Tutoria
OBJETIVOS: que exijam a flexão e a rotação do tronco,
expor-se a estímulos vibratórios por
EPIDEMIOLOGIA E ETIOLOGIA DAS períodos longos, isoladamente ou
LOMBALGIAS OK combinados.
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS
FISIOPATOLOGIA Os principais fatores de risco para a
SEMIOTÉCNICA DA AVALIAÇÃO cronicidade da lombalgia são a
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL (DOR obesidade, o baixo nível educacional, os
NEUROPÁTICA X LOMBAILGIA elevados níveis de dor e de incapacidade,
COMUM). o humor depressivo , a somatização, a
EXAMES DE IMAGEM ansiedade, a insatisfação com o trabalho e
TRATAMENTO o levantamento de peso durante três
CETOPROFENO (AINE) E TRAMAL quartos da jornada de trabalho.
(OPIÓIDE)
ANATOMIA
Lombalgias e
A coluna lombar é composta por 5
Lombociatalgias vertebras. L1 a L5.
A lombalgia aguda é um a condição Funcionalmente é dividida em três partes:
autolimitada, e 90% dos pacientes
recuperam-se espontaneamente no Compartimento Anterior – formado
período de quatro a sete semanas. pelos corpos vertebrais e do disco
intervertebral. Tem a função de absorção
Há tendência de recorrência dos sintomas de choques e à sustentação de peso.
dolorosos (geralmente 1 ano).
Compartimento Médio – formado pelo
Das pessoas que tem lombalgia, 40 a 44% canal medular e pelos pedículos
apresenta cronicidade.
. Compartimento Posterior – tem a
A persistência da dor lombar pode ser função de protege os elementos neurais e
decorrente de fatores psicossociais e de é o responsável pelo direcionamento das
distúrbios vasculares e da unidades funcionais nos movimentos de
neuromodulação central da dor. flexão anterior e extensão, flexão lateral e
rotação.
FATORES DE RISCO
Fatores Individuais: história previa de
lombalgia
Fatores Constitucionais: ganho de peso,
a obesidade, a altura, a má postura, a
fraqueza dos músculos abdominais e
espinais e a falta de condicionamento
físico.
Fatores Psicossociais: depressão , a
hipocondríase, a histeria, o alcoolismo, o
fumo, o divórcio, o comportamento
doloroso. Além disso, indivíduos Os grupos musculares responsáveis pelo
descontentes e desmotivados com a sua suporte dinâmico da coluna lombar são: os
atividade ocupacional também podem extensores, os flexores anteriores, os
apresentar maior ocorrência de dor flexores laterais e os rotadores. Sendo os
lombar. extensores e rotadores os principais pelo
Fatores Ocupacionais: esforços sobre a suporte da coluna vertebral.
coluna lombar caracterizados por levantar
pesos, em purrar objetos pesados,
permanecer na posição sentada por tempo
prolongado, realizar tarefas monótonas ou
infecções e doenças inflamatórias
no nível da coluna lombar.
Inespecíficas: queixas de dor
lombar que ocorrem sem um a
causa anatômica ou neurofisiológica
identificável. Representa a maioria
dos casos de lombalgia.
Devido à natureza benigna das
lombalgias agudas inespecíficas,
90% melhoram espontaneamente,
AVALIAÇÃO CLÍNICA
A estabilidade da coluna depende dos
ligamentos e da ação muscular. Anamnese
O disco intervertebral tem papel Sobre a DOR investigar:
importante na absorção de energia
mecânica, sofrendo deformações elásticas A história do início e da evolução
frente aos esforços. As sobrecargas são dos sintomas
menores sobre o canal raquidiano e sobre O tipo e a localização precisa da dor
os pedículos vertebrais. A sua irradiação
Os fatores predisponentes e
O s discos intervertebrais m ais desencadeantes do quadro.
sobrecarregados estão entre L4-L5 e L5- Os fatores de piora e de melhora.
S1. Esses discos sofrem enorme ação
mecânica por serem os principais locais de Avaliar
movimento da coluna no sentido ântero- Dados sobre os diversos aparelhos, a
posterior e látero-lateral. história familiar e os antecedentes
pessoais devem ser rotineiramente
CLASSIFICAÇÃO
pesquisados.
