MÉTODO PARA SEPARAÇÃO DE CLOROFILAS E CAROTENÓIDES DE
COUVE POR CROMATOGRAFIA EM COLUNA COM MATERIAIS DE FÁCIL
ACESSO: FERRAMENTA PARA PROMOÇÃO E INCENTIVO AO ENSINO DE
QUÍMICA
FLAVIA TAYNÁ SERRA SILVA1; ADRIANA DILLENBURG MEINHART2;
RENIRES DOS SANTOS TEIXEIRA2; LEONARDO NORA3
1UniversidadeFederal de Pelotas –
[email protected] 2UniversidadeFederal de Pelotas –
[email protected] 2Universidade Federal de Pelotas –
[email protected] 3Universidade Federal de Pelotas –
[email protected] 1. INTRODUÇÃO
A cromatografia pode ser definida como método físico-químico de separação
de componentes de mistura complexa, com o uso de duas fases imiscíveis: uma
estacionária e outra móvel (COLLINS; BRAGA; BONATO, 2006). Existem várias
técnicas cromatográficas muito utilizados atualmente em diferentes áreas, como
farmacêutica, cosmética, de alimentos e bebidas. Uma dessas é a Cromatografia
em Coluna, sendo esta uma das técnicas mais antigas usada para separação de
componentes entre duas fases, uma sólida e outra líquida (CHÉROLET, 2019).
A análise cromatográfica ocorre em coluna de metal ou vidro (Figura 1), com
uma torneira na parte inferior. A coluna é preenchida com fase estacionária
(composta por um material capaz de reter seletivamente os compostos). Através
da fase estacionária é eluída a fase móvel (solvente que tenha afinidade com os
compostos).
Figura 1. Etapas da análise por cromatografia em coluna realizada em
laboratório de química.
Fase Móvel
Amostra
Compostos A e B da
amostra em separação
Coluna empacotada
com Fase Estacionária Composto A
Composto B
Fonte: Autoras (2021).
As clorofilas e carotenoides são pigmentos encontrados em plantas, como a
couve. Estão envolvidos na fotossíntese e ficam armazenados nos cloroplastos que
são as organelas onde ocorre o processo fotossintético. Com o processo de
maceração de tecidos vegetais com solventes orgânicos, como acetona por
exemplo, ocorre o rompimento das ligações entre moléculas e assim elas são
liberadas das estruturas celulares (STREIT et al, 2005). Esses dois grupos de
compostos possuem comportamento distinto quanto à polaridade e podem ser
empregados para favorecer o ensino sobre solubilidade, polaridade e
cromatografia.
O ensino da química em ensino fundamental e médio é de extrema
importância. O desenvolvimento de atividades experimentais tem sido apresentado
por vários estudos como sendo uma estratégia positiva para o processo de ensino
aprendizagem (GIORDAN, 1999). As aulas experimentais como ferramenta para a
inserção no universo científico possibilitam a construção do conhecimento por meio
do desenvolvimento prático (SOARES; MUNCHEN; ADAIME, 2013).
No entanto, nem sempre há um laboratório de química disponível nas escolas,
ou, por vezes, não é possível adquirir todos os materiais necessários para a
execução do experimento. Por isso, este trabalho teve como objetivo adaptar um
método para separar carotenoides e clorofilas de amostras de couve, por meio de
cromatografia em coluna, utilizando materiais de fácil acesso.
2. METODOLOGIA
Para a realização do experimento foram utilizados os seguintes materiais e
reagentes: vasilha de plástico de tamanho médio e frasco de plástico para
condimentos com bico aplicador, copo medidor de 250 mL, frasco de plástico de
5 mL com tampa, presilha de cabelo, faca, socador (mão de pilão) e copo de vidro
(pilão), tábua, funil, pano multiuso, algodão, acetona, removedor de cera (marca
King Plus, contendo hidrocarbonetos alifáticos saturados e aromáticos), folhas de
couve e açúcar refinado.
Primeiramente a amostra foi preparada. Cinco folhas de couve, com as
nervuras centrais removidas e descartadas, foram cortadas em pedacinhos com
auxílio de uma faca, colocadas em copo e amassadas com a mão de pilão por
aproximadamente 10 min, até a obtenção de uma pasta uniforme. Em seguida
foram adicionados 6 mL de removedor de cera e 3 mL de acetona. A mistura foi
amassada novamente com a mão de pilão por aproximadamente 5 min, para
homogeneizar a mistura. A seguir o líquido foi filtrado utilizando através do pano
multiuso. O resíduo sólido retido no pano foi descartado.
Em seguida foi realizada a preparação da coluna cromatográfica. O frasco de
condimentos teve sua parte inferior removida com faca. Na base da vasilha de
plástico foi feita uma abertura cilíndrica. Então o frasco de condimentos (com a
tampa fechada) foi acoplado sobre a vasilha (Figura 2). Na parte inferior do frasco
de condimentos foi colocado um chumaço de algodão e empurrado até próximo à
tampa (que simula a torneira). Em seguida, 50 g de açúcar refinado (fase
estacionária) foi misturado a 75 mL de removedor de cera (fase móvel). A mistura
foi colocada sobre o algodão.
