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Informe Afasia

A afasia é um distúrbio de linguagem resultante de lesões cerebrais, afetando a capacidade de formular, expressar e compreender a linguagem. As principais causas incluem acidentes vasculares cerebrais e traumas cranianos, e a condição pode ser classificada em afasia motora, sensorial ou mista. A avaliação e intervenção são cruciais para a reabilitação, utilizando testes específicos para determinar a gravidade e as áreas afetadas da linguagem.
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Informe Afasia

A afasia é um distúrbio de linguagem resultante de lesões cerebrais, afetando a capacidade de formular, expressar e compreender a linguagem. As principais causas incluem acidentes vasculares cerebrais e traumas cranianos, e a condição pode ser classificada em afasia motora, sensorial ou mista. A avaliação e intervenção são cruciais para a reabilitação, utilizando testes específicos para determinar a gravidade e as áreas afetadas da linguagem.
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AFASIA

Mª Elena Riquelme Ayuso


Rosa Belén Coronel Ruiz
Mónica López Morón Jesús E.
Montoro Robles
ÍNDICE

DEFINIÇÃO pág. 3

ETIOLOGIA pág. 4

CARACTERIZAÇÃO pág. 5

AVALIAÇÃO pág. 6

INTERVENÇÃO pág. 11

LITERATURA pág. 18

2
1. DEFINIÇÃO
Afasia é um distúrbio de linguagem que envolve a perda total ou parcial da
capacidade de formular, expressar e/ou compreender sinais de linguagem, causada por
uma lesão cerebral adquirida, como traumatismo cranioencefálico ou doenças como
meningite, e localizada, normalmente, no córtex cerebral circundando a fissura de
Rolando no hemisfério esquerdo. Pode afetar a linguagem oral e escrita.

Caracteriza-se por distúrbios na emissão dos elementos sonoros da fala


(parafasias), déficits de compressão e distúrbios de nomeação (anomia).

Na afasia é raro que as capacidades expressivas sejam completamente perdidas;


os elementos falados são sempre preservados, mesmo nos casos mais graves, embora
esta abolição total possa ser observada na fase inicial do distúrbio.

A afasia infantil adquirida geralmente ocorre entre as idades de 2 e 15 anos,


sendo as idades principais entre 5 e 10 anos de idade.

Os distúrbios motores da fala são excluídos da afasia, pois afetam apenas a


articulação da palavra, e as encefalopatias infantis produzidas antes do aparecimento da
linguagem.

Assim, para estabelecer uma afasia, devem ser atendidas as seguintes premissas:
lesão nas áreas de linguagem, a linguagem deve ter sido adquirida e deve haver alteração
na expressão e/ou compreensão da linguagem.

As afasias em crianças apresentam características especiais, pois seu cérebro


ainda não atingiu a maturação completa e, portanto, apresentam prognóstico muito mais
positivo que as afasias em adultos, devido à plasticidade das estruturas cerebrais.

É necessário diferenciá-lo de um déficit ou atraso articulatório, ou de uma


simples imaturidade de linguagem, principalmente em crianças menores de 2 anos, ou de
um distúrbio crônico que implique, desde o início, um comprometimento de linguagem,
conforme o caso. no caso da epilepsia.

Para este diagnóstico diferencial é muito importante conhecer as variantes


normais do desenvolvimento, pois isso nos permitirá julgar a natureza, patológica ou
não, de um distúrbio de linguagem e também diferenciá-lo de um simples atraso.

Qualquer causa que produza lesão nas áreas do córtex cerebral destinadas à
produção da linguagem pode causar afasia.
As causas mais comuns de afasia são as seguintes:

1. Acidentes cerebrovasculares (AVC), que constituem 75% dos casos e


podem ser isquêmicos ou hemorrágicos:
- Os acidentes vasculares cerebrais isquêmicos incluem trombose
(placas), embolia (fragmento de coágulo), causando oclusão parcial ou total e,
como consequência, necrose.

