Módulo 2
Módulo 2
de Direito
Sinflório, D.;
SST Estado Democrático de Direito / Débora Sinflório
Ano: 2020
nº de p.: 10 páginas
Apresentação
Nesta Unidade, iremos estudar os elementos que compõem o Estado Democrático
de Direito, que é a democracia ligada às questões do Direito. Na democracia em si é
importante destacar que a compreensão do conceito de democracia é crucial para
que seja possível entender as formas do regime democrático.
Formas de democracia
Democracia direta
O poder soberano e as questões políticas do Estado são exercidos pelo povo. Sobre
esse tema, convém ressaltar que é comum encontrar doutrinadores que defendam
a ação popular prevista na Constituição Federal brasileira de 1998, artigo 5ª, inciso
LXXIII (qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a
anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à
moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural,
ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da
sucumbência), como instrumento de participação de democracia direta.
o povo delega ou exerce parte do poder. Ainda sobre tal tipo de democracia,
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convém destacar que o povo dispõe de instrumentos democráticos, quais se
destacam:
• Plebiscitos:
• Referendo:
• Iniciativa Popular:
• Veto popular:
• Recall:
mediante voto popular, qualquer decisão judicial pode ser anulada. Adotada
nos Estados Unidos.
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Há participação do povo na democracia
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Convém destacar que, ao elaborarem a Constituição de 1988, os legisladores
somaram a expressão Democrático ao Estado de Direito outrora utilizado pelo país
em constituições anteriores. Segundo Miguel Reale (2005, p. 149):
[…] o Estado deve ter origem e finalidade de acordo com o Direito manifestado
livre e originariamente pelo próprio povo, excluída, por exemplo, a hipótese
de adesão a uma Constituição outorgada por uma autoridade qualquer,
civil ou militar, por mais que ela consagre os princípios democráticos.
Poder-se-á acrescentar que o adjetivo “Democrático” pode também
indicar o propósito de passar-se de um Estado de Direito, meramente
formal, a um Estado de Direito e de Justiça Social, isto é, instaurado
concretamente com base nos valores fundantes da comunidade. “Estado
Democrático de Direito”, nessa linha de pensamento, equivaleria, em
última análise, a “Estado de Direito e de Justiça Social”. A meu ver, esse é
o espírito da Constituição de 1988. Não concordo, por conseguinte, com
os juristas que consideram sinônimos os termos “Estado de Direito” e
“Estado Democrático de Direito”.
A busca pela felicidade que outrora estava associada à virtude e valores, bem como
à ética e à moral, na atualidade, tem sido associada à conquista de bens e prestígio,
na qual o homem, em grande parte, ao invés de buscar a felicidade, busca no
acúmulo de bens e na fama o sentido de ser feliz.
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Os critérios dentro do conceito
“democrático”
Um regime político pode ser chamado de “democrático” se satisfizer, de forma
substancial, três critérios básicos: inclusão, competitividade e institucionalização
de direitos civis e políticos fundamentais.
• A inclusão
• A competitividade
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• Institucionalização de direitos civis:
A qualidade de uma democracia pode flutuar ao longo dessas dimensões, que são
variações ordinais, pois são baixo condicionantes. Exemplo: se as autoridades
forem eleitas, se o sufrágio for universal, se as eleições forem competitivas, se a
oposição for permitida aos que exercem o poder, se os direitos civis e políticos
podem ser exercidos por todos ou apenas por elites, etc.
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Casos de políticos investigados com malas de dinheiro, gravações
comprometedoras, em diversos casos não foram suficientes para que determinados
políticos e empresários fossem presos, demonstrando a face da corrupção no país
e os entraves legais.
Fechamento
O art. 1º da Constituição Federal do Brasil apresenta como fundamento o Estado
Democrático de Direito, onde há união entre a igualdade do povo (democracia) e as
leis (direito). A democracia representa um governo do povo e para o povo, onde a lei
é a base desta.
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Referências
DIAS, R. Ciência Política. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2013.
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Disposições
constitucionais dos
regimes jurídicos de
servidores públicos
Ribeiro, Karla
SST Disposições constitucionais dos regimes jurídicos de
servidores públicos / Karla Ribeiro
Ano: 2020
nº de p.: 11
APRESENTAÇÃO
Nesta unidade, perceberemos que servidor público é a pessoa que presta serviços
à Administração Pública, direta ou indireta, por meio de vínculos empregatícios e
mediante remuneração custeada pelos cofres públicos. Diante da importância de
tais agentes para a consecução da coisa pública, a Constituição Federal de 1988
destacou um conjunto de direitos específicos para esses sujeitos. Nesse sentido,
compreenderemos os elementos específicos que compõem o regime jurídico desses
agentes, a partir da interpretação do Texto Constitucional.
Princípios
Constitucionais
Legalidade
Impessoalidade
Moralidade
Publicidade
Eficiênciar
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Saiba mais
Os Estados e municípios podem promulgar seus próprios
estatutos, porém devem ser observados os princípios e preceitos
constitucionais.
