Revista Diálogos em Saúde – ISSN 2596-206X Página 119
Volume 3 - Número 1 - jan/jun de 2020
QUARENTENA E AULAS REMOTAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE
UNIVERSITÁRIOS DA SAÚDE
Maria da Penha de Lima Coutinho - UNIESP/UFPB, Fabrycianne Gonçalves Costa -
UNIESP, Jaqueline Gomes Cavalcanti Sá - UNIESP, Márcio de Lima Coutinho -
UNIESP
RESUMO
Objetivou-se nesta pesquisa apreender as Representações Sociais dos universitários de
saúde acerca da quarentena e aulas remotas. Para isso contou-se com a participação de
200 participantes os quais foram submetidos a um questionário sociodemográfico e a
Técnica de Associação Livre de Palavras, ambos aplicados de forma online. Os dados
foram processados pelo software IRaMuTeQ, e posteriormente analisadas por dois tipos
de análises: a de similitude. Os resultados apontaram que os participantes ancoraram a
quarentena em uma perspectiva psicoemocional e comportamental, ao relacionarem a
quarentena a um período de solidão, distanciamento necessário, emergem sentimentos de
tristeza, ansiedade, estresse e medo, como resultantes desse período de confinamento
necessário para a proteção. Por sua vez, os estudantes ancoraram o termo "aulas remotas"
a novas adaptações tecnológicas, objetivado na ambivalência causada por essa nova
modalidade de ensino, em que por um lado se apresenta como necessária, porém, por
outro, como dificultosa e complexa. Espera-se que os resultados desta pesquisa
corroborem para uma maior discussão sobre os impactos causadados pela quarentena, e
por conseguinte, elaboração de estratégias de enfrentamento, como também, para a
discussão em torno do uso de novas formas de ensino mediados pela tecnologia.
Palavras-chave: quarentena; aulas remotas; coronavírus; universitários.
ABSTRACT
The objective of this research was to learn as Social Representations of the University of
Health about quarantine and remote classes. For this, there was the participation of 200
participants, who were asked about a sociodemographic questionnaire and a technique
from the Associação Livre de Palavras, both applied online. The data were processed by
the IRaMuTeQ software, and later analyzed by two types of analysis: a similarity. The
results pointed out to participants anchored in quarantine in a psycho-emotional and
behavioral perspective, relate to quarantine in a period of loneliness, necessary distance,
feelings of sadness, anxiety, stress and fear emerging, how to use the same period of
confinement for a protection. In turn, students anchor the term "remote classes" to new
technological adaptations, aimed at ambivalence, which are applied by this new teaching
modality, and why one side is presented as reproduced, however, on the other, as difficult
and complex. It is hoped that the results of this research will be corroborated for a greater
discussion about impacts caused by quarantine, and for estimates, elaboration of coping
strategies, as well as for a discussion around the use of new forms of teaching mediated
by technology
Keywords: quarantine; remote classes; coronavirus; college students
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INTRODUÇÃO
Jamais se viu em toda a história da humanidade uma catástrofe tão grande como
a da coronavírus, doença COVID-19 (Coronavirus Disease 2019) que é decorrente do
vírus SARS-COV-2 (Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2) (BROOKS et
al., 2020). Ainda de origem e tratamento desconhecido, foi identificada pela primeira vez
por meio da Organização Mundial da Saúde (OMS) na cidade de Wuhan – China, em 31
de dezembro de 2019,
A velocidade da propagação foi vertiginosa e atingiu a todos os continentes do
globo terrestre sem exceção. A difusão por meio dos veículos escrita e falada chegaram
rápida para conscientizar a população que estávamos a frente a uma nova guerra biológica
de um vírus que não se tinha conhecimento de sua origem, e muito menos do seu
tratamento. Daí por diante o medo se instalou em toda humanidade da morte
principalmente das pessoas que tinham outras comorbidade
16 de janeiro, foi notificada sua presença em território japonês; em 21 do mesmo
mês os Estados Unidos reportou seu primeiro caso; em 30 de janeiro, a OMS declarou a
epidemia do Covid-19 como uma emergência internacional (PHEIC). Ao final do mês
de janeiro, diversos países já haviam confirmado a presença de casos, incluindo Estados
Unidos, Canadá e Austrália. No Brasil, em 7 de fevereiro, havia notificação de 9 casos
em investigação, mas sem registros de casos confirmados.