As lombalgias são classificadas de acordo
Hábitos do Paciente: importante investigar
com a duração, o padrão e a etiologia.
para elucidar o melhor diagnóstico e
DURAÇÃO retirar a causa base da dor para quando a
pessoa fizer o tratamento, essa dor não
Aguda: tem início súbito e duração volte. Exemplo: tabagismo, a posição de
inferior a quatro semanas dormir, o tipo de colchão e de travesseiro,
Subaguda: duração de 4 a 12 as principais posições assumidas durante o
semanas. trabalho, o estudo, o lazer e as atividades
Crônica: duração maior que 12 esportivas, além da satisfação pessoal e
semanas. no trabalho,
Lombalgia recorrente: ela não se ATENÇÃO AS CARACTERÍSTICAS DA
encaixa em nenhuma das classificações DOR!
anteriores. É aquela que reaparece após
período sem dor. Dor de origem NEUROLÓGICA: A dor tem
início súbito e de forte intensidade, de
ETIOLOGIA caráter lancinante (pontadas agudas), do
Específicas: Representa apenas tipo queimor, choque e latejamento, que
15% dos casos de lombalgia. As se inicia na coluna lombar e irradia-se para
causas especificas são: hérnias o membro inferior, atingindo a
discais; espondilolistese; estenose extremidade distal, e que piora com a
do canal medular; instabilidade tosse e o espirro.
definida acima de 4 a 5 mm no Dor de origem MECÂNICA: localiza-se na
estudo radiológico dinâmico de coluna lombar, podendo irradiar-se para os
flexão e extensão; osteoporose; membros inferiores e podendo ou não
fraturas vertebrais; tumores; e acompanhar a distribuição nervosa.
Geralmente é agravada pelo movimento
da coluna lombar.
Dor de origem VASCULAR: claudicação
intermitente (dor ao caminhar e melhora
com o repouso), e geralmente é
acompanhada por alterações na
temperatura e na coloração do tegumento
e por alteração trófica.
DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS: fraturas,
tumores ou metástases, infecção,
espondilolistese, estenose do canal
medular, espondilite anquilosante ou EXAME FÍSICO
hérnia do disco lombar. Auxiliam na confirmação ou exclusão
É importante diferenciar as causas da dor das possibilidades diagnosticas
lombar, pois o tratamento muda. formuladas durante a anamnese.
ATENÇÃO! Quando me deparo com uma Inclui a inspeção estática e dinâmica, a
LOMBALGIA AGUDA observar sinais de palpação, os testes neurológicos e as
alarme para quadros malignos: RED FLAG manobras especiais provocativas.
Idade acima de 50 anos INSPEÇÃO ESTÁTICA
Apresenta queixa dolorosa por mais Observa-Se:
de um mês.
Antecedente pessoal de tumor Constituição física do paciente,
maligno, Presença de deformidades,
Perda inexplicável de peso Espasmos musculares,
Dor noturna Amiotrofias,
Ausência de melhora clínica após Crescimento anômalo de pêlos,
um mês de tratamento conservador. Marcas de nascimento,
Manchas café-com –leite
Lipomas,
Simetria dos ombros, das
espinhas ilíacas e do trocanter
maior,
Aumento ou a redução das
curvas fisiológicas
Escoliose - postura com a
inclinação lateral para um os
lados.
Proeminência abdominal.
INSPEÇÃO DINÂMICA
Irei visualizar os movimentos da coluna
A BANDEIRA AMARELA são os critérios
lombar, da marcha, além da coordenação
que indicam maior chance de
e do equilíbrio.
cronificação da dor lombar.
Marcha na ponta do é e calcanhar:
avaliação da força muscular dos músculos
flexores dorsais (L4) e flexores p lantares
(S l) do tornozelo.
PALPAÇÃO
Deve ser feita com rotina, buscando
pontos dolorosos locais, espasmos
musculares.
