Avaliação Da Acurácia Dos Métodos Do SCS para Cálculo Da Precipitação Efetiva e Hidrogramas de Cheia
Avaliação Da Acurácia Dos Métodos Do SCS para Cálculo Da Precipitação Efetiva e Hidrogramas de Cheia
Stéphanie Fernandes Cunha, Francisco Eustáquio Oliveira e Silva, Tainá Ulhoa Mota e Mário Cicareli Pinheiro
RESUMO
No Brasil, o método do SCS é tradicionalmente utilizado como modelo hidrológico de chuva-vazão. Entretanto, esse modelo foi formulado para bacias com
características específicas de porte, tipos, usos e manejo do solo. O emprego generalizado do método SCS-CN, com base em valores de referência do parâ-
metro CN, tem conduzido a estimativas de vazões de cheia consideradas superestimadas por experientes engenheiros de recursos hídricos. Nesse contexto,
este trabalho avaliou e comparou a precipitação efetiva e os hidrogramas de cheia de projeto resultantes da aplicação da metodologia do SCS com eventos de
chuva e vazão observados na bacia do ribeirão Serra Azul, Minas Gerais. Para tal, a bacia foi modelada segundo dois cenários. No primeiro, utilizou-se
a metodologia do SCS para cálculo da precipitação efetiva, considerando o CN fornecido pelas tabelas do SCS, e o hidrograma unitário sintético proposto
pela mesma instituição. No segundo cenário,aplicou-sea precipitação efetiva considerando valores de CN calibrados a partir de sua variação com a altura
de chuva, e o hidrograma unitário derivado a partir de dados linigráficos. Finalmente os eventos simulados foram comparados com os dados observados. Os
resultados indicam que o método do SCS tende a superestimar o volume escoado e as vazões de pico, principalmente para eventos de maior magnitude, que são
normalmente adotados nas condições de projeto. Em compensação, o modelo ajustado para cálculo do CN em função da chuva combinado com o hidrograma
unitário médio da bacia forneceu resultados com menor erro percentual em relação aos eventos monitorados
Palavras Chave: SCS Curve Number. Método de ajuste assintótico. Hidrograma unitário
ABSTRACT
The SCS rainfall-runoff relation is commonly applied in Brazil as an indirect rainfall-runoff model. However, this model was originally developed for
specific physical basin characteristics. The generalized usage of the SCS rainfall-runoff relation based on reference values of the CN parameter, has led to
overestimated design peak discharges, according to the observation of experienced water resources engineers. This paper evaluates and compares the effective
precipitation and discharge hydrographs calculated by the SCS method with monitored data in the drainage area of a stream called Serra Azul, in Minas
Gerais. To achieve this, the basin was modeled according to the SCS method for computation of the excess precipitation and the SCS synthetic unit hydro-
graph for transformation. Similarly, the basin was modeled using the basin calibrated CN as a function of rainfall and the observed average unit hydrograph.
The results suggest that the SCS method overestimates the runoff and peak discharge, mostly for high precipitation events. On the other hand, the calibrated
CN and average unit hydrograph resulted in a smaller percentage error than the SCS method results.