Desse modo, foi reconhecida enquanto um surto emergencial de saúde pública de
importância internacional através da portaria de nº 188/GM/MS, em 04 de fevereiro de
2020, dado a sua transmissão e contágio humano (BAI ET AL., 2020; XU ET AL., 2020).
O referido fenômeno, primeiramente, passou a fazer parte da dinâmica social dos chineses
em meados de dezembro de 2019. Todavia, em poucos meses, o SARS-CoV-2 se
espalhou pelos cinco continentes, sendo identificado em mais de 200 países e levando a
Organização Mundial de Saúde (OMS) a declará-lo como uma emergência de saúde
pública internacional, dado o seu estado pandêmico de contágio (VELAVAN; MAEYER,
2020; XU ET AL., 2020; WHO, 2020), juntamente com a Organização Pan-Americana
da Saúde (OPAS) vêm o prestando apoio técnico ao Brasil e outros países, na preparação
e resposta ao surto de COVID-19.
Medidas de proteção, como lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou
álcool em gel e cobrir a boca com o antebraço quando tossir ou espirrar e, após lavar as
mãos novamente. Outra medida de prevenção foi o uso de máscara, que atualmente em
quase todo mundo vem sendo usada como medida obrigatória. Antes do surgimento do
primeiro caso notificado da doença na América Latina, a OPAS organizou em fevereiro,
junto com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Ministério da Saúde do Brasil,
um treinamento para nove países sobre diagnóstico laboratorial do novo coronavírus.
Participaram da capacitação especialistas da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia,
Equador, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai.
No que tange ao conceito moderno de pandemia, ressalta-se que este se refere à
disseminação de uma nova doença infectocontagiosa, por uma grande área do espaço
geográfico (REZENDE, 1998), sendo um evento estressor que causa danos à saúde, à
economia, à política, às relações externas e ao convívio social como um todo (DUAN &
ZHU, 2020; MACINTYRE, 2019).
Vêm-se observando que nesse curto período, 6 meses, que a pandemia gerada pelo
novo coronavírus já causou danos à saúde, à economia, à política, às relações externas e
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ao convívio social de todo o mundo (AYITTEY, 2020). Em termos operacionais, o
SARS-CoV-2 provoca a COVID-19, que consiste em uma doença causada por uma
grande família de coronavírus, microrganismo que afeta humanos e atua como agente
infeccioso com alto índice de contágio e mortalidade, (VELAVAN; MAEYER, 2020;
WHO, 2020; WU ET AL., 2020). Segundo boletim mais recente (26 de maio de 2020)
das secretarias estaduais de Saúde o Brasil atinge a marca de 394.507 casos do novo
coronavírus (Sars-CoV-2), com 24.593 mortes.
A sua transmissão ocorre de pessoa para pessoa de forma rápida e seu controle
representa um grande desafio (BAI, YAO, WEI, ET. AL., 2020; XU ET AL., 2020). Tem
sido considerada como uma pandemia sem precedentes históricos (CORREIA, RAMOS;
BATHEN, 2020; MAHASE, 2020). Além disso, ela tem também sido comparada a
eventos naturais e catastróficos, como tsunamis, terremotos, guerras e conflitos
internacionais de massa, bem como à peste negra, à gripe espanhola e à AIDS
(CORREIA, RAMOS; BATHEN, 2020; KANIASTY, 2019; MORGANSTEIN;
URSANO, 2020).
É a sexta vez na história da humanidade que uma Emergência de Saúde Pública
de Importância Internacional é declarada, a exemplo de: pandemia de H1N1 (2009);
disseminação internacional de poliovírus (2014); surto de Ebola na África Ocidental
(2014); vírus zika e aumento de casos de microcefalia e outras malformações congênitas
(2016); e surto de ebola na República Democrática do Congo (2018).