A palpação e a percussão dolorosa n a coordenação adequada e ocorrer em
região d os processos espinhosos pontos precisos de um movimento.
vertebrais, associadas a redução na
A propriocepção normal parece ser
mobilidade da coluna lombar.
essencial para essa coordenação
Técnica de palpação muscular para avaliar muscular.
detalhadamente os cmusculos superficiais
Além disso, o equilíbrio fisiológico entre
e profundos.
grupos musculares agonistas e
POSTAIRE : Colocar em posição para expor antagonistas deve estar preservado.
(Position to Open) o músculo; alongar
Em indivíduos normais, a força muscular
(STretch) para induzir tensão; ativar
dos extensores é maior do que a dos
(Activate) o músculo para identificá-lo
flexores. Já nos pacientes com lombalgia,
(Identify) d e acordo com a sua função;
vários estudos demonstram a fraqueza dos
relaxá-lo para examinar (Relax to
extensores em relação aos flexores.
Examine).
Também nos pacientes com lombalgia há
Palpação abdominal – aneurisma de aorta
comprometimento equivalente de ambos
abdominal.
os grupos musculares e o desequilíbrio
TESTES NEUROLÓGICOS entre os músculos da coluna lombar no
plano frontal.
Avaliação clínica d a força muscular,
ETIOLOGIA
Pesquisa dos reflexos tendíneos profundos
- patelar (L4), aquileu (Sl) e isquiotibial LOMBALGIAS INESPECÍFICAS –
medial (L5) possíveis causas.
Sinal d e elevação da perna estendida LOMBALGIA DEGENERATIVA: quase
sempre está acompanhada de com
Avaliação da sensibilidade
prometimento discal e interapofisário. A
O mapa dos dermatômeros descrito por dor pode ser súbita ou lenta, bloqueia os
Keegan e Garrett (1948) parece ser o mais movimentos causando rigidez na coluna
adequado na avaliação das alterações lombar.
decorrentes de processos dolorosos.
A lordose é acentuada causada pelo
Teste de Beevor aumento do ângulo lombossacral OU por
fraqueza do musculo glúteo e abdominal =
MANOBRAS ESPECIAIS E
dor!
PROVOCATIVAS
LOMBALGIA MECÂNICA: É a dor lombar
Estiram a medula espinal, a cauda eqüina
decorrente de esforço físico e é aliviada
ou o nervo ciático; aumentam a pressão
pelo repouso no leito. Inicio incisdioso, tem
intratecal ou mobilizam a articulação
características crônicas, piora ao final do
sacroilíaca.
dia (devido as atividades durante o dia),
Sinal de Laségue não tem sinais neurológicos associados, a
tosse ou espirros não aumentam a dor.
Teste de Kernig - estira a medula,
reproduzindo a queixa Pode ser atribuída a atividades como:
levantar pesos e permanecer na posição
de dor. Nos casos positivos, o doente sentada ou em pé por tempo prolongado.
queixa-seda reprodução d e sua dor, o que
pode ser indicativo de irritação meníngea O paciente com essa lombalgia geralmente
ou da raiz nervosa. é sedentário, obeso, com fraqueza dos
músculos abdominais, dos posteriores da
AVALIAÇÃO FUNCIONAL coluna lombar e dos glúteos e
P ara um a estabilidade dinâmica eficiente, encurtamento dos músculos isquiotibiais.
a força muscular deve estar associada à SINDROME DOLOROSA MIOFASCIAL:
Está presente na maioria dos pacientes Pode ser assintomática, o paciente sente
com dor lombar. dor quando ela escorrega mais de 25% da
sua posição normal.
O diagnóstico é realizado pela história e
pela presença de pontos-gatilho nos Acredita-se que a espondilolistese ístmica
músculos com prometidos. decorre de um a fratura de fadiga
semelhante às que ocorrem em outras
Os principais músculos acometidos são os
partes do esqueleto.
paravertebrais, os abdomianis, os glúteos,
o piriforme, o quadrado lombar, o iliopsoas A dor pode localizar-se na região lombar,
e os multífidos. às vezes nas nádegas e n a face posterior
da coxa, zonas habituais de dor referida de
A plasticidade neuronal espinal parece ser
origem lombar.
um fator chave que determina a
hipersensibilidade dolorosa. É uma dor do tipo mecânica que se inicia
ou se exacerba com a atividade e melhora
Nesse ponto-gatilho miosfacial ativo
com o repouso.
apresenta diversas substâncias que ativam
os nociceptores (prostaglandinas, São divididas em 5 grupos:
bradicinina, redução do pH). Pontos-gatilho
Grupo I: é a congênita ou displásica.
ativos não tratados podem ser focos
Grupo II: espondilolistese ístmica, a
periféricos secundários de dor capazes de
clássica espondilolistese decorrente
iniciar, amplificar e perpetuar a
de espondilólise.
sensibilização central.