realidade
𝐶𝐶𝐶𝐶(𝑃𝑃) = 33,2 + (100 não−possa 33,2) ser encontrada (Hjelmfelt, 1991), visto
exp(−0,01687𝑃𝑃)
= (𝑃𝑃−𝐼𝐼⁄𝑎𝑎 +𝑆𝑆)2
𝑑𝑑𝑑𝑑 ∞, 𝑑𝑑𝑑𝑑 𝑑𝑑𝑑𝑑 → 0
(7)
𝑃𝑃 → 𝑑𝑑𝑑𝑑 ⁄𝑑𝑑𝑑𝑑
que𝑇𝑇muitos fatores ∑físicos
𝑛𝑛 2
da220,5,0
𝑖𝑖=1 𝑒𝑒𝑖𝑖 = (8)(18)
bacia e características do evento de Na Equação 7, quando 𝑃𝑃 → ∞, 𝑑𝑑𝑑𝑑 ⁄𝑑𝑑𝑑𝑑 → 0 , como 𝑑𝑑𝑑𝑑 ⁄𝑑𝑑𝑑𝑑
𝑏𝑏 = 𝑇𝑇𝑝𝑝 + 𝑇𝑇𝑟𝑟 = 2,67
chuva interagem para determinar a perda inicial. De acordo com → ∞, 𝑑𝑑𝑑𝑑 ⁄No
𝑃𝑃esperado. 𝑑𝑑𝑑𝑑 → entanto,
0 quando 𝑑𝑑𝑑𝑑 ⁄𝑑𝑑𝑑𝑑 (intensidade da
𝑇𝑇𝑏𝑏 = 𝑇𝑇𝑝𝑝 + 𝑇𝑇𝑟𝑟 = 2,67 (8)
Ponce
𝑇𝑇𝑟𝑟 =e Hawkins
𝑇𝑇𝑏𝑏 − 𝑇𝑇𝑝𝑝 =(1996),
1,67𝑇𝑇𝑝𝑝o valor de λ pode (9)ser interpretado como precipitação) aumenta, a taxa𝑇𝑇𝑏𝑏de= infiltração 𝑇𝑇𝑝𝑝 + 𝑇𝑇𝑟𝑟 = 2,67 aumenta pro- (8)
um parâmetro regional para representar a resposta do método 𝑇𝑇porcionalmente,
𝑏𝑏 = 𝑇𝑇𝑝𝑝 + 𝑇𝑇𝑟𝑟 = 2,67 o que não possui (8)
sentido físico, quando
𝑇𝑇𝑟𝑟 = 𝑇𝑇𝑏𝑏 − 𝑇𝑇𝑝𝑝 = 1,67𝑇𝑇𝑝𝑝 (9)
às diversidades ∆𝐷𝐷 geológicas e climáticas. Ademais, outros autores comparado à teoria da infiltração. 𝑇𝑇𝑟𝑟 = 𝑇𝑇𝑏𝑏 − 𝑇𝑇𝑝𝑝 = 1,67𝑇𝑇𝑝𝑝 (9)
𝑇𝑇𝑝𝑝 = + 𝑇𝑇𝐿𝐿 (10)
(Elhakeen; 2 Papanicolaou, 2009), verificaram que Ia 9. 𝑇𝑇O 𝑟𝑟 =fato 𝑏𝑏 de
𝑇𝑇∆𝐷𝐷− 𝑇𝑇 o𝑝𝑝método
= 1,67𝑇𝑇não 𝑝𝑝 se comportar (9)como uma equação de
não é linearmente 0,208𝐴𝐴
proporcional à máxima retenção potencial. 𝑇𝑇𝑝𝑝 = + 𝑇𝑇𝐿𝐿
infiltração 2 indica que o modelo𝑇𝑇é𝑝𝑝(10) inadequado
= + 𝑇𝑇𝐿𝐿 para o cálculo
∆𝐷𝐷
(10)
𝑞𝑞𝑝𝑝Em= resumo, as críticas e inconsistências
𝑇𝑇𝑝𝑝
(11) apresentadas do 𝑇𝑇𝑝𝑝hietograma
∆𝐷𝐷
= 0,208𝐴𝐴 + 𝑇𝑇𝐿𝐿 da precipitação efetiva (10)
2
(Hjelmfelt, 1991).
