Conexão de Veículos Elétricos à Rede Elétrica
Conexão de Veículos Elétricos à Rede Elétrica
Resumo — Este artigo apresenta uma compilação, de Paulo, Brasil [3]. No caso em questão, tal categoria de
natureza tutorial, de informações relacionadas às atuais formas veículos é responsável por 81% das emissões de CO2 do
de conexão de veículos elétricos ao sistema de distribuição setor de transportes, o que corresponde a cerca de 46%
de energia elétrica para recarga de baterias. São discutidos
conceitos gerais e específicos, abordando as características das do total das emissões de CO2 registradas em tal estado
baterias atualmente utilizadas em veículos elétricos, formas de da federação. Neste contexto, uma gradativa substituição da
recarga, tipos de carregadores e padrões de recarga. Além atual frota de veículos a motor de combustão interna por
disso, é apresentado um sistema experimental para avaliação de veículos elétricos (VEs) pode ser vista como um importante
estratégias de integração de veículos elétricos à rede de energia fator para a melhoria das condições ambientais nos centros
elétrica que vem sendo desenvolvido pelos autores.
urbanos, uma vez que possibilita a redução das emissões
Palavras-Chave — Carregadores de Bateria para Veículos de poluentes atmosféricos nocivos à saúde humana, além de
Elétricos, Veículos Elétricos. contribuir para drásticas reduções na dependência mundial
em relação ao petróleo e uso mais eficiente das fontes de
GRID CONNECTION OF ELECTRIC energia disponíveis [1], [4]–[8]. Cabe ressaltar que a redução
VEHICLES FOR BATTERY CHARGING: das emissões de poluentes atmosféricos deve ser considerada
A SURVEY de forma global, desde a geração da energia até a tração
Abstract — This paper presents a survey of the current do veículo, conceito comumente denominado como “well-
ways for grid connection of electric vehicles, focusing on to-wheel” ou “source-to-wheel” [7], [9], [10]. No caso da
battery charging technologies. General and specific concepts are geração de energia elétrica a partir de fontes não renováveis,
addressed. Characteristics of electric vehicle batteries, charge tais como gás natural e carvão mineral (situação típica de
methods, types of battery chargers and charging standards are
vários países), a efetiva contribuição dos VEs na redução de
within the scope of this paper. Furthermore, an experimental
setup for the evaluation of different electric vehicle grid in- emissões de gases de efeito estufa, apesar de menor, é ainda
tegration strategies, which is currently under development, is significativa. Neste caso, um VE pode proporcionar redução
presented. de emissões atmosféricas entre 20 e 55%, quando comparado
Keywords — Electric Vehicles, Electric Vehicle Battery com um automóvel convencional [10].
Chargers.
I. INTRODUÇÃO
O atual modelo do setor de transportes, não sustentável e
baseado na utilização de combustíveis fósseis como principal
fonte de energia, está intimamente ligado a problemas am-
bientais relacionados ao aquecimento global e às mudanças
climáticas, além da degradação da qualidade de vida nos
centros urbanos [1], [2]. As emissões de alguns gases de
efeito estufa, tais como dióxido de carbono (CO2 ), devidas
aos veículos de transporte rodoviário (automóveis, ônibus, Fig. 1. Contribuição do setor de transporte rodoviário nas emissões
caminhões, etc.) podem ser maiores que as relacionadas a de dióxido de carbono no Estado de São Paulo em 2005 (adaptado
de [3]).
todo o setor industrial em certas regiões, conforme ilustrado
na Figura 1, que traz dados registrados no estado de São
Um veículo elétrico pode ser definido como aquele cuja
potência de propulsão é proporcionada, de forma total ou
Artigo submetido em 17/02/2014. Primeira revisão em 16/04/2014, segunda
revisão em 27/05/2014. Aceito para publicação em 27/05/2014, por recomen- parcial, por meio do uso de energia elétrica [11], [12]. Dentre
dação do Editor Cassiano Rech. os diferentes tipos de VEs existentes, destacam-se os veículos
métodos de recarga e conectores. Além disso, o artigo trata como “taxa C”. Uma taxa de carga de “1C” significa carga completa de
uma bateria em 1 hora. Assim, por exemplo, uma taxa de carga “C/2”
da situação específica relacionada ao Brasil ao abordar os indica carga completa realizada em 2 horas, enquanto uma taxa de carga
padrões recentemente adotados neste país. Espera-se, com “6C” denota carga completa em 10 minutos (1/6 de hora).
