0% acharam este documento útil (0 voto)
46 visualizações70 páginas

Módulo 2

O documento aborda os elementos que compõem o Estado Democrático de Direito, destacando a importância da democracia e suas formas, como a direta, indireta e semidireta. A Constituição Federal de 1988 é apresentada como a base do Estado Democrático de Direito no Brasil, enfatizando a proteção dos direitos fundamentais e a dignidade humana. Além disso, o texto critica a corrupção e a falta de ética na política, que comprometem a confiança da população nas instituições democráticas.

Enviado por

almox22
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
46 visualizações70 páginas

Módulo 2

O documento aborda os elementos que compõem o Estado Democrático de Direito, destacando a importância da democracia e suas formas, como a direta, indireta e semidireta. A Constituição Federal de 1988 é apresentada como a base do Estado Democrático de Direito no Brasil, enfatizando a proteção dos direitos fundamentais e a dignidade humana. Além disso, o texto critica a corrupção e a falta de ética na política, que comprometem a confiança da população nas instituições democráticas.

Enviado por

almox22
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Estado Democrático

de Direito
Sinflório, D.;
SST Estado Democrático de Direito / Débora Sinflório
Ano: 2020
nº de p.: 10 páginas

Copyright © 2020. Delinea Tecnologia Educacional. Todos os direitos reservados.


Estado Democrático de Direito

Apresentação
Nesta Unidade, iremos estudar os elementos que compõem o Estado Democrático
de Direito, que é a democracia ligada às questões do Direito. Na democracia em si é
importante destacar que a compreensão do conceito de democracia é crucial para
que seja possível entender as formas do regime democrático.

Assim, entender os mecanismos da democracia é de suma importância na


construção do conceito que estamos iniciando o debate, ou seja, o Estado
Democrático de Direito.

Formas de democracia

Democracia direta
O poder soberano e as questões políticas do Estado são exercidos pelo povo. Sobre
esse tema, convém ressaltar que é comum encontrar doutrinadores que defendam
a ação popular prevista na Constituição Federal brasileira de 1998, artigo 5ª, inciso
LXXIII (qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a
anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à
moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural,
ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da
sucumbência), como instrumento de participação de democracia direta.

• Democracia indireta ou representativa:

as funções soberanas administrativas do Estado são realizadas pelo povo


por meio de seus representantes eleitos para representá-los por determinado
prazo legal.

• Democracia semidireta ou mista:

o povo delega ou exerce parte do poder. Ainda sobre tal tipo de democracia,

3
convém destacar que o povo dispõe de instrumentos democráticos, quais se
destacam:

• Plebiscitos:

a população é convocada para opinar sobre determinado assunto que esteja


em debate para que opine antes que qualquer medida tenha sido adotada. A
opinião popular apurada será a base para elaboração de lei posterior.

• Referendo:

após o Congresso ter discutido e inicialmente aprovado uma lei, convocam-


se os cidadãos para que expressem opinião favorável ou contrária à nova
legislação.

• Iniciativa Popular:

outro instrumento de participação cidadã no qual os cidadãos


constitucionalmente têm o direito de apresentar projetos de lei. No caso do
Brasil, os projetos devem ser apresentados ao Congresso Nacional mediante
a coleta de assinaturas de pelo menos 1% do eleitorado nacional, e que
estejam os moradores assinantes localizados em pelo menos cinco estados
brasileiros.

• Veto popular:

ao cidadão é concedido o direito de vetar qualquer projeto de lei,


independente das fases que tenha passado no processo legislativo. Não é
admitido no Brasil.

• Recall:

mediante voto popular, qualquer decisão judicial pode ser anulada. Adotada
nos Estados Unidos.

4
Há participação do povo na democracia

Fonte: Plataforma Deduca (2020)

E você sabe quais são as formas do regime democrático adotadas no Brasil?


Segundo a Nina Raniere (2019, p.325):

Estado Democrático de Direito é a modalidade do Estado constitucional e


internacional de direito que, com o objetivo de promover e assegurar a mais
ampla proteção dos direitos fundamentais, tem na dignidade humana o
seu elemento nuclear e na soberania popular, na democracia e na justiça
social os seus fundamentos. Nessa definição, a democracia acentua, por
sua própria dinâmica (o exercício da soberania popular), a atualização do
Estado. O Direito, de outra parte, representa o seu elemento conservador,
de tal forma que os fins e objetivos estatais, assim como a sua forma
de realização, são determinados pela via do livre processo político, sob a
ordem jurídica.

A Constituição Federal de 1988 e o


Estado Democrático de Direito
A Constituição Federal brasileira de 1988 prevê que o Brasil é um Estado
Democrático de Direito, fato esse comprovado no caput do artigo 1º da
Constituição, que assim dispõe: “A República Federativa do Brasil, formada pela
união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em
Estado Democrático de Direito […]”.

5
Convém destacar que, ao elaborarem a Constituição de 1988, os legisladores
somaram a expressão Democrático ao Estado de Direito outrora utilizado pelo país
em constituições anteriores. Segundo Miguel Reale (2005, p. 149):

[…] o Estado deve ter origem e finalidade de acordo com o Direito manifestado
livre e originariamente pelo próprio povo, excluída, por exemplo, a hipótese
de adesão a uma Constituição outorgada por uma autoridade qualquer,
civil ou militar, por mais que ela consagre os princípios democráticos.
Poder-se-á acrescentar que o adjetivo “Democrático” pode também
indicar o propósito de passar-se de um Estado de Direito, meramente
formal, a um Estado de Direito e de Justiça Social, isto é, instaurado
concretamente com base nos valores fundantes da comunidade. “Estado
Democrático de Direito”, nessa linha de pensamento, equivaleria, em
última análise, a “Estado de Direito e de Justiça Social”. A meu ver, esse é
o espírito da Constituição de 1988. Não concordo, por conseguinte, com
os juristas que consideram sinônimos os termos “Estado de Direito” e
“Estado Democrático de Direito”.

Considerando os dias atuais e a falta da ética política e social, é alarmante perceber


que o objetivo de um Estado democrático de Direito, ou seja, de proteger os direitos
fundamentais, tendo na dignidade humana o seu elemento nuclear e na soberania
popular, na democracia e na justiça social os seus fundamentos têm tornado-se
utópicos, pois a ética, a moral e o respeito estão sendo suprimidos na sociedade,
cada vez mais corrompida.

A busca pela felicidade que outrora estava associada à virtude e valores, bem como
à ética e à moral, na atualidade, tem sido associada à conquista de bens e prestígio,
na qual o homem, em grande parte, ao invés de buscar a felicidade, busca no
acúmulo de bens e na fama o sentido de ser feliz.

E quanto à política e aos valores éticos que cada parlamentar deveria


comprometer-se e zelar para assegurar que o voto lhe concedido
democraticamente pelo povo seja utilizado para o bem, em realidade em sua
grande maioria tem sido menosprezado em favorecimento de fins pessoais ou
de terceiros, corrompendo os valores éticos, morais e a política, alimentando a
rejeição pública sobre temas políticos.

6
Os critérios dentro do conceito
“democrático”
Um regime político pode ser chamado de “democrático” se satisfizer, de forma
substancial, três critérios básicos: inclusão, competitividade e institucionalização
de direitos civis e políticos fundamentais.

No regime político democrático há critérios básicos destinados à participação do povo

Fonte: Plataforma Deduca (2020).

• A inclusão

refere-se ao fato de que as posições mais importantes nas áreas de


autoridade executiva e legislativa são eletivas e a maior proporção possível
de membros adultos da comunidade política pode participar dessas eleições.

• A competitividade

significa não só que as eleições são competitivas, mas, também, e isso é


muito importante, que a oposição possa operar sem obstáculos entre as
eleições.

7
• Institucionalização de direitos civis:

processo devido, associação, prática religiosa, liberdade de expressão e


políticos fundamentais (votação, candidatura, etc.) são institucionalizações
quando podem ser efetivamente exercidas, novamente, pela maior proporção
possível de cidadãos.

A qualidade de uma democracia pode flutuar ao longo dessas dimensões, que são
variações ordinais, pois são baixo condicionantes. Exemplo: se as autoridades
forem eleitas, se o sufrágio for universal, se as eleições forem competitivas, se a
oposição for permitida aos que exercem o poder, se os direitos civis e políticos
podem ser exercidos por todos ou apenas por elites, etc.

Em geral o poder absoluto, mesmo quando baseado no consentimento dos


cidadãos, é a negação da democracia. Os limites em questão podem ser
consagrados em leis que determinam o que os governantes podem ou não fazer, ou
podem ser baseadas em práticas consideradas legítimas por todos os importantes
atores sociais e políticos.

Em qualquer caso, essas leis e práticas são institucionalizadas quando


efetivamente limitam o poder daqueles que exercem o poder executivo, ou seja, o
presidente ou o primeiro-ministro, as democracias republicanas e plebiscitárias.

A realidade é que, no caso brasileiro, por exemplo, a sociedade em geral não


acredita na política e não consegue enxergar o paralelo ou a união entre a ética e
política outrora defendida por pensadores como Aristóteles.

Uma das principais razões pela desconfiança e o desprestigio é a corrupção


no setor político. O surgimento de inumeráveis casos envolvendo políticos e
partidos políticos em casos de corrupção fez com que expressiva parcela da
população buscasse “limpar” o governo de indivíduos corruptos e antiéticos.
Contudo, na realidade prática, a população acompanhou que o problema não era
somente a violação dos valores éticos, morais e governamentais, mas também
o companheirismo partidário político que impede que os seus sejam julgados e
condenados por seus crimes.

8
Casos de políticos investigados com malas de dinheiro, gravações
comprometedoras, em diversos casos não foram suficientes para que determinados
políticos e empresários fossem presos, demonstrando a face da corrupção no país
e os entraves legais.

Índice da corrupção mundial

Fonte: Plataforma Deduca (2020).

Segundo dados colhidos pela Organização Não-Governamental Transparência


Internacional, entidade responsável por publicar dados estáticos do nível de
corrupção mundial, comprovou-se que o Brasil, no ano de 2016, ocupava a posição
de número 79 entre os países mais corruptos do mundo. Um dos países menos
corruptos do mundo é a Dinamarca, ao contrário da Somália, que por dez anos
seguidos segue ocupando a posição entre os países mais corruptos do mundo.

Fechamento
O art. 1º da Constituição Federal do Brasil apresenta como fundamento o Estado
Democrático de Direito, onde há união entre a igualdade do povo (democracia) e as
leis (direito). A democracia representa um governo do povo e para o povo, onde a lei
é a base desta.

O ser humano é dotado de valores éticos, os quais deverão possibilitar uma


participação coerente e correta dentro da política, eliminando desvios de conduta
ou postura.

