Curso Técnico em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio
Disciplina de Agricultura II
Profa. Rosana Ceolin Meneghetti
CULTURA DA SOJA (Glycine max)
É uma planta da família das leguminosas (feijão, ervilha, lentilha, grão-de-bico) e, rica em proteínas,
lipídeos (gordura), fibras e algumas vitaminas e minerais.
A indústria nacional transforma, por ano, 30,7 milhões de toneladas (t) de soja, produzindo óleo
comestível (5,8 milhões t) e farelo proteico (23,5 milhões t) para alimentação de aves, suínos e bovinos.
Além disso, a soja e o farelo de soja do Brasil, possuem alto teor de proteína e padrão de qualidade
Introdução premium, o que permite sua entrada em mercados exigentes (União Europeia e Japão). A soja se
constitui, ainda, em alternativa para a fabricação do biodiesel. É a cultura que mais cresceu nas últimas
três décadas e corresponde a 49% da área plantada em grãos do país. É o principal produto agrícola de
exportação devido aumento da produtividade associado aos avanços tecnológicos, ao manejo e à
eficiência dos produtores.
A 1ª referência à soja como alimento foi há 5.000 anos. A soja descrita era muito diferente da soja que
conhecemos hoje – eram plantas rasteiras que se desenvolviam ao longo de rios e lagos, uma espécie
de soja selvagem. O processo de “domesticação” da soja ocorreu no século XI a.C. (mil anos a.C.) a partir
de cruzamentos naturais feitos por cientistas chineses. A partir de 1900 (início do século XX), a soja
passou a ser comercializada e produzida pelos EUA e, se expandiu mundialmente, ocupando lugar de
destaque dentro do mercado mundial.
No Brasil, foi introduzida pelos japoneses imigrantes que a trouxeram em 1908, mas a predominância
do café e a falta de tecnologia não permitiram a expansão da cultura. O crescimento começou mesmo
nos anos 1970, quando a indústria de óleo passou a ser ampliada. O aumento da demanda internacional
Histórico e
pelo grão foi outro fator que contribuiu para o início dos trabalhos comerciais e em grande escala,
Importância inicialmente no Rio Grande do Sul.
Econômica A introdução da soja para outros estados só foi possível devido ao desenvolvimento de cultivares
adaptados ao clima mais quente e aos solos mais ácidos e fracos. O Centro-Oeste surgiu como uma nova
opção produtiva da cultura, a partir da década de 1980, com a mecanização intensa da agricultura e o
surgimento de insumos que corrigiam as deficiências do solo. A Embrapa apoiou o desenvolvimento de
variedades adaptadas às condições dos cerrados, possibilitando maiores produtividades econômicas. A
expansão também foi favorecida pelo relevo mais plano e as grandes extensões dos cerrados. Além
disso, o fato de a soja permitir a fixação no solo de nutrientes essenciais para o plantio de outras culturas,
como o feijão e o milho – entressafra produtiva, aliada ao plantio direto – favoreceu a expansão para
outras regiões do país, como Norte e Nordeste.
Principais produtores mundiais: Brasil, EUA, Argentina, China, Índia, Paraguai, Canadá, Uruguai, Ucrânia
e Bolívia. (2020/2021). O Brasil responde hoje por 50% do comércio mundial de soja.
Principais países exportadores: Brasil, EUA, Argentina, Paraguai e Canadá. (Fonte: USDA, 2016)
Principais importadores: China (86%), União Europeia (13%), México (4,2), Japão, Tailândia e Taiwan.
Principais estados brasileiros produtores de grãos de soja: MT (29,1), PR (17,9), RS (15,5%), GO (8,9%),
Aspectos MS, BA, MG, TO, SP, MA (2,2) Fonte: Conab (2015).
socioeconômicos Os produtores brasileiros dispõem de tecnologia de produção adaptada às condições brasileiras, fazendo
com que alcancem produtividades agrícolas de 3.000 a 6.000 kg/ha (50 a 100 sacas de 60 kg/ha).
Soja no Brasil (Maior produtor mundial): Produção: 135,409 milhões de toneladas em 2020/21.