Grupo III: é o da espondilolistese
Acreditam os que a prevenção e o traumática, conseqüente de um a
tratamento da sensibilização central fratura traumática do istmo.
poderão auxiliar esses pacientes. Grupo IV: é a espondilolistese
degenerativa, que é produzida por
Procedimentos simples, como o
artrose das articulações posteriores.
agulhamento seco ou a inativação dos
Grupo V: é a espondilolistese
pontos-gatilho com anestésicos locais,
patológica, por estreitamento ou
salina ou antiinflamatórios não-hormonais,
ruptura do pedículo secundário a um
podem tratar a síndrome.
a enfermidade óssea com o
LOMBALGIAS DE CAUSA osteogênese imperfeita, a
ESPECIFICA acondroplasia e neoplasia.
ESPONDILOLISTESE A retração dos músculos flexores da coxa
de causa não esclarecida é um a
manifestação freqüente da
espondilolistese.
A hipótese diagnostica é confirmada pelo
raio X de perfil que mostra o deslizamento
anterior de L5 sobre Sl.
Esse deslizamento é classificado em
quatro graus, de acordo com a divisão da
superfície superior.
É o deslizamento anterior do corpo
vertebral em relação à vértebra
imediatamente inferior.
A localização m ais frequente é entre L5-
S1.
O deslizamento ocorre habitualmente
entre 10 e 18 anos e raramente progride a
partir dos 20 anos.
O tratamento operatório, geralmente a
artrodese (fusão das articulações) sem
descompressão está indicado dependendo
do grau da listese e dos sintomas, assim
com o na falha do tratamento
conservador, que consiste em repouso
relativo, uso de órtese lombossacral e
tratamento reabilitacional.
PROTUSÃO E HÉRNIA DISCAL
A protrusão discal consiste em um
abaulamento localizado ou difuso do disco OBS: A parte póstero -lateral do disco é o
produzido por um a alteração degenerativa local mais frágil.
do anel fibroso.
Ocorre mais no adulto jovem do que no
A hérnia discal se produz quando o idoso.
material do núcleo pulposo desloca-se por
meio da ruptura do anel fibroso por fissura A dor é gerada pela compressão da raiz
radial do anel. nervosa.
Existem 3 tipos de hérnias: O quadro clínico consiste em dor lombar
e lombociatalgia com grau variado de
Prolapsada: há ruptura do anel intensidade de dor, escoliose antálgica,
fibroso, porém o ligamento déficit motor, alteração da sensibilidade,
longitudinal posterior continua dificuldade na flexão do tronco, teste de
íntegro, de modo que o núcleo só se elevação da perna estendida positivo e
insinua no ligamento. reflexo profundo diminuído ou ausente.
Extrusa: O ligamento se rompe e o
núcleo pulposo degenerado migra Lasègue contralateral, que indica hérnia
para o canal vertebral, extrusa ou seqüestrada.
Sequestrada: Quando o material do
núcleo pulposo migra para dentro do
canal, para cima e para baixo ou no
interior do forame.
A hérnia discal lombar é tida com o a mais
freqüente causa de lombociatalgia
mecânica.
O diagnóstico é clínico em mais de 90% d
os casos e pode ser confirmado com
tomografia (TC), ressonância magnética
melhor (RM) e eletroneuromiografia.
ESTENOSE DO CANAL MEDULAR 20% A 50% das gestantes apresentam
lombalgia.
Consiste no estreitamento do diâmetro
ântero-posterior e do recesso lateral, Fatores de risco para ter lombalgia
Aperta o que tem dentro do canal medular. durante a gestação é trabalho pesado,
paridade, história prévia de lombalgia,
Essa estenose pode ocorrer devido a
MAS, o peso corpóreo materno e do feto
degeneração discal, espondilolistese,
não são fatores de risco para lombalgia.
enfermidade de paget e outros.