3
2.
ETIOLOGIA
- Os acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos ocorrem devido
à ruptura da parede arterial.
O acidente vascular cerebral ou acidente vascular cerebral, considerado a causa
principal, pode ser devido à interrupção do fluxo sanguíneo cerebral em decorrência de
isquemia ou ao rompimento de um vaso sanguíneo e ao correspondente vazamento nos
espaços intersticiais dos neurônios, que morrem quando param de funcionar. recebem
oxigênio e nutrientes pela corrente sanguínea ou quando há algum derramamento que
impeça a intercomunicação entre eles. Aproximadamente 30% das pessoas que
sobrevivem a um acidente desse tipo têm afasia. A alteração de linguagem que surge
após um AVC tem sido considerada o principal determinante da qualidade de vida destas
pessoas, por isso a reabilitação é muito importante, com a qual se espera melhorá-la.

2. Trauma craniocerebral, que ocorre principalmente devido a acidentes de


trânsito.

As causas menos comuns de afasia são:

• Intoxicações.
• Tumores do Sistema Nervoso Central.
• Infecções localizadas ou difusas do cérebro, como abscesso cerebral ou
encefalite.

Região de
diminuiçã
o do fluxo
sanguíneo

Fornecimento
de sangue ao Interrupção do fornecimento
cérebro de sangue (coágulo
sanguíneo)

4
3. CARACTERIZAÇÃO. SINTOMATOLOGIA

Até pouco tempo atrás, a afasia era considerada uma doença do idoso, porém, após os avanços
científicos, passou a ser considerada uma patologia com possibilidade de se manifestar em qualquer
idade e época; Existem fatores que podem contribuir para o seu aparecimento, como tabagismo,
estresse, alcoolismo ou má alimentação.

A afasia é classificada de várias maneiras:


• expressivo ou receptivo
• Mas uma das classificações mais importantes e utilizadas é aquela que estabelece a
diferença entre afasia motora ou expressiva e afasia sensorial ou sensitiva.
1. A afasia motora ou expressiva (ou de Broca) é a que se manifesta com
maior frequência, tendo sido, precisamente, a primeira que foi objeto de
estudo. Nesse tipo de afasia, quando ocorre o acidente vascular cerebral
original, o paciente fica sem capacidade de falar, mas não sofre nenhum tipo
de alteração na capacidade de inteligência. Pode ser caracterizada por: a
limitação de toda a língua a uma única palavra ou vogal, ou a inversão dos
significados de antônimos como sim e não. Dessa forma, o paciente, por mais
que tente, não consegue se comunicar por meio de palavras, geralmente o faz
por meio de gestos, nem sempre fáceis de decifrar.
Também neste caso deve-se levar em consideração a dificuldade de articulação motora, podendo
haver problemas de articulação da linguagem na hora de se expressar, ou pode haver dificuldades na
escrita, além de hemiplegia com paralisia facial.
2. Em relação à afasia sensorial ou sensitiva, cientificamente relacionada como
a lesão localizada na zona de Wernicke, os quadros clínicos são diferentes,
resultando na perda de compreensão da linguagem falada e/ou escrita. Nesse
caso, o paciente fala, mas não coordena palavras ou sons, ouve, mas não
entende, vê letras, mas não consegue ler e escrever. Com a afasia sensorial,
as palavras perdem o significado simbólico, não existindo qualquer distúrbio
motor, nem na voz, nem na articulação da linguagem.
Neste tipo de afasia, o paciente pode ter dificuldades em reconhecer objetos inanimados através do
sentido do tato ou da visão, perdendo o seu significado e sendo incapaz de nomeá-los. Um exemplo
dessa deficiência é a possibilidade de confundir objetos entre si, bem como seus usos - como pente
com escova de dente -, ou não reconhecer uma pessoa pelas feições e fazê-lo ao ouvir sua voz.
3. Outra possibilidade de manifestação é a chamada afasia mista, em que
ocorrem no mesmo paciente afasia motora e sensorial, com diversas
deficiências específicas de ambas.