Mesmo tendo passado por essas experiência o globo terrestre não estava preparado
para fazer frente o COVID-19, assim, tinham que se preparar com novos conhecimentos
e novas metodologias que pudessem fazer frente ao vírus principalmente por meio de
pesquisas e demandas específicas face a frequente emergência de novos agravos que vem
exigindo por parte dos governantes e órgãos da saúde uma reestruturação na forma de
combate a esse novo coronavírus.. É preciso investir em um novo SINAN, baseado em
tecnologias mais modernas tanto para facilitar a notificação como para permitir a
disseminação e análise de dados de uma maneira mais célere, aderente aos princípios da
epidemiologia de precisão, incluindo diagnóstico, assistência, prevenção e promoção da
saúde.
Diariamente temos acompanhado noticiários advindos de todo mundo,
informando do alarmante número de mortes, causadas pelo novo coronavírus. Outrossim,
vimos que em um mês de existência, o novo vírus já era mencionado em 37 publicações
no PubMed, com análises descritivas dos primeiros casos, análises de sequências
genômicas e aspectos clínicos. Entretanto, vale registrar comunicação de especialistas
que não pode ficar restrita ao ambiente acadêmico e profissionais da área, faz-se
necessário maior difusão. Diante do cenário mencionado, é importante que a população
tenha informações confiáveis sobre este vírus.
A mídia é um canal de informação relevante para a divulgação de notícias com
conteúdo corroborado, a fim de combater informações falsas (fake news). O papel da
ciência, diante da pandemia, é essencial na medida em que fornece a base para a tomada
de decisão no nível governamental, o desenvolvimento de vacinas, assim como tem
potencial para orientar os investimentos feitos nos países, o que gera um impacto em
todos os setores. Além disso, o compartilhamento rápido de informações científicas é uma
maneira eficaz de evitar o temor que a Covid-19 vem causando pode causar. Desta
forma, os estudos científicos resultantes de projetos de pesquisa são uma fonte de consulta
para a preparação de notícias que procuram disseminar os progressos científicos para a
sociedade. Resumindo: a informação sobre ciência contribui com a tomada de decisão
para o bem-estar pessoal e coletivo numa sociedade democrática. A emergência de novas
doenças traz impactos muito além dos casos e mortes que geram. Elas criam também um
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contexto ideal que impõe aos sistemas nacionais de saúde pública a tarefa de validar seu
sistema de vigilância e assistência em saúde quanto à oportunidade de detecção precoce
e ao poder de resposta que vem em cascata. Considerando-se as premissas expostas,
assim como, reconhecendo-se a necessidade de estudos que subsidiem estratégias
interventivas para promoção da saúde mental da sociedade e, em especial, de estudantes
universitários no contexto da saúde, o presente estudo tem por objetivo apreender as
Representações Sociais dos universitários da saúde acerca da quarentena e aulas remotas.
Para tal compreensão, este estudo utlizar-se-á ao aporte teórico das
Representações Sociais (RS), dado a relevância e espessura social dos objetos sociais
anteriormente mencionados . E também por essa teoria ser uma modalidade particular de
conhecimento, cuja função é a elaboração dos comportamentos e a comunicaçãoo entre
as pessoas, considerada como uma das atividades psquicas graças as quais os homens
fazem intelegível a realidade física e social na interação de um grupo de pertança por
meio das quais fazem intelegível a realidade física e social (MOSCOVICI, 2017).
Para Jodelet (2001) as RS uma das maiores estudiosas e propagadora da teoris tem
afirmado que o campo da representação designa o saber de sentidocomum, cujos
conteúdos se manifesta pela operação de certos processos generativos e funcionais com
caráter social, Portanto as RS fazem alusão a uma forma de pensamento social.
Por lado, justifica-se a utilização deste aporte teórico, uma vez que se entende
que o novo coronavírus, bem como a saúde mental de discentes universitários neste
momento histórico podem ser apreendidos a partir da relação entre dois universos nos
quais os conhecimentos são contruídos e compartilhados: o universo consensual e o
reificado (MOSCOVICI, 2017). Faz-se importante destacar que para Moscovici (2017)
as RS constroem-se mais frequentemente na esfera consensual, embora as duas esferas
anteriormente mencionadas não sejam antagônicas. Assim, a RS são conhecimentos do
senso comum, acessíveis a todos, enquanto que o universo reificado (ou científico) se
cristaliza no espaço científico, com seus cânones de linguagem e sua hierarquia interna.