No caso de gestantes, recomendam -se
Parece com a dor da hérnia discal mas se
calor superficial e
diferencia pela história de claudicação
intermitente neurogênica, quando a dor é massagem do tecido conjuntivo ou da zona
desencadeada ou se intensifica reflexa quando
progressivamente com a marcha. O
paciente tem que sentar 10 a 20 minutos o teste de zona de Head estiver presente.
quando está andando. A acupuntura também está indicada,
O estudo radiológico, os sinais mais porém devem-se evitar pontos que
freqüentes são a redução do canal estimulem as contrações uterinas.
medular. A com provação exata deve ser LOMBALGIAS EM ATLETAS
feita após a T C ou a RM.
Atinge 75% dos atletas.
ANOMALIA DA TRANSIÇÃO
LOMBOSSACRAL A coluna lombar é o principal local de
lesões em algumas modalidades de
A vértebra lombar se apresenta com esportes.
característica de vértebra sacral
(sacralização) ou a vértebra sacra com A idade de início da atividade esportiva,
característica de vértebra lombar assim como o grau de sobrecarga
(lombarização). mecânica no esqueleto, é fator importante
para o desenvolvimento de anormalidades
As anomalias da transição vertebral na coluna lombar.
constituem causa de dor pela degeneração
discal superior à vértebra de transição, OUTROS
pela neoartrose transverso-sacral e, Não podemos esquecer as lombalgias
principalmente, pela síndrome dolorosa decorrentes de afecções viscerais com dor
miofascial. lombar referida por lesões ginecológicas,
Esses pacientes apresentam, pontos- urológicas e vasculares, com dor na coluna
gatilho nos músculos quadrado lombar, torácica baixa, com o nas doenças
glúteo médio, glúteo mínimo e piriforme. gastroduodenais ou pancreáticas, e com
dor na coluna torácica alta, como o tumor
ESPINHA BÍFIDA dos brônquios.
É a falta de união dos dois hemiarcos
DIAGNÓSTICO
posteriores no nível das apófises
espinhosas. IMAGEM
Em geral, localiza-se em L5 e S l. O estudo radiológico simples só deve ser
solicitado na presença de sinais de alerta,
A incidência é d e 5 a 10% da população.
após sete semanas de falha no tratamento
A espinha bífida oculta, localizada no conservador ou nos casos em que o exame
sacro, não acarreta nenhum transtorno. físico evidencie deformidades inexplicáveis
ou déficit motor significativo.
O achado radiológico é casual na maioria
das vezes. Dor lombar recorrente: se realizou o raio-x
há menos de dois anos, não precisa pedir
LOMBALGIA EM GESTANTES novamente. Só se o quadro clinico mudou
muito ou apresenta sinais de alerta.
Incidências de frente e perfil são as mais A elucidação diagnostica constitui o
importantes, pois avaliam o alinhamento primeiro passo na determinação da
vertebral e o diagnóstico de fraturas, abordagem terapêutica.
luxações, anomalias congênitas,
Atenção!
espondilolistese e alterações
degenerativas. Pacientes de 20 a 50 anos: se não houver
indícios da presença de lesões tumorais,
ATENÇÃO!
infecciosas ou traumáticas, pode-se iniciar
Raio-X da coluna lombar deve ser o tratamento conservador, que consiste no
solicita do em caso de: Idade < 20 controle dos sintomas e na restauração
anos e > 50 anos. funcional, durante um mês antes de se
História de traumatismo lombar, prosseguir em um a investigação por meio
Presença de déficit neurológico de estudos de imagem ou outros estudos
Perda inexplicável de peso por específicos.
tempo superior a seis meses e
Pacientes > 50 anos e crianças com dor
suspeita clínica de espondilite
anquilosante. lombar: a pesquisa diagnostica por meio
dos exames laboratoriais e de imagem
Indica-se a RM quando há suspeita clínica deve ser realizada de forma mais
de infecção, neoplasia e disfunção expressiva.
neurológica progressiva e nos casos de
lesão traumática aguda grave. Nos casos TRATAMENTO
inespecíficos, sugere-se a sua indicação
A dor de qualquer natureza, é constituída
apenas quando os sintomas dolorosos não
pelo componente físico, psíquico,
melhoram após sete semanas.
econômico e espiritual.
