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Transmissãodecalor

O documento é um livro intitulado 'Transmissão de Calor – Uma Abordagem Teórico-Prática', escrito por Marta e Miguel Oliveira Panão, que aborda os princípios da transmissão de calor, incluindo condução, convecção e radiação. O conteúdo é estruturado em partes que detalham cada mecanismo de transferência de calor, com exemplos práticos e exercícios. A obra é publicada pela Quântica Editora e é parte da coleção 'Bases de Engenharia'.

Enviado por

Jeferson Coletto
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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O documento é um livro intitulado 'Transmissão de Calor – Uma Abordagem Teórico-Prática', escrito por Marta e Miguel Oliveira Panão, que aborda os princípios da transmissão de calor, incluindo condução, convecção e radiação. O conteúdo é estruturado em partes que detalham cada mecanismo de transferência de calor, com exemplos práticos e exercícios. A obra é publicada pela Quântica Editora e é parte da coleção 'Bases de Engenharia'.

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TRANSMISSÃO

DE CALOR
UMA ABORDAGEM TEÓRICO-PRÁTICA

MARTA OLIVEIRA PANÃO


MIGUEL OLIVEIRA PANÃO
AUTORES
Marta Oliveira Panão
Miguel Oliveira Panão

TÍTULO
TRANSMISSÃO DE CALOR – UMA ABORDAGEM TEÓRICO-PRÁTICA

EDIÇÃO
Quântica Editora – Conteúdos Especializados, Lda.
Tel. 220 939 053 . E-mail: geral@[Link] . [Link]
Praça da Corujeira n.o 38 . 4300-144 PORTO

CHANCELA
Engebook – Conteúdos de Engenharia

DISTRIBUIÇÃO
Booki – Conteúdos Especializados
Tel. 220 104 872 . Fax 220 104 871 . E-mail: info@[Link] . [Link]

REVISÃO
Quântica Editora – Conteúdos Especializados, Lda.

DESIGN DE CAPA
Delineatura – Design de Comunicação . [Link]

IMPRESSÃO
outubro, 2021

DEPÓSITO LEGAL
489600/21

A cópia ilegal viola os direitos dos autores.


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A reprodução desta obra, no todo ou em parte, por fotocópia ou qualquer outro meio, seja eletrónico, mecânico ou
outros, sem prévia autorização escrita do Editor e do Autor, e ilícita e passível de procedimento judicial contra o infrator.

Por opção dos autores, este livro não segue o novo Acordo Ortográfico de 1990.

CDU
536 Calor. Termodinâmica. Física estatística
536.2 Condução de calor. Transferência de calor

ISBN
Papel: 9789899017719
E-book: 9789899017726

Catalogação da publicação
Família: Bases de Engenharia
Subfamília: Outros
Índice

Prefácio xi

1 Introdução à Transmissão de Calor 17


1.1. Condução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
1.2. Convecção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
1.3. Radiação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
1.4. Os 4C na abordagem de problemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
1.5. Primeiros passos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
1.6. Exemplos de aplicação dos mecanismos de transmissão de calor . 25
1.7. Noções práticas da Matemática aplicadas à Física . . . . . . . . . 32
1.8. EXERCÍCIOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35

I Parte - CONDUÇÃO 39

2 Introdução à Condução de Calor 41


2.1. Acumulação de energia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
2.2. Trocas de calor na fronteira e geração interna de energia . . . . . 43
2.3. Simplificações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
2.4. Condições fronteira e inicial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
2.5. Análise escalar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
2.6. EXERCÍCIOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54

3 Condução de Calor Uni-Dimensional 59


3.1. Análogo eléctrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
3.2. Paredes compostas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68
3.3. Resistência de contacto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72
3.4. Sistemas cilíndricos e esféricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74
3.5. Raio crítico de isolamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75
3.6. Efeitos 2D e 3D . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77
3.7. EXERCÍCIOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80

vii
Transmissão de Calor - Uma Abordagem Teórico-Prática
4 Condução de Calor Transiente 85
4.1. Número de Biot . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86
4.2. Dimensão característica na análise de Biot . . . . . . . . . . . . . . 87
4.3. Método da capacitância global . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88
4.4. Soluções aproximadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95
4.5. EXERCÍCIOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100

II Parte - CONVECÇÃO 103

5 Introdução à Convecção de Calor 105


5.1. Regimes de escoamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112
5.2. Número de Nusselt . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117
5.3. Relação entre transmissão de calor e mecânica dos fluidos . . . . . 117
5.3.1. Quando a camada limite térmica é espessa, δ  δt . . . . 120
5.3.2. Quando a camada limite térmica é fina, δ  δt . . . . . . 122
5.4. EXERCÍCIOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 128

6 Convecção Forçada em Escoamentos Exteriores 133


6.1. Escoamento sobre placa plana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134
6.2. Escoamento em torno de um cilindro . . . . . . . . . . . . . . . . . 140
6.3. Escoamento em torno de esferas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 143
6.4. EXERCÍCIOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 144

7 Convecção Forçada em Escoamentos Interiores 147


7.1. Hidrodinâmica do escoamento no interior de um tubo . . . . . . . . 147
7.1.1. Perfil de velocidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 149
7.1.2. Gradiente de pressão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152
7.1.3. Factor de atrito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152
7.2. Transmissão de calor em escoamentos interiores . . . . . . . . . . . 155
7.2.1. Temperatura média . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 156
7.2.2. Análise das condições de escoamento totalmente desen-
volvido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 157
7.3. Balanço de energia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 158
7.4. Correlações empíricas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 161
7.4.1. Regime laminar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 161
7.4.2. Região de entrada em regime laminar . . . . . . . . . . . . 166
7.4.3. Regime turbulento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167
7.4.4. Tubos de secção não-circular . . . . . . . . . . . . . . . . . 174
7.5. EXERCÍCIOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 175

viii
Índice

8 Convecção Natural 179


8.1. Forças de impulsão na origem da convecção natural . . . . . . . . 179
8.2. Análise escalar às equações de conservação . . . . . . . . . . . . . 182
8.2.1. Convecção e condução pura . . . . . . . . . . . . . . . . . . 182
8.2.2. Conservação de massa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 183
8.2.3. Conservação de energia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 183
8.2.4. Conservação de quantidade de movimento . . . . . . . . . . 185
8.3. Convecção natural em regime laminar numa parede vertical . . . . 188
8.4. Correlações empíricas em convecção natural . . . . . . . . . . . . . 191
8.4.1. Regime do escoamento em convecção natural . . . . . . . . 192
8.4.2. Convecção natural exterior . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 192
8.4.3. Cilindros e esferas concêntricas . . . . . . . . . . . . . . . . 199
8.5. EXERCÍCIOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 200