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REMUNERAÇÃO E SUBSÍDIOS DOS
SERVIDORES PÚBLICOS
Remuneração e subsídio não são sinônimos, conforme a Constituição estabelece
nos artigos 37, X, XI e 39, § 6, visto que a remuneração se refere ao valor recebido
em dinheiro, de forma geral, pelo trabalho exercido pelo servidor (BRASIL, 1988).
Saiba mais
Apesar de no cotidiano usarmos salário e remuneração como sinônimos,
eles não se confundem, pois a remuneração equivale a todos os
ganhos recebidos pelo trabalhador, enquanto os salários representam a
contraprestação paga em dinheiro ou utilidade diretamente.
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Teto de remuneração dos servidores públicos
DISPOSITIVO
SERVIDOR PÚBLICO LIMITE
CONSTITUCIONAL
Para todas as unidades Ministros do Supremo
art. 37, XI.
autônomas da Federação. Tribunal Federal.
Ministros do Supremo
Tribunal Federal, dos
Magistrados Tribunais Superiores e art. 93, V.
das demais categorias da
estrutura judiciária nacional.
Dirigentes e empregados
das empresas públicas, das
sociedades de economia
Ministros do Supremo
mista e de suas subsidiárias art. 37, § 9º.
Tribunal Federal.
quando receberem recursos da
União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios.
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Diferentemente da remuneração, o subsídio é uma parcela única que pode ser paga a
qualquer ocupante de cargo público.
Saiba mais
O STF vem enfrentando a matéria de possibilidade de ganhos de
servidores públicos para além do teto constitucional.
Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=ZxCoZfZ51jw.
Saiba mais
Documentário: Os grandes julgamentos.
As férias, conforme afirma Moreira Neto (2008), são um direito social trazido pela
Constituição. Todavia, existem outros direitos previstos para os servidores públicos,
bem como os ocupantes de cargo público, inclusive os de cargo em comissão, que
estão elencados no art. 39, § 3º dessa lei constitucional, que são:
• salário mínimo;
• garantia de salário nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remune-
ração variável;
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• décimo terceiro salário;
• remuneração do trabalho noturno superior ao diurno;
• salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda,
nos termos da lei;
• duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e
quatro semanais;
• repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;
• remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, a 50% à do normal;
• gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais que o
salário normal;
• licença à gestante;
• licença paternidade, nos termos fixados em lei;
• proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos especiais,
nos termos da lei;
• redução dos riscos inerentes ao trabalho por meio de normas de saúde, higiene
e segurança;
• proibição de diferença de salários, de exercícios de funções e de critérios de
admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil (BRASIL, 1988).
O direito de greve é mais uma garantia trazida pela Constituição de 1988, ou seja,
o ocupante de cargo ou função pública tem direito de paralisação, no intuito de
solicitar suas reivindicações.
DISPOSTIVO
TIPO DE EXONERAÇÃO
CONSTITUCIONAL
Demissão por falta disciplinar art. 41, § 1º, II.
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A livre associação sindical, na visão de Mendes e Branco (2017), é uma garantia
constitucional do servidor público, que permite que ele se associe aos sindicatos
que desejar, sem qualquer restrição, conforme prevê a Constituição, no art. 37, VI,
compatibilizado com o artigo 8º.
Sobre o período de estágio probatório, Braz (1998) estabelece que se refere a um prazo
temporal em que o servidor público deve exercer seu cargo, que corresponde ao início
de sua jornada estatal, ou seja, começa com a posse e termina após três anos, em que o
Estado deve observar e apurar o comportamento funcional do servidor.
Autores como Alonso, López e Castrucci (2012) destacam que, além de os profissionais
estarem sujeitos às sanções dispostas no código de ética, em alguns casos eles podem
responder por processos administrativos e criminais. Caso a infração ocorra no período
do estágio probatório, pode ocorrer a perda do cargo estatal.
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Fechamento
Nesta unidade, compreendemos que o legislador constitucional atribuiu um conjunto
de princípios que são próprios aos servidores públicos e que as chamadas “pedras
de toque” da Administração Pública devem ser observadas por todos aqueles que
executam ações estatais.
Verificamos que o servidor público é aquele que está submetido a um regime jurídico
diferenciado, uma vez que, na prática, esse que faz as vezes da atividade estatal.
Ademais, percebemos que tamanho é o disciplinamento das ações dos servidores
estatais que a Constituição trouxe, em seu texto originário, tais regras.
Por fim, verificamos que, assim como aos demais trabalhadores, aos servidores
públicos é destinado um rol de direitos e garantias. Todavia, a fim de manter o
equilíbrio das contas públicas, o constituinte limitou o teto salarial desses sujeitos
ao dos Ministros do Superior Tribunal Federal.
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Referências
ALONSO, F. R.; LÓPEZ, F. G.; CASTRUCCI, P. de L. Curso de ética em administração:
empresarial e pública. São Paulo: Atlas, 2012.
MENDES, G. F.; BRANCO, P. G. G. Curso de direito constitucional. 12. ed., rev. atual.
São Paulo: Saraiva, 2017.
SILVA, J. A. da. Curso de direito constitucional positivo. 40. ed. São Paulo:
Malheiros, 2017.
