Disciplina: Direito Administrativo
Professora: Flávia Campos
Monitora: Thayná Maria
Aula: Agentes públicos. Classificação cargos públicos. Normas constitucionais. Concurso público.
Cargo isolado x cargo de carreira: Cargo público é dividido em cargo de carreira e cargo
isolado. Cargo de carreira é aquele organizado em carreira, com possibilidade em progressão
funcional. O cargo isolado não admite promoção.
Cargo vitalício x cargo efetivo x cargo em comissão: O vitalício é o mais seguro do serviço
público. Aqui o servidor só perde o cargo por sentença judicial transitada em julgado (magistrados,
membros do MP e membros do TC). Para ocupar um cargo vitalício nem sempre é preciso fazer
concurso público, como por exemplo, o advogado que sobe pelo 5º para ser desembargador e os
ministros do STF. O cargo efetivo traz média segurança, conferindo estabilidade ao servidor, o
máximo que pode acontecer aqui é a aposentadoria compulsória. O servidor efetivo só perderá o
cargo:
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores no-
meados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público.
§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo:
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla de-
fesa;
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na for-
ma de lei complementar, assegurada ampla defesa.
Art. 169, § 4º Se as medidas adotadas com base no parágrafo anterior não
forem suficientes para assegurar o cumprimento da determinação da lei comple-
mentar referida neste artigo, o servidor estável poderá perder o cargo, desde
que ato normativo motivado de cada um dos Poderes especifique a atividade
funcional, o órgão ou unidade administrativa objeto da redução de pessoal.
As pessoas chamadas à administração pública pelo cargo em comissão não possuem
nenhuma segurança, pois este cargo é de livre nomeação e de livre exoneração (exoneração “ad
nutum”).
Normas constitucionais relativas à agentes públicos1:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princí-
pios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, tam-
bém, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)
1
Ler muito atentamente.
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I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros
que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros,
na forma da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação
prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com
a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei,
ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre
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nomeação e exoneração ; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
19, de 1998)
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III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos,
prorrogável uma vez, por igual período;
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele
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aprovado em concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado
com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego, na car-
reira;
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Não é a única exceção, há outras, como o advogado que sobe pelo 5º mesmo.
3
É para a administração pública. Começa a contar da homologação do concurso. A prorrogação é um ato discricionário da
administração e deve ser feita antes do fim do prazo inicial.
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A aprovação traz mera expectativa de direito, com exceção das hipóteses onde há direito subjetivo à nomeação, que são: 1)
Aprovação dentro do número de vagas previsto no edital (RE 598099 STF /Informativo 612 do STJ: Se existe uma pessoa ocupando
o primeiro lugar da lista de espera (e só tem mera expectativa de direito) e alguém da lista normal desiste, essa pessoa da lista de
espera passa a ter direito subjetivo à nomeação).
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Disciplina: Direito Administrativo
Professora: Flávia Campos
Monitora: Thayná Maria
Aula: Agentes públicos. Normas constitucionais. Concurso público.
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em
concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos con-
cursados para assumir cargo ou emprego, na carreira;
A aprovação traz mera expectativa de direito, com exceção das hipóteses onde há direito
subjetivo à nomeação, que são: 1) Aprovação dentro do número de vagas previsto no edital (RE
598099 STF /Informativo 612 do STJ: Se existe uma pessoa ocupando o primeiro lugar da lista de
espera (e só tem mera expectativa de direito) e alguém da lista normal desiste, essa pessoa da
lista de espera passa a ter direito subjetivo à nomeação); 2) Preterição na ordem classificatória (S.
15 do STF). O prazo prescricional para pedir a nomeação é de 5 anos, segundo o STJ, a contar
da nomeação ilegal da pessoa, vide informativo 668 do STJ; 3) Contratação precária para a
mesma função (Informativo 926 do STF).
OBS: Surgimento de novas vagas ou abertura de novo concurso público dentro do
prazo de validade do anterior: Não há direito subjetivo à nomeação em regra, segundo o STF.
Contudo, se houver atuação imotivada ou arbitrária da administração, o direito subjetivo surgirá.
Ler: Informativo 811 do STF e informativo 630 do STJ.
OBS: Remarcação de teste de aptidão física para candidata gestante: Se não há
previsão no edital, não é possível remarcar o TAF por motivos pessoais (Informativo 706 do STF),
salvo gravidez (ainda que não haja previsão no edital – RE 1058333).
OBS: Tatuagem: Não é possível eliminar um candidato do concurso público pela presença
de tatuagem, salvo se esta violar valores constitucionais (Informativo 835 e 841 do STF).
OBS: Presunção de inocência e eliminação do concurso: O fato de o candidato estar
sendo investigando em inquérito policial ou responsdendo ação criminal sem trânsito em julgago
não pode eliminá-lo do concurso, em regra, em respeito à presunção de inocência. Contudo, em
2020 o STJ revisitou o tema e passou a entender que em determinados casos há necessidade de
maior idoneidade, razão pela qual a regra poderá ser excetuada por previsão constitucional
adequada e instituida por lei Vide informativo 965 do STF.
OBS: Isenção de taxa de inscrição para quem já é servidor público: Inconstitucional
(Informativo 1054 do STF).
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Disciplina: Direito Administrativo
Professora: Flávia Campos
Monitora: Thayná Maria
Aula: Agentes públicos. Normas constitucionais. Estabilidade. Remuneração. Teto remuneratório.
