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Oxóssi: O Grande Caçador e Suas Lendas

A lenda de Oxóssi narra suas origens como um grande caçador e suas aventuras, incluindo a morte de um pássaro maligno que ameaçava a colheita e sua transformação em um orixá após desobedecer advertências divinas. Oxóssi também é apresentado como um personagem que aprende a arte da caça com seu irmão Ogun e enfrenta desafios que o levam a se tornar um protetor dos caçadores e da natureza. A história destaca temas de sacrifício, renascimento e a relação entre os orixás na mitologia africana.
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Oxóssi: O Grande Caçador e Suas Lendas

A lenda de Oxóssi narra suas origens como um grande caçador e suas aventuras, incluindo a morte de um pássaro maligno que ameaçava a colheita e sua transformação em um orixá após desobedecer advertências divinas. Oxóssi também é apresentado como um personagem que aprende a arte da caça com seu irmão Ogun e enfrenta desafios que o levam a se tornar um protetor dos caçadores e da natureza. A história destaca temas de sacrifício, renascimento e a relação entre os orixás na mitologia africana.
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Oxóssi

Olofin Odùdúwà, Rei da cidade de Ifé, em uma das festas para


celebração da colheita dos inhames novos foi surpreendido por um
enorme pássaro que pousou sobre o teto do palácio. Este pássaro
malvado havia sido enviado por Ìyàmí Òsòròngá, as Senhoras dos
Pássaros. Querendo que o animal fosse abatido, o Rei mandou
chamar vários arqueiros.
Da cidade de Ido veio Òsótogun, o caçador de vinte flechas.

De More veio Òsótogí, o caçador de quarenta flechas.

De Ilare veio Òsótadota, o caçador de cinquenta flechas.

E finalmente de Iremàá veio Òsótokansòsò, o caçador de uma só


flecha.

Temerosa pelo fracasso do filho, a mãe de Òsótokansòsò foi buscar


auxílio de um Bàbàlawò para que seu filho não fracassasse na
missão determinada pelo Rei. Foi-lhe recomendado que se fizesse
um etùtù para aplacar a ira de Ìyàmí eléye ( Minha Mãe dos
Pássaros ).

Os três primeiros caçadores fracassaram, mas no exato momento


em que a mãe de Òsótokansòsò fazia sua oferenda, o pássaro
relaxou sua guarda, e o caçador de uma só flecha consegue atingir
o animal, matando-o . Todos festejaram alegres cantando e
gritando: "Òsówusi!" ( Òsó é popular! ), que depois veio a
transformar em Òsóòsi.

II

Outra Itòn conta que Òsóòsi um dia partiu para a caça no mato sem
fazer as devidas oferendas indicadas por Ifá. Lá chegando deparou-
se com uma cobra ( Òsùmàré ) que o advertiu que não a matasse.
Porém o caçador não deu-lhe ouvidos e cortou-lhe a cabeça,
levando-a para casa e ele mesmo cozinhando-a e comendo. Òsun,
sua esposa, chega em casa e encontra o marido morto no chão, e
no solo vê vários rastros de cobra que seguiam em direção à
floresta. Òsun chorou tanto que foi ouvida por Ifá, que teria feito o
caçador renascer sobre a forma divina de Òsóòsi.
III

Quando Oxum e Oxossi se conheceram, ele logo se apaixonou e


quis casar com ela. Oxum concordou, mas impôs a condição de que
ele fosse com ela para a mansão de seu pai disfarçado de mulher,
para não ter a entrada impedida. Oxossi aceitou, sem perguntar se
isso lhe traria problemas. Então Oxum o transformou em mulher e
eles foram juntos para o palácio. Lá, Oxossi foi muito bem recebido,
pois foi apresentado como uma amiga de Oxum; e assim os dois
puderam viver juntos por muito tempo. Meses depois, Oxum não
pôde mais esconder a gravidez; Oxalá descobriu a verdade e
expulsou Oxossi do palácio. Por ter se transformado em mulher,
Oxossi se tornou bissexual; e seu filho, Logunedê, também.

IV

Oxossi era ajudante do irmão Ogum e carregava suas flechas. Certo dia,
numa das caçadas, encontrou o irmão Ossain, que vivia na floresta e era um
mago. Ossain enfeitiçou-o e Oxossi ficou servindo a ele por algum tempo.
Quando o efeito do feitiço passou, Oxossi quis voltar para casa, mas a mãe
Iemanjá não o aceitou. Então, Oxossi voltou para a mata e foi morar com
Ossain, que lhe ensinou todos os mistério da floresta e de seus habitantes.
Desde então, Oxossi se tornou um grande caçador, passando a garantir a
alimentação da família e defendendo animais e plantas de pessoas que
matam sem necessidade.

Odé era um grande caçador. Certo dia, ele saiu para caçar sem antes
consultar o oráculo Ifá nem cumprir os ritos necessários. Depois de algum
tempo andando na floresta, encontrou uma serpente: era Oxumaré em sua
forma terrestre. A cobra falou que Odé não devia matá-la; mas ele não se
importou, matou-a, cortou-a em pedaços e levou para casa, onde a
cozinhou e comeu; depois foi dormir. No outro dia, sua esposa Oxum
encontrou-o morto, com um rastro de cobra saindo de seu corpo e indo para
a mata. Oxum tanto se lamentou e chorou, que Ifá o fez renascer como
Orixá, com o nome de Oxossi.