III Parte - RADIAÇÃO 203

9 Radiação de Calor 205


9.1. Conceitos fundamentais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 205
9.2. Intensidade de radiação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 207
9.3. Radiação de corpo negro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 210
9.4. Emissividade, absortividade, reflectividade e transmissividade . . . 216
9.5. Lei de Kirchhoff . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 216
9.6. Fracção de radiação de corpo negro . . . . . . . . . . . . . . . . . . 220
9.7. Radiação ambiental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 227
9.8. EXERCÍCIOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 229

10 Trocas de Energia por Radiação entre Superfícies 231


10.1. Factores de forma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 231
10.2. Trocas de calor por radiação de corpo negro . . . . . . . . . . . . . 236
10.2.1. Trocas de calor por radiação entre superfícies opacas, cin-
zentas e difusas numa cavidade . . . . . . . . . . . . . . . . 237
10.2.2. Trocas de calor por radiação entre superfícies . . . . . . . 238
10.3. Redes radiativas lineares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 244
10.4. Transferência de calor combinada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 247
10.5. EXERCÍCIOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 248

ix
Transmissão de Calor - Uma Abordagem Teórico-Prática

IV Parte - APLICAÇÕES 251

11 Permutadores de Calor 253


11.1. Balanço de energia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 254
11.2. Método da diferença de temperatura média logarítmica . . . . . . . 255
11.3. Método ε-NTU . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 261
11.4. EXERCÍCIOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 267

12 Tópicos Avançados e Aplicações 269


12.1. Escoamento sobre feixes de tubos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 269
12.2. Jactos incidentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 278
12.2.1. Jactos circulares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 279
12.2.2. Jactos em fenda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 280
12.3. Convecção natural entre canais de placas paralelas . . . . . . . . . 281
12.4. Convecção natural em cavidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 283

ANEXOS

Anexo A Deduções 289


A.1. Dedução da distribuição de temperatura num tubo . . . . . . . . . 289
A.2. Dedução da distribuição de temperatura numa camada esférica . . 290
A.3. Dedução da solução analítica normalizada: condução transiente . . 292
A.4. Dedução da variação de temperatura do fluido num escoamento
interior . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 295
A.5. Dedução de Tm (x) no interior de tubos . . . . . . . . . . . . . . . . 295
A.6. Dedução de ε = 1 − exp(−NTU) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 301

Anexo B Elementos Auxiliares da Radiação 305

Anexo C Tabelas de Propriedades Termofísicas 311

Anexo D Formulário de Transmissão de Calor 315

Bibliografia cccxxvii

Índice de Figuras cccxxix

Índice de Tabelas cccxxxiii

Índice Remissivo cccxxxv

x
Capítulo 1

Introdução à Transmissão de Calor

A transmissão de calor está presente em muito daquilo que faz parte do nosso
quotidiano. Basta pensar na razão de colocarmos tapetes numa casa de banho
para não sentirmos os pés frios, ou quando sopramos sobre o dedo depois de nos
termos queimado num pirex saído do forno, ou ainda o conforto térmico sentido num
dia de Inverno com Sol e céu limpo. Associados a estes momentos do dia-a-dia
estão diversos elementos que fazem parte da “linguagem” da transmissão de calor.
Se tivermos dois copos iguais e os enchermos com água em quantidade dife-
rente, visualmente, conseguimos perceber qual o copo que tem mais água porque a
altura é maior nesse quando comparado com o outro. Ora, se houver um pequeno
tubo na base que ligue os dois copos, a água fluirá no sentido daquele que tem
mais para o que tem menos. A esta simples experiência designamos, comummente,
por vasos comunicantes. Por analogia, a energia está para a quantidade de água,
como a altura está para a temperatura. Assim, um sistema que tem uma tempe-
ratura maior revela ao observador que tem mais energia. E se houver um canal
comunicante (mecanismo de transmissão de calor), essa energia fluirá dos sistemas
que têm mais energia para os que têm menos. Considerando agora um outro ponto
de vista, se os copos tiverem a mesma quantidade de água, será que têm a mesma
energia?
Pensemos nos momentos em que fazemos um chá. Fervemos água, colocamo-la
num bule e dentro desse as saquetas de chá. O que acontece fisicamente? Experi-
mentemos com dois copos de vidro. Num colocamos água à temperatura ambiente
e noutro a água fervida. Depois, simultaneamente, coloquemos as saquetas de chá
e observemos. No copo com água quente a coloração típica do chá difunde-se pela
água. No outro caso, com água à temperatura ambiente, também existe difusão
mas essa acontece muito lentamente. Porquê?
A temperatura é uma propriedade intrínseca à matéria que está, microscopi-
camente, associada, neste exemplo, ao movimento das moléculas de água. Assim,

17
1. Introdução à Transmissão de Calor

10

y(x)
5 ∫0 y(x)dx, com L = 1

Somar as áreas de todos os traços


entre 0 e 1 é integrar
0
0 0.2 0.4 0.6 0.8 1.0

x
Figura 1.5. Área total da função geral y(x) se somarmos/integrarmos todos os
traços/áreas infinitesimais numa determinada gama de integração (de 0 a L = 1).

10
y·L, com L = 1

L
y(x)

5 y·L = ∫0 y(x)dx
y é o valor médio de y
que multiplicado por L faz a
equivalências entre as áreas.
0
0 0.2 0.4 0.6 0.8 1.0

x
Figura 1.6. Equivalência entre a área total com a “forma” definida pelo traço da função
geral y(x) e a área de um rectângulo em que um dos lados corresponde à gama de
integração e a altura ao valor médio.

