Todas estas afirmações exprimem preferências valorativas sobre algo, atribuem valor a realidade,
são juízos de valor. Mas a expressão juízo de valor reúne, como os exemplos revelam, elocuções
que dizem respeito a diferentes tipos de valores: morais, estéticos e religiosos
Valores morais
● Bom / mau
● Justo / injusto
● Certo / errado
● Leal / desleal
Valores estéticos
● Belo / feio
● Sublime / grotesco
● Original / banal
● Elegante / deselegante
Valores religiosos
● Sagrado / profano
● Puro / impuro
● Piedoso / impiedoso
● Perfeição / pecado
De qualquer modo, importante é reter que ética e moral são conceitos equivalentes. Podemos, pois,
de igual forma, dizer agir eticamente ou agir moralmente; padrões éticos ou padrões morais; emitir
um juízo ético ou emitir um juízo moral.
Afirmamos que os juízos de facto têm valor de verdade e que são, por natureza, objetivos, pois a sua
verdade ou falsidade é independente dos sujeitos que avaliam e dos seus estados mentais.
Quando pensamos em juízos de valor, partimos, não raras vezes, do princípio de que, porque essas
elocuções dizem respeito a uma apreciação sobre uma determinada realidade, a sua verdade
depende fundamentalmente do sujeito que as profere. Mas será realmente assim?
Saber se os juízos morais têm valor de verdade e se esse valor de verdade é subjetivo ou objetivo
são problemas filosóficos. Grande parte da investigação realizada em metaética nas últimas décadas
é uma tentativa de encontrar respostas para estas questões.
Conceitos nucleares
Subjetivo: Diz-se do que pertence a qualquer sujeito, do que depende das crenças, perspectivas,
preferências, sentimentos, interesses ou desejos particulares. Opõe-se, geralmente, a objetivos.
Objetivo: Diz-se do que é independente da percepção ou da opinião particular, do que é imparcial ou
neutro. Opõe-se, geralmente, a subjetivo.
O subjetivismo moral
Quando abordamos assuntos como testes de virgindade, facilmente nos damos conta de que não
somos apenas animais éticos, como afirma o filósofo Simon Blackburn. Somos animais éticos que
têm convicções diferentes sobre o mesmo problema, que frequentemente divergem entre si sobre o
bem e o mal, sobre obrigações morais. Disso mesmo nos dão conta os debates sobre aborto e
eutanasia, oridentidade sexual e indentidade de genero, pena de morte e tortura, touradas e circo
animais por exemplo. Os desacordos éticos sobre questões fundamentais são amplos e persistentes.
Pessoas diferentes têm convicções morais distintas. O que é correto para umas é correto para
outras, o que é um bem para umas e um mau para outras. Esta evidência contribui para explicar a
persistência de uma corrente filosófica cognitivista conhecida como subjetivismo ético ou moral.
O subjetivismo moral remonta à Grécia antiga diz respeito a várias correntes que defendem que os
juízos morais assentam nos sentimentos de aprovação ou desaprovação relativamente a algo. Isto
significa que dependem das nossas vivências, das nossas crenças, dos nossos sentimentos, em
resumo, dos nossos estados mentais.
Para o subjetivismo, nenhuma preferência é objetivamente correta ou incorreta, já que não decorre
de um conhecimento de fato. O subjetivismo não reconhece a existência de factos morais. Ainda que
seja um facto que algumas pessoas aprovam os testes de virgindade e que outras os desaprovam,
não é um facto que, em si mesmo, os testes sejam um bem ou um mal. Os juízos morais são apenas
a expressão de estados mentais, de atitudes a favor ou contra um determinado comportamento,
situação ou ser. Têm valor de verdade
- podem ser conhecidos -, mas esse valor de verdade depende dos sentimentos e atitudes de quem
avalia. Quando alguém diz que os testes de virgindade são indignos, um mal está, para o
subjetivismo, apenas a manifestar os seus sentimentos negativos, a sua desaprovação ou
condenação - eu desaprovo -, em relação ao assunto em causa. Nada mais.
→ Os testes de virgindade são corretos.
→ Os testes de virgindade são um bem.
→ Os testes de virgindade são moralmente aceitáveis.
→ Devem fazer-se testes de virgindade.
Todas estas afirmações significam apenas, para o subjetivismo, Eu (a pessoa que emite o juízo)
aprovo os testes de virgindade. Já as afirmações que se seguem indicam, pelo contrário, que Eu (a
pessoa que emite o juízo) desaprova os testes de virgindade. E é só.
→ Os testes de virgindade são incorretos.
→ Os testes de virgindade são um mal.
→ Os testes de virgindade são moralmente inaceitáveis.
→ Não se devem fazer testes de virgindade.
a assim duas as teses do subjetivismo, relativamente ao problema da natureza dos juízos morais:
→ Os juízos morais têm valor de verdade, podem ser conhecidos.
→ A verdade dos juízos morais é subjetiva, depende do sujeito que avalia.
A favor do subjetivismo surgem, entre outros, dois argumentos contra a objetividade dos
tos morais:
→ Argumento do desacordo.
→ Argumento da ausência de prova
no que diz respeito ao primeiro, o argumento do desacordo, infere-se a ausência de verdades
objetivas a partir de duas premissas: a existência de desacordo em questões éticas e o facto de a
melhor explicação para esse desacordo ser a não existência de verdades objetivas em ética. Se há
desacordo em questões éticas fundamentais, como as touradas e os arcos com animais - e é um
facto que há -, então não existem verdades objetivas e universais em ética. Tudo o que há são
opiniões diversas. Os juízos morais são subjetivos e em quer que aprove ou desaprove as touradas
ou os circos com animais está igual-melle correto.
em relação ao segundo, o argumento da ausência de prova, retira-se a mesma conclusão
-não existem verdades universais em ética - a partir de duas premissas, neste caso, a
impossibilidade de provar que um juízo moral é verdadeiro e a ideia de que, se houvesse recades
objetivas em ética, seria possível provar a verdade das opiniões morais. de discordâncias
relativamente a assuntos éticos e as dificuldades que enfrentamos semPre que pretendemos provar
a verdade das nossas convicções morais darão razão ao sub-ferisino? Será, de facto, impossível
provar a verdade de um juízo moral? Será a existência de desacordo e a ausência de prova bons
argumentos contra a objetividade e a favor da subjetividade das crenças morais?