ao longo do tempo por pesquisadores são apresentadas a seguir. De = 2 com o mesmo autor, (11)
𝑞𝑞𝑝𝑝acordo a utilização
0,208𝐴𝐴 da equação de
𝑇𝑇𝑝𝑝 𝑞𝑞𝑝𝑝 = (11)
As seguintes 𝑇𝑇𝑐𝑐 = são
5
𝑇𝑇𝐿𝐿 listadas por Ponce e(12) Hawkins (1996): escoamento 0,208𝐴𝐴 superficial do SCS-CN com𝑇𝑇𝑝𝑝essa finalidade se
3 𝑞𝑞𝑝𝑝 = (11)
deve 𝑇𝑇𝑐𝑐 mais
= 𝑇𝑇à𝐿𝐿 falta de um método melhor
5 𝑇𝑇𝑝𝑝
(12) 5 do que à confiança
1. O método foi originalmente desenvolvido com dados no processo. 3
O método, como afirmado 𝑇𝑇𝑐𝑐 = 𝑇𝑇𝐿𝐿 por Hawkins et (12)
𝑇𝑇𝐿𝐿 = 0,6𝑇𝑇𝑐𝑐 (13) 5 3
regionais da região centro-oeste dos EUA. Ele foi então al. (2009),
𝑇𝑇𝑐𝑐 = 𝑇𝑇foi 𝐿𝐿 desenvolvido para (12)
cálculo da precipitação
𝑇𝑇𝐿𝐿 = 0,6𝑇𝑇 3
𝑐𝑐 (13)
estendido a outras 𝐿𝐿2 0,385
regiões dos EUA e de outros países sem efetiva total, ou seja, o modelo é𝑇𝑇𝐿𝐿um integrador
= 0,6𝑇𝑇 𝑐𝑐 de todas (13)
as 𝑇𝑇devidas
𝑐𝑐 = 0,39adaptações
( )
𝑆𝑆 nas(14)
tabelas de CN. as perdas
𝑇𝑇𝐿𝐿 = 0,6𝑇𝑇causadas
𝑐𝑐𝐿𝐿2 0,385 por todos os processos
(13) que ocorrem
2. O método é muito sensível à escolha do CN e à condição na𝑇𝑇𝑐𝑐bacia
= 0,39 durante
( ) o evento. (14) 𝐿𝐿2 0,385
𝑆𝑆 𝑇𝑇𝑐𝑐 = 0,39 ( ) (14)
𝑆𝑆 = 5[𝑃𝑃 + 2𝑄𝑄 − √(4𝑄𝑄 + 5𝑃𝑃𝑃𝑃)]2 (15) 𝐿𝐿2 0,385 𝑆𝑆
𝑇𝑇𝑐𝑐 = 0,39 ( ) (14)
𝑆𝑆 = 5[𝑃𝑃 + 2𝑄𝑄 − √(4𝑄𝑄2 +𝑆𝑆 5𝑃𝑃𝑃𝑃)] (15)
𝐶𝐶𝐶𝐶(𝑃𝑃) = 𝐶𝐶𝐶𝐶∞ + (100 − 𝐶𝐶𝐶𝐶∞ )exp(−𝑘𝑘𝑘𝑘) (16) 𝑆𝑆 = 5[𝑃𝑃 + 2𝑄𝑄 − √(4𝑄𝑄2 + 5𝑃𝑃𝑃𝑃)]839 (15)
𝑆𝑆 = 5[𝑃𝑃 + 2𝑄𝑄 − √(4𝑄𝑄2 + 5𝑃𝑃𝑃𝑃)] (15)
𝐶𝐶𝐶𝐶(𝑃𝑃) = 𝐶𝐶𝐶𝐶∞ + (100 − 𝐶𝐶𝐶𝐶∞ )exp(−𝑘𝑘𝑘𝑘) (16)
(𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂−𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸) 𝐶𝐶𝐶𝐶(𝑃𝑃) = 𝐶𝐶𝐶𝐶∞ + (100 − 𝐶𝐶𝐶𝐶∞ )exp(−𝑘𝑘𝑘𝑘) (16)
𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷ç𝑎𝑎 % = × 100% (17)
RBRH vol. 20 no.4 Porto Alegre out./dez. 2015 p. 837 - 848
SCS A =5[𝑃𝑃
Área 𝑇𝑇𝑝𝑝2𝑄𝑄= da∆𝐷𝐷 bacia+ 𝑇𝑇2𝐿𝐿 em 2 + km
2
. (10)
(15)
𝑆𝑆 =𝑆𝑆 =
𝑆𝑆5[𝑃𝑃 ++
= 5[𝑃𝑃 +
2𝑄𝑄 −2𝑄𝑄 −
2
∆𝐷𝐷√(4𝑄𝑄 −
√(4𝑄𝑄
√(4𝑄𝑄 + 5𝑃𝑃𝑃𝑃)]
2+ 5𝑃𝑃𝑃𝑃)]
5𝑃𝑃𝑃𝑃)] (15) (15)
𝑇𝑇𝑝𝑝 = + 𝑇𝑇𝐿𝐿
2
(10)