VI

Certa vez, no reino de Ifá, surgiu um pássaro enorme que, voando bem no
meio da cidade, não deixava que o povo fizesse as festas do tempo da
colheita. O rei convocou todos os arqueiros do reino, que usaram todas as
suas flechas sem conseguir espantar o animal; e por isso foram executados.
O último a comparecer tinha somente uma flecha mas sua mãe, com medo
de que ele fosse condenado à morte, consultou Ifá e soube que o filho devia
fazer uma oferenda aos deuses antes de tentar a sorte. O rapaz obedeceu e,
com sua única flecha, matou o monstro. O rapaz foi muito aclamado pelo
povo e passou a se chamar Oxossi, o grande caçador.

VII

O antílope Agbãli, lançava seu brado em Ife e as pessoas morriam.

O mocho Agbigbi, lança seu brado nesta vida e as pessoas morrem.

Ifá foi consultado por Oshossi e recomendou-lhe que fizesse um


sacrifício porque, mesmo fazendo o bem aos outros, nunca
conseguia tirar disso o menor proveito, ficando sem ter sequer o
que comer.

O sacrifício constava de vasos quebrados, flechas, duas galinhas e


um cabrito, mais Oshosi, negou-se a oferecer o ebó.

Como a cada grito do antílope Agbãli as pessoas morressem, o rei


Metolonfin, não sabia o que fazer para caçá-lo. Sabendo disto,
Oshosi se apresentou ao rei, dizendo que, se lhe construíssem uma
casa em forma de circulo e o colocassem dentro e lhe desse uma
flecha e se todo o povo do pais se reunisse ao redor, lançaria a
flecha que iria atingir a marca branca, existente no pelo do antílope
e que ficava justamente na direção de seu coração. Tudo foi feito de
acordo com a orientação do caçador e no dia que o animal surgiu,
uma flecha foi atirada, indo atingir a marca branca que ficava na
altura de seu coração.

Oshosi gritava feliz: "Eu o matei!" - E o povo, olhando na direção


Agbãli, via que era verdade.

Quando o mocho Agbigbi se aproximou, Oshosi disse: "É na


garganta que devo atingi-lo" e lançando sua flecha, atravessou com
ela o pescoço do animal.

Todos reunidos foram ver o que estava acontecendo e assustados


comentaram: "Aquele que prendemos na choupana onde não
existem partas nem janelas consegue abater qualquer tipo de caça!
Quando não mais existirem animais para serem caçados no pais,
sem dúvida caçará o próprio rei!".

Mas havia muita caça na região e Oshosi construiu sua casa no


interior da floresta, reforçando as paredes com os cacos de muitos
vasos quebrados.

O caçador recusara-se a oferecer o sacrifício determinado pelo Odu


e por isto, todo o bem que fizesse aos homens não lhe resultaria em
nenhum proveito. Mesmo assim, Elegbara fez dele o caçador do
pais. Depois disto, os muros de seu templo devem ser incrustados
de cacos de vaso de barro.

VIII

Oxóssi, o caçador invencível, com sua flecha conseguiu vencer


Adja Odún Aini, trazendo a prosperidade, tornando-se assim o rei
de Ketu.

Ele é filho de Iroco com Odudua, teve como grande amor Oxum,
que o ajudou a criar seu filho adoptivo, Logum Edé. É o senhor da
caça, da fartura e da prosperidade.

Oxóssi era o músico dos orixás, tendo o poder de encantar a


qualquer ser vivo com o som dos atabaques que cediam aos seus
toques mágicos. Alguns diziam que isto vinha a compensar seu
comportamento introvertido, já que dificilmente ele dizia ou deixava
demonstrar o que estava sentindo.

Tudo que vem a nossa mesa é abençoado por Oxóssi.

Protector dos agricultores, pecuaristas, órfãos e caçadores (desde


que respeitem a mãe natureza).

IX

Em tempos distantes, Odùdùwa, Oba de Ifé, diante do seu Palácio


Real, chefiava o seu povo na festa da colheita dos inhames.
Naquele ano a colheita havia sido farta, e todos em homenagem,
deram uma grande festa comemorando o acontecido, comendo
inhame e bebendo vinho de palma em grande fartura.

De repente, um grande pássaro, (èlèye), pousou sobre o Palácio,


lançando os seus gritos malignos, e lançando fardas de fogo, com
intenção de destruir tudo que por ali existia, pelo fato de não terem
oferecido uma parte da colheita as Àjès (feiticeira, portadoras do
pássaro), personificando seus poderes atravez de Ìyamì Òsóróngà.
Todos se encheram de pavor, prevendo desgraças e catástrofes.

O Oba então mandou buscar Osotadotá, o caçador das 50 flechas,


em Ilarê, que, arrogante e cheio de si, errou todas as suas
investidas, desperdiçando suas 50 flechas.

