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As Sociedades Da Africa Austral

África Áustral
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Instituto Superior de Estudo de Defesa

’’Tenente General Armando Emílio Guebuza.’’

Curso de Licenciatura em Ensino de História


2º Ano
Turma: A
Cadeira: História de África II

Tema: As sociedades da Africa Austral antes do contacto Europeus

Discentes: Docente:
Florinda Msc. Hermenegildo Lange
Helena João da Fonseca

Machava
2024
Instituto Superior de Estudo de Defesa
“Tenente General Armando Emílio Guebuza’’

Curso de Licenciatura em Ensino de História


Cadeira: História de África II
2º Ano
Turma: A

Tema: As sociedades da Africa Austral antes do contacto Europeus

Trabalho da cadeira de História de África


II, a ser entregue ao docente Hermenegildo
Lange para efeitos avaliativos.

Machava
2024

3
Índice
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO.......................................................................................................4

1.1 Objectivos..............................................................................................................................4

1.1.1 Objectivo geral....................................................................................................................4

1.1.2 Objectivos Específicos........................................................................................................4

1.2 Justifcativa.............................................................................................................................4

1.3 Estrutura do Trabalho................................................................................................................5

1.4 METODOLOGIA..................................................................................................................5

CAPÍTULO II: REVISÃO DA LITERATURA..............................................................................6

2.1. As sociedades da África Austral antes do contato com os europeus....................................6

2.2. Práticas económicas das sociedades da África Austral.........................................................7

2.3. Religião e Espiritualidade das Sociedades da África Austral...............................................8

2.4. Arte e Cultura das sociedades da África Austral..................................................................9

2.5. Relações Intertribais das sociedades da África Austral........................................................9

CAPÍTULO V: CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................................................10

Referências Bibliográfica..............................................................................................................12
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO
O trabalho que vamos apresentar é o resultado da pesquisa feita acerca das sociedades da
África Austral antes do contacto Europeus, a África Austral era um território vibrante e
diversificado, habitado por uma multiplicidade de sociedades que se desenvolviam em harmonia
com o meio ambiente. Essa região, que abrange países como África do Sul, Zimbábue,
Moçambique e Botswana, era marcada por uma rica tapeçaria de grupos étnicos e linguísticos,
cada um contribuindo para a complexidade cultural e social da área.
Os povos Khoisan, considerados os primeiros habitantes da região, eram conhecidos por suas
práticas de caça e coleta, além de suas línguas únicas que incorporavam. Eles desenvolveram
uma profunda conexão com a terra, expressa em suas tradições orais e na arte rupestre que ainda
pode ser encontrada nas cavernas da região.
As interações entre esses diversos grupos eram caracterizadas por trocas culturais ricas, alianças
matrimoniais e comércio, refletindo uma rede social intrincada. Cada grupo tinha suas próprias
crenças espirituais, sistemas sociais e formas de organização política, que variavam desde tribos
menores até reinos mais estruturados.

1.1 Objectivos

1.1.1 Objectivo geral


 Compreender as sociedades da África Austral antes do contacto Europeus.

1.1.2 Objectivos Específicos


 Analisar a diversidade étnica e cultural das sociedades da África Austral;
 Explicar as práticas económicas e sociais dessas comunidades;
 Investigar as crenças religiosas e expressões culturais presentes nas sociedades antes do
contacto europeu.

1.2 Justifcativa
Realizamos este trabalho para cumprir a orientação dada pelo docente da cadeira de História
de África II, compreender as sociedades da África Austral antes do contato europeu é
fundamental para apreciar sua resiliência e riqueza cultural ao longo da história. Essa diversidade
cultural não só moldou a identidade das sociedades antes da chegada dos europeus, mas também
estabeleceu as bases para as futuras interações que viriam a ocorrer com o colonialismo.

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1.3 Estrutura do Trabalho
Este trabalho encontra-se estruturado segundo a norma de elaboração de trabalhos científicos
aplicada pelo ISEDEF. Desta forma está organizado em quatro capítulos. O primeiro refere-se à
introdução, na qual anunciamos o tema, justificamos a sua importância, mencionamos os
objectivos do trabalho, e apresentamos a metodologia por nós seguida. De seguida, o segundo
capítulo, onde apresentamos a revisão de literatura, terceiro capítulo vem as considerações finais
e no quarto as referências bibliográficas.