9
Referências
DIAS, R. Ciência Política. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2013.

FLAMARION, C. R.; MELO, R.; FRATESCHI, Y. Manual de Filosofia Política: para os


cursos de teoria do estado e ciência política, filosofia e ciências sociais 3. ed. São
Paulo: Saraiva, 2018.

LA TAILLE, Y. de. Moral e Ética: dimensões intelectuais e afetivas. Porto Alegre:


Artmed, 2006.

MONTESQUIEU, C. de S. O espírito das leis: as formas de governo, a federação, a


divisão dos poderes. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2008.

RANIERI, N.B.S. Teoria do Estado: do Estado de Direito ao Estado Democrático de


Direito. Barueri, SP: Manole, 2019.

REALE, M. O Estado democrático de direito e o conflito das ideologias. 3. ed. São


Paulo: Saraiva, 2005.

VANIER, J. Aristóteles para quem busca a felicidade: A resposta da filosofia para


aquilo que todos nós buscamos. (s.c.): Kindle Edition, 2016.

10
Disposições
constitucionais dos
regimes jurídicos de
servidores públicos
Ribeiro, Karla
SST Disposições constitucionais dos regimes jurídicos de
servidores públicos / Karla Ribeiro
Ano: 2020
nº de p.: 11

Copyright © 2020. Delinea Tecnologia Educacional. Todos os direitos reservados.


Disposições constitucionais
dos regimes jurídicos de
servidores públicos

APRESENTAÇÃO
Nesta unidade, perceberemos que servidor público é a pessoa que presta serviços
à Administração Pública, direta ou indireta, por meio de vínculos empregatícios e
mediante remuneração custeada pelos cofres públicos. Diante da importância de
tais agentes para a consecução da coisa pública, a Constituição Federal de 1988
destacou um conjunto de direitos específicos para esses sujeitos. Nesse sentido,
compreenderemos os elementos específicos que compõem o regime jurídico desses
agentes, a partir da interpretação do Texto Constitucional.

Regimes jurídicos dos servidores


públicos
A Constituição Federal da República Brasileira de 1988 (CFRB/88) estabeleceu um rol
de princípios destinados à Administração Pública e, por consequência, ao servidor
público (brasil, 1988). Dentre esses, a figura a seguir destaca as chamadas “pedras
de toques” da Administração Pública.

Pedras de Toques da Administração Pública

Princípios
Constitucionais
Legalidade
Impessoalidade
Moralidade
Publicidade
Eficiênciar

Fonte: Elaborada pela autora (2020).

A CFRB/88 estabelece os princípios e preceitos nos quais os servidores devem se


pautar no âmbito de seu serviço estatal. Para facilitar, o legislador constitucional,
compila-os num capítulo único sobre as normativas relativas ao servidor público:
Título III, Capítulo VII da Constituição (BRASIL, 1988).

3
Saiba mais
Os Estados e municípios podem promulgar seus próprios
estatutos, porém devem ser observados os princípios e preceitos
constitucionais.

Observa-se que os preceitos e princípios destinados aos servidores públicos estão


estabelecidos na Constituição, com a intenção de fortalecer as garantias do servidor
público, bem como manter um equilíbrio entre a Administração Pública e os seus
servidores, a fim de os que laboram para o Estado não sejam, arbitrariamente,
cassados e destituídos pelo gestor público. Em suma, a Constituição fortalece o
vínculo jurídico entre o Estado e o servidor, diminuindo a vulnerabilidade do agente
público que labora para o ente ou órgão público (BRASIL, 1988).

Existem várias garantias importantes pertinentes ao servidor público, como a


remuneração, a estabilidade, o direito à livre associação, entre outros. Todavia, em
contrapartida, o servidor público deve realizar os serviços estatais com moralidade.
Segundo Rawls (2008), quem estabelecerá quais serão as diretrizes a serem
aplicadas nessa ideia de moral será o próprio grupo, visto que a moralidade se
distingue de comunidade para comunidade.

O acesso aos cargos públicos é para todos os brasileiros, conforme o art. 37 da


Constituição Federal, que prevê: “I – os cargos, empregos e funções públicas são
acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim
como aos estrangeiros, na forma da lei” (BRASIL, 1988).

Saindo do dispositivo legal, verifica-se que o legislador constitucional traz também


o estrangeiro como apto para realizar o ingresso originário ao serviço público.
Entretanto, existem algumas exceções, na própria legislação constitucional, devido
à natureza do cargo e à nacionalidade. O art. 12, § 3º estabelece que os cargos
de Presidente da República, Presidente da Câmara dos Deputados, Presidente do
Senado Federal, Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e Ministro de Estado,
além dos integrantes da carreira diplomática, e militares das Forças Armadas, são
reservados para os brasileiros natos. Assim, os estrangeiros não terão acesso aos
cargos expressamente estabeleci dos neste artigo (BRASIL, 1988).

4
REMUNERAÇÃO E SUBSÍDIOS DOS
SERVIDORES PÚBLICOS
Remuneração e subsídio não são sinônimos, conforme a Constituição estabelece
nos artigos 37, X, XI e 39, § 6, visto que a remuneração se refere ao valor recebido
em dinheiro, de forma geral, pelo trabalho exercido pelo servidor (BRASIL, 1988).

Saiba mais
Apesar de no cotidiano usarmos salário e remuneração como sinônimos,
eles não se confundem, pois a remuneração equivale a todos os
ganhos recebidos pelo trabalhador, enquanto os salários representam a
contraprestação paga em dinheiro ou utilidade diretamente.

Entretanto, o subsídio refere-se a uma remuneração específica de alguns agentes


públicos indicados nos artigos 39, § 4º;128, § 5º, I, c, e 135, direito que pode
ser estendido a qualquer servidor, desde que previsto em legislação específica
(BRASIL, 1988).

As remunerações dos ocupantes de cargos, funções e empregos estatais, conforme


a legislação constitucional, terão um limite máximo a ser verificado. Assim, por
exemplo, o ganho dos chefes dos poderes dos estados e Distrito Federal será
pautado pela remuneração dos ministros do STF. Em contrapartida, no caso dos
deputados estaduais, o indicador será a remuneração dos deputados federais.

O quadro a seguir traz o teto da remuneração dos servidores públicos.

5
Teto de remuneração dos servidores públicos

DISPOSITIVO
SERVIDOR PÚBLICO LIMITE
CONSTITUCIONAL
Para todas as unidades Ministros do Supremo
art. 37, XI.
autônomas da Federação. Tribunal Federal.

Cargos do poder legislativo e


Poder executivo. art. 37, XII.
do poder judiciário.

Deputados estaduais Deputados federais art. 27, § 2º.

Deputados estaduais; porém,


Vereadores deve ser verificada a receita art. 29, VI e VII.
do respectivo munícipio

Ministros do Supremo
Tribunal Federal, dos
Magistrados Tribunais Superiores e art. 93, V.
das demais categorias da
estrutura judiciária nacional.

Dirigentes e empregados
das empresas públicas, das
sociedades de economia
Ministros do Supremo
mista e de suas subsidiárias art. 37, § 9º.
Tribunal Federal.
quando receberem recursos da
União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios.

Fonte: Elaborado pela autora (2020).

É oportuno observar que esses parâmetros constitucionais entraram em vigor


pela Emenda Constitucional nº 19/98 e, nesse contexto, servidores públicos que
recebiam, anteriormente a essa emenda, remuneração maior que a prevista na
legislação não tiveram alteração de valores, devido à aplicação do instituto do direito
adquirido (CFRB/88, art. 60, § 4.º, IV, c/c art. 5º, XXXVI).

A Constituição também estabeleceu que os servidores públicos não podem


acumular remunerações, ou seja, não podem exercer mais de duas funções. Todavia,
a legislação constitucional estabelece exceções que estão previstas no art. 37, XVI,
a, b, c (BRASIL, 1988), que são:

• dois cargos de professor;


• um cargo de professor com outro técnico ou científico;
• dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões
regulamentadas.

6
Diferentemente da remuneração, o subsídio é uma parcela única que pode ser paga a
qualquer ocupante de cargo público.

Saiba mais
O STF vem enfrentando a matéria de possibilidade de ganhos de
servidores públicos para além do teto constitucional.

Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=ZxCoZfZ51jw.

Direitos e garantias dos servidores


públicos
Assim como os demais trabalhadores, os servidores públicos possuem direitos e
garantias que lhes são próprias. Ademais, para além das garantais estabelecidas no
Texto Constitucional, o legislador infraconstitucional estipula outras regras.

Saiba mais
Documentário: Os grandes julgamentos.

Sinopse: o STF julga a matéria que estabelece as garantias mínimas


ao servidor público.

Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ccBJkqtz6n0.

As férias, conforme afirma Moreira Neto (2008), são um direito social trazido pela
Constituição. Todavia, existem outros direitos previstos para os servidores públicos,
bem como os ocupantes de cargo público, inclusive os de cargo em comissão, que
estão elencados no art. 39, § 3º dessa lei constitucional, que são:

• salário mínimo;
• garantia de salário nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remune-
ração variável;

7
• décimo terceiro salário;
• remuneração do trabalho noturno superior ao diurno;
• salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda,
nos termos da lei;
• duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e
quatro semanais;
• repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;
• remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, a 50% à do normal;
• gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais que o
salário normal;
• licença à gestante;
• licença paternidade, nos termos fixados em lei;
• proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos especiais,
nos termos da lei;
• redução dos riscos inerentes ao trabalho por meio de normas de saúde, higiene
e segurança;
• proibição de diferença de salários, de exercícios de funções e de critérios de
admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil (BRASIL, 1988).

O direito de greve é mais uma garantia trazida pela Constituição de 1988, ou seja,
o ocupante de cargo ou função pública tem direito de paralisação, no intuito de
solicitar suas reivindicações.

Outra garantia constitucional, em conformidade com Silva (2017), é a estabilidade


que o servidor público adquire após três anos de permanência (período de
estágio probatório) no serviço público, resultante do concurso público que lhe deu
investidura. Após esse período, e obtendo a estabilidade, o servidor só pode ser
exonerado em três situações:

Casos de exoneração do servidor público

DISPOSTIVO
TIPO DE EXONERAÇÃO
CONSTITUCIONAL
Demissão por falta disciplinar art. 41, § 1º, II.

Exoneração por insuficiência de


art. 41, § 1º, III.
desempenho.

Exoneração para cumprir limites


art. 169, caput, e seu § 4.
de despesa com pessoal.

Fonte: Elaborada pela autora (2020).

8
A livre associação sindical, na visão de Mendes e Branco (2017), é uma garantia
constitucional do servidor público, que permite que ele se associe aos sindicatos
que desejar, sem qualquer restrição, conforme prevê a Constituição, no art. 37, VI,
compatibilizado com o artigo 8º.

