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Resenha 05

O texto analisa a teoria de Thomas Kuhn sobre o progresso científico, que propõe que a ciência avança por meio de períodos de estabilidade e revoluções paradigmáticas, desafiando a visão linear do conhecimento. Kuhn introduz conceitos como paradigmas, ciência normal e crise científica, enfatizando a incomensurabilidade entre paradigmas rivais e o papel do conhecimento tácito. Apesar das críticas à sua teoria, que questionam a objetividade da ciência e a clareza do conceito de paradigma, a obra de Kuhn continua a ser uma contribuição fundamental para a filosofia da ciência.

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Resenha 05

O texto analisa a teoria de Thomas Kuhn sobre o progresso científico, que propõe que a ciência avança por meio de períodos de estabilidade e revoluções paradigmáticas, desafiando a visão linear do conhecimento. Kuhn introduz conceitos como paradigmas, ciência normal e crise científica, enfatizando a incomensurabilidade entre paradigmas rivais e o papel do conhecimento tácito. Apesar das críticas à sua teoria, que questionam a objetividade da ciência e a clareza do conceito de paradigma, a obra de Kuhn continua a ser uma contribuição fundamental para a filosofia da ciência.

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Resenha Crítica: Capítulo 8 – "Teorias como Estruturas: Os Paradigmas de Kuhn"

No texto O que é Ciência, afinal?, Alan Chalmers apresenta a teoria de Thomas Kuhn,
discutindo como ele descreveu o progresso científico em seu livro A Estrutura das
Revoluções Científicas (1962). Kuhn revolucionou a filosofia da ciência ao sugerir que o
avanço científico não é contínuo e acumulativo, como defendiam outras teorias, como o
indutivismo e o falseacionismo. Em vez disso, Kuhn argumenta que a ciência passa por
períodos de estabilidade (chamados de ciência normal) e rupturas radicais (as revoluções
científicas) que ocorrem quando um novo paradigma substitui o antigo. Chalmers explica as
principais ideias de Kuhn, detalhando sua teoria sobre a natureza dos paradigmas, a crise
científica e as revoluções, além de destacar as críticas que sua teoria enfrentou.
Kuhn introduziu o conceito de paradigma, um termo que, embora seja amplamente
utilizado, não é fácil de definir de forma precisa. Segundo Kuhn, um paradigma é um
conjunto de teorias, métodos e regras que orientam a prática científica de uma comunidade.
Quando uma comunidade científica adota um paradigma, ela passa a ter um conjunto comum
de ideias e princípios que orientam o que deve ser investigado e como isso deve ser feito.
Kuhn define a ciência normal como a fase da ciência em que a comunidade científica está
imersa em um paradigma comum, resolvendo problemas que estão dentro do escopo definido
por esse paradigma. Durante esse período, os cientistas não questionam os fundamentos do
paradigma, mas se concentram em aplicar suas teorias e métodos para resolver os problemas
científicos que surgem.
Esse período de ciência normal é caracterizado pela resolução de problemas
conhecidos dentro das regras do paradigma, o que Kuhn chama de "resolver charadas". No
entanto, os paradigmas não são infalíveis. Com o tempo, surgem anomalias, problemas ou
fenômenos que não podem ser explicados adequadamente dentro do paradigma vigente.
Quando essas anomalias se acumulam, elas começam a desafiar o paradigma e colocam em
questão a sua validade. No início, essas anomalias são tratadas como problemas a serem
resolvidos sem a necessidade de mudar o paradigma. No entanto, à medida que as anomalias
se tornam mais frequentes e mais graves, começa a se formar uma crise científica.
A crise ocorre quando o paradigma não consegue mais lidar com as novas descobertas
e questões que surgem. Essa crise coloca em dúvida as fundamentações do paradigma e,
muitas vezes, leva à busca por novas soluções. No momento da crise, um novo paradigma
pode surgir, oferecendo uma maneira completamente nova de entender e explicar os
fenômenos científicos. Kuhn descreve a transição de um paradigma para outro como uma
revolução científica, uma mudança radical e profunda na maneira como a ciência entende a
realidade. O novo paradigma substitui o antigo, e a ciência inicia um novo ciclo de ciência
normal com as novas regras, princípios e métodos estabelecidos pelo novo paradigma.
Chalmers explica que uma das ideias mais controversas de Kuhn é a
incomensurabilidade dos paradigmas. O conceito de incomensurabilidade significa que
paradigmas rivais não podem ser comparados diretamente, porque possuem diferentes
linguagens, critérios de validação e conceitos fundamentais. Quando um novo paradigma
substitui o antigo, não se trata de uma simples melhoria ou refinamento da teoria anterior. Na
verdade, é uma mudança radical em como os cientistas veem o mundo, e isso torna difícil ou
impossível fazer uma comparação direta entre os dois paradigmas. Portanto, a mudança de
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paradigma não ocorre por uma avaliação puramente racional e objetiva. Em vez disso, Kuhn
argumenta que ela envolve também fatores sociológicos e psicológicos.
Chalmers destaca que a incomensurabilidade pode levar ao que Kuhn chama de uma
"conversão científica", na qual os cientistas não apenas adotam novas ideias, mas começam a
ver o mundo de uma maneira completamente diferente. Esse processo é comparado a uma
conversão religiosa, onde a mudança de crença não é baseada apenas em argumentos lógicos,
mas em um tipo de transformação psicológica e sociológica. Isso implica que, embora haja
argumentos e evidências, a escolha entre paradigmas rivais muitas vezes é mais influenciada
por valores e necessidades sociais do que pela lógica pura ou pela evidência empírica.
Outro ponto importante que Chalmers destaca é a ênfase de Kuhn no conhecimento
tácito. Kuhn argumenta que grande parte do conhecimento adquirido pelos cientistas dentro
de um paradigma é implícito e aprendido por meio da prática. Os cientistas não são sempre
capazes de articular completamente as bases teóricas que sustentam seu trabalho, pois grande
parte do que eles sabem é absorvido durante a experiência prática. Isso significa que o
conhecimento científico não é apenas uma questão de raciocínio lógico ou análise explícita de
dados, mas também de aprendizado prático dentro do contexto de um paradigma. Esse tipo de
aprendizado é fundamental para a prática científica, mas também cria uma barreira à
autocrítica do paradigma vigente.
Kuhn introduziu o conceito de paradigma de maneira a explicar como a ciência se
organiza e como os cientistas colaboram dentro de uma estrutura comum, sem questionar suas
bases fundamentais durante o período de ciência normal. Isso ajudou a entender a ciência
como um processo profundamente social, em que os cientistas não apenas buscam respostas,
mas também formam uma comunidade com um conjunto comum de valores e princípios.
Além disso, Kuhn introduziu a ideia de crise científica, explicando como o acúmulo de
anomalias pode levar à perda de confiança no paradigma vigente e à emergência de um novo.
Este processo, chamado de revolução científica, foi uma grande inovação na filosofia da
ciência, pois Kuhn mostrou que a mudança no conhecimento científico ocorre de forma
radical e descontínua, e não por um progresso linear e cumulativo. A ideia de que um novo
paradigma não é apenas uma versão melhor do anterior, mas sim uma mudança completa na
forma de ver o mundo, trouxe um novo entendimento sobre a dinâmica da ciência.
Outro ponto positivo é a ênfase de Kuhn no conhecimento tácito, que destaca a
importância da experiência prática na formação do conhecimento científico. Isso desafia
visões mais racionais e lógicas do conhecimento, ressaltando a natureza empírica e prática da
ciência.
Apesar das inovações, a teoria de Kuhn enfrenta várias críticas. Uma das maiores é o
relativismo epistemológico que Kuhn introduz com a ideia de que paradigmas são
incomensuráveis. Isso levanta questões sobre a objetividade da ciência. Se a escolha entre
paradigmas depende de fatores sociais e culturais, a ciência poderia ser vista como um
processo subjetivo, influenciado por fatores externos, em vez de ser uma busca objetiva pela
verdade. Além disso, Kuhn é criticado por não dar ênfase suficiente ao raciocínio lógico e à
crítica interna no processo de mudança de paradigma. Embora a mudança de paradigma seja
influenciada por fatores sociais e psicológicos, ela também é impulsionada por novas
descobertas e pela aplicação racional de novas ideias. A crítica é que Kuhn minimiza a
importância do raciocínio lógico e da evidência empírica na evolução das ideias científicas, o
que, para muitos críticos, diminui a credibilidade da teoria.
Outro problema é a falta de clareza na definição de paradigma. Como Chalmers
observa, Kuhn usa o termo de forma ampla e, muitas vezes, vaga, o que torna a teoria difícil
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de aplicar em contextos mais complexos ou em áreas da ciência em que não há um paradigma