Ademais, Moscovici (2017) afirma que em um universo consensual, a sociedade
é vista como um grupo de pessoas que são livres e iguais, enquanto num universo
reificado a sociedade é percebida como um sistema de diferentes papéis e classes. Dessa
maneira, o autor destaca que os indivíduos, estejam onde estiverem, verificam, analisam,
constroem percepções espontâneas, não oficiais, que são geradoras de um impacto efetivo
no manuseio de suas relações sociais, constituindo, assim, processos que alimentam o seu
pensamento em face a um objeto social.
Considera-se, desse modo, que as representações sociais estão ancoradas no
campo da situação concreta orientando as ações individuais (MOSCOVICI, 2017). Além
disto, por serem construídas sobre o viés simbólico, tais representações apontam opiniões,
crenças e valores incorporados nas práticas das diversas situações vivenciadas pelas
pessoas face à experiências sociais (COSTA; COUTINHO, 2017). Nesse sentido,
apreender e analisar quais as representações que perpassam o imaginário de estudantes
universitários acerca do novo coronavírus, bem como sua saúde mental neste momento
pandêmico torna-se imprescindível, pois tais representações podem apontar para
comportamentos destes atores sociais e, assim, subsidiar estratégias que visem promover
sua qualidade de vida e saúde mental.
MÉTODO
Tipo de estudo
Trata-se de uma pesquisa mista, quantitativa e qualitativa, de abordagem
exploratória e descritiva, com corte transversal, e amostra não probabilística, apreendida
por conveniência. Destaca-se que este estudo se subsidia em uma abordagem
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psicossociológica, nomeadamente, a Teoria das Representações Sociais (MOSCOVICI,
2017).
Participantes
Participaram deste estudo 200 universitários da área da saúde, sendo 44%
graduandos de Psicologia, 40,5% de nutrição, 9,5% de odontologia e 6,0% de fisioterapia,
com idades entre 18 a 62 anos (M= 32,27; DP= 7,02), sendo a maioria mulheres (83,5%).
No que tange ao contato com o coronavírus 99.5% dos participantes relataram não terem
contraido a doença, no entanto, 16,5% relatou que algum parente próximo teve covid-19.
Quando perguntado sobre a rotina no período de quarentena, 60% dos participantes
responderam que a rotina mudou completamente, 36% se referiu que a rotina mudou, mas
nem tanto e os demais relataram que a rotina continua da mesma forma que antes da
quarentena. Por fim, no que se referiu as atividade acadêmicas, 81% dos granduandos
relataram que estão vivenciando dificuldades em manter uma rotina de estudo, 12%
alegou que estão tendo mais facilidade e os demais a quarentena não influenciou na rotina
de estudo.
Instrumentos
Para a obtenção dos dados, utilizou-se um questionário sociodemográfico, a
Técnica de Associação Livre de Palavras (TALP). O primeiro instrumento foi utilizado
com a finalidade de obter informações acerca do perfil característico da amostra, além de
conter uma questão norteadora acerca de como os graduandos tem vivenciado as aulas
remotas durante o período de quarentena.
Fez-se uso da TALP tendo como estímulos indutores “quarentena”, e “aulas
remotas”. Esse instrumento trata-se de uma técnica projetiva e não possui propriedades
psicométricas, tendo sido originalmente desenvolvido por Jung no início do século XX
para ser utilizado na clínica, sendo posteriormente adaptado por Di Giácomo, em 1981,
como ferramenta de pesquisa no campo de estudo da Psicologia Social. Esse instrumento
se organiza sobre a evocação de respostas dos participantes, a partir de estímulos
indutores previamente definidos pelo pesquisador, possibilitando, assim, identificar
universos semânticos relacionados a um objeto ou fenômeno social (COUTINHO; DO
BÚ, 2017).
Procedimentos de Coleta de Dados
Os estudantes foram convidados a responderem a um questionário, via formulário
eletrônico (Google Docs). Para isso, foi utilizado o compartilhamento do mesmo em redes
sociais, como Instagram e WhatsApp. Não obstante, antes de iniciar a pesquisa, o
respondente era esclarecido quanto ao objetivo do estudo e orientado sobre o seu caráter
voluntário e confidencial. Caso concordasse em responder, o instrumento era
disponibilizado ao participante. Sublinha-se que se controlou, na coleta de dados, o
número de IP dos aparelhos eletrônicos usados para responder ao questionário (internet
protocol). Nesse sentido, limitou-se uma resposta por identificador.