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Carreiras dos
servidores públicos
Ribeiro, Karla
SST Carreiras dos servidores públicos / Karla Ribeiro
Ano: 2020
nº de p.:12
APRESENTAÇÃO
Nesta unidade, estudaremos que para que o Estado execute as ações que lhe
competem, necessita de um conjunto de indivíduos que tenham atribuição e
competência para realizar tais atividades. Veremos que os agentes públicos
são todos os indivíduos que executam uma ação em nome do poder público,
assim como são classificados conforme a função e a forma com que adentraram
à administração pública. Perceberemos que cada exercício profissional, na
administração pública, é limitado conforme disposição legal e analisaremos
como, em regra, esse acesso ocorre, além de destacarmos as formas de cargos e
empregos públicos.
Saiba mais
A Constituição é o maior documento normativo de um país e nela
estão contidas as principais regras e princípios direcionados ao
Estado e Sociedade.
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nacionalidade. Por exemplo, conforme estabelecido na Constituição, no art. 12, §
3º para os seguintes cargos: Presidente da República, Presidente da Câmara dos
Deputados, Presidente do Senado Federal, Ministro do Supremo Tribunal Federal e
Ministro de Estado da Defesa.
Saiba mais
Brasileiro nato: aquele que nasceu na Repúplica Brasileira, ainda
que seu pai seja estrangeiro e não esteja a serviço do seu país.
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Idade x cargo público
CONSTITUI-
CARGO IDADE MÍNIMA
ÇÃO
Vereador 18 anos art. 14, § 3.º, VI, d
Presidente e Vice-Presidente da
35 anos art. 14, § 3.º, VI, a
República e Senador
Em suma, pode-se entender que, para ser um servidor público, o cidadão deverá
verificar alguns requisitos estabelecidos em lei. Todavia, para exercer uma função,
no regime estatutário, o cidadão deverá ser aprovado previamente em concurso
público, eleito ou ainda convocado para exercer funções de confiança.
FORMAS DE INGRESSO NA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Como já mencionado, algumas funções públicas demandam do indivíduo
características e habilidades específicas. Assim, o ingresso também ocorrerá por
distintas formas. A figura a seguir traz as espécies de agentes públicos previstas no
ordenamento jurídico pátrio.
Agentes públicos
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Agentes
políticos
Agentes Empregados
de cooperação públicos
Agentes públicos
Servidores Contratados por
públicos prazo determinado
Militares Estatutários
Fonte: Elaborada pela autora (2020).
Saiba mais
O concurso público não pode eliminar candidato com
tatuagem, segundo decisão do STF. Leia mais em: http://
www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?
idConteudo=323174.
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Outro ponto importante é que, obrigatoriamente, o concurso público será uma
prova escrita ou prática, de forma oral ou uma combinação destas, mas nunca
apenas uma simples prova de títulos, visto que poderia ser facilmente fraudado,
prevalecendo o nepotismo ou o favoritismo.
Mesmo que o servidor faça um concurso público, não necessariamente terá seu
regime de contratação como estatutário, visto que o Estado pode contratar pessoas
em regime de empregados, regidos pela CLT.
Existem cargos nos quadros da administração pública que podem ser exercidos
por pessoas não concursadas ou não eleitas pela sociedade. Na verdade, elas
são nomeadas por serem pessoas de confiança dos gestores públicos e, como
consequência, deverão exercer cargos comissionados na administração pública.
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Saiba mais
A Constituição traz, muitas vezes, a expressão investidura como
sinônimo de provimento. Todavia, é necessário distinguir os termos:
enquanto provimento deve ser entendido como o processo pelo
qual o cidadão ingressa na função pública, investidura refere-se
ao momento em que o indivíduo tem sua posse no cargo público.
Provimentos
Nomeação
Promoção
Ascensão
Transposição
Transferência
Substituição
Readmissão
Provimentos Reintegração
Aproveitamento
Reversão
Readaptação
Transformação
Reclassificação
Recondução
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A promoção refere-se a um provimento que promove o servidor público para uma
função superior dentro da carreira que estava seguindo.
Atenção
Não se pode confundir transferência com remoção ou permuta,
visto que a remoção deve ser entendida como uma movimentação
de cargos no mesmo quadro funcional.
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O aproveitamento consiste em uma forma derivada de provimento. Nessa
modalidade há um retorno do servidor público, que se encontra disponível, a cargos
ou funções que ocupava anteriormente.
Reflita
Veja como o STF vem decidindo lides contendo a matéria
de readaptação. Leia mais em: https://stf.jusbrasil.com.br/
jurisprudencia/24320673/recurso-extraordinario-com-agravo-
are-774289-sc-stf.
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FECHAMENTO
Nesta unidade, vimos que os agentes públicos são as pessoas físicas que atuam
em nome estatal, ainda que de forma transitória. Percebemos que esses indivíduos
são fundamentais para o desenvolvimento das ações estatais e possuem
tratamento jurídico distinto, conforme seu ingresso na administração pública.
Estudamos que o ordenamento cria cargos que serão o lugar, determinado por lei,
no serviço público, que o agente público irá ocupar. Vimos ainda que determinados
cargos requerem dos sujeitos qualidades específicas, as principais formas de
ingresso na administração pública e fizemos a distinção entre concursos públicos
e cargos e funções de confiança. Assim, foi possível perceber que o administrador
público poderá contar com pessoas de confiança, ainda que não concursados, para
desenvolver sua gestão.
