor, o vizinho, um parente, um
amigo chegado para se queixar da situação, menos a pessoa envolvida. O resultado é o que já
mencionamos atrás: intrigas, mexericos e etc..., menos a solução do problema.
Mas o mandamento é claro, resolva a causa diretamente com seu irmão, caso ele não te ouvir,
proceda como diz o restante das escrituras (versos 16 e 17) Pv 25:9, Lc 17:3-4. Pv 6:16-19. Deus
abomina aquele que semeia contenda.

 Não se cumpre uma maldição sem causa – Pv 26:2, Nm 23:8 Deus é infinitamente
justo. Se alguém está sob uma maldição certamente houve uma causa.
 Não se deve proceder sem refletir, peca quem é precipitado – Pv. 19:2 A precipitação
inquietação e ansiedade são atitudes ou sentimentos que não procedem da fé, por isso,
fatalmente tem um endereço, o erro.
 O dever de entender os princípios de autoridade espiritual – Exemplo – Paulo estava
preso em Roma e no cárcere ele instruía Timóteo que pastoreava a maior igreja da
Ásia, em Éfeso. Timóteo entendia que mesmo Paulo estando em um lugar geográfico
menos favorecido, não deixaria de ser a sua autoridade espiritual.. I Tm. 1:2-18.
Timóteo poderia invalidar a instrução de alguém que estava preso, porém, ele entendia
o principio de autoridade espiritual e por isso se submetia aos ensinamentos de Paulo.

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10) Lei do Amor
Por último, entendemos que a lei máxima do Reino é a Lei do Amor, do perdão e da
misericórdia.
Todas as leis que regem o relacionamento de Deus para com o homem, são fundamentos no
Amor. Tiago nos diz que o amor é a lei régia do Reino. Tg 2:8. Enquanto o mundo nos diz que
devemos amar apenas os que nos amam, o Reino diz: “Ama o seu inimigo e ore pelos que te
perseguem”. Mt 5:44 O mundo diz: vingue-se, aja na mesma moeda, o Reino diz: “Perdoe, seja
misericordioso. Não te deixe vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem”. Rm 12:21.
A vida cristã consiste em assimilar as leis do Reino, conhece-las e buscar pela graça de Deus,
vivencia-las e coloca-las em pratica, para que de fato sejamos cidadãos celestiais. Hb 11:16.
O segundo mandamento é semelhante ao primeiro, ou seja, o mesmo tipo de amor que
amamos a Deus, devemos ter pelas pessoas. Você não pode ter um tipo de amor e não ter o outro.
Mt 22:37-40.

Conclusão: O Reino de Deus está dentro de vós e estas leis do Reino (Leis Morais), devem estar
dentro de vós também.
A graça e a misericórdia não anulam estas leis do Reino de Deus!

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