Resolucao 286
Resolucao 286
Art. 2º A Resolução CNMP nº 174, de 04 de julho de 2017, passa a vigorar com as seguintes alterações:
“Art. 2º-A Todas as comunicações dirigidas aos órgãos do Ministério Público devem ser realizadas por meio dos
serviços de protocolo ou de sistemas próprios de recebimento de informações que identifiquem, sempre que
possível, o remetente, a demanda e o seu devido encaminhamento interno.
§ 1º Os documentos protocolados junto aos órgãos do Ministério Público devem ser tratados mediante o uso de
soluções de tecnologia da informação, observando-se os atos normativos específicos de cada ramo ou unidade,
inclusive quanto à classificação dos documentos e o tempo de guarda, previstos nos planos de classificação e
tabelas de temporalidade de cada unidade ministerial.
§ 2º O uso do endereço eletrônico institucional ou de qualquer tipo de comunicação por meio de mídias digitais não
substitui os serviços de protocolo e outros canais internos regulamentados para o recebimento de documentos
físicos ou eletrônicos.
§ 3º Os documentos físicos e eletrônicos e quaisquer informações que aportarem no Ministério Público em meio
diverso dos previstos no caput deste artigo deverão ser encaminhados aos serviços de protocolo ou aos sistemas
próprios, de modo a possibilitar a auditabilidade e o rastreamento interno.
§ 4º A depender do caso concreto, poderá ser mantido o anonimato e o recebimento de dado anonimizado.” (NR)
CAPÍTULO III
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 3º Esta Resolução entrará em vigor 90 (noventa) dias após sua publicação.
Brasília-DF, 12 de março de 2024.
PAULO GONET BRANCO
Presidente do Conselho Nacional do Ministério Público
O CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO, no uso das atribuições conferidas pelo art. 130-A, § 2º, I e II,
da Constituição Federal, e com fundamento no art. 147 e seguintes de seu Regimento Interno, em conformidade com
a decisão Plenária proferida na 2ª Sessão Ordinária, realizada em 27 de fevereiro de 2024, nos autos da Proposição
nº 1.00865/2022-25;
Considerando o disposto nos arts. 70 e 74 da Constituição Federal;
Considerando a necessidade de uniformização dos procedimentos de auditoria interna no âmbito do Ministério
Público;
Considerando que o Tribunal de Contas da União (TCU), nos Acórdãos nos 2.622/2015 e 1171/2017 encaminhados a
este Conselho, recomendou que fossem observadas as diferenças conceituais entre “controle interno” e “auditoria
interna”, de forma a não atribuir atividades de cogestão às unidades de auditoria interna;
Considerando o disposto no International Professional Practices Framework (IPPF) do Institute of Internal Auditors
(IIA);
Considerando o disposto nas normas de auditoria emitidas pela Federação Internacional de Contadores (IFAC) e
pela Organização Internacional das Entidades Superiores de Fiscalização (INTOSAI), organização da qual o Tribunal
de Contas da União é membro;
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Considerando a necessidade de revisão dos marcos normativos e dos manuais de procedimentos que tratam de
auditoria interna, de forma a adequá-los às boas práticas indicadas pelo Committee of Sponsoring Organizations of
the Treadway Commission (Coso) e pelo International Professional Practices Framework (IPPF);
Considerando que a auditoria interna corresponde a uma das linhas de defesa no gerenciamento eficaz de riscos e
controle, indicadas pelo Institute of Internal Auditors (IIA) e pelo Instituto de Auditores Internos do Brasil (IIA Brasil),
RESOLVE:
CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 1º Esta Resolução estabelece diretrizes para as atividades de auditoria interna no âmbito do Ministério Público.
Art. 2º Auditoria interna é a atividade independente e objetiva de avaliação e de consultoria com a finalidade de
agregar valor às atividades-meio do Ministério Público, auxiliando-o no alcance de objetivos estratégicos, mediante a
análise de desempenho e eficácia dos processos de controle interno, de integridade, de governança e de
gerenciamento de riscos.
