EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE
DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Processo Originário: 0804740-28.2024.8.19.0064
Paciente: KAIQUE FONTES DELFINO
CARLOS ALBERTO SAMPAIO BRITES PINHEIRO, brasileiro, solteiro,
advogado, inscrito na OAB/RJ sob o número 204.942, inscrito no CPF sob o número
114.304.817-22, com escritório profissional na cidade de Valença – RJ, na Rua
Coronel João Rufino, 11, oitavo andar, CEP: 276000-000, vem excelência, com fulcro
no artigo 5°, inciso LXVIII, da Constituição Federal, e nos artigos 647 e seguintes do
Código de Processo Penal, impetrar a presente ordem de
HABEAS CORPUS COM PEDIDO LIMINAR
Em favor de KAIQUE FONTES DELFINO, brasileiro, união estável,
operador de máquinas, portador da Cédula de Identidade de n° 296116593, residente e
domiciliado na cidade de Rio das Flores – RJ, na Estrada Valença X Rio das Flores,
7766, Rio das Flores em face do ato coator do Ilustre Juiz de Direito da Central de
Audiências de Custódia da Comarca de Volta Redonda do Estado do Rio de Janeiro,
que, em brave análise, denegou pedido de liberdade provisória do paciente,
convertendo a prisão em flagrante em prisão preventiva, com clara ausência de
fundamentação.
DOS FATOS
O paciente foi preso conforme Auto de Prisão em Flagrante, lhe sendo imputado
o suposto crime de tráfico de drogas, insculpido no artigo 33 da Lei 11.343/2006..
Segundo a narrativa do Auto de Prisão em Flagrante, o comunicante informa em
sede policial , que no dia 21 de janeiro de 2025:
“recebeu denúncia que a motocicleta placa PO-8G89
sairia do Bairro Vadinho Fonseca e passaria em frente a
UPA, onde o condutor KAIQUE FONTES DELFINO,
estaria transportando grande quantidade de drogas para o
Bairro João Dias; QUE diante destas informações foi
montado um cerco estratégico, e quando a moto passou oi
dado ordem de parada para o piloto, nacional (KAIQUE
FONTES DELFINO) e na garupa nacional (APARECIDA
DE FATIMA MEDEIROS) que acataram a ordem, mas
disseram que não tinham nada de ilícito e que estavam
transportando água; QUE em revista pessoal foi
encontrado na mochila da garupa Aparecida de Fátima
duas bolsas contendo grande quantidade de drogas (301
pinos de pó branco e 165 tiras de erva seca) com
estiquetas “VALENÇA CV”; QUE Kaique e Aparecida
QUE não disseram quem lhes entregou a droga; QUE
disseram quem lhes entregou a droga; QUE disseram que
o entorpecente seria entregue a Cleiton mas não
forneceram sua qualificação e endereço; QUE Kaique
disse para o declarante que há 05 anos utiliza sua
motocicleta para realizar transporte de drogas na cidade
cobrando R$ 700,00 por viagem; QUE a droga possuía
etiquetas da facção Comando Vermelho, e atualmente na
cidade de Valença existe uma disputa territorial entre as
facções CV e TCP, QUE membros da facção CV estão
realizando ataques a integrantes da facção TCP, o que vem
ocasionando vários homicídios na cidade; QUE diante dos
fatos narrados conduziu Kaique e Aparecida a esta UPA
para apreciação do fato pela Autoridade Policial..”
Segundo o apresentado no Auto de Prisão em Flagrante, pelos policiais
militares, foram encontrados 451,5 (quatrocentos e cinquenta e um gramas e cinco
decigramas) de. Cloridrato de cocaína e 898,0g (oitocentos e noventa e oito gramas) de
maconha
PRELIMINARMENTE
DO PRINCÍPIO DA HOMEGENEIDADE
Nobres julgadores, o paciente é primário, de bons antecedentes, não se dedica as
atividades criminosas, nem integra organização criminosa, ou seja, em eventual
condenação, será imputado ao paciente a figura doo tráfico privilegiado insculpido no
artigo 33, § 4° da Lei 11,343/2006.
A súmula vinculante 59 esclarece que é impositiva a fixação do regime aberto e
a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos quando
reconhecido a figura do tráfico privilegiado (art. 33, § 4°, da Lei 11.343/2006) e
ausentes vetores negativos na primeira fase da dosimetria (art. 59 do Código Penal),
observados os requisitos do artigo 33, § 2°, alínea c, e do artigo 44, ambos do Código
Penal.
