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Deficiência Intelectual

O documento aborda a deficiência intelectual (DI), definindo-a como uma condição de desenvolvimento interrompido que afeta habilidades cognitivas, de linguagem, motoras e sociais, com origem antes dos 18 anos. Discute também as causas da DI, que incluem fatores genéticos, perinatais e pós-natais, além de descrever o diagnóstico e as manifestações clínicas em diferentes faixas etárias. Por fim, apresenta dados estatísticos sobre a prevalência da DI no Brasil e características de condições específicas como a síndrome de Down e a síndrome do X frágil.

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Rodolfo Wendell
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Deficiência Intelectual

O documento aborda a deficiência intelectual (DI), definindo-a como uma condição de desenvolvimento interrompido que afeta habilidades cognitivas, de linguagem, motoras e sociais, com origem antes dos 18 anos. Discute também as causas da DI, que incluem fatores genéticos, perinatais e pós-natais, além de descrever o diagnóstico e as manifestações clínicas em diferentes faixas etárias. Por fim, apresenta dados estatísticos sobre a prevalência da DI no Brasil e características de condições específicas como a síndrome de Down e a síndrome do X frágil.

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UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP

ALUNO: RODOLFO WENDELL DE QUEIROZ

CURSO DE BACHARELADO EM EDUCAÇÃO FÍSICA

DEFICIÊNCIA INTELECUTAL

CAMPINA GRANDE - PB

2024
REFERENCIAL TEÓRICO

01 - Conceitos

O termo deficiência intelectual (DI) é cada vez mais usado em vez de retardo
mental. DI ou retardo mental é definida como uma condição de desenvolvimento
interrompido ou incompleto da mente, que é especialmente caracterizado pelo
comprometimento de habilidades manifestadas durante o período de
desenvolvimento, que contribuem para o nível global de inteligência, isto é,
cognitivas, de linguagem, motoras e habilidades sociais (Organização Mundial da
Saúde, OMS, 1992).

A American Association on Intellectual and Developmental Disabilities


(AAIDD) descreve a DI como caracterizada por limitações significativas no
funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo, expressas em
habilidades adaptativas conceituais, sociais e práticas. Essa deficiência origina-se
antes dos 18 anos de idade. Em geral, DI aplica-se aos mesmos indivíduos que
estavam anteriormente diagnosticados com retardo mental em tipo, nível, espécie,
duração e necessidade de serviços e apoios. Cada indivíduo que é ou era elegível
para um diagnóstico de retardo mental é elegível para um diagnóstico de DI
(Schalock et al, 2007).

O termo deficiência intelectual corresponde ao retardo mental na


Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-
10). De acordo com a nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11), a DI é
incluída entre os distúrbios (ou transtornos) do neurodesenvolvimento,
especificamente os do desenvolvimento intelectual, que correspondem a um amplo
contingente de condições etiologicamente distintas. Sua definição envolve diversos
aspectos relacionados ao conceito de inteligência, devendo sempre ser analisada
como componente da avaliação global do indivíduo. É identificada pela redução
substancial das funções intelectuais, concomitante a déficits do comportamento
adaptativo, com limitações em habilidades sociais e práticas cotidianas, iniciada
durante o período de desenvolvimento (antes dos 18 anos).
A deficiência intelectual traz alteração na capacidade cognitiva da
pessoa e pode ter uma série de consequências, de acordo com os
estímulos que a pessoa recebe e do quanto o ambiente é acolhedor
e respeita o seu funcionamento (AMPUDIA, 2011).

02 - Causas

Há vários fatores de risco que devem ser considerados quando tentamos


estabelecer a etiologia dos quadros que cursam com DI. Desde já é importante
deixar assinalado que, apesar da utilização de protocolos de investigação bastante
abrangentes, em número significativo de casos não conseguiremos identificar a
causa. Estima-se que isso ocorra em cerca de 50% dos casos. Segundo Shevell
(2008), em cerca de três quartos dos 50% dos casos em que chegamos à etiologia,
encontraremos um dos seguintes fatores de risco (em ordem decrescente de
frequência): síndromes genéticas ou anormalidades cromossômicas, asfixia
intraparto, disgenesia cerebral, severa privação psicossocial e exposição pré-natal a
agentes tóxicos (por exemplo, álcool ou outras drogas).

Uma forma relativamente simples e didática de classificar os fatores de risco


de condições que podem cursar com DI é a seguinte: fatores pré-natais (genéticos:
cromossômicos e gênicos) e causas múltiplas, fatores perinatais, fatores pós-natais
e fatores desconhecidos. Os fatores de risco pré, peri e pós-natais podem ser
classificados segundo aspectos biomédicos, sociais, comportamentais ou
educacionais (AMMR, 2006),

Dentre os fatores de risco, de algumas décadas para cá devem sempre ser


lembradas as infecções virais perinatais, como HIV e Zika. Rocha et al. (2005)
estudaram 173 crianças e adolescentes expostos e infectados pelo HIV-1 no período
perinatal. A maioria apresentava sinais e sintomas de mais de um dos seguintes
problemas: encefalopatia, deficiência intelectual, atraso de linguagem, sinais
piramidais, microcefalia, desordens do comportamento e do humor. Dessa forma, é
importante que a investigação sorológica para infecção por HIV-1 faça parte do
protocolo de investigação laboratorial nos casos de DI sem etiologia determinada.
Mais recentemente, a infecção pelo vírus da Zika tem sido apontada como potencial
novo teratógeno, sendo necessário desvendar seus mecanismos patogênicos,
reconhecer o amplo espectro de manifestações clínicas, em especial sobre o
desenvolvimento cognitivo-comportamental (BRUNONI et al., 2016).