Área plantada: 40,586 milhões de hectares Produtividade: 3.091 kg/ha (2021/22 (-)12,3% )
Soja nos EUA (2º maior produtor mundial) Produção: 112,549 milhões de toneladas
Área plantada: 33,313 milhões de hectares Produtividade: 3.379 kg/ha
Classificação • Divisão: Magnoliophyta • Classe: Magnoliopsida • Família: Fabaceae • Ordem: Fabales •
Botânica Gênero: Glycine • Espécies: Glycine max
É uma dicotiledônea. Ciclo anual – 100 – 150 dias – Autógama
– C3
Raiz: pivotante (principal e secundária) (Máx. crescimento
R6)
Caule: haste (herbáceo ereto) – pubescente – ramificado
Folha: 1º par folhas unifoliadas – folha composta: trifoliada
Inflorescência: racemo
Flores: brancas e púrpuras (início da floração quando a planta
Morfologia possui de 10 a 12 folhas trifoliadas)
Fruto: vagem
Semente: lisas, ovais, globosas ou elípticas. Cores amarela,
preta ou verde. Hilo: cor marrom, preto ou cinza
Germinação: Absorção de 50% do peso – Formação da radícula
> Elongação do hipocótilo > Raízes laterais
Durante a germinação, e logo após a emergência da plântula, ocorre
o desenvolvimento do sistema radicular seminal, o desenrolamento
das folhas primárias (seminais) e o desenvolvimento do meristema
apical (tecidos embrionários responsáveis pelo crescimento
primário da planta – crescimento vertical), que dará origem à parte
aérea. Esse conjunto faz com que a plântula passe a absorver
nutrientes do solo e a produzir fotoassimilados para seus
crescimento e desenvolvimento.
A emergência ocorre de sete a dez dias após a semeadura,
dependendo do vigor da semente, da profundidade de semeadura,
da umidade, da textura e da temperatura do solo. As reservas e os
nutrientes dos cotilédones suprem as necessidades metabólicas da
plântula por até dez dias após a emergência. O crescimento
vegetativo da planta se dá com base na emissão de folhas ao longo
do caule, que possui de 16 a 20 nós, cada qual com folhas
trifolioladas, sob condições edafoclimáticas adequadas de
crescimento. O número de ramos laterais (as ramificações) é
variável de acordo com o cultivar, a nutrição mineral, o espaçamento
entre plantas, a disponibilidade de água, a temperatura e a radiação solar.
A planta de soja possui grande capacidade de regeneração. Se o ápice do caule for danificado ou
quebrado, as gemas axilares remanescentes produzirão ramos, pois não terão mais o efeito inibitório
da dominância apical. A gema apical do caule apresenta dominância sobre as gemas axilares durante
a fase vegetativa de crescimento.
O desenvolvimento pode ser
dividido em duas fases: Estádio Denominação Descrição
vegetativa (V) e reprodutiva (R). VE emergência Cotilédones acima da superfície do solo.
Subdivisões da fase vegetativa
VC cotilédone Cotilédones completamente abertos.
são designadas numericamente
como V1, V2, V3, até Vn – menos V1 primeiro nó Folhas unifolioladas compl. desenvolvidas.
os dois primeiros estágios, que V2 segundo nó Primeira folha trifoliolada compl. desenvolvida.
são designados como VE V3 terceiro nó Segunda folha trifoliolada compl. desenvolvida.
(emergência) e VC (estágio de V4 quarto nó Terceira folha trifoliolada compl. desenvolvida.
cotilédone). O último estágio V5 quinto nó Quarta folha trifoliolada compl. desenvolvida.
vegetativo é designado como
V6 sexto nó Quinta folha trifoliolada compl. desenvolvida.
Vn, onde n representa o número
do último nó vegetativo formado V... ... ...
por um cultivar específico. O Vn enésimo nó Ante-enésima folha trifoliolada compl. desenv..
valor de n varia em função das
diferenças varietais e ambientais. A fase reprodutiva apresenta nove subdivisões ou estágios, iniciando-
se com a floração.
Estádio Denominação Descrição
R1 Início do florescimentoUma flor aberta em qualquer nó do caule (haste principal).
Uma flor aberta num dos 2 últimos nós do caule com folha
R2 Florescimento pleno
completamente desenvolvida.
Fenologia – a
Vida da Planta Início da formação da Vagem com 5 mm comp. num dos 4 últimos nós do caule com folha
R3
vagem completamente desenvolvida.
em Relação às
Vagem completamente Vagem com 2 cm de comp. num dos 4 últimos nós do caule com folha
Condições R4
desenvolvida completamente desenvolvida.
