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Dai Stima

O estudo analisou a prevalência de Dermatite Associada à Incontinência (DAI) em pacientes internados na UTI de um hospital privado no noroeste do Paraná, com uma amostra de 11 dos 72 pacientes avaliados, revelando uma prevalência de 15,27%. Os resultados indicaram que pacientes mais velhos e mulheres são mais suscetíveis a desenvolver DAI, e doenças como Insuficiência Respiratória Aguda estão associadas a essas lesões. A pesquisa destaca a importância de cuidados eficazes e a necessidade de mais estudos sobre a DAI no Brasil.

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Marli Balan
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Dai Stima

O estudo analisou a prevalência de Dermatite Associada à Incontinência (DAI) em pacientes internados na UTI de um hospital privado no noroeste do Paraná, com uma amostra de 11 dos 72 pacientes avaliados, revelando uma prevalência de 15,27%. Os resultados indicaram que pacientes mais velhos e mulheres são mais suscetíveis a desenvolver DAI, e doenças como Insuficiência Respiratória Aguda estão associadas a essas lesões. A pesquisa destaca a importância de cuidados eficazes e a necessidade de mais estudos sobre a DAI no Brasil.

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“PREVALÊNCIA E OCORRÊNCIA DE DERMATITE ASSOCIADA À

INCONTINÊNCIA (DAI) EM PACIENTES INTERNADOS NA UNIDADE DE


TERAPIA INTENSIVA DE UM HOSPITAL PRIVADO DO NOROESTE DO
PARANÁ”.1

Carlos Eduardo Bombarda Baessa2


Prof. Viviane Camboim Meireles3
Marli A. J. Balan4

ARTIGO ORIGINAL

1
Trabalho de Conclusão do Curso de Especialização em Viabilidade Tecidual e Tratamento de Feridas pela
Universidade Estadual de Maringá.

2
Enfermeiro, especializando em Viabilidade Tecidual e Tratamento de Feridas pela Universidade Estadual de
Maringá. Rua Pioneiro Antônio Correa Brito, número 124 casa A, Jardim Paris III, Maringá-Pr. Fone: (44) 9105-
2208.

3
Enfermeira docente da Universidade Estadual de Maringá, Mestre em Enfermagem pelo Departamento de
Enfermagem da UEM.
4
Enfermeira do Hospital Universitário Regional de Maringá, Mestre em Enfermagem e Estomaterapia pela USP
– SP.
“PREVALÊNCIA E OCORRÊNCIA DE DERMATITE ASSOCIADA À

INCONTINÊNCIA (DAI) EM PACIENTES INTERNADOS NA UNIDADE DE

TERAPIA INTENSIVA DE UM HOSPITAL PRIVADO DO NOROESTE DO

PARANÁ”.

"PREVALENCE AND DERMATITIS ASSOCIATED WITH THE OCCURRENCE

OF INCONTINENCE (DAI) IN PATIENTS IN INTENSIVE CARE UNIT OF A

PRIVATE HOSPITAL NORTHWEST PARANÁ."

"PREVALENCIA Y DERMATITIS ASOCIADO CON LA APARICIÓN DE

INCONTINENCIA (DAI) EN PACIENTES INCLUIDOS EN UNIDAD DE CUIDADOS

INTENSIVOS DE UN HOSPITAL PRIVADO NOROESTE DEL PARANÁ".

RESUMO

Este estudo teve como objetivo caracterizar a prevalência de ocorrência Dermatite Associada

à Incontinência (DAI), em pacientes internados em uma UTI de um hospital privado

localizado na região noroeste do Paraná. A metodologia utilizada foi um estudo prospectivo

descritivo exploratório, de abordagem quantitativa realizado no período de novembro/2011 a

janeiro/2012. Durante o período de estudo foram avaliados 72 pacientes, sendo que 11

fizeram parte da amostra. Dentre os resultados obteve-se que a prevalência de DAI foi de

15,27%. Doenças associadas como Insuficiência Respiratória Aguda tiveram relevância no

acometimento destas lesões nos pacientes. Observou-se também que os pacientes com idade

avançada e mulheres, são mais susceptíveis em desenvolver estes tipos de lesões de pele.
Estudos e coletas de dados favorecem o entendimento e aprimoramento de cuidados eficazes

para estes indivíduos.

Palavras-chave: Dermatite. Incontinência. Enfermagem.

ABSTRACT

This study aimed to characterize the prevalence of occurrence Incontinence Associated

Dermatitis (AID) in patients admitted to an ICU of a private hospital in northwestern Paraná.