Outrossim, novamente em eventual condenação, o paciente não seria privado de
liberdade, como está atualmente.
Nesse sentido, requer a Revogação da Prisão Preventiva, em observância à
Súmula Vinculante n° 59, colocando-o paciente em imediata liberdade.
AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DA CONVERSÃO DA PRISÃO EM
FLAGRANTE EM PRISÃO PREVENTIVA.
Nobres julgadores, a decisão de juiz a quo quanto a conversão da prisão em
flagrante em prisão preventiva foi deveras ausente de fundamente, eis que segue o
aduzido:
“2-) No mais, mostra-se imperiosa a decretação da prisão
preventiva dos flagranteados, uma vez que estão presentes
os pressupostos da prisão preventiva previstos no artigo
312, do Código de Processo Penal. Com efeito a prisão
preventiva se justifica para garantir a ordem público, para
a conveniência da instrução criminal e para assegurar a
aplicação da lei Penal, havendo elementos informativos que
demonstrem a existência do delito descrito nos autos e
indícios suficientes de autoria por parte dos flagranteados
(vide depoimentos colhidos em sede policial),”
Com efeito, a Folha de Antecedentes Criminais, acostada
nesta oportunidade atesta que os flagranteados tem
reiterado na prática criminosa; e a jurisprudência já
sedimento u o entendimento de que a reiteração na prática
criminosa é motivo suficiente para constitui gravame à
ordem pública,justificando a decretação da prisão
preventiva.
Frise-se, ainda, que foi encontrado com os flgranteados
considerável quantidade de entorpecente (451,50 gramas
de Cocaína (pó) e 898 gramas de maconha); o que denota
uma maior reprovabilidade de sua conduta e distância de
eventual aplicação da minorante prevista no artigo 33, § 4°
da Lei 11.343/2006.
Ainda, a prisão dos flgranteados merece ser mantida para a
conveniência da instrução criminal, diante do fato que as
testemunhas/vítimas, por certo, sentir-se-ão amedrontadas
em prestar depoimento estando este em liberdade. Ademais,
é necessário para a conveniência de todo processo, que a
instrução criminal seja realizada de maneira lisa
equilibrada e imparcial, na busca da verdade real,
interesse maior não somente da acusação, mas, sobretudo,
dos flagranteados.
Por fim, a segregação preventiva também se justifica pelo
fato de não haver qualquer comprovação de que os
flagranteados exerça atividade laborativa lícita e que
possua residência fixa, o que demonstra que a concessão da
liberdade provisória em favor deste, neste momento, irá
cabalmente de encontro à segurança de aplicação da Lei
Penal e à própria efetividade da ação penal a ser
deflagrada. Há que se garantir a finalidade útil do processo
penal, que é proporcionar ao Estado o exercício do seu
direito de punir, aplicando a sanção devida a quem é
considerado autor de infração penal.
Registre-se, ainda, que as medidas cautelares previstas no
artigo 319, do Código de Processo Penal não se mostram
adequadas e suficientes no caso em exame. Ante o exposto,
CONVERTO a prisão em flagrante em preventiva dos
custodiados, com fundamento no artigo 312, caput, do
Código de Processo Penal.”
Além de não existir fundamentação, não há requisitos legais para a manutenção
da prisão preventiva, pois o fato do crime ser supostamente grave não é motivo
suficiente para decretação da prisão preventiva, de acordo com o artigo 312 do Código
de Processo Penal.
Nesse sentido, requer a revogação da prisão preventiva pela ausência de
fundamentação da decisão de conversão em prisão em flagrante, diante da
fundamentação genérica da prisão.
DO DIREITO
QUANTIDADE DE DROGA POR SI SÓ E ALHEIOS A OUTROS
ELEMENTOS QUE DEMONSTREM A PERICULOSIDADE DO AGENTE,
NÃO SE MOSTRAM SUFICIENTES A EXIGIR UM DECRETO PRISIONAL
Como se verifica pela decisão coatora em anexo, o decreto prisional pautou-se
em dum único elemento para determinar a necessidade da segregação cautelar do
paciente, qual seja, a quantidade de droga apreendida.