Ambientais
Início do enchimento Grão com 3 mm de comp. em vagem num dos 4 últimos nós do caule,
R5
do grão com folha completamente desenvolvida.
Vagem contendo grãos verdes preenchendo as cavidades da vagem
R6 Grão cheio ou completo de um dos 4 últimos nós do caule, com folha completamente
desenvolvida.
R7 Início da maturação Uma vagem normal no caule com coloração de madura.
R8 Maturação plena 95% das vagens com coloração de madura.
Por que é importante
conhecer como a planta
cresce?
O conhecimento da
fenologia possibilita
aperfeiçoar o uso dos
recursos naturais e insumos
norteando as ações de
manejo no intui de obter
altas produtividades.
As cultivares de soja são classificadas conforme seu tipo de crescimento: determinado, e indeterminado
(Neumaier et al., 2000).
Crescimento Determinado: • A soja, após o início do florescimento, cresce pouco e não ramifica; • O
florescimento é praticamente simultâneo, em toda a extensão da planta; • As vagens e os grãos do topo
e da base da planta se desenvolvem praticamente ao mesmo tempo; • O tamanho das folhas do topo da
planta é semelhante ao tamanho das demais; • As plantas apresentam um longo racemo terminal no
ápice do caule .
Crescimento Intederminado: • A produção de nós no caule principal e o crescimento continuam após o
início do florescimento, podendo dobrar a estatura da planta até a maturação; • O florescimento ocorre
de baixo para cima na planta, podendo existir, ao mesmo tempo, vagens bem desenvolvidas na base e
flores no topo da planta; • O desenvolvimento das vagens e dos grãos ocorre de baixo para cima. As
vagens e os grãos da metade inferior das plantas são mais adiantados do que os de cima; • As plantas
crescem e ramificam, mesmo durante o florescimento, formação das vagens e enchimento dos grãos; •
As folhas do topo são menores do que as folhas das demais partes da planta; • As plantas não
apresentam racemo terminal no ápice do caule, mas sim pequenos racemos axilares.
Cultivares Uma das mais significativas contribuições à eficiência do setor produtivo de soja são os cultivares
melhorados, portadores de genes capazes de gerar alta produtividade, ampla adaptação e boa
resistência/tolerância a fatores bióticos ou abióticos adversos. O ganho genético proporcionado pelos
novos cultivares ao setor produtivo tem sido muito significativo.
OBS: Para informações detalhadas sobre as características dos cultivares de soja e suas exigências de
manejo, consulte instituições como a Embrapa e a Fundação Pró-sementes.
Soja convencional: não possui alterações genéticas.
Soja transgênica: é uma planta que recebeu, por meio de técnicas da biotecnologia, um gene de um
outro organismo capaz de torná-la tolerante ao uso de um tipo de herbicida, o glifosato*.
Soja geneticamente modificada é liberada em Comissão de Biossegurança e aprovada pela Comissão
Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
Soja Roundup Ready - soja RR, como é conhecida pelos agricultores, possui uma característica que a
torna tolerante ao herbicida à base de glifosato, usado para dessecação pré e pós-plantio, conhecido por
sua eficiência no controle de plantas daninhas.
Soja Bt é uma excelente ferramenta de controle de pragas. Geneticamente modificado, o grão Bt possui
o gene da bactéria Bacillus thuringiensis, que age como inseticida natural contra as principais pragas que
atacam as lavouras.
A qualidade final do produto está diretamente relacionada à qualidade da semente, por isso, durante o
processo de compra, o agricultor deve investigar o produto que está adquirindo. Existem laboratórios
oficiais e particulares de análise de sementes que podem auxiliar nesse tipo de serviço, informando a
germinação, a pureza física e varietal, e a qualidade sanitária da semente. Além disso, o produtor pode
consultar documentos publicados que atestam a qualidade das sementes.
Semente Para garantir a qualidade, pode-se efetuar o tratamento das sementes (TS) com fungicidas – eles
garantem melhor estabelecimento da população de plantas por controlarem patógenos (agentes
causadores de doenças) transmitidos pelas sementes. O TS com fungicidas, inseticidas, micronutrientes
e inoculantes pode ser feito nessa ordem e com máquinas específicas de tratar sementes, desde que haja
recomendação e acompanhamento de um técnico especializado no assunto.