dominante claro. Essa flexibilidade do conceito de paradigma é uma vantagem em alguns
casos, mas também cria problemas, especialmente em áreas como as ciências sociais, onde os
paradigmas são muitas vezes fluidos e multifacetados.
Conclusão
Apesar das limitações, a teoria de Kuhn continua sendo uma das contribuições mais
influentes para a filosofia da ciência. A ideia de que a ciência não segue um progresso linear,
mas é composta de mudanças revolucionárias e descontinuidades, abriu novas perspectivas
sobre como o conhecimento científico se desenvolve. Kuhn nos ajuda a entender que a ciência
é mais do que um simples processo de acúmulo de fatos; ela é, na verdade, um processo social
e cultural complexo, onde o conhecimento é constantemente moldado por fatores internos e
externos. A teoria de Kuhn, com suas críticas à objetividade e ao progresso cumulativo,
também nos convida a reconsiderar o papel dos valores sociais e históricos na formação das
teorias científicas.
Chalmers explica essas ideias de forma clara, balanceando tanto os aspectos
inovadores da teoria de Kuhn quanto as críticas que ela recebeu. Sua análise nos oferece uma
compreensão mais rica da ciência e do conhecimento científico, mostrando que ele é tanto
uma construção social quanto uma busca racional pela verdade. Mesmo com suas críticas, a
teoria de Kuhn continua a fornecer uma ferramenta essencial para entender a dinâmica da
ciência e as mudanças paradigmáticas que transformam o nosso entendimento do mundo.

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