2
Atualmente, a pesquisa de novas tecnologias de baterias
ca
3,50 70
de
3,45 60
es
1
baterias devem apresentar vida útil estendida, compatível o
0,5 tensã 3,40 50
com as necessidades dos VEs comerciais que, hoje em dia,
utilizam baterias com garantia de oito anos (ou 100 mil 0 3,35 40
0 5 10 15 20 25 30 35 40
milhas rodadas) fornecida pelos seus fabricantes [33]. Outra Tempo de recarga (min)
questão importante é a disponibilidade limitada dos recursos
naturais utilizados na fabricação de baterias, o que traz certa Fig. 3. Perfil de recarga de uma bateria de lítio-ferro (adaptado de
preocupação em relação ao desenvolvimento da tecnologia de [39]).
veículos elétricos baseada em baterias de lítio. Deste modo, a
construção de baterias eletroquímicas com outros elementos, O tempo de recarga do banco de baterias de um VE é
tais como sódio e enxofre (mais abundantes na crosta terrestre dependente não só da taxa de carga suportada pelo tipo de
que o lítio), vem sendo investigada. Baterias baseadas em bateria utilizado, mas também da capacidade e do estado
sódio têm uma alta densidade de energia, ciclo de vida longo de carga do banco de baterias, além da potência disponível
e podem operar em ambientes agressivos. As baterias de nos alimentadores da rede que fornece energia ao VE. Há
sódio são três vezes mais leves do que as baterias de chumbo diversas classificações do tipo de recarga quanto à sua
e são mais adequadas do que as baterias de lítio para países duração, entretanto, de forma geral, pode-se classificar a
de clima tropical, como o Brasil, devido a maior faixa de recarga de um VE como “carga lenta” ou “carga rápida”
temperatura de operação [34]. As baterias de sal fundido [16], [24], [32], [33], [47], [48]. Muitas vezes a carga lenta
recarregáveis, como a bateria ZEBRA (utilizada no Palio é designada por “recarga em Nível 1” e/ou “recarga em
Elétrico - Itaipu/KWO/Fiat), e de iodeto metálico de sódio Nível 2”, enquanto a carga rápida é citada como “recarga em
(utilizada em veículo de mineração, fabricada pela General Nível 3”, referenciando aos métodos de recarga definidos nas
Electric), além das baterias de sódio-enxofre e de íons de primeiras versões da prática recomendada SAE J1772 [49].
Eletrôn. Potên., Campo Grande, v. 19, n.2, p.193-207, mar./mai.2014 195
A carga lenta (ou carga normal) pode ser definida como a automatizada.
recarga completa do banco de baterias de um VE cujo tempo Estudos realizados pelo Electric Power Research Institute
de duração é superior a 6 horas2 [24], [48]. Este tipo de (EPRI) sugerem que a maior parte dos VEs serão recarrega-
recarga é geralmente associado à recarga noturna (residencial) dos em residências durante a noite [57]. Isto faz da carga
e à recarga de oportunidade de um VE (durante o período de lenta a forma primária de recarga de baterias de veículos
estacionamento do veículo em pontos de recarga disponíveis elétricos [16], [24], [33], [58]. A infraestrutura de recarga
no local de trabalho do proprietário do automóvel ou em um é um dos pontos fundamentais para a popularização dos
shopping center, por exemplo). A carga lenta é geralmente veículos elétricos e deve ser capaz de se comparar à con-
realizada com a conexão do VE à rede elétrica, com ali- veniência e interoperabilidade oferecida pela atual estrutura
mentação em corrente alternada (monofásica ou bifásica) e de reabastecimento de veículos a motor de combustão interna
potência aparente entre 1 kVA e 6,6 kVA [16], [24], [48]. [10], [54]. De fato, a disponibilização de pontos de recarga
Como exemplo, pode ser citada a carga lenta de um VE contribui para a melhoria da autonomia dos veículos elétricos
como o Nissan Leaf que, com o uso de um carregador de de forma mais econômica e efetiva que o incremento na
baterias de 3,3 kVA alimentado em 240 V, tem seu banco capacidade de armazenamento do banco de baterias de um
de baterias, cuja capacidade de armazenamento é de 24 kWh VE [33]. Além das residências, pontos de recarga devem estar
[50], totalmente recarregado em cerca de 7 horas. disponíveis em locais públicos e privados (estacionamentos),
Apesar de haver autores que classificam como carga rápida possibilitando que o banco de baterias possa ser recarregado
“qualquer esquema de recarga que não se enquadre como sempre que o VE estiver estacionado, de modo que sempre