O hidrograma unitário (HU) representa o hidrograma 𝐶𝐶𝐶𝐶(𝑃𝑃) = 𝐶𝐶𝐶𝐶 O SCS 0,208𝐴𝐴relaciona o(−𝑘𝑘𝑘𝑘)
tempo de concentração
(11)
(16) (Tc) com o
𝐶𝐶𝐶𝐶(𝑃𝑃) = 𝐶𝐶𝐶𝐶 +𝑞𝑞+ (100
𝑝𝑝 = −−
(100
+ (100 𝐶𝐶𝐶𝐶 𝐶𝐶𝐶𝐶)exp∞ )exp (−𝑘𝑘𝑘𝑘)
)exp (16) (16)
de escoamento superficial correspondente à precipitação efetiva 𝐶𝐶𝐶𝐶(𝑃𝑃) =∞𝐶𝐶𝐶𝐶 ∞ −∞𝐶𝐶𝐶𝐶 (−𝑘𝑘𝑘𝑘)
tempo de𝑞𝑞∞𝑝𝑝retardo =
0,208𝐴𝐴𝑇𝑇𝑝𝑝 (TL) ∞pela Equação 12.(11)
𝑇𝑇𝑝𝑝
unitária de intensidade constante distribuída uniformemente sobre (𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂−𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸)
(𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂−𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸)
𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷ç𝑎𝑎
𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷ç𝑎𝑎 %%=%
𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷ç𝑎𝑎 = = 𝑇𝑇 = 𝑇𝑇 5
(𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂−𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸) ×× 100%
×100%
100% (17)(12)
(17)
a área de drenagem. É um modelo linear concentrado simples 𝑐𝑐 𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂
𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂3 𝐿𝐿
5
𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂
(17) (12)
utilizado como função de transferência de uma bacia hidrográfica ou 𝑇𝑇 𝑐𝑐 =
3
𝑇𝑇 𝐿𝐿 (12)
para gerar hidrogramas de cheias correspondentes a precipitações𝐶𝐶𝐶𝐶(𝑃𝑃) = 30,0 + 𝑇𝑇(100 𝐿𝐿 = 0,6𝑇𝑇 𝑐𝑐 exp(−0,01569𝑃𝑃) (13)
𝐶𝐶𝐶𝐶(𝑃𝑃) = 30,0 + (100 −− 30,0) 30,0) exp(−0,01569𝑃𝑃)
efetivas de quaisquer magnitudes e durações (Pinheiro, 2011). 𝐶𝐶𝐶𝐶(𝑃𝑃) = 30,0 𝑇𝑇+𝐿𝐿(100 = 0,6𝑇𝑇 − 30,0) 𝑐𝑐 𝑛𝑛 𝑛𝑛 2 2
exp(−0,01569𝑃𝑃) (13)
(17) (13)
= 1359,0 (17)(17)
∑𝑖𝑖=1∑𝑖𝑖=1 𝑒𝑒𝑖𝑖 = 1359,0
𝑖𝑖 =
∑𝑒𝑒𝑛𝑛𝑖𝑖=1 𝑒𝑒𝑖𝑖21359,0
As suposições intrínsecas do modelo do hidrograma unitário 𝐿𝐿2 0,385
𝑇𝑇𝑐𝑐 = 0,39 ( 2)0,385 (14)
listadas por Chow, Maidment e Mays (1988) são: 𝐶𝐶𝐶𝐶(𝑃𝑃)
𝐶𝐶𝐶𝐶(𝑃𝑃) == 33,2
33,2 ++ Para
(100 (100
𝑇𝑇 =−cálculo−
