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O Gato Preto

O conto 'O Gato Preto' de Edgar Allan Poe narra a transformação de um homem dócil em um ser violento, consumido pelo álcool e pela culpa após cometer atos hediondos contra seus animais e sua esposa. A obra explora temas como a insanidade, a culpa e os efeitos do álcool na psique humana, refletindo os tormentos pessoais do autor. Apesar da falta de desenvolvimento da personagem feminina, o conto é elogiado por sua construção emocional e terror psicológico.

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O conto 'O Gato Preto' de Edgar Allan Poe narra a transformação de um homem dócil em um ser violento, consumido pelo álcool e pela culpa após cometer atos hediondos contra seus animais e sua esposa. A obra explora temas como a insanidade, a culpa e os efeitos do álcool na psique humana, refletindo os tormentos pessoais do autor. Apesar da falta de desenvolvimento da personagem feminina, o conto é elogiado por sua construção emocional e terror psicológico.

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Introdução

"O Gato Preto" é um conto relativamente curto, mas cheio de momentos chocantes, ligados por períodos
de grande suspense.

Apresentação do autor
Edgar Allan Poe nasceu a 19 de janeiro de 1809 em Boston, nos Estados Unidos.
O seu pai abandonou a família quando tinha apenas um ano de idade, e a sua mãe faleceu no ano
seguinte, sendo mais tarde acolhido por um comerciante escocês.
A sua infância atribulada levou à fermentação de uma dependência ao álcool, que lhe custaria vários
empregos, oportunidades, e relacionamentos.
Apesar da sua personalidade, Edgar casou-se aos 24 anos, com a prima de apenas 13 anos de idade,
que morreu de tuberculose ainda jovem.
As suas obras mais conhecidas consideram-se parte do estilo gótico e/ou romantismo sombrio, nas quais
explorou temas macabros como a morte, e brincou com os sentimentos de terror e de suspense.
A escrita sobre estes temas recorrentes refletem os seus tormentos pessoais, tendo sido deixado por
aqueles que amava, depois de a morte os ter levado.
Enquanto vivo, nunca conseguiu criar uma boa reputação devido à sua personalidade, mas hoje, Poe é
considerado o pai do romance policial, novamente centrado à volta da morte e da sua tristeza.
A sua escrita é conhecida por ter um caráter bastante descritivo, e pelo retrato de emoções e estados de
espíritos poderosos.

Resumo do conto / Momentos relevantes


O conto é narrado na primeira pessoa, isto é, quem nos conta a história é o próprio personagem principal.
E este passa por uma imensa transformação, tornando-se no oposto do homem que uma vez foi.
Inicialmente, o narrador é-nos caracterizado como dócil, meigo, e completamente apaixonado por
animais, rodeando-se deles durante toda a sua juventude.
Após casado, com uma mulher de que pouco fala, adiciona à sua coletânea de animais um gato preto,
que se tornaria o seu mais leal companheiro.
Gradualmente, ao longo dos anos, é tomado pelo álcool. É comum que aqueles que se encontram sobre
os seus efeitos mudem o seu temperamento, tornando-se mais irritáveis, instáveis e violentos. E foi
justamente isto que aconteceu com o nosso protagonista que, consumido pelo que consumia, libertava a
sua ira na sua mulher, e eventualmente nos seus animais também.
Plutão, o gato, inicialmente, era o único que escapava impune a esta violência, no entanto, isso não seria
o caso para sempre. Uma noite, num estado de embriaguez exagerado, que o submergiu num estado de
paranóia, atacou o gato, que retaliou, e essa foi a última gota. Num estado de fúria, arrancou o olho ao
gato sem o mínimo cuidado.
Não satisfeito, enforca o gato até à morte numa árvore no seu quintal e, nessa mesma noite, um incêndio
enorme consome a mansão do casal.
, sendo a única coisa deixada
para trás uma parede marcada pela figura do gato falecido.
Destituído da sua fortuna, o homem passava os dias a embebedar-se pela cidade fora, lamentava a
solidão que sentia depois de ter morto o seu gato, desejando ter um novo companheiro, e é aí que
encontra um outro gato, fisicamente parecido a Plutão, no canto do bar onde se encontrava, e decide
acolhê-lo.
Mesmo após suplicar por companhia e ter o seu desejo realizado, a história repete-se, e o narrador
começa a cultivar um ódio devastador pelo gato, que se havia tornado o companheiro fiel da sua mulher,
mas que também lhe demonstrava grande carinho.
Ao olhar com mais atenção, o homem observa que o gato possuía uma mancha de forma semelhante a
uma forca e, ao aperceber-se deste detalhe, sente-se esmagado de terror do gato.
Finalmente, a sua mulher seria o alvo de tanto ódio, num dia aparentemente pacífico, o casal desceu à
cave para tratar de uma ocorrência doméstica, e o gato, como de costume, acompanhou-os. Sem
intenção, mete-se entre as pernas do narrador, fazendo-o tropeçar, e então, repleto de ira, golpeou o
machado contra o animal, mas falha, acertando na sua mulher.
Ainda num estado de delírio, mata-a a sangue-frio, e após esconder o corpo dentro de uma parede, não
sente nem remorso nem tristeza, apenas alívio por não ver o gato.

Comentário sobre a obra e desfecho


O autor utiliza o simbolismo para revestir a obra numa camada extra de terror. O gato
Plutão, partilha o nome com o deus romano do Submundo, tornando-se apropriado que o animal leve o
narrador a cometer os atos hediondos mencionados ao longo do conto.
Após a análise da obra, há dois temas que sobressaem, os efeitos do álcool na psique humana, e o peso
que a saúde mental tem na personalidade e ações de uma pessoa.
Por algum motivo dediquei uma parte considerável do início da apresentação à vida pessoal do autor, e
de certo que já vos foi possível associar algumas das suas características ao personagem principal do
conto.
O que tento transmitir é que, de certa forma, o Gato Preto é um conto, pelo menos em parte,
autobiográfico.
Se deixarmos de lado a loucura do narrador, ficamos com um homem destruído pelo álcool e rodeado de
morte e violência, uma reflexão perfeita do próprio autor.
Ao longo da obra, a insanidade do narrador torna-se mais e mais aparente, mesmo na introdução, ele
afirma que o que viveu só poderia ser chamado de loucura, mas apesar disso, diz-se estar
completamente são.
A paranóia e o terror que os dois gatos lhe suscitam não são resultantes do álcool, mas sim das suas
ações de brutalidade e da culpa que os envolve.
A um certo ponto, questiona a natureza dos seus pensamentos sombrios, e acredita firmemente que a
perversidade das suas ações é simplesmente natural ao ser humano, sugerindo que sempre sentiu uma
forte apatia, característica de distúrbios mentais como a sociopatia.
No geral, penso ser uma obra bem construída, que me suscitou emoções muito fortes, principalmente nas
cenas mais gráficas. O terror psicológico sempre foi dos meus géneros preferidos, devido a essa mesma
capacidade de mexer com a sensibilidade do leitor.
A insanidade é algo difícil de descrever, pela sua natureza irracional, no entanto, a maneira como é
expressa através do narrador é, a meu ver, bastante realista.

Conclusão
Para concluir, gostei imenso do conto, e não esperava o contrário, uma vez que já conhecia o autor. A
minha única crítica é a falta de caracterização da esposa do narrador, uma vez que a sua expansão
poderia ter tornado a sua morte num momento mais devastador.
Mas, no geral, é uma história bem estruturada, que trabalha bem com as emoções do
leitor.

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