The methodology used was a prospective descriptive and exploratory, quantitative study

carried out from the november/2011 janeiro/2012. During the study period were obtained

from 72 patients, 11 were part of the sample. Among the results, it was found that the

prevalence of DAI was 15.27%. Associated diseases such as Severe Acute Respiratory

involvement had relevance in these lesions in patients. It was also observed that patients with

advanced age and women are more likely to develop these types of skin lesions. Studies and

data collection favor the understanding and improvement of effective care for these

individuals.

Keywords: Dermatitis. Incontinence. Nursing.

RESUMEN

Este estudio tuvo como objetivo caracterizar la prevalencia de la dermatitis episodio de

incontinencia asociada (AID) en pacientes ingresados en una UCI de un hospital privado en el

noroeste de Paraná. La metodología utilizada fue un estudio prospectivo descriptivo y

exploratorio, el estudio cuantitativo llevado a cabo desde el November/2011 janeiro/2012.

Durante el período de estudio fueron obtenidos de 72 pacientes, 11 eran parte de la muestra.

Entre los resultados, se encontró que la prevalencia de la DAI fue 15,27%. Las enfermedades

asociadas como la participación Respiratorio Agudo Severo tenía relevancia en estas lesiones

en los pacientes. También se observó que los pacientes con edad avanzada y las mujeres son
más propensas a desarrollar este tipo de lesiones en la piel. Los estudios y recopilación de

datos a favor de la comprensión y el mejoramiento de la atención efectiva de estas personas.

Palabras clave: dermatitis. La incontinencia. Enfermería.

INTRODUÇÃO

A enfermagem em suas características existenciais como profissão, tem seu maior foco

no cuidado ao ser humano enquanto indivíduo e coletivo. O profissional enfermeiro deve

adquirir conhecimentos gerais e específicos para poder proporcionar este cuidado

especializado ao ser humano. Deve conhecer o corpo humano e as moléstias que podem

acometer o mesmo.

Dentre as estruturas do corpo humano, a pele é considerada o maior órgão. É formada

por duas camadas: Epiderme e Derme. Possibilita a interação do nosso organismo com o meio

externo. Tem funções como: proteção das estruturas internas, manutenção da homeostase e

percepção (1).

Qualquer lesão do tecido epitelial, mucosa ou órgãos com prejuízos de suas funções

básicas recebem a denominação de feridas e estas podem ser classificadas quanto ao tempo de

reparação tissular em agudas ou crônicas; quanto à profundidade da lesão; a extensão do dano

tissular, a perda parcial ou total do tecido, quantidade de exsudato, aparência, dentre outros (2).

Indivíduos acometidos por lesões de pele devem receber assistência adequada, nos

diversos níveis estruturais, seja de atenção primária ou unidade hospitalar, afim que seja

reestabelecida a integridade da pele, melhorando seu estado de saúde. É importante ressaltar

que, durante internações em unidades hospitalares, alguns tipos específicos de injúrias na pele

podem ocorrer como a Dermatite Associada à Incontinência (DAI) e é fundamental que o


enfermeiro conheça estes tipos de lesões e suas especificidades para planejar a assistência de

forma adequada (3).

Em relação à dermatite desencadeada pela incontinência, foi primeiramente conhecida

como dermatite de Jacquet, descrita em 1905 pelo dermatologista Leonare Marice Jacquet. Já

no início do século XX, alguns pesquisadores acreditaram que a amônia liberada na urina

fosse o principal fator envolvido na etiologia dessa dermatite e a denominou de dermatite

amoniacal, o que foi descoberto posteriormente (3).

Também foram delineadas outras expressões para essa condição: erupção cutânea por

uso de fraldas; dermatite irritativa de fraldas; dermatite perineal. Em adultos: maceração por

umidade, dermatite perineal, dermatite irritante, dermatite de contato, intertigo e erupção

cutânea por calor (4).

Um consenso sobre o tema foi elaborado e publicado na cidade de Chicago no ano de

2007, no Journal of Wound Ostomy & Continence Nurses (JWOCN) da Sociedade Norte-

Americana de Enfermeiros Estomaterapeutas; o qual considera a DAI como uma inflamação

ou comprometimento da pele que ocorre em consequência do contato de urina ou fezes com a

região perineal ou perigenital (4).

Em um estudo realizado nos EUA, a prevalência de DAI foi caracterizada como

responsável por 7% das lesões de pele em pacientes incontinentes internados em casas de

repouso; 50% destas lesões na mesma população, foram detectadas em pacientes que

apresentavam incontinência fecal. Já 42% foram em pacientes adultos com incontinência, que

estavam hospitalizados e 83% dos pacientes incontinentes que estavam internados em

unidades de cuidados intensivos (5) (6) (7) (8) (9).