5
4. AVALIAÇÃO

Uma avaliação eficaz será o resultado de um exame completo para chegar a um diagnóstico correto.
Diante de um paciente afásico realizaremos os seguintes passos:
• Exploração da linguagem
• Exame neurológico
• História clínica abrangente do paciente.

Desta forma determinaremos qual a área danificada, o que nos permitirá realizar uma intervenção
adequada na área lesionada.
Em cada paciente afásico exploraremos as seguintes áreas:

• expressão oral
• Compreensão oral
• Compreendendo a linguagem escrita
• Exploração de Escrita

A seguir vamos parar em cada uma dessas áreas:

Áreas Método Resultados/Informações fornecidas


E Descrição das perguntas
X sobre dados da família Esforço articulatório Existência de
P Fala Lamina Disprosia Fadiga articulatória
R Espontâneo
Dificuldade em produzir palavras
E
Conteúdos de linguagem
SS
A
R Repetição Repita sílabas: Palavras
Transformações fonêmicas
SOBR Pseudopalavras Frases
E
Nome do objeto Déficit no confronto visual
Cores, números Partes
Denominação do corpo Outras alterações nas diferentes
REZA modalidades sensoriais
R
eu Palavras Deixe o paciente recitar Diferenciação de dificuldade
Automático dias, meses do ano... articulatória

6
Afasia de WernickeDeputado
Déficit de Global E Sim
Exploração da compreensão T Ei
Afasia sensorial OC
Compreensão Não deve ser confundido
transcortical DM
Oral com:
Afasia de Broca OE
Sem T • Déficit de produção
compreensão de Motor transcortical R
alteração
• Comprometimento
Ei motor
c
afasia de condução QUAL • memória de curto prazo
QUER

afasia anêmica

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•Reconhecimento de letras
Discriminação de letras e palavras
•Memória de sua grafia
•valor fonético
associação fonética
•Associe o som – palavra
•reconhecimento de palavras
•Compreensão
Aspecto ortográfica
fonológico da leitura de
Discriminação de pseudopalavras Grafema – conversão de fonemas

Compreender o significado das


Desenho de correspondência - palavra palavras “ “ “"orações
Compreensão
da linguagem
escrita Compreender e executar ordens Leia ordens e execute-as
escritas

Compreensão de:
Lendo frases e parágrafos •Orações
• Parágrafos

8
9
movimentos de escrita
Memória de símbolos escritos
Avaliação de redação Formulação do material em:
•Ditado
• narração gratuita

Abaixo descrevemos na tabela a seguir os testes mais utilizados para a evolução do Transtorno
Afásico:

• TESTE DE BOSTON: teste utilizado para avaliação de Afasia e distúrbios relacionados.


Bateria de testes composta por diferentes paradigmas para avaliar os diferentes aspectos
expressivos e receptivos da linguagem. Ele também possui escalas adicionais para medir a
capacidade muscular e a visão gráfica.

BATERIA OCIDENTAL PARA AFASIA (BAW). Inclui os seguintes testes:

• Linguagem espontânea
• Compreensão auditiva
• Repetição de palavras ou frases
• Nomeação
• Leitura
• Escrita
• Práxis
• Construção
• Cálculo
• Tarefas visuoespaciais

TESTE PARA EXAME DE AFASIA, de Ducarne de Ribaucourt (TEA):

Este teste foi desenvolvido para auxiliar na avaliação de transtornos afásicos de vários tipos. É
composto por um conjunto de testes que se apresentam em quatro séries:

• expressão oral
• Compreensão oral
• Leitura
• Escrita

Estes testes permitem-nos avaliar vários aspectos do comportamento do sujeito:


Perseverança, Perda de elementos linguísticos, Defeitos de recordação, Alterações

1
0
problemas de fonética e semântica, Dissintaxe, Reduções e Articulação.

ÍNDICE DE PORCH DE CAPACIDADES COMUNICATIVAS. Os recursos incluem:

• Vantagens: relativamente curto.


boa confiabilidade teste-reteste.
bastante fácil de gerenciar.
• Desvantagens: rigidez de quantificação, requer treinamento especial
por parte do examinador.
rigidez com que é pontuado. Praticamente não oferece
informações qualitativas.