Em seguida a tampa (que simula a torneira) foi aberta para a passagem da
fase móvel, até que ficasse 1 cm acima da fase estacionária. Então foi adicionado
6 mL de amostra na coluna, seguido de 25 mL de removedor de cera. A amostra
começou a eluir pela coluna e o líquido (contendo os compostos A e B) foi coletado
nos frascos de plástico de 5 mL. Primeiramente foi coletada uma fração incolor,
seguida de fração amarela (composto B - carotenoides). Por fim foram adicionados
30 mL de acetona e foi coletada a fração de cor esverdeada (composto A -
clorofilas). Os procedimentos analíticos são ilustrados através da Figura 2.
Figura 2. Sistema de separação por cromatografia em coluna utilizando materiais
de fácil acesso. (a) Obtenção da amostra líquida após a filtração, (b) Coluna
cromatográfica recebendo a amostra (c) Amostra em fase de separação dos
carotenoides (compostos B) e clorofila (composto A) e coleta da fração incolor.
Amostra obtida após Amostra contendo os Coluna com açúcar e Composto A Composto B da Fração
filtração compostos A e B removedor da amostra Amostra coletada
(a) (b) (c)
Esse trabalho foi realizado como parte de disciplina de Pós-graduação,
Tópicos em Alimentos III (Análise de Alimentos por Cromatografia, Eletroforese
Capilar e Espectrometria de Massas), ministrada pela Profª. Drª. Adriana Dillenburg
Meinhart.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Durante o experimento observou-se que os carotenóis foram eluídos
primeiro devido à sua afinidade com o removedor (menos polar). Enquanto a fase
móvel era o removedor, as clorofilas (mais polares) ficaram retidas na fase
estacionária. Quando a fase móvel foi substituída por acetona foi observada a
eluição das clorofilas (mais polares).
Figura 3. Frações obtidas na extração.
Interações similares foram observadas em outros estudos que utilizaram
métodos iguais de separação e determinação de compostos, e fases estacionária
e móvel parecidas. Segundo CAMPOS (2004) o β-caroteno, um hidrocarboneto
insaturado, mostrou interações mais efetivas com o removedor (eluente, fase
móvel) do que com a sacarose (fase estacionária). As xantinas, ou xantofilas,
apesar dos grupos hidroxila, possuem uma cadeia carbônica relativamente longa,
responsável pela pouca afinidade com a sacarose. Segundo este autor, as
estruturas das clorofilas, por apresentarem um metal (magnésio) no centro de uma
porfirina (uma substância que contém quatro unidades ligeiramente modificadas de
pirrol), favorecem interações mais fortes com a fase estacionária.
4. CONCLUSÕES
Conclui-se que é possível extrair e separar carotenoides e clorofilas de
amostra de couve utilizando materiais de fácil acesso e de baixo custo. O
experimento utilizando removedor de cera e acetona como fase móvel e açúcar
refinado como fase estacionária foi eficiente na separação de carotenoides e
clorofilas e pode ser empregado com êxito para melhorar o processo de ensino
aprendizagem em escolas de ensino fundamental e médio.
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CAMPOS, Reinaldo Calixto. Extração de pigmentos do espinafre e separação em
coluna de açúcar comercial. Química Nova na Escola. Rio de Janeiro, 23 de ago.
de 2003. Disponível em: <http://qnesc.sbq.org.br>. Acesso em 23 de jun. de 2021.
CHÉROLET, Brenda. Técnica de separação de misturas. Educa Mais Brasil. 21
jun. de 2019. Disponível em: <https://www.educamaisbrasil.com.br>. Acesso em 04
de jul.de 2021.
COLLINS, C. H.; BRAGA, G. L.; BONATO, P. S. Fundamentos de cromatografia.
Campinas: Editora da UNICAMP, 2006.
CLOROFILA: Saiba tudo sobre seus Benefícios para saúde, Ocean Drop,
Camboriú, 20 de mai. de 2020. Disponível em: <https://my.oceandrop.com.br >.
Acesso em: 23 de jun. de 2021.
GIORDAN, M. O Papel da Experimentação no Ensino de Ciências. Química Nova
na Escola, 1999.
NELLIS, S. C., CORREIA, A. F. K, SPOTO, M. H. F. Extração e quantificação de
carotenoides em minitomate desidratado (Sweet Grape) através da aplicação de
diferentes solventes. Brazilian Journal of Food Technology. Campinas, v. 20,
e2016156, 04 de abr. de 2017.
SOARES, A. B.; MUNCHEN, S.; ADAIME, M. B. Uma análise da importância da
experimentação em química no primeiro ano do ensino médio, 2013. Disponível em:
<https://www.publicacoeseventos.unijui.edu.br/index.php/edeq/article/view/2807>. Acesso
em: 05 de jul. 2021.
STREIT, N. M. et al. As clorofilas. Ciência Rural, Santa Maria, v. 35, n. 3, p. 748-755, maio
/jun., 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-847820050003
00043&script=sci_arttext>. Acesso em: 05 jul. 2021.