Já em outro estudo realizado também nos EUA em 2006, em casas de repouso,

verificou-se a incidência de 3,4% de DAI em pacientes incontinentes em ambientes que

adotavam um protocolo de cuidados (10).


O maior fator de risco para o desenvolvimento deste tipo de lesão é considerado a

incontinência urinária e/ou fecal. A incontinência urinária é caracterizada pela perda

involuntária ou não controlada de urina da bexiga. Este distúrbio, entre outros fatores,

acomete vários indivíduos de diversas faixas etárias, porém a maior frequência é em idosos

devido a alterações e infecções do trato urinário, em mulheres com partos vaginais e em

menopausa. Em qualquer faixa etária a incontinência tem como consequências a diminuição

ou perda da auto-estima e o afastamento do convívio social. Outros indivíduos, que podem ser

acometidos por este distúrbio, são aqueles com sequelas neurológicas, e traumáticas

(paraplegias) (2).

Na maioria dos casos em pacientes idosos, debilitados, dependentes, acamados e/ou

com paralisias e paraplegias, que apresentem incontinência urinária e fecal também, são

utilizadas fraldas plásticas para auxílio na absorção de urina e fezes (11).

O manuseio inadequado e tempo de exposição prolongado com urina e fezes

provocam irritação na pele, formando lesões denominadas dermatites, que é considerado um

processo inflamatório da pele que pode estar acompanhado por prurido e dor; pode apresentar

sinais como inchaço, vermelhidão, bolhas, exsudação. A causa destas dermatites na maioria

das vezes está relacionada a fatores exógenos e químicos. Danos à pele podem ocorrer

dependendo do tipo de irritante: umidade, urina, fezes, bem como o tempo e a frequência da

exposição (contato) da pele a esses agentes. A exposição à urina causa dermatites em homens,

principalmente na região do escroto e em mulheres nas dobras dos grandes lábios e região

perineal. O uso constante de sabonetes e outras substâncias utilizadas para a higiene

produzem dano estrutural na barreira da pele e leva ao ressecamento. A fricção constante para

a remoção de resíduos irritantes a pele como cremes gordurosos, pomadas e óleos também

perturbam a barreira através da ação mecânica (2).


No que diz respeito ao tratamento desta dermatite, tem-se como objetivos: minimizar o

contato da pele com irritantes, manter a proteção da pele, promover condições para a

realização do cuidado. Ainda relata que para a prevenção do desenvolvimento da dermatite, as

medidas são: realizar higiene rotineira da pele com água e sabão, e utilização de protetores

adequados de pele como creme e secantes (4).

No Brasil, ainda não há clareza por parte dos enfermeiros em avaliar especificamente

DAI. Verifica-se que muitos profissionais confundem esta afecção com úlcera por pressão,

nos seus estágios iniciais. Estas confusões fizeram com que a National Pressure Ulcer

Advisory Panel (NPUAP) e a European Pressure Ulcer Advisory Panel (EPUAP), em 2009,

estabelecessem em suas diretrizes que a DAI deve ser bem diferenciada da UP e não
(1)
classificada em estágios I e II . Observa-se que desde a década de 1990, nos EUA foram

desenvolvidas algumas ferramentas ou instrumentos para facilitar a identificação,

classificação, avaliação, gravidade e gerenciamento de DAI(1).

Dentre estes instrumentos, podemos considerar o desenvolvido por Junkin e Selekof

em 2008, da Escala de Intervenção para Dermatite Associada à Incontinência (ADITI –

Incontinence Associated Dermatitis, Intervention Toll.). Esta escala é composta de três

construtos, sendo o primeiro a orientação acerca do cuidado a ser prestado à pessoa

incontinente; o segundo, uma orientação quanto à identificação dos pacientes de risco e

fotografias de casos de DAI para a classificação em DAI recente, moderada, severa e

rachadura com aparecimento de fungos. A DAI recente é caracterizada por pele exposta à

urina e fezes, apresenta-se intacta e não empolada; mas é rosa ou vermelha com margens

difusas e irregulares. A palpação pode revelar uma temperatura mais alta se comparada à pele

não exposta. A DAI moderada consiste em pele brilhante ou vermelho irritado - em tons de

pele mais escura ela pode aparecer branca ou amarela. Na DAI severa a pele afetada é

vermelha com áreas de perda de pele, de espessura e exsudação – sangramento. Em pacientes


de pele escura os tons de pele podem ser branco ou amarelo. Na DAI com rachaduras e

aparecimento de fungos, pode ocorrer em adição a qualquer nível de injúria de pele por DAI.

