INCLUSÃO DE CRIANÇAS COM TEA: VIVÊNCIAS
EDUCATIVAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Daiane Fernandes de Oliveira Bernado¹
Iara Muller Carvalho¹
Joselane dos Santos Penedo¹
Carlos José Giudice dos Santos ²
RESUMO
Este estudo aborda o tema inclusão de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA)
na educação infantil, e destaca a importância de práticas educativas inclusivas que promovam o
desenvolvimento de crianças atípicas. Embora a sociedade tenha avançado na inclusão de
crianças autistas, ainda há desafios a serem vencidos, como professores despreparados e a falta de
adaptação nos recursos pedagógicos. O estudo aborda tanto pesquisa bibliográfica quanto a
observação prática e demonstra que um ambiente acolhedor e profissionais capacitados são
importantes para estimular habilidades sociais, cognitivas e motoras de crianças com TEA. Para
que a inclusão aconteça de forma eficaz, é necessário a colaboração entre família, professores e
escola para criar condições que ajudem o aprendizado dessas crianças.
Palavras-chave: Autismo. Inclusão. Educação Infantil.
1. INTRODUÇÃO
A inclusão de crianças com transtorno do espectro autista (TEA) na educação infantil é um
assunto que tem ganhado destaque nos tempos atuais. As vivências educativas inclusivas buscam
promover um ambiente acolhedor e adaptado para que os alunos possam desenvolver suas
habilidades.
Entretanto, mesmo com os avanços de práticas inclusivas na educação infantil, ainda há
muitos desafios. Um dos grandes problemas é o despreparo das escolas e dos professores para
atender as necessidades especificas das crianças com TEA. Além disso, também faltam recursos e
adaptações pedagógicas que auxiliem o desenvolvimento dessas crianças, e que pode comprometer
o processo inclusivo. Sobre isso, Brandão e Ferreira (2013) afirmam que a inclusão não deve levar
em conta apenas o aluno, mas também a modificação dos ambientes de aprendizagem que ele
frequenta. Diante disso, como um ambiente inadequado e o despreparo de professores da educação
infantil podem prejudicar o processo de inclusão de crianças com TEA?
1 Nome dos acadêmicos
2 Nome do Professor tutor externo
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI – Curso (FLC22034PED) – Prática do Módulo V –
dd/mm/2024
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Este estudo tem como objetivo geral identificar as práticas inclusivas na educação infantil
que promovem o desenvolvimento de crianças com autismo (TEA). O objetivo específico é
evidenciar a necessidade de preparar a escola e os professores para apoiar as crianças com autismo.
Para alcançarmos esses objetivos, realizamos uma pesquisa bibliográfica com base em
artigos disponíveis na SciELO, onde foram selecionados artigos que abordam práticas inclusivas de
crianças com autismo na educação infantil e pesquisa prática em sala de aula de uma escola
inclusiva onde foi observado um aluno autista realizando as atividades propostas.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O transtorno do espectro autista (TEA) é um transtorno do desenvolvimento que afeta várias
áreas, como cognição, comunicação, socialização e habilidades motoras, sendo influenciado por
fatores genéticos e ambientais. Como muitos diagnósticos são fechados na primeira infância, a
professora da educação infantil precisa adaptar o ambiente escolar e as atividades para acolher e
apoiar essas crianças, segundo Lemos, Salomão e Agripino-Ramos:
[...] destaca-se a escola como um dos espaços que favorecem o desenvolvimento infantil,
tanto pela oportunidade de convivência com outras crianças quanto pelo importante papel
do professor, cujas mediações favorecem a aquisição de diferentes habilidades nas
crianças." (Lemos; Salomão; Agripino-Ramos, 2014, p. 119)
São muitos os desafios no processo de ensino-aprendizagem das crianças com TEA -
Transtorno do Espectro Autista -, é uma questão que requer esforço das instituições de ensino e
políticas públicas para realizar uma educação inclusiva eficaz, segundo Camargo et al.:
Sendo assim, é importante pensar meios de melhorar e aperfeiçoar o trabalho pedagógico
com alunos com TEA na sala de aula para possibilitar um amplo espaço de vivência e
aprendizagem rico de elementos que auxiliam na aquisição de habilidades sociais e
acadêmicas. Esse espaço, enquanto fonte de experiências positivas para o desenvolvimento
de crianças com autismo, pode ser potencializado se as dificuldades e as necessidades dos
professores forem adequadamente atendidas para que as práticas pedagógicas, que vão ao
encontro das necessidades educativas especiais desses alunos, sejam adotadas. (Camargo et
al., 2020, p. 16).