0,39
33,2) 33,2)
𝐿𝐿𝑆𝑆 do tempo de concentração existem diver-
(expexp (−0,01687𝑃𝑃)
)(−0,01687𝑃𝑃) (14)
𝐶𝐶𝐶𝐶(𝑃𝑃) = 33,2 +𝑐𝑐 (100 − 33,2) 𝑆𝑆 exp (−0,01687𝑃𝑃)
1. A precipitação efetiva tem intensidade constante durante sas fórmulas empíricas ∑𝑛𝑛𝑖𝑖=1
∑2𝑛𝑛𝑖𝑖=1 𝑒𝑒𝑛𝑛𝑖𝑖2𝑒𝑒criadas
=
2
𝑖𝑖 𝑒𝑒=
com dados
220,5,0
220,5,0 (18) de diferentes locais
(18)
𝑆𝑆 = 5[𝑃𝑃 + 2𝑄𝑄 − √(4𝑄𝑄 + 5𝑃𝑃𝑃𝑃)] ∑ 2
= 220,5,0 (15) (18)
sua duração. e para diferentes aplicações. 𝑖𝑖=1 𝑖𝑖
Este é um parâmetro difícil de ser
𝑆𝑆 = 5[𝑃𝑃 + 2𝑄𝑄 − √(4𝑄𝑄2 + 5𝑃𝑃𝑃𝑃)] (15)
2. A precipitação efetiva𝑞𝑞é𝑝𝑝𝑞𝑞distribuída
= = uniformemente
,
𝑝𝑝 ,𝑝𝑝 𝑝𝑝 ,
0,198𝐴𝐴/𝑇𝑇 sobre estabelecido considerando sua dependência das características
𝑞𝑞𝑝𝑝0,198𝐴𝐴/𝑇𝑇
𝑝𝑝 = 0,198𝐴𝐴/𝑇𝑇 𝐶𝐶𝐶𝐶(𝑃𝑃) = 𝐶𝐶𝐶𝐶∞ + (100 − 𝐶𝐶𝐶𝐶∞ )exp(−𝑘𝑘𝑘𝑘) (16)
𝐶𝐶𝐶𝐶(𝑃𝑃) = 𝐶𝐶𝐶𝐶∞ + (100 − 𝐶𝐶𝐶𝐶∞ )exp(−𝑘𝑘𝑘𝑘) (16)
(𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂−𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸)
840 𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷ç𝑎𝑎 % =
𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂
(𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂−𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸)
× 100% (17)
𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷ç𝑎𝑎 % = × 100% (17)
𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂
𝑃𝑃 → ∞, 𝑑𝑑𝑑𝑑 ⁄𝑑𝑑𝑑𝑑 → 0 𝑑𝑑𝑑𝑑 ⁄𝑑𝑑𝑑𝑑
841
𝑎𝑎
𝑃𝑃 = 𝐼𝐼𝑎𝑎 + 𝐹𝐹 + 𝑄𝑄 (3)
(𝑃𝑃−𝐼𝐼 )2
𝑄𝑄 = (𝑃𝑃−𝐼𝐼 𝑎𝑎)+𝑆𝑆 (4)
RBRH vol. 20 no.4 Porto
𝐹𝐹 𝑄𝑄 Alegre out./dez. 2015 p. 837 - 848 𝑎𝑎
𝑆𝑆
=
𝑃𝑃
(1)
25400
𝑆𝑆 =
𝐶𝐶𝐶𝐶
− 254 (5)
𝐹𝐹 𝑄𝑄
𝑆𝑆
=
𝑃𝑃−𝐼𝐼𝑎𝑎
(2)
5(G) e 3(B). As classes utilizadas foram: Floresta Densa, Re- vazões unitárias. As curvas em𝐼𝐼𝑎𝑎S=foram𝜆𝜆𝑆𝑆 então posicionadas com
florestamento, Cerrado,
𝑃𝑃 = 𝐼𝐼𝑎𝑎 + Área
𝐹𝐹 +Urbana,
𝑄𝑄 Agrícola/Pastagem,
(3) Solo base na origem e obteve-se a curva média. Posteriormente, esta
𝑆𝑆 2 𝑑𝑑𝑑𝑑/𝑑𝑑𝑑𝑑
Exposto, Área Degradada e Corpos d’água. última foi transformada no𝑑𝑑𝑑𝑑hidrograma
= (𝑃𝑃−𝐼𝐼 unitário médio da bacia.