Parágrafo único. Em função das suas atribuições precípuas, são vedados às unidades de auditoria interna o
exercício de atividades típicas de gestão e a participação no curso regular dos processos administrativos, o que não
impede a participação em reuniões com a administração ou a resposta a consultas, conforme atividades previstas no
art. 13.
Art. 3º É obrigatória, nas instituições ministeriais, a existência de setor de auditoria interna vinculado
administrativamente ao Procurador-Geral de Justiça ou ao Procurador-Geral da República.
Parágrafo único. As instituições ministeriais deverão organizar o setor de auditoria interna com o suporte necessário
de recursos humanos, preferencialmente com servidores oriundos de carreira própria de auditoria ou controle, e de
materiais que garantam seu funcionamento adequado e compatível com a demanda dos trabalhos.
Art. 4º As unidades de controle interno que realizem auditorias adotarão a denominação “Auditoria Interna”, devendo
exercer exclusivamente atividades de avaliação e de consultoria, sem prejuízo da existência e/ou criação das demais
estruturas de governança de controle interno, de transparência, de integridade e de gerenciamento de riscos.
CAPÍTULO II
DOS PRINCÍPIOS ÉTICOS
Art. 5º A atividade de auditoria será pautada pelos seguintes princípios, além daqueles previstos no art. 37 da
Constituição Federal:
I – integridade;
II – proficiência;
III – zelo profissional;
IV – autonomia técnica;
V – objetividade;
VI – respeito;
VII – idoneidade;
VIII – observância às normas;
IX – atuação isenta; e
X – honestidade.
Art. 6º A unidade de auditoria interna deve estar livre de interferências na determinação do escopo da atividade de
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Seção I
Do exercício das atribuições
Art. 7º As atribuições da unidade de auditoria interna abrangem atividades de avaliação e de consultoria, a serem
especificadas por ato do Procurador-Geral de Justiça ou do Procurador-Geral da República.
Art. 8º No exercício de suas atribuições, a unidade de auditoria interna adotará parâmetros profissionais, em atenção
a esta Resolução; à legislação pertinente; aos posicionamentos do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP)
e dos órgãos de controle externo; ao Código de Ética da instituição ministerial; aos princípios fundamentais de
auditoria; às normas e às boas práticas nacionais e internacionais de auditoria interna.
§ 1º Os referenciais indicados no caput são necessários à execução e à promoção de um amplo espectro de serviços
de auditoria e constituem as bases para a avaliação do desempenho da auditoria interna.
§ 2º A atuação da unidade de auditoria interna apoiará o controle externo e o Conselho Nacional do Ministério
Público no exercício de sua missão institucional.
§ 3º A unidade de auditoria interna utilizará como referência o Manual de Auditoria Interna do Ministério Público, a ser
elaborado pela Comissão de Controle Administrativo e Financeiro (CCAF) deste Conselho Nacional do Ministério
Público.
Art. 9º É assegurado aos integrantes da unidade de auditoria interna acesso completo, livre e irrestrito a documentos,
registros, informações e dependências físicas relacionadas às atividades-meio.
§ 1º O titular da unidade de auditoria poderá fixar prazo razoável para o fornecimento, em qualquer meio ou formato
disponível, de material ou informação solicitada.
§ 2º Em decorrência do acesso previsto no caput, a unidade de auditoria interna poderá ser convocada pelo
Procurador-Geral da República, Procurador-Geral do Trabalho, Procurador-Geral de Justiça, Procurador-Geral de
Justiça do Distrito Federal e Territórios, Procurador-Geral de Justiça Militar ou por órgão colegiado com atribuição
para gestão de governança e riscos da unidade ministerial, para prestar contas acerca da confidencialidade e da
salvaguarda de registros e informações obtidos.
Art. 10. As unidades de auditoria interna utilizarão todos os recursos tecnológicos disponíveis para eliminar, na
medida do possível, a impressão de documentos e o trâmite físico de papéis.
§ 1º As auditorias serão conduzidas preferencialmente, em todas as etapas, por meio de sistemas informatizados.