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores
nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso públi-
co. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo: (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado; (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada am-
pla defesa; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na
forma de lei complementar, assegurada ampla defesa. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
Art. 169, § 4º Se as medidas adotadas com base no parágrafo anterior não
forem suficientes para assegurar o cumprimento da determinação da lei comple-
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mentar referida neste artigo, o servidor estável poderá perder o cargo , desde
que ato normativo motivado de cada um dos Poderes especifique a atividade
funcional, o órgão ou unidade administrativa objeto da redução de pessoal.
§ 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será
ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo
de origem, sem direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em
disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de servi-
ço. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
§ 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável
ficará em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até
seu adequado aproveitamento em outro cargo. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
§ 4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a
avaliação especial de desempenho por comissão instituída para essa finali-
dade. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
Estabilidade: Para adquirir, o servidor efetivo deverá cumprir os seguintes requisitos:
1) Estágio probatório: 3 anos de efetivo exercício.
2) Avaliação especial de desempenho: Uma comissão é formada para, ao final dos 3 anos
do estágio probatório, avaliar se há ou não aptidão para o cargo.
Remuneração x subsídio:
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Excesso no limite de gastos com pessoal: O limite é previsto na LC 101. Primeiro corta em pelo menos 20% as despesas com
cargos em comissão e funções de confiança, depois exonera os servidores não estáveis, se ainda não adiantar é que os servidores
efetivos perdem o cargo.
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2
Art. 37, X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que
trata o § 4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica,
observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual,
sempre na mesma data e sem distinção de índices; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (Regulamento)
Art. 39, § 4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Mi-
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nistros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão remunera-
dos exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acrés-
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cimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de represen-
tação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o dis-
posto no art. 37, X e XI. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)
Teto remuneratório:
Art. 37, XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, fun-
ções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional,
dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais
agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória,
percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de
qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espé-
5
cie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal , aplicando-se como limite,
nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o
subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio
dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o
subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa
inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espé-
cie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciá-
rio, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procurado-
res e aos Defensores Públicos; (Redação dada pela Emenda Constituci-
onal nº 41, 19.12.2003)
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Regra: Remuneração = Vencimento (previsto em lei, valor fixo) + vantagens pecuniárias (adicionais, gratificações, indenizações).
Contudo, existe outra forma de pagamento destinada a alguns servidores: Subsídio (parcela única).
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Exemplos de servidores que recebem por subsídio. Ex: Art. 144, § 9º A remuneração dos servidores policiais integrantes dos
órgãos relacionados neste artigo será fixada na forma do § 4º do art. 39.
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Indenizações podem ser somados ao subsídios, assim como os seus direitos sociais, por exemplo.
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Teto remuneratório geral: Ministros do STF. Tetos específicos: Prefeito (município), governador – poder executivo -, deputado
estadual - poder legislativo - e desembargador do TJ – poder judiciário, membros do MP, procuradores e defensores públicos
(estados e DF). Contanto, poderá haver um teto estadual único.
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Disciplina: Direito Administrativo
Professora: Flávia Campos
Monitora: Thayná Maria
Aula: Agentes públicos. Normas constitucionais. Teto remuneratório. Greve. Acumulação
remunerada de cargos. Acumulação com cargo eletivo.
Atenção nos seguintes dispositivos:
Art. 37, § 12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste arti-
go, fica facultado aos Estados e ao Distrito Federal fixar, em seu âmbito, me-
diante emenda às respectivas Constituições e Lei Orgânica, como limite úni-
co, o subsídio mensal dos Desembargadores do respectivo Tribunal de Jus-
tiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do sub-
sídio mensal dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o
disposto neste parágrafo aos subsídios dos Deputados Estaduais e Distritais
e dos Vereadores. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005).
Art. § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remunerató-
rios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter in-
denizatório previstas em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47,
de 2005)
Greve:
Art. 37, VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites
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definidos em lei específica ; (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 19, de 1998)
Acumulação remunerada de cargos:
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Art. 37, XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos,
exceto, quando houver compatibilidade de horários, observado em qualquer
caso o disposto no inciso XI (teto – cada cargo deve ficar abaixo do te-
to): (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
a) a de dois cargos públicos de professor; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
b) a de um cargo de professor com outro técnico (conhecimento técni-
co, não necessariamente precisa de curso superior) ou científico (depende
de formação em curso superior); (Redação dada pela Emenda Constitu-
cional nº 19, de 1998)
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde,
com profissões regulamentadas; (Redação dada pela Emenda Constitu-
cional nº 34, de 2001)
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Enquanto não for editada lei específica, usar-se-á a Lei 7.783/89 (lei de greve da iniciativa privada), subsidiariamente. Não tem
direito a greve: Militares e policiais (Informativos 485 e 860 do STF). O desconto dos dias não trabalhados é possível, salvo greve
causada por conduta ilícita da administração. Segundo o STJ, pode haver acordo para compensar horário.
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Requisitos cumulativos.
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XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e
abrange autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia
mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente,
pelo poder público; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19,
de 1998)
Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fun-
dacional, no exercício de mandato eletivo, aplicam-se as seguintes disposi-
ções: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará
afastado de seu cargo, emprego ou função e receberá pelo cargo assumido;
II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego
ou função, sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração;
III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de
horários, perceberá as vantagens (remuneração) de seu cargo, emprego ou
função, sem prejuízo da remuneração (subsídio) do cargo eletivo, e, não ha-
vendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior;
IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de
mandato eletivo, seu tempo de serviço será contado para todos os efeitos
legais, exceto para promoção por merecimento;
V - na hipótese de ser segurado de regime próprio de previdência so-
cial, permanecerá filiado a esse regime, no ente federativo de ori-
gem. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)