Bases Psicanalíticas da
Personalidade
Prof.Esp. Harrison Miranda de Oliveira
O Inconsciente e os Sonhos
3º Semestre
Noite
CH 80hrs
O DISCURSO
DO DESEJO: O
INCONSCIENTE
E OS SONHOS
“ A M A I S VA L I O S A D E
TO D A S A S D E S C O B E RTA S
QUE TIVE A FELICIDADE
D E FA ZE R ” ( F R E U D )
• Os sonhos são uma via de
acesso privilegiada ao
Inconsciente e também o
ponto de articulação entre o
normal e o patológico.;
• Duas afirmações de Freud: os
sonhos não são absurdos,
possuem um sentido; os
sonhos são realizações de
desejos;
A INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS
❖Enquanto fenômenos psíquicos, os sonhos são produções e comunicações da pessoa
que sonha.
❖O que é interpretado psicanaliticamente não é o sonho, mas o seu relato;
• O pressuposto de Freud é que a pessoa que sonha sabe o significado do seu sonho,
apenas não sabe que sabe, e isso ocorre porque a censura a impede de saber.
• A função da interpretação é justamente produzir a inteligibilidade deste sentido
oculto.
• Sentidos a serem interpretados, o ponto em que a psicanálise se articula com a
linguagem.;
SENTIDO E
INTERPRETAÇÃO
Para Freud, o sentido do sonho prende-se aos vários elementos oníricos que
funcionam como significantes e que, uma vez estruturados, fornecerão o sentido
do sonho. Por isso, como método para analisar os sonhos, Freud elege aquele
que considera o sonho em seus elementos constituintes, não apenas em sua
totalidade, porém, sempre rejeitando a ideia de analisar esses elementos a partir
de uma chave fixa.
• Cada elemento do sonho funciona como um
Significante de algo oculto e inconsciente. O conteúdo
manifesto é uma transcrição dos pensamentos oníricos
latentes cuja sintaxe é dada pelo Inconsciente. E, o
Inconsciente fala a sua maneira, com sua sintaxe
particular. Daí a frase de Lacan: “o Inconsciente é
estruturado como uma linguagem”.
O SIMBOLISMO NOS SONHOS
• Primeiro emprego da noção de símbolo:
sinônimo de “sintoma mnêmico” ou “sintoma
histérico”, o fenômeno em questão funciona
como “símbolo“ de um traumatismo
patogênico.
• Por exemplo, o paciente associaria suas impressões mentais dolorosas
às dores corporais e, a partir daí, usaria suas sensações físicas como
símbolo das mentais.
O SIMBOLISMO NOS
SONHOS
• Nesse caso, o código que permitiria decifrar o “símbolo” é
absolutamente privado, individual, nada tendo de universal; a única
forma de chegarmos ao seu significado é através das associações
feitas pelo paciente.
O SIMBOLISMO NOS SONHOS
• Segundo emprego da noção de símbolo: “ato sintomático simbólico”. A diferença entre o ato
sintomático simbólico e o símbolo mnêmico é que no ato sintomático simbólico podemos
detectar uma analogia de conteúdo entre o signo e o referente, enquanto no símbolo mnêmico
essa analogia não está presente.
• Nos símbolos mnêmicos não existe
qualquer semelhança entre o signo e o
referente; o signo não expressa o ato
traumático apenas associa-se a ele
temporalmente.
O SIMBOLISMO NOS SONHOS
• Em A Interpretação de Sonhos, Freud vai se referir a símbolos
representados no sonho de forma semelhante, independentemente do
sonhador, símbolos já existentes e presentes no inconsciente de cada
indivíduo, cuja característica básica é a constância da relação entre o
símbolo e o simbolizado. Freud chama a esses símbolos de
“elementos mudos” do sonho, pois sobre eles o paciente é incapaz de
fornecer associações.
O SIMBOLISMO NOS SONHOS
A existência desses símbolos no sonho faz com que sejam exigidas duas formas de interpretação:
1. Utiliza-se as associações fornecidas pelo paciente. Nesse caso, a chave que permite ao
intérprete decifrar é individual e pertence exclusivamente ao sonhador. Não existe código geral
ou universal.
2. Se exerce diretamente sobre os símbolos. O código é privado. No caso dos sonhos que
empregam símbolos, o sonhador se serve de algo já pronto. Apesar do sonho ter sido uma
produção sua, o símbolo utilizado pertence à cultura e seu significado transcende ao sonhador. A
interpretação depende do conhecimento que o intérprete possui dos símbolos e não das
associações fornecidas.
OS SONHOS
Os sonhos são processos que despertaram a atenção de Freud desde o início de suas investigações sobre
o psiquismo. Em 1900, o livro inaugural da psicanálise foi precisamente dedicado a esse tópico – chama-
se “A interpretação dos sonhos”.
Os sonhos são:
• A Principal via de acesso ao inconsciente;
• Restos Diurnos;
• Estímulos corporais ou aditivos;
• Representa a satisfação de um desejo infantil e inconsciente de
natureza sexual (psicossexual).