Sobre o período de estágio probatório, Braz (1998) estabelece que se refere a um prazo
temporal em que o servidor público deve exercer seu cargo, que corresponde ao início
de sua jornada estatal, ou seja, começa com a posse e termina após três anos, em que o
Estado deve observar e apurar o comportamento funcional do servidor.

Autores como Alonso, López e Castrucci (2012) destacam que, além de os profissionais
estarem sujeitos às sanções dispostas no código de ética, em alguns casos eles podem
responder por processos administrativos e criminais. Caso a infração ocorra no período
do estágio probatório, pode ocorrer a perda do cargo estatal.

9
Fechamento
Nesta unidade, compreendemos que o legislador constitucional atribuiu um conjunto
de princípios que são próprios aos servidores públicos e que as chamadas “pedras
de toque” da Administração Pública devem ser observadas por todos aqueles que
executam ações estatais.

Verificamos que o servidor público é aquele que está submetido a um regime jurídico
diferenciado, uma vez que, na prática, esse que faz as vezes da atividade estatal.
Ademais, percebemos que tamanho é o disciplinamento das ações dos servidores
estatais que a Constituição trouxe, em seu texto originário, tais regras.

Por fim, verificamos que, assim como aos demais trabalhadores, aos servidores
públicos é destinado um rol de direitos e garantias. Todavia, a fim de manter o
equilíbrio das contas públicas, o constituinte limitou o teto salarial desses sujeitos
ao dos Ministros do Superior Tribunal Federal.

10
Referências
ALONSO, F. R.; LÓPEZ, F. G.; CASTRUCCI, P. de L. Curso de ética em administração:
empresarial e pública. São Paulo: Atlas, 2012.

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de


1988. In: VADE Mecum. São Paulo: Saraiva, 2020.

BRAZ, P. O servidor público na reforma administrativa. Leme: Ed. de Direito, 1998.

MENDES, G. F.; BRANCO, P. G. G. Curso de direito constitucional. 12. ed., rev. atual.
São Paulo: Saraiva, 2017.

MOREIRA NETO, D. de F. Curso de direito administrativo: parte introdutória. 15. ed.


rev., refund. e atual. Rio de Janeiro: Forense, 2009.

RAWLS, J. Uma teoria da justiça. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

SILVA, J. A. da. Curso de direito constitucional positivo. 40. ed. São Paulo:
Malheiros, 2017.

11
Carreiras dos
servidores públicos
Ribeiro, Karla
SST Carreiras dos servidores públicos / Karla Ribeiro
Ano: 2020
nº de p.:12

Copyright © 2020. Delinea Tecnologia Educacional. Todos os direitos reservados.


Carreiras dos servidores
públicos

APRESENTAÇÃO
Nesta unidade, estudaremos que para que o Estado execute as ações que lhe
competem, necessita de um conjunto de indivíduos que tenham atribuição e
competência para realizar tais atividades. Veremos que os agentes públicos
são todos os indivíduos que executam uma ação em nome do poder público,
assim como são classificados conforme a função e a forma com que adentraram
à administração pública. Perceberemos que cada exercício profissional, na
administração pública, é limitado conforme disposição legal e analisaremos
como, em regra, esse acesso ocorre, além de destacarmos as formas de cargos e
empregos públicos.

ACESSO ÀS FUNÇÕES PÚBLICAS


A Constituição Federal da República Brasileira de 1988 (CFRB/88) prevê a
acessibilidade aos cargos públicos, ou seja, legalmente, todos os brasileiros podem
exercer uma função pública, mesmo diante do fato de que o exercício de algumas
atividades requer do sujeito características e atribuições específicas. Nesse sentido,
art. 37, I, prevê que os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos
brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos
estrangeiros, na forma da lei.

Saiba mais
A Constituição é o maior documento normativo de um país e nela
estão contidas as principais regras e princípios direcionados ao
Estado e Sociedade.

O legislador constitucional traz também o estrangeiro como apto para realizar


o ingresso originário ao serviço público. Como já mencionado, existem algumas
exceções, na própria legislação constitucional, devido à natureza do cargo e à

3
nacionalidade. Por exemplo, conforme estabelecido na Constituição, no art. 12, §
3º para os seguintes cargos: Presidente da República, Presidente da Câmara dos
Deputados, Presidente do Senado Federal, Ministro do Supremo Tribunal Federal e
Ministro de Estado da Defesa.

Em outros dispositivos, dispõe que os cargos de integrantes da carreira diplomática


e militares das Forças Armadas são reservados para os brasileiros natos. Ou seja,
os estrangeiros não têm acesso aos cargos expressamente estabelecidos neste
artigo.

Saiba mais
Brasileiro nato: aquele que nasceu na Repúplica Brasileira, ainda
que seu pai seja estrangeiro e não esteja a serviço do seu país.

Brasileiro naturalizado: é o estrangeiro que, por meio


de naturalização, adquire a nacionalidade brasileira.

Brasileiro por equiparação: o nacional português, em regra,


tem cidadania e pode gozar de direitos políticos

A norma constitucional também estabelece que alguns cargos públicos devem


ser efetivados pelo sufrágio eleitoral, ou seja, por meio de eleição realizada pela
sociedade. Porém, o legislador estabeleceu que o cidadão só poderá se candidatar
a funções públicas mediante a idade mínima, conforme o caso.

Enfatiza-se que, para os cargos administrativos, o legislador infraconstitucional


deverá estabelecer, em lei, limites (mínimos e máximos) de idade, considerando as
características das funções que deverão ser desempenhadas. Todavia, a própria
administração pública poderá regulamentar, em dispositivo interno, a faixa de idade
do futuro servidor público.

4
Idade x cargo público

CONSTITUI-
CARGO IDADE MÍNIMA
ÇÃO
Vereador 18 anos art. 14, § 3.º, VI, d

Deputado Federal, Estadual e Distrital,


21 anos art. 14, § 3.º, VI, c
Prefeito, Vice- Prefeito e Juiz de Paz

Governador e Vice- Governador de


30 anos art. 14, § 3.º, VI, b
Estado e do Distrito Federal

Juízes dos Tribunais Regionais


30 anos art. 107, caput
Federais

Presidente e Vice-Presidente da
35 anos art. 14, § 3.º, VI, a
República e Senador

Ministros do Tribunal de Contas da


35 anos art. 73, § 1.º, I
União

Ministros do Supremo Tribunal Federal 35 anos art. 101, caput

art. 104, parágrafo


Superior Tribunal de Justiça 35 anos
único

Tribunal Superior do Trabalho 35 anos art. 111-A, § 1.

Ministros civis do Superior Tribunal art. 123, parágrafo


35 anos
Militar único

Fonte: Elaborada pela autora (2020).

Em suma, pode-se entender que, para ser um servidor público, o cidadão deverá
verificar alguns requisitos estabelecidos em lei. Todavia, para exercer uma função,
no regime estatutário, o cidadão deverá ser aprovado previamente em concurso
público, eleito ou ainda convocado para exercer funções de confiança.

FORMAS DE INGRESSO NA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Como já mencionado, algumas funções públicas demandam do indivíduo
características e habilidades específicas. Assim, o ingresso também ocorrerá por
distintas formas. A figura a seguir traz as espécies de agentes públicos previstas no
ordenamento jurídico pátrio.

Agentes públicos

5
Agentes
políticos
Agentes Empregados
de cooperação públicos
Agentes públicos
Servidores Contratados por
públicos prazo determinado

Militares Estatutários
Fonte: Elaborada pela autora (2020).

Passaremos a examinar as formas de ingresso dos servidores públicos. Para o


cidadão realizar a investidura em cargo ou emprego público, deverá realizar uma
prova pública, que poderá ser de conhecimento ou de conhecimento e títulos.
Assim, para ocorrer a investidura num cargo ou emprego público, o cidadão deverá
realizar um concurso público. O art. 37, II estabelece que:

A investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia


em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a
natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em
lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei
de livre nomeação e exoneração. (BRASIL, 1988)

Os procedimentos de concursos públicos estão previstos em lei, sendo proibido à


administração pública, estabelecer ou criar condições de acesso à investidura que
não estejam previstas na legislação.

Saiba mais
O concurso público não pode eliminar candidato com
tatuagem, segundo decisão do STF. Leia mais em: http://
www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?
idConteudo=323174.

A publicação do edital do concurso não gera o direito de investidura no cargo público e,


somente com a homologação do edital serão confirmados os concursados aprovados
no concurso, bem como a ordem de classificação em que poderão ocupar os cargos
vagos referentes ao certame para o qual se candidataram.

6
Outro ponto importante é que, obrigatoriamente, o concurso público será uma
prova escrita ou prática, de forma oral ou uma combinação destas, mas nunca
apenas uma simples prova de títulos, visto que poderia ser facilmente fraudado,
prevalecendo o nepotismo ou o favoritismo.

Mesmo que o servidor faça um concurso público, não necessariamente terá seu
regime de contratação como estatutário, visto que o Estado pode contratar pessoas
em regime de empregados, regidos pela CLT.

Existem cargos nos quadros da administração pública que podem ser exercidos
por pessoas não concursadas ou não eleitas pela sociedade. Na verdade, elas
são nomeadas por serem pessoas de confiança dos gestores públicos e, como
consequência, deverão exercer cargos comissionados na administração pública.

As funções destinadas aos cargos de comissão, de livre nomeação e


exoneração, em conformidade com o artigo 37, II e V, são os de direção, chefia
e assessoramento. Perceba que esses cargos podem ser preenchidos por
qualquer pessoa, preferencialmente por servidores de carreira e o provimento é de
competência do chefe de poder de Estado.

Os cargos e funções de confiança têm a finalidade de atender os agentes políticos


eleitos, contudo, a quantidade de comissionados na administração pública não
pode ser tão grande a ponto de prejudicar o sistema de meritocracia advindo do
concurso público, nem tão reduzido a ponto de dificultar que o gestor público efetive
sua ideologia partidária.

Provimentos no serviço público


O ingresso do indivíduo no serviço público denomina-se provimento. Esse
acesso se faz por meio de um processo administrativo (um conjunto de atos da
administração pública), que tem como finalidade a investidura de um cidadão num
cargo, emprego ou função.

7
Saiba mais
A Constituição traz, muitas vezes, a expressão investidura como
sinônimo de provimento. Todavia, é necessário distinguir os termos:
enquanto provimento deve ser entendido como o processo pelo
qual o cidadão ingressa na função pública, investidura refere-se
ao momento em que o indivíduo tem sua posse no cargo público.

Perceba que o ato, dentro do processo de provimento, integra o indivíduo


(candidato) à função pública, por consequência, submetendo-o ao estatuto
funcional e habilitando-o à posse e ao exercício. Esse provimento pode ser vitalício,
efetivo ou em comissão, dependendo do cargo que o indivíduo preencherá.