Geralmente os pontos são notados perto das bordas das áreas vermelhas, áreas brancas ou

amarelas em pacientes de pele escura, que podem aparecer como espinhas ou apenas manchas

vermelhas planas branco ou amarelo. O terceiro propõe intervenções para as diferentes

fases(1). No ano de 2010, no Brasil, foi realizada uma tradução livre elaborada pelas autoras

Ribeiro e Borges, acerca desta escala, porém ainda não efetuou-se a validação da mesma para

língua portuguesa(3).

Percebemos que no Brasil, ainda não existem estudos mais aprofundados em relação à

prevalência de DAI, visando implementação de sistemas de avaliação adequados em relação

ao risco do seu desenvolvimento, que permitam o estabelecimento de medidas preventivas

que reduzam consequentemente, não só os gastos com o tratamento dessa clientela, mas,

principalmente o sofrimento físico.

Existem poucos registros acerca da prevalência e caracterização deste tipo de lesão.

Devido à escassez de trabalhos publicados no país, tem-se a preocupação em caracterizar a

prevalência destas lesões e contribuir para melhor desenvolvimento de pesquisas e

levantamentos de dados que possam favorecer a prevenção e tratamento.

Surge a necessidade então, dos profissionais de enfermagem, prestadores de cuidados

diretos ao indivíduo buscarem aperfeiçoamento, técnicas e recursos para atuação na

prevenção e tratamento desta moléstia.

Essas considerações motivaram a realização deste estudo, que tem por objetivos:

identificar a prevalência e caracterização de DAI, entre os pacientes internados na Unidade de

Terapia Intensiva (UTI) de um hospital privado do noroeste do Paraná. Caracterizar os

pacientes que desenvolveram DAI, quanto a prevalência, sexo, idade, estado civil, raça,

tabagismo, IMC (índice de massa corporal), doenças de base e doenças associadas.


METODOLOGIA :

Estudo longitudinal, descritivo e exploratório. Os métodos de estatística descritiva têm

o objetivo de resumir ou descrever as características importantes de um conjunto de dados.

O presente estudo foi realizado na UTI Geral de um hospital privado localizado no

noroeste do Paraná.

É um hospital privado, que possui 92 leitos. A taxa de ocupação anual é de 69%. O

campo de pesquisa foi na UTI Geral adulto, que possui 13 leitos, atendendo pacientes

particulares e conveniados. A média de internação é de 08 pacientes/dia. As patologias

predominantes estão relacionadas às clínicas cardiológicas e gastroenterologia.

A população foi composta por 72 pacientes internados na UTI Adulto do hospital

referido.

Os dados foram coletados durante três meses consecutivos : novembro e dezembro de

2011, janeiro de 2012.

A coleta dos dados foi realizada por 3 enfermeiros, que foram submetidos a

treinamento prévio que incluiu abordagem teórico-prática sobre a avaliação sistemática para

escala de avaliação de Dermatite Associada a Incontinência (Anexo 1). Foram abordados

temas referentes a sua definição, classificação, etiopatogênese. O treinamento foi encerrado

após a concordância entre os pesquisadores dos escores atribuidos após os estudos de casos

avaliados.

Para a coleta dos dados foi utilizado o instrumento composto de 3 partes (Anexo 2).

A primeira parte possui dados sociodemográficos (sexo, idade, raça, estado civil,

ocupação, procedência).

A segunda parte foi composta por dados clínicos (doença de base, doença associada,

tempo de internação, tabagismo, índice de massa corporal - IMC).


Na terceira parte foi avaliada a prevalência de Dermatite Associada à Incontinência

(DAI) e classificação de acordo com a escala de Junkin e Selekof, traduzida por Ribeiro e

Borges em 2010 (Anexo 1).

A pesquisadora e os enfermeiros visitaram todos os pacientes da UTI do estudo, para

avaliação do surgimento de novos casos de DAI, às segundas, quartas e sextas feiras, durante

os três meses.

A coleta de dados foi realizada somente com os pacientes que concordaram em partici-

par do estudo assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE (Anexo 3).

Primeiramente foi consultado o prontuário dos pacientes e posteriormente realizado exame fí-

sico registrando-se os dados no instrumento de coleta de dados.

Após a coleta dos dados, os mesmos foram lançados em um banco de dados por um

estatístico, para a realização das análises posteriores.

O cálculo para a prevalência de DAI foi feito por meio da fórmula:

Prevalência = número de casos X100

número de casos total.