§ 2º A infraestrutura tecnológica será organizada e mantida com o foco na celeridade processual, na maior segurança
de dados, na acessibilidade compartilhada, simultânea e remota, e na melhoria da gestão.
Art. 11. O setor de auditoria, sempre que necessário, poderá solicitar à administração da instituição ministerial que,
na medida da disponibilidade, designe servidores de outros setores para auxiliarem no desempenho das atribuições.
Seção II
Das atividades de avaliação
Art. 12. Para os efeitos desta Resolução, consideram-se serviços de avaliação o exame de atos, fatos e contratos
administrativos, bem como a análise de sistemas, operações, programas ou projetos de interesse da atividade de
auditoria.
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§ 1º O desempenho das atividades a que se refere o caput compreende, entre outros, o exame da adequação e da
eficácia da governança, da gestão, do gerenciamento de riscos, da transparência, dos controles internos e do
alcance dos objetivos estratégicos.
§ 2º O resultado das avaliações será comunicado ao Procurador-Geral da República, ao Procurador-Geral do
Trabalho, ao Procurador-Geral de Justiça, ao Procurador-Geral de Justiça do Distrito Federal e Territórios, ao
Procurador-Geral de Justiça Militar, ao Procurador-Chefe das unidades gestoras do Ministério Público ou ao órgão
colegiado de gestão administrativa, enfatizando os riscos de fraude e questões de controle e governança, entre
outros assuntos necessários ou solicitados.
Seção III
Das atividades de consultoria
Art. 14. A unidade de auditoria interna reportar-se-á administrativa e funcionalmente à Chefia da instituição ministerial
até que seja instituído o órgão colegiado com atribuição para gestão de governança e riscos da instituição ministerial.
Art. 15. A unidade de auditoria elaborará relatório anual sobre as atividades realizadas, a ser direcionado à Chefia da
instituição ministerial ou ao órgão colegiado com atribuição para gestão de governança e riscos da unidade
ministerial, nele devendo constar, pelo menos:
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I – o desempenho da unidade de auditoria interna com base no Plano Anual de Auditoria, evidenciando:
a) as auditorias realizadas;
b) a relação entre o planejamento e o cumprimento de tarefas, com a indicação dos motivos que eventualmente
inviabilizaram a plena execução do que fora planejado; e
c) os principais resultados.
II – a declaração de manutenção da independência durante a atividade de auditoria, indicando se houve alguma
restrição não fundamentada ao acesso completo e livre a todo e qualquer documento, registro ou informação
relacionada à atividade-meio;
III – a avaliação da governança institucional, com o apontamento das principais fragilidades, riscos de controle, de
fraudes ou de irregularidades.
§ 1º A unidade de auditoria interna encaminhará o relatório anual das atividades desempenhadas no exercício
anterior à Chefia Institucional ou ao órgão colegiado até o final do mês de julho de cada ano.
§ 2º O relatório anual das atividades será apreciado pela Chefia Institucional ou pelo órgão colegiado no prazo
máximo de 30 (trinta) dias a contar da data do seu recebimento.
§ 3º O relatório anual das atividades será divulgado no sítio eletrônico da instituição ministerial, na internet, em até 30
(trinta) dias após a análise da Chefia Institucional ou do órgão colegiado.
Art. 16. As comunicações sobre os trabalhos de auditoria contemplarão todos os fatos de conhecimento do auditor,
restrito ao escopo de cada trabalho, que, caso não divulgados, possam distorcer as avaliações ou resultados da
auditoria.
Art. 17. As informações relativas aos trabalhos desenvolvidos ou a serem realizados não devem ser divulgadas ou
repassadas sem prévia anuência da autoridade competente.
Art. 18. É vedada a utilização de informações obtidas em decorrência dos trabalhos de auditoria em benefício
pessoal ou contrariamente à lei, em detrimento dos objetivos institucionais.
Art. 19. O titular da unidade de auditoria interna, ao tomar conhecimento de indícios de ilegalidades por
consequência dos trabalhos de auditoria, encaminhará as informações à Chefia Institucional ou ao órgão colegiado
com atribuição para gestão de governança e riscos, para as providências necessárias à apuração da autoria,
materialidade, nexo de causalidade e individualização de condutas.