A água representa aproximadamente 90% do peso da planta, atuando em, praticamente, todos os
processos fisiológicos e bioquímicos. Ela desempenha a função de solvente, por meio do qual gases,
minerais e outros solutos entram nas células e se movem pela planta, e atua na regulação térmica da
planta, tanto no resfriamento como na manutenção e na distribuição do calor.
Exigências A disponibilidade de água é importante, principalmente, em 2 períodos: germinação-emergência e
floração-enchimento de grãos.
Climáticas e
A semente necessita absorver, no mínimo, 50% de seu peso em água para assegurar boa germinação.
Ambientais A necessidade de água na cultura da soja vai aumentando com o desenvolvimento da planta, atingindo
1. Água a máxima durante a floração/enchimento de grãos (7 a 8 mm/dia).
Necessidade total de água na cultura da soja: entre 450 e 800 mm/ciclo.
Déficits hídricos expressivos durante a floração e o enchimento de grãos provocam alterações fisiológicas
na planta, como o fechamento estomático e o enrolamento de folhas. Como consequência, há queda
prematura de folhas e flores, e o abortamento de vagens, reduzindo o rendimento de grãos.
Temperatura ótima: entre 20ºC e 30ºC Temperatura ideal: 30º C
Temperatura do solo: 20ºC a 30ºC, ideal: 25ºC (rápida e uniforme emergência das plântulas).
Temp. <10ºC: crescimento vegetativo da soja é pequeno ou nulo.
Exigências Temp. >40ºC: ocorre efeito adverso na taxa de crescimento provocando danos na floração e diminuindo
Climáticas e a capacidade de retenção de vagens.
A floração da soja somente é induzida com temperaturas acima de 13ºC.
Ambientais:
A maturação pode ser acelerada pela ocorrência de altas temperaturas e, quando associadas a períodos
2. Exigências de alta umidade contribuem para diminuir a qualidade das sementes. E quando exposta as baixas
térmicas e temperaturas associadas a períodos chuvosos ou de alta umidade, a maturação pode atrasar e ainda
fotoperiódicas causar haste verde e retenção foliar.
A soja apresenta alta sensibilidade ao fotoperíodo (comprimento do dia), ou seja, determinada cultivar
é induzida ao florescimento quando o fotoperíodo, ao decrescer, atinge valores iguais ou inferiores a o
mínimo crítico exigido pela variedade, razão pela qual é chamada de planta de dias curtos.
O sistema de produção de soja na região central, ainda tem como forma de preparo do solo o uso
continuado de grades de discos. Como resultado, ocorre degradação da estrutura do solo, com formação
de camadas compactadas, encrostamento superficial e perdas por erosão.
O sistema de plantio direto (SPD) pode ser a melhor opção para diminuir problemas no solo, pois seu
uso contínuo proporciona efeitos significativos na conservação e na melhoria do solo e da água, no
aproveitamento dos recursos e dos insumos, como os fertilizantes, na redução dos custos de produção,
na estabilidade de produção e nas condições de vida do produtor rural e da sociedade.
Para garantir os benefícios do PD, é importante o conhecimento detalhado da propriedade agrícola.
O SPD pressupõe a cobertura permanente do solo, que, preferencialmente, deve ser de culturas
comerciais ou, quando não for possível, culturas de cobertura do solo. Tal cobertura deverá resultar do
cultivo de espécies que disponham de certos atributos, como:
• produzir grande quantidade de massa seca; • possuir elevada taxa de crescimento;
Planejamento do • ter certa resistência à seca e ao frio; • não infestar áreas e ser de fácil manejo;
plantio • ter sistema radicular vigoroso e profundo; • ter elevada capacidade de reciclar nutrientes;
• ser de fácil produção de sementes;
• apresentar elevada relação C/N – proporção de carbono contida no material em relação ao nitrogênio.
Atenção: Qualquer que seja o sistema adotado para a implantação da cultura principal, a queima dos
restos culturais ou das vegetações de cobertura do solo deve ser evitada. Além de reduzir a infiltração
de água e aumentar a suscetibilidade à erosão, contribui para a diminuição do teor de matéria orgânica
do solo e, consequentemente, da capacidade da retenção de cátions trocáveis.
O manejo da cobertura do solo, mecânico ou químico, é a operação que visa matar as plantas de
cobertura, mantendo os restos culturais (palha) sobre a superfície do solo, formando a camada de palha
que o protege e permite aumentar a eficiência do SPD. As espécies indicadas para este fim apresentam
particularidades de manejo, que devem ser conhecidas e utilizadas de modo a se obterem os melhores
resultados quanto à cobertura do solo, ao controle de ervas, à reciclagem de nutrientes e à facilidade de
semeadura da soja.