03 - Diagnóstico

Os sinais clínicos indicativos da deficiência intelectual variam conforme a faixa


etária. Antes dos cinco anos de idade, devem ser avaliados os marcos do
desenvolvimento neuropsicomotor; após os cinco anos, o ideal é a avaliação
neuropsicológica com aplicação de testes psicométricos, nem sempre disponíveis.
Sendo assim, preconiza-se a investigação direcionada de manifestações
comumente associadas a condições que cursam com atraso do desenvolvimento ou
deficiência intelectual, as quais em geral podem ser verificadas sem dificuldade ,
conforme apresentado no Quadro 1.

Quadro 1 - Manifestações que podem ocorrer na infância em associação a atraso do


desenvolvimento/deficiência intelectual por faixa etária.

FAIXA ETÁRIA e MANIFESTAÇÕES


Recém-nascido (0 a 28 dias): Hipotonia; descoordenação de sucção-deglutição;
dismorfismos; anomalias congênitas do Sistema Nervoso Central (SNC).
Lactente (28 dias a 11 meses): Interação reduzida com a mãe ou ambiente; suspeita de
déficit auditivo ou visual; atraso do desenvolvimento motor e alterações de comportamento.
Infante (12 a 36 meses): Atraso/dificuldade de fala; dificuldade de interação social e
padrões incomuns de comportamento.
Pré-escolar (3 a 7 anos): Atraso ou distúrbio de linguagem; déficit na coordenação
motora fina (dificuldade para recortar, colorir, desenhar); alterações de comportamento
como dificuldade de interação social e agitação psicomotora.
Escolar (8 a 11 anos): Dificuldade escolar; déficit de atenção; agitação psicomotora;
ansiedade; distúrbios de humor.
Adaptado de Shapiro and Batshaw. Mental Retardation. In: Nelson Textbook of Pediatrics.
18th ed. Philadelphia: Elsevier/Saunders; 2008.

No âmbito da investigação etiológica, diversos exames poderão ser indicados para


melhor caracterização do quadro clínico, estabelecimento do diagnóstico e da
intervenção terapêutica mais adequada, com o destaque para testes genéticos,
exames laboratoriais e de imagem. E, independentemente da definição etiológica da
deficiência intelectual, assim que for constatado o atraso de desenvolvimento ou
deficiência intelectual devem ser iniciados cuidados em saúde com base em terapias
de apoio, possibilitando a habilitação ou reabilitação do paciente em tempo
oportuno.

A investigação etiológica da deficiência intelectual se inicia com a avaliação


genético-clínica. Esta avaliação possibilitará classificar os indivíduos com déficit
intelectual em dois grandes grupos: aqueles que apresentam um fenótipo
clinicamente reconhecível e os que não o apresentam, o que norteará a decisão em
torno dos exames complementares subsequentes.

Para o grupo de indivíduos que apresentam atraso de desenvolvimento


neuropsicomotor ou deficiência intelectual cujo quadro clínico é inespecífico, ou seja,
não associado a um fenótipo reconhecível ou que permita estabelecer o diagnóstico
de uma síndrome específica, são propostos dois testes genéticos: o microarray
cromossômico e o sequenciamento do exoma, a serem feitos em série.

Ainda para os indivíduos com deficiência intelectual sem fenótipo reconhecível,


também é oportuno salientar que não está indicada, a priori, a realização de testes
específicos, como o teste molecular para síndrome do X frágil (análise de DNA por
PCR ou análise de DNA por Southern blot). Já quando for possível identificar um
fenótipo específico, a partir da avaliação genético-clínica, os testes devem ser
norteados pela hipótese estabelecida, considerando a disponibilidade laboratorial do
serviço.

Outro grande subgrupo que engloba parte dos indivíduos com fenótipo clinicamente
reconhecível é o da deficiência intelectual ligada ao cromossomo X, muitas vezes
considerada a partir da história familiar. Quando, além da recorrência com
distribuição sugestiva de herança ligada ao X, é possível reconhecer um fenótipo
particular, como o da síndrome do X frágil  caracterizado por macrocefalia, face
alongada, orelhas proeminentes, prognatismo, macroorquidia, hiperextensibilidade
articular distal, transtorno do espectro autista, aversão ao contato visual sustentado,
agitação psicomotora e transtornos de ansiedade, entre outros , deve ser indicado o
teste molecular específico para essa condição (em geral, uma combinação de
análises por PCR) ou o teste de Southern blot (se disponível) como exame de
primeira linha. Sendo o resultado negativo, a investigação deve prosseguir com
exoma ou microarray cromossômico, como recomendado para os casos
inespecíficos de deficiência intelectual. Por outro lado, para os indivíduos com
avaliação clínica inespecífica, está indicado o exoma como teste de primeira linha.