Vários profissionais da educação veem como uma tarefa desafiadora e não se sentem
preparados para lidar com a educação de uma criança autista. Ao desenvolverem as atividades,
precisam criar metodologias de ensino para crianças típicas e atípicas, porém a aplicação dessas
atividades deve ser adaptada para cada caso. Sobre isso, Lemos, Salomão e Agripino-Ramos (2014,
p. 125) afirmam que “conhecer os comportamentos da criança autista, bem como suas frequências e
em que contextos ocorrem, é de grande relevância para as práticas dos professores no cotidiano
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escolar." Portanto, é essencial que a escola e os educadores estejam preparados para oferecer um
ambiente inclusivo e adaptado, para que as crianças com TEA possam desenvolver suas
habilidades.
Muitos educadores não se sentem preparados para desenvolver seu trabalho com crianças
autistas, pois muitas vezes lhe falta formação continuada, incentivo e preparo da própria rede
educacional para que o educador saiba mais sobre práticas eficazes em sala de aula com crianças
especiais. Dessa forma, Camargo et al. (2020, p. 11) destacam que “[…] a falta de recursos e de
estratégias práticas e adaptadas, pautadas no conhecimento das características do TEA, é uma
dificuldade que impede o progresso do trabalho não só com o aluno com necessidades educacionais
especiais, mas com todos os demais alunos.” A inclusão de crianças com TEA está prevista em lei
no Brasil e o papel do professor é fundamental para garantir a inclusão escolar desses alunos.
Segundo Lemos, Salomão e Agripino-Ramos (2014), as crianças autistas têm mais
dificuldade de se socializar em situações mais livres. Isso acontece por causa das dificuldades na
comunicação e interação social, o que faz com que elas tomem menos iniciativa. Por isso, o papel
do professor é tão importante para atender as necessidades específicas das crianças autistas, onde as
dificuldades de socialização podem ser mais evidentes. O apoio e a intervenção do professor são
essenciais para ajudar essas crianças a se desenvolverem e participarem mais ativamente das
atividades propostas.
A dificuldade de socialização dos alunos autistas também faz parte dos desafios enfrentados
pelo professor, pois para crianças com TEA o desenvolvimento de habilidades sociais é mais
complexo e necessita do apoio da família e profissionais capacitados. Segundo Camargo et al.
(2020), uma das principais características de crianças com TEA é a dificuldade de interação social.
Esse é mais um desafio para o professor em sala de aula, pois tem dificuldade para identificar as
razões pela qual o aluno se isola para assim poder aplicar práticas que estimulem o aluno a
socializar com os colegas e professores.
Muito se fala em inclusão, mas a inclusão só ocorre verdadeiramente quando todos (família,
professores, coordenadores, mediadores, etc.) estão unidos em um único objetivo, o
desenvolvimento e o bem estar do aluno, segundo Brandão e Ferreira:
A filosofia inclusiva encoraja os docentes a provocarem ambientes de aprendizagem de
entre ajuda, onde a confiança e o respeito mútuos são essenciais para o desenvolvimento de
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um trabalho em equipe. Aliás, um dos fatores, desde sempre, destacado para o sucesso da
inclusão é precisamente a colaboração entre os professores, pais e todos os agentes
educativos. (Brandão; Ferreira, 2013, p. 499)
Muitas famílias evitam de participar por exemplo, de eventos nas escolas onde terá um
grande número de pessoas justamente por medo de julgamento, olhares ou até mesmo críticas.