Conforme a legislação, o provimento de um servidor estatutário poderá ser:

Provimentos

Nomeação
Promoção
Ascensão
Transposição
Transferência
Substituição
Readmissão
Provimentos Reintegração
Aproveitamento
Reversão
Readaptação
Transformação
Reclassificação
Recondução

Fonte: Elaborada pela autora (2020).

A seguir, vamos conhecer as principais.

Sobre a nomeação, é importante destacar que se refere ao ato que dá início ao


provimento originário, ou seja, é a convocação para o indivíduo adentrar ao sistema
estatutário, seja ele vitalício, efetivo ou em comissão. O próximo ato após a
nomeação será a posse.

8
A promoção refere-se a um provimento que promove o servidor público para uma
função superior dentro da carreira que estava seguindo.

A ascensão ocorre quando um servidor passa ocupar um cargo público de carreira


diferente da que pertencia anteriormente. Atualmente, esse provimento tem sua
aplicabilidade considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.

Sobre a transferência, ela se refere à passagem do servidor de um cargo para outro,


sem mudar de nível – lembrando que a transferência entre cargos de diferentes
atribuições pode ser considerada inconstitucional.

A substituição também é um tipo de provimento que se refere ao ato de o


servidor público, de forma temporária, assumir o posto de um servidor de cargo
hierarquicamente superior ao seu. Ressalta-se que esse provimento só pode
ocorrer de forma temporária e excepcional.

Já a transposição, apesar de semelhante à ascensão, com essa não se confunde.


Nessa modalidade de provimento, o servidor passa a ocupar outro cargo diverso
do qual ingressou na carreira pública. A justificativa era a exploração dos recursos
humanos disponíveis ao poder público. Atualmente, esse dispositivo também sofre
uma forte discussão sobre sua constitucionalidade.

Atenção
Não se pode confundir transferência com remoção ou permuta,
visto que a remoção deve ser entendida como uma movimentação
de cargos no mesmo quadro funcional.

A readmissão é um provimento que ocorre quando um servidor público é desligado


da administração pública de forma errônea. Verificando esse erro, o Estado
readmite-o. Perceba que o servidor público foi exonerado. Assim, havendo a
readmissão, retorna-se ao vínculo jurídico que estava anteriormente vigente.
Todavia, se não existir erro do poder estatal, não se pode falar em readmissão.

Diferentemente, a reintegração refere-se à situação que ocorre quando o servidor


público, penalizado por seus atos, é exonerado e, por motivo de anulação da pena
administrativa, retorna a seu cargo ou função.

9
O aproveitamento consiste em uma forma derivada de provimento. Nessa
modalidade há um retorno do servidor público, que se encontra disponível, a cargos
ou funções que ocupava anteriormente.

Outro provimento é a reversão, que tem como finalidade retornar o aposentado ao


serviço público, embora esse instituto não possa ser aplicado a determinadas
faixas etárias. Também serão verificadas, para a reversão, as condições de saúde
do servidor público que a esteja pleiteando.

O provimento da readaptação é a passagem do servidor público para ocupar um cargo


ou função compatível com suas situações físicas, psicológicas ou ainda intelectuais. O
objetivo é o bem-estar do servidor, colocando-o em outro cargo ou função.

Reflita
Veja como o STF vem decidindo lides contendo a matéria
de readaptação. Leia mais em: https://stf.jusbrasil.com.br/
jurisprudencia/24320673/recurso-extraordinario-com-agravo-
are-774289-sc-stf.

No que diz respeito à transformação e reclassificação, estas devem ser entendidas


como o provimento que coloca o servidor público civil em novo cargo ou função,
com um nome diferente, devido à reestruturação da administração pública. Nesse
caso, ocorre um enquadramento do servidor ativo num novo modelo de quadro
funcional, cuja denominação do cargo ou função é outra.

Por fim, existe a recondução como um provimento que se refere ao retorno


do servidor público ao cargo que ocupava anteriormente. Esse provimento
ocorre quando o servidor público é reprovado no estágio probatório, ou ainda
quando ocorre uma reintegração de outro servidor público no cargo que estava
ocupando. Outra hipótese de recondução pode ocorrer quando o servidor público é
reconduzido ao cargo de origem.

10
FECHAMENTO
Nesta unidade, vimos que os agentes públicos são as pessoas físicas que atuam
em nome estatal, ainda que de forma transitória. Percebemos que esses indivíduos
são fundamentais para o desenvolvimento das ações estatais e possuem
tratamento jurídico distinto, conforme seu ingresso na administração pública.

Estudamos que o ordenamento cria cargos que serão o lugar, determinado por lei,
no serviço público, que o agente público irá ocupar. Vimos ainda que determinados
cargos requerem dos sujeitos qualidades específicas, as principais formas de
ingresso na administração pública e fizemos a distinção entre concursos públicos
e cargos e funções de confiança. Assim, foi possível perceber que o administrador
público poderá contar com pessoas de confiança, ainda que não concursados, para
desenvolver sua gestão.

Compreendemos que o provimento é o instrumento jurídico que permite o ingresso


no cargo, emprego ou função pública e, por fim, analisamos as espécies desses
instrumentos e vimos como quando cada um pode ser aplicado na prática.

11
Referências
BRASIL.[Constituição (1988)]. Constituição Federal da República Brasileira de
1988. Brasília: Senado Federal [1988]. Disponível em: https://www.senado.leg.br/
atividade/const/con1988/CON1988_05.10.1988/CON1988.asp.Acesso em: 14 set.
2020.

12
Regime Jurídico
Estatutário
Ribeiro, Karla
SST Regime Jurídico Estatutário / Karla Ribeiro
Ano: 2020
nº de p.: 14

Copyright © 2020. Delinea Tecnologia Educacional. Todos os direitos reservados.


Regime Jurídico Estatutário

APRESENTAÇÃO
Nesta unidade, compreenderemos o regime jurídico estatutário, destacando seus
principais elementos e características. Assim, verificaremos que modelo normativo
regula a relação laboral e os direitos dos servidores públicos; que esse regime
pode ser adotado pelos três entes que compõem a federação: União, Estados e
Municípios; e que a Constituição Federal de 1988 dispensou normas básicas para
a criação desse regime. Ao examinar esse instituto, perceberemos que, apesar de
guardar semelhança, não se confunde com as normas dispostas pela Consolidação
das Leis Trabalhistas. Por fim, examinaremos os aspectos da Lei nº 8.112/90 e
apontaremos as principais garantias disponibilizadas ao servidor público.

CONSTITUIÇÃO E REGIME JURÍDICO


ESTATUTÁRIO
Antes de entrar no assunto propriamente dito, é necessário verificar que existem dois
tipos de servidores no Estado, classificação derivada do vínculo que essas pessoas
possuem com o poder público. Isso posto, verifica-se que em ambas as categorias
os indivíduos possuem conexão com o Estado por meio de contrato de trabalho, e
os servidores públicos têm vínculo baseado na lei. Por consequência, seus direitos e
deveres devem estar previstos na legislação.

Saiba mais
No âmbito do Direito Administrativo, considera-se agente público
toda pessoa que presta um serviço público. Logo, os servidores
públicos são uma espécie desse gênero.

É relevante observar que a escolha de qual regime a Administração Pública


deverá se pautar deve, anteriormente, analisar o dispositivo constitucional que
estabelece a exigência de regime jurídico único para os servidores nas entidades

3
da administração direta, autárquica e fundacional. Assim, não se admite que
os servidores públicos sejam contratados mediante as regras estabelecidas na
Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Saiba mais
A obtenção dos cargos públicos de regime estatutário deverá
ocorrer por meio de concurso público.

Nesse contexto, após a Constituição Federal da República Brasileira (CFRB/88),


a administração pública, inclusive a União Federal, passou a aplicar a todos os
servidores o regime estatutário, adotando a Lei nº 8.112, de 11 de novembro de
1990, que estabelece as regras aplicáveis à atuação dos servidores públicos.

Com o advento da Emenda constitucional (EC) nº 19, de 04 de junho de 1998


(BRASIL, 1998), a CFRB/88, art. 39, passou a versar da seguinte forma:

A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no


âmbito de sua competência, regime jurídico único e planos de carreira
para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das
fundações públicas. § 5º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal
e dos Municípios poderá estabelecer a relação entre a maior e a menor
remuneração dos servidores públicos, obedecido, em qualquer caso, o
disposto no art. 37, XI. (BRASIL, 1998)

Todos os entes da Federação, bem como as autarquias e fundações públicas,


deviam ter um regime jurídico único. Todavia, com a instituição da EC nº 19, essa
regra foi alterada. Cria-se então a possibilidade de um mesmo ente federativo
possuir dois tipos de regimes para seus servidores, ou seja, simultaneamente
poderia haver a contratação de empregados por meio de diretrizes da CLT e, ainda,
a nomeação de servidores estatutários aprovados por concurso público, com
embasamento na Lei nº 8.112/90.

4
Reflita
A Administração Pública poderá ter, portanto, em seu quadro
funcional, pessoas contratadas como empregados públicos e que,
por consequência, estariam submetidas a outro regime que, por
exemplo, não precisaria de concurso público.

Nesse caso, não estariam obrigados a ter sua remuneração menor que o teto
estabelecido pelo dispositivo 37, XII, da Constituição Federal, pois o regulamento
que rege esse contrato jurídico é a Lei nº 9.962/00, de 22 de fevereiro de 2000.
Assim, no âmbito do ordenamento jurídico infraconstitucional, a citada lei limita os
cargos em regime celetista ao estabelecer que a Administração Pública só pode
utilizar contratos com regime de CLT quando não estiverem elencados nessa própria
legislação. No caso de um contrato por prazo indeterminado, a rescisão somente
pode ocorrer por parte da Administração Pública.

Essa emenda constitucional (19/98) foi alvo de uma ação direta de


inconstitucionalidade (Adin 2135) que a declarou inconstitucional por ser
incompatível com o art. 60, § 2°, do diploma constitucional, que estabelece que
as emendas constitucionais devem ser tramitadas nas duas casas do Congresso
Nacional, em dois turnos, bem como se verificou que afrontava o art. 60, § 4°, da
CFRB/88, que prevê que uma emenda constitucional não pode modificar uma
cláusula pétrea (BRASIL, 1988; 1998). Examinando o eventual vício formal, o
Supremo Tribunal Federal (SFT), em 2 de agosto de 2007, suspendeu a emenda por
meio de liminar, até que o julgamento tivesse a tramitação do julgamento finalizada.

Após esse julgamento, comprovou-se a inconstitucionalidade da EC nº 19, e o art.


39 da Constituição teve sua redação retornada ao original. Por consequência, a
Administração Pública direta passou a ter o dever de admitir somente servidores em
regime estatutário, aplicando a Lei nº 8.112/90.