Efetuou-se a contagem do número de pessoas com DAI que existiam no momento da

coleta e incluiu-se os casos novos e antigos, ou seja, os pacientes que as desenvolveram após

a admissão na UTI e os que foram admitidos com estas lesões.

Foram adotados todos procedimentos éticos para execução da pesquisa. Obteve-se

autorização junto a Diretoria do hospital e junto ao COPEP – Comitê Permanente de Ética em

Pesquisa envolvendo Seres Humanos da Universidade Estadual de Maringá. Todos os

pacientes que concordaram em participar do estudo assinaram o Termo de Consentimento

Livre e Esclarecido - TCLE.

RESULTADOS E DISCUSSÃO :
No período de novembro de 2011 a janeiro de 2012, foram avaliados 72 pacientes

internados na UTI geral de um hospital privado do noroeste do Paraná, quanto a presença de

DAI, sendo que 11 destes desenvolveram lesões totalizando uma prevalência de 15,27%.

Em um estudo realizado nos EUA, mostrou que a prevalência de DAI foi responsável

por 7% das lesões de pele em pacientes que apresentavam incontinência e que nesta

população 83% dos pacientes incontinentes estavam internados em unidades de cuidados

intensivos (5)(9).

No presente estudo, a prevalência de DAI foi de 15,27%, sendo considerada maior em

comparação ao estudo realizado nos EUA.

Os dados sóciodemográficos foram compilados e estão descritos na Tabela 1 :

Tabela 1. Distribuição dos pacientes portadores de DAI, internados na UTI geral de um

hospital privado no noroeste do Paraná, segundo as variáveis sóciodemográficas. Maringá-Pr,

2012.

Variáveis Sóciodemográficas N %

Sexo

Feminino 6 55%

Masculino 5 45%

Idade

<60 anos 1 9%

>61 anos 10 91%

Raça

Branca 9 82%

Não Branca 2 18%

TOTAL 11 100%
Observa-se na Tabela 1, que há maior proporção de mulheres com DAI 6 (55%), em

relação aos homens 5 (45%).

Este gênero possui maior susceptibilidade para o desenvolvimento de lesões como

DAI, além de levar em consideração os fatores de risco associados, como por exemplo,

número de partos vaginais, menopausa(2).

Em relação a faixa etária, observa-se a prevalência de DAI em pacientes com idade

acima de 61 anos (91%).

Nesta faixa os idosos estão mais susceptíveis a sofrer alterações e infecções do trato

urinário e distúrbios de incontinência urinária e fecal(2).

Em um estudo realizado nos EUA, a prevalência de DAI foi caracterizada como

responsável por 7% das lesões de pele em pacientes incontinentes internados em casas de

repouso; 50% destas lesões na mesma população, foram detectadas em pacientes que

apresentavam incontinência fecal. Já 42% foram em pacientes adultos com incontinência, que

estavam hospitalizados e 83% dos pacientes incontinentes que estavam internados em

unidades de cuidados intensivos (5) (6) (7) (8) (9).

Este dado corrobora com dados encontrados em um estudo realizado nos EUA em

2006, em casas de repouso, verificou-se a incidência de 3,4% de DAI em pacientes

incontinentes em ambientes que adotavam um protocolo de cuidados(10).

Quanto à raça 82% dos entrevistados eram brancos.

Considerando que em pacientes oriundos de outras raças, principalmente a negra é

maior a dificuldade em identificar as lesões por DAI. Indivíduos de pele branca são mais

susceptíveis a desenvolver lesões de DAI (3).

Na sequência consta na Tabela 2, dados relacionados a doenças de base e doenças

associadas apresentadas pelos portadores de DAI.


Tabela 2. Distribuição dos pacientes portadores de DAI, internados na UTI geral de um

hospital privado no noroeste do Paraná, segundo os dados clínicos. Maringá-Pr, 2012.

Dados Clínicos N %

Doenças de Base

Aparelho Circulatório 5 45%

Aparelho Digestivo 1 9%

Aparelho Respiratório 4 36%

Aparelho Neurológico 1 9%

Doenças Associadas

HAS 1 9%

IRPA 6 55%

IRA 2 18%

ICC 2 18%

TOTAL 11 100%

Com relação as doenças de base, é demonstrado na Tabela 2, que 5 (45%) dos

entrevistados possuíam patologias do aparelho circulatório, 4 (36%) do aparelho respiratório,

um (9%) do aparelho respiratório e 1 (9%) do aparelho neurológico.

São consideradas patologias na maioria das vezes de alta complexidade, com grandes

índices de mortalidade. Estas patologias incorrem em que o paciente receba um atenção

especial, muitas vezes necessitando de tratamento intensivo em unidades hospitalares.