Chamou desta vez, das terras de Moré, Osotogi, com suas 40


flechas. Embriagado, o guerreiro também desperdiçou todas suas
investidas contra o grande pássaro.

Ainda foi, convidado para grande façanha de matar o pássaro, das


distantes terras de Idô, Osotogum, o guardião das 20 flechas.
Fanfarão, apesar da sua grande fama e destreza, atirou em vão 20
flechas, contra o pássaro encantado e nada aconteceu.

Por fim, já com todos sem esperança, resolveram convocar da


cidade de Ireman, Òsotokànsosó, caçador de apenas uma flecha.

Sua mãe Yemonjá, sabia que as èlèye viviam em cólera, e nada


poderia ser feito para apaziguar sua fúria a não ser uma oferenda,
vez que três dos melhores caçadores falharam em suas tentativas.
Yemonjá foi consultar Ifá para Òsotokànsosó.

Foi consultar os Bàbálàwo. Eles diseram que faça oferendas. Eles


dizem que Yemonjá prepare ekùjébú (grão muito duro) naquele dia.
Eles dizem que tenha também um frango òpìpì (frango com as
plumas crespas). Eles dizem que tenha èkó (massa de milho
envolta em folhas de bananeira).

Eles dizem que Yemonjá tenha seis kauris. Yemonjá faz então
assim, pediram ainda que, oferecesse colocando sobre o peito de
um pássaro sacrificado em intenção. Eles dizem que ofereça em
uma estrada, dizem que recite o seguinte: "Que o peito da ave
receba esta oferenda".

Neste exato momento, o seu filho disparava sua única flecha em


direção ao pássaro, esse abria sua guarda recebendo a oferenda
ofertada por Yemonjá, recebendo também a flecha serteira e mortal
de Òsotokànsosó.
Todos após tal ato, começaram a dançar e gritar de alegria: "òsóòsì!
òsóòsì!" (caçador do povo). A partir desse dia todos conheceram o
maior guerreiro de todas as terras, foi referenciado com honras e
carrega seu título até hoje. òsóòsì.

Conta-se que Oxossi era o irmão mais jovem de Ogun e Exu, todos
três filhos de Yemanjá.

Exu, por ser indisciplinado, foi por ela mandado embora. Ogun
trabalhava no campo e Oxossi caçava nas florestas vizinhas. A
casa encontrava-se, assim, abastecida de produtos agrícolas e
caça.

No entanto, um Babalaô alertou Yemanjá para o risco de Ossanyin,


aquele que possuía o conhecimento das virtudes das plantas e vivia
nas profundezas da floresta, enfeitiçar Oxossi e obrigá-lo a ficar em
sua companhia. Yemanjá ordenou então ao filho que renunciasse
às atividades de caçador.

Ele, porém, de personalidade independente, continuou suas


incursões pela floresta. Tendo encontrado Ossanyin, que o
convidou a beber uma poção de folhas maceradas, caiu em estado
de amnésia. Ficou, pois, vivendo em companhia de Ossanyin, como
previra o Babalaô.

Ogun, inquieto com a ausência do irmão, partiu à sua procura,


encontrando-o nas profundezas da floresta. Ele o trouxe de volta,
mas Yemanjá irritada, não quis receber o filho desobediente.
Revoltado com a intransigência materna, Ogun recusou-se a
continuar em casa. Quanto a Oxossi, este preferiu voltar para a
floresta, para perto de Ossanyin.

Yemanjá desesperada por ter perdido os três filhos, transformou-se


em um rio.

XI

Oxóssi aprende com Ogun a arte da caça

Oxóssi é irmão de Ogun. Ogun tem pelo irmão um afeto especial.


Num dia em que voltava da batalha, Ogun encontrou o irmão
temeroso e sem reação, cercado de inimigos que já tinham
destruído quase toda a aldeia e que estavam prestes a atingir sua
família e tomar suas terras. Ogun vinha cansado de outra guerra,
mas ficou irado e sedento de vingança. Procurou dentro de si mais
forças para continuar lutando e partiu na direção dos inimigos. Com
sua espada de ferro pelejou até o amanhecer.

Quando por fim venceu os invasores, sentou-se com o irmão e o


tranqüilizou com sua proteção. Sempre que houvesse necessidade
ele iria até seu encontro para auxiliá-lo. Ogun então ensinou Oxóssi
a caçar, a abrir caminhos pela floresta e matas cerradas. Oxóssi
aprendeu com o irmão a nobre arte da caça, sem a qual a vida é
muito mais difícil. Igun ensinou Oxóssi a defender-se por si próprio
e ensinou Oxóssi a cuidar da sua gente. Agora Ogun podia voltar
tranquilo para a guerra. Ogun fez de Oxóssi o provedor.

Oxóssi é o irmão de Ogun.

Ogun é o grande guerreiro.

Oxóssi é o grande caçador.