No âmbito de testes metabólicos de triagem devem ser solicitados preferencialmente


para aqueles com involução neurológica, quadros metabólicos episódicos ou
progressivos, consanguinidade parental ou qualquer sintoma ou sinal sugestivos de
doença metabólica, como visceromegalia não infecciosa, alterações osteoarticulares
e odor incomum da urina ou do suor, entre outros.

A ressonância magnética de crânio pode ser indicada para indivíduos com alteração
de perímetro cefálico (micro- ou macrocefalia), epilepsia, sinal neurológico focal,
distúrbios do movimento e involução neuropsicomotora, entre outros. A tomografia
computadorizada de crânio não está indicada na investigação diagnóstica da
deficiência intelectual, tendo em vista sua contribuição ínfima e relacionada a
achados inespecíficos.

04 – Estatísticas: Brasil, Paraíba e Campina Grande

A deficiência intelectual acomete de 1% a 3% da população global. Além disso,


estudos registram um predomínio do sexo masculino. No Brasil, conforme dados do
Censo Demográfico de 2010 feito pelo IBGE, há pelo menos 2,6 milhões (1,4%) de
pessoas com deficiência mental ou intelectual. Sobre a prevalência do atraso global
de desenvolvimento, não há informações precisas, mas uma estimativa razoável
situa entre 1% a 3% das crianças com menos de cinco anos de idade,
correspondente à prevalência de deficiência intelectual na população geral.

Em relação à educação, de acordo com os dados do IBGE de 2010, no caso de


pessoas com deficiência intelectual, apenas 52,88% estão alfabetizadas, o que
representa o menor índice entre as pessoas com deficiência. A taxa de alfabetização
desse público pode ser explicada pelas dificuldades da escola de adaptar os
conteúdos e as avaliações e pela vigência do discurso da socialização por parte de
professores e gestores (Bins, 2013). Na prática essa concepção pode acentuar as
dificuldades de aprendizagem e desenvolvimento durante o processo de
escolarização das pessoas com deficiência intelectual, na medida em que a escola
deixa de investir no trabalho pedagógico.

Os dados do IBGE (2012) na Paraíba, em João Pessoa a proporção de pessoas que


disseram ter algum tipo de deficiência foi de 26%, enquanto em Campina Grande o
percentual foi de 23%. Enquanto isso 62 mil paraibanos tinham deficiência
mental/intelectual. Os cinco municípios com maiores números absolutos de pessoas
com deficiência intelectual são: João Pessoa (11.005), Campina Grande (5.265), Santa
Rita (2.290), Bayeux (2.131) e Patos (1.609)

05 – Características

5.1. Síndrome de Down

A síndrome de Down, também conhecida como trissomia do 21, é um


distúrbio cromossômico causado por uma cópia adicional de material genético no
cromossomo 21, que afeta o desenvolvimento do corpo e do cérebro. A incidência
da síndrome de Down é de aproximadamente um em cada 1000 recém-nascidos
(Roizen & Patterson, 2003) e é influenciada pela idade materna. Mulheres com 35
anos de idade ou mais velhas têm risco significativamente maior. As características
clínicas da síndrome de Down incluem:

• Deficiência intelectual, geralmente leve; eles possuem boas habilidades


sociais ;
• A aparência característica incluindo braquicefalia, dobras epicânticas,
fissuras palpebrais oblíquas, estrabismo, manchas Brushfield na íris, nariz
achatado, orelhas de baixa implantação e arredondadas, macroglossia,
boca aberta, pescoço curto, braquidactilia, clinodactilia no qunto dedo,
impressões digitais atípicas, grande espaço entre o 1º e o 2º dedo do pé
conhecido como pé sandália;
• Crescimento físico prejudicado, como baixa estatura, membros curtos e
ligamentos frouxos;
• Muitas vezes acompanhada por diferentes problemas médicos, incluindo
doenças congênitas do coração, atresia duodenal, perda auditiva,
problemas oftalmológicos, hipotireoidismo, demência de início precoce, e
leucemia.
5.2. Síndrome do X frágil

Também conhecida como síndrome de Martin-Bell e síndrome de Escalante)


é uma doença ligada ao cromossomo X que é uma das formas herdadas mais
comum de DI. Também está associada com o autismo. Martin e Bell descreveram
pela primeira vez esta desordem em 1943, e Herbert Lubs identificou um sítio frágil
associado no cromossomo X em 1969.