TESTE DE BARCELONA. Programa Integrado de Exploração Neuropsicológica). Vários


componentes são avaliados, como:

• Linguagem
• memória
• Orientação
• cálculo

TESTE DE FRENCHAY avalia a função motora do membro superior, algumas das tarefas a
serem realizadas são:

• Estabilize uma régua com a mão afetada e desenhe uma linha.


• Pegue um cilindro localizado na borda da mesa. Pegue-o sem que caia e deixe-o.
• Pegue um copo meio cheio de água da borda da mesa, beba e deixe sem derramar
água.
• Pegue um prendedor de roupa e coloque-o em um palito preso a uma base quadrada,
que fica na borda da mesa.
• Penteie o cabelo acima da cabeça, descendo pelo pescoço e de cada lado.

EPLA (PALPA): é uma bateria de testes que pode servir como instrumento de avaliação das
habilidades psicolinguísticas de pacientes adultos com afasias adquiridas.

O EPLA consiste em 58 testes rigorosamente controlados e está dividido em quatro partes:


Processamento Fonológico, Leitura e Escrita, Compreensão de Palavras e Imagens e
Compreensão de Frases. As diferentes provas utilizam tarefas simples, por exemplo, decisão
lexical, repetição ou nomeação de figuras, visando explorar a compreensão e produção da
linguagem falada e escrita.

Em cada um dos 58 testes é feita uma breve descrição indicando as variáveis controladas e as
razões pelas quais tal teste é incluído, e são fornecidas possíveis causas ou explicações para os
diferentes padrões de resposta obtidos. Além disso, são feitas algumas sugestões sobre como

1
1
continuar a investigação para obter um relatório mais detalhado. Cada teste é acompanhado de
fichas de apresentação, fichas de coleta e resumo de dados, além de dados normativos de 22
sujeitos sem danos cerebrais.

5. INTERVENÇÃO

A intervenção na afasia começará a partir da avaliação, através da qual será


estabelecida sua classificação e gravidade. Contudo, na prática devemos ter em mente que
uma lesão cerebral não produz necessariamente uma forma pura de afasia. É comum
encontrarmos sintomas que ocorrem em mais de um dos tipos apresentados, embora alguns
distúrbios predominem sobre outros.
A reabilitação deve ser a mais ampla possível, concentrando-se em todos os distúrbios
observados e não em um específico. Fazendo desta forma, consegue-se uma restauração mais
rápida das funções cerebrais, pois estimula-se uma maior extensão do córtex cerebral.

Intervenção em Distúrbios Afásicos de Motor Predominante.

1. Técnicas corretivas para desbloquear a linguagem.

Na fase inicial e aguda do processo afásico de origem motora pode ocorrer


uma supressão total da linguagem que não desaparece espontaneamente e torna
necessária a intervenção fonoaudiológica.
Nos exercícios de reabilitação será utilizada a linguagem mais automatizada e
consolidada do sujeito, que geralmente são as séries aprendidas de cor quando criança,
como, por exemplo, os dias da semana, meses, estações, numeração, bem - canções e
poemas conhecidos, orações, ditos, etc. Também é necessário utilizar palavras com
conteúdo emocional para o assunto, nomes de entes queridos, palavras de sua
profissão, hobbies, etc.
Os exercícios serão realizados da seguinte forma:
- O sujeito, em uníssono com o reeducador, nomeia uma série de palavras
(por exemplo: janeiro, fevereiro, março...), tentando realizar uma imitação
cuidadosa, contando com a entonação e pronúncia do reeducador.
- O sujeito proferirá a série de palavras seguindo o terapeuta.
- Os objetos serão contados, primeiro em voz alta e depois em silêncio. Você
será solicitado a retomar a atividade.
- Canções e poemas conhecidos serão cantados e recitados.
- Será estabelecido um diálogo com o sujeito, com um conteúdo emocional
especial para ele, tentando fazer com que ele dê respostas, mesmo que
rudimentares (ah! ah!, ora, vamos lá,...).