Procedimentos de Análise de Dados
Os dados advindos da TALP foram analisados por meio do software Interface de
R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires (IRaMuTeQ),
utilizando a análise de similitude a qual tem por finalidade identificar as coocorrências
entre as palavras, auxiliando na identificação da estrutura do conteúdo de um corpus
textual (MARCHAND; RATINAUD, 2012). E a análise por meio da nuvem de palavras
a qual agrupa e as organiza graficamente em função da sua frequência (CAMARGO;
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JUSTO, 2013). Também foi utilizado o software IBM-SPSS para as analises descritivas
dos dados sociodemográficos.
Procedimentos Éticos
Esta pesquisa fora submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa do Centro
Universitário UNIESP e seguiu todos os termos éticos citados pelo Conselho Nacional de
Saúde brasileiro, conforme as Resoluções 466/12 e 510/2016.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O presente artigo teve como objetivo principal de conhecer como universitários
de saúde vêm o coronavírus no contexto acadêmico, para isso foram utilizadas duas
palavras indutoras “quarentena” e “atividades remotas”, uma vez que esse tem sido o
novo contexto utilizado para a continuidade da rotina acadêmica.
De acordo com as Análises de Similitude (AS) ou de semelhanças realizadas é
possível perceber (conforme a figura 1), a localização das coocorrências existentes entre
as palavras, indicando suas conexidades (RATINAUD; MARCHAND, 2012), observa-
se que para o termo quarentena a organização de diferentes formas de sua compreensão,
estando fortemente relacionado à expressão central isolamento, que por sua vez apresenta
três ramificações objetivadas em solidão, ansiedade e casa.
Figura 1. Resultados da Análise de Similitude (AS) acerca da quarentena
Fonte: Dados da pesquisa, 2020.
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Conforme a esfera central associada à representação social da quarentena nota-se
as objetivações isolamento, família, reflexão, cuidado, prevenção, saudade,
responsabilidade e restrição, ancoradas em aspectos psicossociais. Por outro lado,
visualizam-se elementos associados à ancoragem psicoemocional e comportamental, ao
relacionarem a quarentena a um período de solidão, distanciamento necessário vivenciado
como uma prisão onde emergem sentimentos de tristeza. Do mesmo modo, também pode
ser visualizado a ansiedade, o estresse e o medo, como resultantes desse período de
confinamento necessário para a proteção. E por fim, nota-se a ancoragem estrutural
objetivada por meio dos elementos casa, associada a um tempo tedioso necessário em
prol da saúde. Destaca-se que 957 palavras fizeram parte desta análise, sendo 191 palavras
distintas, considerando-se a coocorrência mínima de seis.
Nesse estudo, os graduandos da área da saúde representaram a quarentena como
uma forma de isolamento, também visto como um distanciamento do convívio social,
tendo como principal local a sua própria residência, junto aos seus familiares mais
próximos. Dessa forma, tais aspectos estão em conformidade com as medidas básicas
recomendadas pela OMS para conter o avanço da pandemia, destaca-se ainda que as
outras medidas solicitadas foram tratar os casos identificados; disponibilizar testes para
população; além do uso de alcool em gel; higienização das mãos e uso de máscara se caso
precisem sair de casa (BAI ET AL., 2020; XU ET AL., 2020).
Se por um lado a quarentena representa uma medida de prevenção à saúde,
caracterizando-se também como uma época de reflexão, por outro lado a constância desse
período de privação do convívio social, tem evidenciado emoções negativas tais como: a
solidão, tristeza, estresse, medo e especialmente sintomas ansiogênicos.
Esses dados confirmam aos achados de outros estudos recentes, os quais sinalizam
que o surgimento do COVID-19 e suas consequências têm levado os indivíduos a medos,
preocupações e ansiedade em todo o mundo (AHORSU ET AL., 2020; CAO ET AL.,
2020).