Daí que valores médios em Física obtidos como médias temporais, espaciais ou em
temperatura se obtenham, em geral, e de acordo com o exemplo anterior como
Z
1 L
y= y(x)dx
L 0
Um outro exemplo prático relacionado com a transmissão de calor pode ser o
cálculo da quantidade de energia perdida por unidade de área de uma placa
00 ) entre uma situação inicial em que a temperatura é função quadrática
vertical (Esai
T (x) = a + bx + cx 2 , e uma situação final em equilíbrio térmico com o ambiente a
T∞ . Entre os dois instantes, a placa varia a sua energia interna, libertando calor
para o meio ambiente,
∆U = Uf − Ui = −Esai
mas no instante inicial, U(t = 0) = Ui , como a variação da temperatura não
é linear, significa que a energia interna não é a mesma em todas as posições,

33
PARTE I

CONDUÇÃO
Capítulo 2

Introdução à Condução de Calor

Na condução de calor percepcionamos um certo princípio de solidariedade na


natureza: uma porção de matéria que tem mais energia transmite-a a outra que tem
menos através de difusão molecular. Este princípio está particularmente presente
neste modo de transmitir o calor.
A nossa percepção da realidade envolve quatro dimensões: três espaciais e uma
temporal. Quando pretendemos caracterizar e explicar os fenómenos de transmissão
de calor por condução da energia pela matéria, essa percepção espaciotemporal
torna-se relevante. O mecanismo subjacente à transmissão de calor por condução é
a difusão molecular, como foi mencionado anteriormente, e a consequência prática
reflecte-se na forma como a temperatura evolui (varia com o tempo) e se distribui
(varia no espaço) num determinado meio, mediante as trocas de energia na fronteira.
Assim, um primeiro passo para compreender e explicar a condução de calor seria
fazer uma análise às trocas de calor num sistema através de um balanço de energia
de acordo com a primeira Lei da Termodinâmica.
O balanço de energia de um sistema consiste no equilíbrio entre a forma como
a energia varia ao longo do tempo no interior do sistema e as trocas de calor que
ocorrem na fronteira, mais a possível geração ou consumo interno de energia por
diversos tipos de transformação da mesma (ver Fig. 2.1.). Um exemplo de geração
interna de energia são as placas de indução que usamos na cozinha. Se o fundo da
panela contiver um material com propriedades ferromagnéticas, o campo magnético
induzido por uma corrente eléctrica na placa de indução, induzirá, por sua vez, uma
corrente eléctrica no fundo da panela que resulta na dissipação de calor por efeito
de Joule.
Em termos matemáticos, a evolução da energia no interior do sistema ao longo
do tempo descreve-se por – dE dt – em que dE corresponde a uma ínfima variação
de energia que ocorre num ínfimo intervalo de tempo dt, daí a referência a este
termo como taxa de variação de energia, onde a palavra taxa refere-se à variação

41
2. Introdução à Condução de Calor

Condição-fronteira de temperatura uniforme


Implica considerar que a temperatura à superfície (fronteira) em x = xs mantém-se
inalterada e uniformemente distribuída na direcção x ao longo do tempo, indepen-
dentemente dos fluxos de calor trocados, logo, T (xs , t) = Ts .

Condição-fronteira de fluxo de calor uniforme


Implica que numa dada superfície (fronteira), por exemplo x = xs , o calor transmi-
tido por difusão no material iguala o que está a ser imposto, expressando-se como
−k dT 00
dx x=xs = qs .

Condição-fronteira de superfície isolada


Implica, na prática, que o fluxo de calor nessa superfície (fronteira) é nulo. É o que
designamos por fronteira adiabática ou, por vezes, condição de simetria térmica.
Logo, assumindo que essa se encontra em x = xs , o gradiente de temperatura
expressa-se como dT dx x=xs = 0.

Exemplo 2.1. Equação geral da condução de calor e condições-fronteira

Uma placa rectangular de comprimento L e altura W desliza por uma rampa


com uma velocidade → −u . A fricção sobre a rampa resulta na imposição de um
fluxo de calor uniforme, q000 , nessa superfície. Os lados da frente e de topo
estão sujeitos a trocas de calor por convecção, h, com o ar ambiente (T∞ ).
As trocas de calor no lado de trás são desprezáveis, logo, considera-se que
a superfície está isolada.
Escreva a equação da condução bi-dimensional em regime permanente para
este caso, bem como as relações para as condições-fronteira.

RESOLUÇÃO

ESQUEMA
ISOL
ADO

47
Capítulo 3

Condução de Calor
Uni-Dimensional

O calor escoa em todas as direcções, mas existem diversas situações em que


flui preferencialmente numa direcção. Pode ser ao fluir através da parede de
um edifício, composta por vários elementos ou do interior para o exterior de um
longo tubo na direcção radial. Se o mecanismo de transmissão de calor for a
difusão, significa que flui mais numa direcção do que em todas as outras, abrindo-
se a possibilidade de estabelecer uma analogia com o que acontece num circuito
eléctrico, dando origem à ferramenta que designamos por análogo eléctrico para a
condução uni-dimensional a explorar neste capítulo.
Como vimos no primeiro capítulo, a temperatura é uma forma indirecta de
avaliar a quantidade de energia num determinado volume de material. Logo, quanto
maior for a temperatura, maior a quantidade de energia. Se numa determinada
direcção, ao fim de um certo comprimento, o material contiver menos energia
e, consequentemente, a sua temperatura for menor, significa existir potencial de
o calor fluir por difusão ao longo dessa direcção. Nesse percurso, mediante a
capacidade do material em conduzir o calor, assim varia a resistência que a energia
“encontra” enquanto flui. A analogia está na diferença de temperatura positiva como
uma diferença de potencial, o fluir do calor como uma intensidade de corrente, e
as propriedades, geometria do material ou coeficientes de transmissão de calor por
convecção, como resistências à sua transferência. Mas existem alguns pressupostos
relacionados com o desenvolvimento da ferramenta do análogo eléctrico.
Na maior parte das aplicações que podemos analisar em transmissão de calor
por condução é comum encontrar as seguintes quatro condições:
∂T
1. o regime é permanente → ∂t =0