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Referências
BRASIL.[Constituição (1988)]. Constituição Federal da República Brasileira de
1988. Brasília: Senado Federal [1988]. Disponível em: https://www.senado.leg.br/
atividade/const/con1988/CON1988_05.10.1988/CON1988.asp.Acesso em: 14 set.
2020.
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Regime Jurídico
Estatutário
Ribeiro, Karla
SST Regime Jurídico Estatutário / Karla Ribeiro
Ano: 2020
nº de p.: 14
APRESENTAÇÃO
Nesta unidade, compreenderemos o regime jurídico estatutário, destacando seus
principais elementos e características. Assim, verificaremos que modelo normativo
regula a relação laboral e os direitos dos servidores públicos; que esse regime
pode ser adotado pelos três entes que compõem a federação: União, Estados e
Municípios; e que a Constituição Federal de 1988 dispensou normas básicas para
a criação desse regime. Ao examinar esse instituto, perceberemos que, apesar de
guardar semelhança, não se confunde com as normas dispostas pela Consolidação
das Leis Trabalhistas. Por fim, examinaremos os aspectos da Lei nº 8.112/90 e
apontaremos as principais garantias disponibilizadas ao servidor público.
Saiba mais
No âmbito do Direito Administrativo, considera-se agente público
toda pessoa que presta um serviço público. Logo, os servidores
públicos são uma espécie desse gênero.
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da administração direta, autárquica e fundacional. Assim, não se admite que
os servidores públicos sejam contratados mediante as regras estabelecidas na
Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
Saiba mais
A obtenção dos cargos públicos de regime estatutário deverá
ocorrer por meio de concurso público.
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Reflita
A Administração Pública poderá ter, portanto, em seu quadro
funcional, pessoas contratadas como empregados públicos e que,
por consequência, estariam submetidas a outro regime que, por
exemplo, não precisaria de concurso público.
Nesse caso, não estariam obrigados a ter sua remuneração menor que o teto
estabelecido pelo dispositivo 37, XII, da Constituição Federal, pois o regulamento
que rege esse contrato jurídico é a Lei nº 9.962/00, de 22 de fevereiro de 2000.
Assim, no âmbito do ordenamento jurídico infraconstitucional, a citada lei limita os
cargos em regime celetista ao estabelecer que a Administração Pública só pode
utilizar contratos com regime de CLT quando não estiverem elencados nessa própria
legislação. No caso de um contrato por prazo indeterminado, a rescisão somente
pode ocorrer por parte da Administração Pública.
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Saiba mais
A Ação Direita de Inconstitucionalidade tem por objetivo verificar
se uma norma é compatível, formal ou materialmente, com o Texto
Constitucional.
Porém, deve ser observado que desde a CFRB/88, o Estado tem adotado o regime
estatutário para seus servidores, principalmente por este trazer mais garantias
à prestação de serviço público, além de estabilidade aos servidores e um regime
especial de aposentadoria (BRASIL, 1988).
Saiba mais
Conforme Moreira Neto (2009), os direitos atribuídos aos
estatutários têm como finalidade garantir que a prestação de serviço
público contínuo seja exercida com moralidade e impessoalidade.
Nesse contexto, verifica-se que o agente público que se sente estável no seu
trabalho, sem se preocupar com possíveis ameaças políticas, devido à garantia do
concurso público, pode exercer sua função de forma mais eficiente.
Assim, segundo Mendes e Branco (2017), o regime jurídico único, aplicado à União
Federal, autárquica e fundações públicas, deverá ser o estatutário. E todos que
ingressaram no regime pautado pela CLT deverão ter suas contratações convertidas
ao regime estatutário, conforme estabelecido pelo artigo 243 da própria Lei nº
8.112/90.
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O artigo 19, § 1°, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT)
estabelece que os servidores que tiverem seu regime convertido terão o tempo
de serviço dos servidores como CLT computado para aposentadoria, bem como
deverão subir de nível na carreira. Dito isso, vale observar o dispositivo 243, § 12, que
estabelece que:
Após a edição do estatuto dos servidores federais, não há mais servidores públicos
em regime pautado pela CLT. Somente na União Federal existem estatutários, com
estabilidade definida pelo artigo 19 da ADCT, que traz como texto legal:
Alterando a Lei nº 8.112/90, existe uma hipótese de exoneração dos servidores nos
casos de não haver estabilidade daquele que não obteve cinco anos contados da
promulgação do texto constitucional vigente. Todavia, o servidor público que for
exonerado devido à não estabilidade trazida por essa legislação deve ser indenizado,
conforme estabelecido no art. 243, § 7º:
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DIREITO E DEVERES NA LEI 8.112/900
Antes de falar sobre os direitos, é importante fazer uma distinção entre a
remuneração e os vencimentos. Nesse sentido, estabelece a Lei nº 8.112/90, no seu
art. 40, que o vencimento é a retribuição pecuniária pelo exercício de cargo público,
com valor fixado em lei. Entretanto, o art. 41 da mesma lei prevê que a remuneração
é o vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens pecuniárias permanentes
estabelecidas em lei.