No preparo do solo, considere que SPD é o mais adequado. Caso não possa adotá-lo, lembre-se de que
o preparo do solo compreende um conjunto de práticas que, quando usadas racionalmente, podem
permitir a preservação do solo e boas produtividades das culturas a baixo custo. Entretanto, quando
usadas de maneira incorreta, podem rapidamente levar o solo às degradações física, química e biológica,
diminuindo o seu potencial produtivo.
O preparo primário do solo (aração, escarificação ou gradagem pesada) deve
Preparo primário
atingir uma profundidade adequada ao próprio equipamento. Em substituição à
do solo
gradagem pesada, deve-se utilizar aração ou escarificação.
Preparo O preparo secundário do solo (gradagens niveladoras), se necessário, deve ser
secundário do feito com o mínimo de operações e próximo à época de semeadura.
solo
4. Preparo do Escarificação: Técnica que rompe a camada superficial do solo com hastes, movimentando o solo sem
solo a inversão da leiva. Substitui, com vantagem, a aração e a gradagem pesada, desde que se reduza o
número de gradagens niveladoras. Além disso, possibilita a permanência, do máximo possível, de
resíduos culturais na superfície, o que é desejável.
Quando forem usados o arado e a grade para preparar o solo, considere como umidade ideal a faixa
variável de 60% a 70% da capacidade de campo para solos argilosos, e de 60% a 80% para solos arenosos
– conhecida como “faixa de umidade friável”.
Dentre os nutrientes, o mais crítico na produção agrícola é o nitrogênio (N), pois é necessário em
elevados volumes e custa caro, entretanto, os produtores não aplicam nenhum adubo nitrogenado nos
cultivos de soja. Isso é possível por meio do tratamento das sementes com bactérias capazes de captar o
N presente no ar (Fixação Biológica de Nitrogênio – FBN), dispensando a adição de N por adubos.
É indispensável o fornecimento de 2 a 3 g/ha de cobalto (Co) e de 12 a 30 g/ha de molibdênio (Mo), que
são nutrientes essenciais para a FBN. A aplicação desses micronutrientes pode ser realizada via semente
ou via foliar, nos estágios de desenvolvimento V3 a V5, apresentados mais adiante.
Calagem: Serve basicamente para corrigir quimicamente a acidez do solo, os altos teores de alumínio
trocável e deficiência de nutrientes o solo. Após a análise de solo o calcário deve ser distribuído na área
com máquinas apropriadas e de forma uniforme e próximo à superfície do solo. Em seguida o calcário é
incorporado ao solo com uma aração/gradagem pesada até a profundidade programada (20 a 30 cm).
É importante que essa prática deve ser feita, no mínimo, três meses antes da semeadura da cultura.
Calagem e
Gessagem é a aplicação de gesso (CaSO4.2H2O) utilizado para aumentar a concentração de Ca2+, Mg2+e
adubação K+ nas camadas mais profundas do solo a fim de reduzir os teores de Al3+ em profundidades (até 60 cm,
para culturas anuais) não alcançadas pelo calcário, além de fornecer enxofre para planta e melhorar o
ambiente radicular em profundidade, favorecendo a absorção de água e nutrientes. Sua incorporação,
nos solos de cerrado, é recomendada quando as camadas de 20 a 40 e 40 a 60 cm. O gesso pode ser
aplicado a lanço e incorporado após ou junto à aplicação da calagem, e seu efeito é superior a 5 anos.
O N é suprido às plantas pela decomposição da M.O do solo e pelas bactérias fixadoras de N atmosférico
do inoculante. O Ca e o Mg são supridos pela calagem. Os micronutrientes são adicionados ao solo
através da correção e/ou do uso de adubos que contenham esses nutrientes. Já o S é liberado pela M.O.,
Adubação pelo gesso ou adicionado pela adubação, enquanto o fósforo e o potássio são repostos pela correção
e/ou adubação do solo. A dose recomendada de adubação é feita com base na análise do solo e da
necessidade da cultura.
Época de semeadura: Outubro a Março - devem condicionar a um período de maior probabilidade de
ocorrência de temperatura e umidade favoráveis ao ciclo da cultura.