1.4 METODOLOGIA
Segundo Silva (2010), a metodologia é definida como o estudo do método, ou seja, do caminho
percorrido até se chegar a um objectivo. Na sua formulação, Silvestre e Araújo (2012) referem
que metodologia é a explicação minuciosa, detalhada, rigorosa e exacta de toda acção
desenvolvida no método (caminho) do trabalho de pesquisa. Assim, este capítulo de metodologia
destina-se a apresentar todos os procedimentos metodológicos seleccionados com vista a atingir
os objectivos do presente estudo, com base nos casos escolhidos a fim de fazer uma análise
pormenorizada do problema identificado. São aqui apresentados os métodos usados na condução
do estudo, sua importância e a razão da sua aplicação neste caso concreto.
CAPÍTULO II: REVISÃO DA LITERATURA
2.1. As sociedades da África Austral antes do contato com os europeus
A África Austral era habitada por uma variedade de grupos étnicos e linguísticos, que se
desenvolveram ao longo de milênios. Os Khoisan foram os primeiros habitantes da região,
conhecidos por suas línguas que incorporam e por sua forma de vida nómada baseada na caça e
colecta, com a migração dos povos bantu a partir do primeiro milênio d.C., a região viu um
aumento na diversidade cultural, com grupos como os Shona, Nguni, Sotho-Tswana e Venda,
cada um trazendo suas próprias tradições, idiomas e sistemas sociais.
Ao citar os caçadores e os criadores, o autor se refere, grosso modo, respectivamente, aos
chamados San e Khoi, autóctones da África Austral. O argumento do autor é que na medida em
que tais populações não encontraram na região em que se estabeleceram a metadeocidental da
África Austral (actuais Namíbia e Botswana), condições climáticas e ecológicas adequadas à
produção agrícola, elas tiveram que se especializar em outras actividades productivas para
garantir a sua sobrevivência. Tal facto, diz Denoon, não implica um atraso destas populações em
relação a outras. Pelo contrário, revela uma capacidade inventiva própria que lhes possibilitou
adequar o meio ambiente, na medida do possível, às suas necessidades (Denoon, 2010, p. (12).
Para comprovar esta argumentação o autor analisa, pormenorizadamente, o aparato e o
conhecimento técnico que teria sido utilizado por cada um destes grupos para torná-los
independentes de outras sociedades e assegurar uma relação equitativa entre densidade
populacional e recursos ecológicos.
Contudo, não se trata aí de um quadro invariável. Por exemplo, Denoon afirma que entre os
séculos XV e XVIII, período estudado em seu artigo, também os Khoi teriam sido caçadores e
pescadores, assim como os San teriam domesticado ovinos e caprinos. Do mesmo modo outros
povos africanos tidos como agricultores, como os Xhosa e os Shoto, por exemplo, podiam
dedicar-se à caça e colecta quando a situação ecológica não lhes era favorável. No entanto, o
argumento central do autor é que tais mudanças conjunturais, assim como as trocas decorrentes
da relação entre tais povos, não impediam as populações locais a adotarem o modo de vida de
outros povos, que já estavam habituados e especializados ao seu próprio meio ambiente e social
(Denoon, 2010, p. 819). Tal situação só se teria alterado em fins do séc. XVIII com a instauração
do comércio de rebanho imposto pela companhia das Indias Holandeses (Denoon, 2010, p. 830).