Esses exercícios não buscam a resposta correta, mas sim estimulam a atenção à
fala e a produção espontânea de alguns sons. Nos indivíduos que apresentam
supressão de linguagem isso é totalmente necessário, para então abordar a reabilitação
da articulação e a construção de frases.

2. Técnicas de Articulação.

1
2
O objetivo na intervenção articulatória será garantir que ela esteja correta e,
para isso, começaremos com exercícios de diferenciação silábica dentro das palavras.
- O sujeito indicará batendo palmas, batendo na mesa, etc. a estrutura
silábica da palavra (co-che, te-ne-dor,…).
- O próximo passo será tentar pronunciar cada sílaba mesmo que esteja
incorreta. Utilizaremos, a princípio, sílabas simples repetidas (pa-pá, ma-
má, ta-tá,...).
- Em seguida, serão utilizadas palavras dissílabas com consoantes diferentes
e a mesma vogal (da-ma, la-na, pa-ta,...).
- A seguir, você fará exercícios com palavras que variam as vogais,
mantendo as consoantes (pi-pa, be-bo, de-do,...).
Complicaremos progressivamente as combinações até chegarmos a sílabas
diferentes em combinações de mais de duas.
Paralelamente às atividades anteriores, serão necessários trabalhos específicos
em cada junta defeituosa. Os exercícios serão muito numerosos. O esquema a seguir é
o seguinte:
- Exercícios motores dos órgãos articuladores diante do espelho, imitando os
movimentos do reeducador.
- Imitação diante do espelho da posição correta dos órgãos articuladores para
um determinado som. Às vezes será necessário recorrer a abaixadores de
língua, até para que o reeducador auxilie na movimentação dos lábios ou da
língua com as mãos, para que alcancem a posição correta.
- Articulação do som com o sujeito a partir da pronúncia do som pelo
fonoaudiólogo. É útil para conseguir uma articulação correta mostrar
diagramas da posição dos órgãos articuladores.
- Articulação de vogais e sílabas diante do espelho, ao mesmo tempo que
mostra o símbolo escrito.
- Articulação de palavras, com apoio na pronúncia do reeducador, mostrando
ao sujeito a palavra escrita e o desenho que a representa.
- Compare o som incorreto que pode ser produzido com sua articulação
normal através de gravações em fita.
Através dessas técnicas o sujeito poderá articular palavras com certa fluidez e
facilidade. Observa-se que não só as palavras trabalhadas melhoram, mas também
aparecem em sua linguagem espontânea palavras que não foram previamente
analisadas. Isso indica que os mecanismos cerebrais, uma vez iniciado o processo de
sua reorganização, podem continuá-lo sem dependência total do tratamento específico.

1
3
3. Intervenção para Correção de Agrammatismos.

Em alguns casos, uma correta reabilitação da articulação consegue estabelecer


a correta construção das frases mas, noutros, a linguagem agramatical continua, o que
torna necessária uma intervenção para alcançar a coerência gramatical das frases.