Dito isso, verifica-se que a obrigatoriedade após a Adin encontra-se no âmbito da


esfera de governo federal, que deverá ter apenas um regime jurídico. Entretanto, as
autarquias poderão realizar a contratação de empregados regida pela Consolidação
das Leis do Trabalho. Outro ponto a ser ressaltado é que os servidores que
entraram antes de a decisão da Adin 2135 ser publicada deverão manter seu regime
jurídico com o Estado, sem ser modificado.

5
Saiba mais
A Ação Direita de Inconstitucionalidade tem por objetivo verificar
se uma norma é compatível, formal ou materialmente, com o Texto
Constitucional.

Preferência do regime estatutário


Como já mencionado, cada ente federativo deverá, mediante lei, definir qual será o
regime jurídico a ser aplicado na sua administração direta, autarquias e fundações
públicas de direito público. Todavia, somente poderá optar por um regime jurídico.
Logo, pode eleger a aplicação do regime de cargos ou emprego público.

Porém, deve ser observado que desde a CFRB/88, o Estado tem adotado o regime
estatutário para seus servidores, principalmente por este trazer mais garantias
à prestação de serviço público, além de estabilidade aos servidores e um regime
especial de aposentadoria (BRASIL, 1988).

Saiba mais
Conforme Moreira Neto (2009), os direitos atribuídos aos
estatutários têm como finalidade garantir que a prestação de serviço
público contínuo seja exercida com moralidade e impessoalidade.

Nesse contexto, verifica-se que o agente público que se sente estável no seu
trabalho, sem se preocupar com possíveis ameaças políticas, devido à garantia do
concurso público, pode exercer sua função de forma mais eficiente.

Assim, segundo Mendes e Branco (2017), o regime jurídico único, aplicado à União
Federal, autárquica e fundações públicas, deverá ser o estatutário. E todos que
ingressaram no regime pautado pela CLT deverão ter suas contratações convertidas
ao regime estatutário, conforme estabelecido pelo artigo 243 da própria Lei nº
8.112/90.

6
O artigo 19, § 1°, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT)
estabelece que os servidores que tiverem seu regime convertido terão o tempo
de serviço dos servidores como CLT computado para aposentadoria, bem como
deverão subir de nível na carreira. Dito isso, vale observar o dispositivo 243, § 12, que
estabelece que:

Ficam submetidos ao regime jurídico instituído por esta Lei, na qualidade


de servidores públicos, os servidores dos Poderes da União, dos ex-
Territórios, das autarquias, inclusive as em regime especial, e das fundações
públicas, regidos pela Lei nº 1.711, de 28 de outubro de 1952 – Estatuto
dos Funcionários Públicos Civis da União, ou pela Consolidação das Leis do
Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei n. 5.452, de 1° de maio de 1943, exceto
os contratados por prazo determinado, cujos contratos não poderão ser
prorrogados após o vencimento do prazo de prorrogação. § 12 Os empregos
ocupados pelos servidores incluídos no regime instituído por esta Lei ficam
transformados em cargos, na data de sua publicação. (BRASIL, 1988)

Após a edição do estatuto dos servidores federais, não há mais servidores públicos
em regime pautado pela CLT. Somente na União Federal existem estatutários, com
estabilidade definida pelo artigo 19 da ADCT, que traz como texto legal:

Os servidores públicos civis da União, dos Estados, do Distrito Federal


e dos Municípios, da administração direta, autárquica e das fundações
públicas, em exercício na data da promulgação da Constituição, pelo
menos cinco anos continuados, e que não tenham sido admitidos na
forma regulada no art. 37, da Constituição, são considerados estáveis no
serviço público. (BRASIL, 1988).

Alterando a Lei nº 8.112/90, existe uma hipótese de exoneração dos servidores nos
casos de não haver estabilidade daquele que não obteve cinco anos contados da
promulgação do texto constitucional vigente. Todavia, o servidor público que for
exonerado devido à não estabilidade trazida por essa legislação deve ser indenizado,
conforme estabelecido no art. 243, § 7º:

Os servidores públicos de que trata o caput deste artigo, não amparados


pelo art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, poderão,
no interesse da Administração e conforme critérios estabelecidos em
regulamento, ser exonerados mediante indenização de um mês de
remuneração por ano de efetivo exercício no serviço público federal.
(BRASIL, 1990)

7
DIREITO E DEVERES NA LEI 8.112/900
Antes de falar sobre os direitos, é importante fazer uma distinção entre a
remuneração e os vencimentos. Nesse sentido, estabelece a Lei nº 8.112/90, no seu
art. 40, que o vencimento é a retribuição pecuniária pelo exercício de cargo público,
com valor fixado em lei. Entretanto, o art. 41 da mesma lei prevê que a remuneração
é o vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens pecuniárias permanentes
estabelecidas em lei.

A figura a seguir apresenta as espécies de remuneração.

Espécies de remuneração

Montante sem
Vencimentos benefícios extras que
o servidor recebe

Remuneração

Montante que o
Salário empregado recebe
pelo serviço prestado

Fonte: Elaborada pela autora (2020).

A partir desse esquema, verifica-se que a remuneração pode ser entendida como o
valor dos vencimentos somado às vantagens pecuniárias de caráter permanente.
Todavia, além do vencimento, o servidor público poderá receber, segundo o art. 49 da
Lei nº 8.112/90, as seguintes vantagens: indenizações; gratificações; adicionais.

A próxima figura apresenta as vantagens que o servidor público pode receber


juntamente com seus vencimentos.

8
Vantagens da remuneração – servidor público

Ajuda de custo;
Diárias;
Indenização de
Indenização transporte;
Auxílio-moradia

Vantagens
Função de confiança;
Gratificação natalina;
Adicional de
Salário
insalubridade;
Adicional de serviço
extraordinário;
Adicional noturno;
Adicional de férias;
Gratificação por
encargo de curso ou
concurso
Fonte: Elaborada pela autora (2020).

As indenizações são os valores que o Estado ressarce para o servidor público devido
ao gasto pelo exercício de sua função. Conforme o art. 53 da Lei nº 8.112/90, serão
entendidos como ajuda de custo os valores restituídos ao servidor pelo gasto com
sua mudança de residência, conforme o interesse do Estado em mudá-lo de sede
(BRASIL, 1990).

Diferencia-se assim de diária, visto que esta, conforme o art. 58 da mesma


legislação, deve ser entendida como a restituição de valores gastos pelo servidor
quando se deslocar da sua sede de trabalho para outro ponto do território nacional
ou, ainda, para uma localidade internacional (BRASIL, 1990).

Segundo o art. 60 desta lei, pode o servidor público receber indenização quando
utilizar seu próprio veículo para efetuar serviços externos, chamada de indenização
de transporte (BRASIL, 1990).

Conforme esse artigo da Lei nº 8.112/90, além do vencimento e das vantagens, o


servidor público poderá fazer jus de retribuições, gratificações e adicionais como:
função de confiança, gratificação natalina, adicional de insalubridade, adicional
de serviço extraordinário, adicional noturno, adicional de férias e gratificação por

9
encargo de curso ou concurso. Todavia, observa-se que essas hipóteses trazidas por
esse ordenamento não são taxativas.

Sobre as férias propriamente ditas, o art. 77 estabelece que, após um ano de


trabalho estatal, o servidor público terá direito ao afastamento de seu trabalho por 30
dias, com as devidas remunerações (BRASIL, 1990).

Saiba mais
Os chamados servidores públicos “contratados”, em regra, não
fazem juz ao gozo de férias.

Outro direito do servidor público refere-se às licenças, que são afastamentos do


trabalho. Essa garantia pode ser solicitada pelo servidor público por motivo de
doença de uma pessoa da família e será concedida apenas após perícia médica
oficial, sendo essa modalidade de licença não remunerada pelo Estado. Conforme o
art. 83, será considerado pessoa da família o cônjuge ou companheiro, dos pais, dos
filhos, do padrasto ou madrasta e enteado, ou dependente que viva a suas expensas
e conste do seu assentamento funcional” (BRASIL, 1990).

Outra justificativa para que o servidor possa solicitar afastamento será o afastamento do
cônjuge ou companheiro que exerce mandato eletivo nos poderes executivo e legislativo
para outra localidade do território nacional ou ainda para o exterior. Contudo, essa
licença não dá direito à remuneração do servidor (BRASIL, 1990).

O servidor público que se afastar de seu trabalho, motivado pelo serviço militar, terá
30 dias para retornar ao seu trabalho após terminar seu dever com o serviço militar –
licença que também não faz jus à remuneração (BRASIL, 1990).

Outra licença trazida pelo dispositivo 86 desta lei estabelece que o servidor público
poderá se afastar de seu trabalho para atividade política. Todavia, não poderá
receber nenhuma remuneração (BRASIL, 1990).

O servidor público poderá solicitar afastamento do seu trabalho, ainda, com o


pretexto de cuidar de interesses particulares, pedido que somente será concedido
a critério da Administração Pública. Caso seja conferido, o prazo máximo de
afastamento será de três anos consecutivos e apenas para servidores que já tenham
estabilidade, ou seja, que não estejam no estágio probatório (BRASIL, 1990).

10
Outra licença trazida pela lei refere-se ao Desempenho de Mandato Classista, que
também ocorrerá sem remuneração. Observa-se que, segundo o art. 92, o mandato
classista pode ser entendido como o mandato em

[...] confederação, federação, associação de classe de âmbito nacional,


sindicato representativo da categoria ou entidade fiscalizadora da
profissão ou, ainda, para participar de gerência ou administração em
sociedade cooperativa constituída por servidores públicos para prestar
serviços a seus membros. (BRASIL, 1990)

Tem direito ao afastamento de seu trabalho, ainda, o servidor público: para servir a
outro órgão ou entidade; exercício de mandato eletivo; estudo ou missão no exterior;
participação em programa de pós-graduação stricto sensu no país, entre outros
(BRASIL, 1990).

Saiba mais
Considera-se pós-graduação stricto sensu os cursos de
mestrado, doutorado e pós-doutorado.

Outro direito do servidor público se refere à permissão para trabalho em um


horário especial, para o servidor que estiver estudando, no caso de seu horário ser
incompatível com seu trabalho no Estado. Todavia, deverá o servidor respeitar a
duração semanal do trabalho (BRASIL, 1990).

A Lei nº 8.112/90 prevê o direito à petição, que pode ser aplicado para assegurar o
direito de o servidor público requerer a defesa de direito ou interesse legítimo. Essa
petição será encaminhada para a chefia direta para que a autoridade competente
julgue o solicitado. Destaca-se que o prazo de petição prescreve em cinco anos,
quanto aos atos de demissão e de cassação de aposentadoria ou disponibilidade, ou
que afetem o interesse patrimonial e créditos resultantes das relações de trabalho,
em conformidade com o art. 110, I (BRASIL, 1990).

Saiba mais
A petição é um ato administrativo de caráter processual.

