Resumo
GARANTIAS JURÍDICAS DOS ADMINISTRADOS
Atribuiu-se aos particulares determinados poderes jurídicos que funcionem como protecção
contra os abusos e ilegalidades da Administração Pública, é a Garantia dos Particulares.
As Garantias, são os meios criados pela ordem jurídica com a finalidade de evitar ou de
sancionar quer a violações do Direito Objectivo, quer as ofensas dos direitos subjectivos e
dos interesses legítimos dos particulares, pela Administração Pública.
As garantias são preventivas ou repressivas, conforme se destinem a evitar violações por
parte da Administração Pública ou a sancioná-las, isto é, a aplicar sanções em consequência
de violações cometidas.
Por sua vez, as garantias são garantias da legalidade ou dos particulares, consoante tenham
por objectivo primacial defender a legalidade objectiva contra actos ilegais da Administração,
ou defender os direitos legítimos dos particulares contra as actuações da Administração
Pública que as violem.
A lei organiza a garantia dos particulares através duma garantia da legalidade – o recurso
contencioso contra os actos ilegais da Administração –, que funciona na prática como a mais
importante garantia dos direitos e interesses legítimos dos particulares.
De princípio podemos distinguir entre as garantias jurídicas, tais como: Garantias
Preventivas ou Reparadoras; Garantias de Direito Objectivo ou dos Particulares; e
Garantias de Legalidade ou de Mérito. E podemos encontras as Garantias Graciosas,
aquelas que efectivam através da actuação dos próprios órgãos da Administração activa.
ESPÉCIES DAS GARANTIAS ADMINISTRATIVAS
Existem duas grandes divisões nas espécies de garantias administrativas, nomeadamente: As
Garantias Petitórias e Garantias Impugnatórias. As primeiras não pressupõem a prévia
prática de um acto administrativo. O Direito de Petição, que consiste na faculdade de dirigir
pedidos à Administração Pública para que tome determinadas decisões ou providências que
fazem falta.
Pressupõe-se que falta uma determinada decisão, a qual é necessária, mas que ainda não foi
tomada: o direito de petição visa justamente obter da Administração Pública a decisão cuja
falha se faz sentir. E contem a seguinte subespécie: Direito de petição; Direito de
Representação; Direito de Queixa; Direito de Denúncia; e Direito de oposição administrativa.
Enquanto que as Garantias Impugnatórias, são as que perante um acto administrativo já
praticado, os particulares são admitidos por lei a impugnar esse acto, isto é, a atacá-lo com
determinados fundamentos. As garantias impugnatórias, podem-se definir-se, assim, como os
meios de impugnação de actos administrativos perante autoridades da própria Administração
Pública.
As principais espécies de garantias impugnatórias, são quatro:
Se a impugnação é feita perante o autor do acto impugnado, temos a reclamação;
Se a impugnação é feita perante o superior hierárquico do autor do acto impugnado,
temos o recurso hierárquico;
Se a impugnação é feita perante autoridades que não são superiores hierárquicos do
autor do acto impugnado, mas que são órgãos da mesma pessoa colectiva e que
exercem sobre o autor do acto impugnado poderes de supervisão, estaremos perante o
que se chama os recursos hierárquico impróprio;
Se a impugnação é feita perante uma entidade tutelar, isto é, perante um órgão de
outra pessoa colectiva diferente daquela cujo o órgão praticou o acto impugnado e que
exerce sobre esta poderes tutelares, então estaremos perante um recurso tutelar.
Finalmente, que é considerado extraordinário, intentado quando o particular tiver
tomado conhecimento de novos factos que podem fundamentar a alteração da decisão
anteriormente tomada e deve ser oferecido até 180 dias a contar da data do
conhecimento dos factos supervenientes, designa-se de Recurso de Revisão.
GARANTIAS CONTENCIOSAS OU JURISDICIONAIS
As garantias jurisdicionais ou contenciosas, são as garantias que se efectivam através da
intervenção dos Tribunais Administrativos.
O conjunto destas garantias corresponde a um dos sentidos possíveis das expressões
jurisdição administrativa ou contencioso administrativo.
ESPÉCIES DAS GARANTIAS DO CONTECIOS ADMINISTRATIVO
Garantia relativa aos actos administrativos; Garantia relativa à aplicação dos regulamentos
emitidos pela Administração Pública (nº 2 do artigo 228º CRM); Garantia relativa aos
Contratos Administrativos; Garantia pela efectivação da responsabilidade civil
extracontratual; Garantia para reconhecimento de direitos ou interesses legalmente
protegidos.
Entretanto existem duas espécies fundamentais do contencioso administrativo, que são:
Recursos Contencioso e Accão Administrativa.
O primeiro é o meio de garantia que consiste na impugnação, feita perante o Tribunal
Administrativo competente, de um acto administrativo ou de um regulamento ilegal, a fim de
obter a respectiva anulação. Visa resolver um litígio sobre qual a Administração Pública já
tomou posição. E o segundo é o meio de garantia que consiste no pedido, feito ao Tribunal
Administrativo competente, de uma primeira definição do Direito aplicável a um litígio entre
um particular e a Administração Pública. Visa resolver um litígio sobre o qual a
Administração Pública não se pronunciou mediante um acto administrativo definitivo. E não
se pronunciou, ou porque não o pode legalmente fazer naquele tipo de assuntos, ou porque se
pronunciou através de um simples acto opinativo, o qual, não é um acto definitivo e
executório, não constitui acto de autoridade.
No artigo 33º da Lei 7/2014, de 28 de Fevereiro estabelece os actos que são passeis de
recurso de contencioso. Sendo que o seu objecto consta do artigo 32 da lei supra mencionada.
A mesma lei nos seus artigos 52, 53 e 55, estabelecem os requisitos da petição do recurso
contencioso e marca que seguirá.
Relativamente aos pressupostos, tem legitimidade titulares de direitos subjectivos ou
interesses legalmente protegidos que tivessem sido lesados pelo acto recorrido. Ministério
Público, os titulares do direito de acção popular, as pessoas colectivas, os presidentes e
membros de órgãos colegiais e as autarquias locais, nos termos do artigo 44º. Em relação à
legitimidade passiva, ou seja, a entidade recorrida, o órgão que tenha praticado o acto, nos
termos do artigo 49º