2. não existe taxa de geração interna de energia → q000


g =0

59
3. Condução de Calor Uni-Dimensional

ESQUEMA

vidro filme aquecedor

exterior interior

PRESSUPOSTOS

1. Condução uni-dimensional

2. Regime permanente

3. Propriedades constantes

4. Sem taxa de geração interna de energia

ANÁLISE
Considerando o análogo eléctrico representado no esquema, o nodo de tem-
peratura relativa à superfície interior do vidro (Ts,i ) tem uma “entrada” adici-
onal de energia através do filme fino resistivo. Logo, o fluxo de calor trocado
entre a superfície interior do vidro e o ar ambiente exterior (q00e ) inclui as
trocas de calor por convecção com o ar ambiente interior (q00i ) e o contributo
adicional do filme resistivo (q00f ), expressando-se como

q00f + q00i = q00e

Considerando as resistências térmica unitárias (por se desconhecer a área do


vidro) associadas a todos os mecanismos de transmissão de calor envolvidos:
00 1 00
− Rt,∞,i = hi resultando em Rt,∞,i = 0.067 m2 K /W
00 = L 00 = 0.003 m2 K /W
− Rt,v k resultando em Rt,v

67
Capítulo 4

Condução de Calor Transiente

Quando as trocas de calor na fronteira são de tal modo assimétricas que geram uma
variação da energia acumulada num material, inicia-se um processo de transmissão
de calor por difusão até se encontrar um novo estado de equilíbrio. Esse processo
designa-se por condução de calor em regime transiente e o estudo desse regime
é o objectivo deste capítulo. Porém, convém partir do conhecimento adquirido em
capítulos anteriores para entender o modo como abordamos a condução de calor
neste regime.
Numa grande parte dos casos analisados em transmissão de calor, o balanço
de energia ocorre numa interface definida entre um sólido e um escoamento, ou
seja, trata-se de um balanço definido pelo equilíbrio entre as trocas de calor
por condução e por convecção. Se considerarmos o caso em que o regime é
permanente e não há taxa de geração interna de energia, na prática, a potência
térmica trocada por difusão no lado do material equilibra com a potência térmica
trocada por convecção no lado exterior ao material. Assim, independentemente do
sentido do fluxo,
qcond = qconv
Aplicando a este balanço a Lei de Fourier entre dois pontos, um no interior do
material (1) e outro correspondente à interface (2) com o fluido, e a Lei de Newton
entre a interface (2) e o meio exterior (∞), manipulando matematicamente a relação
e isolando num dos membros tudo o que diz respeito às diferenças de temperatura,
obtém-se
L

Ts,2 − Ts,1 Ts,2 − Ts,1 kA Rcond hL
−kA = hA(Ts,2 − T∞ ) ⇔ = 1= = = Bi
L Ts,2 − T∞ hA
Rconv k

em que Bi corresponde ao número adimensional de Biot.

85
4. Condução de Calor Transiente

geometria e outra tabela contendo os valores de ζ1 e C1 em função do Biot para


cada uma das três geometrias principais.
A Tabela 4.1. sintetiza: i) a variável adimensional δ relativa à posição em cada
geometria; ii) a função da posição S(ζ1 δ) também para cada geometria, e, por fim;
iii) a formulação da relação entre a energia trocada ao fim de um determinado
instante, Q(t), e a máxima que seria possível trocar, Qmax , como está expresso na
Eq. (4.6).

Tabela 4.1. Relações para a posição adimensional, a função dessa posição e para a
energia trocada relativa à máxima para as três geometrias fundamentais.


Placa plana Cilindro longo - raio R0 Esfera - raio R0
δ X = x/Lc R = r/R0
S(ζ1 δ) = cos(ζ1 δ) = J0 (ζ1 δ) = ζ11δ sin(ζ1 δ)
Q(t) ∗ Fo)

Qmax =1− sin(ζ1 ) ∗


ζ1 θ (0, Fo) = 1 − 2θ (0,
ζ1 J1 (ζ1 ) = 1 − 3θ (0,
ζ

Fo) [sin(ζ ) − ζ cos(ζ )]
3
1
1 1 1


Se L for a espessura da placa, Lc = L/2 caso as condições fronteira seja iguais de ambos os
lados e Lc = L se um dos lados corresponder à condição de simetria.

Exemplo 4.2. Exemplo de aplicação do método das soluções aproximadas

Os nossos avós sempre disseram que para cozer um ovo seria necessário
tê-lo 10 min dentro de água a ferver (T∞ = 98◦ C ). Será? O que se sabe da
literatura é que um ovo está bem cozido quando o centro equivalente atingir
a temperatura de T (0, t) = 70◦ C . O coeficiente de convecção em torno do
ovo considera-se uniformemente distribuído e igual a h = 430 W · m−2 K −1 .
Assumindo que a forma do ovo se aproxima à de uma esfera com um diâmetro
de D = 5 cm e que as propriedades do ovo são k = 0.63 W · m−1 K −1 e
α = 0.254 × 10− 6 m2 /s. Inicialmente o ovo encontra-se à temperatura
ambiente de T (r, 0) = 16◦ C .

RESOLUÇÃO

DADOS
Geometria e propriedades do ovo
− Diâmetro aproximado de uma esfera: D = 5 × 10−2 m
− Condutibilidade térmica: k = 0.63 W · m−1 K −1

97
PARTE II

CONVECÇÃO
Capítulo 5

Introdução à Convecção de Calor

Nas trocas de calor por convecção, o mecanismo associado ao transporte de energia


depende da interacção entre uma superfície e o movimento de um fluido (líquido ou
gasoso) sobre essa. Este é um modo de transmissão de calor onde a transmissão
de calor se interliga com a mecânica dos fluidos e a termodinâmica.
A Fig. 5.1. ilustra como a condição de continuidade à superfície (y = 0)
exige que a velocidade possua o mesmo valor que a velocidade da superfície, ou
seja, um valor nulo, u(y = 0) = 0 m/s, o que se designa por condição de não-
escorregamento. A partir dessa posição (y > 0), por forças associadas a uma
tensão de corte, a velocidade do fluido varia de modo não linear desde a condição
de não-escorregamento até ao valor de u∞ , a uma distância tal que iguala o
valor da velocidade do escoamento sem a perturbação induzida pela presença da
superfície.

TENSÃO DE CORTE

CONDIÇÃO DE NÃO-ESCORREGAMENTO

Figura 5.1. Ilustração de um perfil de velocidades numa superfície Ts que troca calor com
os escoamento com o detalhe à superfície relativo à condição de não-escorregamento.

105
5. Introdução à Convecção de Calor

obtido pela equivalência entre a área correspondente à variação de h(x) em x e


uma área rectangular. Ou seja, somando todas as áreas infinitesimais, h(x)dx,
integrando (que é esse o significado de um integral) entre a posição inicial que,
neste caso, consideramos x = 0, e a posição final, x = L, o que resulta em
RL
0 h(x)dx equivalente à área hL, de tal modo que

Z L
1
h= h(x)dx (5.3)
L 0

A variação local do coeficiente de convecção depende muito do regime de escoa-


mento, argumento que iremos considerar na próxima secção.