Espécies de remuneração
Montante sem
Vencimentos benefícios extras que
o servidor recebe
Remuneração
Montante que o
Salário empregado recebe
pelo serviço prestado
A partir desse esquema, verifica-se que a remuneração pode ser entendida como o
valor dos vencimentos somado às vantagens pecuniárias de caráter permanente.
Todavia, além do vencimento, o servidor público poderá receber, segundo o art. 49 da
Lei nº 8.112/90, as seguintes vantagens: indenizações; gratificações; adicionais.
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Vantagens da remuneração – servidor público
Ajuda de custo;
Diárias;
Indenização de
Indenização transporte;
Auxílio-moradia
Vantagens
Função de confiança;
Gratificação natalina;
Adicional de
Salário
insalubridade;
Adicional de serviço
extraordinário;
Adicional noturno;
Adicional de férias;
Gratificação por
encargo de curso ou
concurso
Fonte: Elaborada pela autora (2020).
As indenizações são os valores que o Estado ressarce para o servidor público devido
ao gasto pelo exercício de sua função. Conforme o art. 53 da Lei nº 8.112/90, serão
entendidos como ajuda de custo os valores restituídos ao servidor pelo gasto com
sua mudança de residência, conforme o interesse do Estado em mudá-lo de sede
(BRASIL, 1990).
Segundo o art. 60 desta lei, pode o servidor público receber indenização quando
utilizar seu próprio veículo para efetuar serviços externos, chamada de indenização
de transporte (BRASIL, 1990).
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encargo de curso ou concurso. Todavia, observa-se que essas hipóteses trazidas por
esse ordenamento não são taxativas.
Saiba mais
Os chamados servidores públicos “contratados”, em regra, não
fazem juz ao gozo de férias.
Outra justificativa para que o servidor possa solicitar afastamento será o afastamento do
cônjuge ou companheiro que exerce mandato eletivo nos poderes executivo e legislativo
para outra localidade do território nacional ou ainda para o exterior. Contudo, essa
licença não dá direito à remuneração do servidor (BRASIL, 1990).
O servidor público que se afastar de seu trabalho, motivado pelo serviço militar, terá
30 dias para retornar ao seu trabalho após terminar seu dever com o serviço militar –
licença que também não faz jus à remuneração (BRASIL, 1990).
Outra licença trazida pelo dispositivo 86 desta lei estabelece que o servidor público
poderá se afastar de seu trabalho para atividade política. Todavia, não poderá
receber nenhuma remuneração (BRASIL, 1990).
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Outra licença trazida pela lei refere-se ao Desempenho de Mandato Classista, que
também ocorrerá sem remuneração. Observa-se que, segundo o art. 92, o mandato
classista pode ser entendido como o mandato em
Tem direito ao afastamento de seu trabalho, ainda, o servidor público: para servir a
outro órgão ou entidade; exercício de mandato eletivo; estudo ou missão no exterior;
participação em programa de pós-graduação stricto sensu no país, entre outros
(BRASIL, 1990).
Saiba mais
Considera-se pós-graduação stricto sensu os cursos de
mestrado, doutorado e pós-doutorado.
A Lei nº 8.112/90 prevê o direito à petição, que pode ser aplicado para assegurar o
direito de o servidor público requerer a defesa de direito ou interesse legítimo. Essa
petição será encaminhada para a chefia direta para que a autoridade competente
julgue o solicitado. Destaca-se que o prazo de petição prescreve em cinco anos,
quanto aos atos de demissão e de cassação de aposentadoria ou disponibilidade, ou
que afetem o interesse patrimonial e créditos resultantes das relações de trabalho,
em conformidade com o art. 110, I (BRASIL, 1990).
Saiba mais
A petição é um ato administrativo de caráter processual.
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Conforme a Lei nº 8.112/90, os servidores públicos também possuem deveres que
são elencados no art. 116 (BRASIL, 1990):
Saiba mais
Para que haja uma sanção admnistrativa, é preciso observar o devido
processo legal e o direito de defesa daquele que está sendo objeto.
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FECHAMENTO
Nesta unidade, estudamos que a Constituição Federal estabelece regras específicas
destinadas ao servidor público e vimos que cada ente da federação possui autonomia para
ter seus servidores, mas que deve seguir as formas legais quando da admissão destes.
Por fim, entendemos que existe um conjunto de direitos e deveres específicos que
são atribuídos ao servidor público e que leva em consideração sua inserção na
Administração Pública.
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Referências
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de
1988. In: VADE Mecum. São Paulo: Saraiva, 2020.
______. Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Dispõe sobre o regime jurídico dos
servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais.
In: VADE Mecum. São Paulo: Saraiva, 2020.
MENDES, G. F.; BRANCO, P. G. G. Curso de direito constitucional. 12. ed. São Paulo:
Saraiva, 2017.
MOREIRA NETO, D. F. Curso de direito administrativo: parte introdutória. 15. ed. Rio
de Janeiro: Forense, 2009.
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Código de ética do
servidor público
Ribeiro, Karla
SST Código de ética do servidor público / Karla Ribeiro
Ano: 2020
nº de p.: 12
Apresentação
No mundo empresarial, pode-se afirmar que o conjunto de normas que o
profissional deve seguir são aquelas que também se aplicam aos demais
indivíduos, como ser honesto, ser responsável, tratar bem as pessoas, entre outras.