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As sociedades eram organizadas em clãs e tribos, com estruturas sociais que variavam de acordo
com as tradições locais. Muitas comunidades eram matrilineares ou patrilineares, dependendo da
cultura específica. A liderança era frequentemente exercida por chefes ou reis, que eram
respeitados não apenas pela sua linhagem, mas também pela sua capacidade de governar e
proteger o povo.
Neste artigo ochieng defende que a história dos vários povos do interior da África Oriental, entre
os séculos XV e XVIII, possuiria um carácter específico e autonomo, derivado do relativo
isolamento das populações locais em relação a factores supra-regionais ou externos à África.
Trata-se, pois de uma história regional da África Austral, não mais marcada pelo fenómeno
migratório. Entre estes povos locais o autor ressalta os seguintes:
a) Na região central: Massai, os Chagga, os Pare, os Shambaa, os Gogo e os Hehe;
b) Na costa leste: os Kikuyu, os Kamba, os Miji-Kenda, os Zigua e os Zaramo;
c) No noroeste: os Abaluyia (Luyia), os Kalenjin, os Luo, os Abagusi (Gusii) e os Abakuria
(Kuria);
d) No sudoeste: as comunidades tanzanianas como os Sukuma, os Iramba, os Nyamwezi, os
Zinza e os Kimbu (Ochieng, 2010, p. 977). Esta história autónoma, regionalista, é
analisada pelo autor nos mais variados aspectos, entre os séculos XV e XVIII:
ecológicos, económicos, sociais, políticos e culturais.
O período citado seria de um processo secular em que as comunidades amadureciam sua
adequação ao meio, observando as suas particularidades e se esforçando para pôr em prática
técnicas que lhes permitissem utiliza-lo de modo racional. Aplicariam, por exemplo, métodos
evoluidos como a cultura em terraços, a rotatividade de culturas, os adubos verdes, a cultura
mista e a drenagem dos pántanos. Destacar-se-ai aí também a utilização intensa dos instrumentos
de ferro: machados, enxadas, panga e venábulos (Ochieng, 2010, p. 981).

2.2. Práticas económicas das sociedades da África Austral


A economia dessas sociedades era predominantemente agrícola e pastoral. Os povos bantu
introduziram técnicas agrícolas mais avançadas, cultivando cereais como milho, sorgo e milheto,
além de praticarem a pecuária com gado bovino. O comércio também floresceu entre as
comunidades, permitindo a troca de bens como tecidos, cerâmica e alimentos. As rotas
comerciais ligavam as sociedades locais a regiões mais distantes, promovendo interações entre
diferentes culturas. Economicamente, entre 1500 e 1800, a produção de viveres teria sido um
factor primordial para a sobrevivência e a expansão das sociedades locais, uma vez que ela teria
permitido um crescimento regular da população. No entanto, a pesca e a caça teriam continuado
a ter importância local, entretanto, à medida que as explorações agrícolas extensivas e as
pastagens cobriam a maior parte da África do Leste e que a produção permitia satisfazer as
necessidades essenciais, ter-se-ia passado a conservar e estocaralimentos. A partir deste
momento, poder-se-ia empregar o tempo livre para os finsalém da procura dos meios de
subsistência. Este teria sido na região o início do processo de especialização, desobrigando
determinados indivíduos da tarefa de produzir alimentos para que se consagrassem a outros
objectivos tais como a produção de mercadorias, a condução da guerra, o serviço do Estado, a
arte, a religião, a medicina, a filosofia e o progresso técnico (Ochieng, 2010, p.985). Neste
contexto, o comércio teria sido estimulado pelos contactos entre regiões ecológicas distintas e
culturas, ao mesmo tempo heterogêneas e complementares (Ochieng, 2010, p.985).
Políticamente tratar-se-ia de um período de oscilação entre a superioridade numérica
tornada possível pela agrícultura e a organização político-militar disciplinada que a vida pastoril
exigiria. Portanto, o equilibrio teria balançado ora em favor de um, ora em favor de outro destes
modos de vida, segundo as flutuações da organização e da coesão sociais e em função do
progresso técnico. Haveria, no príncipio do século XVIII, dois tipos de formações sócio-políticas
nesta zona: as sociedades organizadas em nível descentralizado (Kikuyu, Miji-Kenda, Kambae,
Masai) e as centralizadas (Shambaa, Pare, Nyamwezi e Wanga) (Ochieng, 2010, p. 992-993).
Estas últimas delineariam uma evolução orientada para a generalização de um modo de produção
tributário. Em outras palavras, sociedades em que se teria uma tendência deliberada a realizar
uma integração social e política, no seio de comunidades económicas e políticas cada vez mais
extensas.