4. Construções de frases.
Os exercícios de construção de frases devem começar quando o sujeito
apresenta certa fluidez em sua articulação, mesmo que esta não atinja a correção total.
Começaremos com aqueles que se referem ao seu preenchimento.
- Frases completas onde a palavra final foi omitida e são facilmente
localizáveis. Usaremos ditados, canções, poemas, etc. Exemplos:
Para quem acorda cedo, Deus...
A cabra sempre puxa o ………………….
O professor ensina seu ………………….
O jogador de futebol marcou ……………………
- Frases completas onde a palavra omitida não é unívoca. Exemplos: Pela
janela você pode ver um …………… No mercado eu comprei
…………………… Conheci Juan em um ……………...
- Frases completas onde as palavras foram excluídas em qualquer ponto de
seu desenvolvimento. Exemplos:
Vou colocar o ……………….. para ver melhor.
Como estava chovendo, Juan pegou o …………… para sair para o
……………
Tudo isso será feito por escrito e somente oralmente. Esses exercícios não
requerem grande atividade por parte do sujeito. Uma vez realizadas com certa
facilidade, passamos à construção de frases a partir de um verbo.
- São mostradas imagens que representam ações (comer, trabalhar, rir, etc.).
O reeducador pronuncia a forma verbal e o sujeito a repete e oferece a
imagem correspondente (por exemplo: “comer”).
- O sujeito é auxiliado pelo reeducador e, valendo-se de imagens, estabelece
relações das palavras com os verbos expressos e os anota
esquematicamente. Exemplo: “comer”.
o cachorro Sorvete
Coma, quem? O homem Comer o De
A mulher quê? Trigo
O pássaro Pão De
CarnePor exemplo: o
A partir dessas relações agora você pode estruturar frases elementares.
cachorro come carne, o pássaro come trigo,…
- O processo continua a complicar-se, estabelecendo novas
relações das palavras com aquelas já trabalhadas. Exemplo:
Mercado Amarelo
macio Espinho
Duro Campo
Carne Vitela Trigo
Colheita
Apetitoso Colheita
Face Seca
cru Agricultor
assado Água
Dessa forma progressiva, o número de palavras nas frases é aumentado e utilizado em
diferentes contextos estruturais.
O sujeito deve anotar esses esquemas de relações entre palavras e, a partir deles, tentar
estruturar frases isoladas e até chegar a constituir uma história coerente. Às vezes é necessário
que o paciente expresse a frase corretamente, por isso deve ser auxiliado na sua organização
com apoio externo.
- Ele vê uma foto e pede para nos contar o que vê,
expressando-o com uma frase organizada. Exemplo: A mulher compra carne.
- Se você não conseguir organizar uma frase que expresse o conteúdo de
da ficha, apresentamos os três elementos principais da ficha inicial em imagens
independentes:

A mulher compra carne


Essas três imagens, dispostas em linha e ordenadas, representam o esquema linear
da frase, com o qual o sujeito, ao nomear cada uma delas e apontar para ela com o dedo,
consegue expressar a estrutura correta da mesma, também como internalizar cada
elemento que o compõe.
Um avanço é substituir as imagens por cartões em branco, como o mesmo número
de palavras que a frase contém, colocando-os na frente deles. Exemplo:

Ontem Eu fui para o campo

Realiza-se o mesmo procedimento anterior: dizer cada palavra da frase, ao mesmo


tempo apontando para cada cartão com o dedo.
Numa fase posterior, as cartas são substituídas por batidas na mesa, movimentos de
cabeça, sempre em correspondência com cada palavra da frase, até que os suportes
externos sejam abandonados. Uma vez que o sujeito consiga se organizar, através de todo
esse exercício, devemos tentar fazer com que ele pronuncie frases bem coesas e
encadeadas de forma coerente. A explicação de imagens onde é descrita uma situação é
muito útil nesta fase. Num primeiro momento ajusta-se aos passos sucessivos sugeridos
pelas mesmas imagens e, posteriormente, são expandidos para explicações livres.
Outro exercício para conseguir uma boa narração consiste na apresentação de
histórias, nas quais falta o final ou o início que o sujeito deve terminar ou começar.
Intervenção para distúrbios predominantemente receptivos ou sensoriais.

O objetivo da intervenção será restabelecer a correta percepção dos sons e a compreensão


acústica da linguagem. A partir daqui, nos concentramos em todos os problemas de expressão que
correm paralelamente ao déficit de compreensão.
Nos casos em que seja obrigatória, a reabilitação começará com atividades para evitar a
jargafasia e, ao mesmo tempo, garantir que o sujeito tenha uma atitude consciente em relação à
linguagem que lhe é dirigida. Para isso você pode utilizar os seguintes recursos:
- Desvie sua atenção da língua falada e direcione-a para o
fazer desenhos, trabalhos manuais, bordados, construções, etc. Proibi-lo diretamente
de falar não funciona, por isso ele deve concentrar sua atenção em outras atividades.