Em contrapartida, vale salientar que o paciente é primário, possuidor de uma
única anotação criminal, a qual efetuou a transação penal, sendo extinta sua
punibilidade, como se denota da FAC esclarecida, residência fixa e trabalho lícito,
possuindo, portanto, predicados pessoais extremamente favoráveis.
De tal ponto, sabe-se que a prisão preventiva é medida essencialmente cautelar,
que objetiva exclusivamente a tutela do processo, mediante o preenchimento dos
requisitos dispostos no Art. 312 do Código de Processo Penal.
Além disso; o crime em apuração não possui a figura de violência ou grave
ameaço em seus elementos do tipo, não existindo elemento hábil para atestar eventual
periculosidade do agente a partir disso.
Portanto, mostra-se temerário e severo presumir que um agente primário, sem
qualquer outra passagem análoga em sua vida pretérita, causa perigo à ordem pública
em detrimento de um único fato, que não foi praticado mediante conduta violenta.
Ademais, os argumentos utilizados para segregar cautelarmente o paciente se
revelam uma confusão com o próprio mérito de eventual persecução penal, isto é,
questões inerentes a quantidade de droga, confunde-se não só com o mérito da ação,
mas igualmente com os elementos inerentes ao tipo penal, fugindo de eventual, mas
igualmente com os elementos inerentes ao tipo penal, fugindo de eventual questão
exacerbada, para além da figura típica, que demonstre a insubstituível necessidade da
prisão.
Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu pela invalidade da
utilização da quantidade de entorpecente como elemento preponderante para eventual
decreto prisional:
“DIREITO PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS.
PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTO INIDÔNEO.
PACIENTE PRIMÁRIO. PEQUENA QUANTIDADE DE
DROGAS. REVOGAÇÃO. ORDEM CONCEDIDA, COM
APLICAÇÃO DE OUTRAS MEDIDAS CAUTELARES. i.
Caso em exame 1. Habeas corpus impetrado visando à
revogação da prisão preventiva de paciente preso em
flagrante por tr0áfico de drogas, com base no art. 33,
caput, da Lei n° 11.343/06. A defesa alega ausência dos
requisitos para manutenção da custódia preventiva. II
Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste
na análise da legalidade e necessidade da manutenção da
prisão preventiva do paciente, considerando a quantidade
de drogas apreendidas e a primariedade do réu. III.
Razões de decidir. 3. A prisão preventiva deve ser medida
excepcional, aplicável apenas quando não for possível a
substituição por medidas cautelares alternativas.. 4. A
quantidade de drogas apreendidas e a primariedade do
paciente não justificam a manutenção da prisão
preventiva. 5. A decisão de manter a prisão preventiva
deve estar fundamentada em elementos concretos que
demonstrem a periculosidade do agente e a probabilidade
de reiteração delitiva. 6. A aplicação de medidas
cautelares alternativas é preferível e suficiente para
garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal. IV.
Dispositivo 7. Ordem concedida para revogar a prisão
preventiva do paciente, com aplicação de medidas
cautelares diversas” (HC n. 928.749/SP, relatora Ministra
Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 1/10/2024,
Dje de 4/10/2024.
Ainda, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, já decidiu no mesmo
sentido no precedente do Superior Tribunal de Justiça, quanto a possibilidade de
substituição de prisão preventiva, mesmo em caso de expressa quantidade de
entorpecentes apreendidos:
“Habeas Corpus. A impetrante pleiteou a revogação da
prisão preventiva. Liminar deferida para substituir o
encarceramento por outras medidas cautelares previstas no
artigo 319 de CPP. Parecer da Procuradoria de Justiça
pela denegação da ordem, cassando-se a liminar deferida.
1. Consta dos autos que o paciente foi preso em flagrante
em 14/06/2024, por infração, em tese, ao artigo 33, da Lei
11.343/2006, sendo a prisão convertida em preventiva na
audiência de custódia realizada no dia 16/01/2024. 2.