CAPÍTULO V
DOS DEVERES E VEDAÇÕES DOS SERVIDORES LOTADOS EM AUDITORIAS
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Art. 22. É vedada a designação, para o exercício de cargo ou função comissionada nas unidades de auditoria
interna, de pessoas que tenham sido nos últimos 5 (cinco) anos:
I – responsáveis por atos julgados irregulares por decisão definitiva de Tribunal de Contas;
II – punidas em decisão da qual não caiba recurso administrativo, tomada em processo disciplinar, por ato lesivo ao
patrimônio público;
III – condenadas judicialmente em decisão transitada em julgado:
a) pela prática de ato de improbidade administrativa; ou
b) em sede de processo criminal.
Parágrafo único. Serão exonerados o titular de auditoria interna e os servidores da referida unidade que ocuparem
cargos e funções comissionadas e forem alcançados pelas hipóteses previstas nos incisos do caput deste artigo.
Art. 23. O cargo de titular da unidade de auditoria interna será exercido por servidor do quadro efetivo do Ministério
Público, nomeado pela Chefia da instituição ministerial, permitindo-se a nomeação de servidores extraquadro para os
serviços de apoio técnico e administrativo da unidade de auditoria interna.
CAPÍTULO VII
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
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Art. 24. As instituições ministeriais adotarão providências e editarão os atos normativos necessários para readequar
ou criar os setores de auditoria interna de acordo com os ditames desta Resolução.
Art. 25. Todo o trabalho deve ser revisado pelo auditor responsável pela auditoria, de modo que as avaliações e
conclusões estejam solidamente baseadas e suportadas por suficientes, adequadas e relevantes evidências para
fundamentarem o Relatório Final da Auditoria e as propostas de encaminhamento.
Art. 26. Quando os trabalhos de auditoria resultarem em informações sensíveis ou de natureza confidencial,
sobretudo se a publicação dessas informações puder comprometer investigações ou procedimentos legais em curso,
ou que possam ser realizados, o titular da unidade de auditoria interna deverá consultar a Chefia da instituição
ministerial sobre a necessidade de tratar o processo como sigiloso.
Art. 27. Para cada auditoria realizada será elaborado um Relatório Final de Auditoria, contendo o resultado dos
exames, baseados em documentos comprobatórios, que expressem a exatidão do relatório e a precisão das
proposições.
Art. 28. Compete ao titular da unidade de auditoria interna determinar quando, como e a quem os resultados dos
trabalhos de auditoria deverão ser comunicados na forma do relatório.
Art. 29. O Relatório Final de Auditoria incluirá recomendações ao titular da unidade auditada para regularizar
eventuais pendências, fundamentadas na análise das manifestações preliminares, quando cabíveis.
§1º A unidade de auditoria interna acompanhará a implementação das recomendações constantes do Relatório Final
de Auditoria, considerando que a não implementação no prazo indicado pode implicar comunicação à Chefia da
instituição ministerial.
§2º O direito de acesso aos documentos gerados em decorrência da realização de auditorias será assegurado após
assinatura do relatório final.
Art. 30. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília-DF, 12 de março de 2024.
PAULO GUSTAVO GONET BRANCO
Presidente do Conselho Nacional do Ministério Público
Dispõe sobre a atuação integrada do Ministério Público para a efetiva defesa e proteção das crianças e adolescentes
vítimas ou testemunhas de violência, conforme Lei nº 13.431, de 4 de abril de 2017, e Lei nº 14.344, de 24 de maio
de 2022.
O CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO, no exercício das atribuições previstas no art. 130-A, §2º, I,
da Constituição Federal, e com fundamento no art. 147 e seguintes de seu Regimento Interno, em conformidade com
a decisão Plenária proferida na 2ª Sessão Ordinária, realizada em 27 de fevereiro de 2024, nos autos da Proposição
nº 1.00252/2023-97;
Considerando incumbir ao Ministério Público a defesa dos interesses sociais e individuais indisponíveis, conforme o
art. 127 da Constituição Federal;
Considerando que a Lei nº 13.431, de 4 de abril de 2017, normatiza e organiza o Sistema de Garantia de Direitos da
Criança e do Adolescente Vítima ou Testemunha de Violência, cria mecanismos para prevenir e coibir a violência,
nos termos do art. 227 da Constituição Federal, da Convenção sobre os Direitos da Criança e seus protocolos
adicionais, da Resolução nº 20/2005 do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas e de outros diplomas
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Considerando que, na forma da lei, a escuta especializada e o depoimento especial, quando necessários, devem ser
realizados em local apropriado e acolhedor, com infraestrutura e espaço físico que garantam a privacidade da
criança ou do adolescente vítima ou testemunha de violência;
Considerando que, de acordo com o art. 14 da Lei nº 13.431/2017, as políticas implementadas no âmbito dos
Sistemas de Justiça, segurança pública, assistência social, educação e saúde devem incluir a capacitação
interdisciplinar continuada, preferencialmente conjunta, dos profissionais encarregados do atendimento de crianças e
adolescentes vítimas ou testemunhas de violência e suas respectivas famílias;
Considerando que a violência institucional, disciplinada pelo art. 4º, IV, da Lei nº 13.431/2017, é entendida como
aquela praticada por instituição pública ou conveniada, inclusive quando gerar a revitimização em razão de um
atendimento desqualificado, em desacordo com os parâmetros legais e protocolos preestabelecidos;
Considerando a possibilidade de coleta de depoimento especial no âmbito investigativo, nos termos do art. 8º da Lei
nº 13.431/2017, e o reconhecido poder investigatório do Ministério Público, deve ser admitida a realização desta
oitiva, de maneira excepcional, nos procedimentos investigatórios;
Considerando, por fim, a importância de se promover o aperfeiçoamento e a otimização da atuação institucional do
Ministério Público, tanto no sentido de assegurar a efetiva proteção das crianças e adolescentes vítimas ou
testemunhas de violência, quanto da busca da rápida e rigorosa responsabilização dos autores, em cumprimento ao
disposto nos arts. 127, 129, 226, §8º e 227, caput e §4º, da Constituição Federal;
RESOLVE, respeitada a independência funcional dos membros e a autonomia das unidades do Ministério Público da
União e dos Estados, expedir a seguinte RESOLUÇÃO:
CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 1º Esta Resolução estabelece diretrizes sobre a atuação integrada do Ministério Público para a efetiva defesa e
proteção das crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência.
Art. 2º Os membros do Ministério Público que em sua atuação se depararem com situação de qualquer forma de
violência contra criança e adolescente, direta ou indireta, notadamente em matéria criminal, violência doméstica,
exploração do trabalho infantil, família e infância e adolescência, devem se articular com o objetivo de melhor
atender às necessidades das crianças e adolescentes, evitando-se a revitimização e violência institucional,
assegurando a proteção integral.
§ 1º Devem ser pactuados fluxos para troca de informações entre os órgãos de proteção e os membros com
atribuição nas áreas criminal, trabalhista, de violência doméstica, da infância ou de família, e, ainda, internamente no
âmbito das Promotorias de Justiça com estas atribuições, visando maior celeridade às medidas administrativas e
judiciais necessárias, em prol de crianças, adolescentes e suas famílias, a qualquer momento.
§ 2º Para que não ocorra revitimização e violência institucional, e visando a uma atuação transversal coerente, o
membro do Ministério Público que primeiro tiver ciência de criança ou adolescente em situação de violência deve
comunicar formalmente aos demais acerca das medidas já adotadas, nos termos do art. 9º, V e VI, desta Resolução,
levando-se em consideração as necessidades das vítimas e a divisão das atribuições de cada órgão ministerial.