As manifestações clínicas da síndrome do X frágil podem variar de leve a


grave em características físicas, cognitivas, emocionais e comportamentais.
Geralmente, as mulheres têm uma forma menos grave da doença do que os
homens. O fenótipo físico inclui um rosto longo e estreito com uma testa
proeminente e orelhas protuberantes, hipermobilidade articular associada com
displasia do tecido conjuntivo, polegares com articulação dupla, pés chatos, e
macro-orquidismo nos homens após a puberdade. Os indivíduos com a síndrome do
X frágil geralmente têm déficits cognitivos - QI variando de normal ou limítrofe a
severamente baixo – tais como problemas com a memória de trabalho, função
executiva e matemática e habilidades visuo-espaciais. Atraso de linguagem é
também evidente na primeira infância. Os distúrbios emocionais e comportamentais
são comuns, incluindo transtornos de ansiedade e de humor, características de
transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, sintomas tipo obsessivos-
compulsivos (por exemplo, ações ou frases repetitivas), comportamento agressivo e
autodestrutivo, e um temperamento difícil.

5.3. Fenilcetonúria

Fenilcetonúria (PKU) é um distúrbio autossômico recessivo de gene único


descoberto pelo médico norueguês Ivar Asbjørn Følling em 1934. É causada por
mutações do gene da fenilalanina hidroxilase (PAH) ou dos genes que codificam
enzimas envolvidas na biossíntese ou reciclagem do cofator tetra-hidrobiopterina
(BH4), o que resulta em disfunção do metabolismo da fenilalanina levando ao
excesso de fenilalanina e substâncias afins no sangue, no cérebro e na urina.
Aumentos das concentrações de fenilalanina no cérebro são tóxicos e causam
perturbação da função neuropsicológica.
Os bebês com PKU parecem normais ao nascimento, mas progressivamente
mostram deficiências de desenvolvimento frequentemente acompanhadas por
fragilidade da pele, cabelo, olhos, erupção cutânea eczematosa, odor de rato,
déficits motores, convulsões, problemas de comportamento e autismo. Rastreio
precoce, diagnóstico e intervenção imediata podem impedir que indivíduos com PKU
sofram mais danos no cérebro.

5.4. Hipotireoidismo congênito

É uma doença endócrina causada pela deficiência hormonal da tireoide após


o nascimento. Pode ser classificado em permanente e transitório. As características
clínicas de hipotireoidismo congênito em crianças incluem: icterícia persistente, má
alimentação, quietude, sono excessivo, constipação, baixa temperatura corporal,
choro anormal, hérnia umbilical, bradicardia, hipotonia com reflexos atrasados.
Alguns podem ter um bócio palpável. A aparência típica inclui uma ampla fontanela
posterior, rosto edemaciado, nariz achatado, olhos exibindo pseudo-hipertelorismo, e
boca aberta com macroglossia. Se não tratado, o hipotireoidismo congênito pode
resultar em falha de crescimento, deficiência intelectual permanente e problemas
cardíacos.

5.5. Síndrome de Prader-Willi

É uma doença genética rara do cromossomo 15q11-13. Foi descrita pela


primeira vez por Andrea Prader e Heinrich Willi em 1956. Os sintomas incluem tônus
muscular fraco, dificuldades alimentares, baixa estatura, desenvolvimento sexual
incompleto, deficiências cognitivas, e um sentimento crônico de fome que pode levar
a comer em excesso e a obesidade.

5.6. Síndrome de Angelman

É uma doença genética complexa caracterizada por atraso intelectual e


desenvolvimental, grave comprometimento da fala, convulsões, ataxia, abanos das
mãos, e uma atitude feliz, empolgada com frequentes risos e gargalhadas. Foi
descrita pela primeira vez por Harry Angelman em 1965. A prevalência é de
aproximadamente um em 10 mil a um em cada 20.000 nascidos vivos (Petersen et
al, 1995; Steffenburg et al, 1996).
5.7. Galactosemia

É um distúrbio de um único gene autossômico recessivo associado a uma


disfunção das enzimas que convertem galactose em glicose, levando à acumulação
de quantidades tóxicas de galactose no sangue e tecidos do corpo, resultando em DI
e em danos de múltiplos órgãos. Fora primeiramente relatada por Goppert em 1917,
e identificada como um defeito do metabolismo da galactose por Herman Kalckar em
1956. Crianças com galactosemia apresentam sintomas inespecíficos, incluindo
vômitos, diarréia, falta de apetite, icterícia prolongada, hepatomegalia, insuficiência
de crescimento, letargia, e diátese hemorrágica. Se não for tratada rapidamente,
sepse, falência do fígado, catarata, deficiência intelectual, atraso de crescimento e
morte podem ocorrer.

5.8. Síndrome alcoólica fetal

A forma mais grave dos transtornos do espectro alcóolico fetal, é uma causa
evitável de deficiência intelectual. A síndrome alcoólica fetal é o resultado do
elevado consumo de álcool durante a gravidez, especialmente nos primeiro três
meses de gestação, o que pode causar danos consideráveis para o feto em
desenvolvimento, particularmente para o cérebro.

O conhecimento dos médicos sobre essa condição é baixa e a detecção é


muito pobre, com muitos doentes permanecendo não diagnosticados. Juntamente
com uma história materna de ingestão de álcool, atualmente os médicos ainda se
baseiam fortemente em três características clínicas para o diagnóstico (Centros de
Controle e Prevenção de Doenças 2009):

• Anormalidades faciais
• Anormalidades do sistema nervoso central
• Déficit de crescimento.
06 – Sequelas

Fala

Crianças com DI geralmente têm atraso no desenvolvimento da linguagem e


dificuldades para falar e se expressar. O grau de severidade varia de acordo com o
nível de comprometimento da capacidade intelectual. Os casos leves podem atingir
habilidades linguísticas que são apenas um pouco mais pobres do que as crianças
na faixa normal de desenvolvimento. Os casos graves ou profundos não podem se
comunicar plenamente ou falam apenas algumas palavras.