Realização direta do desejo: “A criancinha sonha sempre com a
realização de desejos que o dia anterior lhe trouxe e que ela não
satisfez” (p.47)
OS SONHOS
Em primeiro lugar, Freud observou que os sonhos são os guardiões do sono, ou seja, sua função primordial é
evitar que o sonhador acorde. Mas qual a necessidade de proteger o sono?
Nossa psique continua em funcionamento durante o sono. Ela reage a estímulos fisiológicos (fome, sede, vontade
de urinar, dores corporais, etc.), a estímulos externos (sons, frio, calor, cheiros, etc.) e também a estímulos
intrapsíquicos.
E, ao contrário do que se imagina, continuamos pensando enquanto dormimos. Também temos lembranças e
reações emocionais diversas, como amor, raiva, alegria, medo, tristeza, etc. Toda essa estimulação mental (ou, na
linguagem freudiana, aumento da tensão psíquica) facilmente nos acordaria, impedindo o repouso necessário ao
organismo.
Em segundo lugar, Freud descobriu que o conteúdo dessas alucinações noturnas que chamamos de sonhos está
sempre relacionado à realização de desejos do sonhador. Ou seja, o sonho sempre demonstra um desejo como se
estivesse sendo realizado.
OS SONHOS
Mas, ao contrário dos sonhos infantis, por que motivo os sonhos de adultos, em geral, não parecem fazer muito
(ou nenhum) sentido? Compreender o funcionamento integral dos sonhos demanda reconhecer a divisão da psique
e a existência do inconsciente, tal como esclarecidos pela psicanálise. Somos seres divididos em nosso íntimo,
pois a maior parcela do que somos, gostamos e fazemos é determinada por uma parte do psiquismo a que não
temos acesso direto – é a isso que chamamos de inconsciente.
“O sonho manifesto... pode
ser descrito como uma
realização velada de
desejos reprimidos” (p.48)
OS SONHOS
O Sonho apresenta:
a) Conteúdo manifesto: as imagens oníricas
b) Conteúdo latente: o conteúdo existente no inconsciente.
• Trata-se do material que constitui a ‘trama’ do sonho:
Deformação: o conteúdo manifesto do sonho é o substituto de formato para os
pensamentos inconscientes do sonho.
Deformação: produto do conflito: resistências do eu (censura) x retorno de desejos reprimidos do inconsciente
OS SONHOS
• Interpretar um sonho: convite para o analisando associar livremente a partir das imagens de que se recorda
(conteúdo manifesto) para, desta forma, acessar o conteúdo latente.
• Elaboração onírica:
Trata-se da forma que os pensamentos latentes se
transformam em conteúdo manifesto.
Pensamentos latentes: matéria- prima de que é feito
o sonho manifesto.
Conteúdo manifesto: o sonho ‘sonhado’; aquilo que a
pessoa se recorda ao acordar.
OS SONHOS
• Faz parte da Elaboração Onírica
a) Censura: a responsável pela deformação a que são submetidas os pensamentos
latentes pelo trabalho do sonho.
É responsável também pelas lacunas e distorções no conteúdo manifesto.
b) Condensação: o conteúdo manifesto é uma versão abreviada do latente.
Várias representações latentes se condensam em uma única representação manifesta
Ex: uma pessoa no sonho condensa as características de várias outras (aparência de A,
atitudes de B, vestida como C, profissão de D...)
OS SONHOS
c) Deslocamento: opera pela substituição de um elemento latente por um outro mais remoto que faz apenas uma
‘insignificante’ alusão ao conteúdo que ‘realmente importa’.
Há uma substituição das representações devido à censura.
Ex: No caso Anna O. as enfermeiras em seu sonho que na realidade eram mulheres que trabalhavam em um bordel.
d) A figurabilidade/Simbolização: É a elaboração
onírica que se constitui na transformação de
pensamentos em imagens visuais, É a linguagem na
qual se traduz conteúdos latentes em manifestos, muito
embora nem todos os conteúdos sejam traduzidos,
alguns realmente aparecem em forma de conhecimento
ou pensamentos.
OS SONHOS
e) Elaboração secundária: consiste na modificação imposta ao sonho, pelo sonhador, a fim de que
apareça sob a forma de uma história coerente e compreensível.
A finalidade é fazer com que o sonho perca sua aparência de absurdo, aproximando-o do pensamento
diurno (é o relato do analisando)
f) Sobredeterminação: designa o fato de uma formação do inconsciente, seja ela um sonho, um
sintoma ou um ato falho, ter uma multiplicidade de fatores determinantes.
O sentido de uma formação do inconsciente nunca se esgota numa única interpretação.
Não há interpretação ‘definitiva’. Pode haver várias interpretações ‘completas’ sem que uma
exclua o valor da outra
OS SONHOS
• Pesadelos: É também a realização de um desejo. Causa prazer ao inconsciente e desprazer à
consciência.
“A ansiedade que os acompanha é uma das
reações do ego contra desejos reprimidos
violentos, e daí perfeitamente explicável a
presença dela no sonho, quando a
elaboração deste se pôs excessivamente a
serviço da satisfação daqueles desejos
reprimidos” (p.49)