CAPÍTULO II
DAS ATRIBUIÇÕES DOS MEMBROS DO MISTÉRIO PÚBLICO
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Art. 3º Os membros do Ministério Público, atuando conjuntamente, no âmbito de suas atribuições, e em observância
ao art. 3º do Decreto nº 9.603, de 10 de dezembro de 2018, e ao art. 5º da Lei nº 14.344/2022, deverão:
I - empreender esforços para exigir do Poder Público a implementação de programas, serviços e/ou outros
equipamentos que proporcionem atenção e atendimento integral e interinstitucional às crianças e adolescentes
vítimas ou testemunhas de violência, compostos por equipes multidisciplinares especializadas, na forma do art. 2º,
parágrafo único; art. 16, parágrafo único, art. 17, art. 18, art. 19, art. 20 e art. 23, todos da Lei nº 13.431/2017;
II - atuar para que sejam elaborados, instituídos e divulgados fluxos intersetoriais e protocolos de atendimento para
as diversas modalidades de violência previstas na Lei nº. 13.431/2017, inclusive por ocasião de sua revelação
espontânea, nos moldes do previsto no art. 4º, §2º do citado diploma legal, bem como no art. 13, §2º, da Lei nº
8.069, de 13 de julho de 1990, e na Resolução nº 235/2023 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do
Adolescente (CONANDA);
III – fiscalizar:
a) no âmbito da saúde: se a atenção à saúde está sendo realizada por equipe multiprofissional do Sistema Único de
Saúde (SUS), nos diversos níveis de atenção, englobado o acolhimento, o atendimento, o tratamento especializado,
a notificação e o seguimento da rede (art. 10 do Decreto nº 9.603/2018), em consonância, dentre outras normas e
protocolos, com a Lei nº 12.845, de 1º de agosto de 2013, o Decreto nº 7.958, de 13 de março de 2013 e a Portaria
Interministerial nº 288, de 25 de março 2015;
b) no âmbito da assistência social: se os serviços, programas, projetos e benefícios estão organizados para
prevenção das situações de vulnerabilidades, riscos e violações de direitos de crianças e de adolescentes e de suas
famílias no âmbito da proteção social básica e especial (art. 12 do Decreto nº 9.603/2018) e se estão sendo
observados os procedimentos descritos no art. 19 da Lei nº 13.431/2017;
c) no âmbito da educação: se estão sendo promovidas ações integradas visando à identificação da violência e à
acolhida, bem como ações educativas preventivas, nos termos dos arts. 70-A e 70-B da Lei nº 8069/1990, art. 4º, §
2º, da Lei nº 13.431/2017, art. 11 do Decreto 9.603/2018 e art. 12, IX, e 26, § 9º, da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro
de 1996;
d) no âmbito da segurança pública: se no atendimento de crianças e adolescentes em situação de violência estão
sendo observados os arts. 20 a 22 da Lei nº 13.431/2017, o art. 13 do Decreto nº 9.603/2018, os arts. 11 a 14 da Lei
nº 14.344/2022 e os arts. 10 a 12-C da Lei nº 11.340/2006;
e) no âmbito dos conselhos de direitos: se estão sendo instituídos e efetivamente operando os comitês municipais
colegiados da rede de cuidado e de proteção social das crianças e dos adolescentes vítimas ou testemunhas de
violência definidos no art. 9º, I, do Decreto 9.603/2018 e na Resolução nº 235, de 12 de maio de 2023, do
CONANDA, acompanhando as suas atividades;
f) no âmbito do conselho tutelar: se o órgão está inserido nos fluxos pactuados com os sistemas de justiça,
segurança pública, assistência social, educação e saúde visando às ações articuladas, coordenadas e efetivas
voltadas ao acolhimento e ao atendimento integral às vítimas de violência, conforme art. 14 da Lei nº 13431/2017,
art. 14 do Decreto nº 9.603/18 e atribuições estabelecidas pelo art. 136 da Lei nº 8.069/1990;
g) no âmbito do sistema de justiça: se implementado o depoimento especial na comarca, com observância dos arts.
