Date: 28/03/2022
Tuberculose Bovina
Introdução
Zoonose de evolução crônica causada pelo Mycobacterium bovis que provoca lesões
granulomatosas, afetando principalmente as espécies bovinas e bubalinas
Causada por Mycobacterium bovis.
Características do agente Importância econômica
• Bastonetes curtos • Queda no ganho de peso
• Anaeróbios estrito • Diminuição na produção de leite
• Tem camada de ácido glicólico • Descarte precoce
• Habilidade de sobreviver em meio • Eliminação de animais de alto valor
hostil zootécnico
o são bacilos álcool ácidos • Condenação de carcaças
resistentes
• Morte de animais
• São bactérias fastidiosas
• Perda de credibilidade da unidade
o exigem meios ricos e tem
de criação
crescimento lento
o 4 a 5 semanas • Saúde pública – relação direta com
• Pode permanecer viável no meio doença ocupacional, mas o homem
ambiente pode se infectar através do leite
divisão Tuberculose em humanos
COMPLEXO MYCOBACTERIUM • Animais se infectam pela via
TUBERCULOSIS (CMT) respiratória, então a forma pulmonar
é a mais comum. Pode acontecer
• M. tuberculosis - TB humana
forma genital, cutânea,
• M. africanum - TB humana na África
transplacentária (raro)
• M. bovis (inclui BCG) - TB bovina
• M. microti - roedores • Homens podem se infectar oralmente
• M. canetti - variante do MT na ingerindo leite contaminado
Somália
• M. caprae - caprinos pinnipedii - Resistencia do M. bovis
leões marinhos
• O M. bovis é um microorganismo
MICOBACTÉRIAS NÃO TUBERCULOSAS
moderadamente resistente ao
(MOTT)
calor, dessecação e muitos
• MAIS desinfetantes. É prontamente
• MAP (M. avium paratuberculosis) destruído por luz direta ao menos que
• outras (M. leprae, saprófitas esteja em ambiente úmido.
Quando elas infectam o bovino, não • Química
causam doença, mas sensibilizam o o Fenol 5%
animal.
o Hipoclorito de sódio 1% - VIAS
pouca mat. Orgânica/ tempo
• Vias de transmissão: ar expirado,
prolongado
água, pastagem, fômites
o Glutaraldeído, formol =tempo
contaminados, leite (vaca transmite
prolongado
para o bezerro) e derivados crus
o lodo - altas concentrações
• Vias de infecção: respiratória e
o Ác. peracetico 0,35%
digestiva
(Middletonn et a1,1997)
• Via de eliminação: aerossóis, leite,
• Física fezes e urina
o Luz • Transmissão em humanos: contato com
o Autoclavação: 121°C por 15 o material, via oral (leite e derivados)
min e aerossóis – consumo e ocupacional
o Pasteurização lenta: 65°C
por 30 min. Patogenia
o Pasteurização rápida: 72 a
90% das infecções se dá por via respiratória.
74°C por 15-20 seg.
o Fervura Pelo aerossol, há invasão dos alvéolos
pelos bacilos. A primeira célula de defesa
vão ser os macrófagos residentes alveolares
Epidemiologia que vão capturar o patógeno. Ele vai tentar
• Espécies suscetíveis: homens, fazer a fusão fagolisossomo para destruir o
bovinos, bubalinos, suínos, caprinos, patógeno. Entretanto, ele é um parasita
ovinos, cães e gatos, equinos – gato, intracelular facultativo que vai conseguir
multiplicar dentro do macrófago, que vai ser
homem suíno: são susceptíveis ao m.
lisado e o M. bovis vai infectar outros
bovis
macrófagos. Alguns macrófagos vão
• Reservatórios: mamíferos silvestres
conseguir degradar o patógeno e vai haver
• Distribuição mundial migração de linfócitos e macrófagos. Com
o Maior prevalência em países isso, vai ter formação do granuloma no foco
desenvolvidos inicial. Os macrófagos vão se fundir para
o Erradicada ou em tentar sequestrar o patógeno para que ele
erradicação em alguns não se difunda para outras áreas do
países desenvolvidos organismo e vão forma células gigantes ou
células de Langherans. Os macrófagos que
FONTES DE INFECÇÃO conseguem efetuar sua função, vão
desencadear uma cadeia de resposta
• Diferenciar: animais doentes de celular.
animais infectados
Em torno de 4 a 6 semanas pós infecção
o Nos animais, o infectado vai
vai haver desenvolvimento de resposta
ter resposta de sensibilidade
imune, envolvendo linfócito T, para tirar
reide o animal vai ser
da circulação os macrófagos infectados.
descartado.