Percepção

Crianças com DI são lentas em reagir e perceber estímulos ambientais. Eles têm
dificuldades de distinguir pequenas diferenças nas formas, tamanhos e cores.

Cognição

A capacidade de analisar, raciocinar, compreender e calcular, e para o pensamento


abstrato é muitas vezes prejudicada em maior ou menor grau de acordo com a
gravidade. Crianças com DI leve são capazes de alcançar as habilidades de leitura e
matemática aproximadamente ao nível de uma criança típica com idade entre 9 e 12
anos (Diário et al, 2000). Indivíduos com DI severa ou profunda não têm a
capacidade de ler, calcular ou mesmo entender o que os outros dizem.

Concentração e memória

A capacidade de concentração é baixa e estreita. De um modo geral, a memória é


fraca e eles são lentos em lembrar, embora haja exceções (por exemplo, instruídos).
Eles têm dificuldades para recordar e suas memórias são muitas vezes imprecisas.

Emoção

As emoções são muitas vezes ingênuas e imaturas, mas podem melhorar com a
idade. A capacidade de autocontrole é pobre e comportamento impulsivo e
agressivo não é incomum. Alguns são tímidos, arredios e retraídos.
Movimentos e comportamento

Crianças com DI muitas vezes possuem falta de coordenação, podem ser


desajeitadas ou mostrar movimentação excessiva. Movimentos sem sentido ou
estereotipados (por exemplo, balançar, bater a cabeça, bater os dentes, gritar,
rasgar roupas, puxar o cabelo, brincar com os órgãos genitais) são frequentes em DI
grave. Comportamentos destrutivos, agressivos ou violentos também podem ser
observados. Comportamento autodestrutivo (por exemplo, se auto-golpear ou se
morder) pode ocorrer em DI moderada e grave.

Problemas de saúde associados com deficiência intelectual

Em comparação com crianças normais, as crianças com DI correm um risco maior


de ter outros problemas de saúde. As condições de saúde mais prevalentes são:
epilepsia (22%), paralisia cerebral (20%), transtornos de ansiedade (17%),
transtorno desafiador opositivo (12%), e transtorno autista (10%) (Oeseburg et al,
2011).

Epilepsia

• Entre 1% e 13% das crianças com síndrome de Down têm epilepsia (Arya
et al, 2011)
• A epilepsia, frequentemente grave e de difícil controle, está presente em
85% dos pacientes com síndrome de Angelman nos três primeiros anos de
vida (Fiumara et al, 2010)
• Os pacientes com a síndrome do X frágil são altamente propensos a
desenvolver epilepsia (Qiu et al, 2008)

Problemas de comportamento

Sintomas como inquietude (continuamente mover-se ao redor, incapaz de ficar


sentado em um lugar), falta de concentração, impulsividade, birras, irritabilidade e
choro são comuns. Outros comportamentos perturbadores, como agressão,
comportamento autodestrutivo (como bater a cabeça) e balanço repetitivo também
pode ser visto (ver seção em comportamentos desafiadores abaixo). Quando esse
comportamento é grave e persistente, pode se tornar uma grande fonte de estresse
para as famílias. Por isso, deve ser dada atenção para reduzir esse tipo de
comportamento enquanto proporciona-se tratamento e cuidados.

Prejuízo sensorial Problemas visuais e auditivos estão presentes em cerca de 5% a


10% das pessoas com DI. Às vezes, esses problemas podem ser resolvidos usando-
se aparelhos auditivos ou óculos, ou se submetendo à cirurgia de catarata. Como
observado anteriormente, outras deficiências de desenvolvimento, tais como a
paralisia cerebral, problemas de fala e autismo podem ocorrer conjuntamente com a
DI. Pessoas com múltiplas deficiências representam um grande desafio em termos
de prestação de cuidados.

07 – ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DA EDUCAÇÃO FÍSICA

É nas aulas de Educação Física que são exploradas a participação e a criatividade


do aluno. O esporte é imprescindível na vida do portador de necessidades especiais,
pois ensina a convivência, a lidar e atuar em grupo para toda a vida, a trabalhar em
equipe, respeitar o próximo, a promover os valores humanos, a expandir
capacidades e superar desafios, mostrando que é preciso criar hábitos saudáveis de
vida.