ELETRONEUROMIOGRAFIA
Os fatores emocionais e sociais devem ser
Fornece informações sobre o estado lembrados para a obtenção do sucesso
funcional da unidade motora, permitindo a terapêutico.
avaliação do comprometimento do sistema
Além disso, os riscos e os benefícios
nervoso periférico, da junção mioneural,
também devem ser considerados durante
do axônio, da bainha de mielina ou do
o planejamento terapêutico.
próprio músculo.
LOMBALGIA AGUDA
O exame é útil nos casos em que o exame
clínico não permite a localização da lesão, Se for aguda inespecífica com bom
quando não há correlação clínica entre os prognóstico: deve ressaltar a necessidade
achados clínicos e os exames de imagem, de permanecer ativo e de evitar o repouso
quando a sintomatologia persiste mesmo no leito.
após a normalização do exame
neurológico ou, ainda, nos casos previam OBS: antigamente o repouso era o
ente submetidos a procedimentos tratamento indicado, mas estudos feitos
operatórios com dúvida pelo exame mostraram que a prescrição de repouso é
morfológico. prejudicial para lombalgia inespecífica
tanto aguda com o crônica. EXETO, em
EXAMES LABORATORIAIS casos de lombalgia com ciática que é
recomendado o repouso de 10 dias.
Servem para diagnóstico diferencial de
lesões tumorais e infecciosas e para REPOUSO gera atrofia muscular, o
avaliar as condições clinicas antes da descondicionamento cardiopulmonar, a
cirurgia. perda mineral óssea com hipercalcemia e
hipercalciúria e, eventualmente, o risco de
O estudo da condição metabólica e
tromboembolismo pulmonar.
hormonal, assim com o da possibilidade de
infecções ou infestações parasitárias, Se a dor for muito intensa e o repouso
permite a avaliação de fatores propiciar alívio temporário da dor, é
perpetuantes.
recomendável usar-se a posição de semi- devem ser encaminhados para
Fowler. (pressão mínima) procedimento operatório de urgência.
O tratamento nessa fase visa ao alívio LOMBALGIA SUBAGUDA
sintomático da dor e da inflamação e à
Os pacientes nessa fase merecem cuidado
orientação para a proteção das estruturas
especial visando a adesão do tratamento.
acometidas, evitando posturas ou
atividades que exacerbem o quadro álgico Realizar profilaxia de cronicidade do
por sobrecarga mecânica sobre a coluna quadro doloroso e sua recorrência.
lombar.
Os principais objetivos são a restauração
As principais medidas terapêuticas na de amplitude completa de movimentos
lombalgia aguda são: assegurar o paciente sem dor, a restauração da força, da
sobre a benignidade do quadro, resistência e da coordenação
permanecer ativo, evitar o repouso no leito neuromuscular, assim como o retorno às
após três dias, controlar a dor com atividades normais.
analgésicos simples e antiinflamatórios
não-hormonais e fazer a manipulação LOMBALGIA CRÔNICA
vertebral. É fundamental que o médico não reforçe
Voltar as atividades diárias de vida. os sintomas de incapacidade e de
sofrimento do paciente.
O uso de coletes é só para lembrar que
tem que ter cuidado com a coluna. O objetivo nessa fase é a recuperação
progressiva da capacidade funcional.
Fazer atividade física, não ficar sentado ou
em posição de desconforto por muito Devido ao pior prognóstico dessa fase,
tempo. alguns autores sugerem que o tratamento
conservador seja mais agressivo.