Nas doenças associadas, observa-se a prevalência de insuficiência respiratória aguda

(55%).

Estas doenças associadas ao quadro clínico, levam o paciente a sofrer danos no

aparelho respiratório, ocasionando muitas vezes na dependência do paciente em receber

ventilação pulmonar mecânica e sedação, tornando o mesmo totalmente dependente e


acamado, com distúrbios de incontinência, com a utilização de fraldas, facilitando o

acometimento por lesões de DAI.

A Tabela 3 a seguir apresenta a caracterização de DAI (localização, fatores de risco e

tratamento).

Tabela 3- Distribuição dos pacientes portadores de DAI, internados na UTI geral de um

hospital privado no noroeste do Paraná, segundo localização, fatores de risco e tratamento.

Maringá-Pr, 2012.

LOCALIZAÇÃO DA DAI N %

Perigenital 5 29,40%

Perianal 4 23,52%

Glúteo direito 4 23,52%

Inguinal direita 2 11,80%

Inguinal bilateral 1 5,88%

Escrotal 1 5,88%

FATORES DE RISCO N %

Uso de fraldas 10 90,90%

Incontinência fecal e uso de fralda 1 9,10%

TRATAMENTO

AGE 7 63,60%

Pomadas 4 36,40%

TOTAL 11 100%

Observa-se na Tabela 3, que a prevalência de DAI na região perigenital foi de 5

(29,40%), seguida de 4 (23,52%) na região perianal.

Em um estudo conduzido em três hospitais nos EUA, verificou-se que dos pacientes

incontinentes da amostra (n=198) 54% apresentaram lesões na região perineal, 18%


apresentaram lesão fúngica e 27% apresentaram DAI. Desses pacientes, 21% tinham algum

tipo de lesão de pele na área de incontinência, inclusive UP (33%). Outro estudo, apontou

prevalência de 8% de DAI (19,7% dos pacientes com incontinência) em um grupo de 607

pacientes(12)(13).

Em comparação com o estudo realizado nos EUA, verifica-se que a região do corpo

mais acometida por DAI, é a região perigenital, comprovado neste estudo também ; isto

devido muitas vezes a exposição à urina que causa dermatites em homens, principalmente na

região do escroto e em mulheres nas dobras dos grandes lábios e região perineal. O uso

constante de sabonetes e outras substâncias utilizadas para a higiene produzem dano estrutural

na barreira da pele e leva ao ressecamento. A fricção constante para a remoção de resíduos

irritantes a pele como cremes gordurosos, pomadas e óleos também perturbam a barreira

através da ação mecânica (2).

Observa-se na Tabela 3, que a prevalência de DAI nos pacientes internados, em

relação ao uso de fraldas foi de (90,90%).

Indivíduos idosos com incontinência são mais susceptíveis ao desenvolvimento de

DAI, pelo fato de possuírem menos camadas de estrato córneo. Ocorre um declínio gradual na

função de barreira e com o passar do tempo, a camada de estrato córneo vai diminuindo.

Também estão associados a isto a diminuição do colágeno, elastina e alterações na

microcirculação(1). Geralmente em pacientes idosos, acamados, debilitados são utilizadas

fraldas plásticas, incorrendo em chances maiores de desenvolver DAI (11).

A figura 1 a seguir mostra a evolução e classificação das lesões por DAI, nos pacientes

avaliados no estudo.
Figura 1- Evolução da classificação de DAI, nos pacientes avaliados, internados na UTI geral

de um hospital privado no noroeste do Paraná. Maringá-Pr, 2012.

Este gráfico mostra os 11 casos de pacientes que apresentaram DAI durante o período

de três meses avaliados. Foram realizadas quatro avaliações em cada paciente, afim de

observar a evolução dessas lesões.

Observa-se que o paciente 1 foi o que apresentou conforme a classificação das lesões

pela escala de Junkin e Selekof, traduzida por Ribeiro e Borges em 2010 (Anexo 1); evolução

pior das lesões. Na primeira avaliação foi detectado como lesão de DAI moderada; na

segunda avaliação DAI severa; na terceira fúngica e quarta avaliação a lesão foi novamente

DAI moderada.

Já a maior parte dos pacientes, casos 3, 4, 5, 6, apresentaram na primeira avaliação

DAI recente, não tendo evolução para os riscos mais elevados, permanecendo as lesões

estáveis.
É de fundamental importância a classificação destas lesões, pois podem nortear as

condutas terapêuticas a serem adotadas para o tratamento adequado em cada fase;

contribuindo para o processo mais rápido de cura destas lesões por DAI.