8º, 11 e 12 da Lei nº 13.431/2017 e arts. 22 a 26 do Decreto nº 9.603/2018; e se os procedimentos investigatórios e
os processos decorrentes da situação de violência em tramitação nas esferas criminal, trabalhista, da violência
doméstica, família, infância e adolescência e cível, tramitam com a celeridade e prioridade que lhes são devidas,
observado o disposto nos arts. 5º, VIII e 14, §1º, V e VI, da Lei nº 13.431/2017; arts. 4º, caput e parágrafo único,
alínea “b” e 100, parágrafo único, II e VI, da Lei nº 8.069/1990 e art. 227, caput, da Constituição Federal;
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DIÁRIO ELETRÔNICO DO CNMP
EDIÇÃO Nº 45| CADERNO PROCESSUAL
DISPONIBILIZAÇÃO: Quinta-feira, 14 de março de 2024
PUBLICAÇÃO: Sexta-feira, 15 de março de 2024
IV - zelar para que a escuta especializada, realizada no âmbito da rede local de proteção à criança e ao adolescente,
seja efetuada por profissionais qualificados e com formação especializada, observadas as diretrizes legais, sua
finalidade protetiva e de participação da criança e adolescente, garantindo-se o encaminhamento da vítima ou
testemunha para os programas e serviços necessários para a proteção integral;
V - fomentar a criação dos mecanismos de informação, referência, contrarreferência e monitoramento previstos no
art. 14, §1º, III, da Lei nº 13.431/2017, devendo ser definida uma sistemática que, de um lado, permita que os
atendimentos
prestados sejam registrados, na forma do art. 28 do Decreto nº 9.603/2018 e normas correlatas, com o
compartilhamento de informações relevantes entre os diversos integrantes da rede de proteção e o Sistema de
Justiça e, de outro, assegure o sigilo em relação a terceiros;
VI - cuidar para que haja permanente monitoramento de risco pela rede de proteção, atentando-se às situações de
ameaça, intimidação ou outras interferências externas que possam comprometer a integridade física e/ou psíquica
das crianças e adolescentes, bem como à vulnerabilidade indireta de outros membros de sua família, inclusive para
inserção em programas de proteção às vítimas e testemunhas ameaçadas, ou outras possíveis providências, tais
como as contempladas no art. 21 da Lei nº 13.431/2017 e na Lei nº 14.344/2022;
VII – fomentar e fiscalizar a oferta de formação interdisciplinar continuada, preferencialmente conjunta, aos
profissionais do sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência e
suas respectivas famílias.
Art. 4º. Os membros do Ministério Público devem assegurar a proteção e a não revitimização das crianças e
adolescentes vítimas ou testemunhas de violência, nos casos em que a revelação espontânea se dê no âmbito do
Ministério Público.
§ 1º A escuta da revelação espontânea deve se limitar ao que for livremente narrado pela criança ou adolescente, em
local adequado e que seja respeitada sua autonomia e privacidade.
§2º Na hipótese de revelação espontânea da violência, a criança e o adolescente serão encaminhados, quando
necessário, para confirmação dos fatos por meio da escuta especializada ou do depoimento especial, conforme
dispõe o art. 4º, § 1º, da Lei nº 13.431/2017, salvo em caso de intervenções de saúde.
§ 3º Em respeito à revelação espontânea, o registro do ato deverá ser realizado apenas ao final da narrativa livre,
para fins de notificação e encaminhamentos nos termos do parágrafo anterior.
Art. 5º O membro do Ministério Público com atribuição criminal, infracional ou cível deve, sempre que necessário o
depoimento especial e com brevidade, promover o ajuizamento de ação cautelar de produção antecipada de provas
em ação própria ou incidental na denúncia ou representação, ou na petição inicial, notadamente nas hipóteses
obrigatórias previstas no art. 11, §1º, I e II, da Lei nº 13.431/2017, como forma de evitar a revitimização, preservar a
qualidade da prova e prevenir o prejuízo causado pela ação do tempo ou de contaminações à memória.
§ 1º Quando realizado o depoimento especial, em sede de produção antecipada de prova em ação própria, o
membro do Ministério Público deverá zelar para que este passe a integrar, com brevidade, o procedimento que
serviu de fundamento para o ajuizamento da demanda cautelar, de forma a priorizar a adoção das medidas cabíveis,
atentando para o resguardo do sigilo do seu conteúdo.