Nesse período é importante desenvolver
o Animais infectados nem
a hipersensibilidade retardada/tardia.
sempre possuem sinais cincos)
o Animais doentes Em seguida, ocorrer a destruição de tecidos
o Animais silvestres pelo próprio hospedeiro. Isso ocorre porque
• Homem o processo de infecção vai gerar compostos
que vão causar necrose das células do
hospedeiro. Além disso, vai haver
propagação do bacilo para o linfonodo. O apresentando uma necrose caseosa no
macrófago por via linfática vai para o seu núcleo.
linfonodo que drena aquela área e vai
formar um novo granuloma. Quando há dois A tuberculose pode ser considerada uma
granulomas, há complexo primário – um na doença crônica. A necrose no interior do
porta de entrada - e no outro linfonodos granuloma pode se tornar latente e,
que drenam essa região. posteriormente, pode ocorrer a reativação
e a ruptura desse granuloma vai
A partir da formação do granuloma, pode
acarretar com a liberação de novas
haver desaparecimento ou calcificação
bactérias ativas. Com a doença ativa
das lesões. Depende da virulência do
novamente e as bactérias circulantes, o
inóculo, ambiente do hospedeiro, sistema indivíduo infectado pode infectar outros
imune do hospedeiro, condições alimentares. hospedeiros susceptíveis. Por essa
Vai haver estabilização do processo em que
característica de latência que a
o M. bovis vai estar presente dentro do
Tuberculose precisa de um tratamento
granuloma e por queda de imune e outros
fatores, o bovino pode ter reinfecção bastante prolongada para ser efetivo.
endógena – latência. O processo da Isso favorece e complica a emergência de
doença pode ser miliar (formação de linhagens resistência aos antibióticos
granulomas por vários tecidos) ou
protraída (em um único órgão)
lesões Macroscópicas
• Coloração: amarelo em bovinos e
vai ser as capturas por macrófagos, fluxo de
branco em búfalos
mais macrófagos/linfócitos, multiplicação M.
bovis dentro dos macrófagos Ele dissemina • Tamanho: 1-3 cm de diâmetro
pela via linfática e hematógena • Centro da lesão: caseoso ou
calcificado
Esse gênero de bactérias não tem • Locais frequentes de lesão:
fatores de virulência específicos como linfonodo mediastinais, retrofaringeos,
toxinas, adesinas, capsulas. A entrada dos bronquiais, parotídeos, cervicais
microorganismos se dá pela mucosa inguinais superficiais e mesentérico.
brônquica ou intestinal. Nesse local, os Órgãos: pulmão e fígado
microorganismos são fagocitados por
macrófagos. Apesar disso, essas bactérias Sinais clínicos
são patógenos intracelulares que
É uma doença crônica de evolução lenta.
conseguem sobreviver e multiplicar
Pode ter animais que vão adoecer
dentro dos vacúolos os macrófagos. Esse tardiamente ou que não vão adoecer. Não
processo interfere na fusão da vesícula se pode dar diagnóstico clínico porque
fagocítica com o lisossomo. Em resposta a
as lesões iniciais e as que vão evoluir não
isso, ocorrem um sinal inflamatório, o
afetam os sinais clínicos do animal.
recrutamento e o acumulo de outros
macrófagos e leucócitos nesse local da Quando há sinais clínicos, grande parte do
infecção. Isso favorece a formação de um rebanho já está infectado.