[Lenda 50 do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo


Prandi]

XII

Oxóssi mata a mãe com uma flechada

Olodumare chamou Orunmilá e o incumbiu de trazer-lhe uma


codorna. Orunmilá explicou-lhe as dificuldades de se caçar codorna
e rogou-lhe que lhe desse outra missão. Contrariado, Olodumare foi
reticente na resposta e Orunmilá partiu mundo afora a fim de saciar
a vontade do seu Senhor. Orunmilá embrenhou-se em todos os
cantos da Terra. Passou por muitas dificuldades, andou por povos
distantes. Muitas vezes foi motivo de deboche e negativas acerca
do que pretendia conseguir. Já desistindo do intento e resignado a
receber de Olodumare o castigo que por certo merecia, Orunmilá se
pôs no caminho de volta. Estava ansado e decepcionado consigo
mesmo.

Entrou por um atalho e ouviu o som de cânticos. A cada passo,


Orunmilá sentia suas forças se renovando. Sentia que algo de novo
ocorreria. Chegou a um povoado onde os tambores tocavam
louvores a Xangô, Iemanjá, Oxum e Obatalá. No meio da roda,
bailava uma linda rainha. Era Oxum, que acompanhava com sua
dança toda aquela celebração. Bailando a seu lado estava um
jovem corpulento e viril. Era Oxóssi, o grande caçador.

Orunmilá apresentou-se e disse da sua vontade de falar com aquele


caçador. Todos se curvaram perante sua autoridade e trataram de
trazer Oxóssi à sua presença. O velho adivinho dirigiu-se a Oxóssi e
disse que Olodumare o havia encarregado de conseguir uma
codorna. Seria esta, agora, a missão de Oxóssi. Oxóssi ficou
lisonjeado com a honrosa tarefa e prometeu trazer a caça na manhã
seguinte. Assim ficou combinado.

Na manhã seguinte, Orunmilá se dirigiu à casa de Oxóssi. Para sua


surpresa, o caçador apareceu na porta irado e assustado, dizendo
que lhe haviam roubado a caça. Oxóssi, desorientado, perguntou à
sua mãe sobre a codorna, e ela respondeu com ares de desprezo,
dizendo que não estava interessada naquilo. Orunmilá exigiu que
Oxóssi lhe trouxesse outra codorna, senão não receberia o Axé de
Olodumare. Oxóssi caçou outra codorna, guardando-a no embornal.
Procurou Orunmilá e ambos dirigiram-se ao palácio de Olodumare
no Orum. Entregaram a codorna ao Senhor do Mundo. De soslaio
Olodumare olhou para Oxóssi e, estendendo seu braço direito, fez
dele o rei dos caçadores. Agradecido a Olodumare a agarrado a
seu arco, Oxóssi disparou uma flecha ao azar e disse que aquela
deveria ser cravada no oração de quem havia roubado a primeira
codorna. Oxóssi desceu à Terra. Ao chegar em casa encontrou a
mãe morta com uma flecha cravada no peito. Desesperado, pôs-se
a gritar e por um bom tempo ficou de joelhos inconformado com seu
ato. Negou, dali em diante, o título que recebera de Olodumare.

[ Lenda 54 do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo


Prandi ]

XIII

Oxóssi desobedece a Obatalá e não consegue mais caçar

Havia uma grande fome e faltava comida na Terra. Então Obatalá


enviou Oxóssi para que ele aí caçasse e provesse o sustento de
todos os que estavam sem comida. Oxóssi caçou tanto, mas tanto,
que ficou obsessivo: ele queria matar e destruir tudo o que
encontrasse. Obatalá pediu-lhe que parasse de caçar, mas Oxóssi
desobedeceu. Oxóssi continuou caçando. Um dia encontrou uma
ave branca, um pombo. Sem se importar que os animais brancos
são de Obatalá, Oxóssi matou o pombo. Obatalá voltou a pedir que
ele não caçasse mais, porém Oxóssi continuou caçando. Uma noite
Oxóssi encontrou um veado e atirou nele muitas flechas. Mas as
flechas não lhe causavam nenhum dano. Oxóssi aproximou-se mais
e flechou a cabeça do animal. Nesse momento, o veado se
iluminou. Era Obatalá disfarçado, ali, todo flechado por Oxóssi.
Oxóssi não conseguiu caçar nunca mais. Profundo foi seu
desgosto.

[ Lenda 55 do LIvro Mitologia dos Orixás de Reginaldo


Prandi ]

XIV

ITAN TI ÒSÓÒSÌ

Há muitos anos, uma preta, sentada num toco de árvore, contava


que todos os dias, pela manhã, Oxossi conduzia o gado para o
pasto. A caminho do pasto, deslocando-se por uma estrada
poeirenta, passavam obrigatoriamente, pela porta do cemitério. Ao
chegarem ao pasto, Oxossi contava o gado, e por duas vezes deu
falta de uma cabeça. Oxossi procurou saber o que havia
acontecido, sem, no entanto, descobrir como se dera o
desaparecimento dos dois animais.

Naquele dia, ele vinha cansado, e o gado também, e, por isso,


resolveu parar no cemitério. Meteu a mão numa tina, encheu de
água e, defronta à porta, viu uns Babá Egungun, todos em cima do
muro, tentando atacar o gado. Só aí é que percebeu a causa da
falta dos animais. Ao mesmo tempo, também, verificou que à
medida que o gado acabava de beber a água, punha a língua para
fora, mugia e balançava o rabo, e que, com isso, os animais faziam
medo aos Bàbá Egungun, pois eles corriam todas as vezes que os
rabos balançavam e a língua era posta para fora.