CONCLUSÕES:

Lesões de pele como DAI, sempre estiveram presentes em pacientes internados nas

diversas instituições. Porém um olhar mais específico para reconhecimento deste tipo de lesão

ainda é considerado recente a nível mundial.

Neste estudo observou-se a prevalência e ocorrência de DAI em pacientes internados

na UTI de um hospital privado do noroeste do Paraná. Também a caracterização destes

pacientes, quanto aos dados sóciodemográficos e clínicos, auxiliam no entendimento e

relacionamento do acometimento e desenvolvimento destes tipos de lesões.

Durante o processo de coleta de dados, ocorreram dificuldades para o diagnóstico

destes tipos de lesões, visto que ainda existem poucas evidências acerca de DAI. Também são

limitados os instrumentos específicos para a classificação de DAI, uma vez que estes ainda

estão em fase de estudo e aplicação, não sendo validados em todos os países. Ainda há

dificuldade em diferenciar DAI de úlcera por pressão, por exemplo.

Para os profissionais da área da saúde que prestarão assistência e cuidado direto a estes

pacientes, em especial o enfermeiro, torna-se necessário o conhecimento especializado sobre

estes tipos de lesões, afim de buscar técnicas e manejos apropriados para oferecer prevenções

e tratamentos adequados para lesões como DAI. Trabalhos acerca de prevenção e tratamento

de DAI, podem servir como indicadores de qualidade nas unidades assistenciais.

Ainda é necessário o desenvolvimento de estudos e pesquisas, para aprofundar os

conhecimentos sobre DAI e elaborar trabalhos como, por exemplo, a criação de protocolos
institucionais, com o intuito de direcionar e padronizar os cuidados prestados aos clientes e

assim contribuir para melhoria da assistência e saúde dos indivíduos.

AGRADECIMENTOS:

Em primeiro lugar agradeço a DEUS, por sua infinita misericórdia que se renova a

cada manhã e que me deu força e capacidade para concluir este artigo.

A minha amada esposa Tatiane, que me auxilia em tudo com muito carinho e amor.

A minha orientadora Ms. Marli A. J. Balan, por sua paciência e eficácia em transmitir

os conhecimentos e ajudar o próximo.

As minhas colegas de turma enfermeiras: Eliza, Rosemeire, Evelin e Regina, pelo

companheirismo e trabalho em equipe.

REFERÊNCIAS

1. Domansky RC, Borges EL. Manual para Prevenção de Lesões de Pele. 2012; p. 91 –

118.

2. Smeltzer CS, Bare BG. Tratado de Enfermagem Médico – Cirúrgica. 10. ed. 2005; p.

3. Ribeiro JU, Borges, EL. Revisão integrativa do tratamento de dermatite associada à

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4. Gray M, Bliss DZ, Doughty DB, Ermer-Seltun J, Kennedy-Evans KL, Palmer MH. In-

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Disponível em: https://www.icsoffice.or/abstracts/Publish/46/000427.pdf.

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8. Driver DS, Perineal dermatitis in critical care patients. Crit Care Nurs. 2007, 27(4):42-

6.

9. Peterson KJ, Bliss DZ, Nelson C, Savik K. Practices of nurses and nursing assistants

in preveting incontinence dermatitis in acutely/critically-ill patients (Abstract). Am J

Crit Care. 2006; 15(3):325.

10. Bliss DZ, Zehrer C, Savik K, Smith G, Hedblom E. An economic evaluation of for

skin damage prevention regimens in nursing home residents with incontinence. J

Wound Ostomy Continence Nurs. 2007, 34(2):143-51.

11. Chimentão DMN. Prevenção de dermatite associada à incontinência (DAI).

Disponívelem:<http//solutions.3m.com.br/wps/portal/3M/pt_BR/MedicoHospitalar/

Home/Serviços/C>. Acesso em: 11 jun. 2011.

12. Junkin J, Moore-Lisi G, Selekof JL. Wath we don’t know can hurt us: pilot prevalence

survey of incontinence and related perineal skin injury in acute care (Abstract).

Clinical Symposium on Advances in Wound Care; Las Vegas (NV), 2005.

13. Junkin J, Selekof JL. Prevalence of incontinence and associated skin injury in the

acute care inpatient. J Wound Ostomy Continence Nurs. 2007, 34(3):260-9.