11
Conforme a Lei nº 8.112/90, os servidores públicos também possuem deveres que
são elencados no art. 116 (BRASIL, 1990):

São deveres do servidor: I exercer com zelo e dedicação as atribuições


do cargo; II ser leal às instituições a que servir; observar as normas
legais e regulamentares; cumprir as ordens superiores, exceto quando
manifestamente ilegais; atender com presteza ao público em geral,
prestando as informações requeridas, ressalvadas as protegidas por
sigilo; à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou
esclarecimento de situações de interesse pessoal; às requisições
para a defesa da Fazenda Pública; levar as irregularidades de que tiver
ciência em razão do cargo ao conhecimento da autoridade superior ou,
quando houver suspeita de envolvimento desta, ao conhecimento de
outra autoridade competente para apuração; zelar pela economia do
material e a conservação do patrimônio público; guardar sigilo sobre
assunto da repartição; manter conduta compatível com a moralidade
administrativa; ser assíduo e pontual ao serviço; tratar com urbanidade
as pessoas; representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder.
(BRASIL, 1990)

Quando ocorre o descumprimento dos deveres estabelecidos no art. 116, o


servidor público poderá ser punido com as penas de advertência e, nos casos
de reincidência, com pena de suspensão, conforme os artigos 129 e 130,
respectivamente (BRASIL, 1990).

Saiba mais
Para que haja uma sanção admnistrativa, é preciso observar o devido
processo legal e o direito de defesa daquele que está sendo objeto.

Caso o servidor público desrespeite as proibições ou ainda os deveres, poderá


ser sancionado em três âmbitos diferentes: civil, penal e administrativo. Também
responderá civilmente quando seus atos gerarem prejuízos ao erário ou a terceiros,
por dolo ou culpa. No âmbito penal, as sanções ocorrerão sempre que o servidor
praticar infrações funcionais definidas em lei, como crimes ou contravenções. E, por
fim, será sancionado administrativamente quando as infrações funcionais estiverem
definidas em leis administrativas.

12
FECHAMENTO
Nesta unidade, estudamos que a Constituição Federal estabelece regras específicas
destinadas ao servidor público e vimos que cada ente da federação possui autonomia para
ter seus servidores, mas que deve seguir as formas legais quando da admissão destes.

Aprendemos que o regime jurídico dos servidores públicos no Brasil é regulamento


pela Lei nº 8.1120/90, que se destina a regular a carreira do servidor público brasileiro e
percebemos que essa norma, ao longo do tempo, passou por algumas mutações.

Por fim, entendemos que existe um conjunto de direitos e deveres específicos que
são atribuídos ao servidor público e que leva em consideração sua inserção na
Administração Pública.

13
Referências
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de
1988. In: VADE Mecum. São Paulo: Saraiva, 2020.

______. Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Dispõe sobre o regime jurídico dos
servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais.
In: VADE Mecum. São Paulo: Saraiva, 2020.

______. Lei nº 9.527, de 10 de dezembro de 1997. Altera dispositivos das Leis nº


8.112, de 11 de dezembro de 1990, 8.460, de 17 de setembro de 1992, e 2.180, de 5
de fevereiro de 1954, e dá outras providências. In: VADE Mecum. São Paulo: Saraiva,
2020.

______. Emenda Constitucional 19/1998. Modifica o regime e dispõe sobre princípio


e normas da Administração Pública, Servidores e Agentes políticos, controle de
despesas e finanças públicas e custeio de atividades a cargo do Distrito Federal, e dá
outras providências. 1998. In: VADE Mecum. São Paulo: Saraiva, 2020.

______. Lei nº 9.962, de 22 de fevereiro de 2000. Disciplina o regime de emprego


público do pessoal da administração federal direta, autárquica e fundacional, e dá
outras providências. In: VADE Mecum. São Paulo: Saraiva, 2020.

MENDES, G. F.; BRANCO, P. G. G. Curso de direito constitucional. 12. ed. São Paulo:
Saraiva, 2017.

MOREIRA NETO, D. F. Curso de direito administrativo: parte introdutória. 15. ed. Rio
de Janeiro: Forense, 2009.

14
Código de ética do
servidor público
Ribeiro, Karla
SST Código de ética do servidor público / Karla Ribeiro
Ano: 2020
nº de p.: 12

Copyright © 2020. Delinea Tecnologia Educacional. Todos os direitos reservados.


Código de ética do
servidor público

Apresentação
No mundo empresarial, pode-se afirmar que o conjunto de normas que o
profissional deve seguir são aquelas que também se aplicam aos demais
indivíduos, como ser honesto, ser responsável, tratar bem as pessoas, entre outras.
Já na administração pública, além da ética propriamente dita, os servidores estão
vinculados pelos princípios do art. 37 da Constituição Federal de 88: legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Dito isto, a conduta do servidor público nem necessitaria de um Código de Ética


pois estão obrigados desde sua posse a agirem conforme a Constituição Federal de
88, mas mesmo o Código de Ética foi adotado para realmente garantir uma conduta
totalmente dentro de aspectos morais e éticos.

Ética e moral
Atualmente, o tema “ética” está em foco, principalmente no serviço público, com
tantas manchetes de corrupção. Todavia, poucas pessoas da sociedade sabem
definir o termo em questão e pontuar a diferença entre esses termos, que não
podem ser considerados sinônimos.

Ética e valores

Fonte: Deduca, 2020.

3
Apesar de muitas pessoas utilizarem esses dois termos como palavras de mesmo
sentido, conforme Alonso, López e Castrucci (2012, p. 3), “[...] predomina a corrente
de utilizar ética como ciência ou filosofia da conduta humana e moral para se referir
à qualidade da conduta humana”.

Nesse contexto, a ética é a ciência que estuda a moral, bem como as suas
repercussões quando aplicadas a algum grupo social. Perceba que a ética pode
ser entendida como a investigação do comportamento social pautado em regras e
valores de forma metodologicamente racional. Logo, a ética pode ser compreendida
como a investigação do comportamento do indivíduo na sociedade, baseada em
regras de valores morais.

Saiba mais
Assim, as condutas do indivíduo, no âmbito social, no dia a dia,
são pautadas pela ética da sociedade em que está inserido, por
meio de códigos ou mesmo costumes.

Em contraponto, a moral é o conjunto de regras que determinam as ações das


pessoas num ambiente social. Essas regras são trazidas por meio da cultura, da
tradição, da educação e dos grupos e instituições sociais em que o indivíduo está
inserido, como as instituições religiosas.

Apesar de não serem consideradas sinônimos, a ética e a moral estão


intrinsecamente ligadas, visto que a moral é a prática da ética. Nesse contexto, os
valores éticos impulsionam os indivíduos a realizar uma ou outra atitude, tendo um
papel fundamental na condução de determinado grupo social, que se baseia nesse
valor ético para buscar o bem comum.

Saiba mais
Assista ao vídeo do Canal Café Filosófico onde os filósofos
Clovis de Barros Filho e Mario Sergio Cortella debatem sobre a
Ética do Cotidiano. Disponível no link: https://www.youtube.com/
watch?v=9_YnlPXKlLU

4
Valores e virtudes
Quando pensarmos em valores de um indivíduo, devemos ter em mente que esses
são a base da conduta de um indivíduo e, por consequência, são fundamentais para
que sejam tomadas as devidas decisões, tanto no âmbito pessoal como dentro de
uma organização. Podemos dizer que os hábitos idôneos podem ser chamados de
virtudes; logo, as pessoas virtuosas são as que praticam ações com valores.

Reflita
Uma conduta virtuosa --> Respeitar o ser humano Valor da pessoa
--> Respeito.

Outro ponto importante refere-se aos padrões de conduta, ou conjunto de princípios


e regras que devem ser seguidos por determinado grupo. Esses padrões devem
ser estabelecidos pelo próprio grupo que utiliza, visto que não existem padrões
de condutas que o grupo social não legitime. Perceba que, quando os valores,
ao longo de um período, se modificam, os costumes também se reformulam,
e por consequência, a legislação que vigora nessa sociedade também sofre
modificações.

Saiba mais
Pode ser um exemplo a ocupação da favela da Rocinha, no Rio de
Janeiro, em 17 de setembro de 2017, conforme o site da UOL: https://
noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/09/29/
forcas-armadas-deixam-rocinha-veja-10-imagens-de-como-
foi-a-semana-na-comunidade.htm

Quando estamos exercendo nossa profissão, nos deparamos com várias situações
problemáticas que devem ser resolvidas com certa reflexão, principalmente se
baseadas em uma consciência ética. Logo, a ética pode ser verificada também no
exercício de uma profissão, sempre que o profissional atue com uma conduta moral
e estabelecida nas legislações que regulamentam sua profissão.

5
Código de Ética
O primeiro código de ética que estabeleceu internacionalmente um padrão ético
com parâmetros para pesquisas científicas foi o Código de Nuremberg, de 1947.
Todavia, somente nas décadas de 1960 e 1970 é que as comunidades começaram a
pensar em códigos de ética para cada profissão, principalmente as que tinham o ser
humano como instrumento de pesquisa.

No Brasil, a ética na profissão tem várias normativas que baseiam os direitos e


deveres de determinado grupo profissional, estabelecendo, dessa forma, suas
atribuições e responsabilidades. Assim, muitos ofícios têm seus códigos de ética,
que são documentos em que constam os deveres da profissão.

Saiba mais
Verifique o Código de Ética e Disciplina da OAB no site: https://
www.oab.org.br/visualizador/19/codigo-de-etica-e-disciplina.

Outro ponto importante é que, no Brasil, a legislação vigente estabelece que todo
profissional deve estar inscrito no órgão de classe. Somente com essa inscrição o
empregado estará legalizado e poderá sofrer sanções da entidade quando violar o
código de ética da categoria.

Dito isso, verifica-se que os códigos de ética são um conjunto de normas que
padronizam as condutas do profissional, podendo ainda prever sanções. Perceba
que o código de ética não pode ser considerado apenas um regulamento, visto que
tende a garantir que a categoria profissional seja comprometida com a ética.

A ética trazida pelo código de ética dos profissionais deve ser reflexiva. Logo, a
categoria de profissionais deve observar os atos que podem ou não ser realizados,
visando sempre estabelecer uma sociedade mais digna, com mais cidadania.

No código de ética, a empresa ou instituição manifesta os seus valores para que


esses sejam a linha mestra da forma de agir dos indivíduos que a ela pertençam.
Logo, os valores que estiverem no código de ética nortearão cada conduta, dentro e
fora da instituição.

6
Observamos, ainda, que não é a empresa ou instituição que é ética, mas as pessoas
que realizam suas tarefas dentro da empresa. Por consequência são essas pessoas
que constroem a reputação do estabelecimento.

Atenção
Nesse contexto, é importante observar que a reputação do
profissional também é constituída pelos atos que ele realiza
dentro do local de trabalho.