Oxossi passou, daí em diante, a trazer sempre na mão um eroxim,


que é, nada mais, nada menos, que um rabo de boi, para espantar
Egungun. Logo em seguida, houve uma festa, na qual os orixás
trocaram prendas e oferendas, quando Oxossi deu o eroxim a Oyá,
porque ela era uma das pessoas que cuidavam dos Bàbá Egungun.
E até hoje, nos terreiros, o eroxim é considerado um espanta
Egungun, e como tal faz parte das ferramentas de Oyá, e é
ferramenta de Oxossi, que foi que descobriu.
Vejam, uma pequena lenda, contada pelos antigos, que aclara
maravilhosamente a finalidade de uma coisa que tem tanto
fundamento numa casa de santo.

Postado por catia maria às 18:57 Nenhum comentário:

Okê - (Okô)

Orixá Okê surge do fundo do mar

No princípio, Olokun reinava só no mundo.

Olofin fez o mundo de água e Olokun o governava.

No princípio, tudo era o mar, tudo era Olokun.

E Olofin andava entediado com a vastidão sem fim das águas.

Foi então que Oraniã, com a força que lhe dera Olofin, fez surgir do fundo
do oceano o primeiro monte de terra, a primeira colina sobre as águas, a
montanha Okê.

Okê, que quer dizer montanha na língua dos antigos, surgiu das
profundezas dos mares para o prazer de Olofin e desde então, além das
águas, passou a existir a terra de Okê.
Assim nasce Okê, o orixá do monte, e sobre o monte a vida do homem é
possível, porque antes estava tudo submerso e todo o poder era do mar, de
Olokun.

Logo depois, tendo o homem já se espalhado na Terra, Olofin-Olodunmare


reuniu os demais orixás em cima de Okê e indicou a cada um onde seria
seu domínio nesse mundo novo.

Os orixás tornaram-se então muito poderosos, mas muitos daqueles que


vieram depois dos orixás se esqueceram de Okê.
Sem Okê nenhum dos orixás teria podido fazer nada e é por isso que
sempre se deve fazer oferendas a ele.

O que aconteceria se Okê voltasse para o fundo das águas e deixasse


Olokun dominando o mundo sozinho(a)?
Itòn extraída do livro "Mitologia dos Òrìsàs", autor
Reginaldo Prandi.

II

ORIXÀ OKO

Quando o mundo foi criado, ainda não existia nada plantado. Aqui morava
um homem que nada fazia. Este homem se chamava Oko, o nome que ele
tinha recebido do grande criador. Um dia, Olorum chamou este velho e lhe
disse:
- Olha, eu criei o mundo, porém, faltam as plantações, e eu não sei com
fazê-las, como plantar. Você vai ser incumbido desta tarefa.

Oko ficou sentado no chão, pensando:

Que grande incumbência Olorum me deu! O que eu vou fazer? Pensou,


pensou, e aí se lembrou de que nas suas andanças pelas estradas tinha
encontrado uma palmeira, e que embaixo dessa palmeira sempre tinha uns
molequinho. Esse moleque era muito sapeca e muito sagaz, com um corpo
bem reluzente. Ele estava sempre com um pedaço de pau mexendo na terra.
Oko se lembrou de que um dia ele perguntou a esse rapazinho:

- Que estás a fazer?

E o rapaz lhe respondeu:

Você não sabe que a terra mexida e plantada dá frutos?

Plantada como? – perguntou Oko.


- É... A gente arruma semente, e tudo isso...

- Como arruma semente, se ainda não existe arvore, não existe nada? –
interrompeu Oko. O molequinho lhe disse:

- Olhe que prá Olorum nada é difícil!

Oko ficou admirado com as palavras daqueles molequinho. Quando


Olorum lhe deu essa empreitada, ele logo se lembrou de molequinho.

Voltou ao mesmo lugar e encontrou o molequinho sentado embaixo da


palmeira, cavando terra. O buraco já estava maior, e daquele buraco já
estava saindo uma terra mais avermelhada. Oko perguntou ao menino:

- Porque esta terra está saindo mais vermelha?

- É sinal de que algo de diferente existe nas profundezas da terra. Você vê


que eu estou cavando e aqui em cima a terra é mais seca; agora, esta outra
parte, é mais molhada, e agora já está saindo uma parte mais densa, mais
dura – respondeu o menino, mostrando a terra a Oko.

- Continue a cavar – falou Oku.

Mas enquanto o menino estava cavando, a madeirazinha que ele estava


usando quebrou. Ele aí pelejou, esfregou no chão, e fez uma ponta na
madeira. O menino estava descobrindo naquele momento uma ferramenta
na hora em que ele raspou a madeira no chão. E com ela ele recomeçou a
cavar juntos e tiraram uma lasca dessa terra, que era a pedra. Oko disse:

- Vamos fazer algo para a gente cavar a terra. Vamos ver se conseguimos
qualquer coisa com aquela lasca de pedra.