Exercícios aeróbios de baixo impacto, com
o deambular, nadar e pedalar bicicleta, Utilizar medicamentos de ação central
proporcionam mínima sobrecarga sobre a pode auxiliar o desempenho do sistema
coluna lombar e podem ser iniciados supressor de dor.
durante as primeiras duas semanas. ANTIDEPRESSIVOS TRICICLICOS +
MEDICAMENTOS NEUROLÉPTICOS FENOTIAZÍNICOS:
diminuem a dor, ajudam normalizaro nível
Está indicado o uso de analgésicos, como o do sono e estabilizam o humor.
acetaminofeno, de antiinflamatórios não -
hormonais e de relaxantes musculares. A massagem terapêutica é benéfica para
os indivíduos com lombalgia subaguda ou
AINES e relaxantes musculares não tem crônica inespecífica em termos de melhora
diferenças, mas, os relaxantes musculares funcional e dos sintomas.
causam sonolência.
Abordagem multidisciplinar: Há forte
Os medicamentos devem ser prescritos de evidência a favor da abordagem
horário e não se necessário. multidisciplinar biopsicossocial intensiva,
superior a 100 horas, visando à
O uso de termoterapia superficial é eficaz,
restauração funcional de pacientes com
e pode ser usado no domicilio.
lombalgia crônica grave e incapacitante.
Na síndrome dolorosa miofascial
O paciente tem que está comprometido
recomendam a realização de exercícios de
com sua recuperação e retirar os fatores
relaxamento muscular, seguidos do seu
que levam a sobrecarga lombar.
alongamento.
Problemas psicossociais, de insatisfação
Hérnia discal com síndrome da cauda
no ambiente de trabalho e de amplificação
equina - Os pacientes com suspeita de
dos sintomas decorrente da sensibilização
hérnia discai acompanhada de sinais
central devem ser suspeitados,
clínicos de síndrome da cauda eqüina e/ou
déficit motor rapidamente progressivo
corretamente diagnosticados e É um agonista dos receptores opióides,
controlados. inibe a receptação de serotonina e
noradrenalina.
A terapia cognitivo-comportamental
reduza a dor além de melhorar o estado Dose máxima 400 mg dia
funcional e com portamental dos pacientes
As reações adversas mais comumente
com lombalgia crônica. O principal objetivo
observadas são náusea, vômito, tontura,
deste tratamento é reduzir os
sedação, boca seca, alteração da pressão
comportamentos de ansiedade e de evitar
arterial e sudorese. Depressão respiratória
a realização de atividades pelo medo.
e dependência química, apesar de raras,
A prescrição dos exercícios é baseada nos têm sido descritas.
sintomas dos pacientes e leva em
Quando administrado por via intravenosa,
consideração as deficiências específicas e
na dose de 50 mg a 150 mg, tem uma
individuais.
potência analgésica equivalente à dose de
A prevenção da recorrência da dor lombar 5 mg a 15 mg de morfina.
é importante em qualquer programa
Em função de seus múltiplos mecanismos
terapêutico. Evitar sobrecarga mecânica
de ação, apresenta melhor perfil de
sobre a coluna.
segurança quando comparado aos demais
MEDICAMENTOS opioides, uma vez que possui baixo
potencial de adição e de depressão
CETOPROFENO: é um antiinflamatório respiratória, menor incidência de eventos
não-esteroidal, com propriedades cardiovasculares e maior eficácia no
analgésica, antipirética e anti-inflamatória. tratamento da dor neuropática.
O cetoprofeno inibe a agregação
plaquetária e a síntese das
prostaglandinas.
Seu exato mecanismo de ação para o
efeito antiinflamatório não é conhecido.
O mecanismo de ação do cetoprofeno se
dá pela sua capacidade de inibir de forma
não seletiva a enzima ciclooxigenase
(COX), inibe a COX-1 e COX-2 (Kay-
Mugford et al., 2000). Desta maneira inibe
também a síntese de prostaglandinas
(PGs) que são produzidas através da ação
da enzima COX (Levoin et al., 2004). As
prostaglandinas são importantes
mediadores inflamatórios, principalmente
a prostaglandina E2 (PGE2) e a
prostaglandina I2 (PGI2) que atuam como
potentes agentes vasodilatadores e
potencializam o aumento da
permeabilidade induzida por mediadores
como a bradicinina e a histamina
TRAMAL – é um opióide fraco, sintético de
ação central.
Seu efeito analgésico está ligado ao atuar
nos receptores opioides e estimular o
sistema descendente inibitório da dor.