Exemplo 5.1. Comparação entre o coeficiente de convecção local e médio

Considere um caso de convecção numa parede vertical aquecida em que o


coeficiente de transmissão de calor por convecção local pode ser expresso
como
hx = C x −1/4
A variável x corresponde à distância a partir do início da camada limite
na superfície e a quantidade C , que depende das propriedades do fluido, é
independente de x. Obtenha uma expressão para a razão hhxx , onde hx é o
coeficiente médio entre a extremidade em x = 0 e uma posição arbitrária
x. Ilustre a variação de hx e hx com x.

RESOLUÇÃO

ESQUEMA

Camada Limite

C é uma constante

109
Capítulo 6

Convecção Forçada em
Escoamentos Exteriores

Quando o movimento do fluido sobre a superfície de um material inclui trocas de


calor na interface entre os dois, estamos na presença de um mecanismo de trans-
missão de calor por convecção forçada. Este capítulo explora quando a convecção
forçada ocorre em escoamentos exteriores, ou seja, não confinados. A forma de
quantificar essas trocas de calor recorre frequentemente a correlações empíricas
provenientes de diversos trabalhos experimentais. Assim, existem cinco passos
essenciais para saber qual a correlação correcta a usar.

1. Identificar bem a geometria do escoamento. As geometrias principais referem-


se a escoamentos sobre uma placa plana, em torno de um cilindro ou esfera.
Outras geometrias possíveis, embora de maior complexidade, são, por exem-
plo: escoamentos por meio de um feixe de tubos, como existem nos sistemas
de climatização; ou jactos incidentes, como nos sistemas de termorregulação
da temperatura em superfícies.

2. Avaliar bem a temperatura a que se deve estimar as propriedades do fluido


em movimento. Em alguns casos será a temperatura média entre a superfície
e o escoamento livre. Noutros casos, dependendo da forma como a correlação
foi construída, poderá ser a temperatura do escoamento. Em geral, assume-
se que as propriedades são constantes no interior da camada limite.

3. Verificar os domínios de validação das correlações. Ou seja, saber que


a aplicação das correlações depende de números adimensionais e que os
valores que assumem esses números para os casos em estudo devem estar
dentro dos intervalos para os quais a correlação foi desenvolvida.

133
6. Convecção Forçada em Escoamentos Exteriores

PONTO DE
PONTO DE ESTAGNAÇÃO SEPARAÇÃO

ESTEIRA
CAMADA
LIMITE
Figura 6.1. Ilustração do escoamento em torno de um cilindro.

tem como dimensão característica o diâmetro do cilindro (D),

u∞ D
ReD =
ν

em que ν corresponde à viscosidade cinemática do fluido que escoa à temperatura


do escoamento livre (T∞ ). Aliás, importa novamente realçar que, todas as propri-
edades do fluido que escoa são determinadas a uma temperatura que depende do
tipo de correlação usada.
Neste escoamento há um ângulo θ a partir do qual ocorre uma separação da
camada limite de um regime laminar para um regime turbulento que depende de
ReD .
(
Para ReD ≤ 2 × 105 , θsep ≈ 80◦
Para ReD > 2 × 105 , θsep ≈ 140◦

No que diz respeito às correlações empíricas que nos permitem obter o coeficiente
de transmissão de calor por convecção médio a partir de Nusselt, uma das mais
usadas provém do trabalho de Hilpert [4]

NuD = C · Rem
D Pr
1/3
(6.7)

em que NuD = hD kf , sendo válida para Pr≥ 0.7, com C e m a depender da gama
de Reynolds (ver Tab. 6.2.) e as propriedades obtidas à temperatura média entre
a superfície e o filme.
Existem ainda duas outras correlações para escoamento em torno de cilindros.
A correlação de Zukauskas [5] que se escreve como
 1/4
Pr
NuD = C Rem
D Pr
n
(6.8)
Prs
141
Capítulo 7

Convecção Forçada em
Escoamentos Interiores

7.1. Hidrodinâmica do escoamento no interior de um tubo

Quando um escoamento se desenvolve no interior de um canal, a camada limite


começa desde a entrada a evoluir em todo o perímetro do canal e, a partir de
uma determinada distância, não se desenvolve mais. Esta distância designa-se
por região de entrada, como ilustrado na Fig. 7.1. A partir do final da região de
entrada, a camada limite está totalmente desenvolvida (td) – xtd .

Camada Limite Superfície


Cone com u = cte.
Potencial
Região de Escoamento
Entrada Totalmente
Desenvolvido

Camada
Limite

em regime
laminar

Figura 7.1. Ilustração do desenvolvimento do escoamento no interior de um tubo.

147
7. Convecção Forçada em Escoamentos Interiores

T (r, x). Assim, a potência térmica associada à entalpia em cada secção do canal
Z
ṁh = ṁcp Tm = ρu(r, x)cp T (r, x)dAs ⇔
As

Z R0 Z R0
ρ cp ρ2
 π
Tm = u(r, x)T (r, x)(2πr)dr = u(r, x)T (r, x)rdr ⇔
ṁcp 0 ρu
 mπR02 0
Z R0
2
Tm = u(r, x)T (r, x)rdr (7.16)
um R02 0

Usando a temperatura média, podemos definir a Lei de Newton para quantificar o


fluxo de calor em cada secção do escoamento no interior do tubo como

q00s = h(T (R0 , x) − Tm )

Figura 7.5. Ilustração das grandezas envolvidas na aplicação simplificada da Lei de


Newton a uma secção do tubo.

7.2.2. Análise das condições de escoamento totalmente desenvolvido


Em primeiro lugar consideramos uma diferença de temperatura normalizada por
uma diferença que envolve a temperatura média na secção do tubo ao longo do
mesmo na direcção do escoamento.