O molequinho continuou a trabalhar e Oko lhe disse:

- Eu vou me embora, você veja se sozinho consegue pensar em algo mais


útil para nós trabalharmos.

E foi embora, foi embora, foi embora. Foi andando e matutando pelo
caminho.
No outro dia quando Oko voltou, o molequinho estava com o fogo aceso e
com vários pedaços daquela pedra de fogo. Quando o moleque fez aquele
fogo, ele fez também um canal saindo de dentro do fogo. No que as tais
pedras iam de derretendo iam escorrendo e o menino ia formando lâminas.
Assim foi criado o ferro. E sabe quem era esse molequinho? Era Ogum, o
criador do ferro. Daí em diante, Orixá Oko, o grande rezador e plantador,
com suas idéias sobre plantação, colheita e lavoura , e Ogum, com as suas
ferramentas para ajudar a cavar a terra, o arado, o machado, a foice e a
enxada, continuaram a trabalhar juntos nas plantações que têm grande
importância na criação do mundo.

Postado por catia maria às 18:56 Nenhum comentário:

LENDAS DE IROKO

" ...No começo dos tempos, a primeira árvore plantada foi Iroko. Iroko foi a
primeira de todas as árvores, mais antiga que o mogno, o pé de obi e o
algodoeiro. Na mais velha das árvores de Iroko, morava seu espírito. E o
espírito de Iroko era capaz de muitas mágicas e magias. Iroko assombrava
todo mundo, assim se divertia.

À noite saia com o alugbongbo na mão, assustando os caçadores. Quando


não tinha o que fazer, brincava com as pedras que guardava nos ocos de seu
tronco. Fazia muitas mágicas, para o bem e para o mal. Todos temiam
IroKo e seus poderes e quem o olhasse de frente enlouquecia até a morte.

Numa certa época, nenhuma das mulheres da aldeia engravidava. Já não


havia crianças pequenas no povoado e todos estavam desesperados. Foi
então que as mulheres tiveram a idéia de recorrer aos mágicos poderes de
Iroko.

Juntaram-se em círculo ao redor da árvore sagrada, tendo o cuidado de


manter as costas voltadas para o tronco. Não ousavam olhar para a grande
planta face a face, pois, os que olhavam Iroko de frente enlouqueciam e
morriam. Suplicaram a Iroko, pediram a ele que lhes desse filhos. Ele quis
logo saber o que teria em troca. As mulheres eram, em sua maioria, esposas
de lavradores e prometeram a Iroko milho, inhame, frutas, cabritos e
carneiros. Cada uma prometia o que o marido tinha para dar. Uma das
suplicantes, chamada Olurombi, era a mulher do entalhador e seu marido
não tinha nada daquilo para oferecer. Olurombi não sabia o que fazer e, no
desespero, prometeu dar a IroKo o primeiro filho que tivesse.

Nove meses depois a aldeia alegrou-se com o choro de muitos recém-


nascidos. As jovens mães, felizes e gratas, foram levar a Iroko suas
prendas. Em torno do tronco de Iroko depositaram suas oferendas. Assim
Iroko recebeu milho, inhame, frutas, cabritos e carneiros. Olurombi contou
toda a história ao marido, mas não pôde cumprir sua promessa. Ela e o
marido apegaram-se demais ao menino prometido. No dia da oferenda,
Olurombi ficou de longe, segurando nos braços trêmulos, temerosa, a
filhinha tão querida. E o tempo passou. Olurombi mantinha a criança longe
da árvore. Mas um belo dia, passava Olurombi pelas imediações do Iroko,
entretida que estava, vindo do mercado, quando, no meio da estrada, bem
na sua frente, saltou o temível espírito da árvore. Disse Iroko: "Tu me
prometeste a menina e não cumpriste a palavra dada. Transformo-te então
num pássaro, para que vivas sempre aprisionada em minha copa." E
transformou Olurombi num pássaro e ele voou para a copa de Iroko para ali
viver para sempre.

Olurombi nunca voltou para casa, e o entalhador a procurou, em vão, por


toda parte. Ele mantinha a menina em casa, longe de todos. Todos os que
passavam perto da árvore ouviam um pássaro que cantava, dizendo o nome
de cada oferenda feita a Iroko. Até que um dia, quando o artesão passava
perto dali, ele próprio escutou o tal pássaro, que cantava assim:

"Onikaluku jeje euwre,euwre,euwre

Onikaluku jeje agutan,agutan,bolojo

Olurombi jeje Omo re,omo re a pon bi epo

Olurombi o, jan-jan Iroko, Iroko, jan-ján

(Todo mundo promete cabra

Todo mundo promete ovelha bonita

Prometeu a filha bonita, uma abiku muito linda

Olorumbi não cumpriu o prometido a Iroko

Com isso perdeu tudo)

Ouvindo o relato de uma história que julgava esquecida, o marido de


Olurombi entendeu tudo imediatamente. Sim, só podia ser Olurombi,
enfeitiçada por Iroko. Ele tinha que salvar sua mulher! Mas como, se
amava tanto sua pequena filha?

