Art.
2º Na implementação da Política Nacional descrita no artigo 1º, com vista à boa
qualidade dos serviços, à disseminação da cultura de pacificação, à redução da litigiosidade, à
satisfação social, ao empoderamento social e ao estímulo de soluções consensuais, serão
observados:
I – a formação e o treinamento de membros e, no que for cabível, de servidores;
II – o acompanhamento estatístico específico que considere o resultado da atuação
institucional na resolução das controvérsias e conflitos para cuja resolução possam
contribuir seus membros e servidores;
III – a revisão periódica e o aperfeiçoamento da Política Nacional e dos seus respectivos
programas;
IV – a valorização do protagonismo institucional na obtenção de resultados socialmente
relevantes que promovam a justiça de modo célere e efetivo.
Art. 6º Para consecução dos objetivos supracitados, o CNMP poderá:
I – Propor e promover a realização de seminários, congressos e outros eventos;
II – Promover a articulação e integração com outros projetos e políticas nesta temática,
desenvolvidos pelos Poderes Executivo, Judiciário, Legislativo e pelas instituições que compõem
o sistema de Justiça;
III – Mapear as boas práticas nesta temática e incentivar a sua difusão;
IV – Realizar pesquisas sobre negociação, mediação, conciliação, convenções processuais,
processos restaurativos e outros mecanismos autocompositivos;
V – Promover publicações sobre negociação, mediação, conciliação, convenções
processuais, processos restaurativos e outros mecanismos autocompositivos
Art. 7º Compete às unidades e ramos do Ministério Público brasileiro, no âmbito de suas
atuações:
I – o desenvolvimento da Política Nacional de Incentivo à autocomposição no âmbito do
Ministério Público;
II – a implementação, a manutenção e o aperfeiçoamento das ações voltadas ao
cumprimento da política e suas metas;
III – a promoção da capacitação, treinamento e atualização permanente de membros e
servidores nos mecanismos autocompositivos de tratamento adequado dos conflitos,
controvérsias e problemas;
IV – a realização de convênios e parcerias para atender aos fins desta Resolução;
V – a inclusão, no conteúdo dos concursos de ingresso na carreira do Ministério Público e de
servidores, dos meios autocompositivos de conflitos e controvérsias;
VI – a manutenção de cadastro de mediadores e facilitadores voluntários, que atuem no
Ministério Público, na aplicação dos mecanismos de autocomposição dos conflitos.
VII – a criação de Núcleos Permanentes de Incentivo à Autocomposição, compostos por
membros, cuja coordenação será atribuída, preferencialmente, aos profissionais atuantes na
área, com as seguintes atribuições, entre outras:
a) propor à Administração Superior da respectiva unidade ou ramo do Ministério Público ações
voltadas ao cumprimento da Política Nacional de Incentivo à autocomposição no âmbito do
Ministério Público;
b) atuar na interlocução com outros Ministérios Públicos e com parceiros;
c) propor à Administração Superior da respectiva unidade ou ramo do Ministério Público a
realização de convênios e parcerias para atender aos fins desta Resolução;
d) estimular programas de negociação e mediação comunitária, escolar e sanitária, dentre
outras. Parágrafo único. A criação dos Núcleos a que se refere o inciso VII deste artigo e sua
composição deverão ser informadas ao Conselho Nacional do Ministério Público.
Art. 10. No âmbito do Ministério Público:
I – a mediação poderá ser promovida como mecanismo de prevenção ou resolução de conflito e
controvérsias que ainda não tenham sido judicializados;
II – as técnicas do mecanismo de mediação também podem ser utilizadas na atuação em casos
de conflitos judicializados;
III – as técnicas do mecanismo de mediação podem ser utilizadas na atuação em geral, visando
ao aprimoramento da comunicação e dos relacionamentos.
§2º A confidencialidade é recomendada quando as circunstâncias assim exigirem, para a
preservação da intimidade dos interessados, ocasião em que deve ser mantido sigilo sobre
todas as informações obtidas em todas as etapas da mediação, inclusive nas sessões privadas,
se houver, salvo autorização expressa dos envolvidos, violação à ordem pública ou às leis
vigentes, não podendo o membro ou servidor que participar da mediação ser testemunha do
caso, nem atuar como advogado dos envolvidos, em qualquer hipótese.