T
z }|s {
T (R0 , x) −T (r, x)
θ ∗ (r, x) =
T (R0 , x) − Tm (x)
Considera-se um escoamento totalmente desenvolvido termicamente quando
( ∗
∂θ
∂x = 0
∂θ ∗ 1 ∂T
∂r = Ts −Tm ∂r

157
Capítulo 8

Convecção Natural

Na convecção forçada, o mecanismo responsável pelo escoamento distinguia, ma-


tematicamente, o transporte do fluido da transmissão de calor para os relacionar.
No caso de escoamentos associados a fenómenos “naturais” gerados por forças de
impulsão de natureza gravítica, e de variações da massa volúmica, essa relação
matemática é intrínseca. Por isso, para compreendermos o fenómeno de convecção
natural será necessário entender a origem das forças de impulsão geradas.

8.1. Forças de impulsão na origem da convecção natural


Qualquer escoamento é gerado por forças, pelo que o melhor modo de compreen-
der a sua origem será por análise da relação da conservação de quantidade de
movimento. No caso das forças de impulsão, dada a sua natureza gravítica, essa
relação corresponde à que tem a mesma direcção que a da gravidade (x) avaliada
em regime permanente,

∂u ∂u 1 ∂p∞ ∂2 u
u +v =− −g+ν 2 (8.1)
∂x ∂y ρ ∂x ∂y

A Fig. 8.1. ilustra que na posição correspondente à espessura da camada limite


hidrodinâmica δ, a velocidade é a mesma que a do ambiente em repouso, ou seja,
nula: u = 0. Assim, em y = δ a Eq. (8.1) para a conservação da quantidade de
movimento simplifica-se e traduz uma relação entre o gradiente de pressão e as
forças gravíticas
1 dp∞ dp∞
0=− −g⇔ = −ρ∞ g
ρ∞ dx dx
179
Transmissão de Calor - Uma Abordagem Teórico-Prática

Cilindro interior
ou Esfera

Padrão do Cilindro exterior


Escoamento ou Esfera

Figura 8.6. Ilustração bidimensional do escoamento por convecção natural em cilindros ou


esferas concêntricas.

Tabela 8.2. Correlações empíricas para cavidades cilíndricas e esféricas.

Geometria Rt [K/W] kef /k Comprimento Gama de


característico validação
 1/4
ln(Re /Ri ) Pr 2[ln(Re /Ri )]4/3
Cilíndrica 0.386 Ra1/4
c Lc = 0.7 ≤ Pr ≤ 6000
2πLkef 0.861+Pr (Ri−3/5 +Re−3/5 )5/3
Rac ≤ 107
 4/3
1 1  1/4 1 1
Ri − Re Pr Ri − Re
Esférica 4πkef 0.74 Ra1/4
s Ls =  5/3 0.7 ≤ Pr ≤ 4000
0.861+Pr 21/3 Ri−7/5 +Re−7/5
Ras ≤ 104
Caso kkef < 1, então, faz-se kef = k, e k corresponde à condutibilidade térmica do
fluido à temperatura média entre o interior e o exterior, respectivamente,Ti e Te .

8.5. EXERCÍCIOS

Ex8.1. Uma parede vertical fina com H = 0.4 m está sujeita a um fluxo de
calor uniformemente distribuído de um lado. Do lado oposto troca calor por
convecção natural com um ar ambiente a T∞ = 10◦ C e uma envolvente à
mesma temperatura (Tenv = T∞ ). Sabendo que a emissividade da superfície
é de ε = 0.7 e que a temperatura no ponto médio é de Ts = 40◦ C ,
determine o fluxo de calor.
Solução: q00 = 243.5 W /m2 .

200
PARTE III

RADIAÇÃO
Capítulo 9

Radiação de Calor

9.1. Conceitos fundamentais


O calor transmite-se por radiação através da propagação de ondas electromagné-
ticas cujo comprimento de onda depende da velocidade da luz (c = 2.998×108 m/s)
e da frequência, ν

c
λ= (9.1)
ν
A radiação térmica associa-se a uma gama de comprimentos de onda entre 0.1µm
e 100µm. Esse espectro inclui uma parte da radiação ultra-violeta (UV), toda a
gama da radiação visível e, ainda, a radiação infravermelha. Pelo facto de uma
superfície emitir simultaneamente radiação nos diversos comprimentos de onda,
atribui-se-lhe o que se designa por distribuição espectral. Se essa distribuição
de intensidade de radiação depender da direcção, a sua descrição torna-se mais
complexa. De qualquer modo, nesta fase, importa interiorizar alguns conceitos
fundamentais, começando pelos diferentes fluxos de calor radiativos e respectiva
nomenclatura.

− Fluxo de calor emitido por radiação (E)

Fluxo de calor (W/m2 ) emitido por uma superfície em toda a gama de


comprimentos de onda e todas as direcções. Obtém-se usando a Lei
de Stefan-Boltzmann E = εσ Ts4 em que ε corresponde à emissividade
da superfície e σ à constante de Stefan-Boltzmann cujo valor é de
5.67 × 10−8 W · m−2 K −4 .

− Irradiação (G)

205
9. Radiação de Calor

Por definição, um corpo negro é um emissor difuso. Logo,

C
Eb,λ (λ, T ) [W m−2 µm−1 ] = πIb (λ, T ) = h 1  i (9.15)
C2
λ5 exp λT −1

onde C1 = 2πhc02 = 3.742 × 108 W · µm4 m−2 e C2 = hc 0 4


kB = 1.439 × 10 µm · K .
A Eq. (9.15) é referida como a Distribuição ou Lei de Planck , e o gráfico na
Fig. 9.2. representa o fluxo de calor espectral emitido de acordo com a Lei de
Planck para diferentes temperaturas absolutas.
Fluxo de Calor Espectral Emitido por um Corpo Negro

Espectro Visível
5800K
Radiação Solar

LEI DE DESLOCAMENTO DE WIEN

1000K

2000K

300K

800K
100K

50K

0.1 1 10 100 1000


Comprimento de onda, λ [μm]

Figura 9.2. Espectro de potência emitida por um corpo negro

É de notar que o espectro inclui um valor máximo local que pode ser obtido
derivando a Eq. (9.15) em ordem a λ. Esse valor máximo (λmax ) correlaciona-se
com a temperatura por
λmax T = C3 (9.16)
em que C3 = 2898µm · K . Esta relação é também conhecida por Lei do Desloca-
mento de Wien.
Se substituirmos a Lei de Planck expressa pela Eq. (9.15) na que permite obter
a radiação total emitida, Eq. (9.10), e resolvermos a integração em toda a gama de
comprimentos de onda λ, para um corpo negro (b), obtém-se a conhecida Lei de
Stefan-Boltzmann.