Pesquisas realizadas têm sugerido que o medo de ser infectado por um vírus
potencialmente fatal, de rápida disseminação, cujas origens, natureza e curso ainda são
pouco conhecidos, acaba por afetar o bem-estar psicológico de muitas pessoas
(ASMUNDSON; TAYLOR, 2020; CARVALHO ET AL., 2020). Sintomas de depressão,
ansiedade e estresse diante da pandemia têm sido identificados na população geral
(WANG ET AL., 2020).
Nesse direcionamento, a literatura tem apontado os efeitos negativos da
quarentena, identificando que essa medida tem provocado sintomas de estresse pós-
traumático, confusão e raiva. Apreensões com a escassez de mantimentos e as perdas
financeiras também acarretam prejuízos ao bem-estar psicológico (SHOJAEI,
MASOUMI, IN PRESS). A pandemia do novo coronavírus pode impactar a saúde mental
e o bem-estar psicológico também devido a adaptações nas rotinas e nas relações
familiares (CLUVER ET AL., 2020; ORNELL ET AL., 2020).
Diante dos achados, a representação social acerca da quarentena elaborada pelos
graduandos da área da saúde, tem sido pautada principalmente nas implicações
psicossociais associadas ao período, acarretando agravos à saúde mental dessa população,
desse modo, destaca-se a necessidade do suporte psicológico.
No que tange ao estímulo "aulas remotas" foram encontradas 572 palavras, dos
quais 115 eram diferentes.
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Figura 2. Resultados da Análise de Similitude (AS) acerca de aulas remotas
Fonte: Dados da pesquisa, 2020.
A palavra estímulo "aulas remotas" foi ancorado, inicialmente, em uma dimensão
mais avaliativo-valorativas, sendo objetivadas nos termos "ruim", "estressantes", "chatas"
e "cansativas". Foi ainda ancorada numa dimensão afetivo-comportamental, apontando
que essa forma de ensino tem causado afetos negativos como:estresse e raiva,
comportamentos mal adaptativos como: desinteresse.
Por outro lado, os alunos ancoraram termo a experiência cotidiana dessa nova
forma de ensino, sendo objetivado na ambivalência entre "necessário" e "dificuldade".
Ou seja, embora as aulas remotas se apresentarem necessária nesse período, ela foi vista
como complicada, com novas demandas de trabalho e tempo de estudo, exigindo portanto
um esforço maior, que em alguns casos culminou em ansiedade e desejo por ajuda. Em
última análise percebe-se que os alunos ancoraram as aulas remotas nas adaptações do
uso da internet, o qual seria o protagonista na mediação desse processo entre pandemia e
educação.
Antes de discutir os resultados de fato, torna-se imprescindível mencionar que a
educação mediada pela tecnologia não é uma atividade atrelada à quarentena, mas uma
forma de ensino emergente, resultado de uma ampliação de serviços de conexão móvel
com a internet, além do próprio avanço de dispositivos tecnológicos: computadores,
celulares (CONFORTO; VIEIRA, 2015). Além disso, destaca-se que essa se constitui um
formato de educação com perspectiva de crescimento, e após pandemia entende-se que
houve um processo de aceleramento.
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Neste sentido, embora essa forma de aprendizagem esteja inserida de alguma
forma no cotidiano dos alunos, por meio de atividades que envolvam pesquisa, uso de
sistemas virtuais acadêmicos, e comunicação entre pares e professores, para muitos, o uso
da internet necessitou de adaptações nesse período, sobretudo no que tange ao seu uso
para realização de atividades acadêmicas.
Desse modo, com a pandemia, e, por conseguinte, suspensões das aulas
presenciais, foram solicitados a realizarem adaptações. Tais mudanças foram necessárias,
assim como informam os atores sociais do atual estudo, para a continuidade do ensino.
Uma dessas foi o uso de diferentes aplicativos, a exemplo do Google Classroom,
aplicativo ZOOM, CISCO, Jitsi, Canva, e outros. A despeito disso, no estudo proposto
por Junior e Monteiro (2020), verificou-se que embora o Google Classroom e o aplicativo
ZOOM tenham se apresentado como ferramentas úteis para mediação remota, demandou-
se formação tecnológica por parte professores.