carga lenta” [24], pode-se definir carga rápida como a recarga haja energia armazenada suficiente para vencer o próximo
completa do banco de baterias de um VE com duração igual trajeto a ser cumprido e reduzindo, assim, a necessidade de
ou inferior a 20 minutos [17]. A “California Air Resources realização de carga rápida. Entretanto, há a necessidade da
Board” em seu programa “Zero Emissions Vehicle”, que disponibilização de estações de recarga (carga rápida) que,
obriga drásticas reduções de emissões atmosféricas no estado apesar de não tornarem os veículos elétricos automóveis de
da Califórnia (EUA), define carga rápida como uma recarga autonomia estendida [33], são uma boa opção para lidar com
de 10 minutos capaz de garantir que o VE trafegue 100 o fenômeno psicológico conhecido como “range anxiety”
milhas (160,9 km) [24]. De forma geral, a carga rápida [16], [17], [24], [33], que pode ser entendido como o receio
é realizada com a conexão do VE a uma alimentação em do motorista ter seu VE parado por falta de energia elétrica.
corrente contínua, com energia fornecida por rede trifásica Um caso emblemático que ilustra este fenômeno é o ocorrido
por meio de retificadores, com potência na faixa de 50 kW no Japão, em função da adoção de veículos elétricos na frota
a 400 kW [16], [24], [48]. A carga rápida é geralmente da companhia de energia elétrica de Tóquio (TEPCO, Tokyo
associada às estações (ou postos) de recarga, similares aos Electric Power Company), muito bem descrito em [24], [59],
postos de gasolina [17], [51]–[53]. Para efetuar a carga rápida [60], que permite concluir que a simples presença de uma
de um VE como o Nissan Leaf, com recarga completa em melhor infraestrutura de recarga, particularmente de carga
15 minutos, seria necessário fornecer ao carregador uma rápida, dá suporte para que o motorista utilize de forma
potência de 96 kW (sem levar em consideração as perdas melhor e mais eficiente os recursos disponíveis (baterias) em
envolvidas). A despeito da energia fornecida pela rede elétrica seu veículo elétrico [59].
ser relativamente pequena (no caso, 24 kWh), a potência
demandada pode ser significativa, particularmente se houver
vários veículos sendo recarregados simultaneamente. Deste A. Carregadores de Baterias para Veículos Elétricos
modo, se tal tipo de recarga não for devidamente gerenciado, Há várias possibilidades para a caracterização dos car-
poderá haver considerável aumento de carga no sistema regadores de baterias para VEs, mas, de forma geral, pode-
elétrico, trazendo problemas ao sistema de energia elétrica se classificá-los como “embarcados” (ou “on-board”, loca-
como aumento de perdas e degradação de seus componentes lizados a bordo do veículo) e “externos” (ou “off-board”,
[16], [17], [48]. Outra preocupação em relação à carga rápida localizados fora do veículo) [16]. Carregadores embarca-
é que seu uso recorrente pode reduzir significativamente a dos são associados à recarga noturna ou de oportunidade,
vida útil das baterias de íons de lítio atualmente utilizadas enquanto os do tipo externo são relacionados às estações
em VEs disponíveis para comercialização [33], [54]. de recarga rápida [51]. Uma vez que um carregador do
Uma forma alternativa para rápido reabastecimento da tipo embarcado é sempre levado a bordo do VE, peso e
energia armazenada a bordo de um VE é a troca de seu volume são atributos que devem ser minimizados, o que
banco de baterias. Este tipo de procedimento foi inicialmente restringe a aplicação deste tipo de carregador em potências
proposto pela empresa israelense Better Place (que teve sua elevadas [16], [51]. Os carregadores embarcados podem ser
falência decretada em meados de 2013 [55]) e vem sendo implementados com a inclusão de circuitos dedicados ao
adotado pelo fabricante de veículos elétricos norte-americano controle de carga das baterias a bordo do VE [61] (situ-
Tesla Motors [56]. Neste caso, em pouco mais de um minuto ação típica dos modelos atualmente disponíveis no mercado
é possível efetuar a troca do banco de baterias sem carga [62], [63]) ou integrados aos conversores estáticos que com-
por outro totalmente carregado, o que é feito de forma põem seu sistema de propulsão [15], [51], [64]–[66]. O
2 Tipicamente, com duração entre 6 e 8 horas. Cabe ressaltar que há,
isolamento galvânico, que é uma característica importante