2.3. Religião e Espiritualidade das Sociedades da África Austral


As crenças espirituais desempenhavam um papel central na vida cotidiana das sociedades
africanas. A maioria dos grupos praticava religiões tradicionais que envolviam a adoração de
antepassados e espíritos da natureza. Rituais e cerimônias eram realizados para garantir boas
colheitas, proteção contra desastres naturais e para celebrar eventos importantes na vida
comunitária. Assim sendo, as sociedades da África Austral possuíam uma visão de mundo
profundamente espiritual, onde o sagrado e o cotidiano estavam interligados. Acreditava-se que
tudo na natureza tinha uma essência espiritual, desde as montanhas e rios até os animais e

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plantas. Essa relação íntima com o ambiente moldava não apenas as práticas religiosas, mas
também a maneira como as comunidades interagiam com a natureza.
Uma das características mais marcantes das religiões tradicionais africanas era o culto aos
antepassados. Os ancestrais eram vistos como intermediários entre os vivos e o mundo espiritual.
As comunidades realizavam rituais para honrar e se comunicar com esses espíritos, buscando
orientação, proteção e bênçãos. As cerimônias muitas vezes incluíam oferendas de alimentos,
bebidas ou objectos simbólicos, além de invocações durante festivais e rituais de passagem.

2.4. Arte e Cultura das sociedades da África Austral


A expressão artística era rica e variada, desde a arte rupestre dos Khoisan até as esculturas em
pedra dos Shona. A música e a dança eram componentes essenciais das celebrações sociais e
religiosas, refletindo as histórias e mitos das comunidades. A oralidade era fundamental para a
transmissão do conhecimento, com contadores de histórias desempenhando um papel importante
na preservação da história cultural. As sociedades da África Austral possuíam uma rica tradição
de expressões artísticas que se manifestavam em várias formas, incluindo escultura, cerâmica,
pintura e têxteis. A arte não era apenas uma forma de expressão estética, mas também um meio
de comunicar histórias, crenças e valores culturais.
A escultura era uma forma de arte altamente valorizada, muitas vezes feita em madeira ou pedra.
As figuras esculpidas representavam figuras humanas, animais e espíritos ancestrais. Essas
esculturas eram usadas em rituais religiosos e cerimônias, atuando como mediadores entre o
mundo físico e espiritual. Os povos Bantu, por exemplo, criavam estátuas representativas que
simbolizavam a fertilidade e a proteção dos ancestrais.

2.5. Relações Intertribais das sociedades da África Austral


As relações entre diferentes grupos eram complexas, envolvendo tanto alianças quanto conflitos.
Trocas comerciais promoviam o contato pacífico, enquanto disputas territoriais podiam levar a
guerras entre tribos vizinhas. Essas interações moldaram o desenvolvimento social da região,
criando uma rede intrincada de laços culturais. Antes do contato europeu, houve também
invasões significativas que moldaram as sociedades locais. A migração dos Nguni no século
XVII trouxe mudanças nas dinâmicas sociais; esses grupos se estabeleceram em regiões
estratégicas, influenciando o comércio e as interações sociais.
CAPÍTULO V: CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste trabalho, percebemos que, ao estudarmos as sociedades da África Austral antes do contato
europeu, somos convidados a apreciar a riqueza de suas culturas, compreender as complexidades
de suas interações sociais e reconhecer a resiliência dos povos africanos diante das adversidades
que se seguiram. Essa compreensão é vital não apenas para uma apreciação mais justa de sua
história, mas também para um reconhecimento contínuo da importância dessas culturas na
formação da África contemporânea.
A interação entre esses grupos não apenas fomentou um ambiente de troca cultural e económica,
mas também estabeleceu bases sólidas para a resiliência social e a adaptação às mudanças
ambientais, assim sendo, os reinos em ascensão, como o Grande Zimbábue, são testemunhos do
avanço das técnicas agrícolas, do comércio e da arquitectura, que não apenas moldaram suas
sociedades internas, mas também influenciaram as relações comerciais com regiões vizinhas.
É crucial reconhecer que essas sociedades eram complexas e multifacetadas, com suas próprias
narrativas históricas que desafiam as visões simplistas frequentemente impostas pela narrativa
colonial. O contato europeu não apenas alterou drasticamente essas dinâmicas sociais e culturais,
mas também resultou em consequências profundas e duradouras para as identidades africanas.

11
Referências Bibliográfica
Danoon, D. (2010). A África Austral. In: OGOT, B.A. (ed.). África do século XVI ao século
XVIII. 2ª. Ed. Rev. Brasilia: UNESCO.
Ochieng, W. R. (2010). O interior da África do Leste: Os povos da Quénia e a Tanzania (1500-
1800). In: OGOT, B.A. (ed.). África do século XVI ao século XVIII. 2ª. Ed. Rev. Brasilia:
UNESCO.

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