Infere-se dos autos que, apesar de a conduta praticada, em
tese, por ele, ser nociva a sociedade, a custódia cautelar
deve observar o princípio da homogeneidade, não podendo
configurar medida mais severa que a eventual reprimenda
condenatória. 3. Na persente hipótese, segundo se colhe da
denúncia, no momento da prisão em flagrante houve a
apreensão de 519g (quinhentos e dezenove gramas) de
maconha e 51g (cinquenta e um gramas) de Cocaína. Não
obstante a relevante quantidade de drogas, observo que ele
é primário e sem maus antecedentes e os crimes não
envolvem violência ou grave ameaça. Assim, mostra-se
viável a incidência do princípio da homogeneidade uma vez
que subsiste a possibilidade de que não seja lançado ao
cárcere, caso venha a ser formalmente reconhecida a sua
culpabilidade. 4. Ademais, não há dados concretos
indicado que ele possa opor obstáculos à aplicação da lei,
a higidez processual ou à garantia de ordem pública. Em
tais circunstâncias, não se justifica que fique preso quando
ainda se apura se será ou não condenado. 5. Assim, a
despeito da infração grave e consideradas as
circunstâncias do evento, a ordem deve ser parcialmente
concedida para substituir a prisão preventiva por medias
cautelares não prisionais, consolidando-se a liminar.
(00059320-39.2024.8.19.0000 – HABEAS CORPUS. Des.
(a). CAIRO ÍTALO FRANÇA DAVID – Julgamento:
12/09/2024 – QUINTA CÂMARA CRIMINAL)
Portanto, novamente uma única conduta delitiva, sem violência ou grave
ameaça, não se mostra possível de auferir como aspecto conclusivo eventual
periculosidade do agente.
Ademais, no que tange o aspecto do tráfico interestadual como fundamento do
decreto prisional, não se revela adequado como elemento hábil para auferir eventual
periculosidade do agente, ao passo que assemelha aos elementos abstratos do próprio
tipo penal, especificamente no verbo nuclear do tipo relacionado ao “transporte” de
entorpecentes.
Não obstante, a despeito dos apontamentos realizados na origem, não há, na
decisão coatora, circunstância proporcional e apta para se utilizar da cautela mais
externa, demonstrando que a prisão outrora decretada seria o único meio de resguardo
da ordem pública, principalmente quando trata-se de paciente primário e com bons
antecedentes, devendo sempre prevalecer a utilização de cautelares diversas.
Ainda, no que tange pequenas especificações ao caso concreto, sem qualquer
incursão no mérito da causa, o que é possível extrair do inquérito policial é que o
paciente exerceu a função conhecida como “mula”, sendo abordado e seduzido
financeiramente para o transporte dos ilícitos, sem, no entanto, possuir vínculo com
eventual organização criminosa ou utilizar do crime como meio de vida.
Ainda, pela dinâmica factual desenhada na origem, não há quaisquer elementos
que demonstrem uma eventualidade de transporte complexo de entorpecentes, pelo
contrário, quando abordado o paciente, por iniciativa própria já indicou o local que o
ilícito estaria.
Em caso de clarividente semelhança, O C. STJ no HC n. 698.901/SP, já decidiu
pela possibilidade de substituição da segregação cautelar por medidas diversas:
“HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. PRISÃO
PREVENTIVA. PERICULUM LIBERTATIS.
SUFICIÊNCIA DE CAUTELARES DIVERSAS. ORDEM
CONCEDIDA. 1. A prisão preventiva é compatível com a
presunção de não culpabilidade do acusado desde que não
assuma natureza de antecipação da pena e não decorra,
automaticamente, do caráter abstrato do crime ou do ato
processual praticado (art. 312, § 2°, CPP). Além disso, a
decisão judicial deve apoiar-se em motivos e fundamentos
concretos, relativos a fatos novos ou contemporâneos, dos
quais se possa extrair o perigo que a liberdade plena do
investigado ou réu representa para os meios ou os fins do
processo penal (arts. 312 e 315 do CPP). 2. Deve, ainda,
ficar concretamente evidenciado, na forma do art. 282, §
6°, do CPP, que, presentes os motivos que autorizam a
segregação provisória, não é suficiente e adequada a sua
substituição por outras medidas cautelares menos
invasivas à liberdade. 3. Embora as circunstâncias
mencionadas pelo Juízo de primeira instância apreensão
de 1kg de cocaína revelem a necessidade de algum
acautelamento da ordem pública, não justificam, em face
das especificidades do caso concreto, a necessidade de
manter o rigor da medida extrema, sobretudo porque o réu
tem 36 anos, é primário, tem 36, não ostenta outros
registros criminais e a conduta em tese perpetrada não se
deu mediante violência ou grave ameaça. Ademais, a
narrativa do édito prisional assemelha-se à figura da
“mula’ e, como não há notícias de que o transporte da
droga foi realizado por meio de logística complexa, não há
sinais de que o paciente integra organização criminosa ou,
ainda, exerça a prática ilícita de forma habitual. 4. Desse
modo, à luz do princípio da proporcionalidade e das
alternativas fornecidas pela Lei n. 12.403/2011, julgo ser
suficiente e adequado, para atender às exigências
cautelares do art. 282 do CPP, impor ao paciente sem
prejuízo de mais acurada avaliação do juízo monocrático
as medidas positivadas no art. 319, I, IV e IX, do CPP. 5.