(7)
2 𝑑𝑑𝑑𝑑 +𝑆𝑆)2
As classes𝑄𝑄de
=𝐹𝐹uso= 𝑎𝑎e)+𝑆𝑆
𝑄𝑄 𝑎𝑎 )ocupação do solo foram associadas
(𝑃𝑃−𝐼𝐼
(4)(1)
𝑎𝑎
(𝑃𝑃−𝐼𝐼
às classes semelhantes disponíveis na tabela do SCS. O CN
𝑆𝑆 𝑃𝑃 Cenários de modelagem
𝑃𝑃 → ∞,da
𝑑𝑑𝑑𝑑 ⁄bacia
𝑑𝑑𝑑𝑑 → 0 𝑑𝑑𝑑𝑑 ⁄𝑑𝑑𝑑𝑑
associado a cada classe 𝐹𝐹 foi25400 selecionado considerando condição
𝑄𝑄
𝑆𝑆 =
antecedente de escoamento = − 254 (5)
(2)
𝑆𝑆 𝑎𝑎II. O CN composto foi calculado
𝐶𝐶𝐶𝐶
𝑃𝑃−𝐼𝐼 Na tabela 2 são𝑇𝑇relacionados os cenários e seus respec-
(8)
𝑏𝑏 = 𝑇𝑇𝑝𝑝 + 𝑇𝑇𝑟𝑟 = 2,67
a partir da média dos CNs ponderada pela porcentagem das tivos parâmetros utilizados para a modelagem da bacia. Foram
𝑃𝑃 =𝐼𝐼𝑎𝑎𝐼𝐼𝑎𝑎=+𝜆𝜆𝑆𝑆
áreas correspondentes. 𝐹𝐹 + 𝑄𝑄 (3) simulados(6)os 190 eventos selecionados para a análise. O (9)
𝑇𝑇𝑟𝑟 = 𝑇𝑇𝑏𝑏 − 𝑇𝑇𝑝𝑝 = 1,67𝑇𝑇𝑝𝑝
CN
2
da curva assintótica varia em função da precipitação efetiva e
Determinação 𝑑𝑑𝑑𝑑
do= CN 𝑆𝑆(𝑃𝑃−𝐼𝐼
𝑑𝑑𝑑𝑑/𝑑𝑑𝑑𝑑
empírico pelo Método
(4) de
2
𝑑𝑑𝑑𝑑𝑄𝑄 =(𝑃𝑃−𝐼𝐼
𝑎𝑎 ) (7) foi determinado para cada evento ∆𝐷𝐷 a partir do modelo analítico
𝑎𝑎 +𝑆𝑆)
(𝑃𝑃−𝐼𝐼
2
𝑎𝑎 )+𝑆𝑆 𝑇𝑇𝑝𝑝 = + 𝑇𝑇𝐿𝐿 (10)
Ajuste Assintótico ajustado aos pares P:CN naturais 2 (Equação 16).
842
𝑃𝑃 → ∞, 𝑑𝑑𝑑𝑑 ⁄𝑑𝑑𝑑𝑑 → 0 𝑑𝑑𝑑𝑑 ⁄𝑑𝑑𝑑𝑑
∆𝐷𝐷
𝑇𝑇𝑝𝑝 =
2
+ 𝑇𝑇𝐿𝐿 (10)
0,208𝐴𝐴
𝑞𝑞𝑝𝑝 =
𝑇𝑇𝑝𝑝
(11)
5
𝑇𝑇𝑐𝑐 = 𝑇𝑇𝐿𝐿
3
(12)
𝐿𝐿2 0,385
𝑇𝑇𝑐𝑐 = 0,39 ( )
𝑆𝑆
(14)
(𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂−𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸)
𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷ç𝑎𝑎
Figura 2 – Ajuste % do
= modelo assintótico padrão
× 100%
aos (17)
dados da bacia Figura 3 – Precipitação efetiva observada versus precipitação
𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂
efetiva simulada pelo método do SCS
843
RBRH vol. 20 no.4 Porto Alegre out./dez. 2015 p. 837 - 848
ções calculadas em relação às observadas. Na figura 5 constata-se A figura 7 apresenta as vazões unitárias acumuladas para
que o método do SCS tende a superestimar a precipitação efetiva cada um dos eventos selecionados posicionados com base na
total para eventos maiores, o que é resultado do decaimento do origem. O hidrograma unitário médio da bacia resultante da curva
CN com o aumento da precipitação. Já para eventos menores, a das vazões unitárias médias acumuladas é exibido na figura 8.