O profissional deve se pautar na ética para realizar suas atividades, visto que é a
percepção que os outros (empresa, clientes, colegas de trabalho, etc.) têm desse
profissional que constitui o seu patrimônio. Nesse contexto, verifica-se que o
código de ética profissional pode ser um instrumento para a preservação do nome
pessoal, bem como nome profissional do indivíduo.

Assim, quando um profissional atua no seu ambiente de trabalho de forma antiética,


seu nome profissional, ou ainda sua imagem profissional e pessoal, pode ser
desfeita, bastando para isso uma simples ação de calúnia ou traição, entre outros
atos que não condizem com a ética e a moral daquele grupo.

A ética na Administração Pública


Conforme a Constituição de 1988, todas as pessoas que residem no Brasil
são portadoras de direitos fundamentais, como o direito à vida, à liberdade, à
propriedade privada, entre outras que estão elencadas em diversos dispositivos
nessa legislação. Esses direitos consagrados na Carta Magna devem ser
disponibilizados pela administração pública.

Assim, os órgãos estatais devem prestar serviço à população com a finalidade de


exercer os direitos estabelecidos na legislação constitucional, bem como propiciar o
exercício da cidadania pelos indivíduos que estão contidos no território brasileiro.

Conforme Silva (2014), para que a administração possa obter êxito na sua
finalidade de proporcionar aos cidadãos todos os direitos trazidos pelo art. 6º
da Constituição, que são: “[...] a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho,
a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à

7
maternidade e à infância, a assistência aos desamparados” (BRASIL, 1988, art. 6), o
serviço público deve ser exercido de forma ética.

Lembramos de que, quando um servidor público está investido da função estatal,


dentro dos órgãos públicos, sejam esses de âmbito municipal, estadual ou federal,
atua em nome do Estado e, por consequência, representa, naquele momento, a
própria administração pública.

Saiba mais
Nesse contexto, quando um cidadão se dirige até a administração
pública, não deve ser atendido com descaso, e os servidores
estatais não podem utilizar a burocracia como desculpa para a
não realização dos serviços públicos que são obrigação do Estado.

Dito isso, é necessário lembrar que ética pode ser entendida como um conjunto de
princípios que norteiam inclusive o trabalho dos indivíduos. E, no âmbito do serviço
público, o artigo 37 da Constituição Federal estabelece que: “A administração
pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência [...]”.

Atenção
A moralidade é um princípio norteador da administração pública,
ou seja, para que um ato do Estado seja considerado válido é
necessário que seja moralmente aceito pela sociedade.

Lei nº 1.171/94
Com a finalidade de melhorar a imagem da administração pública após a renúncia
do presidente Fernando Collor, para evitar o impeachment, no dia 22 de junho de
1994, o então presidente da República, Itamar Franco, aprovou a Lei nº 1.171, ou
seja, o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo
Federal. Assim, conforme o art. 2º desse código:

8
Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta e indireta
implementarão, em sessenta dias, as providências necessárias à plena
vigência do Código de Ética, inclusive mediante a Constituição da respectiva
Comissão de Ética, integrada por três servidores ou empregados titulares
de cargo efetivo ou emprego permanente. (BRASIL, 1994)

Assim, todos os órgãos e entidades da administração pública deveriam, até o dia


21 de agosto do mesmo ano da aprovação, realizar os atos necessários para que os
dispositivos dessa lei fossem implementados.

No capítulo I, seção I, o legislador trouxe as Regras Deontológicas, e no artigo I


é estabelecido que “[...] a dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência
serão os princípios norteadores do servidor público no exercício de suas
funções ou cargos”. Outro ponto trazido no mesmo dispositivo refere-se aos
atos, comportamentos e atitudes dos servidores públicos, que deverão ter como
finalidade a preservação da honra e da tradição dos serviços públicos. Em
conformidade com as palavras:

A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios morais


são primados maiores que devem nortear o servidor público, seja no exercício do
cargo ou função, ou fora dele, já que refletirá o exercício da vocação do próprio
poder estatal. Seus atos, comportamentos e atitudes serão direcionados para a
preservação da honra e da tradição dos serviços públicos.

Saiba mais
Sobre o art. II desta mesma seção, verificamos que a ética
passa a ser um elemento que deve basear todas as condutas do
servidor público. Logo, o servidor deverá se preocupar com as
regras relativas à moralidade também estabelecidas no art. 37 da
Constituição Federal.

O artigo III da Lei nº 1.171/94 estabelece que:

A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o


bem e o mal, devendo ser acrescida da ideia de que o fim é sempre o bem
comum. O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade, na conduta do servidor
público, é que poderá consolidar a moralidade do ato administrativo.

9
Verificamos, a partir desse dispositivo, que a moralidade deve ser utilizada com o
objetivo do bem comum e, por consequência, quando um servidor público realizar
um ato, deve medir sua legalidade e finalidade, para que este seja sempre voltado
para o bem social e por consequência seja moral.

A secção II, artigo XIV, da legislação em voga estabelece os principais deveres


fundamentais do servidor público. Ainda, a Lei nº 1.171/94 estabelece, no capítulo
II, as comissões de ética que devem existir em todos os órgãos e entidades da
administração pública federal direta ou indireta, bem como das autarquias e
fundações públicas, ou em outros órgãos ou entidades que realizem serviços
públicos, por meio de delegações.

Outro objetivo das comissões de ética trazido pela Lei nº 1.171 são os registros
de conduta de ética, a fim de fundamentar possíveis promoções dos servidores
públicos em suas carreiras. As faltas também devem ser registradas num
documento à parte com a assinatura de todos os envolvidos, inclusive do servidor
público que agiu em ato faltoso.

Atenção
Para essa lei, serão considerados servidores públicos todos que
prestarem serviço à administração pública tendo como vínculo
empregatício contrato, a lei, ou ainda qualquer ato jurídico, seja
essa prestação de serviço temporária ou permanente, com ou sem
remuneração. Porém, devem ter ligação direta ou indireta com os
órgãos ou entidades estatais, ou ainda com as atarquias, fundações
públicas, entidades paraestatais, sociedades de economia mista
ou empresas públicas, ou qualquer outra instituição que esteja
realizando atividade estatal.

Por fim, ressaltamos que o código de ética do servidor público tem como principal
fundamento manter a administração pública com um clima organizacional ético,
visando manter a confiança social.

10
Conclusão
As normas legislam sobre temas importantes para a sociedade e apresentam uma
série de direitos mas, também, apresentam uma série de obrigações, sendo que seu
descumprimento leva a uma penalidade que pode ser uma multa, uma prestação de
serviços para a comunidade e a prisão. Não deveria ser diferente para os servidores
públicos que também possuem penalidades como advertência, suspensão,
demissão, aposentadoria compulsória, etc.

Como já apontado o art. 37 da Constituição Federal de 88, apresentam uma série


de princípios que por si só já deveriam ser as balizas para o comportamento dos
servidores, mas, mesmo assim, os códigos de ética servem para reforçar os ditames
constitucionais e incluir novas condutas que se considerem importantes para o
desempenho dessa categoria.

11
Referências
ALONSO, F. R.; LÓPEZ, F. G.; CASTRUCCI, P. L. Curso de Ética em Administração. 2.
ed. São Paulo: Atlas, 2010.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil.


Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.

BRASIL. Lei nº 1.171, de 22 de junho de 1994, que dispõe o Código de Ética


Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d1171.htm#:~:text=DECRETO%20
N%C2%BA%201.171%2C%20DE%2022,Constitui%C3%A7%C3%A3o%2C%20bem%20
como%20nos%20arts. Acesso em: 14 out. 202

SILVA, J. G. Liderança ética e servidora: experiência concreta aplicada


nos Institutos Federais Brasileiros. Florianópolis: Publicação do IFSC,
2014. Disponível em: https://www.ifsc.edu.br/documents/30701/523474/
Lideran%C3%A7a+%C3%89tica+e+Servidora+WEB.pdf/03507ceb-33be-6c70-7f7d-
295915c14907. Acesso em: 14 out. 2020.

12
Organização
sindical
Marconi, Márcia Valéria.
SST Organização Sindical / Márcia Valéria Marconi
Local: 2020
nº de p. : 10

Copyright © 2019. Delinea Tecnologia Educacional. Todos os direitos reservados.


Organização sindical

Apresentação
As entidades sindicais são, há muito tempo, alvo de críticas – inclusive, muitos
argumentos foram utilizados contra os sindicatos durante a discussão e aprovação
da Lei nº 13.567/2917, popularmente chamada de Reforma Trabalhista. Porém, é
forçoso reconhecer que no Brasil e no mundo os sindicatos foram protagonistas de
diversas conquistas de direitos aos trabalhadores.

Nesta unidade, será trabalhada a organização das entidades sindicais, bem como
será explanada quais são as suas atribuições, no que atuam e a importância às
relações de trabalho. Por fim, o estudo se dedicará à redução legal da jornada de
trabalho e salário e o papel dos sindicatos nela.

Organização das entidades sindicais


Para atuação da entidade sindical seja considerada legal e regular perante a
legislação, é necessário que o sindicato efetue o seu registro perante o extinto
Ministério do Trabalho e Emprego, agora Secretaria do Trabalho, parte do Ministério
da Economia, desde a mandato de Jair Bolsonaro (2018-).

Dessa forma, somente uma única entidade sindical poderá representar os interesses
de uma categoria em uma determinada base territorial, sendo que o registro se deve
ao fato de que no Brasil vigora o princípio da unicidade sindical.

3
Saiba mais
O registro de uma nova entidade sindical que represente os
trabalhadores do ramo farmacêutico na região do ABC Paulista não
será aceito, por exemplo, caso já exista um Sindicato registrado
para representar os trabalhadores desta categoria em referida
região.

Com isso, por exemplo, os trabalhadores lanchonetes fast food,


que já possuem um sindicato próprio em muitos trabalhadores
da área de alimentação. Dessa forma, estão aceitos os registros
de novas entidades sindicais que representam trabalhadores
de categorias específicas surgidas recentemente, conforme
observado atualmente.

A Secretaria do Trabalho atua de forma preventiva, não registra novos sindicatos


caso os trabalhadores de uma determinada categoria já se encontram representados
por um Sindicato com devidos registros. Entretanto, os empregados que se
candidatem ou sejam eleitos a exercer cargos de direção nas respectivas entidades
sindicais gozam de estabilidade desde o momento da candidatura até a eleição,
permanecendo a estabilidade vigente para os empregados eleitos para referido
cargo de acordo com o processo eleitoral conduzido pela própria entidade.

No entanto, como são mantidos financeiramente pela contribuição sindical dos


empregados e parte da contribuição sindical patronal repassada pelas Federações
e Confederações, por meio das contribuições confederativas, assistenciais e da
mensalidade dos sócios dos sindicatos, os sindicatos não exercem atividade
remunerada.