Eb = σ T 4 (9.17)
em que σ = 5.67 × 10−8 W · m−2 K −4 corresponde, como foi referido anteriormente,
à constante de Stefan-Boltzmann. A intensidade associada à emissão de radiação
de um corpo negro obtém-se por

211
Capítulo 10

Trocas de Energia por Radiação


entre Superfícies

Na base das trocas de calor por radiação entre superfícies está o quanto essas se
“vêem”. Daí que a ideia de nos protegermos do Sol com um chapéu seja para que
o Sol não nos “veja”. Esta é uma forma intuitiva de entender as trocas radiativas
entre superfícies que dependem do quanto as ondas electromagnéticas emitidas
por cada uma intercepta todas as outras. É essa a base do primeiro conceito a
explorar na primeira secção deste capítulo, o conceito de factor de forma.

10.1. Factores de forma


Um factor de forma Fij define-se como a razão entre a potência radiativa que
“sai”1 de uma superfície i e intercepta j, qi→j , e a radiosidade emitida por uma
superfície i. Como vimos no capítulo anterior, essa depende da intensidade de
radiação emitida (e) e reflectida (r) projectada na direcção entre as superfícies i
e j, Ie+r,i cos θi , cuja distância é R, distribuída na área da própria superfície, dAi ,
e depende ainda do ângulo sólido entre dAi e a superfície dAj com a qual troca
calor por radiação, dωj←i (ver ilustração da Fig. 10.1.). Assim, considera-se uma
porção infinitesimal de potência radiativa emergente de i e interceptada por j,

dqi→j = Ie+r,i cos θi dAi dωj←i (10.1)

em que,
1
O recurso às aspas neste capítulo pode parecer excessivo. Por isso, esclarecemos que o seu
uso pretende dar á palavra um sentido metafórico, mas que ajude na compreensão e intuição dos
fenómenos físicos que reportam.

231
10. Trocas de Energia por Radiação entre Superfícies

Ai
Ak

A1 AN

Figura 10.2. Factor de forma associado à troca de radiação entre uma superfície e
múltiplas superfícies.

também uma composição de superfícies, isto é, de múltiplas para múltiplas,


M
X N
X
A(i) F(i)(j) = ·Aj Fij (10.11)
i=1 j=1

com i = 1, 2, 3...M e j = 1, 2, 3...N. Em baixo encontramos um exemplo de


aplicação da Eq. (10.11). Quando as geometrias são complexas e não correspondem

a nenhum caso típico, como os que são indicados na tabela B.2., recorre-se a
métodos numéricos para obter uma solução das Eqs (10.4) e (10.5).

Método das linhas cruzadas


Existem problemas de engenharia em que existem duas superfícies muito longas,
de tal modo que se consideram “infinitas”. Nesses casos, nos anos 1950, H. C.
Hottel derivou a relação que ficou conhecido como o método das linhas cruzadas.
Em geral, o factor de forma é expresso por
P P
(Linhas que se cruzam) − (Linhas que não se cruzam)
Fij = (10.12)
2Li
235
PARTE IV

APLICAÇÕES
Capítulo 11

Permutadores de Calor

Os permutadores de calor são dispositivos de permuta (ou troca) de calor entre


dois fluidos pelo que constituem uma aplicação directa da transmissão de calor à
engenharia. Cada um dos fluidos - gás, líquido ou em mudança de fase líquido-
gás - encontra-se confinado no espaço, pelo que para ambos existem condições de
escoamento interior.
Nos permutadores, os fluidos encontram-se sempre separados por uma fronteira
física. Uma das geometrias mais simples são dois tubos concêntricos, em que um
dos fluidos circula no cilindro interior e o outro na secção anelar. Para minimizar
as perdas térmicas é comum optar-se pela circulação do fluido quente no tubo
interior. Nessa situação, a superfície de permuta corresponde à superfície do
cilindro interior. Caso os caudais tenham o mesmo sentido referimo-nos a um
permutador equicorrente, caso tenham sentidos opostos fala-se de permutador
contracorrente.
Existem muitas outras geometrias possíveis para permutadores de calor. O
permutador de calor de correntes cruzadas (crossflow) caracteriza-se por dois
fluidos que circulam em direcções perpendiculares entre si. Nos permutadores
casco-tubo (shell-tube), um dos fluidos circula no tubo, com uma ou mais voltas,
enquanto que o outro circula no casco com variação alternada de sentido. Múltiplos
permutadores casco-tubo podem encontrar-se interligados para aumentar a área
de troca de calor.
Para caracterizar um permutador de calor utiliza-se o coeficiente global de
transferência de calor, U, parâmetro esse que, quando multiplicado pela área, A,
é o inverso de uma resistência térmica equivalente que contempla os fluidos que
permutam calor e a fronteira que os separa. Dada a finalidade dos permutadores
de calor, pretende-se que as superfícies de permuta sejam feitas de materiais com
boa capacidade de conduzir o calor. Assim, a resistência térmica de condução
através da parede (Rp ) é geralmente pequena. No entanto, a resistência térmica

253
Transmissão de Calor - Uma Abordagem Teórico-Prática

Permutador
Equicorrente

Figura 11.2. Ilustração da variação de temperatura no fluido quente (h) e fluido frio (c)
para um permutador equicorrente

Num percurso infinitesimal dx, identifica-se por dTh a diminuição infinitesimal de


temperatura do fluido quente e, por dTc , o aumento infinitesimal de temperatura
do fluido frio. A taxa infinitesimal de calor trocado é, para cada um dos fluidos,

dq = Ċh [Th (x + dx) − Th (x)] = −Ċh dTh (11.5)

dq = Ċc [Tc (x + dx) − Tc (x)] = Ċc dTc (11.6)


No caso do fluido quente, a temperatura em x + dx é inferior à temperatura em
x uma vez que o fluido encontra-se num processo de arrefecimento, o que justifica
o sinal negativo de (11.5). Utilizando (11.5) e (11.6), na expressão que identifica a
diferença de temperatura de uma forma infinitesimal por

d(∆T ) = d(Th − Tc ) = dTh − dTc


tem-se
   
dq dq 1 1
d(∆T ) = − + = −dq + (11.7)
Ċh Ċc Ċh Ċc
A Eq. (11.4) escrita de uma forma infinitesimal

dq = U(∆T )dA (11.8)


quando substitui dq em (11.7), resulta em
 
1 1
d(∆T ) = − + U(∆T )dA
Ċh Ċc
256
Capítulo 12

Tópicos Avançados e Aplicações

Neste último capítulo são exploradas algumas aplicações mais avançadas que po-
derão ter algum interesse do ponto de vista do desenvolvimento de sistemas de
engenharia, como o caso do feixe de tubos presente, por exemplo, em sistemas
de climatização, e os jactos incidentes, muito usados em aplicações de regulação
térmica de superfícies. As duas últimas secções deste capítulo dedicam-se a dois
casos mais complexos de convecção natural: entre canais de placas paralelas e
cavidades.