Pode-se citar ainda modificações externas ao ensino, vivenciadas pelos
universitários, desde, dinâmica familiar, reformulação de rotinas de trabalho e cuidado
com filhos ou familiares idosos. Neste direcionamento, mesmo que com o aparente
ampliação do tempo em casa, para alguns o isolamento significou um desequilíbrio e
aglutinação de mais trabalhos, culminando em prejuízos em suas atividades acadêmicas.
Neste sentido, de um lado vemos que as representações dos alunos estão ancoradas
nas adaptações tecnológicas, outrora não necessários em contexto presencial; por outro,
nas implicações psicossociais advindas desse novo formato de ensino, a saber: maior
ansiedade, estresse, sobrecarga e esgotamento. Consonante a isso, pode-se verificar os
estudos recentes em torno de universitários em tempos de pandemia, os quais sinalizaram
que esses apresentaram, nesse período, maiores taxas de ansiedade, estresse, e depressão
(AHORSU ET AL., 2020; CAO ET AL., 2020).
Por fim, foi realizada uma analise denuvem de palavras acerca da questão sobre o
que os estudantes pensavam acerca das aulas remotas na quarentena. Conforme se observa
na Figura 3, a nuvem de palavras enfatiza as objetivações mais frequentes, a saber: “estar,
rotina, não, dificuldade, manter, aula estudo, vírus, sites e aula”.
Figura 3. Nuvem de palavras acerca de quarentena e aulas remotas
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Fonte: Dados da pesquisa, 2020.
Em consonância com a complementariedade dos resultados das análises de
similitude, se observa na nuvem de palavras que a estrutura do conteúdo acerca
quarentena e aulas remotas para os atores sociais participantes do estudo esteve
fortemente associada às dificuldades encontradas durante esse momento de pandemia no
que diz respeito às atividades acadêmicas.
De modo amplo, pode-se dizer que o campo representacional acerca dos
construtos em evidência foi definido como um período de dificuldades para manter a
rotina de aulas e estudos, provavelmente por não estarem adaptados a essa nova realidade
de aulas por meio das plataformas digitais sendo necessario o acesso a diferentes sites e
dessa forma ainda estarem sujeitos a invasão de vírus. Esse dado vai ao encontro do o
alto percentual de estudantes, cerca de 81%, que relatarem estarem vivenciando
dificuldades em manter uma rotina de estudo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa objetivou apreender as Representações Sociais dos universitários de
saúde acerca da quarentena e aulas remotas. De modo geral, verifica-se que o aporte
teórico metodológico utilizado possibilitou a compreensão sobre a quarentena e as aulas
remotas na perspectiva dos próprios atores sociais, bem como, suas vivências
relacionadas à experiência da pandemia.
Em suma, observou-se que os estudantes ancoram o termo quarentena a aspectos
psicoemocionais e comportamentais, pautada principalmente nas implicações
psicossociais associadas ao período, a qual, por seu tempo demanda o suporte
psicológico. Por sua vez, quanto a palavra indutora "aulas remotas", os mesmos a
ancoram em dimensões mais avaliativo-valorativas em geral negativas, além disso,
percebem as aulas remotas enquanto uma experiência ambivalente que embora tenha seu
caráter dificultoso, apresenta-se como necessário em virtude do contexto histórico-social.
Apesar das contribuições trazidas pelo presente estudo, destaca-se que este não
está isento de limitações, como, por exemplo, a utilização de uma amostra que não inclui
outras áreas, a exemplo das de exatas e humanas. De modo que, sugerem-se futuros
estudos que possam ampliar ainda mais esse olhar, podendo inclusive comparar
perspectivas entre elas.
Não obstante, espera-se que esse estudo possa contribuir no que tange ao maior
entendimento sobre a quarentena e aulas remotas na percepção dos granduandos da saúde
nesse contexto atual vinculado a pandemia do novo coronavírus.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos a colaboração de Ana Margareth (Coordenadora do curso de
Estética e Cosmética), Glória Barros (Coordenadora do curso de Nutrição), Glória
Pimenta (Coordenadora do curso de Odontologia), Patricia Tavares (Coordenadora do
curso de Enfermagem), Sandra Suely (Coordenadora do curso de Fisioterapia), Juliana
Carreiro (Coordenadora do curso de Farmácia).
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