No caso da deficiência mental os professores de Educação Física precisam saber


que os portadores de Síndrome de Down apresentam problemas associados, dos
quais destacamos: cardiopatia - 50%; problemas respiratórios - 40%; hipotonia
generalizada - quase 100%; variação térmica - 100%; obesidade - acima de 50%;
problemas de linguagem - quase 100%; retardo mental - 100%; instabilidade
atlantoaxial - 12 a 20%; problemas de visão - 60%; problemas de audição - 50%; má
formação da tireóide - 4%; problemas odontológicos - quase 100%; hérnia umbilical -
quase 50%; distúrbios digestivos - 12%; leucemia - 10%; hepatite (A ou B) - 70%. A
instabilidade atlantoaxial, destacada aqui, é descrita como instabilidade, subluxação
ou deslocamento da primeira e segunda vértebra cervical (C1 e C2), onde se situa a
articulação atlantoaxial. A instabilidade atlantoaxial é um fator predisponente a
complicações neurológicas. Aos alunos com Síndrome de Down recomenda-se a
investigação com Raios-X lateral da coluna cervical em posição neutra, flexão e
extensão dentro da máxima amplitude de movimento possível, antes de entrar na
prática da atividade motora. Algumas das atividades de risco para esta parcela de
portadores da Síndrome de Down são: ginástica olímpica, salto em altura, nado
golfinho, mergulho, alguns exercícios de aquecimento que causem o stress da
região cervical e esportes de contato direto. Observem que estas recomendações só
são válidas para os acometidos de instabilidade atlantoaxial. (CIDADE e FREITAS,
2008, p. 3).

Um dado bastante importante a registrar que os cuidados nas aulas de Educação


Física giram torno de evitar choques e/ou pancadas na cabeça desses alunos,
rolamentos simples para frentes/trás (cambalhota) e outras atividades que possam
provocar uma pressão na cabeça (CAMPEÃO 2006 p 75-76 apud FELBERG, 2004).
Seguem-se ainda as considerações de CAMPEÃO (2006) para trata sobre alguns
critérios de adaptação, informa à autora que não é uma regra ou obrigatoriedade,
mas um recurso, no auxílio do aluno com deficiência intelectual:

1) Espaço: Principalmente nos primeiros dias das atividades, os espaços usados


devem ser livres de obstáculos e sem muitas delimitações, ou com delimitações
flexíveis, para que possa ser efetiva a sua utilização no momento da participação do
aluno com deficiência intelectual. O ideal é que antes de iniciar as atividades
práticas já se conheça um pouco da condição motriz do aluno com deficiência, e,
dessa forma, aproveitar ao máximo o mesmo espaço destinado aos alunos sem
deficiência;

2) Material: Utilizar poucos objetos, apresentando-os gradativamente aos alunos,


para evitar dispersão e desinteresse:

a) utilize objetos grandes, que possibilitem variadas formas de manipulação, sem


exigir velocidade na execução;

b) o tamanho dos objetos poderá ser reduzido, à medida que os alunos ganhem
domínio na sua utilização, aumentando assim, paralelamente, a velocidade de
execução;

c)- permitir que os alunos com deficiência manipulem e experimentem os objetos


várias vezes, antes do início das atividades em que serão utilizados, para que eles
os reconheçam e se sintam seguros no momento do jogo ou atividade. (CAMPEÃO,
2006, p 75-76).
Segue a autora ainda em relação aos materiais dizendo que, para alunos com grau
maior de dependência, é importante a preocupação com a escolha e com a
utilização do material certo e adequado à sua funcionalidade. Para esses alunos, um
dos materiais que mais estimulam sua atenção são os cubos de espuma.

Esse tipo de material é ideal, por todas suas características: composição (espuma
com revestimento impermeável), cor (chamativas) resistência, segurança, limpeza,
criatividade, etc. Com esses blocos, se pode criar um sem fim de estruturas e
situações como: deslizar, trepar, saltar, empurrar, treinar equilíbrio, girar, rodas, etc.,
experimentando e vivendo muitas sensações (CAMPEÃO, 2006, p 77).

3) Regras: de início as atividades não devem ser longas, com pequena exigência de
concentração. Devem ser aplicadas apenas as regras básicas e, dependendo da
atividade, explicá-la de uma maneira geral e superficial, para que o aluno perceba,
na prática, desenvolvimento e as regras propostas.

Rosa (2009, p. 11) cita que: ‘’As atividades mais utilizadas pelos professores para
promover a participação dos alunos com deficiência intelectual durante as aulas de
educação física são as atividades recreativas e as psicomotoras, seguidas pelas
rítmicas. As menos utilizadas são as atividades esportivas, que, devido a seu cunho
competitivo, tem um caráter exclusivo daqueles considerados menos capazes’’.

A mesma autora diz ainda que, porém, no aspecto da educação física inclusiva, o
que difere é a metodologia utilizada para aplicar as atividades e não a atividade em
si. Assim, todas as atividades podem ser desenvolvidas, desde que com uma
metodologia que atenda às necessidades de cada aluno.
08 – Atividades Lúdicas, Jogos e Brincadeiras

1. Atividade - Corda
Objetivo: Desenvolver a coordenação motora ampla e o esquema corporal.
Além disso, estimular a orientação espacial e temporal, ampliar o equilíbrio, a
lateralidade e melhorar o tônus muscular.
Material: Corda

2. Atividade - Caminhada ou corrida com emparelhamento de cores:


Objetivo: Desenvolver a coordenação motora ampla, lateralidade, equilíbrio e
trabalhar a parte cognitiva através das cores de cones e cones.
Material: Cones e pratinhos coloridos.