Sobre isso, Brandão e Ferreira (2013, p. 499) afirmam que "infelizmente, quando a criança tem uma
deficiência ou problema de desenvolvimento, algumas forças podem exercer pressão no sentido de
exclusão e do isolamento, sendo que tal pode mesmo acontecer no seio da própria família.”
Segundo Brandão e Ferreira (2013), é necessário se aprofundar mais, buscar mais
conhecimentos para oferecer maiores possibilidades para o desenvolvimento da criança com
necessidades educativas especiais. As crianças com necessidades educativas especiais precisam de
estímulos adequados para o seu desenvolvimento, isso requer uma atenção especial por parte de
todos que estão ao seu redor.
A inclusão de crianças com autismo vai muito além de recebe-los e coloca-los em uma sala
de aula com outras crianças. Para que a inclusão ocorra de fato, existem diversas atitudes que
precisam ser tomadas para alcançar a inclusão de forma correta, segundo Lemos et al:
Em face das especificidades inerentes ao Transtorno do Espectro Autista, as práticas
inclusivas nesta área envolvem uma série de variáveis, a saber: disponibilidade da direção
em receber e realizar as adequações necessárias; experiência, formação, crenças e
características pessoais dos professores; características dos demais alunos inseridos na sala
de aula; participação das famílias; e, principalmente, características da criança do espectro
autista em termos de diferentes níveis de comprometimento nas áreas de comportamento,
linguagem e socialização. (Lemos et al, 2016, p. 353)
Cada caso é um caso e cada pessoa é única e precisa ter suas particularidades levadas em
consideração. Entender algumas características comuns em pessoas com TEA, pode auxiliar muito
em como agir na escola, em casa ou em qualquer outro lugar. De acordo com Farias, Maranhã e
Cunha (2008), faz-se necessário que se criem propostas eficazes no processo de inclusão, que
alcancem de forma pragmática o fazer pedagógico com vistas à inclusão.
3. MATERIAIS E MÉTODOS
Em relação ao objetivo deste estudo, a pesquisa realizada foi explicativa. Buscamos
compreender e explicar a importância do ambiente apropriado e da capacitação de profissionais da
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educação infantil para ocorra de forma satisfatória o desenvolvimento e a inclusão de crianças com
o transtorno do espectro autista.
Quanto a coleta de dados e informações da pesquisa, utilizamos duas metodologias: pesquisa
bibliográfica e pesquisa aplicada. A pesquisa bibliográfica foi realizada através de artigos
disponíveis na plataforma da SciELO. Buscamos através do embasamento teórico sobre a
importância da capacitação profissional e o espaço adequado para atender crianças autistas para que
elas se desenvolvam de modo esperado para suas faixas etárias. A pesquisa aplicada, foi realizada
de modo prático em uma sala de aula de educação infantil, onde haviam algumas crianças autistas e
observou-se que tanto atividades adaptadas de maneira individual quanto atividades de socialização,
quando realizadas em momentos e ambientes apropriados, foram importantes para promoverem a
inclusão dessas crianças.
Para a analise de dados qualitativa, analisamos as práticas inclusivas de crianças autistas na
educação infantil. Procuramos observar os pontos comuns entre a pesquisa aplicada com a pesquisa
teórica e observamos como a adaptação do ambiente escolar e a preparação dos profissionais da
educação infantil influenciam o desenvolvimento e a inclusão de crianças com TEA.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Percebeu-se com essa pesquisa a importância da capacitação de profissionais e da adaptação
do ambiente escolar para o desenvolvimento de habilidades motoras e cognitivas, e também da
autonomia e socialização de crianças com Transtorno do Espectro Autista na educação infantil. A
inclusão é um ato de empatia com o próximo, através do acolhimento a essas crianças, seu
desempenho se torna contínuo e elas não se sentem excluídas da sociedade.
Esse resultado reforça as afirmações de Camargo et al. (2020), que destacam a importância
de um ambiente que auxilie a aprendizagem das crianças com TEA, e também concordam com
Salomão e Agripino-Ramos (2014), que destacam a importância das adaptações no ambiente
escolar. A adaptação da atividade em um ambiente tranquilo e sem muito barulho mostrou que
atividades de concentração como essa aumentam o interesse e o aprendizado das crianças autista,
confirmando a teoria dos autores citados sobre a importância das adaptações.