Já na administração pública, além da ética propriamente dita, os servidores estão
vinculados pelos princípios do art. 37 da Constituição Federal de 88: legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
Ética e moral
Atualmente, o tema “ética” está em foco, principalmente no serviço público, com
tantas manchetes de corrupção. Todavia, poucas pessoas da sociedade sabem
definir o termo em questão e pontuar a diferença entre esses termos, que não
podem ser considerados sinônimos.
Ética e valores
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Apesar de muitas pessoas utilizarem esses dois termos como palavras de mesmo
sentido, conforme Alonso, López e Castrucci (2012, p. 3), “[...] predomina a corrente
de utilizar ética como ciência ou filosofia da conduta humana e moral para se referir
à qualidade da conduta humana”.
Nesse contexto, a ética é a ciência que estuda a moral, bem como as suas
repercussões quando aplicadas a algum grupo social. Perceba que a ética pode
ser entendida como a investigação do comportamento social pautado em regras e
valores de forma metodologicamente racional. Logo, a ética pode ser compreendida
como a investigação do comportamento do indivíduo na sociedade, baseada em
regras de valores morais.
Saiba mais
Assim, as condutas do indivíduo, no âmbito social, no dia a dia,
são pautadas pela ética da sociedade em que está inserido, por
meio de códigos ou mesmo costumes.
Saiba mais
Assista ao vídeo do Canal Café Filosófico onde os filósofos
Clovis de Barros Filho e Mario Sergio Cortella debatem sobre a
Ética do Cotidiano. Disponível no link: https://www.youtube.com/
watch?v=9_YnlPXKlLU
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Valores e virtudes
Quando pensarmos em valores de um indivíduo, devemos ter em mente que esses
são a base da conduta de um indivíduo e, por consequência, são fundamentais para
que sejam tomadas as devidas decisões, tanto no âmbito pessoal como dentro de
uma organização. Podemos dizer que os hábitos idôneos podem ser chamados de
virtudes; logo, as pessoas virtuosas são as que praticam ações com valores.
Reflita
Uma conduta virtuosa --> Respeitar o ser humano Valor da pessoa
--> Respeito.
Saiba mais
Pode ser um exemplo a ocupação da favela da Rocinha, no Rio de
Janeiro, em 17 de setembro de 2017, conforme o site da UOL: https://
noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/09/29/
forcas-armadas-deixam-rocinha-veja-10-imagens-de-como-
foi-a-semana-na-comunidade.htm
Quando estamos exercendo nossa profissão, nos deparamos com várias situações
problemáticas que devem ser resolvidas com certa reflexão, principalmente se
baseadas em uma consciência ética. Logo, a ética pode ser verificada também no
exercício de uma profissão, sempre que o profissional atue com uma conduta moral
e estabelecida nas legislações que regulamentam sua profissão.
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Código de Ética
O primeiro código de ética que estabeleceu internacionalmente um padrão ético
com parâmetros para pesquisas científicas foi o Código de Nuremberg, de 1947.
Todavia, somente nas décadas de 1960 e 1970 é que as comunidades começaram a
pensar em códigos de ética para cada profissão, principalmente as que tinham o ser
humano como instrumento de pesquisa.
Saiba mais
Verifique o Código de Ética e Disciplina da OAB no site: https://
www.oab.org.br/visualizador/19/codigo-de-etica-e-disciplina.
Outro ponto importante é que, no Brasil, a legislação vigente estabelece que todo
profissional deve estar inscrito no órgão de classe. Somente com essa inscrição o
empregado estará legalizado e poderá sofrer sanções da entidade quando violar o
código de ética da categoria.
Dito isso, verifica-se que os códigos de ética são um conjunto de normas que
padronizam as condutas do profissional, podendo ainda prever sanções. Perceba
que o código de ética não pode ser considerado apenas um regulamento, visto que
tende a garantir que a categoria profissional seja comprometida com a ética.
A ética trazida pelo código de ética dos profissionais deve ser reflexiva. Logo, a
categoria de profissionais deve observar os atos que podem ou não ser realizados,
visando sempre estabelecer uma sociedade mais digna, com mais cidadania.
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Observamos, ainda, que não é a empresa ou instituição que é ética, mas as pessoas
que realizam suas tarefas dentro da empresa. Por consequência são essas pessoas
que constroem a reputação do estabelecimento.
Atenção
Nesse contexto, é importante observar que a reputação do
profissional também é constituída pelos atos que ele realiza
dentro do local de trabalho.
O profissional deve se pautar na ética para realizar suas atividades, visto que é a
percepção que os outros (empresa, clientes, colegas de trabalho, etc.) têm desse
profissional que constitui o seu patrimônio. Nesse contexto, verifica-se que o
código de ética profissional pode ser um instrumento para a preservação do nome
pessoal, bem como nome profissional do indivíduo.
Conforme Silva (2014), para que a administração possa obter êxito na sua
finalidade de proporcionar aos cidadãos todos os direitos trazidos pelo art. 6º
da Constituição, que são: “[...] a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho,
a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à
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maternidade e à infância, a assistência aos desamparados” (BRASIL, 1988, art. 6), o
serviço público deve ser exercido de forma ética.