ANEXO 1
ANEXO 2

INSTRUMENTO PARA COLETA DE DADOS

Data:___/___/___ Prevalência:_______

Data de internação: ___/___/_____

1. Dados demográficos

Nome: ______________________________________________________NUMERO:___

Estado Civil: ( ) Casado ( ) Solteiro ( ) Divorciado ( ) Viúvo ( ) Amasiado

Idade: ______Sexo: ( ) F ()M Raça: Branca ( ) Não branca ( )

Ocupação: 1) __________________________ ( ) Aposentado ( ) Sem ocupação

Procedência:_________________________________

2. Dados Clínicos

Peso:___________Kg.Altura:_____________IMC:____________________________

Doença de base:______________________________________________________

DoençasAssociadas:__________________________________________________

Hb. _______ Ht._______ PT._______ Frações _______

Tabagismo ( ) Não ( ) Não, mas já foi tabagista. Tempo:_____ ( ) Sim

Tempo de Internação:________________________________________________

Dieta:
(1) Sim (3) Oral 4) Enteral (5) Parenteral

( 2 ) Não

DATA DAI CLASSIFICAÇÃO FATORES TRATAMENTO

AVALIAÇÃO (LOCALIZAÇÃO) (DAI) DE RISCO

(FRALDA)
ANEXO 3

Universidade Estadual de Maringá

Departamento de Enfermagem

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO.

Você está sendo convidado a participar de uma pesquisa coordenada pela prof. Ms. Viviani

Camboin Meireles da Universidade Estadual de Maringá intitulada “Prevalência e

ocorrência de Dermatite Associada à Incontinência em pacientes internados na Unidade

de Terapia Intensiva de um Hospital Privado do noroeste do Paraná.”. O objetivo da

pesquisa é verificar a prevalência dessas lesões de pele em pacientes internados na UTI

adulto. Sua participação se dará por meio de entrevista, coleta de dados do prontuário e exame

físico, realizado pelo pesquisador para avaliar condições da pele e risco para o

desenvolvimento destas lesões. Informamos que poderão ocorrer possíveis desconfortos

durante o exame físico, porém será zelada pela sua privacidade e conforto durante o mesmo.

Sua participação nesta pesquisa é totalmente voluntária, ou seja, você não pagará nada para

participar dela nem receberá pagamento de qualquer espécie. Assim, você tem o direito

recusar-se a participar, ou mesmo desistir a qualquer momento sem que isto acarrete qualquer

ônus ou prejuízo à sua pessoa/familiar. Informamos ainda que as dados serão utilizadas

somente para os fins desta pesquisa, e serão tratadas com o mais absoluto sigilo e

confidencialidade, de modo a preservar a sua identidade. Os benefícios esperados são o

levantamento da prevalência e caracterização de Dermatite Associada à Incontinência e

verificar fatores de risco, com o objetivo de subsidiar e melhorar a qualidade da assistência a

essa clientela. Caso você tenha mais dúvidas ou necessite maiores esclarecimentos, pode nos

contatar nos endereços abaixo ou procurar o Comitê de Ética em Pesquisa da UEM, cujo

endereço consta deste documento. Este termo deverá ser preenchido em duas vias de igual
teor, sendo uma delas, devidamente preenchida e assinada entregue a você. Além da

assinatura nos campos específicos pelo pesquisador e por você, solicitamos que sejam

rubricadas todas as folhas deste documento. Isto deve ser feito por ambos (pelo pesquisador e

por você, como sujeito ou responsável pelo sujeito de pesquisa) de tal forma a garantir o

acesso ao documento completo.

Eu,………………………………………………..(nome por extenso do sujeito de pesquisa)

declaro que fui devidamente esclarecido e concordo em participar VOLUNTARIAMENTE da

pesquisa coordenada pelo Prof. Viviani Camboin Meireles.

_____________________________________ Data:……………………..

Assinatura ou impressão datiloscópica.

Eu,………………………………………………(nome do pesquisador ou do membro da

equipe que aplicou o TCLE), declaro que forneci todas as informações referentes ao projeto

de pesquisa supra-nominado.

________________________________________ Data:...................................................

Assinatura do pesquisador.

Qualquer dúvida com relação à pesquisa poderá ser esclarecida com o pesquisador, conforme

o endereço abaixo:

Nome:Viviani Camboin Meireles

Endereço: Av. Colombo, 5790. CEP: 87020-900.

(telefone/e-mail): 3011-44-90

Qualquer dúvida com relação aos aspectos éticos da pesquisa poderá ser esclarecida com o

Comitê Permanente de Ética em Pesquisa (COPEP) envolvendo Seres Humanos da UEM, no

endereço abaixo:

COPEP/UEM

Universidade Estadual de Maringá.


Av. Colombo, 5790. Campus Sede da UEM.

Bloco da Biblioteca Central (BCE) da UEM.

CEP 87020-900. Maringá-Pr. Tel: (44) 3261-4444

E-mail: [email protected]

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