na literatura técnica, esquemas classificados como carga lenta com duração de um carregador de baterias por razões de segurança do
inferior a 6 horas. usuário, muitas vezes não é implementado em carregadores
%DUUDPHQWR&&
uma estrutura de custo reduzido [2]. Entretanto, de qualquer
forma, é interessante que o carregador consuma corrente
praticamente senoidal da rede elétrica, operando em con- CB
formidade com os limites de distorção harmônica definidos 5HGH
em padrões internacionais como, por exemplo, o IEEE 519 (OpWULFD
S¶ S¶
[67]. Além disso, é desejável a possibilidade de variação
do ângulo de fase entre tensão e corrente de entrada do
(a)
carregador a fim de proporcionar controle da potência reativa
consumida pelo sistema de recarga de baterias [16]. Outra
S S S
possibilidade, esta associada aos carregadores avançados, é
%DUUDPHQWR&&
o uso do conversor estático (CA-CC) existente para realizar
a compensação de harmônicos de corrente em instalações
elétricas, adicionalmente à compensação de potência reativa
[68]. Neste caso, a corrente CA consumida para a recarga CB
do banco de baterias do VE transportaria não só a energia a
ser armazenada, mas também o conteúdo harmônico e reativo 5HGH(OpWULFD S¶ S¶ S¶
que permitisse a compensação da instalação elétrica à qual o
VE estiver conectado para sua recarga. Assim, esta instalação (b)
elétrica, como um todo, se comportaria como uma carga Fig. 5. Topologias de circuitos para o conversor CA-CC de car-
linear e de fator de potência próximo da unidade. regadores avançados de baterias para VEs: (a) Monofásico em ponte
Já em relação ao módulo de conversão CC-CC, uma opção completa (carregador embarcado); (b) trifásico (carregador externo).
interessante, se desejado fluxo bidirecional de potência, é o
conversor CC-CC buck/boost bidirecional (conversor CC-CC
meia-ponte ou half-bridge), cujo circuito é apresentado na conector existente no VE, o que faz com que seja preciso
Figura 6, dada sua estrutura simples, de alta eficiência, baixo levar em consideração uma série de questões relacionadas
custo e alta confiabilidade [69]. à segurança do sistema e do usuário, geralmente tratadas
Outras topologias de conversores CA-CC e CC-CC apli- com o uso de dispositivos de manobra, de proteção contra
cadas a carregadores de baterias de VEs, não apresen- sobrecarga e de proteção diferencial-residual nos circuitos
tadas neste artigo, são encontradas na literatura técnica. As associados à recarga das baterias de um VE [70], [71].
seguintes referências são sugeridas pelos autores como fonte Há, também, os carregadores indutivos, nos quais o fluxo
de consulta: [15], [51], [61], [69]. de potência entre a rede elétrica e o banco de baterias do
As considerações descritas nos parágrafos anteriores se VE é realizado magneticamente [51], [72], [73]. Este tipo
referem a carregadores condutivos, nos quais o fluxo de de carregador tipicamente opera em carga lenta [16], sendo
energia elétrica é realizado por meio do contato elétrico entre que há a possibilidade da recarga indutiva ser realizada com
o conector existente no veículo e os terminais do plugue do o VE estacionado [74]–[77] ou em movimento (carregador
cabo de conexão à rede elétrica (carregador embarcado) ou dinâmico) [78]–[81]. Entre as principais vantagens do uso
ou carregador de baterias (carregador externo) [16], [51]. A da recarga indutiva cita-se a segurança do usuário (não
grande desvantagem do uso de recarga condutiva é o fato necessita de conectores elétricos) e flexibilidade do sistema
da necessidade do motorista efetuar a conexão do cabo ao de recarga [80] e, como desvantagens, a complexidade de
Eletrôn. Potên., Campo Grande, v. 19, n.2, p.193-207, mar./mai.2014 197
importantes de conectores e formas de recarga condutiva
que vem sendo internacionalmente estabelecidos e utilizados
+
por montadoras de automóveis [82]. Nos Estados Unidos da
Barramento CC
Elétrica
2
Rede
dencial de uso geral L2/N
de Baterias
GND
· Carga lenta (alimentação 3
CA monofásica ou bifásica)
CA Nível 2 208–240 V ≤80 A
· Ponto de recarga (residen- 4
cial/público) Sistema de
· Carga lenta (alimentação Controle 5
CC)
CC Nível 1 200–500 V ≤80 A
· Ponto de recarga (residen- Conector Tomada do
cial/público) do SAVE Veículo
· Carga rápida (alimentação
CC Nível 2 CC) 200–500 V ≤200 A
· Estações de recarga Fig. 9. Circuito típico de um SAVE padrão SAE J1772 “CA Nível
2” (pinagem definida na Figura 10(a)).