Ordem concedida para substituir a custódia provisória do
paciente por medidas cautelares alternativas.” (STJ – HC,
698901 SP 2021/0322079-8, Relator: Ministro ROGERIO
SCHIETTI CRUZ, Data de Julgamento: 16/11/2021, T6 –
SEXTA TURMA , Data da Publicação: DJe 22/11/2021
Desta feita, levado em conta as circunstâncias da prisão, o comportamento do
paciente no momento da abordagem, seus predicados pessoais favoráveis e a
impossibilidade de utilização da quantidade de droga, por si só, como fundamento
idôneo para o decreto prisional, revela-se a necessidade e possibilidade da substituição
da prisão preventiva por medidas cautelares diversas, em homenagem a
proporcionalidade e subsidiariedade da prisão preventiva, como previsto no artigo 282,
§ 6° do Código de Processo Penal.
MEDIDA LIMINAR
O caso em espécie revela a necessidade de concessão da medida liminar em
favor do paciente, ante o preenchimento dos requisitos necessários para uma prestação
jurisdicional mais célere e efetiva.
Quanto ao preenchimento dos requisitos para a concessão da tutela, o fumus
boni iuris encontra-se desenhado a partir da evidência contida nos autos e amparo pela
jurisprudência dos tribunais superiores, revelando a possibilidade de substituição da
prisão preventiva outrora decretada por medidas cautelares diversas. Quanto ao
periculum in mora, este é clarividente, ao passo que cada dia mais de duração em uma
prestação jurisdicional, é um dia mais no cárcere de maneira indevida, havendo
necessidade de uma prestação jurisdicional célere objetivando cessar a ilegalidade
existente nos autos.
De tal maneira, encontra-se devidamente ilustrado o preenchimento dos
requisitos para a concessão da medida liminar, pelo exposto, requer-se a concessão da
medida liminar, com a finalidade de substituir a prisão preventiva outrora decretada por
medidas cautelares diversas da prisão.
DOS PEDIDOS
a) Preliminarmente a concessão da medida liminar, para que seja revogada a prisão
preventiva do paciente, em observância as duas preliminares atacadas pela defesa
técnica, seja relacionada à Súmula Vinculante n° 59, diante da grave violação a essa,
seja pela ausência de fundamentação da conversão da prisão em flagrante em prisão
preventiva exposto no ato coator do juiz a quo, sendo aplicadas as medidas cautelares
previstas no artigo 319 do Código de Processo Penal, podendo ocorrer o
comparecimento até quinzenal caso essa nobre corte entenda;
b) No caso desta Nobre Corte não entender pelas preliminares atacadas pela defesa
técnica, requer seja analisada minuciosamente os fatos narrados ao caso concreto
conforme relatado nesta peça, bem como todo contexto fático apresentado no que tange
a simples atitude suspeita informada pelos policiais militares, bem como as
qualificações pessoais do Paciente, sendo concedido assim a revogação da prisão do
paciente com aplicação das medidas cautelares diversas da prisão;
c) Que, ao final, a ordem de Habeas Corpus seja concedida de forma definitiva, para
que o Paciente aguarde me liberdade o desenrolar processual, podendo ser imposta uma
das medidas cautelares diversas da prisão taxadas no artigo 319 do Código de Processo
Penal, caso os dignos julgadores assim entendam, não se opondo a defesa técnica ao
comparecimento em juízo até mesmo de forma quinzenal.
Nestes termos,
Pede deferimento.
Valença -RJ 27 de janeiro de 2025
Carlos Alberto Sampaio Brites Pinheiro
OAB/RJ 204.942