Saiba mais
Nesse contexto, quando um cidadão se dirige até a administração
pública, não deve ser atendido com descaso, e os servidores
estatais não podem utilizar a burocracia como desculpa para a
não realização dos serviços públicos que são obrigação do Estado.
Dito isso, é necessário lembrar que ética pode ser entendida como um conjunto de
princípios que norteiam inclusive o trabalho dos indivíduos. E, no âmbito do serviço
público, o artigo 37 da Constituição Federal estabelece que: “A administração
pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência [...]”.
Atenção
A moralidade é um princípio norteador da administração pública,
ou seja, para que um ato do Estado seja considerado válido é
necessário que seja moralmente aceito pela sociedade.
Lei nº 1.171/94
Com a finalidade de melhorar a imagem da administração pública após a renúncia
do presidente Fernando Collor, para evitar o impeachment, no dia 22 de junho de
1994, o então presidente da República, Itamar Franco, aprovou a Lei nº 1.171, ou
seja, o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo
Federal. Assim, conforme o art. 2º desse código:
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Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta e indireta
implementarão, em sessenta dias, as providências necessárias à plena
vigência do Código de Ética, inclusive mediante a Constituição da respectiva
Comissão de Ética, integrada por três servidores ou empregados titulares
de cargo efetivo ou emprego permanente. (BRASIL, 1994)
Saiba mais
Sobre o art. II desta mesma seção, verificamos que a ética
passa a ser um elemento que deve basear todas as condutas do
servidor público. Logo, o servidor deverá se preocupar com as
regras relativas à moralidade também estabelecidas no art. 37 da
Constituição Federal.
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Verificamos, a partir desse dispositivo, que a moralidade deve ser utilizada com o
objetivo do bem comum e, por consequência, quando um servidor público realizar
um ato, deve medir sua legalidade e finalidade, para que este seja sempre voltado
para o bem social e por consequência seja moral.
Outro objetivo das comissões de ética trazido pela Lei nº 1.171 são os registros
de conduta de ética, a fim de fundamentar possíveis promoções dos servidores
públicos em suas carreiras. As faltas também devem ser registradas num
documento à parte com a assinatura de todos os envolvidos, inclusive do servidor
público que agiu em ato faltoso.
Atenção
Para essa lei, serão considerados servidores públicos todos que
prestarem serviço à administração pública tendo como vínculo
empregatício contrato, a lei, ou ainda qualquer ato jurídico, seja
essa prestação de serviço temporária ou permanente, com ou sem
remuneração. Porém, devem ter ligação direta ou indireta com os
órgãos ou entidades estatais, ou ainda com as atarquias, fundações
públicas, entidades paraestatais, sociedades de economia mista
ou empresas públicas, ou qualquer outra instituição que esteja
realizando atividade estatal.
Por fim, ressaltamos que o código de ética do servidor público tem como principal
fundamento manter a administração pública com um clima organizacional ético,
visando manter a confiança social.
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Conclusão
As normas legislam sobre temas importantes para a sociedade e apresentam uma
série de direitos mas, também, apresentam uma série de obrigações, sendo que seu
descumprimento leva a uma penalidade que pode ser uma multa, uma prestação de
serviços para a comunidade e a prisão. Não deveria ser diferente para os servidores
públicos que também possuem penalidades como advertência, suspensão,
demissão, aposentadoria compulsória, etc.
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Referências
ALONSO, F. R.; LÓPEZ, F. G.; CASTRUCCI, P. L. Curso de Ética em Administração. 2.
ed. São Paulo: Atlas, 2010.
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Organização
sindical
Marconi, Márcia Valéria.
SST Organização Sindical / Márcia Valéria Marconi
Local: 2020
nº de p. : 10
Apresentação
As entidades sindicais são, há muito tempo, alvo de críticas – inclusive, muitos
argumentos foram utilizados contra os sindicatos durante a discussão e aprovação
da Lei nº 13.567/2917, popularmente chamada de Reforma Trabalhista. Porém, é
forçoso reconhecer que no Brasil e no mundo os sindicatos foram protagonistas de
diversas conquistas de direitos aos trabalhadores.
Nesta unidade, será trabalhada a organização das entidades sindicais, bem como
será explanada quais são as suas atribuições, no que atuam e a importância às
relações de trabalho. Por fim, o estudo se dedicará à redução legal da jornada de
trabalho e salário e o papel dos sindicatos nela.
Dessa forma, somente uma única entidade sindical poderá representar os interesses
de uma categoria em uma determinada base territorial, sendo que o registro se deve
ao fato de que no Brasil vigora o princípio da unicidade sindical.
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Saiba mais
O registro de uma nova entidade sindical que represente os
trabalhadores do ramo farmacêutico na região do ABC Paulista não
será aceito, por exemplo, caso já exista um Sindicato registrado
para representar os trabalhadores desta categoria em referida
região.
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Atividades das entidades sindicais
Os sindicatos atuam tanto na negociação coletiva para a concessão de um benefício
da categoria como na defesa dos interesses de um único trabalhador que possua
seus direitos sendo desrespeitados pelo empregador.