lecidos pelo padrão, é suportada pelo conector SAE J1772 padrão SAE J1772. O primeiro é o conector estabelecido nas
(métodos de recarga “CA Nível 1” e “CA Nível 2”) dadas as versões até 2010 desta prática recomendada, que suporta os
funções atribuídas a seus terminais e os diagramas elétricos métodos de recarga “CA Nível 1” e “CA Nível 2”, sendo
de conexão à rede apresentados em tal padrão [70]. O método também utilizado para recarga “CC Nível 1”. Além deste,
de recarga “CA Nível 1” permite realizar a recarga de um há também o novo conector “combo”, definido na versão
VE utilizando uma tomada residencial comum, à qual deve de 2012 de tal padrão, que suporta recarga “CC Nível 2”
ser conectado o equipamento de interface compatível com adicionalmente aos outros métodos de recarga. Na Figura 10
“CA Nível 1” (cabo “Nível 1”), que já pode vir embarcado são mostradas fotos do par plugue-tomada destes dois tipos
no veículo elétrico [16]. Já o método de recarga “CA Nível de acoplamento do padrão SAE J1772.
2”, que é considerado a forma de recarga mais importante
para pontos de recarga públicos e privados (incluindo os (2) L2/N
residenciais), não é compatível com tomadas residenciais (1) L1
comuns e necessita de equipamento especial dedicado, comu-
mente designado por EVSE (do inglês electric vehicle supply
equipment) ou, em português, SAVE (sistema de alimentação (5) Detecção de
Proximidade
para veículo elétrico, seguindo a nomenclatura adotada pela
ABNT [71]). É importante observar que um ponto de recarga (4) Controle
compatível com os métodos de recarga “CA Nível 1” e “CA (3) GND
6
Neste sistema experimental, há a integração de um car-
Banco de
V
+
Baterias
regador avançado aos conversores estáticos componentes do
Alimentação (-) -
5 sistema de propulsão do Kart Cross Elétrico. Desta forma,
+12 V Controle Carregador
Início/Parada 1 conforme discutido na Introdução e na Seção II, é possível
LINHAS DE CONTROLE
2
Carregador que haja fluxo bidirecional potência entre o VE e a rede
Início/Parada 2
ANALÓGICO
Controle conexão 7
+12 V Habilitação de compensação de reativos e harmônicos de corrente das cargas
Recarga +12 V
4 da instalação elétrica, além da recarga do banco de baterias
Controle
+12 V
+
- embarcado (função primária da conexão de um VE à rede
1
PINAGEM
GND elétrica). A fim de reduzir a carga extra a bordo do Kart
BARRAMENTO
1
3
4
2
avançado integrado ao sistema de propulsão do VE, é inserido
9
6 5
CAN-L
7
9 8
10 3 N/C
1:4
Retificador
Carga RL
de Onda
Paralelo
Completa 127 V (rms)
tensão de alimentação e corrente). Na Figura 17 são apre-
sentados resultados experimentais que ilustram uma situação
16 A
N de recarga lenta (modo de corrente constante) do banco de
A’
CARGAS RESIDENCIAIS baterias do Kart Cross Elétrico, com corrente CA de recarga
de aproximadamente 15 A(rms), realizada simultaneamente
Fig. 15. Conexão do Kart Cross Elétrico à rede de energia elétrica. à compensação dos harmônicos de corrente e da potên-
cia reativa das cargas residenciais. Neste caso, a corrente
TABELA III consumida da rede, Figura 17(a), passa a ser praticamente
Características do sistema experimental senoidal, apresentando DHT = 1,14% (em fase com a
componente fundamental da tensão de alimentação), levando
Instalação Elétrica Residencial em Escala Reduzida
a uma operação com f p = 0,995. A corrente sintetizada pelo
Tensão de alimentação 31,75 V/60Hz VE para recarga de baterias simultânea à compensação das
Corrente nominal 64 A(rms) cargas residenciais é exibida na Figura 17(b).