maior parte da precipitação é contabilizada nas perdas iniciais O tempo de pico, a vazão de pico e o tempo de base
e, consequentemente, o escoamento superficial é subestimado. foram calculados a partir do hidrograma unitário médio da bacia
e conforme a metodologia do SCS (Tabela 5). Os valores da
vazão de pico unitária e o tempo de pico da bacia do ribeirão
Serra Azul obtidos pelo hidrograma unitário médio são consi-
deravelmente superiores aos valores encontrados pelo método
do SCS. Considerando que a relação entre o tempo de retardo
e o tempo de concentração proposta pelo SCS (Equação 12) é
válida, o tempo de pico obtido pelo HUMÉDIO é consistente com
o estudo de Drumond (2004), que verificou por meio da técnica
de traçadores que o tempo de concentração da mesma bacia
tende, de forma assintótica, para um valor de aproximadamente
844
Cunha et al.: Avaliação da acurácia dos métodos do SCS para cálculo da precipitação efetiva
e hidrogramas de cheia
Figura 9 – Comparação entre o hidrograma unitário adimensional para a bacia em estudo e o hidrograma unitário sintético do SCS
Tabela 6 – Estatística descritiva da diferença percentual dos parâmetros calculados em relação aos observados
15,5 horas. Assim, a sobrestimação da vazão de pico unitária Comparação entre os hidrogramas de cheia simu-
obtida pelo HUSCS está associada principalmente à diferença lados e os observados
entre os tempos de pico dos dois métodos.
Cabe ressaltar que, conforme pode ser visualizado na Para os 190 eventos simulados, foi calculada a diferença
figura 7, há uma dispersão das curvas S em torno da média. percentual dos parâmetros tempo de pico (Tp), vazão de pico
Por consequência, o hidrograma unitário médio não é capaz (Qp) e tempo de base (Tb) em relação aos dados observados. A
de caracterizar bem a resposta da bacia a todos os eventos. tabela 6 apresenta um resumo dos erros percentuais obtidos e
Isso ocorre porque as condições ideais para a determinação os gráficos (Figuras 10 a 15) a dispersão dos dados calculados
do hidrograma unitário raramente ocorrem e a variabilidade em relação aos observados.
espacial e temporal da chuva não é adequadamente representada Como pode ser observado na tabela 6, a média dos erros
através da chuva média calculada pelos polígonos de Thiessen. relativos dos tempos de pico é semelhante para os cenários 1 e
Uma outra limitação dessa metodologia é o posicionamento dos 2. Os maiores erros para ambos os casos em geral estão associa-
hidrogramas unitários com base na origem, que tende a reduzir dos a eventos complexos e são, portanto, consequência da não
o pico e as vazões de cheia (Tucci, 2012). linearidade do comportamento da bacia. Desconsiderando tais
O hidrograma unitário médio foi adimensionalizado para casos, os valores do SCS tendem a ser pouco menores que os
facilitar sua comparação com o hidrograma unitário sintético do obtidos pelo modelo, o que também pode ser observado através
SCS. Na figura 9 é apresentada a comparação entre o HUMÉDIO da análise visual dos hidrogramas simulados.
obtido para a bacia em estudo e o HUSCS. A média dos erros evidencia que o tempo de base é
O hidrograma unitário triangular equivalente ao derivado subestimado pelo método do SCS, enquanto o modelo calibrado
apresenta tempo de base igual a 2,80Tp, em contraposição ao aproxima melhor os valores observados. Porém, o erro máximo
2,67Tp proposto pelo SCS. A fórmula para cálculo da vazão de indica que o modelo calibrado tende a superestimar este parâ-
pico unitária (m3/[Link]) correspondente a esse tempo de base metro, o que é associado ao maior tempo de base do HUMÉDIO.