Após a vigência da Lei nº 1.3567/2017, não existem mais contribuições sindicais


obrigatórias a sindicados patronais ou de trabalhadores – todas as contribuições
são facultativas. Isso, na prática, minou a fonte os rendimentos dos sindicatos
que passam por grande dificuldade financeira. O fechamento dos sindicatos por
esses fatores pode representar grande risco de perda de direitos dos trabalhadores
construído historicamente ao longo de décadas por atuações sindicais.

4
Atividades das entidades sindicais
Os sindicatos atuam tanto na negociação coletiva para a concessão de um benefício
da categoria como na defesa dos interesses de um único trabalhador que possua
seus direitos sendo desrespeitados pelo empregador.

Atenção
Caso seja comprovado que existem direitos sendo desrespeitados,
a representação dos interesses individuais ocorre por meio de
contato do representante do sindicato ou do advogado deste com
o empregador, para esclarecer os fatos e solucionar a questão. Não
sendo solucionada a questão através de acordo entre as partes,
poderá mover uma reclamação trabalhista contra o empregador,
sendo que o sindicato poderá representar este empregado no
Judiciário.

É por meio da negociação de acordos coletivos de trabalho


(ACT) e convenções coletivas de trabalho (CCTs), para defesa
e representação dos interesses coletivos ocorrem por meio do
contato direto com o empregador, estabelecem-se melhores
condições que melhorem a situação real que os trabalhadores
enfrentam em um empregador.

Reflita
Como exemplo de ACTs, podemos citar os acordos para
pagamento de PLR (Participação de Lucros e Resultados), nos
quais são estabelecidas as metas que devem ser atingidas para
que os trabalhadores que recebem esta participação, e os acordos
para determinar o pagamento de um adicional de horas extras
superior ao previsto na legislação, conforme qualidade no trabalho,
produção, dentre tantas outras matérias que podem ser objeto de
negociações neste nível.

5
O dissídio coletivo pode ocorrer quando os sindicatos que não chegarem a um
consenso quanto aos termos das CCTs e a questão poder ser submetida ao
Judiciário. A Constituição Federal exige que o processamento do dissídio ocorra
em comum acordo da parte contrária (art. 114, § 2º, CF/88), entre outros requisitos.
Desse modo, ambos os sindicatos, dos empregados e dos empregadores, devem
concordar que a controvérsia seja decidia no Judiciário por meio do dissídio. Essa
exigência, na prática, tornou raros os casos de dissídio coletivo.

Curiosidade
Diferente dos acordos, as CCTs se aplicam a todos os trabalhadores
e empregadores representados pelos respectivos sindicatos,
patronal e de empregados.

Podemos concluir que, poderão ser considerados nulos pelo Judiciário, acordos ou
convenções assinadas que renunciem a direitos, como por exemplo a renúncia às
férias, ou que determinem direitos inferiores ao previsto em lei, como um percentual
inferior para as horas extras realizadas. Entendemos que tanto os acordos coletivos
quantos as CCTs visam à melhoria dos direitos da lei.

Redução de número de dias de


trabalho ou jornada normal
Conforme estabelece Lei nº 4.923 de dezembro de 1965, e respectivo art. 503 da CLT,
a redução do salário normal é permitida se a empresa realizar a redução de jornada
normal ou do número de dias de trabalho. Entretanto, essa alteração somente
poderá ser realizada com o prévio acordo com a entidade sindical e homologado
pela Delegacia Regional do Trabalho, por prazo certo e não excedente a três meses,
prorrogável, nas mesmas condições, se ainda indispensável.

6
Atenção
Lembramos que o valor pago ao empregado não pode ser inferior
ao salário mínimo e que o limite máximo para a redução do salário
mensal não poderá ser superior a 25%.

O art. 7º, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, trata do salário mínimo, segundo
a redação abaixo:

IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de


atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com
moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte
e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder
aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim. (BRASIL, 1988)

E como dispõe o art. 7º, inciso VII, a “irredutibilidade do salário, salvo o disposto em
convenção ou acordo coletivo” (BRASIL, 1988), somente é permitida desde que seja
por meio de uma convenção ou acordo coletivo.

Obedecendo às normas estatutárias, o sindicato da categoria profissional convocará


uma assembleia geral dos empregados diretamente interessados, sindicalizados ou
não.

Em conformidade com a Lei nº 4.923, art. 2º, parágrafo 3º, “a redução de que trata o
artigo não é considerada alteração unilateral do contrato individual de trabalho para
os efeitos do disposto no artigo 468 da Consolidação das Leis do Trabalho” (BRASIL,
1965).

Poderá a empresa submeter o caso à Justiça do Trabalho, caso não haja acordo, por
intermédio de Juízes ou Varas do Trabalho ou, na falta destes, do Juiz de Direito com
jurisdição na localidade. Com isso, a decisão da primeira instância caberá recurso
ordinário no prazo de oito dias para Tribunal Regional do Trabalho, sem efeito
suspensivo, da correspondente região.

Contudo, as empresas que tiveram autorização para redução do tempo de trabalho


e de salário nos termos da Lei não poderão, até seis meses depois da cessação
desse regime, admitir novos empregados antes de readmitem os que tenham sido

7
dispensados pelos motivos que justificam a citada redução ou comprovarem que
não atenderam, no prazo de oito dias, ao chamado para a readmissão.

Saiba mais
O empregador poderá notificar diretamente o empregado para
reassumir o cargo, se desconsiderada sua localização correndo o
prazo de oito dias a partir da data do reconhecimento da notificação
pelo empregado ou pelo órgão de classe, notificando por meio do
Sindicato. No entanto, a autorização e notificação não cabe aos
cargos de natureza técnica.

Desta maneira, fica proibido às empresas que obtiveram autorização para redução
de tempo de trabalho e de salário trabalhar em regime de horas extraordinárias, nos
próximos seis meses depois da cessação desse regime, ressalvadas estritamente as
hipóteses previstas no artigo 61, § 1º e § 2º, da CLT, conforme dispõe o art. 61:

Ocorrendo necessidade imperiosa, poderá a duração do trabalho exceder


do limite legal ou convencionado, seja para fazer face a motivo de força
maior, seja para atender a realização ou conclusão de serviços inadiáveis
ou cuja inexecução possa acarretar prejuízo manifesto.

§ 1º § 1º O excesso, nos casos deste artigo, pode ser exigido


independentemente de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho.

2º - Nos casos de excesso de horário por motivo de força maior, a


remuneração da hora excedente não será inferior à da hora normal. Nos
demais casos de excesso previstos neste artigo, a remuneração será,
pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) superior à da hora normal, e o
trabalho não poderá exceder de 12 (doze) horas, desde que a lei não fixe
expressamente outro limite. (BRASIL, 1943)

Confira, agora, um modelo de acordo coletivo de trabalho, entre empresa e


empregado, para redução da jornada de trabalho.

8
Modelo de acordo entre empresa e empregado da categoria profissional

ACORDO COLETIVO DE TRABALHO PARA REDUÇÃO

DA JORNADA DE TRABALHO MODELO

Por este instrumento particular, fica celebrado um acordo coletivo en-


tre a empresa _____________________, neste ato representada pelo Sr.
_____________________, na qualidade de ______________________, e o Sin-
dicato _______________________, neste ato representado por seu diretor Sr.
_______________________, o qual tem fundamento no artigo 58-A, da Consolida-
ção das Leis do Trabalho e se regerá pelas cláusulas seguintes:

1. A jornada de trabalho dos empregados, conforme constante da cláusula _____,


do Contrato Individual de Trabalho é de ______ horas semanais.

2. Para a realização da jornada de trabalho acima indicada, o empregado percebe o


salário de R$ _________ (_________), mensais (especificar outra condição, se for o
caso).

3. Adotar-se-á, para os empregados abrangidos pelo presente acordo coletivo e


por tempo indeterminado, a jornada de trabalho sob o regime de tempo parcial, a
qual será de ______ horas semanais (indicar o nº de horas que deverá ser de, no máxi-
mo, 25), da seguinte forma:

Segunda à sexta-feira – das ______ às ______ horas (especificar corretamente).

4. Em decorrência da adoção do regime de tempo parcial, a remuneração do em-


pregado passará a ser R$ ________ (__________) mensais (especificar correta-
mente), observada a proporcionalidade com relação à jornada de trabalho inicial-
mente contratada.

5. As demais cláusulas constantes do contrato individual de trabalho não alteradas


expressamente pelo presente acordo permanecerão inalteradas.

6. O presente acordo abrangerá todos os empregados da empresa, indistintamente


(ou especificar os empregados abrangidos).

7. Este acordo foi autorizado por assembleia dos trabalhadores envolvidos, realiza-
da no dia ____/____/_____, às ______ horas, restando indiscutível a concordân-
cia dos mesmos com a presente alteração.

8. O presente acordo restará vigente pelo período de dois anos, ou seja, de


____/____/_____, até ____/____/_____. (o acordo coletivo poderá restar vigente por
até 02 (dois) anos).

__________, ____ de ___________ de _____.

___________________________________
Empresa

9
___________________________________

Sindicato

___________________________________

Empregado

Obs.: Ressaltamos, por oportuno, que a modelo acima apresentado poderá ser adap-
tado para atender o interesse específico das partes envolvidas na sua celebração.
Fonte: Elaborada pelo autor (2020).

Uma jornada de trabalho pode ser reduzida de 44 horas para 40 horas semanais
para que haja um aumento de empregos nas empresas. Ma,s na prática, no Brasil
isso não ocorre, tendo em vista que não é de interesse, em geral, do empregado,r
elevar seus gastos com mão de obra, independentemente de ser mais vantajoso
aos trabalhadores.

Fechamento
Nesta unidade você pôde conhecer um pouco mais sobre as entidades sindicais.
Como visto, os sindicatos possuem um importante papel mediador e aglutinador de
interesses dos empregados, cada qual representado por seu respectivo sindicato.

Antes de se fazer críticas levianas, é relevante reconhecer o papel histórico e social


que os sindicatos representaram e representam em relação aos direitos sociais e do
trabalho. Apesar de fortemente criticados por grupos políticos na atualidade,
é salutar a sobrevivência dos sindicatos para que sejam capazes de equilibrar os
interesses sociais do trabalho e econômico dos empregadores.

10
Referências
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil.
Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.

BRASIL. Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das


Leis do Trabalho. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/
del5452.htm. Acesso em: 25 out. 2020.

BRASIL. Lei nº 4.923, de 23 de dezembro de 1965. Institui o Cadastro Permanente


das Admissões e Dispensas de Empregados, Estabelece Medidas Contra o
Desemprego e de Assistência aos Desempregados, e dá outras Providências.
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4923.htm.Acesso em: 25
out. 2020.

11

Você também pode gostar