Atenção
Caso seja comprovado que existem direitos sendo desrespeitados,
a representação dos interesses individuais ocorre por meio de
contato do representante do sindicato ou do advogado deste com
o empregador, para esclarecer os fatos e solucionar a questão. Não
sendo solucionada a questão através de acordo entre as partes,
poderá mover uma reclamação trabalhista contra o empregador,
sendo que o sindicato poderá representar este empregado no
Judiciário.
Reflita
Como exemplo de ACTs, podemos citar os acordos para
pagamento de PLR (Participação de Lucros e Resultados), nos
quais são estabelecidas as metas que devem ser atingidas para
que os trabalhadores que recebem esta participação, e os acordos
para determinar o pagamento de um adicional de horas extras
superior ao previsto na legislação, conforme qualidade no trabalho,
produção, dentre tantas outras matérias que podem ser objeto de
negociações neste nível.
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O dissídio coletivo pode ocorrer quando os sindicatos que não chegarem a um
consenso quanto aos termos das CCTs e a questão poder ser submetida ao
Judiciário. A Constituição Federal exige que o processamento do dissídio ocorra
em comum acordo da parte contrária (art. 114, § 2º, CF/88), entre outros requisitos.
Desse modo, ambos os sindicatos, dos empregados e dos empregadores, devem
concordar que a controvérsia seja decidia no Judiciário por meio do dissídio. Essa
exigência, na prática, tornou raros os casos de dissídio coletivo.
Curiosidade
Diferente dos acordos, as CCTs se aplicam a todos os trabalhadores
e empregadores representados pelos respectivos sindicatos,
patronal e de empregados.
Podemos concluir que, poderão ser considerados nulos pelo Judiciário, acordos ou
convenções assinadas que renunciem a direitos, como por exemplo a renúncia às
férias, ou que determinem direitos inferiores ao previsto em lei, como um percentual
inferior para as horas extras realizadas. Entendemos que tanto os acordos coletivos
quantos as CCTs visam à melhoria dos direitos da lei.
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Atenção
Lembramos que o valor pago ao empregado não pode ser inferior
ao salário mínimo e que o limite máximo para a redução do salário
mensal não poderá ser superior a 25%.
O art. 7º, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, trata do salário mínimo, segundo
a redação abaixo:
E como dispõe o art. 7º, inciso VII, a “irredutibilidade do salário, salvo o disposto em
convenção ou acordo coletivo” (BRASIL, 1988), somente é permitida desde que seja
por meio de uma convenção ou acordo coletivo.
Em conformidade com a Lei nº 4.923, art. 2º, parágrafo 3º, “a redução de que trata o
artigo não é considerada alteração unilateral do contrato individual de trabalho para
os efeitos do disposto no artigo 468 da Consolidação das Leis do Trabalho” (BRASIL,
1965).
Poderá a empresa submeter o caso à Justiça do Trabalho, caso não haja acordo, por
intermédio de Juízes ou Varas do Trabalho ou, na falta destes, do Juiz de Direito com
jurisdição na localidade. Com isso, a decisão da primeira instância caberá recurso
ordinário no prazo de oito dias para Tribunal Regional do Trabalho, sem efeito
suspensivo, da correspondente região.
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dispensados pelos motivos que justificam a citada redução ou comprovarem que
não atenderam, no prazo de oito dias, ao chamado para a readmissão.
Saiba mais
O empregador poderá notificar diretamente o empregado para
reassumir o cargo, se desconsiderada sua localização correndo o
prazo de oito dias a partir da data do reconhecimento da notificação
pelo empregado ou pelo órgão de classe, notificando por meio do
Sindicato. No entanto, a autorização e notificação não cabe aos
cargos de natureza técnica.
Desta maneira, fica proibido às empresas que obtiveram autorização para redução
de tempo de trabalho e de salário trabalhar em regime de horas extraordinárias, nos
próximos seis meses depois da cessação desse regime, ressalvadas estritamente as
hipóteses previstas no artigo 61, § 1º e § 2º, da CLT, conforme dispõe o art. 61:
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Modelo de acordo entre empresa e empregado da categoria profissional
7. Este acordo foi autorizado por assembleia dos trabalhadores envolvidos, realiza-
da no dia ____/____/_____, às ______ horas, restando indiscutível a concordân-
cia dos mesmos com a presente alteração.
___________________________________
Empresa
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___________________________________
Sindicato
___________________________________
Empregado
Obs.: Ressaltamos, por oportuno, que a modelo acima apresentado poderá ser adap-
tado para atender o interesse específico das partes envolvidas na sua celebração.
Fonte: Elaborada pelo autor (2020).
Uma jornada de trabalho pode ser reduzida de 44 horas para 40 horas semanais
para que haja um aumento de empregos nas empresas. Ma,s na prática, no Brasil
isso não ocorre, tendo em vista que não é de interesse, em geral, do empregado,r
elevar seus gastos com mão de obra, independentemente de ser mais vantajoso
aos trabalhadores.
Fechamento
Nesta unidade você pôde conhecer um pouco mais sobre as entidades sindicais.
Como visto, os sindicatos possuem um importante papel mediador e aglutinador de
interesses dos empregados, cada qual representado por seu respectivo sindicato.
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Referências
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil.
Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.
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