seria , enquanto o HUSCS propõe 0,208 como fator multiplicador O método do SCS tende a superestimar as vazões de
da razão entre a área e o tempo de pico. pico, porém isso não ocorre para eventos de pequena magnitu-
Como é possível observar pelos hidrogramas unitários de, em que toda ou a maior parte da precipitação é computada
adimensionais, não existe grande diferença entre o HU médio como perda inicial. Observa-se também a grande variabilidade
derivado para a bacia a partir de dados observados e o proposto dos desvios relativos obtidos. Os desvios das vazões de pico
pelo SCS. A diferença se deve principalmente à imprecisão na podem ser atribuídos principalmente ao cálculo da precipitação
estimativa do tempo de concentração, sendo assim demonstrada efetiva, cujo volume é superestimado para maiores eventos, e
a importância do cuidado na estimativa deste parâmetro. à maior vazão de pico unitária decorrente do menor tempo de
pico e de base do HUSCS.
845
RBRH vol. 20 no.4 Porto Alegre out./dez. 2015 p. 837 - 848
Figura10
Figura 10––Tempo
Tempodedebase
basedo
docenário
cenário11versus
versusobservado
observado Figura13
Figura 13––Tempo
Tempodedebase
basedo
docenário
cenário22versus
versusobservado
observado
Figura 10 – Tempo de base do cenário 1 versus observado Figura 13 – Tempo de base do cenário 2 versus observado
Figura
Figura 10
10 –– Tempo
Tempo de
de base
base do
do cenário
cenário 11 versus
versus observado
observado Figura
Figura 13
13 –– Tempo
Tempo de
de base
base do
do cenário
cenário 22 versus
versus observado
observado
Figura
Figura10
10––Tempo
Tempode
debase
basedo
docenário
cenário11versus
versusobservado
observado Figura
Figura13
13––Tempo
Tempode
debase
basedo
docenário
cenário22versus
versusobservado
observado
Figura11
Figura 11––Tempo
Tempodedepico
picocenário
cenário11versus
versusobservado
observado Figura14
Figura 14––Tempo
Tempodedepico
picodo
docenário
cenário22versus
versusobservado
observado
Figura
Figura
Figura 11 –11
11 – Tempo
– Tempo
Tempo de de cenário
de pico
pico pico cenário
cenário 1 versus
11 versus
versus observado
observado
observado Figura14
Figura
Figura 1414 –Tempo
Tempo
–– Tempo de de
picopico
de pico do do cenário
do cenário
cenário 2 versus
22 versus
versus observado
observado
observado
Figura
Figura11
11––Tempo
Tempode
depico
picocenário
cenário11versus
versusobservado
observado Figura
Figura14
14––Tempo
Tempode
depico
picodo
docenário
cenário22versus
versusobservado
observado
Figura12
Figura 12––Vazão
Vazãodedepico
picodo
docenário
cenário11versus
versusobservada
observada Figura15
Figura 15––Vazão
Vazãodedepico
picodo
docenário
cenário22versus
versusobservada
observada
Figura
Figura 12
12 –– Vazão
Vazão de
de pico
pico do
do cenário
cenário 11 versus
versus observada
observada Figura
Figura 15
15 –– Vazão
Vazão de
de pico
pico do
do cenário
cenário 22 versus
versus observada
observada
Figura1212
Figura
Figura12
–Vazão
Vazão
––Vazão de de
depico
pico
picodo
do cenário
docenário
1 versus
cenário11versus
observada
versusobservada
observada
Figura
Figura
Figura15
15 Vazão
– Vazão
15––Vazão de de pico
depico
picodo
do cenário
docenário
2 versus
cenário22versus
observada
versusobservada
observada
846
Cunha et al.: Avaliação da acurácia dos métodos do SCS para cálculo da precipitação efetiva
e hidrogramas de cheia
847
RBRH vol. 20 no.4 Porto Alegre out./dez. 2015 p. 837 - 848
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