Profundidade: 3-5 cm
Instalação da Espaçamento entre linhas: 40 a 60 cm.
lavoura Plantas/metro linear: 6-18 plantas (varia conforme a variedade)
Populações de plantas: 200 a 350.000 plantas/ha. Pop. acima das recomendadas podem acarretar
perdas por acamamento, queda de produtividade e aumento de custo de produção.
Velocidade da semeadora: 4 – 6 km/h
Os fungos são organismos que mais infectam as sementes, sendo responsáveis não só pela disseminação
da doença, mas também pelo apodrecimento das sementes no solo, deterioração durante o
armazenamento e a produção de micotoxinas. Assim, uso de sementes sadias é importante, por isso é
importante o tratamento com fungicida. Para um tratamento eficiente das sementes deve-se levar em
conta os seguintes fatores:
a) uso da dosagem recomendada pelo fabricante;
Tratamento de b) distribuição uniforme do produto nas sementes;
sementes c) aderência eficiente do produto às sementes para que se evite perdas durante a semeadura;
d) eliminação do risco para o operador;
e) não deve haver contaminação ambiental.
O produtor deve optar por formulações líquidas ou pó e micronutrientes, para que o volume final da
mistura não ultrapasse 300 ml de calda por 50 kg de semente.
Atualmente é recomendado o uso dos micronutrientes cobalto (Co) e molibdênio (Mo) nas sementes
junto aos fungicidas antes da inoculação.
Período crítico de competição: ocorre dos 10 aos 50 dias após a emergência. Neste período, a cultura
deve ser mantida livre da presença de plantas daninhas. Diversos fatores são responsáveis por variações
da duração deste período, como as condições ambientais, espaçamentos entre linhas, cultivar, adubação,
época de semeadura e espécie e densidade das plantas daninhas.
O uso contínuo de um mesmo método de controle, ingrediente ativo ou herbicidas com o mesmo
mecanismo de ação altera profundamente a flora infestante das áreas tratadas, selecionando espécies
Plantas daninhas tolerantes e/ou resistentes que poderão se constituir em problemas sérios, como são os casos de leiteira
(Euphorbia heterophylla), poaia (Richardia brasiliensis), corriola (Ipomoea spp.), buva (Conyza
bonariensis), trapoerabas (Commelina spp.) e azevém (Lolium multiflorum). A frequência destas
espécies tem aumentado nas áreas cultivadas com soja tratadas continuamente com o herbicida
glifosato. Portanto, a integração de métodos de controle é sempre vantajosa e, neste aspecto, preconiza-
se a associação do método cultural ao controle mecânico ou químico, o que pode levar, inclusive, à
eliminação ou redução do número de aplicações de herbicidas.
O controle das principais pragas deve ser feito nos princípios do manejo integrado de pragas (MIP):
consiste em tomadas de decisão de controle com base no nível de ataque, no número e no tamanho dos
insetos-pragas, e no estágio de desenvolvimento da soja. Essas informações são obtidas em inspeções
regulares na lavoura. Em situações adversas, como déficit hídrico ou excesso de chuvas, o técnico também
deverá considerar o porte das plantas, o tamanho da área a ser tratada e a disponibilidade de
equipamentos.
Lagarta da soja: Anticarsia gemmatalis: É o principal inseto desfolhador da soja.
Lagarta falsa medideira - Chrysodeixis (Pseudoplusia) includens
Lagarta das vagens: Spodoptera cosmioides, S. eridania, S. albula
Lagarta da maça do algodoeiro: Heliothis virescens
Percevejo verde: Nezara viridula, Percevejo verde pequeno: Piezodorus
Pragas
guildinii e Percevejo marrom: Euschistus heros: Aparecem a partir da floração. Podem causar
considerável redução no rendimento e na qualidade da semente. Podem retardar a maturação das
plantas, causando o fenômeno da retenção foliar – “soja louca” – o qual dificulta a
colheita.
Bicudo-da-soja (Tamanduá da soja) - Sternechus subsignatus
Percevejo castanho da raiz: Scaptoris castanea, S. carvalho, S. buckupi
Corós: Phyllophaga cuyabana, Liogenys spp., Plectris pexa
Broca das axilas - Epinotia aporema
Mosca branca: Bemisia tabaci
Ácaros: Tetranychus spp.