Ele pensou e pensou e teve uma grande idéia. Foi à floresta, escolheu o
mais belo lenho de Iroko, levou-o para casa e começou a entalhar. Da
madeira entalhada fez uma cópia do rebento, o mais perfeito boneco que
jamais havia esculpido. O fez com os doces traços da filha, sempre alegre,
sempre sorridente. Depois poliu e pintou o boneco com esmero,
preparando-o com a água perfumada das ervas sagradas. Vestiu a figura de
pau com as melhores roupas da menina e a enfeitou com ricas jóias de
família e raros adornos. Quando pronto, ele levou a menina de pau a Iroko
e a depositou aos pés da árvore sagrada. Iroko gostou muito do presente.
Era a menina que ele tanto esperava!

E a menina sorria sempre, sua expressão, de alegria.

Iroko apreciou sobremaneira o fato de que ela jamais se assustava quando


seus olhos se cruzavam. Não fugia dele como os demais mortais, não
gritava de pavor e nem lhe dava as costas, com medo de o olhar de frente.
Iroko estava feliz.

Embalando a criança, sua pequeno menina de pau, batia ritmadamente com


os pés no solo e cantava animadamente. Tendo sido paga, enfim, a antiga
promessa, Iroko devolveu a Olurombi a forma de mulher.

Aliviada e feliz, ela voltou para casa, voltou para o marido artesão e para a
filha, já crescida e enfim libertada da promessa.

Alguns dias depois, os três levaram para Iroko muitas oferendas. Levaram
ebo de milho, inhame, frutas, cabritos e carneiros, laços de tecido de
estampas coloridas para adornar o tronco da árvore.

Eram presentes oferecidos por todos os membros da aldeia, felizes e


contentes com o retorno de Olurombi..."

Até hoje todos levam oferendas a Iroko. Porque Iroko dá o que as pessoas
pedem. E todos dão para Iroko o prometido..."

Esta bela ìtàn nos mostra como devemos tratar Iroko , sempre que lhe
pedimos algo é de suma importância pagarmos o prometido pra não
cairmos em seu desagrado , outra coisa é muito comum nas cidades
nigerianas vermos em baixo do pé de Iroko geladeiras, bicicletas, jóias,
etc... geralmente as famílias pagam a Iroko o que tem de mais valioso em
sua casa.

II

Orixá protetor da natureza, filho de Odudua e Tempo, é responsável pela


sustentação de toda a vida na Terra.

Irocô ( do iorubá Irocò ) influi na vida das pessoas no sentido de


aprofundar as raízes, através de um desenvolvimento lento, que traz com o
passar dos anos a solidez e a segurança.
Não é um orixá de incorporação, pois prefere ficar cuidando e zelando
junto de seus filhos Iansã, Obá e Oxóssi.

Protetor da natureza, da vitalidade humana e da sustentação da vida


material.

III

Não Devemos Quebrar Promessas Feitas aos Voduns

Esta é a história de um homem pobre que se chamava Kakpo. Esse fato


aconteceu em Tendji. Há muito tempo, Loko era uma árvore sagrada.
Havia um homem pobre que trabalhava com o machado. Ele cortava
árvores para conseguir madeira. Um dia, encontrou uma árvore boa para
cortar. Ele foi cortar Loko. Loko lhe disse: - Não me corte. Nenhum
homem deve me cortar. Há três Voduns que vivem na árvore de Loko: Dan,
Dangbe e Tohwivo, do clã de Ayato, uma vila em Abomey. Loko tem sete
tipos de pequenas cabaças duplas. Loko disse ao homem: - Vire-se para
mim. Se eu lhe der riquezas, você fará tudo que eu mandar? O homem lhe
respondeu: - Sim! Loko deu-lhe sete das pequenas cabaças duplas e disse-
lhe: - Encontre um bom lugar e quebre uma na terra. Se eu der as riquezas
você me dará um boi anualmente? - Sim, respondeu o homem. Aquele
lugar onde o pobre homem quebrou a primeira cabaça tinha se tornado
sagrado. Quebrou então a segunda. Muitas casas apareceram. Quando
quebrou a terceira cabaça as casas foram cercadas por paredes. Com a
quarta, redes, bancos e almofadas apareceram, tudo que era necessário à
um rei. Quebrou a quinta cabaça e viu muitas pessoas nas casas. Com a
sexta surgiram cavalos. Montou um cavalo. Quando quebrou a sétima
cabaça encontrou Fa e Legba, e não apenas as coisas para adorá-los. Mas
Kakpo não deu a Loko o boi que lhe tinha prometido. Loko se transforma
em um homem pobre, usando roupas de ráfia, e vai pedir água a Kakpo.
Encontrou o Minga de Kakpo, que se tornou rei. O Minga disse: - Sai
daqui! Que tipo de homem é você que veste-se com roupa de ráfia? E Loko
foi afastado. Voltou uma segunda vez. O Minga surrou-o com um chicote.
Loko foi embora. Voltou uma terceira vez. Os aldeões estavam ocupados
em cultivar para o chefe. Bateram em Loko novamente. Desta vez, Loko
começou a cantar uma canção: - "Ponham aqui as sementes, venham aqui e
dancem para mim, seus dançarinos que dançam bem". Loko cantava assim
e, enquanto cantou, todas as pessoas que cultivavam desapareceram. Kakpo
ficou pobre outra vez. Loko deixou-o somente com um pano de ráfia. Fa
retornou ao seu reino. Kakpo foi outra vez à Loko. Diante dele, encostou
sua testa na terra e implorou que Loko o perdoasse. Disse: - Eu lhe darei o
boi que havia prometido.
Mas Loko recusou. Kakpo e sua vila viveram o resto de suas vidas
pobremente