Potência aparente nominal 2,032 kVA
Cargas residenciais
Linear (RL paralelo) R = 3 Ω; L = 20 mH
Não linear (retificador de onda Capacitor de saída: 1,65 mF
completa monofásico) Resistor de carga: 9,6 Ω
SAVE
Lf 0,2 mH
Rsurto 22 Ω
(b) (b)
Fig. 17. Carregador avançado integrado ao Kart Cross Elétrico Fig. 18. Carregador avançado integrado ao Kart Cross Elétrico
atuando na recarga do banco de baterias de simultânea à com- atuando como filtro ativo de potência: (a) tensão da rede elétrica
pensação de cargas residenciais: (a) tensão da rede elétrica (azul (azul escuro, 15 V/div) e corrente compensada (drenada da rede, em
escuro, 15 V/div) e corrente compensada (drenada da rede, em ciano, ciano, 20 A/div); (b) tensão da rede elétrica (azul escuro, 15 V/div)
25 A/div); (b) tensão da rede elétrica (azul escuro, 15 V/div) e e corrente sintetizada pelo VE operando como filtro de potência
corrente sintetizada pelo VE para recarga de baterias simultânea à (ciano, 20 A/div).
operação como compensador estático (ciano, 25 A/div).
pensação das cargas da instalação elétrica mesmo com a alta neste trabalho. Foram discutidas as características dos méto-
distorção harmônica existente na tensão de alimentação do dos de recarga de baterias, apontando a recarga noturna como
sistema experimental (DHT = 9,3 %, com o VE desco- forma primária de reabastecimento para os VEs. Os diversos
nectado). Este tipo de operação integrada à eletrônica de tipos de carregadores de bateria, bem como os padrões de
potência embarcada em um VE não afeta a vida útil de seu recarga atualmente utilizados também foram classificados e
banco de baterias, uma vez que este não é utilizado para detalhados, inclusive os padrões NBR/IEC 61851 e NBR/IEC
funções não relacionadas à tração elétrica (a sua recarga, 62196, recentemente adotados pela ABNT. A escolha destes
realizada de forma lenta, dentro dos limites estabelecidos pelo padrões para o sistema de recarga condutiva para o Brasil
fabricante, é necessária para o uso primário do VE, podendo é acertada, uma vez que apresentam compatibilidade com
ter sua influência na vida útil do banco de baterias descon- os padrões SAE J1772 e CHAdeMO, que são atualmente
siderada para os casos apresentados). Um detalhamento da utilizados pelos fabricantes norte-americanos, europeus e
integração dos modos de operação apresentados nesta seção japoneses. Adicionalmente, foi apresentada a estrutura de
ao sistema de propulsão do protótipo de Kart Cross Elétrico um sistema experimental para a avaliação de estratégias de
é descrito em [20], [95]. A avaliação da operação do sistema conexão de VEs à rede de energia elétrica, atualmente em
experimental desenvolvido em diferentes situações, tais como desenvolvimento no Núcleo de Automação e Eletrônica de
geração de energia elétrica, integração à fontes de energia Potência da UFJF.
renovável, entre outras, suas vantagens e desvantagens, bem
como o detalhamento dos processos de recarga e do BMS AGRADECIMENTOS
serão apresentados em trabalhos futuros dos autores. Os autores agradecem aos seguintes órgãos de fomento
e instituições pelo suporte financeiro destinado ao de-
IV. CONCLUSÕES senvolvimento deste trabalho: FAPEMIG, CNPq, INERGE
As possíveis formas de conexão de veículos elétricos à rede (INCT/Energia Elétrica), UFJF e IF Sudeste MG. Registram,
de energia elétrica para reabastecimento foram abordadas também, agradecimento às empresas Semikron e Trancil pela
Eletrôn. Potên., Campo Grande, v. 19, n.2, p.193-207, mar./mai.2014 203
doação de componentes utilizados no sistema experimental [15] Y.-J. Lee, A. Khaligh, e A. Emadi, “Advanced integrated
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