1
5
- Incorpore palavras curtas e simples em relação à situação
e atividade que o sujeito executa (“bom, assim, correto, sim, não, excelente trabalho,
continuar, etc.”). A associação destes com a tarefa que está sendo realizada ajuda a
compreender o seu significado e a responder adequadamente às palavras ouvidas.
- Mostre em imagens, bem como auditivamente, para ajudar em
sua compreensão, instruções simples que devem ser dadas durante as sessões de
reabilitação. Exemplos: “me dá o caderno”, “pega o lápis”, “senta”, etc.
- Faça-o reconhecer as palavras corretas que ele emite, dentro
seu jargão incoerente. Utilizaremos gravações do seu idioma para que você possa ouvi-
las diversas vezes, tentando combinar as palavras corretas com as imagens que as
representam.

O próximo passo na sua reabilitação é reconhecer palavras dentro de uma frase.


Nos distúrbios de compreensão, o campo semântico da palavra é, de certa forma, mais
reconhecido do que o significado concreto da palavra. Assim, por exemplo, dizemos a um sujeito
“olho” e ele sabe que é uma parte do corpo, embora não entenda a palavra exata e aponte para o
nariz, o cotovelo, etc. Com base nesse fato, o reconhecimento de palavras é realizado com aquelas
que designam uma classe de objetos. Para isso, os seguintes exercícios são úteis:

Classificação dos objetos: São mostradas imagens de vários objetos e diz-


se: “Agrupe todos os animais, ferramentas, frutas, etc..” A princípio você pode ter ajuda
apontando alguma imagem. Depois de o sujeito ter feito as classificações solicitadas, é
solicitado, exclusivamente verbalmente, que localize os diferentes grupos. Exemplo:
“Aponte para as frutas”, “aponte onde estão as ferramentas”, “mostre-me os animais”,…

Os exercícios de “conflito” são muito úteis; isto é, pedir para você colocar o dedo em um
grupo de objetos que não está lá.
Com este exercício obtém-se a base necessária para poder intervir no distúrbio da
compreensão auditiva; isto é, o não reconhecimento dos fonemas que compõem as palavras.

Técnicas para restaurar o reconhecimento dos sons da linguagem.

Para a realização destes exercícios utilizaremos diagramas que representam a


posição dos órgãos articuladores para a pronúncia de diferentes sons, espelhos, letras
impressas únicas e imagens de objetos diversos. Descreveremos os exercícios presumindo
que vamos trabalhar o som [b]:
1. Uma palavra conhecida e familiar é escolhida para o paciente que
comece com esse som (pág. por exemplo, bola).
2. O reeducador pronuncia a palavra completa.
3. Mostra ao sujeito a imagem de uma bola.
4. Novamente o reeducador pronuncia a palavra “bola”.
5. O reeducador isola o primeiro som da palavra e articula-o
separadamente e no contexto da palavra.
6. O reeducador, com letras únicas, compõe a palavra (BAL-Ó-
N), pega a letra (B), pronuncia, insere novamente e diz a palavra novamente.
7. O reeducador coloca a letra (B) na parte inferior da imagem que
representa a bola.
8. Renomeie a carta separadamente e no contexto do
palavra.
9. O reeducador induz o sujeito a imitar, em silêncio, o
posição dos órgãos articuladores para emissão do som [b], controlando-o com

1
6
auxílio do espelho.
10. O sujeito pretende pronunciar o som [b].

À medida que as sessões avançam, o sujeito realizará todo esse procedimento com
cada vez mais independência, diminuindo a função orientadora do reeducador e passando
para a execução de atividades mais difíceis. Por exemplo:
Localize a letra correspondente ao primeiro som da palavra.
1. O paciente vê a imagem de um objeto e várias letras
diferente.
2. O reeducador faz os movimentos apropriados ao
a pronúncia, sem emitir sons, do nome do objeto e do sujeito atenta para a
posição dos órgãos articuladores.
3. Em seguida, você será solicitado a mostrar a primeira letra do
nome do objeto.
4. O reeducador faz o mesmo que no passo 2, mas desta vez apenas
com a carta.
5. O sujeito, diante do espelho, pronuncia o som da letra.