3. Atividade - Bola por cima, bola por baixo


Objetivo: Tem como objetivo trabalhar a coordenação motora, concentração
e velocidade.
Material: bolas

4. Atividade - Circuito com objetos


Objetivo: A ideia é criar um circuito no qual paciente irá precisar saltar, andar
num pé só, pular com os dois pés, se arrastar e realizar movimentos mais
amplos até chegar no final do circuito. Tudo dentro da limitação de cada
indivíduo.
Material: corda, cones, bambolê, bola, etc.

5. Atividade - Morto-vivo
Objetivo: é estimular a movimentação, também contribui bastante para o
desenvolvimento do foco dos educandos. Caso o Indivíduo não puder ficar de
pé, poderá ser feito com ele sentado numa cadeira e o mesmo levanta as
mãos ao comando do vivo.
Material: cadeira
6. Atividade – Andando sobre a ponte
Objetivo: o paciente vai andar sobre a ponte que ele mesmo vai construindo.
Estimulo para realização de trabalho de lateralidade e coordenação motora.
Material: dois pedaços de borracha ou madeira.
7. Atividade – Equilibrando bola de assopro
Objetivo: equilibrar bola no ar, estimulando o foco, coordenação visual e
manual.
Material: bola de assopro
09 – Resultados

Autor(es) Objetivo Métodos Desfecho

Federico; Laplane este estudo propõe A metodologia do estudo O estudo revelou que,
(2020). a investigação das incluiu a análise de dados na educação, a maioria
formas de estatísticos públicos do de alunos com
participação social Censo Demográfico deficiência são
e escolar das Brasileiro (2010) e Censo estudantes com
pessoas com Escolar (de 2014 a 2018), deficiência intelectual.
deficiência no que se refere à Em relação ao
intelectual. participação escolar e no mercado de trabalho,
mercado de trabalho. Foi dentre todas as
utilizado o programa IBM deficiências, a
SPSS Statistics para o deficiência intelectual
tratamento dos dados, apresenta menores
que foram analisados à índices de
luz da literatura participação.
especializada e da
legislação vigente.

Liana; Nara (2018). Investigar aspectos Participaram quatro Os resultados das


relacionados à mulheres e cinco homens entrevistas
inclusão no com idades entre 23 a 40 demonstraram que a
trabalho de anos e diagnóstico de inclusão no mercado
pessoas com deficiência intelectual. de trabalho é um
deficiência Todos os participantes já processo mais
intelectual, a partir possuíam experiência de satisfatório do que
de relatos de trabalho, sendo que insatisfatório, além de
experiências. quatro estavam ser um direito. Os
empregados e cinco dados apontam que
estavam desempregados. este contexto pode
favorecer o
desenvolvimento da
autonomia,
independência,
satisfação pessoal,
produtividade e
responsabilidade.

Celia, Regina (2018) Discute Focaliza abordagens Considera a


criticamente o funcionalistas e necessidade de
conceito e a socioambientais ampliar a visão da
classificação de predominantes na área, deficiência intelectual
deficiência com destaque para o sob enfoques
intelectual, modelo funcional e socioculturais, dando
segundo os atuais multidimensional da ênfase ao sujeito e à
sistemas American Association on
internacionais de Intellectual and subjetividade.
classificação e Developmental Disabilities
diagnóstico de (AAIDD).
transtornos
mentais, tendo em
vista a intervenção
educacional.

Pletsch, M.; Paiva, C. a avaliação e o A pesquisa foi realizada mostraram a


(2018) encaminhamento com gestores da área de predominância do
de alunos com Educação Especial de modelo médico com
deficiência sete redes de ensino da uso do laudo, em
intelectual a partir Baixada Fluminense/ RJ. detrimento do modelo
das diretrizes de social e de direitos,
educação inclusiva nas práticas avaliativas
contidas na Política adotadas pelas redes
Nacional de de ensino
Educação Especial
na Perspectiva da
Educação
Inclusiva.

Santos, M.; Martins, investigar as A revisão integrativa Os resultados


M. (2016) estratégias de abrangeu artigos indicaram que cuidar
enfrentamento publicados no período de de pessoas com DI é
adotadas por pais 2001 a 2015, indexados estressante para a
de crianças com nas bases PubMed, Lilacs família. O estresse
deficiência e PsycINFO, com base parental suscita
intelectual (DI). nosdescritores: deficiência mudanças no
intelectual, enfrentamento, ajustamento familiar e
pais, cuidadores, família. estratégias são
Foram selecionados 13 acionadas para facilitar
artigos, a maioria com o convívio com a
delineamento transversal, pessoa com DI, sendo
comparativo e as principais: busca de
quantitativo. apoio social nos
familiares e serviços
profissionais, união
dos cônjuges e busca
de informação.