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Contudo, a teoria também demonstra que para que a inclusão seja eficaz, é necessário que a
escola, os professores e as famílias trabalhem juntos, como ressaltam Brandão e Ferreira (2013),
caso isso não ocorra, poderá atrapalhar os resultados esperados. Outro exemplo de sucesso foi a
inclusão do aluno em uma atividade de socialização com os colegas, que promoveu a interação e o
desenvolvimento de habilidades sociais, uma área desafiadora para crianças com TEA. Isso reforça
o que Camargo et al. (2020) afirmam sobre a importância da socialização e também destaca que
para que essas atividades sejam eficazes depende também da colaboração entre os envolvidos no
processo, o que nem sempre ocorre, conforme também enfatizam Lemos et al. (2016).
Figura 1 – Criança Autista em Atividade de Concentração
Fonte: dados da pesquisa.
Crianças com o transtorno do espectro autista (TEA), muitas vezes necessitam de atividades
adaptadas, levando em consideração suas necessidades especificas de acordo com o grau de
autismo. Muitos alunos com TEA, concentram-se e desenvolvem melhor em um ambiente
tranquilo, sem distrações ou barulhos excessivos, como o da sala de aula convencional. A sala de
recursos é uma alternativa para que essas atividades sejam trabalhadas.
Na Figura 1, vemos um aluno com TEA realizando uma atividade adaptada as suas
necessidades. Ao realizar essa mesma atividade em uma sala de aula regular, o aluno devido aos
excessos de estímulos não conseguiu desenvolver conforme o objetivo esperado. Porém, ao realizar
essa mesma tarefa na sala de recursos, ele conseguiu focar e finalizar a atividade como esperado.
Assim, podemos concluir que o ambiente adequado é importante para o desempenho de crianças
atípicas.
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Figura 2 – Inclusão: Criança TEA Participando de Atividade com Outros Alunos
Fonte: dados da pesquisa.
A figura 2 mostra o mesmo aluno da figura 1 participando de uma brincadeira com outras
crianças de sua turma escolar. Atividades como essa ajudam a criança com TEA a desenvolver
habilidades de socialização, que é um dos grandes desafios para as pessoas que possuem o
transtorno. Atividades em grupo promovem a inclusão e através delas a criança com TEA pode
aprender a interagir, comunicar e aprender sobre as regras da sociedade de uma forma menos
desafiadora.
5. CONCLUSÃO
Esse estudo teve como objetivo geral identificar as práticas inclusivas na educação infantil
que promovem o desenvolvimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Durante
a pesquisa, observamos que a adaptação do ambiente escolar e a capacitação de profissionais são
importantes para que a inclusão seja efetiva, confirmando as teorias apresentadas.
A pesquisa bibliográfica e a observação prática demonstraram que crianças com TEA se
desenvolvem em ambientes tranquilos e com atividades adaptadas, melhorando suas habilidades
sociais, cognitivas e motoras. Além disso, notou-se que a colaboração entre escola e família é
fundamental para que a inclusão ocorra.
Embora os objetivos tenham sido alcançados na pesquisa, alguns desafios, como o
despreparo de alguns profissionais e a falta de recursos pedagógicos continuam influenciando
negativamente na inclusão. Isso mostra a necessidade de mais estudos e investimentos para
profissionais trabalharem com as crianças com TEA.
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REFERÊNCIAS
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especiais na educação infantil. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v. 19, n. 4, p.
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Disponível em: [Link]
Acesso em: 25 ago. 2024
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v. 36, p. 9-16, jul. 2020. Disponível em:
[Link] Acesso em: 28 fev. 2024.
FARIAS, Iara Maria de; MARANHÃO, Renata Veloso de Albuquerque; CUNHA, Ana Cristina
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LEMOS, Emellyne Lima de Medeiros dias; SALOMÃO, Nádia Maria Ribeiro; AGRIPINO-
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Disponível em: [Link]
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