Exercícios mais avançados consistirão em reconhecer o primeiro som da palavra


sem o auxílio de imagens. O procedimento é semelhante aos anteriores.
1. O reeducador pronuncia o nome do objeto, por exemplo, “porta”.
2. O sujeito observa a posição dos órgãos articuladores para a
pronúncia da palavra.
3. Você é solicitado a emitir a articulação silenciosa do primeiro
som, controlando-se com a ajuda do espelho.
4. O sujeito escolhe a letra correspondente ao primeiro som [p].

5. Ele pronuncia e coloca na parte inferior de uma imagem da palavra.

Na última etapa da reabilitação, quando o sujeito não apresentar problemas graves


de reconhecimento de sons, serão realizados exercícios discriminativos de palavras, onde a
diferença de um som altera o significado. Exemplos:

pesar – beijar –
mesa – passar – pá

Completando a intervenção no déficit de compreensão e uma vez que o paciente


reconheça os sons, o reeducador enunciará frases e o sujeito procurará as figuras
relacionadas à frase ouvida. Uma história será narrada ou lida para você, seguida de
perguntas. Esses exercícios fortalecem a compreensão do idioma.

A intervenção fonoaudiológica deve ser iniciada o mais breve possível, uma vez
passado o período de doença aguda causada pela lesão. É claro que deve-se buscar a
empatia entre o afásico e o reeducador, uma vez que o primeiro é propenso à depressão. O
fonoaudiólogo deve motivá-lo adequadamente para que tenha uma atitude positiva perante
o trabalho e um desejo de melhoria, condições fundamentais para o sucesso da
reabilitação. O prognóstico de recuperação não é o mesmo para todos, dada a
complexidade do problema e o número de variáveis envolvidas (idade do paciente,
extensão da lesão, riqueza do ambiente pós-lesão, etc.).

1
7
Orientações para a família.

A família pode fazer o seguinte para ajudar no tratamento do paciente:


• Simplifique a linguagem através do uso de frases curtas e descomplicadas.
• Repita o conteúdo das palavras ou aponte palavras-chave para esclarecer o
significado da frase, conforme necessário.
• Mantenha um tipo de conversa natural e apropriado para um adulto.
• Minimize ao máximo as distrações, como o barulho de um rádio, sempre que
possível.
• Inclua a pessoa com afasia nas conversas.
• Pergunte e valorize a opinião da pessoa com afasia, principalmente em assuntos
familiares.
• Estimule qualquer tipo de comunicação, seja ela falada, gestual, apontando ou
desenhando.
• Evite corrigir a fala do indivíduo.
• Permita que a pessoa com afasia fale todo o tempo que precisar.
• Ajude o indivíduo a participar de atividades fora de casa. Procure grupos de apoio,
como comunidades de AVC.
• Preste mais atenção a todos os elementos comunicativos não-verbais que o
paciente pode nos transmitir.

LITERATURA.

ou Gallardo Ruiz, J. R. e Gallego Ortega, J. eu. (2003). Manual de fonoaudiologia


escolar. Uma abordagem prática. Málaga: Cisterna.
qualquer
o Narbona, J e Chevrie-Muller, C (2001). A linguagem da criança. Desenvolvimento
normal, avaliação e distúrbios. Barcelona. Masson.
o Busto, MC (1995). Manual de fonoaudiologia escolar. Crianças com alterações de
linguagem oral na Educação Infantil e no Ensino Fundamental. Madri. Cepe.
ou Aguado, G. : o desenvolvimento da morfossintaxe na criança. Guia para Avaliação
TSA Madrid, Ed Cepe, 1989

WEBGRAFIA:
- [Link]/lnk_causas.html.
- [Link]/af_causas.html
- [Link]

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