granuloma que é uma lesão típica de uma Animais doentes: emagrecimento, hipertrofia
inflamação crônica. Com o acumulo desses ganglionar, dispneia, tosse seca
infiltrados das células inflamatórias, há a
Em estados avançados:
lesão primária da tuberculose. Essa lesão
pode ainda se desenvolver a um • Caquexia progressiva
tubérculo que é um granuloma maduro • Hiperplasia dos linfonodos superficiais
ou profundos
• Tosse seca curta e repetitiva aumentando e depois ela cai
• Dispneia porque os animais com lesão não
• Infertilidade – pode ter eliminação no respondem ao teste. Em torno de
sêmen 100 dias, começa a resposta
humoral e vai aumentando.
diagnóstico
o O diagnóstico sorológico é
• Clinico importante para animais importante para identificar os
com tuberculose na fase avançada animais que estão eliminando o
• Anátomo-Histopatológico: mycobacterium na propriedade.
importante para animais com • Pesquisar em vitro a presença de
tuberculose avançada interferon gama
o post mortem o Métodos indiretos pesquisam uma
• Métodos diretos resposta imunológica celular e
não sorológica
o Linfonodos mediastinais,
• Teste de rotina: teste de rotina é o
bronquiais, pulmonares, órgãos
primeiro teste de diagnostico para
com lesões caseosas,
brucelose ou tuberculose. Usualmente
mediastinais
é aplicado em grande número de
• Bacteriológico animais com condições sanitárias
o material refrigerado ou desconhecida para aquelas
congelado – acondicionar o enfermidades visando identificar
material em recipiente animais com suspeita de infecção
fechado.
o Confirmação infecção em diagnóstico
região onde não foi
comprovada anteriormente Teste indireto que vai medir a reação do
o Estudo de animais positivos no animal frente a presença do
teste tuberculínico, sem lesões Mycobacterium.
macroscópicas sugestivas
Tuberculinização: faz a tricotomia em
o Confirmação infecção em algumas áreas do animal (cervical ou
animais positivos de uma escapular). Inocula 0,1 ml de tuberculina de
propriedade considerada livre forma intradérmica. A pele é medida e 72
de tuberculose horas depois retorna a propriedade e vai
o Pesquisa de Mycobacterium medir o aumento da espessura da pele.
em lesões sugestivas Sempre fazer tricotomia nas regiões da
encontradas na inspeção post mesma cor.
mortem de animais criação
TESTE CERVICAL SIMPLES
monitoradas para tuberculose
o Pesquisa em amostra de POA Vai usar a tuberculina derivado protéico
o Necropsias de animais com derivado do M. bovis. Se der inconclusivo,
reações inespecíficas com esperar 60 dias e rever. Interpretação do
lesões sugestivas de teste cervical simples:
tuberculose
• Teste molecular
o mais laborioso
• ELISA
o em torno de 4 semanas a reação
de hipersensibilidade vai
CERVICAL COMPARADO
Usa proteína produzida de uma amostra de
M. bovis e M. avium. Ele é conclusivo
porque elimina reações inespecíficas
(Animais sensibilizados com Mycobacterium
que não as do complexo tuberculosos. Essas
outras estão mais associadas ao M. avium).
Isso aumenta a especificidade do teste
porque o aumento da pele vai ser maior no
ponto que inoculou o M. avium do que o M.
bovis. Isso quer dizer que o animal estava
sensibilizado por outra mycobacterium e
não tinha sido infectado com
Mycobacterium bovis
Faz a diferença entre as reações ao PPD
Bovino e o Aviário. Se der acima de 2,0 a
3,9 são animais inconclusivos e acima de 4
o animal é positivo. Pode-se refazer o teste
em animais inconclusivos. Após 60 dias
devem ser feito o teste de novo e se der
inconclusivo deve-se eutanasiar o rebanho.
TESTE DA PREGA CAUDAL
Teste de monitoramento de gado de corte.
É feita em um número de animais. Se eles
derem negativos, a propriedade é
monitorada livre porque não fez o teste em
todos os animais. Esse teste é menos
específico. É de triagem.
Interpretação: avaliação visual e
palpação;
• Animal reagente: qualquer aumento
na prega inoculada.
• Não reagente: ausência de qualquer
reação no local da aplicação.