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Competência no Direito Processual Civil

O documento aborda a competência no Direito Processual Civil, definindo-a como a distribuição de atribuições entre órgãos do Poder Judiciário. Ele detalha os limites internos da jurisdição, critérios de competência e regras gerais, incluindo exceções e casos de competência concorrente e exclusiva. Além disso, discute a incompetência, suas modalidades e o conflito de competência entre juízes.

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Competência no Direito Processual Civil

O documento aborda a competência no Direito Processual Civil, definindo-a como a distribuição de atribuições entre órgãos do Poder Judiciário. Ele detalha os limites internos da jurisdição, critérios de competência e regras gerais, incluindo exceções e casos de competência concorrente e exclusiva. Além disso, discute a incompetência, suas modalidades e o conflito de competência entre juízes.

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL | UNIFACOL | PROF.

OZIAS COSTA

COMPETÊNCIA
Segundo a melhor doutrina processual brasileira, competência pode ser definida como o
resultado de critérios para distribuir entre vários órgãos as atribuições relativas ao
desempenho da jurisdição, nos limites estabelecidos por lei.
Competência serve para dividir dentro do Poder Judiciário as funções de cada órgão a
fim de que o serviço seja prestado de uma forma mais otimizada.
Ocorre quando cada órgão exerce a totalidade da Jurisdição.
A Jurisdição, por sua vez, é exercida pelo Poder Judiciário sobre todo o território nacional.

O CPC divide competência de acordo com seus limites:


Limite Interno da Jurisdição e Limite da Jurisdição Nacional.

LIMITES INTERNOS DA JURISDIÇÃO


Por limites internos da jurisdição entende-se os limites que acontecem dentro do território
nacional, e eles são divididos em 3 grandes grupos:
 Critério Objetivo
 Critério Funcional
 Critério Territorial
CRITÉRIO OBJETIVO
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A) Em razão da PESSOA – Ocorre quando a parte litigante possui vários órgãos


competentes para análise daquele tipo de caso. Exemplo: Quando envolve a Fazendo
Pública, o processo é julgado na Vara da Fazendo Pública, independente das outras
opções.
B) Em razão da MATÉRIA – É necessário analisar qual a natureza jurídica daquela matéria
em controvérsia. Exemplo: Divórcios, onde a Vara de Família é competente.
C) Em razão do VALOR DA CAUSA – Há determinados casos em que a competência é
definida de acordo com o valor da causa em julgamento. Exemplo: Juizado Especial que
julga ações de até 40 salários mínimos.

CRITÉRIO FUNCIONAL – (comp. Absoluta)


O critério funcional de competência vai determinar qual órgão é competente de acordo com
a função que ele desempenha dentro da estrutura do Poder Judiciário.
A) Horizontal – Quando ela ocorre entre órgãos do mesmo nível hierárquico, mas com
atribuições diferentes.
B) Vertical – Muda de acordo com as instâncias. Ou seja, 1º instância, 2º instância e 3ª
instância.

CRITÉRIO TERRITORIAL (competência Relativa)


Visa determinar qual é o local em que aquela demanda deve ser proposta. Tem previsão a
partir do artigo 46 do Novo CPC.

REGRA GERAL
Direito pessoal ou real sobre bens MÓVEIS, será proposto a demanda no domicílio do
réu (art. 46).
RÉU com + 1 Domicílio
O autor pode escolher qual dos domicílios vai propor aquele caso.
RÉU em local Incerto ou Desconhecido
O autor pode optar por demandá-lo onde o réu for encontrado ou no domicílio do Autor.
Quando o réu não tiver domicílio ou residência no Brasil
No foro de domicílio do autor, e, se este também residir fora do Brasil, a ação será proposta
em qualquer for. Obs.: deve-se observar o previsto no artigo 23 (competência exclusiva)
Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios
No foro de qualquer deles, à escolha do autor.
Execução Fiscal
No foro de domicílio do réu, no de sua residência ou no do lugar onde for encontrado.
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EXCEÇÕES À REGRA GERAL


Ações fundadas em direito real sobre IMÓVEIS (ART. 47)
É competente o foro de situação da coisa.
O autor também pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição se o litígio
não recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de
terras e de nunciação de obra nova.
HERANÇA (ART. 48) – O foro de domicílio do autor da herança, ainda que o óbito tenha
ocorrido no estrangeiro. Não possuía domicílio certo, é competente:
I – o foro de situação dos bens imóveis;
II – havendo bens imóveis em foros diferentes, qualquer destes;
III – não havendo bens imóveis, o foro do local de qualquer dos bens do espólio
RÉU INCAPAZ (ART. 50)
Foro de domicílio de seu representante ou assistente.
União como Autora ou Assistente (ART. 51)
No foro de domicílio do autor. Caso a União seja ré, o foro competente é o de ocorrência
do ato ou fato que originou a demanda, no de situação da coisa ou no Distrito Federal.
Estado ou DF como Autor ou Assistente (ART. 52)
No foro de domicílio do réu. Caso o Estado ou DF sejam réus:
I. no foro de domicílio do autor,
II. no de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda,
III. no de situação da coisa ou na capital do respectivo ente federado.
Divórcio, Anulação de Casamento, Reconhecimento ou Dissolução de União Estável
(ART. 53)
a) de domicílio do guardião de filho incapaz;
b) do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz;
c) de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo domicílio do casal;
Ação de Alimentos (ART. 53, II)
A competência é do domicílio ou residência do alimentando (quem recebe).
Do Lugar (ART. 53, III)
a) onde está a sede, para a ação em que for ré pessoa jurídica;
b) onde se acha agência ou sucursal, quanto às obrigações que a pessoa jurídica contraiu;
c) onde exerce suas atividades, para a ação em que for ré sociedade ou associação sem
personalidade jurídica onde a obrigação deve ser satisfeita, para a ação em que se lhe
exigir o cumprimento;
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d) de residência do idoso, para a causa que verse sobre direito previsto no respectivo
estatuto;
e) da sede da serventia notarial ou de registro, para a ação de reparação de dano por ato
praticado em razão do ofício.
f) Do lugar do ato ou fato para a ação (ART. 53, IV)
g) a) de reparação de dano;
h) b) em que for réu administrador ou gestor de negócios alheios.
i) Para ação de reparação de dano sofrido em razão de delito ou acidente de
veículos e aeronaves (ART. 53, V)
j) Domicílio do Autor ou Local do Fato.

LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL


Quando se fala em Jurisdição Nacional, devemos lembrar que se trata de Competência
Concorrente.
Ou seja, outros países também podem julgar essas questões de direito.
Essas determinações estão previstas nos artigos 21 ao 25 do CPC.

COMPETÊNCIA CONCORRENTE – CPC


O Brasil tem competência concorrente com outros países nos seguintes casos (art. 21 e 22
Novo CPC):
I – O réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil; (considera-
se domiciliada no Brasil a pessoa jurídica estrangeira que nele tiver agência, filial ou
sucursal.)
II – No Brasil tiver de ser cumprida a obrigação;
III – O fundamento seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil.
IV – Ações de alimentos, quando:
a) o credor tiver domicílio ou residência no Brasil;
b) o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento
de renda ou obtenção de benefícios econômicos;
V – Ações decorrentes de relações de consumo, quando o consumidor tiver domicílio ou
residência no Brasil;
VI – Ações em que as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à jurisdição nacional
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COMPETÊNCIA EXCLUSIVA – artigos 23 e 25 CPC


O poder jurisdicional brasileiro tem competência exclusiva (é excluída a autoridade
judiciária de qualquer outro país) quando:
I – Conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil;
II – Em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento particular
e ao inventário e à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja
de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional;
III – Em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à partilha de
bens situados no Brasil, ainda que o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha
domicílio fora do território nacional.
IV – O processamento e o julgamento da ação quando houver cláusula de eleição de foro
exclusivo estrangeiro em contrato internacional, arguida pelo réu na contestação.

INCOMPETÊNCIA
A incompetência diz respeito às ações propostas em violação às regras de competência do
Código de Processo Civil.
A incompetência do juízo deve ser alegada pelo réu em preliminar de contestação e, ouvido
o autor, o juiz decidirá pelo acolhimento ou não da alegação.
Acolhendo-a, os autos são remetidos ao juízo competente, conservando-se os efeitos das
decisões proferidas pelo juízo incompetente até que outra seja proferida.
Esta regra só não será aplicada caso o juiz competente emane uma decisão anulando tudo
que foi decidido pelo juiz anterior.
A incompetência pode ser de duas ordens:
Incompetência absoluta:
A incompetência é absoluta quando tratamos de violação de regras de fixação de
competência em razão da matéria, da pessoa ou da função. Nesses casos, por dizer
respeito a normas de ordem pública, a violação não será admitida, nem pode ser relevada.
Mesmo que a incompetência absoluta não seja alegada pelo réu em preliminar de
contestação, ela pode ser reconhecida de ofício pelo juiz ou alegada em qualquer outro
momento pelas partes. Se o processo correr no juízo incompetente até o trânsito em
julgado, este é nulo, sendo cabível a ação rescisória.
Por exemplo, se a causa envolver a União e for ajuizada perante a Justiça Estadual teremos
uma incompetência que viola o critério de fixação pautado na pessoa. Por se tratar de um
critério absoluto, essa incompetência não poderá ser prorrogada (continuar no juízo
incompetente).
Incompetência relativa:
A incompetência é relativa quando tratamos da violação de regras de fixação de
competência em razão do território ou do valor da causa. Nesses casos, como estamos
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tratando de interesse das partes, admite-se certa flexibilização e o juízo que era
incompetente pode tornar-se competente.
Se a incompetência relativa não for alegada pelo réu em preliminar de contestação, ocorre
a preclusão desse direito, e há a prorrogação da competência, de forma que o juízo
anteriormente incompetente, passa a ser competente para o julgamento da causa. Ao
contrário da incompetência absoluta, a incompetência relativa não pode ser reconhecida de
ofício pelo juiz, mas pode ser alegada pelo MP nas causas em que atuar.
Por exemplo, se dois contratantes elegem um foro distinto de seus domicílios para
discussões judiciais relativa àquele contrato e ao ajuizar a ação, o autor demanda no foro
do domicílio do réu, caso a incompetência não seja alegada em preliminar de contestação,
o processo será mantido no foro em que foi ajuizado.
Conflito de competência
O conflito de competência ocorre quando dois ou mais juízes se dão por competentes
(conflito positivo) ou incompetentes (conflito negativo) para o julgamento da mesma causa,
ou quando há controvérsia acerca da união ou separação de processos.
O conflito deve ser suscitado pelo magistrado que não concordar com o juiz anterior, não
acolhendo a competência declinada, exceto se ele remeter a ação a um terceiro juiz.
Esse terceiro poderá acolher a competência ou, se não concordar, deverá suscitar o
conflito.
O julgamento do conflito de competência se dá pela autoridade judiciária superior aos juízes
conflitantes.

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