Aproximadamente 40 doenças causadas por fungos, bactérias, nematoides e vírus já foram identificadas
no Brasil. O impacto econômico de cada doença varia de ano para ano e de região para região,
dependendo das condições climáticas de cada safra. Estima-se que de 15% a 20% da produção seja
perdida anualmente por doenças. A maioria dos patógenos – agentes causadores de doenças – é
transmitida pelas sementes, e, portanto, o uso de grãos sadios ou o tratamento deles é essencial para a
prevenção ou a redução das perdas. Principais doenças que ocorrem na soja:
Doenças • ferrugem (Phakopsora pachyrhizi): ferrugem “americana”, ferrugem “asiática”;
• *mancha “olho de rã” (Cercospora sojina); • oídio (Microsphaera diffusa);
• mela da soja (Rhizoctonia solani AG1); • *antracnose (Colletotrichum dematium var. truncata);
• *cancro da haste (Diaporthe phaseolorum f.sp. meridionalis; Phomopsis phaseoli f.sp. meridionalis);
• *seca da haste e da vagem (Phomopsis spp.);
• mancha alvo e podridão da raiz (Corynespora cassiicola); • *Mancha parda (Septoria glycines)
podridão vermelha da raiz – PVR (Fusarium solani f.sp. glycines);
• podridão de carvão (Macrophomina phaseolina);
• podridão da raiz e da base da haste (Rhizoctonia solani);
• crestamento bacteriano da soja (Pseudomonas savastanoi pv. glycinea);
• mancha púrpura da semente e Crestamento foliar de cercospora (Cercospora kikuchii)
• mosaico comum da soja (vírus do mosaico comum da soja – VMCS);
• necrose da haste da soja (vírus da necrose da haste, Cowpea mild mottle virus);
• nematoides de galhas (Meloidogyne spp.); • nematoide de cisto da soja (Heterodera glycines).
*Doenças disseminadas pelas sementes.
A colheita deve ser iniciada tão logo a soja atinja o estádio R8 (ponto de colheita), ou seja, quando os
teores de água dos grãos estiverem em torno de 15% a 16%. A regulagem da colheitadeira deve ser a
melhor possível para evitar perdas, adotando preferencialmente, as colheitadeiras com plataformas de
corte flexível para acompanhar as ondulações do terreno e de cilindro de trilha com barras corrugadas,
além de esparramador de palha.
Colheita e
Fatores que afetam a eficiência da colheita: o mau preparo do solo que provocam oscilações na barra
Parâmetros de
de corte da colhedora danificando as vagens; inadequação da época de semeadura, do espaçamento,
Qualidade da densidade e cultivares não adaptadas podem acarretar baixa estatura das plantas e baixa inserção
das primeiras vagens, que consequentemente, fará com que ocorram maior perda na colheita;
retardamento da colheita: muitas vezes a espera de menores teores de umidade para efetuar a colheita
pode provocar a deterioração das sementes pela ocorrência de chuvas inesperadas e consequente
elevação da incidência de patógenos.
Consequência de distúrbios fisiológicos que interferem na formação ou no enchimento dos grãos, que
podem ser provocados por percevejos, estresse hídrico (falta ou excesso) e desequilíbrio nutricional
das plantas. Quando a planta fica sob estresse hídrico pode haver aborto das flores e das vagens,
induzindo a planta a provocar uma segunda florada, normalmente infértil, resultando em retenção foliar
pela ausência de demanda pelos produtos da fotossíntese. A situação pode se agravar com o excesso de
chuvas durante a maturação, que propicia a manutenção do verde das hastes e vagens, favorecendo o
aparecimento de retenção foliar mesmo em plantas saudáveis e sem danos de percevejos. A ocorrência
Retenção foliar e de retenção foliar e/ou senescência anormal da planta de soja está associada a desequilíbrio nutricional
haste verde quando se encontram baixos níveis de potássio no solo e/ou altos valores (acima de 50) da relação (Ca
+ Mg)/K). Práticas pode evitar seu aparecimento, tais como:
aumentar a fertilidade do solo de acordo com as recomendações técnicas;
melhorar as condições físicas do solo para aumentar sua capacidade de armazenamento de água e
facilitar o desenvolvimento das raízes;
evitar cultivares e épocas de semeadura que exponham a soja a fatores climáticos adversos e fazer o
controle de pragas. Pesquisas no exterior sobre a retenção foliar e haste verde mostram que esses
distúrbios podem ser causados também por um tipo de fitoplasma, fato ainda não investigado no Brasil.