12.1. Escoamento sobre feixes de tubos


Existem dois tipos de arranjo em feixe de tubos: alinhados e desalinhados. Para
determinar um valor médio do coeficiente de convecção usa-se a seguinte corre-
lação [5]
 1/4
Pr
NuD = C1 Rem
D,max Pr
0.36
(12.1)
Prs
que possui os seguintes domínios de validação


NL ≥ 20
0.7 . Pr . 500


10 . ReD,max . 2 × 106

em que
Umax D
ReD,max =
ν
sendo D o diâmetro dos tubos, e:

269
12. Tópicos Avançados e Aplicações

em que χ corresponde a um factor de correcção e f ao factor de fricção, sendo


obtidos graficamente na síntese feita por Zukauskas [5].

10

5
10

1
1

0.5

0.1 0.2

0.1 1 10
101 102 103 104 105 106
Re
1.7

1.6

10 1.5

1.4

1.3
1
1.2

1.1

1.0
0.1
0.9
101 102 103 104 105 106 0.5 1 2 5

Re

Figura 12.2. Gráficos para determinar os factores de correcção (χ) e de fricção (f ) para
feixes de tubos.

Exemplo 12.1. Trocas de calor num feixe de tubos

Uma conduta aquecedora de ar consiste num feixe de tubos alinhados com


resistências eléctricas no seu interior e equidistantes entre si com um espa-
çamento longitudinal e transversal de SL = ST = 25 mm . A disposição do
feixe de tubos possui o mesmo número de 4 elementos em ambas as direcções
( NL = NT = 4 ). O ar que atravessa o feixe de tubos no interior do canal
está à pressão atmosférica e possui uma velocidade de U∞ = 10 m/s a
uma temperatura de T∞ = 20◦ C num escoamento cruzado com os elemen-
tos aquecedores que têm 10 mm de diâmetro e 200 mm de comprimento,
mantidos à temperatura de superfície Ts = 300◦ C .

273
Anexo A

Deduções

A.1. Dedução da distribuição de temperatura num tubo


Quando a condução é uni-dimensional, regime permanente, propriedades cons-
tantes e sem taxa de geração interna de energia, em coordenadas cilíndricas, a
distribuição de temperatura expressa-se como

T (r) = C1 ln(r) + C2

Logo, para determinar as constantes, quando se trata de um tubo, em que o raio


interior R1 está a uma temperatura T1 e o raio exterior R2 está a T2 , considerando
estas como as condições-fronteira significa que
(
T1 = C1 ln(R1 ) + C2
T2 = C1 ln(R2 ) + C2

Logo, pode-se expressar as equações deste sistema na sua forma algébrica como
    
ln(R1 ) 1 C1 T1
=
ln(R2 ) 1 C2 T2
      
C1 1 1 −1 T1 1 T1 − T2
= ln(R1 )−ln(R2 ) = ln(R1 /R2 )
C2 − ln(R2 ) ln(R1 ) T2 ln(R2 )T2 − ln(R2 )T1

Obtendo-se, (
1
C1 = ln(R1 /R2 ) (T1 − T2 )
1
C2 = ln(R1 /R2 ) (ln(R1 )T2 − ln(R2 )T1 )
Depois, substituindo as constantes C1 e C2 na equação de distribuição da tempe-
ratura no tubo resulta
TRANSMISSÃO
DE CALOR
UMA ABORDAGEM TEÓRICO-PRÁTICA
MARTA OLIVEIRA PANÃO
MIGUEL OLIVEIRA PANÃO

Sobre a obra
Toda a vida na Terra é possível por causa da energia do Sol. Depois dessa energia ser
capturada, pode ser desperdiçada, armazenada, transformada e transmitida. Este livro
centra-se no modo como a energia se transmite e quais os mecanismos principais
associados a essa transmissão. Por outro lado, como abordagem teórico-prática, o livro
procura unir a teoria à prática e a prática à teoria através de explicações que estimulem
o pensamento crítico, a criatividade na passagem da abstração à solução concreta e a
intuição em engenharia.
As três primeiras partes incidem sobre cada um dos três mecanismos de transmissão
de calor – condução, convecção e radiação – e uma quarta parte dedica-se a aplicações.
O primeiro capítulo inclui, também, uma proposta do modo de abordar os problemas
(4C’s) e a metodologia que concretiza essa abordagem.
É um livro que parte da experiência dos autores e da ideia de que o melhor modo de
ensinar é aprender com quem aprende. Por isso, destina-se sobretudo aos estudantes
que precisam dos conhecimentos de transmissão de calor na sua formação académica,
mas também a todos os que pretendem recordar esses conhecimentos para os utilizar
na sua vida profissional.

Sobre os autores

Marta J.N. Oliveira Panão


Professora Auxiliar no Departamento de Departamento de Engenharia Geográfica,
Geofísica e Energia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Formada em
Engenharia Física Tecnológica no Instituto Superior Técnico, desenvolve investigação
na área da Física de Edifícios, em modelação numérica do desempenho térmico de
edifícios e modelação do consumo de energia no parque edificado, desenvolvimento
de indicadores de desempenho aplicados à certificação energética, pobreza energética
e edifícios de balanço energético nulo.

Miguel R. Oliveira Panão


Professor Auxiliar no Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Ciências e
Tecnologia da Universidade de Coimbra. Formado em Engenharia Mecânica no Instituto
Superior Técnico, desenvolve investigação na aplicação de técnicas laser no estudo de
escoamentos multifásicos, sprays e atomização de líquidos, teoria construtal, teoria da
informação aplicada a sprays e sistemas de armazenamento de energia.

Também disponível em formato e-book

ISBN: 978-989-901-771-9

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