Rossit, R.; Goyos, C. analisar a Participaram 11 pessoas Os resultados


(2009) aquisição de com deficiência demonstraram a
relações intelectual, com idade eficácia do currículo
matemáticas e entre nove a 32 anos, de como rede de relações
apresentar um ambos os gêneros, e dos procedimentos
currículo baseado estudantes de escola de utilizados, constatada
no paradigma de Educação Especial. a aquisição de
equivalência de habilidades complexas
estímulos para num período de tempo
ensinar deficientes reduzido. Uma ampla e
intelectuais a complexa rede de
manusear dinheiro. relações matemáticas
foi adquirida a partir do
ensino direto de
apenas algumas
relações.

Investigar práticas Foram utilizados como Necessidade de


pedagógicas de procedimentos a investimento na
Santos, T.; Martins, L. professores em observação e a entrevista formação dos
(2015) uma escola pública semiestruturada, com professores e de todos
municipal de vistas à construção dos os que fazem a
Natal/RN, frente a dados. Para análise dos comunidade escolar,
alunos com dados utilizou-se o numa perspectiva
Deficiência método de Análise de inclusiva; utilização de
Intelectual (DI), Conteúdo. procedimentos e de
matriculados em adequações
anos iniciais do curriculares em sala de
Ensino aula, de maneira mais
Fundamental. compatível com as
necessidades dos
educandos.

O objetivo é O estudo de abordagem Os resultados


descrever as qualitativa foi realizado evidenciaram as
Cerqueira; Alves e experiências por meio de entrevista dificuldades nos
Aguiar (2016) vividas por mães semiestruturada. itinerários terapêuticos
de crianças têm início já no
acompanhadas em momento em que a
uma instituição criança obtém o
especializada de diagnóstico da
Feira de Santana deficiência intelectual,
(BA) nos seus pelo despreparo dos
itinerários profissionais de saúde
terapêuticos. para comunicá-lo, os
itinerários são
permeados por
obstáculos, nas
dimensões geográfica,
econômica e funcional.

Veltrone; investigar a Trata-se de uma pesquisa Discute-se ainda que


Mendes(2012) percepção de de cunho qualitativo e os tal complexidade deve
profissionais da resultados indicam que os ser discutida na
rede municipal de participantes consideram comunidade científica
uma cidade do tanto aspectos positivos e também nos cursos
interior do estado quanto negativos na de formação de
de São Paulo sobre mudança de professores pois tal
o impacto da nomenclatura, temática tem reflexo
mudança de evidenciando o quão direto na prática
nomenclatura de complexo um construto educacional que temos
deficiência mental científico pode ser. diante dos alunos com
para deficiência deficiência intelectual.
intelectual.

objetivo Trata-se de uma pesquisa No que se refere ao


compreender como qualitativa, a partir do estigma, os sujeitos
Reis, Joab Grana; pessoas com levantamento de relatam que os outros
Araújo, Suéllen Melo; deficiência produções científicas têm baixa expectativa
intelectual se sobre autopercepção de em relação ao seu
Glat, Rosana (2019).
sentem em relação pessoas com deficiência potencial. É notório a
ao estigma, intelectual. Do conjunto presença do discurso
preconceito e foram selecionados cinco socialmente produzido
reconhecimento da textos e, a partir das falas da deficiência em suas
deficiência. registradas dos sujeitos falas, todavia,
destacaram-se as desenvolvem
categorias: estigma, diferentes estratégias
deficiência e preconceito. para lidar com o
estereótipo. Os relatos
sobre suas relações
sociais, em sua
maioria, evidenciam
preconceito,
segregação e
tratamento hostil, mas
também há exemplos
de acolhimento e
respeito

Considerações Finais
Os elementos essenciais na avaliação da DI incluem uma ampla investigação na
família, na história pré, peri e pós-natal do paciente, exame físico completo e exame
neurológico, além dos testes laboratoriais que devem ser seletivos e, conforme o
quadro clínico, sugestivo para elucidar a causa da DI desde o cariótipo convencional
até o sequenciamento do exoma. O acompanhamento do paciente ao longo dos
anos é necessário para o diagnóstico, com avaliação física e comportamental
associada aos testes neuropsicológicos e ao aconselhamento genético que é de
fundamental importância para vários casos de DI, auxiliando no tratamento e
prognóstico.

As causas de DI podem ser genéticas ou ambientais e, apesar de técnicas


moleculares modernas, quase 60% das causas de DI ainda não são identificadas.
Porém, duas causas apresentam tratamento específico com a identificação precoce:
no caso da fenilcetonúria, por meio do teste do pezinho, e a outra com medidas
preventivas, alertando as mulheres grávidas a não consumirem álcool em nenhum
período da gestação e impedindo o aparecimento da SAF com danos irreversíveis
para o bebê, incluindo a DI.

Novas pesquisas devem reconhecer e valorizar as particularidades de atenção à


saúde dessa população. Sugere-se o desenvolvimento de investigações sobre as
ações de equipes multiprofissionais e a contribuição dos diversos atores – órgãos
governamentais, organizações não governamentais, serviços especializados,
comunidade e família – na melhoria da qualidade de vida e assistência às pessoas
com DI. O incremento de pesquisas na área é uma demanda da própria população
deficiente e permitirá conhecer suas necessidades de saúde específicas, além de
oferecer embasamento sólido em questões essenciais, como prevenção, promoção,
diagnóstico e tratamento.

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