IV

Iroco ajuda a feiticeira a vingar o filho morto

Iroco era um homem bonito e forte e tinha duas irmãs. Uma delas era Ajé, a
feiticeira, a outra era Ogboí, que era uma mulher normal. Ajé era feiticeira,
Ogboí, não. Iroco e suas irmãs vieram juntos do Orun para habitar no Ayê.
Iroco foi morar numa frondosa árvore e suas irmãs em casas comuns.
Ogboí teve dez filhos e Ajé teve só um, um passarinho.

Um dia, quando Ogboí teve que se ausentar, deixou os dez filhos sob a
guarda de Ajé. Ela cuidou bem das crianças até a volta da irmã. Mais tarde,
quando Ajé teve também que viajar, deixou o filho pássaro com Ogboí. Foi
então que os filhos de Ogbói pediram à mãe que queriam comer um
passarinho. Ela lhes ofereceu uma galinha, mas eles, de olhos no primo,
recusaram. Gritavam de fome, queriam comer, mas tinha que ser um
pássaro. A mãe foi então foi a floresta caçar passarinhos, que seus filhos
insistiam em comer. Na ausência da mãe, os filhos de Ogboí mataram,
cozinharam e comeram o filho de Ajé. Quando Ajé voltou e se deu conta da
tragédia, partiu desesperada à procura de Iroco. Iroco a recebeu em sua
árvore, onde mora até hoje. E de lá, Iroco vingou Ajé, lançando golpes
sobre os filhos de Ogboí. Desesperada com a perda de metade de seus
filhos e para evitar a morte dos demais, Ogboí ofereceu sacrifícios para o
irmão Iroco. Deu-lhe um cabrito e outras coisas e mais um cabrito para
Exú. Iroco aceitou o sacrifício e poupou os demais filhos.

Ogboí é a mãe de todas as mulheres comuns, mulheres que não são


feiticeiras, mulheres que sempre perdem filhos para aplacar a cólera de Ajé
e de suas filhas feiticeiras.

Iroco mora na gameleira branca e trata de oferecer a sua justiça na disputa


entre as feiticeiras e as mulheres comuns.

[ Lenda 80 do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi ]

Iroco engole a devota que não cumpre a interdição sexual


Era uma vez uma mulher sem filhos, que ansiava desesperadamente por um
herdeiro. Ela foi consultar o babalawo e o babalawo lhe disse como
proceder.

Ela deveria ir à árvore de Iroco e a Iroco oferecer um sacrifício. Comidas e


bebidas que ele prescreveu a mulher concordou em oferecer. Com panos
vistosos ela fez laços e com os laços ela enfeitou o pé de Iroco. Aos seus
pés depositou o seu ebó, tudo como mandara o adivinho. Mas de
importante preceito ela se esqueceu. A mulher que queria ter um filho deu
tudo a Iroco, quase tudo. O babalawo mandara que nos três dias antes do
ebó ela deixasse de ter relações sexuais. Só então, assim, com o corpo
limpo, deveria entregar o ebó aos pés da árvore sagrada. A mulher disso se
esqueceu e não negou deitar-se com o marido nos três que precediam o
ebó.

Iroco irritou-se com a ofensa, abriu uma grande boca em seu grosso tronco
e engoliu quase totalmente a mulher, deixando de fora só os ombros e a
cabeça. A mulher gritava feito louca por ajuda e toda a aldeia correu para o
velho Iroco. Todos assistiam ao desespero da mulher. O babalawo foi
também até à árvore e fez seu jogo e o jogo que o babalawo fez para a
mulher revelou sua ofensa, sua oferta com o corpo sujo, porque para fazer
oferenda para Iroco é preciso ter o corpo limpo e isso ela não tinha.

Mas a mulher estava arrependida e a grande árvore deixou que ela fosse
libertada. Toda a aldeia ali reunida regozijou-se pela mulher. Todos
cantaram e dançaram de alegria. Todos deram vivas a Iroco.

Tempos depois a mulher percebeu que estava grávida e preparou novos


laços de vistosos panos e enfeitou agradecida a planta imensa. Ofereceu-lhe
tudo do melhor, antes resguardando-se para ter o corpo limpo. Quando
nasceu o filho tão esperado, ela foi ao babalawo e ele leu o futuro da
criança: deveria ser iniciada para Iroco. Assim foi feito e Iroco teve muitos
devotos. E seu tronco está sempre enfeitado e aos seus pés não lhe faltam
oferendas.

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