§2º Havendo necessidade de oitiva da criança ou do adolescente vítima ou testemunha sobre a violência perante a
autoridade judiciária, o membro do Ministério Público deverá velar para que ela se dê na forma do depoimento
especial, salvo na hipótese prevista no art. 12, §1º, da Lei nº 13.431/2017.
§ 3º O membro do Ministério Público deve zelar pela cientificação do investigado, oportunizando-lhe a constituição de
advogado ou nomeação de defensor pelo juízo, caso não constitua, visando a assegurar o necessário contraditório
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Art. 9º O membro do Ministério Público garantirá a proteção das vítimas por meio de requerimentos judiciais de
aplicação de medidas protetivas de urgência ou sua revisão, de modo a preservar o direito das crianças e
adolescentes à convivência familiar e comunitária, inclusive priorizando-se o afastamento do agressor em detrimento
do afastamento da criança ou do adolescente do lar (art. 20 e art. 21 da Lei nº 14.344/2022, art. 21, II, da Lei nº
13.431/2017, art. 130 da Lei nº 8.069/1990 e art. 319, II e III, do CPP).
§1º O membro do Ministério Público, ao analisar as medidas protetivas de urgência, deve atentar para a
vulnerabilidade da família, nos casos em que o agressor for também o provedor, a fim de pleitear as prestações de
alimentos, nos termos do art. 130 da Lei nº 8.069/1990 e art. 20, VII, da Lei nº 14.344/2022.
§2º O membro do Ministério Público deverá zelar para que o responsável legal pela criança ou pelo adolescente
vítima ou testemunha de violência doméstica e familiar, desde que não seja o autor das agressões, seja notificado
dos atos processuais relativos ao agressor, especialmente dos pertinentes às medidas protetivas aplicadas ou
revisadas (art. 18 da Lei nº 14.344/2022).
CAPÍTULO III
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS
Art. 10. Recomenda-se, ainda, às unidades do Ministério Público, por meio das Procuradorias-Gerais de Justiça:
I - a realização de gestões junto aos Tribunais de Justiça para criação das Varas e Câmaras Criminais
especializadas, ainda que sem competência exclusiva, em crimes contra crianças e adolescentes, conforme art. 23
da Lei nº 13.431/2017;
II - a realização de gestões junto às Secretarias Estaduais de Segurança Pública, para criação de Delegacias de
Polícia especializadas em apurar crimes contra crianças e adolescentes, ainda que sem competência exclusiva,
assim como para adequação de espaços e protocolos de atendimento por parte dos Institutos de Criminalística e/ou
Medicina Legal, como forma de evitar a revitimização ou a violência institucional quando da realização de exames de
corpo de delito;
III - a realização de cursos de aperfeiçoamento funcional para os Promotores e Procuradores de Justiça com atuação
nas áreas da família, infância e juventude, violência doméstica e criminal sobre as Leis nº 13.431/2017 e nº
14.344/2022 e normas correlatas, com previsão no planejamento estratégico institucional, bem como às equipes
técnicas a serviço da instituição, a fim de que possam prestar assessoria aos membros do Ministério Público;
IV - o registro em seu sistema de dados dos casos de violência doméstica e familiar contra a criança e o
adolescente, observada a taxonomia vigente;
V - seja viabilizado o compartilhamento de informações, internamente entre as Promotorias de Justiça, nos sistemas
informatizados geridos no âmbito do respectivo Ministério Público;
VI - sejam assegurados fluxos entre as Promotorias de Justiça, inclusive pelos membros com atribuição criminal e
infracional, para recebimento e adoção de providências em relação a notícias de fato ou representação, em especial
relativas à medida de proteção e à ação cautelar de antecipação de produção de prova, nas causas que envolvam
violência contra a criança e o adolescente, durante expediente regular e no plantão.
Art. 11. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília-DF, 12 de março de 2024.
PAULO GUSTAVO GONET BRANCO
Presidente do Conselho Nacional do Ministério Público
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